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“virtual”,
existente apenas no pensamento, que poderia executar qualquer tipo de computação que se
pudesse imaginar. Precisando um pouco mais: se um problema tiver uma solução que possa
ser calculada automaticamente, ou seja, resolvida através de um programa composto de
pequenos passos, cada passo precisamente definido, então obrigatoriamente deve existir
uma máquina destas para representá-lo. Do ponto de vista técnico este resultado nunca foi
contradito: todo e qualquer computador moderno, por mais avançado, sofisticado, veloz ou
capaz que tenha sido criado pode ser representado por uma máquina de Turing, que é o
nome atribuído a estes computadores teóricos universais. Da mesma forma todo e qualquer
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programa em qualquer linguagem também pode ser representado por alguma máquina de
Turing. Apenas por curiosidade, em relação ao esforço de fundamentação matemática, esta
proposição define uma tese, denominada de Tese de Church-Turing, que diz que tudo que
pode ser computável, pode ser computável por uma máquina de Turing. Esta declaração,
embora seja normalmente considerada verdadeira (quase uma tautologia por muitos) é
definida como uma tese por ser impossível de ser “demonstrada”: tudo depende de quais
serão as operações básicas (de quais serão os menores passos) usados nesta computação.
Em geral, até hoje, não parece válido assumir que existem passos menores diferentes do
que àqueles já definidos por Turing, sendo assim parece não fazer sentido pensar na
existência de outros tipos de “computações”, mas nunca se sabe...
Voltando ao desenvolvimento tecnológico, o início do século XX foi pródigo em
desenvolvimentos práticos da computação, acompanhando o próprio desenvolvimento
acelerado das tecnologias de projeto e construção de dispositivos eletro-mecânicos,
elétricos e eletrônicos.
Em 1937, Howard H. Aiken da Universidade de Harvard, começou a construir o primeiro
computador eletro-mecânico baseado em relés e engrenagens, seguindo as idéias de
Babbage. Este computador, denominado de MARK I, foi construído com o apoio da IBM e
concluído em 1944. Ele possuia unidades de entrada de dados, memória principal, unidade
de controle e aritmética e unidade de saída. Esta máquina, que chegou a ser usada por
pouco tempo, foi rapidademente deixada de lado porque o desenvolvimento da eletrônica e
dos computadores eletrônicos obsoletou os computadores eletro-mecânicos.
Já em 1940 os professores John W. Mauchly e J. Presper Eckert Jr. construiram, com o
financiamento do Exército dos Estados Unidos, o primeiro computador eletrônico: o
ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Calculator). Este computador construído na
Universidade da Pensylvania era 1000 mais rápido que o MARK I, mas pesava apenas a
metade (pesava “apenas” 30 toneladas contra as 70 toneladas do MARK I). O ENIAC, cujo
projeto de construção foi aceito como parte do “esforço de guerra”, somente foi concluído
após a guerra terminar, em 1946. Apesar disso o ENIAC lançou as bases da computação
moderna: não só mostrou a viabilidade destes dispositivos, como também demonstrou o
poder e velocidade de cálculo que se poderiam alcançar. Além disso vários pesquisadores
importantes posteriormente para a computação, como John V. Atanasoff e John von
Neumann, começaram os seus estudos na área justamente trabalhando com o pessoal do
projeto do ENIAC.
Embora tenham existido alguns computadores eletrônicos ou parcialmente eletrônicos que
antecederam o ENIAC, este último pode ser considerado tranquilamente como o antecessor
dos computadores modernos, principalmente em razão de sua “visibilidade” e da
publicação dos seus resultados. Antecessores como o COLOSSUS que foi o primeiro
computador eletrônico da História, construído já em 1943 na Inglaterra com o trabalho do
grupo liderado pelo matemático Alan Turing permaceram em segredo até a década de 70,
perdendo, portanto, a chance de influenciar o desenvolvimento da computação. Da mesma
forma o trabalho do professor Zuse na Alemanha Nazista nas décadas de 30 e 40 e que
chegou a construir um computador eletro-mecânico completamente operacional já no início
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década de 40, também foi completamente perdido com a derrota da Alemanha, somente
tendo sido recuperado 20 ou 30 anos depois.
Um outro fato interessante de se comentar é que a criação dos computadores no início da
década de 1940, parecece, em retrospectiva, um desenvolvimento quase “inevitável” da
época. O fato é que durante a década de 1940, nada menos do que 4 computadores
inteiramente distintos, mas usando tecnologia similares e respeitando os mesmos
princípios, foram construídos de forma completamente independentes. Mesmo que o
ENIAC se transformasse na vedete, sendo considerado durante muito tempo o ancestral
único dos computadores, a verdade é que ele foi apenas o mais bem divulgado. Uma
explicação para o fato de tantos computadores surgirem ao mesmo tempo, surge quase que
imediatamente, como relacionada ao imenso esforço econômico, social e militar provocado
pela II Guerra Mundial. No início da guerra já haviam sido desenvolvidos todos os
elementos e componentes (válvulas, relés, etc.) que permitiriam construir um computador.
Além disso, em virtude de trabalhos teóricos anteriores de Turing, Babbage e outros, não só
já se sabia como construí-los, mas também do custo quase que astronômico que uma
máquina destas teria. Com a guerra, entretanto, as razões e princípios econômicos normais
deixam de “funcionar”, numa “economia de guerra” somente há um objetivo final:
sobreviver e se a posse de um computador melhora, ainda que marginalmente, a
possibilidade de se atingir este objetivo final então ele deve ser construído. Embora os
Americanos não tivessem usado o seu computador na guerra, para os Ingleses esta não foi
uma questão apenas de cunho acadêmico: o uso dos sistemas de computação COLOSSUS
foi extremamente importante para a vitória da sua nação durante a Batalha do Atlântico o
que garantiu a sobrevivência deste país e a possibilidade do contra-ataque e vitória final
contra a Alemanha Nazista.
O ENIAC e alguns sucessores, formaram o que se convencionou chamar de “primeira
geração” dos computadores. Este termo “geração de computadores” embora esteja caindo
em desuso, ainda é usado para designar, pelo menos, as primeiras 3 tecnologias básicas
usadas na fabricação de computadores:
Primeira Geração: Computadores fabricados com válvulas eletrônicas, começou
na década de 40 e terminou na década de 50.
Segunda Geração: Computadores fabricados com transístores, ou seja, com
dispositivos semicondutores individuais, começou na década de 50 e durou até a
década de 60.
Terceira Geração: Computadores fabricados com dispositivos semicondutores
integrados, ou seja, com “Circuitos Integrados” ou CIs. Considera-se que esta
geração apenas designe os computadores fabricados com CIs de “baixa” ou “média”
integração (apenas algumas centenas ou poucos milhares de transístores por CI).
Esta geração começou na década de 60 e terminou na década de 70.
Após estas três gerações “clássicas” a computação, pelo menos a parte física ou hardware,
passou a ser cada vez mais dominado pelos computadores completamente integrados num
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CI, os famosos Microprocessadores, que deram origem aos microcomputadores e que,
hoje em dia, perderam o adjetivo “micro” e são chamados apenas de computadores.
Os microprocessadores, que foram inventados pela Intel ainda no início da década de 70,
hoje correspondem pela quase totalidade dos computadores fabricados no mercado. Apesar
desta “simplificação” ocorrida de se colocar um computador num CI, hoje os sistemas de
computação se transformaram