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UNOPAR – UNIVERSIDADE NORTE DO PARANÁ
CURSO DE BACHARELADO EM ENFERMAGEM
NOME DO (A) ACADÊMICO (A) 
A IDENTIFICAÇÃO DO PAPEL DO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE AUTISTA
Município / ESTADO ABREVIADO
2022
NOME DO (A) ACADÊMICO (A)
A IDENTIFICAÇÃO DO PAPEL DO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE AUTISTA
Artigo apresentado como requisito obrigatório para a conclusão do curso, orientado pelo tutor à distância do curso de Bacharelado em Enfermagem.
Orientador:
Município / ESTADO ABREVIADO
202_
SUMÁRIO
RESUMO	4
1 INTRODUÇÃO	5
2 OBJETIVOS	7
2.1 OBJETIVO GERAL	7
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS	7
5 METODOLOGIA	8
6 RESULTADOS	9
7 DISCUSSÃO	10
8 CONCLUSÃO	11
9 REFERÊNCIAS	12
27
RESUMO
Introdução: O presente trabalho tem como tema a assistência de enfermagem ao cuidado com crianças autista, no qual foi proposto discute a importância da enfermagem as crianças com TEA. O autismo é um transtorno de desenvolvimento que envolve geralmente crianças antes dos três anos de idade apontando comportamento repetitivo e restritos sendo algumas características, e o comprometimento do desenvolvimento motor e psiconeurológico, em que dificulta a cognição, comunicação, linguagem e convívio social da criança. Objetivo: descrever a assistência de enfermagem prestada aos cuidados à criança autista. Resultados: A pesquisa é baseada em pesquisa bibliográfica, para tal foi selecionado 54 fontes de literatura, destes foram excluídos 21 artigos devido a duplicidade, foram selecionados 19 artigos para leitura na íntegra, com amostra final de 17 artigos. Publicações de 2007 a 2022 Quanto aos critérios de inclusão/exclusão de artigos (seleção da amostra): para tal utilizou-se algumas bibliotecas digitais como Lilacs, Scielo, PubMed, Medline, google acadêmico. Conclusão: O papel do enfermeiro é fundamental na identificação precoce dos sinais e sintomas do TEA e é de suma importância que o profissional de Enfermagem tenha o conhecimento necessário para detectar estes sinais e prestar uma assistência adequada à criança, para contribui no desenvolvimento e ampliação do olhar clínico da assistência de enfermagem com esses pacientes.
Palavras-chave: Criança, Cuidados de enfermagem, Transtorno do Espectro Autista (TEA). 
1 INTRODUÇÃO
 O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é conceituado como um distúrbio de desenvolvimento, que compromete principalmente a área neurológica. Necessita de um diagnóstico complexo que nem sempre é eficiente, devido à falta de profissionais qualificados para o atendimento e acompanhamento desses pacientes. (PINTO, et al, 2016; MONTEIRO et al, 2008). 
 O Enfermeiro é responsável pela consulta de crescimento e desenvolvimento na Atenção Básica, portanto deve estar apto para reconhecer precocemente sinais de transtorno autista podendo contribuir para o diagnóstico precoce e medidas interventivas (VILAR, et al 2019). É fundamental que se estabeleça um vínculo entre profissional, indivíduo e suas famílias. Assim, tanto a criança quanto os pais se sentirão seguros e amparados, fazendo com que o tratamento seja mais eficaz (SOUSA, et al, 2018).
 Destaca-se, que esse diagnóstico é caracterizado principalmente pela capacidade reduzida de estabelecer uma relação adequada de comunicação com o ambiente social. Essas dificuldades não são geradas apenas pelo atraso na linguagem e/ou uso estereotipado e repetitivo da fala, podem decorrem também da falta de reciprocidade social e emocional que é característica do autista em suas relações (SCHIMIDT; BOSA, 2007). 
 Sendo assim o estudo visa conceituar o autismo e elencar o papel do enfermeiro assim como sua contribuição diante do espectro a pacientes que já possuem o laudo de TEA. Diante disso, qual é o papel do enfermeiro diante do diagnóstico da criança com índice de suspeita de TEA? Qual deve ser a postura do profissional e quais atitudes ele deve adotar ao notar que a criança corresponde ao diagnóstico?
 O estudo justifica-se pela sua importância e relevância diante da temática abordada, pois seja na atenção básica ou em qualquer ambiente que o enfermeiro se encontre é de suma importância que o mesmo reconheça os aspectos que envolve o conhecimento sobre o autismo, uma vez que é fundamental a detecção precoce do TEA para que haja um plano de cuidados adequado. Importantíssimo o papel do enfermeiro nesse contexto, pois cabe a ele intervir frente a esta patologia e prestar sua assistência à família.
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Compreender o papel do enfermeiro diante da assistência de enfermagem ao paciente autista.
2.2 Objetivos específicos
· Identificar, caracterizar e analisar as evidências disponíveis na literatura sobre a atuação do enfermeiro no cuidado à criança com Transtorno do Espectro Autista.
· Identificar o papel do enfermeiro no manejo de crianças com Transtorno do Espectro Autista e seus familiares.
· Refletir sobre as atribuições do enfermeiro diante de peculiaridades como o TEA.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
 O termo autismo atravessa a literatura ora como um tipo específico do TEA, ora como conjunto de sinais e sintomas. Historicamente as primeiras publicações sobre o autismo são dos psiquiatras infantis Hans Asperger (1944) e Leo Kanner (1943), ambos respaldados dos casos que observavam juntamente com suas suposições teóricas a respeito da desconhecida síndrome.
 O Autismo foi descrito nos anos 40 por Leo Kanner e Hans Asperger como um “distúrbio afetivo autista” com causas ainda desconhecidas, sabe - se que a genética e os agentes externos desempenham um papel chave nas causas desse transtorno. Mas “estados ou formas autistas” também podem estar associados a outras patologias, tais como a epilepsia, paralisias cerebrais e síndromes genéticas, dentre outras. 
 Isto torna o diagnóstico difícil, confundindo esse transtorno com outros quadros patológicos. Não existe ainda um diagnóstico confiável para este fim, não há testes laboratoriais ou de imagem que possam diagnosticar o autismo. Assim o diagnóstico deve feito clinicamente, pela entrevista e histórico do paciente e apenas profissionais habilitados conseguem fazer sua identificação (SILVA, et al. 2016).
 Atualmente, estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo todo possuem algum tipo de autismo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com relação ao Brasil, esse número passa para 2 milhões. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) diz que o autismo atinge ambos os sexos e todas as etnias, porém o número de ocorrências é maior entre o sexo masculino (cerca de 4,5 vezes). 
 No Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais-DSM-V o transtorno do espectro autista passou a integrar os transtornos do neurodesenvolvimento. E este tem início no período do desenvolvimento, em geral antes da criança ingressar na escola, sendo caracterizado por déficits no desenvolvimento que acarretam prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico ou profissional (DSM-V, 2014).
 A doença conhecida como Autismo inclui: a síndrome de Aspeger, o Autismo e outros distúrbios do desenvolvimento não categorizados pela associação americana de psiquiatria. Foi introduzida a nomenclatura Transtorno de Espectro Autismo (TEA) para facilitar o estudo dessas doenças que tem características em comum. 
 O (TEA), segundo a Associação Americana de Psiquiatria, é uma doença que atinge crianças afetando áreas do neurodesenvolvimento responsáveis pela interação social, comunicação e comportamento do indivíduo. São necessárias ações específicas e precoces para potencializar o desenvolvimento infantil, minimizar os sintomas e ampliar propostas terapêuticas. Pode apresentar prejuízos qualitativos, que variaram em menor ou maior intensidade com comportamentos restritivos, repetitivos e estereotipados. É um transtorno que começa a manifestar-se antes dos três anos de idade (DOS ANJOS,2019).
 De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), são existentes 3 tipos de Autismo:
· Síndrome de Asperger- A Síndrome de Asperger é a forma mais leve do espectro autista. As crianças que a possuem normalmente se tornam extremamente obsessivos por um único objeto e também se interessam demais pelo seu assunto preferido, podendo discuti-lo por horas a fio, sem parar. A síndrome afeta três vezes mais os meninos e, quem a desenvolve, normalmente possui inteligência acima da média. Por conta disso, alguns médicos a chamam de “Autismo de Alto Funcionamento”. Em contrapartida, quando esses pacientes atingem a fase adulta, o risco de depressão e/ou ansiedade se desenvolverem é muito alta.
· Transtorno Invasivo do Desenvolvimento-Crianças que possuam um tipo de autismo um pouco mais grave do que a Síndrome de Asperger e um pouco mais leve do que o Transtorno Autista é diagnosticado com Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. Pelo fato de os sintomas desse tipo de transtorno variarem bastante, pode-se dizer que os mais comuns são: Interação social prejudicada; Competência linguística razoável superior ao Transtorno Autista, mas inferior a Síndrome de Asperger; Menos comportamentos repetitivos.
· Transtorno Autista- Todas as crianças que possuam sintomas mais rígidos do que os citados anteriormente possuem o transtorno autista. O funcionamento da capacidade social, cognitiva e linguística é bastante afetado, além de possuírem comportamentos repetitivos.
 Outros 2 tipos também são anexados a esses, só que dessa vez pelo Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais:
· Síndrome de Rett-Por mais que as crianças com esse problema possuam comportamentos muito parecidos com os autistas, a Síndrome de Rett não está relacionada ao espectro autista. Especialistas dizem que a mutação presente na síndrome acontece de forma aleatória ao invés de ser herdada e ela afeta, em sua maioria, crianças do sexo feminino. A síndrome é caracterizada por alguns itens e aparecem entre o 6º e o 18º mês da criança: Para de responder socialmente; Torce demais as mãos, o que se torna um hábito; Perde competências linguísticas; O crescimento da cabeça diminui significativamente e, por 2 anos, é muito abaixo do normal.
· Transtorno Desintegrativo da Infância- Esse tipo de autismo é o mais grave de todos os presentes no Espectro Autista, porém também é o menos comum cerca de 2 crianças de 100 mil são diagnosticadas com Transtorno Desintegrativo da Infância. Quanto aos sintomas, pode-se dizer que depois de um período de desenvolvimento normal, geralmente entre 2 e 4 anos de idade, a criança com esse tipo de transtorno perde de maneira muito brusca as habilidades sociais, linguísticas e intelectuais. Além disso, essas funções perdidas não são mais recuperadas.
 Por mais que as causas do Autismo não sejam conhecidas, os cientistas sugerem que alguns fatores desempenham papéis importantes no desenvolvimento do transtorno. Eles são: Gênero: Crianças do sexo masculino são mais propensos a terem Autismo. Estima-se que para cada 8 meninos autistas, 1 menina também é. A Genética também está associada com cerca de 20% das crianças que possuem Autismo também possuem outras condições genéticas, como Síndrome de Down, Síndrome do X frágil, esclerose tuberosa, entre outras.
 A idade dos pais também pode ser um agravante, a ciência diz que, quanto mais velho alguém ter um filho, mais riscos as crianças tem de desenvolver algum tipo de problema (MELO, et al. 2017). E com o Autismo não é diferente. E por fim, os parentes autistas, os casos na família que já possuem histórico de Autismo, as chances de alguém também possuir são maiores.
 De acordo com Dos Anjos (2019 pg. 342);
O ideal é que o diagnostico seja feito por uma equipe interdisciplinar composta pelo menos de neuropediatra e psicólogo especialista em distúrbios do desenvolvimento. Esses profissionais, por sua vez, devem analisar e estudar cada caso em conjunto, destacar as características do quadro clínico da criança e oferecer à família as informações de forma detalhada e esclarecedora, não apenas do diagnóstico, mas, do perfil médico, cognitivo e adaptativo da criança. 
 
 Além disso, devem orientar a família sobre as possibilidades de tratamentos e intervenções, e se for o caso, fazer encaminhamentos necessários aos serviços e apoios adequados. As características do espectro são prejuízos persistentes na comunicação e interação social, bem como nos comportamentos que podem incluir os interesses e os padrões de atividades, sintomas que estão presentes desde a infância e limitam ou prejudicam o funcionamento diário do indivíduo. As subcategorias fazem parte do TEA, e o comprometimento pode ocorrer em três níveis de gravidade. No nível um, o indivíduo exige apoio; no nível dois, exige apoio substancial; e no nível três exige muito apoio substancial (APA, 2014).
 O autismo é uma síndrome comportamental, na qual a criança não consegue desenvolver suas habilidades de construção interacional, havendo uma dificuldade qualitativa de se relacionar e de se comunicar de maneira comum com as pessoas. Além das causas neurológicas para este comportamento, é sugerido que o fenótipo autista é amplamente variado.
O autista com ausência de comunicação verbal e deficiência mental grave, classificado como “clássico”, E o autista com sociabilidade comprometida, que apresentam habilidades verbais e inteligência normal (DOS ANJOS, 2019 pg. 153).
 O TEA é considerado um transtorno que vai além da sua complexidade, distante de ser definido com exatidão, pois não existem meios pelos quais se possa testá-lo, muito menos medi-lo. Em outras palavras, as pesquisas realizadas atualmente estão distantes no sentido de apresentarem a “cura” para o autismo, acompanhando o indivíduo por todo seu ciclo vital (ONZI, GOMES, 2015).
 De acordo com a teoria da mente a principal anormalidade do autismo é a falta de capacidade de construir elaborações sobre a mente alheia. E esse circuito neuronal especializado – os neurônios espelho, localizados no lobo frontal - que permite pensar sobre nós mesmos e sobre o outro e, desta forma, prever o comportamento de seus semelhantes (teoria da mente). 
 O entendimento de ações (essencial para a tomada de atitude em situações de perigo), a imitação (extremamente importante para os processos de aprendizagem) e a empatia (a tendência em sentir o mesmo que uma pessoa na mesma situação sente, à qual é fundamental na construção dos relacionamentos) são funções atribuídas aos neurônios-espelho e são exatamente essas funções que se encontram alteradas em pessoas autistas (NEUMANN, et al, 2017).
 De acordo com Brasil (2014) o comportamento incomum da criança pode determinar que ela possui o TEA, no qual correspondem:
Quadro 1: Comportamentos da criança com TEA.
	
 MOTORES
	Movimentos motores estereotipados: flapping de mãos, “espremer- se”, correr de um lado para o outro, entre outros movimentos. Ações atípicas repetitivas: alinhar/empilhar brinquedos de forma rígida; observar objetos aproximando-se muito deles; prestar atenção exagerada a certos detalhes de um brinquedo; demonstrar obsessão por determinados objetos em movimento (ventiladores, máquinas de lavar roupas etc.). Dissimetrias na motricidade, tais como: maior movimentação dos membros de um lado do corpo; dificuldades de rolamento na idade esperada; movimentos corporais em bloco e não suaves e distribuídos pelo eixo corporal; dificuldade, assimetria ou exagero em retornar os membros superiores à linha média; dificuldade de virar o pescoço e a cabeça na direção de quem chama a criança.
	
SENSORIAIS
	Hábito de cheirar e/ou lamber objetos. Sensibilidade exagerada a determinados sons (como os do liquidificador, do secador de cabelos etc.), reagindo a eles de forma exacerbada. Insistência visual em objetos que têm luzes que piscam e/ou emitem barulhos, bem como nas partes que giram (ventiladores, máquinas etc.).Insistência tátil: as crianças podem permanecer por muito tempo passando a mão sobre uma determinada textura.
	
ROTINAS
	Tendência a rotinas ritualizadas e rígidas. Dificuldade importante na modificação da alimentação. Algumas crianças, por exemplo, só bebem algo se utilizarem sempre o mesmo copo. Outras, para se alimentarem, exigem que os alimentos estejam dispostos no prato sempre da mesma forma. Certas crianças com TEA se sentam sempre no mesmo lugar, assistem apenas a um mesmo DVD e colocam as coisas sempre no mesmo lugar. Qualquer mudança de sua rotina pode desencadear acentuadas crises de choro, grito ou intensa manifestação de desagrado.
	
FALA
	Algumas crianças com TEA repetem palavras que acabaram de ouvir (ecolalia imediata). Outras podem emitir falas ou slogans e vinhetas que ouviram na televisão sem sentido contextual (ecolalia tardia). Pela repetição da fala do outro, não operam a modificação no uso de pronomes. Podem apresentar características peculiares na entonação e no volume da voz. A perda de habilidades previamente adquiridas deve ser sempre encarada como sinal de importância. Algumas crianças com TEA deixam de falar e perdem certas habilidades sociais já adquiridas por volta dos 12 aos 24 meses. A perda pode ser gradual ou aparentemente súbita. Caso isso seja observado em uma criança, ao lado de outros possíveis sinais, a hipótese de um TEA deve ser aventada, sem, no entanto, excluir outras possibilidades diagnósticas (por exemplo: doenças
progressivas).
	
ASPECTO EMOCIONAL
	Expressividade emocional menos frequente e mais limitada. Dificuldade de se aninhar no colo dos cuidadores. Extrema passividade no contato corporal. Extrema sensibilidade em momentos de desconforto (por exemplo: dor). Dificuldade de encontrar formas de expressar as diferentes preferências e vontades e de responder às tentativas dos adultos de compreendê-las (quando a busca de compreensão está presente na atitude dos adultos).
Fonte: Brasil (2014).
 Em relação ao tratamento, Onzi e Gomes (2015) salientam que a escolha do tratamento adequado é de extrema importância, pois o TEA acompanha o indivíduo por todo seu período de vida. Assim como qualquer indivíduo, o autista é único dentro da sua singularidade, e os resultados desse tratamento serão variáveis. Eles dependerão do nível de comprometimento e da interatividade de cada indivíduo. Por isso, não existem métodos únicos ou engessados que possibilitem um desenvolvimento regular em todos os autistas, independente de gênero ou idade cronológica.
A VALORIZAÇÃO DO ENFERMEIRO DIANTE DO DIAGNÓSTICO PRECOCE DA CRIANÇA AUTISTA
Segundo Portolese et al. (2017) a maior parcela dos atendimentos às pessoas com TEA acontece no Sistema Único de Saúde, o SUS, que está assentado em princípios doutrinários e diretrizes organizativas que o regulamentam e dão direcionalidade às ações, serviços e programas. Estes princípios e diretrizes se articulam e se complementam formando a base do ideário e da lógica da organização do sistema. Seus princípios doutrinários são: a universalidade, a integralidade e a equidade. As diretrizes organizativas do sistema, que visam imprimir racionalidade ao seu funcionamento, são: a descentralização com comando único em cada esfera do governo, a regionalização e hierarquização dos serviços e a participação comunitária.
Segundo MAIA et al. (2016), 
as manifestações clínicas do TEA ocorrem antes dos 36 meses de idade e tornam-se mais perceptivas especialmente quando a criança é inserida no contexto social. São características clínicas mais marcantes percebidas no TEA estão 36 relacionadas, principalmente, ao falho desenvolvimento da linguagem e principalmente a interação social.
O profissional enfermeiro pode colaborar de forma positiva para o diagnóstico e acompanhamento do TEA, através de observações comportamentais de crianças, mediante a consulta na APS monitorando o crescimento e o desenvolvimento da criança de acordo com o calendário mínimo preconizado pelo Ministério da Saúde, como também, podem auxiliar os progenitores dando apoio e informando-os quanto aos desafios e procedimentos assistenciais que os mesmos utilizarão no processo de cuidar da criança com autismo (MELO, et al. 2017).
 Como atividade privativa do enfermeiro a partir de 1986, a Consulta de Enfermagem é uma atividade desenvolvida para uma melhor assistência a saúde, em nível ambulatorial que utiliza componentes do método cientifico para identificar situações de saúde-doença, prescrever e implementar medidas de Enfermagem que contribuam para a proteção, promoção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo.
 Considerando a qualidade de atendimento à criança de forma consequente, o Ministério da Saúde estabeleceu um calendário mínimo de consultas: até 15 dias, 1 mês, 2 meses, 4 meses, 6 meses, 9 meses, 12 meses, 18 meses, 24 meses, 3 anos, 4 anos, 5 anos, 6 anos. O segmento desse calendário e o acompanhamento sistemático do CD podem ser indicadores da qualidade da atenção prestada à criança. A consulta de enfermagem no atendimento de seus pressupostos compreende a entrevista para a coleta de dados, o exame físico, o estabelecimento dos diagnósticos de enfermagem, a prescrição, a implementação dos cuidados e a orientação das ações relativas aos problemas detectados (OLIVEIRA, CADETE, 2007).
É recomendado, no entanto, que alguns preceitos sejam realizados, durante uma consulta, a avaliação do desenvolvimento da criança é feita utilizando-se gráficos de crescimento, observação, histórico do desenvolvimento, além de levantamento e atendimento às preocupações dos pais. Em cima desses fatores levantados deve-se realizar educação em saúde (MELO, et al. 2017 pg 76).
A Ficha de Acompanhamento do Desenvolvimento deve ficar no prontuário da criança; e a padronização para o seu uso, no consultório. Sempre que possível, o profissional deve tentar utilizar a mesma forma de padronização, o que facilitará o exame e dará maior confiabilidade aos achados clínicos. Esses marcos, selecionados a partir da Ficha de Acompanhamento do Desenvolvimento, permitirão ao profissional estabelecer uma conversa com a mãe a respeito do desenvolvimento do seu filho e como ela pode, durante os cuidados normais do dia a dia com a criança, participar e estimular o crescimento e desenvolvimento da mesma (CUNHA, 2009).
A consulta de enfermagem no atendimento de seus pressupostos compreende a entrevista para a coleta de dados, o exame físico, o estabelecimento dos diagnósticos de enfermagem, a prescrição, a implementação dos cuidados e a orientação das ações relativas aos problemas detectados:
Na entrevista dirigida à mãe ou responsável, a enfermeira obtém dados relacionados à realização do pré-natal, número de consultas, intercorrências gestacionais, uso de medicações, tipo de parto, peso nascimento e, ainda, coleta de dados socioeconômicos, sanitários, ambientais, habitacionais. Identifica a história pregressa e atual de saúde da criança e dos familiares, seus hábitos de vida, de alimentação, de lazer, além da relação afetiva e social da criança na família. Coleta também as queixas da mãe trazidas à consulta, algumas relacionadas à criança e outras específicas da mãe, mas que também são importantes, porque o enfermeiro precisa conhecer o mundo familiar da criança. Ainda na escuta das informações, é importante levantar dados sobre a idade materna, o grau de escolaridade e a profissão dos pais, o número de gestações e de partos. A idade materna, a baixa escolaridade materna e o intervalo intergestacionais curtos são fatores de risco que precisam ser identificados, pois aumentam a probabilidade de doenças perinatais e infantis.Durante uma consulta de enfermagem para a avaliação do CD, o enfermeiro utiliza gráficos, observa o desenvolvimento, o ganho ponderal e o de estatura, faz levantamentos do estado de saúde da criança, além das necessidades e preocupações dos pais. Compartilha com a criança e a família as informações e os conhecimentos de enfermagem, a situação da criança relacionadaà alimentação, à imunização, ao sono e ao repouso, ao lazer, ao relacionamento familiar. Com base nesses fatores, levantados e registrados, o enfermeiro deve planejar um cuidar que favoreça todos os aspectos do crescimento e do desenvolvimento da criança (OLIVEIRA, CADETE, p. 5. 2007).
Maia et al. (2016) salienta a necessidade de realizar um diagnóstico precoce do autismo em crianças até os três anos de idade, oportunizando a neuroplasticidade do cérebro em se moldar as dificuldades, pois mais tarde torna-se difícil de ser construída. Para isso segundo Brasil (2014) existem instrumentos de triagem tanto específicos ao TEA quanto sobre o desenvolvimento infantil, que garantem ao enfermeiro na APS, sobre qualquer índice de suspeita de atraso no desenvolvimento da criança e na presença de traços sugestivos do autismo, encaminhá-la a um especialista.
Quadro 02: Comparação da Avaliação do C/D normal com os Sinais de TEA
	IDADE
	C/D NORMAL
	C/D COM SINAIS DE TEA
	
2 a 4 meses
	
Fixa o olhar no rosto do examinador ou da mãe; segue objeto na linha média; reage ao som; eleva a cabeça.
	Por volta dos 3 meses de idade Criança com TEA pode apresentar realização oftálmica com menor frequência ou se ausentar dessa efetuação visual.
	6 meses
	
Alcança um brinquedo; se leva objetos a boca; localização do som; se rola.
	Pode apresentar atração em objetos; apatia; não há sorrisos e expressões faciais e é um do marco mais importante para
avaliação dos sinais.
	
9 meses
	Brinca de esconde-achou; transfere objetos de uma mão para outra; bate um objeto no outro; solta objetos voluntariamente; duplica sílabas; senta sem apoio.
	Apresentam apatia; não realiza a interação,	evita	emitir	sons, caretas ou sorrisos.
	
12 meses
	
Imita gestos; faz pinça; jargão; anda com apoio
	Não balbuciam ou se expressam como bebê; não responde ao seu nome quando chamado; ausência em apontar para objetos no intuito de compartilhar atenção; não segue com olhar a gesticulação
que outros lhe fazem
	
15 meses
	Executa gestos a pedido; coloca blocos na caneca; produz uma palavra; anda sem apoio.
	Apresentam mutismo ou quando há fala pronunciam palavras em jargão e abulia (ausência da vontade).
	
18 meses
	
Identifica dois objetos; rabisca espontaneamente; produz três palavras; anda para trás.
	Apresentam ecolalia (forma de afasia em que o paciente repete mecanicamente palavras ou frases que ouve); mutismo (ausência da necessidade de falar) e abulia (incapacidade de tomar decisões voluntárias).
	
24 meses
	Forma frase de duas palavras com sentido que não seja repetição; Gosta de estar com crianças da mesma idade e tem interesse em brincar conjuntamente.
	Apresentam ecolalia; mutismo e estereotipia verbal.
	
36 meses
	
Brinca com crianças da mesma idade expressando preferências; tira roupa.
	Apresentam apatia; hipotimia isto é, não empenham, ou evitam interações com outras crianças; quando procurados; constrói torre
de 3 (três) cubos.
Fonte: (BRASIL, 2013).
 O paciente com diagnostico de autismo necessita de um acompanhamento multidisciplinar. A assistência de Enfermagem é de extrema importância na prestação do cuidado, auxiliando na promoção do desenvolvimento da criança, facilitando o acesso às informações sobre o transtorno e promovendo ações que proporcionem o bem-estar do paciente e do seu familiar direcionando-os aos serviços de saúde essenciais (DOS ANJOS, 2019).
No que concerne a identificação de alterações características do TEA, tem-se o acompanhamento e a avaliação do crescimento e desenvolvimento infantil na Atenção Primária à Saúde (APS) que são feitos de forma contínua, com o objetivo de promover saúde, proteger e detectar precocemente possíveis alterações, papel esse exercido pela consulta de Puericultura. Com isso, é na APS que muitos casos de TEA são detectados, uma vez que, a criança é acompanhada antes mesmo de seu nascimento (SILVA et al., 2016).
O papel do enfermeiro é fundamental neste processo, pois durante a consulta de Puericultura ocorre o acompanhamento da criança mês a mês. Sendo assim, é de suma importância que o profissional de Enfermagem tenha o conhecimento necessário para detectar os sinais e sintomas do TEA e prestar uma assistência adequada à criança, proporcionará uma boa assistência de enfermagem à criança e poderá orientar a família de forma correta (COSTA et al., 2014).
A partir desse cenário, reforça-se a necessidade dos enfermeiros que estão na prática clínica, estarem em constante desenvolvimento passando a incluir a pesquisa nas atividades da prática-assistencial, unindo o saber, fazer e pensar. Pois, a pesquisa é uma atividade que possibilita a reflexão e a transformação da prática profissional, de modo a se possibilitar o desenvolvimento de conhecimentos científicos que realmente reflitam em melhorias para o cuidado de enfermagem.
Figueiredo (2015) traz que cabe ao enfermeiro incluir a saúde dos pais no cuidado à criança com TEA, lhes fornecendo assistência de forma integral, pois, prestando cuidado à família, estamos atingindo de forma positiva a saúde da criança, pais saudáveis prestam um cuidado de maior qualidade ao seu filho. A participação da família é considerada um elemento fundamental nas intervenções realizadas para crianças diagnosticadas com TEA.
Por isso, a maneira como os profissionais de enfermagem aborda os pais e os incorporam no processo de intervenção é de suma importância. A atuação dos enfermeiros frente à criança autista e sua família é essencial, uma vez que eles têm um papel fundamental, na socialização, na aceitação e na orientação e apoio à família (CAVALCANTE; ALVES; ALMEIDA, 2016).
Podem ser de duas formas, o diagnóstico da enfermagem e o diagnóstico final dado pelo médico, à medida que as características tornam-se mais evidentes no decorrer do crescimento e desenvolvimento da criança quando esse entra em contato com outras pessoas. A percepção da família também é muito importante de acordo com o relato de mães, a falta de tempo para ficar com seus filhos dificulta o reconhecimento precoce do que está errado no desenvolvimento deles. Daí então o que chama a atenção delas são os problemas de relacionamento, a dificuldade dos filhos em se relacionarem com outras pessoas, intolerância ao barulho, a falta de vínculo e a dificuldade na comunicação. É muito comum, inicialmente, a mãe não acreditar no diagnóstico e negar de diversas maneiras a si mesma e aos familiares a existência de uma deficiência, o que nos faz perceber que tanto a mãe quanto o pai, ou seja, todo contexto familiar, não estão preparados para conviver com algo dessa natureza, pois planejaram um filho saudável e sem problemas. Com isso a família começa buscar outras respostas que possam negar essa constatação inicial e se deparam com seus próprios preconceitos e com apenas uma solução a rejeição ou a aceitação do autismo. Muitos são os dilemas vividos pelos pais e muitas vezes falta coragem para enfrentar toda dificuldade que vem pela frente por isso a ajuda de profissionais tornam-se tão necessária. Inicialmente é a equipe de enfermagem que terá um contato contínuo com a criança na consulta de enfermagem (SILVA, et al. 2016, p.17).
De acordo com Silva (2019) a enfermagem, destaca-se como educador em saúde, apresentando um papel fundamental no processo do cuidar, interagindo na troca de informações com à família, principalmente a mãe, colhendo dados importantes, rastreando as informações dentro de diferentes contextos e ambientes, acompanhado o desenvolvimento da criança, construindo hipóteses e confrontando com as evidências na busca da melhor assistência, traçando um plano de cuidados e orientações que envolva a criança e a família. 
 Portanto, a consulta de puericultura da enfermagem na Atenção Básica é fundamental neste cenário, observando os traços sugestivos e sinais do autismo, contribuindo assim para a promoção da qualidade de vida e bem estar de todos os envolvidos no contexto do espectro do autismo.
ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO CUIDADO À CRIANÇA COM TRANSTORNO DOESPECTRO AUTISTA
É de suma importância, que o profissional da área de enfermagem tenha o embasamento teórico para a realização do cuidado ao paciente com TEA, auxiliando no suporte aos familiares ou cuidadores do paciente, de forma a evitar a sobrecarga emocional, fato esse que dificulta a realização da assistência aos mesmos (FEIFER, et al. 2020). A assistência às pessoas com TEA no SUS, assim como a qualquer cidadão brasileiro, deve ser pautada na integralidade englobando a rede de serviços ampliada, com a oferta do cuidado nos setores da saúde mental e geral, da educação/trabalho, da assistência social e a justiça.
 Ao longo do exercício profissional, o enfermeiro exerce inúmeras funções na equipe multidisciplinar no contexto do cuidado à pessoa com TEA. O acompanhamento dessa pessoa deve ocorrer desde a infância até a vida adulta, sendo importante destacar que o conhecimento sobre o transtorno é identificado como uma base de excelência nesta abordagem. Na Atenção Primária, a avaliação do crescimento e desenvolvimento é fundamental para identificar necessidades de cada pessoa que vive com Transtorno do Espectro Autista, pois, a partir delas, intervenções serão elaboradas para promover o cuidado de qualidade individual e coletivo (FRANÇA, SOUSA, BUBADUE, 2020).
 A Atenção básica tem o papel de realizar identificação e manejo de casos, sendo composta por Unidades Básicas de Saúde e de Equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), desenhadas para identificação precoce, acompanhamento e cuidado integral dos indivíduos. Na assistência especializada, destacam-se os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Os CAPS, lançados em 2002, são considerados desde então como principal equipamento especializado para o atendimento a pessoas com problemas de saúde mental severos e persistentes, incluindo os TEA (PORTOLESE, et al. 2017).
O Autismo é um transtorno de desenvolvimento, definido pela presença de déficits na cognição, na comunicação e na interação social dificultando inicialmente o diagnóstico, sendo necessário uma precoce detecção, mas também, uma melhor abordagem na percepção dos sintomas pelo enfermeiro, cabendo a ele desenvolver seu papel de agente educador e socializador criando um vínculo junto aos familiares durante o tratamento (SILVA, et al. 2016).
Nesse sentido, Guimarães (2019) diz que a vigilância pela parceria pais- profissional e a resposta rápida às preocupações durante os anos pré-escolares são recomendadas. As crianças com TEA e sua família requerem amplo apoio e recursos especializados para suas limitações e necessidades. Neste horizonte, o profissional de enfermagem coloca-se como um importante ator. O enfermeiro é especializado em cuidar de pacientes com deficiências de desenvolvimento e aprendizagem. O cuidado de enfermagem não se restringe apenas ao hospital e às clínicas, mas se estende ao ambiente domiciliar.
Se o enfermeiro confere as pessoas promoção à saúde, significa que ele promove qualidade de vida, ajuda a prevenir riscos e vulnerabilidades. Contudo essa troca de promover saúde deve ser de maneira eficaz, ajudando o autista, como também seus familiares a desenvolver a capacidade de se adaptar a sua nova rotina. Nesse contexto é de total importância que o enfermeiro tenha a habilidade para avaliar e fazer esse diagnóstico, apoiando a família e criando um vínculo de confiança, planejando intervenções necessárias a realizar com os mesmos. Desta forma a avaliação coloca o enfermeiro como um facilitador possibilitando meios de interação entre criança-família-sociedade (SILVA, et al. 2016).
AÇÕES DE ENFERMAGEM NO ACOMPANHAMENTO DE PACIENTES COM TRANSTORNO DE ESPECTRO AUTISTA
A enfermagem nesse contexto, pode atuar na educação especial promovendo o desenvolvimento das potencialidades das crianças com TEA em todo o aspecto biopsicossocial, auxiliando esses indivíduos a tornarem-se ativos na construção de sua vida e de sua independência (GUARDA; SCHUENGUE; OLIVEIRA, 2017).
Guimarães (2019) ressalta que o papel fundamental deste profissional consiste na orientação sobre autocuidado, higiene e segurança, o enfermeiro, a partir da sua formação, poderá fornecer incentivo e reforço positivo para a criança e os cuidadores primários, fomentando, assim, os espaços de zelo e cuidado. Por outro lado, o profissional poderá, ainda, implementar intervenções básicas de enfermagem para diminuir a ansiedade e a dor, otimizando a qualidade do atendimento e atendendo às tarefas básicas do dia-a-dia dos pacientes e familiares. A atuação do profissional de enfermagem é essencial neste cenário, pois ele serve como um elo importante entre a família e prestador médico especializado. Sobre este assunto, cabe mencionar que a consulta de saúde pode ser estressante para pessoas com TEA, devido as dificuldades em se ambientarem a novos espaços e às mudanças em sua rotina normal.
A comunicação do enfermeiro deve ser uma estratégia constantemente utilizada pelos profissionais, mas precisa ser embasada em um plano educativo que envolva a equipe multiprofissional e a família, para auxiliar no desenvolvimento de habilidades e promoção de uma melhor qualidade de vida (FEIFER, et al. 2020). É consenso na literatura selecionada que a assistência de Enfermagem é fundamental no acompanhamento do paciente com TEA desde o diagnostico até o tratamento.
A relação entre o enfermeiro e paciente autista é muito importante, uma vez que na maioria das vezes haverá a dificuldade de expressão oral do paciente, cabendo ao enfermeiro o olhar cuidadoso, a escuta e prestação de assistência diferenciada. É necessário olhar além do que é visível aos olhos, pois saber cuidar implica em preocupar-se, atentar-se ao outro, sendo essa, a essência da vida humana. Através de orientações aos familiares sobre o autismo, criação de planos terapêuticos que visem à singularidade de cada criança ou paciente, é proporcionado uma melhor qualidade de vida a todos os envolvidos (DOS ANJOS, 2019).
Para garantir os direitos do autista que foi criada a Lei nº 12.764/2012 que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e estabelece diretrizes para sua consecução. Que diz:
[...] Art. 2º São diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista: I - a intersetorialidade no desenvolvimento das ações e das políticas e no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista; II - a participação da comunidade na formulação de políticas públicas voltadas para as pessoas com transtorno do espectro autista e o controle social da sua implantação, acompanhamento e avaliação; III - a atenção integral às necessidades de saúde da pessoa com transtorno do espectro autista, objetivando o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos e nutrientes. (BRASIL. Lei Nº 12.764 de 27 dezembro de 2012).
Com isso ressaltamos que o enfermeiro se colocará como um elo, orientando a família sobre a adoção do tratamento junto a uma equipe multiprofissional possibilitando que essas necessidades possam ser resolvidas (SILVA, et al. 2016).
QUADRO 3: Diagnósticos e intervenções de enfermagem
	DIAGNÓSTICO
	INTERVENÇÃO
	Percepção sensorial
perturbada
	
Estimulação cognitiva; terapia ocupacional; reestruturação Cognitiva;
	Risco	de
paternidade ou maternidade prejudicada
	
Aconselhamento; apoio ao cuidador; promoção de vinculo; terapia familiar; educação para a saúde; orientação antecipada, Grupo de apoio; escuta ativa.
	Síndrome do estresse
por mudança
	Musicoterapia; terapia com animais; terapia ocupacional; suporte emocional.
	Risco de automutilação
	Aconselhamento;	arteterapia;	treinamento	para	controle	de impulsos; terapia com animais; terapia familiar; controle do
ambiente;
	Isolamento social
	Aconselhamento; aumento da socialização; controle de ambiente;
terapia ocupacional; arteterapia; terapia com animais; terapia em grupo; terapia recreacional.
	Atraso no crescimento e
desenvolvimento
	Aconselhamento; Orientação antecipada;promoção de vínculo; terapia familiar; treinamento das habilidades sociais;
Fonte: (FEIFER, et al. 2020).
Na aplicação profissional o enfermeiro, referente ao atendimento do paciente com Transtorno do Espectro do Autismo deverá possuir conhecimento detalhado sobre este transtorno para o atendimento de qualidade em todo o processo de enfermagem, trazendo o contexto e a importância da necessidade de um aprendizado mais criterioso aos acadêmicos de enfermagem sobre a TEA, de forma a levar na prática uma melhor resolutividade da aplicabilidade do atendimento organizacional (FRANÇA, SOUSA, BUBADUE, 2020). 
 O enfermeiro em sua atuação tem como meta o cuidar, direcionando suas ações não só para o problema mais para a resolutividade das questões diárias no cuidado ao paciente com o Transtorno do Espectro Autista juntamente com suas famílias.
O enfermeiro sistematiza o cuidado, além de promover a saúde ele também se coloca como um educador, a partir do momento que ele ensina a família lidar com a criança, ele oferta esse cuidado e possibilita o indivíduo se desenvolver e prevenir possíveis danos. A enfermagem é vista como um serviço humano, capaz de recuperar habilidades (SILVA, et al. 2016).
5 METODOLOGIA
 O estudo caracteriza-se pelo trabalho de conclusão de curso onde o mesmo foi realizado através da pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, onde o cerne da pesquisa é o Transtorno de Espectro Autista (TEA). O propósito geral de uma revisão de literatura de pesquisa é reunir conhecimentos sobre um tópico, ajudando nas fundações de um estudo significativo para enfermagem. Para o levantamento dos artigos na literatura, realizou-se uma busca nas seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Medical Literatura Analises and Retrieval Sistema on-line (Medline). Foram utilizados, para busca dos artigos, os seguintes descritores e suas combinações nas línguas portuguesa. Publicações de 2007 a 2022.
 A realização desta revisão deu-se a partir da seguinte pergunta norteadora: qual é o papel do enfermeiro diante do diagnóstico da criança com índice de suspeita de TEA? Qual deve ser a postura do profissional e quais atitudes ele deve adotar ao notar que a criança corresponde ao diagnóstico?
6 RESULTADOS
7 DISCUSSÃO
A discussão pode ser apresentada juntamente com a seção dos Resultados ou pode ser descrita à parte. Deve enfatizar os resultados mais importantes e comparar os resultados obtidos na sua pesquisa com os resultados obtidos por outros pesquisadores.
Lembre-se que a discussão dos resultados realizará uma ligação entre o que foi abordado na introdução, com as perguntas de pesquisa e hipóteses, atendendo ao que foi defendido na justificativa. Portanto, essa seção irá demonstrar como o estudo se desenvolveu a partir dos questionamentos deixados na introdução.
8 CONCLUSÃO ou CONSIDERAÇÕES FINAIS
Essa seção é a parte final do seu artigo, onde você irá apresentar as conclusões alcançadas com a pesquisa, limitando-se a explicar brevemente as ideias que predominaram no texto como um todo.
Na conclusão deve-se apresentar alguns pontos principais, como: revisão e interpretação dos principais resultados obtidos; demonstração de como os resultados e suas interpretações concordam ou contrastam com pesquisas anteriores; indicação da relevância dos resultados do estudo para a área da saúde; recomendações e sugestões para futuros estudos de ampliação ou aprofundamento de questões discutidas no trabalho, com possível abertura de lacuna a ser preenchida por novas pesquisas.
9 REFERÊNCIAS
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
BRASIL. Lei. Nº 12.764 de 27 de DEZEMBRO de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98 da Lei noº 8.112, de 11 de dezembro de 1990.
CAVALCANTE, Amanda de Sousa; ALVES, Natalia Alencar; ALMEIDA, Alexsandro Barreto. A assistência do enfermeiro à pessoa portadora de autismo: uma revisão integrativa (ri). Trabalho de Conclusão de Curso. 2016.
COSTA, Elisângela Luis da et al. Autismo infantil: assistência de enfermagem. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação apresentado ao Curso de Enfermagem – Faculdade Padrão. Faculdade de Enfermagem. Goiânia, 2014. Disponível em:. Acesso em: 03 de abr. 2021.
DOS ANJOS, Maria de Fátima Silva. Ações de Enfermagem no Acompanhamento de Pacientes com Transtorno de Espectro Autista. Brasília: UNICEPLAC. 2019.
Disponível em:
. Acesso em: 06 de maio. 2021.
FEIFER, Gabrielle Palma. Cuidados de enfermagem a pessoa com transtorno do espectro autista: revisão de literatura. Maringá: Rev. UNINGÁ. vol. 57. 2020. Disponível em: . Acesso em: 06 maio. 2021.
FIGUEIREDO, Jeane. O AUTISMO INFANTIL: uma revisão bibliográfica. Trabalho de Conclusão de Curso. São Luís, 2015.
FRANÇA, Izadora Souza. SOUZA, Maray do Nascimento. BUBADUE, Renata de Moura. Conhecimento dos Estudantes de Enfermagem sobre Crianças com Transtorno do Espectro Autista: Revisão Literária. [S.I.]: Revista JRG de Estudos Acadêmicos. vol. III. 2020. Disponível em:
. Acesso em: 06 maio. 2021.
GUARDA, Aline Fonseca da; SCHUENGUE, Cinthia Mara de Oliveira Lobato; OLIVEIRA, Tatiana Pereira de. Práticas Educativas No Contexto Da Enfermagem No Cuidado À Pessoa Com Deficiência. Anais do Seminário Científico da FACIG, n. 3, 2018.
GUEDES, Nelzira Prestes da Silva; TADA, Iracema Neno Cecilio. A Produção Científica Brasileira sobre Autismo na Psicologia e na Educação. Psic.: Teor. e Pesq. Brasília. vol. 31. 2015.
GUIMARÃES, Lucimeia Ribeiro Brandão. Considerações Sobre a Demora no Diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (Tea) e a Atuação da Enfermagem. [S.I.]: Revista Científica Interdisciplinar. Vol. 4. 2019. Disponível em:
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MACHADO, Fernanda Prada et al. Respostas parentais aos sinais clássicos de autismo em dois instrumentos de rastreamento. Audiol., Commun. Res., São Paulo. vol. 21. 2016.
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MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão Integrativa:
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PORTOLESE, Joana. Et al. Mapeamento dos serviços que prestam atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista no Brasil. São Paulo. Disponível em:
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SILVA, Adriana Simone Bezerra da. Et al. A valorização do enfermeiro diante do diagnóstico precoce da criança autista. In: Anais da VII Mostra de Pesquisa em Ciência e Tecnologia DeVry Brasil. Anais. Belém, Caruaru, Fortaleza, João Pessoa, Manaus, Recife, Salvador, São Luís, São Paulo, Teresina: Devry Brasil, 2016.
SOUZA, M. T.; SILVA, M. D.; CARVALHO, R. Revisão Integrativa: o que é e como fazer. Einstein, v.8, n. 1, p. 102-106, 2010.
Importante listar todas as obras citadas ao longo do trabalho, em ordem alfabética pelo sobrenome do autor. Lembrando que as referências devem ser alinhadas à esquerda com espaçamento entrelinhas simples.
· Atente-se para as formas corretas de apresentar cada tipo de obra. 
· A diferença entre artigos impressos daqueles encontrados em endereços eletrônicos é que nestes últimos, acrescentamos o endereço eletrônico e a data de acesso. 
Exemplos:
Livro com um autor:
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Interdisciplinaridade: um projeto em parceria. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2007. 119 p.
Livro com dois ou três autores, separados por ponto e vírgula:
AMARAL, Emília; SEVERINO, Antônio; PATROCÍNIO, Mauro Ferreira do. Novo manual de redação: gramática, literatura, interpretação de texto. São Paulo: Círculo do Livro, 1995. 432 p.
Livro com mais de 3 autores:
URANI, André et al. Constituição de uma matriz de contabilidade social para o Brasil. Brasília: IPEA, 1994. 49 p.
Para artigos publicados em revistas, o nome dos autores segue a mesma estrutura, entretanto o nome da revista é que fica em negrito, não da obra:
MASETTO, Marcos Tarciso. Inovação curricular no ensino superior. Revista e-curriculum, São Paulo, v. 7, n. 2, p. 1 -20, ago 2011.
Documentos jurídicos (Leis, decretos, portarias, etc.)
BRASIL. Decreto-lei n° 2423, de 7 de abril de 1998. Estabelece critérios para pagamento de gratificações e vantagens pecuniárias as titulares de cargos e empregos da Administração Federal direta e autárquica e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, D.F., 8 abr. 1998. Seção 1, pt. 1, p. 6009.
Trabalhos acadêmicos (monografias, dissertações e teses):
NIEL, Marcelo. Anestesiologistas e uso de drogas: um estudo qualitativo. 2006. 149 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2006.
Obs.: Na primeira vez que aparece o ano refere-se ao ano da defesa e na segunda o ano da entrega.
Trabalhos extraídos no meio eletrônico:
Páginas da internet
CALDAS, Juarez. O fim da economia: o começo de tudo. Disponível em:
. Acesso em: 23 abr. 2010.
Artigos consultados online:
BAGGIO, Rodrigo. A sociedade da informação e a infoexclusão. Ciência da
Informação, Brasília, v. 29, n. 2, maio/ago. 2000. Disponível em: . Acesso em: 26 jul. 2010.

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