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BIOSSEGURANÇA
BIOSSEGURANÇA
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SUMÁRIO
UNIDADE I
HISTÓRICO E LEGISLAÇÃO NACIONAL E INTERNACIONAL SOBRE BIOSSEGURANÇA E
SUA ATUAÇÃO NO SISTEMA DE SAÚDE E ÓRGÃOS REGULADORES ............................ 5
1.1 Histórico e conceito de Biossegurança .............................................................. 5
1.2 Normas e legislação de Biossegurança brasileira e internacional ....................... 8
1.3 Biossegurança no sistema de saúde ................................................................ 12
1.4 Órgãos reguladores de Biossegurança ............................................................ 14
1.5 Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio ................................. 20
UNIDADE II
RISCO EM LABORATÓRIO NA ÁREA DA SAÚDE ......................................................... 24
2.1 Risco e perigo: conceito e tipos de riscos ....................................................... 24
2.2 Riscos físicos e ergonômicos ......................................................................... 26
2.3 Risco biológico ............................................................................................... 34
2.4 Risco químico ................................................................................................ 39
2.5 Risco de acidente ........................................................................................... 41
UNIDADE III
BIOSSEGURANÇA EM LABORATÓRIO: ORGANISMO GENETICAMENTE MODIFICADOS,
MEDIDAS DE SEGURANÇA, EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA
............................................................................................................................... 47
3.1 Conceito de Organismo Geneticamente Modificado (OGM) e sua classificação . 47
3.2 Biossegurança no processamento de artigos ................................................. 53
3.3 Boas práticas no laboratório: métodos de limpeza, desinfecção e esterilização
de materiais laboratoriais e hospitalares .............................................................. 55
3.4 Métodos de avaliação da eficácia dos processos de esterilização de materiais
hospitalares e laboratoriais .................................................................................. 60
3.5 NR 32 e equipamento de proteção individual e coletivo para os profissionais da
saúde .................................................................................................................. 62
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UNIDADE IV
GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE: NORMAS
REGULAMENTADORAS E APLICAÇÕES .................................................................... 75
4.1 Gerenciamento de resíduos dos serviços de saúde: legislação ........................ 75
4.2 Classificação dos resíduos de serviços de saúde.............................................76
4.3 Tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde ................81
4.4 Lei nº12.305/2010: Lei de política nacional de resíduos sólidos........................88
4.5 Gerenciamento de resíduos de serviços de saúde e o impacto ao meio ambiente
........................................................................................................................... 90
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 93
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UNIDADE I
BIOSSEGURANÇA
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HISTÓRICO E LEGISLAÇÃO NACIONAL E INTERNACIONAL SOBRE
BIOSSEGURANÇA E SUA ATUAÇÃO NO SISTEMA DE SAÚDE E
ÓRGÃOS REGULADORES
1.1 HISTÓRICO E CONCEITO DE BIOSSEGURANÇA
O conceito de biossegurança começou a ser construído no início de 1970, na
Califórnia, após o surgimento da engenharia genética, por meio de transferência e
expressão do gene da insulina para Escherichia coli (Figura 1).
Figura 1: transferência e expressão do gene da insulina para Escherichia coli
Fonte: Albuquerque (2001).
Essa primeira experiência, em 1973, causou forte reação na comunidade científica
mundial, fato que culminou na realização da Conferência de Asilomar (Figura 2), em 1974.
Nessa conferência, foram tratadas questões acerca dos riscos e técnicas de engenharia
genética e sobre a segurança dos espaços laboratoriais (ALBUQUERQUE, 2001).
Figura 2: Conferência de Asilomar em 1974
Fonte: Albuquerque (2001).
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A partir da Conferência de Asilomar, originaram-se as normas de biossegurança
do National Institute of Health (NIH), dos EUA. Seu mérito, portanto, foi o de alertar a
comunidade científica, principalmente quanto às questões de biossegurança inerentes
à tecnologia de DNA recombinante. A partir de então, a maioria dos países centrais viu-
se diante da necessidade de estabelecer legislações e regulamentações para as
atividade que envolvessem a engenharia genética (ALMEIDA; VALLE, 1999;
ALBUQUERQUE, 2000).
Em 1980, a Organização Mundial de Saúde conceituou a biossegurança como
práticas de prevenção para o trabalho em laboratório com agentes patogênicos e, além
disso, classificou os riscos como biológicos, químicos, físicos, radioativos e
ergonômicos. Na década seguinte, observou-se a inclusão de temas, tais como ética em
pesquisa, meio ambiente, animais e processos envolvendo tecnologia de DNA
recombinante em programas de biossegurança (COSTA e COSTA, 2002).
No Brasil, de acordo com Schatzmayr (2001), a biossegurança só se consolidou
como área específica nas décadas de 70 e 80, em decorrência do grande número de
relatos de graves infecções ocorridas em laboratórios e também de uma maior
preocupação em relação às consequências que a manipulação experimental de animais,
plantas e microrganismos poderia trazer ao homem e ao meio ambiente. Em 1995, foi
implementada a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), a fim de
estabelecer normas às atividades que envolvam construção, cultivo, manipulação, uso,
transporte, armazenamento, comercialização, consumo, liberação e descarte
relacionados a organismos geneticamente modificados (OGMs) em todo o território
brasileiro (SCHOLZE, 1999).
Tais normas, além de tratarem da minimização dos riscos em relação aos OGMs,
envolvem os organismos não geneticamente modificados e suas relações com a
promoção de saúde no ambiente de trabalho, no meio ambiente e na comunidade
(GARCIA; ZANETTI-RAMOS, 2004).
A CTNBio é composta por membros titulares e suplentes, que representam o
conhecimento das áreas humana, animal, vegetal e ambiental, e está vinculada ao
Ministério da Ciência e Tecnologia (SCHOLZE, 1999).
Em 19 de fevereiro de 2002, foi criada a Comissão de Biossegurança em Saúde
(CBS) no âmbito do Ministério da Saúde. A CBS trabalha com o objetivo de definir
estratégias de atuação, avaliação e acompanhamento das ações de biossegurança,
procurando sempre o melhor entendimento entre o Ministério da Saúde e as instituições
que lidam com o tema (BRASIL, 2006).
Anos depois, em 2005, o governo brasileiro sancionou a Lei de Biossegurança (Lei
n° 11.105/2005), a qual trata dos estudos científicos envolvendo células-tronco
embrionárias e o plantio de sementes transgênicas no país (BRASIL, 2005).
Entretanto, no Brasil, existem duas vertentes acerca da biossegurança, sendo
uma relacionada à legislação e a outra voltada à prática propriamente dita. A legal está
voltada à manipulação de OGMs e de células tronco, regulamentada pela Lei n°
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11.105/2005. Já a praticada relaciona-se aos riscos químicos, físicos, biológicos,
ergonômicos e de acidentes encontrados nos ambientes laborais, amparada,
principalmente, pelas normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE), Resoluções da Agência Nacional de Vigilância em Saúde (ANVISA) e do Conselho
Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), entre outras (COSTA, 2005).
Por fim, essa perspectiva histórica das∙ Recomenda-se esquema de vacinação atualizado e exames periódicos;
∙ Infraestrutura.
Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva para o NB – 3:
∙ Uso obrigatório de cabine de segurança biológica (CSB, classe II A2 ou superior);
∙ Os usuários devem utilizar roupas de proteção específicas para esta área
(utilização exclusiva dentro do laboratório) e equipamentos de proteção
individual;
∙ Esterilizar as roupas de proteção antes da lavagem e/ou descarte;
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∙ Utilização obrigatória de luvas dentro das instalações do laboratório (dois pares
quando houver manipulação de material dentro da cabine de segurança
biológica);
∙ Todos os resíduos devem ser autoclavados antes do devido descarte;
∙ A estrutura do laboratório deverá ser localizada em área isolada das áreas de
trânsito do edifício e ter acesso restrito;
∙ O laboratório deve possuir um lavatório para as mãos, lava-olhos e chuveiro de
emergência;
∙ As superfícies das paredes internas, pisos e tetos das áreas devem ser lisas,
impermeáveis e resistentes a substâncias químicas e desinfetantes
normalmente usados no laboratório. Os pisos devem ser monolíticos e
antiderrapantes.
∙ Realizar a troca das luvas externas ao término da manipulação dentro da CSB;
∙ Toda a superfície deve ser selada e sem reentrâncias. Orifícios ou aberturas nas
superfícies de pisos, paredes, dutos, portas e teto devem ser selados para
facilitar a descontaminação;
∙ O laboratório deve possuir um sistema de ar independente, com ventilação
unidirecional, com pressão negativa. Não deve haver recirculação de ar e este
deverá ser filtrado através de filtro HEPA antes de ser eliminado para o exterior
do laboratório.
2.3.4 Nível de Biossegurança 4 - NB – 4
Esse nível de contenção deve ser usado sempre que o trabalho envolver
Organismos Geneticamente Modificados (OMGs) resultante de organismo receptor ou
parental classificado como classe de risco 4 ou sempre que envolver organismo
receptor, parental ou doador com potencial patogênico desconhecido.
2.4 RISCO QUÍMICO
Para que essas atividades laborais possam ser exercidas com segurança,
minimizando os riscos à saúde dos profissionais, é necessária a correta identificação -
pictograma (Figura 21), manuseio ou manipulação de produtos químicos que podem
causar prejuízo à saúde. Situações que remetem a resíduos de produtos no local de
trabalho, derrame repentino de produtos e abertura de válvulas são exemplos de
situações que predispõem acidentes, mas a exposição de curta e/ou longa duração,
relacionadas ao contato de produtos químicos tóxicos com a pele e olhos, bem como a
inalação de seus vapores, também podem resultar em irritação na pele, olhos e mucosas,
lesões cutâneas como queimaduras (de variados graus) causada por incêndio ou
explosão, doenças respiratórias crônicas, doenças do sistema nervoso, doenças nos rins
e fígado, e até mesmo alguns tipos de cânceres (DIAS, 2013).
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Figura 21: Pictograma de Riscos Químicos
Fonte: http://www.olhonasst.com/2017/08/trabalho-em-espacos-confinados-riscos.html
Os agentes de risco químico são as substâncias, compostos ou produtos que
possam penetrar no organismo do trabalhador principalmente pela via respiratória, nas
formas de poeiras, fumos, gases, neblinas, névoas ou vapores, ou pela natureza da
atividade de exposição, que possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através
da pele, inalação ou por ingestão. Podem apresentar-se nos diversos estados físicos nos
ambientes de trabalho e durante os processos podem sofrer mudanças. A possibilidade
de uma substância química entrar no organismo está associada ao seu estado físico
(RISCOS QUÍMICOS-FIOCRUZ).
Os principais efeitos causados pelas substâncias químicos são:
∙ Efeitos irritantes: são causados, por exemplo, por ácido clorídrico, ácido
sulfúrico, amônia, soda cáustica e cloro, que provocam irritação das vias aéreas
superiores.
∙ Efeitos asfixiantes: são causados, por exemplo, por gases como hidrogênio,
nitrogênio, hélio, metano, acetileno, dióxido de carbono, monóxido de carbono
e outros que causam dor de cabeça, náuseas, sonolência, convulsões, coma e
até a morte.
∙ Efeitos anestésicos: a maioria dos solventes orgânicos assim como o butano,
propano, aldeídos, acetona, cloreto de carbono, benzeno, xileno, álcoois,
tolueno, tem ação depressiva sobre o sistema nervoso central, provocando
danos aos diversos órgãos. O benzeno especialmente é responsável por danos
ao sistema formador do sangue.
∙ Poeiras minerais: provêm de diversos minerais, como sílica (Figura 22),
asbesto, carvão mineral, e provocam silicose (quartzo), asbestose (asbesto),
pneumoconioses (ex.: carvão mineral, minerais em geral).
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∙ Poeiras vegetais: são produzidas pelo tratamento industrial, por exemplo, de
bagaço de cana-de-açúcar e de algodão, que causam bagaçose e bissinose,
respectivamente.
∙ Poeiras alcalinas: provêm em especial do calcário, causando doenças
pulmonares obstrutivas crônicas, como enfisema pulmonar.
∙ Fumos metálicos: provenientes do uso industrial de metais, como chumbo,
manganês, ferro, causando doença pulmonar obstrutiva crônica, febre de
fumos metálicos, intoxicações específicas, de acordo com o metal.
Figura 22: Doença Ocupacional Sílica causada pela inalação de partículas de Sílica Cristalina
Fonte:https://raclite.com.br/saude-e-seguranca-do-trabalho/silicose-causas-sintomas-tratamento-e-
prevencao
2.5 RISCO DE ACIDENTE
Riscos de Acidentes são todos os fatores que colocam em perigo o trabalhador ou
afetam sua integridade física ou moral. São considerados como riscos geradores de
acidentes: arranjo físico deficiente; máquinas e equipamentos sem proteção;
ferramentas inadequadas; ou defeituosas; eletricidade; incêndio ou explosão; animais
peçonhentos; armazenamento inadequado (RISCO DE ACIDENTES-FIOCRUZ).
Arranjo físico deficiente – podem ser área insuficiente; localização imprópria de
máquinas e equipamentos; má arrumação e limpeza; sinalização incorreta ou
inexistente; pisos fracos e/ou irregulares.
∙ Máquinas e equipamentos sem proteção – podem ser máquinas obsoletas;
máquinas sem proteção em pontos de transmissão e de operação; comando de
liga/desliga fora do alcance do operador; máquinas e equipamentos com
defeitos ou inadequados; EPI inadequado ou não fornecido.
∙ Ferramentas inadequadas ou defeituosas – podem ser ferramentas usadas de
forma incorreta; falta de manutenção; não fornecimento de ferramentas
adequadas.
∙ Eletricidade – podem ser instalação elétrica imprópria, com defeito ou exposta;
fios desencapados; falta de aterramento elétrico; falta de manutenção.
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∙ Incêndio ou explosão – pode ser armazenamento inadequado de inflamáveis
e/ou gases; manipulação e transporte inadequado de produtos inflamáveis e
perigosos; sobrecarga em rede elétrica; falta de sinalização; falta de
equipamentos de combate ou equipamentos defeituosos.
2.5.1 Medidas de prevenção de riscos:
O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA tem por finalidade
antecipar, reconhecer, avaliar e, consequentemente, controlar as ocorrências de riscos
ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho quais sejam os
agentes físicos, químicos e biológicos que, em função de sua natureza, concentração ou
intensidade e tempo de exposição, sejam capazes de causar danos à saúde dos
trabalhadores. Sua legislação é regida pela Portaria nº 3.214 de 08 de junho de 1978 e NR
– 9 (MEDIDAS DE CONTROLE-UNIFAL/MG). As etapas da prevenção e controle dos riscos
ambientais são: Antecipação, Identificação/Reconhecimento, Avaliação e Prevenção e
Controle (Figura 23).
Figura 23: Etapas da prevenção e controle dos riscos ambientais
Fonte: Autoria própria (2023)
Antecipação
Envolve a análise de projetos de novas instalações, métodos ou processos de
trabalho, ou de modificação dos já existentes, visandoidentificar os riscos potenciais e
introduzir medidas de proteção para sua redução ou eliminação, através dos seguintes
itens:
∙ Tecnologia mais segura e mais limpa ("produção mais limpa");
∙ Materiais e produtos menos nocivos;
∙ Local adequado do ponto de vista ambiental.
Identificação/reconhecimento
É um passo fundamental na prática de higiene do trabalho, pois permite o
planejamento de uma avaliação confiável e define as melhores estratégias de controle.
Essa etapa baseia-se no reconhecimento dos agentes ambientais que afetam a saúde
dos trabalhadores, o que implica o conhecimento dos produtos envolvidos no processo,
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métodos de trabalho, fluxo de processo, layout das instalações, número de
trabalhadores expostos, entre outros.
Avaliação
Mede/dimensiona/avalia os riscos para segurança e saúde dos trabalhadores
decorrentes das fontes de riscos no local de trabalho. É um processo que nos permite
dimensionar a exposição dos trabalhadores e tirar conclusões sobre o nível de risco para
a saúde humana. É uma análise sistemática de todos os aspectos relacionados com o
trabalho e permite identificar:
∙ Aquilo que é suscetível de causar lesões ou danos;
∙ A possibilidade de eliminar os perigos;
∙ As medidas de prevenção ou proteção para controlar os riscos.
Prevenção e Controle
Envolve o desenvolvimento e implementação de estratégias para eliminar ou
reduzir a níveis aceitáveis a presença de agentes de riscos ambientais no local de
trabalho.
De acordo com os dados obtidos nas fases anteriores, o controle se atém a propor
e adotar medidas que visam à eliminação ou minimização do risco presente no ambiente.
A priorização para implementar medidas de controle dos riscos deve levar em
consideração:
∙ Consequências da exposição;
∙ Número de trabalhadores expostos;
∙ Fatores administrativos.
2.5.2 Regras Básicas em Caso de Incêndio no laboratório:
Quando o fogo irromper em um béquer ou balão de reação, basta tapar o frasco
com uma rolha, toalha ou vidro de relógio, de modo a impedir a entrada de ar, mantendo
sempre a calma. Quando o fogo atingir a roupa de uma pessoa, proceder da seguinte
forma:
a. levá-la para debaixo do chuveiro de emergência;
b. se o acidentado correr, aumentando a combustão, neste caso, derrubá-la e
rolá-la; no chão até o fogo ser exterminado ou embrulhá-lo rapidamente em um
cobertor para este fim;
d. pode-se também usar o extintor de CO2, se este for o meio mais rápido.
Começar o combate imediatamente com os extintores de CO2 (gás carbônico);
− Afastar os inflamáveis de perto;
− Jamais usar água para apagar o fogo, usar extintor de CO2 ou de pó químico;
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− Quando houver em ensaios com sódio, potássio ou lítio. Usar extintor de pó
químico (não usar o gás carbônico, CO2). Também pode-se usar os
reagentes carbonato de sódio (Na2CO3) ou cloreto de sódio (NaCl- sal de
cozinha);
− A areia não funciona bem para Na, K e Li. A água reage violentamente com
estes metais;
− Caso o incêndio fugir ao controle, evacuar o laboratório imediatamente;
− Tocar o alarme (uma caixa vermelha), quebrando o vidro para acioná-lo;
− Evacuar o prédio;
− Desligar a chave geral de eletricidade;
− Chamar a equipe de segurança ou o Corpo de Bombeiros (193), dando a exata
localização do fogo. Informar que se trata de um laboratório químico e que
não vão poder usar água para combater incêndio em substância química.
Solicitar um caminhão com CO2 ou pó químico;
− Avisar ao chefe do laboratório.
Derramamento de produtos tóxicos (mais de 100 ml), inflamáveis (mais de 1
litro) e corrosivos (mais de 1 litro):
− Chamar a equipe de segurança;
− Evacuar o laboratório;
− Avisar as pessoas nos ambientes vizinhos;
− Isolar a área e fechar as portas do ambiente;
− Remover fontes de ignição e desligar os equipamentos;
− Ligar a exaustão para o exterior;
− Abrir as janelas.
Derramamento de ácidos:
No caso de ácido sulfúrico derramado sobre o chão ou bancada pode ser
rapidamente neutralizado com carbonato ou bicarbonato de sódio em pó;
No caso de ácido Clorídrico derramado neutralizar com amônia, que produzirá
cloreto de amônio, em forma de névoa branca. No caso de ácido nítrico, tomar cuidado
com álcool, pois reagem violentamente;
Derramamento de Compostos Voláteis de Enxofre
Enxofre - tipo mercaptanas, resíduos de reação com DMSO: são capturados em
"trap" contendo solução à 10% de KMnO4 alcalino.
H2S: que se desprende de reações pode ser devidamente capturado em "trap"
contendo solução à 2% de acetato de chumbo aquoso.
Derramamento de Compostos Tóxicos
Manipular com cuidado, pois um grande número de compostos orgânicos e
inorgânicos são tóxicos. Evitar a inalação ou contato direto.
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Derramamento de produtos tóxicos ou inflamáveis sobre o trabalhador:
∙ Remover as roupas atingidas sob o chuveiro de emergência;
∙ Lavar a área do corpo afetada com água fria por 15 minutos ou enquanto
persistir dor ou ardência;
∙ Lavar a área afetada com sabão neutro e água (não use loções, creme, soluções
neutralizantes, etc).
Olhos atingidos por produtos químicos:
∙ Lavar os olhos atingidos, por 15 minutos, com água fria;
∙ Encaminhar a vítima ao atendimento médico de emergência;
∙ Informar o produto químico envolvido no acidente.
Derramamento de Mercúrio:
∙ Não use aspirador de pó;
∙ Recolha com cuidado as gotas maiores e cubra o local com solução de
polissulfeto de sódio, enxofre em pó ou zinco em pó, para amalgamar as gotas
microscópicas;
∙ Recolher o resíduo e colocá-lo em recipiente seguro para descarte.
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UNIDADE III
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BIOSSEGURANÇA EM LABORATÓRIO: ORGANISMO
GENETICAMENTE MODIFICADOS, MEDIDAS DE SEGURANÇA,
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA
3.1 CONCEITO DE ORGANISMO GENETICAMENTE MODIFICADO (OGM) E
SUA CLASSIFICAÇÃO
3.1.1 Conceito
Com a descoberta do ADN/DNA em 1944 pelo médico norte-americano Oswald
Theodore Avery, foi possível que outros estudiosos descobrissem o código genético,
possibilitando a manipulação dos genes (RODRIGUES, 2003) e, consequentemente, a
estrutura genética de organismos vivos, alterando algumas espécies e criando novas,
como é o caso dos transgênicos. Os Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) são
popularmente conhecidos como transgênicos. No entanto, existe uma diferença
semântica. Alguns autores consideram transgênico todo organismo cujo material
genético sofreu alteração em sua estrutura, a partir da técnica do DNA recombinante,
com a introdução de fragmentos genéticos de um organismo de espécie diferente da
espécie destinatária. Nesta linha de pensamento, os OGMs podem ser transgênicos ou
não, dependendo do fator de seu genoma ser introduzido material genético proveniente
de espécie diferente ou da mesma (GUERRANTE, 2003). Entretanto, a maioria dos
estudiosos usam os termos OGMs e transgênicos como sinônimos.
3.1.2 Legislação
As atividades envolvendo organismos geneticamente modificados (OGM) e seus
derivados são reguladas pelas normas estabelecidas na legislação brasileira de
biossegurança. No Brasil, a primeira norma a tratar desse assunto foi a Lei nº 8.974, de 5
de janeiro de 1995. A análise dessa Lei nos leva a concluir que, mesmo tendo sido
discutida nos anos de 1994/1995, destacava-se por seu caráter inovador ao regular
questão tão complexa e dinâmica. Naquela época, a questão dos transgênicos ainda não
havia atingido o grau polêmico que se observou no final dos anos 1990 e que ainda
perdura atualmente. Entretanto, observava-se em vários pontos da Lei nº 8.974/95, hoje
revogada, a preocupação do legislador em regular da maneira mais completa possível os
aspectos de biossegurança relacionados ao desenvolvimento de pesquisas na área da
tecnologia do DNA recombinante. A modernidade da antiga Lei nº 8.974/95 também se
constatava no fato de que dispunha devários procedimentos que só vieram a ser
discutidos no âmbito internacional após as negociações do Protocolo de Cartagena
sobre Biossegurança da Convenção sobre Diversidade Biológica (2000), como a
necessidade de aprovação prévia da CTNBio para a introdução no Brasil de produtos de
outros países contendo OGM. Conforme Brasil (2005), na Lei da nº 8.974/95 é retratado
que:
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Art. 8º. É vedado, nas atividades relacionadas a OGM:
I - qualquer manipulação genética de organismos vivos ou o manejo in
vitro de ADN/ARN natural ou recombinante, realizados em desacordo
com as normas previstas nesta Lei;
II - a manipulação genética de células germinais humanas;
III - a intervenção em material genético humano in vivo, exceto para o
tratamento de defeitos genéticos, respeitando-se princípios éticos, tais
como o princípio de autonomia e o princípio de beneficência, e com a
aprovação prévia da CTNBio;
IV - a produção, armazenamento ou manipulação de embriões humanos
destinados a servir como material biológico disponível;
V - a intervenção in vivo em material genético de animais, excetuados os
casos em que tais intervenções se constituam em avanços significativos
na pesquisa científica e no desenvolvimento tecnológico, respeitando-
se princípios éticos, tais como o princípio da responsabilidade e o
princípio da prudência, e com aprovação prévia da CTNBio;
VI - a liberação ou o descarte no meio ambiente de OGM em desacordo
com as normas estabelecidas pela CTNBio e constantes na
regulamentação desta Lei.
Entretanto, todos os aspectos inovadores da antiga Lei nº 8.974/95 foram
obscurecidos em virtude da evolução das discussões em relação à adoção dos
organismos geneticamente modificados no Brasil, principalmente após os inúmeros
questionamentos judiciais relativos à constitucionalidade de alguns de seus artigos.
A aprovação dessa Lei representou uma grande vitória para o desenvolvimento de
pesquisas envolvendo OGM e seus derivados no Brasil, uma vez que desburocratizou em
muito o processo em relação às necessárias autorizações para tais pesquisas, dando
mais agilidade ao sistema e evitando os entraves que até então vinham sendo
enfrentados pelos pesquisadores brasileiros. A edição desse novo marco legal surgiu
também para dar maior transparência e confiabilidade em torno das decisões de
liberação comercial de OGM e seus derivados. No entanto, tais promessas só se tornarão
realidade com a efetiva atuação do Poder Executivo nesse sentido (BRASIL,2005).
3.1.3 Alimentos transgênicos
A cultura comercial de alimentos transgênicos no mundo iniciou-se em 1996. Em
1998 foi introduzido no Brasil o plantio comercial de soja geneticamente modificada
Roundup através de licença concedida pela CTNBio para a empresa Monsanto. Com o
advento da Lei 11.105 de março de 2005 - Lei de Biossegurança, os Organismos
Geneticamente Modificados (OGMs) foram legalizados no Brasil e, inicialmente, somente
a soja geneticamente modificada tolerante a glifosato, registrada no Registro Nacional
de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tinha autorização
para produção e comercialização (BRASIL, 2005).
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Art. 2º As atividades e projetos que envolvam OGM e seus derivados,
relacionados ao ensino com manipulação de organismos vivos, à
pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico e à produção
industrial ficam restritos ao âmbito de entidades de direito público ou
privado, que serão responsáveis pela obediência aos preceitos desta Lei
e de sua regulamentação, bem como pelas eventuais consequências ou
efeitos advindos de seu descumprimento (BRASIL, 2005).
Até a década de 70, a quimosina (enzima que faz com que o leite se solidifique e
vire queijo) era extraída do estômago de bezerros alimentados apenas com leite. Graças
à transgenia, foi possível, na década seguinte, isolar o gene que produz essa enzima e
inseri-lo numa levedura (ISAAA, 2019).
A partir de então, a obtenção de quimosina a partir de bezerros passou a ser rara.
Inclusive, a enzima obtida por microrganismos transgênicos é mais eficiente para a
coagulação do leite.
Além de microrganismos e plantas, foi aprovado em 2015 pela empresa
estadunidense “Food and Drug Administration” (FDA), nos Estados Unidos, o salmão
transgênico. Trata-se do primeiro animal transgênico liberado para o consumo humano.
Esse salmão chega ao tamanho comercial em 18 meses, em vez de 30, como acontece
com o salmão convencional. Isso pode ajudar a abastecer o mercado consumidor, cuja
demanda é cada vez maior.
Em 2014, se completam duas décadas do desenvolvimento do primeiro produto
alimentar geneticamente modificado no mundo – um tomate com maior durabilidade
criado na Califórnia, Estados Unidos. Vinte anos depois, o mercado de transgênicos na
agricultura é cada vez mais expressivo. A cada 100 hectares plantados com soja hoje no
Planeta, 80 são de sementes com genes alterados. No caso do milho, são 30 para cada
100 (FAO, 2002).
Nessas duas décadas, a área com culturas transgênicas subiu 100 vezes, de 1,7
milhões de hectares para 175,2 milhões. Os Estados Unidos lideram o plantio, seguidos
pelo Brasil e Argentina.
No Brasil, foram plantados 40,3 milhões hectares com sementes de soja, milho e
algodão transgênicos em 2013, com um crescimento de 10% em relação ao ano anterior.
Hoje, das culturas cultivadas em nosso país com biotecnologia, 92% da soja é
transgênica, 90% do milho e 47% do algodão também são geneticamente modificados
(ARAGÃO, 2022).
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Figura 24: Países que fabricam alimentos transgênicos
Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-Area-plantada-com-transgenicos-no-mundo-em-
milhoes-de-hectares-no-ano
Em muitos países, o consumo de alimentos transgênicos é legal, enquanto em
outros, a sua adesão está longe de ser efetivada. Nesse último caso, podemos citar o
Japão, cuja comercialização dos alimentos geneticamente modificados é rejeitada.
Os países que lideram a produção de alimentos transgênicos são os Estados
Unidos, Brasil, Argentina, Canadá e China, além da Índia.
No mundo, os alimentos produzidos em maior quantidade são o milho, a soja, o
algodão e a canola. O cultivo mais predominante no planeta é o da soja resistente a
herbicidas.
3.1.4 Animais transgênicos
Animais transgênicos são aqueles que tiveram seu patrimônio genético alterado
com a introdução de genes de outras espécies que não a sua. Ocorre através da
introdução de um gene de interesse no núcleo de um óvulo já fecundado. O objetivo é
fazer com que o gene exógeno se expresse neste animal "hospedeiro" (CARDOSO, 2008).
O primeiro experimento realizado com sucesso foi feito em 1982, quando um DNA
de rato foi introduzido em um camundongo. O resultado positivo foi verificado através
do aumento do tamanho corporal verificado no camundongo.
Em janeiro de 2001 foi divulgado o nascimento do primeiro primata transgênico.
Um macaco Rhesus, denominado ANDi (inserted DNA ao contrário) teve incluído em seu
patrimônio genético um gene de medusa (Figura 25). O grande impacto gerado por
este novo experimento foi o de demonstrar que é possível realizar estes procedimentos
em animais próximos à espécie humana (FEIJÓ, 2005).
BIOSSEGURANÇA
51
Figura 25: Macaco Rhesus
Fonte: https://www.biodiversity4all.org/taxa/43460-Macaca-mulatta
Já existem linhagens de animais transgênicos produzidas para serem utilizados
em pesquisas laboratoriais. Esses animais podem desenvolver doenças humanas, tais
como: diferentes formas de tumores, diabetes, obesidade, distúrbios neurológicos,
entre outros.
Segundo Feijó (2005), outra possibilidade de utilização destes animais é na área
de xenotransplantes, um procedimento que envolve o transplante, infusão ou
implantação de órgãos de diferentes espécies. O processo de transplantação pode
acelerar o tratamento de diversos pacientes em filas de transplante no mundo todo(CARDOSO, 2008).
Uma linhagem de porcos transgênicos, porcos P33, também foram desenvolvidos
com sucesso, tendo uma alta taxa de compatibilidade com seres humanos. Em janeiro
de 1998 nasceram os primeiros porcos P33 com ambas características.
Os animais transgênicos também podem ser utilizados para a produção de
proteínas e outras substâncias, tais como hormônios. Em 1996, Wilmut e uma equipe de
cientistas do Instituto Roslin na Escócia clonaram uma ovelha adulta, batizada com o
nome de Dolly (FIGURA 26). Ela foi o primeiro clone de mamífero feito com sucesso a
partir de uma célula somática adulta, mas morreu seis anos depois, em decorrência de
uma doença pulmonar (CARDOSO, 2008).
Figura 26: Ovelha Dolly - primeira ovelha clonada
Fonte: https://www.folhape.com.br/noticias/primeiro-mamifero-clonado-dolly-completaria-hoje-25-
anos
BIOSSEGURANÇA
52
Muitos benefícios poderão surgir com a associação de ambas as técnicas, sendo
um dos principais a possibilidade de redução de tempo e custo na produção em série de
produtos biológicos. Porém, várias questões éticas podem ser levantadas sobre o
impacto da introdução de variantes genéticas artificialmente produzidas (FEIJÓ, 2005).
Legislação do uso de animais em laboratório
Uma das primeiras iniciativas para regulamentar atividades de pesquisa com
animais de laboratório no Brasil surgiu no governo provisório (1930 a 1934) de Getúlio
Vargas, em 10 de julho de 1934, com o Decreto nº. 24.645, que afirmava, no seu primeiro
artigo, que “todos os animais existentes no país são tutelados pelo Estado”
(DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO ANIMAL – UNESCO, 2004)
O decreto considerava como maus tratos aos animais “praticar ato de abuso ou
crueldade em qualquer animal”; “manter animais em lugares anti-higiênicos ou que lhes
impeçam a respiração, o movimento ou o descanso, ou os privem de ar ou luz”; “golpear,
ferir ou mutilar voluntariamente, qualquer órgão ou tecido de economia, exceto a
castração, só para animais domésticos, ou operações outras praticadas em benefício
exclusivo do animal e as exigidas para defesa do homem, ou no interesse da ciência”;
“não dar morte rápida, livre de sofrimentos prolongados, a todo animal cujo extermínio
seja necessário para consumo ou não”; “ministrar ensino a animais com maus tratos
físicos”.
De forma abrangente, o decreto tentava regulamentar o transporte, a caça, o
trabalho, a contenção e exposições de animais de grande porte em vários tipos de
atividades.
Em 1941, também em outro governo Vargas – no Estado Novo –, foi publicado o
Decreto Lei 3.688, que tratava das leis das contravenções penais.
No Capítulo VII – “Das Contravenções Relativas à Polícia de Costumes”, o subitem
“Crueldade contra animais”, no seu artigo 64, especificava “Tratar animal com crueldade
ou submetê-lo a trabalho excessivo:
Pena – prisão simples, de 10 (dez) dias a 1 (um) mês, ou multa [ênfase do autor].
§ 1º Na mesma pena incorre aquele que, embora para fins didáticos ou
científicos, realiza, em lugar público ou exposto ao público, experiência
dolorosa ou cruel em animal vivo”. Trinta e oito anos depois, em 8 de maio
de 1979, foi publicada a Lei 6.638 que estabelecia “normas para a prática
didático- científico da vivissecção de animais”. Princípios fundamentais
para a utilização de animais em pesquisas científicas foram ratificadas
nesta Lei, tais como:
Art. 1º – Fica permitida, em todo o território nacional, a vivissecção de
animais, nos termos desta Lei;
Art. 2º – Os biotérios e os centros de experiências e demonstrações com
animais vivos deverão ser registrados em Órgão competente e por ele
autorizados a funcionar;
BIOSSEGURANÇA
53
Art. 3º – A vivissecção não será permitida: sem o emprego de anestesia;
em centros de pesquisas e estudos não registrados em órgão
competente; sem a supervisão de técnico especializado;
3.2 BIOSSEGURANÇA NO PROCESSAMENTO DE ARTIGOS
Instituída em 19 de fevereiro de 2002 pelo Ministério da Saúde (MS), a Comissão de
Biossegurança em Saúde (CBS) tem como objetivo a implementação de ações
relacionada à biossegurança que propiciem o desenvolvimento de atividades com
segurança adequada para o profissional de saúde, o meio ambiente e a comunidade
(SANTOS, 2004).
Segundo Silva et al., (2014), define-se biossegurança como a condição de
segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir
ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana
animal, vegetal e o ambiente.
Nesse contexto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por meio da
Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 15, 15 de março de 2012, aprova o Regulamento
Técnico de Boas Práticas para o Processamento de Saúde, visando a segurança dos
pacientes e dos profissionais envolvidos, abrangendo os CME de todos os serviços de
saúde do Brasil e empresas envolvidas no processamento de produtos para a saúde.
Esse regulamento não se aplica a processamentos realizados em consultórios
odontológicos, consultórios individualizados não vinculados a serviços de saúde,
unidades de processamentos endoscópios, serviços de terapia renal substitutiva e
serviços de assistência veterinária (Resolução da diretoria colegiada- RDC Nº 15, 2012).
Resistência bacteriana x infecção hospitalar
Segundo a Portaria 2.616, de 12 de maio de 1998, do Ministério da Saúde, Infecção
Hospitalar “é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante
a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou
procedimentos hospitalares”. O Programa de Controle de Infecções Hospitalares deve
ser composto de ações mínimas que visem à redução máxima da incidência e gravidade
das infecções nos hospitais, condição fundamental para a segurança do paciente, em
especial no atual momento em que microrganismos resistentes a diferentes classes de
antimicrobianos emergem nos cenários de cuidado (QUEIROZ, 2012).
As bactérias multirresistentes distribuem-se no ambiente hospitalar e tornam-se
resistentes a alguns fármacos rapidamente nestes ambientes. Os pacientes que
necessitem de terapia antimicrobiana muitas vezes encontram-se imunodeprimidos, ou
são submetidos a procedimentos invasivos ou com patologias graves, o que facilita a
instalação do processo infeccioso (COELHO, 2011).
As infecções que ocorrem nas instalações e equipamentos hospitalares
apresentam preocupação à segurança dos pacientes em todo o mundo. Um estudo
europeu identificou como microrganismos de maior prevalência no ambiente hospitalar:
BIOSSEGURANÇA
54
Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Enterococcus spp., Pseudomonas aeruginosa,
Klebsiella spp., Staphylococcus coagulase negativa (ScoN), Candida spp., Clostridium
difficile, Enterobacter spp., Proteus spp. e Acinetobacter spp.
Em um hospital brasileiro foram identificados os microrganismos P. aeruginosa,
C. difficile, A. baumanni, Enterococcus spp. e Staphylococcus aureus presente em
superfícies como o leito, maçanetas, cadeiras, assentos sanitários, mesa, teclados de
computador, entre outros locais (QUEIROZ, 2012).
As mãos dos profissionais são os principais meios de difusão de microrganismos
durante a assistência oferecida aos pacientes por meio do contato direto ou indireto
com eles. Um estudo feito em Niterói verificou que 96% dos entrevistados sempre
realizavam a higienização das mãos entre um procedimento e outro, um dado positivo
para a prevenção e controle das infecções, porém uma realidade nem sempre observada
pelos profissionais. Alguns fatores são dificultadores, tais como o esquecimento, o
desconhecimento da sua importância, a distância da pia, a falta de tempo, entre outros,
situação que aumenta o valor da limpeza das superfícies (BRASIL, 2004).
Relacionado a esses fatores está a supercontaminação de bancadas de preparo
de medicamentos, considerando a quantidade de pessoas transitando e utilizando-a,
pela alta demandade trabalho em muitas unidades e decorrentes de inadequada
higienização das mãos e limpeza do ambiente. Em geral, as bancadas são de material
lavável e impermeável revestidas de mármore, granito ou fórmica. Um estudo
demonstrou que a prevalência das espécies bacterianas encontradas em bancadas de
mármore e fórmicas (laminada) foi de 15% S. haemoliticus, 15% P. aeruginosa e 70%
outros microrganismos, como fungos e outras bactérias, dados que demonstram que
esse mobiliário é uma fonte de infecção hospitalar (MOREIRA, 2002).
Classificação de produtos em relação ao risco de transmissão de doenças e
tipos de processo requerido
Produtos Críticos: artigos destinados a procedimentos invasivos na pele,
mucosas adjacentes, tecidos subepiteliais e sistema vascular, incluindo
produtos para a saúde diretamente conectados com esses sistemas. Por
exemplo: agulhas, cateteres intravenosos, trocânter, entre outros.
Produtos Semicríticos: artigos que entram em contato com a pele não
íntegra ou mucosas, cujo risco de transmissão de infecção é menor (menos
críticos). Por exemplo: material de terapia respiratória constituído de
circuitos de ventilação mecânica, ambus, névoas úmidas, cânulas
endotraqueais, lâminas de laringoscópio, equipamentos para anestesia,
endoscópios de fibra ótica flexível, entre outros. Preconiza-se como meio de
descontaminação seguro para esse grupo de produtos o processo de
desinfecção de alto nível.
BIOSSEGURANÇA
55
Essa classificação de autoria de Spaulding é adotada pelos serviços há mais de
trinta anos. Entretanto, nos últimos anos, em virtude do surgimento de microrganismos
multirresistentes e dos príons (proteínas de maior resistência quando comparadas aos
esporos), sofreu modificações, especificamente quanto aos produtos não críticos.
Devido ao risco de contaminação por bactérias multirresistentes, o processo de limpeza
foi acrescido ao processo de desinfecção (QUEIROZ, 2012).
3.3 BOAS PRÁTICAS NO LABORATÓRIO: MÉTODOS DE LIMPEZA,
DESINFECÇÃO E ESTERILIZAÇÃO DE MATERIAIS LABORATORIAIS E
HOSPITALARES
Limpeza de artigos
Segundo Fernandes e Gilio (2000), a limpeza dos materiais deve ser realizada de
forma minuciosa e segura, selecionando o método mais adequado para o material
utilizado, de acordo com as necessidades e recursos disponíveis na obra. Para esses
autores, existem dois tipos de limpeza: a manual e a mecânica, ambas importantes para
remover a sujeira.
a) Limpeza Manual
Portar EPI adequado, como:
∙ Luva grossa de borracha que não escorregue e preferencialmente de cano
longo, avental impermeável, botinas ou sapatos fechados e que sejam
resistentes a líquidos, gorro, máscara e óculos de segurança.
∙ Utilizar escovas não abrasivas.
∙ Efetuar a troca periódica das escovas, mantendo cerdas adequadas para a
função.
∙ Friccionar os artigos sob a água para evitar aerossóis de microrganismos.
∙ Utilizar água em abundância a fim de remover a sujidade e o detergente.
Produtos Não Críticos: artigos que entram em contato com a pele íntegra,
cuja natureza por si só é uma barreira aos microrganismos, não havendo
invasibilidade. Por exemplo: estetoscópio, termômetro, comadre, papagaio,
entre outros. O risco de transmissão de infecção é insignificante, assim,
recomenda-se o processo de limpeza e/ ou desinfecção.
∙ Utiliza a fricção, ou seja, a escovação com uso de substâncias de limpeza.
∙ Prioriza os materiais delicados que não podem ser submetidos aos métodos
de limpeza mecânica.
∙ Utiliza como medida inicial as soluções enzimáticas.
BIOSSEGURANÇA
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b) Limpeza mecânica
Segundo Hoefel e Konkewicz (2001), a limpeza é realizada através de
equipamentos, como: lavadora ultrassônica, lavadora esterilizadora, lavadora termo
desinfetadora, lavadora de descarga ou lavadora pasteurizadora.
Com objetivo de diminuir a chance de ocorrer acidentes com material biológico,
alguns cuidados devem ser observados, como:
3.5.3 Lavagem das mãos
A higienização correta das mãos depende de alguns fatores essenciais para
eficácia do processo, dentre elas a técnica empregada e a duração. Importante lembrar
que antes de iniciar o procedimento, é necessário retirar todas as bijuterias, como anéis,
pulseiras e relógios, pois tais objetos podem acumular microrganismos e inviabilizar a
técnica. De acordo com a ANVISA (2009), dependendo do objetivo ao qual se destinam,
as técnicas de higienização das mãos podem ser divididas em: higienização simples,
antisséptica e antissepsia cirúrgica, sendo esta última utilizada antes dos
procedimentos cirúrgicos.
a) Higienização simples
O objetivo desse procedimento é eliminar os agentes patogênicos que invadem a
camada superficial da pele, por meio do suor, da oleosidade e acúmulo de células mortas.
A duração dessa técnica deve respeitar o tempo de 40 a 60 segundos.
∙ Estar atento aos equipamentos para limpeza, pois há necessidade de cuidar
para não coagular proteínas com a utilização de altas temperaturas. Assim,
é importante a utilização de um jato de água fria antecedente à técnica.
∙ Utilizar a temperatura da água em torno de 43°C, a fim de prevenir a
coagulação de proteínas e auxiliar na remoção da sujeira.
∙ Verificar o tipo de água que será utilizada na máquina de limpeza mecânica,
pois a dureza da água pode alterar a vida útil dos equipamentos.
∙ Retirar todos os resíduos do detergente com a água.
∙ Realizar o último enxágue com água deionizada. É importante a inspeção
após o procedimento da limpeza mecânica, a fim de contribuir no
funcionamento do material e evitar infecções cruzadas. A vistoria dos
materiais pode ser realizada simplesmente através da inspeção visual e
manual.
BIOSSEGURANÇA
57
A técnica requer alguns cuidados para realizá-la, como:
b) Higienização antisséptica
Tem a finalidade de remover os microrganismos com a ajuda de um sabão ou
sabonete antisséptico, para que ocorra esse efeito, é necessário que a duração do
procedimento seja realizada entre 40 a 60 segundos. Deve-se sempre realizar a higiene
com sabonete antisséptico, que é diferente do sabonete comum. Essa técnica é igual a
utilizada para a higienização simples (Figura 27). O principal objetivo é de diminuir a carga
microbiana das mãos, conforme já abordado, entretanto, não objetiva a remoção de
sujidades. Caso haja preferência em substituir a higienização da água e sabão por outra
substância, o ideal é que seja utilizado álcool gel a 70% ou solução alcoólica a 70% com
1% a 3% de glicerina. Para efetivação desse procedimento, sua duração deve ser de 20 a
30 segundos.
Passos da utilização desta técnica:
∙ Ao se posicionar para lavar as mãos, não encoste na pia.
∙ Abra a torneira com a mão.
∙ A temperatura da água deve ser morna, não pode ser nem quente nem fria,
para não ressecar a pele.
∙ Utilizar a quantidade entre 3 a 5 ml de sabão líquido com ou sem germicida.
∙ Primeiro molhe as mãos, fazendo movimentos de fricção por pelo menos 15
segundos na palma da mão, entre os dedos e no dorso da mão.
∙ Enxaguar as mãos e enxugar com papel toalha descartável.
∙ Feche a torneira utilizando o papel toalha descartável e não encoste as mãos
na pia.
∙ Cobrir toda a palma das mãos com o produto.
∙ Esfregar as duas palmas das mãos.
∙ Friccionar a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda,
entrelaçando os dedos, e vice-versa.
∙ Esfregar a palma das mãos entre si, com os dedos entrelaçados.
∙ Friccionar o dorso dos dedos de uma mão com a palma da mão oposta,
segurando os dedos, e vice-versa.
∙ Friccionar o polegar direito com o auxílio da palma da mão esquerda,
realizando movimento circular, e vice-versa.
∙ Friccionar a parte digital interna e as unhas da mão esquerda contra a palma
da mão direita, fazendo um movimento circular, e vice-versa.
BIOSSEGURANÇA
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Figura 27: Técnica da Higienização das Mãos
Fonte: http://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php>
3.3.3Desinfecção
Desinfecção é um conjunto de operações com objetivo de eliminar os
microrganismos potencialmente patogênicos, com exceção de esporos bacterianos.
Nos hospitais e unidades de saúde, a desinfecção normalmente é realizada mergulhando
os objetos em soluções específicas para eliminar microrganismos. Os desinfetantes são
os produtos químicos que destroem os esporos, quando submersos por um longo
período, denominados de esterilizantes químicos (ANVISA, 2009).
O processo de destruição de microrganismos causadores de doenças em sua
forma vegetativa é definido como desinfecção. Esses agentes patogênicos podem ser
eliminados com a aplicação de agentes químicos e físicos.
Conforme Martins (2001), a flora encontrada na pele é responsável por 80% das
infecções hospitalares, sendo a maioria dos agentes etiológicos aqueles que convivem
harmonicamente em simbiose com o estado normal dos mecanismos de defesa do
hospedeiro. Assim, o termo desinfecção deverá ser entendido como um processo de
eliminação ou destruição de todos os microrganismos na forma vegetativa,
independentemente de serem patogênicos ou não.
É importante destacar que o termo microrganismo patogênico é caracterizado
pela capacidade patogênica de um microrganismo, medida pela mortalidade que ele
produz ou por seu poder de invadir tecidos do hospedeiro, como os que secretam
exotoxinas, liberam endotoxinas, formam cápsulas, entre outros. Ao contrário dos
agentes antibióticos, considerados substâncias que têm capacidade de interagir com
microrganismos unicelulares ou pluricelulares que causam infecções e que só
funcionam com determinadas espécies bacterianas, os desinfetantes são altamente
tóxicos para todos os tipos de células (MASTROENI, 2010).
∙ Esfregar os punhos sempre em movimentos circulares.
∙ Não utilizar papel toalha, mas friccionar até secar.
BIOSSEGURANÇA
59
A funcionalidade de uma substância é medida pela sua atuação, através da
concentração, tempo de exposição, pH, temperatura, natureza do microrganismo e
presença de matéria orgânica. Há vários métodos de esterilização, por exemplo:
esterilização por vapor úmido, óxido de etileno e esterilização por gás plasma de
peróxido de hidrogênio. Quando a esterilização é realizada de forma eficaz, o processo
garante um nível de segurança adequado para o uso do material médico.
Um exemplo de produto utilizado para desinfecção é o glutaraldeído. Essa solução
é uma das mais utilizadas nos últimos anos para tratamento de materiais
termossensíveis. Sua utilização é considerada segura, porém os materiais devem ser
lavados em água corrente e se necessário utilizado escovas para retirar primeiramente
a sujidade, para então posteriormente utilizar sua imersão nesta solução, a fim de o
material ser utilizado com segurança nos pacientes.
Um exemplo é a desinfecção do aparelho de endoscopia e broncoscopia, em que
pode ser utilizado o glutaraldeído, porém o risco da toxicidade desta substância é grande
para os profissionais que manipulam esses equipamentos, sendo necessário
obrigatoriamente o equipamento de proteção individual, como gorro, máscara, luvas e
avental. O glutaraldeído possui amplo e rápido espectro de atividade, considerável
desinfetante de alto e baixo nível, pois dependerá do tempo de exposição, com
consequente maior ou menor espectro de ação (BRASIL, 2006).
Ele é considerado um agente químico de grande toxicidade, pois é cancerígeno,
portanto, os profissionais devem adotar medidas de proteção para sua manipulação. A
atividade destruidora e inibitória do glutaraldeído é ocasionado por uma reação química
que elimina os microrganismos, alterando sua estrutura interna composta de ácidos
nucleicos e proteínas.
O glutaraldeído é um dialdeído, usado como esterilizante e desinfetante de artigos
críticos e semicríticos. Possui grande espectro de atividade contra bactérias, gram-
positivas e negativas, esporos bacterianos, fungos e vírus (MARTINS, 2001).
O glutaraldeído age nas camadas das células bacterianas e, dessa forma, não
permite a germinação dos esporos bacterianos, inibindo seu desenvolvimento,
impedindo a formação de grupos patológicos que provocam doenças. O mecanismo de
ação do glutaraldeído é baseado na ação destruidora, ou seja, quando causa a morte do
agente infeccioso, sejam bactérias, vírus, fungos ou esporos.
3.3.4 Esterilização
Definido como sendo o processo de destruição de toda e qualquer forma de vida
microbiana (vírus, bactérias, esporos, fungos, protozoários e helmintos), através da
utilização de agentes químicos ou físicos.
Conforme Oliveira et al. (2005), os métodos de esterilização permitem assegurar
níveis de esterilidade compatíveis às características exigidas em produtos
farmacêuticos, médico-hospitalares e alimentícios. O método escolhido depende da
BIOSSEGURANÇA
60
natureza e da carga microbiana inicialmente presente no item considerado. O calor, a
filtração, a radiação e o óxido de etileno podem ser citados como agentes esterilizantes.
Para Oliveira et al. (2005), são exemplos de esterilização os tratados a seguir.
∙ Esterilização por vapor
Esse método é o mais utilizado e o que oferece maior segurança ao meio
hospitalar, não é tóxico e tem um custo reduzido. Por esses motivos, deve ser usado para
todos os itens que não sejam sensíveis ao calor e à umidade. A esterilização a vapor é
realizada em autoclaves, cujo processo possui fases de remoção do ar, penetração do
vapor e secagem.
∙ Óxido de etileno
É quase que exclusivamente utilizado para esterilização de equipamento que não
pode ser autoclavado. É bem utilizado, apesar de ser um gás inflamável, explosivo e
carcinogênico, causando alteração do sistema nervoso central e no sistema reprodutor
tanto de homens quanto de mulheres. O benefício do processo depende da concentração
do gás, da temperatura, da umidade e do tempo de exposição. Já as desvantagens para
sua aplicação são o tempo necessário para concluir o processo, o custo operacional e os
riscos aos profissionais envolvidos.
∙ Esterilização por calor seco
Esse método é utilizado para aqueles materiais que não podem ser esterilizados
por vapor ou aqueles que suportam altas temperaturas e é reservado somente aos
materiais sensíveis ao calor úmido. Apresenta algumas vantagens, como a de não causar
corrosão dos metais e dos instrumentos cortantes, além de não desgastar vidrarias. É
um método que exige tempo de exposição para alcançar seus objetivos.
∙ Radiação ionizante
É um método de esterilização que utiliza a baixa temperatura. Portanto, pode ser
utilizado em materiais termossensíveis, apresentando um custo alto, necessita de uma
equipe capacitada, sendo que esta equipe necessita realizar controle médico periódico
para controle de sua saúde. Tem sido usado para tecidos destinados a transplantes,
drogas etc.
3.4 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DOS PROCESSOS DE
ESTERILIZAÇÃO DE MATERIAIS HOSPITALARES E LABORATORIAIS
3.4.1 Indicadores de Esterilização
Os Indicadores de esterilização são a maneira mais segura de monitoramento de
esterilização, pois sua tecnologia consiste na aplicação dos próprios esporos (bactérias
adormecidas e resistentes ao processo de esterilização a ser monitorado) impregnados
em tiras de papel (SOBECC, 2021).
BIOSSEGURANÇA
61
Os indicadores biológicos e químicos são produtos desenvolvidos para fazer parte
dos procedimentos de boas práticas exigidos e protocolados pela ANVISA. Sua utilização
é necessária para o monitoramento do processo de esterilização.
A esterilização é o método mais eficiente para a eliminação de vírus, bactérias,
esporos, fungos, protozoários e helmintos causadores de infecções, doenças e outros
males à saúde humana. Somente a esterilização garante a integridade do paciente
contra a vida microbiana prejudicial à saúde, tornando assim o processo de esterilização
e assuntos relacionados uma questão de extrema importância (BRASÍLIA, 2009).
Indicadores biológicose químicos são usados de forma diferente no processo de
esterilização e monitoramento. O monitoramento com indicador químico deverá ser
feito diariamente e o monitoramento com indicador biológico deverá ser feito no mínimo
semanalmente, ambos de acordo com a rotina definida pelo próprio CME (Centro de
Material e Esterilização). O monitoramento físico, disposto pelo próprio equipamento,
deverá ser realizado em 100% dos ciclos de esterilização (SOBECC, 2021).
∙ Indicadores biológicos: são preparações padronizadas de microrganismos,
numa concentração do inóculo em comprovadamente resistentes e específicos
para um particular processo de esterilização para demonstrar a efetividade do
processo.
Figura 28: Bacillus Stearothermophylus e incubadora
Fonte: SOBECC (2021)
∙ Indicadores Químicos: são produtos desenvolvidos para fazer parte dos
procedimentos de boas práticas exigidos e protocolados pela ANVISA. Sua
utilização é necessária para o monitoramento do processo de esterilização
(Figura 29).
1ª geração: tiras de papel com esporos microbianos, incubados em
laboratório de microbiologia com leitura em 2-7 dias.
2ª geração: auto-contidos com leitura em 24 a 48 horas.
3ª geração: autocontidos com leitura em 1 a 3 horas.
BIOSSEGURANÇA
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Figura 29: Indicadores Químicos utilizados antes do processo de esterilização
Fonte: SOBECC, 2021
3.5 NR 32 E EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVO
PARA OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE
Norma regulamentadora Nº 32
As primeiras normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho foram
publicadas em 1978, com base em leis de 1977, a respeito da segurança e da medicina do
trabalho, levando em consideração os riscos apresentados nos hospitais e os relatos de
trabalhadores da área (BRASIL, 2005).
Diante dessas primeiras demandas, alguns eventos foram propostos. Já na
década de 90, por representantes sindicais dos trabalhadores da área da saúde, para
discutir as circunstâncias de trabalho que envolviam o setor da saúde.
Essa Norma Regulamentadora - NR tem por finalidade estabelecer as diretrizes
básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos
trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de
promoção e assistência à saúde em geral.
Esta Norma Regulamentadora - NR tem por finalidade estabelecer as
diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à
segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem
como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à
saúde em geral.Para fins de aplicação desta NR entende-se por serviços
de saúde qualquer edificação destinada à prestação de assistência à
saúde da população, e todas as ações de promoção, recuperação,
AUTOCLAVE PRÉ-VÁCUO: teste de BOWIE & DICK + teste biológico e químico (classe 5/6).
Repetir 3 vezes com equipamento nas mesmas condições, após pré- aquecimento.
BIOSSEGURANÇA
63
assistência, pesquisa e ensino em saúde em qualquer nível de
complexidade (BRASIL, 2005, s.p).
A presença de muitos trabalhadores da área da saúde, por sua vez, elevou o nível
de relevância dos eventos, o que possibilitou o alcance das reivindicações ao Governo
Federal que, agregando ao longo do tempo algumas leis complementares, desenvolveu
um texto base, até a versão oficial da NR-32, publicada em 2005 (BRASIL, 2005).
A Norma Regulamentadora n° 32 é um aglomerado de princípios e diretrizes
assinalados para uma rotina segura nos serviços de saúde em geral, tendo como objetivo
resguardar os servidores dos diversos níveis da insegurança laboral apresentada nesse
ambiente de trabalho específico (BRASÍLIA, 2009).
Para o alcance desse objetivo, por sua vez, a Norma promove respostas possíveis
e atitudes padrão para que o servidor da saúde, no desenvolvimento de suas atividades
laborais diárias, não seja exposto a circunstâncias que possam colocar em risco a sua
vida.
Às prováveis situações nas quais os indivíduos entrariam em contato com
circunstâncias que colocariam em risco a sua vida, a Norma disponibiliza atitudes padrão
que facilitam o manuseio e os procedimentos de maneira mais segura, por parte dos
servidores (BRASÍLIA, 2005).
3.5.1 Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e coletivo (EPC)
Os eventuais riscos presentes no ambiente de trabalho podem ser evitados ou
minimizados pelo uso correto de EPI e EPC.
Equipamento de proteção individual – EPI
De acordo com a Norma Regulamentadora 06 do Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE), o EPI é um dispositivo de uso individual destinado a proteger dos riscos
que ameaçam a segurança e a saúde do trabalhador. Devem ser selecionados EPI de boa
qualidade que possuam certificados de aprovação pelo órgão nacional competente
(BRASIL, 1978).
Responsabilidades do empregador/instituição:
∙ Adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade;
∙ Exigir seu uso;
∙ Fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente
em matéria de segurança e saúde no trabalho;
∙ Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, a guarda e conservação;
∙ Substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado;
∙ Responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica;
∙ Registrar o seu fornecimento ao trabalhador.
BIOSSEGURANÇA
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Responsabilidades do trabalhador/usuário
∙ Usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina;
∙ Responsabilizar-se pela guarda e conservação;
∙ Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso;
∙ Cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado;
∙ Os EPI são classificados de acordo com a parte do corpo que protegem: cabeça,
tronco, membros superiores e inferiores.
Protetores para a cabeça
a) Protetores faciais
A utilização de protetores ou as máscaras faciais (face shield) (Figura 30) é
importante para proteção da face contra riscos de impactos (partículas sólidas, quentes
ou frias), produtos químicos (poeiras, líquidos e vapores) e radiações (raios infravermelho
e ultravioleta) (BRASIL,1978).
Oferecem uma proteção adicional à face do operador sem necessitar do uso de
óculos de segurança. Esses EPIs podem ser disponíveis em plástico, na forma de
propionatos, acetatos e policarbonatos simples ou revestidos com metais para a
absorção de radiações infravermelhas.
Figura 30: Protetor facial
Fonte: https://winner-industria.lojaintegrada.com.br/
b) Óculos de proteção
Os óculos de proteção ou de segurança oferecem proteção contra respingos de
agentes corrosivos, irritações e outras lesões oculares decorrentes da ação de produtos
químicos, radiações e partículas sólidas. Os óculos devem ser de boa qualidade para
proporcionar visão transparente, sem distorções e opacidade (Figura 31).
Para trabalhos que envolvam a luz UV, é necessária, além dos óculos de
segurança, a proteção de toda a face com protetores faciais (BRASIL,1978).
BIOSSEGURANÇA
65
Figura 31 - Óculos de proteção.
Fonte: https://www.calcadosparatrabalhar.com.br/
c) Protetores respiratórios
Os protetores ou as máscaras respiratórias confeccionadas em tecido ou fibra
sintética contêm filtros que protegem o aparelho respiratório (nariz e boca) contra
partículas suspensas no ar (aerossóis), gases e vapores orgânicos. Esses protetores
respiratórios são necessários para o manuseio de gases irritantes, como o cloreto de
hidrogênio, o dióxido de enxofre, a amônia e o formaldeído, os quais produzem
inflamação ao entrarem em contato com os tecidos.
Também se deve usar a máscara no caso de gases anestésicos, como éter e
grande parte de solventes orgânicos. As máscaras respiratórias N95 ou PFF2
demonstram 95 e 94% de eficiência, respectivamente, possuindo filtros eficientes para
retenção de partículas maiores que 0,3 μm, vapores tóxicos e contaminantes presentes
na atmosfera sob a forma de aerossóis (Figura 32) (BRASIL, 1978).
Figura 32- A – Máscara cirúrgica, B – Máscara PFF2com válvula, C – Máscara N95, D – Máscara contra
gases tóxicos
Fonte: https://www.equivale.com.br/
Os seguintes cuidados devem ser seguidos quando as máscaras respiratórias
forem utilizadas:
∙ Colocar a máscara cuidadosamente para cobrir a boca e o nariz, e ajustar com
segurança para minimizar os espaços entre a face e a máscara;
∙ Enquanto estiver em uso, evite tocar na parte da frente da máscara. Se
porventura tocar essa parte, realize imediatamente a higiene das mãos;
∙ Remova a máscara usando a técnica apropriada (ou seja, não toque na frente da
máscara, que pode estar contaminada, mas remova sempre pelas tiras
laterais);
A B C D
BIOSSEGURANÇA
66
∙ Após a remoção ou sempre que tocar inadvertidamente em uma máscara
usada, deve- se realizar a higiene das mãos;
∙ Substituir a máscara por uma nova máscara limpa e seca assim que a antiga se
tornar suja ou úmida; ou seguir as recomendações do fabricante;
∙ Não reutilize máscaras descartáveis;
∙ Nunca se deve tentar realizar a limpeza da máscara cirúrgica já utilizada com
nenhum tipo de produto. As máscaras cirúrgicas são descartáveis e não podem
ser limpas ou desinfectadas para uso posterior e, quando úmidas, perdem a sua
capacidade de filtração.
d) Proteção auricular
A proteção auricular visa proteger os ouvidos contra níveis elevados de ruídos que
são regidos pela Norma ABNT NBR n° 10.152, que estabelece limite de 60 decibéis para
uma condição de conforto durante a jornada de trabalho. Os protetores auriculares
podem ser do tipo concha, com protetores externos ou de inserção, e/ou descartáveis
(Figura 33) (BRASIL,1978).
Figura 33: Tipos de Protetor Auricular
Fonte: https://shop14920.etjrdc.org/
e) Toucas ou gorros
A utilização de touca/gorro está indicada para a proteção dos cabelos e cabeça
em procedimentos que podem gerar aerossóis ou evitar contaminação pelo cabelo em
um ambiente estéril. Deve ser de material descartável (Ex.: TNT) (Figura 34) e removido
após o uso. O seu descarte deve ser realizado como resíduo infectante (BRASIL,1978).
Figura 34 - Touca descartável de TNT com elástico
Fonte: https://www.perfectcosmeticos.com.br/
BIOSSEGURANÇA
67
Protetores para o tronco
a) Jalecos ou aventais
O jaleco ou avental protege as roupas e o corpo do trabalhador contra borrifos
químicos ou biológicos e ainda fornece proteção adicional ao corpo. Os aventais devem
ser o menos inflamável possível, pois sempre existe o risco de incêndio em um
laboratório. Materiais que contenham a mistura poliéster-algodão são inflamáveis e
derretem sobre a pele quando em contato com uma fonte de calor ou algum agente
corrosivo. A melhor opção são os aventais de algodão puro, um material não reativo a
produtos químicos e menos inflamáveis. Eles devem ter comprimento abaixo dos
joelhos; mangas longas e sistema de fechamento nos punhos por elástico ou sanfona;
fechamento até a altura do pescoço; fechamento frontal, com botões,
preferencialmente de pressão (Figura 35) (BRASIL,1978).
Figura 35 - A – Jaleco TNT; B - Jaleco de algodão
Fonte: https://www.ateliekimie.com.br/
Proteção dos membros superiores (mãos e braços)
a) Luvas
As operações manuais são umas das principais fontes de acidentes em
laboratório e hospitais. As luvas fornecem elevado grau de proteção contra riscos
biológicos e físicos, queimaduras químicas e choques elétricos.
Principais operações onde é necessário o uso de luva de proteção:
∙ Operação com vidrarias;
∙ Montagem e manutenção de equipamentos;
∙ Manipulação de solventes e reagentes químicos;
∙ Manipulação de culturas microbianas;
∙ Operações com temperaturas elevadas (fornos e mufla);
∙ Operações criogênicas;
∙ Manipulação de materiais biológicos, sangue, tecidos infectados;
∙ Operação com animais.
B A
BIOSSEGURANÇA
68
As luvas de proteção precisam apresentar algumas características: ser de
material resistente, ter baixa permeabilidade e boa flexibilidade, além de compatíveis
com as substâncias que serão manuseadas. Para a manipulação de material biológico
são recomendadas luvas de látex, vinil ou nitrilo. Durante o trabalho com materiais em
altas ou baixas temperaturas é indicado a utilização de luvas com revestimento de
material isolante ao calor (Nylon, kevlar, PVC com forro de algodão). Materiais de luvas
recomendados para o manuseio de substâncias químicas são: borracha natural,
neoprene, cloreto de polivinila (PVC) e acetato de polivinila (PVA) (Figura 33)
(BRASIL,1978).
Figura 36 – A - Luva térmica; B - Luva de nitrilo. C - Luva de látex.
Fonte: https://www.superepi.com.br/luva
Proteção dos membros inferiores (pés e pernas)
a) Calçados fechados
A utilização de calçados fechados protege os pés e pernas do trabalhador de
impactos, perfurações, queimaduras, choques, substâncias químicas, calor e frio,
material biológico, perigos elétricos e impactos de objetos pesados. A Norma
Regulamentadora n.º 32 do Ministério do Trabalho e Emprego, que dispõe sobre a
segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, estabelece que o empregador deve
vedar o uso de calçados abertos pelo trabalhador. O calçado fechado deve ser compatível
com o tipo de atividade desenvolvida e é recomendável o uso de calçados com solado
antiderrapante (BRASIL,1978).
Os propés são sapatilhas esterilizadas que constituem barreiras contra micro-
organismos carreados pela sola do sapato e muito utilizados em ambientes estéreis
(Figura 37).
Figura 37 – A – Propés B - Sapato fechado
Fonte: https://www.vianetcompras.com.br/
A B C
A B
BIOSSEGURANÇA
69
Equipamentos de proteção coletiva – EPC
a) Chuveiro de emergência
Os chuveiros de emergência fornecem uma ducha de água que é imprescindível
na eliminação de substâncias químicas corrosivas ou inflamáveis de todo o corpo da
pessoa atingida. Possui uma alça de acionamento compatível com indivíduos de baixa
estatura. Deve ser instalado em local estratégico que permita o acesso rápido e fácil de
qualquer área do laboratório. O chuveiro deve passar por manutenções periódicas para
garantir a sua utilização em qualquer momento (Figura 38) (BRASIL,1978).
Figura 38: Chuveiro de emergência
Fonte: https://braslab.com.br/
b) Lava olhos
O lava olhos é um dispositivo essencial para minimizar ou eliminar acidentes com
substâncias nocivas que envolvam a face e os olhos. Deve ser de fácil acionamento e seu
acesso deve estar livre. O acionamento pode ser realizado mecanicamente com a mão
ou o pé. É utilizada uma pressão média de água no dispositivo para auxiliar a retirada da
substância do tecido ocular. Pode ser acoplado a um chuveiro de emergência ou ser do
tipo frasco de lavagem ocular (Figura 39) (BRASIL,1978).
Figura 39: Diversos tipos de lava olhos.
Fonte: https://prometalepis.com.br/
BIOSSEGURANÇA
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c) Cabine de segurança Química
A cabine de segurança química, também chamada de capela, é um EPC
indispensável em laboratório que realiza a manipulação de substâncias químicas que
liberam vapores e gases tóxicos, irritantes, corrosivos etc. Deve ser construída com
material interno resistente aos produtos que irão ser manipulados e projetada de
maneira a conduzir os vapores para parte externa da instalação através de um sistema
de exaustão. Além disso, deve possuir janelas em número e tamanho adequado para os
usuários e ao tipo de operação (Figura 40) (BRASIL,1978).
Figura 40 - Cabine de segurança química.
Fonte: https://www.sotelab.com.br/
d) Cabine de Segurança Biológica
As Cabines de Segurança Biológica (CSB) são o principal EPC utilizado para
proteger contra aerossóis que contêm agentes infecciosos originados de vários
procedimentos microbiológicos, para limitar a exposição do laboratorista e do ambiente,
e, ainda, para proteger o experimento de contaminações originadas do ar (Figura 39). A
CSB é um sistema eletromecânico em que uma massa de ar ultrafiltrada, por meiode
filtros absolutos high efficiency particulate air (HEPA), move-se em sentido unidirecional,
a baixas velocidades, criando um ambiente estéril e removendo a contaminação gerada
no ambiente (BRASIL,1978).
É importante a desinfecção da CSB (álcool 70%) antes e após sua utilização,
principalmente quando acontecer manipulação de amostras biológicas.
BIOSSEGURANÇA
71
As Cabines de Segurança Biológica estão divididas em:
Figura 41 - Cabine de segurança biológica classe II (A) e classe III (B)
Fonte: https://www.sotelab.com.br/
e) Equipamentos de Proteção contra Incêndios
A prevenção e o combate a um incêndio são medidas que garantem a preservação
da vida e diminuição dos danos materiais no local de trabalho. Todo
laboratório/instituição deve ter um plano de emergência para combate ao fogo e
instruções para evacuação de emergência do local que seja de conhecimento de todos.
As medidas imediatas que devem ser tomadas consistem no uso de mantas contra fogo
ou de extintores adequados (Figura 42), sempre se lembrando da possibilidade de
evacuar o prédio (BRASIL,1978).
Existem vários métodos para extinção do fogo que consistem em resfriamento
(redução do calor gerado pela combustão); isolamento (afastamento do material que
pode ser atingido pelo fogo) e abafamento (retirada do oxigênio da reação de
combustão). Os equipamentos de segurança requerem verificações regulares para
assegurar que estejam em locais apropriados, bem sinalizados e funcionando
adequadamente. Incêndios de pequenas proporções, na maioria das vezes, podem ser
combatidos por pessoas que trabalham no próprio local. De qualquer modo, é necessário
que o profissional responsável pelo local seja informado e também a equipe de combate
ao fogo (BRASILIA, 2009).
Classe I: essa classe de cabine utiliza um filtro de ar HEPA que filtra o ar que
passa pela área de trabalho e é conduzido para o meio externo pelo sistema
de exaustão.
Classe II: utilizam fluxo de ar laminar com uma abertura frontal para o acesso
à área de trabalho e para a introdução e a remoção de materiais. As
contaminações provenientes do ambiente de trabalho são impedidas de
entrar na cabine devido a uma cortina de ar.
Classe III: utilizadas em procedimentos que possuem um alto grau de risco.
São cabines fechadas, com pressão negativa e que isolam o trabalhador do
material utilizado por ele. A manipulação do material no interior da cabine é
realizada por meio de aberturas com luvas de borracha, garantindo um
perfeito isolamento do material manipulado.
A B
BIOSSEGURANÇA
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Figura 42 - A – Manta para fogo; B - Extintor e abrigo de hidrante.
Fonte: https://www.sotelab.com.br/
A seguir, podemos visualizar as classes de fogo, bem como a identificação dos
tipos de extintores e sua correta utilização (Figura 43).
Figura 43 - Identificação dos tipos de extintores de incêndio e a utilização correta para o material
combustível
Fonte: https://www.escolaengenharia.com.br/tipos-de-extintores/
Classe A: São materiais de fácil combustão, queimam tanto na superfície
como em profundidade deixando resíduos. Ex.: papel, madeira.
Classe B: Produtos (gases e líquidos inflamáveis) que queimam somente na
superfície. Ex.: gasolina, óleo.
Classe C: Ocorre em equipamentos elétricos energizados. Ex.: motores,
transformadores, quadros de distribuição.
Classe D: Ocorre em materiais pirofórico. Ex.: magnésio, pó de alumínio.
Figura 43 - Identificação dos tipos de extintores de incêndio e a utilização
correta para o material combustível. Dependendo das proporções do
incêndio, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado através do número 193.
BIOSSEGURANÇA
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f) Caixa descartável para perfurocortantes
Utilizada para descarte de resíduos perfurocortantes ou escarificantes (GRUPO
E), tais como agulhas, escalpes, lâminas de bisturi, lancetas, lâminas e lamínulas, tubos
capilares e todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório. Segundo a RDC n° 222
da ANVISA, esses resíduos perfurocortantes devem ser descartados em recipientes
identificados, rígidos (papelão ou plástico), providos com tampa, resistentes à punctura,
ruptura e vazamento (Figura 44). Esses dispositivos são substituídos quando seu nível de
preenchimento atingir 3/4 da capacidade ou de acordo com as instruções do fabricante.
É proibido o esvaziamento manual e seu reaproveitamento (ANVISA, 2018).
Figura 44 – Caixas descartáveis para perfurocortantes.
Fonte: ANVISA (2018)
BIOSSEGURANÇA
74
UNIDADE IV
BIOSSEGURANÇA
75
GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE:
NORMAS REGULAMENTADORAS E APLICAÇÕES
4.1 GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE:
LEGISLAÇÃO
O gerenciamento dos RSS constitui-se em um conjunto de procedimentos de
gestão, planejados e implementados a partir de bases científicas e técnicas, normativas
e legais, com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e proporcionar aos resíduos
gerados um encaminhamento seguro, de forma eficiente, visando à proteção dos
trabalhadores, à preservação da saúde pública, dos recursos naturais e do meio
ambiente (ANVISA, 2006).
O PGRSS, quando elaborado, deve ser compatível com as normas locais relativas
à coleta, transporte e disposição final dos resíduos gerados nos serviços de saúde,
estabelecidas pelos órgãos locais responsáveis pelas etapas. De acordo com Zamoner
(2008), um programa eficiente de gerenciamento dos resíduos infectocontagiosos
gerados nos estabelecimentos de saúde objetiva promover a melhoria das condições de
saúde pública, através da proteção do meio ambiente.
Um sistema adequado de manejo dos resíduos em um estabelecimento de saúde
permitirá controlar e reduzir com segurança e economia os riscos para a saúde
associados a esses resíduos (BRASIL, 1997).
Segundo Zamoner (2008), o gerenciamento adequado desses resíduos é de
extrema importância, favorecendo tanto a segurança de profissionais de saúde e a
comunidade, quanto a preservação ambiental. Para Salomão, Trevizan e Günther (2004),
o gerenciamento dos RSS é considerado como as diferentes etapas por que passam os
resíduos, desde sua geração até sua disposição final. Pode ser dividido em
gerenciamento interno e gerenciamento externo, este último envolvendo a coleta,
transporte e destinação final.
A ANVISA (2006) define o Gerenciamento dos RSS como um conjunto de
procedimentos de gestão, planejados e implementados a partir de bases científicas e
técnicas, normativas e legais, com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e
proporcionar aos resíduos gerados um encaminhamento seguro, de forma eficiente,
visando à proteção dos trabalhadores, à preservação da saúde pública dos recursos
naturais e do meio ambiente.
Cabe ressaltar que todo esforço para promover um papel ativo e contínuo na
melhoria do gerenciamento dos RSS acaba por possibilitar uma maior segurança no
manejo e, ao mesmo tempo, proporciona melhor organização dos serviços prestados.
Uma correta técnica de gerenciamento pode reduzir o custo da disposição, enquanto
mantém a qualidade dos cuidados ao paciente e a segurança dos trabalhadores (NERY e
NAVARRO, 2012).
BIOSSEGURANÇA
76
O gerenciamento deve abranger todas as etapas de planejamento dos recursos
físicos, dos recursos materiais e da capacitação dos recursos humanos envolvidos no
manejo dos RSS, possibilitando que se estabeleça de forma sistemática e integrada, em
cada uma delas, metas, programas, sistemas organizacionais e tecnologias, compatíveis
com a realidade local (BRASIL, 2006).
Na prática, os modelos de gerenciar e fiscalizar o “caminho” dos resíduos no Brasil
depende de muitos fatores, como a realidade econômica, interesse das autoridades
locais (políticas, sanitárias e jurídicas) e ao nível de conhecimento e consciência sobre
os riscos desses resíduos (SERAPHIM, 2010).
Um grande obstáculo paraas ações de gerenciamento dos RSS é que não
há uma correta classificação destes resíduos, a qual requer a aplicação
e o cuidado de todos, desde o médico e a enfermeira, que são geradores
de resíduos ao utilizar equipamentos e materiais descartáveis; o pessoal
de limpeza, que se encarrega de colocar sacos plásticos, recipientes
limpos e coletar o lixo; os mecânicos e técnicos, que dão manutenção
nos meios de transportes e nos equipamentos; até os encarregados do
transporte externo e da planta de tratamento. Se algum destes
empregados se descuida ou não dá a devida importância à sua tarefa,
altera-se o bom funcionamento do sistema e se agravam os riscos
(BRASIL, 2001, s.p).
É importante e imprescindível o gerenciamento adequado desses resíduos, e isso
requer não apenas a organização e sistematização dessas fontes geradoras, mas,
principalmente, a busca da consciência humana e coletiva dos profissionais que atuam
nesses ambientes (SERAPHIM, 2010).
4.2 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE
Segundo Zamoner (2008), consideram-se resíduos de serviços de saúde todos
aqueles que resultam de atividades exercidas no serviço que têm relação com o
atendimento de saúde, tanto humana quanto animal, o que inclui serviços de
atendimento domiciliar, laboratórios analíticos de produtos para saúde, necrotérios,
funerárias, drogarias e farmácias (incluindo as de manipulação), unidades móveis de
atendimento à saúde, centro de controle de zoonoses, serviços de acupuntura,
tatuagens e outros similares.
Uma classificação adequada dos resíduos gerados em um estabelecimento de
saúde permite que seu manuseio seja eficiente, econômico e seguro. A classificação
facilita uma segregação apropriada dos resíduos, reduzindo riscos sanitários e gastos no
seu manuseio, já que os sistemas mais seguros e dispendiosos destinar-se-ão apenas à
fração de resíduos que os requeiram e não para todos (BRASIL, 1997).
O gerenciamento inadequado de resíduos de serviços de saúde produzidos
diariamente, aliado ao aumento significativo de sua produção, vem agravando os riscos
à saúde da população. Cada responsável por seu estabelecimento gerador destes
BIOSSEGURANÇA
77
resíduos deve implementar o PGRSS. Cabe às secretarias municipais de Saúde e Meio
Ambiente a principal responsabilidade por orientar e monitorar a construção e a
sustentação dos PGRSS (ZAMONER, 2008).
4.2.1 Classificação dos resíduos
A classificação dos RSS, estabelecida nas Resoluções do CONAMA n° 5/93 e n°
283/0, com base na composição e características biológicas, físicas, químicas e inertes,
tem como finalidade propiciar o adequado gerenciamento desses resíduos no âmbito
interno e externo dos estabelecimentos de saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
O Ministério da Saúde (2001) aduz que a classificação subsidia a elaboração do
Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde, contemplando os aspectos
desde a geração, segregação, identificação, acondicionamento, coleta interna,
transporte interno, armazenamento, tratamento, coleta externa, transporte externo e
disposição final, até o Programa de Reciclagem de Resíduos. Portanto, os RSS estão
classificados em quatro grandes grupos distintos.
Conforme Naime et al. (2004), as regulamentações são atualizadas
constantemente e atualmente a ANVISA, através da RDC 306/2004, e Resolução
CONAMA 358/2005, consideram resíduos de serviço de saúde os que são originados por
estabelecimentos relacionados com o atendimento à saúde humana ou animal.
A classificação ajuda a identificar o resíduo que pode ser recuperado, como
também aqueles que poderão seguir sua trajetória para o tratamento e/ou disposição
final. Cada estabelecimento deve procurar, na legislação vigente e nos conhecimentos
já desenvolvidos, subsídios para a definição de critérios para a classificação dos RSS.
Conforme Schneider (2004), veremos a classificação dos RSS referente à
Resolução CONAMA nº 358/05 e da RDC ANVISA nº 306/04 (SCHNEIDER, 2004).
GRUPO A
São caracterizados como resíduos perigosos, pois sinalizam um risco potencial à
saúde da população, como infecções causadas por bactérias e também ao meio
ambiente, devido à presença de agentes biológicos. Os resíduos desse grupo devem ser
acondicionados em saco plástico branco leitoso, resistente, impermeável, de acordo
com a NBR 9190 – Classificação de Sacos Plásticos para Acondicionamento de Lixo,
devidamente identificado com rótulo de fundo branco, desenho e contorno preto,
contendo o símbolo universal de substância infectante (Figura 43), baseado na Norma da
GRUPO A – Resíduos com risco biológico;
GRUPO B – Resíduos com risco químico;
GRUPO C – Rejeitos radioativos;
GRUPO D – Resíduos comuns.
BIOSSEGURANÇA
78
ABNT, NBR 7500 Símbolos de Risco e Manuseio para o Transporte e Armazenamento de
Materiais. Sugere-se a inscrição Risco Biológico (SCHNEIDER, 2004).
Os sacos plásticos devem ser acomodados no interior de contenedores (cestos
de lixo) na cor branca, com tampa e pedal devidamente identificados com rótulo de fundo
branco, desenho e contorno preto, contendo o símbolo universal de substância
infectante, baseado na Norma da ABNT, NBR 7500 – Símbolos de Risco e Manuseio para
o Transporte e Armazenamento de Materiais e a inscrição Risco Biológico. Algumas
categorias de resíduos com risco biológico merecem cuidados especiais no
acondicionamento. É importante manejar em separado os resíduos anatômicos, que
deverão receber uma etiqueta com símbolo universal de substância infectante e com as
inscrições Risco Biológico e Peça Anatômica (Resolução RDC nº 306/04 da ANVISA).
Figura 45: Símbolo de Lixo Infectante
Fonte: Resolução RDC nº 306/04 da ANVISA e Resolução CONAMA nº 358/05
GRUPO B
Composto por resíduos que apresentam risco potencial à saúde pública e ao meio
ambiente, devido às suas características químicas, tais como: corrosividade,
reatividade, inflamabilidade, toxicidade, citogenicidade e explosividade (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2001).
Principais componentes desse grupo:
∙ Produtos hormonais, antimicrobianos (medicamento para combater micro-
organismos), antineoplásicos (medicamentos contra o câncer),
imunossupressores (medicamentos para aumentar a imunidade), digitálicos
(medicamentos para o coração); antirretrovirais (medicamentos para
soropositivos), quando descartados por serviços de saúde, farmácias,
distribuidores de medicamentos.
∙ Resíduos de saneantes, desinfetantes, desinfestantes.
∙ Agentes tóxicos, corrosivos, inflamáveis e reativos.
Esses resíduos devem ser dispostos em saco plástico branco leitoso, identificado
como “Perfurante” e o símbolo universal de substância tóxica, e ainda sugere-se a
inscrição “Risco Químico” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
BIOSSEGURANÇA
79
Conforme o Ministério da Saúde (2001), os resíduos deste grupo devem ser
acomodados em sacos brancos leitosos e identificados com o símbolo de substância
tóxica (Figura 46), além de conter “Risco Químico” e “Quimioterápico” e não podem ser
misturados com outros resíduos químicos.
Cuidados que devem-se levar em consideração, como:
∙ Obrigatoriamente acomodar os resíduos sólidos e líquidos em separado;
∙ proibido jogá-los no sistema de coleta de águas residuárias;
∙ Proibido misturar materiais incompatíveis no mesmo recipiente nem no mesmo
saco plástico;
∙ Utilizar no máximo 90% da capacidade do recipiente;
∙ Proibido colocar químicos corrosivos ou reativos em latas de metal.
Figura 46: Símbolo lixo químico
Fonte: Resolução RDC nº 306/04 da ANVISA e Resolução CONAMA nº 358/05
GRUPO C
Rejeito radioativo é qualquer tipo de material resultante de atividades humanas
que contenham radionuclídeos acima dos limites preconizados na norma da Comissão
Nacional de Energia Nuclear (NEN), sendo proibida sua reutilização. Nesse grupo, estão
inseridosabordagens em Biossegurança nos dá uma
noção da amplitude dessa área de conhecimento tão essencial a diversas outras áreas
relacionadas à saúde ambiental e da população.
1.1.1 Origem da Biossegurança
Conforme Garcia (2008), a biossegurança praticada tem suas origens diretamente
relacionadas às questões da proteção social e ocupacional dos trabalhadores.
Passaremos a fazer uma breve revisão de documentos históricos sobre a segurança e
saúde no trabalho.
O grego Hipócrates, considerado o pai das profissões da saúde, 400 anos antes
de Cristo, descreveu nos seus escritos a existência de doenças entre mineiros e
metalúrgicos.
Plínio, o velho, de origem romana e naturalista, nos anos 20 da era cristã
descreveu diversas doenças do pulmão e envenenamento, oriundos do manuseio de
enxofre e zinco. Segundo ele, os fundidores envolviam as faces com bexigas de animais,
para não inalar as poeiras fatais.
∙ Galeno, médico romano, no século II, descreveu várias doenças profissionais
entre trabalhadores das ilhas do Mediterrâneo.
∙ Georgius Agrícola, também conhecido como George Bauer, é considerado o
fundador da geologia, nasceu na Saxônia, atual Alemanha. Publicou, em 1556, o
livro “De Re Metallica”, sobre a natureza dos metais, em que descreve problemas
relacionados ao manuseio profissional da prata e do ouro.
∙ Paracelso, nascido na Suíça, foi talvez o primeiro crítico da alquimia tradicional,
tanto em seus aspectos filosóficos, como em seus fins práticos. O nome
original era Aurélio Felipe Teofrasto Bombast Hohenheim, mas ficou conhecido
por Paracelso, que resulta da tradução do seu sobrenome, que significa
aproximadamente “lugar elevado”. Em 1697, descreveu inúmeras relações entre
processos de trabalho, substâncias químicas e doenças. Foi considerado o pai
da toxicologia.
∙ Bernardino Ramazzini (1663-1714), considerado o pai da Medicina do Trabalho,
em 1700, realizou vários estudos sobre relações de trabalho e doença, e que
foram descritos na sua obra clássica “As doenças dos trabalhadores”.
BIOSSEGURANÇA
8
1.2 NORMAS E LEGISLAÇÃO DE BIOSSEGURANÇA BRASILEIRA E
INTERNACIONAL
No Brasil, muito recentemente os legisladores se voltaram para a questão,
cientes da riqueza da biodiversidade nacional e dos impactos sobre o meio ambiente, a
saúde humana e a economia (BRASIL, 2002).
A legislação brasileira segue o padrão internacional, embora não contemple um
glossário amplo explicativo de termos técnicos envolvidos na temática. Por outro lado,
apresenta boas práticas para a manipulação de produtos OGMs (Figura 3), conforme se
pode constatar nas diversas instruções normativas em uso pelo órgão competente – a
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) (ARAÚJO,2009).
Figura 3: Boas práticas para a manipulação de produtos OGMs
Fonte: Araújo (2009).
Tais normas estão centradas na segurança das técnicas utilizadas, dos
recipientes, do material empregado, da localização dos laboratórios e do próprio objeto
pesquisado (GASPARINI, 2010).
A preocupação com os impactos sociais é refletida na possibilidade de realização
de audiências públicas com o intuito de informar, colher informações e opiniões técnico-
científicas e observar os reflexos sobre o consumidor do uso do produto e seus efeitos
nas práticas agrícolas, na economia local, regional e nacional. Na Comunidade Europeia
o mesmo se dá com a realização de consultas a grupos específicos ou mesmo ao público
em geral sobre a introdução de um OGM no meio ambiente (ARAÚJO, 2009).
Conforme visto, a legislação brasileira é mais avançada do que a estrangeira, na
medida em que a análise da biossegurança compreende aspectos técnicos, que não se
limita à ocorrência de riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Sua preocupação e
abrangência vão além, com o intuito de alcançar questões relativas aos impactos sobre
a economia, o modo de produção, a preservação da cultura indígena, dos ribeirinhos, dos
quilombolas, dos pescadores, entre outros (ROSENVALD, 2007).
BIOSSEGURANÇA
9
Com a democratização da pesquisa e da produção, sem prejuízo da proteção dos
conhecimentos e técnicas tradicionais, regulamentada na Lei de Patentes e na Lei de
Propriedade Industrial, houve o aumento da preocupação com a conservação ambiental,
com o desenvolvimento internacional e com o bem-estar das comunidades locais e dos
povos indígenas; e com o surgimento de novos organismos vivos manipulados pela
engenharia genética e de produtos derivados e destinados ao consumo humano
(ARAÚJO, 2009).
Varella (1999), descreve que, os aspectos éticos das decisões tomadas serão
aprimorados e próximos da realidade social, além de que tal prática certamente irá
proporcionar maior tranquilidade à população, minimizando as más interpretações, bem
como a avaliação errônea das pesquisas e dos produtos gerados.
A atual lei de biossegurança brasileira – Lei n. 11.105, de 24 de março de 2005 –,
regulamenta os incisos II e V do § 1º do art. 225 da Constituição Federal de 1988,
estabelece que:
Normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre a construção,
o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a transferência, a
importação, a exportação, o armazenamento, a pesquisa, a
comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte
de organismos geneticamente modificados (OGMs) e seus derivados,
tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de
biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana,
animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a
proteção do meio ambiente (BRASIL, 2005, s.p).
A Lei n. 11.105/2005, no art. 8º, II, estabeleceu a competência do Conselho
Nacional de Biossegurança (CNBS), vinculado à Presidência da República, órgão
de assessoramento superior do Presidente da República para a formulação e
implementação da Política Nacional de Biossegurança (PNB), para analisar, a pedido da
CTNBio, quanto aos aspectos da conveniência e oportunidade socioeconômicas e do
interesse nacional, os pedidos de liberação para uso comercial de OGM e seus derivados
(BRASIL, 2005).
Essa lei contempla o sistema de biossegurança nacional a partir da incerteza dos
riscos que a evolução da biotecnologia demonstrou no curso dos últimos trinta anos,
levando em consideração os interesses econômicos, políticos, científicos e sociais.
Também considera a imprevisibilidade dos efeitos para a saúde humana, a agricultura e
a biodiversidade no país e no planeta, e institui como instrumentos de salvaguarda
desses interesses a avaliação de risco, o estudo de impacto ambiental e o licenciamento
ambiental.
O princípio da precaução estabelecido na Constituição Federal e em Tratados
Internacionais incorporados à legislação brasileira é o alicerce fundamental de todo o
sistema de proteção da biossegurança.
BIOSSEGURANÇA
10
As discussões mais recentes têm-se deslocado para as questões novas
apresentadas pela produção agrícola em grande escala, a partir de variedades vegetais
derivadas de plantas transgênicas, atividade que começa nos Estados Unidos (Union of
Concerned Scientists,1994). Como resultado das “plantações transgênicas” teremos
“alimentos transgênicos”, outra atividade econômica que já começa a ser regulamentada
(Word Health Organization, 1971; OECD, 1993).
Valle, Nodari e Guerra (2003), na análise da Conferência de Asilomar ocorrida nos
Estados Unidos em 1975, apontam que decorridos 25 anos de sua realização, a principal
conclusão foi a de que não seria apropriado deixar ao encargo apenas de cientistas a
responsabilidade pela análise de riscos, bem como pela necessidade de inclusão das
questões éticas e dos impactos econômicos nessas análises.
Estudos da Comunidade Europeia de 1994 já apontavam a necessidade de
desenvolver mecanismos específicos sobre aspectos socioeconômicos e éticos e a
manutenção de boas informações ao público como chave para o alcance do diálogo e a
aceitação social dos OGMs.
Martinos rejeitos provenientes de laboratórios, serviços de medicina nuclear e
radioterapia. Dessa forma, podemos citar: luvas, sapatilhas, forração de bancada,
compressas, equipos, seringas e objetos perfurocortantes (HAMILTON, 2000).
Esse grupo em particular tem característica peculiar, pois não se degradam por
processos químicos ou físicos. Além disso, não devem ser jogados em rios, lagos,
encostas, pois oferecem riscos à saúde do homem e ao meio ambiente. Existe apenas
um sistema que consegue eliminar essas substâncias e se chama de decaimento de sua
radioatividade (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
Os profissionais que manipulam estes resíduos devem, obrigatoriamente, se
paramentar com equipamentos de proteção individual e possuir capacitação
profissional para manuseá-los, armazená-los (Figura 47) e descartá-los. É importante
destacar que os serviços de saúde que trabalham com este grupo devem possuir locais
BIOSSEGURANÇA
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próprios de armazenamento, protegidos e revestidos com barita ou chumbo, a fim de que
as substâncias fiquem isoladas e longe de acidentes com curiosos, crianças ou animais
(HAMILTON, 2000).
Figura 47: Símbolo lixo radioativo
Fonte: Resolução RDC nº 306/04 da ANVISA e Resolução CONAMA nº 358/05
GRUPO D
Caracterizado por serem resíduos comuns, provenientes de assistência à saúde,
os quais não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde e ao meio
ambiente, são equiparados aos resíduos domiciliares (HAMILTON, 2000).
Conforme Hamilton (2000), estão incluídos neste grupo sobras de alimentos de
refeitórios sem contato com secreções, excreções ou outros fluidos corpóreos. Estão
inclusos também o papel higiênico isento de caráter de isolamento, embalagens tipo
caixas de medicamentos, frascos plásticos de soros; frascos de vidro; plástico de
medicamentos ou outro produto fármaco não incluídos no Grupo B. É bom lembrar que,
após o esvaziamento, são considerados como resíduos recicláveis.
De acordo com o Ministério da Saúde (2001), os resíduos comuns devem ser
separados de maneira adequada, ou seja, em sacos plásticos impermeáveis na cor preta
(Figura 48), sendo importante saber que para diminuir a poluição ambiental, deve-se
lançar mão da segregação, reutilização e reciclagem. Dessa forma, podem ser instalados
recipientes especiais para a segregação no mesmo local em que eles são gerados.
Figura 48: Cores da Coleta Seletiva
Fonte: https://tnaplast.com.br/voce-conhece-as-cores-da-coleta-seletiva/
BIOSSEGURANÇA
81
As cores dos recipientes devem estar de acordo com a Resolução do CONAMA.
Seguem abaixo as especificações:
∙ Vidro = cor verde;
∙ Plástico = cor vermelha;
∙ Metal = cor amarela;
∙ Papel = cor azul;
∙ Orgânico = cor marrom;
∙ Não reciclável = cor cinza.
GRUPO E
Materiais perfurocortantes ou escarificantes, tais como: lâminas de barbear,
agulhas, escalpes, ampolas de vidro, brocas, limas endodônticas, pontas diamantadas,
lâminas de bisturi, lancetas; tubos capilares; micropipetas; lâminas e lamínulas;
espátulas e todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório (pipetas, tubos de
coleta sanguínea e placas de Petri) e outros similares (Figura 49) (HAMILTON, 2000).
Figura 49: Símbolo lixo perfurocortantes
Fonte: Resolução RDC nº 306/04 da ANVISA e Resolução CONAMA nº 358/05
4.3 TRATAMENTO E A DISPOSIÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS DOS
SERVIÇOS DE SAÚDE
Os resíduos de serviços de saúde (RSS) são materiais que apresentam alto risco
de manejo e destinação final tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
Consequentemente, as empresas geradoras desses resíduos são fortemente
fiscalizadas pelos órgãos de controle que possuem autonomia para aplicar sanções de
diversas ordens. Além de preservação do meio ambiente, a prática de gerenciar e
destinar corretamente este tipo de resíduo se torna uma prioridade, caso contrário, as
empresas poderão sofrer perdas financeiras, operacionais e até institucionais em
função de punições aplicadas por órgãos reguladores, como a ANVISA (HAMILTON,
2000).
BIOSSEGURANÇA
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Segregação
Em cada um dos serviços do estabelecimento de saúde, os responsáveis pela
prestação (médicos, enfermeiros, técnicos, laboratoristas, auxiliares, etc.) descartam
materiais como algodão, seringas usadas, papéis e amostras de sangue. Também de
pacientes ou visitantes descartam resíduos de vários tipos. Esses materiais devem ser
separados de acordo com a classificação estabelecida, em recipientes adequados para
cada tipo de resíduo. O manuseio apropriado dos resíduos hospitalares segue um fluxo
de operações que começa com a segregação. Essa é a primeira e mais importante
operação, pois requer a participação ativa e consciente de toda a comunidade hospitalar
(MOURA, 2000).
Os principais objetivos da segregação são:
∙ Minimizar a contaminação de resíduos considerados comuns;
∙ Permitir a adoção de procedimentos específicos para o manejo de cada grupo
de resíduos;
∙ Possibilitar o tratamento específico para cada categoria de resíduo;
∙ Reduzir os riscos para a saúde;
∙ Diminuir os custos no manejo dos resíduos;
∙ Reciclar ou reaproveitar parte dos resíduos comuns (grupo D).
O acondicionamento dos RSS serve como barreira física, reduzindo os riscos de
contaminação, facilitando a coleta, o armazenamento e o transporte. O
acondicionamento deve observar regras e recomendações específicas e ser
supervisionado de forma rigorosa. A segregação é uma das operações fundamentais
para permitir o cumprimento dos objetivos de um sistema eficiente de manuseio de
resíduos e consiste em separar ou selecionar apropriadamente os resíduos segundo a
classificação adotada (HAMILTON, 2000).
Essa operação deve ser realizada na fonte de geração, condicionada à prévia
capacitação do pessoal de serviço. Para uma correta segregação dos RSS é necessária
uma capacitação e conscientização de todos os funcionários, principalmente médicos,
enfermeiros e responsáveis por serviços auxiliares, que possuem a responsabilidade de
segregar 80% de todos os resíduos gerados em um estabelecimento de saúde. Também
cabe salientar que esses três níveis de trabalhadores são os que mais se expõem diante
dos possíveis riscos derivados do manejo incorreto dos RSS (ZAMONER, 2008).
Uma responsabilidade maior atribuída a estes profissionais no momento do
descarte do resíduo acaba por representar uma condição básica para o êxito de todo o
processo de gerenciamento, bem como a redução de riscos no ambiente de trabalho
(FIGUEREDO, 2005).
Quando a segregação não é assegurada, gera-se um volume maior de resíduos
com risco potencial. Assim, resíduos comuns que poderiam ser tratados como resíduos
BIOSSEGURANÇA
83
domiciliares, inclusive serem reciclados, serão considerados resíduos infectantes,
merecendo os mesmos gerenciamentos aplicados a estes (SERAPHIM, 2010).
Para Moura (2000), quando não há separação de resíduos nos recipientes
recomendados, todos são considerados como pertencentes do grupo A, aumentando os
custos de acondicionamento e tratamento. Segundo Salomão, Trevizan e Günther
(2004), o objetivo principal da segregação não é reduzir a quantidade de resíduos
infectantes a qualquer custo, mas, acima de tudo, criar uma cultura organizacional de
segurança e de não desperdício. A segregação é importante, porque permite que se
adote o manuseio, embalagem, transporte e tratamento mais adequados aos riscos
oferecidos por um determinado tipo de resíduo, permitindo que se intensifiquem as
medidas de segurança apenas quando realmente necessário, facilitando as ações em
caso de acidente. Além disso, a segregação é um fator de redução de custo, permitindo
o emprego mais racional dos recursos financeiros destinados ao sistema de resíduos nos
serviços de saúde.
Acondicionamento
Consiste no ato de embalar os resíduos segregados, em sacos ou recipientes que
evitem vazamentos e resistam à punctura e ruptura.A capacidade dos recipientes de
acondicionamento deve ser compatível com a geração diária de cada tipo de resíduo
(ANVISA, 2004).
O acondicionamento dos resíduos na origem consiste em controlar os riscos para
a saúde e facilitar as operações de coleta, armazenamento externo e transporte, sem
prejudicar o desenvolvimento normal das atividades do estabelecimento (BRASIL, 1997).
Deve-se contar com recipientes apropriados para cada tipo de resíduo. O
tamanho, o peso, a cor, a forma e o material devem garantir uma apropriada
identificação, facilitar as operações de transporte e limpeza, serem herméticos para
evitar exposições desnecessárias e estar integrados às condições físicas e
arquitetônicas do local. Esses recipientes são complementados com o uso de sacos
plásticos para efetuar uma embalagem apropriada dos resíduos (ANVISA, 2004).
Segundo a ANVISA (2004), os recipientes devem conter tampas acionadas sem o
contato manual, de fácil acesso, identificados visivelmente a que tipo de resíduo se
destinam, com coloração diferenciada. No caso dos perfurocortantes, caixas com dupla
proteção, envolto por saco plástico, não devem ultrapassar 2/3 de sua capacidade; em
caso de químicos e radioativos, recipientes tipo bombonas que se mantêm fechadas em
local distante do local onde se presta o serviço (expurgo).
O uso de sacos para o manuseio de resíduos hospitalares deve ter, entre outras,
as seguintes características preconizadas pela ABNT (2004):
∙ Espessura e tamanho apropriados, de acordo com a composição e o peso do
resíduo.
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∙ Resistência, para facilitar a coleta e o transporte sem riscos. Devem ser opacos
para impedir a visibilidade do conteúdo.
∙ Material apropriado, podendo ser de polipropileno de alta densidade (para
submeter o resíduo à esterilização em autoclave) ou simplesmente de
polietileno.
∙ Impermeabilidade, visando a impedir a introdução ou eliminação de líquidos dos
resíduos.
Segundo a legislação da ANVISA, na RDC nº 306 de 2004 (ANVISA, 2006), a
simbologia contida na NBR 7500 da ABNT, o Grupo A é identificado pelo símbolo de
substância infectante, com rótulos de fundo branco, desenhos e contornos pretos.
Coleta interna
De acordo com Moura (2000), o gerador do resíduo deveria ser responsável pela
coleta e transporte, porém, a Prefeitura acaba recolhendo, orientando ou fiscalizando
esse tipo de procedimento. É incrível, mas os resíduos gerados nos serviços de saúde
que totalizam 100% do insumo, desses, 70% são efetivamente contaminantes, devido às
deficiências e dificuldades de grande parte do sistema de saúde, sendo que os demais
30% são patogênicos e devem ter um tratamento especial quanto ao sistema de coleta
e destinação final.
Para o transporte dos resíduos, o estabelecimento deve possuir carros com rodas
de borracha maciça, de modo a evitar ruído, construídos com material resistente, rígido
e que evite vazamento de líquidos. É recomendável também que os carros tenham
cantos arredondados para não causar acidentes, tampa articulada no próprio corpo e
identificação de acordo com o grupo dos resíduos transportados.
Os carros devem ser exclusivos para o transporte de um determinado grupo de
resíduos. As rotas do transporte interno devem evitar horários e locais de grande fluxo
de pessoas e outros transportes ou serviços do estabelecimento de saúde, evitando
riscos adicionais de acidentes (ZAMONER, 2008).
Zamoner (2008) relata que em visitas realizadas em várias ocasiões aos
estabelecimentos hospitalares, constatou-se que resíduos segregados são misturados
junto aos demais resíduos pelos servidores responsáveis pela coleta e transporte para a
estocagem externa. Portanto, enquanto a segurança dos servidores dos
estabelecimentos de saúde é assegurada, em alguns casos, a situação do público em
geral continua a mesma.
Para a RDC nº 306\04 (ANVISA, 2004) deve-se utilizar carros de tração manual com
amortecedores e pneus de borracha. O carro deve ser projetado de tal forma que
assegure hermetismo, impermeabilidade, facilidade de limpeza, drenagem e
estabilidade, visando a evitar acidentes por derramamento dos resíduos, acidentes ou
BIOSSEGURANÇA
85
danos à população hospitalar. Os carros devem ter, de preferência, portas laterais e estar
devidamente identificados com símbolos de segurança.
Deve-se estabelecer turnos, horários e a frequência de coleta para evitar o
acúmulo de resíduos. Os resíduos especiais e alguns recicláveis devem ser coletados de
forma separada segundo as características do resíduo. Os carros para a coleta interna
devem ser lavados e desinfetados no final de cada operação. Além disso, devem ter
manutenção preventiva (ANVISA, 2004).
Ao depositar os resíduos no local temporário após a coleta e transporte, o
funcionário deverá pesar os resíduos separadamente, conforme sua segregação, pois se
sabe que os resíduos recicláveis podem ser rentáveis e os infectantes podem ser
cobrados por peso para sua coleta.
Armazenamento temporário externo
Segundo Burgess (1997), o objetivo do armazenamento temporário é manter os
resíduos em condições seguras até o momento mais adequado para a realização da
coleta interna II. É recomendado que cada unidade geradora de um estabelecimento de
saúde tenha ao menos um local interno apropriado para armazenamento temporário dos
resíduos. A partir dessas salas, os resíduos devem ser recolhidos em horários
estabelecidos e levados para o local de armazenamento externo, onde aguardarão a
coleta externa.
Os resíduos de diferentes grupos podem ficar armazenados em conjunto no local
de armazenamento temporário, desde que devidamente acondicionados e identificados
nos carros de transporte ou em compartimentos separados. O local de armazenamento
temporário é facultativo para os pequenos geradores. Nesse caso, os resíduos gerados
podem ser encaminhados diretamente para o local de armazenamento externo
(BURGUESS, 1997).
O armazenamento externo consiste em selecionar um ambiente apropriado onde
será centralizado o acúmulo de resíduos que deverão ser transportados ao local de
tratamento, reciclagem ou disposição final.
Segundo o Ministério da Saúde (2001), alguns cuidados importantes para o
armazenamento, por exemplo, os vários grupos de RSS, podem se localizar no mesmo
ponto ou em locais diversos, desde que a divisão esteja planejada de forma a evitar
contaminação. Traremos alguns cuidados no que diz respeito ao local de
armazenamento dos RSS. A exemplo, citamos:
∙ Deve estar localizado em uma área em que não haja cruzamento dos resíduos
com serviços diversos: lavanderia, copa, área dos pacientes, entrada de
emergência, dentre outros;
∙ Dispor de espaço suficiente para efetuar manobras do transporte durante a
coleta;
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∙ Possuir pisos, paredes, rodapés, impermeáveis, laváveis, com cor clara;
∙ Apresentar proteção de todas aberturas por meio de telas, a fim de evitar
entrada de animais;
∙ Conter identificação com as devidas convenções;
∙ Possuir boa ventilação e iluminação. O local de armazenamento temporário
deve atender às seguintes especificações:
∙ área não inferior a 4,00 m2;
∙ piso, paredes e teto deverão ser revestidos com material liso, lavável e
impermeável;
∙ caimento do piso superior a 2% (0,02m/m) em direção ao lado oposto à entrada,
onde deverá ser instalado ralo sifonado ligado ao sistema do esgotamento
sanitário do estabelecimento;
∙ ventilação, com abertura de no mínimo 1/20 da área do piso e não inferior a 0,20
m2 ou ventilação mecânica que proporcione pressão negativa;
∙ lavatório e torneira com água corrente para facilitar a limpeza após a retirada
dos resíduos, ou sempre que se fizer necessário;
∙ ser exclusiva para o armazenamento interno dos RSS, preferencialmente com
separação dos resíduos de acordo com o grupo a que pertencem;
∙ deve ser lavada e desinfetada diariamente ou sempre que ocorrerem
vazamentos;
∙ porta com dimensões suficientespara entrada completa dos carros de coleta
interna I e coleta interna II;
∙ pontos de iluminação artificial, adequado às atividades realizadas;
∙ ser de cor clara e ter na porta o símbolo de substância infectante quando
utilizada apenas para o grupo A.
O ambiente deve estar localizado, se possível, em zonas distantes das salas do
hospital e perto das portas de serviço do local, para facilitar as operações de transporte
externo. Deve contar com facilidades para o acesso do veículo de transporte e para a
operação de carga e descarga (SERAPHIM, 2010).
Coleta externa e destinação final
A coleta externa consiste no recolhimento do lixo do armazenamento temporário
para o local onde será transportado pela coleta municipal ou tratamento prévio (MOURA,
2000).
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Segundo a legislação do CONAMA (2005) nº 358, após serem segregados
corretamente, devem seguir conforme o grupo pertencente:
Grupo A1: devem ser submetidos a processos de tratamento em equipamento que
promova redução da carga microbiana compatível com nível III de inativação
microbiana e devem ser encaminhados para o aterro sanitário licenciado ou local
devidamente licenciado para disposição de resíduos dos serviços de saúde.
Grupo A2: após serem submetidos aos processos e destinos idênticos ao Grupo
A1, ou após a redução microbiana, ser sepultado em cemitérios de animais.
Grupo A3: quando não houver requisição pelo paciente ou familiares e/ou não
tenham mais valor científico ou legal, devem ser encaminhados para: sepultamento em
cemitério, desde que haja autorização do órgão competente do município, do Estado ou
do Distrito Federal, ou tratamento térmico por incineração ou cremação em
equipamento devidamente licenciado para esse fim.
Grupo A4: podem ser encaminhados sem tratamento prévio para o local
devidamente licenciado para a disposição final de resíduos de serviços de saúde.
Grupo A5: devem ser submetidos a tratamento específico orientado pela ANVISA.
Os resíduos do Grupo A não podem ser reciclados, reutilizados ou reaproveitados,
inclusive para alimentação animal.
Grupo B: com características de periculosidade, quando não forem submetidos a
processos de reutilização, recuperação ou reciclagem, devem ser submetidos a
tratamento e disposição final específicos; as características dos resíduos pertencentes
a esse grupo são contidas na ficha de informações de segurança de produtos químicos –
FISPQ. Os resíduos em estado sólido devem ser dispostos em aterro de resíduos
perigosos – Classe I.
Os resíduos em estado líquido não devem ser encaminhados para a disposição em
aterros. Podem ser lançados em corpo receptor ou na rede pública de esgoto, desde que
atendam às diretrizes ambientais estabelecidas pelos órgãos gestores de recursos
hídricos e de saneamento. Resíduos que não têm característica de periculosidade não
necessitam de tratamento prévio.
Grupo C: os rejeitos radioativos não podem ser considerados resíduos até que
seja atingido o tempo necessário de decaimento ou atingimento do limite de eliminação,
só então são considerados resíduos das categorias biológica, química ou resíduo
comum, devendo seguir as determinações do grupo ao qual pertencem.
Grupo D: quando não forem passíveis do processo de reutilização, recuperação
ou reciclagem, devem ser encaminhados para o aterro sanitário de resíduos urbanos. E
quando forem passíveis de reciclagem, devem atender às normas legais de higiene e
descontaminação.
Grupo E: devem ter tratamento específico de acordo com a contaminação
química, biológica ou radiológica. Devem ser apresentados a coletas acondicionados em
BIOSSEGURANÇA
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recipientes estanques, rígidos e hígidos, resistentes à ruptura, à punctura, ao corte ou a
escarificação.
Para Souza e Brigagão (2001), a incineração do lixo hospitalar não é obrigatória
como meio de tratamento, porém é considerada a melhor alternativa, pelos seguintes
fatores: reduz drasticamente o volume de resíduo, sobrando uma pequena quantidade
de cinzas; é um processo simples, apesar de Burgess (1997) ser crítico quanto ao
cumprimento dos procedimentos operacionais. Como desvantagem, existe a emissão de
compostos tóxicos como as dioxinas e furanos, caso a usina não seja projetada e
operada adequadamente. Entende-se por disposição ou destino final de RSSS o
confinamento em vala séptica ou, depois de haverem sido submetidos a um tratamento
como a desinfecção, esterilização ou incineração em aterro sanitário.
4.4 LEI Nº12.305/2010: LEI DE POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS
SÓLIDOS
No passado não muito distante, não havia normas e legislações que abrangessem
o destino dos resíduos sólidos, portanto, não era incomum vermos o lixo sendo
depositado em encostas, terrenos baldios, rios, mangues e outros locais inadequados;
apenas os materiais com restrição é que deveriam ser depositados em local distante das
áreas residenciais de alto padrão (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
No ano de 1990, através de ementas constitucionais, foi promulgada a Lei Federal
nº 8.080, que preconizou a promoção, proteção e recuperação da saúde da população.
Através dessa lei foi regulamentado o art. 200 da Constituição Federal, passando a
responsabilidade da promoção da saúde da população ao Sistema Único de Saúde, além
da participação direta da população na formulação de políticas públicas, ações de
saneamento básico e proteção do meio ambiente (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras
atribuições, nos termos da lei: I - controlar e fiscalizar procedimentos,
produtos e substâncias de interesse para a saúde e participar da
produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos,
hemoderivados e outros insumos; VII - participar do controle e
fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias
e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; VIII - colaborar na
proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho (LEI
Nº8080,1990).
Assim, podemos observar que os encargos constitucionais foram em prol da
promoção da saúde, com abrangência sistemática à proteção do meio ambiente, tanto
em nível municipal, estadual e federal. Interessante destacar que em 2010 foi formulada
a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que teve como princípio a formulação de
medidas detalhadas, referentes ao gerenciamento adequado dos resíduos sólidos.
A implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, através da Lei
12.305/2010, veio trazer novos rumos referentes ao descarte adequado do lixo,
BIOSSEGURANÇA
89
objetivando minimizar os impactos ambientais do processo de produção e
comercialização de produtos. Podemos citar as indústrias que adotaram medidas
estratégicas para redução da poluição. Um exemplo são os filtros instalados nas
chaminés, que retêm a fuligem e demais componentes tóxicos para então eliminar os
gases no meio ambiente (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
Dessa forma, essa política propõe a prática de hábitos de consumo sustentável e
contém instrumentos variados para propiciar o incentivo à reciclagem e à reutilização
dos rejeitos sólidos (reciclagem e reaproveitamento), e a destinação ambiental
adequada dos resíduos. Nos termos da Lei 12.305/10, os municípios deverão elaborar os
“Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos”.
Assim sendo, cabe a cada município se preocupar em realizar um planejamento a
fim de traçar metas e elaborar programas para direcionar a gestão de resíduos de forma
sustentável, assim o município conseguirá recursos da União para a gestão de resíduos
e à limpeza urbana (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
Segundo Moura (2000), a limpeza das ruas é de interesse comunitário e necessita
ser um assunto priorizada no aspecto coletivo, respeitando os desejosda maioria da
população, pois uma cidade limpa condiz com uma boa saúde pública, ajudando a reduzir
índices patológicos da vigilância epidemiológica, os quais devem ser rigorosamente
monitorados.
O que mais fere a higiene e a limpeza do local de moradia dos cidadãos são os
resíduos gerados diariamente pelos brasileiros, como papéis, plásticos, restos de
comida e simplesmente jogados em vias públicas, como ocorre em muitos estados
(MOURA, 2000).
Os resíduos comumente encontrados nos logradouros urbanizados são:
∙ partículas resultantes da abrasão da pavimentação;
∙ borracha de pneus;
∙ resíduos de pastilhas e lonas de freios;
∙ areia e terra trazidas por veículos ou provenientes de terrenos ou encostas;
∙ folhas e galhos de árvores;
∙ papéis, plásticos, jornais e demais embalagens;
∙ lixo domiciliar (geralmente em pequenas quantidades, principalmente em
alguns terrenos baldios e em áreas próximas a favelas);
∙ rejeitos de cães e de outros animais;
∙ componentes resultantes da poluição atmosférica.
É importante destacar que os resíduos de saúde não se limitam somente aos
resíduos gerados nos hospitais, mas a todos aqueles produzidos em estabelecimentos
como laboratórios patológicos, laboratórios de análises clínicas, clínicas veterinárias,
BIOSSEGURANÇA
90
polos de pesquisas, banco de sangue, consultórios médicos e odontológicos, entre
outros (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
4.5 GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE E O
IMPACTO AO MEIO AMBIENTE
O resíduo hospitalar pode causar vários tipos de problemas, principalmente
problemas causados à saúde humana. São perigosos principalmente devido aos micro-
organismos patogênicos que podem causar doenças infecciosas às pessoas que
trabalham com esse tipo de material e também são uma grande ameaça aos pacientes
dos estabelecimentos de saúde. Os RSSS são considerados perigosos, sendo a
periculosidade atribuída ao caráter de toxicidade e de citogenicidade. O caráter
patogênico é inerente aos RSSS, uma vez que em sua composição são encontrados
micro-organismos que podem afetar a saúde humana (MARTINS, 2004, p. 33).
O lixo hospitalar se torna perigoso, por conter vários tipos de micro-organismos,
que são resistentes e que passam das pessoas, geralmente pacientes hospitalizados
para os resíduos hospitalares. Uma incineração malfeita do lixo hospitalar pode poluir e
intoxicar através do caráter de citogenicidade e toxicidade.
O resíduo perigoso é o resíduo sólido ou combinação de resíduos sólidos que
devido a sua quantidade, concentração, características físicas, químicas ou infecciosas,
pode causar ou contribuir significativamente para o aumento da mortalidade ou aumento
de doenças graves irreversíveis ou de incapacitação temporária, representando um risco
real ou potencial à saúde humana ou ao meio ambiente, quando inadequadamente
tratado, armazenado, transportado e disposto ou manejado de uma forma geral
(MARTINS, 2004).
Os resíduos sólidos de saúde quando mal descartados, e o incineramento e a
disposição final quando não ocorrem de maneira correta, causam vários problemas,
desde o aumento da mortalidade em estabelecimentos de saúde ao aumento das
doenças graves infecciosas, que só ocorrem quando todos os passos de descarte não
são feitos de maneira correta.
Os micro-organismos patogênicos são oportunistas, se alojam no
organismo do indivíduo quando encontra uma porta de entrada e
geralmente os hospedeiros vulneráveis são pessoas com o sistema
imunológico baixo. O indivíduo ao ter contato, quer seja direto ou
indireto, com a fonte poluidora ou contaminada é atingido por
organismos causadores de doenças, que se não forem detectadas e
tratadas a tempo podem lhe levar à morte (RABELO, 2008, p. 49).
Os microrganismos geralmente são oportunistas. Eles encontram uma porta de
entrada geralmente em pacientes com o sistema imunológico baixo. Quando os
microrganismos entram em ação no corpo do hospedeiro, os profissionais da saúde e o
próprio hospedeiro podem não perceber. Essa ação pode então levar o hospedeiro à
morte em poucas horas dependendo do microrganismo.
BIOSSEGURANÇA
91
Com o crescimento populacional, os resíduos também foram aumentando
automaticamente, levando à grande produção de lixo, e este sendo descartado de
maneira incorreta nos lixões municipais, causando grandes problemas urbanos e
ambientais. O gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos pode resultar em riscos
indesejáveis às comunidades, constituindo-se ao mesmo tempo em fator de degradação
ambiental e em problema de saúde pública. Assim, o entendimento dos mecanismos de
degradação ambiental e as formas de preservação e recuperação do ambiente devem
ser considerados, de forma a definir e identificar ações técnicas para a gestão dos
resíduos (LEE, 2007).
O manejo inadequado dos resíduos sólidos de saúde pode causar um grande risco
ao meio ambiente. Nos dias atuais, os estabelecimentos de saúde devem ter uma
organização para que haja um despertar da consciência dos funcionários e que estes
façam valer as leis e o plano de gerenciamento dos resíduos sólidos de saúde. A
disposição final inadequada dos resíduos é um problema que deve ser encarado com
mais responsabilidade, tendo em vista que a qualidade ambiental influencia na qualidade
de vida do homem moderno.
Em várias cidades brasileiras, observa-se o descompromisso com a qualidade de
vida humana que se reflete pelo descarte de lixos nas ruas das cidades, nos terrenos
baldios ou em locais usados para descarte de resíduos (lixões), sem estudo prévio sobre
a estrutura a do solo e de outros recursos naturais locais. Isso não só reflete a qualidade
de vida humana, mas pode colocar o meio natural em risco pelo uso inadequado do solo
(RABELO, 2008).
Em quase todas as cidades brasileiras, o descaso com a saúde pública é um fator
em alta. O lixo hospitalar em muitos lugares é tratado como qualquer outro lixo, sendo
descartado nos próprios lixões da cidade. Esses problemas geralmente ocorrem devido
à desinformação das pessoas que recolhem esse tipo de lixo, causando assim muitos
impactos ambientais.
O chorume que vem do lixo hospitalar pode se infiltrar no solo e no subsolo e com
isso contaminar os lençóis freáticos. Com a decomposição do lixo hospitalar, ocorre a
liberação de gases, levando à poluição do solo e subsolo, ocorrendo também a poluição
do ar. Na medida em que os RSSS são dispostos de qualquer maneira em depósitos a céu
aberto, ou em cursos de água, possibilitam a contaminação de mananciais de água
potável, sejam superficiais ou subterrâneos, disseminando as doenças por meio de
vetores que se multiplicam nesses locais ou que fazem dos resíduos fonte de
alimentação (RODRIGUES, 2009).
O descarte errado do lixo hospitalar pode causar a contaminação de mananciais
de água potável, podendo assim contaminar pessoas que bebem dessa água. Esses
problemas ocorrem muitas vezes porque as leis existem e na maioria das vezes não são
cumpridas.
O gerenciamento externo dos resíduos de serviços de saúde deve contar com o
apoio da sociedade, observando-se o plano municipal de coleta, tratamento e disposição
final dos resíduos, conferindo operacionalização prática e satisfatória através de
BIOSSEGURANÇA
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estudos que devem variar desde a localização física dos estabelecimentos e do local da
disposição dos resíduos até a avaliação técnica e econômica, buscando soluções para
casos de acidentes (MARTINS, 2004). O lixo hospitalar deve ser tratado de maneira
especial, pois sempre há um plano municipal de recolhimento que deve ser seguido. Ao
longo dos séculos, os resíduos estiveram presentes no ambiente humano e continuarão,
provavelmente, a afetá-lo no futuro. Embora os resíduos sejam essencialmente um
subproduto dos estilos de vida, têm sido incompletamente equacionados os problemas
por eles criados, em particular numa perspectiva de otimização para a saúde de todos os
componentes implicados noscomportamentos sociais e individuais que constituem
essas escolhas de estilo de vida (CENTENARO, 2011).
Há muitos anos, os resíduos não exerciam um impacto ambiental tão significativo
quanto vemos nos dias de hoje. O atual estilo de vida, caracterizado pelo consumo em
larga escala de produtos industrializados, resulta em uma produção maciça de resíduos,
que são despejados no meio ambiente, causando sérios danos.
A abordagem ideal, amplamente reconhecida na perspectiva de prevenção
primária, é reduzir drasticamente a produção de resíduos. No entanto, quando não é
possível resolver tudo de imediato por meio dessa abordagem, é crucial investir em
outras formas de prevenção. Isso inclui o tratamento dos resíduos sólidos de saúde (RSS)
já acumulados e a minimização de seus impactos ambientais. Isso pode ser alcançado
por meio da implementação de procedimentos eficazes, como a reutilização, reciclagem
e várias formas de valorização desses resíduos. O objetivo é reduzir especialmente os
efeitos prejudiciais dos resíduos perigosos em diferentes ecossistemas (CENTENARO,
2011).
Nessa perspectiva, para o problema ser resolvido haveria de acontecer uma
redução do lixo, principalmente do lixo hospitalar. Como a redução do lixo é quase
impossível de acontecer, devemos começar a repensar os nossos atos, e investir em
formas de prevenção para que não ocorra nenhum tipo de impacto ambiental.
BIOSSEGURANÇA
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a incluir os efeitos socioeconômicos na avaliação da biossegurança dos OGMs. A
aplicação no contexto da regulação da matéria implica que a introdução de OGM não deve
ser feita no ambiente, a menos que tenham sido exauridas dúvidas científicas quanto à
ausência de impactos adversos, incluindo os efeitos socioeconômicos. E assim a Índia
tem exigido a repetição dos estudos, a maioria deles envolvendo pesquisas em países
onde estas já tenham ocorrido, para concluir pela necessidade de se levar em conta
considerações científicas e não científicas.
A Organização Mundial de Saúde vem enfatizando os temas abaixo relacionados
para melhorar a comunicação entre os cientistas e o desenvolvimento dos produtos OGM
e seus derivados: as preocupações sociais e éticas (incluindo a diversidade cultural e a
percepção pública); a etiquetagem dos alimentos OGM e alternativas dos consumidores;
a coexistência de diferentes práticas agrícolas; o custo econômico da adoção dos
cultivos transgênicos; os aspectos socioeconômicos; a diversidade; o monopólio e
direitos de propriedade; os temas socioeconômicos e o comércio; a ética e o
desenvolvimento do uso de OGM; a equidade e o desenvolvimento de mercados; os
valores éticos subjacentes à política de alimentos inofensivos à saúde; a desigualdade
social e o desenvolvimento, assim como investigações e desenvolvimento, objetivos
sociais e o papel da Organização Mundial da Saúde (SOUZA, 2010).
Os métodos modernos de biotecnologia permitem, segundo o estudo assinalado,
o desenvolvimento rápido de produtos alimentícios com características recombinantes
ou melhoradas, com maior especificidade em comparação com técnicas convencionais.
No entanto, a avaliação dos riscos e os procedimentos para que a sociedade adote ou
recuse tais alimentos dependem de encarar possibilidades metodológicas sempre
inovadoras.
No Brasil, é certo que ainda não foram realizadas, mas existe instrumento
adequado, segundo a legislação brasileira vigente, para resposta às inúmeras hipóteses,
BIOSSEGURANÇA
11
que está contemplado na Constituição Federal, na Política Nacional do Meio Ambiente
Lei n. 6.938/1981 e na Resolução Conama n. 305/2002.
1.2.1 Principais legislações
Seguem algumas legislações a fim de que você conheça as leis e normas que o
ajudarão a compreender melhor a dimensão quanto à utilização da biossegurança e que
o auxiliarão em sua prática profissional.
LEI Nº 9.649, DE 27 DE MAIO DE 1998 – Dispõe sobre a organização da Presidência da
República e dos Ministérios. Especificamente para o Ministério da Ciência e Tecnologia e a
CTNBio.
LEI Nº 8.974, DE 05 DE JANEIRO DE 1995 – Estabelece normas para o uso das técnicas de
engenharia genética e liberação no meio ambiente de organismo geneticamente modificados.
Autoriza o Poder Executivo a criar, no âmbito da Presidência da República, a Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança.
DECRETO N° 1.752, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1995 – Regulamenta a Lei Nº 8.974, de 5 de janeiro de
1995, dispõe sobre a vinculação, competência e composição da Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança – CTNBio.
DECRETO Nº 2.577, DE 30 DE ABRIL DE 1998 – Dá nova redação ao art. 3°do Decreto nº 1.752, de
20 de dezembro de 1995, que regulamenta a Lei n°8.974, de 5 de janeiro de 1995, que dispõe sobre
a vinculação, competência e composição da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança –
CTNBio.
RESOLUÇÃO Nº 3, DE 30 DE OUTUBRO DE 1996 – Aprova o Regimento Interno da Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio.
MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.191-9, de 23 de agosto de 2001 – Acresce e altera dispositivos da Lei n°
8.974, de 5 de janeiro de 1995.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 1 – Dispõe sobre o Requerimento e a Emissão de Certificado de
Qualidade em Biossegurança – CQB e a Instalação e o Funcionamento das Comissões Internas de
Biossegurança – CIBio.
TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO E NORMAS DE BIOSSEGURANÇA
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 2 – Normas provisórias para importação de vegetais geneticamente
destinados à pesquisa.
A PNMA Lei n. 6.938/1981 tem como
objetivo a preservação, melhoria e
recuperação da qualidade ambiental
propícia à vida, visando assegurar,
condições ao desenvolvimento
socioeconômico e à proteção da
dignidade da vida humana.
BIOSSEGURANÇA
12
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 3 – Normas para a Liberação Planejada no Meio Ambiente de
Organismos Geneticamente Modificados.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 4 – Normas para o Transporte de Organismos Geneticamente
Modificados – OGMs.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 6 – Normas sobre Classificação dos Experimentos com Vegetais
Geneticamente Modificados quanto ao nível de risco e de contenção.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 7 – Normas para o Trabalho em Contenção com Organismos
Geneticamente Modificados – OGMs.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 8 – Dispõe sobre a manipulação genética e sobre a clonagem em
seres humanos.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 9 – Normas sobre Intervenção Genética em Seres Humanos.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 10 – Normas Simplificadas para Liberação Planejada no Meio
Ambiente de Vegetais Geneticamente Modificados que já tenha sido anteriormente aprovada
pela CTNBio.
Ambiente de Vegetais Geneticamente Modificados que já tenha sido anteriormente aprovada
pela CTNBio.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 11 – Normas para Importação de Microrganismos Geneticamente
Modificados para uso em Trabalho e Contenção.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 12 – Normas para Trabalho em Contenção com Animais
Geneticamente Modificados.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 13 – Normas para Importação de Animais Geneticamente Modificados
(AnGMs) para uso em trabalho em Regime de Contenção.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 14 – Dispõe sobre o prazo de caducidade de solicitação de Certificado
de Qualidade em Biossegurança – CQB.
NR 32 – NORMA REGULAMENTADORA NA ÁREA DE BIOSSEGURANÇA – Regulamenta ações
pontuais em ambientes que envolvam manipulação em saúde.
1.3 BIOSSEGURANÇA NO SISTEMA DE SAÚDE
É de grande importância que todos os profissionais da área da saúde, em um
contexto multidisciplinar, compreendam que a biossegurança é uma normalização de
condutas visando à segurança e proteção da saúde de todos aqueles que trabalham na
área da saúde, e não apenas um conjunto de regras criadas com o simples objetivo de
atrapalhar ou dificultar nossa rotina de atendimento (OPPERMANN, C. M.; PIRES, L. C,
2003).
Nesse contexto, devemos nos basear principalmente no conhecimento científico
disponível, não para termos apenas uma atitude de obediência diante dessas normas,
mas para que possamos fazer com satisfação aquilo que sabemos que deve ser o certo.
BIOSSEGURANÇA
13
As condições de segurança dos trabalhadores da área de saúde dependem de
vários fatores: características do local, material utilizado, cliente a ser assistido,
informação e formação da equipe etc.
Ao longo do tempo, a adoção de medidas de segurança e saúde do trabalhador e
de biossegurança nas atividades profissionais tem sido um desafio para todas as áreas
de saúde. A aceitação na teoria é boa quanto às normas de biossegurança; no entanto,
elas ainda não permeiam a prática diária com a mesma intensidade (NERY, C.; NAVARRO,
B.M.A, 2012)
Em época que surgiu crise na saúde global, como na pandemia da Covid19, fica
evidente a necessidade de haver um maior desenvolvimento de hábitos biosseguros por
toda população. Mesmo com uma relativa sensibilização social para a importância da
utilização de EPIs, como máscaras e luvas, e para a adesão a protocolos de segurança
como o isolamento social, existem diversos aspectos da biossegurança que
permanecem ausentes no cotidiano de muitas pessoas. Dessa forma, torna-se
importante compreender as interações de certas esferas da biossegurança entre si e
suas relações com o indivíduo, mais especificamente no seu ambiente de trabalho, e
como isso ajuda no combate a crises sanitárias, por exemplo (SALIBA, 2008).
A utilizaçãodos EPIs é um direito e dever dos trabalhadores que lidam com
determinados aspectos de risco no seu dia a dia. Essa obrigatoriedade é definida e
especificada pela legislação e varia de acordo com a natureza laboral. Por exemplo, os
EPIs utilizados num laboratório de pesquisa vão diferir bastante dos utilizados por
trabalhadores da área de construção, pois os riscos aos quais esses dois grupos de
indivíduos se expõem são diferentes, específicos, ligados à sua rotina e ambiente de
trabalho (MASTROENI, 2010).
Em 1977, a CLT foi alterada e incluíram cláusulas que tratam sobre a segurança do
trabalho, ou seja, as obrigações das partes, fiscalização e as Normas Regulamentadoras.
Toda empresa possui uma classificação, baseada em seu número de empregados e risco
das atividades.
A CLT também trata sobre o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
O texto na íntegra diz o seguinte:
Art. 166 - A empresa é obrigada a fornecer aos empregados,
gratuitamente, equipamento de proteção individual adequado ao risco e
em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as
medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os
riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados (BRASIL, 1977, s.p).
Sem essas diretrizes para nortear as empresas e os trabalhadores, todo o sistema
integrado de biossegurança naquele ambiente entraria em colapso, pois ainda que
houvessem os devidos equipamentos, mas sem a sua correta utilização, estes se
tornariam ineficazes, podendo até atuar na potencialização de um risco. De igual
maneira, a presença dos equipamentos corretos é imprescindível para a aplicação das
Boas Práticas de Laboratórios (BPLs) e Equipamentos de Proteção Coletivos (EPCs), uma
BIOSSEGURANÇA
14
vez que pouco adianta saber a maneira correta de se executar uma ação, quando não se
possui os meios necessários para realizá-la (OPPERMANN, CARLA MARIA; PIRES, 2003).
A aplicação de práticas biosseguras garante a segurança do indivíduo na
realização das suas atividades. Assim, é preciso que a sua implementação seja contínua.
Com isso, as possibilidades de ocorrerem eventos adversos no trabalho são minimizadas
(MASTROENI, 2010).
Nesse sentido, é fundamental que o profissional da área de saúde tenha a prática
das medidas de biossegurança associadas à conscientização e à compreensão de sua
relevância para a segurança e saúde do trabalhador, bem como para a garantia do
cuidado prestado aos sujeitos e à comunidade.
1.4 ÓRGÃOS REGULADORES DE BIOSSEGURANÇA
A fiscalização é uma atividade profissional que surge em resposta às
necessidades e às aspirações da sociedade. Ela é essencial para a categoria, a fim de
proteger e zelar pelos interesses da sociedade e, além disso, assegurar o exercício
profissional de pessoas qualificadas e habilitadas para prestar serviços de qualidade.
Sabendo dessa importância, é nesse âmbito que se encontram os conselhos
profissionais, que, entre outras finalidades, visam orientar, normatizar e fiscalizar o
exercício profissional, levando assim, a tranquilidade e segurança dos beneficiários dos
serviços ora prestados pelo profissional (COSTA, 2002).
Dentre alguns órgãos que ajudam na fiscalização da biossegurança nos serviços
de saúde destacamos os citados a seguir.
1.4.1 Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho –
SESMT
A NR 4 foi criada em 1978 por meio da Portaria n.º 3.214/78, que trata sobre a
segurança e a medicina do trabalho, com o objetivo de regulamentar o Artigo 162 da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Essa portaria aprovou a criação de diversas
normas regulamentadoras. Entre elas, está a NR 4, que estabelece as regras para criação
do SESMT (BRASIL, 1978).
No entanto, para se adaptar às mudanças do mercado e às descobertas em
termos de segurança do trabalho, a NR 4 sofreu várias atualizações desde sua primeira
edição. Entre essas alterações, estão a mudança de título e no quadro dos códigos de
atividades econômicas, a permissão da constituição do SESMT, entre outras (FERREIRA,
2012).
Uma das atualizações mais significativas dessa norma ocorreu em função da
publicação da Portaria SIT n.º 787, em 2018. Ela estabeleceu as regras de aplicação,
interpretação e estruturação das NRs relacionadas à segurança e saúde no trabalho e às
condições gerais de trabalho (BRASIL, 2018).
BIOSSEGURANÇA
15
Depois disso, a NR 4 sofreu uma nova alteração em 2022, após a publicação de
uma nova portaria. A Portaria nº 2318, de 03 de agosto de 2022, aprovou alterações
significativas na redação da NR 4. Por isso, essa norma também pode ser chamada de
nova NR 4. Segundo o texto, empresas com funcionários contratados sob regime CLT
devem criar e manter os SESMT no local de trabalho, segundo os termos definidos na NR
4 (BRASIL, 2022).
A NR 4 (Norma Regulamentadora nº 4) estabelece critérios para organização dos
Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho
(SESMT). A exigência dos SESMT, por sua vez, está na CLT.
A Norma Regulamentadora 4 (NR 4) foi criada para prevenir alguns dos grandes
problemas enfrentados pelas empresas: os acidentes de trabalho e o afastamento de
funcionários em função de doenças ocupacionais.
Além de atrapalharem o funcionamento e a produtividade da organização, esses
problemas podem prejudicar o clima organizacional e o bem-estar e a qualidade de vida
dos colaboradores. Para completar, esses problemas tornam as empresas mais
suscetíveis a passivos trabalhistas (BUNEL, 2012).
Ademais, eles estabelecem o número de integrantes que devem participar do
SESMT de acordo com o número de funcionários da empresa (Figura 4). Além dessas
regras, é importante lembrar que, ao contrário do que se imaginava, a NR 4 atualizada
não trata sobre a terceirização desse serviço. Por isso, o entendimento é que as
empresas ainda podem terceirizar o SESMT.
Figura 4: Dimensionamento do SESMT conforme a NR 4
Fonte: Brasil (2018).
BIOSSEGURANÇA
16
Outras mudanças importantes estabelecidas pela NR 4 atualizada estão
relacionadas às responsabilidades de seus integrantes. Com a nova portaria, esses
profissionais também devem elaborar o plano de trabalho e o monitoramento de metas,
incluindo indicadores (FERREIRA, L. S.; PEIXOTO, N. H, 2012).
A NR 4 também lista uma série de atividades voltadas a estes profissionais no
âmbito do SESMT, dentre as quais destacamos:
∙ Acompanhar a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos – PGR;
∙ Interagir com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA;
∙ Promover programas, campanhas e outras atividades de conscientização,
educação e orientação dos trabalhadores, visando prevenir acidentes de
trabalho e doenças ocupacionais;
∙ Esclarecer e orientar os empregadores quanto aos riscos iminentes;
∙ Registrar e descrever os casos ocorridos na empresa;
∙ Interromper as atividades e, quando necessárias, medidas corretivas;
∙ Conduzir ou acompanhar as investigações de acidentes ou doenças
ocupacionais.
Além disso, eles também precisam propor a interrupção de atividades que
coloquem em risco grave e iminente a segurança e a saúde dos colaboradores.
Vale lembrar que a NR 4 atualizada entrou em vigor em 12 de novembro de 2022.
Apesar disso, as empresas têm até 2 de janeiro de 2023 para redimensionar seu SESMT
e se adequar às mudanças impostas pela nova regulamentação (BRASIL, 2022).
1.4.2 Comissão de Controle e Infecção Hospitalar – CCIH e Serviço de
Controle de Infecção Hospitalar – SCIH
A portaria do Ministério da Saúde, nº 2616, de 12 de maio de 1998, exige a criação
de uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) para que os hospitais
coloquem em prática as ações do PCIH. Somente profissionais da saúde com nível
superior podem ser integrantes da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. A CCIH
deve ser composta por membros consultores e executores (BRASIL,1998)
Na categoria consultores, os integrantes representam e coordenamos métodos
de prevenção de controle de infecção hospitalar dos serviços médicos, de enfermagem,
de farmácia, de administração e laboratório de microbiologia. Já os executores da CCIH
realizam as ações do PCIH. É importante que um dos membros executores seja um
enfermeiro (ANVISA, 2017).
Segundo a legislação, a CCIH deverá ser composta por profissionais de nível
superior na área de saúde. Os membros são classificados como consultores e
executores. Os consultores representam os serviços médicos, enfermagem, farmácia,
BIOSSEGURANÇA
17
laboratório de microbiologia e administração. Já os membros executores representam
o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, encarregados de executar as ações do
PCIH. Os membros executores serão, no mínimo, 2 (dois) técnicos de nível superior da
área de saúde para cada 200 (duzentos) leitos. Os hospitais com número de leitos igual
ou inferior a 70 (setenta) precisam ter no mínimo 1 médico e 1 enfermeiro nesta comissão
(BRASIL,1998).
Quais as atribuições da CCIH?
∙ Elaborar, implementar, manter e avaliar o PCIH, adequando-o às necessidades
da instituição, contemplando ações em diferentes frentes relacionadas à
prevenção e combate às infecções.
∙ Avaliar, de forma periódica e sistemática, as informações providas pelo
Sistema de Vigilância Epidemiológica das infecções hospitalares;
∙ Aprovar as medidas de controle propostas pelos membros executores da CCIH;
∙ Conduzir investigações epidemiológicas no caso de surtos e implantar medidas
imediatas de controle;
∙ Elaborar e divulgar relatórios e informações à autoridade máxima da instituição,
promovendo amplo debate na comunidade hospitalar;
∙ Criar, implementar e gerenciar normas e rotinas técnico-operacionais, com o
intuito de limitar a disseminação de agentes presentes nas infecções em curso
no hospital, por meio de medidas de precaução e de isolamento;
∙ Definir, junto à Comissão de Farmácia e Terapêutica, políticas de utilização de
antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares para a
instituição;
∙ Capacitar, ou cooperar com o setor de treinamento, adequadamente o quadro
de funcionários sobre controle de infecções hospitalares;
∙ Elaborar o regimento interno para a Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar;
∙ Notificar órgãos de gestão, entidades regulatórias e outros núcleos de
epidemiologia em casos suspeitos ou diagnosticados de doenças sob vigilância
epidemiológica, assim como em casos de surtos de infecção.
1.4.3 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA:
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) é uma comissão, prevista
pela legislação brasileira, formada por trabalhadores e por representantes do
empregador eleitos para ela, que tem como objetivo a prevenção de acidentes de
trabalho e de doenças ocupacionais.
BIOSSEGURANÇA
18
O principal objetivo da CIPA é inspecionar e evidenciar nos ambientes de trabalho
os riscos à saúde e segurança das pessoas. É uma comissão que deve solicitar, planejar,
implantar e manter medidas preventivas que eliminem ou reduzam os riscos. Além disso,
analisar os acidentes de trabalho e estabelecer um plano de ações junto com o SESMT
(Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho) (BRASIL,
1978).
Dentre suas atribuições, vale ressaltar algumas, que são:
∙ Identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de riscos, com
a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT,
onde houver;
∙ Realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho,
visando a identificação de situações que venham a trazer riscos para a
segurança e saúde dos trabalhadores;
∙ Participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de
prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos
locais de trabalho;
∙ Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no
trabalho;
∙ Requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de
máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e
saúde dos trabalhadores;
∙ Colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de outros
programas relacionados à segurança e saúde no trabalho;
∙ Requisitar à empresa as cópias das CAT emitidas;
∙ Promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana
Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT;
Composição:
∙ Representantes dos colaboradores, escolhidos através de eleições;
∙ Representantes do Empregador, indicados pela direção da instituição.
∙ Obs: A quantidade de membros varia, de acordo com o quadro I da NR 5 (CIPA).
Os membros da CIPA ou “ciperos” são os próprios funcionários (titulares e
suplentes) que irão dividir suas funções rotineiras de trabalho com o trabalho
voluntário de prevenção e manutenção da Segurança do Trabalho da CIPA.
BIOSSEGURANÇA
19
1.4.4 Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional - PCMSO:
A sigla PCMSO significa Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional,
segundo o subitem 7.2.1 da norma regulamentadora nº 07 do Ministério do Trabalho e
Emprego. O PCMSO trata-se da parte integrante do conjunto mais amplo de iniciativas
da empresa no campo da saúde dos trabalhadores, devendo estar articulado com o
disposto nas demais normas regulamentadoras (BRASIL 1978).
Essa norma tem como objetivo prevenir, monitorar e controlar possíveis danos à
saúde e integridade do empregado, assim como também detectar riscos prévios,
especialmente no que diz respeito às doenças relacionadas ao trabalho. Como exemplo,
o PCMSO pode exigir a análise do ambiente de trabalho dos funcionários a fim de
identificar riscos que podem afetar o agravo à saúde dos colaboradores. Por conta disso,
pode ser solicitado uma série de exames clínicos e complementares específicos para
cada tipo de nível de risco da empresa (BRASIL,1978).
De acordo com a Norma regulamentadora nº 7 o item 7.1.1 esclarece que a
elaboração do PCMSO é de responsabilidade do empregador e cabe a ele arcar com as
despesas.
Por ser um recurso essencial para a manutenção da saúde dos membros de uma
corporação, o trabalhador deve realizar o PCMSO a cada dois anos (se tiver mais de 18
anos de idade) ou anualmente (se tiver menos 18 ou mais de 45 anos de idade).
O PCMSO é feito por um médico do trabalho. Porém, inexistindo médico do
trabalho na localidade, a empresa poderá contratar profissional de outra especialidade
como responsável pelo programa.
Os membros do SESMT ficam responsáveis por implementar e acompanhar os
exames, sendo:
∙ Admissional;
∙ Periódico (ASO – Atestado de saúde ocupacional);
∙ De retorno ao trabalho;
∙ De mudança de função e Demissional;
1.4.5 Vigilância Sanitária – ANVISA
Vinculada ao Ministério da Saúde, a Anvisa é uma agência reguladora e sua
finalidade é fiscalizar a produção e consumo de produtos submetidos à vigilância
sanitária, como medicamentos, agrotóxicos e cosméticos. A agência também é
responsável pelo controle sanitário de portos, aeroportos e fronteiras (BRASIL,1990).
De acordo com a lei nº 8.080/1990 – que dispõe sobre as condições para a
promoção, proteção e recuperação da saúde -, vigilância sanitária é entendida por:
BIOSSEGURANÇA
20
“um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de
intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação
de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo:
I – o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com
a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; e
II– o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente
com a saúde.”
Ou seja, a vigilância sanitária compreende diversas ações que visam eliminar e/ou
diminuir riscos à saúde da população. No Brasil, todas as ações relacionadas à vigilânciasanitária são realizadas pela Anvisa.
1.5 COMISSÃO TÉCNICA NACIONAL DE BIOSSEGURANÇA – CTNBio
O conceito de biossegurança envolve um conjunto de práticas e ações técnicas,
dispostas em regulamentações que se destinam à prevenção, à análise e ao manejo de
riscos potenciais para o alimento, à saúde humana e animal, ao desenvolvimento
adequado de plantas e também para a preservação do meio ambiente (BRASIL, 2005).
Visando ao avanço científico na área de biossegurança, a proteção à vida e à
saúde humana, animal e vegetal em consonância com a necessidade do estabelecimento
de normas regulatórias, surgiram, nas últimas décadas, período em que a comunidade
científica iniciou os debates quanto aos possíveis efeitos éticos, sociais e tecnológicos
da biotecnologia, as técnicas relacionadas à tecnologia de DNA recombinante,
envolvendo diferentes esferas da sociedade (BRASIL, 2005).
A Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005, também conhecida como Lei de
Biossegurança, foi um marco regulatório da legislação nacional, a qual estabelece as
normas de segurança e os mecanismos de fiscalização de atividades (a construção, o
cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a transferência, a importação, a
exportação, o armazenamento, a pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no
meio ambiente e o descarte), as quais envolvem organismos geneticamente
modificados, os OGM, que visam à regulamentação do uso de organismos geneticamente
modificados (BOSETTI, 2012).
A Lei de Biossegurança Lei nº 11.105/2005, de 24 de março de 2005, institui a
criação e a reestruturação das instâncias colegiadas multidisciplinares: Conselho
Nacional de Biossegurança – CNBS e a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança –
CTNBio, ambas dispostas sobre a Política Nacional de Biossegurança – PNB. A finalidade
da criação de tais instâncias é fornecer apoio técnico consultivo, bem como aquele
ligado ao estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos
referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente
(VALOIS, 2020).
BIOSSEGURANÇA
21
Um ponto importante a ser destacado com relação a essa Lei é a definição das
atividades que são consideradas estritamente de pesquisa, diferenciando-as daquelas
voltadas para o uso comercial de OGMs. De acordo com a Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança (BRASIL, 2005), considera-se atividade de pesquisa aquelas realizadas
em laboratório, sob regime de contenção ou campo, como parte do processo de
obtenção de OGM e seus derivados ou de avaliação da biossegurança de OGM e seus
derivados, o que engloba, no âmbito experimental, a construção, o cultivo, a
manipulação, o transporte, a transferência, a importação, a exportação, o
armazenamento, a liberação no meio ambiente e o descarte de OGM e seus derivados.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) integra o Ministério da
Ciência e Tecnologia. É a instância colegiada multidisciplinar que presta apoio consultivo
e deliberativo ao Governo Federal. A CTNBio é a autoridade nacional competente que
propõe a Política Nacional de Biossegurança, que estabelece normas técnicas de
segurança e pareceres técnicos referentes à autorização para atividades que envolvam
pesquisa e uso comercial de OGM e seus derivados. Além disso, com o intuito de
incrementar a capacitação para a proteção da saúde humana, dos animais, das plantas e
do meio ambiente, a CTNBio é responsável pelo suporte, acompanhamento,
desenvolvimento e progresso técnico/científico nas áreas de biossegurança,
biotecnologia e bioética (BRASIL, 2005).
De acordo com a Lei nº 11.105 – Lei de Biossegurança, as principais atribuições da
CTNBio são:
∙ Propor a Política Nacional de Biossegurança.
∙ Acompanhar o desenvolvimento e o programa técnico e científico na
Biossegurança e em áreas afins, objetivando a segurança dos consumidores e
da população em geral, com permanente cuidado à proteção do meio
ambiente.
∙ Relacionar-se com instituições voltadas para a engenharia genética e a
biossegurança a nível nacional e internacional.
∙ Propor o Código de Ética de Manipulações Genéticas.
∙ Estabelecer normas e regulamentos relativos às atividades e projetos que
contemplam construção, cultivo, manipulação, uso, transporte,
armazenamento, comercialização, consumo, liberação e descarte
relacionados à OGM.
∙ Classificar os OGMs segundo o grau de risco, definindo os níveis de
biossegurança a eles aplicados e às atividades consideradas insalubres e
perigosas.
BIOSSEGURANÇA
22
∙ Estabelecer os mecanismos de funcionamento das Comissões Internas de
Biossegurança (CIBios) no âmbito de cada instituição que se dedique ao
ensino, à pesquisa, ao desenvolvimento e à utilização das técnicas de
engenharia genética.
∙ Emitir parecer técnico sobre os projetos relacionados a OGM pertencentes ao
Grupo II, conforme definido no Anexo 1 da Lei nº 8.974, de 1995, encaminhando-
o aos órgãos competentes.
∙ Apoiar tecnicamente os órgãos competentes no processo de investigação de
acidentes e de enfermidades verificadas no curso dos projetos e das
atividades na área de engenharia genética, bem como na fiscalização e
monitoramento desses projetos e atividades.
∙ Emitir parecer técnico prévio conclusivo sobre qualquer liberação de OGM no
meio ambiente, encaminhando-o ao órgão competente.
∙ Divulgar no Diário Oficial da União, previamente ao processo de análise, extrato
dos pleitos que forem submetidos à sua aprovação, referentes à liberação de
OGM no meio ambiente, excluindo-se as informações sigilosas de interesse
comercial, objeto de direito de propriedade intelectual, apontadas pelo
proponente e assim por ele consideradas.
∙ Emitir parecer técnico prévio conclusivo sobre registro, uso, transporte,
armazenamento, comercialização, consumo, liberação e descarte de produto
contendo OGM ou derivados, encaminhando-o ao órgão de fiscalização
competente.
BIOSSEGURANÇA
23
UNIDADE II
BIOSSEGURANÇA
24
RISCO EM LABORATÓRIO NA ÁREA DA SAÚDE
2.1 RISCO E PERIGO: CONCEITO E TIPOS DE RISCOS
É muito comum que dentro de um ambiente corporativo haja alguns fatores
inerentes às atividades desenvolvidas que produzem algum nível de perigo e risco para
os trabalhadores. E, mesmo que não haja perigo e risco algum que seja inerente à
atividade exercida, certamente haverá alguma possibilidade de o funcionário sofrer um
dano decorrente da falta de cuidado, observância a determinada parte da atividade
laboral que se apresenta como sendo o ambiente de trabalho (BURGESS, 1997).
Quando o assunto é acidente de trabalho, as estatísticas são chocantes. No
mundo, um trabalhador morre por acidente de trabalho ou doença ocupacional a cada 15
segundos. De 2012 a 2020, 21.467 desses profissionais eram brasileiros — o que
representa uma taxa de 6 óbitos a cada 100 mil empregos formais nesse período, aponta
o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, elaborado pelo Ministério Público do
Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2001).
Após conhecer a função da Biossegurança, não é difícil concluir que o estudo dos
riscos é muito pertinente, pois o risco é a possibilidade de um indivíduo ser exposto a um
objeto ou circunstância danosos à sua saúde, ao resultado do seu labor ou ao ambiente.
Quando se trata dos serviços de saúde, o indivíduo que está sujeito a tais possibilidades,
obviamente, é o profissional de saúde, e os riscos são ditos, portanto, ocupacionais,
porque são associados a um determinado trabalho. Fora esse conceito, outro fator
importante corresponde à definição de perigo, que é a fonte de um risco. Inclusive, saber
percebê-lo colabora para uma melhor compreensão do problema a ser abordado, uma
vez que a identificação das origens dos danos contribui para a prevenção (AYRES, 2001).
2.1.1 Conceito risco e perigo
Muitas pessoas usam as duas palavras ‘perigo’ e ‘risco’ alternadamentecomo se
tivessem o mesmo significado, no entanto, esses termos têm significados totalmente
diferentes e funções totalmente diferentes. Vamos dar uma olhada nas definições de
ambas as palavras:
∙ Perigo: algo que pode causar danos potenciais.
∙ Risco: o grau de probabilidade de que o dano seja causado.
BIOSSEGURANÇA
25
Figura 5: Distinção risco e perigo
Fonte: https://segurancadotrabalhonwn.com/qual-diferenca-perigo-risco/
2.1.2 Tipos de riscos ambientais
A produção de bens de consumo através das distintas tecnologias e formas de
manufatura pode lançar, no local de trabalho, substâncias causadoras de moléstias ou
danos à saúde do trabalhador, quando em contato com este. As condições físicas que
podem oferecer danos ao trabalhador são denominadas de riscos ambientais (MARTINS,
2010).
Portanto, riscos ambientais são agentes presentes nos ambientes de trabalho
que podem afetar diretamente a saúde do trabalhador, causando doenças. Conforme a
NR- 9, item 9.1.5, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e
biológicos (Figura 6) existentes nos ambientes de trabalho que, em função da sua
natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar
danos à saúde do trabalhador (CAMISASSA, 2015).
Segundo a Portaria do Ministério do Trabalho, MT no. 3214, de 08/06/78, os tipos
de risco são divididos conforme ilustra a figura abaixo.
Figura 6: Tipos de Riscos Ambientais
Fonte: https://www.blogsnc.com.br/2013/07/o-que-sao-agentes-de-riscos
BIOSSEGURANÇA
26
2.2 RISCOS FÍSICOS E ERGONÔMICOS
2.2.1 Risco físico
Consideram-se agentes de risco físico as diversas formas de energia a que
possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões
anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes,
ultrassom, materiais cortantes e pontiagudos, entre outros (FREITAS 2008).
Ruído
O ruído elevado poderá produzir uma redução na capacidade auditiva do
trabalhador, afetar o cérebro e o sistema nervoso, devido à exposição do trabalhador
frente a diferentes níveis de ruído durante a jornada de trabalho (Figura 7).
Figura 7: Avaliação do ruído do ambiente de trabalho com o uso do O decibelímetro é mais indicado
quando se quer conferir se o trabalhador está sob exposição sonora exagerada, controlando e
garantindo sua saúde dentro do ambiente de trabalho.
q
Fonte: http://www.aven.com.br/por-que-e-importante-medir-os-ruidos-em-minha-empresa
A quantificação do som é realizada por medidores de nível de pressão sonora,
decibelímetros ou audiodosímetros. Para avaliação do ambiente de trabalho devem ser
considerados fatores como nível de pressão sonora em decibéis e por frequências, tipo
de ruído, tipo de exposição e características do local, duração da exposição,
suscetibilidade individual e número de vezes em que a exposição se repete durante o dia
(BRASIL 2006).
A avaliação do ruído tem como objetivo fazer a aferição da exposição individual, a
descrição do campo acústico, o estudo das condições de comunicação e o projeto de
métodos de controle.
Vibrações
Vibração é um agente prejudicial, sendo percebida em várias atividades que
envolvem nosso dia a dia e também no trabalho. As frequências sentidas pelo corpo
humano vibram numa determinada frequência. As vibrações são emitidas aos braços
mais comumente através da utilização de ferramentas manuais (Figura 8), portáteis ou
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não, como: serras, motosserras, furadeiras, britadeiras, martelos pneumáticos e
prensas, ligadas ao modo de funcionamento das máquinas e materiais, provavelmente
decorrentes de irregularidade de solo a que as máquinas estão dispostas (GUERREIRO,
2002).
Figura 8: Ferramenta de trabalho que utiliza vibração
Fonte: GUERREIRO (2002).
Agentes das mãos e braços causam alguns sintomas iniciais, como:
branqueamento em um ou mais dedos de qualquer mão, dor, paralisia, formigamento,
perda da coordenação, falta de delicadeza e dificuldade para realizar tarefas que exijam
a motricidade fina, como dificuldade em pegar um alfinete numa superfície plana,
abotoar a roupa ou virar uma página de um livro. A gravidade dos sintomas é diretamente
proporcional à exposição das vibrações e intensidade (CIMAL, 2010).
Temperatura extremas
O frio é um risco físico que apresenta processos de liberação de calor. Um
ambiente considerado frio, para Ponzetto (2007), é quando a temperatura permanece
inferior ao que o corpo humano está acostumado a sentir, porém cada pessoa sente
variações de temperatura diferentes. Uma pessoa que mora há anos em uma região
quente e se muda para uma região fria sentirá o clima como sendo bem inferior, se
comparado com um morador antigo da região.
Esse modo de adaptação é característica do ser humano, entretanto, há uma
necessidade de ajuste das condições circulatórias do indivíduo à região em que foi
submetido. Essa condição muda nos ambientes profissionais, porque a temperatura é
controlada, bem como a exposição do trabalhador nesta situação. Como exemplo,
podemos citar uma câmara frigorífica, em que os termômetros marcam uma
temperatura inferior a 25ºC (PONZETTO, 2007).
A exposição ao frio pode causar efeitos danosos ao organismo, pois causará
prejuízo aos tecidos corporais, com consequente redução interna do corpo humano.
Interessante lembrar que a temperatura corporal varia em média de 36ºC. Podemos
associar algumas doenças ligadas ao frio intenso, com consequências neurológicas,
como no caso de desmaio e convulsões; doenças associadas a problemas
dermatológicos como urticária; irritação cutânea e hipóxia celular (Figura 9), além de
perdas de membro pela falta de oxigenação, ou seja, amputações.
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Figura 9: Enfermidades que mais acomete os trabalhadores em ambiente
Fonte: https://medsimples.com/fenomeno-de-raynaud.
As altas temperaturas e o sol intenso exigem maior atenção em relação à saúde
do trabalhador. Por isso, a baixa imunidade e doenças do calor podem surgir e provocar
sérias consequências ao nosso corpo. Sendo assim, é muito importante saber quais os
riscos que corremos e como podemos evitar as doenças relacionadas aos dias quentes.
(CARDELLA, 1999)
Portanto, veja a seguir alguns dos problemas de saúde que o calor pode causar
(Figura 10):
Figura 10: Algumas doenças causadas pelas altas temperaturas
Fonte: Autoria própria (2023)
Pressão atmosférica
Conforme Ponzetto (2007), pressões atmosféricas são aquelas que possuem
pressão menor que a existente ao nível do mar, dentre elas as atividades submarinas e
mergulhos (Figura 11). Podemos também relacionar atividades de reabilitação,
como as câmaras hiperbáricas, nas quais se efetuam atividades médicas e outros
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trabalhos sob elevadas pressões atmosféricas. Quando a pessoa está num ambiente de
baixa pressão, ocorre diminuição do transporte de oxigênio, afetando o metabolismo das
células, levando à hipóxia (falta de oxigênio).
Um dos primeiros efeitos a serem percebidos é a perda da visão noturna,
começando sua manifestação a partir de uma altura de 1.800 metros. Acima desta,
começa a perda parcial de memória, coordenação, euforia, confusão e morte
(PONZETTO, 2007).
Portanto, cuidados com despressurização devem ser tomados, a fim de manter a
pressão parcial do oxigênio o mais perto possível do valor normal ao nível do mar, a fim
de haver precaução com sequelas associadas às pressões atmosféricas.
Figura 11: Profissões que trabalham em ambiente de pressões atmosféricas
Fonte: http://tstnws.blogspot.com/2018/01/pressoes.html
Radiação
Segundo Schneider (2004), são formas de energia que se transmitem por ondas
eletromagnéticas e sua absorção pelo organismo pode ocasionar o aparecimento de
lesões. É classificada em radiação ionizante (radioterapia e raios X) e radiação não
ionizante (radiação infravermelha, ultravioleta, laser, microondas, entre outras),conforme Figura 12.
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Figura 12: Formas de energia que transmitem Radiação Não Ionizante e Ionizante
Fonte: https://www.whcengenharia.com.br/post/
Para Ponzetto (2007), as fontes de radiação ionizante são de dois tipos:
a. radiação natural: é encontrada em terrenos que emitem radiações gama e
cósmicas. Alguns produtos utilizados na construção civil podem gerar algum
tipo de radiação. Existe também a radiação em determinados alimentos, na
água e no ar.
b. radiação artificial: é encontrada em aparelhos de televisão, monitores de
computador, diais luminosos de relógio e sinais luminosos. Fazem parte desse
grupo os raios X, gama e beta, que são usados para diagnósticos de
tratamentos.
Para Schneider (2004), há vários efeitos nocivos no ser humano causados pela
radiação ionizante. Como exemplo, podemos citar: retardamento do crescimento,
problemas de tireoide, câncer, dentre outros.
Umidade
O Anexo nº 10 da NR 15 aborda sobre a umidade, classificando-a como atividades
executadas em locais alagados ou encharcados, com umidade excessiva (Figura 13),
capazes de produzir prejuízos à saúde dos trabalhadores. Antes da determinação do
perigo que um ambiente pode apresentar, deve ser realizada uma inspeção através de
um laudo, a fim de ser comprovado que o ambiente é úmido. De qualquer maneira, a
exposição excessiva do trabalhador à umidade pode gerar doenças respiratórias, de
pele, no aparelho circulatório, dentre outras, além de traumatismos por quedas devido a
escorregões e desequilíbrio (PONZETTO, 2007).
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Figura 13: Ambiente com presença de mofo pode prejudicar a saúde do trabalhador.
Fonte: https://www.ymune.com.br/mofo-em-casa-qual-o-problema-para-a-saude/
Iluminação
Conforme Bidoni (2001), a iluminação é importante para que o ser humano possa
desenvolver suas atividades de maneira eficaz, principalmente no ambiente de trabalho.
Vários problemas estão relacionados com a baixa luminosidade, como: visão distorcida,
baixa estima, falta de disposição para o trabalho, resultando em atividades mal
executadas, erros e acidentes de trabalho.
Já que a baixa luminosidade está relacionada diretamente com a queda da
produtividade e consequentemente na qualidade da produção, o ideal seria a instalação
de uma luminária adequada (Figura 14), a fim de diminuir a fadiga visual e proporcionar
um ambiente adequado para o desenvolvimento laboral, melhorando, por conseguinte, a
qualidade de vida do trabalhador.
Figura 14: Local de trabalho com pouca e com adequada iluminação.
Fonte: BIDONE (2001).
Já que a baixa luminosidade está relacionada diretamente com a queda da
produtividade e consequentemente na qualidade da produção, o ideal seria a instalação
de uma luminária adequada, a fim de diminuir a fadiga visual e proporcionar um ambiente
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adequado para o desenvolvimento laboral, melhorando, por conseguinte, a qualidade de
vida do trabalhador.
Existem duas categorias de iluminação: uma provém de fontes naturais e a outra
de fontes artificiais (Figura 15). É simples concluir que a iluminação natural vem
diretamente do Sol, ou seja, da luz solar, ao passo que a iluminação artificial é criada
usando lâmpadas elétricas, com uma ampla variedade de tipos e modelos disponíveis no
mercado atualmente (BIDONI, 2001).
Figura 15: Luz Natural e Luz
Fonte: Autoria própria (2023)
2.2.2 Riscos ergonômicos
A ergonomia, também conceituada como engenharia humana, estuda as relações
entre o homem e seu ambiente de trabalho. É definida pela Organização Internacional do
Trabalho - OIT como "A aplicação das ciências biológicas humanas em conjunto com os
recursos e técnicas da engenharia para alcançar o ajustamento mútuo, ideal entre o
homem e o seu trabalho, e cujos resultados se medem em termos de eficiência humana
e bem-estar no trabalho" (RISCOS ERGONÔMICOS-FIOCRUZ).
Considera-se risco ergonômico qualquer fator que possa interferir nas
características psicofisiológicas do trabalhador, causando desconforto ou afetando sua
saúde. São exemplos de risco ergonômico: o levantamento e transporte manual de peso,
o ritmo excessivo de trabalho, a monotonia, a repetitividade, a responsabilidade
excessiva, a postura inadequada de trabalho, o trabalho em turnos, entre outros (Figura
16).
Figura 16: Postura no local de trabalho
Fonte: https://www.hossokawa.com.br/ma-postura-no-trabalho/
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Os riscos ergonômicos estão relacionados à organização e gestão no ambiente de
trabalho, bem como na execução e organização de todos os tipos atividades laborais,
atividades como a altura inadequada do assento da cadeira, os esforços repetitivos, os
turnos diferenciados, controle rígido da produtividade, a monotonia do trabalho, o
isolamento do trabalhador e falta de treinamento do profissional predispõe o trabalhador
ao adoecimento (RIBEIRO et al., 2017).
A norma regulamentadora nº 17 (NR 17) do Ministério do Trabalho e Emprego
estabelece parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às
características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo
de conforto, segurança e desempenho eficiente. Para a rotina de trabalho em
laboratórios, a NR 17 recomenda para os trabalhos que exigem a postura em pé a
verificação da possibilidade de executar o trabalho na posição sentada, bem como a
colocação de assentos para descanso em locais onde os trabalhadores possam utilizá-
los durante as pausas.
Acaso não seja possível, é necessário (sempre que possível) que a configuração
de todos os móveis e equipamentos seja adequada à altura dos profissionais (Figura 17).
Para atividades próximas à bancada, é indicada a postura com o ângulo de conforto do
tornozelo em torno de 90º e sem inclinar a coluna para frente. Adicionalmente, prevê
pausas compensatórias a cada intervalo de tempo trabalhado e estímulo à ingestão de
água para minimizar a tendência à desidratação gerada pela climatização artificial.
Figura 17: Móveis corretos para uso em laboratório
Fonte:https://okup.com.br/conheca-5-equipamentos-de-ergonomia-fundamentais-para-sua-empresa/
Para profissionais que exercem atividades repetitivas em laboratórios, as
posturas prolongadas e técnicas mais específicas, como a pipetagem ou manuseio de
equipamentos como uso do microscópio, micrótomo e computadores, podem contribuir
para o comprometimento do sistema musculoesquelético e risco do desenvolvimento da
Lesão por Esforço Repetitivo ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho
(LER/DORT) (Figura 18) e estratégias de pausas e alongamentos são exemplos de
medidas preventivas e protetivas à saúde de trabalhador (RIBEIRO et al., 2017).
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Figura 18: Locais mais acometidos por LER/DORT
Fonte:http://www.cerestprudente.com.br/noticias/dia-internacional-de-combate-as-ler-dort.html/
2.3 RISCO BIOLÓGICO
O risco biológico constitui uma ameaça de grande potencial e está associado ao
manuseio ou contato com agentes biológicos (microrganismos e seus subprodutos) que
possuam a capacidade de produzir efeitos nocivos sobre os seres humanos, animais ou
meio ambiente.
Entre os agentes de risco biológicos podemos citar os vírus, bactérias, parasitas,
protozoários, fungos e bacilos (Figura 19) (RISCOS BIOLÓGICOS-FIOCRUZ). Os agentes
podem estar veiculados de diversas formas, como aerossóis, poeiras, alimentos,
instrumentos de laboratório, água, cultura, amostras biológicas (sangue, urina, escarro,
secreções), entre outros, podendo tornar-se fonte de contaminação para os
manipuladores (RISCOS BIOLÓGICOS-UNIFAL/MG).
Figura 19: Vírus, bactérias, parasitas, protozoários, fungos e bacilos
Fonte: https://br.freepik.com/vetores/riscos-biologicos/13
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As principais vias envolvidas num processo de contaminação biológica são a via
cutânea ou percutânea (com ou sem lesões, por acidente comagulhas e vidraria e na
experimentação animal, com arranhões e mordidas), a via respiratória (aerossóis), a via
conjuntiva e a via oral (Figura 20) (RODRIGUES, 2010). Em 2017, o Ministério da Saúde
publicou a 3ª edição da Classificação de Risco dos Agentes Biológicos, atualmente
vigente no Brasil. Este documento informa quais são os agentes biológicos e sua
distribuição em classes de riscos, em função de critérios como possibilidade de causar
dano ao ser humano (REIS; GALINDO, 2020).
Figura 20: Vias de contaminação biológicas
Fonte: https://www.istockphoto.com/br/vetor
A avaliação de risco de agentes biológicos estabelece critérios que permitem o
reconhecimento, a identificação e a probabilidade do dano. A partir disso, propõe uma
classificação em classes de risco distintas de acordo com a gravidade dos danos
(BRASIL, 2006).
A classificação dos agentes biológicos patogênicos para o homem segue alguns
parâmetros, como gravidade da infecção, nível da capacidade de disseminação no meio
ambiente, a existência ou não de medidas profiláticas (como vacinas) e da existência ou
não de tratamentos eficazes (NR-32) (Tabela 1). A classificação existente em cada país
pode variar dos demais, embora concordem em relação à grande maioria dos agentes,
por apresentarem algumas diferenças em função de fatores regionais específicos
(BRASIL, 2017).
A avaliação de risco dos agentes biológicos se dá por meio da estimativa do risco,
do dimensionamento da estrutura para a contenção e da tomada de decisão para o
gerenciamento dos riscos. Os critérios para avaliação dos riscos são: natureza do agente
biológico, virulência, modo de transmissão, estabilidade, concentração e volume,
origem do agente biológico potencialmente patogênico, disponibilidade de medidas
profiláticas eficazes, disponibilidade de tratamento eficaz, dose infectante e
manipulação do agente biológico (BRASIL, 2017).
BIOSSEGURANÇA
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Tabela 1 – Classificação dos Agentes Riscos Biológicos
Fonte: BRASIL (2017)
Existem quatro níveis de biossegurança: NB-1, NB-2, NB-3 e NB-4, crescentes no
maior grau de contenção e complexidade do nível de proteção. O nível de biossegurança
de um experimento será determinado segundo o organismo de maior classe de risco
envolvido no experimento, bem como avaliação prévia dos riscos, a exemplo de geração
de aerossóis, volume de cultura e imunização da população local (BRASIL, 2017).
2.3.1 Nível de Biossegurança 1 - NB – 1
É adequado ao trabalho que envolva agente com o menor grau de risco patogênico
para o pessoal do laboratório e para o meio ambiente. Neste nível de contenção, o
laboratório não necessita estar separado das demais dependências do edifício. O
trabalho é conduzido, em geral, em bancada.
Medidas Laboratoriais para o NB – 1:
∙ Limitar o acesso ao laboratório mediante autorização;
∙ Capacitar alunos, técnicos, professores e colaboradores para atividades no
laboratório de acordo com procedimentos de Biossegurança;
∙ Manter o laboratório limpo e organizado;
∙ Promover a descontaminação das superfícies de trabalho pelo menos uma vez
ao dia ou sempre que ocorrer derramamento de material viável;
∙ Sempre lavar as mãos após manipulação de material biológico, após remoção
das luvas e antes de sair do laboratório;
∙ Nunca pipetar com a boca. Usar pera ou pipetador automático;
∙ Sempre realizar a descontaminação de todo resíduo líquido ou sólido
contaminado;
∙ Se houver derramamento de OGM, proceder a descontaminação com
Hipoclorito a 1% ou etanol a 70%, inclusive de equipamentos;
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∙ Para autoclavar os materiais contaminados, acondicioná-los recipientes
rígidos e à prova de vazamentos;
∙ Não fumar, não comer, não beber no laboratório. Não aplicar cosméticos.
∙ Não estocar comida ou bebida no laboratório. Evitar uso de adornos corporais;
∙ Nunca usar vidraria quebrada ou trincada. Descartá-las imediatamente;
∙ Elaborar um programa de controle de insetos e roedores.
Infraestrutura, Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva para o NB – 1:
∙ Utilização obrigatória de jaleco e disponibilizar para possíveis visitantes;
∙ Utilização obrigatória de sapatos fechados;
∙ Utilização de luvas e óculos de proteção sempre que necessário;
∙ O laboratório deverá possuir entrada individual e saída de emergência;
∙ Pia para lavagem e higienização das mãos;
∙ Deverá possuir cabine de segurança biológica quando se desejar evitar
contaminações externas aos microrganismos manipulados.
2.3.2 Nível de Biossegurança 2 - NB – 2
Reúne os trabalhos que envolvam agentes biológicos de risco individual
moderado, mas baixo risco coletivo e para o meio ambiente. No NB-2, há a exigência de
que determinados procedimentos, nos quais exista possibilidade de formação de
aerossóis infecciosos, sejam conduzidos em cabines de segurança biológica. Além
disso, o laboratório deve possuir acesso restrito.
Medidas Laboratoriais para o NB – 2:
∙ O uso de agulhas, seringas e outros objetos perfurocortantes deve ser restrito.
A manipulação de agulhas deve ser cautelosa para evitar a auto-inoculação e a
produção de aerossóis durante o uso e descarte;
∙ Não quebrar, entortar ou recapear agulhas. Desprezá-las em recipiente
resistente, inquebrável, de abertura larga, conforme rege a resolução
306/ANVISA, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento
de resíduos de serviços de saúde;
∙ Descartar os recipientes de perfurocortantes quando o preenchimento atingir
2/3 de sua capacidade ou o nível de preenchimento ficar a 5 cm de distância da
abertura do recipiente;
∙ É proibido o seu esvaziamento ou reaproveitamento de recipientes de
descarte. Estes devem ser autoclavados ou incinerados quando atingirem sua
capacidade máxima;
∙ Procedimentos que possam gerar aerossóis infecciosos, bem como abertura
de frascos de cultura, devem ser conduzidos em cabines de segurança
biológica;
∙ É proibido o trânsito nos corredores com material contaminado, a não ser que
esteja acondicionado conforme normas de biossegurança;
∙ Restringir o acesso ao laboratório durante os experimentos.
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Infraestrutura, Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva para o NB – 2:
∙ Usar sempre jaleco e luvas ao manipular material contaminado e retirá-lo antes
de sair do laboratório;
∙ Utilizar cabines de segurança biológica (Classe I ou II) em procedimentos com
elevado potencial de geração de aerossóis, como centrifugação,
homogeneização, agitação vigorosa, ruptura por sonicação, manipulação de
altas concentrações ou grandes volumes de cultura contendo OGMs, os quais
deverão ser centrifugados com frascos lacrados e abertos apenas no interior
das cabines de segurança biológica;
∙ O Laboratório deve ser separado de outras construções, por uma antessala ou
pelo próprio Laboratório NB-1;
∙ Todos os requisitos necessários para a entrada no laboratório devem estar
assinalados na porta de entrada, juntamente com um aviso sinalizando o risco
e identificando o agente.
2.3.3 Nível de Biossegurança 3 - NB - 3
A classificação NB – 3 é utilizada em laboratórios que trabalham com agentes de
risco biológico da classe 3 que causam doenças em seres humanos ou em animais e
podem representar risco se disseminados na comunidade, mas que usualmente existem
medidas de tratamento e prevenção. Essa classificação exige uma estrutura de
contenção para impedir a transmissão de agentes pelo ar.
Medidas Laboratoriais para o NB – 3:
∙ Restringir o acesso ao laboratório apenas para pessoal treinado e autorizado;
∙ Manipular frascos e culturas contaminados no interior de cabines de segurança
biológica a fim de minimizar a formação de aerossóis;
∙ Realizar a descontaminação de equipamentos e superfícies de trabalho
rotineiramente com um desinfetante eficaz após a conclusão do trabalho com
materiais infecciosos;
∙ Notificar ao chefe de laboratório os acidentes com exposição a material
infeccioso;