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1 Aula 4 CEDERJ – CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE AULA PARA EAD (MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO) CURSO: Letras DISCIPLINA: Lugar, ambiente, artes. CONTEUDISTA: José Maurício Saldanha Álvarez AULA 4 – TÍTULO. As conferências mundial de sustentabilidade e as ameaças globais. Meta da Aula Analisar a importância das conferências mundiais sobre natureza, ambiente sustentabilidade e mudanças climáticas e a produção de alimentos pela agricultura numa escala planetária. Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: 1. Definir as conferências como uma tomada de posição gradual, aperfeiçoando a vida humana no mundo de maneira solidária e sustentável. 2. Compreender o despertar ambiental como um processo multifacetado, onde diferentes atores elaboram estratégias destinadas a defender o planeta mediante práticas de crescimento econômicas sustentáveis. 3. Descrever a sustentabilidade e as contradições do desenvolvimento entre países ricos e pobres, enfrentando revertendo as ameaças globais. 2 Uma governança mundial para um problema planetário? Nas épocas mais recuadas as políticas ambientais eram tópicas, como a iniciativa do imperador Adriano, na Roma Antiga, interditando o corte das matas no Líbano. Conforme vimos na Aula 2, os primeiros governos mundiais eram impérios antigos. No entanto, desde 1648, os Estados Nacionais modernos na Europa se consolidaram como atores internacionais e detentores da autoridade interna no interior de suas fronteiras e respectivos ambientes. Apesar de seu poder, eles não conseguiram produzir uma ação ambiental capaz de proteger seu território inteiro. Na verdade alguns bens como madeira eram consumidos velozmente. Os regulamentos de proteção vigentes visavam ao que pertencia ao monarca, eram descolados do interesse coletivo. Somente após a Revolução política e industrial, é que florestas, águas e subsolo se tornaram patrimônios públicos para serem, em seguida, privatizados por empreendedores como o pai Grandet. As florestas na França, por exemplo, era propriedade da nobreza, do clero e do rei. Sem guarda eficaz, criminosos nelas se abrigavam. O povo comum no século XVII e XVIII pressionavam as florestas do rei. Furtava madeira para lenha, abatiam árvores e matavam caça e retiravam vários recursos. (Schama, 187). No século XVII e XVIII, a madeira por causa da extração descontrolado, era matéria prima escassa, e tão essencial para construção naval a ponto de o ministro Colbert declarar “A França perecerá por falta de madeira!” (Schama, 183). Construção naval com madeira. West Indies Docks. Wikipédia. Também a Inglaterra e a Holanda abatiam suas florestas para construir navios. Em breve tiveram de recorrer a outras fontes de suprimento como fez a Royal Navy, que passou a cortar arvores das suas colônias norte-americanas. Quando esta fonte fechou suas portas, com 3 a independência dos Estados Unidos, ela adquiriu madeira de florestas polonesas e lituanas. (Ponting, 2007, p.277). A guerra, como já dissemos, era uma atividade faminta de armas de metal especialmente canhões. E, no século XIX, a espinha dorsal da indústria britânica de bens de capital – a siderurgia e ramos correlatos - continuou a ser um braço subalterno do exército e da marinha britânicas. Mas as siderúrgicas antes da descoberta do uso do carvão (os chineses já o usavam, séculos antes), empregavam madeira e exterminavam florestas inteiras. (Arrighi, Silver, 2000, 267). A célebre floresta de Sherwood, lar do mítico herói medieval, Robin Hood, (os portugueses o denominam de Robin dos bosques) quase desapareceu nessa época, (Schama,159). Entre o ambiente e as fumaças do progresso Nos finais do século XVIII, com as Luzes e, no XIX, com o Romantismo, surgiu o primeiro debate ambiental, alimentado por naturalistas, poetas, escritores e ilustradores e que proporcionaram a seu público, como lemos na aula 3, uma visão da importância e o lugar do homem dentro dela. (McCormick, 1992, 4). No entanto, o liberalismo econômico tinha por meta, o progresso com lucros a todo o custo, criando enorme poluição e arremessando na atmosfera, partículas pesadas ao longo de todo o processo. Naquele tempo não se sabia do poluente primário e, menos ainda dos secundários que, em contato com os primeiros, criam novas ameaças. Em suma: nessa época, céu fuliginoso, ar irrespirável e tóxico significava progresso e....lucros! A cidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos em 1857. Observe as chaminés fumegantes. Wikipédia. Após 1945 em diante, nos Estados Unidos, a sociedade afluente e o incremento do consumo, aceleraram a produção industrial acrescida pelo acesso ao temido poder nuclear. (Worster, 342). O crescimento do uso do combustível fóssil, o petróleo, subiu de 294 tons em 4 1940, para 2.300 tons nos anos 1970 (Ponting, 2007, 287). Foi na época chamada de “a era de ouro do capitalismo.” (Arrighi, Silver, 2007, 307.) A intensa atividade industrial norte- americana desde então, a chegada dos Tigres Asiáticos, mais o ingresso da China no mercado de consumo, nos anos 1990, abocanharam mais recursos naturais. Nessa época, surgiu um texto denominado Consenso de Washington, contendo fórmulas neoliberais em economia, e pretensamente modernizantes. Oriunda de um centro importante, se mostrou sedutora para países do Terceiro mundo, em especial, a República Argentina e o Chile. Na época, ambos viviam ditaduras militares, que, na ânsia de progredirem e serem reconhecidos como modernas, adotaram suas desastrosas práticas econômicas. Ao mesmo tempo, se deflagraram ameaças planetárias como o aquecimento global, o rombo na camada de ozônio e o derretimento das calotas polares, resultado do uso crescente do CFC (Ponting, 2007, 382). A ameaça mais recente ambiental é o surgimento de lagos azuis na Antártida, como resultado do derretimento dos glaciares. A defesa mundial do meio-ambiente, trabalho lento e paciente. As ameaças ambientais identificadas para serem debeladas e enfrentadas, precisavam do suporte de uma plataforma coordenadora. Ela para ser bem sucedida, deveria operar a nível mundial. Após 1945, surgiu a Organização das Nações Unidas, que não pretendia ser um governo mundial. No entanto, coube a essa organização desenvolver uma política ambiental ativa e persistente. Ela se responsabilizou pelas primeiras medidas efetivas que, de alguma forma, correspondem a um princípio de governança mundial no campo do ambiente. Exatamente por ser planetária, a ONU possuía suporte moral e político consolidando a tomada das decisões para frear o avanço da destruição ambiental. A organização era capaz de obter o consenso entre diferentes atores, mediante práticas pactuadas, negociadas e aceitas pela comunidade internacional. Outro problema é o processo representado pela sustentabilidade que, em princípio, nos permite continuar produzindo gerando empregos e desenvolvendo. Mas usando de maneira racional os recursos, mantendo o equilíbrio do ambiente e dos ecossistemas. No entanto, ainda existem controvérsias quanto aos limites da sustentabilidade e do desenvolvimento nas bases atuais. Finalmente, uma tarefa para super- heróis: as ameaças globais, derivadas dos processos de poluição descontrolada ocorrida desde a Revolução Industrial, resultando em graves alterações climáticas. No dia 25 de abril do mesmo ano, na Conferência de São Francisco, nos EUA, nasceu a Carta das Nações Unidas, cuja sede adotou a cosmopolita cidade de Nova York. http://www.dhnet.org.br/abc/onu/onu_humana_global_onu.pdf,Ana Isabel Xavier, 2005, 30). http://www.dhnet.org.br/abc/onu/onu_humana_global_onu.pdf,Ana 5 A organização da ONU e seu compromisso ambiental A Organização das Nações Unidas dispõe de vários órgãos complementares como as diferentesagências, uma delas o Programa Alimentar Mundial (PAM), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e UNESCO, que trabalha com políticas e questões culturais. Sob a batuta da ONU, surgiram as preocupações sobre o meio ambiente, decorrentes do crescimento esbanjador da “era de ouro”. Assim, as questões relativas à defesa ambiental e o desafio de manter o desenvolvimento, passaram à ordem do dia, o que significa planejar. As grandes empresas, bem como os ministérios, planejam no curto prazo porque o processo eleitoral altera os governos a cada quatro anos. Nos países subdesenvolvidos e pobres, as cidades crescem desordenadamente, acrescentando periferias faveladas, com especuladores avançando sobre terras públicas, sobre biomas como o manguezal, que terminam degradados. Nós conseguimos, como sociedade, planejar com sucesso uma corrida espacial ou incrementar políticas armamentistas, mas pouco fazemos para alterar as perspectivas de vida degradada nas cidades subdesenvolvidas que são aterrorizantes (John Davy,1998, 2866). Após os primeiros impactos do livro de Rachel Carson e outras ações, como a Conferência de Estocolmo, a mídia achou que a década de 1970 seria a época da ecologia (Woerter,358). Várias vozes se ouviram, assinalando a necessidade de correção de rumos, como o pensador polonês Ignacy Sachs (1927). Deve-se, a ele, a ideia do desenvolvimento sustentável, preservando o ambiente da destruição e o resguardando para as próximas gerações. Em um dos seus livros, Sachs propugnou por um desenvolvimento de todos, isto é, inclusivo. No entanto, a tese mais complexa do desenvolvimento racional, passa pelo planejamento cauteloso da sustentabilidade ambiental e social (Sachs, 2004, 15). Um governo deve saber lidar ou gerenciar as crises, planejar, mobilizar recursos. Por exemplo, na reconstrução da Europa, após 1945, foi preciso criar muitos empregos de baixa produtividade (Sachs, 2004, 18). Outro pensador econômico que ajudou a moldar o conceito de sustentabilidade, foi Joseph Stiglitz, que propugnava uma ampla cooperação internacional, elaborando políticas conjuntas, alinhadas, coordenadas e descentralizadas. Stiglitz sugere que o papel do estado deva ser o de um agente ativo, vendo, ainda, aspectos importantes no comércio globalizado (Stiglitz, 15). Para esses autores, isso preconizaria uma cooperação internacional sob três linhas de ação: Governança global, regimes interacionais e abordagens organizacionais. Uma https://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_Alimentar_Mundial https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas_para_a_Inf%C3%A2ncia https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas_para_a_Inf%C3%A2ncia Highlight 6 globalização democrática deve levar em conta todos os países do mundo e uma governança igualmente global (Stiglitz, 18). Sustentabilidade, essa palavra tão empregada, e se consolidou quando, em 1973, o canadense Maurice Strong, coordenador da Conferência de Estocolmo, juntamente com Ignacy Sachs, passam por ser os criadores do conceito de eco desenvolvimento, criticando autoridades governamentais como os ministros de finanças e economia, por prestarem pouca atenção ao problema ou se eximirem de participar de sua solução. Daí Sachs, pessoalmente, se bater por mecanismos de governança global (Stiglitz,2007, 21). A primeira aplicação dessas receitas ocorreu no Chile ainda sob o governo do general Pinochet (1915-2006), sendo seus mentores apelidados de Chicago Boys. As medidas foram aplicadas na Inglaterra de Margaret Thatcher (1925-2013), nos EUA, sob o governo Ronald Reagan (1911-2004), e foram desastrosos ao serem implementados na Argentina dos governos militares. O contexto internacional de crise nos anos1990, com o colapso da URSS e o rompimento da política bipolar da guerra fria, até a crise da Ásia, em 1997, terminou em medidas que desestabilizaram a economia de muitos países latino-americanos como a Argentina. Atividade. Atende aos objetivos 1 e 2. Responde às perguntas seguintes: 1. A humanidade tinha, até 1964, alguma ideia dos males da poluição ambiental? 2. Mesmo não sendo um governo mundial, como pode a ONU mostrar-se fundamental na proteção ao meio ambiente e o planeta? 3. Quais são os principais pensadores e a síntese de suas ideias que levaram a sustentabilidade? Respostas comentadas 1. O pensamento dominante que era liberal considerava parte do progresso e natural altas taxas de poluição. Pela destruição criativa, a humanidade avançava, progressiva, e a natureza era convencida, pois era destino do homem dominar a natureza e a terra, mesmo que os românticos reclamassem da sujeira, da miséria, da degradação humana e ambiental provocada pela poluição. 2. Depois do fracasso da Liga das Nações, a ONU, após 1945, surgiu em bases mais dispostas a um diálogo multilateral são qual se agregaram novos países. Desde a carta do Atlântico e a partir de 1945, surgiu uma organização mundial que logo se ramificou 7 em outros organismos como a FAO e a UNESCO, procurando levar os países membros nos debates a uma concertação política possível. 3. Desde 1960 que o agravamento da questão ambiental levou a ONU a desenvolver fóruns para abordar a questão multilateralmente. Mobilizados, pensadores como Sachs, propunha a sustentabilidade de um desenvolvimento sob equilíbrio, enquanto Stiglitz sugeriu que os estados nacionais tivessem papel ativo no desenvolvimento sustentável, tendo ele e Maurice Strong proposto, em Estocolmo, o conceito de sustentabilidade. Os recursos do mundo já acabaram várias vezes em algum lugar no passado Durante séculos, os homens conviveram com problemas ambientais. Vamos sumariar três casos dramáticos. As evidências arqueológicas desses apocalipses localizados causou grande impacto na comunidade de estudiosos. Citemos, por exemplo, o colapso da civilização maia, onde haviam vastas cidades com quase um milhão de habitantes, estados enormes, comercio intenso, escrita avançadíssima, dinastias poderosas. Hoje, ao ver suas cidades vazias e perdidas no meio de matas luxuriantes, nos indagamos: se tão poderosas, porque desapareceram? O mais provável foi a ocorrência de uma catástrofe ambiental que esgotou os recursos hídricos e florestais. As perturbações levaram ao rompimento da ordem baseada na elite e em seu sistema de crenças e o colapso resultou na versão maia de apocalipse. Mapa histórico dos territórios habitados por povos de língua maia. Wikipédia. A Ilha de Páscoa, no Oceano Pacifico , é chamada de Rapa-Nui, em Polinésio. É, até onde sabemos, o ponto mais extremo da expansão polinésia, uma cultura de navegantes sofisticados e destemidos. No entanto, ela era isolada e os polinésios não conseguiam navegar a partir dali. Consumida toda a madeira para construir barcos, onde viajavam os polinésios, a população ficou presa nela. Quando a população cresceu desmesuradamente, todos os 8 recursos naturais da ilha se esgotaram. O resultado foi um conflito generalizado, surgindo o canibalismo e a destruição de uma cultura versátil. Ilha de Páscoa, Jesse Allen, NASA Earth Observatory, using data obtained from the University of Maryland’s Global Land Cover Facility. Wikipédia. Outro fim do mundo ocorreu com os colonos vikings na Groelândia. Vindos do continente, Dinamarca e Noruega, povoaram o litoral hospitaleiro da verde e temperada Greenland, ou terra verde. Uma alteração climática fez dessa ilha, verde pelo nome, um deserto glacial. A produção de alimentos declinou, eliminando ou expulsando os colonos. Os arqueólogos localizaram esqueletos do início da colonização mostrando seres humanos cuja média era de 1metro e oitenta de altura. No entanto, como resultado da fome, os últimos colonos tinham menos de 1 metro e sessenta e membros deformados. Finalmente desapareceram. No Camboja, a imensa cidadede Angkor Wat, do império Khmer, no atual Camboja, viu seus recursos hídricos explorados sem controle se perderam, justamente quando eram mais precisos. Em breve sua poderosa cidade foi abandonada. Acidentes mostram o risco ambiental da indústria moderna Na nossa era Moderna, foi somente na segunda metade do século XX, que o avanço da poluição ambiental, como lemos na aula 3, deu início a uma atitude defensiva. A posição da indústria e, em especial, dos industriais e sua publicidade, havia criado para seus produtos uma mística imbatível. Era cientifico e industrial, era irrecusável. No entanto, os sintomas de desarranjo ambiental surgiram. Os homens lidaram com eles, inicialmente, com enorme perplexidade. 9 Operação Crossroads (Operation Crossroads), em 25 de julho de 1946 no atol de Bikini. Original: United States Department of Defense (either the U.S. Army or the U.S. Navy) Obra derivada: Victorrocha (talk) -Operation_Crossroads_Baker_(wide).jpg A série de testes nucleares norte-americanos na atmosfera no Novo México e outros lugares, resultaram em aumento dramático de câncer por radiação. Especialmente nas comunidades localizadas próximas dos locais de teste por causa da dispersão atmosférica, também cresceram os riscos do armazenamento dos resíduos nucleares (Worster, 346). Por outro lado, a indústria automobilística custou a aceitar que 500 milhões de carros, rodando no mundo, poluíssem. Alguns países integrantes da União Europeia, somente em 1993, introduziram em seus veículos dispositivos redutores de poluição (Ponting, 379). A produção industrial descontrolada gerou acidentes com trágicas consequências ambientais e humanas. No Japão, a baia de Minamata havia sido contaminada por toneladas de metal pesado por anos a fio. Ao analisar detidamente os pacientes internados nos hospitais, os estudiosos da Universidade de Kumamoto constataram de que não se tratava de uma doença, mas de envenenamento. Na região, havia o complexo industrial de Chisso, que produzia fertilizantes e despejava nas aguas da baia, toneladas de resíduos e metais pesados. Como se tratava de uma região costeira e pesqueira, o pescado e frutos do mar estavam contaminados com mercúrio. Um total de 3000 pessoas foram afetadas. Setenta morreram. Como em Mariana, era proibido falar mal da Chisso, que era uma grande empregadora na cidade. Ao final de uma longa batalha jurídica e pessoal, a comunidade de Minamata, finalmente, venceu. Ao contrário de empresas poluidoras brasileiras, o presidente da Chisso, prestou reverencia às vítimas e pediu humildes desculpas pelo desastre. Veja as imagens dramáticas no vídeo Desastre de Minamata - YouTube. A foto da jovem mãe com seu filho deformado no berço é impactante. Outra tragédia ocorreu em Bhopal, Índia, em dezembro e 1984. Ocorreu o vazamento tóxico de pesticidas da empresa Union Carbide, contaminando 500 mil pessoas. Como a https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Crossroads https://pt.wikipedia.org/wiki/25_de_julho https://pt.wikipedia.org/wiki/1946 https://pt.wikipedia.org/wiki/Atol_de_Bikini https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Department_of_Defense https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Army https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Navy https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Navy https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Victorrocha&action=edit&redlink=1 https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=User_talk:Victorrocha&action=edit&redlink=1 https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Operation_Crossroads_Baker_(wide).jpg https://www.youtube.com/watch?v=_zMG0MsyIQ0 10 empresa se recusou a descrever o componente químico, os médicos não sabiam como tratar seus pacientes que até hoje não receberam a informação. A Union Carbide afirmou que não se responsabilizaria, porque o acidente foi devido à sabotagem. E a indústria nuclear? Um grave acidente nuclear ocorreu na ilha americana de Three Mile Island, no rio Susquehanna, em 1979, quando um erro humano e mecânico, devido a cortes de custos, afetou a manutenção. O pior ocorreu na Usina de Chenobyl, na Ucrânia, em 1983, quando um dos reatores explodiu, e uma nuvem radioativa se espalhou pela Europa. Ela atingiu a Escandinávia, impedindo o consumo de plantas e animais da área por algum tempo. Na Ucrânia, mais de 140 mil pessoas tiveram de evacuar a área; cerca de 220 aldeias foram evacuadas e 600 outras tiveram de ser descontaminadas. O número de mortos e pessoas afetadas permanece incerto. No Japão ocorrem vários acidentes nucleares pontuais, sendo que o de Fukushima, o mais grave de todos. Ocorreram ainda nos EUA, acidentes de estocagens de armas nucleares, como o de 1973, em Hartford, Washington, quando cerca de 422.000 galões de material radioativo vazaram. (Ponting, 374). Os anos 1960 e o alarme ambiental Se regressarmos aos anos 1960, veremos que a mídia reportava muito sobre o ambiente, mas devido a novidade do assunto, se expressava de maneira ambivalente. Se as grandes redes midiáticas defendiam intransigentemente a indústria e a destruição criativa, a opinião pública muito lentamente inclinou a balança a favor do ambiente. A defesa ambiental teve início nos anos 1962, quando a renomada biólogo e zoóloga norte-americana Rachel Carson (1907-1964), lançou seu livro polemico: Silent Spring ou Primavera silenciosa denunciando o uso desenfreado de agrotóxicos e defensivos na Nova Inglaterra, que matou seres humanos, animais domésticos e gado. Ao ler o livro, o público se deu conta de que algo estava errado, quando vivenciaram uma primavera onde não havia o trinado dos pássaros no ar para anunciá-la. Segundo alguns pensadores, desde a publicação dessa obra, que vendeu um milhão de exemplares, o movimento ambientalista começou a tomar forma. (McCormick, 1992,47). A reação foi hostil à publicação por parte dos industriais e dos agricultores. A autora argumentou que havia outras formas de controle biológico capazes de combater os parasitos que atacavam a produção agrícola. A obra de Carson acendeu um sinal de alerta, seguidos por diversos governos no mundo, ao mesmo tempo em que, uma reavaliação da palavra natureza, começou a ganhar corpo junto à opinião pública. Obteve-se de imediato um grande resultado: 11 foi banido o uso indiscriminado do DDT. (McCormick, 1992, 85). Ela demonstrou que este pesticida ao ingressar na corrente sanguínea humana, provocava graves doenças, além dos efeitos colaterais. Um pesticida feito para eliminar besouros que destruíam arvores, terminava por matar pássaros e as mesmas árvores eu devim proteger (Carson, 2002 114). O Clube de Roma e seu Relatório Mas as coisas não pararam aí, pois, no mesmo ano de 1968 surgiu, na cidade de Roma, Itália, o chamado Clube de Roma (Dias, 13). Tratava-se de um coletivo que, pela primeira vez debatia economia, sociedade e política envolvidas pela noção de meio ambiente, alertando para a limitação dos recursos planetários. O Clube de Roma foi fundado por elementos destacados da sociedade, como o industrial italiano Aurélio Peccei, empresário da FIAT e da Olivetti, e o cientista escocês Alexandre King. Seus integrantes eram de origem variada e lutavam por uma sociedade capaz de prover melhor qualidade de vida entre diferentes povos, culturas e classes sociais. Buscavam um modo de vida equilibrado, capaz de explorar os recursos naturais com responsabilidade para com a natureza (Colombo, Gabor, King, 3). (http://www.scienzainrete.it/contenuto/articolo/club-di-roma-e-limiti-alla-crescita) O Clube de Roma encomendou e financiou a um grupo de destacados cientistas do prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT), que elaboraram um projeto intitulado Project on the Predicament of Mankind. Eles publicaram, em 1972, o seu famoso relatório, cujo título sugestivo foi: Os Limites do Crescimento. Seu modelo computadorizado previuas trágicas consequências ambientais de uma economia mundial em constante crescimento diante de recursos finitos. O relatório Meadows, fez a sombria previsão de que sem medidas de controle, o planeta estaria esgotado em duzentos ou trezentos anos, mantidos os níveis atuais de crescimento, pois o mundo consumia muito além dos seus limites (Meadows, 1992, XV.). A violenta oposição feita ao documento por parte das indústrias poluidoras e da mídia, ajudou a acender a polemica norte-sul, por colocar em campos opostos os países industrializados e poluidores do Norte, que se aproveitando dos dados do relatório, sugeriam que a defesa ambiental fosse feita às expensas do crescimento da industrialização dos países pobres do Sul. Como mostramos no início da aula, Estados Nacionais viam nessas iniciativas, uma intolerável limitação de suas políticas desenvolvimentistas. http://www.scienzainrete.it/contenuto/articolo/club-di-roma-e-limiti-alla-crescita 12 Atividade 2 Atende aos objetivos 1 e 2 Responda as perguntas seguintes: 1. O que motivou Raquel Carson a escrever seu livro e sumarize o que ela descreveu? 2. Explique como o Clube de Roma percebeu a finitude dos recursos ambientais no planeta? 3. Comente as conclusões do relatório Meadows e as contradições da industrializa e do crescimento populacional em busca do equilibro global. Respostas Comentadas 1. Raquel Carson, renomada bióloga americana, percebeu graves anomalias nas áreas agrícolas após o emprego de pesticidas matando milhões de pássaros. Esses pesticidas ingressavam na cadeia alimentar humana causando graves doenças e morte. Seu livro denunciou a falta de critério cientifico e o oportunismo do uso indiscriminado dessas agentes industriais. 2. O Clube de Roma foi uma reunião informal de pessoas de diferentes origens e profissões, fornecendo uma visão multifacetada interessadas na recuperação do ambiente degradado. O se dar conta das limitações do planeta, em suportar uma produção crescente e descontrolada, pediram a especialistas americanos um relatório sobre a questão. 3. Do pedido do Clube de Roma veio o relatório Meadows que, reunindo especialistas, procedeu a um a balanço minucioso da questão concluindo pela finitude dos recursos planetários o que acendeu uma áspera polêmica com os poluidores, pois, o norte industrializado desejava que a defesa ambiental fosse feita, evitando-se que o Sul, subdesenvolvido tivesse aceso a industrializado. A conferência de Estocolmo 1972 A grande virada da política ambiental no mundo se deu com a Conferência de Estocolmo. Vamos explicar: os lagos da Suécia sofreram danos originados da poluição industrial gerada nos vizinhos industriais. Esse país escandinavo decidiu realizar uma Conferência sobre os impactos ambientais, no que foi apoiada pela ONU, tornando-se a primeira grande convenção internacional sobre o assunto: a Conferência das Nações Unidas Sobre o Ambiente Humano. O interessante é que o primeiro cientista a afirmar a existência de um crescimento anormal da temperatura mundial em 1896, foi um sueco, o Dr. Svante Arhenius. 13 A Conferência se realizou em Estocolmo, entre os dias 5 a 16 de junho de 1972, colocou a questão ambiental na agenda internacional pela primeira vezem toda a sua magnitude (Dresner, 31). Isso se deu no mesmo ano da publicação do rumoroso relatório do Clube de Roma, alertando que os recursos do nosso planeta eram finitos. Esse evento propôs uma discussão ampla e sistematizada da questão ambiental sinalizando que ela deveria ser tratada de maneira global. Dela originou-se a UNEP, ou United Nations Environmental Programme, que assinalou a transição da questão ambiental de um perfil ingênuo e emocional, para um viés mais científico, racional e político (McCormick, 1991, 88). Durante os debates de Estocolmo, ao lado dos problemas ambientais, incluiu-se pela primeira vez a questão da pobreza. Recusando a ligação entre poluição e desenvolvimento, a primeira ministra da Índia, Indira Gandhi, declarou que a pobreza era a pior das poluições (Dresner, 31). A expressão desenvolvimento sustentável, emergiu do relatório definida como a integração da conservação e desenvolvimento, visando garantir a sobrevivência do planeta e o bem-estar de todos os habitantes. Desenvolvimento seria definido como a modificação da biosfera e a aplicação dos humanos, vivos e não vivos, recursos para satisfazer as necessidades humanas e intensificar a qualidade da vida (Dresner, 33). Passamos a saber que 1 suíço consome o equivalente a 40 habitantes da Somália, e é preciso atingir-se um equilíbrio. A conferência alertou para um fato perturbador na modernidade: assim como as pessoas, os agentes poluidores viajam a grandes distâncias. Por causa das condições de vento e da baixa densidade atmosférica, a poluição é conduzida além dos limites territoriais das fontes emissoras da poluição, dando força ao organismo internacional que auxiliava a humanidade a enfrentar problemas ambientais (Ponting, 388). Prosseguindo esse debate, em 1979, realizou-se uma Conferência em Genebra, Suíça, destinada a proteger o ambiente contra os efeitos negativos da poluição atmosférica de longa distância e aperfeiçoar a umidade do ar atmosférico. Visava, ainda, evitar a chuva ácida e a redução dos níveis de acidez tanto no solo como nas águas. Na conferência de Helsinque, Finlândia, em 1983, se discutiu a qualidade do ar e, por da atmosfera, essa fina camada que nos protege. Esta questão se prende ao fato de que, desde o início da revolução industrial, cresceu o uso de combustíveis fosseis que danificaram a camada delicada de gases que nos mantêm vivos (Pollock, Steve, 2000, p.21). 14 O Relatório Brundtland: a sustentabilidade e seus problemas No início da década de 1980, a ONU retomou o debate das questões ambientais. Indicada pela entidade, a primeira-ministra da Noruega, Gro Harpem Brundtland, chefiou a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, e Mansur Khalid. Ambos e mais uma equipe de 27 membros que publicou, em 1987, um relatório intitulado Our Commom Future, o Relatório Brundtland. Ele propõe o desenvolvimento sustentável como sendo “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades”. O relatório demonstrou que os modelos desenvolvimentistas e poluidores, em voga nos países mais industrializados e ricos, eram seguidos pelos países em vias de desenvolvimento. O Relatório assinala os perigos do emprego excessivo dos recursos naturais e ambientais, sem ter em conta o caráter limitado dos ecossistemas. Assinalou, ainda, que o desenvolvimento do modelo industrial de consumo requeria uma reserva ambiental, isto é, requeria um desenvolvimento sustentável. Segundo o Relatório, essa condição deve "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas". O relatório Brundtland, porém, rejeitou o argumento venenoso de que os países pobres em nome da “segurança ambiental mundial” não deveriam se desenvolver (Dresner, 34). Até o circunspecto conselho mundial de igrejas se reuniu e após debater o relatório Grundtland, propugnou que uma sociedade mundial sustentável, requer o consumo estável dos bens terrestres para impedir as variações climáticas extremas (Dresner, 32) Então, alunos! Se vocês quiserem ler esse famoso relatório de 1987, aqui está o site onde ele está disponível em bom português: https://ambiente.wordpress.com/2011/03/22/relatrio-brundtland-a-verso-original/ Conferência de Belgrado, 1975. Essa conferência lançou as bases de Educação Ambiental, e originou a chamada Carta de Belgrado, enfatizando uma educação voltada para o ambiente. A carta, em seu preâmbulo, faz um resumo que já abordamos nas aulas anteriores: “Nossa geração foi testemunhade um crescimento, e de um progresso tecnológico sem precedentes que, mesmo quando aportou benefícios a muitas pessoas, provocou, ao mesmo tempo, graves consequências sociais e ambientais.” Aumentou a desigualdade entre ricos e pobres, entre as nações e dentro delas. Demonstrou inequivocamente as evidências de uma https://pt.wikipedia.org/wiki/1980 https://pt.wikipedia.org/wiki/ONU https://pt.wikipedia.org/wiki/Noruega https://pt.wikipedia.org/wiki/Gro_Harlem_Brundtland https://ambiente.wordpress.com/2011/03/22/relatrio-brundtland-a-verso-original/ 15 crescente degradação ambiental, sob diferentes formas, em escala mundial. Esta situação, apesar de causada principalmente por um número relativamente pequeno de países, afeta a toda humanidade. Sobre a Educação Ambiental Belgrado sugere que: “A reforma dos processos e sistemas educativos é essencial para a elaboração desta nova ética do desenvolvimento e da ordem econômica mundial”. http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/crt_belgrado.pdf. Ao designar um imenso público alvo novo, estudantes e jovens em geral, as propostas de Belgrado na direção de uma sustentabilidade na execução pactuada das políticas. O destinatário principal da Educação Ambiental é o público em geral. Nesse contexto global, as principais categorias são as seguintes: 1. O setor da educação formal: alunos da pré-escola, ensino básico, médio e superior, professores e os profissionais durante sua formação e atualização. 2. O setor da educação não-formal: jovens e adultos de todos os segmentos da população, tais como famílias, trabalhadores, administradores e todos aqueles que dispõem de poder nas áreas ambientais ou não. http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/crt_belgrado.pdf. Conferencia de Tbilisi, na República da Geórgia, 1977. Ela aperfeiçoou o princípio da carta de Belgrado abrangendo objetivos mais ambiciosos e enriquecidos pelos debates suscitados. Sua carta, no preâmbulo, aponta para a importância de se investir no futuro. Pois, nas recentes décadas, “o homem, utilizando o poder de transformar o ambiente, modificou de maneira acelerada o equilíbrio da natureza. A consequência disso é que as espécies vivas ficam frequentemente expostas a perigos às vezes irreversíveis”. http://www.ambiente.sp.gov.br/wp-content/uploads/cea/Tbilisicompleto.pdf. A Educação Ambiental deve atingir pessoas de todas as idades, todos os níveis e âmbitos, tanto da educação formal quanto da não-formal. Os meios de comunicação social têm a grande responsabilidade de colocar seus imensos recursos a serviço dessa missão educativa. Os especialistas em questões ambientais, assim como aqueles cujas ações e decisões podem repercutir de maneira perceptível no ambiente, devem adquirir, no decorrer de sua formação, os conhecimentos e as atitudes necessários e perceber plenamente o sentido de suas responsabilidades a esse respeito. http://www.ambiente.sp.gov.br/wp- ontent/uploads/cea/Tbilisicompleto.pdf. http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/crt_belgrado.pdf http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/crt_belgrado.pdf http://www.ambiente.sp.gov.br/wp-content/uploads/cea/Tbilisicompleto.pdf http://www.ambiente.sp.gov.br/wp-ontent/uploads/cea/Tbilisicompleto.pdf http://www.ambiente.sp.gov.br/wp-ontent/uploads/cea/Tbilisicompleto.pdf 16 Atividade 3 Atende ao objetivo 3 Responda as seguintes questões. 1. Faça um resumo de 5 linhas do Relato Brundtland. 2. Porque a educação ambiental e tão importante conforme expressa na Carta de Belgrado e Tiblisi? 3. Cite três itens da Educação Ambiental que lhe parecem mais importantes: Respostas comentadas. 1. Em 1987, após a conferência Estocolmo, foi publicado o relatório Brundtland, Nosso Futuro Comum (Our Commom Future), propondo um desenvolvimento sustentável como capaz de atender ao presente sem comprometer o futuro. O relatório questionou os modelos de desenvolvimento empregados pelos países ricos que desperdiça recursos necessários sem levar em conta as limitações dos ecossistemas. 2. A Carta de Belgrado, enfatizou a educação voltada para o ambiente. Ao testemunhar um progresso desregrado e exclusivo, que intensificou a desigualdade ente ricos e pobres, o relatório de Tbilisi, sugeriu um aperfeiçoamento por meio da educação para investir no futuro de uma maneira abrangente e para todos. O homem, ao transformar o ambiente, destruiu o mesmo aceleradamente expondo a segurança do planeta e das pessoas. 3. Cite os três itens segundo seu ponto de vista. A ameaça a camada de Ozônio e a conferencia de Montreal, 1988. A conferência de Montreal em 1987, que produziu um importante protocolo debateu a recomposição da camada de ozônio por cerca de 15 gases CFC, o processo de destruição deixa dúvidas se o mesmo pode ou não ser plenamente restaurado. Durante o tempo que se conhecia o efeito perverso, os gases de química artificiais, denominados clorofluorcarbonos os CFC, estavam destruindo a camada de ozônio que protege a Terra. Ela absorve muitas das radiações ultravioletas vindas do espaço exterior e as impedem de atingir o planeta terra. (Vide o Livro de Eli). Os excessos de exposição dos humanos à sua radiação causam doenças como o câncer e a catarata. Nas plantas, o processo torna lenta a fotossíntese, e atinge o Philoplâncton, que é fundamental na cadeia alimentar dos oceanos. Foi somente em 1970 que seus efeitos perversos foram registrados cientificamente (Ponting, 380). 17 Nos finais do mesmo ano, os escandinavos, canadenses e norte-americanos tinham banido os CFC de suas fronteiras. Os países em desenvolvimento receberam suporte para se adequar às mudanças. O protocolo entrou em vigor em 1989 e sendo alterado na conferência de Londres, em 1990, seguindo-se Copenhague 1992, Viena 1995, em 1997, Montreal de novo e, finalmente Pequim, 1999. Em 1985, foi realizada a conferência de Viena, visando proteger a camada de ozônio embora reconhecessem o direito sagrado de perseguirem como o princípio 21 da Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente. Ele garantia aos “Estados, de acordo com a carta das Nações Unidas, e os princípios do direito soberano, de explorar seus próprios recursos, nos termos da suas próprias políticas ambientais, e a responsabilidade de assegurar que atividades dentro da área de sua jurisdição ou controle, não causem danos ao meio ambiente de outros estados ou de áreas além dos limites da jurisdição nacional”. http://www.ecolnews.com.br/camadadeozonio/conv_viena_tex.htm. Além disso, tivemos a adesão do Brasil às decisões da Convenção de Viena e do protocolo de Montreal desde 1990. Estava previsto a adoção de um mecanismo de compensação pela desvalia tecnológica, pois os países desenvolvidos financiaram a erradicação das substancias danosas, tendo o Brasil recebido recursos do FMI para sua reconversão industrial, qualificando-se para uma programação especial de redução recendo assistência técnico-financeira que lhe permitiu receber transferência de tecnologia. O protocolo de Montreal foi assinado por quase todos os países do Mundo, propondo de maneira segura e progressiva, substituir as substancia nocivas por outras menos perigosas entrando em vigor em 1989, sendo descrito por Kofi Anam. Como “o mais bem-sucedido acordo internacional de todos os tempos” (Wikipedia). A Eco 92: Rio de Janeiro Em 1992 teve lugar a ECO-92 - oficialmente, Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento -, realizada em 1992, no Rio de Janeiro, consolidando o conceito de desenvolvimento sustentável defendido, em 1987, pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Comissão Brundtland). Na Rio 92, foram aprovados protocolos como a Convenção da biodiversidade, cujo compromisso era o de envidar esforços para preservar a biodiversidade e a sustentabilidade dos elementos ambientais e uma divisão mais igualitária dos dividendos. Suaaplicação começou em dezembro de 1993. Resultou desse encontro a chamada Agenda 21, que enfatiza um novo tipo de desenvolvimento, empregando métodos de proteção ambiental e equidade social. Saiu da Rio-92 os temas das http://www.ecolnews.com.br/camadadeozonio/conv_viena_tex.htm 18 futuras conferências de aperfeiçoamento como a Rio mais 10, em Johanesburgo, África do Sul, e a Rio mais 20. O conceito de desenvolvimento sustentável - entendido como o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de atenderem às suas próprias necessidades - foi concebido de modo a conciliar as reivindicações dos defensores do desenvolvimento econômico como as preocupações de setores interessados na conservação dos ecossistemas e da biodiversidade. Em 1995, ocorreu em Copenhagen, Dinamarca, uma conferência mundial reunindo um número sem precedentes de chefes de estado num total de 117. Dessa conferência, surgiu um documento, assim dividido: uma declaração de Copenhague sobre o desenvolvimento social (declaração dos chefes de estado); e um Programa de Ação da Conferência Mundial para o desenvolvimento social, no qual se encontra as manifestações dos chefes de estado. Segundo Alves, denominada pela imprensa "Cúpula da Pobreza", o encontro de Copenhagen congregou o maior número de Chefes de Estado e de Governo da história, os quais, pessoalmente, ou por representação, subscreveram os compromissos e recomendações do evento. O final do relatório, “elaborado por consultoria não-governamental a partir de subsídios fornecidos por seminários convocados sobre os três temas principais da Cúpula – pobreza, desemprego e integração social – e aprovado por consenso pelos membros do Comitê Nacional estabelecido pelo Governo para coordenar a preparação brasileira, chegou a surpreender por sua franqueza” (Alves, 1997). Dentre as transformações mundiais, a conferência de Quioto, Japão. Outra importante conquista da conferência foi a Agenda 21, um amplo e abrangente programa de ação, visando à sustentabilidade global no século XXI. Originada em conferências menores anteriores, (tudo é complicado nesse campo ambiental pelos interesses envolvidos), saiu um importante protocolo, um tanto controvertido que reunindo 55 países, propôs que eles reduzissem 55 por cento de suas emissões. Suas metas de redução pragmaticamente não eram homogêneas, mas diferenciadas, pressionando os mais industrializados a reduzir suas emissões dos gases do efeito estufa. Os países em desenvolvimento não foram alvo de metas estritas. A partir da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, realizada em Tbilisi, em 1977, inicia-se um amplo processo em nível global orientado para criar as condições que formem uma nova consciência sobre o valor da natureza, e também para reorientar a produção de conhecimento, baseada nos métodos da interdisciplinaridade e nos princípios da complexidade. Em seguida, foi a de Tessalônica, na Grécia, em 1997, reiterando a importância da educação ambiental no processo de sensibilização/conscientização pública 19 para a sustentabilidade, através de um processo de aprendizagem coletiva, com a participação de todos os segmentos da sociedade. “As recomendações e planos de ação em educação ambiental das Conferências de Belgrado (1975), Tbilisi (1977), Moscou (1987) são, todavia, válidas e, ainda, não totalmente exploradas.” 2012 – Conferência das Nações Unidas Sobre o Desenvolvimento Sustentável Esta Conferência foi denominada de Rio + 20, também chamada de RIO+20, no Rio de Janeiro, ocorreu vinte anos após a Eco 92. Realizada entre 20 e 22 de junho, reunindo chefes de estado de cerca de 190 países dispostos a debater o uso dos recursos naturais e ambientais da Terra. Desta vez, a participação das ONG no Brasil teve uma coordenação onde esteve presente o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, cuja intensão é conduzir mais e mais participantes a debater com uma pluralidade de pontos de vista inclusive destinado a participar na Cúpula dos Povos (http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20.html). A ONU organizou uma agenda 2030, um plano de ação para o planeta e para o que ela considera a prosperidade, um projeto de desenvolvimento sustentável centrados nas pessoas tendo por meta eliminar a pobreza, pois esta é a forma mais perversa de poluição: a produção de lixo. A segunda questão diz respeito à preservação do planeta, afastando tanto a degradação ambiental como “tomando medidas urgentes contra a mudança climática para que ele possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras.” E, em termos de sustentabilidade, a ONU deseja incrementar a prosperidade como uma forma plena para todos os seres humanos, a fim de que o “progresso econômico social e tecnológico possa ocorrer em harmonia com a natureza”. https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/ Atividade 4 Atende ao Objetivo 3 Responde as seguintes perguntas 1. Porque é importante manter a camada de ozônio e quais são as ameaças e suas consequências segundo o protocolo de Montreal? 2. Como você entende a Conferência de Quioto e sua ênfase na educação ambiental? 3. O que houve de diferente na Conferência de Copenhagen? http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20.html https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/ 20 Respostas comentadas 1. Parte da radiação solar que chega a terra, é refletida para o espaço e outra parte e retida pelos gases que compõe a atmosfera, no entanto, os gases do chamado efeito estufa, mantêm um calor excessivo, causando um aquecimento atmosférico capaz de afetar todo o planeta. O protocolo de Montreal propôs substituir, progressivamente, as substâncias deletérias por outas mais seguras. Entrou em vigor em 1989. 2. A Conferência de Quioto gerou a Agenda 21, um amplo programa de ação visando à sustentabilidade global no século XXI. Ela estabeleceu um calendário progressivo para a redução dos gases do efeito estufa por parte dos países industriais, mas subvencionou e apoiou medidas para os países em desenvolvimento, a fim de evitar que suas indústrias fossem oneradas e perdessem competitividade. 3. Em 1995, esta conferência dedicou-se a planejar a eliminação da pobreza numa escala mundial reunindo um enorme número de chefes de estado, cujo documento continha a declaração deles e um programa para o desenvolvimento social. Suas etapas visavam permitir o acesso universal a educação, assistência médica e um crescimento social inclusivo, sem danos ao ambiente em nível local, regional e internacional. Por sua acentuada preocupação social, ela foi conhecida como a "Cúpula da Pobreza". A negação do aquecimento global e das mudanças climáticas Durante muito tempo, os opositores da teoria fizeram crer que o aquecimento se tratava de um processo natural e sem intervenção humana. Existe hoje uma opinião científica majoritária e consolidada, que não deixa margens a dúvidas. As mudanças climáticas são causadas pela ação humana, apesar de sabermos que a ação do sol e da erupção vulcânica podem ocasionar problemas similares. O relatório norte-americano de 1998 sobre alterações climáticas, concordou que é discernível a influência humana na mudança climática global. Eis alguns de suas evidências: Os derretimentos das camadas polares avançaram desde 1960 com as temperaturas antárticas aumentando em 2 graus desde 1975; lagos e curso d’água no hemisfério norte congelam menos duas semanas, desde 1900, e a primavera se antecipou meses antes. Em todo o mundo glaciares perdem volume e o Monte Kilimanjaro, na África, perdeu cerca de 80 por cento de sua camada de neve desde 1912. As alterações climáticas alteram as condições em que ocorre o processo de produção agrícola. Não esqueçamos que o verão de 2015 foi o mais quente já medido no mundo inteiro.file:///C:/Users/Jos%C3%A9%20Mauricio/Downloads/Renata_Marchioreto_Muniz.pdf file:///C:/Users/José%20Mauricio/Downloads/Renata_Marchioreto_Muniz.pdf 21 A eleição do presidente norte-americano Donald Trump é preocupante para o futuro das negociações ambientais tão laboriosamente urdidas desde 1945. No entanto, apesar dele ter sido eleito com forte suporte da indústria e de setores poluentes, como a do petróleo e do carvão, alguns importantes apoiadores texanos são, paradoxalmente, produtores de energia limpa nos EUA. (Silvio Barros, Rádio CBN sustentabilidade e cidadania Gilson Aguar 22/11/2016). Para o renomado e polêmico cientista americano, Michael Mann (para nós ainda é muito cedo para afirmá-lo), a ascensão de Donald Trump representa o game over na batalha contra as mudanças climáticas, temendo que se torne impossível estabilizar o aquecimento planetário abaixo de níveis perigosos. (The Guardian 22/11/2016). Está em grande risco o acordo climático de Paris, consagrando a redução das emissões americanas de carbono, graças ao Clean Power Plan. Se grandes poluidores como a China, a Índia e os países da União Europeia abandonarem o acordo, condenarão milhões de pessoas à insegurança alimentar, configurando um verdadeiro desastre humanitário. Além disso, cidades como o Rio de Janeiro, Cabo Frio, Paraty, Salvador, Nova Iorque, Londres, Tóquio e Miami estão sujeitas a inundações catastrófica no próximo 20 anos. O Pentágono elaborou estudos sobre o contexto da mudança climática nos EUA, vistos como uma grande ameaça para a segurança americana, já afetando a base naval de Norfolk, Virginia. O baixo custo da bem-sucedida energia solar e eólica mostra como a poluidora indústria carbonífera e das grandes hidrelétricas está condenada. Quase 100 usinas americanas, a carvão, foram fechadas em 2015. No entanto, cerca de 2/3 da geração de energia norte-americanas, já provém de fontes limpas e sustentáveis. Alguns estados, como a Califórnia e Nova Iorque, têm seus próprios planos individuais de geração de energia limpa e sustentável, alicerçada por empresas como a Tesla. Seus painéis solares e a reserva energética em baterias colocou uma grande capacidade de geração de energia nas mãos de proprietários individuais. A negação do aquecimento global e das mudanças climáticas Voltemos a polêmica existente entre os que creem e os que descreem do aquecimento global. Durante muito tempo, a mídia e os opositores da teoria fizeram crer que o fenômeno era um processo natural e sem intervenção humana. Os céticos afirmavam que o clima na terra sempre mudou e as mudanças atuais não seriam novidades. Outros, bastante céticos afirmam que o sol provocava o aquecimento global. Enquanto isso, os cientistas consideram que, ao longo dos milênios de aquecimento global, o sol apresentou um reduzido resfriamento. Para estes últimos, o aquecimento global não é ruim, no entanto, seus efeitos https://www.theguardian.com/environment/2015/aug/03/obamas-clean-power-plan-hailed-as-strongest-ever-climate-action-by-a-us-president 22 perniciosos e deletérios na atividade agrícola, e no ambiente, destroem outros improváveis efeitos positivos. Argumentos favoráveis: o homem causa o aquecimento global As mudanças climáticas ocorridas no passado sugerem que o clima sempre foi sensível a um desequilíbrio energético. Elas evidenciavam a sensibilidade do clima às variações de CO2. Atualmente, o CO2 que estamos emitindo, retém parte da energia que antes escapava de volta para o espaço. Existe hoje uma opinião científica majoritária de que as alterações são causadas pela ação humana. Se o planeta acumula calor, as temperaturas globais sobem. Existe consenso científico acerca do aquecimento global? A resposta é sim. Instituições científicas, de aproximadamente 19 países, afirmam com base em seus estudos que o aquecimento global é causado por atividade humana. Aproximadamente 97% dos estudiosos sobre o clima afirmam, baseado em seus estudos, que o clima está mudando. E se os céticos indagam se o clima se mostra mais frio, as medições científicas realizadas evidenciam que o planeta concentra calor, e o denominado aquecimento global, de fato, ocorre. Temperaturas de superfície podem mostrar resfriamento de curto prazo quando se troca calor entre a atmosfera e o oceano, que tem muito mais capacidade de armazenar calor do que o ar. http://www.skepticalscience.com/translation.php?lang=10 Atividade Final Atende ao objetivo 3 Descreva em 8 linhas as metas de sustentabilidade da ONU para o projeto 2030 e os argumentos favoráveis e contrários ao aquecimento global. Resposta Comentada A agenda 2030 é um plano de ação para o planeta e atende a ideia de prosperidade para todos, um plano de desenvolvimento sustentável baseado nas pessoas, na eliminação da pobreza, do lixo, impedindo a degradação ambiental, prevenindo a mudança climática para garantir vida das gerações futuras numa forma de progresso harmônico e solidário. Hoje, 97% dos estudiosos concordam que o clima está mudando. As provas constantes do relatório norte- americano de 1998, evidenciaram a influência humana na mudança climática global, como o derretimento das calotas polares e os verões mais quentes. http://www.skepticalscience.com/translation.php?lang=10 23 Resumo Após 1945, num mundo bipolar, surgiu a ONU que acolheu as primeiras demandas ambientais emanadas na década de 1960. O despertar ambiental causado pelo livro de Raquel Carson e alerta do Clube de Roma diante da ameaça de esgotamento de recursos planetário, fez a ONU apoiar conferências destinadas a construir uma política ambiental consistente lutando contra a pobreza no Mundo. Tema da próxima aula Definiremos as noções de meio ambiente, ecossistema, ecologia além de debatermos a educação ambiental e sua importância. Ecossistemas, bioma e, finalmente, as chamadas ameaças globais como a poluição das águas o degelo das calotas polares e a destruição da camada de ozônio na atmosfera. Leituras recomendadas Jacobi, Pedro (org). Ciência ambiental: os desafios da interdisciplinaridade. São Paulo: Annablume, 2000. 388 p. Ponting, Clive. Uma história verde do mundo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995. Bibliografia Alves, J. A. Lindgren. A Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Social e os paradoxos de Copenhague* Rev. bras. polít. int. vol.40 no.1 Brasília Jan./June 1997 Arrighi, Giovanni. Silver, Beverley. O longo século XX. Dinheiro, poder, e s origens de nosso tempo. São Paulo: Unesp, Contraponto, 2000. Carson, Rachel, Primavera Silenciosa. Global Editora, 2015. Gabor, D., Colombo, U. King, A. S. Beyond the Age of Waste: A Report to the Club of Rome, Oxford, Pergamon Press 1981. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-73291997000100006 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-73291997000100006#nt 24 Jacob, Pedro, Roberto. Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo São Paulo: Universidade de São Paulo. http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n2/a07v31n2.pdf. Jacobi, Pedro (org). Ciência ambiental: os desafios da interdisciplinaridade. São Paulo: Annablume, 2000. 388 McCormick, John. Reclaiming Paradise. The Global Environmental Movement. Indianapolis, Indiana, University Press, 1991.Meadows, Donnela, Beyhound the limits, Chelsea Green Pub, 1992. Ponting, Clive. A new green history of the world. The environment and the collapse of great civilizations. London, Penguin Books, 2007. Revistas Sachs, Ignacy. Desenvolvimento excludente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro, Garamond, 2004. Santos, Teotônio dos. Martins, Carlos Eduardo. Bruckman, Monica de Sa. Globalização e regionalização. Hegemonia e contra hegemonia. Rio de Janeiro: Puc-Rio, 2004. Schama, Simon. Paisagem e Memoria. São Paulo, Companhia das Letras, 1996.Silvio Barros, Rádio CBN-RJ, Sustentabilidade e cidadania, Gilson Aguar 22/11/2016. Simon Dresner, The principles of sustainability. London, Earthscon, 2008. Stiglitz, Joseph. Globalization and Its Discontents. London, Penguin Books 2014. The Guardian, Londres, 22/11/2016. Worster, Donald. Nature’s economy. A History of ecological ideas, 2a educcao. Cambridge, Cambridge University Press, 2006. http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n2/a07v31n2.pdf