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Legislação e normativas do trabalho A legislação que regulamenta os aspectos referentes à saúde e à segurança do trabalho tem por objetivo estabelecer requisitos mínimos que devem ser seguidos para garantir a saúde e a segurança de todos os trabalhadores. CLT Visando a estabelecer normas que regulem as relações individuais e coletivas de trabalho, foi instituída, em 1º de maio de 1943, por meio do Decreto-Lei n.º 5.452, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A CLT, mesmo passando por diversas atualizações ao longo dos anos, estabelece itens mínimos que devem ser observados nos contratos de trabalho, garantindo direitos e deveres dos empregados e dos empregadores. O Capítulo V da lei estabelece a obrigatoriedade de observância das normativas sobre saúde e segurança do trabalho. Em 1977, a Lei n.º 6.514 faz as devidas alterações no capítulo em questão e inclui uma série de novos requisitos a serem observados. NRs Com a necessidade de um maior detalhamento sobre segurança e medicina do trabalho, foram instituídas as Normas Regulamentadoras (Nrs), por meio da Portaria 3.214/1978, aprovando um total de 28 NRs que ao longo do tempo passam por revisões e que mais tarde foram acrescidas e complementadas por novas NRs. Cada NR trata de um assunto específico. Atualmente, existem 37 NRs, sendo que duas delas foram revogadas. Todas elas, apesar de terem sido promulgadas e revisadas em momentos diferentes, estão correlacionadas. Segundo a Portaria n.º 787/2018, as normas são divididas em gerais, setoriais e especiais. [...] as normas que regulamentam aspectos decorrentes da relação jurídica prevista na Lei sem estarem condicionadas a outros requisitos, como atividades, instalações, equipamentos ou setores e atividades econômicos específicos, são definidas como normas gerais. As normas especiais regulamentam a execução do trabalho considerando as atividades, instalações ou equipamentos empregados, sem estarem condicionadas a setores ou atividades econômicos específicos. Já as normas setoriais regulamentam a execução do trabalho em setores ou atividades econômicos específicos. Veremos agora um breve resumo das atuais NRs. · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · Clique ou toque para visualizar o conteúdo. NR-1 – Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais Como o próprio nome sugere, na NR-1 são descritas disposições e definições gerais, comuns às NRs, assim como campo de aplicação, direitos, deveres e algumas orientações relativas a treinamentos. Essa NR foi atualizada recentemente e, agora, aborda também critérios específicos baseados na norma ISO (International Organization for Standardization) para gestão dos riscos ocupacionais. Isso significa que todas as empresas que apresentem fatores de riscos ocupacionais, sejam físicos, sejam químicos, biológicos, ergonômicos ou de acidentes, deverão identificar tais fatores e estabelecer as devidas medidas de controle para reduzir a exposição dos trabalhadores. Com a criação de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), estabelecido na NR, a gestão dos riscos passa a ser concentrada em apenas um programa. NR-2 – Revogada NR-3 – Embargo ou interdição NR-4 – Serviço Especializado NR-5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes NR-6 – Equipamento de proteção individual NR-7 – Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional NR-8 – Edificações NR-9 – Avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos NR-10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade NR-11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais NR-12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos NR-13 – Caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos de armazenamento NR-14 – Fornos NR-15 – Atividades e operações insalubres NR-16 – Atividades e operações perigosas NR-17 – Ergonomia NR-18 – Segurança e saúde no trabalho na indústria da construção NR-19 – Explosivos NR-20 – Segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis NR-21 – Trabalhos a céu aberto NR-22 – Segurança e saúde ocupacional na mineração NR-23 – Proteção contra incêndios NR-24 – Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho NR-25 – Resíduos industriai NR-26 – Sinalização de segurança NR-27 – Revogada NR-28 – Fiscalização e penalidades NR-29 – Norma regulamentadora de segurança e saúde no trabalho portuário NR-30 – Segurança e saúde no trabalho aquaviário NR-31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura, na pecuária, na silvicultura, na exploração florestal e na aquicultura NR-32 – Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde NR-33 – Segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados NR-34 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção, reparação e desmonte naval NR-35 – Trabalho em altura NR-36 – Segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processamento de carnes e derivados NR-37 – Segurança e saúde em plataformas de petróleo Todas as NRs apresentam informações relevantes para as atividades de uma organização. É preciso buscar entender os itens que são informativos e verificar a aplicabilidade e a consequente validação dos itens que são de gestão da norma. NBRs As Normas Brasileiras (NBRs) são normas técnicas publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e abrangem inúmeras aplicações com o intuito de padronizar ou nortear processos, produtos ou sistemas. Tais normas não têm caráter de lei, ou seja, não têm obrigatoriedade legal estabelecida, a menos que sejam citadas na legislação brasileira como obrigatórias, o que ocorre em diversos casos. Algumas das próprias NRs remetem à utilização de uma NBR, principalmente como apoio em determinados processos ou em determinadas atividades. Diretrizes sobre sistemas de gestão O sistema de gestão atua no atendimento aos requisitos legais e regulatórios, podendo trazer inúmeros benefícios tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista motivacional (ARAÚJO, MAFRA e SANTOS, 2006). Tudo o que fazemos na vida requer alguns cuidados, afinal ela é feita de experiências. No que se refere ao trabalho, o ideal é que o ambiente organizacional esteja livre de riscos, de modo a garantir o bem-estar físico, mental e social dos colaboradores. Para minimizar ou eliminar os fatores prejudiciais a SST, muitas organizações desenvolvem sistemas de gestão. Todo sistema de gestão é criado com a intenção de fazer com que as atividades sejam desempenhadas e desenvolvidas a partir de processos consistentes. Portanto, a organização deve: a. a. Respeitar sua capacidade (porte) e atividade ao estabelecer, implementar e manter objetivos de SST, bem como ao efetuar a adequação da parte burocrática (documentação) b. b. Elaborar objetivos mensuráveis e tangíveis (capacidade de execução; infraestrutura; capacidades financeira e tecnológica), alinhados à política de SST c. c. Considerar, em suas ações de prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, a conformidade com os requisitos legais aplicáveis d. d. Sempre focar as ações de SST na melhoria contínua, para ter um sistema eficaz e. e. Manter um sistema eficiente de comunicação que abranja todos os interessados e em todos os níveis da organização, bem como tornar públicas as ações do sistema de gestão de SST quando for o caso f. f. Em seus projetos e processos, adotar boas práticas com a finalidade de assegurar a integridade das pessoas e de suas operações g. g. Definir e elaborar de forma mensurável um procedimento para análise crítica periódica, a fim de assegurar a eficácia do sistema de gestão de SST (esta ação possibilita correções sempre que houver desvios dos objetivos estabelecidos) h. h. Definir ações para eliminar os riscos de níveis não aceitáveis para a segurança e a saúde dos trabalhadores e dos demais envolvidos nas atividades da organização i. i. Assegurar a compatibilidade do sistema de gestão de SST com os demais sistemas de gestão da organização j. j. Promover a participação dos trabalhadores e de seus representantes para queestes colaborem de forma proativa em todos os elementos do sistema de SST k. k. Manter-se sempre informada e atualizada com relação a mudanças na legislação e na política nacional que possam comprometer a SST Se não tivermos uma postura ativa e crítica com relação à situação e o futuro da organização que fazemos parte, se não existir um interesse formado e se, ainda que exista esse interesse em determinadas situações, não houver ação própria e participativa, deixaremos essa responsabilidade ao encargo de quem? É função do profissional de segurança do trabalho orientar o empregador com relação a buscar pelo atendimento da legislação vigente e aplicável as atividades prestadas pelo estabelecimento onde atua. Então, vamos ver como uma organização deve atuar com relação às leis. A organização deve: a. a. Adotar, implementar e manter todos os procedimentos que permitam alinhá-la dentro dos requisitos legais aplicáveis ao negócio b. b. Certificar-se de que as diretrizes adotadas para o sistema de gestão de SST estejam dentro das especificações para a sua atividade (assim como os programas de não obrigatoriedade a SST devem ser considerados e implantados dentro dos padrões estabelecidos) c. c. Documentar e atualizar todos os documentos para evitar problemas como os relacionados com as fiscalizações d. d. Manter um sistema de comunicação transparente e de fácil compreensão para todos os trabalhadores e outras partes diretamente interessadas. As empresas devem desenvolver estratégias para atuar de maneira preventiva e corretiva, visando a eliminar fatores de risco (ou perigos) e reduzir riscos de acidentes/incidentes e doenças ocupacionais. Sistema de gestão de SST na organização Garantir a saúde e segurança dos trabalhadores, que inclui o cumprimento das exigências contidas na legislação nacional, é responsabilidade e dever do empregador. Este deve mostrar liderança e comprometimento com as respectivas atividades na organização, assim como tomar as providências necessárias para estabelecer um sistema de gestão de SST eficaz. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) foi uma das pioneiras a apresentar diretrizes para a implantação de um sistema de gestão de SST. Em 2005, a Fundacentro (Fundação Jorge Duprat e Figueiredo) traduziu e publicou a obra que norteia esse processo. Segundo a OIT, o sistema deve incluir os principais elementos da política, organização, planejamento e implementação, avaliação e ação para melhorias, tal como mostra a figura 1. Figura 1 – Linhas orientadoras da OIT para sistemas de gestão de SST Fonte: . Cabe citar que a política de SST é um conjunto de princípios, orientações e métodos e deve basear-se em quatro aspectos: a. a. Como a organização vê e trata as questões de SST b. b. O que a organização faz ou fará para eliminar fatores de risco (ou perigos) e reduzir riscos c. c. O que a organização faz para minimizar ou corrigir consequências d. d. O que a organização faz ou fará para informar seus trabalhadores e contratados Atualmente, a legislação brasileira não obriga a implementação de um sistema de gestão de SST. A questão, então, é: por que implantá-lo? Um dos principais fatores que levam as empresas a instituir um sistema de gestão é a preocupação destas com a promoção de um ambiente de trabalho seguro. Isso quer dizer que, por meio desses sistemas, é possível identificar fatores de risco e controlar os riscos de forma mais assertiva e, por consequência, reduzir o número de acidentes e doenças do trabalho, além de contribuir para o atendimento dos requisitos legais obrigatórios. OHSAS 18001 Até pouco tempo atrás, a maioria das empresas buscava a certificação em saúde e segurança por meio da OHSAS 18001 – uma normativa europeia que apresentava uma série de requisitos para a implantação de um sistema de gestão nessa área. Quais eram os benefícios de certificar uma empresa pela OHSAS 18001? · Criar melhores condições de trabalho na organização · Identificar perigos e definir controles para gerenciá-los · Reduzir a ocorrência de acidentes e de doenças de trabalho, com redução de custos e de inatividade · Engajar e motivar funcionários com condições de trabalho melhores e mais seguras · Demonstrar conformidade para clientes e fornecedores Um sistema de gestão é um conjunto de elementos inter-relacionados utilizados para estabelecer, executar e alcançar políticas e objetivos de diversas ordens, a partir de atividades que envolvam planejamento, definição de responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos (OHSAS, 2007). O princípio básico de um sistema de gestão de SST baseado em aspectos normativos envolve a necessidade de se determinarem parâmetros de avaliação que incorporem não só os aspectos operacionais, mas também a política, o gerenciamento e o comprometimento da alta direção com o processo, bem como a mudança e a melhoria contínua das condições de SST (QUELHAS; ALVES; FILARDO, 2003). A falta de conhecimento dos colaboradores a respeito do sistema a ser implantado é um obstáculo a ser superado. O inadequado fluxo de informações técnicas e a falta de legislações e de requisitos aplicáveis ao negócio da empresa, bem como a falta de divulgação dos resultados de desempenho, são fatores limitantes, que impedem que a implantação de sistemas de gestão de SST alcance bons resultados. ISO 45001 Em 2018, a International Organization for Standardization (ISO) lançou a ISO 45001. Esta estabelece normas de gestão de saúde e segurança ocupacional para empresas no mundo todo e está substituindo gradativamente a OHSAS 18001. A ISO 45001 baseia-se na mesma estrutura de alto nível das normas de sistemas de gestão de qualidade e de riscos ambientais (ISO 9001 e ISO 14001). Isso faz com que a sua estrutura e suas características-padrão sejam familiares a todas as organizações que usam as normas citadas. A ISO 45001:2018 especifica requisitos para um sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional e orienta o seu uso, para permitir que as organizações ofereçam locais de trabalho seguros e saudáveis. Assim, evitam-se lesões e doenças relacionadas ao trabalho, e as empresas agem de modo proativo para melhorar o seu desempenho de SST. A norma é aplicável a qualquer organização que queira estabelecer, implementar e manter um sistema de gestão de SST para melhorar a saúde e a segurança ocupacional, eliminar fatores de risco e minimizar riscos (incluindo deficiências do sistema), aproveitar as oportunidades e abordar não conformidades do sistema de gerenciamento associadas às suas atividades. Ela ajuda as empresas a alcançarem os resultados pretendidos do seu sistema de gestão de SST. Em consonância com a política da organização, os resultados pretendidos de um sistema de gestão de SST incluem: a. a. Melhoria contínua do desempenho b. b. Cumprimento de requisitos (legais e de outras naturezas) c. c. Realização de objetivos A norma serve para qualquer organização, independentemente de seu tamanho, do tipo e das atividades que desenvolve. É aplicável aos riscos de SST sob o controle da organização, levando em consideração fatores como o contexto em que ela opera e as necessidades e as expectativas de seus trabalhadores e de outras partes interessadas. Porém, ela não estabelece critérios específicos para o desempenho nem é prescritiva sobre o projeto de um sistema de gerenciamento de SST. A ISO 45001 permite que uma organização, pelo seu sistema de gerenciamento, integre outros aspectos de saúde e segurança como o bem-estar do trabalhador. É importante nos familiarizarmos com a norma porque, a partir dela, poderá ser instituída a gestão de SST. Diagnóstico da gestão em saúde e segurança ocupacional O primeiro passo da implantação de um sistema de gestão em saúde e segurança ocupacional em uma organização é uma avaliação preliminar, ou um diagnóstico. O princípio da ferramenta é avaliar a situação da organização frente às exigências da norma de referência e/ou ao nívelde atendimento aos requisitos legais. Ela também ajuda a identificar os pontos em que a organização precisará de ações e da provisão de recursos financeiros, humanos e de infraestrutura para alcançar a conformidade. Existem diversas metodologias para realizar essa avaliação preliminar. As técnicas mais utilizadas são: · Questionários previamente desenvolvidos para fins específicos · Entrevistas dirigidas, com o devido registro dos resultados · Listas de verificação pertinentes às características da organização (elas se mostram muito apropriadas para analisar atividades, linhas de produção ou unidades fabris semelhantes, permitindo comparações) · Inspeções e medições diretas em casos específicos (como ruído, vapores e névoas, calor etc.) · Avaliação de notificações e infrações Podem-se elaborar diversas questões relacionadas a cada uma das NRs para verificar se a organização as atende. Esse questionário, que pode ser feito em entrevistas ou em vistorias técnicas, pode ser aplicado na empresa no momento do diagnóstico. Veja um modelo de formulário de gestão de SSO, o qual pode ser utilizado para realizar um diagnóstico. Você pode explorá-lo e até aplicá-lo na empresa em que trabalha. Baixe aqui o formulário Excel. AEAT Mesmo sabendo que o número de acidentes de trabalho no Brasil é elevado, ainda existe uma grande dificuldade em captar estatísticas relacionadas ao tema, tendo em vista que o instrumento principal de coleta, qual seja a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), é negligenciado por algumas empresas, as quais deixam de fazer o registro do documento. Anualmente, a Previdência Social, juntamente com outros órgãos interessados, emite o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT), apresentando informações como: · Quantitativo de acidentes no país · Número de óbitos · Consequências dos acidentes ocorridos · Causas principais dos acidentes · Setores de atividade econômica mais afetados · Distribuição geográfica das ocorrências Por meio desse documento que vem sendo emitido desde 2000, é possível diagnosticar com mais precisão estes acidentes e por consequência elaborar políticas mais eficazes, no sentido de proteger a vida e a saúde dos trabalhadores. As lesões no local de trabalho afetam diferentes grupos de trabalhadores de diferentes maneiras e também podem impactar o ambiente familiar e o convívio social do indivíduo, além, obviamente, de todo o dano negativo gerado para a empresa. Portanto, é preciso haver um esforço para se chegar às causas básicas das lesões por acidentes de trabalho. Para que o objetivo seja atendido, o monitoramento estatístico deve proporcionar: · Retroalimentação sobre o desempenho em SST · Informações para determinar se os procedimentos habituais de identificação, prevenção e controle de fatores de risco (perigos) e de riscos foram implementados e se operam efetivamente · Bases para a tomada de decisões que visem a melhorar a identificação de fatores de risco (perigos) e o controle destes e proporcionar uma atuação mais eficaz por meio do sistema de gestão de SST Estatísticas de acidentes – Classificações estatísticas Geralmente, uma classificação estatística é um conjunto de categorias discretas (no sentido matemático do termo), exaustivas e mutuamente exclusivas que podem ser atribuídas a uma ou mais variáveis utilizadas na coleta e na apresentação de dados. Essa classificação descreve as características de uma determinada população. Há um numeroso elenco de classificações estatísticas de interesse para as políticas públicas de SST, bem como para as políticas de emprego, renda, educação, seguridade social, entre outras importantes para a saúde do trabalhador. Sendo assim, é possível encontrar no site da Previdência informações básicas sobre algumas das classificações estatísticas de ocupações e de setores de atividade econômica em uso no Brasil e no mundo. Nele, aparecem também, além de dados sobre acidentes de trabalho, dados sobre óbitos e afastamentos e indicadores de acidentes de trabalho elaborados pela Secretaria de Previdência. Outra importante fonte de informação é o site do Ministério Público do Trabalho, especificamente o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, que foi desenvolvido em parceria com a OIT. Ele foi concebido seguindo parâmetros científicos identificados na pesquisa “Acidente de trabalho: da análise sociotécnica à construção social de mudanças”, conduzida pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). O Observatório facilita o acesso a estatísticas que antes se encontravam perdidas em bancos de dados governamentais ou em anuários ininteligíveis. Entre elas, destacam-se indicadores de incidência, número de notificações de acidentes (CATs), gastos previdenciários acumulados, dias perdidos de trabalho, mortes acidentárias, localização geográfica, ramos de atividade e perfil das vítimas. Espera-se que as informações qualificadas geradas pelo observatório baseiem o desenvolvimento de iniciativas e aumentem a eficiência e a efetividade de ações de governos, academia (por meio da produção e da disseminação de conhecimento científico), ONGs e instituições do setor privado. A partir de dados estatísticos, é possível destinar recursos humanos e materiais para a prevenção e/ou a contenção de acidentes. Uma análise detalhada pode encorajar ações educativas e preventivas em determinados setores, unidades, funções e/ou atividades. Uma das atribuições do técnico em segurança do trabalho é levantar e estudar os dados estatísticos de acidentes do trabalho e doenças profissionais e calcular a frequência e a gravidade deles para ajustes de ações prevencionistas, normas, regulamentos e outros dispositivos de ordem técnica que permitam a proteção coletiva e individual. A organização de cadastro estatístico representa uma ferramenta importante para planejar atividades preventivas, visando à sua priorização a partir de relatórios de acidentes. Estes devem ter informações básicas (como data, horário, dias da semana, tempo de função do acidentado), as quais devem ser tabuladas e divulgadas em formato de gráficos ou de outra maneira de fácil entendimento. Esses trabalhos são muito importantes, inclusive para o marketing interno da segurança. Eles podem ser ferramentas de grande valia para convencer os empregadores a se comprometerem com ações preventivas. Dicas de acesso · Para saber mais detalhes sobre as diretrizes da OIT, acesse o site da Fundacentro e faça o download das diretrizes sobre sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho. · Para saber mais sobre gestão de SST, pesquise na Internet pelo artigo Gestão da segurança e saúde do trabalho, escrito por Renata Pereira de Araújo, Neri dos Santos e Wilson José Mafra. · Para conhecer o AEAT, acesse o site da Previdência Social e busque pelo último anuário publicado.