Prévia do material em texto
(AULA 01) Resumo – Introdução à Forragicultura 1. Conceito • Forragicultura: ciência que estuda o manejo, produção e utilização de plantas forrageiras para alimentação animal. • Forragem: toda planta utilizada na alimentação de ruminantes (pastagem, silagem, feno, capineira, resíduos agrícolas). 2. Importância • Base da alimentação de ruminantes (bovinos, ovinos, caprinos, bubalinos). • Fonte de nutrientes de baixo custo em comparação a concentrados. • Influencia diretamente produção de carne, leite, lã e couro. • Contribui para sustentabilidade: reciclagem de nutrientes, cobertura do solo e redução da erosão. 3. Tipos de Forrageiras • Gramíneas: milho, sorgo, capim-elefante, braquiária, panicum. • Leguminosas: soja forrageira, leucena, estilosantes, amendoim forrageiro. • Diferenças: o Gramíneas → mais energia, menor proteína. o Leguminosas → mais proteína, fixam nitrogênio no solo. 4. Sistemas de Utilização • Pastejo direto (pastagens). • Capineira (corte e fornecimento). • Conservação: o Silagem: forragem úmida fermentada em anaerobiose. o Feno: forragem desidratada, baixa umidade (10–20%). 5. Fatores que Afetam a Produção • Clima (chuva, temperatura, luminosidade). • Solo (fertilidade, pH, disponibilidade de nutrientes). • Manejo: o Altura de entrada e saída de pastejo. o Rotação de pastagem. o Adubação e correção do solo. 6. Vantagens do Uso de Forrageiras • Redução de custos na produção animal. • Melhor qualidade da dieta (fibra + proteína + energia). • Sustentabilidade ambiental. • Autonomia do produtor (menor dependência de grãos/concentrados). ( AULA 02) Resumo – Morfologia das Plantas Forrageiras 1. Importância da Morfologia • Permite identificar espécies forrageiras. • Auxilia no manejo do pastejo (altura, corte, rebrota). • Relaciona estrutura da planta x valor nutritivo. 2. Principais Partes das Plantas Forrageiras A) Sistema Radicular • Função: absorção de água e nutrientes, fixação no solo. • Tipos: o Pivotante: raiz principal profunda (ex.: leguminosas). o Fasciculado: várias raízes superficiais (ex.: gramíneas). B) Caule • Suporte para folhas e inflorescências. • Tipos: o Colmo (gramíneas): ereto, com nós e entrenós. o Estolão: rasteiro, crescimento horizontal. o Rizoma: subterrâneo, reserva de energia e rebrote. C) Folhas • Principais responsáveis pela fotossíntese. • Gramíneas: o Folha composta por bainha, lígula, aurícula e lâmina. o Geralmente estreitas, longas e paralelinérveas. • Leguminosas: o Folhas compostas, geralmente trifolioladas. o Nervuras reticuladas. D) Inflorescências e Flores • Importantes para a reprodução e identificação. • Gramíneas: espiga, panícula ou racemo. • Leguminosas: flores típicas do tipo papilionácea. E) Frutos e Sementes • Gramíneas: cariopse (grão). • Leguminosas: vagem (com várias sementes). 3. Diferenças Morfológicas – Gramíneas x Leguminosas Característica Gramíneas Leguminosas Raiz Fasciculada Pivotante Caule Colmo com nós/entrenós Rasteiro ou ereto, lenhoso em algumas Folhas Estreitas, paralelinérveas Compostas, trifolioladas Flor Espiguetas Papilionáceas Fruto Cariopse Vagem 4. Relação Morfologia x Uso Forrageiro • Raízes profundas (leguminosas) → maior resistência à seca. • Estolões e rizomas (gramíneas) → maior capacidade de rebrote. • Folhas jovens → maior valor nutritivo (mais proteína, menos fibra). • Caule alongado e fibroso → menor digestibilidade. (AULA 03) Resumo – Ecofisiologia das Plantas Forrageiras 1. Conceito • Ecofisiologia: estuda como os fatores ambientais (clima, solo, luz, água) afetam os processos fisiológicos das plantas forrageiras. • Importante para entender a adaptação, produtividade e valor nutritivo das forrageiras. 2. Fatores Ambientais Principais Luz • Essencial para a fotossíntese. • Plantas C3 (leguminosas, aveia): melhor em clima ameno, baixa luminosidade. • Plantas C4 (gramíneas tropicais, milho, braquiária): alta eficiência sob calor e luz intensa. Temperatura • Controla germinação, crescimento e florescimento. • Gramíneas tropicais: ótimo entre 25–35 °C. • Gramíneas temperadas: ótimo entre 15–25 °C. Água • Fundamental para transporte de nutrientes e manutenção da turgescência. • Déficit hídrico → reduz crescimento, fotossíntese e valor nutritivo. • Leguminosas com raiz pivotante toleram melhor a seca. Solo e Nutrientes • Fertilidade: influencia produção e qualidade. • pH adequado evita toxidez de alumínio e favorece absorção. • Leguminosas fixam nitrogênio atmosférico via simbiose com rizóbios. 3. Processos Fisiológicos Relevantes • Fotossíntese: produção de carboidratos → base da produção animal. • Respiração: consumo de energia para manutenção. • Transpiração: controle da temperatura e absorção de nutrientes. • Fixação biológica de N (leguminosas). • Acúmulo de reservas em colmos, rizomas e raízes → garante rebrota após corte/pastejo. 4. Ecofisiologia x Produção Forrageira • Manejo deve considerar: o Altura de pastejo (protege área foliar para fotossíntese). o Período de descanso (tempo para recuperação das reservas). o Época do ano (influência de clima e fotoperíodo). o Adubação para suprir nutrientes limitantes. 5. C3 x C4 (Resumo Comparativo) Característica Plantas C3 Plantas C4 Exemplos Aveia, trigo, leguminosas Milho, cana, braquiária, capins tropicais Clima Temperado Tropical/subtropical Eficiência fotossíntese Menor Maior Fotorrespiração Alta Baixa Característica Plantas C3 Plantas C4 Produção de biomassa Moderada Alta Valor nutritivo Geralmente maior Pode ter mais fibra (AULA (04) Resumo – Valor Nutricional das Plantas Forrageiras 1. Conceito • Valor nutricional = capacidade da planta de atender às exigências dos animais em energia, proteína, minerais, vitaminas e fibra. • Depende da espécie, idade da planta, parte consumida e manejo. 2. Principais Componentes Nutricionais Carboidratos • Fibrosos (FDN, FDA, celulose, hemicelulose, lignina): afetam consumo e digestibilidade. o FDN ↑ → menor consumo. o FDA ↑ → menor digestibilidade. • Não fibrosos (amido, açúcares): fonte rápida de energia (mais em grãos e algumas forrageiras jovens). Proteínas • Gramíneas: geralmente baixo teor (7–12%). • Leguminosas: maior proteína (15–25%) + fixação biológica de N. • Teor de proteína ↓ com a maturidade da planta. Minerais • Macrominerais: Ca, P, Mg, K, Na, S. • Microminerais: Cu, Zn, Mn, Se, Co, Fe. • Leguminosas → mais ricas em cálcio e magnésio. Vitaminas • Forragens verdes → ricas em caroteno (precursor da Vitamina A) e Vitamina E. • Conservação (feno, silagem) reduz o teor vitamínico. 3. Fatores que Influenciam o Valor Nutricional • Idade da planta: o Jovem → mais proteína, menos fibra, mais digestível. o Matura → mais fibra (lignificação), menos proteína. • Parte consumida: o Folhas → maior valor nutritivo. o Colmos → mais fibra, menos proteína. • Espécie: o Gramíneas tropicais (C4) → mais produtivas, mas mais fibrosas. o Gramíneas temperadas (C3) → mais digestíveis. o Leguminosas → mais proteína. • Condições ambientais: solo, água, clima, adubação. 4. Avaliação da Qualidade da Forragem • PB (Proteína Bruta). • FDN (Fibra em Detergente Neutro): consumo. • FDA (Fibra em Detergente Ácido): digestibilidade. • DIVMS (Digestibilidade in vitro da matéria seca). • NDT (Nutrientes Digestíveis Totais): energia disponível. 5. Relação Valor Nutricional x Produção Animal • Melhor valor nutricional → maior ganho de peso, produção de leite e eficiência alimentar. • Forrageiras de alta qualidade reduzem custos com concentrados. ( AULA 05 ) Resumo – Principais Espécies de Gramíneas Forrageiras 1. Conceito • Gramíneas forrageiras: plantas da família Poaceae usadas na alimentação de ruminantes. • Importância: base da pecuária, responsáveis por energia, fibrae parte da proteína da dieta. 2. Principais Espécies Tropicais (C4) Mais adaptadas a calor, alta luminosidade e solos variados. • Braquiária (Urochloa spp.) o Espécies: U. brizantha (Marandu), U. decumbens, U. ruziziensis. o Boa adaptação a solos ácidos e pobres. o Tolerância a seca. o Uso: pastagem extensiva de bovinos. • Panicum (Megathyrsus maximus) – capim-colonião, Tanzânia, Mombaça, Zuri. o Alta produção de biomassa. o Melhor em solos férteis e com adubação. o Boa resposta ao pastejo rotacionado. • Capim-elefante (Pennisetum purpureum) – variedades Napier, Cameroon, BRS Kurumi. o Produção elevada de massa verde. o Uso principal: corte e fornecimento (capineira, silagem). • Sorgo forrageiro (Sorghum bicolor) o Tolerante à seca. o Uso em silagem, pastejo ou grãos. o Boa alternativa ao milho em regiões secas. • Milho (Zea mays) o Alta produtividade de energia (amido). o Principalmente usado para silagem de alta qualidade. 3. Principais Espécies Temperadas (C3) Mais adaptadas a clima ameno, melhor valor nutritivo. • Azevém (Lolium multiflorum) o Forrageira anual de inverno. o Alta digestibilidade e teor de proteína. o Uso: pastejo, feno, silagem. • Aveia forrageira (Avena strigosa / Avena sativa) o Boa produção no inverno. o Associada a azevém e trevos em sistemas de integração. • Trigo forrageiro (Triticum aestivum) o Utilizado no inverno como pastagem temporária. 4. Critérios de Escolha da Gramínea • Clima e solo da região. • Finalidade: pastejo, silagem, feno, corte. • Sistema de produção: extensivo ou intensivo. • Necessidade nutricional do rebanho. 5. Gramíneas Tropicais x Temperadas (Resumo) Característica Tropicais (C4) Temperadas (C3) Clima Quente Frio/ameno Produção de biomassa Alta Moderada Valor nutritivo Médio (mais fibra) Alto (mais digestíveis) Exemplos Braquiária, Panicum, Capim-elefante, Sorgo, Milho Azevém, Aveia, Trigo (AULA 06) Resumo – Gramíneas Anuais Forrageiras 1. Conceito • Gramíneas anuais: completam seu ciclo em 1 ano (germinam, crescem, florescem e morrem). • Usadas para suplementar a alimentação em épocas críticas (seca ou inverno). • Normalmente têm boa qualidade nutricional, mas exigem plantio anual. 2. Principais Espécies Tropicais (Verão) Adaptadas a clima quente, usadas principalmente no período chuvoso. • Milho (Zea mays) o Principal para silagem → alto teor energético (amido). o Boa digestibilidade e produção de massa. • Sorgo forrageiro (Sorghum bicolor) o Mais tolerante à seca que o milho. o Usado em silagem, pastejo e corte. o Produção menor que milho, mas mais resistente. • Milheto (Pennisetum glaucum) o Bom para pastejo direto. o Alta tolerância à seca e solos arenosos. o Crescimento rápido. 3. Principais Espécies Temperadas (Inverno) Adaptadas a clima ameno, usadas no outono-inverno. • Azevém (Lolium multiflorum) o Muito digestível, alto teor de proteína. o Usado em pastejo, silagem e feno. o Excelente para integração lavoura-pecuária. • Aveia forrageira (Avena strigosa, A. sativa) o Boa produção de massa no inverno. o Forragem de qualidade média a boa. o Geralmente usada em consórcio (com azevém ou leguminosas). • Trigo forrageiro (Triticum aestivum) o Pode ser usado em pastejo de inverno. o Boa alternativa em regiões de clima frio. 4. Características Gerais das Gramíneas Anuais • Alta qualidade nutricional → mais proteína e digestibilidade que perenes. • Alta produção em curto prazo. • Menor persistência → precisam ser replantadas todo ano. • Muito usadas para suplementação estratégica (silagem, feno, pastejo em épocas críticas). 5. Resumo Comparativo Tipo Exemplos Uso principal Característica marcante Tropicais (verão) Milho, Sorgo, Milheto Silagem, pastejo Alta produção, tolerância a seca (sorgo e milheto) Temperadas (inverno) Azevém, Aveia, Trigo Pastejo, silagem, feno Melhor valor nutritivo, ciclo curto no frio ( AULA 07) Principais Leguminosas Utilizadas na Produção Animal Importância das leguminosas • Fixam nitrogênio atmosférico (associação com bactérias do gênero Rhizobium). • Melhoram a fertilidade do solo. • Fornecem forragem rica em proteína e boa digestibilidade. • Usadas em pastejo direto, fenação, silagem ou consorciação com gramíneas. Espécies mais utilizadas 1. Estilosantes (Stylosanthes spp.) • Muito usados em regiões tropicais. • Boa produção de forragem, resistência à seca. • Utilizados em consorciação com braquiária. 2. Kudzu tropical (Pueraria phaseoloides) • Forragem de alta qualidade. • Boa cobertura de solo. • Tolerante ao sombreamento (usada em sistemas silvipastoris). 3. Calopogônio (Calopogonium mucunoides) • Rápido crescimento, excelente cobertura. • Utilizado para recuperação de áreas degradadas. • Forragem palatável, mas com menor produção que outras espécies. 4. Leucena (Leucaena leucocephala) • Arbustiva/perene, altamente nutritiva (alto teor de proteína). • Pode ser usada em corte, pastejo ou banco de proteína. • Exige cuidado com mimosina (substância antinutricional). 5. Guandu (Cajanus cajan) • Resistente à seca. • Usado como banco de proteína, adubo verde e cobertura de solo. • Boa fonte de proteína, mas com menor palatabilidade quando mais velho. 6. Siratro (Macroptilium atropurpureum) • Boa persistência em pastagens. • Tolerante a solos ácidos. • Usado em consórcio com gramíneas tropicais. 7. Centrosema (Centrosema spp.) • Boa adaptação em solos pobres e ácidos. • Alta digestibilidade. • Utilizada em consórcios e cobertura de solo. ( AULA 08) Resumo – Bancos de Suplementação O que são? • Áreas específicas cultivadas com forrageiras de alto valor nutritivo, geralmente leguminosas arbustivas ou arbóreas, destinadas à suplementação estratégica de animais em pastejo. • Usados principalmente na seca, quando a qualidade da pastagem cai. Objetivos principais • Fornecer proteína e energia em períodos críticos. • Melhorar o aproveitamento das pastagens de baixa qualidade. • Reduzir custos com suplementação concentrada. • Aumentar a sustentabilidade do sistema de produção. Principais espécies utilizadas • Leucena (Leucaena leucocephala) → alta proteína, ótima digestibilidade, perene, arbustiva. • Guandu (Cajanus cajan) → boa adaptação, tolerante à seca, banco de proteína de curta duração. • Gliricídia (Gliricidia sepium) → boa produção de forragem, perene, resistente à seca. • Outras: estilosantes, kudzu, calopogônio (em algumas regiões). Características do sistema • Plantio em faixas ou piquetes exclusivos. • Manejo por corte e fornecimento no cocho (corte e carreto) ou pastejo direto controlado. • Devem ocupar pequena área da propriedade (não substituem a pastagem principal). Vantagens • Fonte de proteína barata e de boa qualidade. • Possibilita suplementação na seca. • Fixação biológica de nitrogênio → melhora a fertilidade do solo. • Redução da dependência de concentrados. Limitações • Necessidade de área específica. • Exige manejo adequado (para evitar superpastejo). • Algumas espécies possuem fatores antinutricionais (ex.: mimosina na leucena). • Investimento inicial com implantação.