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Questão 1/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta “Mostramo-nos inegavelmente capazes de formar bons historiadores da filosofia. Não teremos, entretanto — não todos, mas a maioria de nós —, contribuído para que a história da filosofia substituísse gradativamente a filosofia em grande parte de nossos cursos?” Fonte: PEREIRA, Oswaldo Porchat. Em defesa de uma instituição. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz10089809.htm. Acesso em: 26 mar. 2019 A crítica de Oswaldo Porchat Pereira ao ensino de filosofia nas universidades brasileiras revela uma preocupação com o esvaziamento do fazer filosófico em favor da historiografia filosófica. Para ele, os cursos de filosofia têm se concentrado excessivamente na história da filosofia, formando bons historiadores do pensamento, mas não necessariamente filósofos. Essa constatação levanta um debate importante sobre a finalidade do ensino filosófico: formar sujeitos capazes de pensar filosoficamente, questionar, argumentar e produzir conhecimento, e não apenas repetir o que já foi dito. Em cursos de licenciatura em Filosofia, essa reflexão é essencial para repensar práticas pedagógicas que estimulem a autonomia intelectual e a criação filosófica. Durante uma reunião pedagógica, professores de filosofia discutiam os rumos do currículo do curso. Um dos docentes citou Porchat Pereira, afirmando que muitos cursos formam apenas historiadores da filosofia. Outro professor concordou, dizendo que os estudantes deveriam ser incentivados a filosofar, e não apenas a estudar o que outros filósofos disseram. A coordenação propôs, então, revisar os planos de ensino para incluir mais atividades de produção filosófica. Com base na situação apresentada e na crítica de Oswaldo Porchat Pereira, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A Para Porchat Pereira, o ensino de filosofia na América Latina nas instituições universitárias privilegia hoje o fazer filosófico. Justificativa: Incorreta. Porchat Pereira critica justamente o fato de que o fazer filosófico tem sido substituído pela história da filosofia nos cursos universitários. B O ensino de filosofia na academia latino-americana e, sobretudo no Brasil, consiste hoje na formação de bons historiadores do pensamento filosófico. Você assinalou essa alternativa (B) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Porchat Pereira observa que os cursos de filosofia têm se limitado à historiografia, deixando de lado a prática filosófica propriamente dita (VALESE, 2024, p. 39). C Porchat Pereira compreende que os cursos de filosofia no contexto latino-americano estão focados nas ciências da religião, isto é, alinhadas ao espiritualismo. Justificativa: Incorreta. A crítica de Porchat não se refere à influência religiosa, mas à substituição do filosofar pela história da filosofia. D A história política tem sido o núcleo dos programas dos cursos de filosofia no Brasil, dessa maneira o curso tem formado mais políticos do que filósofos. Justificativa: Incorreta. A crítica de Porchat não é sobre a centralidade da política, mas sobre o excesso de foco na história da filosofia em detrimento da prática filosófica. Questão 2/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta Farias Brito foi um dos principais representantes da filosofia brasileira no início do século XX. Sua obra é marcada por uma crítica ao positivismo, ao materialismo e ao realismo ingênuo, propondo uma filosofia voltada à renovação espiritual e moral da humanidade. Para ele, a filosofia deveria ser uma atividade permanente do espírito humano, capaz de promover uma síntese entre ciência, arte e religião, com vistas à realização de um ideal ético e à abertura ao Absoluto. Como afirma Filizola Neto: “Farias Brito busca sua própria filosofia como atividade permanente do espírito humano para a realização de um ideal ético, numa tentativa de síntese que restabeleça a validade do pensamento metafísico num diálogo aberto, sem preconceitos, com a ciência, a arte e a religião, na pretensão de promover a renovação espiritual e moral da humanidade [...]”. Fonte: FILIZOLA NETO, Júlio. FARIAS BRITO, Um Filósofo Brasileiro: vida, pensamento e crítica historiográfica. Fortaleza, 2008, p. 8. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Ceará. Durante uma aula sobre Filosofia Brasileira, os estudantes discutiam o pensamento de Farias Brito e sua crítica às correntes filosóficas dominantes de sua época. Um dos alunos destacou que Brito se opunha ao positivismo por negar a dimensão espiritual do ser humano. A professora explicou que, para Brito, a filosofia deveria abrir-se à transcendência e ao Absoluto, superando o reducionismo materialista e realista. Outro estudante mencionou que sua proposta filosófica buscava integrar ciência, arte e religião em uma visão ética e metafísica da existência. Com base na situação apresentada e no pensamento de Farias Brito, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A Defendeu a corrente filosófica positivista, acreditando que a ciência era a própria filosofia. Justificativa: Incorreta. Farias Brito foi um crítico do positivismo, por considerá-lo limitado ao negar a dimensão espiritual e metafísica da existência humana (livro-base, p. 176). B Foi adepto da corrente filosófica materialista, afirmando que o progresso capitalista elevaria o patamar da humanidade. Justificativa: Incorreta. Brito se opôs ao materialismo, defendendo uma filosofia espiritualista voltada à ética e à transcendência (livro-base, p. 176). C A filosofia que defendeu acreditava que o indivíduo poderia se aproximar do Absoluto, isto é, abrir-se à transcendência. Você assinalou essa alternativa (C) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 176), Farias Brito propôs uma filosofia neoespiritualista que se opunha ao positivismo e ao materialismo. Para ele, a verdadeira filosofia deveria permitir ao ser humano aproximar-se do Absoluto, promovendo uma renovação espiritual e moral por meio da integração entre ciência, arte e religião. D Criticou publicamente a possibilidade filosófica de buscar-se o infinito, afirmando dessa forma a limitação de tudo e todos. Justificativa: Incorreta. Ao contrário, Farias Brito defendia que o espírito humano deve abrir-se à busca do infinito e do Absoluto, como condição para a realização ética e filosófica (livro-base, p. 176). Questão 3/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta A Geração de 1915 representou um marco na história da filosofia latino-americana ao propor uma ruptura com o positivismo dominante e buscar uma identidade filosófica própria para a região. Influenciados por José Ortega y Gasset, esses pensadores procuraram superar a imitação da cultura anglo-saxônica e refletir sobre os elementos específicos da cultura hispano-americana. Como destaca Gonçalves Júnior: “A Geração de 1915 corresponde ao segundo grupo intelectual latino-americano formado no início do século XX, também designados como ‘patriarcas’ (denominação também atribuída ao primeiro grupo geracional de 1900). O marco da datação de 1915 coincide com as adversidades geradas pela Primeira Grande Guerra, bem como com a formação da Geração espanhola de 1914, que tem a figura de Ortega y Gasset como expoente”. Fonte: GONÇALVES JÚNIOR, Arlindo Ferreira. A História da Filosofia na América Latina e o legado de Ortega y Gasset. Disponível em: http://anphlac.fflch.usp.br/sites/anphlac.fflch.usp.br/files/arlindo_goncalves_jr.pdf. Acesso em: 27 mar. 2019. Durante uma aula sobre História da Filosofia na América Latina, os estudantes discutiam o papel da Geração de 1915 na construção de uma filosofia latino-americana autêntica. Um dos alunos destacou que esse grupo rompeu com o positivismo e buscou uma nova forma de pensar, influenciada por Ortega y Gasset. Outro mencionou que, apesar da influência europeia, os filósofos dessa geração estavam comprometidos com a busca por uma identidade própria, que refletisse as realidades culturais, sociais e políticasnaturalmente espontâneas que se dão por evidentes em cada época, e que estão extremamente arraigados em todos os sistemas filosóficos, embora por vezes com elementos de análise racional implícitos. Korn concebe a filosofia com o momento cultural concreto e temporal em que se vive, dando especial importância às questões da vontade e da praxis democrática.” · Fonte: A importância de Korn no panorama filosófico sul-americano. Disponível em: http://filcarlos.com/a-importancia-de-korn-no-panorama-filosofico-sul-americano/. Acesso em: 27 mar. 2019. · Durante uma aula sobre Filosofia Política na América Latina, os estudantes discutiam o conceito de liberdade em Alejandro Korn. Um dos alunos destacou que, para Korn, a liberdade não era um ponto de partida, mas um objetivo a ser alcançado por meio da ação ética e da transformação das estruturas sociais. A professora explicou que Korn via a distinção entre o mundo das necessidades e o mundo da liberdade como o problema central da filosofia, e que sua proposta incluía tanto a liberdade ética quanto a econômica. A discussão revelou o compromisso de Korn com uma filosofia voltada à emancipação humana e à construção de uma sociedade democrática. · Com base na situação apresentada e no pensamento de Alejandro Korn, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A O ser humano nasce livre, isto é, o ato de nascer é o início da liberdade humana e cabe a esse ser livre tomar suas próprias decisões. Justificativa: Incorreta. Korn não considera a liberdade como um ponto de partida natural, mas como uma conquista histórica e ética, que exige esforço e transformação social (livro-base, p. 159). B Ao alcançar a consciência de si no mundo o ser humano alcança a liberdade, que é demonstrada quando o indivíduo encontra seu caminho espiritual pela divindade. Justificativa: Incorreta. Korn não fundamenta a liberdade em uma experiência espiritual ou religiosa, mas em uma prática ética e política voltada à emancipação concreta do ser humano (livro-base, p. 159). C A liberdade humana na América Latina é uma ilusão na perspectiva do filósofo, ela nunca poderá ser alcançada devido aos complexos aparatos jurídicos que existem nas sociedades ocidentais. Justificativa: Incorreta. Korn não considera a liberdade uma ilusão, mas uma possibilidade real que deve ser conquistada por meio da ação ética e da transformação das estruturas sociais (livro-base, p. 159). D A liberdade humana se dá por meio de uma conquista, e pode ser dividida envolvendo aspectos éticos e econômicos. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 159), Korn afirma que a liberdade não é um presente, mas uma conquista. Ela exige tanto a liberdade ética — relacionada à responsabilidade e à autonomia moral — quanto a liberdade econômica — ligada às condições materiais de existência. Sua filosofia propõe uma crítica ao positivismo e defende uma prática filosófica comprometida com a realidade social e cultural da América Latina. · · Questão 3/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · “[...] Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. ‘Os homens se educam entre si mediados pelo mundo’, escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor [...]”. (FERRARI, Márcio. Paulo Freire, o mentor da Educação para a consciência. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/460/mentor-educacao-consciencia. Acesso em: 27 mar. 2019) · A proposta pedagógica de Paulo Freire rompe com a lógica tradicional da educação bancária, na qual o professor deposita conteúdos prontos no aluno. Para Freire, a educação é um ato dialógico, no qual educador e educando aprendem juntos, mediados pela realidade. Essa concepção valoriza o saber popular e reconhece que todo sujeito, mesmo antes da escolarização formal, já carrega uma bagagem cultural legítima. Em cursos de licenciatura em Filosofia, essa abordagem é fundamental para pensar a educação como prática de liberdade, em que o conhecimento é construído coletivamente e em diálogo com o mundo. A pedagogia freiriana propõe uma formação crítica, ética e política, que respeita a dignidade do educando e o reconhece como sujeito ativo no processo educativo. Durante uma aula sobre Filosofia da Educação, os estudantes discutiam a proposta de Paulo Freire. A professora explicou que, para ele, o conhecimento não é algo que o professor transmite, mas algo que se constrói na relação entre sujeitos. Um dos alunos comentou que isso exige escuta e respeito à cultura do educando. A turma refletiu sobre como essa abordagem transforma a sala de aula em um espaço de diálogo e emancipação. · Com base na situação apresentada e na concepção freiriana de educação, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A educação para ser efetivada precisa ser estabelecida com hierarquia, segundo a qual o aluno, de modo passivo, consiga extrair o máximo do educador. Justificativa: Incorreta. Freire critica a educação bancária e propõe uma relação horizontal entre educador e educando, baseada no diálogo e na construção coletiva do saber. B Os processos educativos não são e não podem tentar ser estabelecidos dentro de uma perspectiva política. Justificativa: Incorreta. Para Freire, toda educação é um ato político, pois envolve escolhas éticas e sociais que impactam a formação da consciência crítica. C A educação deve desconsiderar a realidade do aluno e indicar o lugar que o educando deseja estar no mercado de trabalho ao término dos estudos. Justificativa: Incorreta. Freire defende que a realidade do aluno deve ser o ponto de partida do processo educativo, e não algo a ser ignorado. D A educação é dialética, isto é, professor/educador e alunos possuem conhecimentos por vezes distintos, e o processo educativo se estabelece na construção dos conhecimentos. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Freire propõe uma educação dialógica e crítica, em que o conhecimento é construído na interação entre sujeitos mediados pelo mundo, valorizando a cultura e a experiência de cada um (VALESE, 2024, p. 219). · · Questão 4/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · A partir do século XV, com a expansão marítima europeia, iniciou-se um processo de dominação global que não se limitou ao campo econômico ou político, mas também se estendeu ao campo do conhecimento. O eurocentrismo, como perspectiva hegemônica, impôs uma visão de mundo que negava a validade de outras formas de saber e de existência. Como afirma Quijano: “Eurocentrismo é, aqui, o nome de uma perspectiva de conhecimento cuja elaboração sistemática começou na Europa Ocidental antes de meados do século XVII, ainda que algumas de suas raízes são sem dúvida mais velhas, ou mesmo antigas, e que nos séculos seguintes se tornou mundialmente hegemônica percorrendo o mesmo fluxo do domínio da Europa burguesa [...]” · Fonte: QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/sur-sur/20100624103322/12_Quijano.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. · Durante uma aula sobre Filosofia Latino-Americana, os estudantes discutiam os efeitos do eurocentrismo na formação do pensamento filosófico na América Latina. Um dos alunos destacou que a imposição de uma racionalidade europeia resultou na negação das culturas indígenas e africanas, consideradas inferiores. A professora explicou que, segundo Aníbal Quijano, o eurocentrismo não foi apenas uma teoria do conhecimento, mas parte de um projeto de dominação que articulava poder político, econômico, religioso e cultural. A discussão revelou como a colonialidade do saber ainda influencia os currículos, as instituições e as formasde pensar na América Latina. · Com base na situação apresentada e na crítica de Aníbal Quijano ao eurocentrismo, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A Caracterizou-se como uma rápida transição cultural e filosófica do pensamento primitivo para o pensamento moderno. Justificativa: Incorreta. O eurocentrismo não foi uma transição natural ou neutra, mas um processo imposto que desqualificou outras formas de conhecimento e impôs a racionalidade europeia como única válida (livro-base, p. 33). B A filosofia indo eurocêntrica trouxe como maior benefício à dialética harmônica entre culturas e sistemas de organização sociais diferenciados. Justificativa: Incorreta. O eurocentrismo não promoveu harmonia entre culturas, mas sim a negação e subordinação de saberes não europeus, especialmente os indígenas e africanos (livro-base, p. 33). C Foi uma afirmação filosófica sem interesses políticos ou materiais, baseando-se especificamente no âmbito do conhecimento. Justificativa: Incorreta. O eurocentrismo esteve profundamente ligado a interesses políticos, econômicos e religiosos, sendo parte do projeto colonial de dominação global (livro-base, p. 33). D Foi um processo lento e imposto que se baseou em ações político-econômicas, religiosas e culturais que negou certas culturas em favorecimento de outras. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 33), o eurocentrismo foi imposto como parte do processo de colonização, articulando poder político, econômico e religioso para afirmar a superioridade do pensamento europeu e negar a validade das culturas indígenas e africanas. Essa imposição resultou na marginalização de outras formas de saber e na construção de uma hierarquia global do conhecimento. · · Questão 5/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · A Geração de 1915 representou um marco na história da filosofia latino-americana ao propor uma ruptura com o positivismo dominante e buscar uma identidade filosófica própria para a região. Influenciados por José Ortega y Gasset, esses pensadores procuraram superar a imitação da cultura anglo-saxônica e refletir sobre os elementos específicos da cultura hispano-americana. Como destaca Gonçalves Júnior: “A Geração de 1915 corresponde ao segundo grupo intelectual latino-americano formado no início do século XX, também designados como ‘patriarcas’ (denominação também atribuída ao primeiro grupo geracional de 1900). O marco da datação de 1915 coincide com as adversidades geradas pela Primeira Grande Guerra, bem como com a formação da Geração espanhola de 1914, que tem a figura de Ortega y Gasset como expoente”. · Fonte: GONÇALVES JÚNIOR, Arlindo Ferreira. A História da Filosofia na América Latina e o legado de Ortega y Gasset. Disponível em: http://anphlac.fflch.usp.br/sites/anphlac.fflch.usp.br/files/arlindo_goncalves_jr.pdf. Acesso em: 27 mar. 2019. · Durante uma aula sobre História da Filosofia na América Latina, os estudantes discutiam o papel da Geração de 1915 na construção de uma filosofia latino-americana autêntica. Um dos alunos destacou que esse grupo rompeu com o positivismo e buscou uma nova forma de pensar, influenciada por Ortega y Gasset. Outro mencionou que, apesar da influência europeia, os filósofos dessa geração estavam comprometidos com a busca por uma identidade própria, que refletisse as realidades culturais, sociais e políticas da América Latina. A professora explicou que essa geração foi marcada por ambivalências, tanto filosóficas quanto políticas, mas teve como eixo central a superação da dependência intelectual e a valorização da cultura local. · Com base na situação apresentada e na contribuição da Geração de 1915 e de José Ortega y Gasset, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A Geração de 1915 estava interessada em retomar a filosofia medieval nos centros acadêmicos latino-americanos. Justificativa: Incorreta. A Geração de 1915 buscava romper com tradições filosóficas ultrapassadas, como o positivismo, e não tinha como foco a retomada da filosofia medieval (livro-base, p. 153). B O filósofo José Ortega y Gasset propôs que as sociedades latino-americanas adotassem a filosofia das metrópoles ibéricas como referencial para a resolução das questões do Novo Mundo. Justificativa: Incorreta. Embora Ortega y Gasset tenha influenciado a Geração de 1915, sua proposta não era de mera adoção da filosofia ibérica, mas de reflexão crítica sobre a realidade local e busca por identidade própria (livro-base, p. 153). C A Geração de 1915 e o filósofo Ortega y Gasset tinham em comum o fato de serem defensores do positivismo como corrente filosófica norteadora para a América Latina. Justificativa: Incorreta. A Geração de 1915 foi marcada por uma postura antipositivista, buscando superar essa corrente e propor novos caminhos filosóficos (livro-base, p. 153). D O objetivo principal da Geração de 1915 influenciada por Ortega y Gasset era a busca de uma identidade latino-americana. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 153), a Geração de 1915 foi profundamente influenciada por Ortega y Gasset e teve como objetivo central a construção de uma identidade filosófica latino-americana. Essa geração rompeu com o positivismo e buscou refletir criticamente sobre a cultura local, superando a imitação de modelos estrangeiros e valorizando a especificidade da experiência latino-americana. · · Questão 6/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · “Com a morte de Stálin, em 1953, abriu-se um conflito institucional que visava fazer o partido retomar o controle do Estado submetido ao poder policial. A sedimentação de interesses sociais setoriais obrigou a um rearranjo do poder burocrático a fim de estabelecer prioridades socioeconômicas e relegitimar o papel dirigente do partido, ampliando o consenso social. A denúncia da obra de Stálin no XX Congresso do PCUS (1956) consolidou o poder à burocracia gerada na esteira do extermínio do velho partido bolchevique [...]”. · Fonte: PINHEIRO, Jair (org.). Marx: crise e transição. Contribuições para o debate hoje. Marília, SP: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014. · A segunda metade do século XX foi marcada por profundas transformações no pensamento marxista, especialmente após a denúncia dos crimes de Stálin no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1956. Esse evento provocou uma onda de revisionismos e reformulações teóricas em todo o mundo, inclusive na América Latina. O marxismo deixou de ser monopólio dos partidos comunistas e passou a ser apropriado por intelectuais, movimentos sociais e universidades, que buscaram reinterpretá-lo a partir das realidades locais. Em cursos de licenciatura em Filosofia, esse contexto é fundamental para compreender a pluralidade do pensamento marxista contemporâneo e sua renovação crítica diante das experiências autoritárias do século XX. Durante uma aula sobre a história do marxismo, os estudantes discutiam os impactos do XX Congresso do PCUS. A professora explicou que, após as denúncias contra Stálin, o marxismo passou a ser debatido fora dos partidos comunistas, abrindo espaço para novas interpretações. Um dos alunos comentou que isso permitiu a renovação do pensamento marxista na América Latina. A turma refletiu sobre como a crítica ao stalinismo impulsionou uma nova fase do marxismo, mais plural e crítica. · Com base na situação apresentada e no contexto do marxismo na segunda metade do século XX, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A partir do contexto mencionado verificou-se um crescimento do marxismo de viés stalinista. Justificativa: Incorreta. O contexto descrito marca justamente o declínio do stalinismo e o surgimento de críticas e revisões ao modelo autoritário associado a Stálin. B O culto a Stálin e as violências denunciadas levaram à revisão do marxismo, além deste deixar de ser monopólio do partido comunista. Justificativa: Correta.Segundo o livro-base, o XX Congresso do PCUS e a Revolução Cubana impulsionaram uma renovação do marxismo, que passou a ser apropriado por intelectuais e movimentos sociais fora dos partidos comunistas, rompendo com o monopólio ideológico (VALESE, 2024, p. 195). C A segunda metade do século XX representou a consolidação do monopólio do pensamento marxista para uso específico dos partidos comunistas em todo o mundo. Justificativa: Incorreta. O monopólio dos partidos comunistas foi rompido nesse período, dando lugar a uma pluralidade de interpretações marxistas. D Na América Latina não ocorreu uma renovação do pensamento marxista, dada sua fiel postura de defesa ao stalinismo. Justificativa: Incorreta. A América Latina foi um dos principais espaços de renovação do marxismo, com contribuições originais como as de Mariátegui e os movimentos de libertação. · · Questão 7/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · O filósofo Adolfo Sánchez Vázquez propôs uma crítica marxista à relação entre arte e capitalismo, defendendo que a arte é uma atividade prático-criativa ligada à teoria do trabalho e à produção material. Para ele, o capitalismo transforma a arte em mercadoria, separando-a de sua essência criadora e de seu vínculo com o prazer e a beleza. Como destaca Ribeiro: “Ao definir sua perspectiva diante da reflexão estética, Sánchez Vázquez [...] sublinha que não há uma absoluta incomunicabilidade entre o realismo e a arte de vanguarda, já que as inovações formais vanguardistas são impulsionadas ‘pelas modificações de conteúdo, ditadas pelas transformações da própria realidade humana’ [...]”. · Fonte: RIBEIRO, Francigelda. O decurso da crítica marxista e a relevância das acepções lukacsianas. Revista Crioula, n. 9, maio 2011. Disponível em: file:///C:/Users/PC/Downloads/55371-Texto%20do%20artigo-69577-1-10-20130506.pdf. Acesso em: 27 mar. 2019. · Durante uma aula sobre Estética Marxista na América Latina, os estudantes discutiam o pensamento de Adolfo Sánchez Vázquez. Um dos alunos destacou que, para o filósofo, a arte não é uma atividade isolada da realidade social, mas está profundamente ligada à prática humana e à produção material. A professora explicou que, segundo Sánchez Vázquez, o capitalismo transforma a arte em mercadoria, rompendo sua ligação com o trabalho criador e com a experiência estética autêntica. Outro estudante observou que, mesmo criticando o sistema capitalista, o autor reconhecia que as vanguardas artísticas podiam expressar transformações sociais profundas. · Com base na situação apresentada e no pensamento de Adolfo Sánchez Vázquez, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A arte deveria servir ao progresso técnico e material, daí ser justificada a exploração econômica pelo viés capitalista. Justificativa: Incorreta. Sánchez Vázquez critica a exploração capitalista e a transformação da arte em mercadoria, defendendo que a arte deve manter sua dimensão criadora e crítica (livro-base, p. 197). B O capitalismo e arte convivem de maneira harmônica, pois enquanto ideológica a arte cumpre a função estética e o capitalismo permite os recursos para que a arte exista. Justificativa: Incorreta. O autor denuncia a relação de dominação do capitalismo sobre a arte, que a reduz a objeto de consumo e rompe com sua essência prático-criativa (livro-base, p. 197). C O capitalismo rejeitou (e rejeita) a arte na medida em que a transformou/transforma em mercadoria. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 197), Sánchez Vázquez afirma que o capitalismo transforma a arte em mercadoria, separando-a do prazer, da beleza e do trabalho criador. Para ele, a arte deve ser compreendida como uma atividade prática e essencial à condição humana, e não como um produto subordinado à lógica do mercado. D A arte e o capitalismo nunca poderão ser associados, considerando que a arte é uma atividade sagrada e o capitalismo busca os bens materiais, isto é, o profano. Justificativa: Incorreta. Embora critique o capitalismo, Sánchez Vázquez não trata a arte como sagrada ou religiosa, mas como uma prática humana concreta, ligada à produção e à transformação social (livro-base, p. 197). · · Questão 8/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · Horácio Cerutti Guldberg, integrante do grupo de Salta, propôs uma crítica interna à Filosofia da Libertação, defendendo a necessidade de superá-la em direção a uma nova etapa: a Filosofia para a Libertação. Para Cerutti, mais importante do que criar uma filosofia latino-americana era instaurar o próprio processo de libertação, com base na soberania, autonomia e autarquia dos povos latino-americanos. Como destaca Valese: “Cerutti Guldberg integrou o grupo de Salta, que fazia uma crítica radical à Filosofia da Libertação. Seu objetivo era ‘saber até onde era possível, e permitido, a constituição de uma tal filosofia liberadora e de libertação e como haveria de constitui-la, ou se já estava construída [...]’”. · Fonte: VALESE, Rui; SCHNORR, Giselle Moura. Filosofia Latino-Americana e Brasileira. Curitiba: InterSaberes, 2018, p. 212. · Durante uma aula sobre Filosofia Contemporânea na América Latina, os estudantes discutiam a proposta de Horácio Cerutti Guldberg. Um dos alunos destacou que Cerutti propunha uma ruptura com a dependência das correntes filosóficas europeias, defendendo uma filosofia enraizada na realidade latino-americana. A professora explicou que, para Cerutti, a Filosofia da Libertação deveria evoluir para uma Filosofia para a Libertação, comprometida com a autonomia cultural e intelectual da região. Outro estudante observou que essa proposta não rejeitava o diálogo, mas exigia que ele ocorresse em condições de igualdade e soberania. · Com base na situação apresentada e no pensamento de Horácio Cerutti Guldberg, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A Filosofia da Libertação na perspectiva de Cerutti precisava ainda recorrer às correntes filosóficas europeias, sobretudo as lusitanas. Justificativa: Incorreta. Cerutti propõe justamente a superação da dependência das correntes filosóficas indo-europeias, buscando uma filosofia autônoma e enraizada na realidade latino-americana (livro-base, p. 212). B No pensamento de Cerutti a junção entre a Filosofia da Libertação e a filosofia do contexto indo-europeu era o caminho para a superação filosófica latino-americana. Justificativa: Incorreta. Cerutti defende a autonomia e a soberania filosófica da América Latina, e não a fusão com modelos europeus (livro-base, p. 212). C A Filosofia da Libertação para Cerutti deveria se pautar na soberania, autonomia e autarquia, isto é, deveria estar independente da produção indo-europeia. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 212), Cerutti propõe uma Filosofia para a Libertação que se baseia na soberania, autonomia e autarquia. Essa filosofia deve ser construída a partir da realidade latino-americana, sem depender das categorias e modelos filosóficos europeus, e deve promover um processo real de libertação cultural e intelectual. D Cerutti compreendia que a Filosofia da Libertação precisa ser dialógica e estar em igualdade de patamar que outras filosofias. Justificativa: Incorreta. Embora o diálogo não seja excluído, o foco de Cerutti está na independência e na autoconstrução filosófica latino-americana, e não na equiparação com outras tradições filosóficas (livro-base, p. 212). · · Questão 9/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · “O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a ‘ler o mundo’, na expressão famosa do educador. ‘Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)’, dizia Freire. A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de ‘cultura do silêncio’ e transformar a realidade, ‘como sujeitosda própria história’.” · Fonte: FERRARI, Márcio. Paulo Freire, o mentor da Educação para a consciência. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/460/mentor-educacao-consciencia. Acesso em: 27 mar. 2019. · A proposta pedagógica de Paulo Freire vai além da simples transmissão de conteúdos. Para ele, a educação é um processo de conscientização que permite ao educando compreender criticamente sua realidade e agir sobre ela. A alfabetização, nesse contexto, não é apenas técnica, mas política: é o primeiro passo para romper com a opressão e assumir-se como sujeito histórico. Em cursos de licenciatura em Filosofia, essa concepção é fundamental para pensar a educação como prática de liberdade e transformação social. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, e o ato de educar deve ser uma práxis: ação-reflexão-ação, em que o educador e o educando se reconhecem como inacabados e em constante construção. Durante uma aula sobre Paulo Freire, os estudantes discutiam o papel da alfabetização na formação crítica do sujeito. A professora explicou que, para Freire, alfabetizar é ensinar a ler o mundo, ou seja, compreender a realidade para transformá-la. Um dos alunos comentou que isso exige que o educador reconheça o educando como sujeito ativo. A turma refletiu sobre como a educação pode ser um instrumento de libertação e não de adaptação passiva à ordem vigente. · Com base na situação apresentada e na concepção freiriana de educação, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A educação caracteriza-se pela manutenção da ordem e da vida em harmonia entre todas as classes sociais. Justificativa: Incorreta. Freire critica a ideia de educação como instrumento de manutenção da ordem e propõe uma educação transformadora, voltada à superação das desigualdades. B O processo educativo só faz sentido se o indivíduo conseguir sua inserção no mercado de trabalho, pois daí virá o seu sustento. Justificativa: Incorreta. Embora o trabalho seja importante, Freire entende a educação como um processo de conscientização e libertação, não como mera preparação para o mercado. C Precisam ser preservados os métodos tradicionais, pois tais métodos foram os guias da sociedade por décadas e por isso manterão os padrões sociais inalterados. Justificativa: Incorreta. Freire propõe a superação dos métodos tradicionais, especialmente da educação bancária, que considera opressora e reprodutora da desigualdade. D Um dos principais objetivos da educação, se não o seu maior, é a transformação da própria realidade. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Freire entende a educação como práxis transformadora, que parte da leitura crítica da realidade para sua reescrita consciente e coletiva (VALESE, 2024, p. 221). · · Questão 10/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · “Acreditamos que a originalidade de José Carlos Mariátegui reside não apenas em seus postulados sobre a pertinência do marxismo (ou melhor, de certo marxismo, exegese do espírito de Marx e não de sua letra) para compreender a realidade da América Latina. Como bom materialista histórico, o peruano não separava forma e conteúdo: se tomamos sua produção buscando seus aportes específicos ao campo da epistemologia crítica, nos depararemos com uma forma de construção de conhecimento que tem muito a dizer acerca da dialética mesma.” · Fonte: FIGUEROA, Noelia. José Carlos Mariátegui e Walter Benjamin: gestos para refundar uma teoria crítica subalterna. Lutas Sociais, v. 17, n. 30, 2013. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/ls/article/view/18467. Acesso em: 27 mar. 2019. · O pensamento de José Carlos Mariátegui representa uma das contribuições mais originais da filosofia latino-americana no século XX. Ao reinterpretar o marxismo a partir da realidade concreta da América Latina, Mariátegui propôs uma epistemologia crítica enraizada na experiência histórica dos povos oprimidos. Para ele, a transformação social não poderia ser imposta de fora, mas deveria partir da compreensão coletiva da realidade vivida. Em cursos de licenciatura em Filosofia, sua obra é estudada como exemplo de pensamento dialético que articula teoria e prática, forma e conteúdo, razão e sensibilidade. Sua crítica ao academicismo e sua valorização da práxis revelam uma filosofia comprometida com a emancipação social e cultural dos povos latino-americanos. Durante uma aula sobre pensamento crítico latino-americano, os estudantes discutiam a proposta de José Carlos Mariátegui. A professora explicou que, para ele, a transformação da realidade exige, antes de tudo, sua interpretação coletiva. Um dos alunos comentou que isso se opõe à ideia de soluções autoritárias ou externas. A turma refletiu sobre como a filosofia de Mariátegui valoriza o conhecimento construído a partir da vivência e da luta dos povos. · Com base na situação apresentada e na filosofia de José Carlos Mariátegui, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A As realidades das sociedades latino-americanas são homogêneas, daí o recurso para sua transformação deveria ser a união e o enfrentamento violento contra os opressores do povo. Justificativa: Incorreta. Mariátegui reconhecia a diversidade das realidades latino-americanas e defendia a transformação a partir da compreensão crítica e coletiva, não pela imposição violenta. B A transformação de uma realidade social ocorre a partir da temporalidade, isto é, quanto maior o tempo histórico de um povo, de igual forma será sua melhoria social. Justificativa: Incorreta. Mariátegui não vinculava transformação social ao tempo histórico, mas à ação consciente e coletiva baseada na análise concreta da realidade. C Para uma determinada realidade social se transformar, o primeiro passo é a centralização do poder numa figura que concentre a vontade popular e possa fazer as transformações por meio da imposição. Justificativa: Incorreta. Mariátegui rejeitava soluções autoritárias e valorizava a construção coletiva do conhecimento e da ação política. D Antes da transformação da realidade é necessária sua compreensão por meio de uma interpretação coletiva para que tal conhecimento seja bem construído. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Mariátegui defendia que a transformação social exige, antes de tudo, o conhecimento crítico da realidade, construído de forma coletiva e comprometida com a práxis (VALESE, 2024, p. 163–164). · image1.pngda América Latina. A professora explicou que essa geração foi marcada por ambivalências, tanto filosóficas quanto políticas, mas teve como eixo central a superação da dependência intelectual e a valorização da cultura local. Com base na situação apresentada e na contribuição da Geração de 1915 e de José Ortega y Gasset, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A A Geração de 1915 estava interessada em retomar a filosofia medieval nos centros acadêmicos latino-americanos. Justificativa: Incorreta. A Geração de 1915 buscava romper com tradições filosóficas ultrapassadas, como o positivismo, e não tinha como foco a retomada da filosofia medieval (livro-base, p. 153). B O filósofo José Ortega y Gasset propôs que as sociedades latino-americanas adotassem a filosofia das metrópoles ibéricas como referencial para a resolução das questões do Novo Mundo. Justificativa: Incorreta. Embora Ortega y Gasset tenha influenciado a Geração de 1915, sua proposta não era de mera adoção da filosofia ibérica, mas de reflexão crítica sobre a realidade local e busca por identidade própria (livro-base, p. 153). C A Geração de 1915 e o filósofo Ortega y Gasset tinham em comum o fato de serem defensores do positivismo como corrente filosófica norteadora para a América Latina. Justificativa: Incorreta. A Geração de 1915 foi marcada por uma postura antipositivista, buscando superar essa corrente e propor novos caminhos filosóficos (livro-base, p. 153). D O objetivo principal da Geração de 1915 influenciada por Ortega y Gasset era a busca de uma identidade latino-americana. Você assinalou essa alternativa (D) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 153), a Geração de 1915 foi profundamente influenciada por Ortega y Gasset e teve como objetivo central a construção de uma identidade filosófica latino-americana. Essa geração rompeu com o positivismo e buscou refletir criticamente sobre a cultura local, superando a imitação de modelos estrangeiros e valorizando a especificidade da experiência latino-americana. Questão 4/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta Leopoldo Zea foi um dos principais expoentes da Filosofia da Libertação na América Latina. Seu pensamento propõe uma educação humanista, centrada no ser humano concreto e histórico, capaz de transformar a realidade por meio da consciência crítica. Para Zea, a filosofia latino-americana deve romper com a dependência cultural e afirmar-se por meio de um diálogo igualitário entre os povos. Como afirma Marcondes: “[...] Zea pensa a educação como formação de homens, sendo assim, a educação só pode ser pensada como uma educação humanista que tenha como centro o homem concreto que dialoga com as circunstâncias, transformando-as, que, através da consciência histórica, supera a dependência e torna-se livre para agir, comprometido com o destino da humanidade.” Fonte: MARCONDES, Ofélia Maria. Leopoldo Zea e a contribuição de sua filosofia para a educação. Dissertação de Mestrado. 2010. Acesso em: 27 mar. 2019. Durante uma aula sobre Filosofia da Libertação, os estudantes discutiam o papel de Leopoldo Zea na construção de uma filosofia latino-americana autêntica. Um dos alunos destacou que Zea propunha uma educação voltada à libertação do ser humano por meio da consciência histórica. A professora explicou que, para Zea, a Filosofia da Libertação não deveria ser imposta, mas construída por meio do diálogo entre culturas e indivíduos em condição de igualdade. Outro estudante observou que essa proposta se opõe a qualquer forma de dominação cultural ou intelectual, valorizando a pluralidade e a autonomia dos povos latino-americanos. Com base na situação apresentada e no pensamento de Leopoldo Zea, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A A Filosofia da Libertação para alcançar seu propósito deveria ser imposta aos centros universitários, bem como, aos políticos latino-americanos. Justificativa: Incorreta. Zea rejeita qualquer forma de imposição filosófica. A Filosofia da Libertação deve ser construída por meio do diálogo e da escuta entre culturas, sem dominação (livro-base, p. 210). B O projeto da Filosofia da Libertação consiste no diálogo humanista e humanizante, no qual cada indivíduo e cada cultura estejam em igualdade. Você assinalou essa alternativa (B) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 210), Zea propõe uma filosofia dialógica, humanista e libertadora, que reconhece a dignidade de cada cultura e indivíduo. A Filosofia da Libertação deve promover a superação da dependência cultural e a construção de uma identidade filosófica latino-americana por meio da escuta e da igualdade. C A Filosofia da Libertação na perspectiva de Zea deveria apresentar o modelo capitalista latino-americano de pensamento, trabalhando para um projeto intelectual unificador das etnias e povos latino-americanos. Justificativa: Incorreta. Zea não propõe um modelo capitalista como base da Filosofia da Libertação, mas sim uma crítica à dependência e à dominação, valorizando a diversidade cultural e a autonomia dos povos (livro-base, p. 210). D Não havia espaço na Filosofia da Libertação para a tomada de consciência da realidade social, bem como, para novas ideias para a América Latina. Justificativa: Incorreta. A tomada de consciência da realidade social é central na proposta de Zea, pois é por meio dela que o ser humano se liberta e transforma sua realidade (livro-base, p. 210). Questão 5/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta O filósofo Adolfo Sánchez Vázquez propôs uma crítica marxista à relação entre arte e capitalismo, defendendo que a arte é uma atividade prático-criativa ligada à teoria do trabalho e à produção material. Para ele, o capitalismo transforma a arte em mercadoria, separando-a de sua essência criadora e de seu vínculo com o prazer e a beleza. Como destaca Ribeiro: “Ao definir sua perspectiva diante da reflexão estética, Sánchez Vázquez [...] sublinha que não há uma absoluta incomunicabilidade entre o realismo e a arte de vanguarda, já que as inovações formais vanguardistas são impulsionadas ‘pelas modificações de conteúdo, ditadas pelas transformações da própria realidade humana’ [...]”. Fonte: RIBEIRO, Francigelda. O decurso da crítica marxista e a relevância das acepções lukacsianas. Revista Crioula, n. 9, maio 2011. Disponível em: file:///C:/Users/PC/Downloads/55371-Texto%20do%20artigo-69577-1-10-20130506.pdf. Acesso em: 27 mar. 2019. Durante uma aula sobre Estética Marxista na América Latina, os estudantes discutiam o pensamento de Adolfo Sánchez Vázquez. Um dos alunos destacou que, para o filósofo, a arte não é uma atividade isolada da realidade social, mas está profundamente ligada à prática humana e à produção material. A professora explicou que, segundo Sánchez Vázquez, o capitalismo transforma a arte em mercadoria, rompendo sua ligação com o trabalho criador e com a experiência estética autêntica. Outro estudante observou que, mesmo criticando o sistema capitalista, o autor reconhecia que as vanguardas artísticas podiam expressar transformações sociais profundas. Com base na situação apresentada e no pensamento de Adolfo Sánchez Vázquez, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A A arte deveria servir ao progresso técnico e material, daí ser justificada a exploração econômica pelo viés capitalista. Justificativa: Incorreta. Sánchez Vázquez critica a exploração capitalista e a transformação da arte em mercadoria, defendendo que a arte deve manter sua dimensão criadora e crítica (livro-base, p. 197). B O capitalismo e arte convivem de maneira harmônica, pois enquanto ideológica a arte cumpre a função estética e o capitalismo permite os recursos para que a arte exista. Justificativa: Incorreta. O autor denuncia a relação de dominação do capitalismo sobre a arte, que a reduz a objeto de consumo e rompe com sua essência prático-criativa (livro-base, p. 197). C O capitalismo rejeitou (e rejeita) a arte na medida em que a transformou/transformaem mercadoria. Você assinalou essa alternativa (C) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 197), Sánchez Vázquez afirma que o capitalismo transforma a arte em mercadoria, separando-a do prazer, da beleza e do trabalho criador. Para ele, a arte deve ser compreendida como uma atividade prática e essencial à condição humana, e não como um produto subordinado à lógica do mercado. D A arte e o capitalismo nunca poderão ser associados, considerando que a arte é uma atividade sagrada e o capitalismo busca os bens materiais, isto é, o profano. Justificativa: Incorreta. Embora critique o capitalismo, Sánchez Vázquez não trata a arte como sagrada ou religiosa, mas como uma prática humana concreta, ligada à produção e à transformação social (livro-base, p. 197). Questão 6/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta “O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a ‘ler o mundo’, na expressão famosa do educador. ‘Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)’, dizia Freire. A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de ‘cultura do silêncio’ e transformar a realidade, ‘como sujeitos da própria história’.” Fonte: FERRARI, Márcio. Paulo Freire, o mentor da Educação para a consciência. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/460/mentor-educacao-consciencia. Acesso em: 27 mar. 2019. A proposta pedagógica de Paulo Freire vai além da simples transmissão de conteúdos. Para ele, a educação é um processo de conscientização que permite ao educando compreender criticamente sua realidade e agir sobre ela. A alfabetização, nesse contexto, não é apenas técnica, mas política: é o primeiro passo para romper com a opressão e assumir-se como sujeito histórico. Em cursos de licenciatura em Filosofia, essa concepção é fundamental para pensar a educação como prática de liberdade e transformação social. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, e o ato de educar deve ser uma práxis: ação-reflexão-ação, em que o educador e o educando se reconhecem como inacabados e em constante construção. Durante uma aula sobre Paulo Freire, os estudantes discutiam o papel da alfabetização na formação crítica do sujeito. A professora explicou que, para Freire, alfabetizar é ensinar a ler o mundo, ou seja, compreender a realidade para transformá-la. Um dos alunos comentou que isso exige que o educador reconheça o educando como sujeito ativo. A turma refletiu sobre como a educação pode ser um instrumento de libertação e não de adaptação passiva à ordem vigente. Com base na situação apresentada e na concepção freiriana de educação, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A A educação caracteriza-se pela manutenção da ordem e da vida em harmonia entre todas as classes sociais. Justificativa: Incorreta. Freire critica a ideia de educação como instrumento de manutenção da ordem e propõe uma educação transformadora, voltada à superação das desigualdades. B O processo educativo só faz sentido se o indivíduo conseguir sua inserção no mercado de trabalho, pois daí virá o seu sustento. Justificativa: Incorreta. Embora o trabalho seja importante, Freire entende a educação como um processo de conscientização e libertação, não como mera preparação para o mercado. C Precisam ser preservados os métodos tradicionais, pois tais métodos foram os guias da sociedade por décadas e por isso manterão os padrões sociais inalterados. Justificativa: Incorreta. Freire propõe a superação dos métodos tradicionais, especialmente da educação bancária, que considera opressora e reprodutora da desigualdade. D Um dos principais objetivos da educação, se não o seu maior, é a transformação da própria realidade. Você assinalou essa alternativa (D) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Freire entende a educação como práxis transformadora, que parte da leitura crítica da realidade para sua reescrita consciente e coletiva (VALESE, 2024, p. 221). Questão 7/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta “[...] Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. ‘Os homens se educam entre si mediados pelo mundo’, escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor [...]”. (FERRARI, Márcio. Paulo Freire, o mentor da Educação para a consciência. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/460/mentor-educacao-consciencia. Acesso em: 27 mar. 2019) A proposta pedagógica de Paulo Freire rompe com a lógica tradicional da educação bancária, na qual o professor deposita conteúdos prontos no aluno. Para Freire, a educação é um ato dialógico, no qual educador e educando aprendem juntos, mediados pela realidade. Essa concepção valoriza o saber popular e reconhece que todo sujeito, mesmo antes da escolarização formal, já carrega uma bagagem cultural legítima. Em cursos de licenciatura em Filosofia, essa abordagem é fundamental para pensar a educação como prática de liberdade, em que o conhecimento é construído coletivamente e em diálogo com o mundo. A pedagogia freiriana propõe uma formação crítica, ética e política, que respeita a dignidade do educando e o reconhece como sujeito ativo no processo educativo. Durante uma aula sobre Filosofia da Educação, os estudantes discutiam a proposta de Paulo Freire. A professora explicou que, para ele, o conhecimento não é algo que o professor transmite, mas algo que se constrói na relação entre sujeitos. Um dos alunos comentou que isso exige escuta e respeito à cultura do educando. A turma refletiu sobre como essa abordagem transforma a sala de aula em um espaço de diálogo e emancipação. Com base na situação apresentada e na concepção freiriana de educação, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A A educação para ser efetivada precisa ser estabelecida com hierarquia, segundo a qual o aluno, de modo passivo, consiga extrair o máximo do educador. Justificativa: Incorreta. Freire critica a educação bancária e propõe uma relação horizontal entre educador e educando, baseada no diálogo e na construção coletiva do saber. B Os processos educativos não são e não podem tentar ser estabelecidos dentro de uma perspectiva política. Justificativa: Incorreta. Para Freire, toda educação é um ato político, pois envolve escolhas éticas e sociais que impactam a formação da consciência crítica. C A educação deve desconsiderar a realidade do aluno e indicar o lugar que o educando deseja estar no mercado de trabalho ao término dos estudos. Justificativa: Incorreta. Freire defende que a realidade do aluno deve ser o ponto de partida do processo educativo, e não algo a ser ignorado. D A educação é dialética, isto é, professor/educador e alunos possuem conhecimentos por vezes distintos, e o processo educativo se estabelece na construção dos conhecimentos. Você assinalou essa alternativa (D) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Freire propõe uma educação dialógica e crítica, em que o conhecimento é construído na interação entre sujeitos mediados pelo mundo, valorizando a cultura e a experiência de cada um (VALESE, 2024, p. 219). Questão 8/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta Horácio Cerutti Guldberg, integrante do grupo de Salta, propôs uma crítica interna à Filosofia da Libertação, defendendo a necessidade de superá-la em direção a uma nova etapa: a Filosofia para a Libertação. Para Cerutti, mais importante do que criar uma filosofia latino-americana era instaurar o próprio processo de libertação, com base na soberania, autonomia e autarquia dos povos latino-americanos. Como destaca Valese: “CeruttiGuldberg integrou o grupo de Salta, que fazia uma crítica radical à Filosofia da Libertação. Seu objetivo era ‘saber até onde era possível, e permitido, a constituição de uma tal filosofia liberadora e de libertação e como haveria de constitui-la, ou se já estava construída [...]’”. Fonte: VALESE, Rui; SCHNORR, Giselle Moura. Filosofia Latino-Americana e Brasileira. Curitiba: InterSaberes, 2018, p. 212. Durante uma aula sobre Filosofia Contemporânea na América Latina, os estudantes discutiam a proposta de Horácio Cerutti Guldberg. Um dos alunos destacou que Cerutti propunha uma ruptura com a dependência das correntes filosóficas europeias, defendendo uma filosofia enraizada na realidade latino-americana. A professora explicou que, para Cerutti, a Filosofia da Libertação deveria evoluir para uma Filosofia para a Libertação, comprometida com a autonomia cultural e intelectual da região. Outro estudante observou que essa proposta não rejeitava o diálogo, mas exigia que ele ocorresse em condições de igualdade e soberania. Com base na situação apresentada e no pensamento de Horácio Cerutti Guldberg, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A A Filosofia da Libertação na perspectiva de Cerutti precisava ainda recorrer às correntes filosóficas europeias, sobretudo as lusitanas. Justificativa: Incorreta. Cerutti propõe justamente a superação da dependência das correntes filosóficas indo-europeias, buscando uma filosofia autônoma e enraizada na realidade latino-americana (livro-base, p. 212). B No pensamento de Cerutti a junção entre a Filosofia da Libertação e a filosofia do contexto indo-europeu era o caminho para a superação filosófica latino-americana. Justificativa: Incorreta. Cerutti defende a autonomia e a soberania filosófica da América Latina, e não a fusão com modelos europeus (livro-base, p. 212). C A Filosofia da Libertação para Cerutti deveria se pautar na soberania, autonomia e autarquia, isto é, deveria estar independente da produção indo-europeia. Você assinalou essa alternativa (C) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 212), Cerutti propõe uma Filosofia para a Libertação que se baseia na soberania, autonomia e autarquia. Essa filosofia deve ser construída a partir da realidade latino-americana, sem depender das categorias e modelos filosóficos europeus, e deve promover um processo real de libertação cultural e intelectual. D Cerutti compreendia que a Filosofia da Libertação precisa ser dialógica e estar em igualdade de patamar que outras filosofias. Justificativa: Incorreta. Embora o diálogo não seja excluído, o foco de Cerutti está na independência e na autoconstrução filosófica latino-americana, e não na equiparação com outras tradições filosóficas (livro-base, p. 212). Questão 9/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta A partir do século XV, com a expansão marítima europeia, iniciou-se um processo de dominação global que não se limitou ao campo econômico ou político, mas também se estendeu ao campo do conhecimento. O eurocentrismo, como perspectiva hegemônica, impôs uma visão de mundo que negava a validade de outras formas de saber e de existência. Como afirma Quijano: “Eurocentrismo é, aqui, o nome de uma perspectiva de conhecimento cuja elaboração sistemática começou na Europa Ocidental antes de meados do século XVII, ainda que algumas de suas raízes são sem dúvida mais velhas, ou mesmo antigas, e que nos séculos seguintes se tornou mundialmente hegemônica percorrendo o mesmo fluxo do domínio da Europa burguesa [...]” Fonte: QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/sur-sur/20100624103322/12_Quijano.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. Durante uma aula sobre Filosofia Latino-Americana, os estudantes discutiam os efeitos do eurocentrismo na formação do pensamento filosófico na América Latina. Um dos alunos destacou que a imposição de uma racionalidade europeia resultou na negação das culturas indígenas e africanas, consideradas inferiores. A professora explicou que, segundo Aníbal Quijano, o eurocentrismo não foi apenas uma teoria do conhecimento, mas parte de um projeto de dominação que articulava poder político, econômico, religioso e cultural. A discussão revelou como a colonialidade do saber ainda influencia os currículos, as instituições e as formas de pensar na América Latina. Com base na situação apresentada e na crítica de Aníbal Quijano ao eurocentrismo, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A Caracterizou-se como uma rápida transição cultural e filosófica do pensamento primitivo para o pensamento moderno. Justificativa: Incorreta. O eurocentrismo não foi uma transição natural ou neutra, mas um processo imposto que desqualificou outras formas de conhecimento e impôs a racionalidade europeia como única válida (livro-base, p. 33). B A filosofia indo eurocêntrica trouxe como maior benefício à dialética harmônica entre culturas e sistemas de organização sociais diferenciados. Justificativa: Incorreta. O eurocentrismo não promoveu harmonia entre culturas, mas sim a negação e subordinação de saberes não europeus, especialmente os indígenas e africanos (livro-base, p. 33). C Foi uma afirmação filosófica sem interesses políticos ou materiais, baseando-se especificamente no âmbito do conhecimento. Justificativa: Incorreta. O eurocentrismo esteve profundamente ligado a interesses políticos, econômicos e religiosos, sendo parte do projeto colonial de dominação global (livro-base, p. 33). D Foi um processo lento e imposto que se baseou em ações político-econômicas, religiosas e culturais que negou certas culturas em favorecimento de outras. Você assinalou essa alternativa (D) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 33), o eurocentrismo foi imposto como parte do processo de colonização, articulando poder político, econômico e religioso para afirmar a superioridade do pensamento europeu e negar a validade das culturas indígenas e africanas. Essa imposição resultou na marginalização de outras formas de saber e na construção de uma hierarquia global do conhecimento. Questão 10/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta Alejandro Korn foi um dos principais representantes da filosofia argentina no início do século XX. Sua obra é marcada por uma crítica contundente ao positivismo e ao realismo ingênuo, propondo uma filosofia comprometida com a realidade cultural e política de seu tempo. Korn defendia que a liberdade não era um dom natural, mas uma conquista histórica e ética, que exigia transformação social e consciência crítica. Como afirma o texto: “A essência da filosofia de Korn [é] o ataque frontal ao positivismo e ao realismo ingênuo, ou seja, aos pressupostos e conclusões naturalmente espontâneas que se dão por evidentes em cada época, e que estão extremamente arraigados em todos os sistemas filosóficos, embora por vezes com elementos de análise racional implícitos. Korn concebe a filosofia com o momento cultural concreto e temporal em que se vive, dando especial importância às questões da vontade e da praxis democrática.” Fonte: A importância de Korn no panorama filosófico sul-americano. Disponível em: http://filcarlos.com/a-importancia-de-korn-no-panorama-filosofico-sul-americano/. Acesso em: 27 mar. 2019. Durante uma aula sobre Filosofia Política na América Latina, os estudantes discutiam o conceito de liberdade em Alejandro Korn. Um dos alunos destacou que, para Korn, a liberdade não era um ponto de partida, mas um objetivo a ser alcançado por meio da ação ética e da transformação das estruturas sociais. A professora explicou que Korn via a distinção entre o mundo das necessidades e o mundo da liberdade como o problema central da filosofia, e que sua proposta incluía tanto a liberdade ética quanto a econômica. A discussão revelou o compromisso de Korn com uma filosofia voltada à emancipação humana e à construção de uma sociedade democrática. Com base na situação apresentadae no pensamento de Alejandro Korn, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A O ser humano nasce livre, isto é, o ato de nascer é o início da liberdade humana e cabe a esse ser livre tomar suas próprias decisões. Justificativa: Incorreta. Korn não considera a liberdade como um ponto de partida natural, mas como uma conquista histórica e ética, que exige esforço e transformação social (livro-base, p. 159). B Ao alcançar a consciência de si no mundo o ser humano alcança a liberdade, que é demonstrada quando o indivíduo encontra seu caminho espiritual pela divindade. Justificativa: Incorreta. Korn não fundamenta a liberdade em uma experiência espiritual ou religiosa, mas em uma prática ética e política voltada à emancipação concreta do ser humano (livro-base, p. 159). C A liberdade humana na América Latina é uma ilusão na perspectiva do filósofo, ela nunca poderá ser alcançada devido aos complexos aparatos jurídicos que existem nas sociedades ocidentais. Justificativa: Incorreta. Korn não considera a liberdade uma ilusão, mas uma possibilidade real que deve ser conquistada por meio da ação ética e da transformação das estruturas sociais (livro-base, p. 159). D A liberdade humana se dá por meio de uma conquista, e pode ser dividida envolvendo aspectos éticos e econômicos. Você assinalou essa alternativa (D) Você acertou! Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 159), Korn afirma que a liberdade não é um presente, mas uma conquista. Ela exige tanto a liberdade ética — relacionada à responsabilidade e à autonomia moral — quanto a liberdade econômica — ligada às condições materiais de existência. Sua filosofia propõe uma crítica ao positivismo e defende uma prática filosófica comprometida com a realidade social e cultural da América Latina. · Questão 1/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta “O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a ‘ler o mundo’, na expressão famosa do educador. ‘Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)’, dizia Freire. A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de ‘cultura do silêncio’ e transformar a realidade, ‘como sujeitos da própria história’.” Fonte: FERRARI, Márcio. Paulo Freire, o mentor da Educação para a consciência. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/460/mentor-educacao-consciencia. Acesso em: 27 mar. 2019. A proposta pedagógica de Paulo Freire vai além da simples transmissão de conteúdos. Para ele, a educação é um processo de conscientização que permite ao educando compreender criticamente sua realidade e agir sobre ela. A alfabetização, nesse contexto, não é apenas técnica, mas política: é o primeiro passo para romper com a opressão e assumir-se como sujeito histórico. Em cursos de licenciatura em Filosofia, essa concepção é fundamental para pensar a educação como prática de liberdade e transformação social. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, e o ato de educar deve ser uma práxis: ação-reflexão-ação, em que o educador e o educando se reconhecem como inacabados e em constante construção. Durante uma aula sobre Paulo Freire, os estudantes discutiam o papel da alfabetização na formação crítica do sujeito. A professora explicou que, para Freire, alfabetizar é ensinar a ler o mundo, ou seja, compreender a realidade para transformá-la. Um dos alunos comentou que isso exige que o educador reconheça o educando como sujeito ativo. A turma refletiu sobre como a educação pode ser um instrumento de libertação e não de adaptação passiva à ordem vigente. Com base na situação apresentada e na concepção freiriana de educação, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A educação caracteriza-se pela manutenção da ordem e da vida em harmonia entre todas as classes sociais. Justificativa: Incorreta. Freire critica a ideia de educação como instrumento de manutenção da ordem e propõe uma educação transformadora, voltada à superação das desigualdades. B O processo educativo só faz sentido se o indivíduo conseguir sua inserção no mercado de trabalho, pois daí virá o seu sustento. Justificativa: Incorreta. Embora o trabalho seja importante, Freire entende a educação como um processo de conscientização e libertação, não como mera preparação para o mercado. C Precisam ser preservados os métodos tradicionais, pois tais métodos foram os guias da sociedade por décadas e por isso manterão os padrões sociais inalterados. Justificativa: Incorreta. Freire propõe a superação dos métodos tradicionais, especialmente da educação bancária, que considera opressora e reprodutora da desigualdade. D Um dos principais objetivos da educação, se não o seu maior, é a transformação da própria realidade. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Freire entende a educação como práxis transformadora, que parte da leitura crítica da realidade para sua reescrita consciente e coletiva (VALESE, 2024, p. 221). Questão 2/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta Alejandro Korn foi um dos principais representantes da filosofia argentina no início do século XX. Sua obra é marcada por uma crítica contundente ao positivismo e ao realismo ingênuo, propondo uma filosofia comprometida com a realidade cultural e política de seu tempo. Korn defendia que a liberdade não era um dom natural, mas uma conquista histórica e ética, que exigia transformação social e consciência crítica. Como afirma o texto: “A essência da filosofia de Korn [é] o ataque frontal ao positivismo e ao realismo ingênuo, ou seja, aos pressupostos e conclusões naturalmente espontâneas que se dão por evidentes em cada época, e que estão extremamente arraigados em todos os sistemas filosóficos, embora por vezes com elementos de análise racional implícitos. Korn concebe a filosofia com o momento cultural concreto e temporal em que se vive, dando especial importância às questões da vontade e da praxis democrática.” Fonte: A importância de Korn no panorama filosófico sul-americano. Disponível em: http://filcarlos.com/a-importancia-de-korn-no-panorama-filosofico-sul-americano/. Acesso em: 27 mar. 2019. Durante uma aula sobre Filosofia Política na América Latina, os estudantes discutiam o conceito de liberdade em Alejandro Korn. Um dos alunos destacou que, para Korn, a liberdade não era um ponto de partida, mas um objetivo a ser alcançado por meio da ação ética e da transformação das estruturas sociais. A professora explicou que Korn via a distinção entre o mundo das necessidades e o mundo da liberdade como o problema central da filosofia, e que sua proposta incluía tanto a liberdade ética quanto a econômica. A discussão revelou o compromisso de Korn com uma filosofia voltada à emancipação humana e à construção de uma sociedade democrática. Com base na situação apresentada e no pensamento de Alejandro Korn, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A O ser humano nasce livre, isto é, o ato de nascer é o início da liberdade humana e cabe a esse ser livre tomar suas próprias decisões. Justificativa: Incorreta. Korn não considera a liberdade como um ponto de partida natural, mas como uma conquista histórica e ética, que exige esforço e transformação social (livro-base, p. 159). B Ao alcançar a consciência de si no mundo o ser humano alcança a liberdade, que é demonstrada quando o indivíduo encontra seu caminho espiritual pela divindade. Justificativa: Incorreta. Korn não fundamenta a liberdade em uma experiência espiritual ou religiosa, mas em uma prática ética e política voltada à emancipação concreta do ser humano (livro-base, p. 159). C A liberdade humana na América Latina é uma ilusão na perspectiva do filósofo, ela nunca poderá ser alcançada devido aos complexos aparatos jurídicos que existem nas sociedades ocidentais. Justificativa: Incorreta. Korn não considera a liberdade uma ilusão,mas uma possibilidade real que deve ser conquistada por meio da ação ética e da transformação das estruturas sociais (livro-base, p. 159). D A liberdade humana se dá por meio de uma conquista, e pode ser dividida envolvendo aspectos éticos e econômicos. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 159), Korn afirma que a liberdade não é um presente, mas uma conquista. Ela exige tanto a liberdade ética — relacionada à responsabilidade e à autonomia moral — quanto a liberdade econômica — ligada às condições materiais de existência. Sua filosofia propõe uma crítica ao positivismo e defende uma prática filosófica comprometida com a realidade social e cultural da América Latina. Questão 3/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta Leopoldo Zea foi um dos principais expoentes da Filosofia da Libertação na América Latina. Seu pensamento propõe uma educação humanista, centrada no ser humano concreto e histórico, capaz de transformar a realidade por meio da consciência crítica. Para Zea, a filosofia latino-americana deve romper com a dependência cultural e afirmar-se por meio de um diálogo igualitário entre os povos. Como afirma Marcondes: “[...] Zea pensa a educação como formação de homens, sendo assim, a educação só pode ser pensada como uma educação humanista que tenha como centro o homem concreto que dialoga com as circunstâncias, transformando-as, que, através da consciência histórica, supera a dependência e torna-se livre para agir, comprometido com o destino da humanidade.” Fonte: MARCONDES, Ofélia Maria. Leopoldo Zea e a contribuição de sua filosofia para a educação. Dissertação de Mestrado. 2010. Acesso em: 27 mar. 2019. Durante uma aula sobre Filosofia da Libertação, os estudantes discutiam o papel de Leopoldo Zea na construção de uma filosofia latino-americana autêntica. Um dos alunos destacou que Zea propunha uma educação voltada à libertação do ser humano por meio da consciência histórica. A professora explicou que, para Zea, a Filosofia da Libertação não deveria ser imposta, mas construída por meio do diálogo entre culturas e indivíduos em condição de igualdade. Outro estudante observou que essa proposta se opõe a qualquer forma de dominação cultural ou intelectual, valorizando a pluralidade e a autonomia dos povos latino-americanos. Com base na situação apresentada e no pensamento de Leopoldo Zea, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A Filosofia da Libertação para alcançar seu propósito deveria ser imposta aos centros universitários, bem como, aos políticos latino-americanos. Justificativa: Incorreta. Zea rejeita qualquer forma de imposição filosófica. A Filosofia da Libertação deve ser construída por meio do diálogo e da escuta entre culturas, sem dominação (livro-base, p. 210). B O projeto da Filosofia da Libertação consiste no diálogo humanista e humanizante, no qual cada indivíduo e cada cultura estejam em igualdade. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 210), Zea propõe uma filosofia dialógica, humanista e libertadora, que reconhece a dignidade de cada cultura e indivíduo. A Filosofia da Libertação deve promover a superação da dependência cultural e a construção de uma identidade filosófica latino-americana por meio da escuta e da igualdade. C A Filosofia da Libertação na perspectiva de Zea deveria apresentar o modelo capitalista latino-americano de pensamento, trabalhando para um projeto intelectual unificador das etnias e povos latino-americanos. Justificativa: Incorreta. Zea não propõe um modelo capitalista como base da Filosofia da Libertação, mas sim uma crítica à dependência e à dominação, valorizando a diversidade cultural e a autonomia dos povos (livro-base, p. 210). D Não havia espaço na Filosofia da Libertação para a tomada de consciência da realidade social, bem como, para novas ideias para a América Latina. Justificativa: Incorreta. A tomada de consciência da realidade social é central na proposta de Zea, pois é por meio dela que o ser humano se liberta e transforma sua realidade (livro-base, p. 210). Questão 4/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta “Com a morte de Stálin, em 1953, abriu-se um conflito institucional que visava fazer o partido retomar o controle do Estado submetido ao poder policial. A sedimentação de interesses sociais setoriais obrigou a um rearranjo do poder burocrático a fim de estabelecer prioridades socioeconômicas e relegitimar o papel dirigente do partido, ampliando o consenso social. A denúncia da obra de Stálin no XX Congresso do PCUS (1956) consolidou o poder à burocracia gerada na esteira do extermínio do velho partido bolchevique [...]”. Fonte: PINHEIRO, Jair (org.). Marx: crise e transição. Contribuições para o debate hoje. Marília, SP: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014. A segunda metade do século XX foi marcada por profundas transformações no pensamento marxista, especialmente após a denúncia dos crimes de Stálin no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1956. Esse evento provocou uma onda de revisionismos e reformulações teóricas em todo o mundo, inclusive na América Latina. O marxismo deixou de ser monopólio dos partidos comunistas e passou a ser apropriado por intelectuais, movimentos sociais e universidades, que buscaram reinterpretá-lo a partir das realidades locais. Em cursos de licenciatura em Filosofia, esse contexto é fundamental para compreender a pluralidade do pensamento marxista contemporâneo e sua renovação crítica diante das experiências autoritárias do século XX. Durante uma aula sobre a história do marxismo, os estudantes discutiam os impactos do XX Congresso do PCUS. A professora explicou que, após as denúncias contra Stálin, o marxismo passou a ser debatido fora dos partidos comunistas, abrindo espaço para novas interpretações. Um dos alunos comentou que isso permitiu a renovação do pensamento marxista na América Latina. A turma refletiu sobre como a crítica ao stalinismo impulsionou uma nova fase do marxismo, mais plural e crítica. Com base na situação apresentada e no contexto do marxismo na segunda metade do século XX, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A partir do contexto mencionado verificou-se um crescimento do marxismo de viés stalinista. Justificativa: Incorreta. O contexto descrito marca justamente o declínio do stalinismo e o surgimento de críticas e revisões ao modelo autoritário associado a Stálin. B O culto a Stálin e as violências denunciadas levaram à revisão do marxismo, além deste deixar de ser monopólio do partido comunista. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, o XX Congresso do PCUS e a Revolução Cubana impulsionaram uma renovação do marxismo, que passou a ser apropriado por intelectuais e movimentos sociais fora dos partidos comunistas, rompendo com o monopólio ideológico (VALESE, 2024, p. 195). C A segunda metade do século XX representou a consolidação do monopólio do pensamento marxista para uso específico dos partidos comunistas em todo o mundo. Justificativa: Incorreta. O monopólio dos partidos comunistas foi rompido nesse período, dando lugar a uma pluralidade de interpretações marxistas. D Na América Latina não ocorreu uma renovação do pensamento marxista, dada sua fiel postura de defesa ao stalinismo. Justificativa: Incorreta. A América Latina foi um dos principais espaços de renovação do marxismo, com contribuições originais como as de Mariátegui e os movimentos de libertação. Questão 5/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta “[...] Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. ‘Os homens se educam entre si mediados pelo mundo’, escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura quenão é melhor nem pior do que a do professor [...]”. (FERRARI, Márcio. Paulo Freire, o mentor da Educação para a consciência. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/460/mentor-educacao-consciencia. Acesso em: 27 mar. 2019) A proposta pedagógica de Paulo Freire rompe com a lógica tradicional da educação bancária, na qual o professor deposita conteúdos prontos no aluno. Para Freire, a educação é um ato dialógico, no qual educador e educando aprendem juntos, mediados pela realidade. Essa concepção valoriza o saber popular e reconhece que todo sujeito, mesmo antes da escolarização formal, já carrega uma bagagem cultural legítima. Em cursos de licenciatura em Filosofia, essa abordagem é fundamental para pensar a educação como prática de liberdade, em que o conhecimento é construído coletivamente e em diálogo com o mundo. A pedagogia freiriana propõe uma formação crítica, ética e política, que respeita a dignidade do educando e o reconhece como sujeito ativo no processo educativo. Durante uma aula sobre Filosofia da Educação, os estudantes discutiam a proposta de Paulo Freire. A professora explicou que, para ele, o conhecimento não é algo que o professor transmite, mas algo que se constrói na relação entre sujeitos. Um dos alunos comentou que isso exige escuta e respeito à cultura do educando. A turma refletiu sobre como essa abordagem transforma a sala de aula em um espaço de diálogo e emancipação. Com base na situação apresentada e na concepção freiriana de educação, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A educação para ser efetivada precisa ser estabelecida com hierarquia, segundo a qual o aluno, de modo passivo, consiga extrair o máximo do educador. Justificativa: Incorreta. Freire critica a educação bancária e propõe uma relação horizontal entre educador e educando, baseada no diálogo e na construção coletiva do saber. B Os processos educativos não são e não podem tentar ser estabelecidos dentro de uma perspectiva política. Justificativa: Incorreta. Para Freire, toda educação é um ato político, pois envolve escolhas éticas e sociais que impactam a formação da consciência crítica. C A educação deve desconsiderar a realidade do aluno e indicar o lugar que o educando deseja estar no mercado de trabalho ao término dos estudos. Justificativa: Incorreta. Freire defende que a realidade do aluno deve ser o ponto de partida do processo educativo, e não algo a ser ignorado. D A educação é dialética, isto é, professor/educador e alunos possuem conhecimentos por vezes distintos, e o processo educativo se estabelece na construção dos conhecimentos. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Freire propõe uma educação dialógica e crítica, em que o conhecimento é construído na interação entre sujeitos mediados pelo mundo, valorizando a cultura e a experiência de cada um (VALESE, 2024, p. 219). Questão 6/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta “É justamente nesse sentido que gostaríamos de reintroduzir Mariátegui e sublinhar sua obra como resultante desta enunciação de um desejo, que é o marxismo latino-americano: desejo que adquire vida própria a partir de um gesto filosófico básico. Qual é esse gesto? O de escolher a melhor entre as formas possíveis para pensar a própria realidade e, para isso, descartar os caminhos assinalados a priori pelo Velho Continente [...]”. Fonte: FIGUEROA, Noelia. José Carlos Mariátegui e Walter Benjamin: gestos para refundar uma teoria crítica subalterna. Lutas Sociais, v. 17, n. 30, 2013. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/ls/article/view/18467. Acesso em: 27 mar. 2019. O pensamento de José Carlos Mariátegui representa uma inflexão original no marxismo ao propor uma leitura crítica da realidade latino-americana a partir de suas próprias condições históricas, culturais e sociais. Ao invés de aplicar mecanicamente os modelos europeus, Mariátegui defendeu a construção de um socialismo enraizado nas experiências concretas dos povos da América Latina, especialmente os indígenas. Para ele, a reabilitação histórica das etnias indígenas passava pela valorização de suas formas comunitárias de vida e pela superação das estruturas coloniais e capitalistas. Em cursos de licenciatura em Filosofia, sua obra é estudada como exemplo de epistemologia crítica subalterna, que busca pensar a partir do Sul e não apenas sobre o Sul. Durante uma aula sobre pensamento crítico latino-americano, os estudantes discutiam a proposta de José Carlos Mariátegui para a transformação social. A professora explicou que ele via no socialismo uma possibilidade concreta de reabilitação histórica dos povos indígenas, cujas formas de organização comunitária já expressavam, em certa medida, valores socialistas. Um dos alunos comentou que isso mostrava como Mariátegui não copiava modelos europeus, mas os adaptava à realidade local. A turma refletiu sobre a importância de pensar filosoficamente a partir da própria realidade. Com base na situação apresentada e na filosofia de José Carlos Mariátegui, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A O socialismo era o único caminho para a reabilitação histórica das etnias indígenas. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Mariátegui acreditava que a única possibilidade de reabilitação histórica das raças indígenas era o socialismo, pois as antigas comunidades indígenas já viviam uma forma de socialismo primitivo, o que tornava essa proposta coerente com sua realidade histórica (VALESE, 2024, p. 169). B O protestantismo luterano era a doutrina ideal para reconstruir a identidade indígena. Justificativa: Incorreta. Mariátegui não propôs nenhuma doutrina religiosa como caminho para a reabilitação indígena, mas sim uma proposta política e social baseada no socialismo. C Os indígenas deveriam separar-se dos povos europeus e africanos e reconstruírem suas tradições em terras demarcadas na América Latina. Justificativa: Incorreta. Mariátegui não propôs isolamento étnico, mas sim uma transformação social coletiva e integrada, com base na valorização das culturas indígenas. D A filosofia aristotélica deveria ser a base que reconduziria os indígenas ao apogeu. Justificativa: Incorreta. Mariátegui não propôs a adoção de filosofias clássicas europeias, mas sim a construção de um pensamento crítico a partir da realidade latino-americana. Questão 7/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta O filósofo Adolfo Sánchez Vázquez propôs uma crítica marxista à relação entre arte e capitalismo, defendendo que a arte é uma atividade prático-criativa ligada à teoria do trabalho e à produção material. Para ele, o capitalismo transforma a arte em mercadoria, separando-a de sua essência criadora e de seu vínculo com o prazer e a beleza. Como destaca Ribeiro: “Ao definir sua perspectiva diante da reflexão estética, Sánchez Vázquez [...] sublinha que não há uma absoluta incomunicabilidade entre o realismo e a arte de vanguarda, já que as inovações formais vanguardistas são impulsionadas ‘pelas modificações de conteúdo, ditadas pelas transformações da própria realidade humana’ [...]”. Fonte: RIBEIRO, Francigelda. O decurso da crítica marxista e a relevância das acepções lukacsianas. Revista Crioula, n. 9, maio 2011. Disponível em: file:///C:/Users/PC/Downloads/55371-Texto%20do%20artigo-69577-1-10-20130506.pdf. Acesso em: 27 mar. 2019. Durante uma aula sobre Estética Marxista na América Latina, os estudantes discutiam o pensamento de Adolfo Sánchez Vázquez. Um dos alunos destacou que, para o filósofo, a arte não é uma atividade isolada da realidade social, mas está profundamente ligada à prática humana e à produção material. A professora explicou que, segundo Sánchez Vázquez, o capitalismo transforma a arte em mercadoria, rompendo sua ligação com o trabalho criador e com a experiência estética autêntica. Outro estudante observou que, mesmo criticando o sistema capitalista, o autor reconhecia que as vanguardas artísticas podiam expressar transformaçõessociais profundas. Com base na situação apresentada e no pensamento de Adolfo Sánchez Vázquez, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A arte deveria servir ao progresso técnico e material, daí ser justificada a exploração econômica pelo viés capitalista. Justificativa: Incorreta. Sánchez Vázquez critica a exploração capitalista e a transformação da arte em mercadoria, defendendo que a arte deve manter sua dimensão criadora e crítica (livro-base, p. 197). B O capitalismo e arte convivem de maneira harmônica, pois enquanto ideológica a arte cumpre a função estética e o capitalismo permite os recursos para que a arte exista. Justificativa: Incorreta. O autor denuncia a relação de dominação do capitalismo sobre a arte, que a reduz a objeto de consumo e rompe com sua essência prático-criativa (livro-base, p. 197). C O capitalismo rejeitou (e rejeita) a arte na medida em que a transformou/transforma em mercadoria. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 197), Sánchez Vázquez afirma que o capitalismo transforma a arte em mercadoria, separando-a do prazer, da beleza e do trabalho criador. Para ele, a arte deve ser compreendida como uma atividade prática e essencial à condição humana, e não como um produto subordinado à lógica do mercado. D A arte e o capitalismo nunca poderão ser associados, considerando que a arte é uma atividade sagrada e o capitalismo busca os bens materiais, isto é, o profano. Justificativa: Incorreta. Embora critique o capitalismo, Sánchez Vázquez não trata a arte como sagrada ou religiosa, mas como uma prática humana concreta, ligada à produção e à transformação social (livro-base, p. 197). Questão 8/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta A partir do século XV, com a expansão marítima europeia, iniciou-se um processo de dominação global que não se limitou ao campo econômico ou político, mas também se estendeu ao campo do conhecimento. O eurocentrismo, como perspectiva hegemônica, impôs uma visão de mundo que negava a validade de outras formas de saber e de existência. Como afirma Quijano: “Eurocentrismo é, aqui, o nome de uma perspectiva de conhecimento cuja elaboração sistemática começou na Europa Ocidental antes de meados do século XVII, ainda que algumas de suas raízes são sem dúvida mais velhas, ou mesmo antigas, e que nos séculos seguintes se tornou mundialmente hegemônica percorrendo o mesmo fluxo do domínio da Europa burguesa [...]” Fonte: QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/sur-sur/20100624103322/12_Quijano.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. Durante uma aula sobre Filosofia Latino-Americana, os estudantes discutiam os efeitos do eurocentrismo na formação do pensamento filosófico na América Latina. Um dos alunos destacou que a imposição de uma racionalidade europeia resultou na negação das culturas indígenas e africanas, consideradas inferiores. A professora explicou que, segundo Aníbal Quijano, o eurocentrismo não foi apenas uma teoria do conhecimento, mas parte de um projeto de dominação que articulava poder político, econômico, religioso e cultural. A discussão revelou como a colonialidade do saber ainda influencia os currículos, as instituições e as formas de pensar na América Latina. Com base na situação apresentada e na crítica de Aníbal Quijano ao eurocentrismo, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A Caracterizou-se como uma rápida transição cultural e filosófica do pensamento primitivo para o pensamento moderno. Justificativa: Incorreta. O eurocentrismo não foi uma transição natural ou neutra, mas um processo imposto que desqualificou outras formas de conhecimento e impôs a racionalidade europeia como única válida (livro-base, p. 33). B A filosofia indo eurocêntrica trouxe como maior benefício à dialética harmônica entre culturas e sistemas de organização sociais diferenciados. Justificativa: Incorreta. O eurocentrismo não promoveu harmonia entre culturas, mas sim a negação e subordinação de saberes não europeus, especialmente os indígenas e africanos (livro-base, p. 33). C Foi uma afirmação filosófica sem interesses políticos ou materiais, baseando-se especificamente no âmbito do conhecimento. Justificativa: Incorreta. O eurocentrismo esteve profundamente ligado a interesses políticos, econômicos e religiosos, sendo parte do projeto colonial de dominação global (livro-base, p. 33). D Foi um processo lento e imposto que se baseou em ações político-econômicas, religiosas e culturais que negou certas culturas em favorecimento de outras. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 33), o eurocentrismo foi imposto como parte do processo de colonização, articulando poder político, econômico e religioso para afirmar a superioridade do pensamento europeu e negar a validade das culturas indígenas e africanas. Essa imposição resultou na marginalização de outras formas de saber e na construção de uma hierarquia global do conhecimento. Questão 9/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta A Geração de 1915 representou um marco na história da filosofia latino-americana ao propor uma ruptura com o positivismo dominante e buscar uma identidade filosófica própria para a região. Influenciados por José Ortega y Gasset, esses pensadores procuraram superar a imitação da cultura anglo-saxônica e refletir sobre os elementos específicos da cultura hispano-americana. Como destaca Gonçalves Júnior: “A Geração de 1915 corresponde ao segundo grupo intelectual latino-americano formado no início do século XX, também designados como ‘patriarcas’ (denominação também atribuída ao primeiro grupo geracional de 1900). O marco da datação de 1915 coincide com as adversidades geradas pela Primeira Grande Guerra, bem como com a formação da Geração espanhola de 1914, que tem a figura de Ortega y Gasset como expoente”. Fonte: GONÇALVES JÚNIOR, Arlindo Ferreira. A História da Filosofia na América Latina e o legado de Ortega y Gasset. Disponível em: http://anphlac.fflch.usp.br/sites/anphlac.fflch.usp.br/files/arlindo_goncalves_jr.pdf. Acesso em: 27 mar. 2019. Durante uma aula sobre História da Filosofia na América Latina, os estudantes discutiam o papel da Geração de 1915 na construção de uma filosofia latino-americana autêntica. Um dos alunos destacou que esse grupo rompeu com o positivismo e buscou uma nova forma de pensar, influenciada por Ortega y Gasset. Outro mencionou que, apesar da influência europeia, os filósofos dessa geração estavam comprometidos com a busca por uma identidade própria, que refletisse as realidades culturais, sociais e políticas da América Latina. A professora explicou que essa geração foi marcada por ambivalências, tanto filosóficas quanto políticas, mas teve como eixo central a superação da dependência intelectual e a valorização da cultura local. Com base na situação apresentada e na contribuição da Geração de 1915 e de José Ortega y Gasset, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A A Geração de 1915 estava interessada em retomar a filosofia medieval nos centros acadêmicos latino-americanos. Justificativa: Incorreta. A Geração de 1915 buscava romper com tradições filosóficas ultrapassadas, como o positivismo, e não tinha como foco a retomada da filosofia medieval (livro-base, p. 153). B O filósofo José Ortega y Gasset propôs que as sociedades latino-americanas adotassem a filosofia das metrópoles ibéricas como referencial para a resolução das questões do Novo Mundo. Justificativa: Incorreta. Embora Ortega y Gasset tenha influenciado a Geração de 1915, sua proposta não era de mera adoção da filosofia ibérica, mas de reflexão crítica sobre a realidade local e busca por identidade própria (livro-base, p. 153). C A Geração de 1915 e o filósofo Ortega y Gasset tinham em comum o fato de serem defensores do positivismo como corrente filosófica norteadora para a América Latina. Justificativa: Incorreta.A Geração de 1915 foi marcada por uma postura antipositivista, buscando superar essa corrente e propor novos caminhos filosóficos (livro-base, p. 153). D O objetivo principal da Geração de 1915 influenciada por Ortega y Gasset era a busca de uma identidade latino-americana. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base (p. 153), a Geração de 1915 foi profundamente influenciada por Ortega y Gasset e teve como objetivo central a construção de uma identidade filosófica latino-americana. Essa geração rompeu com o positivismo e buscou refletir criticamente sobre a cultura local, superando a imitação de modelos estrangeiros e valorizando a especificidade da experiência latino-americana. Questão 10/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira Ler em voz alta “Mostramo-nos inegavelmente capazes de formar bons historiadores da filosofia. Não teremos, entretanto — não todos, mas a maioria de nós —, contribuído para que a história da filosofia substituísse gradativamente a filosofia em grande parte de nossos cursos?” Fonte: PEREIRA, Oswaldo Porchat. Em defesa de uma instituição. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz10089809.htm. Acesso em: 26 mar. 2019 A crítica de Oswaldo Porchat Pereira ao ensino de filosofia nas universidades brasileiras revela uma preocupação com o esvaziamento do fazer filosófico em favor da historiografia filosófica. Para ele, os cursos de filosofia têm se concentrado excessivamente na história da filosofia, formando bons historiadores do pensamento, mas não necessariamente filósofos. Essa constatação levanta um debate importante sobre a finalidade do ensino filosófico: formar sujeitos capazes de pensar filosoficamente, questionar, argumentar e produzir conhecimento, e não apenas repetir o que já foi dito. Em cursos de licenciatura em Filosofia, essa reflexão é essencial para repensar práticas pedagógicas que estimulem a autonomia intelectual e a criação filosófica. Durante uma reunião pedagógica, professores de filosofia discutiam os rumos do currículo do curso. Um dos docentes citou Porchat Pereira, afirmando que muitos cursos formam apenas historiadores da filosofia. Outro professor concordou, dizendo que os estudantes deveriam ser incentivados a filosofar, e não apenas a estudar o que outros filósofos disseram. A coordenação propôs, então, revisar os planos de ensino para incluir mais atividades de produção filosófica. Com base na situação apresentada e na crítica de Oswaldo Porchat Pereira, é correto afirmar que: Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A Para Porchat Pereira, o ensino de filosofia na América Latina nas instituições universitárias privilegia hoje o fazer filosófico. Justificativa: Incorreta. Porchat Pereira critica justamente o fato de que o fazer filosófico tem sido substituído pela história da filosofia nos cursos universitários. B O ensino de filosofia na academia latino-americana e, sobretudo no Brasil, consiste hoje na formação de bons historiadores do pensamento filosófico. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Porchat Pereira observa que os cursos de filosofia têm se limitado à historiografia, deixando de lado a prática filosófica propriamente dita (VALESE, 2024, p. 39). C Porchat Pereira compreende que os cursos de filosofia no contexto latino-americano estão focados nas ciências da religião, isto é, alinhadas ao espiritualismo. Justificativa: Incorreta. A crítica de Porchat não se refere à influência religiosa, mas à substituição do filosofar pela história da filosofia. D A história política tem sido o núcleo dos programas dos cursos de filosofia no Brasil, dessa maneira o curso tem formado mais políticos do que filósofos. Justificativa: Incorreta. A crítica de Porchat não é sobre a centralidade da política, mas sobre o excesso de foco na história da filosofia em detrimento da prática filosófica. · · Questão 1/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · “É justamente nesse sentido que gostaríamos de reintroduzir Mariátegui e sublinhar sua obra como resultante desta enunciação de um desejo, que é o marxismo latino-americano: desejo que adquire vida própria a partir de um gesto filosófico básico. Qual é esse gesto? O de escolher a melhor entre as formas possíveis para pensar a própria realidade e, para isso, descartar os caminhos assinalados a priori pelo Velho Continente [...]”. · Fonte: FIGUEROA, Noelia. José Carlos Mariátegui e Walter Benjamin: gestos para refundar uma teoria crítica subalterna. Lutas Sociais, v. 17, n. 30, 2013. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/ls/article/view/18467. Acesso em: 27 mar. 2019. · O pensamento de José Carlos Mariátegui representa uma inflexão original no marxismo ao propor uma leitura crítica da realidade latino-americana a partir de suas próprias condições históricas, culturais e sociais. Ao invés de aplicar mecanicamente os modelos europeus, Mariátegui defendeu a construção de um socialismo enraizado nas experiências concretas dos povos da América Latina, especialmente os indígenas. Para ele, a reabilitação histórica das etnias indígenas passava pela valorização de suas formas comunitárias de vida e pela superação das estruturas coloniais e capitalistas. Em cursos de licenciatura em Filosofia, sua obra é estudada como exemplo de epistemologia crítica subalterna, que busca pensar a partir do Sul e não apenas sobre o Sul. Durante uma aula sobre pensamento crítico latino-americano, os estudantes discutiam a proposta de José Carlos Mariátegui para a transformação social. A professora explicou que ele via no socialismo uma possibilidade concreta de reabilitação histórica dos povos indígenas, cujas formas de organização comunitária já expressavam, em certa medida, valores socialistas. Um dos alunos comentou que isso mostrava como Mariátegui não copiava modelos europeus, mas os adaptava à realidade local. A turma refletiu sobre a importância de pensar filosoficamente a partir da própria realidade. · Com base na situação apresentada e na filosofia de José Carlos Mariátegui, é correto afirmar que: · Nota: 0.0Você não pontuou essa questão A O socialismo era o único caminho para a reabilitação histórica das etnias indígenas. Justificativa: Correta. Segundo o livro-base, Mariátegui acreditava que a única possibilidade de reabilitação histórica das raças indígenas era o socialismo, pois as antigas comunidades indígenas já viviam uma forma de socialismo primitivo, o que tornava essa proposta coerente com sua realidade histórica (VALESE, 2024, p. 169). B O protestantismo luterano era a doutrina ideal para reconstruir a identidade indígena. Justificativa: Incorreta. Mariátegui não propôs nenhuma doutrina religiosa como caminho para a reabilitação indígena, mas sim uma proposta política e social baseada no socialismo. C Os indígenas deveriam separar-se dos povos europeus e africanos e reconstruírem suas tradições em terras demarcadas na América Latina. Justificativa: Incorreta. Mariátegui não propôs isolamento étnico, mas sim uma transformação social coletiva e integrada, com base na valorização das culturas indígenas. D A filosofia aristotélica deveria ser a base que reconduziria os indígenas ao apogeu. Justificativa: Incorreta. Mariátegui não propôs a adoção de filosofias clássicas europeias, mas sim a construção de um pensamento crítico a partir da realidade latino-americana. · · Questão 2/10 - Filosofia Latino-Americana e Brasileira · Ler em voz alta · Alejandro Korn foi um dos principais representantes da filosofia argentina no início do século XX. Sua obra é marcada por uma crítica contundente ao positivismo e ao realismo ingênuo, propondo uma filosofia comprometida com a realidade cultural e política de seu tempo. Korn defendia que a liberdade não era um dom natural, mas uma conquista histórica e ética, que exigia transformação social e consciência crítica. Como afirma o texto: “A essência da filosofia de Korn [é] o ataque frontal ao positivismo e ao realismo ingênuo, ou seja, aos pressupostos e conclusões