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* * * Introdução – Para que Filosofia? Nossas crenças costumeiras * * * Nossas crenças costumeiras Que horas são? Que dia é hoje? “Ele está sonhando.” “Ela ficou maluca.” “Onde há fumaça, há fogo”. “Não saia na chuva para não se resfriar”. “Esta casa é mais bonita do que a outra” “Maria está mais jovem do que Glória”. * * * Nossas crenças costumeiras Numa disputa: “mentiroso, eu estava lá e isso não aconteceu”. Numa briga: “vamos por a cabeço no lugar, cada um seja objetivo”. “Quem ama o feio, bonito lhe parece”. Quando aprovamos uma pessoa, dizemos que ela “é legal”. * * * Nossas crenças costumeiras Quando perguntamos, por exemplo, “que horas são?”, acreditamos que, por termos um relógio, o tempo existe, que ele passa, pode ser medido em horas. Numa pergunta, várias crenças. Por que crenças? Porque são coisas ou idéias que acreditamos são questionar. Acreditamos que sonhar é diferente de estar acordado. * * * Nossas crenças costumeiras Acreditamos que, no sonho, o impossível se apresente como possível, que o sonho se relaciona com o irreal, e a vigília com o que existe. Achamos que sabemos diferenciar a sanidade da loucura. Acreditamos que existem relações de causa e efeito entre as coisas. * * * Exercendo nossa liberdade Quando falamos da beleza, acreditamos que as coisas, pessoas, situações podem ser avaliados pela qualidade (bonito, feio, bom, ruim, jovem, velho, limpo, sujo). Julgamos que as qualidade e as quantidades existem. * * * Conhecendo as coisas Quando falamos em objetividade, quando discutimos, acreditamos que os apaixonados se tornam incapazes de ver as coisas como são. Nossa vida é repleta de crenças silenciosas: cremos no tempo e no espaço, na diferença entre realidade e sonho, na razão e na loucura. * * * E se não for bem assim Matrix: “Onde estamos?” Estavam vivendo no séc. XXI, não em 1999. O que Neo julgava real, era só ilusão. Cremos que nossa vontade é livre para escolher entre o bem e o mal. Há momentos em nossas vidas que vivemos um conflito entre o que nossa liberdade deseja e o que nossa sociedade impõe. * * * E se não for bem assim? Vemos que o Sol nasce e se põe. A astronomia diz que não é bem assim. Temos a crença em nossa liberdade, mas somos dominados pelas regras de nossa sociedade. * * * Momentos de crise Esses conflitos entre várias crenças nos levam a mudar de atitude. Quando uma crença contraria outra, entramos em crise. Algumas pessoas fazem de conta de que não há problema, outras são impelidas a indagar a origem, o sentido e a realidade de nossa crenças. * * * Momentos de crise Sou livre quando faço o que quero ou quando faço aquilo que a sociedade termina? Para responder, precisamos saber: que é liberdade, vontade, sociedade, bem, mal, justo e injusto? O que está por trás dessas perguntas? Estamos mudando de atitude, da costumeira à atitude filosófica. * * * Momentos de crise Quem não se contenta com as crenças e opiniões preestabelecidas, está exprimindo um desejo, o de saber. Na origem, a palavra Filosofia significa, “amor à sabedoria”. * * * Buscando a saída da caverna ou a atitude filosófica A partir das perguntas do tipo “o que é o tempo?”, “o que é o sonho, a loucura, a razão, a causa, a objetividade, o belo, o feio, o amor, o desejo, o sentimento, a qualidade, a quantidade, valor moral, vontade, a moral, a liberdade?”, estaremos cumprindo o que dizia o oráculo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”, que chamamos atitude filosófica. * * * Buscando a saída da caverna ou a atitude filosófica O que é Filosofia? A decisão de não aceitar como naturais, óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. Para que Filosofia? Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas. * * * Atitude crítica Não aos pré-conceitos, aos pré-juízos. O que é, por que é, como é? Essas são as perguntas fundamentais da Filosofia. Essas posições constituem a atitude crítica = capacidade de julgar; exame racional de todas as coisas; atividade de examinar e avaliar todas as coisas. * * * Atitude crítica Para Platão, a Filosofia começa com a admiração. A Filosofia inicia naquele instante em que abandonamos nossas crenças cotidianas. A Filosofia volta-se para os momentos de crise no pensamento, na linguagem ou na ação. * * * Para que Filosofia? Não ouvimos ninguém perguntar para que matemática ou física. Em nossa sociedade, alguma coisa só tem direito de existir quando tem utilidade. O sendo comum não enxerga algo que os cientistas sabem muito bem: as ciências pretendem ser conhecimento verdadeiro. Verdade, pensamento racional são propósito filosóficos, não científicos. * * * Para que Filosofia? O trabalho das ciências pressupõe o trabalho da Filosofia. Como apenas cientistas e filósofos sabem disso, as pessoas comuns continuam a afirmar que a Filosofia não serve para nada. Para essas pessoas, a utilidade da Filosofia seria a arte do bem viver. * * * Atitude filosófica: indagar. Perguntar o que é; Perguntar como é; Perguntar por que é. A atitude filosófica inicia-se dirigindo essas indagações ao mundo. A Filosofia entende ser necessário conhecer nossa capacidade de conhecimento e de nossa capacidade de pensar. * * * A reflexão filosófica A reflexão filosófica é radical – vai à raiz do pensamento: Por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos? A reflexão filosófica faz perguntas sobre a capacidade e a finalidade para conhecer, falar e agir. É um saber sobre a realidade interior dos seres humanos. * * * Filosofia: um pensamento sistemático As indagações filosóficas se realizam de modo sistemático: Trabalham com enunciados precisos; Buscam encadeamentos lógicos; Operam com demonstração e prova; Exigem fundamentação racional; Exigem que as questões sejam válidas; Exigem que as respostas sejam verdadeiras * * * Em busca de uma definição de Filosofia Visão de mundo; Sabedoria de vida; Esforço racional para conceber o Universo como uma totalidade ordenada e dotada de sentido. Fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas: ocupa-se com princípios, causas e condições do conhecimento; origem, forma e conteúdo dos valores éticos, políticos, religiosos, artísticos e culturais, com a compreensão das causas da ilusão e do preconceito no plano social. * * * Em busca de uma definição de Filosofia A atividade filosófica é: uma análise – das condições e princípios do saber e da ação; uma reflexão – volta do pensamento sobre si mesmo; uma crítica – avaliação racional para discernir entre verdade e a ilusão. * * * Em busca de uma definição de Filosofia A Filosofia não é ciência; é uma reflexão sobre os fundamentos da ciência; Não é religião; é uma reflexão sobre os fundamentos da religião; Não é arte; é uma reflexão sobre os fundamentos da arte; Não é sociologia nem psicologia; é uma interpretação crítica da sociologia e psicologia; Não é política; mas interpretação sobre a origem do poder. * * * Em busca de uma definição de Filosofia Para Immanutel Kant, as indagações fundamentais da Filosofia são: O que podemos saber? O que podemos fazer? O que podermos esperar? * * * Inútil? Útil? O que é útil, para quem é útil? Senso comum: prestígio, poder, fama, riqueza. “Levar vantagem em tudo?” Tem outra maneira de definir? * * * Inútil? Útil? Platão: saber verdadeiro para a sociedade Descartes: estudo da sabedoria Kant: conhecimento de nossas capacidades Marx: conhecer para transformar Merleau-Ponty: mudar o mundo Espinosa: liberdade e felicidade * * * Inútil? Útil? Abandonar a ingenuidade e o preconceito Não se deixar guiar pela submissão às idéiasdominantes Compreender a significação do mundo Conhecer o sentido da criação humana Adquirir consciência de si e de suas ações Desejar liberdade e felicidade para todos Por tudo isso, a Filosofia é o mais útil de todos os saberes humanos