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O MÉTODO CIENTÍFICO E AS CORRENTES METODOLÓGICAS NAS CIÊNCIAS HUMANAS
Ataílo dos Santos da Costa; Isabelle Trindade de Lima; Joyciane Rodrigues Machado;
Lídia Cardoso Carvalho; Otávio Filho Rodrigues Delgado[footnoteRef:1] [1: Discentes do curso de Pedagogia do ano de 2024, campus UEPA-Moju.]
Universidade Estadual do Pará Campus XIV
Atailodossantosdacosta@gmail.com
Resenha[footnoteRef:2]: BUCHOLZ, Luize Gomes; FERREIRA, Valéria Fernanda Silveira. Positivismo, fenomenologia e materialismo histórico dialético: uma síntese das três correntes metodológicas. In: SABERES DOCENTES, DIVERSIDADE E INCLUSÃO NA ESCOLA, PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E GESTÃO EDUCACIONAL. 2º Congresso Internacional da Educação. 7º Congresso da Educação da FAG, 2019. [2: Resenha solicitada como parte da P2 da disciplina Metodologia Científica, ministrada pela professora Dra. Alanna de Souto Cardoso, em 07/03/2025.]
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Métodos Científicos. In: ______. Fundamentos de metodologia científica. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2003. P. 83-112
Neste estudo faremos uma análise geral sobre duas obras que discutem acerca dos métodos científicos: o capítulo 4 do livro Fundamentos de metodologia científica das autoras Lakatos e Marconi (2003) que apresenta uma visão ampla dos processos investigativos, da importância da metodologia e dos métodos utilizados por diferentes campos e autores para se chegar a um resultado; e o artigo de Bucholz e Ferreira (2019) que aprofunda a relação de três tipos de metodologias utilizadas nas áreas de ciências humanas e sociais. Esta resenha crítica dialoga com os dois textos, explorando suas diferentes abordagens, e destacando sua relevância para pesquisadores da área educacional e demais áreas do saber.
Lakatos e Marconi (2003) defendem que o método científico é um conjunto sistemático de ações que possibilitam a obtenção de conhecimentos válidos e verificáveis, e afirmam que “não há ciência sem o emprego de métodos científicos” (LAKATOS; MARCONI, 2003, p. 83). Nesse sentido, a obra estrutura os principais métodos, como o indutivo, o dedutivo, o hipotético-dedutivo e o histórico-dialético, trazendo uma discussão detalhada sobre os diferentes métodos científicos e destacando o papel da observação, experimentação, indução e dedução na construção do conhecimento. Segundo elas, “Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos; em contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são ciência” (LAKATOS; MARCONI, 2019, p. 82).
Observa-se que cada um destes métodos seguem determinadas etapas, sistematizadas e metodizadas para o alcance da comprovação de uma hipótese ou conjectura já existentes. Karl Popper, discutido pelas autoras afirma que, toda ciência deve partir do princípio da existência de um problema, uma curiosidade, algo observado;
"Meu ponto de vista é de ( ... ) que a ciência parte de problemas; que esses problemas aparecem nas tentativas que fazemos para compreender o mundo da nossa 'experiência' ('experiência' que consiste em grande parte de expectativas ou teorias, e também em parte em conhecimento derivado da observação (...) (POPPER, s/d, 181 apud LAKATOS;MARCONI,2003, p. 97)
As autoras enfatizam a importância da observação rigorosa e da experimentação como bases para a construção do saber, o que se aproxima da lógica positivista, que fundamenta grande parte das ciências exatas. Em consonância com essa abordagem, o artigo de Bucholz e Ferreira (2019) explora as três principais correntes metodológicas Positivismo, Fenomenologia e Materialismo Histórico Dialético, apontando suas contribuições e limitações.
Bucholz e Ferreira (2019) destacam que o positivismo busca uma compreensão objetiva da realidade, enquanto a fenomenologia prioriza a subjetividade e o materialismo histórico dialético enfatiza a dinamicidade das relações sociais. Para elas, as ciências humanas necessitam de abordagens metodológicas mais flexíveis; “o positivismo não pode ser usado nas ciências humanas, por existir uma subjetividade influenciada pelas relações humanas, que o positivismo não daria conta de explicar” (BUCHOZ; FERREIRA, 2019, p. 6).
Embora ambos os textos explorem a construção do conhecimento científico através dos métodos é possível perceber divergências quanto às abordagens. Lakatos e Marconi (2003) ressaltam a relevância do método indutivo, que parte da observação de casos particulares para generalizações, característica central do positivismo. No entanto, Buchoz e Ferreira (2019) apontam que essa abordagem é limitada quando aplicada à educação, pois desconsidera as subjetividades dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.
Bucholz e Ferreira (2019) tensionam essa estrutura ao apresentar uma visão mais crítica e contextualizada da produção do conhecimento. Nesse sentido o debate se aproxima da proposta freireana de educação libertadora, que rejeita uma visão neutra e tecnicista da ciência e enfatiza o papel da consciência crítica.
As autoras reforçam a crítica ao positivismo ao citar Borges e Dalberio (2007), que afirmam que “o conhecimento dito ‘transcendente’ – a metafísica, a teologia e a especulação acrítica – que se situe além de qualquer possibilidade de verificação prática, deverá ser descartado” (BORGES; DALBERIO, 2007, p. 3 apud BUCHOLZ; FERREIRA, 2019). Essa visão reducionista pode ser problemática no campo educacional, pois a aprendizagem não se dá apenas pela repetição e verificação de fatos, mas também pela construção subjetiva do conhecimento.
O documentário “Paulo Freire – Contemporâneo” (2021) reforça essa perspectiva ao demonstrar como a educação deve ser um ato político e transformador. Para Freire, “não há educação neutra; ou ela é libertadora ou é opressora”. Assim, pode-se perceber um embate entre um modelo positivista, que busca a neutralidade da ciência, e uma visão crítica, que reconhece as relações de poder inerentes ao conhecimento.
Em suma, a leitura do capítulo de Lakatos e Marconi (2003) é essencial para quem deseja compreender as bases da metodologia científica, enquanto o artigo de Bucholz e Ferreira (2019) problematizam a aplicabilidade dessas abordagens na educação, apontando para a necessidade de metodologias mais flexíveis e críticas.
Para aqueles interessados em uma perspectiva mais transformadora da educação e da ciência, o documentário sobre Paulo Freire é altamente recomendável, pois questiona os modelos tradicionais de conhecimento e propõe uma abordagem dialógica e emancipatória.
A leitura das duas obras é útil para estudantes e pesquisadores da área educacional, pois permite compreender as limitações do positivismo na pesquisa em educação e explorar alternativas como a fenomenologia e o materialismo histórico-dialético. Além disso, pode ser um material de apoio para professores que desejam repensar suas práticas pedagógicas a partir de uma perspectiva mais crítica e dialógica.
REFERÊNCIAS
BUCHOLZ, Luize Gomes; FERREIRA, Valéria Fernanda Silveira. Positivismo, fenomenologia e materialismo histórico dialético: uma síntese das três correntes metodológicas. In: SABERES DOCENTES, DIVERSIDADE E INCLUSÃO NA ESCOLA, PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E GESTÃO EDUCACIONAL. 2º Congresso Internacional da Educação. 7º Congresso da Educação da FAG, 2019.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Métodos Científicos. In: ______. Fundamentos de metodologia científica. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2003. P. 83-112.
PAULO FREIRE – CONTEMPORÂNEO. Direção: ??. Produção: ??. 2021. Disponível em: https://youtu.be/WrUVnc7TPq8?si=5pmgxtJIUHTwJ1KS
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