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Doenças Periodontais - Definição
O termo doença periodontal descreve uma diversidade 
de entidades clínicas distintas que afetam o periodonto, 
incluindo as gengivas, a inserção gengival, o ligamento 
periodontal, o cemento radicular e o osso alveolar de suporte.
Comprometimento dos tecidos periodontais pelo 
processo inflamatório, que leva à reabsorção óssea, ou seja, a 
destruição do tecido ósseo que está ao redor das raízes dos 
dentes.
Na gengivite não há alteração óssea, pois a inflamação só 
atinge a gengiva.
Gengivite
⚫ Inflamação de gengiva marginal, sendo de caráter 
reversível.
⚫ É considerada uma doença infecto-inflamatória.
⚫ A gengivite tem como aspecto clínico de doença:
Gengiva vermelha e inchada,
Sangramento espontâneo ou provocado ao leve toque, 
Gengiva brilhante e contorno gengival irregular
Periodontite
⚫ Comprometimento dos tecidos periodontais pelo processo
inflamatório, resultando na destruição óssea perirradicular:
⚫ Pode ser aguda, crônica, localizada ou generalizada.
⚫ A perda óssea periodontal é irreversível.
⚫ A doença pode ser controlada, e não curada
⚫ Aspecto clínico da doença:
⚫ Sangramento,
⚫ Alteração na posição dos dentes,
⚫ Mobilidade dental,
⚫ Recessão gengival,
⚫ Edema, etc
Gengivite X Periodontite
⚫ É identificada em todas as civilizações do mundo e considerada o 
segundo problema da odontologia em saúde pública, onde se prevê que 
80% da população já tem a gengivite podendo chegar à doença 
periodontal.
A taxa de destruição do osso, varia consideravelmente de uma 
pessoa para outra e até mesmo de uma área para outra na 
mesma boca, devido as diferenças individuais na resposta 
tecidual à irritação bacteriana.
O sinal clínico mais característico da doença periodontal é o 
sangramento, deve-se atentar também para: alterações na 
posição dos dentes, mobilidade dental, retrações gengivais 
(exposição de parte das raízes), retenções de alimentos, 
inchaço, etc.
Implicações Diagnósticas 
e Terapêuticas
Hospedeiro
⚫Relativamente poucos indivíduos em cada faixa etária 
desenvolvem uma forma severa de periodontite e esses 
poucos indivíduos contam para a maioria dos sítios 
envolvidos com periodontite severa” (Revisão da 
literatura, Lindhe1997).
A natureza da placa dental – O 
estilo de vida nos biofilmes
Apenas determinados microrganismos são responsáveis
pelo desenvolvimento e a gravidade da doença periodontal
Não bastaria presença do biofilme dentário em contato com o periodonto, 
mas seriam necessárias bactérias periodontopatogênicas
A doença periodontal pode ser considerada uma infecção
polimicrobiana: espécies microbianas estão mais frequentemente associadas 
com processos destrutivos – espécies essenciais.
Ecologia das doenças periodontais
Placa Dental = Biofilme Placa Dental
⚫800 espécies estimadas
⚫ 108 – 1012 bactérias por miligrama de placa
⚫ placa supragengival: bactérias anaeróbias facultativas G+
⚫ placa subgengival : bactérias anaeróbias obrigatórias cocos 
e bastonetes G-, espiroquetas, anaeróbios facultativos 
cocos e bastonetes G+
Propriedades dos biofilmes
⚫Estrutura = colônias microbianas (15-20%) do volume 
distribuída em uma matriz delineada ou glicocálice (75-
80%) do volume. Os nutrientes fazem contato com as 
microcolônias aderidas através de difusão.
⚫Exopolissacarídeos = espinha dorsal do biofilme. São 
produzidos pelas bactérias, sendo os maiores 
componentes do biofilme (50-95% do peso). Exercem 
função de manter a integridade do biofilme, além de 
prevenir a desidratação e o ataque por agentes nocivos.
Propriedades dos biofilmes
⚫Heterogeneidade fisiológica no interior dos biofilmes = 
células de uma mesma espécie microbiana podem exibir 
estágios fisiológicos extremamente diferentes num 
biofilme. Há variações de pH, concentração de íons 
metálicos dentro do biofilme.
⚫Quorum sensing = comunicação das bactérias umas com 
as outras dentro do biofilme. Sinalização, conjugação, 
transformação, transferência de plasmídeos ocorre entre 
espécies mistas dentro do biofilme.
Propriedades dos Biofilmes
⚫ Aderência bacteriana = característica chave é a adesão de 
microcolônias no interior do biofilme a uma superfície sólida 
(mucosas orais e película adquirida no dente).
⚫Mecanismos de resistência antibiótica elevada dos 
microrganismos no biofilme = microrganismos que crescem 
em biofilmes são mais resistentes aos antibióticos do que a 
mesma espécie crescendo num estado não aderido. Varia de 
espécie para espéciem de biofilme para biofilme, de 
antibiótico para antibiótico. A matriz exerce uma função 
homeostática, na qual células na profundidade do biofilme 
experimentam condições diferentes das células na superfície. 
A matriz extracelular pode atuar como barreira física.
A associação das bactérias dentro dos biofilmes mistos não 
é aleatória; ao contrário, existem associações específicas 
entre espécies bacterianas.
Complexos microbianos do biofilme subgengival:
⚫ Socransky e Haffajee (2002) –Examinaram mais de 13000 amostras de 
placa subgengival de 185 adultos e 6 complexos microbianos com 
características distintas que atuam na formação do biofilme dentário 
subgengival de maneira sequencial:
Colonizadores iniciais:
• Complexo azul: Actinomyces;
• Complexo amarelo: Streptococcus;
• Complexo verde: Capnocitophaga, Aggregatibacter, Eikenella corrodens,
Campylobacter concisus
• Complexo violeta: Veillonella parvula, Actinomyces odontolyticus
Complexo laranja: Streptococcus constellatus, Campylobacter gracilis, C. rectus, C. 
showane, Eubacterium nodatum, Fusobacterium nucleatum, Prevotella intermedia, P. 
nigrescens, Peptostreptococcus micros.
Complexo vermelho: Porphyromonas gingivalis, Tannerella forsythia,
Treponema denticola: agentes etiológicos da periodontite crônica.
Fatores que afetam a composição 
de biofilmes subgengivais
⚫O ambiente exerce efeito sobre a composição, atividades 
metabólicas e propriedades de virulência dos 
microrganismos.
1 – estado da doença periodontal = Talvez fator mais 
influente. A maior diferença entre saúde e doença é a alta 
prevalência do complexo vermelho.
P. gingivalis
B. forsythus
T. denticola
Fatores que afetam a composição 
de biofilmes subgengivais
2 – Meio local = profundidade de bolsa. Prevalência e nível 
das espécies podem ser diferentes em sítios com 
profundidade de bolsas diferentes. Complexo vermelho 
associado com aumento da profundidade de bolsa.
Complexo laranja também.
Os outros 4 complexos apresentaram pouca relação com a 
profundidade de bolsa.
Assim, espécies do complexos vermelho e laranja estão 
relacionadas com o estado da doença e com o estado da 
doença em cada sítio doente.
Fatores que afetam a composição 
de biofilmes subgengivais
3 - Transmissão = as espécies subgengivais não são 
comumente encontradas no ambiente ou mesmo na 
microbiota subgengival de outros animais. Assim, a 
transmissão se dá de um indivíduo para o outro.
Transmissão vertical (pai-filho) e horizontal. A transmissão 
de patógenos periodontais pode ocorrer em indivíduos 
jovens e idosos, embora haja uma intuição de que a 
microbiota oral seja relativamente estável em um indivíduo.
Composição microbiana dos 
biofilmes supra e subgengivais
⚫Biofilme supragengival = predomínio de Actinomyces.
⚫Biofilme subgengival = mais complexa.
Mudando de ambiente supragengival para subgengival há 
diminuição significativa da espécie actinomyces e aumento 
na proporção de membros do complexo vermelho.
Gengiva sadia
⚫ Actinomyces:
⚫ Bastontetes G+, anaeróbios facultativos – A. naeslundii, A. 
odontolyticus, A. meyeri
⚫ Streptococcus:
⚫ Cocos G+ anaeróbios facultativos – grupos mitis: S. sanguis,
S. mitis, S. oralis
⚫ Veillonella:
⚫ Cocos G- anaeróbios estritos – V. parvulla
⚫ Rothia:
⚫ Bastonetes G+, anaeróbios facultativos - R. dentocariosa.
Pré-requisitos para a iniciação e a 
progressão da doença periodontal
A doençaperiodontal depende da ocorrência simultânea de 
vários fatores:
⚫Patógeno periodontal virulento
⚫Hospedeiro = deve ser susceptível
⚫Meio local
Pré-requisitos para a iniciação e a 
progressão da doença periodontal
PATÓGENO PERIODONTAL VIRURLENTO:
- Numa espécie há genóitpo com potencial de virulência 
diferente (P. gingivalis)
- O patógeno deve possuir todos os elementos genéticos 
necessários
- O patógeno deve estar no local correto em um sítio em 
números suficientes para iniciar a doença
Pré-requisitos para a iniciação e a 
progressão da doença periodontal
MEIO LOCAL
= deve conter espécies bacterianas que acentuam a 
infecção ou não inibem a sua atividade patogênica.
= deve contribuir para a expressão de fatores de virulência 
do patógeno.
Pré-requisitos para a iniciação e a 
progressão da doença periodontal –
SUSCEPTIBILIDADE DO HOSPEDEIRO
Higiene oral
Controle da formação da placa bacteriana
Diabetes
Efeito das altas taxas glicêmicas pode estimular a atividade de fagócitos, 
Ou as reações inflamatórias nesses pacientes são mais exacerbadas, o 
que causaria maior destruição tecidual. Ou “teoria bidirecional”
Fumo
Maior prevalência, severidade e extensão da doença periodontal são 
observadas em fumantes. A chance de desenvolvimento de periodontite 
em fumantes pode ser 3 vezes maior em fumantes em relação aos não 
fumantes e cerca de 50% mais em ex-fumantes
Mecanismos de patogenicidade
Para um patógeno periodontal causar doença, é essencial 
que seja capaz de:
1 – colonizar a área subgengival
2– produzir fatores que agridam diretamente o tecido do 
hospedeiro ou façam com que o próprio tecido do 
hospedeiro se agrida.
Para colonizar os sítio subgengivais uma espécie deve ser 
capaz de:
1 – aderir a uma ou mais superfícies 
2 – se multiplicar
3– competir com sucesso contra outras espécies 
microbianas presentes no mesmo local
4 – defender-se dos mecanismos de defesa do hospedeiro
Mecanismos de patogenicidade
Invasão tecidual:
observada principalmente em casos avançados da doença –
a invasão pode ocorrer por meio do epitélio da bolsa ou 
outros epitélios gengivais.
⚫A invasão contribui para a destruição do tecido epitelial,
conjuntivo e crista óssea alveolar.
Mecanismos de patogenicidade
⚫Produção de enzimas bacterianas histolíticas –
microrganismos possuem capacidade de produzir 
enzimas que degradam todos os constituintes da matriz 
extracelular e das células do periodonto.
⚫ hialuronidase, colagenase, proteases, nucleases, 
neuroaminidades, hemolisinas e, coagulases, sulfatases, 
glicuronidases.
Mecanismos de patogenicidade
Constituintes da parede celular: endotoxinas e
peptideoglicanos:
⚫ Estimulam a proliferação de linfócitos B e a produção de Ig;
⚫ Ativam o sistema do complemento;
⚫ Ativam macrófagos;
⚫ Estimulam a síntese de TNF- por macrófagos;
⚫ Estimulam a produção de fatores de crescimento celular 
(TGF);
⚫ Estimulam a produção de ILs, prostaglandinas e INF;
⚫ Inibem neutrófilos.
Efeitos indiretos do acúmulo de 
biofilme no periodonto 
(mediados pelo hospedeiro)
⚫ Enzimas liberadas pelo hospedeiro:
• Colagenase, hialuronidase, enzimas lisossômicas –
resposta à agressão
Resposta inflamatória:
• Alterações vasculares – aumento de permeabilidade => 
aumento do fluxo de fluido gengival - sinal clínico precoce de 
alteração inflamatória dostecidos periodontais.
⚫ O excesso de fluido gengival favorece o acúmulo e 
crescimento de bastonetes Gram-negativos e espiroquetas 
dependentes de fatores séricos essenciais como hemina e 
aminoácidos.
• Alterações celulares – migração celular – PMNs 
(neutrófilos), macrófagos, linfócitos e mastócitos.
Efeitos indiretos do acúmulo de 
biofilme no periodonto
⚫Consequências da ativação do complemento: todos os 
componentes do complemento são encontrados nos 
tecidos periodontais e a sua ativação pode resultar em:
• Lise bacteriana e celular;
• Liberação de fatores quimiotáticos para neutrófilos e
macrófagos
• Liberação de fatores inflamatórios;
• Opsonização.
⚫ Imunidade humoral: tecidos gengivais - IgG, IgA, IgM e IgE
=> títulos mais altos no fluido sulcular de indivíduos 
doentes.
⚫ Imunidade celular: Linfócitos T são encontrados em maior 
número em indivíduos doentes. Na lesão estão 
relacionados à destruição de fibroblastos (citotoxicidade 
mediada por células) e produção de ILs.
Reabsorção Óssea Alveolar: já foram identificados diversos fatores no 
periodonto doente que possuem capacidade para aumentar a reabsorção 
óssea no periodonto:
Acredita-se que a resposta imune e inflamatória proteja o hospedeiro contra a 
infecção periodontal, mas tal resposta resulta na destruição dos tecidos 
periodontais
• Fator de ativação de osteoclastos;
• IL-1 e TNF- – citocinas inflamatórias, também modulam componentes 
da matriz extracelular e componentes ósseos que compreendem os tecidos 
periodontais;
• Fator de crescimento derivado de plaquetas – PDGF - proteína 
armazenada principalmente nos grânulos-alfa plaquetário, por ser altamente 
mitogênica, principalmente para fibroblastos e células de musculatura lisa, é de 
grande importância no processo de regeneração tecidual
⚫ Prostaglandina E2 - estimula a reabsorção óssea e possui efeitos
termoreguladores
Célula B
Célula T
Macrófago
PMN
Colonização 
bacteriana
Citocinas
IL-1α,β 
TNF-α 
TGF-α 
EGF 
PDGF 
TGF-β 
INF-γ
Resposta imune do 
hospedeiro
Enzimas proteolíticas 
microbianas
Queratinócitos
Fibroblastos
Macrófagos
Células Endoteliais
Osteoblastos/osteoclasto
Ativação da resposta 
celular
Proteinases 
degradadoras
Metaloproteinases da
matriz
Ativadores de 
plasminogênio
Catepsinas 
(B, H, L, N, D)
Catepsina G 
PMN elastase
C
A
PMNs
(BIRKEDAL-HANSEN, 1993)
PLACA 
BACTERIANA
TECIDO
CONJUNTIVO
Metabólitos bacterianos 
Enzimas bacterianas 
Invasão bacteriana
EPITÉLIO
Citocinas (IL-1, IL-4)
ICAM-1, E-selectina
Liberação de enzimas 
degradadoras
Migração apical
Migração de PMN e infiltração de Mø e 
linfócitos
Liberação de enzimas, radicais livres
Destruição da MEC
(BARTOLD et al., 2000)
Tratamento das doenças periodontais
•O tratamento realizado pelo Dentista é feito com a remoção da placa 
bacteriana aderida, através de raspagem e alisamento das raízes dos 
dentes.
•Quando os instrumentos de raspagem não atingem toda área da raíz 
comprometida, as cirurgias são indicadas para facilitar o acesso.
•Uma vez tratada a doença periodontal, os tecidos não recuperam-se 
integralmente, sempre ficam seqüelas, com exceção das gengivites.
•A doença periodontal deixa como seqüelas, alterações estéticas 
como:
- deslocamento na posição do dente, retração gengival com 
conseqüente aumento no comprimento do dente, etc.