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CONVERSA INICIAL: 
Olá, caro aluno. Olá, caro aluna. Sejam muito bem-vindos. Eu me chamo Marivaldo da Silva 
Oliveira, sou professor, médico veterinário, e estou à frente aqui da disciplina de Etologia e 
Bem-Estar Animal. Venho trazer a vocês informações e conhecimentos a respeito do 
comportamento dos animais. Você já tinha ouvido falar nesses temas? Etologia, bem-estar 
animal? Pois é, isso, essas são informações importantíssimas no meio veterinário, e eu tô 
aqui pra poder passá-las a vocês. A minha formação é em medicina veterinária, possuo 
pós-graduação também na área da educação, com docência no ensino superior e também 
mestrado em gestão do conhecimento das organizações na área da educação. E a partir de 
agora, nós passaremos a tratar então desse tema tão importante no curso de medicina 
veterinária. Pra isso, eu convido vocês a iniciarmos a nossa conversa falando, ou melhor, 
abordando essa frase que é muito conhecida e que vai traduzir um pouco do que é a nossa 
disciplina. Então, Mahatma Gandhi disse, a grandeza de uma nação pode ser julgada pela 
maneira que seus animais são tratados. Então, pessoal, caros alunos, essa frase, ela nos 
remete a pensarmos em relação aos animais, em relação ao comportamento dos animais. 
Pra que vocês saibam, nós, seres humanos, também somos animais, e os nossos irmãos 
animais, na medicina veterinária, são chamados de animais não-humanos, porque eles não 
têm a capacidade de raciocinar, assim como nós, seres humanos, ou animais humanos. 
Pois bem, então agora nós passaremos a conceituar, ou seja, a entender qual é a relação 
entre etologia e bem-estar animal. Pra isso, nós precisamos entender o que significa cada 
um desses termos. O que é etologia, o que é bem-estar animal, a etimologia das palavras, o 
que elas significam, certo? Ainda, nessa nossa primeira abordagem, nós falaremos da 
evolução das leis e da bioética que trata dos direitos dos animais. Falaremos também, ao 
final do nosso encontro, sobre alguns cases de sucesso, ou seja, algumas ferramentas 
utilizadas para a melhoria do bem-estar dos animais. E finalizaremos com uma realidade 
prática. Eu quero perguntar pra você e quero saber qual é o seu conhecimento a respeito 
dessa nossa primeira abordagem e também fazer um desafio. Que você anote suas 
respostas e que a gente compare ela no final da nossa disciplina. Assim a gente vai poder 
avaliar o nosso aprendizado. Ok? Então vamos lá? 
TEMA 1: 
Muito bem, caros alunos. Então, damos o pontapé inicial à nossa disciplina e agora vamos 
tratar das conceituações em relação à etologia e bem-estar animal. É muito importante que 
desde agora nós estejamos muito conscientes do que são esses conceitos, o que é a 
etologia, o que é o bem-estar animal. Mas antes de a gente falar propriamente dito dessas 
expressões, nós vamos falar um pouco aqui da história, como surgiu, como se 
desenvolveram esses termos, certo? E eu falo pra vocês que isso começou há muito tempo 
atrás. A inter-relação homem-animal, que vem desde os primórdios, começou com a 
domesticação dos animais pelos homens. Então, desde que os homens passaram a se 
utilizar dos animais, seja pra alimentação, seja para o trabalho, seja para as guerras, nós 
temos aí os cavalos que até hoje servem como tropas de pelotões aí pra utilização militar. 
Então, desde que essa correlação entre homens e animais começaram, também iniciou-se 
os estudos, ou melhor, o homem querer saber mais sobre o comportamento dos animais, 
certo? Então, nós temos vários exemplos aí dessa inter-relação homem-animal. A mais 
importante, obviamente, delas é a questão da alimentação, o consumo da proteína que vem 
dos animais, que até hoje, apesar do crescimento do veganismo, vegetarianismo, ainda 
assim a proteína animal é a mais consumida na população mundial. Pois bem, conforme 
foram começando então essas inter-relações, os estudos sobre comportamento animal 
também foram crescendo. Já na Idade Moderna, na França, na Europa, são os precursores 
desses estudos. Lá em 1750, a Academia Francesa de Ciências já iniciou os trabalhos em 
relação a comportamento animal. Logo depois, ali em 1760, nós temos já a formação da 
primeira escola de medicina veterinária em Lyon, na França, e em 1950 foi que o termo 
comportamento animal acabou surgindo, lá com o Nicolás Timberdian. Ele é um inglês e ele 
trouxe, então, pela primeira vez o termo comportamento animal. Foi quando as pessoas 
ouviram falar esse termo. Já nos anos 70, isso ganhou muito mais espaço, foram muito 
mais adeptos em relação aos direitos animais, e em 73, Conrad Lorenz e Karl von Fisch, 
eles ganharam o Prêmio Nobel, tendo cunhado então o termo etologia. Então, caros alunos, 
acompanhe aqui no nosso material. Etologia foi dado um sentido pra esse termo, né? 
Obviamente tudo vem da etibologia, então, do grego etos, que significa hábito, mais o termo 
logia, que vem de logos, que significa estudo. Então, etologia seria o estudo dos hábitos. 
Transformando isso na medicina veterinária, nós utilizamos a troca de hábito por 
comportamento. Então, etologia nada mais é do que a ciência que ajuda o comportamento 
dos animais. E também, por definição, nós temos que comportamento, antigamente, era 
definido somente pelo movimento dos animais. No começo dos estudos, esses estudiosos 
se referiam ao comportamento somente em relação ao movimento, às movimentações 
físicas, musculares dos animais. Com o passar do tempo, com o avanço desses estudos, 
eles perceberam O que não somente se movimentando é que os animais exerciam os seus 
comportamentos, mas também, por exemplo, com mudança de cor, mudança, é, emissão 
de odores e sons, não é mesmo? Então, como a gente tem aí o camaleão, né, que muda de 
cor dependendo do ambiente pra fugir de um predador, nós temos também o polvo, lá no 
fundo do mar, quando ele tá próximo dos predadores, ele emite também odores líquidos, 
extracorpóreos, né, que acabam espantando esses predadores, e obviamente também as 
vocalizações, os sons dos animais, o cachorro latindo, o gato miando, a vaca mugindo, e 
assim consecutivamente. Pois bem, então, a partir disso, o que os pesquisadores 
perceberam? Que não somente de movimentos o comportamento dos animais eram 
exprimidos, certo? Era também através de respostas musculares ou secretórias observadas 
desses animais. Então, pessoal, correlacionando comportamento, etologia e bem-estar 
animal, nós temos posto na literatura que o comportamento, ele é um indicador de 
bem-estar animal, certo? E agora a gente precisa entender muito bem o que significa o 
bem-estar animal. Nós temos na literatura que o bem-estar animal, ele é um estado de 
harmonia do animal com o meio em que vive. E vocês vão passar a ver, a partir de agora, 
que muito do bem-estar do animal está correlacionado com o ambiente onde ele está 
inserido. Então é raro nós vermos um gato muito assustado quando ele é levado, por 
exemplo, a uma clínica veterinária. Ele entra em desespero. Isso por quê? Porque ele está 
fora, ele está deslocado do ambiente normal dele, certo? Em relação ainda ao bem-estar, 
nós não podemos dizer ou classificar em bem-estar e mal-estar, certo? Então, na medicina 
veterinária, nós não utilizamos o termo mal-estar. Pra isso, nós graduamos o termo 
bem-estar animal. Então nós dizemos que o animal, ele pode ter um bem-estar animal bom 
ou ruim, pobre ou rico, ou então ainda satisfatório ou insatisfatório, tá bom? Todo animal 
tem o seu grau de bem-estar. Ele pode estar bom ou pode estar ruim, certo? Então gente, o 
bem-estar, ele se relaciona com, principalmente, o comportamento de cada espécie. Cada 
espécie, obviamente, tem o seu comportamento natural, certo? Também em relação ao 
manejo. O que significa manejo? Manejo é tudo aquilo relacionado a ser humano e o 
animal. É como você trata, é como você conversa, é como você toca aquele animal. Então 
tudo isso é manejo, é o trato diário que você tem com aquele animal domesticado. Em 
relação ao ambiente também, acabei de falar pra vocês, o ambiente éimportantíssimo. 
Então um animal que está ambientado naturalmente, que tem o seu espaço na sua casa, 
que tem lá a sua caminha, que tem lá os seus brinquedos, quando ele sai desse ambiente, 
ele fica deslocado. Ou seja, ele perde a conexão com aquilo que ele chamava de seu, com 
aquilo que ele pensava que era dele, que era próprio daquele ambiente dele. E a partir 
disso começam, então, a aparecer síndromes comportamentais, que a gente vai abordar 
logo mais. E ainda, pessoal, sanidade, certo? A partir de agora, no nosso curso, vocês 
sempre vão ouvir falar em sanidade. Tudo que diz sanidade está relacionado à saúde, 
certo? Então o animal que também não está com a saúde em dia, ele também tem um grau 
de bem-estar baixo, ok? Então todas essas ferramentas, todas essas informações juntas 
caracterizam o grau de bem-estar dos animais. E o comportamento, ou seja, o que ele 
exprime, o que você vê desse animal, é que vai dizer qual é o grau de bem-estar em que 
ele se encontra, ok? Muito bem. E agora a gente vai, então, tratar um pouco mais 
aprofundado em relação ao bem-estar desses animais, seja de companhia, seja de 
produção, e agora a gente vai abordar, então, de maneira um pouco mais intrínseca. 
TEMA 2: 
Muito bem, caros alunos, estamos de volta e agora trazemos o tema comportamento de 
animais de companhia. Você sempre ouviu falar, eu acredito, em relação ao termo pet. O 
termo pet é muito utilizado para cães e gatos, e ultimamente também há pets exóticos. 
Somente a questão de título de informação, a palavra pet deriva do francês petit, que 
significa pequeno, então ela puxou para o inglês, ficou p-e-t, pet, e nós também utilizamos 
essa expressão pet para os animais de pequeno porte, tá bom? Só expliquei isso aqui para 
título de informação e também porque nós vamos tratar agora sobre comportamento desses 
animais de pequeno porte, certo? Então gente, falando dos primórdios, como que começou 
essa inter-relação, lá no Império Lumano nós tínhamos aí a relação mútua entre animais e 
cães. Os cães de pastoreio, os cães de caça, os cães de guarda, e ainda aqueles animais 
que eram já de pequeno porte ficavam dentro das residências como animais de companhia. 
Isso em relação aos cães. Já o gato, o gato passou por algumas viagens com o passar do 
tempo. Lá no Egito Antigo, se vocês assistiram a algum filme sobre o Egito, vocês devem se 
lembrar que sempre os gatos estão presentes lá junto com a Cleópatra, por exemplo, junto 
com os reis egípcios, tem várias estátuas, pinturas, desenhos se relacionando aos gatos. 
Então lá no Egito Antigo eles eram adorados como deuses. Pessoas que eventualmente 
matassem um gato eram também mortos por conta disso. Já na Era Moderna, século IX da 
Era Cristã, o que aconteceu? A Igreja Católica acabou associando principalmente gatos de 
pelagem preta com associações ao demônio. Isso acabou levando a uma mortalidade muito 
grande de gatos naquela época. E aí também, desde aquela época, acabou surgindo 
aquela questão de que o gato preto dá azar. Na verdade, com o perdão da palavra, é uma 
verdadeira bobeira, não tem nada a ver. Por gentileza, não façam isso, não pensem dessa 
forma. Mas infelizmente a crendice popular acaba fazendo dessas também. Pois bem, lá no 
século XVII, século XVIII, o gato retorna então o contato maior com a sociabilidade, com a 
socialização com os seres humanos, certo? Então o gato retorna no final do século XVIII 
com um maior convívio com os seres humanos. Pois bem, só que isso pessoal, conforme 
vocês podem acompanhar aí no material de vocês, acaba trazendo influências. Por 
exemplo, na domesticação do gato, acabam ocorrendo mudanças comportamentais. O gato 
é um animal mais independente comparadamente ao cachorro, certo? Então não é raro a 
gente ouvir dizer, né, ah, quando eu chego em casa, o meu cachorro vem correndo, 
abanando o rabo, vira de costas, mostra a barriga pra coçar, né? Já o gato não. Você chega 
em casa, o gato dá uma olhada pra você assim, fala aí, olha aí, o humano já chegou, né? 
Serve o meu jantar aí, não é mesmo? Então o gato, ele tem esse comportamento, isso é do 
felino, ele é mais independente, certo? Ele também, ele precisa de socialização com os 
outros da sua espécie, né? Nós comumente vemos aí, ouvimos, na verdade, na madrugada, 
briga de gatos, né, porque as gatas entram em ciúme e os gatos machos vão atrás. É uma 
socialização que é natural da espécie também. E ainda a questão da caça, né? Os gatos 
são muito caçadores, às vezes nem comem a sua captura, mas eles gostam de exercer 
esse comportamento natural da espécie, certo? Não o gato, mano. Outra particularidade do 
gato é que ele se adapta primeiramente ao ambiente e depois às pessoas. Por isso que 
animais, gatos que são levados em clínicas veterinárias, às vezes dão um verdadeiro show, 
né? Eles saem do ambiente deles e até eles se acostumarem, se adaptarem àquele 
ambiente, pode levar um pouco de tempo, certo? Em relação a hábitos alimentares, o gato 
é um animal de difícil ingestão hídrica, certo? Então, frequentemente você tem que 
enriquecer o ambiente com cascatas, com água corrente, certo? E ainda a necessidade de 
nutrientes. O gato, ele necessita da taurina, que é um aminoácido essencial e que não é 
produzido naturalmente por ele, tem que ser inserido na sua alimentação. Então percebam, 
pessoal, como é particular a questão da domesticação, como isso influencia no 
comportamento dos animais. Já em relação aos cães, nós temos também alterações 
comportamentais. Os cachorros são derivados dos lobos, né? Os lobos cinzentos. Eles 
viviam em grupos, em matilhas, tinham o seu líder, que geralmente, junto com eles, 
caçavam em grupo, caçavam grandes animais e se alimentavam em grandes quantidades, 
porque eles não sabiam, novamente, quando iriam encontrar outra caça. Então daí, esse 
comportamento alimentar do cachorro, que é o que? Apetite voraz. O cachorro, ele se 
alimenta muito rapidamente, porque às vezes ele não sabe, no inconsciente dele, quando é 
que ele vai se alimentar de novo. Então perceba a diferença entre comportamento de 
cachorro e de gato, não é mesmo? Seleção filogenética. Então nós temos cachorros 
microtóis, temos cachorros gigantes, né? Como que isso aconteceu? Ao longo do tempo, 
seleção genética, tá, pessoal? Então isso vem acontecendo, só que pra que isso aconteça, 
acabam sendo cruzados parentes. Isso aí gera a famosa consanguinidade. E aí nós temos 
vários problemas de ordem genética. Animais que já nascem mortos, animais que nascem 
com várias deformações, enfim, problemas relacionados à consanguinidade. E ainda, esses 
animais, os cães, por serem mais próximos aos seres humanos, acabam por desenvolver 
alguns distúrbios psicoemocionais. Aquele cachorro que é muito acostumado com o dono, e 
quando o dono viaja, ele fica sentindo muita falta, ele não come, ele não sai pra brincar, né? 
Então ele acaba alterando o seu comportamento. Então olha aí, trago pra vocês aí a 
imagem, a esquerda nós temos aí o lobo cinzento, que é o Canis lupus. É daí, é dessa 
linhagem que derivam todos os cães, apesar de os menores não parecerem mais com 
lobos, mas a linhagem sanguínea descende aí do lobo cinzento. E também o Felis catus, 
né? Nós temos aí esse gato no lado direito, que é o tataravô do nosso gato normal. Na 
verdade é muito mais, ele é um ancestral do nosso gato comum, certo? E aí nós temos hoje 
essas duas espécies correlacionadas e muito com os seres humanos. As pessoas às vezes 
cunham que o gato é inimigo do cachorro e vice-versa, mas na verdade a gente sabe que 
vai muito do quê? Vai muito da criação, vai muito do comportamento que você imprinta 
nesses animais desde quando você começa a trabalhar com eles, certo? Bom gente, então 
pra finalizar esses nossos conhecimentos apresentados até agora aqui, a atenção dos 
tutores em relação ao comportamento das espécies é muito importante. Isso vai propiciar 
uma relação entre humano e animal mais proveitosa. Ou seja, o aproveitamento dessa 
relação vai ser muito melhorse você, enquanto tutor, e logo mais nós vamos falar sobre 
isso também, se você como tutor vai conseguir entender sobre o comportamento do animal 
que você está com ele na sua casa, ou então se você eventualmente passe a conviver com 
animais que não seja na sua casa, mas que tenha essa inter-relação, você vai ter um 
aproveito muito melhor dessa inter-relação se você conhecer o comportamento dele, ok? Os 
animais não humanos, eles se beneficiam positivamente dessa relação. Nós seres 
humanos, como os seres racionais, nós também nos aproveitamos muito disso. Exemplo 
disso, pessoal, são as terapias assistidas. Hoje em dia, em hospitais, pessoas às vezes em 
fases terminais, doenças problemáticas, como câncer principalmente, acabam se valendo 
de terapias assistidas. Os animais vão até os ambulatórios, vão até os quartos, e isso 
melhora a qualidade de vida e o bem-estar desses pacientes humanos. Então essa relação 
precisa ser mútua. Se os animais nos dão essa possibilidade de um bem-estar bom para 
nós, para a saúde humana, nós também, enquanto seres racionais, seres pensantes, 
também devemos retribuir isso a eles. Certo, pessoal? Muito bem. Então era isso que eu 
tinha pra falar dessa nossa aula sobre o comportamento dos animais de pequeno porte. 
TEMA 3: 
Muito bem, caros alunos. Agora então, convido vocês a aprofundar conhecimentos em 
relação a espécies muito importantes, que são as espécies de produção. Agora a gente vai 
abordar o comportamento dos animais de produção. Você já parou pra verificar, pra 
identificar o que significa esse termo produção? É exatamente o que a palavra quer dizer. O 
que os animais produzem? Eles vão produzir basicamente o que nos mantém vivos, que 
são as proteínas. É a carne, é o leite, é o ovo e todos os seus derivados. Então vejam a 
importância. E mais importante ainda é conhecer o comportamento e identificar problemas 
de bem-estar relacionados a esses animais também. Gente, a demanda por alimento no 
mundo só tem crescido. O nosso país é o celeiro mundial, certo? Nós produzimos de tudo, 
graças a Deus. E olha só, gente, a produção da proteína animal acontece em larga escala e 
isso só se dá devido, primeiramente, a avanços genéticos, com certeza. Também avanços 
na produção dos alimentos desses animais, avanços na sanidade, que deixa esses animais 
livres de doença pra poder, então, ganhar peso, converter ração em carne, em leite, em 
ovos, certo? E principalmente também, pessoal, devido à expansão agrícola. Conforme a 
população foi aumentando, a demanda por alimento também aumentou e isso fez com que 
a expansão agropecuária e agrícola acontecesse, certo? Porém, assim também como a 
inter-relação com pequenos animais, essa proximidade dos animais de produção com o 
homem, com o ser humano, acabou afetando o comportamento desses indivíduos, certo? 
Que alterações são essas? Alterações importantíssimas, principalmente, em relação à 
expressão natural do seu comportamento. Animais, por exemplo, como os ruminantes, os 
bovinos, principalmente, que viviam em grupos, são animais gregários, eles agora, muitas 
vezes, são confinados, perdendo aí a sua capacidade de mobilidade, muitas vezes, 
perdendo a sua capacidade de expressão de outros comportamentos naturais da sua 
espécie, certo? Aumento de doenças infectocontagiosas. Então, pessoal, isso é óbvio, né? 
Quando você aglomera um grupo de indivíduos, você aumenta o contato entre eles e, se 
um indivíduo desses estiver doente, ele vai, então, transmitir a outros que estiverem sadios. 
Isso aumenta, então, a incidência de doenças infectocontagiosas. E, ainda, a alteração do 
padrão alimentar. Vou utilizar, novamente, aqui o exemplo da vaca, né? Do boi, da vaca, 
dos ruminantes. Eles são animais que, basicamente, ingerem fibras, pasto, grama, certo? E 
vão converter isso no seu rumen, que é o estômago particular dos ruminantes, certo? E, 
quando você prende esse animal, quando você faz a vedação de um espaço e concentra 
muitos animais, você acaba tirando dele, então, as habilidades do padrão alimentar. Você 
acaba interferindo, por exemplo, na microbiota ruminal com a oferta de outros tipos de 
alimento, certo? Então, vários são os problemas relacionados ao comportamento desses 
animais. Então, vamos falar, agora, da pecuária de corte. Pecuária de corte, nada mais é do 
que, então, a criação de bovinos com fins de abate para produção de carne. Como falei pra 
vocês, nós temos aí alguns sistemas de criação. Os confinamentos, o sistema extensivo, 
que é a criação a pasto. Os confinamentos, gente, eu falo pra vocês que, vendo do ponto de 
vista do bem-estar animal, ele perde a criação extensiva, que é a criação a pasto. A criação 
a pasto, ela traz o animal mais próximo do seu habitar natural, mais próximo do seu 
comportamento natural espécie. Quando você restringe o espaço desses animais, como, 
por exemplo, no confinamento, você acaba gerando vários tipos de problemas. Também, a 
questão de estresse térmico. O que significa estresse térmico? Estresse térmico é quando 
um animal começa a passar muito calor ou passar muito frio. Assim como nós seres 
humanos, os animais não-humanos também tem a chamada zona de termoneutralidade, ou 
seja, é aquela temperatura ideal, não é? Ah, tem dia que tá muito calor, você reclama. 
Nossa, mas hoje tá muito calor, podia dar uma chovinha, né? Quando tá muito frio, você fala 
assim, nossa, já chega de frio. Podia sair um solzinho pra gente dar uma aquecida. Os 
animais também são assim. Só que, ao contrário de nós, que temos roupas, que temos teto 
sobre a nossa cabeça, os animais ficam por muito tempo, né? Ficam propícios às 
intempéries. Então, o estresse térmico, que é o excesso de calor, ele pode influenciar 
negativamente no bem-estar desses animais. Principalmente em vacas de leite. Vacas de 
alta produção leiteira, elas são muito influenciadas pelo calor excessivo. Elas passam a não 
se alimentar, não se alimentando, elas passam a não produzir, e isso entra num looping, 
né? De coisas que vão danificar, por assim dizer, o organismo desse animal. Já em relação 
à pecuária leiteira, certo? O estresse térmico, como eu acabei de falar aqui, é um fator 
importante pro nosso país, pelo nosso posicionamento nós estamos aqui entre os trópicos, 
local de muita incidência de sol, então a escolha de raças é muito importante pra poder 
fazer o que? Pra poder ambientar melhor esses animais, ok? Na pecuária leiteira, como eu 
disse pra vocês, nós temos aí como representantes principais de produção de leite os 
animais de origem europeia. Se a gente for comparar Brasil e Europa, aqui é muito mais 
importante. E essas raças, por consequência, quando inseridas em local com alta incidência 
solar durante o ano, elas acabam sofrendo muito mais do que se estivessem em climas, em 
ambientes mais amenos em relação à temperatura, certo? Também em relação à pecuária 
leiteira ainda, esses mesmos animais de linhagem mais europeia, eles têm uma predileção 
maior dos carrapatos, né? Que são os ectoparasitas. Esses ectoparasitas que estão no 
pasto, que estão no ambiente, eles se aproveitam muito mais desses animais de linhagem 
europeia, porque eles são menos rústicos, por exemplo, do que animais que vêm do 
continente africano e que têm uma aclimatação, uma bioclimatologia mais parecida com a 
nossa aqui do Brasil. Então aqui eu trago essa imagem pra vocês pra demonstrar, mesmo, 
uma comparação entre uma criação extensiva de bovinos, que tá aí nessa imagem, com 
esse pasto verde, esses animais em grupo, né? Que é uma característica dos bovinos, são 
animais gregários, certo? Percorrendo o pasto, caminhando pelo pasto, buscando aquele 
pastinho mais verde, buscando um local com sombra pra poder repousar e fazer a 
ruminação, né? E em contraposição, nós temos aí essa imagem, trazendo também bovinos, 
porém num ambiente de confinamento, certo? Então olha aí, um confinamento, trazendo aí 
bovinos, né, fortes, estão aí já com uma aparência de boa saúde, porém são animais que 
estão fechados,animais que não têm esse livre acesso pra poder caminhar, pra poder 
esticar os membros, pra poder deitar, pra poder também socializar com outros da sua 
espécie, ou então ainda com os da mesma espécie e de sexo diferente, certo? Então são 
essas realidades que acabam acontecendo e, obviamente, do ponto de vista de 
comportamento e bem-estar animal, os animais de confinamento, eles sofrem muito mais do 
que animais criados soltos. Em relação às aves, pessoal, as galinhas poedeiras, não é 
mesmo? Nós temos aí as galinhas caipiras, né, do sítio, da fazenda, que vivem soltas, são 
criadas livres e elas expressam o seu comportamento natural da espécie. Já os animais de 
escala industrial acabam ficando fechados em gaiolas, como vocês podem verificar na foto, 
somente se alimentando com a ração, com a água, certo? Recebendo também alguns tipos 
de medicação e produzindo, botando ovos. Animais, aves de corte, ou seja, as que são 
utilizadas, os frangos utilizados para alimentação humana, também, ao contrário do frango 
caipira, que é criado solto, os frangos em escala industrial são criados em barracões com 
alta densidade de animais, e isso, por vezes, acaba prejudicando também a expressão do 
comportamento natural da espécie, que é de procurar alimento no ambiente, que é de 
ciscar, que é também de se relacionar com outros da sua espécie. Na suinocultura, também 
uma outra importante proteína animal, nós temos aí as porcas reprodutoras, que são 
alojadas em gaiolas individuais, somente com espaço para se deitar e se levantar. 
Diferentemente dos animais criados em ambientes soltos, propício à expressão do 
comportamento natural da espécie, que é, por exemplo, Por exemplo, no caso do suíno, do 
corpo, a chafurdação. O que é a chafurdação, professor? É brincar na lama, socializar com 
outros animais, fuçar na lama, que é o comportamento natural do suíno também. Bom, 
pessoal, o contato dos manejadores com esses animais vai influenciar diretamente, 
causando respostas comportamentais negativas e que vai refletir na diminuição do 
bem-estar e também diminuir a questão da produção desses animais. Então, por exemplo, 
manejo de curral em bovinos de corte. Quando você leva esses animais para o curral, para 
a mangueira para trabalhar com eles, eles vão sofrer estresse e vai diminuir o bem-estar. 
Bovinos de leite. Quando você troca, por exemplo, o ordenhador, que é quem trabalha com 
a ordenha do leite diariamente, esse animal sente, essa vaca também sente. Ela vai ter o 
seu bem-estar afetado e vai interferir na produção leiteira dela também. Transporte. Animais 
que são transportados até o frigorífico, maneja o pré-abate, que vai desde a saída da 
propriedade até a chegada ao frigorífico, gera muito estresse aos animais. Isso afeta o 
comportamento, afeta a qualidade de carne, afeta o bem-estar e afeta a produção como um 
todo. Bom, então sobre animais de produção, é isso que eu quis trazer pra vocês. Espero 
que vocês aprofundem a leitura no material de vocês e se restando dúvidas, ficaria à 
disposição. 
TEMA 4: 
Para os alunos, sejam muito bem-vindos, e a partir de agora nós passaremos a tratar sobre 
legislação e bioética em relação aos animais, e eu quero trazer para vocês aqui algumas 
datas importantes, certo? Em 65, nós tivemos aí um marco muito importante em relação ao 
direito dos animais, que foi o relatório do Comitê de Brambell, que aconteceu lá no Reino 
Unido devido a uma pressão muito forte da população em relação aos maus tratos que os 
animais de produção sofriam naquela época. Essa declaração trouxe à tona, trouxe ao 
conhecimento as famosas cinco liberdades. Em 78, foi feita a Declaração Universal do 
Direito dos Animais pela Unesco, e como conceito, essa declaração diz o seguinte, animais 
nascem iguais diante da vida e têm o direito à existência, direito ao respeito, a 
consideração, a cura e a proteção do homem. Então perceba que assim como os seres 
humanos, os animais também tiveram seus direitos reconhecidos mundialmente. E no 
Brasil, em 1934, logo após a era Getúlio Vargas, nós tivemos aí também o Decreto 24.645. 
Esse decreto já trazia em seu teor algumas medidas protetivas aos animais. Eram, na 
verdade, declarados 31 tipos de maus tratos. Naquela época, como a gente já viu também, 
ainda era muito forte a utilização de equinos para tração de carroças, para o transporte, 
para o trabalho. Até mesmo os trens que eram puxados no centro da cidade eram feitos por 
tração animal. E naquela época, já se declarou então que algumas coisas não podiam ser 
feitas e que eram consideradas maus tratos contra esses animais. Recentemente, de 
acordo com o que se pesquisa sobre a legislação, a Lei 1095-2019, ela aumenta de 1 para 
3 a 5 anos de detenção mais multa para aqueles indivíduos que infringirem as leis dos 
direitos animais, tanto para animais domésticos quanto para animais silvestres. A Lei 9605 
de 1998, ela vai ver no artigo 33, por exemplo, detenção de 1 a 3 anos mais multas para 
danos na fauna aquática, certo? Então, para aquelas questões legais relacionadas a 
animais aquáticos, também existe uma legislação específica. No entanto, nessa mesma lei, 
no seu artigo 37, ela reflete que não é crime o abate de animais para preservação de 
lavouras e de rebanhos, ou seja, aquele javali que ataca lavouras não é proibido, não é 
considerado um mau trato ao animal se ele for abatido, obviamente que da maneira correta. 
Também aquela onça que está atacando os cordeiros, os bezerros, se ela for abatida de 
maneira humanitária, entre aspas, nós veremos que não é crime ambiental quando isso 
acontece, certo? Isso está protegido por lei. No caso do javali que eu acabei de dar o 
exemplo aqui, a Instrução Normativa 12 de 2019, ela regula os indivíduos intitulados 
controladores de javali. Esses indivíduos podem fazer usos de arma, tanto arma branca 
quanto arma de fogo, para poder fazer o controle desses javalis, desde que usando 
métodos que não infringam o bem-estar animal. Os métodos que não infringem o bem-estar 
animal estão relacionados a ferimento desses animais sem causar a morte instantânea, por 
exemplo. A Instrução Normativa 56 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 
lá no ano de 2008, já vinha com recomendações para as boas práticas de bem-estar 
animal, de produção e de interesse econômico. Ou seja, existe uma cartilha do mapa do 
Ministério da Agricultura para que essa criação, o abate desses animais, sejam feitos da 
melhor maneira possível, sem causar sofrimento. O Decreto 9.013, de 2017, diz que só é 
permitido o abate de animais com o emprego de métodos humanitários. Mas professor, 
como é que um método humanitário se está abatendo os animais? A legislação prevê que 
existem formas de fazer o abate desses animais sem que eles sintam dor, ou seja, 
insensibilização ou dessensibilização desses animais antes da sangria. Por exemplo, aves e 
suínos muitas vezes passam por eletrochoques e entram em condição de desmaio, de 
inconsciência, antes de fazer a sangria. Esses animais então não sentirão dor no momento 
do seu abate. Assim como também os bovinos, eles recebem o chamado dardo cativo, que 
é uma pressão pneumática com um dardo de aço que penetra o sistema nervoso central, o 
cérebro, levando esse animal à inconsciência. Uma vez inconsciente, é feito a sangria e a 
isso se dá o nome de abate humanitário. O nosso Conselho Federal de Medicina Veterinária 
também prevê na sua Resolução 877 de 2008 algumas cirurgias que são proibidas. Por 
exemplo, cordectomia e conchectomia de cães. Professor, aí você falou grego, hein? 
Cordectomia nada mais é do que a cirurgia de retirada das cordas vocais dos animais. E a 
conchectomia é a retirada das orelhas ou de parte dela dos animais, certo? Então 
cordectomia e conchectomia são proibidas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. 
Apesar que, infelizmente, elas ainda ocorrem clandestinamente. A onissectomia em gatos, 
ou seja, a retirada das garras dos gatos. Pensem em vocês, né? Fazer a retirada das unhasnossas, como seria, não é mesmo? Bom, a onissectomia é a retirada das garras dos gatos. 
E também a caudectomia de cães, ela não é recomendada, não é proibida, mas não é 
recomendada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. A caudectomia nada mais é 
do que a retirada da cauda dos animais, certo? Por exemplo, raças como o Rottweiler ainda 
assim sofrem por conta de padrões raciais que imprimem essa necessidade de retirada da 
cauda dos animais. Bom, e agora eu trago pra vocês uma, digamos assim, um choque de 
realidade, não é no Brasil, certo? E esse vídeo que a gente vai assistir agora, porém, eu 
advirto que ele contém cenas de maus tratos a animais. 
Muito bem, pessoal. Como vocês puderam ver aí, infelizmente, ainda é uma realidade que 
nós temos mundialmente falado, debatido a respeito. Isso é uma questão cultural, muitas 
vezes de outro país, e que acaba sendo um contrasenso na nossa realidade. Então, através 
da participação das ONGs, através da mobilização da sociedade organizada, é que isso 
pode ser mudado. Isso já vem diminuindo. O consumo de carne de cães na China vem 
diminuindo com o passar do tempo, mas, infelizmente, ainda é uma realidade deles, não 
nossa. Então, a pressão sobre os governos, assim como já aconteceu em outros 
momentos, e a mobilização da sociedade organizada, ela tende ao banimento desse tipo de 
prática. É isso que eu gostaria de trazer para vocês nesse momento. 
TEMA 5: 
Muito bem, caros alunos, e agora nós vamos ver, entender também sobre alguns cases de 
sucesso, algo que dá certo, que melhora a bem-estar dos animais. Então na suinocultura, a 
criação de fêmeas em baias coletivas ao invés de gaiolas individuais já foram feitas 
pesquisas que aumentam o número de leitões por matriz. Também evitar o corte dos dentes 
dos leitões, que às vezes provoca ferimento no teto das mães. Também evitar fazer esse 
corte propicia melhor ganhos para o bem-estar animal. Também trocou-se o corte de orelha 
dos animais por tatuagem, isso para relação da identificação dos animais. Tudo isso, em 
conjunto, garante qualidade ao bem-estar na suinocultura. Já em relação à avicultura de 
corte, os frangos de corte, treinamento da equipe de apanha e mudança da cultura de 
trabalho. Ou seja, no momento da apanha, ou seja, a colocação dos animais em caixas 
para o transporte em caminhões, isso deve ser feito de maneira mais humanizada, com 
uma apanha mais adequada, com mais calma, com treinamento e planejamento da equipe, 
e ainda mudança da cultura de trabalho. Tudo isso, através de pesquisa, já se viu que 
ocorre diminuição na taxa de mortalidade, ocorre um maior aproveitamento da carcaça, da 
carne do animal, e a carcaça geralmente também fica com melhor qualidade e sem 
hematomas. Aqui nós temos um vídeo demonstrando um serviço bem mais tecnificado, que 
não é no Brasil, infelizmente ainda não é, mas um serviço tecnificado de massagem, de 
escovação dos animais. Então você pode perceber que a vaquinha tá ali adorando receber 
aquela coçadinha ali no pescoço. Então isso sim é melhoria também no bem-estar dos 
animais. E é importante que nós saibamos, que nós entendamos, pessoal, que cada 
espécie possui a sua particularidade em relação ao seu comportamento. Cada espécie tem 
o seu jeitinho. Animais domesticados ou de produção, independentemente, animais de 
perto, de dentro de casa ou então da fazenda, eles devem ter o seu bem-estar e o seu 
comportamento natural de espécie respeitados. E o nosso desafio é entender e querer 
mudar em relação ao trato dos animais de companhia, dos animais domesticados, certo? E 
outro desafio enorme também, e aí mais relacionado aos animais de produção, é produzir 
com qualidade, produzir com sustentabilidade, ou seja, devolvendo à natureza o que ela 
nos dá, e principalmente, no nosso caso, respeitando o direito dos animais. De que forma? 
Garantindo o seu bem-estar. 
NA PRATICA: 
Muito bem, caros alunos, e agora nós temos proposto uma atividade chamada Na Prática. 
Nessa atividade eu trago a você um case também, uma situação, problema, onde gostaria 
de saber o que você faria a respeito de acordo com o conhecimento adquirido. Após ter 
adquirido conhecimentos acerca dos direitos dos animais e também das observações de 
bem-estar das espécies, você se depara com a seguinte situação. Movido pelo sentimento 
de ajuda, o seu vizinho possui em casa vários cães e gatos que acabou recolhendo da rua, 
pois foram abandonados. A condição financeira dele não permite que disponha de boa 
alimentação e também de boa ambientação aos animais. É mandatório que, para uma 
tutoria responsável, os animais devam ter seus direitos básicos de acesso à alimentação e 
à água normalmente atendidos. A atitude do seu vizinho é louvável, mas será que a sua boa 
intenção está de fato ajudando os animais recolhidos? Por isso, como estudante, você, 
conhecendo os direitos dos animais e também em relação ao bem-estar, resolveu intervir e 
orientar o seu vizinho. E aí que eu te pergunto, o que é que você disse ao seu vizinho? 
Você abordou ele e falou, ô vizinho, vamos conversar a respeito do que está acontecendo 
aí? Qual a solução que você teria para a questão do abandono dos animais no Brasil? E 
ainda, quero que você anote as suas respostas para você debater futuramente qual seria a 
sua atitude mais pra frente, num futuro breve. Então pessoal, em relação à primeira 
pergunta, o que você faria, basicamente são orientações. Vizinho, eu vi que você tem aí 
misturado cachorro com gato, vi que esses animais estão num ambiente só, muitas vezes 
um comendo no pote do outro, ou seja, se alimentando da mesma ração. Então vizinho, não 
é bem assim que funciona a coisa. Cada animal tem que ter a sua alimentação, cada animal 
tem que ter o seu atendimento hídrico também respeitado. Eles são de espécies diferentes 
e por isso eles têm comportamentos diferentes. Em relação à questão dois, bom gente, nós 
temos aí 30 milhões de animais abandonados no Brasil, certo? Às vezes você não para pra 
pensar, mas imagina que na sua cidade tem muito cachorro, imagina que no Brasil tem mais 
de 5 mil municípios, multiplique isso. Então nós temos aí mais de 30 milhões de animais 
abandonados. Isso muito se deve por conta do controle populacional inadequado. Animais 
abandonados, cachorros e cadelas que vão fazer cruzamento, que vão se reproduzir e 
acabar produzindo cada vez mais animais. Então o que você responderia nessa questão? 
Fazer o controle populacional, programas de castração de animais é uma solução bem 
vista. Também a questão de adoções. Durante a pandemia, 2019 pra 2020, 2020 pra 2021, 
houve um aumento do crescimento de adoções. Então também é uma boa saída pra 
aqueles animais que já se encontram em situação de abandono. E na última questão, 
gostaria que você ficasse aí com ela pra você pensar mais em relação ao que você 
respondeu agora e ao que você responderia futuramente a partir aí de uma outra 
abordagem, de mais aprofundamento em relação ao tema bem-estar animal e 
comportamento animal. 
FINALIZANDO: 
Caros alunos, estamos então fechando as nossas ideias, finalizando aqui os nossos 
conhecimentos em relação à etologia e comportamento animal, e eu gostaria de relembrar 
alguns tópicos que abordamos em relação à introdução dos conceitos de etologia e 
bem-estar animal. Vimos em relação ao comportamento dos animais de companhia e de 
produção, vimos que os animais de companhia, principalmente cães e gatos, eles possuem, 
apesar de serem de dentro de casa, eles possuem características comportamentais 
diferentes em relação aos animais de produção, aqueles que fornecem a proteína animal 
para os seres humanos, nós também vimos que eles possuem características peculiares de 
cada espécie, os suínos, as aves, os bovinos, também os ovinos e caprinhos. Falamos 
sobre legislação e bioética, passamos aí por um histórico em relação aos direitos animais 
desde os primórdios, desde quando começou a se tratar melhor dessa questão da 
correlação entre seres humanos e animais.E ainda vimos alguns cases de sucesso, ou 
seja, ferramentas que são utilizadas e também alguns dispositivos que são utilizados, 
técnicas que são utilizadas para poder promover um melhor bem-estar, um grau melhor de 
bem-estar aos animais. E na próxima aula nós vamos abordar alguns outros conceitos e 
falar de alguns outros conhecimentos. Falaremos sobre dor e senciência, você conhece a 
consciência, mas a senciência você conhece? Também falaremos aí das famosas cinco 
liberdades dos animais, trataremos também de alguns pontos, alguns fatores internos e 
externos que são relativos ao bem-estar animal. E pra fechar com chave de ouro, gostaria 
de deixar aqui pra você uma sugestão de leitura, que é o livro aí do Bruno Fraser, que vai 
trazer mais informações pra poder envasar melhor esse nosso primeiro bate-papo, e vai 
falar sobre comportamento e bem-estar dos animais domésticos. Foi um prazer ter você 
aqui conosco e eu espero...