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Requisitos da decisão judicial e coisa julgada; Tutela de urgência; e Mandado de segurança Processo do Trabalho Prof. Pablo lima As decisões judiciais, geralmente, refletem um juízo de valor que exige fundamentação, tal como determinado pela Constituição Federal, artigo 93, inciso IX, sob pena de incorrer em nulidade. O artigo 93, inciso IX da Constituição Federal estabelece: IX – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. Requisitos da decisão judicial Processo do Trabalho CPC, Art. 489, § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Ausência de fundamentação Processo do Trabalho Os elementos da sentença são os requisitos básicos que toda sentença deve ter. Com efeito, a sentença é o pronunciamento do juízo no qual coloca fim a fase cognitiva do procedimento comum. Nesse sentido, para que essa sentença seja proferida é necessário observar os seguintes requisitos: relatório, fundamentação e dispositivo. Art. 489, CPC. São elementos essenciais da sentença: I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. Art. 832, CLT - Da decisão deverão constar o nome das partes, o resumo do pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos da decisão e a respectiva conclusão. Elementos da Sentença Processo do Trabalho Relatório: Antes de passar à exposição dos fundamentos e à decisão propriamente dita, o juiz fará um relatório, que deverá conter os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo. Fundamentação: A sentença deverá ser fundamentada, como manda o art. 93, IX, da Constituição Federal. O juiz deve expor as razões pelas quais acolhe ou rejeita o pedido formulado na petição inicial, apreciando os seus fundamentos de fato e de direito (causas de pedir) e os da defesa. Dispositivo: É a parte final da sentença, em que o juiz decide se acolhe, rejeita o pedido ou se extingue o processo, sem examiná-lo. É a conclusão do silogismo judicial, em que se examina se a pretensão formulada pelo autor na petição inicial pode ou não ser apreciada e, em caso afirmativo, se pode ou não ser acolhida. Elementos da Sentença Processo do Trabalho Elementos da Sentença Processo do Trabalho Relatório Elementos da Sentença Processo do Trabalho Fundamentação Elementos da Sentença Processo do Trabalho Fundamentação Elementos da Sentença Processo do Trabalho Dispositivo No rito sumaríssimo, o relatório é dispensado: Art. 852-I, CLT. A sentença mencionará os elementos de convicção do juízo, com resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório. Elementos da Sentença Processo do Trabalho Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I - indeferir a petição inicial; II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; VIII - homologar a desistência da ação; IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e X - nos demais casos prescritos neste Código. Processo do Trabalho Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; III - homologar: a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; b) a transação; c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. Sentença sem resolução do mérito Sentença com resolução do mérito Prevista e tutelada pela Carta Magna, art. 5º, inc. XXXVI a coisa julgada é um instituto decorrente de decisões judiciais transitadas em julgado, das quais não existem mais recursos. Assim determina a Constituição: “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. A Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, art. 6º, § 3º, define que “chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.” Coisa Julgada Formal: trata-se da inimpugnabilidade da sentença no processo em que foi proferida. Assim, ocorre a coisa julgada formal quando a sentença não mais está sujeita a recurso. (Art. 502, CPC) Coisa Julgada Material: só se produz quando se trata de sentença de mérito. Faz nascer a imutabilidade daquilo que tenha sido decidido para além dos limites daquele processo em que se produziu, ou seja, quando sobre determinada decisão judicial passa a pesar autoridade de coisa julgada, não se pode mais discutir sobre aquilo que foi decidido em nenhum outro processo. (Art. 503, CPC) Coisa julgada Processo do Trabalho Art. 504. Não fazem coisa julgada: I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II - nos demais casos prescritos em lei. Coisa julgada - Relativização Processo do Trabalho A tutela diz-se provisória porque terá eficácia até que uma decisão definitiva disponha em sentido contrário, ou simplesmente dê caráter definitivo à decisão. As tutelas provisórias em espécie são divididas em duas grandes espécies: • Tutela Provisória de Urgência • Tutela Provisória de Evidência Tutela provisória de urgência Processo do Trabalho FUMUS BONI IURIS - probabilidade do direito PERICULUM IN MORA – perigo de dano ou risco ao resultado do processo PERICULUM IN MORA – perigo de dano ou risco ao resultado do processo Art. 300, CPC. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. Tutela provisória de urgência Processo do Trabalho Art. 300,CPC. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. § 1 º Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la. § 2º A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia. § 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. Mandado de Segurança Processo do Trabalho O mandado de segurança é um procedimento que possui previsão na no art.5º, LXIX da Constituição Federal, sendo especificado e regulado na Lei nº 12.016/2009. Fundamenta-se na preservação de direitos líquidos e certos que não podem ser protegidos por habeas corpus ou habeas data. Por direito líquido e certo, a ampla maioria da doutrina entende que são direitos que podem ser comprovados imediatamente após a propositura do mandado de segurança. A Emenda Constitucional nº 45 de 2004 trouxe uma série de modificações no que tange à competência da justiça trabalhista, dentre elas sobre o mandado de segurança. Por exemplo, o acréscimo do inciso IV ao art. 114, da CF: Art. 114. Compete a justiça do Trabalho processar e julgar: [...] IV – os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. Mandado de Segurança Processo do Trabalho SÚMULA Nº 414 - MANDADO DE SEGURANÇA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA (OU LIMINAR) CONCEDIDA ANTES OU NA SENTENÇA I - A antecipação da tutela concedida na sentença não comporta impugnação pela via do mandado de segurança, por ser impugnável mediante recurso ordinário. A ação cautelar é o meio próprio para se obter efeito suspensivo a recurso. II - No caso da tutela antecipada (ou liminar) ser concedida antes da sentença, cabe a impetração do mandado de segurança, em face da inexistência de recurso próprio. III - A superveniência da sentença, nos autos originários, faz perder o objeto do mandado de segurança que impugnava a concessão da tutela antecipada (ou liminar). Mandado de Segurança Processo do Trabalho O legitimado ativo da impetração do mandado de segurança é o detentor do direito líquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas data, incluindo pessoas físicas, jurídicas, órgãos públicos despersonalizados, porém com capacidade processual, universalidades de bens e direitos, agentes políticos, Ministério Público, etc. O legitimado passivo é a pessoa jurídica a que se encontra vinculada a autoridade coatora. A autoridade coatora não é parte no processo de mandado de segurança, mas deve ser indicada como terceiro interessado. Legitimidade Mandado de Segurança Processo do Trabalho Após 2004, com a alteração do art. 114 da CRFB/88, o entendimento doutrinário e jurisprudencial é no sentido de que a competência dos tribunais será para os mandados de segurança impetrados contra atos de magistrados trabalhistas, e nos demais casos, de competência originária das varas. Quanto ao local, deverá ser impetrado: a) na Vara do Trabalho do domicílio da autoridade coatora, salvo casos de prerrogativa de foro, quando a autoridade não faça parte do Poder Judiciário; b) no TRT se a autoridade coatora for juiz do trabalho ou desembargador do próprio TRT (Súmula 433 do STF); c) no TST quando a autoridade coatora forem seus próprios ministros. Competência Mandado de Segurança Processo do Trabalho O prazo para impetração do mandado de segurança individual ou coletivo, nos termos do art. 23 da Lei 12.016/2009, é de cento e vinte dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Trata-se de prazo decadencial e sua fluência não se interrompe ou se suspende. A petição inicial do mandado de segurança indicará, além da autoridade coatora, a pessoa jurídica que esta integra, à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições, apontando prova robusta. O juiz, ao despachar a petição inicial, determinará: a) notificação da autoridade coatora para que preste informações em 10 dias; b) ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada para que, querendo, ingresse no feito; c) suspensão do ato que deu motivo ao pedido (art. 7º da Lei 12.016/2009). Procedimento Mandado de Segurança Processo do Trabalho Da decisão liminar do ato impugnado, não caberá mandado de segurança, tendo em vista o procedimento recursal trabalhista não admitir recurso imediato de decisões interlocutórias. Da sentença do mandamus impetrado em primeiro grau de jurisdição – na Vara do Trabalho – caberá recurso ordinário ao TRT e, se for o caso, recurso de revista ao TST e, sendo a segurança concedida, a decisão de sujeitará, obrigatoriamente, ao duplo grau de jurisdição (art. 14, § 1º da Lei 12.016/2009). Já no mandado de segurança de competência originária do TRT, caberá recurso ordinário ao TST e quando a competência originária for deste Tribunal, conforme art. 102, II, a e III da CRFB/88, a decisão denegatória da segurança desafiará recurso ordinário, enquanto a concessão da segurança permitirá recurso extraordinário, ambos ao STF. Procedimento Mandado de Segurança Processo do Trabalho A sentença que denegar o mandado de segurança por ausência de direito líquido e certo não faz coisa julgada, viabilizando a propositura de ação própria para tutela do direito. Súmula 304, STF: Decisão denegatória de mandado de segurança, não fazendo coisa julgada contra o impetrante, não impede o uso da ação própria. Procedimento