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Aula 01: Introdução à Bioquímica Clínica e Carboidratos MANAUS – AM 2022 2 A Bioquímica clínica é ciência de interface entre a química e a patologia. Suas investigações e conclusões podem ser utilizadas na medicina hospitalar e clínica como suporte para medico confirmar ou descartar determinado diagnostico. Bioquímica Clínica 3 Bioquímica Clínica Dentro da Bioquímica clínica estudamos os diversos componentes biológicos, seus produtos de reação e suas interações química, biológica e fisiológica. Partindo deste princípio, esta ciência nos propicia analisar amostras como urina, sangue, líquor, sêmen, líquidos pleurais, sinovial, ascítico, secreçőes em geral em que se pode mensurar valores de analitos importantes para controle e manutenção da homeostasia orgânica. 4 Carboidratos 5 Os carboidratos (sacarídeos) são as moléculas orgânicas mais abundantes na natureza. Eles possuem grande variedade de funções, que incluem: → Fornecimento de fração significativa da energia na dieta da maioria dos organismos; → Atuação como forma de armazenamento de energia no corpo; → Componentes da membrana celular, mediando algumas formas de comunicação intercelular. Carboidratos 6 Classificação dos Carboidratos Os monossacarídeos são a unidade básica dos carboidratos e podem ser subdivididos de acordo com a quantidade de átomos de carbono em sua composição. Pentoses: monossacarídeos com 5 carbonos. Ex.: ribose, ribulose, frutose e xilulose. Hexoses : monossacarídeos com 6 carbonos. Ex.: glicose, manose e galactose. 7 Os oligossacarídeos são a união de duas a dez moléculas de carboidratos. Entre os mais importantes fisiologicamente, podemos citar: Sacarose (glicose + frutose): encontrada na cana-de-açúcar, beterraba e outros vegetais; Lactose (glicose + galactose): encontrada exclusivamente no leite. Maltose (glicose + glicose): principal produto de degradação do amido. Classificação dos Carboidratos 8 Os polissacarídeos são a união glicosídica de dezenas ou centenas de monossacarídeos. Dentre os principais polissacarídeos, podemos citar o glicogênio (reserva de carboidratos dos animais), o amido (armazenamento de carboidratos de vegetais) e a celulose. Qual o motivo de animais não armazenarem carboidratos na forma de monossacarídeos? Classificação dos Carboidratos Absorção de Carboidratos 9 10 Distribuição de Carboidratos 11 Captação de Carboidratos 12 Síntese de Insulina 13 Estrutura da Insulina 14 Diabetes A falta relativa ou absoluta de insulina, como visto no diabetes melito, pode causar grave hiperglicemia. Se não for tratada, pode resultar em retinopatia, nefropatia, neuropatia e complicações cardiovasculares. Diabetes 15 Diabetes O diabetes melito tipo I resulta primariamente da destruição de células β pancreáticas. Pode ser subdividida em DM tipo IA, onde a causa da destriuição das células β pancreáticas são autoanticorpos, caracterizando uma doença autoimune. Pode também ser caracterizada como DM tipo IB, onde não há a resença de autoanticorpos e a causa da destruição das células β pancreáticas é desconhecida. Tem tendência a cetoacidose. Células imunes atacam e destroem as células β pancreáticas. 16 O diabetes melito tipo II resulta de graus variáveis de resistência à insulina e deficiência relativa da secreção de insulina. A maioria dos pacientes apresenta excesso de peso. A cetoacidose não é muito frequente, ocorrendo apenas em situações excepcionais, como durante infecções graves. Diabetes 17 O diabetes melito gestacional é a diminuição da tolerância à glicose, de magnitude variável, diagnosticada pela primeira vez durante a gestação. Pode ou não persistir após o parto. O DM gestacional, quando não tratado, pode causar macrossomia, hipoglicemia, hipocalcemia e hiperbilirrubinemia no feto. Diabetes ↑ de glicose da mãe Após o nascimento, o bebê mantém ↑ de insulina e seus níveis de glicose acabam caindo muito, gerando hipoglicemia aguda ↑ de insulina no feto para manter seus níveis de glicose normais 18 Complicações Metabólicas do Diabetes Nefropatia diabética: é uma das complicações mais graves do diabetes melito, sendo caracterizada pela esclerose e fibrose glomerulares, levando à perda de proteínas pela urina (proteinúria); Proteínas que podem ser eliminadas na urina: albumina (microalbuminúria), peptídeo C e insulina. Distúrbio hidroeletrolítico: devido às alterações nas funções renais, o equilíbrio de eletrólitos como NA+, K+ e PO4- podem permanecer alterados. 19 Complicações Metabólicas do Diabetes Cetoacidose: Uso de lipídeos como fonte de energia. A utilização desses componentes causa a cetoacidose, que é uma acidificação no pH sanguíneo e da urina, devido aos produtos de reação dessas substâncias lipossolúveis; Lactato: alto nível de lactato no sangue, significa que o paciente diabético apresenta acidose láctea ou metabólica. 20 Diabetes DM Tipo I Tipo II Início Agudo, sintomático. Geralmente na infância. Lento, progressivo, geralmente assintomático. Clínica Perda de peso. Ganho de peso. Cetoacidose + - ; raríssimos casos +. Anticorpos +/- - Peptídeo C - + Tratamento Insulina. Hipoglicemiantes orais e associação com insulina em casos graves. 21 Sintomatologia Clínica do Diabetes 22 Diagnóstico de Diabetes Existem basicamente quatro exames que podem ser solicitados para o diagnóstico da DM, são eles: Glicemia de jejum; Teste oral de tolerância à glicose; Glicemia ao acaso; HBA1c (Hemoglobina glicada). 23 Diagnóstico de Diabetes Para o teste de Glicemia de jejum se faz necessária a não ingestão de qualquer alimento ou bebida que contenha calorias por, no mínimo, oito horas, não devendo ultrapassar doze horas de jejum. O teste se inicia com a coleta de sangue venoso em tubo contendo fluoreto de sódio (tampa cinza), centrifugação e análise por reação enzimática, na espectrofotometria. Diabetes: valores de glicemia iguais ou maiores que 126 mg/dL. Pré-diabetes: valores de glicemia entre 100 e 125 mg/dL. Não diabéticos: valores de glicemia iguais ou menores que 99 mg/dL. Jejum 24 Diagnóstico de Diabetes Glicemia capilar é equivalente à glicemia de jejum? Pode ser utilizado como teste diagnóstico? 25 Diagnóstico de Diabetes No Teste oral de tolerância à glicose o sangue do paciente é coletado em dois momentos: 1 – Após, pelo menos, oito horas de jejum; 2 – Após duas horas da ingestão de um líquido contendo 75g de glicose. O teste se inicia com a coleta de sangue venoso em tubo contendo fluoreto de sódio (tampa cinza), centrifugação e análise por reação enzimática, na espectrofotometria. 2h após a ingestão de glicose Jejum Tolerante à glicose: 140 a 199 mg/dL. Diabético: ≥200 mg/dL. Capacidade do organismo de retirar a glicose da corrente sanguínea, através da insulina 26 Diagnóstico de Diabetes 27 No teste de Glicemia ao acaso, o sangue é coletado a qualquer momento, independente do paciente estar em jejum ou não. Caso o nível de glicose esteja acima de 200 mg/dL, se tem o diagnóstico de diabetes. Mesmo após uma refeição rica em carboidratos, os níveis de glicose de um indivíduo saudável não ultrapassam 180 mg/dL. Após ultrapassar 180 mg/dL de glicose na corrente sanguínea, os rins param de reabsorver a mesma para o corpo, fazendo com que o carboidrato seja eliminado através da urina, causando glicosúria e poliúria (aumento do volume de urina). Diagnóstico de Diabetes 200 28 Diagnóstico de Diabetes O exame de Hemoglobina glicada (HBA1c) mensura a fração de glicose ligada à hemoglobina que circula no sangue. Os testes refletem os níveis glicêmicos dos últimos 90 a 120 dias antes do exame. Em indivíduos saudáveis, os níveis estão sempre abaixo de 5,7%. Muito importante para o controle glicêmico. Recentemente adicionado como opção de diagnóstico. HBA1c Normal sobre os níveis de HBA1c 30 O exame de Hemoglobina glicada (HBA1c): Indica o controle metabólico do paciente nas 8 ou 10 semanas precedentes ao teste. A HBA1c é determinada de 3 a 4 meses em diabéticos estáveis. A HBA1c é determinada de 1 a 2 meses em diabéticos com pobre controle glicêmico. Grávidas diabéticas (especialmente do tipo I) são avaliadas de 1 a 2 vezes ao mês. Diagnóstico de Diabetes 31 Testes Auxiliares do Diagnóstico de Diabetes Alguns testes são utilizados como auxiliares no diagnóstico, dando um panorama mais aprofundado e específico do paciente, contudo esses testes não podem ser utilizados sozinhos como critérios de diagnóstico. São eles: Frutosaminas; Microalbuminúria; Peptídeo C; Autoanticorpos. 32 Testes Auxiliares do Diagnóstico de Diabetes Frutosaminas são complexos formados na ligação da glicose com o grupamento amina das proteínas. Muito utilizado na dosagem de albuminas glicadas. Meia-vida de 2 a 3 semanas. Valor de referência de 1,8 a 2,8 mmol/L. Monitoramento glicêmico em pacientes com hemoglobinopatia. 33 Testes Auxiliares do Diagnóstico de Diabetes Microalbuminúria teste muito sensível que avalia a excreção aumentada de albumina na urina. Avalia a lesão renal precoce, causada pelo diabetes. Detecção precoce de nefropatia diabética. Monitoramento do DM gestacional. Monitoramento de gravidez de risco. 34 Peptídeo C é o teste que avalia a produção e presença do peptídeo C, juntamente com a insulina. Dá parâmetros para monitorar a produção de insulina no paciente diabético. Pode ser utilizado no diagnóstico diferencial do DM I e II: DM tipo I: peptídeo C ausente; DM tipo II: peptídeo C presente. Testes Auxiliares do Diagnóstico de Diabetes 35 Pode se fazer a pesquisa de Autoanticorpos direcionados contra as células β pancreáticas. A presença desses autoanticorpos pode significar que o sistema imunológico está destruindo as células produtoras de insulina. Podem ser utilizado no diagnóstico diferencial do DM I e II: DM tipo I: autoanticorpos presentes; DM tipo II: autoanticorpos ausentes. Testes Auxiliares do Diagnóstico de Diabetes 36 Testes Realizados em Crise Diabética Glicose (sangue e urina); Cetonas (sangue e urina); Gasometria (pH); Lactato; Dosagem de eletrólitos (K+, Na+, PO4-); 37 Testes de Monitoramento da Diabetes Glicose: glicose capilar, glicose de jejum, glicose ao acaso, e teste de tolerância à glicose; Glicosúria (urina); Proteínas glicadas: hemoglobina glicada e frutosaminas; Proteínas na urina: microalbuminúria, peptídeo C e insulina. image1.png image2.png image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.png image8.jpeg image9.jpeg image10.png image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.png image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.png image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.png image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.jpeg