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Guilherme Christen Möller e Afonso Vinício Kirschner Fröhlich - Negócios jurídicos processuais e planejamento contencioso em fase negocial

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CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 1
ESTUDOS NA 
PERSPETIVA DE
UNIFORMIZAÇÃO, 
COLETIVIZAÇÃO 
E ENFORCEMENT 
DO DIREITO
ORGANIZADOR 
Eduardo Lamy
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ESTUDOS NA 
PERSPETIVA DE
UNIFORMIZAÇÃO, 
COLETIVIZAÇÃO 
E ENFORCEMENT 
DO DIREITO
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NCE •
ESTUDOS NA 
PERSPETIVA DE
UNIFORMIZAÇÃO, 
COLETIVIZAÇÃO 
E ENFORCEMENT 
DO DIREITO
ORGANIZADOR 
Eduardo Lamy
É O SELO JURÍDICO DO 
GRUPO EDITORIAL LETRAMENTO
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Salah H. Khaled Jr
Willis Santiago Guerra Filho
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obra sem aprovação do Grupo Editorial Letramento.
200
NEGÓCIOS JURÍDICOS PROCESSUAIS 
E PLANEJAMENTO CONTENCIOSO 
EM FASE NEGOCIAL
Guilherme Christen Möller1
Afonso Vinício Kirschner Fröhlich2*
SUMÁRIO: 1. Introdução; 2. Apontamentos iniciais sobre os negócios jurídicos processuais 
típicos e sobre a cláusula geral de negociação; 3. Os negócios jurídicos processuais no 
planejamento contratual; 4. Alguns exemplos de negócios jurídicos processuais; 4.1. 
Prolegômenos; 4.2. Eleição de foro; 4.3. Cláusula escalonada; 4.4. Pactum De Non Petendo; 
4.5. Negócios jurídicos processuais em execução; 5. Conclusão; Referências Bibliográficas
1 Dottorando di ricerca in Scienze Giuridiche sulla l’Università degli Studi di Firenze (UniFi). 
Mestre e Doutorando em Direito Público pelo Programa de Pós-Graduação em Direito 
da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Bolsista do Programa de Ex-
celência Acadêmica (PROEX) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ní-
vel Superior (CAPES). Bacharel em Direito pela Universidade Regional de Blumenau 
(FURB). Membro do Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP) e da Associação 
Brasileira de Direito Processual (ABDPro). Membro da Escola de Processo da Unisinos 
(EPU). Coordenador do Instituto von Bülow. Membro do Grupo de Pesquisa “Tradições, 
transformações e perspectivas avançadas” (TTPA), vinculado à PUC/SP, do Grupo de Pes-
quisa “Teoria Crítica do Processo”, vinculado à UNISINOS e do Grupo de Pesquisa sobre 
Compliance, vinculado à UFSC. Membro da Comissão de Acesso à Justiça e Membro 
Consultivo da Comissão de Direito Processual Civil da Seccional da Ordem dos Advo-
gados do Brasil do estado de Santa Catarina (OAB/SC). Autor, organizador e coordenador 
de obras e artigos científicos relacionados ao Direito Processual Civil. Advogado, Con-
sultor Jurídico e Professor de Direito Processual Civil em cursos de Pós-Graduação em 
Direito Processual Civil (lato sensu). E-mail: contato@guilhermechristenmoller.com.br.
2 * Mestre em Direito Público pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISI-
NOS). Bacharel em Direito pela mesma Universidade. Membro do Instituto Brasilei-
ro de Direito Processual (IBDP). Pesquisador dos Grupos de Pesquisa "Teoria Crítica 
do Processo: perspectivas hodiernas do Processo Civil em relação à Constituição, 
cultura, democracia, inteligência artificial e Poder", coordenado pelo Prof. Dr. Darci 
Guimarães Ribeiro; e JUSNANO, coordenado pelo Prof. Dr. Wilson Engelmann, am-
bos vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Direito da UNISINOS. Advogado 
sócio do Escritório de Advocacia Afonso Fröhlich Advogados Associados. E-mail: 
afonsovinicio@afrohlich.adv.br e afonsovkf@gmail.com.
CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 201
1. INTRODUÇÃO
O direito processual é considerado ramo do direito público. A afir-
mação não causa estranheza, uma vez que o seu objeto – o processo – é 
concebido como o meio idôneo para dirimir um conflito de interesses 
jurídicos, em juízo e por um ato de autoridade.3 A jurisdição, por isso, 
constitui um múnus público, do qual decorre a sua inafastabilidade.
É nesse sentido que o processo se desenvolve como uma relação ju-
rídica pública, nos termos empregados por Oskar von Bülow. Levando 
em consideração que “los derechos y obligaciones procesales se dan entre 
los funcionarios del Estado y los ciudadanos”, que “se trata en el proceso 
de la función de los oficiales públicos” e que “las partes se las toma en 
cuenta únicamente en el aspecto de su vinculación y cooperación con la 
actividad judicial”, o jurista alemão conclui que a relação jurídica pro-
cessual corresponde a uma “relación de derecho público, que se desen-
vuelve de modo progresivo, entre el tribunal y las partes”.4
O Código de Processo Civil de 2015 está repleto de princípios que 
evidenciam essa função pública do direito processual. Não só o acesso 
à justiça5, como o devido processo legal, o contraditório e a fundamen-
tação das decisões buscam assegurar que a prestação da jurisdição não 
se afaste do controle de exercício do poder. Afinal, ao acionar o Estado 
para a resolução de um conflito, o particular submete-se às regras do 
jogo, em suas potencialidades e em suas limitações.
Por outro lado, a vigente legislação processual civil brasileira esta-
beleceu uma nova tensão entre a autoridade do Estado (poderes do 
juiz) e a autonomia das partes.6 Sintomas da incorporação de um novo 
paradigma são sentidas em vários dispositivos, que buscam incentivar 
a autocomposição e conversar com outros meios de resolução de con-
flitos. Em outros termos, a entrada em vigor do atual Código de Pro-
3 COUTURE, Eduardo J. Fundamentos del derecho procesal civil. 5. ed. Buenos Aires: 
La Ley, 2010. p. 8.
4 BÜLOW, Oskar Von. La Teoría de las excepciones y los presupuestos procesales. Tra-
dução de Miguel Angel Rosas Lichtschein. Buenos Aires: Ed. Juridicas Europa-A-
merica, 1964. p. 2/3.
5 Sobre esse tema, ver o clássico: CAPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à 
justiça. Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris Editor, 1998.
6 CAPONI, Remo. Autonomia Privada e Processo Civil: os acordos processuais. Re-
vista Eletrônica de Direito Processual – REDP, Rio de Janeiro, v. 13. n. 13, 2014.
202 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
cesso Civil permitiu uma maior aproximação do processo ao direito 
privado7, estendendo as margens de negociabilidade.
Neste caminhar, o art. 190 do Código de Processo Civil, reforçado 
pelo art. 200, introduziu uma cláusula geral de negócios processuais. 
Nessa perspectiva, além das disposições espalhadas pelos Código de 
Processo Civil que permitem novas definições processuais pelas partes 
(negócios típicos), passam elas a poder estipular mudanças no pró-
prio procedimento para ajustá-lo às especificidades da causa, conven-
cionando sobre seus ônus, poderes, faculdades e deveres processuais. 
Apesar de ainda pouco exploradas, as possibilidades daí advindas pa-
recem alastrar-se, algumas sequer ainda imaginadas, outras que neces-
sitam de maior aprofundamento.
Levando em consideração este novo cenário, o presente artigo busca 
verificar em que medida os negócios jurídicos processuais podem ser-
vir de instrumento para o planejamento contratual. É dizer, procura 
responder ao seguinte problemade pesquisa: qual a importância de 
pensar em (eventual) litígio ainda na fase negocial, por meio de negó-
cios jurídicos processuais?
Para tentar responder a este questionamento, inicia-se por um pano-
rama geral dos negócios jurídicos processuais para, então, buscar com-
preender sua ligação com o planejamento contratual. Por fim, serão 
apresentados alguns exemplos de negócios jurídicos processuais que 
podem ser utilizados como ferramentas para reduzir custos, tempo e 
desgaste na hipótese de divergências na execução contratual.
2. APONTAMENTOS INICIAIS SOBRE OS NEGÓCIOS 
JURÍDICOS PROCESSUAIS TÍPICOS E SOBRE 
A CLÁUSULA GERAL DE NEGOCIAÇÃO
Com a entrada em vigor do Código de Processo Civil de 2015, um 
dos princípios mais exaltados por ter ganhado renovada força é o do 
7 Em sentido oposto: Helder Moroni Câmara evidencia que “o fato de as partes po-
derem contratar certos aspectos do procedimento não é suficiente, no nosso sentir, 
para conferir natureza contratual ao processo, nem mesmo para retrocedermos à 
postura já há muito superada acerca da natureza contratual do processo”. CÂMARA, 
Helder Moroni. Negócios jurídicos processuais: condições, elementos e limites. São 
Paulo: Almedina, 2018. p. 28.
CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 203
respeito ao autorregramento da vontade8. No âmbito do processo9, 
esse princípio busca garantir a possibilidade de a parte sozinha, com 
a outra ou com o Órgão Jurisdicional, disciplinar as suas condutas 
processuais de modo jurídico.10 Trata-se de possibilidade afeta não só 
os acordos direcionados à composição da lide (bem da vida), com evi-
dentes reflexos processuais, mas aqueles que incidem sobre o desen-
volvimento do próprio processo.
Prova da força deste princípio é que, desde a entrada em vigor do 
atual Código de Processo Civil – e mesmo nos debates que o antece-
deram – um dos temas de destaque foi (notoriamente) os negócios 
jurídicos processuais. Seja pela discussão teórica acerca das hipóteses 
em que cabível a prévia modificação do procedimento seja pela curio-
sidade de como esta novidade seria vista pelo judiciário e absorvida na 
prática, fato é que muito se especulou sobre a temática11. As imponen-
8 DIDIER JR., Fredie. Ensaios sobre os negócios jurídicos processuais. 2. ed. rev., 
atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2021. p. 23.
9 De acordo com Antonio do Passo Cabral: “Convención y proceso siempre fue el en-
cuentro improbable de dos mundos que, para muchos, serían tan distantes como incompa-
tibles. Normalmente retratado como un disenso, una disputa, ya descrita como un juego, 
una guerra o duelo, el proceso cargará siempre la beligerancia contraria al consenso y al 
encuentro de voluntades. Por otro lado, los ‘acuerdo’o convenciones’, pautados por el vo-
luntarismo y la libertad, respetarían una lógica contractual privada, inconciliable con los 
espacios publicistas del Derecho Procesal”. CABRAL, Antonio do Passo. Convenciones 
procesales: desarrollo y evolución. Revista de Derecho Procesal: processo por audiên-
cias. Santa Fé: Rubinzal-Culzoni Editores, 2020 (2). p. 536-561.
10 DIDIER JR., Fredie. Ensaios sobre os negócios jurídicos processuais. 2. ed. rev., atual. 
e ampl. Salvador: JusPodivm, 2021. p. 19/20. “No conteúdo eficacial do direito 
fundamental à liberdade está o direito ao autorregramento: o direito que todo su-
jeito tem de regular juridicamente os seus interesses, de poder definir o que reputa 
melhor ou mais adequado para a sua existência; o direito de regular a própria exis-
tência, de construir o próprio caminho e de fazer escolhas”.
11 José Rogério Cruz e Tucci lembra que a possibilidade de formalização de ne-
gócios jurídicos processuais não adveio com o atual Código de Processo Civil, já 
que existia muito antes no sistema processual brasileiro. O processualista cita os 
seguintes exemplos: dispensa de audiência, suspensão do processo, distribuição 
do ônus da prova, critério para a entrega de memoriais, adiamento de julgamento 
em segundo grau. TUCCI, José Rogério Cruz. Proibição do pactum de non petendo 
na jurisprudência do STJ. CONJUR. São Paulo: 2 mar. 2021. Disponível em: https://
www.conjur.com.br/2021-mar-02/paradoxo-corte-proibicao-pactum-non-peten-
do-jurisprudencia-stj. Acesso em: 29 out. 2022.
204 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
tes obras que surgiram sobre o tema12 permitiram um panorama geral 
(e também um aprofundamento teórico) sobre o instituto.
Com essa intenção, vários dispositivos espalhados pelo Código de 
Processo Civil incentivam a composição acerca do procedimento. São 
exemplos os arts. 6313 (modificação da competência), 16814 (escolha 
do conciliador, mediador ou câmara arbitral), 373, §§ 3º e 4º15 (distri-
buição do ônus probatório por convenção das partes), e 47116 (permite 
às partes escolherem o perito), entre outros. Esses dispositivos inse-
12 Exemplificativamente: CABRAL, Antonio de Passo. Convenções Processuais. 2. 
ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2018. NOGUEIRA, Pedro. Negócios Jurídicos Pro-
cessuais. 4. ed. rev. atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2020. DIDIER JR., Fredie. 
Ensaios sobre os negócios jurídicos processuais. 2. ed. rev., atual. e ampl. Salvador: 
JusPodivm, 2021.
13 O referido dispositivo possui a seguinte redação: “As partes podem modificar a 
competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta 
ação oriunda de direitos e obrigações”. BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 
2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Dis-
ponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/ato 2015-2018/2015/lei/l13105.
htm. Acesso em: 29 out. 2022.
14 Conforme o texto do artigo: “As partes podem escolher, de comum acordo, o 
conciliador, o mediador ou a câmara privada de conciliação e de mediação”. BRASIL. 
Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presi-
dência da República, 2015. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/
ato 2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 29 out. 2022.
15 Conforme suas redações: “§ 3º A distribuição diversa do ônus da prova também 
pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indis-
ponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direi-
to” e “§ 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o 
processo”. BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. 
Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 28 out. 2022.
16 Nos seguintes termos: “As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, 
indicando-o mediante requerimento, desde que: […]”. BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 
de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presidência da República, 
2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ato2015-2018/2015/lei/
l13105.htm. Acesso em: 29 out. 2022.
CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 205
ridos textualmente na lei processual civil encarnam os denominados 
negócios jurídicos processuais típicos.
Já a disposição do art. 190, caput, do Código de Processo Civil17, 
reforçada pelo caput, do art. 20018, estabelece uma cláusula geral de 
negócios processuais, com uma “genérica afirmação da possibilidade 
de que as partes, dentro de certos limites estabelecidos pela própria lei, 
celebrem negócios através dos quais dispõem de suas posições proces-
suais”19. Essa definição, apresentada por Alexandre Freitas Câmara, 
em que pese ser singela, confirma a intenção da referida disposição 
processual, no sentido de que equilibrar a autonomia privada dos liti-
gantes com limitações que dizem respeito à ordem pública.
A importância de dispositivos processuais que permitem a negocia-
ção sobre as vicissitudes do próprio processo, seja com base naqueles 
inseridos textualmente no Código de Processo Civil, seja possibilitado 
pela cláusula geral,é a de possibilitar uma revolução no estudo e na 
prática do próprio Direito Processual, o que foi recentemente bem re-
sumido por Antonio do Passo Cabral:
O processo passa a poder ser projetado antes do processo, em um ins-
trumento negocial, dando aos litigantes grande previsibilidade acerca do 
procedimento futuro para regras as controvérsias que surjam de um con-
trato, por exemplo, adaptando o processo às necessidades das partes e 
promovendo um arranjo das relações entre direito material e processo.20
17 É conhecida a redação do art. 190, caput, do Código de Processo Civil: “Versando 
o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às partes plenamente 
capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às especificidades da causa 
e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e deveres processuais, antes ou 
durante o processo”. BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo 
Civil. Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 29 out. 2022.
18 O art. 200, caput, do Código de Processo Civil, não tão lembrado quando es-
tudada a temática dos negócios jurídicos processuais, assevera que: “Os atos das 
partes consistentes em declarações unilaterais ou bilaterais de vontade produzem 
imediatamente a constituição, modificação ou extinção de direitos processuais”. 
BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, 
DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 29 out. 2022.
19 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo processo civil brasileiro. 3. ed. rev., atual. e 
ampl. São Paulo: Atlas, 2017. p. 115/116.
20 CABRAL, Antonio do Passo. Autocomposição e litigância de massa: negócios ju-
rídicos processuais nos incidentes de resolução de casos repetitivos. Revista de Pro-
206 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
Sendo assim, o negócio jurídico processual trata-se de fonte nor-
mativa do (e no) processo, que vincula o órgão julgador. E vincula, 
independentemente de homologação judicial, tanto se típicos (como 
os exemplos acima mencionados) quanto se atípicos (cláusula geral). 
Como consequência, para Gustavo Osna21, a autorização à negociação 
sobre o processo, que antes era tida como a exceção, hoje pode ser 
tomada como regra.
A despeito disso, o múnus público do exercício da jurisdição ainda 
mostra sua face. O parágrafo único do art. 190 do Código de Processo 
Civil traz alguma limitação à cláusula geral dos negócios jurídicos pro-
cessuais; prevê que: “De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a 
validade das convenções previstas neste artigo, recusando-lhes aplica-
ção somente nos casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato 
de adesão ou em que alguma parte se encontre em manifesta situação 
de vulnerabilidade”22.
Como se percebe, a própria lei processual civil traduz mecanismo 
de limitação do negócio jurídico processual pelo magistrado. Porém, 
é possível dizer que o parágrafo único do art. 190 possui, percepti-
velmente, uma limitação “limitada” – com o perdão da redundância 
–, tendo em vista que a restrição ao controle de validade está restrito 
àqueles casos expressamente previstos (nulidade, inserção abusiva em 
contrato de adesão e manifesta situação de vulnerabilidade).
Ao levar em consideração as possibilidades de controle do magis-
trado sobre os negócios jurídicos processuais, já decidiu o Superior 
Tribunal de Justiça que: “as funções desempenhadas pelo juiz no pro-
cesso são inerentes ao exercício da jurisdição e à garantia do devido 
processo legal, sendo vedado às partes sobre elas dispor”23. Ou seja, o 
entendimento atual da Corte é no sentido de que, mesmo em matéria 
cesso, São Paulo, n. 325, ano 48, março/2022.
21 OSNA, Gustavo. A ‘vulnerabilidade’ e os negócios jurídicos processuais: uma bre-
ve nota objetiva. In: JOBIM, Marco Felix; PEREIRA, Rafael Caselli. (Orgs.). Fundamen-
tos objetivos e o novo processo civil. Londrina: Thoth, 2021. p. 233-245.
22 BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, 
DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/
ccivil_03/ato 2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 29 out. 2022.
23 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Recurso Especial n. 1.810.444/SP, Relator Minis-
tro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 23/2/2021, DJe de 28/4/2021.
CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 207
processual, não podem as partes acordar livremente, estando limitadas 
à situação jurídica do magistrado.
Apesar da limitação, o âmbito de negociação sobre mudanças no 
procedimento para que as partes os ajustem em matéria de ônus, po-
deres, faculdades e deveres processuais é bastante amplo. Por isso, a 
sua utilização constitui em ferramenta importante para o planejamento 
de contratos, já que permite as partes definirem como irão conduzir 
eventual litígio que possa surgir após a formalização contratual.
3. OS NEGÓCIOS JURÍDICOS PROCESSUAIS 
NO PLANEJAMENTO CONTRATUAL
A visualização de negócios jurídicos processuais em contratos de va-
riadas naturezas já é uma realidade. Seja em capítulos próprios (“das 
convenções processuais”, por exemplo) ou mesmo em cláusulas es-
parsas, fato é que negócios sobre o processo em caso de litígio já são 
diariamente debatidas e incorporadas em negociações. São fontes nor-
mativas que passam a integrar os contratos e delimitar a futura atua-
ção em juízo.
Nesse âmbito, é dado aos contratantes a liberdade de contratarem 
não só o direito material (prestação e contraprestação) como aquele 
de cariz processual. Assim como os contratantes se debruçam sobre 
partes, preço e forma de pagamento, podem (e devem) reservar tempo 
para pensarem em disposições que facilitem a resolução de eventual 
conflito que surja no andar da execução contratual. Fala-se, então, da 
delimitação processual a partir de estratégias negociais.
Os negócios jurídicos processuais não ficam de fora das regras de 
validade contratual, previstas no art. 104 do Código Civil24. Esse dis-
positivo é reforçado e especificado pelo próprio art. 190 do Código de 
Processo Civil que faz referência ao agente capaz (“partes plenamente 
capazes”), ao objeto lícito, possível e determinado (“mudanças no pro-
cedimento”) e não impõe forma, muito embora defina o momento da 
contratação (“antes ou durante o processo”). Além disso, o dispositivo 
24 Dispõe o conhecido dispositivo do Código Civil que: “A validade do negócio 
jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou deter-
minável; III - forma prescrita ou não defesa em lei”. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília, DF: Presidência da República, 2002. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.
htm. Acesso em: 28 out. 2022.
208 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
do Código de Processo Civil ainda adiciona como requisito que o ne-
gócio jurídico processual deve limitar-se aos ônus, poderes, faculdades 
e deveres processuais.
Quanto ao agente, é relevante destacar que são os negócios jurídicos 
processuais cabíveis naqueles contratos nos quais as relações entre as 
partes envolvem igualdade de condições, amparadas por advogados 
qualificados e com concessões mútuas e recíprocas. As hipóteses em 
que há manifesta situação de vulnerabilidade25 ou inserção abusiva em 
contrato de adesão podem ser controladas, inclusive de ofício, pelo 
magistrado, como ressalva o parágrafo único do art. 190. São casos 
que, de fato, exigem uma atenção maior aos negócios processuais, por-
que sua vinculação pode lesar a parte vulnerável ou aderente.
No que tange aos contratos de adesão, especialmente os de consumo, 
Michael César Silva, Lucas Magalhães de Oliveira Carvalho e SamuelVinícius da Silva, em artigo especificamente sobre essa temática, con-
cluem que: “cogita-se das negociações processuais válidas, desde que, 
a parte vulnerável esteja assistida por advogado ou mesmo defensor 
público, que funcionarão como um plus aos requisitos do art. 104 do 
Código Civil”26. A despeito destes casos limítrofes, em regra, as con-
venções processuais valem e vinculam, desde que oriundas de mani-
festações livres de vontade. Sobre isso, interessante a advertência de 
25 Para Gustavo Osna, na previsão de controle do negócio jurídico processual em 
razão da vulnerabilidade “há certamente uma lacuna interpretativa a ser supera-
da – exigindo algum grau de objetivação”. Ao buscar preencher esta lacuna, escla-
rece que “tomando-se como parâmetro a celebração do acordo, a ‘vulnerabilidade’ a 
que faz menção o dispositivo deve, necessariamente, ser compreendida como uma debili-
dade ex ante, e não ex post. Em outros termos, o ponto central parece ser sintetizado 
pelo seguinte raciocínio: a vedação não deve impedir que, por força do negócio, o 
sujeito seja exposto a uma vulnerabilidade processual; na realidade, o que se procura 
obstar é que, ao aceitar o termo, seja ele materialmente vulnerável […]”. OSNA, Gus-
tavo. A ‘vulnerabilidade’ e os negócios jurídicos processuais: uma breve nota obje-
tiva. In: JOBIM, Marco Felix; PEREIRA, Rafael Caselli. (Orgs.) Fundamentos objetivos e 
o novo processo civil. Londrina: Thoth, 2021. p. 233-245.
26 SILVA, Michael César; CARVALHO, Lucas Magalhães de Oliveira; SILVA, Samuel 
Vinícius. Negociação processual e as relações de consumo: uma análise do instituto 
à luz da vulnerabilidade presumida do consumidor. Revista Jurídica Luso-Brasileira, 
Centro de Investigação de Direito Privado da Faculdade de Direito da Universidade 
de Lisboa, Lisboa, n. 1, Ano 4, 2018. p. 1087-1121. Disponível em: https://www.
cidp.pt/revistas/rjlb/2018/1/2018 _01_1087_1121.pdf. Acesso em: 28 out. 2022.
CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 209
Eduardo Talamini: “A voluntariedade é relevante não apenas na prática 
do ato em si, mas na obtenção e definição das suas consequências”27.
Quanto ao momento da realização da convenção processual, o dis-
positivo legal aqui estudado (art. 190 do Código de Processo Civil) 
prevê que a convenção sobre o procedimento pode ser realizada “antes 
ou durante o processo”. A prática mostra que a realização ex ante do 
negócio jurídico processual constitui uma ferramenta relevante para o 
planejamento contratual. Em que pese possa soar como “mau agouro” 
prever antecipadamente a ocorrência do litígio, fato é que esta disposi-
ção antecipada sobre o procedimento permite reduzir custos, tempo e 
desgaste na hipótese de divergências na execução contratual.
Os negócios jurídicos processuais podem, inclusive, ser conside-
rados instrumentos ou ferramentas de compliance, já que estão inse-
ridos em um contexto de cumprimento de disposições para melhor 
adequação negocial de empresas28-29. Nesse sentido, de acordo com 
Pedro Sanchez Cesa, as convenções processuais devem ser vistas como 
“mecanismo de conformação do procedimento que busca atender aos 
27 TALAMINI, Eduardo. Um processo pra chamar de seu: nota sobre os negócios 
jurídicos processuais. MIGALHAS. São Paulo, 21 out. 2015. Disponível em: https://
www.migalhas.com.br/depeso/228734/um-processo-pra-chamar-de-seu--nota-so-
bre-os-negocios-juridicos-processuais. Acesso em: 23 out. 2022.
28 Marcella Block lembra que a palavra compliance, em sua etimologia, deriva do la-
tim complere, tendo seu significado relacionado à vontade de fazer algo que foi pedi-
do ou de agir em concordância com regras, normas, disposições legais e condições. 
BLOCK, Marcella. Compliance e governança corporativa. 3. ed. atual. Rio de Janeiro: 
Freitas Bastos, 2020. É mais comum, porém, relacionar a origem do termo com a 
expressão norte-americana to comply, cuja tradução para o português associa-se a 
cumprir, obedecer ou consentir.
29 A evolução do compliance em sede empresarial é bem traçada por Ederson Garin 
Porto: “A cultura do compliance ganhou força nos últimos anos e muito se deve a 
relação do tema com o combate a corrupção, dentre outros ilícitos. O movimento 
tem início com imposições às corporações de leis que visavam coibir ilícitos e assim 
aprimorar os mercados. Com o passar dos anos, muitas instituições e empresas 
passaram a incorporar práticas pregadas pelo compliance. Parcela expressiva desses 
agentes adotaram tais compromissos porque a legislação impunha, sem compreen-
der efetivamente qual o benefício que tais comportamentos poderiam agregar ao 
seu negócio”. PORTO, Éderson Garin. Compliance & Governança Corporativa: uma 
abordagem prática e objetiva. Porto Alegre: Lawboratory, 2020. p. 10.
210 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
interesses comuns dos agentes de mercado, pode[ndo] ou não servir 
de incentivo às trocas e de limitador de fatores que as impedem”30.
Marcos Paulo Röder e Kirstin Elise Richter Vieira defendem a visão 
dos negócios jurídicos processuais como instrumentos de redução de 
custos de transação em contratos empresariais, utilizando instrumen-
tos da análise econômica do direito31. Para os autores, a disseminação 
dos negócios jurídicos processuais tende a acarretar a otimização do 
processo, impactando no sentimento de segurança das partes em con-
tratar, o que é indispensável para o desenvolvimento econômico de 
uma sociedade.32 No mesmo sentido, Didier Jr., Lipiani e Aragão lem-
bram que os negócios jurídicos processuais devem ser pensados como 
ferramentas que podem ser utilizadas para garantir mais segurança e 
previsibilidade para os contratantes33.
Em suma, podendo as partes estabelecer qual o caminho a ser trilhado 
em caso de surgir um litígio envolvendo o contrato que firmaram, podem 
evitar surpresas e diminuir as consabidas agruras do processo judicial. 
No limite, podem alcançar maior segurança, prevendo quando o proces-
so irá iniciar e terminar, como irá se portar a parte adversa, os custos que 
irão ser despendidos e, inclusive, se vale a pena ingressar em juízo.
Além disso, as convenções processuais podem servir como um impor-
tante ativo no momento da negociação. O exemplo é dado por Didier Jr., 
Lipiani e Aragão nos seguintes termos: “para se pleitear um negócio mate-
rial mais vantajoso, em troca de concessões nos negócios jurídicos proces-
30 CESA, Pedro Sanchez. Negócios jurídicos processuais na perspectiva da aná-
lise econômica do Direito. Revista Jurídica Luso-Brasileira, Centro de Inves-
tigação de Direito Privado da Faculdade de Direito da Universidade de Lis-
boa, Lisboa, n. 3, Ano 6, 2020. Disponível em: https://www.cidp.pt/revistas/
rjlb/2020/3/2020_03_1611_1647.pdf. Acesso em: 28 out. 2022.
31 RODER, Marcus Paulo; RICHTER VIEIRA, Kirstin Elise. Negócios processuais em 
contratos empresariais: uma forma de redução de custos de transação. Revista Ele-
trônica do CEJUR, Curitiba, v. 2, n. 5, set/dez 2020. Disponível em: https://revistas.
ufpr.br/cejur/article/view/77771. Acesso em: 29 out. 2022.
32 RODER, Marcus Paulo; RICHTER VIEIRA, Kirstin Elise. Negócios processuais em 
contratos empresariais: uma forma de redução de custos de transação. Revista Ele-
trônica do CEJUR, Curitiba, v. 2, n. 5, set/dez 2020. Disponível em: https://revistas.
ufpr.br/cejur/article/view/77771. Acesso em: 29 out. 2022.
33 DIDIER JR. Fredie; LIPIANI, Júlia; ARAGÃO, Leandro Santos. Negócios jurídicos 
processuais em negócios processuais. Revista dos Tribunais Online, São Paulo, v. 279, 
maio/2018, p. 41–66.
CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 211
suais e vice-versa”34. Quer dizer, é possível utilizar-se do negócio jurídico 
processual não apenas como forma de garantir maior segurança, porém 
como moeda de troca em negociações sobre o próprio direito material.
Para isso, o que se propõe é que seja utilizado o momento em que 
ainda há consenso entre as partes, que é rompido, ao menos em parte, 
na hipóteseda judicialização. Quando há negociação sobre o direi-
to material, como delimitação dos elementos essenciais do contrato e 
estabelecimento de preço e forma de pagamento, convém que sejam 
juntamente elaboradas cláusulas que buscam moldar o rito processual 
de litígio que poderá, ou não vir a ocorrer no futuro, estabelecendo 
condições que melhor atendem às necessidades dos litigantes. Isto é, 
os contratantes (por seus advogados), já devem começar a pensar no 
processo ao iniciar as negociações contratuais.
Um acordo entabulado sobre o eventual processual futuro pode ter 
diversos ânimos, como diminuir o tempo de tramitação do processo, 
equilibrar custos, diminuir assimetria informacional e facilitar comuni-
cações processuais. Isso é necessário porque o processo ordinário, rígido 
e inflexível pode não oferecer, com eficiência e celeridade, o que as par-
tes desejam para a solução do conflito (se ele ocorrer)35. Nesta hipótese, 
Fredie Didier Jr.36 lembra que o negócio jurídico processual pode servir 
tanto para a redefinição das situações jurídicas processuais (ônus, direi-
tos, deveres processuais) quanto para a restruturação do procedimento.
Tanto típicos quanto atípicos, os exemplos de negócios jurídicos 
processuais já utilizados são muitos, seja para estipulação antes do 
processo ou mesmo no seu curso. Alguns especialmente chamam a 
atenção em matéria de planejamento contratual, já estando incorpora-
dos ao mercado e sendo reiteradamente visualizados em instrumentos 
contratuais de diversas naturezas. Aqui, sem pretender esgotar a maté-
ria, são algumas hipóteses brevemente analisadas, como exemplos da 
necessidade de pensar em eventual litígio ainda na fase negocial.
34 DIDIER JR. Fredie; LIPIANI, Júlia; ARAGÃO, Leandro Santos. Negócios jurídicos 
processuais em negócios processuais. Revista dos Tribunais Online, São Paulo, v. 279, 
maio/2018, p. 41–66.
35 CABRAL, Antonio do Passo. Convenciones procesales: desarrollo y evolución. 
Revista de Derecho Procesal: processo por audiencias, Santa Fé: Rubinzal-Culzoni 
Editores, 2020 (2). p. 536-561.
36 DIDIER JR., Fredie. Ensaios sobre os negócios jurídicos processuais. 2. ed. rev., atual. 
e ampl. Salvador: JusPodivm, 2021. p. 28.
212 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
4. ALGUNS EXEMPLOS DE NEGÓCIOS JURÍDICOS PROCESSUAIS
4.1. PROLEGÔMENOS
Os negócios jurídicos processuais, mesmo que timidamente em um 
primeiro momento, vêm cada vez mais sendo utilizados em âmbitos 
contratual, servindo de instrumento para moldar eventual processo 
judicial que venha a surgir. Algumas hipóteses foram, inclusive, pro-
postas no Fórum Permanente de Processualistas Civis, ocorrido em 
2017, no Enunciado nº 21 (com redação dada na III edição), que dis-
põe que: “são admissíveis os seguintes negócios, dentre outros: acordo 
para realização de sustentação oral, acordo para ampliação do tempo 
de sustentação oral, julgamento antecipado do mérito convencional, 
convenção sobre prova, redução de prazos processuais”37. Já Fredie 
Didier Jr menciona outros exemplos que se inserem na cláusula geral 
como negócios processuais atípicos:
[…] acordo de impenhorabilidade, acordo de instância única, acordo de 
ampliação ou de redução de prazos, acordo para superação de preclusão, 
acordo de substituição de bem penhorado, acordo de rateio de despesas 
processuais, dispensa consensual de assistente técnico, acordo para retirar 
o efeito suspensivo da apelação, acordo para não promover execução pro-
visória, acordo para dispensa de caução em execução provisória, acordo 
para limitar número de testemunhas, acordo para autorizar intervenção 
de terceiro fora das hipóteses legais, acordo para decisão por equidade 
ou baseada em direito estrangeiro ou consuetudinário, acordo para tornar 
ilícita uma prova etc.38
São estes apenas alguns exemplos, levando em consideração a atipi-
cidade que advém da cláusula geral dos negócios jurídicos processuais. 
Outros comuns na prática contratual são (a) a eleição de foro, (b) a 
cláusula escalonada; (c) o pactum de non petendo; e (d) os negócios 
jurídicos processuais em sede de execução. Cada uma dessas hipóte-
ses será brevemente comentada abaixo, evidentemente sem pretender 
esgotar todas as suas potencialidades.
37 ENUNCIADOS do Fórum Permanente de Processualistas civis: Florianópolis, 24, 
25 e 25 de março de 2017. In: INSTITUTO Direito Contemporâneo. [São Paulo, 
2017?]. Disponível em: https://institutodc.com.br/wp-content/uploads/2017/06/
FPPC-Carta-de-Florianopolis.pdf. Acesso em 29 out. 2022.
38 DIDIER JR., Fredie. Ensaios sobre os negócios jurídicos processuais. 2. ed. rev., atual. 
e ampl. Salvador: JusPodivm, 2021. p. 28.
CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 213
4.2. ELEIÇÃO DE FORO
Sem dúvidas, a cláusula de eleição de foro é o mais comum negócio 
jurídico processual (típico), sendo há muito conhecida e utiliza em 
qualquer tipo de contratação. Por esta cláusula, as partes convencio-
nam a competência territorial para o caso de futura discussão envol-
vendo o contrato em questão. Essa possibilidade, aliás, decorre não 
só do art. 190 do Código de Processo Civil como do seu art. 63, que 
permite que as partes elejam o foro “onde será proposta ação oriunda 
de direitos e obrigações”39.
Porém, conforme o Enunciado n. 20 proposto no Fórum Permanen-
te de Processualistas Civis40, não é admissível o negócio jurídico pro-
cessual para modificação de competência absoluta. Além disso, outra 
distinção importante é que o que pode ser objeto de eleição é o foro e 
não o fórum; isto quer dizer que os fóruns regionais (que existem den-
tro de um mesmo foro) não podem ser escolhidos pelas partes, porque 
sua divisão decorre de lei estadual de organização judiciária, que cria 
competência absoluta41.
Além disso, caso o magistrado entenda ser abusiva a cláusula de elei-
ção de foro, pode ser reputada ineficaz pelo juiz, de ofício, antes da ci-
tação, determinando a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio 
do réu; nos exatos termos do § 3º, do art. 63 do Código de Processo 
Civil42. De qualquer forma, mesmo que delimitada à competência terri-
torial (ou mesmo quanto ao valor da causa), a eleição de foro pode ser 
uma importante estratégia negocial, delimitando o local que melhor 
39 BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, 
DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/_ato 2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 29 out. 2022.
40 ENUNCIADOS do Fórum Permanente de Processualistas civis: Florianópolis, 24, 
25 e 25 de março de 2017. INSTITUTO Direito Contemporâneo. [São Paulo, 2017?]. 
Disponível em: https://institutodc.com.br/wp-content/uploads/2017/06/FPPC-Car-
ta-de-Florianopolis.pdf. Acesso em: 29 out. 2022.
41 Esse tema é abordado por Alexandre Freitas Câmara em aula inaugural da 
Pós-Graduação em Direito Imobiliário da PUC-São Paulo, coordenada pelo Prof. Dr. 
William Santos Ferreira. DIREITO Imobiliário. São Paulo, 22 jun. 2022. 1 vídeo (2 
h 6 min 59 s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RhSK9y7u_lA&-
t=6830s. Acesso em: 30 out. 2022.
42 BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, 
DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ cci-
vil_03/ato 2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 29 out. 2022.
214 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
poderá resolver os litígios que surgirem da relação contratual. É o caso 
da eleição de uma cidade de perfil industrial, que reiteradamente julga 
matérias envolvendo esse tipo conflitos, em contrato de fornecimento 
para indústria automotiva.
4.3. CLÁUSULA ESCALONADA
Bastante comum nos contratos, a cláusula escalonada ou “cláusula 
de paz”43, é uma faculdade que possibilita que as partes delimitem 
a resolução da sua demanda por forma de conflito diversa do que o 
processo judicial, ou seja, consiste em um acordode buscar a solução 
de eventual conflito primeiramente em outros meios que não o pro-
cesso judicial.
Existem pontos de suma importância para o estabelecimento des-
sa cláusula. Exemplificativamente, elenca-se dois: (1) disponibilidade 
do direito; e (2) viabilidade/conhecimento da forma de resolução de 
conflito optada. Sequencialmente. Embora não seja algo desconhecido 
hodiernamente na comunidade jurídica, para que seja possível estabe-
lecer uma cláusula escalonada em sede de negociação procedimental 
das partes, é necessário, antes de tudo, verificar a disponibilidade do 
direito que versa o objeto da relação entre as partes. Em matéria civil e 
comercial, são poucas as situações em que não será possível o estabe-
lecimento dessa cláusula por conta desse primeiro ponto. Agora, sobre 
o segundo ponto, este possui maior sensibilidade do que o anterior. 
Ao estabelecerem uma cláusula escalonada, as partes devem ter ciên-
cia do método de resolução de conflitos optado, especificamente, sua 
finalidade a fim de dimensionar a compatibilidade e eficiência entre o 
método escolhido com o eventual litígio.
Quando bem utilizada, é de extrema serventia para as partes, haja 
vista que poderá implicar na diminuição de despesas que um even-
tual processo judicial apresentaria, assim como, em paralelo (e den-
tre outras vantagens), optado pelo método compatível com o objeto 
litigioso, seria possível apontar para a diminuição do lapso temporal 
para a resolução da situação litigiosa. Um esclarecimento final sobre a 
43 CABRAL, Antonio do Passo Cabral. Pactum de non petendo: a promessa de não 
processar no direito brasileiro. Revista do Ministério Público do Estado do Rio de Ja-
neiro, Rio de Janeiro, n. 78, out./dez. 2020. p. 19-44. Disponível em: https://www.
mprj.mp.br/documents/20184/2026467/Antonio_do_ Passo_Cabral.pdf. Acesso 
em 29 out. 2022.
CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 215
cláusula escalonada: conforme dispõe o art. 5º, inc. XXXV, da Consti-
tuição Federal, assim como o caput, do art. 3º, do Código de Processo 
Civil, inexistindo êxito pelo método de resolução de conflito optado, o 
processo judicial é (e será) disponível para dirimir o conflito.
4.4. PACTUM DE NON PETENDO
Diferentemente da cláusula arbitral, pelo pactum de non petendo, os 
contratantes comprometem-se a não baterem as portas do Poder Judi-
ciário mesmo que surja algum litígio entre elas, envolvendo a execu-
ção contratual. Trata-se de previsão que não afeta os efeitos no plano 
do direito material, porém gera uma obrigação de não agir perante o 
Poder Judiciário.44
José Rogério Cruz e Tucci45, em sentido inverso, entende que é nula 
e ineficaz a referida cláusula, diante dos preceitos dos arts. 5º, inc. 
XXXV, da Constituição Federal e 3º do Código de Processo Civil. Para 
o processualista, a vedação reside no argumento de que a ninguém é 
dado renunciar à defesa de seus direitos diante de potencial lesão futu-
ra. Por outro lado, Antonio do Passo Cabral afasta essa visão restritiva 
de Cruz e Tucci ao afirmar nos seguintes termos:
Ressalte-se ainda que a promessa de não processar não fere a inafastabi-
lidade do controle jurisdicional (art. 5º, XXXV, da Constituição) porque 
significa uma autorrestrição voluntária, que os próprios titulares do direito 
ao acesso à justiça se impõem, em nome de outros objetivos negociais.46
44 CABRAL, Antonio do Passo Cabral. Pactum de non petendo: a promessa de não 
processar no direito brasileiro. Revista do Ministério Público do Estado do Rio de Ja-
neiro, Rio de Janeiro, n. 78, out./dez. 2020. p. 19-44. Disponível em: https://www.
mprj.mp.br/documents/20184/2026467/Antonio_do_ Passo_Cabral.pdf. Acesso 
em 29 out. 2022.
45 TUCCI, José Rogério Cruz. Proibição do pactum de non petendo na jurisprudên-
cia do STJ. In: CONJUR. São Paulo: 2 mar. 2021. Disponível em: https://www.conjur.
com.br/2021-mar-02/paradoxo-corte-proibicao-pactum-non-petendo-jurispruden-
cia-stj. Acesso em 29 out. 2022.
46 CABRAL, Antonio do Passo Cabral. Pactum de non petendo: a promessa de não 
processar no direito brasileiro. Revista do Ministério Público do Estado do Rio de Ja-
neiro, Rio de Janeiro, n. 78, out./dez. 2020. p. 19-44. Disponível em: https://www.
mprj.mp.br/documents/20184/2026467/Antonio_do_ Passo_Cabral.pdf. Acesso 
em 29 out. 2022.
216 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
Sobre essa mesma cláusula, Fernando da Fonseca Gajardoni47 vai 
além, aventando a possibilidade de um pacto de non exequendo, isto é, 
o pacto de não executar. Esta previsão impediria que o credor pudesse 
dar inícios à execução de título extrajudicial, seja determinando um 
prazo certo seja indeterminadamente. Nessa hipótese, todavia, não es-
taria proibido o exercício de medidas extrajudiciais para recebimento 
do crédito, como o protesto do título ou inclusão do nome do devedor 
em órgãos de restrição ao crédito; ou de ingressar com o processo de 
conhecimento.
Ainda, Antonio do Passo Cabral48 lembra das “cláusulas de não con-
testação” que embora ainda não sejam ventiladas no ordenamento 
brasileiro, são comuns em países como a França, principalmente em 
contratos envolvendo propriedade intelectual ou direito de imagem. 
Também faz referência a convenções objetivando impedir a interposi-
ção de recursos49, diretamente relacionado a esta cláusula de non pe-
tendo. Por outro lado, o Fórum Permanente de Processualistas Civis50, 
em seu Enunciado n. 20, observa que não seria admissível negócio 
jurídico processual para a supressão da primeira instância.
4.5. NEGÓCIOS JURÍDICOS PROCESSUAIS EM EXECUÇÃO
No planejamento contratual, os negócios jurídicos processuais não 
estão adstritos apenas ao processo de conhecimento. Em sede de exe-
cução, seja de título executivo judicial seja de título executivo extraju-
dicial, as convenções processuais podem servir como meio de efetiva-
47 GAJARDONI, Fernando da Fonseca. Convenções processuais atípicas na execu-
ção civil. Revista Eletrônica de Direito Processual – REDP, Rio de Janeiro, v. 22, n. 1, 
ano 15, janeiro a abril de 2021. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/
index.php/redp/article/view/ 56700/36321. Acesso em 29 out. 2022.
48 CABRAL, Antonio do Passo Cabral. Pactum de non petendo: a promessa de não 
processar no direito brasileiro. Revista do Ministério Público do Estado do Rio de Janei-
ro, Rio de Janeiro, n. 78, out./dez. 2020. p. 19-44.
49 CABRAL, Antonio do Passo. Convenciones procesales: desarrollo y evolución. 
Revista de Derecho Procesal: processo por audiências. Santa Fé: Rubinzal-Culzoni 
Editores, 2020 (2). p. 536-561.
50 ENUNCIADOS do Fórum Permanente de Processualistas civis: Florianópolis, 24, 
25 e 25 de março de 2017. In: INSTITUTO Direito Contemporâneo. [São Paulo, 
2017?]. Disponível em: https://institutodc.com.br/wp-content/uploads/2017/06/
FPPC-Carta-de-Florianopolis.pdf. Acesso em: 29 out. 2022.
CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 217
ção do crédito ou mesmo de redução de tempo. Assim como as partes 
podem adaptar o processo de conhecimento aos seus interesses, tam-
bém podem adaptar a execução, o que parece ser ainda mais impor-
tante diante da notícia de que, em 2021, mais da metade dos processos 
pendentes de baixa estavam em fase de execução.51
A conclusão não poderia ser diversa, uma vez que a atividade execu-
tiva é permeada pela autonomia das partes, existindo uma variedade 
de atos negociais, como oferta de bens, concorrências públicas e lei-
lões e avaliações.52 Essa liberdade dos litigantes em matéria executiva, 
porém, deve lidar com o poder de império que tem o Estado de impor 
o cumprimento das decisões e títulos executivos em geral53. Nessa re-
lação entre caráter privatista e publicista da execução, Fredie Didier 
Jr. e Antonio do Passo Cabral concluem que “a execução pode não ser 
‘forçada’, mas negociada, pelo menos em alguns aspectos”54.
Apesar da discussão sobre em que medida se pode conceber uma 
execução negociada, fato é que já se tem cogitado, redigidoe nego-
ciado disposições convencionadas entre as partes em matéria de exe-
cução. Exemplo importante é com relação à penhorabilidade, em que 
as partes podem estabelecer determinados bens que não podem ser 
objeto de execução (tornando-os impenhoráveis) ou, por outro lado, 
acordar que determinados bens devem preceder a outros na penhora. 
Há, ainda, a discussão, que não cabe nestas estreitas linhas, sobre a 
51 De acordo com o relatório Justiça em Números 2022 (ano-base 2021), disponi-
bilizado pelo Conselho Nacional de Justiça: “O Poder Judiciário contava com um 
acervo de 77 milhões de processos pendentes de baixa no final do ano de 2021, 
sendo que mais da metade desses processos (53,3%) se referia à fase de execução”. 
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Justiça em Números. Brasília: CNJ, 2022. Dispo-
nível em: https://www.cnj.jus.br/pesquisas-judiciarias/justica-em-numeros/. Acesso 
em: 29 out. 2022.
52 DIDIER JR., Fredie; CABRAL, Antonio do Passo. Negócios jurídicos processuais 
atípicos e execução. In: . Ensaios sobre os negócios jurídicos processuais. 2. ed. 
rev., atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2021. p. 67-98.
53 DIDIER JR., Fredie; CABRAL, Antonio do Passo. Negócios jurídicos processuais 
atípicos e execução. In: . Ensaios sobre os negócios jurídicos processuais. 2. ed. 
rev., atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2021. p. 67-98.
54 DIDIER JR., Fredie; CABRAL, Antonio do Passo. Negócios jurídicos processuais 
atípicos e execução. In: . Ensaios sobre os negócios jurídicos processuais. 2. ed. 
rev., atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2021. p. 67-98.
218 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
possibilidade ou não de afastamento da impenhorabilidade prevista na 
Lei 8.009/199055.
Outra possibilidade são os negócios jurídicos processuais sobre os 
meios executivos. Quer dizer, podem as partes convencionar que será 
utilizada primeiramente alguma determinada medida para a execução 
ou mesmo que imediatamente se opte por determinada medida atípica 
para buscar a satisfação do crédito exequendo. Por outro lado, Fredie 
Didier Jr. e Antonio do Passo Cabral lembram que “as partes não po-
dem deliberar, por convenção, que o juiz não utilizará alguns meios de 
coerção para pressionar o litigante a cumprir uma obrigação”.
Além das mencionadas, exemplos de negócios jurídicos processuais 
em execução são a calendarização, o estabelecimento de ordens de pe-
nhora, a determinação de formas de comunicação processual, entre 
várias outras. Fernando Gajardoni56 lembra ainda de outras hipóteses: 
pacto para dispensa de caução para fins de cumprimento provisório de 
sentença, acordo para vedar o cumprimento provisório de sentença, 
convenção processual para dispensa, ampliação ou redução da multa 
de 10% pelo não pagamento da condenação por quantia no prazo de 15 
dias, convenção para condicionar o ajuizamento da execução de título 
extrajudicial à notificação extrajudicial ou protesto prévios e convenção 
processual para redução de prazo de desocupação. Como se percebe, 
também em sede de execução as hipóteses de negócios jurídicos proces-
suais como forma de planejamento contratual não são diminutas.
55 Este tema é enfrentado por Juliano Colombo: “Haverá possibilidade de celebra-
ção de negócios jurídicos processuais que dispensem a impenhorabilidade prevista 
legalmente. A perspectiva da autonomia privada e do princípio dispositivo no pro-
cesso de execução autorizam pensar na existência da disponibilidade em matéria de 
impenhorabilidade legal. A proporcionalidade e a análise dos direitos fundamentais 
à liberdade, à tutela jurisdicional executiva, em ponderação com a dignidade da 
pessoa humana e a proteção ao patrimônio mínimo poderão demonstrar a adequa-
ção ou não da disposição realizada”. COLOMBO, Juliano. Negócios jurídicos pro-
cessuais na perspectiva dos direitos fundamentais das partes: principiologia, funda-
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CONSTITUIÇÃO, PROCESSO E COMPLIANCE • 219
5. CONCLUSÃO
Como delimitado no prólogo deste ensaio, a presente proposta bus-
cou verificar em que medida os negócios jurídicos processuais podem 
servir de instrumento para o planejamento contratual, a fim de forne-
cer elementos para responder o questionamento de qual seria a im-
portância de pensar em (eventual) litígio ainda na fase negocial, por 
meio de negócios jurídicos processuais. Nesse sentido, este escrito foi 
dividido em três momentos. Iniciou-se estabelecendo panorama geral 
dos negócios jurídicos processuais, depois, buscou-se compreender a 
sua ligação com o planejamento contratual e, por fim, apresentou-se 
alguns exemplos de negócios jurídicos processuais que podem ser uti-
lizados como ferramentas para reduzir custos, tempo e desgaste na 
hipótese de divergências na execução contratual.
No primeiro capítulo, delineou-se que com a entrada em vigor do 
Código de Processo Civil de 2015, um dos princípios mais exaltados 
por ter ganhado renovada força foi o do respeito ao autorregramento da 
vontade, afetando (positivamente) condutas direcionadas à composição 
da lide, com evidentes reflexos processuais, assim como aqueles que 
incidem sobre o desenvolvimento do próprio processo. Como aponta-
do, são vários os dispositivos espalhados pelo Código de Processo Civil 
que incentivam a composição acerca do procedimento, mas, com maior 
relevância, o art. 190, caput, do Código de Processo Civil, diante do 
estabelecimento de uma cláusula geral de negócios processuais, fonte 
normativa do (e no) processo, que vincula o órgão julgador (indepen-
dentemente de homologação judicial, seja típicos ou atípico).
No capítulo subsequente, buscou-se demonstrar a harmonização dos 
negócios jurídicos processuais em sede de planejamento contratual. O 
capítulo iniciou abordando que a existência de negócios jurídicos pro-
cessuais já é uma realidade em contratos de várias naturezas (seja de 
forma esparsa ou em capítulo contratual próprio). Viu-se que os con-
tratantes possuem a liberdade de contratarem não só o direito material 
(prestação e contraprestação) como aquele de cariz processual (delimi-
tação processual a partir de estratégias negociais), antes ou durante o 
processo, destacando que são cabíveis naqueles contratos nos quais as 
relações entre as partes envolvem igualdade de condições, amparadas 
por advogados qualificados e com concessões mútuas e recíprocas. Nes-
te momento, enfatizou-se que os negócios jurídicos processuais podem, 
inclusive, ser considerados instrumentos ou ferramentas de compliance, 
220 ESTUDOS NA PERSPETIVA DE UNIFORMIZAÇÃO, COLETIVIZAÇÃO E ENFORCEMENT DO DIREITO
já que estão inseridos em um contexto de cumprimento de disposições 
para melhor adequação negocial de empresas. Em sede de planejamento 
contratual, a convenção processual, na medida em que surgir eventual 
litígio, pode evitar surpresas e diminuir as consabidas agruras do proces-
so judicial, proporcionando maior segurança, prevendo quando o pro-
cesso irá iniciar e terminar, como irá se portar a parte adversa, os custos 
que irão ser despendidos e, inclusive, se vale a pena ingressar em juízo.
Por fim, no último capítulo, a fim de responder ao problema delimitado 
para este ensaio, apresentou-se alguns exemplos de negócios jurídicos pro-
cessuais. Em sede de prolegômenos docapítulo, afirmou-se que, embora 
de maneira tímida, a utilização dos negócios jurídicos no âmbito contra-
tual é crescente. A título de exemplo desse apontamento, além da menção 
aos negócios jurídicos típicos, como, por exemplo, acordo para realização 
de sustentação oral, acordo para ampliação do tempo de sustentação oral, 
julgamento antecipado do mérito convencional, convenção sobre prova, 
redução de prazos processuais etc., abordou-se algumas espécies de negó-
cios jurídicos, como o (1) da eleição de foro, o (2) da cláusula escalonada, 
o (3) do pactum de non petendo e (4) dos negócios jurídicos processuais em 
sede de execução. Em todo este artigo, principalmente no último capítulo, 
a partir da exposição dessas hipóteses de negócios jurídicos processuais, 
buscou-se demonstrar que o bom planejamento contencioso em fase ne-
gocial é fundamental para o melhor desenvolvimento do próprio negócio 
pactuado entre as partes, evitando surpresas, custos e tempo.
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