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Autoras: Profa. Renata Christina Leandro
 Profa. Raquel de Fátima Ferreira Azevedo
Colaboradoras: Profa. Amarilis Tudella Nanias
 Profa. Christiane Mazur Doi
Supervisão de 
Formação Profissional
Professoras conteudistas: Renata Christina Leandro / 
Raquel de Fátima Ferreira Azevedo 
Renata Christina Leandro
Graduada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC‑Campinas (2002), especialista 
em Violência Doméstica Contra Criança e Adolescente pelo Laboratório da Criança (Lacri) do Instituto de Psicologia 
(IP) da Universidade de São Paulo – USP (2005), especialista em Sexualidade Humana pela Faculdade de Educação da 
Universidade Estadual de Campinas – Unicamp (2009) e pós‑graduanda em Formação em EaD pela UNIP. Atualmente, 
é docente na Universidade Paulista. Possui experiência em gestão social, como gestora municipal de São Thomé das 
Letras/MG e na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, no estado do Rio de Janeiro. Atuou 
em Centros de Referência de Assistência Social (Cras), em atendimento matricial com famílias e na área de criança e 
adolescente e suas respectivas famílias, em Campinas, no Programa Municipal de Enfrentamento à Exploração Sexual 
Infanto‑juvenil, de 2003 a 2007.
Raquel de Fátima Ferreira Azevedo
Mestra profissional em Ensino em Ciências da Saúde pelo Centro de Desenvolvimento do Ensino Superior – Unifesp (2022), 
pós‑graduada em Serviço Social do Trabalho pela Universidade Veiga de Almeida (2008) e graduada em Serviço Social 
pela Instituição Toledo de Ensino (1994). Atualmente, é professora assistente e coordenadora de estágio no curso de 
Serviço Social da UNIP e assistente social na Faculdade Sesi. Atuou como coordenadora do Serviço Social da Fundação 
Faculdade de Medicina, assistente social da Sociedade Agudense da Terceira Idade, assistente social da Duratex S. A. 
e Duraflora S. A. e como consultora social e previdenciária em instituições públicas e empresas de grande porte. Tem 
experiência na área de serviço social, com ênfase em serviço social do trabalho, atuando principalmente nos seguintes 
temas: serviço social, políticas privadas, processo de reabilitação, políticas sociais e assistente social.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
L437s Leandro, Renata Cristina.
Supervisão de Formação Profissional / Renata Cristina Leandro; 
Raquel de Fátima Ferreira Azevedo. ‑ São Paulo: Editora Sol, 2025.
174 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517‑9230.
1. Ética do cuidado. 2. Competência. 3. Habilidade. 
I. Azevedo, Raquel de Fátima Ferreira. II. Título.
CDU 364
U521.00 – 25
Prof. João Carlos Di Genio
Fundador
Profa. Sandra Rejane Gomes Miessa
Reitora
Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini
Vice-Reitora de Administração e Finanças
Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia
Vice-Reitor de Extensão
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento
Prof. Marcus Vinícius Mathias
Vice-Reitor das Unidades Universitárias
Profa. Silvia Renata Gomes Miessa
Vice-Reitora de Recursos Humanos e de Pessoal
Profa. Laura Ancona Lee
Vice-Reitora de Relações Internacionais
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Assuntos da Comunidade Universitária
UNIP EaD
Profa. Elisabete Brihy
Profa. M. Isabel Cristina Satie Yoshida Tonetto
Material Didático
Comissão editorial: 
 Profa. Dra. Christiane Mazur Doi
 Profa. Dra. Ronilda Ribeiro
Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista
 Profa. M. Deise Alcantara Carreiro
 Profa. Ana Paula Tôrres de Novaes Menezes
Projeto gráfico: Revisão:
 Prof. Alexandre Ponzetto Josiana Araújo Akamine
 Lucas Ricardi
Sumário
Supervisão de Formação Profissional
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................ 10
Unidade I
1 O ETHOS PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL..................................................................................... 13
1.1 O que é a ética profissional? ............................................................................................................ 13
1.2 Construção do ethos profissional .................................................................................................. 13
1.3 Trajetória do ethos profissional em serviço social .................................................................. 16
1.4 Ethos conservador do serviço social ............................................................................................. 16
1.5 Ethos de ruptura ................................................................................................................................... 18
1.6 Serviço social: uma profissão liberal ............................................................................................ 20
1.7 Regulamentação do serviço social: contextualização histórica ....................................... 21
1.7.1 Conhecendo a lei de regulamentação da profissão de assistente social ......................... 22
1.7.2 Contextualização do serviço social ................................................................................................. 24
2 COMPETÊNCIA E HABILIDADE DO ASSISTENTE SOCIAL ................................................................... 25
2.1 Código de Ética de 1993: algumas considerações .................................................................. 25
2.2 Princípios fundamentais do Código de Ética de 1993 .......................................................... 26
2.3 Direitos e responsabilidades gerais do assistente social ...................................................... 31
3 COTIDIANO: ESPAÇO DE ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL ......................................................... 33
3.1 Práxis: categoria essencial no fazer profissional ..................................................................... 34
3.2 O que é o Projeto Ético‑Político? ................................................................................................... 35
3.3 Então, qual é o caminho? ................................................................................................................. 38
3.4 Serviço social e relação teoria/prática ......................................................................................... 39
3.5 Atitude investigativa e o serviço social ....................................................................................... 41
3.6 Atitude de mediação: desmistificando o significado ............................................................ 42
4 GESTÃO EM SERVIÇO SOCIAL ..................................................................................................................... 45
4.1 Em que consiste a gestão social? .................................................................................................. 47
4.2 Atribuições do gestor social ............................................................................................................. 51
4.2.1 O que é ser um gestor e um gestor social? .................................................................................. 52
4.3 Eminência de novos princípios para a gestão social ............................................................. 54
4.4 Ferramentas de gestão social ..........................................................................................................você compreenderá como se dá o processo punitivo àquele que 
viola o Código.
O art. 2º estabelece os direitos do assistente social em seu trabalho, como:
a) garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, estabelecidas na 
Lei de Regulamentação da Profissão e dos princípios firmados neste Código;
b) livre exercício das atividades inerentes à Profissão;
c) participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais, e na 
formulação e implementação de programas sociais;
d) inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos e documentação, 
garantindo o sigilo profissional;
e) desagravo público por ofensa que atinja a sua honra profissional;
f) aprimoramento profissional de forma contínua, colocando‑o a serviço dos 
princípios deste Código;
g) pronunciamento em matéria de sua especialidade, sobretudo quando se 
tratar de assuntos de interesse da população;
h) ampla autonomia no exercício da Profissão, não sendo obrigado a 
prestar serviços profissionais incompatíveis com as suas atribuições, 
cargos ou funções;
i) liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, resguardados os 
direitos de participação de indivíduos ou grupos envolvidos em seus 
trabalhos (CFESS, 1993, p. 26‑27).
O art. 3º determina os seus deveres:
a) desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e 
responsabilidade, observando a legislação em vigor;
b) utilizar seu número de registro no Conselho Regional no exercício 
da Profissão;
c) abster‑se, no exercício da Profissão, de práticas que caracterizem a 
censura, o cerceamento da liberdade, o policiamento dos comportamentos, 
denunciando sua ocorrência aos órgãos competentes;
32
Unidade I
d) participar de programas de socorro à população em situação de calamidade 
pública, no atendimento e defesa de seus interesses e necessidades 
(CFESS, 1993, p. 27).
O art. 4º institui o que a ele é vedado:
a) transgredir qualquer preceito deste Código, bem como da Lei de 
Regulamentação da Profissão;
b) praticar e ser conivente com condutas antiéticas, crimes ou contravenções 
penais na prestação de serviços profissionais, com base nos princípios deste 
Código, mesmo que estes sejam praticados por outros/as profissionais;
c) acatar determinação institucional que fira os princípios e 
diretrizes deste Código;
d) compactuar com o exercício ilegal da Profissão, inclusive nos casos 
de estagiários/as que exerçam atribuições específicas, em substituição 
aos/às profissionais;
e) permitir ou exercer a supervisão de aluno/a de Serviço Social em 
Instituições Públicas ou Privadas que não tenham em seu quadro assistente 
social que realize acompanhamento direto ao/à aluno/a estagiário/a;
f) assumir responsabilidade por atividade para as quais não esteja 
capacitado/a pessoal e tecnicamente;
g) substituir profissional que tenha sido exonerado/a por defender os 
princípios da ética profissional, enquanto perdurar o motivo da exoneração, 
demissão ou transferência;
h) pleitear para si ou para outrem emprego, cargo ou função que estejam 
sendo exercidos por colega;
i) adulterar resultados e fazer declarações falaciosas sobre situações ou 
estudos de que tome conhecimento;
j) assinar ou publicar em seu nome ou de outrem trabalhos de terceiros, 
mesmo que executados sob sua orientação (CFESS, 1993, p. 27‑28).
Enfim, em seu cotidiano profissional, deve atentar‑se em estar alinhado com o Código de Ética 
Profissional; veremos este assunto em seguida.
33
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
3 COTIDIANO: ESPAÇO DE ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL
A vida cotidiana é um campo de estudo de diversos autores na área do serviço social. Traremos 
algumas contribuições para a entendermos enquanto espaço do fazer profissional do assistente social.
Para Carvalho e Netto (2000), ela é feita dos mesmos gestos, repetidos todos os dias, como levantar‑se 
nas horas certas para ir ao trabalho, à escola, realizar os afazeres domésticos etc.; está presente em 
todas as áreas da vida. Para os autores, são atividades repetitivas, as quais são percebidas no nível da 
singularidade, de forma mecânica e automatizada, despidas de qualquer consciência.
 
A vida cotidiana, portanto, se insere na história, se modifica e modifica as 
relações sociais. Mas a direção destas modificações depende estritamente da 
consciência que os homens portam de sua “essência” e dos valores presentes 
ou não ao seu desenvolvimento (Carvalho; Netto, 2000, p. 29).
É na vida cotidiana que se concretiza a práxis profissional. O assistente social intervém na realidade 
social e é um mediador entre a população usuária e o Estado. O serviço social tem sua peculiaridade e 
especificidade, e atua na prestação de serviços para suprir as necessidades humanas da classe excluída 
de bens, riquezas e serviços socialmente produzidos.
Dissemos que ele é um mediador – vamos entender o que é a mediação. Essa é uma categoria da 
práxis do assistente social e, de acordo com Netto (2001), é a terceira categoria central citada por Marx e 
que permite viabilizar a dinâmica da totalidade concreta. “Na reconstrução do movimento da totalidade 
concreta, é a categoria mediação que assegura a alternativa da síntese das muitas determinações, ou 
seja, a elevação do abstrato ao concreto” (Carvalho; Netto, 2000, p. 83).
Ela é utilizada para decifrar as demandas institucionais que lhe são impostas no cotidiano de sua 
atuação profissional. As demandas sociais aparecem de forma singular, despidas de qualquer mediação; 
são o fato em si, tal qual se apresenta. “Somente pela reconstrução teórico‑reflexiva das situações 
particulares e objetivas, podem‑se avaliar as possibilidades contidas na dinâmica institucional e no 
exercício profissional” (Brites; Sales, 2000, p. 75).
A partir de uma reflexão teórica, por meio da mediação, ele ultrapassa a singularidade dos fatos 
levando‑os para a dinâmica da totalidade, isto é, relacionando‑os com os aspectos políticos, econômicos, 
sociais e culturais da sociedade, para alcançar a particularidade do problema, entender os fatores que 
contribuem para a ocorrência daquele fenômeno social, para, depois, intervir de forma propositiva, 
assim como contribuir com a transformação da realidade.
Segundo Carvalho e Netto (2000, p. 51), esse profissional busca o seu “referencial de ação nas 
complexas relações sociais de reprodução e dominação, ignorando o cotidiano como palco onde estas 
mesmas relações se concretizam e se afirmam”.
34
Unidade I
É preciso entender que a práxis dele se dá no cotidiano da instituição na qual está inserido e que, 
para decifrar a realidade institucional, precisa estar revestido de conhecimentos teórico‑metodológicos, 
técnico‑operativos e ético‑políticos, pois é por meio da práxis, no cotidiano do fazer profissional, que se 
deve construir uma atuação competente, com todo o respaldo teórico‑metodológico adquirido em sua 
formação acadêmica, voltada para o Projeto Ético‑Político da profissão.
3.1 Práxis: categoria essencial no fazer profissional
A prática e a práxis são categorias que se relacionam e se interagem na atuação do assistente 
social, e esse tem como objeto de atuação as múltiplas expressões da questão social. Para atuar na 
questão social na sociedade capitalista, ele precisa conhecer a realidade para intervir sobre ela de forma 
propositiva, apresentando respostas criativas e inventivas, que sejam capazes de transformá‑la. Para 
apresentar essas respostas, ele necessita estar revestido de conhecimentos teórico‑metodológicos.
Todos os aspectos anteriormente mencionados, exigidos na atuação do assistente social, compõem 
sua prática e contribuem para a constituição da sua práxis. É necessário entender que prática e 
práxis precisam estar intrinsecamente relacionadas e integradas para que sua intervenção não seja 
mera execução de tarefas preestabelecidas. Ao contrário, deve transformar a realidade, bem como 
contribuir para a construção de uma nova ordem societária, mais justa, equânime e fraterna. Segundo 
Iamamoto  (2022), é precisocompreender os fundamentos históricos, teóricos e metodológicos do 
serviço social.
 
Essa compreensão requer entender como a profissão foi socialmente 
determinada na sociedade e refletir como ela se desenvolve nas relações 
entre as classes sociais – burguesia e trabalhadores, por meio de uma 
intervenção especializada. Pensar a profissão é também pensá‑la como 
fruto dos sujeitos que a constroem e a vivenciam (Iamamoto, 2022, p. 57).
A práxis desse profissional ocorre por meio do acúmulo de conhecimentos teóricos que contribuem 
para atuar de forma sistematizada.
Os saberes teóricos são adquiridos, construídos e incorporados por ele ao longo do processo 
histórico de constituição da profissão e das demandas sociais que exigem a sua intervenção. Brites e 
Sales (2000, p. 70) discorrem que
 
[...] a práxis aqui reivindicada decorre de uma construção coletiva expressa 
na direção social do Projeto Ético‑Político do Serviço Social que ganha [...] 
substância por meio da adesão consciente e crítica aos princípios e valores 
presentes no Código de Ética dos Assistentes Sociais.
A práxis profissional é uma categoria relacionada a toda atividade laboral. No entanto, nem toda 
atividade exercida é práxis, pois essa se define pelo conjunto de atividades que objetivam a modificação 
de determinada realidade e que se traduz na transformação social. Ela não é dissociada da ação prática, 
porém, para constituí‑la, é preciso que as ações estejam articuladas e estruturadas como um todo, 
35
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
isto é, em um processo total que culmine na transformação da realidade. Para Marx, segundo afirma 
Vázquez (1997), a finalidade da práxis é a transformação real e objetiva do mundo natural e social, visando 
à satisfação das necessidades humanas. É o resultado de uma nova realidade que só é desempenhada 
por meio do homem, para o homem como ser social. Vázquez (1997) ainda salienta que se o homem 
aceitar a realidade social como lhe é imposta, e se, por outro lado, aceitar a si mesmo no estado natural, 
não terá vontade e necessidade de transformá‑la e nem de se transformar.
Existem outros fatores que a determinam, como a investigação, um instrumento indispensável na 
atuação profissional para a compreensão da realidade. Ela possibilita ao assistente social exercê‑la com 
capacidade teórica, o que fortalece e impulsiona a sua intervenção.
Segundo Lefebvre (1973 apud Iamamoto, 2015, p. 50), vivemos em uma sociedade que envolve 
contradições de classes, na qual a práxis do assistente social depende do conhecimento que ele tem da 
realidade que o cerca, da capacidade de entender a correlação de forças existentes para não incorrer 
no risco de propor ações que culminem em resultados neutralizados ou que venham a beneficiar os 
interesses das classes dominantes em detrimento dos interesses da população usuária do serviço social.
O assistente social precisa organizar e sistematizar suas ações a partir de fundamentação teórica, 
para provocar possibilidades que visem transformar o ideal de mudanças em realidade e exercer uma 
práxis revolucionária, capaz de contribuir para mudar as bases econômicas, sociais e políticas onde se 
constitui o poder material e ideológico da classe dominante.
A práxis profissional deve primar pela construção de uma nova sociedade, sem as marcas da 
exploração e da desigualdade. Essa construção não é algo impossível, basta que ela seja incorporada pelo 
assistente social a partir de uma práxis de luta dirigida ao principal agente dessa mudança – o usuário 
do serviço social – e que nessa luta a sua atuação seja norteada por valores e princípios do Código 
de Ética do Assistente Social, além de estar voltada para a concretização do Projeto Ético‑político do 
Serviço Social.
3.2 O que é o Projeto Ético‑Político?
Para defini‑lo, nada mais lúcido que trazer o conceito dado por Reis (2003, p. 405‑406):
 
Trata‑se de uma projeção coletiva que envolve sujeitos individuais e coletivos 
em torno de uma determinada valoração ética que está intimamente 
vinculada a determinados projetos societários presentes na sociedade que 
se relacionam com os diversos projetos coletivos (profissionais ou não) em 
disputa na mesma sociedade.
Essa concepção, a priori, é complexa. Precisamos compreender com clareza o que são projetos e suas 
ramificações – projetos individuais, coletivos e societários.
Conforme Netto (1999), projeto é uma ação teleológica (ação orientada para objetivos, metas e fins), 
e cada indivíduo social tem o seu.
36
Unidade I
Os projetos profissionais são coletivos e apresentam a autoimagem de uma profissão. São 
construídos pela categoria profissional organizada. Possuem dimensão ético‑política que extrapola as 
particularidades da categoria, tendo em vista que estão inseridos em uma dada sociedade e se atrelam 
a determinados projetos nela.
Os projetos societários são mais abrangentes e apresentam a imagem da sociedade a ser construída 
(proposta para o conjunto da sociedade). No capitalismo, são os de classe, têm uma dimensão política 
por envolver relações de poder e possuem propostas para o conjunto da sociedade.
 
Num contexto ditatorial, a vontade política da classe social que exerce o 
poder político vale‑se, para a implementação do seu projeto societário, 
de mecanismos e dispositivos especialmente coercitivos e repressivos. 
É somente quando se conquistam e se garantem as liberdades políticas 
fundamentais (de expressão e manifestação do pensamento, de associação, 
de votar e ser votado etc.) que distintos projetos societários podem 
confrontar‑se e disputar a adesão dos membros da sociedade. Todavia, 
também a experiência histórica demonstrou que, na ordem do capital, por 
razões econômico‑sociais e culturais, mesmo num quadro de democracia 
política, os projetos societários que respondem aos interesses das classes 
trabalhadoras e subalternas sempre dispõem de condições menos favoráveis 
para enfrentar os projetos das classes proprietárias e politicamente 
dominantes (Netto, 1999, p. 3).
O serviço social constrói seu projeto profissional em consonância com o ideário político da categoria 
profissional (que consiste no posicionamento claro e definido a favor das classes subalternizadas) 
ao mesmo tempo que traz particularidades ético‑valorativas (conjunto de princípios e fundamentos 
filosóficos) construídas pelos sujeitos individuais e coletivos que compõem o universo profissional.
Barroco (2022, p. 66) vem corroborar essa afirmação:
 
A coesão dos agentes profissionais, em torno de valores e finalidades comuns, 
dá organicidade e direção social a um projeto profissional. Esse aspecto, no 
entanto, diz respeito ao movimento interno da profissão, o que não existe 
sem mediações externas. A cultura, em geral, e a moral, em especial, são 
determinantes na configuração da moralidade dos agentes, influenciando 
sua ética profissional.
Cabe aqui perguntar: afinal, o que é esse Projeto Ético‑Político do Serviço Social? Como se configura?
Ele pode ser assim resumido: reflete o ideário da categoria profissional, consistindo em um 
posicionamento político claro e definido por um determinado projeto de transformação social. É a opção 
preferencial pela classe trabalhadora no jogo de poder da sociedade capitalista. Ele define aquilo que 
a categoria almeja como profissão comprometida com as classes subalternizadas, tendo como objetivo 
final uma nova ordem societária.
37
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Nos termos de Netto (1999, p. 104‑105), é traduzido como aquele que
 
Tem em seu núcleo o reconhecimento da liberdade como valor ético 
central – a liberdade concebida historicamente, como possibilidade de 
escolher entre alternativas, daí um compromisso com a autonomia, a 
emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais. Esses valores foram 
construídos historicamente.
Ainda, para o autor:
 
O projeto profissional vincula‑se a um projeto societário que propõe a 
construção de uma nova ordem social, sem dominação e/ou exploraçãode 
classe, etnia e gênero. A partir dessas escolhas que o fundam, tal projeto 
afirma a defesa intransigente dos direitos humanos e a recusa do arbítrio 
e dos preconceitos, contemplando positivamente o pluralismo – tanto na 
sociedade como no exercício profissional (Netto, 1999, p. 104‑105).
Ele não nasceu da “noite para o dia”, é um resultado sócio‑histórico do processo de ruptura com 
o conservadorismo profissional, e tem como marco inicial o famoso Congresso da Virada (III CBASS – 
Terceiro Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais), realizado em 1979, quando a mesa do Congresso, 
composta por membros da ditadura, passa a ser ocupada por representantes da classe trabalhadora.
A partir daí o Projeto Ético‑Político vai sendo construído. É possível dizer que ele nasce nos anos 
1970, é desenvolvido nos anos 1980 e consolidado nos anos 1990. Essa legitimidade que o Projeto 
Ético‑Político adquire é resultado de diversos fatores internos e externos à profissão. Segundo 
Netto (1999), entre eles estão:
•	 Crítica ao conservadorismo profissional.
•	 Crise da ditadura brasileira, abertura política, conquista democrática.
•	 Consolidação da produção de conhecimento do serviço social brasileiro:
— Surgimento de massa crítica e acumulação teórica. Começam a surgir os primeiros autores 
dentro do serviço social.
— Quebra do conservadorismo teórico e metodológico; encontro com o legado marxiano; autores 
do serviço social fundamentam‑se teoricamente na obra marxiana e em autores fidedignos da 
teoria de Marx.
— O Serviço Social constitui‑se como uma área de produção do conhecimento (1981 – 1ª Turma 
de Doutorado A L./São Paulo). Esse momento propicia a produção do conhecimento dentro e 
para o serviço social.
38
Unidade I
•	 Debate sobre a formação curricular – Reforma curricular de 1982:
— Apelo à construção de um novo perfil profissional.
•	 Dimensão político‑organizativa da profissão:
— Fórum de deliberação (o conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e Enesso).
•	 Dimensão jurídico‑política da profissão: conjunto de leis e resoluções, documentos e textos 
políticos consagrados no seio profissional: Código de Ética; Lei de regulamentação da Profissão 
(Lei n. 8.662/1993); Diretrizes Curriculares – MEC; e conjunto das leis advindas do capítulo da 
ordem social da Constituição Federal – Loas.
Corrobora‑se a discussão de que o Projeto Ético‑Político está inacabado e uma das formas de 
materializá‑lo é pelo Código de Ética Profissional, ferramenta primordial que orienta o exercício 
profissional do assistente social.
O debate contemporâneo em torno da ética em serviço social percorre a discussão de como 
operacionalizar na prática esse projeto: quais os desafios que se apresentam para o assistente social, 
hoje, em operacionalizá‑lo, tendo em vista que as demandas do cotidiano tendem a ser cada vez mais 
multifacetadas? Demanda multifacetada é a totalidade complexa que invade as expressões da questão 
social, objeto de intervenção do assistente social. Ou seja, vivemos em uma realidade social em que 
as mudanças socioeconômicas, ideológico‑políticas e ético‑valorativas são tão aceleradas a ponto de 
“embaraçar a cabeça” das pessoas, fazendo com que todas percam a direção para onde estão indo e 
aonde vão chegar.
São questões como essas que nos fazem refletir sobre qual é o papel do assistente social e como agir 
em consonância com um projeto que, para muitos, é utópico demais.
Para essa discussão, partimos do princípio de que o assistente social não é um messias (o messianismo 
no serviço social significou uma corrente de pensamento defendida por profissionais que achavam que 
competia ao serviço social “mudar o mundo”). Mas também não se pode “cruzar os braços” e dizer que 
não há nada a se fazer, como ocorreu com o posicionamento fatalista de outro grupo de assistentes 
sociais. Ambas as correntes estão ultrapassadas e devem ser combatidas no seio da categoria.
3.3 Então, qual é o caminho?
Pode ser complicado responder com precisão, diante de tamanha complexidade. Todavia, só há um 
caminho para os profissionais de serviço social atuarem em consonância com seu Projeto Profissional: 
assumir o compromisso firmado – via Projeto Ético‑Político e via Código de Ética – com os movimentos 
sociais das classes subalternizadas da sociedade brasileira; e utilizar os espaços sócio‑ocupacionais em 
que atuam, para, no exercício profissional, priorizar a qualidade dos serviços prestados à população, o que 
inclui a luta intransigente para que as decisões institucionais sejam abertas à participação dos usuários.
39
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Esse desafio traz à baila mais uma vez os termos de Netto (1999, p. 105):
 
O projeto sinaliza claramente que o empenho ético‑político dos assistentes 
sociais só se potencializará se a categoria se articular com os segmentos 
de outras categorias profissionais que partilhem de propostas similares 
e, notadamente, com os movimentos que se solidarizam com a luta geral 
dos trabalhadores.
Ante o exposto, cabe reiterar a importância do protagonismo do serviço social perante as discussões 
éticas contemporâneas e suas formas de enfrentamento.
O verdadeiro compromisso ético da profissão consiste em contribuir com a dimensão ético‑política 
visando a um processo social que elimine a exploração do homem pelo homem, resgatando os princípios 
da igualdade, da liberdade e da justiça social (Mustafá, 2003, p. 370).
A partir da abordagem do autor, percebe‑se que a ética não se configura como algo abstrato 
e longe da realidade. Ela, como componente crítico‑reflexivo das posições valorativas que perpassam a 
sociedade, é um elemento da luta social pela emancipação dos indivíduos sociais. E é aqui que se insere 
o assistente social na profissão, buscando‑se legitimar seu projeto profissional.
3.4 Serviço social e relação teoria/prática
As dimensões imprescindíveis do serviço social para a junção da teoria com a prática são:
•	 Referencial teórico-metodológico: construído na formação acadêmica, é pautado no saber 
teórico‑científico adquirido pelo acadêmico durante a formação e se estende permanentemente 
durante a vida profissional.
•	 Dimensão técnico-operativa: compreende o conjunto de instrumentos de trabalho utilizado pelo 
assistente social para a execução de seu exercício. Esses instrumentos são: reuniões, entrevistas, 
entrevistas domiciliares, laudos, pareceres, relatórios etc.
•	 Dimensão ético-política: determina a escolha do assistente social, por se pautar em uma postura 
ética adotada em sua prática profissional.
•	 Dimensão investigativa: resulta da investigação da realidade, objetiva a compreensão da 
totalidade dos fatos, prima por romper com a imediaticidade dos fenômenos e analisa as demandas 
impostas, buscando soluções para os problemas dos usuários.
Todas essas dimensões engendradas viabilizam a prática profissional exercida de forma totalitária, 
visando transformar e melhorar a qualidade dos serviços prestados pelo assistente social.
40
Unidade I
Ressalta‑se que a teoria não é uma atitude contemplativa; ao contrário, dirige o pensamento e 
o intelecto do assistente social, em uma perspectiva que supera e transforma – a prática deve 
ser entendida e exercida como uma ação efetiva de transformação, superando o existente, buscando 
resultados concretos e materiais, como criação do profissional inscrito na divisão sociotécnica do 
trabalho contemporâneo. O referencial teórico é o elemento que ilumina e subsidia a sua ação.
A teoria ilumina uma prática ainda não existente, permite elaborá‑la, possibilita o planejamento e 
atribui ao profissional conhecimentos e subsídios para desenvolver ações embrionárias.
A prática é a práxis, compreendendo as atividades práticas humanas. A teoria está ligada ao conjunto 
do saber humano, apreendido por ele. Essas dimensões estão relacionadas e são desenvolvidas nas relações 
sociais, retiradas e abstraídas da história humana. A relação teoria/prática constitui um processo de 
reflexão complexo econtínuo, podendo passar da teoria para a prática e desta para aquela. No entanto, 
não se constitui de forma direta e imediata, pois é possível haver teoria sem prática e, normalmente, 
toda teoria tem base na prática, o que coaduna com o ensinamento de Vázquez (1997, p. 233‑234):
 
[...] ao falar‑se da prática como fundamento e finalidade da teoria, deve‑se 
entender: a) que não se trata de uma relação direta e imediata, já que uma 
teoria pode surgir – e isso é bastante frequente na história da ciência – para 
satisfazer direta e imediatamente exigências teóricas, isto é, para resolver 
dificuldades ou contradições de outra teoria; b) que, portanto, só em última 
instância e como parte de um processo histórico‑social – não por meio de 
segmentos isolados e rigidamente paralelos a outros segmentos da prática –, 
a teoria corresponde a necessidades práticas e tem sua fonte na prática.
A prática e a teoria implicam trabalhar o exercício profissional; além disso, permitem a viabilidade 
de apontar, resgatar e corrigir as deficiências, bem como entender os limites, recursos e possibilidades 
do assistente social. Com esse embasamento, é possível que ele socialize conteúdos, construa análises 
e estude as situações, exercendo o seu papel e produzindo respostas às demandas que a realidade 
lhe apresenta.
Atitude 
interventiva
Atitude 
investigativa
Prática 
profissional
Figura 1 – Práxis profissional
41
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
A prática profissional do assistente social nunca pode estar desvinculada da teoria, pois esta sustenta 
aquela. A prática, quando embasada, pode criar teorias, desde que seja cultivada a atitude investigativa 
no cotidiano profissional.
3.5 Atitude investigativa e o serviço social
A investigação no serviço social tornou‑se um caráter instrumental, tendo em vista que foi 
incorporada na profissão após a reformulação e o posicionamento dos assistentes sociais frente ao 
Movimento de Reconceituação. Ela passou a fazer parte da formação acadêmica durante o processo 
de aprendizagem teórico‑metodológica e do exercício profissional na divisão sociotécnica do trabalho.
Segundo Battini (1994), ela tem caráter dual, pois é voltada ao exercício profissional e à produção 
de conhecimento, determinando uma distinção na relação sujeito/objeto. Cumpre a função de sujeito 
quando é um instrumento para a execução da prática do assistente social e de objeto quando é utilizada 
pelo serviço social como produção de conhecimento.
Segundo essa autora, a prática possui duas vertentes de exercício: a da ação interventiva e a da 
ação investigativa.
Para utilizar o instrumental da investigação, é necessário que ele tenha o suporte da unidade 
teoria‑prática. O referencial teórico garante que a investigação seja utilizada para uma pesquisa cujo 
objetivo é conhecer a realidade social em sua totalidade e possibilitar o movimento pensamento/realidade. 
Essa mediação só é possível pela junção dos dois elementos, os quais iluminam a investigação.
Segundo Kameyama (1995), teoria e prática são aspectos inseparáveis do conhecimento e devem 
ser consideradas em sua unidade, levando‑se em conta que a teoria não só se nutre da prática social 
e histórica como também representa uma força transformadora que revela à pratica os caminhos 
da transformação.
A investigação, como instrumento para o exercício profissional, busca compreender a sociedade, 
apreender as relações sociais, a fim de identificar os problemas impostos nas demandas apresentadas 
aos assistentes sociais.
Para tal propósito, exige‑se um novo perfil profissional, que esteja atento à dinamicidade da 
sociedade, capaz de criar, propor e construir novos caminhos.
Iamamoto (2022, p. 49) pormenoriza que o
 
[...] novo perfil que se busca construir é um profissional afinado com a análise 
dos processos sociais, tanto em suas dimensões macroscópicas quanto em 
suas manifestações quotidianas; um profissional criativo inventivo, capaz de 
entender o “tempo presente, os homens presentes, a vida presente” e nela 
atuar, contribuindo, também, para moldar os rumos de sua história.
42
Unidade I
Pela investigação é possível construir um diagnóstico, avaliar as situações e planejar as estratégias 
para o assistente social intervir. Podemos dizer que a atitude investigativa (investigação) está 
intrinsecamente ligada à atitude interventiva (intervenção).
Analisar a realidade por meio da investigação faz com que se quebrem os estereótipos de que a ação 
profissional do serviço social é pautada e centrada na imediaticidade, na superficialidade e no assistencialismo.
Para colocar em prática a atitude investigativa e mantê‑la constantemente integrada ao exercício 
profissional, exige‑se a unidade teoria‑prática, elemento que permite ao profissional questionar e 
criticar a realidade, construir e reconstruir o real. Com a utilização dessa leitura, é possível intervir na 
realidade social construindo caminhos que levem a soluções para as demandas e os problemas impostos.
Para compreender uma situação e intervir nela com competência, Battini (1994) discorre que o 
assistente social precisa:
•	 Ter clareza do referencial teórico que ilumina a leitura que faz da realidade (competência teórica 
para a reconstrução de conceitos). Essas referências são escolhidas por ele segundo sua visão de 
mundo e como se posiciona no jogo de forças da sociedade, com aqueles grupos que mais se 
aproximam de sua ideologia.
•	 Ter habilidades para atuar na sociedade usando instrumental técnico e estratégias adequados 
para o enfrentamento da questão social, objeto da sua intervenção (competência técnica).
•	 Inscrever‑se de modo crítico nas demandas sociais e ter consciência da repercussão de sua 
intervenção na defesa de um projeto de sociedade (dimensão política). Para que a mudança seja 
consolidada, a pesquisa é a base para essa competência. Por meio de uma atitude investigativa, 
pode intervir no cotidiano, bem como é capaz de criar possibilidades de explicações.
Podemos reafirmar que a atitude investigativa é um instrumental ou uma categoria que permite 
desvelar a realidade, aprofundar‑se nas análises das situações reais, saindo do imediato para visualizar 
e apreender a totalidade dos fatos e construir estratégias para serem utilizadas no desempenho do 
trabalho. Para tal atitude, é imprescindível relacionar a teoria com a prática.
3.6 Atitude de mediação: desmistificando o significado
A mediação está na base do método dialético; porém, alguns autores a tratam como sendo 
intermediária, meio‑termo ou algo relacionado. Sobre ela, Pontes (2017, p. 38) ensina que
 
[...] é uso correto compreender o termo mediação como ação de atuar como 
mediador de conflitos de natureza política, jurídica, familiar etc., visando à 
conciliação de interesses entre partes. No campo particular do serviço social, 
a prática da mediação, tomada nesta visão, encontra‑se atualmente em 
expansão nas instituições de serviços sociais de várias naturezas, já sendo 
possível encontrar, inclusive, cursos interdisciplinares para mediadores.
43
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
A proposta aqui é apresentar e discutir a mediação em uma perspectiva mais ampla, como “categoria 
objetiva, ontológica, que tem de estar presente em qualquer realidade, independente do sujeito” (Lukacs 
apud Pontes, 2017, p. 38).
Para o materialismo histórico dialético, mediação é o processo de superação do senso comum – ela 
permite a criticidade. Mediar significa passar pelas fases da singularidade, da universalidade e 
da particularidade.
A singularidade é o nível do imediato, do fato tal qual ele aparece no cotidiano, é a aparência, o 
fenômeno visto a olho nu. É o plano da imediaticidade.
Pontes (2017, p. 85) esclarece que “[...] o plano da singularidade é a expressão dos objetos ‘em si’, ou 
seja, é o nível de sua existência imediata em que se vão apresentar os traços irrepetíveis das situações 
singulares da vida em sociedade, que se mostram como coisas fortuitas, rotineiras, casuais”.Doravante, articula‑se esse fato com a universalidade – as leis gerais. É o plano em que se colocam 
grandes determinações gerais de uma dada formação histórica. Feito esse processo de relação/conexão 
e singularidade/universalidade, particulariza‑se o objeto, ou seja, passa a compreendê‑lo a partir da 
relação singularidade/universalidade.
A particularidade é o campo das mediações – objeto rico de reflexões, questionamentos e interpretações. 
É sair do imediatismo e compreender o objeto como parte de uma dinâmica social mais ampla.
A noção de particularidade, aqui, é reforçada por Agnes Heller (apud Pontes, 2017, p. 87), ao expor que:
 
[...] a relação indivíduo‑sociedade pode vir a ser analisada sem esquematismos 
empobrecedores; quer seja do papel do indivíduo – que na realidade exprime 
na sua particularidade o modo genérico da vida humana –, quer seja do 
papel da sociedade, que na sua dinâmica exprime em essência o modo geral 
da vida individual.
A tríade particularidade/singularidade/universalidade compõe o caminho metodológico das 
aproximações sucessivas, como parte da totalidade.
Pontes (2017, p. 39) corrobora com essa afirmativa:
 
[...] a totalidade não é a soma das partes, mas um grande complexo constituído 
de complexos menores. Quer dizer: não existe no ser social o elemento 
simples, tudo é complexidade [...]. Cada complexo social ou totalidade 
parcial se articula em múltiplos níveis e por meio de múltiplos sistemas de 
mediações a outros, levando‑nos a uma sequência real e também lógica, 
para entender a totalidade concreta.
44
Unidade I
A totalidade configura‑se, então, como categoria concreta, em que se dá a construção do real, ou 
seja, “é a essência constitutiva do real” (Pontes, 2017, p. 70).
Por meio da figura a seguir, podemos compreender melhor a mediação em serviço social.
Singularidade
Universalidade
Particularidade
Figura 2 – Esquema das aproximações sucessivas da totalidade – tríade particularidade, 
universalidade e singularidade, elementos que compõem a mediação em serviço social
A mediação é imprescindível para a construção teórico‑metodológica do serviço social. Pelo processo 
de mediação acontece a intervenção profissional e a elaboração do instrumental metodológico. 
A mediação fornece ao serviço social o caráter da competência teórico‑crítica e técnico‑operativa, pois 
ela constitui o diferencial da intervenção. Posteriormente, abordaremos de forma mais explícita a sua 
importância para a prática do assistente social.
Cabe ressaltar que o assistente social lida diariamente com um leque de situações que se apresentam 
no espaço sócio‑ocupacional sob forma de fatos, problemas de cunho individual, familiar, grupal e 
comunitário. Essas situações imediatas não são revestidas de criticidade. Apresentam‑se de forma 
singular, sem uma reflexão que o faça ultrapassar a experiência factual. Como dito anteriormente: 
esses fatos são vistos a olho nu, sem implicações analíticas. Eis a singularidade: esses acontecimentos 
e situações precisam sair da facticidade, é necessário compreendê‑los e entendê‑los como parte 
da totalidade social que sofre interferência de leis e relações sociais mais dinâmicas. Esse é um dos 
problemas que o assistente social lida.
Fazer essa interlocução implica capturar, no próprio cotidiano de seu fazer profissional, a interferência 
de forças, das leis sociais, bem como perceber essa relação concreta entre singular e universal. A mediação 
ocorre a partir dessa relação. Ou seja, o campo da particularidade manifesta‑se no momento em que a 
singularidade da situação é analisada, refletida e investigada, o que demanda do assistente social uma 
intervenção concreta.
45
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Particularizar o objeto significa fazer a mediação – o profissional vê o problema, faz a sua relação 
com as leis gerais da sociedade, seja nos aspectos sociais, seja nos aspectos econômicos, políticos e 
culturais; desse ponto, apropria‑se do objeto de intervenção, agindo com competência.
Vamos exemplificar uma situação na qual ocorre a mediação.
Em caso de adoção, mediar significa analisar o processo (denominado de auto) a partir das 
interlocuções necessárias (aqui se insere toda a dinâmica do processo: adotantes, adotado, pais biológicos, 
circunstâncias – toda a sistemática que envolve um processo de adoção) e não apenas o fato imediato. 
Significa perceber o fato como parte de um processo com implicações econômicas e socioculturais. 
O assistente social, nesse caso em questão, via de regra, faz um estudo social de toda a situação da 
criança a ser adotada: visitas domiciliares, entrevistas, estudo dos autos etc.; posteriormente, emite 
um laudo com parecer social. Esse procedimento envolve toda a sistemática que vai do conhecimento 
teórico‑metodológico que ele adquiriu ao longo de sua formação, passando pelos fundamentos 
ético‑políticos que norteiam a sua ação, até a apropriação das leis e referenciais que respaldarão sua 
decisão no processo de adoção. Isso tudo é a mediação!
Na mediação, ele precisa conhecer bem a realidade, pois isso vai orientar a sua intervenção. 
Nos termos de Pontes (2017, p. 49), é “uma efetiva forma de resistência e de luta contra a barbárie, que 
também fortalece o projeto de emancipação humana”.
A mediação é um caminho metodológico dinâmico a ser percorrido para viabilizar a aproximação 
com o que há de mais real na totalidade. É uma categoria presente no cotidiano do assistente social, 
que necessita desenvolver uma percepção do todo social. Seu fazer, mesmo o mais particularizado, 
precisa buscar elementos na prática em totalidade. Dentro do todo social, há o que é universal, como 
os valores e as crenças que predominam na sociedade como verdades. A mediação se dá justamente na 
relação concreta do que é singular com o que é universal, para daí compreender o fenômeno que lhe é 
apresentado e intervir na particularidade de cada situação.
4 GESTÃO EM SERVIÇO SOCIAL
No final da década de 1980, o Brasil acabava de sair de uma ditadura militar. A população, representada 
por diferentes movimentos sociais, ansiava por direitos e exerceu papel decisivo na garantia legal de 
direitos, representada pela Constituição Federal de 1988. Como vimos, nesse período, antagonicamente, 
o País estava no início da influência do neoliberalismo, e o Estado não atendia às demandas sociais de 
forma universalista.
Veja só que contradição! Em meio a essa tensão de forças que marcaram o final dessa década (de um 
lado, o Estado tenta retirar‑se da área social; de outro, é pressionado a ampliar sua intervenção), saem do 
meio da sociedade civil os ideais de cooperação e associativismo como formas alternativas de responder 
às demandas sociais, sob a alegação de que o Estado não abarcava todas as exigências.
46
Unidade I
O Estado, estrategicamente, passou a defender e a incentivar a entrada do segundo e terceiro setores 
como forma de “dividir” a responsabilidade pelo social, mesmo que para isso fosse preciso financiar as 
intervenções, fazendo com que fosse interpretado como uma espécie de “terceirização dos serviços 
públicos”. Nessa “onda”, as grandes empresas passaram a intervir na área social para buscar um perfil 
mais comunitário, o que lhes rendeu melhor visibilidade e credibilidade, além de outros benefícios que 
veremos mais adiante.
É importante perceber que, a partir do final de 1980, não é somente o Estado responsável por 
atender diretamente às demandas sociais, mas é de sua responsabilidade dar condições para que o 
segundo e o terceiro setores atuem de maneira complementar às suas ações.
Vale destacar que a população, ou melhor, nós, devemos cobrar os serviços de caráter público do 
Estado, e isso não quer dizer negar as outras iniciativas complementares, mas compreendê‑las como 
mais focais e limitadas. Caso contrário, corremos o risco de subestimar o poder estatal e deixar de exigir 
seu caráter interventor, o que seria conveniente na perspectiva neoliberal. Com isso, colaboraríamospara a perda gradativa dos direitos que temos garantidos na Constituição Federal de 1988. Isso seria um 
imenso retrocesso para a construção da cidadania!
É preciso entender que a partir disso passam a existir três esferas de intervenção social – Estado, 
iniciativa privada e terceiro setor. Essa corresponsabilidade é denominada welfare mix ou Estado‑misto.
Veja o quadro a seguir e analise as distinções e as semelhanças que há entre o primeiro, segundo 
e terceiro setores. Preste atenção como são compostos os recursos que sustentam cada um e como 
são destinados.
Quadro 1 – Composição dos setores de atuação na área social
Origem dos recursos Destinação dos recursos Denominação Setor
Recursos públicos (originados de impostos, 
multas e tarifas públicas)
Bem‑estar coletivo 
(gestão e atendimento 
público gratuito)
Estado 1º setor
Recursos particulares (fontes privadas) Negócios particulares que 
visam ao lucro Mercado/empresas 2º setor
Recursos particulares (fontes privadas, assim 
como repasses públicos para execução de 
serviço de atendimento às demandas)
Bem‑estar coletivo 
(gestão e atendimento 
público gratuito)
Terceiro Setor
(ONGs)
(OSCIPs)
3º setor
Fonte: Santana (2008, p. 28).
Com a entrada do segundo e do terceiro setores na intervenção social, naturalmente abre‑se um 
leque imenso de debates ideológicos, metodológicos, e assim por diante. O que nos interessa é perceber o 
quanto as intervenções na área social se diversificaram e, ao mesmo tempo, tornaram‑se tão complexas.
Gerir o social é o “assunto da vez”, pois tanto o aparelho estatal como as empresas privadas e o 
terceiro setor buscam formas de intervir nessa área, mas esbarram em falta de domínio de conhecimentos 
teóricos, técnicos e políticos, além de divergentes motivações.
47
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Assim é fácil entender o porquê de tanta ênfase na área social, pois é somente a partir da década 
de 1990 que o tema gestão social passa a ser tão discutido nos três setores, principalmente na tentativa de 
encontrar metodologias e ferramentas adequadas para gerir o social. Para isso, recorre‑se a elementos 
da administração, o que gera uma série de dissensos e consensos entre a área empresarial e a social, 
como veremos mais adiante.
4.1 Em que consiste a gestão social?
Você já parou para pensar em que consiste a relação que a gestão social estabelece conosco em 
nossa vida privada, social e profissional? Para buscar essa resposta, é necessário compreender o cenário 
econômico e social da contemporaneidade e passar a relacioná‑lo com as esferas de nossa vida em 
sociedade, já que somos seres/sujeitos inseridos direta e indiretamente nesse contexto.
Para dar sequência, é bom ter claro que da década de 1970 até hoje passou‑se a buscar e a ser exigida 
uma nova postura ética e social, tanto das organizações privadas como da sociedade civil organizada e 
do próprio Estado.
Moraes (apud Santana, 2008, p. 22) expõe que:
 
[...] a preocupação transversal torna‑se bastante clara – a sobrevivência da 
humanidade e a manutenção do seu sistema econômico e social. [...] torna‑se 
evidente que produzir riquezas e alimentos é prioritário [...]. O contexto de 
contradições e de busca por alternativas de equilíbrio entre o ambiental, o 
social e o econômico, fortalece a sociedade civil, que lentamente acorda de 
uma longa noite de sonhos com o fascinante mundo do consumo e se vê 
empoderada de um novo status, cabendo‑lhe agora a responsabilidade por 
renunciar a produtos oriundos de processos produtivos hostis ao homem, 
a sua sociedade e ao meio ambiente do qual é responsável e plenamente 
dependente. [...] preestabelecendo agora a necessidade de competências 
de  gestão social a todos que pretendem ingressar ou permanecer em 
situação produtiva e porque não dizer, economicamente ativa. [...] Dessa 
forma, abre‑se um novo mercado de trabalho, no qual se concebe a figura 
do gestor social como aquele indivíduo que, independentemente do 
nível hierárquico ou da área de formação, é mediador multiqualificado, 
situando‑se em um contínuo que vai da capacidade de dar respostas 
eficazes e eficientes às situações cotidianas a de enfrentar problemas de alta 
complexidade [...], tornando‑se indispensável às organizações competitivas. 
[...] Por fim, neste cenário, conclui‑se que a gestão social é indiscutivelmente 
necessária às organizações [...].
Para a manutenção da sociedade, é necessário haver, urgentemente, um equilíbrio entre a economia, 
o meio ambiente e a vida social, pois nenhum país consegue progredir economicamente se persistir em 
manter a degradação do meio em que vive e a crescente pauperização da maioria da população. Você 
acha que é possível haver um país rico, com uma população pobre e em um local inabitável devido à 
48
Unidade I
degradação ambiental? Muitos já chegaram à conclusão de que é impossível. Precisa‑se investir e gerir 
com o mesmo grau de atenção tanto na economia como na área social e ambiental.
A gestão social é tão necessária em todos os tipos de organização, bem como é determinante na 
tentativa de buscar esse equilíbrio entre exploração da riqueza e bem‑estar social.
Depois de tudo isso, talvez você pergunte: o que é gestão?
Gestão é um termo proveniente da administração, cuja finalidade é governar as organizações ou 
parte delas. Ela envolve o planejamento, a direção e o controle de recursos organizacionais e prioriza o 
alcance da eficácia e eficiência de determinados objetivos.
Segundo Maximiano (2000), a gestão é considerada a função mais importante de uma organização 
e conta com cinco componentes indispensáveis:
•	 Planejamento: examina‑se o futuro, traçando um plano de ação em médio e longo prazos.
•	 Organização: consiste em montar uma estrutura humana e material para realizar 
o empreendimento.
•	 Comando: caracteriza‑se por manter o pessoal em atividade em toda a empresa.
•	 Coordenação: consiste em reunir, unificar e harmonizar toda atividade e esforço.
•	 Controle: cuida para que tudo seja realizado de acordo com os planos e as ordens.
A gestão, portanto, é o processo de planejar, organizar, liderar e controlar o trabalho dos membros 
da organização (do primeiro, segundo ou terceiro setores) e de usar os recursos disponíveis para alcançar 
os objetivos estabelecidos. Ela pode ser compreendida como uma atividade dinâmica que consiste em 
tomar decisões sobre objetivos e recursos.
Na perspectiva da administração, ela assume um caráter de racionalização, o que não coaduna com 
a perspectiva social, que vai muito além de técnicas de gerenciamento de pessoal e de recursos, pois 
envolve a participação e o empoderamento dos sujeitos sociais, que é o nosso foco.
Precisamos nos apropriar de alguns conhecimentos da administração e do planejamento para 
compreender e aplicar a gestão na perspectiva social.
49
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
 Observação
No final do século XX, Paulo Freire usou o termo empoderamento. 
Notável educador e escritor, teve como obra de maior destaque Pedagogia 
do oprimido (1970). Defendia uma educação de interação professor‑aluno, 
pois nela ambos aprendem. Em suas obras, criticou a passividade dos 
sujeitos e utilizou outros conceitos, como conscientização e cultura do 
silêncio. Por valorizar a cultura popular e defender a emancipação humana 
da opressão dominante, empregou sabiamente o termo empoderamento 
dos sujeitos, no sentido de conquista, avanço, superação por parte daquele 
que se empodera (sujeito ativo do processo).
Alguns autores dizem que o empoderamento é o mesmo que 
empowerment – termo em inglês. Contudo, o segundo é utilizado na língua 
inglesa com outra conotação, pois propõe que tal transformação ocorre 
de fora para dentro, o que é o oposto do que Freire defendia – de dentro 
para fora, fruto da conquista, da tomada de consciência social e política 
por parte da população.
Para o serviço social, é importante saber profundamente o que significa 
o termo empoderamento. Faleiros e outros autores renomadosem nossa 
área defendem que empoderar os sujeitos é, de fato, nosso objeto de 
intervenção como assistentes sociais.
 Saiba mais
Leia o artigo “Questão social: objeto do serviço social?”, de Edineia Maria 
Machado. Além de fantástico, questiona o objeto de trabalho do serviço 
social, que é, até então, tido como a questão social. Ele traz uma nova 
discussão que ainda não foi aderida pela hegemonia da profissão, mas ganha 
força e se propaga no meio profissional, que é o empoderamento dos sujeitos 
ou empowerment.
PROTA, L. et al. Curso de serviço social. Serv. Soc. Revista, Centro de 
Estudos Social Aplicados, Londrina, v. 1, n. 1, jul./dez. 1999. Disponível em: 
https://shre.ink/DMfc. Acesso em: 18 jul. 2024.
50
Unidade I
Há duas perspectivas de gestão: da administração e do social. Você pode identificar melhor por meio 
das definições:
•	 Gestão empresarial competitiva: pautada na competitividade e na pressão por resultados (de 
produção, de lucros). Utiliza‑se de empreendedorismo empresarial, daí seu caráter de racionalização.
•	 Gestão social: pautada na eficácia, na eficiência e na efetividade das ações. É voltada para o 
empoderamento dos sujeitos, direitos sociais e democracia; além disso, conta com poder de 
negociação e articulação (redes), direcionada ao empreendedorismo social.
Ficou mais claro? Podemos, então, concluir que o serviço social segue a linha da gestão social e não 
da administração empresarial competitiva.
O gestor social, como defendido aqui, precisa estar atento às dimensões diversas da gestão, que 
deve abarcar o caráter político‑institucional, técnico‑operativo, psicossocial, educacional e agente de 
mudanças. Ele não pode incorrer no erro de tratar a dimensão administrativa de forma semelhante ao 
setor privado ou setor estatal.
 Observação
O que é o empreendedorismo social?
É uma ação inovadora para o campo social que acontece à medida 
que se faz uma leitura dos problemas locais e a partir dela elaboram‑se 
alternativas de enfrentamento. Trata‑se do “negócio do social” que tem, na 
sociedade civil e na parceria, envolvimento da comunidade, do governo e 
do setor privado como o seu principal foco de atuação.
O empreendedor social é aquele que tem poder de iniciativa para criar 
e inovar na comunidade. É fundamental que ele esteja sensibilizado com a 
causa, pois, assim, haverá um envolvimento efetivo e eficaz com aquilo que 
faz. Ele consegue mobilizar os recursos humanos e materiais existentes na 
localidade a fim de transformar e contribuir para uma sociedade melhor.
Todo empreendimento pode fracassar, mas o bom empreendedor 
assume riscos e ousa, contribui de alguma forma, criando e recriando 
alternativas de resolução de impacto para os problemas sociais. Ele busca 
agir com a coletividade, sendo transparente com seus parceiros e usuários.
51
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
A gestão social, na esfera estatal ou no terceiro setor, deve se pautar na busca da emancipação e 
da autorrealização na vida social, bem como na concretização das potencialidades individuais e/ou 
coletivas. Para Tenório (2010, p. 7), a gestão social é “[...] um conjunto de processos sociais no qual a 
ação gerencial se desenvolve por meio de uma ação negociada entre seus atores, perdendo seu caráter 
burocrático em função da relação direta entre processo administrativo e a múltipla participação social 
e política”.
Tenório (2010, p. 10) ainda diz que a gestão social deve contrapor‑se à gestão estratégica, devido ao 
fato de essa última ser um tipo de ação utilitarista, embasada no
 
[...] cálculo de meios e fins e implementada através da interação de duas ou 
mais pessoas na qual uma delas tem autoridade formal sobre a(as) outra(as). 
É uma combinação de competência técnica com atribuição hierárquica, o 
que produz a substância do comportamento tecnocrático.
Complementando o conceito de gestão social, Maia (2005, p. 2) discorre:
 
[...] gestão social é construção social e histórica, constitutiva da tensão 
entre os projetos societários de desenvolvimento em disputa no contexto 
atual. Assim a gestão social é concebida e viabilizada na totalidade do 
movimento contraditório dos projetos societários – por nós concebidos 
como desenvolvimento do capital e desenvolvimento da cidadania. Essas 
duas referências de desenvolvimento apontam para distintas perspectivas 
de gestão social, que se constroem também neste movimento contraditório.
Interligando os conceitos dos referidos autores, falar de gestão social significa referir‑se à gestão das 
ações sociais de caráter público, que visam à amplitude da cidadania dos sujeitos sociais. Essas ações, 
em forma de programas ou projetos, são respostas às demandas e às necessidades dos cidadãos. Por 
meio da gestão social é possível efetivar o acesso a bens e serviços sociais; por isso, nessa perspectiva, 
cabe ao gestor social a seriedade, o compromisso ético‑político e a clareza. Além disso, são necessárias 
ferramentas adequadas para efetivá‑la.
Só há gestão social se houver gestores sociais. Convido você a conhecer as atribuições, as 
características e o papel do gestor social.
4.2 Atribuições do gestor social
Você, como futuro assistente social, possivelmente terá a oportunidade de ser um gestor de políticas 
sociais; por isso a importância de se apropriar das ferramentas para efetivar seu fazer profissional. Você 
poderá contribuir com os gestores locais ou utilizar seus conhecimentos para orientar os usuários sobre 
a importância de seu papel na gestão social, o que veremos mais adiante.
52
Unidade I
Exemplo de aplicação
Você já pensou se há diferenças entre gestor e gestor social? Não? Pois isso merece uma reflexão. 
Você está estudando as diferenças de lógicas da gestão. Gestão é gerir, administrar, é o conjunto de 
atuações constituídas de previsões, planejamentos, organizações, comandos, coordenações e controle, 
enquanto a gestão social é gestão das ações sociais públicas. Analise adiante o que é ser gestor, que 
difere de ser um gestor social, e relacione com a profissão de serviço social. Com isso, é possível decidir 
o tipo de gestor que seguirá na sua vida profissional. 
Vejamos a seguir como o perfil de um gestor se difere do gestor social.
4.2.1 O que é ser um gestor e um gestor social?
Embora falar de gestor e gestor social possa parecer que estamos nos referindo à mesma coisa, 
eles não são! É importante que você tenha entendido as duas perspectivas de gestão trabalhadas 
anteriormente para que agora aprenda sobre os tipos de gestor que as concretizam.
O gestor é comumente conhecido como:
•	 responsável (em algum grau) pela gestão;
•	 gerente;
•	 dirigente;
•	 aquele que tem funções gerenciais, ou seja, funções de gestão.
Veremos que as atribuições e os papéis de um gestor social são bem mais amplos.
Comecemos compreendendo que, para ser um gestor, é preciso desenvolver algumas habilidades 
fundamentais, como:
•	 Habilidade técnica: conhecimento necessário para executar as tarefas específicas no campo de 
sua especialidade.
•	 Habilidade humana: capacidade de entender e liderar pessoas e cooperar e trabalhar com 
elas. Não pressupõe a harmonia, pois quando trabalhamos com pessoas diferentes é normal e 
até produtivo ter opiniões variadas. Aqui está a habilidade: atuar entre os dissensos e buscar os 
consensos com os membros do grupo.
53
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Segundo Santana (2008), para obter a magia do consenso, é fundamental considerar cinco 
elementos importantes, a saber:
—	ter uma intenção em comum;
—	estar disposto a compartilhar o poder;
—	ter compromisso consciente e informado com o processo de consenso;
—	possuir agendas sólidas;
—	ter facilitação efetiva, ou melhor, ser um facilitador no processo.
 Observação
Facilitador é o guardião do processo do consenso, é um dirigente‑servidor 
cuja intenção é a de que o grupo tome as melhores decisões. Ele guia as 
discussões sem interferir diretamente nelas. Esforça‑se para permanecer 
neutro e ser imparcialentre os membros do grupo, não age com favoritismos. 
O facilitador não dá respostas, mas faz perguntas com a intenção de igualar a 
participação do grupo para aclarar as ideias desse (Santana, 2008).
 
•	 Habilidade conceitual: capacidade de compreender e lidar com a complexidade de toda 
a organização e de usar o intelecto para formular estratégias. Tem visão holística e lida com 
conceitos e raciocínios abstratos.
•	 Competência implementadora/executora: capacidade de ser criativo com ideias inovadoras. 
Materializar essas ideias é outra habilidade que poucos conseguem, pois envolve todas as 
competências citadas anteriormente mais o poder de efetivar, captar recursos, mobilizar recursos 
humanos, adquirir materiais, e assim por diante. É a capacidade de sair do idealizado para o 
concreto, para a ação em si.
Para se caracterizar como um gestor social é necessário, além das habilidades mencionadas, agregar 
outras funções, responsabilidades e, principalmente, ter compromisso ético.
O papel do gestor social é bem diferente do gestor tradicional de empresas privadas. O primeiro 
prima pela participação popular, pela cidadania e pela ampliação e acesso a bens e serviços sociais, 
em uma sociedade multifacetada e desigual, exigindo‑se que tenha, sobretudo, poder de articulação 
e negociação.
O segundo prima pelo caráter competitivo, que busca metas de empreendimentos e lucratividade 
nas organizações, o que está dentro de sua lógica organizacional.
54
Unidade I
É oportuno compreender que, mesmo quando as empresas privadas promovem políticas sociais, elas 
estão carregadas de ações tuteladas, focais e que servem para a boa imagem empresarial. Em tempos de 
desigualdade, pobreza e tantas mazelas sociais, as que abraçam a cooperação, a solidariedade e o social 
sem dúvida têm maior mérito, conquistando mais consumidores e incentivos fiscais por parte do governo.
Vale apontar que a gestão social não é a mesma coisa que o negócio do social, como é propagado 
na lógica mercantilista. O que pretendemos destacar é que as políticas sociais oriundas do segundo 
setor (empresas) merecem ser geridas sob a razão substantiva, pois são, de alguma forma, respostas 
à sociedade, e não devem ser entregues à tutela e ao assistencialismo, nem à tecnoburocracia de 
metodologias estratégicas.
Além das habilidades discutidas anteriormente, para uma efetiva gestão social, o gestor precisa 
compreender o contexto social, econômico e político.
Em se tratando da transformação social, o poder de visão do todo é importante para a gestão. 
É  preciso ser criativo, articulador, observador, mobilizador – sujeito social atuante – exercendo a 
liderança de forma descentralizada, pois tem o desafio e a incumbência de levar a entidade/organização 
a produzir resultados para a sociedade. Não basta nomear‑se gestor social – deve efetivar‑se como 
tal – por meio de metodologias de gestão social.
A característica fundamental que distingue as atividades do primeiro, segundo e terceiro setores na 
gestão social é a lógica organizacional. Essa lógica fundamenta suas ações, tendo em vista os objetivos 
a serem alcançados e a garantia de melhores resultados, assim como a visão de mundo das pessoas em 
que se baseiam seus dirigentes.
Aderir ou não ao modelo estratégico de gestão não é o centro de nossas discussões. No entanto, 
evidencia‑se como insuficiente para lidar com a subjetividade do ser humano e com temas como 
cidadania, empoderamento, autonomia, e assim por diante. O planejamento estratégico está na lógica 
organizacional do segundo setor; por isso, não foi pensado e construído para atender a essas demandas, 
muito menos para estabelecer compromisso com as dimensões das relações humanas. O grande desafio 
é nos apropriarmos de algumas metodologias administrativas e conseguirmos aplicá‑las direcionadas 
para os princípios da gestão social defendidos aqui.
4.3 Eminência de novos princípios para a gestão social
Compreender e intervir no social pela perspectiva crítica e comprometida nos obriga a buscar novos 
princípios e metodologias para embasar uma prática social e ética.
Talvez você pergunte: como fazer isso na gestão social? Para Dowbor (1999), as tendências recentes 
de gestão social nos obrigam a repensar formas de organização social e a redefinir a relação existente 
entre o político, o econômico e o social. Esse processo exige transdisciplinaridade nos estudos devido 
à sua complexidade, fruto de vários pontos de divergência e convergência. Isso exige, entre tantas 
coisas, a escuta dos diferentes envolvidos: os atores estatais, empresariais e comunitários. Esse é, sem 
dúvida, um universo em construção! Não há modelos prontos, e sim indicativos para serem aplicados e 
desenvolvidos na prática de gestão social.
55
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Por ser um campo novo e desafiador, você precisa se situar no cenário da gestão social. Ela ainda 
esbarra em muitos entraves que afetam diretamente sua efetivação com caráter mais técnico e 
político. As  políticas sociais, principalmente os programas sociais, raramente ficam a cargo de uma 
única instituição, geralmente há uma pluralidade de organismos e atores envolvidos (instituições 
públicas, privadas, funcionários, ONGs, usuários e tantos outros). A pluralidade deixa o cenário complexo 
e dependente de uma hábil rede de negociação permanente entre os diferentes atores, o que pode 
influenciar nos prazos e no conteúdo dos programas.
Outro ponto de estrangulamento é a fragmentação da burocracia pública, seja pela luta por poder 
institucional, seja pelo poder pessoal, o que afeta diretamente o primeiro item abordado aqui.
Devemos considerar a baixa capacidade institucional e gerencial das instâncias responsáveis 
pelas políticas sociais, o que atinge diretamente sua implementação, por falta de domínio técnico, 
bem como seu devido acompanhamento, monitoramento e avaliação, por falta de um sistema de 
informação funcional.
Com base nesse contexto repleto de entraves para a efetivação da gestão social, diversos autores 
defendem que é necessário haver mudanças no desenho da gestão de políticas sociais, as quais devem 
ter como princípios inter‑relacionados:
•	 descentralização/municipalização das políticas;
•	 participação comunitária e popular na formulação, na decisão, no acompanhamento e na 
fiscalização das políticas e dos programas;
•	 parceria entre poder público e entidades comunitárias e filantrópicas na execução de programas.
Fique atento! Esses princípios mencionados permitem à gestão a adesão e a incorporação de diferentes 
atores de forma mais transparente. Assim, os processos decisórios se tornam mais públicos e portadores 
de mais informação. Os recursos e as capacidades autônomas da comunidade e da sociedade civil são 
potencializados. Por fim, a probabilidade de acerto das intervenções sociais (programas e  projetos) 
é aumentada.
Para trilhar esse longo e necessário caminho da gestão social, é preciso fazer uso de algumas 
ferramentas para viabilizar a efetivação desses novos princípios à gestão. Vamos vê‑las?
4.4 Ferramentas de gestão social
Para uma efetiva gestão social com base nos princípios estudados anteriormente, é necessário utilizar 
alguns instrumentos (ferramentas) que auxiliam nessa função. É importante saber que existem inúmeras 
ferramentas e diversas formas de utilizá‑las. Não há uma receita pronta de como exercer a gestão social, 
pois a sociedade é dinâmica e as realidades locais são diversas. Cabe ao gestor (possivelmente você) 
reinventar formas de fazer uso desses instrumentais técnicos.
56
Unidade I
O gestor é o principal responsável pelos resultados alcançados e pela execução das políticas. Para isso, 
além de desenvolver a capacidade gerencial e política, deve‑se utilizar adequadamente as ferramentas 
gerenciais. Eis a seguir algumas delas.
Conforme Reis (1999), existem as ferramentas operacionais da gestão, ou melhor, o “como fazer” ou 
“por onde começar” na prática da gestão social.
Você veráa seguir que é algo com lógica processual, precisando ser desencadeada no fazer da gestão 
social, seguindo as etapas em um processo contínuo e permanente.
•	 Conhecimento da realidade: consiste na análise situacional do ambiente, dos atores envolvidos, 
do diagnóstico e prognóstico dos indicadores da situação e variáveis de influência.
•	 Decisão sobre a realidade diagnosticada: é o momento de procurar diferentes alternativas 
para enfrentar a situação; buscar estratégia política para sua realização; decidir sobre os recursos 
disponíveis/necessários para a realização da estratégia escolhida. Nessa etapa, é importante 
atentar‑se para estabelecer objetivos, metas, prazos, estimativa de custos, distribuição 
de  responsabilidades (equipe e outras instituições envolvidas), indicadores de resultados e de 
avaliação, e assim por diante. É a parte operativa do planejamento.
•	 Ação: consiste em implementar o que foi planejado. Devemos sempre exercer o controle, 
questionando se o que foi planejado está acontecendo, de que forma, se está dentro do prazo etc.
•	 Crítica: é o resultado final da avaliação, a qual deve estar presente durante todo o processo. 
É quando são analisados os resultados alcançados, as lições que podem servir para novas ações, e 
assim por diante.
Tendo como norte essas ferramentas operacionais da gestão, não parece ser tão difícil ser um gestor, 
não é mesmo? E realmente não é. Basta persistir, planejar e instrumentalizar‑se técnica e politicamente 
para exercer a gestão social.
É válido ter claro que essas ferramentas servem para compreender e gerenciar a complexidade 
ambiental e para solucionar conflitos que, possivelmente, aconteçam durante a implementação de uma 
política, um programa ou um projeto. Elas devem permitir flexibilidade, pois a atuação do gestor precisa 
adaptar‑se aos imprevistos.
A melhor forma para lidar com os imprevistos durante a implementação de programas, projetos 
ou mesmo políticas sociais é fazer uso do devido monitoramento para intervir a tempo nos problemas 
que possam ocorrer ao longo do processo, com grandes chances de corrigir os rumos daquilo que foi 
inicialmente planejado.
57
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Além das ferramentas discutidas, há outras imprescindíveis para a gestão social, que 
envolvem a participação de atores internos e externos à organização (intraorganizacional e 
interorganizacional), sendo elas:
•	 desenho e gestão da descentralização;
•	 desenho e organização de redes interorganizacionais;
•	 metodologias de participação (Ckagnazaroff, 2004).
Veremos a seguir mais detalhes sobre cada uma delas.
4.4.1 Descentralização na gestão social
O conceito de descentralização que enfatizaremos aqui refere‑se à transferência de poder decisório 
e de recursos do centro da unidade central de uma organização para suas unidades subalternas.
Para avaliar o grau de descentralização, é necessário considerar três dimensões – a do processo 
decisório, a da política e a de serviços.
O processo decisório é fundamental para propiciar autonomia ao gestor na tomada de decisões; no 
entanto, é uma utopia na maioria das organizações.
Na prática, para avaliar o grau da descentralização no processo decisório, busque responder às 
perguntas a seguir:
•	 Sobre o que o gestor pode decidir?
•	 Com que recursos políticos e administrativos o gestor pode contar para exercer suas funções?
•	 Que influências ele tem nos processos decisórios dos níveis superiores? (Ckagnazaroff, 2004).
A descentralização política, sucintamente, pode ser entendida como a forma pela qual o poder 
político está influenciando as pessoas. É o momento de analisar o grau de envolvimento do cidadão dos 
sujeitos sociais com a comunidade, com a instituição regional, com a política social e até mesmo com 
os representantes políticos.
Para avaliar a descentralização política, busque analisar as seguintes perguntas:
•	 Existe algum envolvimento dos cidadãos na gestão da regional? Se positivo, como se dá?
•	 Como é a relação entre a unidade descentralizada com a comunidade e com os políticos?
58
Unidade I
A descentralização de serviços refere‑se, resumidamente, à prestação de serviços compartilhada 
entre os diferentes departamentos/setores que compõem a unidade descentralizada. Evite que os 
usuários fiquem transitando de um setor ao outro sem ter sua demanda atendida. Para ficar mais fácil 
perceber o nível de descentralização de serviços, busque responder:
•	 Que serviços a administração regional pode prestar?
•	 Como é a relação entre os diferentes departamentos da regional?
Na descentralização é preciso haver o cuidado para não virem, concomitantemente, a fragmentação 
dos serviços, a má gestão dos recursos, a má delegação de responsabilidades, entre outras consequências. 
Para evitar esses danos e fazer com que prevaleçam os benefícios da descentralização, a gestão 
precisa articular‑se com esquemas de intersetorialidade e participação, temas que estudaremos nos 
tópicos subsequentes.
4.4.2 A pertinência da intersetorialidade e das redes na gestão social
Ainda estamos falando de ferramentas de gestão, por isso, é necessário que você tenha compreendido 
como a descentralização é importante em seus diferentes desdobramentos para uma melhor gestão social. 
Dando sequência, veremos a intersetorialidade na gestão social, uma ferramenta também importante!
Tanto a descentralização como a intersetorialidade têm como foco a territorialização.
Implementar políticas, programas e projetos na perspectiva da intersetorialidade significa buscar 
uma articulação de saberes e experiências nos diferentes setores a fim de atender aos cidadãos de forma 
mais abrangente, totalitária, tanto nas necessidades individuais como nas coletivas.
 Saiba mais
A territorialização é compreendida aqui como reconhecimento da 
particularidade do território e, por consequência, da identificação  de 
heterogeneidade regional. Passou a ser enfocada a partir da década 
de 1980 e 1990 devido à sua possibilidade democratizadora. Leia mais sobre 
esse assunto em:
SPOSATI, A. Gestão pública intersetorial: sim ou não? Comentários de 
experiência. Revista Serviço Social e Sociedade, n. 85, mar. 2006.
É interessante fazer a assinatura da Revista Serviço Social e Sociedade, 
pois será de grande valia para seus estudos, uma vez que nela são publicados 
artigos diversificados! Para isso, acesse:
Disponível em: http://www.cortezeditora.com.br. Acesso em: 22 jul. 2024.
59
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Sobre a gestão intersetorial, Sposati (2006, p. 25) afirma:
 
A gestão intersetorial da ação pública não é algo absoluto ou por si só positivo. 
[...] tem limites e possibilidades em sua aplicação. [...] A intersetorialidade 
não pode ser considerada antagônica ou substitutiva da setorialidade. 
A sabedoria reside em combinar setorialidade com intersetorialidade [...].
É preciso haver uma combinação e uma complementaridade entre a setorialidade, a intersetorialidade, 
a territorialização, a democratização e a participação.
Se esses elementos forem utilizados separadamente, não produzirão um círculo virtuoso, pois cada 
um deles, se utilizado separadamente e de forma fragmentada, não contribuirá para a prática efetiva 
da gestão social. Só haverá êxito se eles forem buscados conjuntamente e inter‑relacionados.
 Observação
Aqui, setor é compreendido como organização pública de um campo de 
intervenção: saúde, educação, habitação etc. Esses campos têm profissionais 
que utilizam de seus conhecimentos para atender a um problema.
 
Ckagnazaroff (2004, p. 51) vai além ao afirmar:
 
O esforço de intersetorialidade leva a uma articulação tanto interna à 
organização, entre diferentes departamentos ou setores, quanto externa, 
com outras organizações, sejam do mesmo nível ou de níveis governamentais 
diferentes, ou organizações privadas ou da sociedade civil. Este aspecto leva 
a noção de rede.
Fica evidente que a intersetorialidade não pode ser considerada como contrária à setorialidade,pois 
ambas são necessárias e se complementam. Essa intersetorialidade pode ser compreendida entre um 
setor e outro (saúde, assistência, justiça etc.), como também de uma organização à outra.
Analise um exemplo prático: para trabalhar na área da criança e adolescência, você precisa estar 
interligado à área da justiça (fóruns, delegacias especializadas e outras), da assistência (programas, 
creches, serviços emergenciais) e tantas outras, já que as demandas que possivelmente aparecem 
exigem essa intersetorialidade e comunicação permanente. Isso pode significar parcerias com outras 
organizações que também atendem à criança e ao adolescente, que podem ser do primeiro, segundo e 
terceiro setores. Por isso, a intersetorialidade nos remete às redes.
A concepção de rede com a qual estamos trabalhando aqui é a da perspectiva de intersetorialidade, 
a qual abarca a inter‑relação entre as diferentes instituições por meio de parcerias em que articulam 
pessoas físicas e/ou jurídicas e organizações públicas e/ou privadas, ocorrendo a promoção de relações 
60
Unidade I
interpessoais, intra ou interorganizacionais, intra ou intergovernamentais e intra e intersetoriais com a 
finalidade de canalizar interesses para resolver questões em comum (Bogason apud Ckagnazaroff, 2004).
Mesmo idealizando as redes como forma de efetivar e otimizar a gestão social, temos muito a avançar. 
Devemos reconhecer que ainda não perpassamos pela cultura da coletividade, haja vista que estamos 
presos aos interesses individuais e/ou isolados tão impregnados em nós e reforçados pelo liberalismo. 
É um desafio necessário para que os serviços sociais sejam mais bem geridos e complementares entre 
um setor e outro.
Falando em redes como alternativa para alcançar a defesa de interesses coletivos e superar o 
individualismo, não poderíamos deixar de abordar outra ferramenta da gestão social, que coaduna com 
as redes e que merece atenção especial – participação cidadã –, a qual estudaremos a seguir.
4.4.3 Participação cidadã como aliada da gestão social
Uma das habilidades exigidas para um bom gestor é a humana. Desenvolver e cultivar uma boa relação 
interpessoal com usuários, equipe técnica e superiores na hierarquia institucional e interorganizacional 
é fundamental para o bom andamento das ações.
Cultivar uma boa relação interpessoal, em nenhum momento quer dizer que você não irá se contrapor 
ou não se posicionar diante dos demais sobre o que pensa de determinado assunto polêmico pertinente 
ao desenvolvimento do trabalho. Ouvir as pessoas e ser ouvido com respeito é o primeiro passo.
Em toda relação interpessoal há divergências que podem ser canalizadas para o bem e não para 
minar as relações. Quanto mais pensamentos diferentes na hora de analisar uma questão para ser 
tomada uma decisão, menor a chance de errar, pois a visão da totalidade é ampliada, mesmo que 
imbuída de ambiguidades.
O bom relacionamento vai muito além da relação pessoal do gestor, já que envolve os principais 
interessados no produto da ação, que são os usuários ou beneficiários, enfim, os cidadãos.
A gestão social precisa ser participativa, bem como deve dividir o poder entre todos os grupos 
envolvidos e proporcionar a possibilidade concreta de todos influenciarem na decisão, a qual deve 
ser coletiva. A descentralização é uma forma de aproximar o governo e a instituição/organização dos 
cidadãos, isto é, deixar com que o Estado e a sociedade civil atuem juntamente para definir prioridades 
nas políticas públicas, visando ao direito do cidadão.
A incorporação dos diferentes atores e dos usuários nas diversas etapas dos projetos requer 
metodologias e técnicas de trabalho, além de organização e apresentação de informações adequadas às 
atividades participativas em comunidades e em grupos populares.
Segundo Gandin (2013), cada vez mais se aproxima o tempo em que governar é coordenar o 
processo de definição conjunta de rumos sociais e, conjuntamente, administrar os meios para seguir a 
caminhada nos rumos estabelecidos. A participação ainda oscila entre “manipulação das pessoas pelas 
61
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
‘autoridades’, por meio de um simulacro de participação; a utilização de metodologias inadequadas, 
com o consequente desgaste da ideia, e a falta de compreensão do que seja realmente a participação” 
(Gandin, 2013, p. 56).
Não basta o discurso ou o “faz de conta” da participação, ela precisa ser efetiva e funcional. O seu 
uso inadequado e manipulador já fez cair em descrédito esse termo; no entanto, precisamos buscar 
seu resgate por meio de metodologias de participação.
Para conhecer e diagnosticar os níveis de participação que há em determinado ambiente, analise‑os 
com base nas definições de Gandin (2013):
•	 Nível da colaboração: é a metodologia mais usual, em que as pessoas são convocadas para 
contribuir, trabalhar, dar apoio ou mesmo silenciar‑se para que as decisões tenham bons 
resultados. Quando esse tipo de ação colhe sugestões e ideias que são acatadas ou desprezadas 
de acordo com os chefes, torna‑se pior, o que ocasiona, naturalmente, a descrença das pessoas 
nessa participação. Essa prática tem sua utilidade, mas não deve ser compreendida como única 
forma participativa, pois, dessa forma, sequer poderia ser chamada de participação.
•	 Nível de decisão: se dá quando o chefe leva a proposta à plenária para que todos decidam. Até aqui, 
tudo certo. No entanto, normalmente são levadas para a decisão coisas menores e desconectadas 
da proposta mais ampla, o que é um engodo, pois vão para a decisão com respostas traçadas.
•	 Nível de construção em conjunto: é o momento mais avançado da participação efetiva, em 
que todos opinam e decidem conjuntamente, sem sobreposição de ideias. Busca‑se o consenso 
da maioria, democraticamente. É o nível mais difícil de ser atingido, mesmo quando as pessoas 
o desejam, devido às imposições estruturais. Em geral, as pessoas não acreditam na igualdade 
fundamental que existe em si, com a tendência de delegar ao mais sábio, ao mais forte, e 
assim por diante.
Todos os níveis de participação expostos são iniciativas democráticas e têm seu valor. Mesmo as 
que se apresentam inicialmente precárias, podem ser consideradas como passos valiosos em rumo da 
participação no nível de construção e decisão em conjunto, que é o ideal almejado. Para isso, os passos 
precisam ser dados gradativamente.
Talvez você pergunte: como utilizar a participação como ferramenta de gestão social? Para iniciar 
uma metodologia de participação efetiva, o primeiro passo é acreditar nas pessoas. Esse crédito deve 
manifestar‑se em plano construído coletivamente sobre os anseios de todos. O plano, que é a parte 
inicial do processo de planejamento, deve ter base na missão da organização.
62
Unidade I
Segundo Gandin (2013), as reuniões são instrumentos indispensáveis. Nelas, colhem‑se e compilam‑se 
as ideias em conjunto, podendo ser eleita uma comissão para esse fim. Na organização das informações 
para a construção do plano coletivo é possível utilizar apenas três critérios para possível exclusão 
de algo, como:
•	 Falta de clareza: só se deve incluir no plano o que se entende efetivamente.
•	 Que não pertence à parte do plano que se está redigindo: aquilo que não cabe para o 
momento deve ser retirado ou guardado para outro momento mais adequado.
•	 Repetição: aquilo que já foi dito, mesmo que em outras palavras, não precisa ser repetido, ou seja, 
é aceitável e justificável sua supressão.
Para o plano ser construído coletivamente entre os interessados, é fundamental respeitar o outro e 
a diferença de opiniões. É necessário ter respeito, e não somente entender, ceder e compreender, mas 
também aderir à decisão coletiva, mesmo que não seja aquela a qual julga como a melhor.
No processo de planejamento participativo, convém distinguir os momentos de participação, já que 
há etapas bem técnicas que podem dispensar a participação direta, como aquelas cujas decisões foram 
tomadas em conjunto55
4.4.1 Descentralização na gestão social ................................................................................................... 57
4.4.2 A pertinência da intersetorialidade e das redes na gestão social ....................................... 58
4.4.3 Participação cidadã como aliada da gestão social .................................................................... 60
4.5 Metodologia ZOPP (planejamento de projetos orientado por objetivos) ..................... 63
4.6 Por que planejar? .................................................................................................................................. 65
4.6.1 Programas e projetos: do planejamento à avaliação ............................................................... 66
4.7 Financiamento ....................................................................................................................................... 69
4.7.1 Fatores que impulsionam a doação ................................................................................................ 69
4.7.2 Quesitos para captação de recursos ................................................................................................ 70
4.7.3 Formas frequentes de concessão de financiamento ................................................................ 76
4.8 Monitoramento e avaliação ............................................................................................................. 77
4.8.1 Monitoramento ....................................................................................................................................... 77
4.8.2 Avaliação .................................................................................................................................................... 79
4.8.3 Monitoramento e avaliação ............................................................................................................... 80
Unidade II
5 AVALIAÇÃO DE PROGRAMAS: DIFERENTES CONCEPÇÕES ............................................................. 89
5.1 Avaliação de programas: diferentes abordagens .................................................................... 90
5.2 Avaliações em função do momento de realização ................................................................. 92
5.3 Avaliação em função de quem a realiza ..................................................................................... 93
5.4 Avaliação em função da escala ou da dimensão dos projetos .......................................... 95
5.5 Avaliação em função dos destinatários ...................................................................................... 96
5.6 Outros enfoques ................................................................................................................................... 96
5.6.1 Critério do conteúdo ou objeto da avaliação ............................................................................. 97
5.6.2 Critério do mérito, razões ou justificativas .................................................................................. 98
6 AVALIAÇÃO DE PROGRAMAS E PROJETOS............................................................................................ 98
6.1 Metodologia de avaliação de programa e projetos ................................................................ 98
6.1.1 Definição de limites e análise do contexto da avaliação ....................................................... 98
6.1.2 Identificação de perguntas e critérios de avaliação ................................................................. 99
6.1.3 Planejamento e condução da avaliação ......................................................................................100
6.1.4 Aspectos políticos, éticos e interpessoais da avaliação .........................................................101
6.1.5 Coleta, análise e interpretação de informações quantitativas e qualitativas ..............103
6.1.6 Apresentação do relatório da avaliação ......................................................................................104
6.1.7 Aspectos metodológicos da avaliação .........................................................................................104
6.1.8 Métodos e técnicas ..............................................................................................................................106
6.2 Avaliação de programas e projetos: elementos fundamentais .......................................108
6.2.1 Objetivos ...................................................................................................................................................108
6.2.2 Metas .........................................................................................................................................................109
6.2.3 Atividades.................................................................................................................................................109
6.2.4 Indicadores .............................................................................................................................................. 110
6.2.5 Elementos em ação ...............................................................................................................................111
6.2.6 Análise custo‑eficácia (ACE) .............................................................................................................112
6.2.7 Análise custo‑utilidade (ACU) .........................................................................................................114
6.3 Avaliação econômica de programas e de projetos ...............................................................115
6.3.1 Análise custo‑benefício (ACB) .........................................................................................................115
6.3.2 Premissas importantes ........................................................................................................................119
6.3.3 Marco lógico .......................................................................................................................................... 120
6.3.4 Avaliação e monitoramento de programas e projetos sociais: um encontro 
com o serviço social ....................................................................................................................................... 122
Unidade III
7 TRABALHO E INFORMALIDADE: A DESESTABILIZAÇÃO DOS ESTÁVEIS ....................................130
7.1 O mundo do trabalho mudou .......................................................................................................130
7.2 Flexibilização e trabalho ..................................................................................................................131
7.3 O perfil demandado ao assistente social diante das múltiplas expressões 
da questão social .......................................................................................................................................135
7.3.1 Novas demandas profissionais ....................................................................................................... 136
7.3.2 Principais demandas do serviço social ........................................................................................ 137
7.3.3 Demanda profissional: aumento da seletividade no âmbito das políticas sociais .... 139
7.3.4 Desafios na atuação profissional ................................................................................................... 140
7.3.5 Reordenamento dos serviços sociais ........................................................................................... 144
7.3.6 Terceirização da gestão da questão social ................................................................................ 145
7.3.7 Novas formas de enfrentamento para o assistente social .................................................. 146
7.4 Matrizes do processo de trabalho do assistente social .......................................................146no plano. Veja, a seguir, o que compete a todos, obrigatoriamente, no processo de 
participação e o que pode ser conduzido somente pela equipe técnica.
•	 Todos: na participação, o que realmente importa são as ideias e as opções que se constroem em 
conjunto. O acompanhamento dos resultados também precisa ser por parte de todos, já que é o 
retorno das ações para a retomada de decisões, de forma cíclica.
•	 Equipe técnica: a definição de técnicas, de instrumentos e de modelos a serem utilizados pode 
ser feita pela equipe coordenadora ou por um coordenador, no caso de instituições pequenas.
Ressaltamos a você que, depois de obter o plano pronto, é necessário haver o feedback sistemático 
dos encaminhamentos e dos resultados a todos os envolvidos. Dessa maneira, o grupo pode acompanhar 
e decidir os rumos, ou novos rumos, de acordo com as necessidades. O sucesso das intervenções, a divisão 
de responsabilidades e o envolvimento de todos somam forças e legitimam as ações, pois reduzem a 
possibilidade de erros e, mesmo que haja, se forem monitorados e avaliados em conjunto poderão ser 
redirecionados, engrandecendo o processo e os resultados.
Todos esses elementos são determinantes para a efetiva participação e, se utilizarmos a metodologia 
ZOPP, estaremos imbuídos de mais uma ferramenta importante para a gestão participativa. Vejamos a 
seguir essa metodologia.
63
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
4.5 Metodologia ZOPP (planejamento de projetos orientado por objetivos)
A metodologia ZOPP foi criada na década de 1980 e veio para atender à necessidade de encontrar 
formas para efetivar a participação social nos processos de planejamento e gestão de projetos. O ZOPP é 
considerado um método contínuo, enquanto perdurarem as ações de determinado programa ou projeto. 
Sua metodologia divide‑se em três grandes etapas, a saber:
•	 De análises: você já viu parte da análise no começo desta unidade, no item “Conhecimento da 
realidade”. Agora, vamos aprimorar esse tema, conhecendo os detalhes e os enfoques a serem 
considerados para análise da realidade. Veja a seguir:
— Análise dos envolvidos: identificação de todos os envolvidos, grupos, pessoas, instituições e 
demais, que podem influenciar de alguma forma o programa ou projeto. Os instrumentos mais 
utilizados são a matriz de envolvimento, os mapas de relação, a matriz de forças e poder, a 
análise organizacional etc.
— Análise dos problemas: o instrumento mais usado é a árvore dos problemas, que contém as 
razões que determinam o desejo de mudança da situação presente para uma nova situação 
futura. Com essa árvore, é possível ordenar, hierarquizar as causas e os efeitos de um problema 
e representar o foco das preocupações de um grupo ou uma instituição. Nela, em forma de 
diagrama, elege‑se o problema central, o que fica no centro; suas causas, na parte inferior; e 
os efeitos, na parte superior.
— Análise dos objetivos: análise de onde se quer chegar, o futuro desejado em relação à situação 
atual. Você pode utilizar o esquema da árvore em forma de diagrama, denominada de árvore 
dos objetivos.
— Análise de alternativas: são muitas as possibilidades de soluções. Aqui elegemos a considerada 
com maior chance de sucesso, em relação ao tempo e aos recursos dos quais dispomos, de sua 
abrangência, entre outros fatores.
•	 Da concepção do plano: é a parte de sistematização do programa ou projeto. Para iniciar, é 
preciso construir uma matriz do plano do projeto (MPP), com os seguintes elementos:
— Elaboração do plano do projeto: deve conter o objetivo global, o objetivo do projeto, os 
insumos, os custos e os resultados esperados, bem como as atividades ou as ações a serem 
utilizados. Para medir os resultados, é necessário explicitar quais serão os indicadores de 
impacto, as fontes de verificação (documento no qual são encontrados os dados da avaliação) e 
os pressupostos ou as suposições que, normalmente, estão fora da governabilidade do projeto, 
porém, são essenciais para seu êxito.
— Implementação do projeto: fase de execução do planejamento e operacionalização das ações 
previstas. Aqui, são detalhados as subatividades, as tarefas, as rotinas, as metas, os responsáveis 
e os executores de cada meta e pressupostos. Todas essas informações compõem o plano 
de trabalho do projeto, na parte operacional do planejamento, além dos planos de recursos 
humanos, materiais e financeiros necessários para desenvolver o que se propõe.
64
Unidade I
•	 Dos resultados: é importante dar atenção à monitoria e à avaliação, etapas que podem compor 
um plano a parte, com metodologia adequada. Os resultados e demais objetivos do projeto, assim 
como os pressupostos, precisam ser monitorados durante todo o desenvolvimento do projeto, 
desde a fase de seu planejamento inicial.
A avaliação e o monitoramento permitem corrigir os rumos para que as ações tenham melhores 
resultados. Estudaremos adiante detalhadamente sobre eles.
 Saiba mais
Para conhecer mais detalhes da metodologia ZOPP, leia o artigo:
MEDEIROS, N. N. Método ZOPP‑PCM: planejamento participativo. Lisboa: 
Europa‑América. UFRGS, 2018. Disponível em: https://shre.ink/DgpR. Acesso 
em: 13 maio 2024.
 
Segundo a metodologia ZOPP, é importante formar um comitê gestor participativo para discutir 
sistematicamente e tomar decisões. Ele deve ser composto por representantes de todos os interessados/
envolvidos no processo, sendo ideal a participação do coordenador do programa ou projeto, da equipe 
técnica, do gestor local, de representantes das instituições parceiras (se for o caso) e, fundamentalmente, 
de pessoas da comunidade, dos usuários e/ou beneficiários dos serviços sociais em questão.
Como você pôde perceber, a participação deve fazer parte da gestão social. Há várias metodologias, 
ferramentas e instrumentos que viabilizam isso, como é o caso da ZOPP. Todas são flexíveis e comportam 
a criatividade e a adaptabilidade.
Depois de aprender sobre algumas ferramentas da gestão, no subtópico 4.6 vamos ver outra 
ferramenta valiosa para o gestor social: aprender as técnicas para a elaboração de projetos destinados 
à captação de recursos.
Para um gestor, além de saber elaborar um bom projeto, há alguns pré‑requisitos que fazem a 
diferença na hora de buscar recursos para executá‑los. Dominá‑los é fundamental para a gestão social. 
Há muitas dicas e técnicas, aproveite‑as!
 Lembrete
O método ZOPP traz três grandes etapas: de análises, de concepção do 
plano do projeto e de resultados. É válido aprofundar‑se nos estudos sobre ele.
65
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
4.6 Por que planejar?
Ao discutir os porquês do planejamento, Menegolla e Sant’Anna (2014, p. 18) afirmam que “a história 
do homem é um reflexo do seu pensar sobre o presente, passado e futuro. O homem pensa sobre o que 
fez; o que deixou de fazer; sobre o que está fazendo e o que pretende fazer”. Isso significa dizer que, no 
uso de sua inteligência, ele sempre pensa e imagina o seu “o que fazer”.
É fácil entender que o ato de pensar não deixa de ser um verdadeiro ato de planejar. Todos, desde 
o momento que acordam até o momento de dormir, estão pensando e/ou planejando o seu cotidiano.
Alguns planejam de forma sofisticada e/ou científica, outros, de forma simples, sem muitos esquemas 
e elaborações técnicas. Justificar a importância e a necessidade do planejar não é tarefa difícil, pois “o 
homem hoje e sempre fez e faz planejamento de suas ações” (Menegolla; Sant’Anna, 2014, p. 18).
Martinez e Lahone (apud Menegolla; Sant’Anna, 2014, p. 18) definem o planejamento
[...] como um processo de previsão de necessidades e racionalização de 
emprego dos meios e dos recursos humanos disponíveis, a fim de alcançar 
objetivos concretos, em prazos determinados e em etapas definidas, a partir 
do conhecimento e avaliação científica da situação original.
Ao analisar essa definição, Menegolla e Sant’Anna (2014) destacam quatro elementos inerentes a 
essa ideia: do planejamento como um processo de prever necessidades;do planejamento como um 
processo de racionalização dos meios e dos recursos humanos e materiais; do processo de planejamento 
com vistas ao alcance de objetivos em prazos e etapas definidas; e do processo de planejamento que 
requer conhecimento e avaliação científica da situação.
Sob o olhar de Baptista (2013, p. 4), o termo planejamento, na perspectiva lógico‑racional, é entendido 
como um “processo permanente e metódico da abordagem racional e científica de questões que se 
colocam no mundo social”. Ainda para a autora em questão, o planejamento, como processo permanente, 
supõe ação contínua sobre um conjunto dinâmico de situações em determinado momento histórico. 
E, como processo metódico, supõe uma sequência de atos decisórios, ordenados em momentos definidos 
e baseados em conhecimentos teóricos, científicos e técnicos.
O planejamento refere‑se, ao mesmo tempo, à seleção das atividades necessárias para entender 
questões determinadas e à otimização de seu inter‑relacionamento, levando‑se em conta os 
condicionamentos impostos a cada caso.
A dimensão de racionalidade do planejamento está fincada em uma lógica que norteia naturalmente 
as ações das pessoas, levando‑as a planejar, mesmo sem perceber. Esse exercício, na concepção de 
Baptista (2013), decorre do uso da inteligência em um processo de racionalização dialética da ação.
Nessa mesma perspectiva, Matus (apud Baptista, 2013) reforça que o planejamento é a tentativa de 
viabilizar a intenção que o homem tem de governar a si próprio e o futuro, ou seja, é um mecanismo 
66
Unidade I
de impor às circunstâncias a força da razão humana. Conforme Baptista (2013), conclui‑se que o 
planejamento é a ferramenta para pensar e agir dentro de uma sistemática analítica própria, estudando 
as situações, prevendo seus limites e suas possibilidades, propondo‑se objetivos e definindo estratégias.
4.6.1 Programas e projetos: do planejamento à avaliação
A política, os planos, os programas e os projetos sociais são canais e respostas às necessidades dos 
cidadãos (Brant de Carvalho, 2001, p. 16). No entanto, antes de qualquer indagação, é preciso conhecer 
e/ou diferenciar programas e projetos.
Consoante as observações de Cury (2001), a política, o plano, o programa e o projeto têm uma 
relação muito estreita.
A política, definida como um processo de tomada de decisões, que inicia com a adoção de postulados 
gerais que posteriormente serão desagregados e especificados, dá origem ao plano, à medida que a 
primeira relaciona meios e fins, concatenando‑os temporalmente.
O plano, por conseguinte, “[...] fornece um referencial teórico e político, as grandes estratégias e 
diretrizes que permitirão a elaboração de programas e projetos específicos, dentro de um todo sistêmico 
articulado e externamente coerente ao contexto no qual se insere” (Cury, 2001, p. 41).
O programa é um conjunto de projetos que buscam os mesmos objetivos, ou melhor, é o 
aprofundamento do plano, detalhamento por setor das políticas e diretrizes do plano. “Ele estabelece as 
prioridades nas intervenções, ordena os projetos e aloca os recursos setorialmente” (Cury, 2001, p. 41).
O projeto “É um empreendimento planejado que consiste num conjunto de atividades inter‑relacionadas 
e coordenadas para alcançar objetivos específicos dentro dos limites de um orçamento e de um período de 
tempo dados” (ONU, 1984 apud Cury, 2001, p. 41).
Concluindo, o projeto “é a unidade mais específica e delimitada dentro da lógica do planejamento”, 
afirma Cury (2001, p. 41).
Plano
Programas
Projetos
Figura 3 
67
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Ao observar essa inter‑relação, podemos perceber que o planejamento perpassa e fundamenta 
todo o processo.
Tendo o planejamento como foco, inevitavelmente algumas questões surgem, como:
•	 Por que é tão importante planejar nossa ação?
•	 Que relação é possível estabelecer entre o planejamento e a elaboração de programas e projetos?
•	 O mérito de um programa ou projeto depende do planejamento?
Essas indagações podem ser desmistificadas se compreendermos que todo projeto deve 
passar, necessariamente, por três momentos: de planejamento, da implementação e da avaliação. 
Cury (2001, p. 40) afirma que “essas etapas estão intimamente relacionadas, possuindo o mesmo grau 
de importância. São momentos que se imbricam, se inter‑relacionam, vão e voltam em um momento 
dinâmico, não linear”.
Nota‑se, a partir do que observa a autora, que para a compreensão do processo de planejamento de 
programas ou projetos sociais é fundamental que ele seja entendido como:
•	 Processo lógico: caracterizado por conteúdos e passos precisos, sistematizados, em um 
encadeamento racional de seus elementos e ações.
•	 Processo comunicativo: o documento do projeto expressa o resultado de uma construção 
coletiva, criando um consenso quanto a objetivos, estratégias e resultados.
•	 Processo de cooperação e articulação: na busca por novas parcerias e nas articulações com as 
redes sociais.
Cury (2001) salienta que essas três dimensões são perpassadas por uma dimensão pedagógica, 
caracterizada pela possibilidade de descrever, analisar e sintetizar fatos e informações, reconhecer e 
aceitar as diferenças, saber trabalhar em grupo de maneira participativa etc.
Ainda sobre os três momentos vitais na elaboração e no desenvolvimento de projetos sociais, 
Cury  (2001) é categórica ao relatar que o reconhecimento dessa interdependência é absolutamente 
necessário à eficiência, à eficácia e à efetividade da ação.
68
Unidade I
 Observação
Conforme aponta Cury (2001), o planejamento, no âmbito dos projetos 
sociais, pode seguir uma sequência lógica:
• da análise de contexto;
• da elaboração de objetivos;
• do estabelecimento de atividades;
• da explicitação dos recursos físicos, financeiros e humanos;
• da análise de possibilidade.
Esse movimento dinâmico não linear que representa os três momentos vitais na elaboração de 
programas e projetos permite a identificação de cada um?
Podemos afirmar que: sim. Cury (2001) descreve em sua obra que a avaliação tem início logo que 
uma proposta de projeto é esboçada – avaliação ex‑ante.
No momento da implementação do projeto, o monitoramento sistemático das atividades e dos 
custos fornece dados necessários não só para a avaliação final, mas para todos os níveis gerenciais. Isso 
possibilita, além do controle efetivo das ações em sua relação com os objetivos, prazos e resultados, bem 
como a correção dos rumos, exigindo de quem planeja o replanejamento que, não raro, afetará custos, 
prazos e o desenvolvimento do projeto.
A verificação da viabilidade do projeto que se desenhou também se define como o momento da 
avaliação ex‑ante, que, antecipando a própria ação, analisa diante dos objetivos propostos os impactos 
projetados sobre cada uma das alternativas de ação quanto a estratégias, recursos, processos e 
resultados pretendidos.
Para concluir, podemos afirmar que, na prática, não é correto separar o planejamento da 
implementação e da avaliação de um programa ou projeto.
Isso equivale a destacar que esses três elementos estão inseridos em um processo altamente 
dinâmico e coletivo.
69
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
 Lembrete
A política é o compromisso público de atuação em longo prazo em 
uma determinada área social, com objetivos gerais bem enunciados e 
acompanhados de instrumentos de implantação.
O programa é conjunto harmônico de ações e projetos de intervenção 
em uma determinada área ou setor social. É o instrumento de implantação 
de uma política pública.
Os projetos são a intervenção ou o conjunto de intervenções em 
determinada área ou setor social, com finalidades, objetivos, prazos, meios, 
forma e área de atuação bem determinados e especificados.
4.7 Financiamento
4.7.1 Fatores que impulsionam a doação
“Quem doa, espera algo em troca” – essa afirmação é constante no meio de captação de recursos 
e em outras instâncias que atuam na área social. O termo “doação” é visto com resistênciapor muitos 
segmentos, principalmente os que buscam a emancipação política e econômica dos sujeitos sociais.
Segundo Falconer e Vilela (2001), no Brasil, o termo “doação” está associado à ideia de caridade, que 
não se distancia da esmola, ou da doação feita para o pedinte, que perpetua uma relação de dependência.
O “algo em troca” pode ter quesitos mais variados, que perpassam desde a realização pessoal, busca 
de aproximação e remissão com o divino, alívio de consciência, luta por uma causa social, ambiental, e 
assim por diante. Esses elementos impulsionam principalmente o voluntariado, no âmbito mais reduzido.
Na esfera do segundo setor, o “algo em troca” pode significar melhoria ou construção da imagem 
“social” da empresa, aumento de produtividade ou de mercado etc.
Para captar recursos, não podemos agir com ingenuidade e acreditar no “amor altruísta” da maioria 
das organizações provedoras, já que elas defendem, primeiramente, os interesses individuais para 
financiar ações para terceiros.
Vejamos, a seguir, alguns quesitos que merecem atenção especial para a captação de recursos das 
fontes financiadoras.
70
Unidade I
4.7.2 Quesitos para captação de recursos
Para captar recursos a fim de intervir na área social, não basta apenas um bom projeto, mesmo que 
esteja com sistema de avaliação e monitoramento adequado e sistematizado. É preciso mais, devendo 
conquistar parceiros que queiram financiar sua ideia.
Segundo Falcão (2012), captar recursos não é vender um projeto, mas conquistar um parceiro. 
Se tivermos um projeto consistente e bem elaborado e apresentarmos para a pessoa certa, na hora certa, 
a chance de sucesso é bem maior. Falcão (2012, p. 3) ainda aconselha a
 
[...] buscar recursos através de todas as fontes disponíveis. As agências 
internacionais, governamentais ou não, disponibilizam para o Brasil milhões 
de dólares; as fontes de recursos governamentais nacionais são as mais 
conhecidas de todos, mas são muito mais burocráticas nos seus trâmites. 
Por isso, [...] a iniciativa privada que disponibiliza mais de um bilhão de 
dólares e é mais simples e objetiva tanto na solicitação de recursos como na 
prestação de contas.
Como podemos deduzir, há recursos para financiar projetos, seja do primeiro, do segundo ou do 
terceiro setor; por isso, é necessário conhecer essas fontes e buscá‑las tanto no Brasil como no exterior.
Entre as instituições que fazem doações para a área social, há as denominadas grantmakers 
brasileiras – organizações que pertencem ao terceiro setor. Para Falconer e Vilela (2001), as grantmakers no 
Brasil têm quatro características centrais:
•	 são privadas e sem fins lucrativos, ou seja, fazem parte do terceiro setor;
•	 oferecem doações para outras organizações sem fins lucrativos ou mesmo para pessoa física;
•	 são autônomas, formalmente independentes na tomada de decisões, mesmo que sejam financiadas 
por outros setores; 
• têm conselho ou diretoria constituídos legalmente; 
•	 são controladas e operadas no país, mesmo que captem recursos no exterior.
As grantmarkers brasileiras fazem parte do próprio terceiro setor e têm uma sustentação financeira 
que permite financiar outras ações, sejam de organizações/instituições, sejam de iniciativas particulares.
Conheceremos, a seguir, algumas dessas grantmakers brasileiras, em que você poderá recorrer para 
obter recursos a fim de desenvolver projetos na área social.
71
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
 Lembrete
Identifique um especialista em captação de recursos, que deve ser 
uma pessoa qualificada, mas se ele não dispuser de tempo e compromisso 
necessários ao trabalho, trará poucos resultados.
Atualize a missão da organização e sua respectiva declaração. 
Assegure‑se de que a sua missão realmente corresponde ao que sua 
organização se propõe.
Avalie o que o mundo exterior pensa de sua organização. Quais 
os aspectos positivos e negativos? Essas informações serão extremamente 
valiosas para o seu esforço de captação de recursos.
Avalie o que a família organizacional pensa da sua organização. 
Os doadores sempre querem saber os pontos fortes e fracos, e toda 
organização tem ambos.
Avalie os programas e serviços da organização. Mantenha uma lista 
atualizada de todos os seus programas, projetos e serviços.
Torne a organização mais visível. As pessoas e as organizações gostam 
de apoiar iniciativas das quais já ouviram falar.
Reúna materiais descritivos. Essa técnica é fortalecida quando 
se coloca algo da sua organização nas mãos do patrocinador em 
perspectiva – uma bonita brochura, cópias de artigos de jornal, um relatório 
anual, um vídeo etc.
Comece a arrecadar fundos para a captação de recursos. Liste cada 
fonte de recursos da organização e reveja esforços anteriores: o último 
evento especial ou esforço de captação atingiu seu objetivo? Exigiu muito 
da equipe e voluntários e não valeu a pena?
Lembre‑se de que tentativa e erro são parte de qualquer esforço de 
captação de recursos, mas não devem ser a estratégia de longo prazo para 
o sucesso.
4.7.2.1 Fontes financiadoras
São muitas as fontes financiadoras a que você poderá recorrer para submeter seus projetos de 
atuação na área social. Começaremos com grantmakers brasileiras. De muitas delas, talvez, você já tenha 
ouvido falar.
72
Unidade I
Das grantmakers brasileiras, expomos aqui as que se caracterizam como doadoras financiadoras na 
área social.
 Destaque
•	 Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária;
•	 Cáritas Brasileira;
•	 Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris);
•	 Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese);
•	 Fase – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional;
•	 Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança;
•	 Fundação BankBoston;
•	 Fundação Belgo‑Mineira;
•	 Fundação Beneficente Heydenreich;
•	 Fundação Brasil Cidadão para a Educação, Cultura e Tecnologia;
•	 Fundação Clemente Mariani;
•	 Fundação CSN para o Desenvolvimento Social e a Construção da Cidadania;
•	 Fundação Educar DPaschoal de Benemerência e Preservação da Cultura e 
Meio Ambiente;
•	 Fundação Feac – Federação das Entidades Assistenciais de Campinas;
•	 Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho;
•	 Fundação O Boticário de Proteção à Natureza;
•	 Fundação Odebrecht;
•	 Fundação Orsa;
•	 Fundação Otacílio Coser;
•	 Fundação Telefônica;
•	 Fundação Vale do Rio Doce de Habitação e Desenvolvimento Social;
73
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
•	 Fundo Cristão para Crianças;
•	 Instituto Ayrton Senna;
•	 Instituto C&A de Desenvolvimento Social;
•	 Instituto Credicard;
•	 Instituto General Motors;
•	 Instituto Itaú Cultural;
•	 Instituto Ronald McDonald de Apoio à Criança;
•	 Instituto WCF‑Brasil;
•	 Instituto Xerox;
•	 Vitae, Apoio à Cultura, Educação e Promoção Social.
Fonte: Falconer e Vilela (2001, p. 43).
 Saiba mais
Para compreender como as organizações citadas devem atuar, uma vez 
que recebem financiamento público, leia a obra:
SPECK, B. W. (org.). Caminhos da transparência. São Paulo: Editora da 
Universidade Estadual de Campinas, [s.d]. Disponível em: https://shre.ink/D8qY. 
Acesso em: 23 jul. 2024.
É importante saber que as grantmakers frequentemente têm relação 
estreita com a elite econômica nacional e internacional, como empresas, 
governos, religiões organizadas e outros atores sociais. Para serem realmente 
autônomas, precisam desenvolver a capacidade própria de geração de recursos, 
independentes dos outros dois setores – Estado e mercado. As grantmakers 
são a organização e a profissionalização da filantropia na tentativa de 
substituir o assistencialismo das doações focais por meio de práticas voltadas 
para a realidade social mediante o financiamento de projetos sociais.
 
74
Unidade I
Falconer e Vilela (2001, p. 17) acrescentam que, “até hoje, as instituições financiadoras foram 
estudadas apenas como fontes de recursos para o terceiro setor e não como componentes em si desse 
setor”. Há muitas organizações que se situam em umalinha tênue entre financiadora e captadora de 
recursos, pois têm perfis mistos.
Seguem algumas das agências internacionais multilaterais que financiam diversas áreas, como 
saúde, educação, entre outras:
•	 Organização dos Estados Americanos (OEA);
•	 Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID);
•	 União Europeia (EU) (ou Comunidade Europeia);
•	 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD);
•	 Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO);
•	 Organização Internacional do Trabalho (OIT);
•	 Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids);
•	 Programa das Nações Unidas para o Controle de Drogas (UNDCP);
•	 Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco);
•	 Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef);
•	 Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Mulher (Unifem).
Além dessas instituições, há muitas outras. Vale a pena você se debruçar e estudá‑las exaustivamente. 
Estude missão, perfis de projetos aprovados, histórico institucional, público‑alvo, e assim por diante. 
Desse modo, você poderá escolher qual se adapta melhor à sua demanda procurada.
75
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
 Saiba mais
Para obter mais informações sobre as instituições que financiam projetos, 
sugiro que consulte os seguintes sites:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS 
(ABONG). Disponível em: http://www.abong.org.br. Acesso em: 23 jul. 2024.
CATÁLOGOS DE FONTES DE FINANCIAMENTO. Conselho Nacional do 
Ministério Público. 2019. Disponível em: https://shre.ink/DHwc. Acesso em: 
19 ago. 2024.
GRUPO DE INSTITUTOS FUNDAÇÕES E EMPRESAS (GIFE). Disponível em: 
http://www.gife.org.br. Acesso em: 23 jul. 2024.
INSTITUTO BRASILEIRO DO TERCEIRO SETOR (IBTS). Disponível em: 
http://www.ibts.org.br. Acesso em: 23 jul. 2024.
INSTITUTO ETHOS. Disponível em: http://www.ethos.org.br. Acesso em: 
23 jul. 2024.
REDE DE INFORMAÇÕES PARA O TERCEIRO SETOR (RITS). Disponível em: 
http://www.rits.org.br. Acesso em: 23 jul. 2024.
SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). 
Disponível em: http://www.sebrae.com.br. Acesso em: 23 jul. 2024.
O livro seguinte traz o detalhamento de todas as organizações expostas 
anteriormente, que compõem as grantmakers brasileiras, um verdadeiro 
“resumão” das organizações com as quais são possíveis parcerias financiadoras 
de seu projeto social. Mãos à obra! Consulte‑o:
FALCONER, A. P.; VILELA, R. Recursos privados para fins públicos: as 
grantmakers brasileiras. São Paulo: Petrópolis, 2001.
 
Segundo Falcão (2012), para captar recursos, ao apresentar um projeto, é necessário ter atitude 
profissional. Pesquisas são fundamentais para isso a fim de determinar o que será apresentado, para 
quem e quando, e, claro, deve ser apresentado pela pessoa certa. Há três atitudes fundamentais que 
precisam ser consideradas ao se buscar parceiros:
76
Unidade I
•	 Não mendigar um “dinheirinho” ao procurar recursos, pois quem assim faz recebe trocados. Quem 
procura recursos deve propor um investimento para o investidor; para isso, é preciso saber que tipo 
de retorno ele está buscando (financeiro, imagem, satisfação pessoal, reconhecimento, resultados, 
entre outros).
•	 Não utilize argumentos que interessam somente a você, pois a outra pessoa pode ter interesses e 
motivações diferentes.
•	 Não venda miséria sob a argumentação de que a instituição está quebrada ou mesmo que 
pessoas de determinada região estão passando necessidade. Mesmo que isso seja verdade, não 
é necessário explicitar e superdimensionar. Quem investe, opta pelo sucesso e não pelo fracasso, 
principalmente sendo do segundo setor.
Além das dicas anteriores, lembre‑se de buscar informações fidedignas sobre o possível financiador, 
pois não há técnica ou dica que substitua o conhecimento de causa, tanto da proposta que defende no 
projeto quanto do perfil da fonte. Busque saber os critérios de seleção, normalmente os preestabelecidos 
e de fácil acesso nos sites. Caso não estejam disponíveis, contate a organização e informe‑se, pois 
isso ajudará a elaborar ou adaptar sua proposta/projeto para melhor atender aos critérios da fonte 
financiadora e, consequentemente, ter maiores chances para obter os recursos. Também são exigidos 
alguns documentos da instituição proponente para que o convênio ou contrato seja celebrado, por isso 
a eminência em buscar essas informações logo no início, para ver se a proponente se enquadra nos 
pré‑requisitos exigidos, os quais variam de uma fonte para outra.
Veja a seguir as especificidades dos recursos disponibilizados para financiamento de projetos.
4.7.3 Formas frequentes de concessão de financiamento
Conforme Falcão (2023), quando se pleitea um financiamento, é importante atentar‑se para as 
várias formas de concessão; as mais comuns são:
•	 Fundo perdido: não é reembolsável, ou seja, o valor disponibilizado não precisará ser devolvido 
total ou parcialmente.
•	 Crédito ou empréstimo: o valor deve ser devolvido à fonte financiadora, de acordo com o 
contrato preestabelecido. Frequentemente incide juros.
•	 Microcrédito: prevê a devolução à fonte financiadora e difere‑se do crédito por financiar 
pequenas quantidades, com foco em iniciativas e empreendimentos de pequeno porte e, em geral, 
de base comunitária.
77
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
 Saiba mais
Para saber mais sobre Projetos e Captação de Recursos, recomendamos 
que você acesse, a seguir, o podcast “Dádiva e Gratidão” que estreou em 
3 de abril de 2023. No EP. Especial #5, Falcão debate sobre vários aspectos que 
envolvem a captação de recursos, desde a construção do projeto, passando 
pela busca por recursos financeiros até a aplicabilidade.
Ricardo Falcão é economista e consultor internacional, com ampla 
experiência em gerenciamento, elaboração, avaliação de projetos, captação 
de recursos e financiamento na iniciativa privada, na Organização das 
Nações Unidas (ONU), como senior program officer da United States Agency 
for International Development do Governo americano e em organizações 
da sociedade civil no Brasil, África e América Latina. Ainda, é autor do livro 
Elaboração de projetos e sua captação de recursos, da Editora Nova.
PROJETOS E CAPTAÇÃO DE RECURSOS (RICARDO FALCÃO) DÁDIVA E 
GRATIDÃO PODCAST ‑ EP. ESPECIAL #005. 2023. 1 vídeo (70 min). Publicado 
pelo canal Dádiva e Gratidão ‑ Podcast. Disponível em: https://shre.ink/DHJn. 
Acesso em: 23 ago. 2024.
 
Mesmo com o recurso do fundo perdido, normalmente exige‑se a prestação de contas de todo o 
valor disponibilizado; portanto, é importante ter organização e responsabilidade no uso desses recursos. 
Deve‑se solicitar nota fiscal de tudo que adquirir e manter a fonte financiadora informada da gestão 
(aplicação dos recursos, resultados etc.) de acordo com os critérios preestabelecidos por ela, sempre com 
transparência e idoneidade. Por exemplo, quando a organização é uma fundação, o Ministério Público 
exige prestação de contas severa, já as associações têm relativa autonomia. Enfatizamos que a prestação 
de contas faz parte do processo, que precisa estar organizado, sistematizado e transparente, passível de 
ser apresentado a quem possa interessar ou a quem de direito for.
Você pôde perceber que há uma diversidade de fontes financiadoras e formas de financiamento 
para a área social. Explorá‑las detalhadamente aqui é inviável, mas é importante que você busque mais 
informações sobre cada fonte. Ressaltamos que, além das citadas, há muitas outras que você poderá 
mapear e buscá‑las como parceiras para o desenvolvimento de projetos sociais.
4.8 Monitoramento e avaliação
4.8.1 Monitoramento
O monitoramento é, segundo Brant de Carvalho (2001, p. 76), uma “fase de avaliação que se faz 
durante a execução do projeto, buscando apresentar seus processos de implementação e execução”. 
Ele deve acompanhar os processos e as atividades, com o objetivo de identificar problemas e realizar 
78
Unidade I
ajustes, aprimoramento e/oucorreções no seu desempenho. “A palavra monitoramento vem da palavra 
latina monere, que significa alerta. [...] Em português tem se traduzido como monitoria e utilizado como 
sinônimo de vigilância, acompanhamento, seguimento ou supervisão” (Buvinich, 1999, p. 20).
Albuquerque (apud Brant de Carvalho, 2001, p. 77) observa:
 
[...] sem dúvida as tarefas do acompanhamento não devem conceber‑se como 
um objetivo em si mesmo, senão como uma ferramenta útil para descrever 
o que se está fazendo e como. A importância do monitoramento está em:
• obter toda aquela informação que, ao início, a meio caminho e uma 
vez finalizado o programa, será necessária para avaliar seu impacto, sua 
eficácia e eficiência.
• descrever a evolução das atividades do programa e desenvolvimento da 
intervenção estabelecendo critérios sobre índices e relações de acordo com 
um esquema e sequência pré‑determinados.
• identificar os pontos críticos na gestão e execução, permitindo 
detectar problemas.
• alertar, aos responsáveis, sobre os riscos de implantar um programa 
distinto do desenhado.
Por fim:
• facilitar a tomada de decisões sobre as ações corretivas a empreender.
• facilitar para a organização o cumprimento de seus objetivos e a medição 
dos programas realizados para sua consecução.
A avaliação do sistema de acompanhamento deve examinar seu conteúdo, viabilidade e oportunidade, 
determinando o grau que ele contribui para a gestão diária do programa e a sua ótima execução.
É importante considerar que não é possível realizar o monitoramento de um projeto ou programa 
sem que ele ofereça de forma clara alguns elementos: objetivos, metas e ações/atividades propostas, haja 
vista que “o projeto é o instrumento que fornece as condições necessárias para o acompanhamento”, 
afirma Brant de Carvalho (2000, p. 76).
Sob determinado ponto de vista, ele é entendido como uma ação que envolve a coleta de informações 
sobre insumos, produtos, atividades e circunstâncias que são relevantes para a efetiva implementação 
do programa ou projeto.
79
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Em outras palavras, segundo Buvinich (1999, p. 20), o monitoramento “fornece a informação e as 
sugestões necessárias para que a gerência do programa verifique o progresso da implementação a fim 
de tomar as decisões cabíveis”.
Visando à efetivação do monitoramento, vale estabelecer, desde o início do projeto, um sistema 
de informação operativo e gerencial permitindo o acompanhamento processual. Para essa efetivação, 
Brant de Carvalho (2001) salienta que algumas condições são necessárias, como:
•	 A especialização de objetivos e resultados, bem como a sequência de passos/ações indicando os 
processos por meio dos quais o resultado é obtido.
•	 A definição de um sistema de informação permitindo captar o seguimento do projeto.
•	 A utilização de indicadores que sejam estratégicos.
Nessa perspectiva, Brant de Carvalho (2001, p. 78) ressalta que:
[...] a observação, o registro de fatos significativos, as reuniões com a equipe de 
gestores e operadores do projeto, as reuniões com usuários ou beneficiários 
do projeto, as reuniões com os parceiros (organizações complementares, 
agentes comunitários e organizações que produzem projetos similares) 
são meios usuais de pesquisa avaliativa nessa fase. Roteiro de entrevistas e 
de reuniões guia para monitoramento e acompanhamento, diário de campo, 
fichas, quadros, mapas são instrumentos básicos para a coleta e o registro 
das informações.
4.8.2 Avaliação
Muitas vezes, a avaliação é percebida como uma etapa do processo de planejamento que se expressa por 
um simples procedimento burocrático de prestação de contas, de fiscalização ou de pesquisa acadêmica.
No campo social, essa concepção precisa ser superada, pois a avaliação deve ser reconhecida como um 
“dos processos indispensáveis na melhoria das decisões e ações”, afirma Brant de Carvalho (2001, p. 63).
Não é difícil definir a avaliação. Uma definição típica de dicionário diz que “avaliar é determinar 
ou estabelecer o valor de algo” (Worthen et al., 2004, p. 77). Os autores ainda afirmam que, entre 
os avaliadores profissionais, não há uma definição de concordância unânime de um sentido exato 
para o termo.
Entre as inúmeras definições mencionadas neste livro‑texto, adotaremos um conceito proposto por 
Scriven (apud Worthen et al., 2004, p. 35), cuja avaliação é entendida como “julgar o valor ou mérito de 
alguma coisa”.
Para atribuir esses juízos de valor ou mérito, é importante estabelecer critérios ou padrões, por parte 
dos atores envolvidos na efetivação do processo.
80
Unidade I
Buvinich (1999) observa a existência de um consenso quanto à avaliação de programas e projetos 
sociais e destaca que os critérios devem orientar‑se pela verificação e análise da pertinência ou relevância 
da intervenção; pela eficácia do alcance dos objetivos e metas; pela eficiência econômica e financeira; 
pelo impacto gerado; e pela sustentabilidade.
O autor ressalta, ainda, que para cada um dos focos apresentados existe uma metodologia e uma 
forma de coleta das informações.
É possível verificar que a avaliação é um processo conduzido antes (fala‑se de avaliação ex‑ante), 
durante e/ou depois da implementação do projeto ou programa, sendo efetuado um juízo sobre seu valor 
ou mérito considerando a relevância dos objetivos e das estratégias, a eficácia (ou efetividade) no alcance 
das metas e dos objetivos esperados, a eficiência no uso de recursos e o impacto e a sustentabilidade da 
intervenção. A avaliação compreende:
•	 Examinar novamente, com juízo crítico, devido às mudanças subsequentes.
— Justificação lógica do programa em termos de adequação dos seus objetivos e estratégias.
•	 Comparar a consecução das metas reais com as estabelecidas.
•	 Verificar a eficiência dos procedimentos utilizados na execução do programa e da qualidade do 
desempenho gerencial.
•	 Determinar a eficiência econômica do programa.
•	 Determinar e traçar a causalidade dos efeitos e o impacto do programa.
•	 Identificar as lições apreendidas e propor recomendações para reforçar os acertos e/ou, se 
necessário, ajustar, reorientar e modificar objetivos, metas, arranjos organizacionais e recursos.
4.8.3 Monitoramento e avaliação
Respeitadas as suas especificidades, não podemos deixar de abordar e refletir sobre a ação 
inter‑relacionada do monitoramento e da avaliação.
Em linhas gerais, tanto o monitoramento como a avaliação, com relação ao programa ou projeto 
social, devem, segundo Brant de Carvalho (2001, p. 77), abarcar:
• os objetivos e o público‑alvo a que se destina a ação;
• o processo decisório sobre o projeto;
• a densidade do projeto, isto é, sua capacidade de inovação e 
adequação às demandas;
81
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
• sua flexibilidade e sagacidade para introduzir alternativas de maior eficácia 
no alcance dos resultados e impactos;
• a coerência entre os objetivos, as estratégias e os resultados 
propostos pelo projeto;
• sua competência para garantir o avanço dos padrões de qualidade 
almejados pelos usuários das ações das organizações;
• os sistemas gerenciais adotados e a capacidade de otimizar recursos e 
competências organizacionais;
• sensibilidade para perceber disfunções geradas pela presença de fatores 
novos ou imprevistos e a consequente capacidade de reação ou adequação 
às novas situações impostas pela dinâmica da realidade;
• os produtos ofertados.
Nota‑se que a principal articulação da avaliação com o monitoramento é que a primeira (avaliação) 
utiliza os dados gerados pelo sistema da segunda (monitoramento). Com isso, conclui‑se que sem um 
bom monitoramento é muito difícil efetuar uma boa avaliação.
Finalizando esta unidade, apresentamos um quadro destacando a complementaridade entre o 
monitoramento e a avaliação, reforçando a tese da interdependência entre as suas ações.
Quadro 2 – Comparativo entre as principais características 
do monitoramento e da avaliação
Categoria Monitoramento AvaliaçãoFrequência Regular Episódico
Propósito principal Melhoria da eficiência do projeto Melhoria da efetividade do projeto
Foco Insumos, produtos, processos, 
efeitos, planos de trabalho
Efetividade, relevância, impacto, 
custo‑efetividade
Adaptado de: Bunivich (1999, p. 26).
 Lembrete
Monitorar e avaliar são ações que visam ao acompanhamento do 
impacto de ações que foram devidamente planejadas. Logo, são ações 
dinâmicas e de fundamental importância para medir a evolução dessas 
ações e para ajudá‑lo a perceber qual foi o seu aprendizado nesse processo.
82
Unidade I
 Resumo
Nesta unidade, apresentamos os princípios fundamentais, as 
responsabilidades e os direitos preconizados pelo Código de Ética do 
Assistente Social. Retomamos brevemente a origem do serviço social e 
seu posicionamento na defesa dos direitos humanos, bem como na luta 
pela construção de uma nova ordem societária, onde devem prevalecer a 
igualdade, a justiça e a equidade social. Essa luta é assumida pela categoria 
profissional e está explícita nos 11 princípios elencados no Código 
de Ética de 1993.
Trabalhamos o cotidiano como espaço de atuação do assistente social, 
apresentando considerações de alguns autores sobre a vida no dia a dia. 
Vimos que é no cotidiano institucional que se concretiza a práxis profissional. 
A práxis é uma categoria do fazer profissional que, por meio do acúmulo de 
conhecimentos teórico‑metodológicos, contribui para que esse profissional 
atue de forma sistematizada com foco na transformação social.
Abordamos algumas questões éticas contemporâneas e, mais 
precisamente, o posicionamento do serviço social frente a essa 
discussão. A questão da ética no interior da profissão está em sintonia 
com os diversos movimentos sociais em prol da vida e da emancipação 
humana. Isso se configura mediante a proposta de efetivar o Projeto 
Ético‑Político do assistente social. Sem entender o significado desse 
projeto no seio da categoria, é difícil perceber o protagonismo da profissão 
no cenário contemporâneo.
Tratamos da mediação como instrumento profissional e suas implicações 
no serviço social, compreendendo‑a como categoria da dialética que passa 
por três fases: da singularidade, da universalidade e da particularidade. Ela 
é uma temática de cunho imprescindível para a prática interventiva do 
assistente social que, ao se apropriar da realidade dos usuários de seus 
serviços, atuará de forma compromissada. É essa a grande contribuição da 
mediação para o serviço social: fornecer elementos para que a profissão 
faça o diferencial na qualidade dos serviços prestados à população.
Estudamos as concepções contraditórias sobre a gestão, que vai da lógica 
econômica administrativa à social. A gestão, na perspectiva organizacional, 
é voltada para a racionalidade, a competitividade e a pressão por resultados 
(de produção, de lucros). A gestão social é pautada na eficácia, na eficiência 
e na efetividade das ações. A gestão é utilizada para fortalecer a cidadania 
dos sujeitos sociais, bem como o empoderamento. Há diferenças entre os 
83
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
tipos de gestor de acordo com as diferentes lógicas. Para os gestores sociais, 
há muitas habilidades e competências a serem desenvolvidas e efetivadas 
no fazer profissional, que incluem domínio técnico, teórico, político, 
administrativo e, principalmente, ético.
Os novos princípios da gestão social são: descentralização/municipalização 
das políticas; participação comunitária e popular na formulação, decisão, 
acompanhamento e fiscalização das políticas e programas; e parceria entre 
o poder público, entidades comunitárias e filantrópicas na execução de 
programas. Todos precisam estar inter‑relacionados, pois se somente um 
ou outro for implementado, a gestão social não terá êxito. As ferramentas 
utilizadas para a gestão social variam de acordo com o contexto e a 
metodologia. Todas têm em comum algumas fases importantes, como: 
conhecimento da realidade, planejamento das ações com base na realidade 
intra e interorganizacional, operacionalização das ações planejadas e 
monitoramento e avaliação. Todo o processo precisa ser participativo. 
É indispensável fornecer feedback aos atores envolvidos, desde a fase que 
antecede as ações, durante e após elas.
Conhecemos o método ZOPP, que traz grandes etapas de análises (de 
concepção do plano do projeto e de resultados), devendo este ser estudado 
mais profundamente.
Entendemos o planejamento como sendo um processo dinâmico, 
permanente e presente em nossas ações e rotinas. Aprendemos que ele 
é uma ferramenta para pensar e agir dentro de uma sistemática analítica 
própria. No campo de programas e projetos sociais, é fundamental na 
garantia do sucesso das ações. Vimos que, ao lado do planejamento, o 
monitoramento e a avaliação são etapas de um mesmo processo.
Os fatores que motivam a doação no âmbito social variam de interesses 
individuais até interesses organizacionais; portanto, não podemos nos iludir 
com a “bondade” dos agentes financiadores.
Estudamos as fontes financiadoras, que são muitas. Tanto no Brasil 
como no exterior, ninguém dá algo sem esperar um retorno. Esse retorno 
pode ser realização pessoal, aproximação e remissão com o espiritual. 
Essas motivações impulsionam as doações/financiamentos da área social, 
além do voluntariado. Para as organizações, o retorno vem por meio de 
melhoria da imagem no mercado, marketing, e assim por diante. Entre as 
fontes financiadoras, há as nacionais e as internacionais como possíveis 
parceiras em projetos sociais que buscam a captação de recursos. Há que se 
considerar algumas dicas para a captação de recursos, como: não mendigar 
“um dinheiro”, não utilizar argumentos que interessam somente a você, 
84
Unidade I
não tentar vender miséria, pois a lógica de quem investe, principalmente 
quando é do segundo setor, é investir no sucesso e não no fracasso, e 
expor as motivações do projeto de acordo com os objetivos do financiador 
(é preciso conhecê‑lo com profundidade – missão, áreas de atuação, 
público‑alvo etc.).
Vimos, por fim, as diferenças entre o monitoramento e a avaliação. 
O monitoramento pode ser compreendido como um fornecedor de 
informações sistematizadas durante a implementação dos projetos para o 
sistema de avaliação. A avaliação é mais ampla, pois inicia juntamente ao 
planejamento das ações, permanece durante a implementação e se mantém 
até o final da execução, podendo persistir após o final das atividades previstas. 
Ambos estão inter‑relacionados, porque um interdepende do outro.
 
85
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
 Exercícios
Questão 1. Vimos, no livro‑texto, que a ética profissional implica, a priori, o direcionamento filosófico 
e ético‑valorativo que determinada profissão escolhe para nortear sua conduta profissional. Também 
vimos que o debate da ética profissional faz reflexões em dois níveis: na dimensão técnico‑normativa e 
na prático‑operativa.
Em relação à essa temática, avalie as afirmativas.
I – A dimensão prático‑operativa do debate da ética profissional é voltada para os aportes 
teórico‑filosófico‑ideológicos da profissão.
II – A dimensão técnico‑normativa do debate da ética profissional implica o direcionamento 
ético‑político das respostas profissionais.
III – As dimensões prático‑operativa e técnico‑normativa do debate da ética profissional estão interligadas.
É correto o que se afirma em:
A) III, apenas.
B) II, apenas.
C) I, apenas.
D) I e II, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa A.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa incorreta.
Justificativa: a dimensão técnico‑normativa do debate da ética profissional é voltada para os aportes 
teórico‑filosófico‑ideológicos da profissão.
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: a dimensão prático‑operativa do debate da ética profissional implica o direcionamento 
ético‑político das respostas profissionais.
86
Unidade I
III – Afirmativa correta.
Justificativa: as dimensões prático‑operativae técnico‑normativa do debate da ética profissional 
estão interligadas. O elo que as sustenta é tanto de natureza teórica (fundamentos que orientam a 
profissão) quanto de natureza ideocultural (visão de mundo dos profissionais). Essa abordagem é mais 
bem esclarecida por Motta (2003, p. 11):
Assim, enquanto a dimensão política da prática encontra‑se imbricada 
nos objetivos e finalidades das ações, principalmente nas possibilidades 
de interferir nas relações e situações geradoras das desigualdades e nos 
mecanismos institucionais para elas voltadas, a dimensão ética reclama 
por princípios e valores humanos, políticos e civilizatórios; e a dimensão 
prático‑operativa consiste na capacidade de articular objetivamente os meios 
disponíveis e os instrumentos de trabalho para materializar os objetivos com 
base nos valores.
Questão 2. A Lei n. 8.662, de 7 de junho de 1993, dispõe sobre a profissão de assistente social 
e assegura que “é livre o exercício da profissão de Assistente Social em todo o território nacional, 
observadas as condições estabelecidas nesta lei” (art. 1º). No art. 5º dessa lei estão estabelecidas as 
atribuições privativas do assistente social.
Com base no exposto, avalie as atribuições a seguir.
I – Prestar assessoria e consultoria a órgãos da Administração Pública direta e indireta, a empresas 
privadas e a outras entidades em matéria de serviço social.
II – Realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de 
serviço social.
III – Dirigir e coordenar unidades de ensino e cursos de serviço social, de graduação e pós‑graduação.
IV – Elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou 
de outras formas de seleção para assistentes sociais ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes 
ao serviço social.
V – Coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de 
serviço social.
87
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
São atribuições do assistente social as expostas em:
A) I, II, III e IV, apenas.
B) I, III e V, apenas.
C) II e IV, apenas.
D) III, IV e V, apenas.
E) I, II, III, IV e V.
Resposta correta: alternativa E.
Análise da questão
No art. 5º da Lei n. 8.662/93 estão estabelecidas as atribuições privativas do assistente social:
•	 coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e 
projetos na área de serviço social;
•	 planejar, organizar e administrar programas e projetos em unidade de serviço social;
•	 prestar assessoria e consultoria a órgãos da Administração Pública direta e indireta, a empresas 
privadas e a outras entidades em matéria de serviço social;
•	 realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de 
serviço social;
•	 assumir, no magistério de serviço social, tanto na graduação quanto na pós‑graduação, disciplinas 
e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular;
•	 realizar treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de serviço social;
•	 dirigir e coordenar unidades de ensino e cursos de serviço social, de graduação e pós‑graduação;
•	 dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em serviço social;
•	 elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou de 
outras formas de seleção para Assistentes Sociais ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes 
ao serviço social;
•	 coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de 
serviço social;
88
Unidade I
•	 fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais;
•	 dirigir serviços técnicos de serviço social em entidades públicas ou privadas;
•	 ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades 
representativas da categoria profissional.
Vale destacar que somente o assistente social pode exercer essas funções sob pena de medidas judiciais 
cabíveis ao exercício ilegal da profissão. O art. 15 da Lei de Regulamentação da Profissão de Assistente 
Social determina que “é vedado o uso da expressão serviço social por quaisquer pessoas de  direito 
público ou privado que não desenvolvam atividades previstas nos art. 4º e 5º” da Lei n. 8.662/1993”.7.4.1 Formação profissional: exigências e perspectivas .................................................................. 148
7.4.2 Resgate da assistência social como espaço do exercício profissional............................ 149
7.4.3 Demandas profissionais e espaços sócio‑ocupacionais ........................................................151
8 INTERDISCIPLINARIDADE ...........................................................................................................................153
8.1 Interdisciplinaridade e prática do serviço social ...................................................................154
8.2 Diálogo sobre a interdisciplinaridade entre o psicólogo social e 
o assistente social ......................................................................................................................................158
9
APRESENTAÇÃO
Caro(a) aluno(a),
Você está recebendo este livro‑texto referente à disciplina de Supervisão de Formação Profissional.
Gostaríamos de convidá‑lo(a) para uma reflexão sobre a importância do estágio supervisionado 
na formação profissional do assistente social. O estágio permite apreender o cotidiano do profissional 
inserido no espaço sócio‑ocupacional de trabalho, conhecendo e compreendendo as estratégias e 
as técnicas da ação profissional, os instrumentais técnicos operativos e as técnicas imprescindíveis 
pertinentes a esse exercício.
Analisaremos como a reflexão faz parte do campo de estágio e subsidia a ruptura com o estigma de 
que teoria e prática são elementos divergentes.
Apresentaremos os diversos campos de estágio, algumas características das políticas implementadas 
nas diversas áreas em que o assistente social se insere e as legislações pertinentes aos direitos sociais 
que se materializam por meio dessas políticas.
Você conhecerá as mudanças ocorridas no mundo do trabalho em virtude da reestruturação produtiva 
e como essas alterações afetam os trabalhadores. Aqui, há a oportunidade de conhecer os precedentes 
da gestão social, as diferentes concepções de avaliação e os monitoramentos de programas e projetos, 
que são de intervenção do estágio supervisionado, voltados para diversas políticas públicas e sociais.
Discutiremos as mudanças no mundo do trabalho, as novas e as principais demandas profissionais 
e os desafios para a sua atuação. Veremos, por fim, a interdisciplinaridade e a prática profissional do 
serviço social, objetivando a busca de soluções para as demandas coletivas.
Esperamos que você tenha um bom aproveitamento dos assuntos distribuídos, assim como uma 
ótima apreensão do exercício profissional no campo de estágio.
10
INTRODUÇÃO
Neste livro‑texto, trataremos de temas relevantes para o serviço social, desde o seu surgimento com 
a implantação do sistema capitalista no Brasil, sua inserção na divisão social e técnica do mercado de 
trabalho até seu posicionamento na defesa dos direitos da classe trabalhadora.
Para se inserir na divisão social e técnica do mercado de trabalho, toda profissão precisa ser 
regulamentada por lei específica. O serviço social como profissão institucionalizada surge no Brasil na 
década de 1930, com a criação das primeiras escolas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Diante disso, abordaremos o serviço social como profissão liberal, apontando algumas fragilidades 
e possibilidades para o exercício autônomo do assistente social. Também apresentaremos as leis 
brasileiras que o regulamentaram e a Lei de Regulamentação da Profissão de Assistente Social vigente 
no país (Lei n. 8.662/1993).
Os princípios fundamentais do Código de Ética do Assistente Social com seus valores ético‑políticos 
direcionam a identidade do profissional na luta pela defesa dos direitos humanos e suas responsabilidades, 
presentes no Código de Ética.
Pensar a ética profissional consiste em fazer uma retomada da discussão sobre Ética Geral. O assistente 
social precisa conhecer a realidade social e, por meio de uma práxis transformadora, contribuir para a 
emancipação dos usuários.
Conhecer a realidade requer conhecer o espaço de atuação, isto é, o cotidiano das instituições. 
A vida no dia a dia se constitui como espaço de trabalho do assistente social, por isso, é alvo de estudos 
na categoria. Neste livro‑texto, vamos discutir o cotidiano como espaço de atuação e a práxis como 
categoria do fazer profissional.
O desempenho do exercício pede a utilização de estratégias e técnicas que estejam subsidiadas 
pela bagagem teórico‑metodológica acumulada pelo acadêmico durante sua formação na universidade. 
É importante que essa formação inicial seja realimentada continuamente pela busca incessante de novos 
conhecimentos. O assistente social deve ser capaz de estabelecer objetivos e finalidades profissionais, 
e, para isso, é fundamental a relação teoria/prática. Esses dois elementos, conectados, permitem a 
mediação que resulta na construção de atividades que criam respostas para as demandas impostas a ele.
O amadurecimento teórico‑metodológico do serviço social tem em seu bojo a contribuição 
hegemônica do materialismo dialético. Essa contribuição é percebida no esforço de vários autores que 
se arvoram a trazer para o debate diversas categorias da dialética. E a mediação, como categoria teórica 
que tem papel teórico‑metodológico imprescindível para a intervenção desse profissional, faz parte do 
instrumental de trabalho.
11
Veremos como o assistente social deve distinguir as perspectivas profissionais, o que é mais que um 
desafio, haja vista que a realidade é dinâmica e, consequentemente, seu exercício também é. Destacaremos 
alguns desses desafios frente à questão social, a fim de despertar em você a reflexão sobre sua atuação 
futura, baseando‑se na construção de investigações quanto às complexas realidades apresentadas.
Após compreender a questão social, é necessário que você escolha e utilize corretamente os 
instrumentais na proposição de ações de enfrentamento das expressões da questão social; para isso, é 
fundamental posicionar‑se sempre com ética, pois a realidade atual está permeada de transformações 
que lesam as classes subalternas, imputam os direitos sociais e reestruturam as condições de 
trabalho de todos.
Com esses conteúdos a serem estudados, você vai conhecer os espaços sócio‑ocupacionais em que 
pode atuar e vai compreender a atuação exercida neles. Ainda, realizará uma leitura sobre a supervisão 
da formação profissional, conhecendo como deve ser o perfil do assistente social diante do processo de 
reprodução das relações sociais e das novas necessidades do mercado. Tais fatos demandam de formação 
profissional que propicie subsídios teóricos, éticos, políticos e técnicos, auxiliando o desenvolvimento 
das competências e habilidades desse profissional, o que vai possibilitar uma ação crítica, criativa 
e comprometida.
Para tanto, é necessário estar familiarizado com as exigências para a sua atuação, que pressupõe 
conhecer a realidade fazendo uso de uma visão de mundo crítica e ao mesmo tempo compreensiva. Para 
analisá‑las, deve‑se considerar as mudanças que ocorrem em velocidade acelerada em nossa sociedade 
e algumas situações com que o assistente social se depara, pois há de se levar em conta o contexto 
inserido. Essas situações não representam o todo profissional, são tendências no cenário da categoria, 
vinculadas pela burocracia, pelo próprio profissional e pela realidade.
Abordaremos, por fim, a interdisciplinaridade no serviço social e sua importância para a articulação 
das ações profissionais. Ela é necessária para atuar em diferentes áreas e espaços sócio‑ocupacionais, 
exercer suas atividades com outros profissionais e desenvolver a reciprocidade e a interação com variadas 
áreas, além de estudar a articulação entre os saberes para estabelecer um planejamento na sua atuação. 
Assim sendo, essa ação tem como meta buscar efetividade nas propostas de trabalho pretendidas por 
profissões que atuam conjuntamente.
Dessa maneira, com as temáticas aqui explanadas,esperamos que você, futuro assistente social, 
esteja preparado para atuar com domínio, ética e responsabilidade nessa profissão. Para tal exercício, 
busque sempre conhecer a realidade do meio em que estará inserido, a fim de oferecer um serviço eficaz 
e direcionado às pessoas que buscam no serviço social suprir suas necessidades.
13
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Unidade I
1 O ETHOS PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL
Quando se faz uma discussão sobre ética profissional, por mais que não se tenha uma noção 
sistematizada de seu significado, todos têm algo a dizer: via de regra, as respostas se voltam para 
a discussão como determinado profissional deve comportar‑se em seu exercício. Logo vem à tona a 
noção do que é certo ou errado, do conjunto de normas, princípios, direitos e deveres que orientam 
determinada profissão.
1.1 O que é a ética profissional?
A ética profissional implica, a priori, o direcionamento filosófico e ético‑valorativo que 
determinada profissão escolhe para nortear sua conduta. Esclarecemos de antemão que são vários 
os elementos constitutivos de um ethos profissional. O debate dela faz uma reflexão em dois níveis: 
na dimensão técnico‑normativa, voltada para os aportes teórico‑filosófico‑ideológicos; e na dimensão 
prático‑operativa, que implica o direcionamento ético‑político das respostas profissionais.
Ambas dimensões estão interligadas e o elo que as sustenta é tanto de natureza teórica (fundamentos 
que orientam a profissão) quanto ideocultural (visão de mundo dos profissionais). Essa abordagem é 
melhor esclarecida por Motta (2003, p. 11):
Assim, enquanto a dimensão política da prática encontra‑se imbricada 
nos objetivos e finalidades das ações, principalmente nas possibilidades 
de interferir nas relações e situações geradoras das desigualdades e nos 
mecanismos institucionais para elas voltadas, a dimensão ética reclama 
por princípios e valores humanos, políticos e civilizatórios; e a dimensão 
prático‑operativa consiste na capacidade de articular objetivamente os meios 
disponíveis e os instrumentos de trabalho para materializar os objetivos com 
base nos valores.
Ela nos instiga a refletir que, apesar de se pautar em um conjunto de princípios éticos e 
políticos presentes no ideário da profissão, vai muito além. No item posterior, essa discussão será 
melhor aprofundada.
1.2 Construção do ethos profissional
A ética profissional faz parte de um contexto sociocultural e remete sempre a um debate filosófico. 
Não existe separação entre ética profissional e social, tendo em vista que o homem, como ser que vive 
a sociabilidade, constrói valores que norteiam as relações com si próprio e com os outros, sendo sujeito 
ético, cuja consciência é construída coletivamente.
14
Unidade I
Sobre isso, Brites e Sales (2000, p. 8) enfatizam: “Não há, portanto, um hiato entre a ética profissional 
e a ética social, pois seria cindir a própria vida do homem na sua totalidade, isto é, em seus diversos 
pertencimentos: trabalho, gênero, família, ideologia, cultura, desejos etc.”
Isso implica dizer que o homem, como ser social, com consciência, que fornece valor, que projeta 
sua ação, constrói‑se como ser na relação que estabelece com seus pares. Essa noção de indivíduo 
social só pode ser produzida na relação com o coletivo. Caso contrário, ele não passaria de meramente 
biológico. Nessa perspectiva, “é a existência ética que qualifica, enriquece e torna complexo o processo de 
(re)produção da coletividade humana” (Brites; Sales, 2000, p. 8).
A ética profissional tende a receber determinações que antecedem a escolha pela profissão, pois, como 
parte de uma socialização primária, produz valores dominantes que são reproduzidos cotidianamente 
por intermédio das relações sociais mais amplas.
Essas determinações que interferem na construção do ethos profissional são permeadas pelo 
conhecimento e, mais precisamente, pela base filosófica que orienta a profissão. Ao adquirir 
um conhecimento filosófico capaz de orientar suas escolhas éticas, a profissão assume o posicionamento 
e o compromisso políticos fundamentados em determinados valores e princípios que se referenciam 
no posicionamento teórico, “que expressam uma dada concepção de homem e de sociedade, que se 
traduzem em normas e diretrizes para a atuação profissional presentes no código de ética” (Brites; 
Sales, 2000, p. 9).
Seguindo essa linha de raciocínio, compreende‑se que a ética profissional é resultado histórico do 
“rumo” que determinada categoria segue na construção de seus fundamentos valorativos, que vão 
repercutir na qualidade do exercício profissional.
Ela configura‑se em um cenário social a partir do direcionamento que a ela é dado, por profissionais 
que dela fazem parte. O que, nos termos de Brites e Sales (2000, p. 9), é:
 
A profissão constrói, historicamente, uma identidade e adquire uma 
legitimidade social tanto a partir da explicação da função social da profissão 
quanto dos contornos éticos que assume o trabalho profissional. Esse 
processo é atravessado por contradições e tensões que envolvem disputas 
políticas e ideológicas na sociedade. Não esqueçamos que o nosso exercício 
profissional realiza‑se numa sociedade capitalista, logo há demandas 
diferenciadas ou entendimentos diversos do que seja função social da 
profissão, no que concerne aos interesses das classes em relação. Desse 
modo, há vários projetos societários em confronto e o posicionamento 
da categoria, ao qual nos referimos, expressa exatamente a opção por um 
determinado projeto social.
15
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Barroco (2022) corrobora com essa reflexão, ao afirmar que ela é permeada por conflitos e 
contradições e suas determinações fundadoras extrapolam a profissão, remetendo às condições mais 
gerais da vida social. E prossegue:
A natureza da ética profissional não é algo estático; suas transformações, 
porém, só podem ser avaliadas nessa dinâmica, ou seja, em sua relativa 
autonomia em face das condições objetivas que constituem as referências 
ético‑morais da sociedade e rebatem na profissão de modo específicos 
(Barroco, 2022, p. 69).
O ethos profissional se configura por ser construído na relação que ocorre entre as necessidades 
ideoculturais e socioeconômicas e as possibilidades de escolhas que permeiam as ações ético‑morais 
nos aspectos diversos, mutáveis e contraditórios das relações sociais estabelecidas na sociedade.
Para respaldar essa discussão, citamos mais uma vez Barroco (2022, p. 69), que brilhantemente 
compreende o ethos profissional
Como um modo de ser construído a partir das necessidades sociais inscritas 
nas demandas postas historicamente à profissão e nas respostas ético‑morais 
dadas por ela nas várias dimensões que compõem a ética profissional.
Isso implica dizer que a construção desse ethos extrapola o caráter normativo da profissão, e sua 
composição se dá no campo de diversas esferas, ora assinaladas por Barroco (1999, p. 129):
Esfera teórica: trata‑se das orientações filosóficas e teórico‑metodológicas 
que servem de base às concepções éticas e profissionais, com valores, 
princípios, visão de homem e de sociedade.
Esfera moral prática: diz respeito: a) ao comportamento prático individual 
dos profissionais relativo às ações orientadas pelo que se considera bom/mau, 
aos juízos de valor, à responsabilidade e compromisso social, à autonomia e 
consciência em face das escolhas e das situações de conflito; b) ao conjunto 
das ações profissionais em sua organização coletiva, direcionada para a 
realização de determinados projetos com seus valores e princípios éticos.
Esfera normativa: expressa‑se no Código de Ética Profissional, exigido, por 
determinação estatutária, de todas as profissões liberais. Trata‑se de um 
código moral que prescreve normas, direitos, deveres e sansões determinadas 
pela profissão, orientando o comportamento individual dos profissionais e 
buscando consolidar um determinado projeto profissional com uma direção 
social explícita.Diante do exposto, reitera‑se a discussão de que um ethos profissional não se restringe meramente ao 
conjunto de normas e princípios. Essa visão que relaciona a ética profissional exclusivamente ao código 
de ética e ao conjunto de obrigações formais é equivocada e possui caráter ético meramente legalista.
16
Unidade I
A dimensão da ética profissional extrapola o caráter endógeno da profissão: ela é o retrato daquilo que 
determinada atividade escolheu para adquirir legitimidade social, que implica o direcionamento 
teórico‑filosófico, posicionamento ético‑político e o modo de ser e viver, sujeitos individuais e coletivos 
que participam ativamente na construção desse ethos.
1.3 Trajetória do ethos profissional em serviço social
Falar da trajetória histórica da ética profissional em serviço social implica fazer uma breve 
abordagem do processo de sua construção. O serviço social é construído no seio de relações sociais e, 
mais especificamente, no bojo do processo de consolidação do capitalismo monopolista, cujo caráter 
contraditório da divisão capital‑trabalho gera uma série de “mazelas sociais”. Para apaziguar as situações 
de “caos social” e paralelamente conter os avanços da classe operária que reivindicava seus direitos, a 
Igreja, a burguesia e o estado se aliaram.
O serviço social configura‑se como fruto de múltiplas determinações que lhe conferem significado 
histórico e social. A construção de seu ethos não poderia estar descolada da forma como vem se 
configurando no cenário capitalista.
Seguindo essa linha de raciocínio, a ética do serviço social se divide em duas etapas: um ethos 
conservador ou tradicional, que vai até meados dos anos 1970; e um ethos de ruptura, que tem seu 
marco inicial nessa mesma década.
1.4 Ethos conservador do serviço social
O ethos conservador ou tradicional do serviço social expressa a moral burguesa articulada com 
a cristã e a positivista. Podemos afirmar que essa ética em questão preconiza a defesa da autoridade, 
da ordem e da tradição.
Ela traz uma visão de homem e de sociedade expressa na tríade: neotomismo, pensamento 
conservador e positivismo. Não compete aqui fazer uma explanação dessas três teorias, tendo em vista 
que implicaria acirrada discussão; no entanto, é necessário retomar, brevemente, cada uma delas.
O neotomismo significou uma retomada da filosofia de Santo Tomás de Aquino (teólogo/filósofo 
do século XIII) a partir das primeiras décadas do século XX. Essa filosofia restauradora teve repercussão 
(aliás, ainda tem) nas doutrinas da Igreja. Seus pressupostos se referenciam no princípio de que Deus é a 
fonte de todos os seres e que a pessoa humana, sendo a imagem e a semelhança de Deus, é caracterizada 
como um ser de dignidade, perfectibilidade e sociabilidade humana. O foco central dessa corrente teve 
forte repercussão na formação moral dos primeiros assistentes sociais, com a ideia primordial de bem 
comum e harmonia da sociedade.
Sobre o pensamento conservador, afirma‑se que ele se constitui em um conjunto de ideias que 
trazem a herança do pensamento intelectual europeu do século XIX, que, reinterpretado, transforma‑se 
em uma ética de explicação e em projetos de ação favoráveis à manutenção da ordem capitalista. Suas 
principais características implicam a defesa da tradição social, com origem medieval.
17
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Brites e Sales (2000, p. 25) ponderam sobre esse pensamento: “Daí a valorização dos seguintes 
elementos: status, hierarquia, tradição, autoridade, corporativismo, ritualismo, simbologismo religioso e 
de pequenos grupos, como família, vizinhança, comunidade, entre outros”.
O conservadorismo no serviço social significou o período que vai desde a gênese profissional, 
na década de 1930, até meados da década de 1960, sendo contestado a partir do Movimento de 
Reconceituação.
O positivismo, por fim, configura‑se como uma corrente filosófica de pensamento, sistematizada 
por Auguste Comte (século XIX), que parte do princípio de que a vida social é regida por leis que 
são similares às da natureza. A filosofia positivista inspira‑se no método de investigação das ciências 
da natureza para explicar a vida social. Aqui, a sociedade é um todo orgânico, constituída por partes 
integradas e coesas que funcionam harmonicamente, seguindo um modelo físico ou mecânico. Durante 
anos, a prática do serviço social ficou sob esse entendimento, seja na visão de homem e de sociedade, 
seja nas práticas cotidianas dos primeiros assistentes sociais.
O caráter ajustador e a visão clientelista da profissão são duas dessas características que durante 
muito tempo orientaram os assistentes sociais. Entre os objetivos da profissão, está presente o papel de 
eliminar as disfuncionalidades do indivíduo. Os problemas sociais eram considerados como anormalidades 
e competia ao profissional tratar as condutas desviadas.
A tríade pensamento conservador/neotomismo/positivismo elimina do âmbito da formação e do 
exercício profissional a compreensão sobre:
•	 A substância profundamente desigual da sociedade capitalista, considerada como natural, 
harmônica e capaz de realizar as necessidades individuais e sociais.
•	 As condições da exploração capitalista e as relações sociais que sustentam o trabalho alienado, 
inerentes ao processo de dominação e manutenção da ordem burguesa.
•	 O caráter contraditório da prática profissional e sua participação no processo de reprodução 
social dos interesses de classes contrapostas que convivem em tensão (Iamamoto; Carvalho, 
2020, p. 54).
•	 A dimensão ético‑política da prática profissional, em nome de uma neutralidade axiológica, 
afinada com a necessidade de legitimar a suposta “face humanitária do Estado e do empresariado” 
(Brites; Sales, 2000, p. 27).
Diante dessa breve contextualização, podemos indagar: como tudo isso repercute na ética profissional 
dos assistentes sociais? Qual a relação dessa tríade com os códigos de ética?
A história da ética nessa área traz em seu bojo cinco códigos de ética: a primeira formulação em 1947; 
a reformulação em 1965; a reelaboração em 1975 (esses três primeiros códigos são o que denominamos 
de ethos tradicional); a reformulação em 1986; e o código de 1993 (ethos de ruptura).
18
Unidade I
Compreendendo código de ética como “uma dimensão da ética profissional que remete para o 
caráter normativo e jurídico que regulamenta a profissão no que concerne as implicações éticas de 
sua ação” (Bonetti, 1996, p. 171), os três primeiros códigos, ao longo de seus artigos e alíneas, vêm 
corroborar essa proposta de ética valorativa voltada para as ideias de bem comum, pessoa humana, 
integração social etc.
Para exemplificar, vejamos os arts. 7º e 8º do Código de 1965:
 
Artigo 7º – Ao assistente social cumpre contribuir para o bem comum 
esforçando‑se para que o maior número de criaturas humanas dele se 
beneficiem, capacitando indivíduos, grupos e comunidades para sua melhor 
integração social.
Artigo 8º – O assistente social deve colaborar com os poderes públicos na 
preservação do bem comum e dos direitos individuais, dentro dos princípios 
democráticos, lutando inclusive para o estabelecimento de uma ordem 
social justa (CFESS, 1965, p. 2).
O Código não foge dessa fundamentação. Vejamos seu art. 5º, II, “b”, dos deveres do assistente social: 
“Esclarecer o usuário quando a diagnóstico, prognóstico, plano e objetivos do tratamento, prestando à 
família ou aos responsáveis os esclarecimentos que se fizerem necessários” (CFESS, 1975, p. 5).
Ainda no art. 5º, VI, “a” e “b”:
 
a) zelar pela família, defendendo a prioridade dos seus direitos e encorajando 
as medidas que favoreçam sua estabilidade e integridade;
b) participar de programas nacionais e internacionais destinados à elevação 
das condições de vida e correção dos desníveis sociais (CFESS, 1975, p. 6).
Em suma, o ethos conservador, observado nos códigos de ética, perpassou toda a constituição 
histórica da profissão que, até meados dos anos 1970, trazia um perfillegitimador da ordem capitalista. 
O processo de ruptura ocorreu pouco depois do Movimento de Reconceituação.
1.5 Ethos de ruptura
A construção de uma nova moralidade profissional do serviço social volta‑se para o “novo” 
direcionamento interventivo que essa profissão assume no cenário brasileiro nos anos 1980 e 1990.
19
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
 Lembrete
A ética de uma profissão não se restringe a um código de 
ética  –  sua construção se configura na própria concepção de profissão 
inserida na sociedade.
 
O novo ethos profissional do serviço social é mediado por um comprometimento político com a 
classe trabalhadora e com as lutas populares, buscando garantir uma ética voltada para uma nova 
moralidade profissional, que implica valores emancipatórios, como a defesa da democracia, da liberdade 
e dos direitos.
Com respaldo teórico na vertente marxiana, o serviço social adentra os anos 1980 com certa maturidade 
teórico‑metodológica e ideológico‑política, consolidando‑se nos anos 1990 com o novo Projeto 
Ético‑Político Profissional. Sobre esse projeto, aprofundaremos a discussão em módulos posteriores.
O Código de Ética de 1986 implica a ruptura com os códigos anteriores, trazendo uma nova 
abordagem dos fundamentos ético‑filosóficos ao negar definitivamente as ideias abstratas, metafísicas 
e idealistas do real (da sociedade e do homem).
A nova ética é resultado da luta da classe trabalhadora e, consequentemente, de uma nova visão da 
sociedade brasileira. A categoria, por meio de suas organizações, faz uma opção clara por uma prática 
profissional vinculada aos interesses dela (CFESS, 1986, p. 1).
O Código de 1986 trouxe avanços significativos, principalmente em relação aos aspectos políticos e 
educativos. Todavia, apresentou fragilidade quanto à sua operacionalização no cotidiano profissional, 
ou seja, era preciso valorizar os aspectos educativos e políticos, sem deixar de dar a mesma importância 
aos normativos e jurídicos, que praticamente não foram enfatizados nele, sendo necessária uma nova 
revisão, que culminou com o novo Código de 1993.
Paiva e Sales (2000, p. 176) embasam essa discussão:
 
O código precisa tematizar, na verdade, o dever ser: como a prática pode 
ser realizada de acordo com os princípios éticos definidos pelo projeto 
político‑profissional, recusar o que não é aceitável dentro do exercício do 
serviço social, ou seja, o que é proibido e vedado ao assistente social fazer. Tais 
parâmetros não ficavam, porém, suficientemente claros no texto anterior, 
em termos de possibilidades de respostas e situações e dilemas profissionais, 
demonstrando a presença mais de uma entonação teórico‑metodológica do 
que de uma configuração normativa.
20
Unidade I
Apesar das críticas levantadas em torno do Código de 1986, houve reconhecimento de que ele 
representou um extraordinário avanço ao expressar, no plano da reflexão ética, boa parte do conjunto 
de conquistas que a categoria vinha acumulando desde o Movimento de Reconceituação.
A reformulação no Código de 1993 se apropria desse conjunto de conquistas já assinaladas no 
de 1986, como a luta pela democracia e pela cidadania, o que culminou com o reconhecimento pelo 
serviço social dos usuários e de seus direitos. Sobre isso, Terra (2000, p. 2) afirma que “O novo Código 
de Ética desponta como instrumento de defesa não só para a categoria como, também, para o usuário”.
O novo código configura uma acirrada postura profissional respaldada por princípios e valores que 
preconizam uma defesa intransigente “da democracia, da equidade, da liberdade, da defesa do trabalho, 
dos direitos sociais e humanos, contestando discriminações de todas as ordens” (Netto, 1999, p. 12), em 
uma perspectiva de fortalecer cada vez mais a identidade profissional articulada com um projeto de 
sociedade mais justa e democrática, cuja emancipação humana está acima de tudo.
1.6 Serviço social: uma profissão liberal
Iniciemos com a seguinte pergunta: o que é uma profissão liberal?
Conforme preconiza o Estatuto da Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL) no 
seu art.  1º,  §  2º, “profissional liberal é aquele legalmente habilitado a prestar serviços de natureza 
técnico‑científica de cunho profissional com a liberdade de execução que lhe é assegurada pelos princípios 
normativos de sua profissão, independente de vínculo da prestação de serviço” (Estatuto..., 2024, p. 3).
Conforme a CNPL, ela se constitui como uma profissão legalmente reconhecida e regulamentada 
por lei específica. O profissional deve ter formação técnica ou superior, e essa deve propiciar a aquisição 
de conhecimentos teóricos, técnicos e metodológicos, todos de cunho científico.
Quando o Estatuto da CNPL se refere à liberdade do profissional na execução de suas atribuições, 
está garantindo a autonomia dele; no entanto, é cada vez menor o número de profissionais que exercem 
suas atividades autonomamente. No caso do serviço social, a maioria dos assistentes sociais atua no 
âmbito do serviço público (União, estado e município), na condição de assalariado‑vendedor.
Ao se referir aos princípios normativos, a CNPL preconiza que o exercício deve ser orientado pelas 
normativas estabelecidas em lei. O serviço social é regulamentado pela Lei n. 8.662/1993 (Brasil, 1993) 
e o fazer profissional do assistente social é norteado pelo Código de Ética do Assistente Social. É, ainda, 
fiscalizado pelas entidades representativas da categoria: Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e 
Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS).
O serviço social foi enquadrado como profissão liberal em todo o território nacional pela Lei n. 3.252, 
de 1957, cujo Regulamento foi aprovado pelo Decreto n. 994, de 1962, ambos revogados pela 
Lei n.  8.662/1993 (Brasil, 1993). Apesar de ele ser considerado uma profissão liberal, autores dessa 
área discutem sobre a fragilidade da autonomia do assistente social no exercício. Vamos pontuar as 
observações feitas por Marilda Vilella Iamamoto e Raul de Carvalho, no livro Relações sociais e serviço 
social no Brasil.
21
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Para Iamamoto e Carvalho (2020), ele não tem uma prática peculiar às profissões liberais. O assistente 
social não tem exercido a profissão de forma independente, não dispondo de condições materiais e 
técnicas para seu trabalho. Ele se constituiu como vendedor de sua força de trabalho, em uma relação 
de assalariamento.
Esse profissional não tem o completo controle sobre o seu trabalho, especialmente quanto às questões 
de caráter administrativo, como a jornada de trabalho a ser cumprida, o valor de sua remuneração e 
o público a ser atendido. Na maioria das vezes, quando ele se insere na instituição empregadora, essas 
questões já estão predefinidas.
A fragilidade da autonomia não implica a eliminação do caráter liberal do serviço social.
 
Outra característica a ser ressaltada é a existência de uma relação singular 
no contato direto com os usuários, o que reforça um certo espaço para 
a atuação técnica, abrindo a possibilidade de se reorientar a forma de 
intervenção conforme a maneira de se interpretar o papel profissional 
(Iamamoto; Carvalho, 2020, p. 87).
É preciso ter claro que há uma definição jurídico‑legal que assegura o caráter de profissão liberal ao 
serviço social e que possibilita e garante o exercício independente de sua profissão. Essa tem uma Lei de 
Regulamentação que estabelece atribuições que são privativas. A seguir, faremos uma contextualização 
histórica do processo de regulamentação do serviço social.
1.7 Regulamentação do serviço social: contextualização histórica
As primeiras escolas de serviço social surgiram, no Brasil, na década de 1930, fundamentadas na 
doutrina cristã da Igreja Católica e na filantropia e caridade, praticadas por agentes leigos da Igreja. 
Nessa época, o serviço social tinha caráter conservador e atuava para legitimar a ordem estabelecida 
pelas classes dominantes em detrimento da defesa dos direitos das classestrabalhadoras.
Somente na década de 1950, especificamente em 13 de junho de 1953, foi criada a Lei n. 1.889, 
regulamentada pelo Decreto n. 35.311, de 1954. A referida lei dispunha sobre os objetivos do ensino do 
serviço social, sobre sua estruturação e sobre as prerrogativas dos portadores de diploma de assistente 
social e agente social.
 Observação
Em 1957 foi instituída a Lei n. 3.252, regulamentada pelo Decreto n. 994, 
de 15 de maio de 1962. Ela estabeleceu o exercício da profissão de 
assistente social e criou o Conselho Federal de Assistentes Sociais (CFAS) e 
os Conselhos Regionais (Cras).
 
22
Unidade I
De acordo com o art. 3° da Lei n. 3.252, são atribuições do assistente social:
•	 direção de escolas de serviço social;
•	 ensino das cadeiras ou disciplinas de serviço social;
•	 direção e execução do serviço social em estabelecimentos públicos e particulares;
•	 aplicação dos métodos e técnicas específicos do serviço social na solução de problemas sociais.
A Lei 8.662/93 estabelece atribuições privativas ao assistente social. Altera as denominações 
de Conselho Regional de Assistentes Sociais (Cras) para Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) 
e de Conselho Federal de Assistentes Sociais (CFAS) para Conselho Federal de Serviço Social (CFESS).
A seguir, vamos conhecer os aspectos introdutórios da lei atual.
1.7.1 Conhecendo a lei de regulamentação da profissão de assistente social
A Lei n. 8.662/1993 dispõe sobre a profissão de assistente social e assegura que “é livre o exercício 
da profissão de Assistente Social em todo o território nacional, observadas as condições estabelecidas 
nesta lei” (art. 1º).
No art. 2º, a lei preconiza que somente poderão exercer a profissão de assistente social os possuidores 
de diploma em curso de graduação em serviço social, oficialmente reconhecido e expedido por 
estabelecimento de ensino superior, devidamente registrado no órgão competente. O parágrafo único 
do referido artigo dispõe que “o exercício da profissão de assistente social requer prévio registro nos 
Conselhos Regionais que tenham jurisdição sobre a área de atuação do interessado nos termos desta lei”.
O art. 3º deixa explícito que a designação profissional é privativa aos habilitados na forma da 
legislação vigente, não devendo ser usada para indicar práticas assistenciais.
No art. 5º estão estabelecidas as atribuições privativas do assistente social:
•	 coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e 
projetos na área;
•	 planejar, organizar e administrar programas e projetos em unidade de serviço social;
•	 prestar assessoria e consultoria em órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas 
privadas e outras entidades;
•	 realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres;
•	 assumir, no magistério de serviço social, tanto a nível de graduação como pós‑graduação, disciplinas 
e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular;
23
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
•	 realizar treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários;
•	 dirigir e coordenar unidades de ensino e cursos de serviço social, de graduação e de pós‑graduação;
•	 dirigir e coordenar associações, núcleos e centros de estudo e de pesquisa;
•	 elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou 
outras formas de seleção, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao serviço social;
•	 coordenar seminários, encontros, congressos e eventos;
•	 fiscalizar o exercício profissional por intermédio dos Conselhos Federal e Regionais;
•	 dirigir serviços técnicos em entidades públicas ou privadas;
•	 ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades 
representativas da categoria profissional.
Somente o assistente social pode exercer essas funções sob pena de medidas judiciais cabíveis 
ao exercício ilegal da profissão. O art. 15 da Lei de Regulamentação da profissão de assistente social 
determina que “é vedado o uso da expressão serviço social por quaisquer pessoas de direito público ou 
privado que não desenvolvam atividades previstas nos arts. 4º e 5º” da Lei n. 8.662/1993. O parágrafo 
único do mesmo artigo atesta que:
 
As pessoas de direito público ou privado que se encontrem na situação 
mencionada neste artigo terão o prazo de noventa dias, a contar da data 
de vigência desta lei, para processarem as modificações que se fizerem 
necessárias a seu integral cumprimento, sob pena das medidas judiciais 
cabíveis (Brasil, 1993).
A Lei n. 3.252/1957 só se referia às atribuições em termos de prática da docência, direção, secretaria 
e supervisão nas escolas de serviço social, bem como somente à função de direção; assim, a lei de 1993 
trouxe avanços, acrescentando o magistério tanto em nível de graduação como de pós‑graduação e 
supervisão direta de estagiários.
 Saiba mais
Você pode ter mais informações sobre a Lei de Regulamentação em:
BRASIL. Lei n. 8.662, de 7 de junho de 1933. Dispõe sobre a profissão de 
Assistente Social e dá outras providências. Disponível em: https://shre.ink/DxCT. 
Acesso em: 16 jul. 2024.
 
24
Unidade I
1.7.2 Contextualização do serviço social
O serviço social surge durante a implantação do sistema capitalista, quando da instauração da 
Revolução Industrial, no século XIX. Nesse contexto histórico, emerge na sociedade a luta entre burguesia 
e proletariado.
Com a consolidação do sistema capitalista surge a chamada questão social, que exige a intervenção 
do Estado nas relações entre empresariado e operários, visando minimizar os problemas sociais advindos 
da exploração da força de trabalho para acumulação de lucros.
O serviço social teve, inicialmente, a missão de contribuir com a legitimação do capitalismo, 
desenvolvendo uma prática pautada pelos ditames da burguesia industrial, atendendo aos interesses 
das classes dominantes. Com essa missão, inseriu‑se na divisão social e técnica do mercado de trabalho, 
na organização e na prestação de serviços sociais, por meio de políticas públicas e sociais para o 
enfrentamento da questão social como resposta do Estado às condições de miséria pelas quais passava 
a classe operária.
Na atualidade, atua sob novas perspectivas, na defesa intransigente dos direitos humanos e na 
recusa do autoritarismo. Assume o compromisso profissional em favor da ampliação e consolidação da 
cidadania, da democracia, da equidade e da justiça social, com vistas à construção de uma nova ordem 
societária, sem dominação‑exploração de classe, etnia e gênero.
O serviço social vem traçando um fazer profissional na formulação de propostas criativas frente às 
expressões sociais. Sobre ele, Iamamoto (2022, p. 175) afirma que o desafio é redescobrir alternativas 
e possibilidades para o trabalho profissional no cenário atual, bem como traçar horizontes para a 
formulação de propostas que façam frente à questão social e que sejam solidárias com o modo de vida 
daqueles que as vivenciam, não só como vítimas, mas como sujeitos que lutam pela preservação e por 
conquistas da sua vida, da sua humanidade. Essa discussão é parte dos rumos perseguidos pelo trabalho 
profissional contemporâneo.
O assistente social necessita estar revestido de conhecimento teórico e metodológico para decifrar a 
realidade em que está inserido para, assim, intervir de forma propositiva e criativa, em uma perspectiva 
emancipatória dos usuários da profissão, visando à transformação social.
Para contribuir com a construção de uma nova ordem societária, mais justa e equânime, a atuação 
dele é norteada pelo Código de Ética do Assistente Social. O desafio é materializar os princípios 
fundamentais desse Código no cotidiano da prática laboral.
25
SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
2 COMPETÊNCIA E HABILIDADE DO ASSISTENTE SOCIAL
Pensar a ética profissional consiste em fazer uma retomada da discussão sobre ética geral. A ética 
“comofilosofia crítica interfere diretamente na realidade, contribui para a ampliação das capacidades 
ético‑morais” (Barroco, 1999, p. 55). Sob essa perspectiva, a ética perpassa todas as dimensões da vida 
social, daí a “fragmentação” em diversas éticas: social, religiosa, familiar e profissional.
Você, naturalmente, pode pensar que a ética é uma coisa bem presente no dia a dia, e realmente é, 
pois nossos comportamentos são recheados de valores morais que foram construídos historicamente 
e que são alvo de reflexão ética. Nesse tópico, abordaremos a ética, e mais precisamente a sua relação 
com a ética profissional, levando‑o(a) a compreender que não há um hiato entre elas. Por isso, queremos 
convidá‑lo(a) a refletir sobre essa relação.
2.1 Código de Ética de 1993: algumas considerações
O Código de Ética de 1993, com seus valores ético‑políticos, direciona a identidade do assistente 
social na luta pela defesa dos direitos humanos. Essa se dá na relação entre o público e o privado, isto é, 
entre as instituições públicas e privadas, e o “desafio é transformar espaços de trabalho, especialmente 
estatais, em espaços de fato públicos, alargando as possibilidades de apropriação da coisa pública por 
parte da coletividade” (Iamamoto, 2022, p. 69).
Esse Código fornece respaldo jurídico à profissão e se constitui como referência ético‑política, 
além de estabelecer um conjunto de regras jurídico‑legais para a atuação profissional, traduzido em 
forma de artigos.
 
Os artigos são, portanto, dotados da capacidade seja de orientar as melhores 
escolhas, seja de detectar e combater as infrações à ética profissional. 
A partir daí, tais infrações tornam‑se passíveis de denúncia por qualquer 
pessoa que se sinta lesada em seus direitos, decorrente da atuação 
profissional do assistente social e, portanto, de ser alvo da apreciação e ação 
dos órgãos fiscalizadores da categoria, os Conselhos Regionais de Serviço 
Social – CRESS (Paiva; Sales, 2000, p. 180).
O Código cita 11 princípios fundamentais que materializam o Projeto Ético‑Político do serviço social 
e os compromissos ético‑profissionais do assistente social com os usuários da profissão. Os princípios 
perpassam os artigos e as alíneas do código e se configuram ao longo dos títulos e capítulos.
Sua estrutura é composta por quatro títulos. O primeiro trata das disposições gerais sobre a 
competência do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). O título II se reporta aos direitos e às 
responsabilidades gerais. No título III, são abordadas as relações profissionais com os usuários, instituições 
empregadoras, outros profissionais, entidades da categoria e demais organizações da sociedade civil; 
além disso, refere‑se ao sigilo profissional e às relações com a justiça. O título IV trata da observância, 
das penalidades, da aplicação e do cumprimento do Código de Ética.
26
Unidade I
O título III é composto por seis capítulos, e todo ele apresenta 36 artigos que asseguram os direitos do 
assistente social, bem como estabelecem os seus deveres. Além disso, defende muito mais os interesses 
dos usuários do serviço social que os interesses do assistente social; por isso, constitui‑se como um 
código peculiar na história das profissões liberais.
2.2 Princípios fundamentais do Código de Ética de 1993
Os princípios fundamentais do Código de Ética articulam‑se e complementam‑se entre si para 
nortear os caminhos a serem percorridos pelo assistente social, a partir dos compromissos assumidos 
pela categoria com os usuários do serviço social. Apresentaremos, agora, os princípios desse Código, 
trazendo algumas considerações sobre cada um deles.
1º Princípio
Traz o “Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ela 
inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais” (CFESS, 1993, p. 23).
Para Paiva e Sales (2000), o conceito de liberdade defendido pelo Código refere‑se ao indivíduo 
como sujeito com direito à liberdade, contrário à que é defendida pelo sistema capitalista, o qual diz 
respeito ao livre arbítrio ou individualismo. Na produção capitalista, o indivíduo é livre para usufruir de 
todas as oportunidades e possibilidades oferecidas pelo Estado. O sucesso e o fracasso no trabalho são 
atribuídos a ele, pois o sistema abstém‑se de qualquer responsabilidade.
A liberdade referenciada faz menção ao “indivíduo como fonte de valor, mas dentro da 
perspectiva de que a plena realização da liberdade de cada um requer a plena realização de todos” 
(Paiva; Sales,  2000,  p.  182). Ela deve ser regida pela autonomia dos indivíduos sociais, conforme 
estabelece o Código.
2º Princípio
Faz menção à “Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo” 
(CFESS, 1993, p. 23).
Nele está explícito o posicionamento da categoria profissional na luta em prol da defesa dos direitos 
humanos e da recusa de toda forma de dominação, autoritarismo, violência, exploração, opressão e 
crueldade contra a pessoa humana.
Trata‑se de empreender uma recusa e um combate nos espaços institucionais e nas relações 
cotidianas, diante de toda as situações que ferem a integridade e que submetem ao sofrimento, à dor 
física e à humilhação. Como contraponto à essa lógica da perversidade e da omissão, deve‑se imbuir 
pelo Código, que sinaliza um espírito e uma postura assentados na cultura humanística e essencialmente 
democrática (Paiva; Sales, 2000, p. 185).
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SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
O assistente social deve orientar os usuários sobre seus direitos, bem como buscar alternativas e 
possibilidades de atendimento para que esses direitos sejam garantidos e efetivados, pois estão assegurados 
em leis; no entanto, precisam alcançar os cidadãos, como forma de proteção e promoção social.
3º Princípio
Discorre sobre a “ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda 
sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes trabalhadoras” 
(CFESS, 1993, p. 23).
O assistente social atua no espaço de viabilização de direitos, intervindo nas políticas públicas sociais, 
em programas institucionais e na prestação de benefícios aos usuários da profissão. Ele deve primar pela 
ampliação e consolidação da cidadania. Para Paiva e Sales (2000, p. 187), comprometer‑se
 
[...] com a cidadania implica apreendê‑la na sua real significação, o que 
seguramente exige a ultrapassagem da orientação civil e política imposta pelo 
pensamento liberal e, como tal, a superação dos limites engendrados 
pela reprodução das relações sociais no capitalismo. A cidadania, de acordo 
com a nova acepção ético‑política proposta, consiste na universalização 
dos direitos sociais, políticos e civis, pré‑requisito este fundamental 
à sua realização.
Sendo criativo e propositivo, precisa constantemente buscar estratégias teórico‑metodológicas e 
políticas para viabilizar o acesso do cidadão aos bens e serviços oferecidos pelas instituições públicas.
Como forma de contribuir com a universalização dos direitos civis, sociais e políticos das classes 
trabalhadoras, ele tem de ultrapassar os entraves e os limites impostos pela burocracia existente nas 
instituições públicas, promovendo uma prestação de serviços que possibilite aos usuários a garantia de 
direitos assegurados em leis vigentes. Acredita‑se que somente pela efetivação dos direitos é que os 
indivíduos poderão usufruir da plena cidadania.
4º Princípio
Menciona a “defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação 
política e da riqueza socialmente produzida” (CFESS, 1993, p. 23).
Diz respeito à necessidade de socialização da riqueza produzida e da participação política dos 
trabalhadores nas decisões institucionais. Importa relembrar que vivemos em uma sociedade regida por 
um modo de produção que tem como interesse maior a acumulação de lucro e riquezas em benefício de 
uma classe que, apesar de ser minoria, detém os meios de produção. Há uma classe que, apesar deser 
maioria, só tem a sua força de trabalho para garantir o seu próprio sustento.
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Unidade I
A categoria profissional dos assistentes sociais, por meio do Código de Ética, posiciona‑se radicalmente 
em favor dos interesses da classe trabalhadora, contra os ditames do capitalismo, repudiando toda 
forma de exploração e exclusão social.
É mediante o processo de trabalho que o ser social se constitui, se instaura 
como distinto do ser natural, dispondo de capacidade teleológica, projetiva, 
consciente; é por esta socialização que ele se põe como ser capaz de liberdade. 
Esta concepção já contém, em si mesma, uma projeção de sociedade ‑ aquela 
em que se propicie aos/às trabalhadores/as um pleno desenvolvimento 
para a invenção e vivência de novos valores, o que, evidentemente, supõe 
a erradicação de todos os processos de exploração, opressão e alienação 
(CFESS, 1993, p. 22).
O assistente social assume, junto à classe trabalhadora, o compromisso de defender a democracia 
por meio da viabilização da participação política dos usuários, nos espaços de debate e decisões 
institucionais. Dessa forma,
[...] no âmbito da relação que se estabelece entre o assistente social e o 
usuário, ser democrático significa romper com práticas tradicionais de 
controle, tutela e subalternização. E, mais, contribuir para o alargamento 
dos canais de participação dos usuários nas decisões institucionais, entre 
outras coisas, por meio da ampla socialização de informações sobre os 
direitos sociais e serviços (Paiva; Sales, 2000, p. 190).
5º Princípio
Faz menção sobre o “posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure 
universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua 
gestão democrática” (CFESS, 1993, p. 23).
O assistente social assume o compromisso de lutar por uma sociedade na qual a equidade e a 
justiça social prevaleçam. Por meio das políticas sociais, ele contribui com a distribuição das riquezas 
produzidas na sociedade capitalista. O papel dele é democratizar o acesso dos usuários aos serviços 
oferecidos; assim, “a ação profissional se põe por inteiro a serviço do compromisso com a universalidade 
de direitos e de alcance das conquistas e riquezas sociais” (Paiva; Sales, 2000, p. 191).
6º Princípio
Faz menção ao “empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito 
à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças” 
(CFESS, 1993, p. 23).
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SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
O assistente social assume uma postura crítica de repúdio contra toda forma de preconceito na 
construção de uma cultura social, primando pelo respeito às diversidades e às diferenças na defesa e 
valorização das preferências individuais. Segundo Paiva e Sales (2000, p. 196), isso significa que
[...] não se deve, portanto, no fazer profissional, atuar com parâmetros e 
crivos meramente pessoais, muitas vezes balizados por valores religiosos, 
morais e pré‑noções conflitantes com o universo ético‑profissional.
Ele deve atuar visando construir uma sociedade mais humana e democrática, na qual o respeito 
às diferenças seja uma realidade, bem como seja garantida a participação dos grupos nos espaços de 
discussão e debate.
7º Princípio
Reza sobre a “garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráticas 
existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual” 
(CFESS, 1993, p. 24).
Concerne ao respeito às correntes teóricas e às diferentes linhas de pensamento. A categoria opta 
pela corrente teórica que, a seu ver, consegue explicar a realidade social com demandas e desafios. Paiva 
e Sales (2000, p. 197) sublinham que
 
[...] todos têm direito a uma expressão teórica e política, onde se lhes deve 
garantir o máximo de condições de liberdade de crítica e de discussão. No 
entanto, essas concepções terão repercussão e influência diferenciadas na 
própria categoria.
O assistente social assume o compromisso de se revestir constantemente de aprimoramento 
teórico, técnico e metodológico para intervir assertivamente e contribuir com a transformação social e 
emancipação dos usuários.
8º Princípio
Discorre sobre a “opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma 
nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero” (CFESS, 1993, p. 24).
A categoria dos assistentes sociais se posiciona contundentemente a favor da construção de uma 
nova ordem societária a partir do enfrentamento da desigualdade social, que marca a vida em sociedade.
O assistente social assume uma postura de luta por igualdade e justiça, bem como por uma sociedade 
pautada em princípios democráticos sem dominação e exploração de uma classe sobre a outra. Assume 
o compromisso “por uma concepção de sociedade que preconiza o fim da dominação ou exploração de 
classe, etnia e gênero” (Paiva; Sales, 2000, p. 201).
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Unidade I
9º Princípio
Faz “articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos princípios 
deste Código e com a luta geral dos/as trabalhadores/as” (CFESS, 1993, p. 24).
Afirma o posicionamento da categoria profissional em favor da luta geral dos trabalhadores assumida 
na década de 1980, quando no 8º Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS) os presentes se 
posicionaram contra todas as formas de exploração impostas, defendendo a articulação dos assistentes 
sociais com os movimentos sociais e outras categorias pela causa dos trabalhadores.
10º Princípio
Faz menção ao “compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o 
aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional” (CFESS, 1993, p. 24).
Trata do compromisso assumido com a população, proporcionando qualidade nos serviços 
prestados, o que requer atuação revestida de competência teórico‑metodológica, técnico‑operativa 
e ético‑política. O assistente social assume a postura de constantemente buscar o aprimoramento 
intelectual para contribuir com a proposição de alternativas criativas que possibilitem uma intervenção 
profissional competente.
A competência depende das condições de trabalho que lhe são oferecidas e que limitam ou favorecem 
seu bom desempenho profissional. No entanto, é preciso ter consciência de que “a competência não 
é algo pronto e acabado, nem se adquire de forma mágica e instantânea. Também não é produto do 
espontaneísmo ou de modelos fixos e redefinidos nem da empreitada solitária do indivíduo” (Paiva; 
Sales, 2000, p. 204). Ela precisa ser construída gradualmente no seu fazer profissional e nas relações 
com outros profissionais.
11º Princípio
Faz menção ao “exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, nem discriminar, por questões de 
inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, 
idade e condição física” (CFESS, 1993, p. 24).
Refere‑se aos direitos assegurados aos assistentes sociais e ao respeito às causas que envolvem 
questões de cunho social e individual. A categoria profissional defende e respeita as diferenças de cada 
um e repudia toda forma de discriminação.
Paiva e Sales (2000, p. 206) acreditam que seja necessário “[...] aceitar os indivíduos com suas manias, 
atributos, características que os particularizam exclusivamente, mas que em nada justificam qualquer 
tipo de exclusão ou privilégio, que extrapolem o âmbito estrito da competência profissional”.
Todo ser humano tem suas particularidades e preferências que devem ser respeitadas. Os assistentes 
sociais, então, posicionam‑se a favor dessa causa.
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SUPERVISÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
2.3 Direitos e responsabilidades gerais do assistente social
O título II do Código de Ética de 1993 trata dos direitos e das responsabilidades do assistente 
social em seu exercício profissional. Nesse momento, você somente conhecerá os direitos e os deveres 
do assistente social. Mais adiante,

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