Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Poder Executivo e Legislativo
A organização dos Poderes Legislativo e Executivo e sua importância na perpetuidade da democracia
brasileira.
Prof. Thiago Aleluia Ferreira de Oliveira
1. Itens iniciais
Propósito
O estudo da organização dos Poderes Legislativo e Executivo é um dos temas mais fascinantes da teoria
constitucional, uma vez que mescla conceitos como a teoria tripartite de Montesquieu, mecanismos de freios
e contrapesos, democracia e direitos fundamentais, os quais são pilares para a manutenção de um Estado
democrático de direito.
Preparação
Antes de iniciar este conteúdo, tenha à mão a Constituição Federal para entender os termos específicos da
área.
Objetivos
Listar as Teorias do Poder e a Divisão das Funções Estatais.
Identificar as atribuições, a estrutura, o funcionamento do Poder Legislativo e seus mecanismos de
controle.
Reconhecer os sistemas de governo, os processos e as classificações conceituais em torno do Poder
Executivo.
Introdução
A palavra “poder” vem do latim potere, que se relaciona a termos que exprimem força, controle, autoridade,
dispondo, ao longo de séculos, de várias interpretações, conforme o cenário histórico, político e social de
cada época. Dentre os conceitos, destaca-se o de poder político, sendo uma preocupação permanente dos
seres humanos o controle de seu exercício abusivo. 
A importância da limitação do poder político tem sido objeto de estudo durante a história por grandes
sociólogos, filósofos e jurisconsultos, com destaque a Aristóteles, Locke, e Montesquieu, culminando no
clássico modelo tripartite, bastante difundido nas democracias ocidentais, a partir das revoluções americana e
francesa, e consagrado, na Constituição Federal de 1988, como princípio fundamental, considerado como
cláusula pétrea. 
O modelo tripartite atual consiste em atribuir a três órgãos independentes e harmônicos entre si as funções
Legislativa, Executiva e Judiciária, com função típica e atípica, materializando a fórmula dos "freios e
contrapesos" (check and balances), como garantia da perpetuação do Estado democrático de direito.
Nesse contexto, os Poderes Legislativo e Executivo exercem um importante papel na consolidação da jovem
democracia brasileira. Assim, resta-se fundamental o estudo das atribuições, estrutura e funcionamento
desses Poderes, bem como as prerrogativas dos seus titulares, que lhes asseguram liberdade para
promoverem a satisfação do bem comum. 
• 
• 
• 
1. O Poder e a Divisão das Funções Estatais
Teoria do Poder e Divisão das Funções Estatais
O que é poder?
O vocábulo poder (potere) relaciona-se à capacidade de fazer algo, à faculdade de exercer a autoridade, de
impor a vontade. Etimologicamente, é um termo que sempre remete à:
Força;
Persuasão;
Controle;
Regulação.
O Direito, a Sociologia e a Filosofia tem discutido, ao longo de séculos, modos e teorias sobre o poder,
apresentando diferentes definições, conforme o cenário histórico, político e social de cada época.
O poder constitui uma força que intervém nas relações sociais desde o início da sociedade humana.
É algo tão natural e necessário que não se pode compreendê-la sem que essa esteja sustentada
sobre as bases da obediência civil e do poder.
Veja a seguir, o que Max Weber, Karl Marx, Pierre Bourdieu e Norberto Bobbio pensam sobre poder:
MAX WEBER (2009, P.33)
Sociólogo alemão, para ele, o poder consiste na imposição da vontade de
uma pessoa ou instituição sobre os indivíduos. Essa imposição é direta e
deliberada e pode ter aceitação como força de ordem ou não. Quando as
pessoas que são sujeitas ao poder de alguém aceitam a ordem, existe
uma transição de forças da esfera do poder para a esfera da dominação,
isto é, a pessoa que aceita a imposição de ordem se subjuga à
autoridade da outra.
KARL MARX (2010, P.16)
Filósofo e economista, para ele o poder assenta naquele que tem os
meios materiais de produção de capital, o que, em sua época, consistiam
nas fábricas e nas terras. Através da posse dos meios de produção, o
proprietário sujeita seus empregados ao seu poder.
• 
• 
• 
• 
PIERRE BOURDIEU (2004, P.349)
Por sua vez, o sociólogo francês Pierre Bourdieu (2004, p.349) entende o
poder dentro de uma esfera social e coletiva circundada pelo que
chamou de habitus, o qual é um conjunto de valores, normas, regras,
gostos e elementos culturais, como religião, arte etc., que influenciam a
sociedade e possui a capacidade de unir e de separar indivíduos.
NORBERTO BOBBIO (1999, P.11)
O jurista classificou o poder em três formas:
Poder econômico: Desempenhado por quem tem posse dos bens
materiais e da riqueza.
Poder ideológico: Empreendido por aquele que possui a
capacidade de criar ideias e ideologias e, assim, influenciar os
outros.
Poder político: Poder oficial que controla o Estado e ostenta o
direito de uso da força física contra os membros de uma
comunidade política. O poder político é legítimo, desde que
procure atingir os fins de uma comunidade política.
Sem dúvida, o campo em que o poder ganha seu papel mais crucial é o da política. É esse modelo que será
estudado no próximo tópico, o qual compete coordenar e impor regras e limites em função dos fins
pretendidos pelo Estado, fundamentando-se em sua soberania. Em outras palavras, o Estado é a
institucionalização do poder político para satisfação do bem comum.
Aristóteles e Locke: bases teóricas da separação dos Poderes
O controle da potencial utilização abusiva e
autoritária do poder político desempenhado
pelo Estado tem sido uma preocupação
permanente dos seres humanos. Desde a
antiguidade, surgem inúmeras teorias com o
propósito de limitar os poderes, como garantia
de proteção de direitos e liberdades das
pessoas contra o arbítrio estatal.
A origem da teoria da separação dos Poderes
encontra-se em Aristóteles (1991, p. 93). Na
sua obra, A Política, o pensador compreendia
que o poder soberano se manifestava através de três funções distintas:
1. 
2. 
3. 
L´etat c´est moi (O Estado sou eu)
Função deliberativa
Editar normas gerais de observância para
todos.
Função executiva
Aplicar essas normas ao caso concreto.
Função julgadora
Resolver os conflitos advindos da execução das
aludidas normas.
Observa-se que tais funções, apesar de diferentes, ainda se concentravam, para o pensador, na figura de uma
única pessoa, o soberano. 
Aristóteles já profetizava a necessidade de
novas mudanças e aperfeiçoamentos na arte
de se fazer política e governo. Contudo, ele não
cuidou da funcionalidade dessa separação, isto
é, não formulou a independência entre Poderes,
o que só fora feito posteriormente por
Montesquieu.
 
A famosa frase de Luís XIV traduz claramente o
poder ilimitado que se encontrava nas mãos
dos monarcas à época.
Locke (1994, p. 171), pensador inglês, influenciado pelos
importantes eventos ocorridos nas revoluções do século
XVII, também cuidou da evolução da teoria, através da obra 
Segundo Tratado do Governo Civil, publicada em 1690,
delineando de forma mais precisa, a ideia em torno de uma
demarcação sobre os Poderes do Estado.
Na sua ótica, não existia poder deliberativo, mas sim Poder
Legislativo, o qual tinha a incumbência de editar leis, as
quais não poderiam ser feitas em benefício próprio nem
com intervenção da propriedade. 
Incluía também, dentro das funções do legislativo, a de resolver os conflitos, como julgador. Mencionava ainda
a presença do Poder Executivo, o qual aplicava a força pública para fazer cumprir as normas, e o Poder
Federativo, que mirava as relações com outros Estados, especialmente, por meio de alianças. 
Segundo esse teórico, esses últimos Poderes, embora distintos, não poderiam ser divididos, uma vez que uma
possível separação constituiria uma perigosa fonte de conflitos, por ambos utilizarem a força armada. O
pensador ainda reconhece o poder da prerrogativa como sendo uma das funções também do Poder
Executivo, o qual o incumbiria de decidir como atuar nos casos de omissões legislativas ou em situações
extraordinárias.
Por fim, para Locke, o legislativode Oliveira encerra o conteúdo trazendo suas considerações
sobre os principais tópicos a respeito do poder lesgilativo e executivo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Para saber mais sobre como o STF vem apreciando a imunidade parlamentar, confira uma compilação sobre o
tema em: A Constituição e o Supremo. Portal do STF.
Referências
ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
 
BARCELLOS, A. P. de. Curso de direito constitucional. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
 
BARROSO, L. R. O novo direito constitucional brasileiro: contribuições para a construção teórica e prática da
jurisdição constitucional no Brasil. Belo Horizonte: Fórum, 2012.
 
BOBBIO, N. Intelectuais e vida política na Itália. In: BASTOS, E. R.; RÊGO, W. D. L. (Org.). Intelectuais e política: a
moralidade do compromisso. São Paulo: Olho d’água, 1999.
 
BOURDIEU, P. Estrutura, habitus e prática. In: MICELI, Sérgio (Org.). A economia das trocas simbólicas. São
Paulo: Perspectiva, 2004.
 
LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil e outros escritos. Petrópolis: Vozes, 1994.
 
MARX, K. O capital: crítica da economia política. Livro I. 27. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.
 
MASSON, N. Manual de Direito Constitucional. 5. ed. Bahia: Juspodivm, 2017.
 
MONTESQUIEU. O espírito das leis. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
 
MORAES, A. de. Direito Constitucional. 33. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
 
SILVA, J. A. da. Curso de direito constitucional positivo. 37. ed. São Paulo: Malheiros, 2014.
 
WEBER, M. Economia e Sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Tradução de Regis Barbosa e
Karen Elsabe Barbosa. 4. ed. São Paulo: UNB, 2004.
	Poder Executivo e Legislativo
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. O Poder e a Divisão das Funções Estatais
	Teoria do Poder e Divisão das Funções Estatais
	O que é poder?
	MAX WEBER (2009, P.33)
	KARL MARX (2010, P.16)
	PIERRE BOURDIEU (2004, P.349)
	NORBERTO BOBBIO (1999, P.11)
	Aristóteles e Locke: bases teóricas da separação dos Poderes
	Função deliberativa
	Função executiva
	Função julgadora
	Montesquieu: a consolidação da tripartição de Poderes
	Poder Legislativo
	Poder Judiciário
	Poder Executivo
	Resumindo
	Separação dos poderes
	Conteúdo interativo
	Divisão das funções estatais na Constituição Federal de 1988
	Funções típicas do Poder Legislativo
	Funções atípicas do Poder Legislativo
	Funções típicas do Poder Executivo
	Funções atípicas do Poder Executivo
	Função típica do Poder Judiciário
	Funções atípicas do Poder Executivo
	Verificando o aprendizado
	2. O Poder Legislativo e seus mecanismos de controle
	Poder Legislativo
	Estrutura e composição
	Câmara dos Deputados
	Senado Federal
	Poder Legislativo nos Estados e Distrito Federal
	Saiba mais
	Poder Legislativo nos municípios
	Atenção
	Funcionamento e atribuições da Câmara dos Deputados e Senado Federal
	Atenção
	Atribuições da Câmara dos Deputados
	1
	2
	3
	4
	5
	Atribuições do Senado Federal
	1
	2
	3
	4
	5
	6
	7
	8
	9
	10
	11
	12
	Comissões
	Comissões Temporárias
	Comissões Permanentes
	Comissões Mistas
	Comissão Representativa do Congresso Nacional
	Comissões Parlamentares de Inquérito
	Atenção
	Realizar atos de natureza cautelar
	Determinar a interceptação telefônica
	Determinar busca e apreensão de documentos com violação domiciliar
	Decretar a prisão do investigado
	Fala, mestre!
	Conteúdo interativo
	Imunidades
	Imunidades parlamentares
	Conteúdo interativo
	Imunidade material (Freedom of Speech)
	Saiba mais
	Imunidade formal (Freedom from arrest)
	Imunidade em relação à prisão
	Atenção
	Imunidade em relação ao processo
	Comentário
	Prerrogativa de função
	Imunidades dos deputados estaduais, distritais e vereadores
	Obrigação de testemunhar e Forças Armadas
	Perda do mandato
	HIPÓTESES DE CASSAÇÃO (ART. 55, I, II E VI)
	HIPÓTESES DE EXTINÇÃO (ART. 55, III, IV E V)
	Atenção
	Fala, mestre!
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Os sistemas de governo, os processos e as classificações conceituais
	Poder Executivo
	Sistemas de governo: Presidencialismo e Parlamentarismo
	Sistema Presidencialista
	Sistema Parlamentarista
	Eleição e mandato do presidente da República
	Atenção
	Impedimento e vacância
	1
	2
	3
	Atenção
	Atribuições do chefe do Poder Executivo Federal
	Chefia de Estado
	Chefia de Governo
	Chefia da Administração Federal
	Imunidades e prerrogativa de foro do presidente da República
	Em relação ao processo
	Em relação à prisão
	Responsabilização do presidente da República: crimes de responsabilidade e crimes comuns
	Responsabilidade do chefe do executivo
	Conteúdo interativo
	Propositura
	Juízo de Admissibilidade
	Processamento
	Julgamento
	Atenção
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasera o poder supremo, de forma que os demais Poderes dele
derivam e a ele estão subordinados.
Ao identificarem as três funções distintas desempenhadas pelo Estado, Aristóteles e Locke apresentaram um
grande contributo para o pensamento político, construindo as bases teóricas da chamada separação de
Poderes.
Montesquieu: a consolidação da tripartição de Poderes
É com Montesquieu, na consagrada obra, 
Espírito das Leis, no século XVIII, que
efetivamente inaugura a doutrina da separação
dos Poderes, marcada pela ideia de uma
divisão funcional do Poder em prol da liberdade
e segurança individuais, contrapondo-se ao
absolutismo.
 
Em sua teoria, identifica-se, não só a existência
das três funções estatais, mas sua autonomia e
independência entre si. Cada função
corresponderia a um órgão, não mais se
concentrando nas mãos únicas do soberano
(MONTESQUIEU, 2000, p. 168).
Na estrutura de sua teoria da separação dos Poderes, haveria divisão em três esferas, quais sejam: 
Poder Legislativo
Tem a função de fazer as leis.
Poder Judiciário
Fica com a aplicação das leis e resoluções
geradas pelo segundo.
Poder Executivo
Tem a prerrogativa de julgar as demandas e os
conflitos entre particulares.
Para Montesquieu, todo aquele que se encontra nesses Poderes tende a deles abusar.
O exercício dessas três funções precisa ser confiado a órgãos e pessoas diferentes, para que cada Poder freie
o outro, impedindo, assim, a arbitrariedade. É a fórmula dos “freios e contrapesos” (check and balances),
segundo a qual a cada poder, além de sua função típica, caberia uma função atípica de controle do outro. 
Nota-se ainda que Montesquieu insere, entre os Poderes, o de julgar, o que não fazia Locke. Mas o faz
reconhecendo, neste poder, nulidade, uma vez que não se tem como atribuir permanentemente a função de
julgar a qualquer pessoa.
Resumindo
Montesquieu idealizou a construção de modelo de separação de Poderes que garantisse a moderação
no exercício do poder político, evitando sua utilização abusiva e, principalmente, assegurando a
liberdade e os direitos dos indivíduos. 
Atualmente, há uma crítica nessa divisão tripartite de Poderes de Montesquieu, visto que o Poder é uno e
indivisível, porém, quem o detém é o Estado, e não os Órgãos que executam as diferentes funções. Em última
análise, seu titular é o povo que o delega por contrato a um governo em troca de segurança e de
sobrevivência de sua espécie. 
Apesar disso, é inegável a importância da teoria de Montesquieu para o desenvolvimento de diversos
movimentos, como as revoluções americana e francesa, constituindo ainda hoje a base da organização do
governo nas democracias ocidentais, inclusive, a brasileira, tema do próximo tópico
Separação dos poderes
No vídeo, o professor aborda o que é a Teoria da Separação dos Poderes, suas bases e tratar de como é a
incidência da divisão de funções e Poderes estatais no Brasil.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Divisão das funções estatais na Constituição Federal de 1988
A Constituição Federal de 1988, objetivando,
especialmente, evitar o abuso e o desrespeito
aos direitos fundamentais do homem,
contemplou a existência dos Poderes do Estado
como independentes e harmônicos entre si,
repartindo entre eles as funções estatais e
dispondo prerrogativas e imunidades para que
bem pudessem desempenhá-las, bem como
criando instrumentos de controles recíprocos,
como garantia da manutenção do Estado
democrático de direito.
Assim, foram atribuídas as funções estatais de
soberania aos três tradicionais Poderes de
Estado: Legislativo, Executivo e Judiciário. Resgatando a ideia da tripartição de poderes de Montesquieu, o
art. 2º da Carta da República dispõe que: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. 
Além disso, no Brasil, a separação de Poderes é cláusula pétrea prevista no art. 60, § 4º, III, da CF/
88, logo, não pode ser objeto de emenda tendente a abolir essa garantia.
As atribuições asseguradas não poderão ser delegadas de um Poder (órgão) a outro. É o princípio da
indelegabilidade de atribuições. Um órgão só poderá desempenhar as funções de outro, ou da natureza típica
de outro, quando tiver expressa previsão e, diretamente, quando existir delegação pelo poder constituinte
originário, como ocorre, por exemplo, com as leis delegadas do art. 68 da CF/88, cuja atribuição é transmitida
do Legislativo ao Executivo. 
Cada Poder, além do exercício de funções típicas, inerentes à sua natureza, exercem outras denominadas de
funções atípicas, as quais são próprias de outros Poderes. Essa repartição de tarefas é feita de maneira
equilibrada, impedindo que um Poder avance sobre as atribuições dos demais e exceda os limites fixados pela
Constituição sem que haja contenção. Existe, assim, um controle recíproco entre os diferentes Poderes,
materializado no sistema de freios e contrapesos. Veja a seguir:
Funções típicas do Poder Legislativo
Função legislativa: Integra todas as espécies normativas previstas no art. 59 da CF/88, à exceção das
medidas provisórias e das delegadas.
Função fiscalizadora: Atuando no campo da fiscalização das atividades dos outros Poderes,
sobretudo do Executivo, seja mediante as Comissões Parlamentares de Inquérito – CPIs – seja pela
fiscalização contábil, financeira, orçamentária e patrimonial prevista no arts. 70 a 75 da CF/88,
auxiliando o Tribunal de Contas da União.
Função de fiscal da constitucionalidade dos atos normativos: Desempenhada pelo Senado Federal
quando suspende a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional em decisão
definitiva do Supremo Tribunal Federal (art. 52, X, da CF/88).
Funções atípicas do Poder Legislativo
Função administrativa: Desempenhada pelo Legislativo ao dispor acerca de sua organização, polícia,
provendo cargos e serviços, concedendo férias aos seus servidores etc. (art. 51, IV e art. 52, XIII, da
CF/88).
Função de julgar: A ser exercida pelo Senado Federal, nos crimes de responsabilidade, o presidente
da República e o vice-presidente da República, além dos ministros de Estado em crimes conexos, o
ministro do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional do Ministério Público e do
Conselho Nacional de Justiça, o advogado-geral da União e o Procurador Geral da República (art. 52,
I e II, da CF/88).
Funções típicas do Poder Executivo
Função de chefe de Governo: Refere-se à representação interna e à gerência dos negócios internos,
tanto de natureza política (participação no processo legislativo), como de natureza
predominantemente administrativa, além de desempenhar a liderança da política nacional. Nessa
função, nomeia e exonera ministros; sanciona, veta promulga e faz publicar as leis; decreta estado de
defesa, estado de sítio e intervenção federal, dentre outros. (A título de exemplo: art. 84, I, III, IV, V, IX,
XXIII e XXIV).
Função de chefe de Estado: Engloba o papel de representar o país nas relações internacionais,
mantendo relações com Estados estrangeiros e acreditando seus diplomatas; celebrando tratados,
convenções; exercendo o comando supremo das forças armadas; celebrando a paz e declarando
guerra no caso de agressão estrangeira, dentre outros. (A título de exemplo: art. 84, VII, VIII, XIX, XXI e
XXII da CF/88).
Função de chefe da Administração: Corresponde à gerência dos atos internos de cunho
administrativo. Exerce ainda, com o auxílio dos ministros de Estado, a direção superior da
administração federal. Mediante decreto, pode dispor sobre organização e funcionamento da
administração pública, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos
públicos. Nessa função, provê e extingue cargos públicos na forma da lei. (A título de exemplo: art.
84, II, VI e XXV, da CF/88).
Funções atípicas do Poder Executivo
Função legislativa: Ao editar medidas provisórias e as leis delegadas (arts. 62 e 68 da CF/88).
Função de julgar: Quando decide contencioso administrativo.
O Poder Judiciário, ao ladodo Legislativo e Executivo, compõe o clássico princípio da tripartição de
Poderes.
Função típica do Poder Judiciário
É a judicial, caracterizada por aplicar o direito aos casos concretos, de modo imparcial, através de
processo, substituindo a vontade das partes na resolução de conflitos. Nessa função, o Judiciário
ainda protege os direitos fundamentais e defende a normatividade da constituição.
Funções atípicas do Poder Executivo
Função administrativa: Quando o Judiciário concede férias, licenças aos seus membros e
serventuários ou ainda quando procede ao provimento de cargos dos juízes. É o denominado
autogoverno dos tribunais. Nessa função, o próprio poder judiciário exerce seus órgãos diretivos. (ex.:
art. 96, I, “f” e “c”, da CF/88).
Função legislativa: Exercida pelo Judiciário, ao criar seus regimentos internos, disciplinando acerca da
competência e o funcionamento de seus órgãos jurisdicionais e administrativos (ex.: art. 96, I, “a”, da
CF/88).
Feita essa introdução sobre as funções típicas e atípicas, cabe agora examinar a organização concreta dos
Poderes e de suas competências – iniciando pelo Poder Legislativo – à luz da Constituição de 1988.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Em sua obra O Espírito das Leis, Montesquieu aborda um princípio que se encontra expresso na Constituição
de 1988 e tem natureza de cláusula pétrea:
A
Soberania popular.
B
Autonomia dos estados da Federação.
C
Autonomia do Poder Judiciário.
D
Separação dos Poderes.
E
Federação.
A alternativa D está correta.
O autor francófano fora pioneiro na doutrina ao defender a separação dos Poderes, juntamente com o
sistema de freios e contrapesos no controle recíproco entre esses. E, assim, previu o constituinte brasileiro,
estabelecendo tal separação como sendo cláusula pétrea. Vejamos:
"Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
III - a separação dos Poderes."
Questão 2
Em relação à organização dos Poderes e do sistema de freios e contrapesos no Direito Constitucional
brasileiro, assinale a alternativa correta:
A
Utilizada em inúmeros países, entre eles o Brasil, a ideia de tripartição dos Poderes do Estado em segmentos
distintos e autônomos entre si, Legislativo, Executivo e Judiciário, foi instituída por Aristóteles.
B
A Constituição Federal adotou o princípio da indelegabilidade de atribuições de maneira absoluta, não
havendo nenhuma exceção a essa regra.
C
A elaboração de medidas provisórias pelo presidente da República constitui função atípica do Poder
Executivo.
D
As funções atípicas permitem que o Poder Legislativo fiscalize o Poder Executivo.
E
A edição de leis delegadas integra o rol de funções típicas do presidente da República.
A alternativa C está correta.
Aristóteles, apesar de identificar as distintas funções do estado, não cuidou da funcionalidade dessa
separação, concentrando-as ainda na figura de uma única pessoa, o soberano; o princípio da
indelegabilidade de atribuições é regra, mas há exceções como as funções atípicas conferidas a cada
Poder; é função típica do Legislativo fiscalizar o Poder Executivo, sendo função atípica desse último poder
a edição de medidas provisórias e leis delegadas.
2. O Poder Legislativo e seus mecanismos de controle
Poder Legislativo
Estrutura e composição
Estruturalmente, o Poder Legislativo da União é um órgão bicameral, composto por duas casas legislativas, —
a Câmara dos Deputados, que representa o povo, nos termos do art. 45 da CF/88 — e o Senado Federal,
representando a vontade dos estados e Distrito Federal, a teor do art. 46 da CF/88, sem haver primazia de
uma casa sobre a outra. A junção dessas duas casas forma o que se denomina de Congresso Nacional. 
O bicameralismo federativo originou-se nos Estados Unidos, e se baseia na ideia de divisão entre os
representantes do povo e dos estados, com o objetivo de evitar à época, que, nas colônias mais populosas,
fosse concentrado o Poder Legislativo da federação em detrimento dos estados menores. Por isso, há uma
forte ligação entre federação, Senado Federal e Poder Legislativo.
Câmara dos Deputados
É formada por 513 deputados eleitos pelo
sistema proporcional, nos estados, nos
territórios federais e no Distrito Federal, cujo
mandato é de quatro anos. O número de
deputados irá variar conforme a população de
cada unidade federativa, contudo, não será
inferior a oito, nem superior a 70.
O deputado federal deve ser brasileiro (nato ou
naturalizado), maior de 21 anos e estar em
pleno exercício dos direitos políticos.
É importante lembrar que, atualmente, não
existem territórios, mas, como é possível sua criação mediante lei complementar (art. 18 da CF/88), se
existirem, poderão eleger quatro deputados. 
Senado Federal
O Senado Federal é composto de 81 senadores, sendo que
cada estado e o Distrito Federal possuem o número fixo de
três senadores e dois suplentes, os quais serão renovados
parcialmente a cada quatro anos na proporção de 1/3 e 2/3,
resultando em um mandato total de oito anos.
Os senadores são eleitos pelo sistema majoritário simples,
que determina a vitória de quem recebeu o maior número de
votos na eleição. Cada senador deve ser brasileiro (nato ou
naturalizado), maior de 35 anos e estar no gozo pleno dos
direitos políticos.
Os territórios federativos e municípios não possuem representantes no Senado.
Poder Legislativo nos Estados e Distrito Federal
Nos Estados, diferentemente do que ocorre na União, o Poder Legislativo é unicameral, pois é formado por
apenas uma casa, que é a Assembleia Legislativa, conforme previsão do art. 27 da CF/88. No Distrito Federal
(DF), o Poder Legislativo também é unicameral. O órgão legislativo do DF é chamado de Câmara Legislativa,
conforme prevê o art. 32 da CF/88. 
O número de deputados desses órgãos equivale ao triplo da representação do Estado na Câmara dos
Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os deputados
federais acima de doze.
Saiba mais
Será de quatro anos o mandato dos deputados estaduais e distritais, aplicando-lhe as regras da
Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato,
licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas. 
Poder Legislativo nos municípios
Seguindo essa linha, nos municípios, o Poder Legislativo repete o modelo unicameral, cuja representação é
feita pela Câmara Municipal ou Câmara de Vereadores. 
Atenção
O número de vereadores será fixado conforme o número de habitantes de cada município, até os limites
máximos prescritos no art. 29, IV, nos termos da redação dada pela EC n. 58/2009. 
Funcionamento e atribuições da Câmara dos Deputados e Senado Federal
Conforme o art. 57 da CF/88, o Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, de 2 de fevereiro a 17 de julho e
de 1º de agosto a 22 de dezembro. Esse período anual é denominado de sessão legislativa. 
Já a legislatura corresponde ao período de 4 anos de funcionamento do Poder Legislativo, nos termos do art.
44 da CF/88. Assim, a legislatura é composta de quatro sessões legislativas ordinárias. 
Nos períodos de 18 a 31 de julho e 23 de dezembro a 1º de fevereiro, há o recesso parlamentar, quando
poderá ocorrer a convocação extraordinária do Congresso Nacional, a teor do art. 57, §6º, da CF/88. Nesse
chamamento, o Congresso apenas poderá deliberar sobre a matéria para a qual foi convocado, salvo se
houver medidas provisórias em vigor, que serão automaticamente incluídas na pauta da convocação. 
Dentre os assuntos da sessão extraordinária,
destacam-se a intervenção federal, estado de
defesa, de pedido de autorização para estado
de sítio e para o compromisso e a posse do
presidente e do vice-presidente da República.
Na hipótese de urgência ou de interesse
público relevante, ainda é possível que o
presidente da República, os presidentes da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal e
ainda, a requerimento da maioria dos membros
de ambas as Casas, asessão seja convocada
(art. 57, § 8º da CRFB/88).
Em razão da Emenda Constitucional 50/2006,
não há mais pagamento de parcela indenizatória nas sessões extraordinárias, como se vê no art. 57, § 7º da
CRFB/88. 
As sessões serão regidas consoante aos regimentos (regulação interna) das Casas. O Congresso Nacional
possui três regimentos:
O dele próprio.
O regimento da Câmara.
O do Senado, sendo o primeiro adotado nas hipóteses em que as duas casas se reúnem
conjuntamente.
Em relação aos órgãos diretivos, a mesa do Congresso nacional, na forma do art. 57, § 5º da CF/88, será
presidida pelo presidente do Senado Federal (que também preside a mesa do Senado Federal), e os demais
cargos serão desempenhados alternadamente pelos ocupantes de cargos assemelhados na Câmara dos
Deputados e no Senado Federal.
Atenção
Vale registrar que cada uma das Casas também tem o seu próprio órgão diretivo, formado por seus
respectivos pares. Tradicionalmente, os regimentos das Casas e do Congresso estabelecem os
seguintes cargos: um presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários e quatro suplentes de
secretários. No total, são sete membros titulares e quatro suplentes. 
Em relação às atribuições, as atividades legislativas do Congresso Nacional estão regidas no art. 48 da CRFB/
88 (em rol não exaustivo), mas exigem a coparticipação do Executivo (mediante a sanção) para a formação
das leis. A atividade deliberante, que dispensa a participação do Poder Executivo, está presente nos arts. 49
da CF/88 (matérias de competência do Congresso Nacional).
Atribuições da Câmara dos Deputados
O art. 51 da CF/88, dispõe sobre a competência privativa da Câmara dos Deputados, reguladas por meio de
Resolução, dispensando sanção e o veto do chefe do Executivo:
• 
• 
• 
1
Autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o presidente e o vice-
presidente da República e os ministros de Estado. Nesse caso, a Casa do povo faz o juízo de
admissibilidade das acusações contra o presidente da República, seja em razão de crime comum ou
de responsabilidade (art. 86 da CF/88).
2
Proceder à tomada de contas do presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso
Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa. Este dispositivo está em
conformidade ao art. 84, XXIV da CF/88 que obriga o presidente da República à prestação de contas.
3
Elaborar seu regimento interno. Cada uma das Casas, dentro da estrutura de sua autonomia, poderá
se auto-organizar, sem intromissão uma da outra, ou de outro âmbito de do poder.
4
Dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos,
empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração,
observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. Essa matéria é também
fruto da autonomia da Casa Legislativa.
5
Eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII da CF/88.
Frise-se que essas matérias acima são reguladas por meio de Resoluções, que dispensam sanção e o veto do
chefe do Executivo. 
Atribuições do Senado Federal
Já os assuntos de competência privativa do Senado encontram-se no art. 52, I a XV da CF/88, as quais, da
mesma forma que a Câmara dos Deputados, dispensam a participação do Poder Executivo, senão vejamos:
1
Processar e julgar o presidente e o vice-presidente da República nos crimes de responsabilidade,
bem como os ministros de Estado e os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos
crimes da mesma natureza conexos com aqueles. Vale notar que os ministros de Estado e
comandantes das Forças Armadas somente serão processados e julgados pelo Senado Federal caso
estejam envolvidos nos mesmos atos praticados pelo presidente da República, pois, caso não haja
conexão, serão julgados pelo STF, nos termos do art. 102, I, c da CF/88.
2
Processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de
Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o procurador-geral da República e o advogado-
geral da União nos crimes de responsabilidade. Esse dispositivo foi inserido pela EC 45/2004.
3
Aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de: i) magistrados, nos casos
estabelecidos na Constituição; ii) ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo presidente
da República; iii) governador de território; iv) presidente e diretores do Banco Central; v) procurador-
geral da República; vi) titulares de outros cargos que a lei determinar. O rol não é taxativo, assim, é
permitida a ampliação acerca da nomeação de outros cargos na esfera federal.
4
Aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de
missão diplomática de caráter permanente. Nota-se que a atribuição é para nomeação de
embaixadores, responsáveis pelas embaixadas. Os demais agentes diplomáticos são nomeados sem
a necessidade desta formalidade.
5
Autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos territórios e dos municípios. Este dispositivo contempla empréstimos, financiamentos,
acordos financeiros, sem necessidade de ouvir o presidente da República.
6
Fixar, por proposta do presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada
da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Dívida consolidada tem o mesmo
fundamento de “dívida fundada”, isto é, o compromisso de exigibilidade que ultrapasse doze meses,
em contraposição às operações de crédito por antecipação da receita, que são de curto prazo.
7
Dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos
estados, do Distrito Federal e dos municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas
pelo Poder Público Federal; dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União
em operações de crédito externo e interno e estabelecer limites globais e condições para o montante
da dívida mobiliária dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Nesses dispositivos, o
legislador conferiu ao Senado Federal a fiscalização das operações financeiras das demais unidades
da federação.
8
Suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva
do Supremo Tribunal Federal.
9
Aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do procurador-geral da
República antes do término de seu mandato. A exoneração de ofício não demanda justificada uma vez
que denota somente da confiança, diante da natureza da função de nomeação.
10
Elaborar seu regimento interno; dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação,
transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para
fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes
orçamentárias. Cada uma das Casas, como já estudado, dentro da estrutura de sua autonomia,
poderá se auto-organizar, sem ingerência uma da outra, ou de outra esfera do poder.
11
Eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII da CRFB/88.
12
Avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus
componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos estados, do Distrito
Federal e dos municípios.
Comissões
As comissões são subconjuntos de parlamentares organizados com o objetivo de tratar de um tema
específico, as quais são constituídas na forma e atribuições dispostas nos regimentos do Congresso Nacional,
da Câmara dos Deputados e do Senado ou no ato que resultar sua instituição. 
Para fins de classificação, há as seguintes comissões:
Comissões Temporárias
Como as Comissões Parlamentares de Inquérito
(art. 58, §3º, da CF/88).
Comissões Permanentes
Aquelas cujo início se dá com o começo de
cada legislatura, como as comissões temáticas
e a deConstituição e Justiça.
Comissões Mistas
Compostas de deputados e senadores, a
exemplo da Comissão Mista para deliberação
das medidas provisórias (art. 62, §9º, da CF/
88).
Comissão Representativa do Congresso
Nacional
Atuará durante os recessos parlamentares, com
atribuições dispostas no regimento (art. 58,
§4º, da CF/88).
Comissões Parlamentares de Inquérito
As Comissões Parlamentares de Inquérito consistem no principal instrumento de fiscalização político-
administrativa a ser desempenhada pelo Poder Legislativo e estão dispostas no art. 58, §3º, da CF/88. 
Para a criação, necessita preencher os seguintes requisitos: 
1. Requerimento de um terço dos membros da Câmara e/ou um terço das assinaturas de senadores; podendo
ser a CPI instaurada em uma das Casas ou nas duas, desde que o requerimento seja subscrito por deputados
e senadores;
 
2. Apuração de fato determinado, isto é, tem que tratar de alguma situação específica; nada impede que os
fatos surgidos durante as investigações que tenham relação com o fato principal também sejam apurados;
 
3. Prazo certo, mas conforme orientação do STF são admissíveis prorrogações sucessivas do prazo
inicialmente fixado para uma CPI, desde que durante o período relativo à legislatura em que se iniciou.
Atenção
São conferidos às Comissões Parlamentares de Inquérito poderes para ampla investigação, bem como
meios de torná-los efetivos, devendo, no entanto, o seu exercício ocorrer com a devida observância aos
direitos e garantias individuais, isto é, respeitando os direitos. 
Tomando como base a Constituição Federal e a jurisprudência do STF, a CPI pode, por autoridade própria, ou
seja, sem a necessidade de qualquer intervenção judicial, desde que haja fundamentação, observadas todas
as formalidades legais:
 
1. Autorizar quebra de sigilo de dados bancário, telefônico e fiscal dos indiciados. Nesse ponto, é importante o
“sigilo das comunicações telefônicas” e o sigilo dos dados telefônicos. O primeiro refere-se à captação e
gravação de conversas telefônicas de um indivíduo (conhecida como interceptação telefônica ou “grampo”, a
qual depende de ordem judicial). Já a quebra do sigilo de dados telefônicos constitui o acesso ao histórico de
chamadas, data, horário, duração, enfim, ao extrato impresso da conta telefônica de um indivíduo, o qual pode
ser quebrado pela CPI.
 
2. Requisitar aos órgãos públicos documentos e informações necessárias para a investigação.
3. Ouvir testemunhas, sob pena de condução coercitiva. As testemunhas prestarão compromisso de dizer a
verdade, sob pena de falso testemunho. A elas é também garantida a prerrogativa contra a autoincriminação,
garantindo-se o direito ao silêncio, ou quando deva guardar sigilo em razão de função, ministério, ofício ou
profissão, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho (arts. 207 do CPP e
art. 388, II, do CPC/2015 — cf. HC 79.598/STF).
 
4. Ouvir investigados ou indiciados. A CPI, contudo, deverá respeitar o direito ao silêncio do investigado ou
indiciado, que poderá deixar de responder às perguntas que possam incriminá-lo (HC 80.584-PA, Rel. Min.
Néri da Silveira, 08.03.2001).
 
5. Convocação de autoridades como ministros de Estado para prestar esclarecimentos, a teor do art. 50 da
CF/88.
Por outro lado, a CPI não possui poderes ilimitados, há temas que estão protegidos pela chamada cláusula de
reserva de jurisdição, isto é, apenas por ordem judicial tais atos podem ser determinados. Desse modo, a CPI
não pode:
 Realizar atos de natureza cautelar
Como exemplos, podem ser citados: arresto,
sequestro, proibição de se ausentar da comarca
ou do país, indisponibilidade de bens; ambos
necessitam de ordem judicial.
Determinar a interceptação telefônica
Os “grampos” apenas podem ser autorizados
por ordem judicial, a teor do art. 5º, XII, da CF/
88.
Determinar busca e apreensão de
documentos com violação domiciliar
Somente a autoridade judicial poderá
determinar a violação de um domicílio (desde
que durante o dia), sendo essa, outro caso de
matéria sujeita à reserva do Poder Judiciário.
Decretar a prisão do investigado
Salvo no caso de flagrante delito, no entanto,
não tem autoridade para determinar prisão
definitiva ou provisória (temporária, preventiva).
Vale ainda registar que as CPIs não têm atribuição para investigar fatos de competência dos estados, Distrito
Federal e dos municípios, tendo em vista o princípio federativo, devendo tais fatos serem investigados por
CPIs estaduais, distrital ou municipais. 
Eventuais abusos ou ilegalidades realizadas por essas comissões poderão ensejar demanda no Supremo
Tribunal, nos termos do art. 102, I, “i”, da CF/88.
Fala, mestre!
A maior parte dos assuntos na Câmara dos Deputados é resolvida por meio das comissões, que são
subgrupos temáticos dos 513 deputados. Cada comissão foca em áreas específicas, como cultura, educação
ou direitos da pessoa com deficiência. Muitos projetos de lei são votados e decididos dentro dessas
comissões, sem a necessidade de irem ao plenário. Dependendo do tema, um projeto pode passar por várias
comissões antes de seguir para o Senado, onde também pode ser votado por comissões. Apesar de alguns
projetos ainda poderem ser apreciados pelo plenário, a maior parte das decisões acontece nas comissões.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Imunidades
Imunidades parlamentares
Após assistir ao vídeo, você será capaz de definir as imunidades, seu papel na divisão dos Poderes, tratar das
espécies de imunidades e seus limites. Veja!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
As imunidades parlamentares são prerrogativas conferidas aos congressistas pela Constituição,
asseguradoras do exercício do mandato com plena liberdade. Constituem verdadeiros instrumentos de
independência do Poder Legislativo e de garantia da democracia. 
Tais prerrogativas não são privilégios nem violam o princípio de igualdade, pois não são concedidas em
virtude da pessoa do parlamentar, mas em razão da importante função por ele exercida. 
Tanto é que subsistem durante o estado de defesa e o estado de sítio, somente podendo ser suspensas, no
último caso, pelo voto de dois terços dos membros da Casa respectiva e para atos incompatíveis com a
execução daquela medida (art. 53, §8º, CF/88).
As imunidades podem ser de dois tipos: imunidade material e imunidade formal.
Imunidade material (Freedom of Speech)
Conforme o art. 53 da Constituição Federal dispõe, os deputados e os senadores são invioláveis por suas
opiniões, palavras e votos.
Trata-se da chamada imunidade material, também chamada de inviolabilidade parlamentar, que enseja a
irresponsabilidade civil e penal do parlamentar por suas palavras, opiniões e votos, assegurando que o
congressista desempenhe sua atividade com ampla liberdade de manifestação. Não abrange agressão física.
Saiba mais
O Supremo Tribunal Federal, contudo, tem atribuído um tratamento diferente entre opiniões, palavras e
votos prolatados dentro e fora do recinto parlamentar. Dessa forma, para as manifestações realizadas
fora da Casa Legislativa, a Corte maior tem exigido que sejam realizadas no exercício do mandato ou em
razão dele, ou seja, deve ter relação com o mandato parlamentar. Já aquelas dentro do recinto
parlamentar, estão presumivelmente amparadas pela imunidade, independentemente de qualquer
comprovação de conexão com o mandato. 
Cumpre ter presente que as opiniões ofensivas proferidas por deputados federais e veiculadas por meio da
imprensa, em manifestações que não guardam nenhuma relação com o exercício do mandato, não estão
abarcadas pela imunidade material prevista no art. 53 da CF/88 e são aptas a gerar dano moral. 
Registre-se, ademais, que a imunidade material é de ordem pública, não podendo existir renúncia
pelo parlamentar.
Imunidade formal (Freedom from arrest)
A imunidade formal divide-se em três espécies: 
Imunidade em relação à prisão
Desde a expedição do diploma, os parlamentaresfederais não poderão ser presos, salvo em flagrante delito
de crime inafiançável. Diante disso, os congressistas não poderão sofrer prisão preventiva, temporária, bem
como de natureza civil.
Atenção
No caso da prisão em flagrante, os autos deverão ser remetidos à Casa Parlamentar respectiva no prazo
de 24 horas, para que, pelo voto da maioria absoluta de seus membros, resolva sobre a prisão. Então, a
aprovação pela Casa é condição indispensável para a manutenção da prisão em flagrante delito de crime
inafiançável (prisão processual ou cautelar) já realizada. 
Quanto às medidas cautelares, o STF entende ser possível a aplicação delas contra os congressistas. Se
houver restrição direta ou indiretamente do mandato, estas devem ser encaminhadas também à Casa
respectiva para deliberação (ADI 5526/DF, 2017).
É importante afirmar que a votação dos congressistas não mais será secreta, consoante regra
anterior à EC n. 35/2001, e sim pelo voto aberto, implementando-se, por meio dessa nova
sistemática, a transparência que deve sempre imperar nesse tipo de apreciação.
Além disso, é possível a prisão de parlamentares federais em razão da sentença judicial transitada em julgado
(ou seja, quando não mais couberem recursos), o Tribunal entendeu que as penas impostas poderão ser
executadas imediatamente. 
Imunidade em relação ao processo
Atualmente, a partir da Emenda Constitucional 35/2001, para a instauração de processo criminal contra
parlamentares federais, não há mais necessidade de autorização legislativa. 
Desse modo, oferecida a denúncia, o processo contra parlamentares tramita normalmente, podendo a casa a
que pertence o denunciado deliberar sobre a sua sustação. Conforme o texto constitucional, a deliberação
pode ser feita até a decisão final do processo (trânsito em julgado) e deve, obrigatoriamente, ser apreciada no
prazo de 45 (quarenta e cinco) dias a contar do recebimento do pedido pela Mesa Diretora. 
Os legitimados para solicitarem a sustação de ações criminais contra parlamentares são quaisquer partidos
políticos com representação na Casa do denunciado do parlamentar acusado.
Comentário
Cumpre ressaltar que somente há imunidade em relação a processo acerca de crimes praticados, após a
diplomação, porém aqueles praticados anteriormente não gozam de imunidade. 
Prerrogativa de função
De acordo com o art. 53, §1º, da CF/88, os deputados e senadores, desde a diplomação, estão sujeitos a
julgamento, em relação aos processos penais, perante o Supremo Tribunal Federal.
No entanto, na Ação Penal 937, o Supremo
Tribunal Federal, por maioria de votos, decidiu
que o foro por prerrogativa de função atribuído
aos deputados federais e senadores se aplica
somente aos crimes cometidos durante o
exercício do cargo e em razão das funções a
ele relacionadas.
Nesse julgamento, definiu-se ainda que, após o
final da instrução processual pela Corte, com a
publicação do despacho de intimação para
apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar as ações penais não será mais
modificada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer
que seja o motivo, ocorrendo a perpetuação do foro perante o STF.
A prerrogativa, no entanto, não se estende à improbidade administrativa. Atualmente, não há dúvida
de que a competência é do juízo de 1º grau (ADI 2860 e 2797).
Imunidades dos deputados estaduais, distritais e vereadores
Segundo o STF, os deputados estaduais e distritais gozam das mesmas imunidades formais e materiais
previstas para os parlamentares federais no art. 53 da CF/88 (ADI 5823 MC/RN, julgado em 8/5/2019 (Info
939). 
Já para os vereadores, a imunidade material somente é configurada se a manifestação tiver sido praticada in
officio ou propter officium e na circunscrição municipal (art. 29, VIII, da CF/88 e RE 600063/SP, STF, rel. Min.
Barroso). 
Obrigação de testemunhar e Forças Armadas
Os parlamentares federais não serão obrigados a testemunhar acerca de informações recebidas ou prestadas
em razão do exercício do mandato, tampouco sobre pessoas que lhe confiarem ou deles receberam
informações (art.53, §5º, da CF/88). Cuida-se de ato discricionário atribuído ao congressista (não é obrigado a
testemunhar) e não engloba o direito de testemunhar na qualidade de cidadão comum, uma vez que nessa
modalidade é obrigado a testemunhar.
A incorporação às Forças Armadas de deputados e senadores, embora militares e ainda que em
tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva.
Perda do mandato
O art. 55 lista as hipóteses de perda do mandato do parlamentar, dentre os casos, a doutrina distingue as
situações de cassação e extinção do mandato. A cassação refere-se à perda do mandato em razão do
parlamentar ter cometido falta funcional, já a extinção do mandato diz respeito à ocorrência de ato ou fato que
torne automaticamente inexistente o mandato, como morte, renúncia etc. Veja a seguir:
HIPÓTESES DE CASSAÇÃO (ART. 55, I, II E VI)
1) Violação das proibições determinadas no art. 54 da CF/88.
2) Falta de decoro parlamentar (É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos
no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a
percepção de vantagens indevidas, por exemplo.).
3) Condenação transitada em julgado.
Nesses casos, a perda do mandato dependerá da deliberação por maioria absoluta da respectiva
Casa Legislativa, através de voto secreto (art. 55, §2º, da CF/88).
HIPÓTESES DE EXTINÇÃO (ART. 55, III, IV E V)
1) Deixar de comparecer injustificadamente a 1/3 das sessões ordinárias em cada sessão legislativa.
2) Perder ou tiver suspensos os direitos políticos e por decisão da Justiça Eleitoral.
3) Por determinação da Justiça Eleitoral, nos casos previstos na Constituição.
Nessas situações, a perda do mandato independe de votação da Casa, sendo declarada pela Mesa
respectiva de ofício ou por provocação de qualquer dos seus membros ou de partido político
representado no Congresso Nacional (art. 55, §3º, da CF/88).
Em todos os casos, serão assegurados a ampla defesa e o contraditório. 
Atenção
Por fim, registre-se que a renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à
perda do mandato, nos termos deste artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais. 
Fala, mestre!
No vídeo, um deputado federal explica que sua função principal é representar uma determinada parcela da
população no Congresso Nacional. Ele destaca que os deputados são eleitos através do sistema proporcional,
o que significa que tanto os votos individuais quanto os votos para o partido ou coligação são importantes. O
deputado ressalta a necessidade de manter os compromissos feitos durante a campanha e estar atento às
propostas apresentadas aos eleitores, como combate à corrupção, transparência e outras áreas específicas.
Ele também explica que o trabalho de um deputado não se limita ao período de votação no plenário em
Brasília, mas inclui estar em contato constante com a população representada, lideranças políticas e
entidades. Finaliza reforçando a importância de ouvir a sociedade, mas tomando decisões com
responsabilidade, sem terceirizar essa função.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Pedro, deputado federal, após iniciar um debate para defesa de um projeto de lei acabou por agredir a honra
de Carlos, senador da República, ao acusá-lo de fato descrito como crime. Carlos, que, além de político, é
jornalista, acabou por utilizar o espaço do seu programa de tv semanal para ofender a honra de Pedro, com
acusações que, igualmente, não guardam relação com o mandato parlamentar.
 
Com base no caso hipotético e das imunidades parlamentares conforme a jurisprudência do STF, assinale a
opção correta.
A
Não há imunidade material na conduta praticada por Pedro.
B
Não há imunidade material na conduta praticada por Carlos..
C
A imunidade material para o crime não se estende paraa ação de reparação civil.
D
O regime jurídico das imunidades dos parlamentares federais não se estende aos deputados estaduais.
E
A imunidade material engloba agressão física.
A alternativa B está correta.
As manifestações realizadas fora da Casa Legislativa, para que sejam protegidas pela imunidade, exigem
que sejam realizadas no exercício do mandato ou em razão dele, ou seja, deve ter relação com o mandato
parlamentar. Já aquelas dentro do recinto parlamentar, estão presumivelmente amparados pela imunidade,
independentemente de qualquer comprovação de conexão com o mandato, razão pela qual Carlos não tem
imunidade. Não há imunidade em agressão física. Por fim, segundo o STF, os deputados estaduais e
distritais gozam das mesmas imunidades formais e materiais previstas para os parlamentares federais no
art. 53 da CF/88.
Questão 2
(FGV - 2015 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XVII - Primeira Fase). Ocorreu um grande escândalo de
desvio de verbas públicas na Administração Pública Federal, o que ensejou a instauração de uma Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI), requerida pelos deputados federais de oposição. Surpreendentemente, os
oponentes da CPI conseguem que o inexperiente deputado M seja alçado à condição de presidente da
Comissão. Por não possuir formação jurídica e desconhecer o trâmite das atividades parlamentares, o referido
presidente, sem consultar os assessores jurídicos da Casa, toma uma série de iniciativas, expedindo ofícios e
requisitando informações a diversos órgãos. Posteriormente, veio à tona que apenas uma de suas
providências prescindiria de efetivo mandado judicial. Assinale a opção que indica a única providência que o
deputado M poderia ter tomado, prescindindo de ordem judicial.
A
Determinação de prisão preventiva de pessoas por condutas que, embora sem flagrância, configuram crime e
há comprovado risco de que voltem a ser praticada.
B
Autorização, ao setor de inteligência da Polícia Judiciária, para que realize a interceptação das comunicações
telefônicas (“escuta”) de prováveis envolvidos.
C
Quebra de sigilo fiscal dos servidores públicos que, sem aparente motivo, apresentaram público e notório
aumento do seu padrão de consumo.
D
Busca e apreensão de documentos nas residências de sete pessoas supostamente envolvidas no esquema de
desvio de verba.
E
Nenhuma das alternativas.
A alternativa C está correta.
A Comissão Parlamentar de Inquérito poderá: Determinar as diligências, as perícias e os exames que
entenderem necessários, bem como requisitar informações e buscar todos os meios de prova legalmente
admitidos; determinar a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do investigado. Cabe ressaltar que a
quebra do sigilo telefônico não se confunde com as interceptações telefônicas. A quebra do sigilo
telefônico incide sobre os registros telefônicos da pessoa. Além disso, não tem poder de decretar
preventiva nem busca e apreensão, uma vez que são medidas que estão na reserva de jurisdição,
necessitando de ordem judicial.
3. Os sistemas de governo, os processos e as classificações conceituais
Poder Executivo
Sistemas de governo: Presidencialismo e Parlamentarismo
A chefia do Poder Executivo foi confiada pela Constituição Federal ao presidente da República, a quem
compete seu exercício, auxiliado pelos ministros de Estado, compreendendo, ainda, o braço civil da
administração (burocracia) e o militar (Forças Armadas), concentrando na figura de uma única pessoa a chefia
dos negócios do Estado e do Governo.
Poder Executivo constitui órgão constitucional
cuja função precípua é a prática dos atos de
chefia de Estado, de Governo e de
Administração. A acumulação dessas funções
revela que o legislador constituinte adotou o
sistema de governo denominado de
presidencialismo, tema que será tratado a
seguir.
No sistema de governo, há uma preocupação
de como se dá a relação entre os Poderes
Executivo e Legislativo, subdividindo-se em duas espécies:
Sistema Presidencialista
Nesse sistema, há uma maior independência entre o Poder Executivo e o Legislativo.
É característica do presidencialismo o presidente da República acumular as funções de chefe de
Estado (na esfera internacional) e chefe de Governo (na esfera interna), além de ser o chefe da
Administração Pública Federal. Assim, a chefia do Executivo é unipessoal.
Além disso, o governante tem um mandato com prazo certo, sendo que a principal vantagem desse
sistema de governo é a maior legitimidade do chefe do Executivo.
Sistema Parlamentarista
Aqui, há uma colaboração entre o Executivo e o Legislativo. O chefe do Executivo, que é chefe do
Estado, escolhe o primeiro-ministro, o qual exercerá a função de chefe de Governo, permanecendo na
chefia enquanto obtiver a maioria parlamentar, pois depende do apoio do Parlamento. Ao perdê-los,
será destituído do cargo, havendo, por consequência, a necessidade de se construir um novo
governo.
A principal vantagem desse sistema de governo é a propensão da construção de uma relação
harmoniosa entre o Legislativo e o Executivo.
Eleição e mandato do presidente da República
De acordo com o art. 77 da CF/88, a eleição do
presidente e do vice-presidente da República
serão realizadas simultaneamente no primeiro
domingo de outubro, em primeiro turno, e no
último domingo de outubro, em segundo turno
(se houver) do ano anterior ao do término do
mandato presidencial vigente.
 
Para concorrer ao cargo de presidente, o
indivíduo precisa ser brasileiro nato, contar com
idade mínima de 35 anos, ter filiação partidária
e estar em gozo dos direitos políticos (art. 14,
§3º, VI, “a”, da CF/88).
Será considerado eleito presidente o candidato que obtiver a maioria absoluta de votos, não computando os
em branco e os nulos (art. 77, §2º, da CF/88). O presidente e o vice são eleitos pelo sistema eleitoral
majoritário, isto é, ganha quem obtiver a maioria dos votos válidos.
Atenção
Se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, será realizar nova
eleição em até 20 dias (segundo turno), concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-
se eleito aquele que alcançar maioria dos votos válidos. Caso haja empate, vencerá o mais idoso. 
A posse ocorrerá, segundo o art. 78 da CF/88, do presidente e do vice-presidente da República em sessão
solene, prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o
bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.
Impedimento e vacância
Ao vice-presidente compete substituir o presidente nas situações de impedimento (licença, férias etc.) e lhe
suceder na hipótese de morte, renúncia e impeachment, bem como auxiliá-lo sempre que for convocado para
missões especiais, como outras atribuições outorgadas por lei complementar.
Veja a seguir, a diferença entre impedimento e vacância:
Na situação de impedimento do presidente e do vice-presidente ou vacância dos cargos, serão
sucessivamente convocados ao exercício da presidência:
Impedimento 
O impedimento tem natureza temporária,
por exemplo, necessidade de se afastar em
virtude de uma viagem ou tratamento para a
saúde.
Vacância 
Já a vacância é ocasionada por uma
impossibilidade permanente.
1
Presidente da Câmara dos Deputados
2
Presidente do Senado Federal
3
Ministro presidente do Supremo Tribunal
Federal
Registre-se que somente o vice-presidente da República possui legitimidade para suceder o presidente, ou
seja, ocupar esse cargo de forma definitiva, as autoridades acima elencadas deverão assumir o cargo apenas
de maneira provisória. 
Desse modo, ocorrendo de ambos os cargos ficarem abertos temporariamente (presidente está em viagem e
o vice está licenciado para tratamento médico, por exemplo), as autoridades listadas ocuparão o cargo
temporariamente, até que o presidente retome ou o vice esteja liberado para assumir interinamente a vaga. 
Da mesma forma, se ambos os cargos ficarem definitivamente vagos (vacância permanente dos cargos de
presidentee de vice-presidente da República), os residentes da Câmara, do Senado ou do Supremo Tribunal
Federal, somente assumirão a presidência provisoriamente, até que ocorra a nova eleição.
Atenção
Nenhum deles se tornará presidente da República em definitivo, isso porque não foram eleitos para este
fim, assim assumirão o cargo de modo contingencial, para preencher momentaneamente o vácuo de
poder ocorrido pela dupla vacância; constituem, portanto, substitutos eventuais. 
Agora, no caso de ambos os cargos ficarem vagos, a solução é a realização de novas eleições. Há duas regras
sobre esse tema:
Registre-se que, em ambas as situações, os recém-eleitos assumirão o cargo apenas para cumprir o tempo
que restou do mandato de seus antecessores, na forma do art. 81, § 2º da CF/88. Trata-se do que se
denomina de “mandato tampão”. 
Por fim, de acordo com o art. 83 da CF/88, o presidente e o vice-presidente da República não poderão, sem
licença do Congresso Nacional, ausentar-se do país por período superior a quinze dias, sob pena de perda do
cargo. Essa norma é de observância obrigatória no âmbito dos estados e municípios.
Atribuições do chefe do Poder Executivo Federal
Eleição direta 
No prazo de noventa dias de aberta da
última vaga, quando a vacância se der nos
dois primeiros anos do mandato
presidencial.
Eleição indireta 
No prazo de trinta dias de aberta a
última vaga, pelo Congresso Nacional,
quando a vacância se der nos dois
últimos anos do mandato presidencial.
O art. 84 da CRFB/88 traz o quadro exemplificativo de atribuições do chefe do Executivo Federal, as quais
dividimos em três categorias. Tais funções inclusive já objeto de apreciação nesse material, no entanto, vale
listá-las mais uma vez, para fins de aprendizagem no resumo e tabela abaixo:
Chefia de Estado
Art. 84, VII, VIII, XIV, XV, XVI, primeira parte,
XVIII, segunda parte, XIX, XX, XXI, XXII.
Chefia de Governo
Art. 84, I, III, IV, V, IX, X, XI, XII, XIII, XVIII,
primeira parte, XXIII, XXIV e XXVII.
Chefia da Administração Federal
Art. 84, II, VI, XVI, segunda parte, XXIV e XXV.
Veja a seguir, as atribuições do presidente da República:
Chefe de Estado Chefe de Governo Chefe da Administração
Pública
Convocar e presidir o
Conselho de Defesa
Nacional.
Nomear ministros do
STF e dos Tribunais
Superiores, por ser
função de
magistratura
suprema.
Nomear um terço dos
membros do TCU.
Nomear magistrados:
TRF, TRT, TRE,
órgãos de outro
Poder.
Declarar guerra, no
caso de agressão
estrangeira;
Celebrar a paz.
Conferir
condecorações e
distinções
honoríficas.
Permitir que forças
estrangeiras
transitem pelo
território nacional ou
nele permaneçam
temporariamente.
Nomear e exonerar
os ministros de
Estado.
Iniciar o processo
legislativo, na
forma e nos casos
previstos na
Constituição.
Sancionar,
promulgar e fazer
publicar as leis,
bem como expedir
decretos e
regulamentos para
sua fiel execução.
Vetar projetos de
lei, total ou
parcialmente.
Decretar o estado
de defesa e o
estado de sítio.
Decretar e
executar a
intervenção
federal.
Remeter
mensagem e plano
de governo ao
Congresso
Nacional por
ocasião da
abertura da sessão
legislativa.
Conceder indulto e
comutar penas.
Exercer, com o auxílio
dos ministros de
Estado, a direção
superior da
administração federal.
Dispor, mediante
decreto, sobre:
organização e
funcionamento da
administração federal,
quando não implicar
aumento de despesa
nem criação ou extinção
de órgãos públicos.
Extinção de funções ou
cargos públicos, quando
vagos.
Nomear o advogado-
geral da União; prestar,
anualmente, ao
Congresso Nacional, as
contas referentes ao
exercício anterior.
Prover e extinguir os
cargos públicos
federais, na forma da
lei.
Tabela: Esquema de Direito Constitucional
Adaptado de Masson, 2017
Há atribuições do presidente da República que podem ser delegadas aos ministros de Estado, ao PGR e ao
AGU: 
Possibilidade de expedir decretos autônomos sobre: organização e funcionamento da administração
pública, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; e
extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
Conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;
Prover os cargos públicos federais, na forma da lei.
Imunidades e prerrogativa de foro do presidente da República
É importante ressaltar que, diferentemente do Poder Legislativo, a Constituição não atribuiu ao presidente da
República a inviolabilidade quanto às palavras, opiniões (imunidade material). 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
1. 
2. 
3. 
Apesar disso, a Carta da República contempla um conjunto de prerrogativas formais, relativas à prisão, ao
processo e à inibição da responsabilidade penal durante o seu mandato, por atos estranhos à função
presidencial. Passa-se, nesse momento, à análise de cada um isoladamente. 
A imunidade formal do presidente da República pode ser:
Em relação ao processo
Uma vez que o art. 86, caput da CRFB/88 preceitua que compete à Câmara dos Deputados a
realização de juízo de admissibilidade das acusações por crimes comuns e de responsabilidade
contra o presidente da República, cuja aprovação demanda pelo menos 2/3 dos votos favoráveis de
seus membros. Essa imunidade constitui uma blindagem contra o processo, seja criminal ou político
do presidente da República.
Em relação à prisão
O art. 86, § 3º da CRFB/88 prevê que, enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações
comuns, o presidente da República não estará sujeito à prisão. Isto é, o presidente não se submete a
nenhuma prisão processual, somente definitiva.
O art. 86, §4º, da CF/88 dispõe ainda acerca inibição de responsabilidade penal, também chamada de 
imunidade formal “temporária” ou irresponsabilidade penal relativa, ao determinar que o presidente, na
vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções. Por
isso, não poderá ocorrer processo criminal contra o presidente da República durante o seu mandato por crime
ocorrido antes da diplomação ou durante o mandato, mas sem relação com as funções presidenciais.
Quanto à prerrogativa de foro, o Supremo Tribunal Federal, é o tribunal competente para processar e julgar o
presidente da República por crimes comuns e apenas o Senado Federal tem a competência para o
processamento e julgamento dele pela prática de crime de responsabilidade, dependendo, em ambas as
hipóteses, como já visto, de autorização de 2/3 pela Câmara dos Deputados.
Registre-se que o governador de estado não goza de imunidade formal e de imunidade material na
mesma extensão que o presidente da República.
Responsabilização do presidente da República: crimes de responsabilidade e
crimes comuns
Responsabilidade do chefe do executivo
Ao assistir ao vídeo, você entenderá quando o presidente pode ser responsabilizado e saberá mais sobre o
impeachment.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O presidente da República pode ser responsabilizado por crimes de responsabilidade e crimes comuns.
Os crimes de responsabilidade são infrações político-administrativas, de natureza política, praticadas no
exercício da função pública, dispostas na Lei 1.079/50, sujeitando-se os infratores ao processo de 
impeachment. 
Por outro lado, o art. 85 da Constituição Federal prevê ainda outra lista de atos cometidos pelo presidente
tidos como crimes de responsabilidade.
O processo de impeachment tem as seguintes fases:
1 Propositura
Qualquer cidadão, no exercício dos direitos políticos, é considerado parte legítima para ofertar
acusação à Câmara dos Deputados, a teor do art. 14 da Lei 1.079/50.
2
Juízo de Admissibilidade
A Câmara dos Deputados deverá autorizar, por 2/3 dos seus membros, a instauração de processo
contra o presidente da República. Registre-se que, nesse juízo inicial, a Câmara analisará a existência
de provas e indícios do crime, bem como a conveniência e oportunidadeda medida naquele
momento político específico.
3
Processamento
Autorizada a instauração do processo contra presidente por 2/3 da Câmara dos Deputados, haverá
sua remessa ao Senado Federal para deliberação, o qual se transformará em um tribunal político de
colegialidade heterogênea, a ser presidido pelo ministro presidente do STF. A todo momento, na
Câmara e no Senado, são assegurados ao chefe do Executivo a ampla defesa e o contraditório.
4
Julgamento
A condenação somente ocorrerá se houver voto de 2/3 dos membros do Senado Federal e resultará
em duas sanções: a perda do cargo e inabilitação por oito anos, para o exercício de função pública,
sem prejuízo de outras sanções cabíveis.
Conforme o art. 86, §§ 1º e 2º da CF/88, o presidente da República ficará suspenso de suas funções: nas
infrações penais comuns, se admitida a acusação pelo Senado Federal. Decorrido o prazo de cento e oitenta
dias e o julgamento não estiver concluído, encerrará o afastamento do presidente, sem prejuízo do regular
prosseguimento do processo.
Vale lembrar que, no caso da ex-presidente Dilma, o Senado decidiu que as penas não são cumulativas e,
apesar de condená-la à perda do cargo, manteve os seus direitos políticos, seguindo o disposto no art. 68 da
Lei 1.079/50. 
Quanto aos crimes comuns, o Supremo Tribunal Federal já assentou, pacificamente, englobar todas as
modalidades de infrações penais, estendendo-se aos delitos eleitorais, os crimes contra a vida e as próprias
contravenções penais (STF, RTJ 33/590, HC 69.344-RJ, Rel. Min. Néri da Silveira). 
Nessa modalidade, o presidente da República será processado e julgado pelo Supremo Tribunal Federal,
depois que a Câmara dos Deputados declarar procedente a acusação (art. 86 da Constituição Federal),
exercendo um juízo de admissibilidade político, conforme já analisado no caso de crimes de responsabilidade.
A necessidade de licença não impede o inquérito policial, nem o oferecimento da denúncia, contudo, somente
impede o seu recebimento, que é o primeiro ato de prosseguimento praticado pelo Supremo Tribunal Federal. 
A decisão prolatada no julgamento realizado no STF pode ser pela absolvição ou pela condenação. Na última
situação, será aplicada uma pena a ser cumprida e o presidente poderá vir a ser preso, a teor do art. 86, § 3º,
CF/88.
Atenção
A perda do mandato pode se dar como consequência reflexa e indireta da condenação, por aplicação do
constante no art. 15, III, CF/88, que prevê que haverá a suspensão dos direitos políticos na hipótese de
condenação criminal transitada em julgado. Cuida-se de um efeito extrapenal da sentença condenatória. 
Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre o Poder Executivo, a Constituição Federal determina que:
A
O presidente e o vice-presidente da República não poderão, sem licença do Congresso Nacional, ausentar-se
do país por prazo superior a 5 dias, sob pena de perda do cargo.
B
Em caso de impedimento do presidente e do vice-presidente da República, ou vacância dos respectivos
cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da presidência o presidente do Supremo Tribunal
Federal, o da Câmara dos Deputados e o do Senado Federal.
C
O presidente da República tomará posse em sessão do Congresso Nacional, sendo dispensável a participação
do vice-presidente da República.
D
Será considerado eleito presidente da República o candidato que, registrado por partido político, com idade
mínima de 35 anos, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os votos brancos e nulos.
E
Se houver vacância no cargo de presidente e vice-presidente da República ocorrida nos dois primeiros anos
de mandato, ocorrerá eleição indireta.
A alternativa D está correta.
A posse ocorrerá, segundo o art. 78 da CF/88, do presidente e do vice-presidente da República em sessão
solene, prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover
o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil. Para concorrer
ao cargo de presidente, o indivíduo precisa ser brasileiro nato, contar com idade mínima de 35 anos, ter
filiação partidária e estar em gozo dos direitos políticos (art. 14, §3º, VI, "a", da CF/88). Será considerado
eleito presidente o candidato que obtiver a maioria absoluta de votos, não computando os votos branco e
nulos (art. 77, §2º, da CF/88). Na situação de impedimento do presidente e do vice-presidente ou vacância
dos cargos, serão sucessivamente convocados ao exercício da presidência: presidente da Câmara dos
Deputados, presidente do Senado Federal e ministro presidente do Supremo Tribunal Federal.
Questão 2
(FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XXVII - Primeira Fase) Em determinado órgão integrante da
administração pública federal, vinculado ao Ministério da Fazenda, foi apurado que aproximadamente 100
(cem) cargos estavam vagos. O presidente da República, mediante decreto, delegou ao ministro da Fazenda
amplos poderes para promover a reestruturação do aludido órgão público, inclusive com a possibilidade de
extinção dos cargos vagos.
Sobre a hipótese, com fundamento na ordem jurídico-constitucional vigente, assinale a afirmativa correta:
A
Somente mediante lei em sentido formal é admitida a criação e extinção de funções e cargos públicos, ainda
que vagos; logo, o decreto presidencial é inconstitucional por ofensa ao princípio da reserva legal.
B
A Constituição de 1988 atribui exclusivamente ao presidente da República a possibilidade de, mediante
decreto, dispor sobre a extinção de funções ou cargos públicos, não admitindo que tal competência seja
delegada aos ministros de Estado.
C
O referido decreto presidencial se harmoniza com o texto constitucional, uma vez que o presidente da
República pode dispor, mediante decreto, sobre a extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos,
sendo permitida a delegação dessa competência aos ministros de Estado.
D
A Constituição de 1988 não permite que cargos públicos legalmente criados, ainda que vagos, sejam extintos,
ressalvada a excepcional hipótese de excesso de gastos orçamentários com pessoal; portanto, o decreto
presidencial é inconstitucional.
E
A Constituição Federal permite apenas que a reestruturação do aludido órgão público, inclusivamente com a
possibilidade de extinção dos cargos vagos, mediante lei de iniciativa privativa do presidente da República..
A alternativa C está correta.
O presidente da República poderá delegar algumas atribuições aos ministros de Estado, PGR, e ao
advogado-geral da União. Essas atribuições estão elencadas no § único do art. 84 da CF/88, como a
organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem
criação ou extinção de órgãos públicos e a extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos.
4. Conclusão
Considerações finais
Como vimos, não é possível compreender uma sociedade sem que esteja firmada sobre as bases do poder,
afinal ele é algo tão essencial e necessário como a existência do próprio Estado.
Na realidade, o que se buscou ao longo da história, de Aristóteles a Montesquieu, é a forma de distribuição e
limitação desse poder, consolidando-se na figura da tripartição dos Poderes. Na contemporaneidade, a ideia
de controle, de fiscalização e de coordenação recíprocos tornou-se o foco na separação dos Poderes.
Não há como conceber um Estado democrático de direito desprovido de Poderes de Estado e Instituições,
independentes e harmônicos entre si, bem como da previsão de direitos fundamentais e instrumentos que
propiciem a fiscalização e a perpetuidade desses requisitos.
Apesar das críticas conceituais, o modelo tripartite continua assim cumprindo o seu papel unificador da ordem
jurídica e constitucional, fixando e, ao mesmo tempo, aumentando o campo de competência dos Poderes do
Estado. Além disso, tem se revelado como princípio de moderação, racionalização e limitação do poder
político em prol da paz, da liberdade e da democracia.
Podcast
Agora, o Professor Thiago Aleluia Ferreira

Mais conteúdos dessa disciplina