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IMUNOLOGIA
IMUNIDADE ADAPTATIVA
Clara Herédia de Sá - XXIX
Parham, 3ª ed, cap 3.
● Terceira linha de defesa do corpo (ativadas depois das barreiras físicas e
imunidade inata falham em combater o patógeno).
● Uma de suas características únicas é o elaborado sistema pelo qual os
linfócitos reconhecem patógenos e distinguem microrganismos.
● Resposta mais intensa e específica.
DIFERENÇAS ENTRE A IMUNIDADE INATA E ADAPTATIVA
● Inata
● Na imunidade inata os patógenos são reconhecidos por um repertório fixo
de receptores e moléculas efetoras solúveis, codificadas por genes
herdados (sem recombinação). Reconhecem estruturas compartilhadas
por muitos patógenos diferentes ou alterações em células humanas
induzidas pela presença de patógenos (inespecífico).
● Baixa variedade de receptores que reconhecem muitos antígenos comuns.
● Adaptativa
● Células B e células T reconhecem patógenos usando receptores de
superfície celular de um único tipo molecular.
● Genes que codificam receptores de células B e T são exclusivos entre os
genes de mamíferos (pois evoluíram em muitas formas diferentes durante
o desenvolvimento dos linfócitos) permitindo que cada pessoa tenha
milhares de receptores de células B ou T com sítios de ligação diferentes.
● Altíssima variedade de receptores, cada um específico para determinado
antígeno.
CARACTERÍSTICAS DA IMUNIDADE ADAPTATIVA
● Durante a infecção por patógeno, somente os linfócitos que possuem
receptores que podem se ligar ao patógeno são selecionados para a
PROLIFERAÇÃO e DIFERENCIAÇÃO em linfócitos efetores.
➢ Ou seja, o sistema imune canaliza toda sua energia para a infecção
em curso, aumentando a eficácia da eliminação do antígeno.
● Uma forte resposta imune pode ser direcionada com precisão contra um
patógeno devido a muitas pequenas diferenças que o distinguem de outro
patógeno ou células humanas.
● MEMÓRIA IMUNOLÓGICA: células B e T específicas para um patógeno
(que se proliferaram durante a primeira exposição a ele) são retidas muito
tempo depois da eliminação desse, permitindo que elas ajam em
infecções subsequentes pelo mesmo patógeno.
➢ É o que as vacinas buscam induzir.
● Porém, a resposta imune adaptativa produzida contra um patógeno não é
capaz de fornecer imunidade contra outro diferente.
RECEPTORES DE CÉLULAS B, T E REARRANJO GÊNICO
● Produção dos receptores:
➢ A diversidade dos receptores é produzida por meio de mecanismos
genéticos exclusivos.
➢ Diferentes porções das regiões variáveis das cadeias dos receptores
de células T e imunoglobulinas são codificadas por segmentos
gênicos separados, chamados V, D e J.
➢ O rearranjo gênico ocorre na etapa inicial do desenvolvimento de
células T.
➢ A PRODUÇÃO DO RECEPTOR É ALEATÓRIA!! NÃO DEPENDE DO
ANTÍGENO.
■ Genes das cadeias pesadas das imunoglobulinas e da cadeia
beta do receptor de célula T estão organizados com
segmentos V, D e J. 1V, 1D e 1J, ex: V1D2J1 = 1 cadeia pesada.
■ Existem 40 Vs, 25 Ds e 6 Js. (6000 combinações +
nucleotídeos adicionados).
■ Genes de cadeias leves das imunoglobulinas e cadeia alfa do
receptor de células T possuem somente segmentos V e J. Ex:
V1J3 = 1 cadeia leve.
➢ Nessas formas desconexas, os genes não podem ser transcritos e
traduzidos em cadeias proteicas. Para a produção, o DNA de cada
um dos segmentos (V, D e J) tem que ser escolhido e processado
com eliminação nas regiões intervenientes.
➢ Esse processo de recombinação catalisado por enzima é chamado
rearranjo gênico.
➢ INTERLEUCINA IL-7: estimula a célula a rearranjar o gene, liberada
por células estromais da medula e do timo.
➢ ENZIMAS DO PROCESSO:
■ RAG: “quebra” o DNA para a junção dos segmentos.
● Obs: em pessoas com deficiência na RAG há deficiência
na síntese de receptores, já que o rearranjo gênico em
muitas células é interrompido.
■ TdT: acrescenta nucleotídeos entre os segmentos.
■ DNA-ligase: liga os segmentos de DNA.
➢ GENES DE IMUNOGLOBULINAS E RECEPTORES DE CÉLULAS T SÃO
OS ÚNICOS QUE PRECISAM SER REARRANJADOS PARA SEREM
FUNCIONAIS! GENES DE REARRANJO.
➢ Antes do rearranjo, diz-se que os genes estão na configuração
germinativa.
➢ As numerosas combinações dos segmentos que podem ser
formadas pelo rearranjo gênico são a principal fonte da
diversidade da região variável.
➢ Além disso, devido à imprecisão da maquinaria usada para “cortar e
colar” o DNA durante o rearranjo, há a introdução de nucleotídeos
adicionais nas junções entre os segmentos gênicos, criando uma
diversidade adicional nos sítios de ligação do antígeno.
● O DNA INTERVENIENTE SOFRE DELEÇÃO DO GENOMA DA CÉLULA, POR
ISSO CADA LINFÓCITO SÓ EXPRESSA 1 TIPO DE RECEPTOR.
● Imunoglobulinas (receptores de células B):
➢ Expressas nas superfícies de células B, se ligando aos patógenos e
servindo de receptores de reconhecimento desses.
➢ Células B efetoras secretam formas solúveis das imunoglobulinas,
conhecidas como anticorpos.
➢ Podem se ligar a uma grande variedade de estruturas químicas.
➢ Consistem em polipeptídeos em forma de Y formados por 2 cadeias
pesadas idênticas e 2 cadeias leves idênticas.
■ Região variável: ponta amino-terminal que difere quanto à
sequência de aminoácidos de uma imunoglobulina para
outra. Contém sítios que se ligam aos antígenos.
■ Região constante: é muito similar quanto à sequência de
aminoácidos entre as imunoglobulinas.
● No anticorpo, a região constante contém sítios de
ligação para receptores de fagócitos, proteínas do
complemento e outras células, se ligando ao patógeno
em uma ponta e na outra às células e moléculas que
podem destruí-lo.
➢ A imunoglobulina de superfície fica ancorada na membrana por 2
regiões transmembranas nos terminais das cadeias pesadas. Já os
anticorpos não possuem essas regiões transmembranas, mas são
idênticos às imunoglobulinas de superfície no restante da cadeia.
● Receptores de células T (TCRs):
➢ Só são expressos como receptores de reconhecimento na superfície
celular, e nunca como proteínas solúveis.
➢ Reconhecem uma variedade mais limitada de antígenos.
➢ Consiste em uma cadeia alfa (TCR alfa) e uma beta (TCR beta),
ambas ancoradas na membrana da célula T.
➢ Assim como as imunoglobulinas, cada cadeia alfa e beta dos
receptores de células T consiste em uma região variável (ligação
com antígeno) e região constante.
➢ Diferenças nas sequências de aminoácidos das regiões variáveis
dos dois tipos de receptores criam uma enorme variedade de sítios
de ligação, específicos para diferentes antígenos.
SELEÇÃO CLONAL
● Devido ao rearranjo das imunoglobulinas e receptores de células T, estes
possuem especificidade única, resultando em apenas uma pequena
população de linfócitos com receptores para o antígeno.
● Para aumentar essa proporção, cada linfócito estimulado pelo patógeno
prolifera-se para gerar clones de células que expressam receptores para o
antígeno.
● À medida que proliferam, células B e T selecionadas se diferenciam em
células efetoras, passando pelas seguintes etapas:
● SELEÇÃO CLONAL: processo pelo qual os patógenos, ao se ligarem aos
receptores, selecionam determinados linfócitos para se expandirem.
● Obs: vale lembrar que linfócitos só reconhecem antígenos apresentados
por moléculas de MHC do próprio organismo.
● EXPANSÃO CLONAL: proliferação de clones selecionados.
● Durante a resposta imune primária (primeiro contato com o patógeno) são
necessários dias para a produção de quantidades suficientes de células
B e T, deixando o organismo suscetível ao causador da doença.
● Seleção clonal e memória imunológica:
➢ Enquanto células efetoras produtoras de citocinas inflamatórias são
assinaladas para morrer após o término da infecção, células
plasmáticas persistem e os anticorpos específicos para o
patógeno podem ser mantidos na circulação por anos.
➢ Com isso, anticorpos de alta afinidade se ligam à superfície do
patógeno que já infectou o organismo, marcando-o para a
fagocitose e interrompendo uma infecção subsequente em um
estágio precoce.➢ CÉLULAS DE MEMÓRIA: são a base da memória imunológica e
garantem que todas as infecções subsequentes pelo mesmo
patógeno encontrarão uma resposta mais rápida e forte do que
na primeira infecção.
■ As células de memória, embora consigam produzir outras,
tendem a ter sua quantidade reduzida com o tempo. Por isso
algumas vacinas precisam ser reaplicadas, para intensificar a
produção dessas células.
➢ RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA SECUNDÁRIA: é a resposta imune
subsequente contra o mesmo patógeno. O seu maior poder em
combater o patógeno deriva de vários fatores, como:
■ 1) Células de memória específicas são mais numerosas do
que os linfócitos virgens.
■ 2) Células de memória são ativadas mais rapidamente que
as células virgens.
■ 3) Células T de memória podem patrulhar os tecidos não
linfoide e assim detectar a infecção em um estágio inicial.
■ 4) Células B de memória produzem imunoglobulinas
melhores que as células T virgens, pois essas passaram pelas
hipermutações somáticas e trocas de isotipos que ocorreram
na resposta imune primária.
■ 5) A ativação de linfócitos virgens específicos para o patógeno
é eliminada quando células de memória para o patógeno
estão disponíveis.
TOLERÂNCIA IMUNOLÓGICA
Algumas células B/T em desenvolvimento
portam receptores que se ligam aos
componentes normais do corpo humano
sadio. Para haver a tolerância aos
autoantígenos, os timócitos (células T
imaturas) podem seguir 2 destinos da
seleção. Essas seleções são extremamente
restritivas, e menos de 1% dos timócitos
amadurecem e viram células T virgens.
● 1) SELEÇÃO POSITIVA:
(sobrevivência dos linfócitos que
reconhecem MHC próprio) as células T
precisam reconhecer seus peptídeos
antigênicos em combinação com o MHC
do próprio organismo, reconhecendo
suas características para que não haja a
resposta autoimune e que reconheçam
antígenos apresentados. Logo, precisam
portar receptores que se liguem às
próprias moléculas do MHC. Células T
imaturas que não apresentam afinidade
com as moléculas do MHC próprio
morrem por apoptose. Esse processo
ocorre no córtex do timo (linfócitos T) ou
medula óssea (linfócitos B).
● 1) SELEÇÃO NEGATIVA: (apoptose
dos linfócitos que se ligam fortemente
ao MHC próprio)processo no qual as
células T que sobrevivem à seleção positiva
são submetidas. Embora as células T
precisem ter uma certa afinidade com
moléculas do MHC próprio, essa afinidade
não pode ser grande para evitar respostas autoimunes. Nesse processo,
células T que se ligam fortemente ao MHC próprio são eliminadas por
apoptose, pois seriam capazes de atacar células saudáveis. Se passarem
por esse processo, os timócitos viram células T virgens (seleção positiva).
Esse processo acontece na medula do timo, e também pode ocorrer na
medula óssea, durante a maturação de linfócitos B, na qual células que
produzem anticorpos potencialmente danosos são eliminadas.
DOENÇAS AUTOIMUNES, ALERGIAS E REJEIÇÃO A
TRANSPLANTES
● A sensibilidade e intensidade da resposta imune adaptativa, que são
características úteis para combater a infecção, podem ser direcionadas
contra componentes normais do nosso corpo ou substâncias inócuas do
ambiente, gerando doenças autoimunes.
● Doenças autoimunes: respostas autoimunes dirigidas contra
componentes normais de células humanas sadias.
➢ Ex: diabetes dependente de insulina: células beta das ilhotas de
Langerhans do pâncreas são alvo de respostas autoimunes.
➢ Essas respostas parecem derivadas de respostas imunes protetoras
contra infecções microbianas. Porém, quando ativadas por
antígenos derivadas de patógenos, certas células B e T fazem reação
cruzada com componentes próprios.
● Transplantes: o principal fator limitante de seus benefícios é a
incompatibilidade de tecidos, causado pelo grande polimorfismo de genes
do MHC. Por ser genético, é mais fácil encontrar doadores compatíveis nas
famílias do que em doadores não relacionados. Atualmente, o único meio
de evitar a rejeição do transplante é o uso prolongado de medicamentos
que suprimem a imunidade adaptativa (mas deixam o paciente vulnerável
a infecções e câncer).
● Alergia: surge quando o sistema imune reage contra substâncias inócuas
do ambiente (pólen, poeira, pelos, alimentos, etc). Esses antígenos não
infecciosos são chamados de alérgenos. Geralmente ocorre quando
algumas pessoas produzem anticorpos do tipo IgE no primeiro encontro
com o alérgeno, havendo ligação aos mastócitos e liberação de substâncias
inflamatórias. Geralmente levam a sintomas comuns de infecções,
podendo ser fatais em alguns casos (asma, anafilaxia sistêmica, etc).
➢ Hipótese da higiene: prática generalizada de higiene impede que o
sistema imune de crianças entre em contato com vários antígenos,
se tornando menos apto a lidar com as próprias infecções. É uma
possível causa para o aumento da hipersensibilidade em países
desenvolvidos.
INÍCIO DAS RESPOSTAS IMUNES ADAPTATIVAS
● São iniciadas em tecidos linfoides especializados de armazenamento de
linfócitos, tais como os linfonodos, polpa branca do baço, e placas de
Peyer no intestino.
● Esses tecidos possuem circulações semelhantes que promovem o
encontro de antígenos com as raras células B e T específicas para o
patógeno.
● 1º passo: transporte do patógeno por células dendríticas do sítio infectado
até o tecido linfoide secundário mais próximo.
➢ Células dendríticas constituem o elo essencial entre a imunidade
inata e adaptativa.
● 2º passo: DCs carregadas com antígenos encontram e ativam a pequena
porção de células T que possuem os receptores para o patógeno.
➢ As DCs se estabelecem no tecido onde estão as células T, onde
podem testar os receptores nas células circulantes que entram no
linfonodo pelo sangue.
➢ As células T virgens têm de encontrar seu antígeno nas DCs e,
quando o encontram, se ligam à superfície da célula dendrítica e
permanecem em contato com ela para serem ativadas, se
dividirem e se diferenciarem em células T efetoras.
➢ Células T efetoras são quase sempre necessárias para auxiliar na
ativação de células B.
O QUE OS RECEPTORES DE CÉLULAS T RECONHECEM?
● Fragmentos degradados de proteínas de patógenos
➢ Ao contrário de muitos receptores da imunidade inata, receptores de
células T não reconhecem estruturas nativas das macromoléculas
da superfície de patógenos.
➢ A maioria das células T reconhecem apenas complexos
peptídeo-moléculas do MHC, dependendo da apresentação por
APCs.
➢ Reconhecem peptídeos curtos (cerca de 8-25 aminoácidos) gerados
pela degradação das proteínas do patógeno (MHC de classe I e II).
➢ Essa degradação simplifica a tarefa de produzir uma resposta forte e
específica, porque:
1) Se concentra em um tipo de macromoléculas (proteínas).
2) Ignora a complexidade estrutural das proteínas, visando
pequenos elementos da estrutura primária delas.
➢ Uma variedade de peptídeos antigênicos pode ser produzida a
partir de uma proteína típica.
➢ Os peptídeos que são apresentados às células T são produzidos nas
células dendríticas, que carregam o patógeno desde o tecido
infectado até o órgão linfoide secundário.
➢ Proteínas são clivadas por proteases que normalmente são usadas
para degradar proteínas mal dobradas, que não são mais
necessárias.
➢ Esse processo de produção de peptídeos antigênicos é chamado
processamento do antígeno, estudado bastante na parte de MHC.
● Peptídeos antigênicos ligados às moléculas do MHC.
➢ Peptídeo antigênico gerado na DC precisa ser transportado para a
superfície celular, onde fica acessível aos receptores de linfócitos.
➢ Ainda dentro das células, os peptídeos derivados de patógenos são
ligados a glicoproteínas chamadas moléculas do MHC, codificadas
por genes da região do genoma do complexo maior de
histocompatibilidade (major histocompatibility complex).
➢ Cada molécula do MHC liga-se a um único peptídeo, formando o
complexo peptídeo-MHC que é encaminhado à membrana.
➢ As células T reconhecem o complexo peptídeo-MHC, e nãoo
peptídeo sozinho!
➢ Obs: uma molécula do MHC pode se ligar a muitos peptídeos
diferentes, dependendo do tamanho e sequência de aminoácidos
desses, mas só se ligam em 1 por vez.
➢ Somente uma pequena fração de todos os peptídeos produzidos na
proteólise de uma proteína é apresentada pela molécula do MHC.
➢ Cada forma de uma molécula do MHC é codificada por um gene
separado. Há muitas variantes de alelos para cada um desses
genes (total de 11.225 alelos codominantes).
➢ Logo, a maioria das pessoas é heterozigota para genes de MHC (2
alelos diferentes de cada gene), permitindo a apresentação de uma
maior variedade de peptídeos.
➢ Polimorfismo do MHC: essa variação alélica dos genes do MHC
entre os indivíduos é a principal causa de rejeição de órgãos
transplantados. Quando o doador e receptor são de diferentes tipos
do MHC, o sistema imune do receptor faz uma resposta imune
contra as moléculas do MHC do doador que ele percebe como
“estranhas”.
CÉLULAS
● Linfócitos T citotóxicos:
➢ Função: atuam contra infecções intracelulares, matando células
infectadas ou tumorais por meio da liberação de substâncias tóxicas
B (granzimas e perforinas)para a superfície da célula infectada,
induzindo sua morte por apoptose e impedindo que os patógenos
se repliquem e espalhem a infecção para células saudáveis.
➢ Todos os linfócitos são produzidos na medula óssea, a partir de
células tronco hematopoiéticas.
➢ Os TCD8 constituem cerca de ⅓ dos linfócitos T circulantes.
➢ Para assegurar que as células T citotóxicas só reconheçam
antígenos apresentados por moléculas do MHC classe I, elas
portam uma molécula de superfície celular chamada CD8, que se
liga a um sítio específico da molécula de MHC de classe I.
➢ O “CD” de CD4 e CD8 significa “agrupamentos de diferenciação”
(clusters of differentiation).
➢ A princípio, linfócitos T virgens possuem tanto CD4 quanto CD8
(duplo positivo), se diferenciando em TCD8 (se entrarem em
contato com peptídeos do MHC de classe I) ou TCD4 (MHC II).
● Linfócitos T auxiliares:
➢ Função: defender o organismo contra infecções extracelulares,
intensificando a fagocitose de patógenos por macrófagos e
neutrófilos (por secreção de citocinas), além de ajudarem as células
B a produzirem anticorpos que agem como fortes atuantes
opsonizantes.
➢ Para assegurar que as células T auxiliares só reconheçam antígenos
apresentados por moléculas do MHC classe II, elas portam uma
molécula de superfície celular chamada CD4, que se liga a um
sítio específico da molécula de MHC de classe II.
➢ Os TCD4 constituem cerca de ⅔ dos linfócitos T circulantes.
➢ Quando as TCD4 virgens são ativadas pelo antígeno, se
diferenciam em células T auxiliares, que são as TCD4 efetoras da
resposta imune adaptativa.
➢ Possuem potencial para secretar muitas citocinas diferentes, sendo
mais versáteis que as TCD8 citotóxicas.
➢ Vale lembrar que existem vários subtipos de células T auxiliares.
➢ Respondem a patógenos presentes nos líquidos e espaços que
separam células e tecidos, locais que podem ser infectados por
todos os 4 tipos de patógenos (vírus, bactérias, fungos e parasitos).
● Linfócitos B:
➢ Função: produzir anticorpos, a principal arma da resposta imune
adquirida contra patógenos.
➢ Anticorpos são formas solúveis de moléculas de imunoglobulinas,
que células B usam como receptor de antígenos.
➢ Células B, quando ativadas, são proliferadas e diferenciadas em
células plasmáticas, fábricas dedicadas à produção de anticorpos.
➢ Anticorpos se ligam firmemente aos patógenos e impedem que
eles explorem o corpo humano (neutralização), além de também
atuarem como opsonizantes.
➢ O QUE RECEPTORES DE CÉLULAS B RECONHECEM?
➢ Enquanto células T somente reconhecem pequenos fragmentos
degradados de uma proteína do patógeno ligada a moléculas do
MHC, imunoglobulinas e anticorpos reconhecem diretamente
estruturas nativas das proteínas, bem como os muitos outros
tipos de macromoléculas presentes nas superfícies dos
patógenos, como carboidratos, glicoproteínas, glicolipídeos, etc.
➢ Quando DCs migram para os linfonodos, alguns patógenos intactos
e macromoléculas derivadas deles vão também. Lá eles podem
interagir com receptores de antígenos das células B circulantes.
A ligação do patógeno com o receptor das células B induz o
processo de endocitose mediada por receptor. Esse processo faz
com que a bactéria seja engolfada e entregue às vesículas
endocíticas, onde é morta ou degradada. Depois suas proteínas
passam pela via de produção de complexos do MHC de classe II,
sendo possível que células B apresentem antígenos para TCD4.
➢ Não conseguem se diferenciar apenas pela interação com o
patógeno, sendo necessária a ajuda dos linfócitos TCD4 auxiliares
que já foram sensibilizados pelo mesmo antígeno. Uma célula T
CD4 auxiliar, com um receptor da especificidade correta pode,
então, se ligar a uma célula B por meio desses complexos. Essa
interação mútua faz com que a célula T CD4 auxiliar secrete
citocinas que, juntamente com os sinais do receptor de célula B
ligado ao antígeno, fazem com que a célula B se prolifere e
diferencie em célula plasmática.
■ Logo, quando há a produção de vacinas, é necessário que as
sequências proteicas utilizadas sejam reconhecidas pelas
células B e TCD4 também, uma vez que as últimas são
necessárias para ativar as B adequadas.
ANTICORPOS, FUNÇÕES E CLASSES
➢ FUNÇÕES
● Neutralização: os anticorpos se ligam fortemente a um sítio do patógeno,
inibindo o crescimento, replicação e interação deste com células humanas.
Esse mecanismo também funciona como toxinas patogênicas, que
podem ter sua ação limitada pela interação com o anticorpo.
● Opsonização: sítios de ligação variáveis dos anticorpos se ligam aos
patógenos, enquanto os sítios de ligação constantes desencadeiam a
fixação do complemento na superfície de patógenos para que receptores
específicos nos fagócitos e outras células efetora os reconheçam.
➢ MECANISMOS P/ MAIOR EFICÁCIA DO ANTICORPO NA RESPOSTA
● Por meio dos mecanismos abaixo, a resposta imune adaptativa seleciona
anticorpos que se ligam ao patógeno.
● Todas essas melhorias são retidas por uma população de células B após a
eliminação da infecção, sendo parte de um aspecto importante da
memória imunológica.
➢ Logo, após uma nova infecção com o mesmo patógeno, anticorpos
de alta afinidade do isotipo mais adequado podem ser produzidos
desde o início da infecção.
● 1) Hipermutação somática: um dos mecanismos mutacionais que
melhoram a eficácia do anticorpo. Consiste na introdução substituições de
nucleotídeos ao longo das regiões variáveis dos genes das cadeias das
imunoglobulinas rearranjadas, transformando-as em anticorpos que se
ligam mais fortemente ao patógeno.
● 2) Troca de isotipo: mecanismo mutacional que muda o isotipo da
imunoglobulina, mas não seu sítio de ligação ao antígeno. Ex: nas
células B que estão produzindo IgM, uma série de segmentos gênicos não
transcritos que codificam as regiões constantes de todos os outros isotipos
de imunoglobulinas localiza-se após o segmento gênico transcrito que
codifica a região constante da cadeia µ. As células B do centro germinativo
são capazes de remover esse segmento gênico (região constante da cadeia
µ) e trazer a região variável rearranjada para próximo a um segmento
gênico que codifica uma região constante diferente. O isotipo pode ser
mudado de IgM para IgG, IgA ou IgE.
➢ A mudança predominante nos linfonodos e baço é de IgM para IgG
(respostas imunes adaptativas).
➢ A mudança nas placas de Peyer do epitélio intestinal e tecidos
linfoides que revestem a mucosa: IgM para IgA.
➢ Em infecções parasitárias: IgM para IgE, que permite o
recrutamento de eosinófilos, basófilos e mastócitos.
➢ CLASSES
● As imunoglobulinas produzidas pelas células B e plasmáticas são divididas
em 5 classes que desempenham funções especializadas quando
secretadas como anticorpos: IgA, IgD, IgE, IgG e IgM.
● Esses anticorpos e suas açõessão conhecidas como imunidade humoral
(porque anticorpos foram descobertos nos líquidos do corpo, “humores”).
● IgM:
➢ De superfície celular ou solúvel.
➢ Receptores de antígenos das células B circulantes que agora devem
encontrar o antígeno.
➢ É sempre o primeiro anticorpo secretado na resposta imune.
➢ Também interagem com o complemento pela via clássica.
■ Obs: embora fagócitos não possuam receptores para este
anticorpo, quando o IgM se liga à superfície patogênica há
ligação com um componente do complemento também,
iniciando a via clássica.
➢ Os únicos tipos de receptores das células B virgens.
➢ Primeiro anticorpo secretado por um clone de células B que foram
ativadas por um antígeno específico.
● IgD:
➢ São sempre de superfície celular.
➢ Embora também seja produzido no início da resposta imune, sua
quantidade é muito menor em relação aos IgM.
● IgA:
➢ Um dos principais anticorpos presentes no sangue, linfa e líquido
intercelular dos tecidos conjuntivos, junto com o IgG e IgM.
➢ Também é produzida nos tecidos linfoides subjacentes à mucosa,
sendo seletivamente transportada através do epitélio da mucosa
para ligar-se aos patógenos extracelulares e suas toxinas, nas
superfícies mucosas.
● IgG:
➢ Função: facilitar a captura e destruição de microrganismos
extracelulares e de toxinas pelos fagócitos. (Opsonização).
■ Neutrófilos e macrófagos possuem receptores de
superfície celular que se ligam às regiões constantes das
cadeias de IgG.
➢ Também interagem com o complemento pela via clássica.
➢ A combinação IgG + complemento produz estímulo máximo à
fagocitose porque os fagócitos possuem receptores tanto para o IgG
quanto para o complemento.
● IgE:
➢ Suas regiões constantes se ligam aos receptores de mastócitos.
➢ Geralmente está ligado ao leucócito ao invés de circular livremente
pelo sangue e linfa.
➢ Quando esta imunoglobulina está ligada ao mastócito, desencadeia
fortes reações inflamatórias que ajudam a expelir, principalmente,
parasitos.
➢ É um anticorpo envolvido em reações alérgicas indesejáveis contra
substâncias inócuas.
➢ Obs: todas as células que possuem armas especializadas para matar
parasitos possuem receptores de superfície que se ligam à região
constante do IgE.

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