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GESTÃO EM SAÚDE 
 
 
Epidemiologia e Saúde 
 
Unidade I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profa. Ma. Patrícia Laguna Miorin 
 
 
 
 
 
MIORIN, Patrícia Laguna 
 
 Epidemiologia e Saúde (livro-texto) / Patrícia Laguna Miorin. 
São Paulo: Pós-Graduação Lato Sensu UNIP, 2018. 
 27 p. 
 
 1. Epidemiologia. 2. Saúde. 3. Doenças. I. MIORIN, Patrícia 
Laguna. II. Pós-Graduação Lato Sensu UNIP. III. Título. 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. PROCESSO EVOLUTIVO ENTRE SAÚDE E DOENÇA: PADRÕES DE 
PROGRESSÃO E HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA ......................................................... 5 
2. DEFINIÇÕES E CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM EPIDEMIOLOGIA: 
DETERMINANTES EM SAÚDE E FATORES DE RISCO ...................................................... 7 
3. USOS E ATRIBUIÇÕES DA EPIDEMIOLOGIA .............................................................. 9 
4. HISTÓRIA DA EPIDEMIOLOGIA .................................................................................. 10 
4.1 Primórdios da epidemiologia ......................................................................................... 10 
4.2 Epidemiologia clássica – Século XIX ............................................................................ 11 
5. MEDIDAS DE ASSOCIAÇÃO EM EPIDEMIOLOGIA .................................................... 13 
5.1 População em risco....................................................................................................... 13 
5.2 Medidas de morbidade: prevalência e incidência .......................................................... 13 
5.3 Letalidade ..................................................................................................................... 14 
5.4 Expectativa de vida ....................................................................................................... 15 
5.5 Mortalidade ................................................................................................................... 15 
6. CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E 
SAÚDE (CIFS) ..................................................................................................................... 17 
7. ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS .................................................................................. 18 
7.1 . Estudos descritivos: relatos de casos e séries de casos ............................................. 18 
7.2 Estudo transversal ou de prevalência ........................................................................... 19 
7.3 Estudo de coorte ou longitudinal ................................................................................... 19 
7.4 Estudo de caso e controle ou longitudinal ..................................................................... 20 
7.5 Estudos ecológicos ....................................................................................................... 22 
7.6 Estudos experimentais .................................................................................................. 22 
7.7 Fator de confusão e erros em estudos epidemiológicos ................................................. 23 
BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................... 24 
 
 
 
 
 
4 
 
INTRODUÇÃO 
 
A epidemiologia é um termo de origem grega que significa “estudo sobre 
a população”. Ela estuda a relação saúde-doença em sociedades, 
comunidades e grupos específicos, e não em indivíduos isoladamente, como 
acontece na clínica médica. 
Todos os estudos epidemiológicos são direcionados para a criação de 
políticas de saúde pública com o objetivo de propor medidas de controle, 
prevenção e erradicação de uma enfermidade ou agravo nos diferentes grupos 
da população. 
Essa ciência busca reduzir os problemas da saúde populacional 
causados por fatores socioambientais como moradia, alimentação saudável, 
ambiente de trabalho adequado, educação de qualidade, acesso a serviços de 
saúde, bem como tempo disponível para o lazer. 
Nesse contexto, serão estudadas as definições básicas em 
epidemiologia abordando os determinantes e fatores de risco de saúde e 
doença; a origem da epidemiologia e sua evolução na humanidade; os 
principais estudos epidemiológicos e suas medidas de associação. 
 
 
5 
 
1. PROCESSO EVOLUTIVO ENTRE SAÚDE E DOENÇA: PADRÕES 
DE PROGRESSÃO E HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA 
 
Em 1946, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que saúde 
não significa apenas a ausência de uma doença ou uma incapacidade, mas um 
estado de bem-estar físico, mental e social do ser humano. Dessa forma, 
podemos considerar que o estado de saúde de uma população é influenciado 
pelas condições sociais e econômicas do país em que vive, porque as 
condições socioambientais interferem diretamente no equilíbrio fisiológico e 
mental do indivíduo. 
Uma doença pode ser diagnosticada através de sintomas e sinais, 
juntamente com exames laboratoriais. O diagnóstico de uma patologia pode ser 
modificado, no decorrer dos anos, com os avanços tecnológicos, que 
possibilitam a realização de novas pesquisas. 
É importante entender o processo saúde-doença de uma população para 
identificar as soluções de prevenção, controle e eliminação das enfermidades, 
evitando assim possíveis incapacidades decorrentes de patologias. 
A epidemiologia possui a função de descrever o estado de saúde de 
grupos populacionais, específicos ou generalizados, para que as autoridades 
em saúde possam analisar quais são os melhores recursos e programas 
direcionados para a prevenção e a cura da população em foco. 
Na clínica médica, o processo evolutivo entre saúde e doença segue 
diversos cursos e resoluções, dependendo de cada paciente e do meio 
ambiente em que vive. Nesse sentido, é importante conhecer os padrões de 
progressão e a história natural das doenças para que o estado saúde-doença 
em uma população seja mais bem avaliado. 
Uma doença pode evoluir para os seguintes padrões de progressão: 
evolução aguda e rapidamente fatal; evolução aguda clinicamente evidente 
com recuperação; evolução subclínica; evolução crônica progressiva com óbito 
em longo ou curto prazo; evolução crônica com períodos assintomáticos e 
sintomáticos. 
Na evolução aguda e rapidamente fatal, temos como exemplo uma 
meningite ou tromboembolismo pulmonar; já na evolução aguda clinicamente 
evidente com recuperação, encontramos as infecções respiratórias virais e 
pneumonia pneumocócica. 
Uma evolução subclínica acontece sem alcançar o limiar clínico, ou seja, 
o paciente apenas toma conhecimento do processo patológico por exames 
laboratoriais, pois não ocorre o aparecimento de sintomas. Exemplo: a 
primoinfecção tuberculosa e a toxoplasmose. 
Uma fibrose pulmonar idiopática pode evoluir para óbito em curto prazo 
e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), uma patologia muitas vezes 
relacionada com o vício do tabagismo, evolui para óbito em longo prazo. 
Asma e bronquite apresentam uma evolução crônica com períodos 
assintomáticos e sintomáticos, deixando sequelas e incapacidades no indivíduo 
afetado. 
Na epidemiologia é preciso conhecer a história natural da doença para 
que seja possível modificar seu curso por meio da realização de ações 
preventivas em saúde com o objetivo de prevenir incapacidades que, 
 
6 
 
eventualmente, podem aparecer após as alterações patológicas em um 
indivíduo. 
A história natural da doença mostra a evolução das patologias sem 
nenhuma interferência médica. Essa evolução é dividida em quatro fases: fase 
inicial ou de suscetibilidade; fase patológica pré-clínica; fase clínica; fase de 
incapacidade residual. 
A fase inicial ou de suscetibilidade corresponde ao período em que ainda 
não há a doença, mas o indivíduo está exposto a fatores sociais, ambientais ou 
de suscetibilidade imunológica ou genética do hospedeiro, que favorecem o 
desenvolvimento de uma patologia. 
Na fase patológica pré-clínica, o indivíduojá apresenta sinais e 
sintomas, porém, não perceptíveis, portanto, a doença não está em evidência. 
Exemplo: movimentos ciliares reduzidos da doença pulmonar obstrutiva crônica 
(DPOC). Já na fase clínica, há a manifestação da doença, com a evidência de 
seus sintomas. Exemplo: um enfisema pulmonar manifesta como sintomas a 
falta de ar, tosse crônica e um quadro de bronquite; uma infecção alimentar 
bacteriana pode revelar diarreia ou disenteria com febre e dores abdominais. 
Caso a doença manifestada não apresente cura ou não evolua para 
óbito, predomina a fase de incapacidade residual, ou seja, há uma recuperação 
parcial da saúde, com as possíveis sequelas de uma patologia. Exemplo: em 
uma DPOC ocorre limitação funcional respiratória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
2. DEFINIÇÕES E CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM 
EPIDEMIOLOGIA: DETERMINANTES EM SAÚDE E FATORES DE RISCO 
 
A doença ou a falta de saúde em uma população não é um estado 
aleatório. Cada indivíduo apresenta uma soma de características que o 
predispõe, ou não, a adquirir diversos agravos à saúde. A partir deste 
conhecimento, é permitido investigar fatores etiológicos e fatores de riscos 
relacionados com as patologias, bem como a distribuição das doenças em 
populações. 
O estudo da distribuição e frequência de uma doença em uma 
população exige entender e estudar os fatores que determinam e condicionam 
o processo saúde-doença em populações humanas. 
Os determinantes em saúde indicam as condições de vida a que uma 
população é submetida, enquanto os fatores condicionantes de saúde 
relacionam o estilo de vida da população. Portanto, os determinantes 
econômicos, culturais, ecológicos e psicossociais são fatores ou agentes que 
afetam o estado de saúde e influenciam no estilo de vida. 
Miséria, desnutrição, privações, falta de saneamento básico e educação 
inadequada são identificados como determinantes econômicos. Os 
determinantes culturais demonstram hábitos alimentares equivocados, vícios, 
uso abusivo de medicamentos, desmame precoce, falta de higiene pessoal e 
doméstica, caracterizando o estilo de vida da população. 
Desequilíbrios ambientais, como poluição da água, atmosférica e lixo 
não tratado indicam os determinantes ecológicos. Agressividade, desemprego 
e estresse são determinantes psicossociais ou comportamentais, que 
influenciam na imunidade do indivíduo e no aumento de homicídios. 
Programas educativos alimentares e criação de áreas públicas para a 
prática de exercícios físicos, bem como proibição do uso de tabaco e álcool 
podem ser eficazes para a mudança comportamental da população. 
As investigações epidemiológicas podem apresentar fatores de risco 
importantes para desencadear o aparecimento de um agravo ou doença. O 
risco epidemiológico pode ser definido como: “A probabilidade de um membro 
de uma população definida desenvolver uma dada doença em um período de 
tempo” (ALMEIDA FILHO, 1989, p. 24). Portanto, a presença de fatores de 
risco em uma população em estudo aponta uma maior probabilidade do 
desenvolvimento de patologias em um determinado local e momento, 
dependendo também da suscetibilidade do hospedeiro e das características do 
agente patogênico envolvido. A saúde populacional pode ser visualizada 
através da presença ou ausência de um fator de risco. 
Os fatores de risco são divididos em: físicos (ruídos, temperaturas, 
radiações ionizantes e não ionizantes), químicos (poeira, fumo, gases tóxicos 
como dióxido de carbono em grandes quantidades e produtos químicos em 
geral presentes no meio ambiente, como mercúrio e amianto), biológicos 
(micro-organismos patogênicos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas), 
nutricionais (hábitos alimentares inadequados que levam à obesidade e 
doenças cardiovasculares) e genéticos (predisposição genética em 
desenvolver o agravo). 
Pela complexidade do processo saúde-doença, os fatores de risco são 
mais bem compreendidos através de modelos explicativos, como o biomédico, 
o sistêmico e o ecológico. 
 
8 
 
O modelo biomédico foca somente em patógenos desencadeadores da 
doença, não envolvendo relações psicossociais ou ambientais. Possui uma 
abordagem única causal relacionada ao agente etiológico; já o modelo 
sistêmico vincula as causas de uma doença a questões orgânicas, individuais, 
familiares e sociais, ou seja, a doença não é apenas causada por agentes 
patológicos. 
O modelo ecológico explica que o aparecimento de uma doença está 
relacionado ao desequilíbrio entre o ambiente e o indivíduo. O ambiente 
influencia o hospedeiro e agente etiológico, que, ao mesmo tempo, pode ser 
modificado pelos dois. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
3. USOS E ATRIBUIÇÕES DA EPIDEMIOLOGIA 
 
Por ser considerada uma ciência pública, pois trabalha com a 
coletividade, o objetivo principal da epidemiologia consiste em melhorar o 
estado de saúde das populações. Ela é realizada por meio da prevenção e do 
controle de qualquer agravo à saúde, identificando as causas e estudando a 
melhor maneira de solução coletiva. Portanto, os objetivos da epidemiologia 
são divididos em três passos: observação, identificação e aplicação. 
A observação é imprescindível para que seja possível descrever a 
distribuição e intensidade dos problemas de saúde nas populações. 
Características das pessoas atingidas pelo agravo, lugar e tempo são o 
primeiro passo para entendimento de algum problema relacionado à saúde. 
O segundo passo consiste em identificar os agentes etiológicos e os 
fatores de risco para a doença ou agravo, determinando as causas dos 
problemas de saúde nas populações e buscando explicações etiológicas para o 
acometimento e desigualdades da doença. Para identificar o estado de saúde-
doença em uma população, é essencial conhecer os determinantes da doença 
para que as ações sejam direcionadas às medidas curativas e preventivas, 
visando a erradicação. 
Após observar e identificar, é preciso aplicar, ou seja, gerar um 
conhecimento para solucionar o problema. São criadas medidas de 
planejamento, execução e posterior avaliação da eficácia das medidas 
adotadas para alterar a situação do agravo. 
 As informações epidemiológicas são de grande importância para 
otimizar o estado de saúde da população, pois permitem a melhoria dos 
sistemas de gestão. Portanto, a divulgação das informações obtidas permite 
implementar ou corrigir eventuais falhas das ações coletivas realizadas, bem 
como avaliar as medidas de controle que foram adotadas. 
 A vigilância epidemiológica é a responsável por fornecer orientações 
técnicas atualizadas aos profissionais da saúde sobre doenças ou agravos, 
além de constituir importante instrumento para subsidiar o planejamento, a 
organização, a operacionalização e a normatização das atividades técnicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
4. HISTÓRIA DA EPIDEMIOLOGIA 
 
É importante estudar a história da epidemiologia para compreender sua 
evolução como uma disciplina articulada, sendo um instrumento de grande 
importância para a saúde pública. 
Podemos dividir a história dos pensamentos epidemiológicos em três 
fases: primórdios da epidemiologia, iniciada na Grécia e Roma antigas; 
epidemiologia clássica; e a atual epidemiologia moderna. 
O termo epidemiologia tem origem grega: epi (sobre), demos (povo), 
logos (conhecimento), e teve sua origem nas observações de Hipócrates, na 
Grécia antiga, que relacionou os fatores ambientais à ocorrência de doenças. 
Considerado o pai da medicina, mostrou a importância de medidas de 
prevenção e cura das doenças. 
A epidemiologia clássica começa no século XIX com a revolução 
industrial, época em que John Snow (1854) relacionou a água contaminada por 
fezes com a ocorrência da cólera por ocasião de uma epidemia em Londres, 
passando então a ser considerado o pai da epidemiologia. 
A epidemiologia moderna se destaca com o aumento das doenças não 
transmissíveis.4.1 Primórdios da epidemiologia 
 
Na antiguidade, as enfermidades eram vistas do ponto de vista religioso. 
A doença era resultado de castigo e a cura era realizada por meio de rituais 
religiosos, evocando feiticeiros e sacerdotes. Havia muitos mitos e 
superstições. 
A medicina científica teve início na Grécia antiga, quando Hipócrates 
(460- 377 a.C.) iniciou os pensamentos epidemiológicos descrevendo o 
aparecimento das doenças como algo racional, abandonando os argumentos 
sobrenaturais da época. 
Hipócrates relacionou o meio ambiente com o processo saúde-doença 
nas populações. Em seu trabalho “Ares, Água e Lugares” concluiu essa 
interação, especulando sobre as relações da água, do clima e do solo com as 
enfermidades. Apresentou descrições de doenças ligadas à água parada, 
mesmo não conhecendo a existência dos micro-organismos patogênicos 
liberados através de secreções humanas e que contaminavam a água, 
conhecimento que só teve sustentação científica milhares de anos depois. 
Observou epidemias sazonais e chamou a atenção dos médicos para 
atitudes comportamentais dos indivíduos, como o ato de comer e beber. As 
manifestações clínicas das doenças eram, então, tratadas com mudanças na 
alimentação e com a realização de sangrias, na tentativa de ajudar a 
estabelecer um organismo saudável novamente. 
Na Roma antiga, entre os séculos XIV e XVII, a teoria de Hipócrates foi 
seguida pelo médico Galeno, mas perdeu forças para a teoria miasmática, em 
que as doenças teriam origem nos miasmas, que eram os odores venenosos, 
gases ou resíduos nocivos oriundos do solo. 
Novos pensamentos científicos iniciaram entre os séculos XVII e XVIII 
com os trabalhos de Galileu e Newton. Em Londres, no século XVII, entre 1620 
e 1674, o pesquisador John Graunt estipulou padrões de fertilidade, morbidade 
 
11 
 
e mortalidade. Estimou o número de habitantes, a taxa de crescimento 
populacional e a estrutura etária da população de Londres realizando cálculos 
de mortalidade. Por meio das mensurações, definia o risco das ocorrências 
patológicas. 
Ainda em Londres, no século XVII, Thomas Sydenham estudou a febre e 
a varíola. Descreveu e distinguiu várias doenças, incluindo as psicológicas, 
propondo alguns tratamentos, como exercícios e dietas saudáveis. 
Em meados do século XVIII, James Lind, um cirurgião escocês, 
observou que o clima, o tempo e a alimentação influenciavam na disseminação 
das doenças. 
 
4.2 Epidemiologia clássica – Século XIX 
 
A revolução industrial foi destaque no século XIX. Em Londres, foram 
realizados censos, reformas sanitárias e estatísticas vitais que deram início à 
identificação da distribuição das doenças através de medidas realizadas em 
grandes grupos populacionais. 
Edwin Chadwick fundou a saúde pública e William Farr desenvolveu a 
estatística e defendeu a existência de doenças multifatoriais. A teoria 
miasmática declinou com os novos estudos sobre transmissão e prevenção das 
doenças, como a constatação de transmissões por contato direto e indireto, 
através de instrumentos e mãos contaminadas por micro-organismos 
patogênicos. 
Em Londres (1954), o médico John Snow foi considerado o pai da 
epidemiologia ao investigar um surto de cólera, pois desconsiderou a hipótese 
de sua transmissão pelo ar ou por contato entre pessoas e estabeleceu uma 
relação entre a água contaminada com fezes de doentes e a própria doença. O 
agente etiológico Vibrio cholerae, causador da cólera, ainda não era conhecido. 
Logo depois, no mesmo século, se destacou o químico Louis Pasteur, 
que identificou a existência de micro-organismos e concluiu que o calor seria 
capaz de matá-los, desenvolvendo o processo de pasteurização. Criou formas 
atenuadas de micro-organismos, possibilitando a vacinação contra a cólera em 
galinhas. 
Pasteur e Robert Koch, um importante bacteriologista alemão, 
descobriram a existência de micro-organismos patogênicos, como a bactéria da 
cólera, confirmando os estudos de Snow. Robert Koch descobriu o bacilo de 
Koch, agente etiológico da tuberculose. 
 
4.3 Epidemiologia moderna 
 
Com as mudanças sociais e demográficas, que passaram a influenciar o 
perfil epidemiológico das doenças, surgiu a epidemiologia moderna. Houve um 
decréscimo das doenças infecciosas e um aumento das doenças crônicas. 
 
12 
 
Na metade do século XX, a epidemiologia demonstra preocupações com 
as doenças crônicas não transmissíveis, como neoplasias, doenças do sistema 
cardiovascular e doenças pulmonares, que apresentam uma grande relevância, 
principalmente nas sociedades industrializadas. 
Estudos observacionais dos médicos Richard Doll e Andrew Hill 
mostraram a relação entre o hábito de fumar e o câncer de pulmão entre 
médicos britânicos, o que contribuiu para compreender os fatores de risco 
nocivos do tabagismo. Também de grande valia para a expansão do campo 
epidemiológico foi o Framingham Heart Study, um estudo longitudinal em 
Framingham, uma cidade dos Estados Unidos, sobre os fatores de risco para 
doenças cardiovasculares, como dieta inadequada e falta de exercícios físicos. 
A relação entre fatores de risco e aparecimento de doenças em 
populações está relacionada com questões sociodemográficas e 
comportamentais, gerando uma ligação da epidemiologia com outras ciências, 
como a social, demográfica, política, econômica e antropológica. 
Segundo Carvalho et al. (2017), as mudanças epidemiológicas no 
mundo decorrem do controle das doenças transmissíveis nos países de 
primeiro mundo, com ênfase para as não-transmissíveis, bem como acidentes 
e violência, identificados como causas externas. 
Há um perfil patológico com o aumento da morbidade e controle da 
mortalidade: predomina a morbimortalidade em grupos sociais de faixa etária 
mais elevada. 
No Brasil, os problemas de saúde estão direcionados ao predomínio das 
doenças crônico-degenerativas e causas externas e também ao aumento das 
doenças transmissíveis, antes controladas ou erradicadas e agora 
reemergindo. As doenças infecciosas, como dengue e cólera, estão sendo 
reintroduzidas. Há a persistência de doenças relacionadas aos processos 
socioeconômicos, como tuberculose e leishmanioses. 
Quando comparado aos países desenvolvidos, o Brasil apresenta 
coeficiente de mortalidade muito elevado, com predomínio das endemias e 
envelhecimento rápido da população. Há uma grande disparidade nos padrões 
de mortalidade e morbidade nas diferentes regiões brasileiras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
5. MEDIDAS DE ASSOCIAÇÃO EM EPIDEMIOLOGIA 
 
As medidas de associação são usadas para medir a ocorrência de 
doenças em populações e permitem quantificar a força de associação entre a 
doença e o fator de risco. São os indicadores que esclarecem as condições de 
saúde de uma população, podendo ser expressos numericamente. 
Os indicadores de saúde demonstram o perfil do estado saúde-doença, 
podendo beneficiar políticas de monitoramento e controle das doenças em 
geral. Permitem verificar desigualdades dentro da mesma população, 
identificando diferenças econômicas e sociais. 
O estado saúde-doença em uma população pode ser mensurado por 
meio da mortalidade e da morbidade, ou seja, verificando a quantidade de 
pessoas que morrem e adoecem em uma determinada população, em um 
determinado período. 
A morbidade e suas medidas de incidência e prevalência, a mortalidade, 
a letalidade e expectativa de vida são alguns indicadores utilizados em 
epidemiologia e saúde pública. 
 
5.1 População em risco 
 
Para calcular uma medida de ocorrência da doença, é importante 
considerar a população em risco, ou seja, o total de indivíduos expostos a um 
fator de risco, aqueles suscetíveis a adquirir uma doença. 
Portanto, a população em risco é o denominador do cálculo de uma 
medida de associação ou indicador de saúde. 
 
5.2 Medidas de morbidade: prevalência e incidência 
 
Em epidemiologia, morbidade é o conjunto de casos de uma 
determinada doença que atinge um grupo deindivíduos. A morbidade, e 
também a mortalidade, referem-se sempre a uma população e a um período de 
tempo determinados. 
Segundo Bonita et al. (2010), informações de morbidade são úteis 
quando investigadas doenças que apresentam baixa letalidade, como as 
doenças mentais. 
Para mensurar a morbidade, são utilizadas as medidas padronizadas de 
prevalência e incidência, indicadores que mostram uma doença específica e 
permitem comparações entre diferentes populações estudadas. 
A prevalência representa a quantidade de pessoas doentes em uma 
população específica e em um determinado ponto do tempo. Os casos de 
doentes podem ser novos, em que a doença teve início dentro do período de 
tempo específico em estudo, ou velhos, em que a doença foi iniciada antes do 
início do período especificado para estudo, em casos pré-existentes. 
 
14 
 
A taxa (ou coeficiente) de prevalência (TP) é determinada pela relação 
entre o número de casos novos e casos velhos de uma doença específica e o 
número de indivíduos da população em um ponto específico do tempo, como 
dia, semana, mês ou ano. Esse coeficiente pode ser multiplicado por uma 
constante, como cem, mil ou dez mil. O coeficiente de prevalência corresponde 
à quantidade de pessoas afetadas pela doença no momento do período 
estudado. (Taxa de prevalência especificada na tabela 1) 
A incidência mostra a frequência do surgimento de novos casos de uma 
determinada doença em um intervalo de tempo específico. Uma alta incidência 
representa um alto risco de uma comunidade adoecer. 
A taxa (ou coeficiente) de incidência (TI) é calculada pela razão entre o 
número de casos novos de uma doença específica em uma população, em um 
intervalo de tempo definido, e a população exposta ao risco de pegar a doença 
no mesmo período. Multiplica-se a TI por uma constante. O coeficiente de 
incidência corresponde ao número de casos novos de um agravo durante um 
período definido. (Taxa de incidência especificada na tabela 1) 
 
Tabela 1. Coeficientes ou taxas de prevalência e incidência 
Taxa de prevalência 
(TP) 
Número de casos novos e 
velhos em determinado período 
---------------------------------------- x constante 
Número de pessoas expostas 
ao risco no mesmo período 
Taxa de incidência (TI) Número de casos novos 
em um determinado período 
---------------------------------------- x constante 
Número de pessoas expostas 
ao risco no mesmo período 
Fonte: Carvalho et al., 2017. 
 
Há o aumento da prevalência quando ocorre maior duração da doença, 
aumento da incidência, imigração de pessoas doentes ou emigração de 
indivíduos sadios e aumento da sobrevida. A prevalência diminui com a menor 
duração da doença e diminuição da incidência, aumento da cura e maior 
letalidade, imigração de indivíduos sadios e emigração de pessoas doentes. 
Doenças de curta duração, agudas, apresentam baixa prevalência, e 
doenças de longa duração, crônicas, apresentam alta prevalência. 
Considera-se, portanto, a incidência como indicadora do risco de tornar-
se doente e a prevalência como a probabilidade de a população estar doente 
no período de tempo em estudo. 
 
5.3 Letalidade 
 
A letalidade representa a quantidade de mortes de doentes, por uma 
causa específica, em certo período de tempo. Portanto, a morte está vinculada 
a uma condição clínica específica. De acordo com a característica própria de 
cada patologia, a letalidade pode ser alta ou baixa. 
 
15 
 
A taxa de letalidade pode ser calculada pela razão do número total de 
mortes por uma doença em determinado período e o número de doentes de 
uma doença no mesmo período. Multiplica-se esse resultado por cem. A tabela 
2 mostra o coeficiente de letalidade (CL). 
 
Tabela 2: coeficiente de letalidade 
Coeficiente de 
letalidade 
Total de óbitos por determinada doença 
----------------------------------------------------- X constante 
Total de casos da mesma doença 
Fonte: Gusmão e Silva Filho, 2014. 
 
5.4 Expectativa de vida 
 
A expectativa de vida é considerada outro indicador de saúde das 
populações. Considerando manter as taxas de morbimortalidade, a expectativa 
de vida é o número médio de anos que se espera viver. A esperança de vida 
ao nascer é o número médio de anos de vida esperados para um recém-
nascido. 
Segundo dados do IBGE-2017, a expectativa de vida ao nascer está 
aumentando em todas as regiões do Brasil e em todos os sexos. No ano de 
2017, a expectativa de vida ao nascer foi de 76,0 anos e significou um aumento 
de 30,5 anos para ambos os sexos frente ao indicador observado em 1940. 
 
5.5 Mortalidade 
 
Outra forma de avaliar as condições de saúde de uma população é 
determinar o número de óbitos, o que é realizado através de coeficientes ou 
taxas de mortalidade. 
Os principais coeficientes ou medidas de mortalidade são: taxa de 
mortalidade geral; taxa de mortalidade infantil; taxa de mortalidade neonatal 
precoce e tardia; taxa de mortalidade materna e taxa de mortalidade específica. 
A taxa de mortalidade geral representa o número total de óbitos, 
incluindo todas as faixas etárias em uma população de um determinado espaço 
geográfico e ano. Pode ser calculada pela razão entre número de óbitos no 
período e a população no meio do período, multiplicado por mil. A tabela 3 
mostra o coeficiente ou taxa de mortalidade geral. 
O coeficiente de mortalidade infantil representa o número de óbitos de 
crianças no primeiro ano de vida por mil nascidos vivos, em uma população de 
um local e ano determinados. Compreende, portanto, a razão entre o número 
de óbitos de menores de um ano de idade pelo número de nascidos vivos no 
mesmo ano, multiplicado por mil. 
A taxa de mortalidade infantil compreende o período neonatal precoce, 
que representa o número de óbitos de 0 a 6 dias de vida, por mil nascidos 
vivos; o período neonatal tardio, que representa o número de óbitos de 7 a 27 
dias de vida, por mil nascidos vivos; e pós-neonatal, que representa os óbitos 
de 28 dias ou mais, por mil nascidos vivos, dentro de uma população específica 
e ano determinado. 
 
16 
 
Registros demonstram uma diminuição na taxa de mortalidade infantil no 
Brasil, entre os anos 2000 e 2017. O ano 2000 apontou uma taxa de 29 óbitos 
por mil nascidos vivos; em 2010, a taxa passou a ser 17,2, enquanto em 2017 
a taxa foi de 12,8 óbitos por mil nascidos vivos (IBGE-2017). 
O coeficiente de mortalidade materna indica o número de óbitos 
maternos, por mil nascidos vivos, de mães residentes em determinado local e 
ano. Estima a frequência de óbitos por motivos gestacionais ocorridos até 42 
dias após o final da gravidez e é calculado pela razão entre o número de óbitos 
maternos por motivos gestacionais e o total de nascidos vivos durante o 
mesmo ano, multiplicado por cem mil. 
A taxa de mortalidade específica é a distribuição de óbitos por grupos de 
causas definidas em uma população e no ano considerado. A taxa de 
mortalidade específica por doenças do sistema circulatório na cidade de São 
Paulo, em 2010, foi de 66 óbitos para cada cem mil habitantes (RIPSA, 2012). 
 
 
Tabela 3: coeficiente de mortalidade geral 
Coeficiente de 
mortalidade geral 
Número de óbitos por período 
--------------------------------------------- X constante 
População no meio do período 
Fonte: Gusmão e Silva Filho, 2014. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
6. CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, 
INCAPACIDADE E SAÚDE (CIFS) 
 
A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, 
conhecida como CIFS, foi desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde 
(OMS) com o intuito de melhorar a qualidade de vida das pessoas que ficaram 
com sequelas de alguma doença, identificando quais os fatores ambientais e 
pessoais irão influenciar na qualidade de vida dessas pessoas. 
Limitações, incapacidades e deficiências podem ser as sequelas de uma 
patologia. Segundo Bonita et al. (2010), a limitação pode ser definida como 
perda de função psicológica,fisiológica ou anatômica; a incapacidade é 
consequência da limitação, como a restrição para a realização de uma 
atividade cotidiana; a deficiência impede o indivíduo de ter uma vida normal. 
A poliomielite, por exemplo, pode levar a uma limitação, como a paralisia 
das pernas, gerando uma incapacidade, como a impossibilidade de caminhar, 
resultando em desemprego, que seria uma deficiência. 
A incapacidade é uma interação das condições ambientais, pessoais e 
de saúde do indivíduo, portanto, é possível diminuir suas limitações 
melhorando as condições ambientais e pessoais do indivíduo. 
A incapacidade decorrente de uma doença vem aumentando com o 
passar dos anos devido ao envelhecimento populacional e ao aumento das 
doenças crônicas não-transmissíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
7. ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS 
 
Os estudos epidemiológicos possibilitam a descrição e caracterização do 
estado de saúde de populações, pois fornecem medidas de ocorrência das 
doenças e outros agravos. São divididos em estudos observacionais e 
experimentais. 
Nos estudos não experimentais ou observacionais, o investigador mede, 
mas não interfere no decorrer da pesquisa, que segue seu curso natural. São 
estudos descritivos e analíticos. 
Nos estudos observacionais descritivos ocorre a descrição da ocorrência 
de uma patologia ou agravo na população em estudo abrangendo pessoa, 
tempo e lugar. Há o relato de casos e a série de casos. 
Nos estudos observacionais analíticos é realizada uma relação entre o 
estado de saúde da população e suas variáveis. São os mais utilizados em 
estudos epidemiológicos e incluem: os estudos transversais, de coorte, caso-
controle e ecológicos. 
Os estudos experimentais tentam alterar os determinantes de uma 
doença ou evitar o seu avanço através de algum tratamento. Incluem: os 
ensaios clínicos randomizados, ensaios de campo e ensaios comunitários. 
Nos estudos epidemiológicos existem variáveis que se relacionam e são 
classificadas em: variável independente (VI) e variável dependente (VD). Em 
uma VI, a ação está sendo investigada, sendo a exposição aos fatores 
considerados patogênicos. A Variável Dependente (VD) é o resultado dessa 
ação, ou seja, a patologia. 
O fator de risco, que mostra uma frequência maior da doença quando 
presente, e o fator de proteção, no qual a doença é menos frequente, são os 
fatores considerados nos estudos epidemiológicos. 
 
7.1 . Estudos descritivos: relatos de casos e séries de casos 
 
No estudo observacional descritivo, a descrição se baseia em uma 
patologia ou um agravo de uma população estudada. As pessoas em estudo 
são selecionadas de acordo com a faixa etária ou exposição aos fatores de 
risco. Este estudo informa incidência e prevalência de um agravo. 
A descrição do estado de saúde da população definida é feita por meio 
da coleta de dados primários, que consistem na realização de questionários 
específicos aplicados aos indivíduos do estudo, ou dados secundários, 
realizados por meio das estatísticas de mortalidade específica como sexo, 
idade e etnia durante um tempo definido. 
Segundo Menezes (2001), os estudos descritivos somente descrevem a 
ocorrência de uma doença em uma população, não sendo úteis para estudos 
da etiologia de um agravo ou definição de tratamento. 
Pelo fato de não terem um grupo-controle, os estudos descritivos 
impedem a comparação com os estudos de outras populações, mas 
apresentam como vantagens a rapidez e o baixo custo. 
O estudo descritivo apresenta o relato de casos em que o pesquisador 
descreve uma patologia rara ou incomum e os sintomas apresentados em um 
indivíduo com o objetivo de conhecer a doença; e a série de casos, em que 
 
19 
 
ocorre a descrição das características de um grupo de pacientes com novos 
casos apresentados em uma região durante um período específico. 
 
7.2 Estudo transversal ou de prevalência 
 
Estudo transversal ou de prevalência é o estudo dos indivíduos em um 
determinado momento, normalmente que apresentam uma patologia crônica. É 
bastante utilizado para pesquisar fatores de risco relacionados a doenças 
comuns e de longa duração. 
É o estudo que fornece informações da prevalência de uma patologia, 
pois mede a prevalência de uma doença em uma população definida e em um 
determinado momento do tempo. As VD e VI são observadas em um único 
momento. 
O estudo é realizado com a divisão em dois grupos de pessoas: as que 
estão expostas a um determinado fator de risco e as que não estão expostas a 
esse fator de risco. A prevalência da doença é maior entre os expostos. 
Os estudos transversais são rápidos de serem realizados e possuem um 
baixo custo, mas seus resultados dependem da duração da doença. 
A tabela 3 mostra as medidas de associações epidemiológicas, na qual 
a prevalência (P) é igual ao número de casos de doentes e não doentes (A+C), 
dividida pelo número total de indivíduos expostos e não expostos ao fator de 
risco (N): (P = (A+C) / N) (Menezes, 2001). 
 
Tabela 3: tipos de estudos epidemiológicos 
 Doentes Não doentes Total 
Expostos A B A+B 
Não expostos C D C+D 
Total A+C B+D N (A+B+C+D) 
Fonte: Menezes, 2001. 
 
7.3 Estudo de coorte ou longitudinal 
 
No estudo de coorte ou longitudinal, um grupo de pessoas, com 
exposição a um determinado agente, é acompanhado por um longo período 
para a observação do aparecimento de um desfecho. No início do estudo, os 
indivíduos não apresentam a doença, ou seja, a população é escolhida com 
base na VI. 
Nos estudos de coorte, todos os indivíduos de uma população estão em 
exposição e são acompanhados para verificação da incidência da doença. O 
estudo não é utilizado para doenças raras. 
A vantagem desse estudo está em analisar a exposição e a doença ao 
mesmo tempo, porém, são estudos demorados e caros, com risco de perda de 
acompanhamento entre os participantes do estudo. Ele permite identificar a 
influência de um fator de risco em uma doença. 
São identificadas pessoas saudáveis que estão expostas ao fator de 
risco e pessoas saudáveis que não estão expostas a eles. Estes dois grupos 
são acompanhados por um período grande de tempo até o aparecimento da 
doença, verificando-se a incidência da doença entre os indivíduos dos dois 
grupos. Esse estudo representa a coorte prospectiva. 
 
20 
 
Os estudos de coorte são medidos por meio da incidência e do risco 
relativo (RR). O RR mostra um risco maior em adquirir a doença entre os 
expostos, comparado ao risco dos não expostos, ou seja, a probabilidade de 
ocorrer um agravo. O RR maior que 1 indica 50% mais chance de os expostos 
contraírem a doença em relação aos não expostos. O RR menor que 1 é 
considerado um fator de proteção. O RR igual a 1 demonstra que o fator em 
exposição não interferiu no aparecimento da doença (Menezes, 2001). 
O RR é calculado pela fórmula: RR= a/ (a+b) ÷ c/(c+d), em que, de 
acordo com a tabela 3, a letra A indica o número de pessoas que tem a 
exposição e também o desenvolvimento da doença; B representa o número de 
pessoas que tem a exposição, mas não desenvolveu a doença; C mostra o 
número de pessoas que não estavam expostas, mas desenvolveram a doença; 
D indica o número de pessoas sem exposição e sem desenvolvimento da 
doença (Wagner e Callegari-Jacques, 1998). 
 
Nos estudos de coorte são utilizados, além do RR, o risco atribuível (RA) 
e o risco atribuível populacional (RAP). 
O RA é um risco adicional em adquirir a doença, devido à presença do 
fator em exposição. É calculado pela diferença da incidência entre os expostos 
e incidência dos não expostos. Pela tabela 3, é possível definir o RA como: RA 
= a/ (a+b) – c/ (c+d) (Bonita, et al., 2010). 
 
O RAP indica o risco adicional em desenvolver a doença em uma 
população total, e não somente a população de expostos. Pela tabela 3, é 
calculado da seguinte forma: RAP = ((a+c) / N) - (c/(c+d)) (Bonita, et al., 2010).
 
 
7.4 Estudo de caso e controle ou longitudinal 
 
O estudode caso e controle é utilizado para a investigação da causa de 
doenças raras. 
O grupo, no estudo de casos, é representado por indivíduos doentes, ou 
seja, a pesquisa já começa com o desfecho ou VD para, então, chegar à 
exposição ou VI. O controle é o grupo de indivíduos saudáveis (que, se 
estivessem doentes, estariam no grupo de casos). 
A doença é estudada em um determinado tempo e em sua relação com 
exposições do passado, tratando-se, portanto, de um estudo retrospectivo, já 
que é investigado o passado do doente para determinar a causa da doença, ou 
seja, o fator de exposição ou de risco. Dados retrospectivos podem ser 
coletados através do questionamento ao doente ou pessoa próxima. 
O estudo de caso e controle também poderá ser prospectivo, que é 
quando os dados são coletados no decorrer do tempo. 
Para a escolha do grupo controle, é importante selecionar as pessoas 
hospitalizadas no mesmo local dos casos, mas com outro diagnóstico, ou 
indivíduos da mesma comunidade. Esses indivíduos envolvidos podem ser 
estudados por meio de registros de mortalidade e morbidade, hospitais e 
centros médicos. 
O estudo traz a vantagem de ser rápido e barato e poder ser utilizado 
para o estudo de doenças raras (de baixa incidência) e com período de 
incubação longo. Permite detectar o risco de sofrer um agravo, associado a 
uma ou várias exposições. 
As medidas de associação utilizadas nos estudos de caso e controle 
são: as de prevalência e a razão de chances ou odds ratio (OR). 
 
21 
 
A prevalência em caso e controle pode ser calculada seguindo a tabela 
3, em que a prevalência da exposição é: (A/A+C)  (B/B+D) (Menezes, 
2001). 
A OR é a relação entre uma exposição e uma doença (risco relativo), em 
um estudo de caso e controle. É a probabilidade de um evento, dividida pela 
probabilidade da ausência do mesmo evento. Mostra a chance de desenvolver 
uma doença de acordo com a exposição a um determinado fator ou não. 
Utilizando a tabela 3, é possível calcular OR como: OR= AxD/CxB (Menezes, 
2001). 
A interpretação da OR pode ser feita da mesma forma que a RR, na qual 
uma OR com valor acima de 1 indica que os casos tiveram uma maior 
probabilidade de adquirirem a doença, quando expostos ao risco, do que os 
controles. Não é utilizada RR em estudos de caso e controle, pois é trabalhado 
o fato de ter ou não a doença. 
O RAP, para estudos de caso e controle, significa a quantidade de 
chance adicional de desenvolver a doença em presença da exposição. 
Calculamos o RAP como: RAP=OR-1/OR 
(Bonita, et al., 2010). 
 Para um melhor entendimento do assunto, a tabela 4 demonstra a 
comparação entre os estudos epidemiológicos de coorte e caso-controle. 
 
 
Tabela 4: comparação entre os estudos epidemiológicos de coorte e caso-controle 
Coorte Caso-controle 
Ponto de partida: o fator de exposição 
(VI). Seleciona a população a partir 
de um determinado fator ou não. Ex: 
escolhe a população a partir dos que 
fumam ou não fumam. 
 
Ponto de partida: o desfecho da 
doença (VD). Escolhe a população 
baseado no fato de ter ou não uma 
determinada doença. Ex: Câncer de 
pulmão. 
 
A+B (expostos) e C+D (não expostos) Doentes e não doentes 
Cronologia - marco zero do estudo de 
coorte: em um ponto determinado, 
selecionou a população de acordo 
com um fator, como os fumantes e os 
não fumantes. 
Cronologia - marco zero do caso-
controle: seleciona a população 
baseado no fato de ter ou não a 
doença; o câncer de pulmão. 
Acompanha essa população por um 
tempo até o surgimento do desfecho 
final - doença: câncer de pulmão. 
Estuda o passado dessa população: 
indivíduos fumaram ou não fumaram 
e estabelece esse fator com o 
desfecho final - câncer de pulmão. 
Fonte: Bonita et al., 2010. 
 
22 
 
7.5 Estudos ecológicos 
 
No estudo ecológico, a observação é feita em grupos de pessoas, e não 
apenas em um indivíduo. 
Em uma população exposta frequentemente a um fator de risco, a 
incidência de doenças e a mortalidade é maior. A incidência e a mortalidade 
são as medidas utilizadas nesse estudo. 
São necessários dados secundários para a realização da pesquisa nos 
estudos ecológicos. As fontes de dados para doenças incluem os registros de 
mortalidade e morbidade, e as fontes obtidas para exposição são os censos 
demográficos e econômicos. 
O Risco atribuível populacional (RAP) é utilizado para avaliar o quanto 
uma doença é causada por determinado fator de risco e o quanto essa mesma 
doença seria prevenida com a retirada desse fator de risco. A fração prevenível 
(FP) é usada para demonstrar o quanto uma doença é prevenida na presença 
de um fator protetor, como, por exemplo, a vacinação. 
O cálculo do RAP e da FP é demonstrado na tabela 5. 
 
Tabela 5: medidas de associação utilizadas em estudos ecológicos 
 
 Frequência da exposição x (RR -1) 
Risco atribuível populacional (RAP) = ------------------------------------------------- 
 1+ frequência da exposição x (RR-1) 
 
 
 Frequência da exposição x (1-RR) 
Fração prevenível (FP) = --------------------------------------------------- 
 RR+ frequência da exposição x (1-RR) 
 
Fonte: Menezes, 2001. 
 
7.6 Estudos experimentais 
 
Os estudos experimentais realizam a intervenção de um fator ou variável 
relacionado a uma determinada patologia para testar hipóteses ou descobrir 
algo desconhecido. 
Nos estudos de ensaios clínicos, a VI possui um efeito positivo no grupo 
de indivíduos em estudo. Os participantes são os pacientes definidos na 
pesquisa, que tem por objetivo estudar os efeitos de uma intervenção. 
 Nos ensaios clínicos, é necessária a definição dos indivíduos que 
seriam beneficiados com a intervenção. Neste estudo, é definido um grupo que 
recebe a intervenção, ou seja, a substância ativa que estaria em estudo, e um 
grupo-controle que recebe um placebo ou outra substância de efeito conhecido. 
Nos ensaios de campo, os participantes da pesquisa são saudáveis, 
com risco de desenvolver uma doença. Há uma intervenção preventiva, com o 
estudo de uma grande quantidade de indivíduos, e metade deles são expostos 
 
23 
 
à prevenção. Esse tipo de estudo pode ser utilizado para o teste de novas 
vacinas. 
Nos ensaios comunitários, é a comunidade quem participa da pesquisa, 
e não os indivíduos. É um estudo direcionado às doenças de origens sociais 
que possam sofrer alguma intervenção relacionada ao comportamento do 
grupo. 
 
7.7 Fator de confusão e erros em estudos epidemiológicos 
 
Para evitar vieses em medidas epidemiológicas, é preciso conhecer os 
possíveis desajustes que podem afetar os estudos. Os tipos de erros dos 
estudos epidemiológicos são: os aleatórios e os sistemáticos. 
Os erros aleatórios são os encontrados em divergências aleatórias no 
valor da amostra. Para a redução desse tipo de erro é importante aumentar a 
quantidade de indivíduos dentro da pesquisa para uma segurança estatística. 
Os erros sistemáticos são os vieses de seleção. A seleção das 
características dos pacientes para a pesquisa em caso e controle pode sofrer 
erros, portanto, ocorre quando há diferenças sistemáticas entre os indivíduos 
selecionados para o estudo. Exemplo: tabagistas que fumam uma grande 
quantidade de cigarro geralmente não aceitam participar de estudos 
epidemiológicos. 
Os estudos de coorte são menos susceptíveis ao viés de seleção do que 
os estudos de caso e controle, que também estão sujeitos ao viés de 
informação. 
Nos estudos experimentais, o número de amostras é aumentado e os 
indivíduos em estudo restringidos com o intuito de evitar o viés. 
O fator de confusão ocorre quando duas variáveis estão associadas com 
uma terceira variável, consideradao fator de confusão. Quando presente em 
estudos epidemiológicos, é importante a eliminação deste fator. 
Exemplos de fator de confusão: o consumo de café (VI), doença 
cardíaca (VD) e hábito de fumar (fator de confusão). O hábito de fumar está 
associado com doenças cardíacas e estimula as pessoas a tomarem café. Para 
estudar o consumo de café como um fator de risco para doenças cardíacas é 
importante selecionar pessoas que consomem café e não fumam; ou a queda 
de pessoas idosas, que está associada ao uso de diuréticos, e pessoas idosas 
com doenças cardíacas. Estas últimas consomem diuréticos, portanto, doença 
cardíaca é fator de confusão, pois interfere nas duas variáveis. 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
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