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IMUNIDADE ADQUIRIDA / ADAPTATIVA conjunto de processos através dos quais o organismo RECONHECE os agentes invasores, REAGE preparando os agentes específicos que vão ATUAR DE FORMA DIRIGIDA de modo a neutralizá-los ou destruí-los resposta ao organismo invasor melhora a cada novo contato características: - heterogeneidade - especificidade - memória - diminui e tem que estimular novamente (ex: vacina) mecanismo é desencadeado alguns dias após o início da invasão dos agentes patogénicos formação dos linfócitos B e T: os linfócitos originam-se na medula óssea vermelha a partir do linfoblastos migrando para o timo (linfócito T) ou permanecendo na medula óssea (linfócito B) A maturação destas células corresponde a aquisição de receptores específicos de antígenos -> tornam-se células imunocompetentes antígeno - molécula capaz de desencadear uma resposta específica por parte do organismo (produção de anticorpos) podem ser: - moléculas pertencentes a vírus, bactérias, protozoários - moléculas que se encontram no pólen ou nas células de tecidos transplantados possuímos enorme variedade de linfócitos B e T com diferentes receptores, podendo reconhecer número quase infinito de antígenos, heterogeneidade e especificidade Epitopos: determinante antigênico - pequenas moléculas ou porções de ag que desencadeia RI Imunidade adquirida requer diferenciação de linfócitos em resposta a microrganismos antes que ela possa oferecer uma defesa eficaz pode ser induzida em um indivíduo pela infecção ou pela vacinação (imunidade ativa) ou conferida a um indivíduo pela transferência de AC (imunidade passiva) imunização ativa - provoca imunidade protetora e memória imunológica - exposição subsequente provoca resposta imune aumentada capaz de eliminar o patógeno ou prevenir a doença - infecção natural ou adquirida artificialmente por meio de vacinas imunização passiva - proteção transitória - AC pré formados são transferidos para um receptor ● naturalmente: ac materno contra difteria, tétano, estreptococos, rubéola, sarampo e poliovírus protegem o feto em desenvolvimento e, após o nascimento, ac no colostro e leite Imunidade humoral: mediada por anticorpos produzidos pelos linfócitos B (plasmócitos) principal função: impedir que patógenos presentes na circulação tenham acesso e colonizam as células e os tecidos do hospedeiro Imunidade celular: defesa contra os microrganismos intracelulares, é mediada pelos linfócitos T Propriedades da resposta adquirida expansão clonal: aumenta rapidamente o número de células específicas para determinado AG, garantindo o acompanhamento da proliferação dos microrganismos CD4+ ativa LB que se ligou a ag atividade - imunidade humoral 1- selecção clonal 2- proliferação clonal dos linfócitos ativados 3- diferenciação dos linfócitos B Memória imunológica otimiza a habilidade do SI para combater infecções persistentes e recorrentes, porque cada encontro com o mesmo ag ativa as células de memória existentes e gera mais células de memória *prova a célula T citotóxica reconhece o complexo do peptídeo viral com o MHC de classe I e mata a célula infectada Homeostase: todas as respostas imunológicas diminuem à medida que a infecção é eliminada, permitindo que o sistema retorne a um estado de repouso e esteja preparado para responder a uma próxima infecção Tolerância imunológica: capacidade do SI de coexistir com moléculas, células e tecidos próprios do hospedeiro (autoantígenos) Fases da resposta adquirida janela imunológica: definida como período entre a infecção e o ínicio da formação de anticorpos específicos contra o agente causador *exames negativos de uma pessoa já contaminada, mas em período de janela imunológica, são conhecidos por falsos negativos Células do sistema imunológico adaptativo: linfócito B: mediadores da imunidade humoral linfócito T: mediadores da imunidade mediada por célula células NK: células da imunidade inata *reconhecimento específico de antígenos células apresentadoras de antígenos: - células dendríticas: iniciação da resposta de células T - macrófagos: fase efetora da imunidade mediada por célula - células dendríticas foliculares: exposição dos antígenos aos linfócitos B na resposta imunológica humoral células efetoras: - linfócitos T: células T auxiliares e linfócitos T citotóxicos - macrófagos e monócitos: células do sistema fagocitico monoclear - granulócitos: neutrófilos, eosinófilos Células do sistema imunológico adaptativo linfócitos: todos os linfócitos se originam de células-tronco da medula óssea -> linhagem linfóide, as demais células brancas são originadas da linhagem mielóide linfócitos maduros: as diversas classes de linfócitos reconhecem tipos distintos de antígenos, diferenciando-se em células efetoras, cuja função é eliminar e os antígenos - cluster of differentiation (CD): proteína de superfície responsável pela diferenciação dos linfócitos durante o processo de maturação os linfócitos têm também capacidade de adquirir a capacidade de distinguir o que é próprio do que é estranho ao organismo - cada indivíduo é bioquimicamente único - a individualidade é definida pela presença na superfície das células de macromoléculas únicas - os marcadores celulares - os marcadores do próprio são designados antígenos principais de histocompatibilidade *moléculas constituem o complexo principal de histocompatibilidade (MHC) Classes de MHC - molécula do MHC de classe I apresentam peptídeos as células TCD8+ (linfocito T citotóxico) - molécula do MHC de classe II apresentam peptídeos as células TCD4+ (linfocito T auxiliar) Reconhecimento de antígenos resposta timo independente: - linfócitos B: reconhecem diretamente o ag -> produção de linfócitos específicos resposta timo dependente: - linfócitos T: necessitam das APCs (células dendríacas, macrofagos e linfócitos B) linfócito T (auxiliar) ativa o linfócito B a produzir ac e ainda ativa outros linfócitos B para aumentar a concentração de ac produzidos contra aquele ag os efetores da imunidade humoral são os linfócitos B a imunidade humoral é mediada por anticorpos que circulam no sangue e na linfa e que são produzidos após o reconhecimento do antígeno por linfócitos B o anticorpo é uma proteína específica produzida por plasmócitos em resposta a presença de antígeno, como o qual reage especificamente os anticorpos são uma forma solúvel dos receptores existentes na superfície dos linfócitos os anticorpos pertencem a um grupo de proteínas globulares designadas imunoglobulinas apresentam estrutura em forma de Y, constituída por quatro cadeias polipeptídicas, duas pesadas ou H e duas leves ou L as cadeias polipeptídicas possuem uma região constante, muito semelhante em todas as imunoglobulinas e uma região variável é na região variável que se estabelece a ligação com o antígeno, formando o complexo antígeno-anticorpo características da reação antígeno anticorpo - um mesmo antígeno pode ligar-se a vários anticorpos - como um antígeno pode possuir vários determinantes antígenos e anticorpos são específicos para esses determinantes - elevado grau de especificidade - resulta complementaridade estrutural entre o antígeno e a zona de ligação do anticorpo - criação nos sítios e ligação de forças eletrostáticas, ligações hidrogénio ou outras ligações químicas Classes de imunoglobulinas o termo imunoglobulina refere-se às características estruturais da molécula, o termo anticorpo refere-se a função imunológica destas moléculas- todos estes tipos de imunoglobulinas integram a superfície dos linfócitos B - as propriedades biológicas são conferidas pelas regiões constantes das cadeiras pesadas - imunoglobulinas diferentes podem reconhecer o mesmo antígeno, dado que função de reconhecimento é feita pela região variável - a quantidade relativa das várias imunoglobulinas no sangue e em outros fluídos é diferente ANTICORPOS MONOCLONAIS Conceito: resposta imunológica excessiva e inapropriada do organismo a uma substância inócua (alérgeno) Reações de hipersensibilidade - requer um contato prévio do indivíduo com o alérgeno (sensibilização) - resposta imunológica: humoral ou celular são aqueles produzidos a partir de um determinado antígeno ou epítopo específico, que ativa um único linf B (único clone) e assim, produzirá anticorpos para o esse epítopo (consegue identificar esse epítopo como parte do ag) é possível produzir anticorpos monoclonais, in vitro e em larga escala, para isso é selecionado um clone (linf B) e hibridizar, este como uma célula HELA (célula imortal) dessa forma teremos uma célula B de interesse se dividido infinitamente e está se diferenciar em plasmócitos e produzirá um único tipo de ac. Anormalidades decorrentes de alterações no S.I hipersensibilidade-> quando o organismo responde de forma exagerada a substância que normalmente não produzem resposta imunológica. ex: alergias doenças terminais-> quando o organismo reconhece como estranhos, moléculas e células do próprio indivíduo. ex: diabetes imunodeficiência-> quando algum componente do S.I deixa de funcionar adequadamente. ex: imunodeficiência decorrente da presença de hiv Reações de hipersensibilidade resposta imunológica excessiva e inapropriada do organismo a uma substância inócua. ex: pólen, poeira, látex, pelo de animal essa reação pode ocorrer por contato, ingestão, inalação ou injeção do alérgeno) Resposta imediata (segundos) - decorrente da atividade da histamina e prostaglandinas Resposta tardia (8-10 horas) - decorrente da liberação de leucotrienos, quimiocinas, citocinas e enzimas pelos mastócitos - ⬆produção de muco, remodelagem tecidual - responsável pela cronicidade de doenças respiratórias alérgicas (asma) Classificação Tipo de reação Mecanismo imunológico I - imediata (anafilática) IgE - basófilos e mastócitos II - citotóxica IgE - ag nas membranas das células III imunocomplexos IgG - ags solúveis IV - tardia Células T Hipersensibilidade tipo I ● houve um primeiro contato com antígeno, que geralmente passa despercebido ● esse antígeno estimula a produção de IgEs, que irão se ligar aos mastócitos ● em um novo contato o antígeno haverá a a ligação do mesmo com IgEs na membrana do mastócito, ativando-o Ocorre em 2 etapas: A) sensibilização ao alérgeno - ocorre o primeiro contato com o alérgeno 1- apresentação do alérgeno aos linfócitos T (virgens) na APCs 2- ativação dos linfócitos T com produção de mediadores 3- ativação de linfócitos B, que passam a produzir ac IgE 4- ligação do IgE a superfície de basófilos e mastócitos B) reação alérgica 1- segundo contato com o alérgeno 2- ligação do alérgeno a molécula IgE presente na superfície de mastócitos e basófilos 3- degranulação-liberação de mediadores químicos (histamina, prostaglandinas e leucotrienos ) responsáveis pelos sintomas alérgicos histamina - aumenta permeabilidade vascular e bioconstrução leucotrienos e prostaglandinas inflamação -> resposta de fase tardia essa reação pode ser limitada a um tecido ou órgão específico. ex: rinite, alergia alimentar essa reação também pode ser sistêmica decorrente da degradação sistêmica causando urticária, angioedema ( edema profundo) diminuição da pressão arterial levando a anafilaxia (choque com sofrimento respiratório) edema de laringe que pode ser fatal ● mediada pelos anticorpos IgE ● ocorre minutos após a combinação antígeno-anticorpo ligado aos mastócitos ou basófilos em um indivíduo já sensibilizado ao antígeno ● reação sistêmica: ocorre após administração parenteral ou oral ao alérgeno, surge estado de choque com sofrimento respiratório, edema de laringe que pode ser fatal dentro de 1 hora ● reação local: 10% da população, ocorre após inalação ou ingestão de alérgenos: apresenta-se como edemas cutâneos, secreção nasal e conjuntival Hipersensibilidade tipo II decorrente do efeito citopático de acs, contra ags na superfície ou matriz celular lesão tecidual: anemia hemolítica por transfusão de sangue incompatível: ocorre aglutinação, hemólise e ativação do complemento, como a reação é no sangue, ocorre uma “inflamação sistêmica) 3 mecanismo: 1- reações dependentes de complemento - levam à lise das células ou opsonização. ex: reações transferensionais, eritroblastose fetal, anemia hemolítica 2- citotoxicidade celular dependente de ac -> destruição de células-alvo revestidas por IgG sem que ocorra fagocitose 3- disfunção celular mediada por ac -> ac contra receptores de superfície celular desregulam a função da célula sem causar lesão ou inflamação Hipersensibilidade tipo III contra ag solúveis, causada pelo depósito de complexo ag - ac em determinado tecido o ag pode ser endógeno ou exógeno, a doença pode ser localizada ou generalizada local. reação de arthus: resposta inflamatória local intensa, geralmente após vacinação ou a introdução de um antígeno em um indivíduo já sensibilizado, é causada pela formação de complexos antígeno-anticorpo que se depositam nos tecidos, ativando o sistema complemento e desencadeando resposta inflamatória (dor, inchaço, vermelhidão, pode evoluir para necrose ou ulceração em casos graves) geralmente a reação é autolimitada e resolve-se sozinha em alguns dias, em casos mais graves pode ser necessário uso de corticoides vasculite: Hipersensibilidade tipo IV resposta imune mediada por células T efetoras específicas a Ag nocivos, a resposta induz lesões nos locais onde o ag penetra. ex: reação à tuberculina, dermatite de contato enteropatia ao glúten REAÇÃO ANTÍGENO hipersensibilidade tipo tardia (DTH) proteína veneno de inseto tuberculina (PPD) - injetado na pele hipersensibilidade de contato haptenos (dermatite de contato) - absorvido pela pele enteropatia sensível ao glúten (doença celíaca) gliadina - absorvido pelo intestino ● mediadas por células T sensibilizadas: tardia e citotoxicidade direta ● tardia: - reação à tuberculina - mediada por células T auxiliares CD4+ que secretam citocinas - acúmulo de células mononucleares no tecido subcutáneo, edema e hiperemia - inflamação granulomatosa: agregado de células epitelióides circundado por linfócitos ● citotoxicidade mediada por células T: - mediadas por células citotóxicas CD8+ que destroem células infectadas por antígeno AUTOIMUNIDADE Conceito: é uma resposta imune específica contra um antígeno ou uma série de antígenos próprios doença autoimune: síndrome provocada por lesão tecidual ou alteração funcional desencadeadas por uma resposta autoimune * a principal função do sistema imune é distinguir antígenos estranhos (agentes infecciosos) de componentes próprios (self) presentes nos diferentes tecidos o sistema imune adquire auto-tolerância (não responde ao próprio): 1) pela deleção clonal de linfócitos T auto-reativos 2) pela deleção clonal de linfócitos B auto-reativos 3) pela supressão funcional de linfócitos T e B auto reativos Tolerância - células B e células T ● tolerância tímica ● tolerância periférica durante a maturação ocorre o primeiro processo de eliminação de células imaturas potencialmente auto reativas e se completa com os diferentes processos de periféricos de indução de tolerância. tolerância tímica - educação tímica central ● seleção positiva ● seleção negativaao final teremos células T que não reagem com antígenos próprios reconhecidos no timo *não há garantia que essas células não possam reagir com antígenos próprios periféricos -> tolerância periférica Etiologia das doenças auto-imunes *etiologia exata não é conhecida ❖ escape de clones celulares auto-reativos ❖ reativação cruzada com antígenos - modificação de antígenos próprios - reatividade cruzada a antígenos exógenos ❖ desregulação de citocinas e expressão inapropriada de MHC ❖ função supressora ineficiente Mecanismos responsáveis por diminuição de tolerância - inibição ou superação dos processos de tolerância periférica - mimetismo molecular (ag estranhos muito semelhantes a ag próprios) Inibição ou superação dos processos de tolerância periférica - alteração da ignorância imunológica ex: lesão tissular pode provocar a liberação de ag previamente invisíveis ou pode destruir barreiras que limitam o acesso de LT a sítios de privilégio - apresentação inadequada de autoantígenos - aparição de novas formas de ag (ativ proteolítica inflamação) Quebra de tolerância devido a reatividade cruzada com antígenos Mimetismo molecular ● reatividade cruzada entre ag de microrganismos estruturalmente similares aos antígenos próprios ● quando um peptídeo próprio deixa de ser tolerado a reação inflamatória provoca a aparição de mais autoantígenos = dispersão de epítopos Fatores genéticos na autoimunidade ● fenômenos auto imunológicos tendem a se agregar em determinadas famílias ● a autoimunidade é geneticamente programada Fatores desencadeantes ● fatores ambientais - infecções - hormônios (artrite reumatóide prolactina) - fármacos - radiação UV - estresse psicológico - dieta O espectro das doenças auto imunológicas ● doenças órgão-específicas - autoanticorpos específicos para determinado órgão/tecido ● doenças sistêmicas Doenças órgão-específicas dano celular direto por células T ou auto-anticorpos - tireoidite de hashimoto - anemias auto-imunes - síndrome de goodpasture - diabetes tipo I estímulo ou bloqueio de ac - doenças de graves - miastenia gravis Doenças sistêmicas auto-anticorpos e células T - esclerose múltipla - lúpus eritematoso - artrite reumatóide Doença celíaca - distúrbio no intestino delgado, com má absorção e intolerância ao glúten - os cereais que contêm glúten tem gliadina - uma fração protéica - que é responsável pelo dano na mucosa intestinal, as causas, entre outras em estudo, poderiam ser: predisposição genética, falta de enzima digestiva e formação de anticorpos - associação com HLA-B8, DR3, DR7 - sensibiliza o hospedeiro geneticamente predisposto ao glúten através de mimetismo molecular - perda de peso, dor abdominal Doença intestinal inflamatória colite ulcerativa: limita-se ao cólon e só afeta a mucosa - doença de crohn: pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal afetam ambos os sexos, mais comuns em brancos, componentes genéticos estímulo dietético ou microbiano desencadeia a RI que torna-se persistente e intensificada, provocando a lesão presença de MHC II - auto-antígenos e de ac anticitoplasma de neutrófilo em 70% dos pacientes com colite Anemia perniciosa - deficiência de vitamina B12 em decorrência de má-absorção - reações autoimunes dirigidas contra as células parietais gástricas e seus produtos - a absorção da vitamina B12 requer o fator intrínseco (IF0 produzido no estômago, em 90% dos pacientes e deficiência da absorção ocorre por acs anti-if -ac bloqueador: liga-se ao fator intrínseco (if) impedindo a ligação da B12 -pacientes podem desenvolver pólipos gástricos e neoplasia gástrica Doença de graves hipertireoidismo, oftalmopatia e dermopatia infiltrativa, os pacientes apresentam acs que reconhecem o hormônio estimulador da tireóide (TSH) mimetizando-o que leva a ativação contínua da tireóide, aumento de T3, T4 e redução do TSH Miastenia gravis - músculos mais suscetíveis: nervos cranianos e em 50% dos casos músculos oculares - podem surgir após evento estressante, como infecção e anestesia - os indivíduos afetados podem apresentar timoma (tumor do timo) Artrite reumatóide - inflamação crônica das articulações sinoviais com destruição progressiva de estruturas cartilaginosas e ósseas, podem ocorrer vasculite e nódulos subcutâneos em 25% dos casos - linfócitos B das membranas sinoviais produzem acs (IgM) contra a porção Fc da IgG produzidas contra infecções ou respostas inflamatórias Artrite reumatóide: possíveis causas - fatores hormonais (3:1 em mulheres entre 35 a 50 anos) - agentes infecciosos como mycoplasma, vírus da rubéola, CMV, herpes, parvovirus B19, EBV e mycobacterium tuberculosis - presença de MHC-II: HLA-DR4 e HLA DR1 Artrite reumatóide: mecanismo imunológico - líquido sinovial fica cheio de neutrófilos, macrófafos, LTh-1 e células dendríacas - produção de metalloproteinases pelos macrófagos activados por IL-1 e TNA-a, clivando colágeno e proteoglicanos Lupus eritematoso sistemico ● doença crônica e multissistêmica ● desenvolve-se na dependência de: - fatores genéticos (HLA DR3, deficiência de C2 e C4) - fatores hormonais (razão mulher/homem = 10:1 entre 20 e 60 anos) - fatores ambientais (exposição a Uv-B e medicamentos como procainamida, hidralazina, clorpromazina, isoniazinas, practolol e metildopa) - anticorpos auto-reativos contra constituintes nucleares: DNA ribonucleoproteínas, histonas e antígenos do nucléolos - imune-complexos se depositam nos glomérulos renais, articulações, pele e vasos sanguíneos ● início agudo ou insidioso, apresentando estado febril, caracterizada por lesão da pele, das articulações, do rim e das membranas serosas ● relação mulher: homem 9:1 ● 20-64 anos etiologia e patogenia: - ocorre uma falência dos mecanismos reguladores que mantém a autotolerância - presença de anticorpos contra componentes nucleares e citoplasmáticos da célula, especialmente anticorpos contra o DNA de dupla hélice (dsDNA) e o antígeno Smith (Sm) - presença de auto-anticorpos como os antifosfolipídicos - existem teorias a respeito do aparecimento do LES: fatores genéticos, fatores não genéticos (drogas, luz ultravioleta, hormônios sexuais) e fatores imunológicos - pericardite e comprometimento de outras cavidades serosas: exsudato fibrinoso, serosas espessas, opacas - pulmões: derrame pleural, pleurite - evolução clínica: pode haver achados clínicos de comprometimento renal, pode ter evolução benigna ou morte por insuficiência ou infecções intercorrentes Síndrome de sjogren ● ressecamento dos olhos e boca pela destruição imunológica das glândulas lacrimais e salivares ● pode ser primária ou associada a outra doença ● etiologia e patogenia: - infiltração linfocítica e fibrose das glândulas - anticorpos mais importantes: SS-A (Ro) e o SS-B (La) ● morfologia: infiltrado linfocítico periductal e perivascular ● manifestações clínicas: - mulheres: 40-60 anos - ceratoconjuntivite e xerostomia - adenomegalia Esclerose sistêmica ● fibrose excessiva em todo organismo ● pode ser difusa ou localizada que só acomete a pele ● etiologia e patogenia: - deposição excessiva de colágeno - hipótese imunológica: fibrose por ativação anormal do sistema imunológico - hipótese vascular: lesão microvascular ● morfologia: - pele: atrofia esclerótica difusa da pele iniciando nas regiões distais das extremidades superiores até atingir face - tubo digestivo: colagenização excessiva da lâmina própria e da submucosa - sistema musculoesquelético: sinovite com hipertrofia e hiperplasia dos tecidos moles e posteriormente fibrose - rins: espessamento da íntima por deposição de colágeno - pulmões: fibrose intersticiale alveolar difusa - coração: pericardite e fibrose miocárdica ● evolução clínica: - mulheres: 50-60 anos - alterações cutâneas - elevada incidência de calcinose, fenômeno dismotilidade esofagiana, esclerodactilia e telangiectasias - dor abdominal, obstrução intestinal, síndrome de má absorção, dificuldades respiratórias, arritmias, insuficiência cardíaca, proteinúria e até hipertensão maligna ● tratamento: - alvos: inflamação, células T ativadas - anticorpos monoclonais - ciclosporina A - citocinas ● indução de tolerância: via oral (experimental) AUTOIMUNIDADE é uma resposta imune específica contra um antígeno ou uma série de antígenos próprios doença auto imune é uma síndrome provocada por lesão tecidual ou alteração funcional desencadeadas por uma resposta autoimune a principal função do sistema imune é distinguir antígenos estranhos (agentes infecciosos) de componentes próprios (self) presentes nos diferentes tecidos o sistema imune adquire auto-tolerância (não responde a si próprio): 1) pela deleção clonal de linfócitos T auto-reativos 2) pela deleção clonal de linfócitos B auto-reativos 3) pela supressão funcional de linfócitos T e B auto-reativos Tolerância - células B e T ● tolerância tímica ● tolerância periférica durante a maturação ocorre o primeiro processo de eliminação de células imaturas potencialmente auto reativas e se completa com os diferentes processos de periféricos de indução de tolerância Tolerância tímica - educação tímica central ● seleção positiva ● seleção negativa ao final teremos células T que não reagem com antígenos próprios reconhecidos no timo não há garantia que essas células não possam reagir com antígenos próprios periféricos - tolerância periférica Etiologia das doenças auto-imunes * etiologia exata não é conhecida ● escape de clones celulares auto-reativos ● reatividade cruzada com antígenos - modificação de antígenos próprios - reatividade cruzada a antígenos exógenos ● desregulação de citocinas e expressão inapropriada de MHC ● função supressora ineficiente Mecanismos responsáveis por diminuição de tolerância - inibição ou superação dos processos de tolerância periférica - mimetismo molecular (ag estranhos muito semelhantes a ag próprios) Inibição ou superação dos processos de tolerância periférica ● alterações da ignorância imunológica (ex: lesão tissular pode provocar a liberação de ag previamente invisíveis ou pode destruir barreiras que limitam o acesso de LT a sítios de privilégio ● apresentação inadequada de autoantígenos ● aparição de novas formas de ag (atividade proteolítica inflamação) Quebra da tolerância devido a reatividade cruzada com antígenos Mimetismo molecular reatividade cruzada entre ag de microrganismo estruturalmente similares aos antígenos próprios quando um peptídeo próprio deixa de ser tolerado a reação inflamatória provoca a aparição de mais autoantígenos = dispersão de epítopos Fatores genéticos na autoimunidade - fenômenos auto imunológicos tendem a se agregar em determinadas famílias - a autoimunidade é geneticamente programada Quebra de tolerância devido a fatores genéticos Fatores desencadeantes fatores ambientais: - infeção - hormônios (artrite reumatoide - prolactina) - fármacos - radiação UV - estresse psicológico - dieta O espectro das doenças auto imunológicas ● doenças órgão-específicas - autoanticorpos específicos para determinado órgão/tecido ● doenças sistêmicas Doenças órgão-específicas dano celular direto por células T ou auto-anticorpos - tireoidite de hashimoto - anemias auto-imunes - síndrome de goodpasture - diabetes tipo I estímulo ou bloqueio de ac - doença de graves - miastenia gravis Doenças sistêmicas auto anticorpos e células T - esclerose múltipla - lúpus eritromatoso - artrite reumatóide SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA AIDS doença causada pela infecção do vírus da imunodeficiência humana (HIV), vírus ataca o sistema imunológico (responsável por defender o organismo de doenças) as células mais atingidas são os linfócitos T CD4+, vírus é capaz de alterar o DNA dessa célula e fazer cópias de si mesmo, depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção Sintomas infecção aguda: incubação HIV (tempo da exposição até surgimento dos primeiros sinais da doença), período varia de 3 a 6 semanas, organismo leva de 30 a 60 dias após a infecção para produzir anticorpos anti-HIV, primeiros sintomas muito parecidos com os de uma gripe (febre, mal estar) assintomático: forte interação entre as células de defesa e as mutações do vírus, mas isso não enfraquece o organismo o suficiente para permitir novas doenças, período pode durar muitos anos sintomática inicial: frequente ataque faz as células de defesa começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas, organismo fica cada vez mais fraco e vulnerável às infecções comuns, é caracterizada pela alta redução do número dos linfócitos T CD4+, sintomas: febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento AIDS: baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas por se aproveitarem da fraqueza do organismo, atinge-se o estágio mais avançado da doença: AIDS, nessa fase pode sofrer hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer HIV x número de LT CD4+ Diagnóstico janela imunológica: mesmo se estiver infectado o resultado pode dar negativo, deve ser repetido o teste após pelo menos 30 dias Tratamento Os medicamentos antirretrovirais (ARV) surgiram na década de 1980 para impedir a multiplicação do HIV no organismo. Esses medicamentos ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. Por isso, o uso regular dos ARV é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas. Pré-natal Durante a gestação e no parto, pode ocorrer a transmissão do HIV para o bebê. O HIV também pode ser transmitido durante a amamentação. Por isso as gestantes, e também suas parceiras sexuais, devem realizar os testes para HIV durante o pré natal e no parto. E se o teste for positivo para o HIV durante a gestação? As gestantes que forem diagnosticadas com HIV durante o pré-natal têm indicação de tratamento com os medicamentos antirretrovirais durante toda a gestação e, se orientado pelo médico, também no parto. O tratamento previne a transmissão vertical do HIV para a criança. O recém-nascido deve receber o medicamento antirretroviral (xarope) e ser acompanhado no serviço de saúde. Recomenda-se também a não amamentação, evitando a transmissão do HIV para a criança por meio do leite materno PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV) A PEP é uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), que consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções. Deve ser utilizada após qualquer situação em que exista risco de contágio, tais como: ✓ Violência sexual. ✓ Relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com rompimento da camisinha). ✓ Acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou contato direto com material biológico). A PEP é uma tecnologia inserida no conjunto de estratégias da Prevenção Combinada, cujo principal objetivo é ampliar as formas de intervenção para atender às necessidades e possibilidades de cada pessoa e evitar novas infecções pelo HIV, hepatites virais e outras IST Como profilaxia para o risco de infecção pelo HIV, a PEP consiste no uso de medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco de infecção em situações de exposição ao vírus. Trata-se de uma urgência médica, que deve ser iniciadao mais rápido possível - preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição e no máximo em até 72 horas. A duração da PEP é de 28 dias e a pessoa deve ser acompanhada pela equipe de saúde Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de risco à infecção pelo HIV consiste no uso preventivo de medicamentos antirretrovirais antes da exposição sexual ao vírus, para reduzir a probabilidade de infecção pelo HIV. O objetivo da PrEP é prevenir a infecção pelo HIV e promover uma vida sexual mais saudável. Como funciona a PrEP? A PrEP é uma combinação de dois medicamentos (tenofovir e entricitabina) em um único comprimido, que impede que o HIV se estabeleça e se espalhe pelo corpo. A PrEP não previne outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e, portanto, deve ser combinada com outras formas de prevenção. Para quem é indicada a PrEP? Os(as) médicos(as) prescrevem a PrEP para populações em situação de maior vulnerabilidade e que tenham práticas de maior risco para infecção pelo HIV, como: ✓ Gays e homens que fazem sexo com homens; ✓ Travestis e transexuais; ✓ Trabalhadores(as) do sexo; ✓ Casais sorodiferentes que, por repetidas vezes, têm relações sexuais (anais ou vaginais) sem usar camisinha ou que têm usado a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) repetidamente, ou que apresentem infecções sexualmente transmissíveis (IST). Elisa Ensaio imunoenzimático O enzyme-linked immunosorbent assay (ELISA) é um ensaio imunoenzimático comumente utilizado para quantificar anticorpos ou antígenos em amostras biológicas como soro, plasma ou tecidos e células. Nesse método, uma enzima é ligada a um anticorpo específico que reconhece um antígeno alvo. Caso ocorra esse reconhecimento, a enzima irá reagir com um substrato incolor para produzir um produto colorido. Se o antígeno estiver presente, o complexo anticorpo-enzima irá ligar-se a ele e a enzima catalisa a reação. Então, a presença de produto colorido indica a presença de antígeno. Um teste positivo é visível ao olho nu, sendo que a cor, geralmente, é amarelo ou azul. Mas o resultado não é liberado apenas no “olhômetro”. É necessário quantificar o resultado, e por isso existem os leitores de ELISA. Cada tipo de exame tem um protocolo de cálculo diferente. Geralmente, toda vez que se abre um novo kit, é necessário fazer uma curva de calibração com todos padrões que vêm juntos. O aparelho pode liberar o resultado já pronto ou, dependendo do exame, ele irá liberar apenas o valor da absorbância e o biomédico terá que fazer os cálculos manualmente