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Revisada Atualizada Ampliada Edição 2025.1 Cr imes HEDIONDOS CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 1 CRIMES HEDIONDOS - LEI 8.072/90 APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ 3 1. LEI 8.072/90 E ORIGEM HISTÓRICA ......................................................................................... 4 2. CONCEITO DE CRIME HEDIONDO ........................................................................................... 4 CRITÉRIOS PARA DEFINIÇÃO ........................................................................................... 4 2.1.1. Critério legal ................................................................................................................... 4 2.1.2. Critério judicial ................................................................................................................ 5 2.1.3. Critério misto .................................................................................................................. 5 REGULAMENTAÇÃO LEGAL .............................................................................................. 5 3. CRIMES HEDIONDOS E PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA .................................................... 7 4. ROL DOS CRIMES HEDIONDOS ............................................................................................... 8 HOMICÍDIO (I) ....................................................................................................................... 8 FEMINICÍDIO ...................................................................................................................... 10 LESÃO CORPORAL (I-A) ................................................................................................... 12 ROUBO (II) .......................................................................................................................... 13 EXTORSÃO (III) .................................................................................................................. 15 EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO (IV) ...................................................................... 15 ESTUPRO (V/VI) ................................................................................................................. 15 EPIDEMIA (VII).................................................................................................................... 17 FALSIFICAÇÃO DE MEDICAMENTOS (VII-B) .................................................................. 18 FAVORECIMENTO DE PROSTITUIÇÃO OU EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU VULNERÁVEL (VIII) .................................................................................... 18 FURTO (IX) ......................................................................................................................... 18 INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO PELA INTERNET (X) ................................................................................................................................ 19 SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO COMETIDO CONTRA MENOR DE 18 ANOS (XI) 20 TRÁFICO DE PESSOAS COMETIDO CONTRA CRIANÇA OU ADOLESCENTE (XII) ... 20 GENOCÍDIO ........................................................................................................................ 20 PORTE OU POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO ......................... 21 COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO ....................................................................... 22 TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO .......................................................... 23 CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ......................................................................... 23 CRIMES PREVISTOS NO CÓDIGO PENAL MILITAR ...................................................... 23 CRIMES PREVISTOS NO ECA .......................................................................................... 24 5. CRIMES HEDIONDOS E CLÁUSULA SALVATÓRIA ............................................................... 25 6. CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS ............................................................................... 25 TRÁFICO DE DROGAS ...................................................................................................... 25 TORTURA ........................................................................................................................... 26 TERRORISMO .................................................................................................................... 26 7. VEDAÇÕES LEGAIS .................................................................................................................. 26 ANISTIA, GRAÇA E INDULTO ........................................................................................... 26 FIANÇA................................................................................................................................ 28 LIBERDADE PROVISÓRIA ................................................................................................ 28 8. CUMPRIMENTO DA PENA PRIVATIVA ................................................................................... 28 9. PROGRESSÃO DE REGIME ..................................................................................................... 31 10. MANUTENÇÃO DA PRISÃO .................................................................................................. 33 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 2 11. SAÍDA TEMPORÁRIA ............................................................................................................ 33 12. PRISÃO TEMPORÁRIA.......................................................................................................... 33 13. ESTABELECIMENTOS PENAIS DE SEGURANÇA MÁXIMA .............................................. 34 14. LIVRAMENTO CONDICIONAL .............................................................................................. 34 15. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA VISANDO A PRÁTICA DE CRIMES HEDIONDOS E EQUIPARADOS ................................................................................................................................. 35 16. DELAÇÃO PREMIADA ........................................................................................................... 36 17. PENAS RESTRITIVAS E SURSIS DE DIREITO ................................................................... 36 18. REMIÇÃO................................................................................................................................ 37 19. TRABALHO EXTERNO .......................................................................................................... 37 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 3 APRESENTAÇÃO Olá! Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria. O Caderno Legislação Penal Especial - Crimes Hediondos possui como base as aulas do professor Cleber Masson (G7), complementadas com as aulas do Prof. Rogério Sanches (CERS). Três livros foram utilizados para complementar nosso CS de Legislação Penal Especial: a) Legislação Criminal para Concursos (Fábio Roque, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar), ano 2019, b) Legislação Criminal Comentada (Renato Brasileiro), ano 2018, ambos da Editora Juspodivm e c) Esquematizado - Legislação Penal Especial (Victor Eduardo Rios Gonçalves), ano 2022, Editora Saraiva. Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito (www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum dePresidente da República. Apagam o efeito executório da condenação. A atribuição para conceder pode ser delegada ao(s): • Procurador Geral da República; • Advogado Geral da União; • Ministros de Estado. É concedida por meio de uma lei federal ordinária. Concedidos por meio de um Decreto. Pode ser concedida: • antes do trânsito em julgado (anistia própria); • depois do trânsito em julgado (anistia imprópria). Tradicionalmente, a doutrina afirma que tais benefícios só podem ser concedidos após o trânsito em julgado da condenação. Esse entendimento, no entanto, está cada dia mais superado, considerando que o indulto natalino, por exemplo, permite que seja concedido o benefício desde que tenha havido o trânsito em julgado para a acusação ou quando o MP recorreu, mas não para agravar a pena imposta (art. 5º, I e II, do Decreto 7.873/2012). 1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Súmula 631-STJ631-STJ. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 28/10/2024 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 28 Extingue os efeitos penais (principais e secundários) do crime. Os efeitos de natureza civil permanecem íntegros. Só extinguem o efeito principal do crime (a sanção penal). Os efeitos penais secundários e os efeitos de natureza civil permanecem íntegros. O réu condenado que foi anistiado, se cometer novo crime, não será reincidente. O réu condenado que foi anistiado, se cometer novo crime, não será reincidente. FIANÇA Os crimes hediondos e equiparados são inafiançáveis. Significa dizer que o agente, quando preso em flagrante, não poderá ser colocado em liberdade mediante o pagamento de fiança, seja arbitrada pelo delegado ou pelo juiz. LIBERDADE PROVISÓRIA Na redação original da Lei 8.072/90 também era vedada a concessão de liberdade provisória sem e com fiança. Ocorre que desde a Lei 11.464/2007, a vedação da liberdade provisória sem fiança não mais vigora. Assim, é possível que se conceda aos crimes hediondos liberdade provisória sem fiança, desde que haja o convencimento do juiz – que, por vezes, é mais difícil do que os casos em que simplesmente se arbitra uma fiança – bem como se demonstre que os requisitos da prisão preventiva não estão presentes. Como o tema foi cobrado em concurso? (PC-PB - Delegado - CESPE - 2022): Os crimes hediondos são insuscetíveis de anistia, graça, indulto, liberdade provisória e fiança. Errado. 8. CUMPRIMENTO DA PENA PRIVATIVA Atualmente, nos termos do art. 2º, § 1º da Lei 8.072/90, impõe-se o cumprimento de pena em regime inicialmente fechado. Rememora-se que a redação original previa o cumprimento de pena no regime integralmente fechado, não sendo possível a progressão de regime. O único benefício era o livramento condicional. O STF, contudo, entendeu que tal previsão era inconstitucional, uma vez que violava a individualização da pena, a proporcionalidade, além de ofender o princípio da dignidade humana. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 29 Durante 15 anos, de 1990 a 2005, o regime integrante fechado sempre foi considerado constitucional pelo STF, mesmo diante de diversos argumentos contrários. A Lei de Tortura, de 1997, previa que o condenado iria iniciar o cumprimento de pena em regime fechado, argumento que foi utilizado por quem sustentava a inconstitucionalidade do regime integralmente fechado, uma vez que o crime de tortura é equiparado a hediondo, recebendo o mesmo tratamento. Portanto, deveria ser aplicado o regime inicialmente fechado. O STF entendeu que não, pois era regra específica que se aplicava apenas aos crimes de tortura, inclusive sumulou seu entendimento da Súmula 698. Apenas com a nova composição do STF em 2006, houve mudança de entendimento, considerando-se inconstitucional o cumprimento em regime integralmente fechado. Porém, como não era prevista progressão de regime para crimes hediondos, não havia legislação que fixasse o modo de progressão, razão pela qual se utilizava os parâmetros dos crimes comuns. Em 2006, com a Lei 11.464, o cumprimento da pena para os crimes hediondos iniciará em regime fechado, pouco importando a quantidade da pena e a condição pessoal do sentenciado, bem como fixou os requisitos para a progressão de regime: Art. 2º, § 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 112 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal). Atenção para a progressão especial para a mulher gestante, mãe ou responsável por pessoa com deficiência, previsto na LEP: Art. 112, § 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente: I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento; V - não ter integrado organização criminosa. § 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do benefício previsto no § 3º deste artigo. O STF, no informativo 672, também declarou a inconstitucionalidade do regime inicialmente fechado para os crimes hediondos. Em síntese: 1) § 1º (em sua redação original): proibia a progressão para crimes hediondos. 2) STF (em 23/02/2006): decidiu que essa redação original do § 1º era inconstitucional (não se podia proibir a progressão). CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 30 3) Como o STF afirmou que o § 1º era inconstitucional: as pessoas condenadas por crimes hediondos ou equiparados passaram a progredir com os mesmos requisitos dos demais crimes não hediondos (1/6, de acordo com o art. 112 da LEP). 4) Lei 11.464/2007: modificou o § 1º prevendo que a progressão para crimes hediondos e equiparados passaria a ser mais difícil que em relação aos demais crimes (2/5 para primários e 3/5 para reincidentes). 5) Logo, a Lei 11.464/2007 foi mais gravosa para aqueles que cometeram crimes antes da sua vigência (e que podiam progredir com 1/6). Por isso, ela é irretroativa. Destaca-se, a seguir, os argumentos utilizados pelo STF: a) A CF prevê o princípio da individualização da pena (art. 5º, XLVI). Esse princípio também deve ser observado no momento da fixação do regime inicial de cumprimento de pena. Assim, a fixação do regime prisional também deve ser individualizada (ou seja, de acordo com o caso concreto), ainda que se trate de crime hediondo ou equiparado. b) A CF prevê, no seu art. 5º, XLIII, as vedações que ela quis impor aos crimes hediondos e equiparados (são inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia). Nesse inciso, não consta que o regime inicial para esses crimes tenha que ser o fechado. Logo, não poderia o legislador estabelecer essa imposição de regime inicial fechado, por violar o princípio da individualização da pena. c) Desse modo, deve ser superado o disposto na Lei dos Crimes Hediondos (obrigatoriedade de início do cumprimento de pena no regime fechado) para aqueles que preencham todos os demais requisitos previstos no art. 33, §§ 2º, e 3º, do CP, admitindo- se o início do cumprimento de pena em regime diverso do fechado. d) O juiz, no momento de fixação do regime inicial, deve observar as regras do art. 33 do Código Penal, podendo estabelecer regime prisional mais severo se as condições subjetivasforem desfavoráveis ao condenado, desde que o faça em razão de elementos concretos e individualizados, aptos a demonstrar a necessidade de maior rigor da medida privativa de liberdade do indivíduo. De acordo com Cleber Masson, esta decisão do STF violou claramente o espírito da CF, pois não há diferença de tratamento para um crime comum ou um crime hediondo, eis que há traficantes, estupradores iniciando a pena em regime semiaberto, por exemplo. O doutrinador destaca que a CF criou dois polos distintos: o primeiro deles está previsto no art. 98, I em que há referência às infrações de menor potencial ofensivo, as quais recebem um tratamento brando. Na extremidade oposta, há o art. 5º, XLIII que trata dos crimes hediondos e equiparados, em que há um tratamento mais severo. Entre os polos, há os crimes comuns, que não podem ter tratamento igual aos dois polos. Assim, não há coerência em dar aos crimes hediondos o mesmo tratamento dos crimes comuns, violando-se a lógica constitucional. Como o tema foi cobrado em concurso? (Governo do Distrito Federal - Polícia Penal - Instituto AOCP - 2022): Segundo entendimento do STF, é inconstitucional a fixação de regime inicial fechado com base unicamente na hediondez do delito. Correto. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 31 (SERIS-AL - Agente Penitenciário - CESPE - 2022): Pessoa presa e condenada por ter cometido crime hediondo estará insuscetível de indulto após a sentença transitar em julgado, devendo cumprir sua pena inicial obrigatoriamente no regime fechado. Errado. 9. PROGRESSÃO DE REGIME Antes do Pacote Anticrime, a progressão de regime nos crimes hediondos seguia o disposto no revogado § 2º do art. 2º da Lei 8.072/90, in verbis: Art. 2º, § 2º, A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 112 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal). (Revogado pelo Pacote Anticrime). Assim, era necessário: 1) O cumprimento de 2/5 da pena, no caso de réu primário (requisito objetivo); 2) O cumprimento de 3/5 da pena, no caso de condenado reincidente (requisito objetivo), pouco importa a natureza da reincidência; 3) Mérito do condenado (requisito subjetivo): condições pessoais que autorizam o regime. O Pacote Anticrime alterou a sistemática da progressão de regime, pois revogou o § 2º do art. 2º e tratou o tema na LEP. Assim, para os crimes hediondos e equiparado praticados após, 23 de janeiro de 2020, a progressão de regime ocorrerá após o cumprimento de: a) 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário; b) 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for: • Condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, se for primário, vedado o livramento condicional; • Condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou • Condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada; c) 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente na prática de crime hediondo ou equiparado; d) 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional. Sobre o tema, também é importante ressaltar que, consoante posicionamento do STJ, é possível que, para um condenado que esteja cumprindo pena unificada por dois crimes, seja CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 32 aplicado para um delito a redação originária do art. 112 da LEP e para o outro crime seja aplicada a redação modificada do art. 112 da LEP, in verbis: É lícita a aplicação do requisito objetivo para a progressão de regime previsto na antiga redação do art. 112 da Lei de Execução Penal, em relação ao crime comum, e a aplicação retroativa do Pacote Anticrime para reger apenas a progressão do crime hediondo, quando ambos os delitos compõem uma mesma execução penal e foram praticados em momento anterior à edição da Lei nº 13.964/2019. A retroatividade da Lei nº 13.964/2019 deve acontecer somente na parte que é mais benéfica, relacionada ao delito hediondo ou equiparado, não havendo que se aplicar as modificações por ela trazidas para o outro crime. Não configura combinação de leis a aplicação do requisito objetivo para a progressão de regime previsto na antiga redação do art. 112 da Lei de Execução Penal, em relação ao crime comum, e a aplicação retroativa do Pacote Anticrime para reger apenas a progressão do crime hediondo, quando ambos os delitos compõem uma mesma execução penal e foram praticados em momento anterior à edição da Lei nº 13.964/2019. STJ. 5ª Turma. REsp 2.026.837-SC, Rel. Min. Messod Azulay Neto, julgado em 7/11/2023 (Info 794). Como o tema foi cobrado em concurso? (TJ-GO - Juiz - FCC - 2021): Segundo tese fixada pelo Superior Tribunal de Justiça, os apenados que, embora tenham cometido crime hediondo ou equiparado sem resultado morte, e que não sejam reincidentes em delito de natureza semelhante, poderão progredir de regime prisional quando tiverem cumprido ao menos quarenta por cento da pena. Correto. Ademais, ainda sobre a progressão de regime, o §1º do art. 112 e o inciso II, do art. 114, ambos da Lei de Execução Penal, determinaram que o exame criminológico passou a ser obrigatório para que o apenado tenha direito à progressão: Art. 112. (...) § 1º Em todos os casos, o apenado somente terá direito à progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, e pelos resultados do exame criminológico, respeitadas as normas que vedam a progressão. (redação dada Lei nº 14.843/2024) Art. 114. Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que: (...) II - apresentar, pelos seus antecedentes e pelos resultados do exame criminológico, fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina, baixa periculosidade e senso de responsabilidade, ao novo regime. (redação dada Lei nº 14.843/2024) Portanto, a exigência de realização de exame criminológico para toda e qualquer progressão de regime, configura novatio legis in pejus, pois, incrementa requisito, tornando mais difícil alcançar regimes prisionais menos gravosos à liberdade. Logo, por expressa vedação constitucional, essa norma é irretroativa. Assim, para situações anteriores à edição da nova lei, a Súmula 439 do STJ continua aplicável, isto é, a exigência da realização do exame criminológico deve ser motivada: CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 33 “Súmula 439-STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada”. Portanto, caso a condenação do reeducando for anterior à Lei nº 14.843/2024, não é aplicável a disposição legal de forma retroativa. (STJ - RHC 200.670-GO – Inf. 824). 10. MANUTENÇÃO DA PRISÃO Importante consignar que o § 3º do art. 2º da Lei de Crimes Hediondos deve ser interpretado conforme a Constituição. Art. 2º, § 3º Em caso de sentença condenatória, o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade. Desta forma: 1) Réu processado preso: recorre preso (salvo se os motivos que ensejaram a prisão preventiva não mais subsistirem). 2) Réu processado solto: recorre solto (salvo se surgirem fundamentos para a preventiva). 11. SAÍDA TEMPORÁRIA Salienta-se que no âmbito da LEP, o Pacote Anticrime vedou a saída temporária para os condenados por crime hediondo ou com violência ou grave ameaça contra pessoa: Art. 122, § 2º Não terá direito à saída temporária de que trata o caput deste artigo ou a trabalho externo sem vigilância diretao condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo ou com violência ou grave ameaça contra pessoa. (Redação dada pela Lei nº 14.843, de 2024) 12. PRISÃO TEMPORÁRIA A prisão temporária é modalidade de prisão provisória, com natureza cautelar, decretada antes do trânsito em julgado da condenação. Será possível apenas na fase investigatória, não podendo ser decretada no curso do processo. Por isso, não é possível que o juiz decrete de ofício, dependendo de requerimento do MP ou de representação da autoridade judicial. Nos crimes em geral, será decretada por 5 dias podendo ser prorrogada por mais 5 dias. Já nos crimes hediondos, a prisão temporária poderá ser decretada por 30 dias, sendo possível a prorrogação por mais 30 dias, no caso de extrema e comprovada necessidade, nos termos do art. 2º, § 4º da Lei 8.072/90: Art. 2º, § 4º - A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de 21 de dezembro de 1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo de 30 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 34 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. Este prazo da temporária não é computado no prazo para a conclusão do inquérito policial. O art. 1º, III da Lei da Prisão Temporária traz um rol de crimes em que se admite esta modalidade de prisão. Contudo, alguns crimes hediondos e equiparados, a exemplo da tortura, do estupro de vulnerável, da falsificação de remédios etc., não constam no dispositivo. Diante disso, indaga-se: cabe prisão temporária para esses delitos? Sim, pois a própria Lei dos Crimes Hediondos prevê a prisão temporária. Isto posto, pode-se inferir que a Lei dos Crimes Hediondos não só aumentou o prazo da temporária para os crimes hediondos e equiparados, como também ampliou o rol de crimes que admitem tal modalidade de prisão. Como o tema foi cobrado em concurso? (PC-PB - Delegado - CESPE - 2022): O prazo de prisão temporária para os crimes hediondos e equiparados é de 30 dias, não sendo admitida prorrogação, porque ele já é ampliado em relação ao regramento da Lei n.º 7.960/1989. Errado. 13. ESTABELECIMENTOS PENAIS DE SEGURANÇA MÁXIMA A Lei dos Crimes Hediondos faz referência a estabelecimentos penais de segurança máxima em seu art. 3º, in verbis: Art. 3º A União manterá estabelecimentos penais, de segurança máxima, destinados ao cumprimento de penas impostas a condenados de alta periculosidade, cuja permanência em presídios estaduais ponha em risco a ordem ou incolumidade pública. Nota-se que a lei não condiciona condenação por crime hediondo ou equiparado, bastando que seja um condenado de alta periculosidade. Obs.: para o presídio federal não vão apenas condenados pela Justiça Federal, mas também os condenados pela Justiça Estadual (maioria), tendo em vista a alta periculosidade. 14. LIVRAMENTO CONDICIONAL O livramento condicional é uma liberdade antecipada, medida alternativa à prisão que modifica a execução penal, desde que cumprida determinadas condições. Observe o disposto no art. 83, V do Código Penal: Art. 83, V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 35 Salienta-se que o tráfico de pessoas, apesar de não ser crime hediondo ou equiparado, no incidente de livramento condicional, segue os mesmos requisitos. Verifica-se, em continuidade, como se dá o prazo para o livramento condicional: Caso seja reincidente específico, não terá direito ao livramento condicional. Há 3 correntes acerca do que se entende por reincidente específico: 1) 1ª corrente: é o reincidente em crimes previstos no mesmo tipo penal. Por exemplo, estupro e estupro. 2) 2ª corrente: é o reincidente em crimes que violam o mesmo bem jurídico, ainda que em tipos distintos. Por exemplo, latrocínio e extorsão mediante sequestro. 3) 3ª corrente (majoritária): é o reincidente em crimes hediondos ou equiparados, não importando o tipo ou o bem jurídico tutelado. 15. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA VISANDO A PRÁTICA DE CRIMES HEDIONDOS E EQUIPARADOS Tem-se o disposto no art. 8º da Lei de Crimes Hediondos: Art. 8º Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art. 288 do Código Penal, quando se tratar de crimes hediondos, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. Nota-se, em seguida, o previsto no art. 288 do CP: Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente. Diante dos dispositivos acima, pode-se concluir que: PRIMÁRIO + BONS ANTECEDENTES Cumprimento de + de 1/3 da pena REINCIDENTE Cumprimento de + de 1/2 da pena CRIME HEDIONDO/EQUIPARADO + TRÁFICO DE PESSOAS Cumprimento de + de 2/3 da pena, desde que não seja reincidente específico http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art288 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art288 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 36 Tratando-se de associação criminosa com a finalidade de praticar tráfico de drogas, genocídio e terrorismo, há tipos específicos, não se aplicando o disposto acima. Por fim, destaca-se que a associação criminosa NÃO é crime hediondo, quando visa a prática de crime hediondo ou equiparados. De acordo com Renato Brasileiro, A exceção fica por conta do crime de associação para prática de genocídio, previsto no art. 2º, da Lei 2.889/56 que é considerado hediondo, por força do art. 1º, I, da Lei 8.072/90, que considera hediondo não apenas o genocídio propriamente dito, previsto no art. 1º da Lei 2.88/56, mas também os delitos de associação para fins de genocídio e incitação à prática do referido delito. Como o tema foi cobrado em concurso? (PC-PB - Delegado - CESPE - 2022): Se associação criminosa destinada à prática de crimes hediondos for desmantelada em razão de informações fornecidas por participante ou associado do grupo criminoso, este receberá perdão judicial. Errado. (PRF - Policial Rodoviário Federal - CESPE - 2021): Caso três pessoas associadas, com divisão de tarefas, subtraiam substância explosiva, estará configurado crime hediondo. Errado. 16. DELAÇÃO PREMIADA Para a maioria da doutrina, a Lei 12.850/13 trouxe um microssistema da colaboração premiada, aplicando-se em todos os casos em que a lei admite justiça negociada. Há corrente fomentando o diálogo das fontes, assim o art. 8º, parágrafo único da Lei dos Crimes Hediondos deve ser norteado pela Lei 12.850/13 (para aprofundar, recomendamos o CS de Organização Criminosa). Art. 8º, Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento, terá a pena reduzida de um a dois terços. 17. PENAS RESTRITIVAS E SURSIS DE DIREITO Acerca do cabimento de penas restritivas de direito e de sursis há 2 correntes: 1) 1ª corrente: não cabe, tendo em vista que tais benefícios são incompatíveis com a gravidade dos crimes hediondos e equiparados. Associação criminosa para prática de crime comum Pena: 1 a 3 anos Associação criminosa para prática de crime hediondos e equiparados Pena 3 a 6 anos CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 37 2) 2ª corrente: o legislador não deve proibir penas restritivas de direito e sursis com base na gravidade em abstrato, devendo o juiz aquilatar no caso em concreto. É a corrente adotada pelo STF. 18. REMIÇÃO A remição é o resgate de parcela da pena pelo trabalho ou estudo penitenciário e, como a lei não proíbe, é perfeitamentepossível. 19. TRABALHO EXTERNO Preenchidos os requisitos, é perfeitamente possível que o preso por crime hediondo ou equiparado exerça trabalho externo.Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da semana para ler no site do Dizer o Direito. Ademais, no Caderno constam os principais artigos da lei, mas, ressaltamos, que é necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação. Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina + informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você faça uma boa prova. Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito importante! As bancas costumam repetir certos temas. Vamos juntos! Bons estudos! Equipe Cadernos Sistematizados. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 4 1. LEI 8.072/90 E ORIGEM HISTÓRICA No Brasil, a Lei 8.072/90 foi a primeira a tratar sobre crimes hediondos. De lá para cá, como todas as leis existentes no país, passou por diversas reformas legislativas. A expressão “crimes hediondos” foi utilizada pela Constituição Federal, em seu art. 5ª, XLIII, nos seguintes termos: Art. 5º, XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem. Trata-se de uma norma constitucional de eficácia limitada e de aplicabilidade imediata, uma vez que depende de regulamentação por meio de lei ordinária. A Constituição Federal, aqui, traz um mandado de criminalização expressa. Nesse liame, segundo Rogério Sanches, as Constituições modernas não se limitam a especificar restrições ao poder do Estado e passam a conter preocupações com a defesa ativa do indivíduo e da sociedade em geral. A própria Constituição, assim, impõe a criminalização visando à proteção de bens e valores constitucionais, pois do Estado, espera-se mais de uma atividade defensiva. Destaca-se, por fim, que no final da década de 80, o Brasil passou por uma onda de crimes de extorsão mediante sequestro com a finalidade de financiar organizações criminosas, a exemplo do PCC. Visando coibir tal prática, criou-se a Lei dos Crimes Hediondos (em obediência ao mandado constitucional de criminalização) e, em sua redação original, o único crime previsto era extorsão mediante sequestro, sendo ampliado o rol durante a tramitação. Como o tema foi cobrado em concurso? (DPE-DF - Analista - CESPE - 2022): No intuito de se apropriar de joias e dólares, Raí, réu primário e sem antecedentes, ameaçou a vítima e a manteve sob sua vigilância até conseguir arrombar o cofre da residência dela. Após a regular tramitação processual, a condenação de Raí transitou em julgado. A conduta de Raí caracteriza o crime de extorsão mediante sequestro, que, por ser classificado como hediondo, é imprescritível. Errado. 2. CONCEITO DE CRIME HEDIONDO O conceito de crime hediondo é dado de acordo com o critério adotado. Portanto, a seguir, serão analisamos os 3 critérios existentes: legal, judicial e misto. CRITÉRIOS PARA DEFINIÇÃO 2.1.1. Critério legal De acordo com o critério legal, crime hediondo é aquele que a lei define como tal, pouco importando as consequências e a forma como é praticado. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 5 O Brasil adota o critério legal, conforme disposto no art. 5º, inciso XLIII da Constituição Federal, cuja primeira parte da norma menciona que “a lei considerará inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia [...]”. É o critério mais seguro de todos, pois elimina eventual discricionariedade dos juízes, prezando pela segurança jurídica. Não se admite, tampouco, que o magistrado deixe de reconhecer a natureza hedionda em delito que expressamente conste do rol. Frisa-se, ainda, que os jurados não são questionados acerca do caráter hediondo do delito, já que essa característica decorre automaticamente do reconhecimento de uma das qualificadoras. Adotou-se, portanto, um critério que se baseia exclusivamente na existência de lei que confira caráter hediondo a certos ilícitos penais. Assim, por mais grave que seja determinado crime, o juiz não lhe poderá conferir o caráter hediondo, se tal ilícito não constar do rol da Lei 8.072/90. Obs.: há doutrina que sugere a criação de uma “cláusula salvatória”, permitindo que a depender do caso concreto o juiz afaste a natureza hedionda de um crime constante do rol fixado pelo legislador. Como o tema foi cobrado em concurso? (PC-PB - Delegado - CESPE - 2022): Os crimes hediondos e equiparados estão listados na Constituição Federal, não dispondo o legislador ordinário de liberdade para ampliar tal rol. Errado. (Governo do Distrito Federal - Polícia Penal - Instituto AOCP - 2022): O ordenamento jurídico brasileiro adota o sistema legal para fins de classificação das infrações penais como crimes hediondos, de modo que incumbe ao legislador enunciar, de forma exaustiva, os crimes que devem ser considerados hediondos. Correto. 2.1.2. Critério judicial Segundo o critério judicial, determinado crime será considerado hediondo após a análise, feita pelo juiz, do caso concreto, das circunstâncias e consequências do crime. O critério judicial fere a taxatividade, de modo que não há segurança jurídica. 2.1.3. Critério misto O critério misto sustenta que o juiz possui plena liberdade para definir se o crime é hediondo ou não, levando em conta os parâmetros mínimos fornecidos pelo legislador. REGULAMENTAÇÃO LEGAL O art. 1º da Lei 8.072/90, regulamentado pela Constituição Federal, traz o rol dos crimes que são considerados hediondos, sejam eles tentados ou consumados, in verbis: CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 6 Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por 1 (um) só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VII, VIII e IX); I-A – lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2º) e lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição; II - roubo: a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. 157, § 2º, inciso V); b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma de fogo de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º- B); c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte (art. 157, § 3º I-B – feminicídio (art. 121-A); III - extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, § 3º); IV - extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ lº, 2º e 3º); V - estupro (art. 213, caput e §§ 1º e 2º); VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 3º e 4º); VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º). VII-A – (VETADO VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1º, § 1º-A e § 1º-B, com a redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de julho de 1998). VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescenteou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º). IX - furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum (art. 155, § 4º-A).) X - induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação realizados por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitidos em tempo real (art. 122, caput e § 4º); XI - sequestro e cárcere privado cometido contra menor de 18 (dezoito) anos (art. 148, § 1º, inciso IV) XII - tráfico de pessoas cometido contra criança ou adolescente (art. 149-A, caput, incisos I a V, e § 1º, inciso II). Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados ou consumados: I - o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956; II - o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, previsto no art. 16 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; III - o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto no art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; IV - o crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 7 V - o crime de organização criminosa, quando direcionado à prática de crime hediondo ou equiparado. VI – os crimes previstos no Decreto-Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969 (Código Penal Militar), que apresentem identidade com os crimes previstos no art. 1º desta Lei. VII - os crimes previstos no § 1º do art. 240 e no art. 241-B da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente) Destaca-se que a natureza hedionda do crime não é afastada nos casos de tentativa, não importando se o delito não se consumou. Se há previsão legal, pouco importa se o crime será tentado ou consumado, uma vez que a tentativa é uma mera causa de diminuição da pena, não altera a natureza do delito. A classificação de um crime como hediondo se dá pela sua gravidade intrínseca, pela repulsa que causa à sociedade e pela lesão aos bens jurídicos mais relevantes. A tentativa de cometer um crime hediondo demonstra a intenção do agente em praticar um ato extremamente grave, mesmo que não tenha conseguido consumá-lo. 3. CRIMES HEDIONDOS E PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA O princípio da insignificância, causa supralegal de exclusão da tipicidade, não será aplicado aos crimes hediondos, em razão da incompatibilidade lógica entre os dois institutos. A própria Constituição Federal exige um tratamento mais severo aos crimes hediondos, razão pela qual não há razões para aplicar o princípio da insignificância. Obs.: em primeiro lugar, tem-se as infrações de menor potencial ofensivo (contravenções penais e crimes com pena máxima menor do que dois anos). Há, ainda, os crimes de médio potencial ofensivo (admitem a suspensão condicional do processo, sua pena mínima será de até um ano, pouco importando a pena máxima). Por outro lado, os crimes de elevado potencial ofensivo são aqueles incompatíveis com os benefícios da Lei 9.099/95. O STF classifica os crimes indicados no art. 5º, LXII (racismo), LXIII (hediondos e equiparados) e LXIV (ação de grupos armados) da Constituição Federal como crimes de máximo potencial ofensivo, sendo crimes inafiançáveis e, alguns, imprescritíveis. Art. 5º, XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 8 4. ROL DOS CRIMES HEDIONDOS O rol do art. 1º é taxativo. Assim, quando um crime não está no rol, mesmo que seja grave e que suas circunstâncias sejam bárbaras, não será considerado hediondo. HOMICÍDIO (I) Art. 1º, I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VII, VIII e IX). (Redação dada pela Lei nº 14.994, de 2024) Na redação original da Lei dos Crimes Hediondos o crime de homicídio não era considerado hediondo. Apenas com a Lei 8.930/94 (Lei Glória Perez), de iniciativa popular, é que passou a ser considerado como um crime hediondo. A Lei 14.344, conhecida também como Lei Henry Borel, que cria mecanismos para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e ao adolescente, foi publicada em 25 de maio de 2022 e alterou a redação do art. 1º, I da Lei de Crimes Hediondos, incluindo o inciso IX no rol dos crimes hediondos, que trata da qualificadora do homicídio contra menor de 14 anos. Assim, será considerado hediondo o homicídio qualificado cometido: 1) Mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; 2) Por motivo fútil; 3) Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; 4) À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; 5) Para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; 6) Contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (Feminicídio – Com a Lei nº 14.994, de 2024, deixou de ser uma qualificado do homicídio, passando a ser um tipo penal autônomo; 7) Contra membro das forças armadas ou das forças auxiliares (arts. 142 e 144 da Constituição Federal), integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição; 8) Com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido, 9) Contra menor de 14 anos. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 9 Destaca-se, todavia, que não é todo crime de homicídio que será considerado hediondo, conforme é possível de se visualizar abaixo: • Homicídio qualificado: sempre é hediondo. • Homicídio privilegiado: não é crime hediondo. • Homicídio simples: não é crime hediondo. • Homicídio simples praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente: também denominado de homicídio condicionado, para Cézar Roberto Bitencourt, atividade típica de grupo de extermínio é a chacina que elimina a vítima pelo simples fato de pertencer a determinado grupo ou determinada classe social ou racial, como, por exemplo, mendigos, prostitutas, homossexuais, presidiários etc. A impessoalidade da ação é uma das características fundamentais, sendo irrelevante a unidade ou pluralidade de vítimas. Caracteriza-se a ação de extermínio mesmo que seja morta uma única pessoa, desde que se apresente a impessoalidade da ação, ou seja, pela razão exclusiva de pertencer ou ser membro de determinado grupo social, ético, econômico, étnico. Ex.: uma pessoa resolve sair sozinha de casa, durante as madrugadas, em uma motocicleta, para procurar moradores de rua dormindo em calçadas, a fim de neles atear fogo. Os homicídios foram por ele cometidos em atividade típica de grupo de extermínio, embora em atitude solo, tornando aplicável a Lei dos Crimes Hediondos. Verifica-se que não há no art. 1º, I, da Lei de Crimes Hediondos referência ao § 6º do art. 121 (homicídio praticado por grupo de extermínio) que, por si só, não é hediondo. Contudo, sempre será um homicídio qualificado pelas circunstâncias que envolve, o que irá caracterizara hediondez, uma vez que, em regra, o homicídio praticado em atividade típica de grupo de extermínio apresenta alguma qualificadora (motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima etc). Art. 121, § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. Obs.: o homicídio praticado por milícia só será hediondo quando for qualificado. Como visto acima, é praticamente impossível que um homicídio praticado por milicianos não seja considerado qualificado, oportunidade em que haverá a incidência da Lei de Crimes Hediondos. Em relação ao homicídio híbrido ou qualificado-privilegiado, prevalece o entendimento de que não é crime hediondo, considerando que não há previsão legal, bem como que a brandura do privilégio é incompatível com a hediondez. Privilégio (art. 121, § 1º) Qualificadora (art. 121, § 2º) 1) Relevante valor social (subjetivo) 2) Relevante valor moral (subjetivo) 3) Emoção (subjetivo) 1) Motivo torpe (subjetivo) 2) Motivo fútil (subjetivo) 3) Meio cruel (objetivo) 4) Modo surpresa (objetivo) 5) Fim especial (subjetivo) CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 10 Obs.: quando a qualificadora for de natureza subjetiva, não há que se falar em homicídio híbrido. Assim, o homicídio privilegiado-qualificado só existe quando a qualificadora é de caráter objetivo, ou seja, quando se refere ao meio ou modo de execução. Salienta-se que essa é a corrente majoritária e consolidada pelo STJ: Por incompatibilidade axiológica e por falta de previsão legal, o homicídio qualificado-privilegiado não integra o rol dos denominados crimes hediondos (Precedentes). (HC 153.728/SP, Rel. Min. Felix Fischer, 5ª Turma, julgado em 13/04/2010, DJe 31/05/2010). A Lei n. 8.072/90, alterada pela Lei n. 8.930/94, em seu art. 1º, considerou hediondo, entre outros, o homicídio qualificado, consumado ou tentado. Não faz nenhuma referência à hipótese do homicídio qualificado-privilegiado. A extensão, aqui, viola o princípio da reserva legal, previsto entre nós tanto na Carta Magna como em regra infraconstitucional (art. 5º, inc. XXXIX, da Lex Maxima, e art. 1º, do CP). (STJ - HC 180.694/PR, Rel. Min. Félix Fischer, 5ª Turma, julgado em 02/02/1999, DJ 22/03/1999, p. 229). Destaca-se, entretanto, que existe outra corrente que defende que o homicídio qualificado- privilegiado é hediondo. Para os seguidores dessa corrente, não se aplica o art. 67 do Código Penal, já que tal artigo trata apenas do reconhecimento conjunto de agravantes e atenuantes genéricas, que são circunstâncias que se equivalem por serem aplicadas na mesma fase da aplicação da pena. Assim, para essa corrente, entende-se que as qualificadoras não são equivalentes ao privilégio, pois aquelas modificam a própria tipificação do crime (estabelecendo nova pena em abstrato), enquanto este é tão somente uma causa de diminuição de pena, a ser considerada na última fase da sua fixação. Como não se equivalem, inaplicável o art. 67 do Código Penal, devendo prevalecer o caráter hediondo, uma vez que a Lei 8.072/90 não faz qualquer ressalva ao mencionar o homicídio qualificado como delito dessa natureza. Como o tema foi cobrado em concurso? (DPE-RS - Defensor Público - CESPE - 2022): O reconhecimento da causa especial de diminuição de pena, quando coexistir com o homicídio qualificado, afastará o caráter hediondo do delito. Correto. FEMINICÍDIO Com o advento da Lei 14.994/2024, o feminicídio deixou de ser uma qualificadora do homicídio, tornando-se, a partir de 10/10/2024, um crime autônomo previsto no art. 121-A do Código Penal: Art. 121-A. Matar mulher por razões da condição do sexo feminino: Pena – reclusão, de 20 (vinte) a 40 (quarenta) anos. Assim, a Lei dos Crimes Hediondos, no inciso I-B, definiu: CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 11 Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: I-B – feminicídio (art. 121-A); Pergunta-se: Em quais hipóteses fica caracterizado o feminicídio? Segundo dispõe o Código Penal, o Feminicídio ocorre quando matar mulher por razões da condição do sexo feminino. E, considera-se que há razões da condição do sexo feminino, quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Art. 121-A, § 1º Considera-se que há razões da condição do sexo feminino quando o crime envolve: I – violência doméstica e familiar; II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher. a) Violência doméstica e familiar (inciso I) Haverá feminicídio quando o homicídio for praticado contra a mulher em situação de violência doméstica OU familiar. Ao afirmar isso, o legislador ampliou bastante o conceito de feminicídio, já que, pela redação literal do inciso I não seria necessário discutir os motivos que levaram o autor a cometer o crime. Pela interpretação literal, não seria indispensável que o delito tivesse relação direta com razões de gênero. Tendo sido praticado homicídio (consumado ou tentado) contra pessoa do sexo feminino envolvendo violência doméstica, haveria feminicídio. Ocorre que a interpretação literal e isolada do inciso I não parece a melhor. É preciso contextualizar o tema e buscar a interpretação sistemática, socorrendo-se da definição de “violência doméstica e familiar” encontrada no art. 5º da Lei Maria da Penha, que assim a conceitua: Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e (OU) familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Desse modo, conclui-se que, mesmo no caso do feminicídio baseado no inciso I do § 1º do art. 121-A, será indispensável que o crime envolva motivação baseada no gênero (“razões de condição de sexo feminino”). Por exemplo, marido que mata a mulher porque acha que ela não tem “direito” de se separar dele; companheiro que mata sua companheira porque quando ele chegou em casa o jantar não estava pronto. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 12 Por outro lado, ainda que a violência aconteça no ambiente doméstico ou familiar e mesmo que tenha a mulher como vítima, não haverá feminicídio se não existir, no caso concreto, uma motivação baseada no gênero (“razões de condição de sexo feminino”). Por exemplo, 2 irmãos (Ana e João), que vivem na mesma casa, disputam a herança do pai falecido; determinado dia, João invade o quarto de Ana e a mata para ficar com a totalidade dos bens para si; esse crime foi praticado com violência doméstica, já que envolveu 2 pessoas que tinham relação íntima de afeto, mas não será feminicídio porque não foi um homicídio baseado no gênero (não houve violência de gênero, menosprezo à condição de mulher), tendo a motivação do delito sido meramente patrimonial. b) Menosprezo ou discriminação à condição de mulher (inciso II) Para ser enquadrado neste inciso, é necessário que, além de a vítima ser mulher, fique caracterizado que o crime foi motivado ou está relacionado com o menosprezo ou discriminação à condição de mulher, havendo uma inferiorização da mulher. Por exemplo, funcionário de uma empresa que matasua colega de trabalho em virtude de ela ter conseguido a promoção em detrimento dele, já que, em sua visão, ela, por ser mulher, não estaria capacitada para a função. É possível afirmar que a conduta de matar uma mulher será, necessariamente, crime hediondo? Não. A conduta de matar uma mulher somente será crime hediondo na hipótese de homicídio qualificado ou de feminicídio. Quando ocorrer homicídio simples de uma mulher, sem que envolva violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher, não haverá a configuração de crime hediondo. Sendo importante destacar que feminicídio (homicídio contra mulher por razões da condição do sexo feminino) não se confunde com femicídio (homicídio contra mulher). LESÃO CORPORAL (I-A) Em regra, a lesão corporal não é considerada crime hediondo. Com o advento da Lei 13.142/2015, apenas quando for uma lesão corporal gravíssima ou seguida de morte praticada contra as pessoas definidas nos arts. 142 e 144 da CF (lesão corporal funcional) será considerada hedionda. Art. 1º, I-A - lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2o) e lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3o), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição; Os arts. 142 e 144 da Constituição Federal mencionados no dispositivo dizem respeito aos integrantes das forças armadas e aos policiais civis ou militares. Para que o delito tenha natureza hedionda, é necessário que o agente tenha provocado as lesões gravíssimas ou seguidas de morte http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 13 quando a vítima estava no exercício da função ou que o delito tenha sido praticado em decorrência dela. Além disso, se essas mesmas infrações forem cometidas contra cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau de uma das autoridades ou agentes acima mencionados, em razão dessa condição, o delito será igualmente considerado hediondo. O parentesco até terceiro grau a que a lei se refere abrange, na linha reta, crime contra pai ou filho, avô ou neto, bisavô ou bisneto, e, na linha colateral, crime contra irmão, tio ou sobrinho. Renato Brasileiro salienta que para o reconhecimento da hediondez é indispensável que haja o denominado nexo funcional, ou seja, que o crime tenha sido praticado em razão do exercício dessas funções. Por fim, destaca que na eventualidade de um crime de lesão corporal gravíssima (ou seguida de morte) ser cometido contra autoridades ou agentes não elencados no inciso I-A do art. 1º da Lei 8.072/90, como, por exemplo, Promotores de Justiça ou membros do Poder Judiciário, não seria possível o etiquetamento de crimes hediondos, sob pena de indevida analogia in malam partem. Obs.: a lesão corporal funcional leve ou grave não é considerada crime hediondo. ROUBO (II) Art. 1º, II - roubo: a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. 157, § 2º, inciso V); b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma de fogo de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º- B); c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte (art. 157, § 3º). ANTES DA LEI 13.964/2019 APÓS A LEI 13.964/2019 Em regra, o roubo não era considerado crime hediondo, salvo quando qualificado pela morte (latrocínio). Em regra, o roubo continua não sendo crime hediondo, salvo quando for majorado pela restrição da liberdade da vítima, majorado pelo emprego de arma de fogo ou de arma de fogo de uso restrito ou proibido e quando for qualificado pela morte ou por lesão corporal grave. Nota-se que o roubo, em regra, continua não sendo crime hediondo. O Pacote Anticrime ampliou as hipóteses que será crime hediondo, antes restrito ao latrocínio, conforme se verifica abaixo: 1) Roubo majorado pela restrição da liberdade da vítima A majorante da restrição de liberdade, de acordo com entendimento doutrinário e jurisprudencial, só se configura quando o agente mantém a vítima em seu poder durante espaço de tempo não prolongado. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 14 Como o tema foi cobrado em concurso? (DPE-ES - Defensor - FCC - 2023): De acordo com a Lei dos crimes hediondos (Lei nº 8.072/1990), o crime de roubo será considerado hediondo se houver restrição de liberdade da vítima. Correto. 2) Roubo majorado pelo emprego de arma de fogo ou emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido Engloba qualquer arma de fogo, inclusive a de uso permitido. Contudo, o roubo circunstanciado pelo emprego de arma branca não é hediondo. Igualmente não se reconhecerá a natureza hedionda ao roubo cometido com emprego de arma verdadeira inapta a efetuar disparos em razão de algum defeito ou que esteja desmuniciada. 3) Roubo qualificado pela lesão corporal grave O roubo qualificado pela lesão grave (ou gravíssima) pressupõe que o agente provoque o resultado na vítima sem a intenção de matá-la, pois quando presente tal intenção o crime é o de tentativa de latrocínio. 4) Roubo qualificado pelo resultado morte (latrocínio) O nome latrocínio não mais existe na Lei de Crimes Hediondos, voltou a ser mera denominação doutrinária e jurisprudencial. O art. 157, § 3º do Código Penal prevê que o latrocínio ocorre quando a morte resulta da violência. Logo, NÃO haverá latrocínio quando a morte decorrer de grave ameaça, bem como quando ausente um dos fatores: 1) Fator tempo: violência empregada durante o assalto; 2) Fator nexo: violência em razão do assalto. De acordo com Rogério Sanches, a doutrina entende haver também concurso de roubo e homicídio – e não latrocínio – quando um dos assaltantes mata o outro, para, por exemplo, ficar com todo o dinheiro subtraído, ainda que a morte ocorra durante o assalto. Isto porque, no caso, o resultado morte atingiu o próprio sujeito ativo do roubo. Por outro lado, se o agente efetua um disparo para matar a vítima, mas por erro de pontaria, acaba atingindo e matando o seu comparsa, o crime é de latrocínio. Neste caso, ocorreu a chamada aberratio ictus (art. 73), respondendo o agente como se tivesse atingido a pessoa visada. Por fim, é imperioso relembrar que o latrocínio não é julgado pelo Tribunal do Júri, uma vez que é crime contra o patrimônio e não contra a vida, nos termos da Súmula 603 do STF: Súmula 603 do STF: A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do tribunal do júri. Como o tema foi cobrado em concurso? (PC-PB - Delegado - CESPE - 2022): O rol de crimes hediondos inclui o roubo qualificado por lesão corporal grave, porém não abrange o homicídio simples, salvo se praticado em atividade típica de grupo de extermínio. Correto. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 15 (DPE-SC - Defensor Público - FCC - 2021): Considera-se hediondo o crime de roubo circunstanciado pelo emprego de arma. Errado. EXTORSÃO (III) Art. 1º, III - extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, § 3º). O crime de extorsão consiste em constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa (art. 158, caput, do CP). A Lei 13.964/2019 trouxe muitas mudanças em relação ao caráter hediondo conferido a algumas modalidades do crime de extorsão. Antes da referida lei, apenas a extorsão qualificada pela morte (art.158, § 2º) possuía natureza hedionda. O Pacote Anticrime, todavia, incluiu ao rol dos crimes hediondos o sequestro relâmpago. Contudo, surge a dúvida acerca da hediondez da extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, sem que ocorra lesão corporal ou morte. No entendimento de Cleber Masson, deve ser considerado crime hediondo, tendo em vista que legislador fez referência a todo o art. 158, § 3º do CP. Destaca-se que houve a exclusão do art. 158, § 2º do CP, excluindo, portanto, do rol dos crimes hediondos a extorsão qualificada pela morte. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO (IV) Art. 1º, IV - extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ 1º, 2º e 3º). A extorsão mediante sequestro, em todas as modalidades, será sempre crime hediondo. Inclusive, foi o que motivou a criação da lei. A Lei n. 8.072/90 deu especial atenção a esse delito em decorrência do grande número de crimes dessa natureza ocorridos durante sua tramitação, estabelecendo o caráter hediondo tanto em sua forma simples (sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem como condição ou preço do resgate) como nas formas qualificadas (se dura mais de 24 horas; se a vítima é menor de 18 anos ou maior de 60; se o crime é cometido por quadrilha; se a vítima sofre lesão grave ou morre). Como o tema foi cobrado em concurso? (DPE-SC - Defensor Público - FCC - 2021): Considera-se hediondo o crime de fraude eletrônica praticada contra pessoa idosa. Errado. ESTUPRO (V/VI) Art. 1º, V - estupro (art. 213, caput e §§ 1o e 2o); VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 3º e 4º). CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 16 Todas as formas de estupro são consideradas crime hediondo. Nesse sentido, o Info 835 do STF, considerando-se os comentários do Dizer o Direito sobre o tema: Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor, mesmo que cometidos antes da edição da Lei 12.015/2009, são considerados hediondos, ainda que praticados na forma simples. Em outras palavras, seja antes ou depois da Lei 12.015/2019, toda e qualquer forma de estupro (ou atentado violento ao pudor) é considerada crime hediondo, sendo irrelevante que a prática de qualquer deles tenha causado, ou não, lesões corporais de natureza grave ou morte. STF. 1ª Turma. HC 100612/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 16/8/2016 (Info 835). Na redação original do Código Penal, havia a previsão tanto do crime de “estupro” (art. 213) como do delito de “atentado violento ao pudor” (art. 214). A diferença entre eles era a seguinte: • Estupro: o agente constrangia a vítima para obrigá-la a ter conjunção carnal (coito vaginal); • Atentado violento ao pudor: o agente constrangia a vítima para obrigá-la a praticar outros atos libidinosos diferentes da conjunção carnal. Ex.: coito anal, sexo oral etc. A Lei 12.015/09 alterou o panorama acima explicado e reuniu, em um só tipo penal, as condutas de conjunção carnal e de outras espécies de ato libidinoso. Agora, tanto faz: se o agente constrange a vítima (homem ou mulher) a praticar conjunção carnal ou a realizar qualquer outro ato libidinoso, terá cometido o crime de estupro. O crime de atentado violento ao pudor foi transportado para dentro do delito de estupro. Compare: REDAÇÃO ORIGINAL DEPOIS DA LEI 12.015 (ATUALMENTE) Art. 213. Constranger a mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça: Art. 214. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal: Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Art. 214: foi revogado e a sua conduta passou a ser descrita no art. 2013. Outra inovação da Lei 12.015/2009 foi acrescentar o art. 217-A ao Código Penal, criando um novo delito, chamado de “estupro de vulnerável”: Estupro de vulnerável Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Antes do art. 217-A, as condutas de praticar conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 14 anos poderiam ser consideradas crime? SIM. Tais condutas poderiam se enquadrar nos crimes previstos no art. 213 c/c art. 224, “a” (estupro com violência presumida, por ser menor de 14 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 17 anos) ou art. 214 c/c art. 224, “a” (atentado violento ao pudor com violência presumida, por ser menor de 14 anos), todos do Código Penal, com redação anterior à Lei 12.015/2009. Desse modo, apesar dos arts. 214 e 224 do CP terem sido revogados pela Lei 12.015/2009, não houve abolitio criminis dessas condutas, ou seja, continua sendo crime praticar ato libidinoso com menor de 14 anos. No entanto, essas condutas, agora, são punidas pelo art. 217-A do CP. O que houve, portanto, foi a continuidade normativa típica, que ocorre quando uma norma penal é revogada, mas a mesma conduta continua sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a infração penal continua tipificada em outro dispositivo, ainda que topologicamente ou normativamente diverso do originário. Atualmente, o crime de estupro simples (art. 213, caput, do CP) e de estupro de vulnerável são considerados hediondos? SIM. Isso está previsto expressamente no art. 1º, V e VI, da Lei 8.072/90: Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: V - estupro (art. 213, caput e §§ 1º e 2º); VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 3º e 4º); E antes da Lei 12.015/09, o estupro e o atentado violento ao pudor eram considerados hediondos? SIM, conforme determinado pelo STF: Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor, mesmo que cometidos antes da edição da Lei nº 12.015/2009 e mesmo que praticados na forma simples, eram considerados crimes hediondos. STF. 1ª Turma. HC 100612/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 16/8/2016 (Info 835). Sendo este, também, o entendimento do STJ: (...) 1. Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor, ainda que em sua forma simples, configuram modalidades de crime hediondo porque o bem jurídico tutelado é a liberdade sexual e não a integridade física ou a vida da vítima, sendo irrelevante, para tanto, que a prática dos ilícitos tenha resultado lesões corporais de natureza grave ou morte. 2. As lesões corporais e a morte são resultados que qualificam o crime, não constituindo, pois, elementos do tipo penal necessários ao reconhecimento do caráter hediondo do delito, que exsurge da gravidade mesma do crimes praticados contra a liberdade sexual e merecem tutela diferenciada, mais rigorosa. Precedentes do STJ e STF. (...) STJ. 3ª Seção. REsp 1110520/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/09/2012. Para facilitar: seja antes ou depois da Lei 12.015/2009, toda e qualquer forma de estupro (ou atentado violento ao pudor) é considerada crime hediondo, sendo irrelevante que a prática de qualquer deles tenha causado, ou não, lesões corporais de natureza grave ou morte. EPIDEMIA (VII) Art. 1º, VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º). CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 18 Epidemia é o surto de uma doença que atinge grande número de pessoas em determinado local ou região mediante a propagação de germes patogênicos. A provocação intencional de epidemia é punida com reclusão, de 10 a 15 anos, mas só terá caráter hediondo quando resultar em morte. Nessa hipótese, além de hediondo, o crime terá a pena aplicada em dobro. O crime culposo de epidemia (art. 267,§ 2º, do CP) não é considerado hediondo, ainda que provoque a morte de alguém. Obs.: em se tratando de enfermidade que atinja plantas ou animais, o crime é o do art. 61 da Lei de Crimes Ambientais. Como o tema foi cobrado em concurso? (DPE-PB - Defensor Público - FCC - 2022): É considerado um crime hediondo a epidemia com resultado lesão grave ou morte. Errado. FALSIFICAÇÃO DE MEDICAMENTOS (VII-B) Art. 1º, VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1º, § 1º-A e § 1º-B, com a redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de julho de 1998). FAVORECIMENTO DE PROSTITUIÇÃO OU EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU VULNERÁVEL (VIII) Art. 1º, VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º). O caput do art. 218-B prevê pena de reclusão, de 4 a 10 anos, para quem submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, e, ainda, para quem facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone. O § 1º, por sua vez, prevê a aplicação cumulativa de pena de multa se o delito for cometido com intenção de obter vantagem econômica. Por fim, serão também consideradas hediondas as condutas daqueles que infringirem o § 2º do art. 218-B, ou seja, daqueles que praticarem conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 anos em situação de prostituição ou exploração sexual (se a vítima tiver menos de 14 anos ou for doente mental, o crime será o de estupro de vulnerável), bem como do proprietário, gerente ou responsável pelo local em que se verifiquem referidas práticas (donos ou gerentes de estabelecimentos onde ocorra prostituição de menores, por exemplo). FURTO (IX) IX - furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum (art. 155, § 4º-A). CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 19 Essa forma qualificada do crime de furto foi inserida no Código Penal pela Lei 13.718/2018 devido ao grande número de explosões efetuadas em caixas eletrônicos com a finalidade de viabilizar a subtração das cédulas contidas em seu interior. A gravidade diferenciada da conduta é evidente devido aos grandes danos provocados no local e ao perigo a que ficam expostas as pessoas que estejam nas proximidades. Tal figura qualificada do crime de furto passou a ter natureza hedionda a partir da entrada em vigor da Lei 13.964/2019. O legislador foi muito criticado por ter deixado de inserir no rol dos crimes hediondos o roubo majorado pelo emprego de explosivo (art. 157, § 2º-A, II), pois este delito é mais grave que o furto com a mesma qualificadora. Como o tema foi cobrado em concurso? (DPE-PB - Defensor Público - FCC - 2022): É considerado um crime hediondo o furto qualificado pelo emprego de explosivo. Correto. (DPE-TO - Defensor Público - CESPE - 2022): Segundo a Lei n.º 8.072/1990, consideram-se hediondos, consumados ou tentados, os crimes de roubo majorado com emprego de arma de fogo de uso proibido, restrito ou permitido, o de porte ilegal de arma de fogo de uso proibido e restrito e o de furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. Errado. (TJ-MG - Juiz - FGV - 2022): O furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum é crime hediondo, na forma da Lei nº 8.072/1990. Correto. (DPE-SC - Defensor Público - FCC - 2021): Considera-se hediondo o crime de furto qualificado pelo emprego de explosivo. Correto. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO PELA INTERNET (X) Art. 1º, X - induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação realizados por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitidos em tempo real (art. 122, caput e § 4º); (Incluído pela Lei 14.811, de 2024). A redação do inciso X faz referência apenas ao caput e ao § 4º do art. 122: Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio material para que o faça: Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. § 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real. Vale ressaltar, contudo, que também serão considerados como crimes hediondos os tipos penais qualificados previstos nos § 1º e 2º do art. 122 do CP, desde que tenham sido praticados por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real: Art. 122, § 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código: CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 20 Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. § 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Com efeito, de acordo com entendimento do Prof. Márcio Cavalcante, não faria qualquer sentido a interpretação literal de que o caput do art. 122 (se praticado pela internet) seria hediondo e as formas mais graves, porque acarretaram resultado lesivo, seriam crimes não hediondos. Assim, a interpretação mais adequada é a de que qualquer forma de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação será considerado crime hediondo, desde que realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitidos em tempo real. SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO COMETIDO CONTRA MENOR DE 18 ANOS (XI) Art. 1º, XI - sequestro e cárcere privado cometido contra menor de 18 (dezoito) anos (art. 148, § 1º, inciso IV); (Incluído pela Lei 14.811, de 2024). Verifica-se a redação do art. 148 do Código Penal: Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado: Pena - reclusão, de um a três anos. § 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos: IV - se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos. TRÁFICO DE PESSOAS COMETIDO CONTRA CRIANÇA OU ADOLESCENTE (XII) Art. 1º, XII - tráfico de pessoas cometido contra criança ou adolescente (art. 149-A, caput, incisos I a V, e § 1º, inciso II). (Incluído pela Lei 14.811, de 2024). Importante visualizar o disposto no art. 149-A do Código Penal: Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de: I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo; II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo; III - submetê-la a qualquer tipo de servidão; IV - adoção ilegal; ou V - exploração sexual. Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. § 1º A pena é aumentada de um terço até a metade se: II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência. GENOCÍDIO É crime hediondo não previsto no Código Penal. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 21 O parágrafo único do art. 1º da Lei 8.072/90 define a hediondez do referido delito, nos termos abaixo elencados: Art. 1º, Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados ou consumados: I - o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956. Genocídio não é simplesmente a matança generalizada, mas sim a intenção de destruir no todo ou em parte um grupo étnico, nacional, racial ou religioso. Há, na Lei do Genocídio (Lei 2.889/56), várias condutas típicas, tais como lesão corporal, morte, impedir a reprodução, in verbis: Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, gruponacional, étnico, racial ou religioso, como tal: a) matar membros do grupo; b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial; d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo. O art. 2º pune a associação de mais de 3 pessoas para a prática dos crimes mencionados no artigo acima, e o art. 3º incrimina quem incita, direta e publicamente, alguém a cometer qualquer dos crimes de que trata o art. 1º. É considerado um crime contra a humanidade, não é crime contra a vida. Portanto, não se trata de crime de competência do tribunal do júri, mesmo quando a conduta seja matar membros do grupo. Obs.: há casos em que o genocídio é julgado pelo tribunal do júri, quando há conexão com o crime de homicídio doloso. Por exemplo, a morte de um policial que estava fazendo segurança de uma tribo indígena. Salienta-se que há na Lei do Genocídio o típico caso de norma penal em branco ao avesso, ou seja, há o preceito primário, mas falta o preceito secundário (pena). PORTE OU POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO A Lei 13.497/2017 havia alterado a redação do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.072/90 prevendo que também seria considerado como crime hediondo o delito de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito ou proibido, previsto no art. 16 do Estatuto do Desarmamento. O Pacote Anticrime alterou a redação do parágrafo único, do art. 1º, incluindo o inciso II que considera como hediondo a posse ou o porte ilegal de arma de fogo de uso proibido: Art. 1º, Parágrafo único, II - o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, previsto no art. 16 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art16 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art16 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 22 Em continuidade, necessário observar a nova redação do art. 16 do Estatuto do Desarmamento, dada pelo Pacote Anticrime: Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. § 1º Nas mesmas penas incorre quem: I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato; II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz; III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar; IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado; V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo. § 2º Se as condutas descritas no caput e no § 1º deste artigo envolverem arma de fogo de uso proibido, a pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. Destaca-se que há 2 correntes acerca do alcance da Lei de Crimes Hediondos: 1) 1ª corrente: só será considerado crime hediondo o emprego de arma de fogo de uso proibido. 2) 2ª corrente: considera-se crime hediondo tanto a conduta de uso de arma de fogo de uso proibido quanto de uso restrito, através de uma interpretação sistemática. Nota-se, para tanto, que o art. 1º, parágrafo único, II da Lei 8.072/90 fala de forma genérica no “art. 16 da Lei 10.825, de 22 de dezembro de 2003”, não se restringindo ao § 2º. Por fim, todas as condutas equiparadas do § 1º estão abrangidas, de acordo com o entendimento do STJ. Pergunta-se: É hediondo o crime de porte ou posse de arma de fogo de uso permitido, com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado? Não. É o que dispõe a Súmula 668 do STJ: “Não é hediondo o delito de porte ou posse de arma de fogo de uso permitido, ainda que com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado”. COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 23 Foi incluído pelo Pacote Anticrime. Art. 1º, Parágrafo único, III - o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto no art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003. Conforme apontado, esse crime foi inserido no rol dos crimes hediondos pela Lei 13.964/2019. Consiste em “adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”. A pena é de reclusão, de 6 a 12 anos, e multa. TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO Igualmente, foi incluído pelo Pacote Anticrime: Art. 1º, Parágrafo único, IV - o crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003. CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA O Pacote Anticrime tornou hediondo o crime de organização criminosa, desde que a organização seja destinada à prática de crimes hediondos ou equiparados. Art. 1º, Parágrafo único, V - o crime de organização criminosa, quando direcionado à prática de crime hediondo ou equiparado. Nos termos do art. 1º, § 1º, da Lei 12.850/2013, considera-se organização criminosa a associação de quatro ou mais pessoas estruturalmente ordenada caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a quatro anos, ou que sejam de caráter transnacional. De acordo com o art. 2º, caput, da mesma lei, comete o delito de organização criminosa quem promove, constitui, financia ou integra, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa. A pena é de reclusão, de 3 a 8 anos, e multa. Assim, reitera-se que o delito só tem natureza hedionda quando a finalidade do grupo é a prática de crimes hediondos ou equiparados. Há concurso material entre o delito de organização criminosa e os crimes hediondos ou equiparados efetivamente cometidos. Como o tema foi cobrado em concurso? (MPE-RS - Promotor - MPE-RS - 2023): NÃO é, por si só, considerado crime hediondo, ou equiparado, segundo a legislação brasileira (Lei no 8.072/90), o crime de organização criminosa. Correto. CRIMES PREVISTOS NO CÓDIGO PENAL MILITAR http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art18 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 24 A Lei 14.688/2023 alterou a Lei de Crimes Hediondos para prever que os crimes previstos no Código Penal Militar que tenham identidade com os crimes listados na Lei 8.072/90 serão considerados hediondos. Art. 1º, Parágrafo único. Consideram-setambém hediondos, tentados ou consumados: VI – os crimes previstos no Decreto-Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969 (Código Penal Militar), que apresentem identidade com os crimes previstos no art. 1º desta Lei. CRIMES PREVISTOS NO ECA Após a Lei 14.811/2024, os crimes previstos no art. 240, § 1º e 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente passaram a ser considerados hediondos. Art. 1º, Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados ou consumados: VII - os crimes previstos no § 1º do art. 240 e no art. 241-B da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). ECA Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente: § 1º Incorre nas mesmas penas quem: I - agencia, facilita, recruta, coage ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda quem com esses contracena. II - exibe, transmite, auxilia ou facilita a exibição ou transmissão, em tempo real, pela internet, por aplicativos, por meio de dispositivo informático ou qualquer meio ou ambiente digital, de cena de sexo explícito ou pornográfica com a participação de criança ou adolescente. Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. § 1º A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços) se de pequena quantidade o material a que se refere o caput deste artigo. § 2º Não há crime se a posse ou o armazenamento tem a finalidade de comunicar às autoridades competentes a ocorrência das condutas descritas nos arts. 240, 241, 241-A e 241-C desta Lei, quando a comunicação for feita por: I – agente público no exercício de suas funções; II – membro de entidade, legalmente constituída, que inclua, entre suas finalidades institucionais, o recebimento, o processamento e o encaminhamento de notícia dos crimes referidos neste parágrafo; III – representante legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou serviço prestado por meio de rede de computadores, até o recebimento do material relativo à notícia feita à autoridade policial, ao Ministério Público ou ao Poder Judiciário. CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 25 § 3º As pessoas referidas no § 2º deste artigo deverão manter sob sigilo o material ilícito referido. 5. CRIMES HEDIONDOS E CLÁUSULA SALVATÓRIA Consoante inicialmente apontado, relembre-se que o Brasil adota o critério legal para definição de crimes hediondos, bem como que os crimes não previstos no rol taxativo do art. 1º da Lei 8.072/90 não são considerados hediondos, prezando-se pela segurança jurídica. A cláusula salvatória é uma criação do advogado Alberto Zacharias Toron, segundo a qual é possível que o juiz, no caso concreto, retire a hediondez do crime assim classificado pela lei. Por exemplo, seria possível o juiz retirar a hediondez do homicídio qualificado, analisando as circunstâncias do caso concreto. 6. CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS O tráfico de drogas, a tortura e o terrorismo, embora não estejam previstos no rol do art. 1º são crimes equiparados a hediondos. Ou seja, não são crimes hediondos, mas irão receber o mesmo tratamento dispensado aos crimes hediondos. TRÁFICO DE DROGAS A hediondez do tráfico de drogas alcança as figuras previstas no art. 33, caput e no art. 34 da Lei de Drogas. A figura privilegiada, prevista no art. 33, § 4º da Lei de Drogas, é uma causa de diminuição da pena, a qual reúne 4 requisitos cumulativos: 1) Agente primário; 2) Bons antecedentes; 3) Não se dedica a atividades criminosas; 4) Não integra organização criminosa. Surgiu uma tese defensiva sustentando que o art. 33, § 4º da Lei 11.343/2006 não seria tão grave e, por isso, não poderia ser equiparado a hediondo. A jurisprudência atual acolhe esta posição? SIM. O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas não deve ser considerado crime equiparado a hediondo. Nesse sentido, segue alguns posicionamentos do STF: O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016 (Info 831). CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 26 O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime equiparado a hediondo e, por conseguinte, deve ser cancelado o Enunciado 512 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. STJ. 3ª Seção. Pet 11.796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 23/11/2016 (recurso repetitivo) (Info 595). Outrossim, destaca-se que o Pacote Anticrime incluiu o § 5º ao art. 112 da Lei de Execução Penal: Art. 112, § 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. Assim, apenas as modalidades de tráfico de entorpecentes definidas no art. 33, caput e § 1º, da Lei 11.343/2006 são equiparadas aos crimes hediondos. Como o tema foi cobrado em concurso? (PC-AL - Delegado - CESPE - 2023): Equipara-se a crime hediondo o tráfico ilícito de drogas na forma privilegiada. Errado. TORTURA Está disciplinada na Lei 9.455/97. Maiores informações podem ser obtidas em nosso CS sobre a Lei de Tortura. TERRORISMO Está previsto na Lei 13.260/2016. Maiores informações podem ser obtidas em nosso CS sobre Terrorismo. 7. VEDAÇÕES LEGAIS O art. 2º da Lei 8.072/90 dispõe sobre as proibições conferidas aos crimes hediondos e equiparados. Assim segue: Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: I - anistia, graça e indulto; II - fiança. ANISTIA, GRAÇA E INDULTO São causas extintivas da punibilidade, formas de clemência soberana, emanadas de órgãos alheios ao Poder Judiciário. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11343.htm#art33%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11343.htm#art33%C2%A74 CS – CRIMES HEDIONDOS 2025.1 27 Quanto ao indulto, importante destacar a polêmica existente, uma vez que a Constituição Federal não faz referência, proibindo apenas a concessão de graça e anistia, igualmente a Lei de Tortura que também proíbe apenas graça e anistia. Contudo, a Lei de Crimes Hediondos faz expressa referência à proibição de concessão de indulto. Diante disso, há 2 posições sobre a constitucionalidade de tal dispositivo: 1) 1ª corrente: a proibição de indulto é inconstitucional, tendo em vista que a Lei dos Crimes Hediondos tenta de forma exagerada, inaceitável proibir um instituto que não foi proibido pela CF. Obs.: sugere-se utilizar tal corrente para provas de DPE/DPU. 2) 2ª corrente: a proibição de indulto é constitucional, pois quando a CF utiliza a expressão “graça” o faz em sentido amplo, graça em sentido estrito e abrangendo indulto também (espécie de graça coletiva). É a posição adotada pelo STF. A fim de revisar os institutos da anistia, graça e indulto, segue a tabela retirada do site Dizer o Direito1: ANISTIA GRAÇA (ou indulto individual) INDULTO (ou indulto coletivo) É um benefício concedido pelo Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República (art. 48, VIII, CF/88), por meio do qual se “perdoa” a prática de um fato criminoso. Normalmente, incide sobre crimes políticos, mas também pode abranger outras espécies de delito. Concedidos por Decreto do