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www.cers.com.br OAB XX EXAME DE ORDEM – 1ª FASE Direito Civil – Aula 05 Luciano Figueiredo 1 Sucessões Teoria Geral Material para o Curso de Primeira Fase da OAB. Elaboração: Luciano L. Figueiredo 1 . 1. Conceitos de Sucessão e Conceitos Importan- tes - Sucessor x Herdeiro x Legatário 2. Sistema Sucessório Nacional. Adota-se no Brasil a divisão necessária, baseada no princípio da proximidade. Art. 1.789. Havendo herdeiros necessários, o testa- dor só poderá dispor da metade da herança. Art. 1.845. São herdeiros necessários os descen- dentes, os ascendentes e o cônjuge. Art. 1.846. Pertence aos herdeiros necessários, de pleno direito, a metade dos bens da herança, consti- tuindo a legítima. Excepciona-se o princípio da proximidade pelo direi- to de representação. 2.1 Direito de Representação. Art. 1.851. Dá-se o direito de representação, quando a lei chama certos parentes do falecido a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se vivo fosse. Art. 1.852. O direito de representação dá-se na linha reta descendente, mas nunca na ascendente. Art. 1.853. Na linha transversal, somente se dá o direito de representação em favor dos filhos de ir- mãos do falecido, quando com irmãos deste concor- rerem. 4. Momento da Abertura: Droit de Saisine. Art. 1.784. Aberta a sucessão, a herança transmite- se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamen- tários. Art. 1.787. Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura daquela. 1 Advogado. Sócio do Figueiredo & Figueiredo Advocacia e Consultoria. Graduado em Direito pela Universidade Salvador (UNIFACS). Especialista (Pós-Graduado) em Direito do Estado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Direito Privado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professor de Direito Civil. Palestrante. Autor de Artigos Científicos e Livros Jurídicos. Fan Page: Luciano Lima Figueiredo. Site: www.direitoemfamilia.com.br. Twitter: @civilfigueiredo. Insta- gram: @lucianolimafigueiredo. 5. Capacidade para Suceder. Art. 1.861. A incapacidade superveniente do testa- dor não invalida o testamento, nem o testamento do incapaz se valida com a superveniência da capaci- dade. Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nas- cidas (existentes) ou já concebidas no momento da abertura da sucessão. Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: I - os filhos, ainda não concebidos (prole eventual), de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão; II - as pessoas jurídicas; III - as pessoas jurídicas, cuja organização for de- terminada pelo testador sob a forma de fundação. Art. 1.800. No caso do inciso I do artigo anteceden- te, os bens da herança serão confiados, após a liquidação ou partilha, a curador nomeado pelo juiz. § 1º Salvo disposição testamentária em contrário, a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador espe- rava ter por herdeiro, e, sucessivamente, às pesso- as indicadas no art. 1.775. § 2º Os poderes, deveres e responsabilidades do curador, assim nomeado, regem-se pelas disposi- ções concernentes à curatela dos incapazes, no que couber. § 3º Nascendo com vida o herdeiro esperado, ser- lhe-á deferida a sucessão, com os frutos e rendi- mentos relativos à deixa, a partir da morte do testa- dor. § 4º Se, decorridos dois anos após a abertura da sucessão, não for concebido o herdeiro esperado, os bens reservados, salvo disposição em contrário do testador, caberão aos herdeiros legítimos. Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários: I - a pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos (pois pode de alguma manei- ra interferir na vontade do testador); II - as testemunhas do testamento; III - o concubino (amante) do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos; IV - o tabelião, civil ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer, assim como o que fizer ou aprovar o testamento. Art. 1.802. São nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa. http://www.direitoemfamilia.com.br/ www.cers.com.br OAB XX EXAME DE ORDEM – 1ª FASE Direito Civil – Aula 05 Luciano Figueiredo 2 Parágrafo único. Presumem-se pessoas interpostas os ascendentes, os descendentes, os irmãos e o cônjuge ou companheiro do não legitimado a suce- der. 6. Indignidade e Deserdação 6.1 Indignidade Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários: I - que houverem sido autores, co-autores ou partí- cipes de homicídio doloso, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II - que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro; III - que, por violência ou meios fraudulentos, inibi- rem ou obstarem o autor da herança de dispor li- vremente de seus bens por ato de última vontade. Art. 1.816. São pessoais os efeitos da exclusão; os descendentes do herdeiro excluído sucedem, como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão. Parágrafo único. O excluído da sucessão não terá direito ao usufruto ou à administração dos bens que a seus sucessores couberem na herança, nem à sucessão eventual desses bens. Art. 1.815. A exclusão do herdeiro ou legatário, em qualquer desses casos de indignidade, será decla- rada por sentença. Parágrafo único. O direito de demandar a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em quatro anos, contados da abertura da sucessão. E. 116 – Art. 1.815: o Ministério Público, por força do art. 1.815 do novo Código Civil, desde que pre- sente o interesse público, tem legitimidade para promover ação visando à declaração da indignidade de herdeiro ou legatário. Art. 1.818. Aquele que incorreu em atos que deter- minem a exclusão da herança será admitido a su- ceder, se o ofendido o tiver expressamente reabi- litado em testamento, ou em outro ato autêntico. Parágrafo único. Não havendo reabilitação expres- sa, o indigno, contemplado em testamento do ofen- dido, quando o testador, ao testar, já conhecia a causa da indignidade, pode suceder no limite da disposição testamentária. 6.2 Deserdação Art. 1.962. Além das causas mencionadas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos descendentes por seus ascendentes: I - ofensa física; II - injúria grave; III - relações ilícitas com a madrasta ou com o pa- drasto; IV - desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade. Art. 1.963. Além das causas enumeradas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos ascendentes pelos descendentes: I - ofensa física; II - injúria grave; III - relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou a do neto, ou com o marido ou compa- nheiro da filha ou o da neta; IV - desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade. 7. Renúncia à Herança Art. 1.811. Ninguém pode suceder, representando herdeiro renunciante. Se, porém, ele for o único legítimo da sua classe, ou se todos os outros da mesma classe renunciarem a herança, poderão os filhos vir à sucessão, por direito próprio, e por cabe- ça. Art. 1.806. A renúncia da herança deve constar ex- pressamente de instrumento público ou termo judi- cial. Art. 1.813. Quando o herdeiro prejudicar os seus credores, renunciando à herança, poderão eles, com autorização do juiz, aceitá-la em nome do renunciante. Sucessão Legítima 1. Introdução e Ordem de Vocação Hereditária Como visto inicialmente a sucessão legítima é a sucessão por lei que, em principio, ocorrequando não fora feito testamento. Dentro desse contexto, são herdeiros legítimos os descendentes, ascendentes, o cônjuge e os colate- rais até o quarto grau. Qual é a ordem de vocação hereditária? Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I - aos descendentes, em concorrência com o côn- juge sobrevivente, salvo se casado este com o fale- cido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particu- lares; II - aos ascendentes, em concorrência com o cônju- ge; www.cers.com.br OAB XX EXAME DE ORDEM – 1ª FASE Direito Civil – Aula 05 Luciano Figueiredo 3 III - ao cônjuge sobrevivente; IV - aos colaterais. Vamos à verificação das hipóteses. 2. Sucessão dos Descendentes Norteia-se por duas regras: 1) Igualdade 2) Proximidade. Cabeça ou linhas? 3. Sucessão dos Ascendentes Sucessão do ascendente segue as mesmas regras da sucessão do descendente: 1) Igualdade 2) Proximidade. Cabeça ou linhas? 4. Consideração para a Sucessão do Cônjuge e do Companheiro Cônjuge e companheiro têm: - herança - meação - direito real de habitação Direito real de habitação do cônjuge - está no art. 1831 CC. Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem preju- ízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar. Direito real de habitação do companheiro Não vem disciplinado no CC, mas sim pela Lei 9278/96, no seu art. 7°, parágrafo único. Art. 7, p.u. Dissolvida a união estável por morte de um dos conviventes, o sobrevivente terá direito real de habitação, enquanto viver ou não constituir nova união ou casamento, relativamente ao imóvel destinado à residência da família. 5.Sucessão do Cônjuge 5.1 Pressuposto para sucessão do cônjuge CC, Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não estavam separados judi- cialmente, nem separados de fato há mais de dois anos, salvo prova, neste caso, de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente. 5.2 Concorrência sucessória do cônjuge com o descendente Inicialmente, como visto, lembremo-nos de que o cônjuge foi elevado à categoria de herdeiro ne- cessário (art. 1845) pelo vigente Código Civil. O cônjuge não concorrerá com os descendentes, se for casado nos seguintes regimes: a) separação obrigatória (1641); b) comunhão universal; c) comunhão parcial, se o falecido não deixou bens particulares. Na hipótese de comunhão parcial incide sobre os bens comuns ou apenas sobre os particulares? Quanto ao critério de divisão (montante), será aplicado o art. 1832 do Código: Art. 1.832. Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, inciso I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros com que concorrer. E se o cônjuge concorrer com descendentes co- muns e não comuns (exclusivos)? 5.2 Sucessão do cônjuge em concorrência com o ascendente O cônjuge terá direito concorrencial em face dos ascendentes, qualquer que seja o regime de bens, na forma do art. 1837: Art. 1.837. Concorrendo com ascendente em primei- ro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só as- cendente, ou se maior for aquele grau. Se não houver nenhum descendente e nem ne- nhum ascendente? 6. Sucessão do Companheiro www.cers.com.br OAB XX EXAME DE ORDEM – 1ª FASE Direito Civil – Aula 05 Luciano Figueiredo 4 Art. 1.725. Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patri- moniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens. Logo, o companheiro tem direto à meação dos bens adquiridos na constância da união. E a sucessão? É herdeiro necessário? O fato é que, o cônjuge possui regramento sucessó- rio especial no art. 1790 do CC. O companheiro somente terá direito sucessório sobre os bens adquiridos a título oneroso na constância da união estável. Art. 1.790. A companheira ou o companheiro parti- cipará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente (AQUESTOS) na vigên- cia da união estável, nas condições seguintes: I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança. 7. Sucessão dos Colaterais Vale lembrar que o direito sucessório na linha trans- versal somente é contemplado até o quarto grau de parentesco. No CC, regem a matéria os artigos: Art. 1.839. Se não houver cônjuge sobrevivente, nas condições estabelecidas no art. 1.830, serão chamados a suceder os colaterais até o quarto grau. Art. 1.840. Na classe dos colaterais, os mais pró- ximos excluem os mais remotos, salvo o direito de representação concedido aos filhos de irmãos. Art. 1.841. Concorrendo à herança do falecido irmãos bilaterais com irmãos unilaterais, cada um destes herdará metade do que cada um da- queles herdar. Art. 1.842. Não concorrendo à herança irmão bilateral, herdarão, em partes iguais, os unilate- rais. Art. 1.843. Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo, os tios. § 1o Se concorrerem à herança somente filhos de irmãos falecidos, herdarão por cabeça. § 2o Se concorrem filhos de irmãos bilaterais com filhos de irmãos unilaterais, cada um destes herdará a metade do que herdar cada um daque- les. § 3o Se todos forem filhos de irmãos bilaterais, ou todos de irmãos unilaterais, herdarão por igual.