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ESTRUTURAS Diego Adorna Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar o conceito de vigas Gerber. Detalhar os procedimentos de cálculo das reações de apoio. Especi� car os procedimentos de traçado dos diagramas de momento de � exão e esforço cortante. Introdução As vigas Gerber são estruturas formadas pela associação de trechos de vigas estáveis e não estáveis, formando um conjunto isostático, que permite que grandes vãos sejam construídos. As vigas Gerber são muito utilizadas na construção de pontes. Neste capítulo, você aprenderá o conceito das vigas Gerber, como é o seu comportamento e as vantagens de sua utilização. Além disso, você estudará os procedimentos de cálculo das reações de apoio das estruturas e como determinar os diagramas de momento de flexão e esforço cortante dessas estruturas. Conceito de vigas Gerber As vigas Gerber são assim nomeadas, de acordo com Soriano (2010), em re- ferência ao engenheiro alemão Heinrich Gerber (1822 – 1912). Elas consistem em estruturas compostas por uma associação de vigas apoiadas umas sobre as outras. Vigas sem estabilidade própria são apoiadas sobre vigas com esta- bilidade própria, descarregando seu carregamento sobre estas. A associação destas vigas resulta em um conjunto estável. As vigas Gerber podem ser formadas por vigas biapoiadas, vigas biapoia- das com balanços ou vigas engastadas e livres. Na Figura 1, é apresentada a estrutura de uma viga Gerber, formada pela associação de vigas biapoiadas e em balanço, apoiadas umas sobre as outras. Figura 1. Estrutura de uma viga Gerber. Fonte: Soriano (2010, p. 104). As ligações entre as diversas vigas isostáticas que compõem o sistema são idealizadas como rótulas, conforme Figura 2. Soriano (2010, p. 146) destaca que “[...] pelo menos um dos apoios dessa viga deve ser projetado para absorver eventuais forças horizontais [...]”. Figura 2. Ligações entre as vigas isostáticas. Fonte: Soriano (2010, p. 151). A construção com vigas Gerber confere vantagens à estrutura, conforme apresentado a seguir: Não desenvolve esforços internos devido a variações de temperatura e recalques diferenciais de apoio. Facilita a construção com componentes pré-fabricados ou pré-moldados. Quando comparadas com estruturas em forma de pórticos, apresenta a vantagem de não transmitir momentos para a infraestrutura. As vigas Gerber são muito utilizadas na construção de estruturas de pontes. Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes38 Cálculo das reações de apoio O cálculo das reações de apoio das vigas Gerber pode ser realizado de duas maneiras: 1. Aplicação das três equações de equilíbrio estático, associadas a mais uma equação de momento nulo para cada uma das rótulas internas; 2. Decomposição da viga Gerber em vigas isostáticas, resolvendo, pri- meiramente, aquelas sem estabilidade própria, aplicando, em seguida, suas cargas diretamente nas demais vigas. Soriano (2010) destaca que o segundo procedimento é mais prático. No exemplo a seguir, são demonstrados ambos os procedimentos. Determine as reações de apoio da viga Gerber apresentada na Figura 3. Figura 3. Viga Gerber. Fonte: Soriano (2010, p. 148). Solução: Na Figura 4, estão apresentadas as reações de apoio que devem ser calculadas. As reações horizontais serão nulas, em função da viga não possuir carregamentos normais. Desse modo, poderá ser descartada a equação de equilíbrio: ∑FH = 0. Figura 4. Reações de apoio da viga Gerber. Fonte: Adaptada de Soriano (2010, p. 148). 39Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes 1. Aplicação das equações de equilíbrio estático. As equações utilizadas na resolução do problema são: Deste modo: Resolvendo o sistema: Obtém-se: Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes40 Aplicando os valores de RB e RD nas equações anteriores, são obtidos: 2. Decomposição da viga Gerber em vigas isostáticas: a decomposição da viga Gerber é realizada de acordo com a Figura 5. Figura 5. Decomposição da viga Gerber. Fonte: Soriano (2010, p. 148). Inicialmente, são determinadas as “reações de apoio” referentes ao trecho E-F, con- forme segue: Os valores correspondentes a RE e RF são, então, aplicados como cargas nas vigas formadas pelos trechos A-E e F-H. As reações de apoio são calculadas por meio das equações de equilíbrio estático, como segue: 41Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes I. Trecho A-E: II. Trecho F-H: Nota-se que o segundo método é muito mais prático, conforme destacado por Soriano (2010). Traçado dos diagramas de momento de flexão e esforço cortante O diagrama de momento de fl exão (DMF) e o diagrama de esforço cortante (DEC) são importantes peças analíticas que permitem a determinação dos esforços atuantes em qualquer ponto da estrutura. Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes42 A concepção dos diagramas é realizada por meio do cálculo dos esforços nas seções de transição da estrutura. Além disso, os valores de momento máximo devem ser determinados em cada trecho da estrutura. A convenção de sinais normalmente utilizada está representada na Figura 6. A de- terminação adequada dos valores e sinais é fundamental para o traçado adequado dos diagramas. Figura 6. Convenção de sinais. Fonte: Adaptada de Soriano (2010, p. 74). O exemplo a seguir apresenta os procedimentos necessários para o traçado dos diagramas de momento de flexão (DMF) e esforço cortante (DEC). Determine os diagramas de momento de flexão (DMF) e de esforço cortante (DEC) da viga Gerber apresentada no exemplo anterior. Solução: Na Figura 7, é apresentada a estrutura da viga Gerber, com seus carregamentos e reações de apoio. Figura 7. Carregamentos e reações de apoio das vigas Gerber. Fonte: Adaptada de Soriano (2010, p. 148). 43Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes Determinação do DMF: Devem ser determinados os momentos de flexão nas seções de transição das vigas. Inicialmente, calculam-se os momentos na viga A-E, da esquerda para a direita, conforme segue: Em seguida, calculam-se os momentos na viga F-H, da direita para a esquerda, conforme segue: As rótulas E e F permitem a rotação, ou seja, têm momento de flexão igual a 0. Com os momentos obtidos, é traçada a linha de referência do DMF, representada de forma tracejada na Figura 8. O traçado da curvatura da parábola é realizado pela determinação do momento de flexão máximo, resultante de um carregamento uniformemente distribuído em uma viga biapoiada, conforme segue: I. Trecho B-C = Trecho C-D: II. Trecho G-H: III. Trecho E-F: Os valores são aplicados no meio de seus respectivos trechos, conforme observado na Figura 8. Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes44 Figura 8. Diagrama de momento de flexão. Fonte: Soriano (2010, p. 149). Pela análise da Figura 8, nota-se que os momentos atuantes máximos nos trechos B-D e E-F são, respectivamente, 150KNm e 60KNm. No trecho G-H, contudo, o momento de flexão máximo deve ser definido analiticamente, pela determinação da coordenada de (x’) e do valor do momento atuante nesta coordenada, conforme segue: 1. Determinação do DEC: Os esforços cortantes devem ser determinados em cada um dos pontos de transição da estrutura. Os esforços são calculados nos pontos antes (-) e depois (+) da aplicação da carga, conforme segue: Da esquerda para a direita: Da direita para a esquerda: 45Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes Com os valores obtidos, o DEC é montado, conforme Figura 9. Figura 9. Diagrama de esforço cortante. Fonte: Soriano (2010, p. 149). Viga Gerber: reações de apoio e diagramas de esforços solicitantes46 SORIANO, H. L. Estática das estruturas. 2. ed. Rio de Janeiro: Ciência Moderna,2010. Leitura recomendada SÜSSEKIND, J. C. Curso de análise estrutural. 6. ed. Rio de Janeiro: Globo, 1981. Referência