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Dissertacao NEUZA MELO ECLETISMO PARNAIBANO Neuza Melo

Dissertação de mestrado sobre o ecletismo parnaibano, investigando hibridismo e tradução cultural na paisagem urbana de Parnaíba na primeira metade do século XX. Inclui ficha catalográfica, banca examinadora, dedicatória e agradecimentos.

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Júlia Dias

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ-UFPI 
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO-PRPPG 
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS-CCHL 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA DO BRASIL - PPGHB 
MESTRADO EM HISTÓRIA DO BRASIL - MHB 
 
 
 
 
 
Neuza Brito de Arêa Leão Melo 
 
 
 
 
 
 
 
O ECLETISMO PARNAIBANO: hibridismo e tradução cultural na paisagem da cidade na 
primeira metade do século XX 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Teresina (PI) 
2011 
 2 
NEUZA BRITO DE ARÊA LEÃO MELO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O ECLETISMO PARNAIBANO: hibridismo e tradução cultural na paisagem da cidade na 
primeira metade do século XX 
 
 
 
 
 
 
 
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em História do Brasil, do Centro de 
Ciências Humanas e Letras da Universidade 
Federal do Piauí como requisito à obtenção do 
título de Mestre em História do Brasil. 
Orientadora: Profa. Dra. Juliana Lopes Aragão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Teresina (PI) 
2011 
 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
Universidade Federal do Piauí 
Biblioteca Comunitária Jornalista Carlos Castello Branco 
Serviço de Processamento Técnico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 M528e Melo, Neuza Brito de Arêa Leão 
 O Ecletismo Parnaibano: hibridismo e tradução cultural na 
paisagem da cidade na primeira metade do século XX /Neuza 
Brito de Arêa Leão Melo. – 2011. 
 200 fls. 
 
 Dissertação (Mestrado em História do Brasil) – Universidade 
 Federal do Piauí, 2011. 
 Orientação: Profª. Drª. Juliana Lopes Aragão 
 
 1.Parnaíba-História. 2.Arquitetura. 3.Ecletismo. I. Título. 
 
CDD: 981.228 
 4 
NEUZA BRITO DE ARÊA LEÃO MELO 
 
 
 
 
 
O ECLETISMO PARNAIBANO: 
hibridismo e tradução cultural na paisagem da cidade na primeira metade do século XX 
 
 
 
 
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em História do Brasil, do Centro de 
Ciências Humanas e Letras da Universidade 
Federal do Piauí como requisito para obtenção 
do título de Mestre em História do Brasil. 
Área de Concentração: História do Brasil 
 
 
Avaliada em : ______ de ______________ de 2011 
 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
 
_________________________________________________ 
Profª Dra. Juliana Lopes Aragão (Orientadora) - UFPI 
Presidente 
 
 
_________________________________________________ 
Prof. Dr. George Felix Cabral de Souza - UFPE 
Examinador 
 
 
_________________________________________________ 
Profª Dra. Áurea da Paz Pinheiro - UFPI 
Examinador 
 
 
_________________________________________________ 
Prof. Dr. Francisco Alcides do Nascimento - UFPI 
 Suplente 
 
 
 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aos meus pais, Miguel e Ana Maria, pelo 
carinho e por me darem o melhor exemplo que eu 
poderia ter. 
Aos meus filhos, Evandro Filho e Ana Luíza, 
para que eles compreendam que a sabedoria é a 
maior das virtudes. 
Ao meu marido, Evandro, por compreender 
a ausência e o isolamento tantas vezes necessários 
para o alcance deste objetivo, e por ser minha 
constante fonte de incentivo, dedicação e força. 
 6 
AGRADECIMENTOS 
A Deus, por guiar meus passos e iluminar minha trajetória na busca dessa conquista. 
Aos meus irmãos, Alexandre, Ana Maria e, especialmente à Suzy, pelo constante 
carinho, apoio e compreensão. 
À minha orientadora, Profa. Dra. Juliana Lopes Aragão, pelo incentivo, paciência, por 
ajudar a superar minhas limitações, e por compartilhar seus valorosos conhecimentos. 
Aos professores do Programa de Mestrado em História do Brasil da UFPI 
(Universidade Federal do Piauí) – e especialmente à Profa. Dra. Teresinha Queiroz – que 
contribuíram para o enriquecimento deste trabalho. 
À Diva Figueiredo, que me fez, desde o início, acreditar nesse ideal. A ela, minha 
sincera gratidão. 
A todos os meus amigos – em especial à Líllian – colegas do mestrado, colegas 
professores, alunos, sempre presentes nos momentos difíceis, transmitindo solidariedade e 
apoio. 
À cidade de Parnaíba (PI) e a seus habitantes, que permitiram a execução desta 
pesquisa. 
A todas as pessoas que torceram e que, de algum modo, viabilizaram a execução deste 
trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A cidade se embebe como uma esponja 
dessa onda que reflui recordações e se dilata... 
Mas a cidade não conta o seu passado, ela o 
contém como as linhas da mão, escrito nos 
ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos 
corrimãos das escadas, nas antenas dos pára-
raios, nos mastros das bandeiras, cada segmento 
riscado por arranhões, serradelas, entalhes, 
esfoladuras. 
 Ítalo Calvino 
 
 8 
RESUMO 
A presente dissertação analisou a História através da arquitetura eclética, produzida no sítio 
histórico da cidade de Parnaíba-PI, na primeira metade do século XX. Trata-se de um 
patrimônio arquitetônico que se ressalta por sua riqueza e diversidade; por isso constitui 
valorosa fonte de pesquisa para os estudos transdisciplinares. Desse modo, a História, bem 
como o Ecletismo parnaibano foi estudado a partir dos aspectos sociais, culturais e 
econômicos. Para tanto, procurou-se demonstrar a relação entre essa arquitetura e a Belle-
Époque, bem como detalhar os diversos estilos e movimentos que o influenciaram. Ao 
analisar suas características, em especial, sua singularidade, foi dada ênfase, principalmente, 
aos variados estilos empregados, a um método próprio que o particularizou e que constituiu 
uma tipologia própria aqui denominada de “Associação de Categorias”. Para destacar a 
importância do Ecletismo como formador da identidade da cidade de Parnaíba e constituinte 
de uma de suas mais valorosas particularidades ─ a diversidade ─ foram utilizadas pesquisas 
comparativas, levantamentos arquitetônicos pré-existentes, bem como fontes iconográficas, 
fontes hemerográficas e também fontes bibliográficas. Por fim, objetivou-se constatar o que 
foi o Ecletismo parnaibano, como esse estilo, preponderante na arquitetura do sítio histórico 
local, foi executado de maneira singular e, ainda, como esse fato permanece importante para 
constituir o cenário, a História e a identidade da cidade. 
Palavras-chaves: Parnaíba. História. Arquitetura. Ecletismo. Identidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 9 
ABSTRACT 
The present work analysed the History through the eclectic architecture found at the historical 
site of the city of Parnaiba- Pi, in the first half of the XX centure. It is an architectural 
patrimony that stands out for its wealth and diversity; therefore it constitutes a rich source of 
research for a wide range of subjects. So, History as the Eclecticism inParnaiba was studied 
starting from the social, cultural and economical aspects. For that, this study tried to detach 
the relationship between that architecture and the Belle-Epoch, as well as to detail the several 
styles and movements that influenced it. When analyzing their characteristics, especially its 
singularity, emphasis was given, mainly, to the varied used styles and the proper method that 
particularized it, what constituted a proper typology here denominated of “Association of 
Categories”. To detach the importance of the Eclecticism as an expression of the identity of 
the city of Parnaiba and one of its worthy particularities - the diversity – comparative 
researches, pre-existent architectural surveys were used as well iconographical sources, 
printed sources, and also bibliographical sources. Finally, this study aimed at establishing 
what the Eclecticism was in Parnaiba, how this style, preponderant in the architecture of the 
historical site of the city, was accomplish in a singular way and, still, continues important to 
establish the History and scenery of the city. 
 
Keywords: Parnaiba - History - Architecture - Eclecticism - Identity 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 10 
LISTA DE FIGURAS 
Figura 1 – Carta Cartográfica da Capitania do Piauhi e parte das adjacentes 
levantada por João Antonio Galucil, em 1761................................ 
 
 
36 
Figura 2 – Esquemas da implantação das igrejas e praças no Piauí................. 
 
37 
Figura 3 – Detalhe da Praça do Pelourinho na Vila de São João da Parnaíba, 
cópia de Joze Pedro Cezar de Menezes, em 1809.......................... 
 
 
38 
Figura 4 Mapa da Villa de São João da Parnaíba em 1798, acrescentado as 
nomenclaturas dos logradouros atualmente.................................... 
 
 
41 
Figura 5 – Mapa da Villa de São João da Parnaíba em 1809, acrescentado as 
nomenclaturas dos logradouros atualmente.................................... 
 
 
42 
Figura 6 – Fachada principal do solar da “Casa Inglesa”................................ 
 
46 
Figura 7 – Detalhe da antiga pintura da sala da Casa Inglesa.......................... 
 
46 
Figura 8 – Fotografia mostrando o embarque do babaçu no Porto Salgado, 
próximo à Rua Grande, no Almanaque de 1924............................. 
 
 
48 
Figura 9 – Sede do Banco do Brasil na Praça da Graça, no Almanaque de 
1924................................................................................................ 
 
 
50 
Figura 10 – Cine Teatro Éden, no Almanaque de 1926..................................... 
 
51 
Figura 11 – Parte da Rua Grande, atual Av. Getúlio Vargas, com a Casa 
Inglesa ao fundo, na década de 1930.............................................. 
 
 
52 
Figura 12 – Casa sito a Av. Presidente Getúlio Vargas, 956, Parnaíba, PI, 
década de 1930................................................................................ 
 
 
53 
Figura 13 – Fotografia do jardim Landri Sales, no Almanaque de 1937........... 
 
53 
Figura 14 – Fotografia do jardim Landri Sales, no Almanaque de 1937........... 
 
53 
Figura 15 – Teatro Municipal de São Paulo, em 1920....................................... 
 
67 
Figura 16 – Ópera de Paris, séc. XXI................................................................. 
 
67 
Figura 17 – Os novos edifícios da Avenida Central em fase de construção, 
em 1905, por João Martins Torres.................................................. 
 
 
69 
Figura 18 – Teatro Municipal do Rio de Janeiro, c. de 1909............................. 
 
70 
 11 
Figura 19 – Ópera de Paris, séc. XXI................................................................. 
 
70 
Figura 20 – Fotografia da Avenida Presidente Getúlio Vargas nos anos 1930, 
em Parnaíba, PI............................................................................... 
 
 
73 
Figura 21 – Fotografia da Avenida Presidente Getúlio Vargas nos anos 1930, 
em Parnaíba, PI............................................................................... 
 
 
74 
Figura 22 – Fotografia da Avenida Presidente Getúlio Vargas nos anos 1930, 
em Parnaíba, PI............................................................................... 
 
 
74 
Figura 23 – Fotografia da Avenida Presidente Getúlio Vargas nos anos 1930, 
em Parnaíba, PI............................................................................... 
 
 
75 
Figura 24 – Residência situada à Rua Pires Ferreira, 783, Parnaíba, PI............ 
 
76 
Figura 25 – Casa de tipologia eclética sito à Rua Cel. José Narciso, 844, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
78 
Figura 26 – Planta de residência na primeira fase do Ecletismo........................ 
 
80 
Figura 27 – Planta Baixa da Mansão Figner, em São Paulo.............................. 
 
81 
Figura 28 – Planta Baixa da Mansão Figner, em São Paulo.............................. 
 
81 
Figura 29 – Detalhe da fachada do sobrado Simplício Dias, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 308, Parnaíba, PI................................. 
 
 
84 
Figura 30 – Sobrado Mirante, sito à Rua Duque de Caxias, 614 e 618, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
84 
Figura 31 – Casa Inglesa, sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 235, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
87 
Figura 32 – Casa de tipologia proto-eclética, sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 164, Parnaíba, PI................................................................ 
 
 
88 
Figura 33 – Chalé em Olinda, Pernambuco....................................................... 
 
88 
Figura 34 – Chalé sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 458............................ 
 
88 
Figura 35 – Casa de tipologia chalé, sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 
684, Parnaíba, PI............................................................................. 
 
 
90 
Figura 36 – Memorial de Medicina de Pernambuco.......................................... 
 
93 
Figura 37 – Casa com dois pavimentos de tipologia neocolonial, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 694, Parnaíba, PI................................. 
 
 
93 
 12 
Figura 38 – Casa no estilo Missões em Uberlândia, MG................................... 
 
94 
Figura 39 – Casa sito à Rua Humberto de Campos, 686, Parnaíba, PI.............. 
 
94 
Figura 40 – Foto antiga da Casa Inglesa, primeira metade do século XX......... 
 
103 
Figura 41 – Fachadas do Sobrado Mirante, sito à Rua Duque de Caxias, 614 
e 618, Parnaíba, PI.......................................................................... 
 
 
109 
Figura 42 – Detalhe das telhas e cobertura do Sobrado Mirante, sito à Rua 
Duque de Caxias, 614 e 618, Parnaíba, PI...................................... 
 
 
109 
Figura 43 – Planta baixa do primeiro pavimento do Sobrado Mirante, sito à 
Rua Duque de Caxias, 614 e 618, Parnaíba, PI.............................. 
 
 
110 
Figura 44 – Planta baixa do segundo pavimento do Sobrado Mirante, sito à 
Duque de Caxias, 614 e 618, Parnaíba, PI...................................... 
 
 
110 
Figura 45 – Casa Inglesa, sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 235, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
112 
Figura 46 – Detalhe da platibanda e do coruchéuna Casa Inglesa, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 235, Parnaíba, PI................................. 
 
 
112 
Figura 47 – Casa do Coronel José de Moraes Correa sito à rua a Grande, em 
Parnaíba, PI. Fotografia do Almanaque de Parnaíba de 1926........ 
 
 
113 
Figura 48 – Casa do Dr. Samuel Santos, em Parnaíba, PI. Fotografia do 
Almanaque de Parnaíba de 1926.................................................... 
 
 
113 
Figura 49 – Casa sito a Av. Presidente Getúlio Vargas, 956, Parnaíba, PI, 
década de 1930................................................................................ 
 
 
114 
Figura 50 – Casa de tipologia eclética, sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 
515, Parnaíba, PI............................................................................. 
 
 
114 
Figura 51 – Casa de tipologia eclética, sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 
657, Parnaíba, PI............................................................................. 
 
 
114 
Figura 52 – Casa de tipologia eclética, sito a Av. Presidente Getúlio Vargas, 
956, Parnaíba, PI............................................................................. 
 
 
115 
Figura 53 – Casa de tipologia eclética, sito à Rua D. Pedro II, 1140, Parnaíba, 
PI..................................................................................................... 
 
 
115 
Figura 54 – Casa de tipologia eclética, sito à Rua Cel. José Narciso, 844, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
115 
Figura 55 – Planta baixa e de situação de residência eclética com afastamento 
 
 
 13 
lateral, sito à Rua Cel. José Narciso, 844, Parnaíba, PI.................. 115 
Figura 56 – Casa de tipologia eclética, sito à Rua Ademar Neves, 1470, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
116 
Figura 57 – Planta de situação de residência sito à Rua Ademar Neves, 1470, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
116 
Figura 58 – Detalhe do porão na residência sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 657, Parnaíba, PI................................................................ 
 
 
116 
Figura 59 – Detalhe do óculo na residência sito à Rua Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 657, Parnaíba, PI................................................................ 
 
 
116 
Figura 60 – Detalhe da cobertura na residência sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 657, Parnaíba, PI................................................................ 
 
 
117 
Figura 61 – Detalhe das telhas na residência sito à Rua Cel. José Narciso, 
606, Parnaíba, PI............................................................................. 
 
 
117 
Figura 62 – Detalhe de forro ripado na residência sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 657, Parnaíba, PI................................................... 
 
 
117 
Figura 63 – Detalhe do forro em zinco na residência sito à Rua Cel. José 
Narciso, 844, Parnaíba, PI.............................................................. 
 
 
118 
Figura 64 – Detalhe da janela e bandeira com vidros coloridos, na residência 
sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 657, Parnaíba, PI................ 
 
 
119 
Figura 65 – Detalhe do painel importado na residência sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 657, Parnaíba, PI................................................... 
 
 
119 
Figura 66 – Detalhe da janela trazida de Belém – PA, na residência sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 515, Parnaíba, PI................................. 
 
 
119 
Figura 67 – Planta baixa de situação de residência sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 515, Parnaíba, PI................................................... 
 
 
120 
Figura 68 – Casa de tipologia eclética, sito à Rua Cel. José Narciso, 606, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
121 
Figura 69 – Casa térrea de tipologia chalé, sito à Rua Riachuelo, 966, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
122 
Figura 70 – Casa com dois pavimentos, de tipologia chalé, sito à Rua Vera 
Cruz, 747, Parnaíba, PI................................................................... 
 
 
122 
Figura 71 – Detalhe da inclinação do telhado no chalé sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 458, Parnaíba, PI................................................... 
 
 
123 
 14 
Figura 72 – Detalhe de telhado chanfrado em residência sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 474, Parnaíba, PI................................................... 
 
 
123 
Figura 73 – Planta baixa do chalé térreo, sito à Rua Riachuelo, 966, Parnaíba, 
PI..................................................................................................... 
 
 
123 
Figura 74 – Casa térrea de tipologia neocolonial, sito à Rua Desembargador 
Freitas, 878, Parnaíba, PI................................................................ 
 
 
124 
Figura 75 – Casa com dois pavimentos de tipologia neocolonial, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 694, Parnaíba, PI................................. 
 
 
124 
Figura 76 – Casa chamada de bungalow, sito à Rua Humberto de Campos, 
686, Parnaíba, PI............................................................................. 
 
 
124 
Figura 77 – Detalhe do gradil da residência sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 694, Parnaíba, PI................................................................ 
 
 
125 
Figura 78 – Planta baixa do primeiro pavimento de residência neocolonial 
sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 694, Parnaíba, PI................ 
 
 
125 
Figura 79 – Casa com tipologia Associação de Categorias, sito à Rua Cel. 
José Narciso, 740, Parnaíba, PI....................................................... 
 
 
126 
Figura 80 – Casa com tipologia Associação de Categorias, sito à Rua D. 
Pedro II, 1478, Parnaíba, PI............................................................ 
 
 
126 
Figura 81 – Casa com tipologia Associação de Categorias, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 769, Parnaíba, PI................................. 
 
 
127 
Figura 82 – Casa com tipologia Associação de Categorias, sito à Rua 
Simplício Dias, 265, Parnaíba, PI................................................... 
 
 
127 
Figura 83 – Detalhe dos beirais de residência sito à Rua Simplício Dias, 265, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
128 
Figura 84 – Detalhe da fachada de residência sito à Rua Simplício Dias, 265, 
Parnaíba, PI..................................................................................... 
 
 
128 
Figura 85 – Planta baixa da residência de tipologia Associação de Categorias, 
sito à Rua Simplício Dias, 265, Parnaíba, PI.................................. 
 
 
128 
Figura 86 – Fotografia da Praça da Graça, no Almanaque de 1937................... 
 
130 
Figura 87 – Meia-morada, sito à Rua Duque de Caxias, 824............................. 
 
132 
Figura 88 – Casa de tipologia eclética, sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 
657, Parnaíba, PI............................................................................. 
 
 
132 
 15 
Figura 89 Casa de tipologia eclética, sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 
657, Parnaíba, PI.............................................................................133 
Figura 90 Planta baixa de situação de residência sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 515, Parnaíba, PI................................................... 
 
 
133 
Figura 91 Casa com dois pavimentos de tipologia neocolonial, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 694, Parnaíba, PI................................. 
 
 
134 
Figura 92 Estudo de Proteção do sítio histórico de Parnaíba realizado pelo 
IPHAN-PI em 2006........................................................................ 
 
 
138 
Gráfico 1 – 1 - Descaracterizadas / 2 - Caracterizadas...................................... 
 
99 
Gráfico 2 – 1- Residencial / 2 - Comercial e Residencial / 3 - Comercial /4 - 
Institucional / 5 - Igrejas ou Templos............................................. 
 
 
99 
Gráfico 3 – 1 - Período Colonial / 2 - Proto-Ecletismo / 3 – Ecletismo / 4 - 
Chalé 5 - Neocolonial / 6 - Associação de categorias / 7 - Art 
Déco / 8 - Modernismo................................................................... 
 
 
 
101 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 16 
SUMÁRIO 
 1 INTRODUÇÃO............................................................................................. 18 
 
2 PARNAÍBA: História e memória................................................................ 25 
2.1 História, cidades e Arquitetura.................................................................... 25 
2.2 Formas e significados na construção de Parnaíba..................................... 29 
2.3 Parnaíba: Política, Economia e Urbanismo................................................ 34 
2.3.1 Os primeiros momentos.................................................................................. 34 
2.3.2 O desenvolvimento econômico e urbano de Parnaíba.................................... 44 
 
3 O MÉTODO ECLÉTICO PARNAIBANO: hibridismo e tradução 
cultural........................................................................................................... 
56 
3.1 O Ecletismo: aspectos conceituais relevantes............................................. 56 
3.2 O Ecletismo e a Belle Époque ...................................................................... 63 
3.3 O Ecletismo e a Belle Époque em Parnaíba................................................ 72 
3.4 Mudanças e transformações que caracterizam o Ecletismo..................... 76 
3.5 Antecedentes e inspirações: o Ecletismo em Parnaíba.............................. 83 
3.5.1 A Arquitetura Tradicional............................................................................... 83 
3.5.2 Arquitetura Neoclássica.................................................................................. 85 
3.5.3 A inspiração no Chalé..................................................................................... 88 
3.5.4 O Neocolonial................................................................................................. 90 
3.5.5 O Art Déco...................................................................................................... 94 
 
4 O ECLETISMO EM PARNAÍBA: a construção do método eclético 
local................................................................................................................. 
 
97 
4.1 O Ecletismo: aspectos comparativos........................................................... 97 
4.2 A residência.................................................................................................... 102 
4.3 O método eclético parnaibano...................................................................... 104 
4.4 As tipologias do Ecletismo parnaibano....................................................... 106 
4.4.1 Tipologia “Período Colonial” e “Proto-Ecletismo”: antecedentes do 
Ecletismo em Parnaíba.................................................................................... 107 
4.4.2 Tipologia Ecletismo........................................................................................ 112 
4.4.3 Tipologia Chalé: a principal inspiração parnaibana........................................ 121 
4.4.4 A tipologia Neocolonial.................................................................................. 123 
4.4.5 A tipologia “Associação de Categorias”......................................................... 126 
 17 
4.5 As residências ecléticas parnaibanas: o patrimônio cultural da cidade... 129 
4.5.1 As relações e o programa das residências ecléticas em Parnaíba................... 129 
4.5.2 O patrimônio cultural parnaibano................................................................... 135 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................... 140 
 
 REFERÊNCIAS............................................................................................ 143 
 APÊNDICES................................................................................................... 149 
 ANEXOS......................................................................................................... 197 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 18 
1 INTRODUÇÃO 
A presente dissertação analisou a relação entre a História e a Arquitetura produzida em 
Parnaíba, cidade do Norte do Piauí, localizada a 336 km da capital Teresina, na primeira 
metade do século XX. Enfatizou a arquitetura eclética residencial, presente no sítio histórico,
1
 
a partir da qual se procurou refletir sobre fatores como economia, política, cultura e, também, 
sobre as relações no âmbito dessas residências parnaibanas, que contribuíram para a 
configuração do social, dentro dos recortes espaciais e temporais estudados. 
O tema proposto, dentro do campo historiográfico, relaciona-se com a História das 
Cidades. Quanto à Arquitetura e Urbanismo, diz respeito à História da Arquitetura, que elege 
o conjunto urbano central de Parnaíba, considerando, principalmente, seu antigo casario, de 
onde se podem recolher elementos característicos dos edifícios construídos na primeira 
metade do século XX, quando a arquitetura local recebeu diversas influências. A escolha do 
tema e do contexto empírico foi motivada pela riqueza e diversidade da arquitetura produzida 
durante o período mencionado, no cenário do sítio histórico da cidade, e pela carência de 
estudos científicos nesta área, no cenário acadêmico piauiense, ou seja, que tratem da história 
da arquitetura local. 
A partir dessa constatação e à luz da História Cultural, que se destaca pelas múltiplas 
abordagens, pelos mais variados problemas de estudo, e, principalmente, pela 
interdisciplinaridade, este trabalho viabilizou a união entre História, Arquitetura e o objeto 
Cidades, no caso específico, Parnaíba. Como afirma Leonardo Benévolo,
2
 a noção de cidade 
enquanto corpo físico da vida humana é objeto dos arquitetos e historiadores da arquitetura; e 
a noção de cidade enquanto corpo social é, principalmente, o objeto dos historiadores em 
geral. 
Assim, o que se pretendeu nesta pesquisa foi a junção dessas duas noções. Também 
Lúcia Silva
3
 corrobora com esse pensamento quando explica: 
 
1
 Sítio histórico é o local das primeiras manifestações, das primeiras intervenções humanas; espaço criado e 
transformado pela atividade humana, ao longo do tempo e da história; termo utilizado no sentido em que 
corresponde ao perímetro definido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – 19ª 
Superintendência Regional (IPHAN-PI), para a uma proposta de proteção municipalsolicitada pela Prefeitura 
Municipal de Parnaíba, em 2006. 
2
 BENÉVOLO, Leonardo. A cidade e o arquiteto: método e história na arquitetura. São Paulo: Perspectiva, 
2006. 
3
 SILVA, Lúcia. A cidade do Rio de Janeiro nos anos 20: urbanização e vida urbana. In: FENELON, Déa (Org.). 
Cidades. São Paulo: Olho d‟água e Programa de história/PUC-SP, 1999. p. 56-57. 
 19 
[...] Analisar a cidade a partir do fato urbano, que se constrói na imbricação 
das temporalidades das relações sociais sobre os espaços, remetendo-se ao 
território, é o primeiro passo para dar inteligibilidade ao território citadino, 
além, é claro, de construir o tão desejado diálogo interdisciplinar. O 
arquiteto ao salientar que os problemas urbanos devem ser entendidos à luz 
das questões sociais, mesmo que não consiga caracterizá-los ou defini-los 
historicamente, busca uma aproximação com a história. Cabe ao historiador 
analisar minuciosamente como se conforma e se caracteriza a sociedade que 
produziu esses problemas, articulando as questões estéticas e técnicas aos 
problemas sociais. Ao fazer isto, pode-se dizer que pelo menos com os 
arquitetos e urbanistas esse diálogo se tornará mais fecundo. 
O recorte espacial da pesquisa é o sítio histórico urbano de Parnaíba, local de maior 
desenvolvimento da arquitetura eclética na cidade. Essa produção ocorreu, principalmente, na 
primeira metade do século XX, que é o recorte temporal abordado. Deve-se enfatizar, porém, 
que, desde o século XVIII, Parnaíba foi uma cidade que prosperou, devido à sua economia 
baseada, sobretudo, no comércio de exportação, efetuado com parte do País e alguns países da 
Europa, como Inglaterra e Portugal, pelas vias fluvial e marítima, dos produtos do 
extrativismo local. 
Deste modo, manteve contato não apenas com o restante do País, Estados como Belém 
e Rio Grande do Sul, mas também com a Europa e Estados Unidos. Foi através das trocas 
comerciais estabelecidas que a arquitetura produzida nas mais diferentes regiões do mundo foi 
conhecida na cidade. E essa comunicação se deu não só pelas ligações comerciais, mas ainda 
pela sociedade local que, ao mesmo tempo ávida pelo progresso e por participar do contexto 
mundial, não abandonou totalmente os vínculos com o passado, cujos traços ficaram 
expressos de alguma forma nesta produção. 
Os setores economicamente dominantes em Parnaíba, na primeira metade do século 
XX, no esforço por distinguir-se socialmente, utilizaram suas residências como símbolos de 
ascensão social, afinal, a linguagem arquitetônica expressa não apenas a função utilitária, mas 
também a função simbólica, como afirma Bresciani: 
[...] A despeito do grotesco quase sempre presente na maioria das 
construções sublimes não se pode negar que o ecletismo no estilo, a profusão 
de objetos díspares, colunas, arcadas, rotundas, recortes, nichos, divisões 
internas e externas tem uma função aparente, gradeados de ferro retorcendo-
se sempre no mesmo eterno desenho e as luzes em quantidades suficientes 
para estabelecer um forte contraste entre o claro e o sombrio, produzisse nas 
pessoas que as frequentavam uma sensação de perplexidade devota.
4
 
 
4
 BRESCIANI, M. S. M. Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. 3. ed. São Paulo: 
Brasiliense, 1985. p. 43. 
 20 
A partir do século XIX, as construções mais antigas do sítio histórico parnaibano 
cederam lugar à nova arquitetura, e as residências da cidade passam a mostrar os vários 
momentos e influências do Ecletismo, um movimento arquitetônico que se caracterizou pelas 
mais variadas formas oriundas de diferentes regiões e de épocas ditintas da História da 
Arquitetura. Muito difundido nas fachadas, reuniu vários estilos, empregando-os em um 
mesmo edifício de maneira livre. 
Parnaíba, na primeira metade do século XX, era uma das cidades piauienses mais 
desenvolvidas economicamente, e, através de suas relações econômicas, buscou espelhar-se 
nos grandes centros, nas grandes metrópoles. Ao Ecletismo produzido na cidade foram 
acrescentadas marcas que conferiram a singularidade dessa produção em relação à arquitetura 
eclética, que aconteceu em outras cidades e países, como, por exemplo, em Belém ou no Rio 
de Janeiro; afinal, quando determinado estilo chega e encontra uma produção já existente, 
essa arquitetura se adapta, molda-se às especificidades de cada lugar. 
Também é nesse período que um bom arquiteto deveria conhecer o maior número de 
estilos possíveis, para, desse modo, atender à grande diversidade de gostos deste extrato 
social, ansioso por escolher o estilo que mais lhe agradava. Acrescente-se que, mesmo não 
dispondo de todos os materiais, técnicas construtivas e profissionais adequados à realização 
dos projetos, parte da população desse referido extrato social fez com que as construções e 
transformações arquitetônicas, em Parnaíba, ganhassem significativo impulso entre o início e 
meados do século passado. 
De acordo com esse panorama, e com a premissa de que o Ecletismo é a tipologia 
arquitetônica predominante nas edificações residenciais situadas no sítio histórico da cidade, 
apresentam-se, para este trabalho, as seguintes questões norteadoras: ─ O que singulariza o 
Ecletismo parnaibano? O que o torna único, particular e o distingue em relação às outras 
produções arquitetônicas ecléticas? Historicamente, como seria possível explicar esta 
singularização? O Ecletismo parnaibano poderia ser um meio para expressar marcos 
característicos da cidade de Parnaíba e de sua sociedade, ou seja, seria um componente 
formador da identidade local? Quais as relações entre as condições econômicas, sociais, 
políticas e culturais existentes na cidade de Parnaíba, na primeira metade do século XX e os 
aspectos do Ecletismo local? 
Após expostos os questionamentos norteadores, elencam-se os objetivos da pesquisa, 
quais sejam: ─ estudar a arquitetura parnaibana produzida na primeira metade do século XX, 
no sítio histórico urbano da cidade, destacando as edificações residenciais de tipologia 
eclética que contribuem para o estudo; oferecer respostas quanto à importância da arquitetura 
 21 
para a constituição dos espaços sociais, tendo em vista que “o espaço é o lugar praticado” e 
que “existem tantos espaços quantas experiências espaciais distintas”;5 identificar e estudar 
características sociais, econômicas e culturais na cidade durante a primeira metade do século 
XX, período em que se expande a Belle-Epoque na cidade, para, a partir daí, interpretar as 
possíveis relações com as especificidades do Ecletismo praticado em Parnaíba; e indagar 
sobre as diversas relações que estão implicadas no fazer arquitetônico. 
Nesse momento, deve ser esclarecida então a hipótese aqui levantada, o problema 
proposto, que trata do Ecletismo híbrido parnaibano e que objetiva compreender a construção 
arquitetônica do método eclético local; ou seja, a maneira particular com a qual o Ecletismo 
ocorreu na cidade, uma arquitetura que, mesmo originária da Europa e dos principais centros 
do País, ao chegar a Parnaíba, transformou-se. 
A partir de estudos como os de Hall,
6
 Woodward,
7
 e Santos,
8
 entendeu-se que esse 
hibridismo, as especificidades tão presentes na produção arquitetônica local são importantes 
para enxergar parte do fazer-se da identidade parnaibana, deixando claro que, na conceituação 
de identidade aqui abordada, foi considerada aquela que não é única, mas sim plural, 
construída pelas diferenças e, portanto, que se expressa através das mesmas. Desejou-se 
mostrar que a diversidade é um dos principais componentes formadores da produção 
arquitetônica em Parnaíba na primeira metade do séc. XX.Para melhor compreensão do tema, foi feita uma contextualização do período em 
estudo, o que se costuma nomear de Belle-Epoque. Essa abordagem é muito importante para 
que se entendam as relações que ocorrem nos mais variados campos que permeiam as cidades, 
como o histórico, o social e o arquitetônico. Foram detalhados, ainda, os diversos estilos e 
movimentos ocorridos na arquitetura local deste período, suas características e as principais 
influências recebidas, destacando sua importância como representante de uma época, e 
levando-se também em consideração aspectos históricos, sociais e econômicos. 
Para tanto, utilizou-se inicialmente o método cartesiano de estudar esta produção 
arquitetônica do geral para o particular, pesquisando como estes estilos e movimentos se 
manifestaram no contexto ocidental, no Brasil, até chegar a Parnaíba, bem como procurou-se 
 
5
 CERTEAU, M. de. A invenção do cotidiano 1. Artes de Fazer. Petrópolis: Vozes, 2008. 
6
 HALL, S. Quem precisa de identidade? In: SILVA, T. T.da. (Org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos 
estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. 
7
 WOODWARD, K. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, T. T. da (Org.). 
Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. 
8
 SANTOS, R. N. L. dos. A cidade de Timon (MA) na década de 80 do século XX. In: NASCIMENTO, F. A. 
do.; VAINFAS, R. (Org.). História e historiografia. Recife: Bagaço, 2006. 
 22 
entender os estilos e influências arquitetônicas anteriores, e conhecer a história local, 
abordando-a a partir da história da ocupação do território piauiense. 
Todas as informações pertinentes, necessárias à pesquisa, foram obtidas através de 
fontes iconográficas, o que compreendeu acervos fotográficos do período em estudo ─ 
primeira metade do século XX; acervos fotográficos contemporâneos, pois o método 
comparativo foi importante para a pesquisa; acervos fotográficos que tratam de exemplares do 
Ecletismo praticado em outras cidades brasileiras, bem como em outros países nesse período; 
e ainda cartões postais de Parnaíba que retratam a cidade no momento abordado na pesquisa. 
Foram utilizadas também fontes hemerográficas que compreenderam: exemplares do 
“Almanaque da Parnaíba”, principalmente aqueles publicados no período pertinente à 
pesquisa, e também alguns números posteriores, mas que contêm matérias relevantes para 
compreender a vida social, econômica e cultural da cidade. 
Destaca-se que, para entender a construção da história da cidade de Parnaíba, fez-se 
necessário recorrer à história e historiografia piauiense, a fim de recolher fragmentos para 
entender a história parnaibana. Também foram procurados documentos, como os registros 
cartoriais do período, e partes da legislação municipal que pudessem conter itens como 
Código de Postura e a Lei Orgânica do município, mas nada foi encontrado. Esse 
esclarecimento foi antecipado, visto que o leitor pode notar a ausência dessas informações no 
decorrer do trabalho. Verificou-se que não existiam ainda esses instrumentos normativos no 
período e tampouco qualquer documentação pertinente. 
Deve ser ressaltada a importância de alguns levantamentos de dados preexistentes 
sobre as edificações de Parnaíba pelas instituições locais – como o Instituto do Patrimônio 
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – e dados especialmente levantados in loco para este 
estudo, o que possibilitou formar uma base de informações cadastrais que permitiu a análise 
das características dessas edificações erguidas na primeira do século XX. 
Assinale-se que também foram muito caros ao estudo os levantamentos arquitetônicos, 
as análises comparativas das tipologias estilísticas existentes no sítio histórico e dos 
exemplares de maior relevância dentro de cada tipologia predominante no tecido urbano deste 
sítio, elaborados com base no que se entende como o ponto de partida desse trabalho, a 
monografia constituída como trabalho final de Graduação, exigido para a conclusão do Curso 
de Arquitetura e Urbanismo do Instituto Camillo Filho, intitulada “Parnaíba Cosmopolita: um 
estudo da sua arquitetura vinculada às formas tradicionais e às inovações da segunda metade 
do século XIX e primeira metade do século XX”. 
 23 
O corpo desta dissertação está dividido nas seguintes partes: 1 Introdução, com os 
esclarecimentos norteadores. 2 Parnaíba: história e memória, onde foi realizada uma 
abordagem sobre as relações entre História, cidades e Arquitetura; também são enfatizados 
alguns conceitos relevantes para o bom entendimento da pesquisa, tais com memória, 
identidade, espaço; traz, por fim, um panorama da história política, econômica e urbanística 
da cidade desde os tempos primeiros, bem como o desenvolvimento econômico e urbano do 
período em questão. 3 O Método Eclético Parnaibano: hibridismo e tradução cultural, aqui 
foram relatados os aspectos conceituais relevantes do Ecletismo; sua relação com a Belle-
Epoque; como esses acontecimentos se deram em Parnaíba; e as mudanças e transformações 
que caracterizam o Ecletismo, assim como seus antecedentes e influências, necessários para o 
bom entendimento do movimento. 4 O Ecletismo em Parnaíba: a construção do método 
eclético local. Nesta parte do trabalho, foram expostos dados relacionados à quantidade, por 
exemplo, e que contribuem para a compreensão do método eclético local; e ainda 
identificadas as tipologias existentes no sítio histórico urbano, suas principais características, 
bem como a importância enquanto patrimônio cultural da cidade. 
Por último, as “Considerações Finais”, seguidas das “Referências”, que constituem o 
embasamento teórico fundamental, juntamente com os “Apêndices”, que trazem diversas 
informações como fichas cadastrais e arquivos de fotos; e os “Anexos”, contendo fontes 
iconográficas, como os mapas da cidade e do sítio histórico de Parnaíba. 
Espera-se com este estudo aprimorar o conhecimento não só acerca da produção 
arquitetônica em Parnaíba, mas também no contexto regional. A partir de pesquisas como 
esta, pode-se contribuir também para a adoção de políticas urbanas, setoriais ou específicas, 
que resultem na preservação, na salvaguarda do patrimônio cultural edificado no sítio 
histórico da cidade. Pesquisas deste gênero podem ainda colaborar nos estudos sobre a 
arquitetura piauiense, para que estudantes e profissionais tenham mais fontes de estudo que 
possibilitem melhor desenvolvimento dos trabalhos, e para que haja maior conscientização 
quanto à importância da conservação do patrimônio edificado. 
Ressalte-se que a História, e, também nesse caso, a História da Arquitetura 
possibilitam a compreensão da cultura, dos hábitos das pessoas. No que diz respeito à 
Arquitetura e Urbanismo, entende-se que somente com esses conhecimentos pode-se projetar 
edifícios que atendam às expectativas e às necessidades da sociedade, ao tempo em que 
 24 
conservem a identidade desses espaços. Ao entender suas raízes e formação cultural, as 
pessoas podem preservar seu passado e construir melhor o presente.
*
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*
 Ao longo do texto, para sua construção, foram utilizadas citações originadas de periódicos, entre outras fontes, 
nas quais se manteve, na íntegra, a ortografia usada à época. Dito de outro modo, não se usou, nesta dissertação, 
o recurso grifo meu/nosso em palavras escritas assim, por exemplo, vae, horisontes, espansões etc. 
(ALMANAQUE DA PARNAÍBA. Parnaíba: RanulphoTorres Raposo, 1937. p. 67). 
 25 
2 PARNAÍBA: História e memória 
2.1 História, cidades e Arquitetura 
Esta pesquisa foi constituída a partir da Escola dos Annales, quando os historiadores 
saíram à busca de novos temas, novos campos de estudo, novas questões, novos problemas, 
de modo a se distanciar da visão totalizante da história. Para tanto, reformularam 
metodologicamente o trabalho com fontes novas e outras já utilizadas, iniciando assim a 
História Cultural, que, de acordo com Peter Burke,
9
 caracterizou-se, sobretudo, pela 
multiplicidade da abordagem e do objeto, proporcionando uma visão histórica pautada na 
diversidade. 
A Nova História Cultural, assim chamada por Lynn Hunt,
10
 buscou uma nova forma 
de trabalhar a cultura, pensá-la como um conjunto de significados construídos e partilhados 
pelos homens, para explicar o mundo, um modo de expressão e tradução da realidade que se 
fez de forma simbólica.
11
 
Nesse contexto, o presente trabalho buscou dialogar com a complexidade da Cidade e 
sua Memória. Tal complexidade construiu sentidos e significados que só puderam ser 
compreendidos a partir do entendimento de que “[...] a história cultural tem por principal 
objeto identificar o modo como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade 
social é construída, pensada, dada a ler. Uma tarefa desse tipo supõe vários caminhos [...]”.12 
A História é dinâmica e cada historiador faz interpretações de acordo com sua própria 
natureza e suas experiências pessoais; ou seja, não há padrões absolutos e sim perspectivas 
relativas, como explica Rezende ao dizer: 
[...] o olhar do historiador sobre o passado carrega as imagens de sua época, 
as indefinições do seu tempo, as cores pouco nítidas das suas inquietações. O 
seu olhar busca a possibilidade de conseguir contribuir para conhecer o 
labirinto em que se encontra, a eterna busca de saídas, apesar do refazer 
constante de labirintos. Mesmo contextualizando e definindo bem seu objeto, 
o historiador não deve silenciar a diversidade, produzir um discurso 
homogêneo, porém mostrar como as histórias se interpenetram, se chocam e, 
 
9
 BURKE, P. Variedades de história cultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. 
10
 HUNT, L. A nova história cultural. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 
11
 PESAVENTO, S. J. História & história cultural. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. 
12
 CHARTIER, R.. A história cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1988. p. 17. 
 26 
sobretudo, na perspectiva das representações, na construção do imaginário 
[...].
13
 
Debruçar-se sobre o passado não significa encontrar modelos determinados, mas sim 
buscar perguntas dentro das próprias vivências, de modo que se perceba o objeto a partir de 
um lugar histórico próprio de cada historiador. Valéry
14
 afirma que é necessário historicizar o 
tempo histórico, do contrário correr-se-ia o risco de construir uma história anacrônica. 
Para Benévolo,
15
 o termo cidade pode ser empregado em dois sentidos: para indicar 
uma organização concentrada e integrada ─ a sociedade; ou como uma situação física ─ o 
espaço onde se inseriu esta sociedade. Em muitos casos, o espaço construído é mais durável 
do que a existência temporal de um grupo, e, desse modo, esse espaço construído contém 
muitas informações sobre as características da sociedade. Por isso é tão importante o estudo 
do passado através das construções, haja vista que, além das informações impressas em suas 
partes físicas, seus espaços podem também ser experimentados, pois ainda fazem parte do 
presente. Daí por que os edifícios antigos são testemunhos da memória da cidade. 
Dessa forma, a cidade passou a ser um dos principais temas de análise da História, que 
conta agora com a transdisciplinaridade de outros campos, como, por exemplo, a Literatura, a 
Sociologia, a Antropologia, a Arte e, como no presente estudo, com a Arquitetura e o 
Urbanismo, que, através de suas técnicas e ferramentas, estabelece amplo diálogo com a 
História e ajuda a perceber as diversas maneiras de ler as cidades. 
Sobre o assunto, Pesavento afirma que “a cidade é, por excelência, um objeto de 
múltiplos olhares, escritas e leituras, que traduzem, por sua vez, uma pluralidade de saberes e 
sensibilidades sobre o fenômeno urbano”.16 Compreende-se assim que a História das Cidades 
envolve os mais diversos campos e cada vez mais é objeto de reflexão de mais estudiosos. 
Desde as primeiras tentativas de planejamento urbano e da busca pela cidade ideal, 
alguns autores refletiram acerca do passado das cidades, das formas de ordenamento e das 
funções enquanto urbe ao longo do tempo.
17
 Grandes contribuições para o estudo das cidades 
trouxeram também os trabalhos de Walter Benjamin, sobre a Paris do século XIX e a respeito 
de Charles Baudelaire, o flâneur por excelência. Recorrendo à Literatura europeia do século 
 
13
 REZENDE, A. P. Desencantos modernos: histórias da cidade do Recife na década de XX. Recife: 
FUNDARPE, 1997. p. 15. 
14
 VALÉRY, P. Variedades. São Paulo: Iluminuras, 1957. 
15
 BENÉVOLO, L. A cidade e o arquiteto: método e história na arquitetura. São Paulo: Perspectiva, 2006. 
16
 PESAVENTO, S. J. O imaginário da cidade: visões literárias do urbano: Paris, Rio de Janeiro, Porto Alegre. 
2. ed. Porto Alegre: Universidade/UFRGS, 2002. p. 282. 
17
 RAMINELLI, R. História urbana. In: CARDOSO, C. F.; VAINFAS, R. Domínios da história. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 1997. 
 27 
XIX, para pensar as transformações provocadas pela modernidade, Walter Benjamin inovou, 
ao tomar a cidade como objeto de estudo, e a partir da qual diversas podem ser as variáveis de 
observação, lendo a cidade dentro de seu próprio tempo e ritmo. 
A definição de cidade, que por muito tempo na historiografia permaneceu ligada a 
aspectos econômicos e políticos, a partir dos anos de 1970, ganhou novos olhares. Segundo 
Ítalo Calvino,
18
 as cidades são vistas sob a ótica dos símbolos, dos significados da existência 
humana; a cidade nasce da confluência dos desejos, que faz surgir diversas cidades em uma 
só, e do resultado das ações de quem governa, projeta e de quem a vivencia. Esse pensamento 
de Calvino, que entende as “cidades invisíveis” construídas a partir da experiência de seus 
usuários, foi associado à Parnaíba, que, aos poucos, se transformou em razão do fazer oficial 
de quem a governava, mas principalmente através da invenção e transformações impostas por 
quem a experimentava.
19
 
Como diz Aldo Rossi,
20
 “a arquitetura é a cena fixa das vicissitudes do homem, 
carregada de sentimentos de gerações, de acontecimentos públicos, de tragédias privadas, de 
fatos novos e antigos”. Os edifícios, através da linguagem arquitetônica, apresentam dados 
que refletem não só a função utilitária, mas também os significados, os desejos, as ambições, 
a cultura de quem os usufrui. 
A partir do final da década de 1960, a História da Arquitetura e do Urbanismo também 
ampliou seus horizontes, e passou a perceber que as cidades são permeadas por outros muitos 
aspectos que não só os racionais e físicos, mas psicológicos, sociais, culturais. A partir de 
obras como a “História da Arquitetura Moderna”, de Leonardo Benévolo, a “A Imagem da 
Cidade” de Kevin Lynch, e a “Arquitetura da Cidade” de Aldo Rossi, a cidade passa a ser 
entendida como um bem histórico e cultural. Rossi vê a cidade como arquitetura, mas não só 
de imagem, mas sim de construção da cidade ao longo do tempo, da criação do ambiente onde 
vive a coletividade; entende ainda a arquitetura como a chave daleitura e da interpretação dos 
fatos urbanos. Este autor entende 
[...] a arquitetura em sentido positivo, como uma criação inseparável da vida 
civil e da sociedade em que se manifesta; ela é, por natureza, coletiva. Do 
mesmo modo que os primeiros homens construíram habitações e na sua 
primeira construção tendiam a realizar um ambiente mais favorável a sua 
vida, a construir um clima artificial, também construíram de acordo com 
 
18
 CALVINO, Í. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. 
19
 CERTEAU, M. de. A invenção do cotidiano: 1. Artes de Fazer. Petrópolis: Vozes, 2008. 
20
 ROSSI, A. A arquitetura da cidade. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 3. 
 
 28 
uma intencionalidade estética. Iniciaram a arquitetura ao mesmo tempo que 
os primeiros esboços das cidades; a arquitetura é, assim, inseparável da 
formação da civilização e é um fato permanente, universal e necessário 
[...].
21
 
O Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), criado em 1964, 
redigiu, em 1986, na cidade de Washington (Estados Unidos da América-EUA), a Carta 
Internacional para a Salvaguarda das Cidades Históricas, ou Carta de Washington, na qual se 
difundiu a ideia de que toda cidade é histórica e de que suas edificações são como dados em 
um livro aberto, prontos a serem pesquisados, pois todas foram criadas e desenvolvidas a 
partir da ação humana, deixando com isso um legado para a posteridade.
22
 
As cidades são um misto de natureza e construções, público e privado, razão e 
sentimentos, memórias, diálogos, experiências, comportamentos, crenças, desejos, conflitos, 
enfim, diferentes aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais. Nela, passado, presente e 
futuro convivem com os mais diferentes personagens e protagonistas de uma História que, 
como se compreende nos dias atuais, foi construída dia a dia e nos mais variados espaços. 
São, portanto, além de locais de manipulação do poder, espaços sociais, repletos de 
pluralidade, de diferenças e de transformações que deixam marcas e constituem as memórias 
e a identidade do local. Todas essas mudanças, que ocorreram ao longo do tempo, ficaram 
gravadas nos edifícios, nos monumentos, nas ruas e avenidas. 
As cidades são consideradas, portanto, verdadeiras fontes de informações, 
documentos. Por meio da análise de sua produção arquitetônica, podem ser percebidos 
elementos constituintes de sua identidade; ou seja, um conjunto de caracteres próprios, 
resultado dos costumes, tradições e ações do homem no seu meio cultural, que vão qualificá-
las e torná-las reconhecíveis. As edificações carregam consigo valores culturais, sociais e 
econômicos de determinada época, e, através da arquitetura, é possível perceber muitas 
informações capazes de decifrar a atmosfera sob a qual foram construídas. Como afirma 
Raquel Rolnik,
23
 “[...] é como se a cidade fosse um imenso alfabeto, com o qual se montam e 
desmontam palavras e frases [...]”. 
Em busca do fazer historiográfico, foi relevante compreender que os edifícios, apesar 
de serem inanimados e funcionarem como marcos de orientação, são, ao mesmo tempo, 
espécies de organismos vivos que marcam os capítulos na trajetória das cidades, conferindo 
 
21
 ROSSI, op. cit., 2001, p. 1. 
22
 MELO, N. B. A. L. Parnaíba cosmopolita: um estudo da sua arquitetura vinculada às formas tradicionais e às 
inovações da segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX. Monografia (Graduação em 
Arquitetura e Urbanismo) – Instituto Camillo Filho-ICF, Teresina, 2007. 
23
 ROLNIK, R. O que é cidade. São Paulo: Brasiliense, 2004. p. 18. 
 29 
legitimidade, mostrando a formação e as transformações ocorridas. Por estar em processo de 
uso, estão sempre se modificando e agregando os vestígios das várias épocas percorridas.
24
 
2.2 Formas e significados na construção de Parnaíba 
Neste momento da pesquisa, é importante fazer alguns breves esclarecimentos para 
que se possa dar segmento ao trabalho, como, por exemplo, no que diz respeito às edificações, 
que surgem através de suas próprias formas físicas, mas também a partir do contexto que as 
cerca, das formas urbanas. Ao mesmo tempo em que contribuem para as formas urbanas das 
cidades, elas próprias são também formas urbanas. As formas são a parte material perceptiva. 
Mas há algo mais que permeia os edifícios, sobretudo as residências ─ os significados ─ que 
passam a fazer parte do inconsciente e do emocional de cada indivíduo, ligado de algum 
modo àquela construção. Assim, as formas passam a fazer parte da memória individual e/ou 
coletiva. 
A partir da união entre forma e significado, surgem os símbolos, que representam 
conteúdo material ou imaterial. Assim, as cidades, como os edifícios são, por sua vez, 
símbolos. Como afirma Rama,
25
 “uma cidade, antes de aparecer na realidade, existe como 
representação simbólica”. 
Os edifícios são concebidos para significar algo, como condição social, por exemplo. 
É o que ocorre na produção arquitetônica eclética, principalmente nas residências das pessoas 
economicamente mais favorecidas, pois “nas habitações destinadas às camadas mais 
abastadas tendia-se à utilização máxima de materiais importados e ao emprego das formas 
arquitetônicas como símbolo de posição social”.26 
Quando os símbolos identificam ou indicam algo tornam-se signos. A obra “Cidades 
Invisíveis”, de Ítalo Calvino, traz a descrição das supostas cidades percorridas por Marco 
Polo, conquistadas pelo império mongol de Kublai Khan. Algumas dessas cidades descritas 
são marcadas pelos símbolos, como é o caso de Tamara: 
[...] Se um edifício não contém nenhuma insígnia ou figura, a sua forma e o 
lugar que ocupa na organização da cidade bastam para indicar a sua função: 
o palácio real, a prisão, a casa da moeda, a escola pitagórica, o bordel. 
Mesmo as mercadorias que os vendedores expõem em suas bancas valem 
não por si próprias mas como símbolos de outras coisas: a tira bordada para 
a testa significa elegância; a liteira dourada, poder; os volumes de Averróis, 
sabedoria; a pulseira para o tornozelo, voluptuosidade. O olhar percorre as 
 
24
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
25
 RAMA, Angel. A cidade das letras. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 29. 
26
 REIS FILHO, N. G. Quadro da arquitetura no Brasil. 10. ed. São Paulo: Perspectiva, 2004. p. 180. 
 30 
ruas como se fossem páginas escritas: a cidade diz tudo o que você deve 
pensar, faz você repetir o discurso, e, enquanto você acredita está visitando 
Tamara, não faz nada além de registrar nomes com os quais ela define a si 
própria e todas as suas partes. Como é realmente a cidade sob esse carregado 
invólucro de símbolos, o que contém e o que esconde, ao se sair de Tamara é 
impossível saber. [...]
27
 
Acerca do termo “identidade” são muitas as discussões. Segundo a visão dos 
antropólogos, a identidade é como uma reunião que nunca se concluirá de signos, referências, 
influências, ou seja, de aspectos que definem ou caracterizam algo ou alguém. Para entedê-la, 
é necessário o confronto e a identificação dos contrastes, das diferenças entre os pares. 
Para os historiadores, as identidades são um campo de pesquisa para a História 
Cultural. A identidade relaciona-se à noção de alteridade, que parte do pressuposto que é 
necessário que existam diferentes coisas ou seres com diferentes características, para que, 
assim, se encontrem as diferenças ou semelhanças entre os grupos ou elementos individuais. 
Em outras palavras, a identidade é construída a partir da diferença;28
 de modo que “identidade 
e diferença são inseparáveis, pois uma depende da outra. A identidade constrói a diferença, e 
a diferença constrói a identidade.”29 
A noção de identidade do centro de Parnaíba se formou a partir dos edifícios existentes 
e da memória que foi sendo construída, muitas vezes no silêncio, nas particularidades do 
lugar. Ou seja, quando se utiliza o termo “Ecletismo Parnaibano”, refere-se a essa cidade dos 
fins do século XIX até metade do século XX, localizada no extremo Norte do Estado do Piauí, 
e que, por um condicionante de riqueza extrativista e de uma localização geográfica favorável, 
absorveu e reelaborou um estilo arquitetônico praticado na Europa. Entende-se que a noção de 
identidade não é uma condição posta, ao contrário, ela se modifica com as ações humanas e 
ambientais, configurando uma situação de constante dinamismo. O Ecletismo ocorre na 
arquitetura local a partir da transformação, configurando uma prática arquitetônica 
particularizada, carregada de referências próprias do espaço de Parnaíba. 
São utilizados, para os termos “espaço” e “lugar”, os conceitos de Michel de 
Certeau,
30
 para quem “o espaço é um lugar praticado”. O lugar é uma configuração 
instantânea de posições, e, desse modo, implica estabilidade. Já o espaço é algo que implica 
 
27
 CALVINO, Í., op. cit., 1990, p. 17-18. 
28
 WOODWARD, K. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, T. T. da. (Org.). 
Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. 
29
 SANTOS, R. N. L. dos. A cidade de Timon (MA) na década de 80 do século XX. In: NASCIMENTO, F. A. 
do.; VAINFAS, R. (Org.). História e historiografia. Recife: Bagaço, 2006. p. 385. 
30
 CERTEAU, M. de., op. cit., 2008, p. 202. 
 31 
variedade de direção, velocidade e tempo; é animado pelos vários movimentos que nele se 
encontram. 
A proposta é identificar, reconhecer os espaços, através das transformações 
arquitetônicas e da “usança”; ou seja, os espaços nos edifícios residenciais do sítio histórico 
de Parnaíba foram percebidos e considerados, ressaltando seus aspectos físicos, bem como 
seus significados. 
Os edifícios, as residências são alguns dos “lugares da memória”;31 são referências 
importantes, registros, expressões coletivas ou individuais, porque as memórias estão ligadas 
aos espaços em que vivem os indivíduos e às relações desenvolvidas por eles, e que, por sua 
vez, constroem os espaços. Como afirma Rossi,
32
 “a cidade e a região [...], enquanto pátria 
artificial e coisa construída, também são testemunhos de valores, são permanência e 
memória”. 
Duarte
33
 entende que a memória coletiva é a memória da sociedade, da totalidade, 
onde se inscrevem e transcorrem as memórias pessoais, e que, por sua vez, são os elos da 
cadeia maior. Segundo os estudos de Maurice Halbwachs,
34
 a memória particular é aparente e 
remete a um grupo, pois o indivíduo possui lembranças, mas está sempre interagindo com a 
sociedade. Dessa forma, a memória individual é constituída em comunhão com a memória de 
outros grupos. 
Discutir memória também é relevante para o trabalho porque as memórias, coletivas 
ou individuais, ajudam a formar as identidades, e também porque a História da Arquitetura 
utiliza não só as próprias edificações como também muitas imagens; e as imagens, assim 
como os textos e os próprios edifícios são um dos principais artifícios utilizados para guardar 
ou disseminar tais experiências. 
As memórias compõem a História. A História encontra na memória o suporte que as 
transformará em registros. Cada indivíduo, grupo ou ainda geração relata suas memórias de 
modo diferente, fazendo com que novos elementos sejam agregados ao patrimônio e passem a 
fazer parte de uma porção da realidade que não muda de um momento para o outro, mas que é 
permanente e que não se deixa atingir pelo tempo. 
 
31
 Criada pelo historiador francês Pierre Nora, a expressão “lugares de memória” significa os locais materiais ou 
imateriais nos quais se encarnam ou cristalizam as memórias de uma nação e onde se cruzam memórias pessoais, 
familiares e de grupo: monumentos, uma igreja, uma residência, um sabor, uma árvore centenária podem 
constituir-se em “lugares de memória”, como espelhos nos quais, simbolicamente, um grupo social ou um povo 
se “reconhece” e se “identifica”, mesmo que de maneira fragmentada. 
32
 ROSSI, A. op. cit., 2001, p. 22. 
33
 DUARTE, L. F. D. Memória e reflexividade na cultura ocidental. In: ABREU, R. CHAGAS, M. (Org.). 
Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos. 2. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2009. 
34
 HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Vertice, 1990. 
 32 
Uma das maneiras de se preservar, registrar a memória é através das imagens e elas 
carregam inúmeros significados diferentes. Os edifícios ou suas imagens são considerados 
símbolos e signos, porque sempre representam e identificam ou indicam algo a alguém.
35
 As 
fontes visuais são verdadeiros receptáculos de informações, as quais podem ser decifradas de 
acordo com o interesse do observador; ou seja, uma pintura, por exemplo, pode fornecer 
dados sobre a arquitetura, sobre os aspectos sociais, sobre determinado período, sobre o seu 
autor e assim por diante. 
Tendo em vista que o estudo a relação história e imagem é relevante para a pesquisa, 
faz-se necessário porém entender como e por que o uso de imagem será aqui tão enfatizado, 
sobretudo o uso de desenhos arquitetônicos (levantamentos físicos, como plantas baixas, por 
exemplo), cartografias, gráficos e de fotografias, sendo as últimas um dos principais 
instrumentos de análise deste trabalho, pois 
[...] a fotografia é, antes de tudo, um olhar que recorta, seleciona, escolhe; 
um olhar subjetivo cheio de emoção e de uma idéia de mundo: um olhar que 
interpreta. E ao mesmo tempo um olhar que usa uma técnica e que precisa, 
de alguma forma, dominar a máquina. Mas a fotografia supõe, ainda, outro 
olhar: o olhar do apreciador, com sua história de vida, sua cultura, sua 
emoção. Não consigo pensar fotografia apenas como índice, metonímia, 
duplo do real e, apesar de reconhecer nela essa qualidade, vejo-a para além 
do índice, como possibilidade metafórica, texto indireto e cheio de 
reentrâncias, onde a coisa retratada pode esconder-se, e, no mais das vezes, 
esconde-se, para além da imagem, no imaginário.
36
 
As fontes iconográficas aqui utilizadas servem para identificar os aspectos urbanísticos 
e arquitetônicos. As imagens não estão isoladas do contexto histórico, pelo contrário, elas 
fazem parte desse contexto. Mapas, fotografias, gráficos substituem, dentro do possível, o 
real; são um valioso elo entre o verbal e o visual; e é com base nesse pressuposto que são aqui 
utilizados e analisados. Importa o conteúdo que as imagens trazem, pois um trabalho no qual 
se busca entender a história de uma cidade através de sua arquitetura necessita da visualização 
de pelo menos parte dessa produção arquitetônica e do espaço onde ela se encontra. Cadiou
37
 
afirma que “[...] a imagem é um signo, ou um conjunto de signos, que traduz uma visão da 
realidade e transmite um sistema de valores”. 
 
 
35
 COLIN, S. Uma introdução à arquitetura. Rio de Janeiro: UAPÊ, 2000. 
36
 PINHEIRO, J. Antropologia, arte, fotografia: diálogos interconexos. In: Cadernos de Antropologia e 
Imagem. Rio de Janeiro: UERJ, 2000, v.10, n.1, p.130. 
37
 CADIOU, F. et al. Como se faz a história: historiografia, método e pesquisa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. p.148. 
 33 
É necessário que a imagem seja entendida dentro da rede de imagens em que foi 
produzida; deve ser, assim como toda fonte histórica, analisada, considerando o momento em 
que foi produzida, e, se possível, descobrir o máximo de informação sobre esta. Entende-se 
ainda que as imagens não se limitam à representação do real, mesmo que ela seja seletiva. 
Mais que isso, a imagem produz um discurso sobre o real e, de acordo com o interesse e com 
os variados pontos de vista, podem ser interpretados vários significados diferentes, sendo uma 
fonte valiosa de pesquisa. 
Outras relações consideradas pertinentes à pesquisa são as relações de poder. Para 
Michel Foucault, o poder não é apenas centralizado, institucional, mas existe uma 
multiplicidade de poder, uma rede de micropoderes que permeia toda a existência da 
sociedade, e que também se encontra no sítio histórico de Parnaíba. Esses micropoderes 
interferem ativamente na configuração dos espaços construídos na referida cidade. 
A proposta aqui apresentada propõe aguçar o olhar sobre a arquitetura residencial 
produzida a partir da segunda metade do século XX, no sítio histórico da cidade de Parnaíba, 
para, desse modo, através das variadas informações obtidas, contribuir para o fazer 
historiográfico local. Para essa discussão, é importante compreender também o que é sítio 
histórico. 
Para Rossi,
38
 sítio histórico é o local onde se manifestam os fatos urbanos, onde se 
encontram partes substanciais da arquitetura. De acordo com o Icomos e a Carta de 
Petrópolis, redigida em 1987 no Rio de Janeiro, sítio histórico urbano é o espaço onde se 
concentram os testemunhos do fazer cultural da cidade em suas diversas manifestações. É 
definido também como o espaço formado pelo ambiente natural, o ambiente construído e a 
vivência dos habitantes, a “usança”, onde os diversos valores do passado e do presente se 
encontram e se transformam. 
Cada cidade possui seu sítio histórico, pois essa é a área inicial, é o espaço das 
primeiras adaptações, dos primeiros critérios de instalação e de apropriação do solo. Muitas 
vezes coincide com o termo Centro Histórico. Em se tratando de Parnaíba, é a área 
correspondente ao tecido tradicional entre a região do Porto das Barcas, nas margens do rio 
Igaraçu
39
 e a ferrovia. Esse perímetro, que constitui o Conjunto Histórico e Paisagístico de 
 
38
 ROSSI, A., op. cit., 2001. 
39
 O rio Igaraçu é um dos principais braços constituintes do Delta do Parnaíba; e, desde as primeiras ocupações 
do território, ainda no séc. XVI, foi adequado à navegação. Através dele, Parnaíba se comunicava com outros 
portos, nacionais e estrangeiros, mantendo, desse modo, contato com as novidades e tendências artísticas e 
tecnológicas, tornando-se, portanto, uma das cidades mais importantes do Estado, bem como do Nordeste do 
Brasil. 
 34 
Parnaíba foi tombado a nível federal em 2008 devido à relevância histórica, arquitetônica e 
urbanística do sítio considerado. 
Neste trabalho nenhum aspecto foi preterido, posto que todos são importantes na 
construção histórica. Acredita-se que os diferentes aspectos são relevantes para a 
compreensão da arquitetura de Parnaíba, mesmo aqueles que configuram a história positivista, 
pautada em acontecimentos e registros oficiais, já que durante a pesquisa foram necessárias 
informações que balizassem o aspecto contextual do trabalho. 
De acordo com Barros,
40
 dentre as novas ênfases surgidas para o estudo do fenômeno 
urbano no século XX, a dimensão econômica das cidades constitui uma das primeiras linhas 
de destaque; e o econômico implica em produção, distribuição e consumo, ou seja, atividades 
industriais, atividades comerciais e relações de consumo. O autor explica também que as 
formações urbanas não devem ser vistas isoladas do sistema socioeconômico no qual se 
inserem. 
Entretanto o fator econômico não foi visto isolado nem de modo determinante, ao 
contrário, esse foi um dos fatores que fez parte do processo de construção desta pesquisa para 
a compreensão de Parnaíba até meados do século XX. Os diversos fatores muitas vezes 
coincidem ou se distanciam. Dito de outro modo, economia e cultura estão simultaneamente 
próximos, e em alguns momentos distantes; entretanto, eles contribuem para a existência da 
urbe de Parnaíba. 
2.3 Parnaíba: Política, Economia e Urbanismo 
2.3.1 Os primeiros momentos 
Desde o final do século XVII, Portugal buscou assegurar a posse efetiva do território 
brasileiro, pois os exploradores, ao penetrar no interior da Colônia, começaram a controlar as 
terras e a representar uma ameaça à autoridade da Corte portuguesa, que não mantinha 
controle sobre eles, nem acerca das grandes extensões de terras sobre as quais esses mesmos 
exploradores passaram a exercer intensa autoridade.
41
 
Parnaíba, uma das mais importantes cidades do Estado do Piauí, localiza-se próximo 
ao “Delta do Parnaíba”, caracterizada por ser uma região em mar aberto, e que, desde cedo, 
também foi alvo dos primeiros conquistadores da colonização brasileira. De acordo com 
 
40
 BARROS, J. D. A. Cidade e história. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. 
41
 DELSON, R. M. Novas vilas para o Brasil Colônia: planejamento espacial e social no Século XVIII. 
Brasília: Alva-Ciord, 1997. 
 35 
Adrião Neto,
42
 o navegador português Estevão de Frois esteve na região em 1514; Desseliers 
fez o primeiro mapa indicando o curso do rio Parnaíba, em 1550; Nicolau de Rezende 
naufragou no Delta do Parnaíba e passou a viver com os índios do local, os Tremembés, em 
1571. Segundo o IPHAN,
43
 há registro da presença de jesuítas na região, os padres Francisco 
Pinto e Luis Figueira, em 1607. Martim Soares Moreno adentrou pelo litoral e navegou o rio 
Parnaíba, em 1613. Leonardo de Sá desbravou a região entre o rio Igaraçu e a Serra da 
Ibiapaba, travando um forte combate com os Tremembés, em 1669. Contudo, a navegação ao 
longo desse trecho, era muito difícil, porque existiam poucos locais acessíveis à atracação de 
navios. 
Diante da necessidade portuguesa de controlar o território da Colônia e do difícil 
acesso pelo litoral costeiro nessa região, entre o Piauí e o Maranhão, fez-se necessária uma 
rota alternativa de ligação entre as duas unidades administrativas do Brasil, à época, o Estado 
do Maranhão e o Estado da Bahia, ou seja, entre São Luís e Salvador, suas respectivas 
capitais. Desse modo, foi criada uma rota que penetrou o sertão do Piauí por exploradores em 
busca de terras para a criação de gado e que se espalharam pela região, criando fazendas e 
pequenos povoados. Segundo Rodrigues,
44
 o desbravamento do Piauí foi efetivado, portanto, 
através dos feitos de bandeirantes, como Domingos Jorge Velho, em 1662, e Domingos 
Afonso Mafrense, em 1674, que vindo da Bahia, da Casa da Torre dos Garcia d‟Ávila, 
penetrou os sertões, dizimou índios e fundou várias fazendas de gado e um dos maiores 
latifúndios do País à época. 
O Conselho Ultramarino determinou, em 1699, a sondagem do rio Parnaíba, a 
viabilidade da construção de um porto e do erguimento de uma vila na região do Delta, que 
era um local de passagem de muitos comerciantes e contrabandistas do Pará, Bahia e 
Pernambuco.
45
 
Em 1701, ocorreu a necessidade de criar um entreposto para guardar animais e 
mercadorias de trocas, à margem direita do rio Igaraçu, o “Porto das Barcas” ou “Porto 
Salgado”, que se desenvolveu em função da necessidade do acondicionamento da carne 
 
42
 ADRIÃO NETO. Geografia e história do Piauí para estudantes: da Pré-Históriaà atualidade. 3. ed. 
Teresina: Geração 70, 2004. 
43
 IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Estudo para tombamento do sítio histórico 
de Parnaíba. Parnaíba, 2006. v.1. 
44
 RODRIGUES, J. L. P. Estudos regionais: Geografia e História do Piauí. 3. ed. Teresina: Halley, 2005. 
45
 FIGUEIREDO, D. M. F. O monumento habitado: a preservação de sítios históricos na visão dos habitantes e 
dos arquitetos especialistas em patrimônio. O caso de Parnaíba. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal 
de Pernambuco, 2001. 
 36 
bovina, nascendo, dessa forma, a indústria do charque.
46
 Esse local prosperou devido à grande 
movimentação das embarcações, do rico português Domingos Dias da Silva, vindo do Rio 
Grande do Sul, em meados do século XVIII, e que se tornou um notável fazendeiro, grande 
agricultor e comerciante, efetivando o comércio diretamente com Lisboa, dominando 
economicamente o Piauí e o Maranhão, e comercializando, principalmente, o charque, 
vendido para o Pará, Pernambuco, Maranhão, Bahia e o Rio de Janeiro.
47
 Após sua morte em 
1793, os seus filhos e herdeiros, Raimundo e Simplício Dias da Silva, continuaram o negócio. 
Em 1761, a Capitania de São José do Piauí contava apenas com a Vila da Môcha 
(elevada à condição de cidade e capital, em 1762, com o nome de Oeiras), quando a 
expedição de uma Carta Régia autorizou o assentamento das novas vilas de Parnaguá, 
Jerumenha, Valença, Castelo, Campo Maior, Piracuruca e São João da Parnaíba (Figura 1), 
garantindo o desenvolvimento e o controle da Capitania pela Corte portuguesa, cuja unidade 
de organização era a fazenda, o que ocasionou uma ocupação esparsa, pois as famílias viviam 
isoladas em função da atividade de criação de gado em regime extensivo. 
A Carta Régia de 19 de junho de 1761 trazia instruções de como implantar as novas 
vilas, para que se efetivasse a ocupação da Colônia. Segundo o documento: 
[...] os habitantes deviam ser convocados em determinado dia para assistirem 
a escolha de local onde devia ser levantada uma praça, devendo-se erguer 
nela um pelourinho, seguindo-se as demarcações para construção de igreja, 
fazendo delinear as casas dos moradores por linha reta, de sorte que fiquem 
largas e direitas as ruas [...].
48 
 
46
 O charque consiste no produto oriundo do abate do gado, onde a carne é seca ao vento e ao sol para posterior 
prensagem. 
47
 Id. ibid. 
48
 PORTO, C. E. Roteiro do Piauí. Rio de Janeiro: Artenova, 1974. p. 69. 
Figura 1: Carta Geográfica da Capitania 
do Piauhi e parte das adjacentes, 
levantada por João Antonio Galucil, em 
1761. 
Fonte: Silva Filho (2007, v. 3, p. 80). 
 
 37 
De acordo com Figueiredo,
49
 a criação da Vila de São João da Parnaíba, bem como 
das demais vilas ocorreu a partir de povoações já existentes, de paróquias anteriormente 
implantadas, e seguindo um modo de organização, um modelo definido, através dos 
moradores, os quais decidiam a localização da praça principal, do pelourinho, da nova igreja, 
da câmara, da cadeia e das demais edificações públicas, bem como determinava as instruções 
para a demarcação de lotes, assim como exigia o mesmo estilo de fachada para todas as 
edificações, garantindo a uniformidade e harmonia ao conjunto. Esse modelo, desenvolvido 
para atrair colonos permanentes e dar a impressão de uma autoridade estabelecida, bem como 
intimidar possíveis ataques foi sendo aperfeiçoado até atingir seu ideal na cidade de Aracati, 
fundada em 1747, no Estado do Ceará, a qual se tornou um exemplo para a fundação de outras 
cidades durante o século XVIII. 
Silva Filho
50
 explica ainda que, apesar de serem as construções religiosas os principais 
núcleos irradiadores do traçado urbano, em Parnaíba, foge-se à regra quanto à implantação 
desses primeiros templos. Na maioria das cidades, as igrejas eram locadas em platôs mais 
elevados, centralizadas, destacadas, buscando a monumentalidade, e ressaltando a autoridade 
divina, indiferentes à orientação solar. 
No caso de Parnaíba os templos religiosos ainda que localizados em áreas estratégicas 
foram subordinados ao traçado regulador, o que confirma uma planificação urbana antes de 
sua existência, fato que pode ser confirmado através da Figura 2, onde se encontram exemplos 
de algumas cidades piauienses que tiveram seu núcleo urbano originado a partir da construção 
religiosa, e ainda o núcleo parnaibano que se comporta diferente dos demais. 
 
 
 
 
 
 
 
49
 FIGUEIREDO, D. M. F., op. cit., 2001. 
50
 SILVA FILHO, O. P. da. Carnaúba, pedra e barro na Capitania de São José do Piauhy. Belo Horizonte: 
Editora do Autor, 2007. v.3. 
 
Figura 2: Esquemas da implantação das 
igrejas e praças no Piauí. 
Fonte: Silva Filho (2007, v. 3, p. 15). 
 
 38 
Em 18 de agosto de 1762, instala-se a nova Vila de São João da Parnaíba; o local 
escolhido foi uma grande fazenda de gado chamada “Testa Branca”, com quatro residências, 
oito brancos livres e onze escravos, e também próxima à região do Delta e do Porto das 
Barcas, sendo esse último o local onde foi edificado o pelourinho, representado na Figura 3. 
A utilização do pelourinho na imagem a seguir surge para reforçar a idéia de que não 
se aceitava indisciplina, e que a representação do poder está materializada no tronco, 
assinalando que a manutenção da ordem era conseguida através da força, sob constante estado 
de ameaça.
51
 
 
 
 
 
 
 
 
A tentativa de partir dessa fazenda não obteve êxito. Para Silva Filho,
52
 alguns 
problemas contribuíram para essa situação, tais como a não aceitação por parte dos moradores 
do Porto das Barcas e ainda o fato de não ter um templo no local. Para Figueiredo,
53
 o 
problema foi também de cunho econômico. Ela explica que, apesar dos compromissos de 
expansão, a sede em Testa Branca não prosperou, e, em 1770, o fator econômico tornou-se 
preponderante, e a vila foi transferida pelo governador Gonçalo Botelho de Castro para o 
Porto das Barcas, que, apesar de ser um local alagadiço e insalubre, com más condições de 
higienização, já era uma feitoria, mais povoado, e tinha ainda estabelecimentos comerciais, 
armazéns e até o pelourinho (símbolo de justiça e autoridade). 
Em 1769 a câmara baixou um edital proibindo que se edificasse, sem prévia 
licença sua, casa alguma em Testa Branca, ao passo que facilitava as dali, 
[...] e somente depois que João Pereira Caldas deixou o governo da 
 
51
 ELIAS, J. L. Moradia indígena: alteração sofrida pela habitação nativa após a inclusão dos jesuítas no 
cenário colonial (1548-1700). Dissertação (Mestrado) – UFPE/CFCH. Recife, 2000. 
52
 SILVA FILHO, O. P. da., op. cit., 2007. 
53
 FIGUEIREDO, D. M. F., op. cit., 2001. 
Figura 3: Detalhe da Praça do Pelourinho na Vila de São João da 
Parnaíba, cópia de Joze Pedro Cezar de Menezes, em 1809. 
Fonte: Silva Filho (2007, v. 3, p. 23). 
 
 39 
capitania, foi que se resolveu sobre a mudança de local, sendo em 1770 
transferida oficialmente a sede da Vila de São João da Parnaíba, em lugar da 
Testa Branca, para o sítio denominado Feitoria, ou Porto das Barcas, onde 
hoje campeia e floresce a futurosa cidade de Parnaíba [...] 
Incontestavelmente o povoado do Porto da Barcas oferecia mais vantagem 
para o assento da nova vila; era então uma feitoria com estabelecimentos de 
charqueada, cujos produtos se exportavam para Pernambuco, Bahia, Rio de 
Janeiro e Pará, deixando grande interesse às rendas públicas, pelo 
movimento comercial que resulta de semelhanteindústria; com uma 
população crescente e ativa, algumas casas e armazéns, e uma pequena 
ermida fundada pelos habitantes da localidade.
54
 
A Vila de São João da Parnaíba surgiu, portanto, a partir dos núcleos geradores, Porto 
das Barcas e Fazenda Testa Branca, favorecida por sua localização geográfica privilegiada, 
próxima ao rio Igaraçu e ao processo de colonização ligado à ocupação do sertão. "[...] um 
porto de escala e, ao mesmo tempo, um ponto de articulação com o sertão, de onde chegavam 
carne seca, sola, chifres, couro, algodão e fumo, exportados para Lisboa e Inglaterra [...]”,55 
“região de passagem, de troca, de função intermediária”.56 
Silva Filho
57
 (2007) afirma ainda que Parnaíba foi a primeira vila da Capitania que 
teve um plano regulador previamente implementado e junto a uma prefixação. O autor 
ressalta que esse planejamento prévio (não um projeto urbanístico) foi posterior ao núcleo 
inicial do Porto das Barcas. Afirma ainda que, lá, a igreja perdeu o seu papel referencial do 
traçado urbano e, ao invés de adotar o urbanismo de remodelação,
58
 como ocorreu em Oeiras, 
por exemplo, a cidade adotou o urbanismo cartesiano
59
 e assentou-se em ruas certas e 
alinhadas; por isso formou uma paisagem mais ordenada que as outras vilas. Há ainda outras 
particularidades: foi o único núcleo urbano a reunir duas igrejas em uma mesma praça; a 
única que teve dois núcleos geradores, o Porto das Barcas – prefixação portuária de origem 
comercial; e a Praça da Matriz – onde se localizava o poder institucional – religioso e civil. 
Como se pode perceber, a singularidade foi um fator presente desde o início, quando Parnaíba 
ainda era uma vila em processo de formação. 
Assim, a partir de 1770, foram erguidos os primeiros edifícios, oficializando a Vila de 
São João da Parnaíba, tais como a “Casa Grande” de Domingos Dias da Silva e a Casa de 
 
54
 COSTA, F. A. P. da. Cronologia histórica do Estado do Piauí: desde os seus tempos primitivos até a 
Proclamação da República. Rio de Janeiro: Artenova, 1974. v.1, p.151-152. 
55
 FALCI, Miridan Britto Knox. Escravos do sertão: demografia, trabalho e relações sociais. Piauí: 1826-1888. 
Teresina: FMC, 1995. p. 40. 
56
 Ibid., p. 44. 
57
 SILVA FILHO, O. P. da., op. cit., 2007. 
58
 Urbanismo de remodelação: planejamento urbano efetuado em um local onde já ocorreu alguma intervenção 
anterior e voltado principalmente para a reordenação, para o embelezamento. 
59
 Urbanismo Cartesiano é o planejamento baseado no esquema reticulado, ou seja, em eixos perpendiculares. 
 40 
Câmara e Cadeia.
60
 Em 1772, foi elaborado um importante documento intitulado “A 
Descrição da Capitania de São José do Piauí”, escrito pelo ouvidor-mor Antônio José de 
Morais Durão. Esse relatório comenta acerca da Vila de São João da Parnaíba, já próspera, 
graças ao comércio de exportação que a ligava a vários portos do Norte e do Sul do País. 
61
 
O documento também tratou da existência de uma estrutura urbana já consolidada, 
onde se destacou a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça como uma edificação sólida, em 
cantaria, mesmo sem cobertura. Contudo, ressalta também a questão da insalubridade, 
ocasionada pela proximidade entre as residências, os abatedouros e os curtumes.
62
 Segundo 
Silva Filho,
63
 a partir dessa situação surgiram as ordens do Governador Lourenço Botelho de 
Castro, que determinou que as charqueadas deveriam ficar distantes da povoação, sendo então 
um dos primeiros atos a refletir os cuidados com a higiene e o paisagismo local. 
A segunda metade do século XVIII foi um período marcado, em especial, pelo 
desenvolvimento do comércio de exportação, através da navegação fluvial e marítima. Esse 
processo se iniciou com o charque, e, à medida que esse produto começou a perder mercado 
em função da decadência do mercado minerador e da concorrência das indústrias de charque 
do Rio Grande do Sul, veio o algodão, o fumo, o couro e outras sementes extrativistas.
64
 De 
acordo com Odilon Nunes, a Junta Trina, que governou o Piauí por 22 anos, deixou, em 1775, 
um importante documento, destacando o crescimento de Parnaíba dentre as demais vilas 
criadas em obediência à Carta-Régia de 1761. Observe-se: 
[...] Igualmente devemos noticiar a V. Exa. que das seis vilas desta Capitania 
criadas no ano de 1762 só a de S. João de Parnaíba, fundada na margem 
oriental do braço de Igaraçu, tem tido aumento e promete cada vez mais não 
só pelos negócio do porto de mar que se lhe introduziu, senão também pelas 
fábricas e manufaturas com que se acha; as mais estão no mesmo estado em 
que se lhes deu aquele nome, conhecendo-se unicamente por vilas em razão 
de terem Pelourinho, ou um pau cravado na terra a que se deu aquele 
apelido.
65
 
A primeira cartografia de Parnaíba, de 1798, forneceu uma visão de como era a ainda 
Vila de São João da Parnaíba. A planta (Figura 4) mostra a quadrícula como geratriz do 
traçado urbano, com quarenta e quatro quadras de diversas dimensões, retangulares, situadas 
ao redor de um centro quadrangular com a presença do pelourinho. Pode-se identificar o rio 
 
60
 Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), op. cit., 2006, v.1. 
61
 FIGUEIREDO, D. M. F., op. cit., 2001. 
62
 Id. ibide. 
63
 SILVA FILHO, O. P. da., op. cit., 2007. 
64
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
65
 NUNES, O. Devassamento e conquista do Piauí. Monografias do Piauí. Série histórica, Teresina, 1972. p. 
129. 
 41 
Igaraçu, a ocupação ao longo do rio e as ruas próximas ao Porto das Barcas, a Praça da Graça, 
as Igrejas de Nossa Senhora da Graça, iniciada em 1791, e concluída em 1795, e a Igreja de 
Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Parnaíba, construída para os escravos da 
família Dias, e a antiga Rua Grande, atualmente chamada de Presidente Getúlio Vargas, 
indicando um vetor de ocupação que seria seguido pela cidade durante as próximas décadas, e 
que terminaria em frente ao conjunto da Estação Ferroviária, na década de 1940. 
Essa avenida tornou-se, de fato, o eixo estruturador mais importante do Centro 
Histórico, fazendo a ligação entre o rio Igaraçu e a ferrovia, e tornando-se simbolicamente 
fundamental para a compreensão da história da cidade.
66
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O mapa da Vila de Parnaíba em 1809 (Figura 5), apesar de não obedecer com 
fidelidade à escala de distância dos referenciais do sítio natural ─ como se pode constatar nas 
dimensões do rio e na curva que ele faz após o centro histórico, que, no mapa aparece bem 
próxima, mas que em medidas reais seria bem mais distante ─ nem ao número de quadras e 
ruas existentes, mostra que a cidade tem praticamente a mesma configuração de onze anos 
antes, mas com a presença de outra praça com pelourinho, que poderia ser identificada como a 
 
66
 FIGUEIREDO, D. M. F., op. cit., 2001. 
Figura 4: Mapa da Villa de São João da Parnaíba em 1798, acrescentado as 
nomenclaturas dos logradouros atualmente. 
Fonte: Silva Filho (2007, v. 3, p. 81). 
 
 42 
praça onde posteriormente foi edificado o Mercado. A presença do pelourinho nesse local é 
pouco usual, pois esse equipamento costumava ser instalado na praça principal da cidade.
67
 
Pode-se identificar também a presença de sobrados e casas térreas, o que diferenciava o nível 
econômico entre as famílias. Podem-se reconhecer as Igrejas de Nossa Senhora da Graça e 
Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Parnaíba, a Capela de Mont Serrat, o 
sobrado de Simplício Diase o Sobrado do Mirante; este traz o desenho de uma forca no pátio, 
e onde provavelmente poderia ter sido o local da instalação da Casa de Câmara e Cadeia; mas 
o fato de não estar na praça deixa dúvidas sobre essa questão. A presença dos sobrados 
confere, ainda, a prosperidade presente na vila.
68 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
67
 FIGUEIREDO, D. M. F., op. cit., 2001, chama a atenção para a necessidade de uma investigação mais 
aprofundada neste sentido, incluindo uma pesquisa de arqueologia histórica nas duas praças, pois não foram 
encontrados dados precisos sobre a localização real do Pelourinho. 
68
 Id. ibid. 
Figura 5: Mapa da Villa de São João da Parnaíba em 1809, 
acrescentado as nomenclaturas dos logradouros atualmente. 
Fonte: Pinheiro e Moura (2010, p. 22). 
 
 43 
O local da sede administrativa da capitania, Oeiras, logo foi considerado inviável 
devido à sua localização, em um sertão seco e estéril, longe dos rios e, principalmente do mar, 
o que ocasionou o desejo de mudança da capital. Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, o 
segundo governador da Capitania do Piauí, desde logo quis transferir a capital para a próspera 
Vila de São João da Parnaíba, e, desse momento em diante, ocorreram várias tentativas: em 
1792, com o Piauí politicamente subordinado ao Maranhão e dirigido por uma Junta de 
Governo, foi encaminhada uma proposta ao Rei; em 1799, João Amorim Pereira, governador 
à época, também fez duas outras tentativas de transferência da capital para a Vila de São João 
da Parnaíba; em 1812, a Junta de Governo Provisório fez outra tentativa e, no mesmo ano, a 
Câmara Municipal de São João da Parnaíba dirigiu-se ao Rei, solicitando a mudança da sede 
para lá; em 1814, a Junta fez uma nova tentativa, mas o assunto ficou a cargo do chanceler da 
Relação do Maranhão e da Câmara de Oeiras, que não tinha nenhum interesse em favorecer a 
Vila de São João da Parnaíba.
69
 
Por um longo tempo perdurou o debate sobre a transferência da capital, sobretudo após 
a queda do Visconde da Parnaíba. Em 1850, um grande número de moradores de Campo 
Maior, Piracuruca e Parnaíba dirigiu-se ao presidente, reivindicando a mudança da capital, 
uns querendo a nova sede em Parnaíba e outros na Vila Nova do Poti. Foi decidido então pela 
Vila Nova do Poti, um local no meio do caminho, às margens do rio Parnaíba. Acreditou-se 
que seria o melhor para uma capital, posto que serviria ao desenvolvimento da navegação e 
ainda arrebataria de São Luis toda a produção do Piauí que era escoada através da cidade 
maranhense de Caxias e do rio Itapecuru. Para o referido presidente, Oeiras, de fato, não 
poderia continuar como capital, devido à sua localização e dificuldade de escoamento da 
produção; por sua vez, Parnaíba também não era apropriada, porque ficava muito distante e o 
caminho a percorrer seria muito grande.
70
 
Para os parnaibanos, o anseio de abrigar a sede da capitania estendeu-se por quase 
todo o século XVIII e XIX e terminou por fracassar. Contudo, o desenvolvimento da Vila de 
São João da Parnaíba não sofreu maiores danos, ao contrário, aumentou bastante. De acordo 
com Knox,
71
 em 1826, Parnaíba possuía cerca de 350 fogos, e era o segundo centro mais 
importante da Província. O seu desenvolvimento ocorreu graças ao intenso comércio fluvial e 
marítimo, movimentando seu porto com muitos navios oriundos de outras partes do País bem 
como da Europa. Simplício Dias, herdeiro do pioneiro Domingos Dias da Silva, tornou-se um 
 
69
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
70
 ADRIÃO NETO. Geografia e história do Piauí para estudantes: da Pré-História à atualidade. 3. ed. 
Teresina: Geração 70, 2004. 
71
 KNOX, M. B. O Piauí na primeira metade do século XIX. Teresina: Projeto Petrônio Portella, 1986. 
 44 
dos mais importantes comerciantes do local, dono de várias embarcações e que, além do 
charque e do couro, oriundos dos rebanhos bovinos da região, comercializava também 
produtos de origem extrativista, como o algodão, fumo e sementes. 
Contudo, grande parte desse comércio era feita de forma ilegal.
72
 No início do século 
XIX, Parnaíba era um grande empório comercial, com barcos que navegavam pelos rios 
Parnaíba e Canindé. Em 1817, foi criada a Alfândega, mas só entrou em funcionamento, de 
fato, em 1834, com a finalidade de reduzir custos, além de aumentar a fiscalização sobre os 
produtos contrabandeados e permitir que a exportação legal destes fosse feita diretamente, 
sem passar pelo Maranhão ou Pernambuco, impulsionando a economia.
73
 
Segundo Rodrigues
74
 (2005), em 1844, a Vila de São João da Parnaíba era um dos 
principais polos econômicos do Estado; e, através da Lei n. 166, promulgada por José 
Idelfonso de Sousa Promos, foi elevada à categoria de cidade, sendo o desenvolvimento 
mercantilista determinante para a configuração urbana local, que, nesse período, rivalizava em 
importância com a capital Oeiras, possuindo inclusive, mais fogos que a última. 
2.3.2 O desenvolvimento econômico e urbano de Parnaíba 
A chegada da Corte ao Brasil, em 1808, transformou a condição de Colônia e implicou 
favoravelmente o estímulo ao desenvolvimento. Tal fato introduziu a necessidade de 
desenvolver o Brasil, de modo que o local estivesse a altura das necessidades da Corte. Desse 
modo, pode-se dizer que se tem aí o início do projeto de modernização, que, segundo Gilberto 
Freire,
75
 foi reforçado pelo imperativo inglês que impôs ao Brasil a mudança de hábitos e 
valores, provocada pelo consumo de produtos, como a manteiga, a cerveja, os tecidos, as 
porcelanas, os perfumes; enfim, produtos que logo foram incorporados e consumidos pelos 
que detinham uma situação econômica mais privilegiada. 
Durante a República, esse processo de modernização ganhou força e afetou as cidades 
mais desenvolvidas do País. Teve início a partir da Primeira República; ou seja, do final do 
século XIX, e estendeu-se até as primeiras décadas do século XX, variando a intensidade a 
partir da região ou cidade. Assim, para entendê-lo melhor, para compreender como e por que 
ele ocorreu, quais as influências sofridas e difundidas, propõe-se, primeiro, compreender 
 
72
 Inicialmente, antes da criação da Alfândega, as embarcações pagavam impostos aos proprietários de terra e à 
Câmara Municipal, fazendo com que, dessa forma, Parnaíba possuísse, desde a sua fundação, verbas próprias e 
não dependesse de investimentos por parte da Coroa para implementar obras públicas, por exemplo. 
73
 IPHAN, op. cit., 2006, v.1. 
74
 RODRIGUES, J. L. P., op. cit., 2005. 
75
 FREIRE, G. Ingleses no Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. 
 45 
como se deu o desenvolvimento político e econômico parnaibano, bem como as 
transformações urbanísticas desse período para, a partir de então, relacionar essa modernidade 
à arquitetura produzida na cidade de Parnaíba no período de estudo em questão. 
Em Parnaíba, foi estabelecida, em 1849, a Casa Inglesa,
76
 cuja razão social era Andrew 
Miller & Co. Posteriormente, foi modificada para Singlehust Nicholson & Co., e gerenciada 
por Paulo Robert Singlehust, conhecido na cidade como “Paulo Inglês”. Paulo morou em 
Parnaíba com seus cinco filhos, um irmão e uma irmã. Alguns documentos relatam a ligação 
entre Parnaíba e Inglaterra, proporcionada pela Casa Inglesa e por seus navios cargueiros da 
Red Cross Line, que, em 1858, efetuavam o comércio de importação e exportação entre esses 
dois locais.
77
 
James Frederick Clark chegou a Parnaíba em 1869. O jovem inglês,com apenas 14 
anos, veio de Liverpool e trouxe consigo uma carta de apresentação e um contrato de 
aprendizagem para trabalhar na Casa Inglesa por cinco anos. James, que foi acolhido como 
filho, mostrou grande competência no âmbito profissional, sempre alcançando novas posições 
dentro da empresa, até que, aos 25 anos, tornou-se sócio da Casa Inglesa. Como privava do 
convívio e da amizade das famílias economicamente favorecidas de Parnaíba, casou-se, em 
1884, com dona Anna Gonçalves Castelo Branco, moça piauiense, mas educada na 
Inglaterra.
78
 
Segundo Nunes,
79
 no final do século XIX, James Clark passou a ser o único 
proprietário de uma das firmas exportadoras mais significativas do Piauí e do Nordeste, agora 
individual, e sob a razão de James Frederick Clark. A Casa Inglesa foi pioneira, introduzindo 
vários produtos na região, tais como querosene, gasolina, o primeiro automóvel, o primeiro 
motor a diesel, e vários outros produtos. Também emprestava dinheiro a juros enquanto não 
havia instituições bancárias no local. 
A residência do casal passou a ser então o “Solar da Casa Inglesa” (Figura 6). Situada 
no início da Avenida Presidente Getúlio Vargas, era a sede da Casa Inglesa e da família Clark. 
Conforme a placa presente na porta principal, que traz as datas 1814-1920, percebe-se que 
esse edifício foi construído anteriormente a essas duas instituições, e, embora ostente muitas 
características neoclássicas, também possui influências dos sobrados maranhenses. No térreo, 
ficava a parte destinada aos serviços, e, no andar superior, a parte reservada à família. 
 
76
 Casa Inglesa – Empresa que existia em Liverpool, Inglaterra, desde 1813. No Brasil, suas filiais existiam como 
firmas autônomas em Manaus, Belém, São Luiz, Parnaíba, Fortaleza e Recife. 
77
 NUNES, M. C. S. de A. A influência britânica em Parnaíba-PI. In: ARAÚJO, M. M. B. de; EUGÊNIO, J. K. 
Gente de longe: histórias e memórias. Teresina: Halley, 2006. 
78
 Id. ibid. 
79
 Id. ibid. 
 46 
De acordo com Nunes
80
 no final do século XIX, o solar dos Castelos Branco Clark era 
uma edificação de destaque na cidade de Parnaíba. O andar térreo era ocupado pela casa 
comercial, a “Casa Inglesa”, que se tornou uma das principais firmas exportadoras do Piauí e 
do Nordeste e os andares superiores ─ com mirante, varandões e móveis importados da 
Áustria e da Inglaterra ─ eram destinados à família, tornando-se assim a parte nobre do 
sobrado. 
 
 
 
 
 
 
 
O interior abrigava todo o requinte da época. A escadaria, na entrada do solar, era em 
madeira nobre, revestida com uma grossa passadeira de veludo vermelho, transmitindo à 
imponência do lugar aos que adentravam pelo recinto. As paredes recebiam cuidadosas 
pinturas (Figura 7) e o refinamento estava em todas as partes, desde os detalhes em dourado, 
passando pelos buffets, até os lustres de cristal.
81
 
 
 
 
 
 
 
A família Castelo Branco Clark fora educada com base na cultura inglesa. O casal 
Clark teve seis filhos e todos estudaram na Europa. Dentro de casa, na vida privada, a língua 
 
80
 NUNES, M. C. S. de A., op. cit., 2006. 
81
 Id. ibid. 
Figura 6: Fachada principal do solar da 
“Casa Inglesa”. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo, 
2007. 
Figura 7: Detalhe da antiga pintura da sala da Casa 
Inglesa. 
Fonte: Acervo particular - Diva Figueiredo (2006). 
 47 
oficial era o inglês, assim como eram conservados outros hábitos ingleses, como o “chá das 
cinco”, servido na faiança inglesa (Staffordshire, Hughes e Alfred Meakm) e ao som do piano 
também inglês. No último pavimento, localizavam-se o pomar, com lindos jardins, canteiros 
de hortaliças e árvores frutíferas. Cultivavam o hábito da leitura de clássicos ingleses como 
William Shakespeare e Jonathan Swift; e, no vestuário, a moda seguia também a influência 
europeia, tanto no masculino, cujos tecidos eram importados, como a casimira inglesa; quanto 
no feminino, repleto de adornos e fragrâncias inglesas.
82
 
De acordo com Nunes,
83
 James Clark, após ter sido queimado com um pingo de cera 
de carnaúba, caído de um candelabro à luz de velas, que ficava no corrimão da escadaria na 
entrada da porta de sua residência, ficou muito interessado pelo material e mandou amostras 
para estudo em Liverpool e Manchester. Após manter contato com os laboratórios ingleses e 
amigos, em 1894, remeteu para a Europa a primeira partida comercial de cera de carnaúba, o 
que marcou o início do progresso da sua firma, bem como de um período de prosperidade 
para todo o Piauí. 
Entre os anos de 1872 e 1873 chegaram também os pioneiros franceses na cidade. 
Jacob
84
 explica que Moïse Jacob e Lazard Jacob saíram da Europa expatriados da França, 
devido às consequências da guerra franco-prussiana, e escolheram viver no Brasil, que, à 
época, era uma opção tão viável quanto os Estados Unidos, devido às vantagens do Novo 
Mundo, como a tolerância religiosa, os preços acessíveis e ao clima agradável. Ressalta-se 
ainda que uma das visões europeias de uma região que tendia ao progresso era a presença de 
um rio, e Parnaíba era margeada pelo rio Igaraçu através do qual era efetuado o comércio. 
Não optaram por viver em Fortaleza, provavelmente pela presença de um numeroso grupo de 
emigrantes que já se havia instalado nesse local anteriormente. 
Os franceses também optaram por serem comerciantes, abrindo, portanto, a Casa Marc 
Jacob, que, no ano de 1873 já funcionava. Moïse e Lazard iniciaram um negócio de 
exportação no qual transportavam, em barcas, sal grosso a muitas populações ribeirinhas; e, 
no retorno, traziam, até Parnaíba, produtos produzidos às margens do rio, através de atividade 
regional, como couros de boi, peles de animais silvestres e outros pequenos animais de 
criação, como bode e carneiro, barbatana de tubarão, bucho de peixe, e ainda produtos 
oriundos do extrativismo vegetal, tais como sementes oleaginosas, entre as quais estão as 
bagas de mamona, as nozes de tucum, sementes de babaçu, cera de carnaúba, dentre muitos 
 
82
 NUNES, M. C. S. de A., op. cit., 2006. 
83
 Id. ibid. 
84
 JACOB, M. T. A pequena e brava família Jacob. In: ARAÚJO, M. M. B.de; EUGÊNIO, J. K. Gente de longe: 
histórias e memórias. Teresina: Halley, 2006. 
 48 
outros, os quais eram exportados a vários países europeus. Para tanto, a Casa Marc Jacob, que 
se desenvolveu junto à navegação fluvial, também possuía rebocadores vindos da Inglaterra. 
Moïse e Lazard voltaram para a Europa em 1924, e não deixaram descendentes. Desse modo, 
a empresa foi vendida a seu sobrinho Roland Gabriel Jacob que chegou em Parnaíba em 1921. 
De acordo com Santana,
85
 Parnaíba entra no século XX marcando o período áureo da 
exportação local, bem como em todo o Piauí. Esse comércio teve início em 1900, com a 
utilização de uma planta nativa em todo o Estado, a maniçoba, uma das matérias-primas para 
a fabricação da borracha, e que, mesmo sendo material de segunda classe, era bastante 
necessária em algumas aplicações. Contudo seu período foi de curta duração e decaiu em 
1915. A partir de 1907, intensificou-se a exportação da cera de carnaúba, utilizada para a 
fabricação de graxas de sapato, discos, ceras de assoalho etc., tomando impulso, de fato, em 
1910, e tendo como principal mercado a Alemanha. Outro produto muito exportado foi o 
babaçu (Figura 8) que, em 1911, começou a ser exportado, alternando, junto com a cera de 
carnaúba, a liderança das exportações piauienses até os anos 1950 e 1960.Outras empresas também atuaram no transporte dos produtos oriundos do município 
de Parnaíba, como a Franklin Veras & Cia. (Companhia Nacional de Navegação Costeira – 
Organização Henrique Lage), no transporte marítimo, e a Moraes & Cia. na navegação 
fluvial. Além das firmas francesas e inglesas, também estavam presentes as firmas alemãs e a 
agência de uma grande companhia de navegação inglesa, a Booth Line. Dessa forma, com a 
 
85
 SANTANA, R. M. de. Evolução histórica da economia piauiense. Teresina: Cultura, 1964. 
Figura 8: Fotografia mostrando o embarque do babaçu no Porto Salgado, 
próximo à Rua Grande, no Almanaque de 1924. 
Fonte: Almanaque da Parnaíba (1924, p. 34). 
 49 
instalação da Companhia de Navegação e das diversas companhias do Exterior que atuavam 
no comércio parnaibano, cresceu o número de empresas de importação e exportação, o que 
fez circular renda e mercadorias, e incentivou o consumo de produtos vindos principalmente 
da Europa. Como explica O. L. dos Santos: 
A família parnaibana recebia muito bem os estrangeiros. Estes 
movimentavam a cidade, davam-lhe “status” de grande centro regional. 
Influenciavam fortemente a vida local, alterando a linguagem, os costumes, a 
mentalidade. [...] Os estrangeiros traziam algo de requinte, de refinado, de 
cosmopolita, à Parnaíba. Faziam-na enfim, uma cidade “pas comme les 
autres.” 86 
Figueiredo
87
 afirma, ainda, que a cidade sempre esteve em comunicação, através do 
comércio fluvial e marítimo, com a Província, resto do País, e Exterior, tendo contato com a 
cultura europeia e o Sul do Brasil, principalmente nos séculos XVIII e XIX, e com a cultura 
americana e o interior do Estado no século XX. Para o Interior, eram transportados os 
produtos estrangeiros, industrializados, e, para o Exterior, eram escoados os produtos locais, 
inicialmente pelo transporte fluvial. De acordo com Meneses: 
[...] A cidade já foi centro comercial de todo o estado do Piauí, muitas vezes 
considerada capital. O seu comércio de importação e exportação com as 
capitais do país e o estrangeiro era exercido em grande escala. Grandes 
firmas comerciais existiam, assim como firmas estrangeiras. Toda a 
mercadoria, gêneros alimentícios, cera de carnaúba e tudo o que o estado 
produzia, era transportado e recebido pelas companhias de navegação fluvial 
e marítima. Nessa época, não existiam estradas de rodagem. O transporte era 
feito por navios. Do sul do estado e parte do Maranhão vinham nas gaiolas
88
 
que puxavam grandes barcas com mercadorias para serem transferidas para o 
porto de Tutóia no Maranhão [...].
89
 
No início do século XX, cresceu o comércio de exportação da cera de carnaúba, de 
amêndoas, de óleos, e Parnaíba ingressou nos anos mais economicamente promissores de sua 
história. Distintos acontecimentos contribuíram para esse desenvolvimento. Como afirma 
Rezende,
90
 “[...] O mundo da mercadoria e do valor de troca é fundamental para que a cidade 
assuma seu papel de agente da modernidade, para que se produza o contraponto entre o 
urbano e o rural com suas modificações”. 
 
86
 SANTOS, O. L. dos (Org.). Benedicto dos Santos Lima: intelectual autodidata. Rio de Janeiro: Folha 
Carioca, 1993. p. 77. 
87
 FIGUEIREDO, D. M. F., op. cit., 2001. 
88
 Gaiolas são navios pequenos utilizados para puxar os grandes barcos que navegavam pelo rio Parnaíba 
transportando mercadorias do Piauí e do Maranhão. 
89
 MENESES, M. L. M. de. Parnaíba no século XX. Fortaleza, 1994. p. 8. Produção Independente. 
90
 REZENDE, A. P., op. cit., 1997. p. 25. 
 50 
Esse processo de “modernização” que se espalhou nas cidades brasileiras foi 
contagiado por transformações que ocorrem nas principais cidades do mundo, como Paris, por 
exemplo. Em Parnaíba, essas mudanças também ocorreram, e, para compreender a arquitetura 
produzida na cidade, alguns aspectos são fundamentais, como foi o caso das intervenções 
urbanísticas que ocorreram nesse período, e que serão relatadas em seguida. 
Entre os anos de 1913 e 1916, sob a administração do Intendente Cel. Constantino 
Correia, aconteceram as primeiras iniciativas de organização do crescimento da cidade. 
Assim, em 1914, iniciou-se o primeiro plano de urbanização local, tendo sido feito o 
levantamento da planta da chamada Cidade Nova ou bairro Nova Parnaíba, cujos quarteirões 
propostos tinham forma retangular, dimensão de cem metros em quadro, ruas alargadas para 
20m e avenidas para 30m, e ainda, propunha a regulamentação das construções, com alguns 
prédios demolidos e substituídos por novas edificações. Essas propostas não foram 
concretizadas totalmente na administração do Cel. Correia, mas em 1932, sob a administração 
do prefeito Ademar Neves.
91
 
Em 1916, foram iniciados os trabalhos para a construção da estrada de ferro,
92
 sob a 
fiscalização do engenheiro Miguel Furtado Bacelar.
93
 Em 1917, a 14 de janeiro, foi criada, em 
Parnaíba, a primeira agência bancária do local, e do Piauí, o Banco do Brasil (Figura 9), a 23ª 
do País, e foi criada também a Associação Comercial de Parnaíba, destinada à união da classe, 
amparo e direito dos sócios.
94
 
 
 
 
 
 
 
 
91
 CORREIA, B. J.; LIMA, B. dos S. (Org.). O livro do centenário de Parnaíba: 1844 - dezembro - 1944 - 
Documentário da cidade - estudo histórico, corográfico, estatístico e social do município de Parnaíba. Parnaíba: 
Americana, 1945. 
92
 Essa estrada de ferro só foi tida como concluída na década de 1940. 
93
 Miguel Furtado Bacelar era genro do inglês James Frederick Clarck e foi o engenheiro construtor responsável 
pela Estrada de Ferro Central do Piauí. 
94
 SANTANA, J. Parnaíba. Parnaíba: COMEPI, 1983. 
Figura 9: Sede do Banco do 
Brasil na Praça da Graça, no 
Almanaque de 1924. 
Fonte: Almanaque da Parnaíba 
(1924, p. 38). 
 51 
Correia
95
 afirmou que, ainda em 1917, o então Intendente Nestor Gomes Véras 
construiu o primeiro jardim da cidade na Praça da Matriz Nossa Senhora da Graça e montou a 
primeira Usina de Luz Elétrica, cuja rede de iluminação atendia o perímetro urbano. Também 
regulamentou os serviços de instalação predial ─ uma espécie de Código de Postura ─ 
contratou operários especializados, vindos do Estado do Pará, para executarem obras públicas 
e particulares. No quadriênio seguinte, sob o comando do Intendente José Narciso da Rocha 
Filho, foi inaugurada a Nova Usina de Luz, cuja rede se entendeu e passou a atender também 
as zonas suburbanas do município. 
Desde o ano de 1916, a firma Ferreira & Irmão abriu o cinema em Parnaíba, pois ela 
integrava o "Circuito Piauiense de Cinema", destinado a manter cinemas no Estado e até no 
Maranhão. Mas somente no ano de 1924, foi inaugurado o Cine-Teatro Éden (Figura 10), com 
instalações adequadas, considerado um dos primeiros centros de diversão da sociedade 
local.
96
 
 
 
 
 
 
 
 
Da mesma forma, Nunes
97
 enfatiza esse grande desenvolvimento, nas primeiras 
décadas do século XX, ressaltando que o progresso desse período, caracterizado 
principalmente pelas relações capitalistas desenvolvidas nos setores de exportação e 
importação, causou grandes mudanças na paisagem cotidiana, bem como nos hábitos e 
costumes. A autora explica: 
 
95
 CORREIA, B. J.; LIMA, B. dos S., op. cit., 1945. 
96
 Id. ibid. 
97
 NUNES, M. C. S. de A., op. cit., 2006. 
Figura 10: Cine Teatro Éden, no Almanaque de 1926. 
Fonte: Almanaque da Parnaíba (1926, p. 32). 
 
 52 
[...]Considerando esse contexto, a sociedade parnaibana experimentou 
mudanças significativas no seu espaço físico. A Rua Grande
98
 (Figura 11) foi 
a primeira porta aberta da cidade, pelo rio Igaraçu, e que vai até a praça da 
estação, atualmente Praça Engenheiro Miguel Furtado Bacelar. Essa rua, 
com suas construções de sobrados revestidos de azulejos importados, além 
de casas comerciais possuía várias residências, palacetes e bangalôs que 
foram instaurados, de vez, no governo de Ademar Neves. Era prioridade, 
embelezar a cidade como representação do progresso e da modernização.
99
 
 
 
 
 
 
 
 
O “Almanaque da Parnaíba”, revista fundada em 1924, de propriedade de Benedito 
dos Santos Lima, foi um exemplo do processo de modernização de Parnaíba. A revista tratava 
de aspectos sociais e culturais, além de enunciar os produtos comercializados na cidade, tendo 
sido um importante instrumento de compreensão da condição da cidade à época. Tal revista 
divulga o interesse da classe dominante em fazer parte da modernização do século XX. 
Sob a administração de Ademar Gonçalves Neves, a partir de 1931, as praças 
ganharam jardins, as ruas foram calçadas e arborizadas, a limpeza pública se estendeu aos 
subúrbios, inauguraram-se o mercado de frutas, e a rede elétrica passa por reformas.
100
 
Em 1934, o médico Dr. Mirócles Campos Veras assumiu a administração da cidade, e, 
dentre as diversas obras públicas executadas em seu governo, deu ênfase a preocupação com o 
embelezamento da cidade (Figuras 12, 13 e 14). Foi responsável pela execução de obras como 
a construção da Praça Santo Antonio, o calçamento de várias ruas urbanas, o arruamento do 
bairro Campos e, por fim, o estudo dos serviços de água e esgoto da cidade, concluídos pelo 
Escritório Saturnino Brito Filho, com sede no Rio de Janeiro.
101
 
 
98
 A Rua Grande recebeu posteriormente os nomes de “Dr. João Pessoa” e, como continua atualmente, “Avenida 
Presidente Getúlio Vargas”. 
99
 Ibid., p. 348. 
100
 CORREIA, B. J.; LIMA, B. dos S., op. cit., 1945. 
101
 Id. ibid. 
Figura 11: Parte da Rua Grande, atual Av. 
Getúlio Vargas, com a Casa Inglesa ao 
fundo, na década de 1930. 
Fonte: Cartões Postais do IPHAN. 
 
 53 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O processo de modernização atingiu Parnaíba, como demonstra a nota escrita no 
Almanaque da Parnaíba de 1937, que traz um resumo das transformações que ocorriam na 
cidade naquele período: 
Parnaíba, cidade situada ao lado direito do Igaraçu (braço do Parnaíba), 
creada vila em 1761, elevada a cidade em 1844. Nasceu de uma fazenda de 
gados. Na parte urbana há 15 ruas, 12 travessas, com 8 praças sem fazer 
menção dos Bairros. A iluminação é elétrica. Toda calçada, no perímetro 
urbano. Possue 3 igrejas e 2 capelas, bons prédios particulares, 6 Grupos 
Escolares, Ginásio e Escola Normal, com uma população de mais de 35000 
habitantes. Possue cerca de 9.000 casas. Berço de Simplício Dias, Miranda 
Osório, Jonas Silva [...].
102
 
 
102
 ALMANAQUE DA PARNAÍBA. Parnaíba: Ranulpho Torres Raposo, 1937. p. 283. 
Figuras 13 e 14: Fotografias do jardim Landri Sales, no Almanaque de 1937. 
Fonte: Almanaque da Parnaíba (1937, p. 63 e 65). 
 
Figura 12: Casa sito a Av. Presidente Getúlio Vargas, 956, Parnaíba-PI, 
década de 1930. 
Fonte: Cartões Postais do IPHAN. 
 54 
Durante a primeira metade do século XX foram implementados os serviços de 
transportes, desde o fluvial e marítimo, passando pelo rodoviário, aéreo e ferroviário. Quanto 
aos serviços de comunicação, a cidade possuía Correio e Telégrafo desde o século XIX, 
instalados em 1817 e 1892 respectivamente, mas a rede telefônica só foi instalada em 1938, 
pela Sociedade Ericsson do Brasil, dispondo de 200 telefones e com média de 4000 chamadas 
diárias.
103
 
A barra de Amarração ─ nome dado ao porto formado pelo rio Igaraçu ao desaguar no 
Oceano Atlântico situado onde atualmente é o município de Luiz Correia ─ também fez parte 
do percurso desse comércio de exportação, cujo ponto focal era a cidade de Parnaíba. 
Observe-se o depoimento do Dr. Antonio Castello Branco Clark sobre essa grande 
movimentação de navios no porto: 
Já no século XVIII, nos idos de 1761, se fazia o comércio de importação e 
exportação com a Europa, através do porto de Amarração. Em 15/11/1869, 
meu saudoso Pai, vindo diretamente de Liverpool, no veleiro “Empresa” da 
Companhia “Red Cross Line”, desembarcava em Amarração. Ainda, no fim 
da primeira década do presente século faziam, com regularidade, escala 
obrigatória em Amarração, entre outras, as seguintes empresas de 
navegação: Cia. Pernambucana de Navegação, Empresa Lorentz, Cia. 
Baiana, Cia. Maranhense e, esporaticamente, também o Lloyd Brasileiro 
com seus navios Pirineus, Prudente de Moraes, Ibiapaba e Cubatão.
104
 
Até meados do século XX os navios partiam e chegavam de várias regiões do País e da 
Europa, e traziam para a população da cidade produtos como o linho escocês, o perfume 
francês, o cimento, arame farpado e o preto recozido (utilizado para nos currais de peixe), 
vindos da Bélgica, o ferro e instrumentos de trabalho como machados, facões e enxadas 
vindos da Alemanha e da Inglaterra; as louças vinham da França, da Alemanha, da Inglaterra 
e até do Japão.
105
 Dessa forma, os mais variados produtos e gostos europeus foram, durante a 
segunda metade do século XX, muito consumidos pela sociedade parnaibana. 
Na produção arquitetônica, as influências vindas do Exterior para o município 
deixaram marcas visíveis nas residências erigidas no sítio histórico da cidade, fato observado 
facilmente, no percurso da Av. Getúlio Vargas, a antiga Rua Grande, principal via de ligação 
entre o porto e a área urbana, e que estruturou e direcionou o crescimento da cidade. Essa via 
estendeu-se por cerca de 1km, desde o Porto das Barcas, margeando o rio Igaraçu (principal 
entrada das tendências vindas do Exterior e início da ocupação urbana no século XVIII) até a 
 
103
 CORREIA, B. J.; LIMA, B. dos S., op. cit., 1945. 
104
 ALMANAQUE DA PARNAÍBA. Parnaíba: Ranulpho Torres Raposo, 1973. p. 43. 
105
 JACOB, M. T., op. cit., 2006. 
 55 
ferrovia, surgida na década de 1940 (e que, ao tempo em que representa a modernidade que se 
instala no país, marca também o início da decadência do comércio de exportação parnaibano). 
Através dela foi possível identificar os vários momentos do processo de ocupação do 
território da cidade, bem como da arquitetura produzida no local. 
Em 1950, a quantidade e o número de tipos de produtos exportados aumentaram 
bastante, por conseguinte o tamanho das embarcações. As novas dimensões dessas vias de 
transporte, o assoreamento do rio e, com isso, a necessidade de guinchos rebocadores em 
muitos trechos do percurso e o alto custo de manutenção aliado aos elevados encargos sociais, 
foram fatores que contribuíram para a mudança da forma de transporte dessas mercadorias 
que, aos poucos, foi substituído pelo ferroviário, e por fim pelo rodoviário.
106
 
Com o fim da Segunda Guerra Mundial ocorre um decréscimo intenso do extrativismo 
vegetal e de exportações parnaibanas e piauienses, principalmente da cera de carnaúba e do 
babaçu. A borracha de maniçoba perdeu espaço para a borracha produzida na Malásia; em 
1946, a empresa Casa Marc Jacob transformou-se em sociedade anônima com o nome de 
Casa Marc Jacob S.A.
107
 e a Casa inglesa também se modificou, transformando-se em 
Estabelecimentos James Frederick Clark S.A. – Casa Inglesa, mas com sedeainda em 
Parnaíba.
108
 O fim do período extrativista e o surgimento das rodovias contribuíram para que 
a cidade perdesse força como porta de entrada e saída de gêneros. Muitas empresas passaram, 
então, a diversificar, como a Casa Marc Jacob S.A., por exemplo, tornando-se distribuidora e 
representante de empresas nacionais e estrangeiras no Piauí. 
Na busca pelo fazer historiográfico, os diferentes aspectos foram relevantes. Os 
aspectos sociais, políticos e econômicos que atuaram nas cidades interferiram na produção 
arquitetônica. Em Parnaíba, o desenvolvimento econômico da cidade, através do comércio de 
exportação, refletiu-se nas edificações, sobretudo residências, erigidas durante a segunda 
metade do século XIX. 
 
 
 
 
 
 
 
 
106
 JACOB, M. T., op. cit., 2006. 
107
 Id. ibid. 
108
 NUNES, M. C. S. de A., op. cit., 2006. 
 56 
3 O MÉTODO ECLÉTICO PARNAIBANO: hibridismo e tradução cultural 
3.1 O Ecletismo: aspectos conceituais relevantes 
Ecletismo foi o nome aplicado ao Movimento que ocorrreu na Europa, principalmente 
a partir de meados do século XIX, e se estendeu na maior parte da arquitetura produzida 
daquele período até o início do século XX. 
É importante esclarecer alguns conceitos relacionados à Arquitetura que designam 
estilos e que revelam também um tempo histórico. Ao longo deste trabalho, o “Movimento 
Eclético” ou “Movimento Ecletismo” será interpretado como a união de vários estilos que 
ocorrem em determinado momento. Esse termo adquire significado diferente quando aplicado 
a Movimentos embasados em uma doutrina teórica, em estudos, manifestos, associações e 
publicações, com produção ligada a conceitos relativamente definidos, como o que ocorre 
com o “Movimento Moderno”, por exemplo. 
Outro significado importante é acerca do termo “Estilo”, que, no que diz respeito à 
Arquitetura, é “[...] a aparência geral da arquitetura de uma edificação, inclusive sua 
construção, forma e ornamentação, os quais podem ser uma expressão individual única ou 
parte de um amplo padrão cultural [...]”.109 Percebe-se, ainda, que “cada estilo possui um 
determinado número de elementos arquitetônicos bem definidos”.110 Essas explicações serão 
relevantes não só nessa fase da pesquisa, como também para a compreensão de um outro 
termo muito caro a este trabalho: ─ “Tipologia”. 
“Tipologia” é o estudo dos traços característicos de um conjunto de dados, que visa 
determinar tipos, modelos. Essa prática vem sendo aplicada desde os tempos de Vitrúvio,
111
 e 
consiste em uma forma de tentar enquadrar os diversos edifícios em épocas e características 
específicas. 
Neste trabalho, adotou-se o conceito de tipologia estilística para fins de classificação 
das residências analisadas no sítio histórico de Parnaíba. Ao utilizar o termo “Tipologia 
estilística”, foram considerados os códigos das características arquitetônicas dos estilos de 
cada período histórico. Assim, a Tipologia Eclética refere-se a edifícios que possuem diversas 
influências, espaciais ou temporais. Esse sistema de classificação considera o estilo ou estilos 
 
109
 BURDEN, E. Dicionário ilustrado de arquitetura. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 148. 
110
 KOSH, W. Dicionário dos estilos arquitetônicos. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 7. 
111
 Vitrúvio – O romano “Marcus Vitruvius Pollio” foi arquiteto e engenheiro no século I a.C. e também autor do 
primeiro tratado de Arquitetura, intitulado “De Architectura” ou “Os Dez Livros de Arquitetura”. 
 57 
mais adotados na edificação ou ainda uma característica relevante. Como desdobramento do 
Ecletismo surgem, também, termos como “Neoclássico”, “Neo Colonial”, “Neo Mourisco” e 
assim por diante. 
O surgimento do Ecletismo ocorreu em meados do século XIX e coincidiu com 
grandes transformações no cenário europeu. A Transformação Industrial, que teve início na 
Inglaterra, na segunda metade do século XVIII, fortaleceu o sistema capitalista e foi 
responsável por grandes mudanças tecnológicas. A substituição das ferramentas pelas 
máquinas, energia humana pela energia motriz, e o modo de produção doméstico pelo sistema 
fabril, acontecimento que causou grande impacto sobre a composição da sociedade. Foi ainda 
no século XVIII que a Arquitetura ganhou o status de ciência. 
O processo de mudança foi acompanhado de uma notável ampliação tecnológica, e 
ocasionou uma complexa conformação do quadro citadino. A influência no cenário 
construtivo foi fortalecida com o desenvolvimento do ensino técnico, com maior divulgação 
dos conhecimentos adquiridos, os vários experimentos envolvendo a resistência de materiais, 
a introdução do Sistema Métrico Decimal,
112
 a invenção da Geometria Descritiva,
113
 o 
aperfeiçoamento dos sistemas da construção tradicional e o surgimento de novos materiais 
como o ferro-gusa
114
 e o vidro utilizado em grandes lâminas. 
Porém, contrapondo esse processo de inovações, surgiram também problemas que 
foram sentidos diretamente pelas cidades, como o aumento da população, o surgimento de 
novas doenças, como a tuberculose e a cólera, e o aumento da poluição. Ocorreu o 
inchamento das cidades; o impulso nas especializações e a multiplicação das tarefas gerou à 
necessidade de novos programas;
115
 as novas funções públicas exigiram edifícios públicos 
mais amplos; também foram necessárias mudanças nos traçados urbanísticos e nos serviços 
básicos como saneamento e moradia. 
Nesse momento, fatos de cunho social de grande relevância ocorreram na segunda 
metade do século XVIII, como a Independência Americana, em 1776, e a Revolução 
 
112
 Sistema Métrico decimal é um conjunto sistematizado e padronizado de sete unidades de medida; são elas o 
metro(m), o Kilograma (Kg), o segundo (s), o Ampère (A), o Kelvin (K), o mol (mol
 [2]
), e o candela (cd). Essa 
padronização facilitou sobretudo a difusão dos conhecimentos e as trocas comerciais. 
113
 Geometria Descritiva é o método desenvolvido por Gaspard Monge, o qual através do desenho, 
bidimensional, todos os aspectos das construções, tridimensionais, podem ser representados. 
114
 Ferro-Gusa é o ferro que se obtém diretamente do alto forno com elevada proporção de carbono e diversas 
impurezas. 
115
 Programa em Arquitetura associa-se às funções e usos previstos para as edificações e, por conseguinte, a 
organização e disposição dos espaços. No século XVIII, houve a necessidade, por exemplo, tanto de edifícios 
públicos mais amplos, para abrigar as funções já existentes, como hospitais e escolas, como também a 
necessidade de edifícios que atendessem aos novos programas como as estações de trens, as bibliotecas, os 
bancos e os museus. 
 58 
Francesa, em 1789. A proclamação da independência dos Estados Unidos da América (EUA) 
reforçou os ideais do Iluminismo e a negação ao Absolutismo monárquico que afloraram na 
França, e que culminaram com a Revolução Francesa, que aboliu a servidão e os direitos 
feudais, proclamou os princípios universais de Liberté, Egalité, Fraternité (Liberdade, 
Igualdade e Fraternidade), e contribuiu para a transformação da mentalidade e o 
fortalecimento da classe burguesa, que, por sua vez, valorizou os mecanismos de 
desenvolvimento do capitalismo. 
Para a arquitetura, esses fatos foram decisivos, porque contribuíram para o abandono 
de dois estilos: O Barroco e o Rococó, que, de modo geral, se caracterizam pela grande 
ornamentação, pela teatralidade. O objetivo era estimular os sentidos, a desorientação, a 
subjugação, pela ambiguidade, pelo efeito monumental;enfim, características que se tornaram 
o espelho da Monarquia, do Absolutismo. 
Naquele período, buscou-se então um estilo capaz de representar os novos ideais do 
homem, como a razão, a civilidade, a virtude e a importância do conhecimento. Era 
importante, ainda, que fosse um estilo relacionado ao que é belo. Assim, diante desse 
contexto, surge o que na Arquitetura chama-se de “Revivalismo”, a busca de apenas um estilo 
do passado, admirado por sua excelência, que servisse de referência e fosse capaz de trazer 
soluções para os problemas do presente. 
Na França, o retorno ao passado foi uma volta às formas clássicas gregas e romanas, 
sendo nomeado de “Neoclassicismo”. Esse foi, portanto, o estilo majoritário, adotado a partir 
da segunda metade do século XVIII; ou seja, ao mesmo tempo em que eclodiu a Revolução 
Industrial, que tecnicamente sinalizava a busca do novo, na arquitetura ocorreu um processo 
inverso, uma volta ao passado. Diz-se majoritário porque, em outros países como a Inglaterra, 
por exemplo, onde o Neoclássico foi proposto como o retorno às formas clássicas de 
Palladio,
116
 outro Revivalismo foi também utilizado paralelamente ao Neoclassicismo, porém, 
com outras fontes de inspiração: o “Neogótico”. 
Outras mudanças que antecederam o Ecletismo foram relevantes para entender sua 
formação. Após a Revolução Francesa, ocorreu a criação da École des Beaux-Arts
117
 e École 
Polytechnique;
118
 portanto, aconteceu a cisão entre arquitetura e engenharia – construção. A 
Engenharia ganhou campo, e os novos materiais, as novas técnicas, os domínios da ciência e 
 
116
 Andrea Palladio (1508-1580) foi um importante arquiteto e teórico renascentista italiano. 
117
 École des Beaux-Arts – Escola de Belas Artes foi criada na França e incluía os estudos de pintura, escultura e 
arquitetura. 
118
 École Polytechnique – Escola Politécnica foi criada também na França, voltada para os estudos de 
engenharia. 
 59 
da razão contribuíram para isso. Ao mesmo tempo, os arquitetos começaram a ter dificuldades 
em acompanhar tal desenvolvimento, pois, ao contrário dos engenheiros, que não precisavam 
atender a nenhum gosto, os arquitetos, por sua vez, tinham sua produção diretamente ligada 
aos anseios e gostos da sociedade, e também associada apenas à arte, ao abstrato, ao 
sentimento e ao estético, ficando em segundo plano como uma categoria supérflua e 
anacrônica, por sua incapacidade de acompanhar as transformações técnicas e tecnológicas do 
mundo do século XIX. Foi nesse momento então ─ pós-Revolução Francesa e plena 
Revolução Industrial ─ que a separação entre Engenharia e Arquitetura ocasionou as 
discussões em torno das diferenças entre Arte e Ciência, entre sentimento e razão. 
Na ânsia de resolver as novas questões da época e de adaptarem-se às novas situações, 
os arquitetos, cujo campo de trabalho começou então, a partir desse período, a ser disputado 
pela Engenharia, buscaram soluções nas formas consagradas da tradição. Embora História e 
Arquitetura sempre estivessem ligadas, nesse período, essa relação se intensificou, pois a 
produção arquitetônica dos oitocentos está ligada ao vasto repertório de figuras históricas, e 
isso ocorreu devido às várias teorias que surgiram e que buscaram a lógica interna do 
processo histórico.
119
 
Diante das novas expectativas, das grandes transformações e dos problemas 
enfrentados pelas cidades em decorrência dessas várias mudanças, a Arquitetura seguiu por 
três caminhos. O primeiro, descrito anteriormente, foi o “Revivalismo”, motivado pelo 
Iluminismo, pela cultura acadêmica e pela Arqueologia científica, gerou o Neoclassicismo, 
que aspirou substituir a linguagem Barroca e Rococó já tão desgastada. 
Segundo Melo,
120
 paralela a essa produção arquitetônica, e, com objetivos similares, 
surgiu, sobretudo na Inglaterra, o Neogótico, cujo desenvolvimento intensificou-se somente a 
partir de 1830. Esse estilo possuiu fundamentos distintos que poderiam ser entendidos a partir 
de seus principais representantes: Augusto Pugin,
121
 estudioso do gótico francês e voltado 
para a criação de padrões, principalmente igrejas; John Ruskin,
122
 que objetivou 
representar uma cultura antimáquina e defendeu o retorno à produção coorporativa 
 
119
 COLIN, S. Uma introdução à arquitetura. Rio de Janeiro: UAPÊ, 2000. 
120
 MELO, N. B. A. L. Parnaíba cosmopolita: um estudo da sua arquitetura vinculada às formas tradicionais e 
às inovações da segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX. Monografia (Graduação em 
Arquitetura e Urbanismo). Instituto Camillo Filho-ICF, Teresina, 2007. 
121
 Augustus Pugin (1812-1852) foi um arquiteto inglês cujo nome foi primordial no Revivalismo Neogótico. 
122
 John Ruskin (1819-1900) era inglês, escritor, crítico de arte, poeta e desenhista. Defendia o Medievalismo 
como reação ao Classicismo. 
 60 
medieval; e Viollet-le-Duc,
123
 cujo interesse estava nas “estruturas” góticas e não nas formas 
figurativas. 
Assim, os Revivals foram fundamentados e exigiram dos arquitetos grande 
conhecimento específico, um pensamento embasado em pesquisas, e nos trabalhos 
arqueológicos, além de um posicionamento político e crítico desenvolvido e engajado. 
Ainda no século XIX, os arquitetos, à busca de adequação ao mundo positivista, 
acreditavam encontrar no “Historicismo” a solução para os problemas formais, técnicos ou 
estilísticos a partir da utilização de um estilo específico do passado em construções atuais. 
Para Montezuma,
124
 surgiu uma espécie de convenção reguladora, na qual uma divisão 
tipológico-estilística atendeu a um programa específico; ou seja, para cada programa, houve 
um estilo do passado que era adequado, como, por exemplo, o Neogótico ou o “Neo-
Românico”, que deveriam ser aplicados nas igrejas, o “Neo-Renascimento” nos mercados e 
galerias e o “Neogrego”, ideal para as instituições financeiras, monumentos decorativos e 
academias. 
O Ecletismo surgiu nesse momento, como uma terceira solução. A princípio, criticou a 
reprodução dos estilos passados e procurou interpretá-los livremente, pesquisando e 
inspirando-se em setores menos conhecidos, como, por exemplo, a arquitetura japonesa e 
indiana. Mas a produção industrial em larga escala e o surgimento de novos materiais, novas 
técnicas e necessidades funcionais diferentes impuseram uma condição relevante para ser um 
bom arquiteto naquele período: ter domínio sobre o maior número de estilos possíveis, para, 
dessa forma, atender a diversidade de gostos, sobretudo oriundos da burguesia, que ansiava 
escolher o estilo que mais lhe agradava para ser utilizado em seus edifícios, como afirma 
Patetta: 
[...] cultura arquitetônica própria de uma classe burguesa que dava primazia 
ao conforto, amava o progresso (especialmente quando melhorava suas 
condições de vida), amava as novidades, mas rebaixava a produção 
arquitetônica ao nível da moda e do gosto.
125
 
Aos poucos, o que passou a importar foram as relações formais e não mais os 
significados profundos; e o Ecletismo surgiu, desse modo, como um Movimento apolítico. 
Caracterizou-se pela mistura de vários estilos em um mesmo edifício. Esses estilos eram 
 
123
 Viollet-le-Duc (1814-1879) foi um arquiteto francês ligado ao Revivalismo e um dos primeiros teóricos da 
preservação do patrimônio histórico. 
124
 MONTEZUMA, R. Arquitetura Brasil 500 anos: uma invenção recíproca. Recife: UFPE, 2002. 
125
 PATETTA, L. Considerações sobre o ecletismo na Europa. In: FABRIS, A. (Org.).Ecletismo na 
arquitetura brasileira. São Paulo: EDUSP: Nobel, 1987. p. 12. 
 61 
oriundos da tradição clássica e do Oriente, desde a arquitetura mourisca até a japonesa, pois 
através das publicações, da difusão do conhecimento, os arquitetos passaram a conhecer 
melhor a arquitetura de outros países e outros períodos, como a Arquitetura Bizantina, Árabe 
e Românica. 
Os arquitetos adeptos do Ecletismo buscavam, por sua vez, inspiração em 
manifestações vindas de diversas regiões e momentos distintos do passado, sobretudo para 
revestir as fachadas, reunindo vários estilos e os utilizando-os livremente, sem o rigor exigido 
antes pela prática Revivalista. Deste modo, em um mesmo edifício foram misturadas 
influências distintas. Isso foi facilitado também pela possibilidade de utilizar elementos 
decorativos que passaram a ser fabricados em série, e que agora podiam ser escolhidos e 
encomendados através de catálogos. No século XIX, havia publicações que traziam várias 
fachadas de residências, e o cliente poderia escolher a que melhor lhe agradasse. 
Diante desse entendimento, de que a principal característica do Ecletismo foi a 
“mistura”, algumas discussões precisam ser citadas. Alguns teóricos da História da 
Arquitetura acreditavam que o “Revivalismo” foi uma forma de Ecletismo, pois esses estilos 
caracterizaram-se também pela volta a estilos do passado, mesmo que fosse apenas a um 
estilo. Contudo, autores como Montezuma
126
 discordaram desse posicionamento, pois para 
ele, no Neoclássico, por exemplo, há a preocupação em respeitar as ordens clássicas, 
reproduzir proporções e métodos compositivos, enquanto no Ecletismo há muito mais 
liberdade e invenção quanto ao método projetual e na utilização de elementos decorativos. 
Adotando um posicionamento diferente, Colin
127
 e alguns teóricos da historiografia da 
Arquitetura recente defenderam que as motivações ecléticas já estavam presentes em 
Revivals, como o Neoclássico e Neogótico. Ele ainda dividiu e classificou o Movimento 
Ecletismo em três etapas: o “Proto-Ecletismo”, o “Alto Ecletismo” e o “Ecletismo Tardio”. 
Colin
128
 explicou que o “Proto-Ecletismo” ocorreu entre as últimas décadas do século 
XVIII e o início do século XIX, e caracterizou-se por desvios nas obras de arquitetos 
comprometidos com o Neoclassicismo e Neogótico ou quando em uma mesma obra foram 
retomados, por exemplo, aspectos do estilo Clássico e Renascentista, ou ainda se inspiravam 
no Gótico francês e Gótico veneziano, já identificando, nesses casos, certo hibridismo. 
 
 
126
 MONTEZUMA, R., op. cit., 2002. 
127
 COLIN, S., op. cit., 2000. 
128
 Id. ibid. 
 62 
O “Alto Ecletismo” ocorreu na segunda metade do século XIX, e estendeu-se até as 
primeiras décadas do século XX. Foi o período em que o Historicismo prevaleceu sobre as 
práticas Revivalistas. Ocorreu o então chamado “Tipologismo Estilístico”, quando cada 
período histórico, cada estilo do passado representou um determinado programa, ou ainda 
quando ocorreu a mistura de vários estilos em um mesmo edifício. A última etapa seria o 
“Ecletismo Tardio”, que se estendeu do final do século XIX até meados do século XX, 
quando a arquitetura Eclética conviveu com outros estilos como o Art Déco,
129
 o Art 
Nouveau
130
 e até mesmo com o “Modernismo”.131 
Needell
132
 enfatiza em sua obra a influência do Ecletismo francês nas edificações 
erigidas entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX no país. O que ele 
chamou de “Ecletismo tardio” correspondeu a um estilo proveniente da École des Beaux-Arts, 
e que deixou transparecer a ênfase na composição, no exótico, no histórico, no clássico, nos 
contrapontos visuais, no uso do ferro fundido e do vidro, e ainda sua coerência com os 
objetivos dos novos traçados urbanísticos. 
O Ecletismo tardio (décadas de 1860-1920) sofreu influências do 
romantismo, tanto em seu sentido exótico quanto histórico; do classicismo, 
em função de seus fortes vínculos com as diversas manifestações européias 
desse estilo; do barroco, no uso do “contraponto de ritmos visuais”. Era a 
quintessência do século XIX, em sua síntese pragmática e sensível de todas 
essas influências a fim de alcançar u efeito intuitivo. Para essa finalidade, 
utilizava-se muito o vidro e o ferro fundido, que acabavam de se tornar 
disponíveis. Era um estilo urbanístico, na medida em que valorizava a 
circulação em um complexo de ruas e edifícios efetivamente existentes, em 
 
129
 Art Déco foi o estilo que surgiu em 1925, a partir da exposição que ocorreu em Paris - Exposition 
internationale des arts décoratifs et industriels modern - e que atingiu não só a arquitetura, mas também a 
pintura, o vestuário, as joias, os móveis. Caracterizou-se pelas formas geométricas, sólidas, aspecto maciço, 
cantos arredondados e o uso de materiais pesados como o aço inoxidável. 
130
 Art Nouveau foi um movimento na arquitetura e nas artes aplicadas europeias surgido no final do séc. XVIII e 
que buscou a fuga aos estilos do passado. Caracterizou-se por suas formas dinâmicas, orgânicas, sinuosas e 
fluidas. 
131
 Modernismo ou Arquitetura Moderna foi mais que um estilo; era um método, um movimento. Surgiu na 
Europa, na década de 1920 do séc. XX, através de contribuições coletivas e individuais, como o trabalho de 
Walter Gropius, na escola alemã Bauhaus (fundada em 1919 para unir Belas-Artes e Artes Aplicadas em uma 
nova arquitetura), bem como a arquitetura do mestre franco-suíço Le Corbusier. Outros fatores a contribuir 
também para a formação do movimento foram as vanguardas alemã e holandesa. Após a Segunda Guerra 
Mundial, esse movimento se desenvolveu nos EUA (Estados Unidos da América), onde encontrou campo 
bastante favorável a seu crescimento e passou a ser conhecido como Estilo Internacional. Caracteriza-se 
principalmente pela preocupação com o social, com uma sociedade igualitária. Nos edifícios implantaram a 
planta livre, generalizaram o uso de concreto, do vidro e do aço; paredes brancas, sem adornos, faixas de janelas 
horizontais, uso de brise-soleil, coberturas planas, uso de escadas e rampas, tetos-jardins e pilotis. As palavras de 
ordem eram progresso, produção em série, velocidade, técnica, higienização, geometrização, forma, função, 
industrialização e racionalidade. 
132
 NEEDELL, J.D. Belle époque tropical: sociedade e cultura de elite no Rio de Janeiro na virada do século. 
São Paulo: Companhia das Letras, 1993. 
 63 
vez de enfatizar apenas a articulação interna e abstrata do edifício 
projetado.
133
 
 
Os posicionamentos citados foram utilizados ao longo da pesquisa. Alguns motivos 
corroboram isso: primeiro, enquanto na Europa as construções foram erguidas de acordo com 
as regras da arquitetura Neoclássica, no Brasil ocorreu ainda a arquitetura “Tradicional” ou do 
“Período Colonial”,134 sendo o Neoclássico introduzido no País somente após a chegada da 
Corte Portuguesa, em 1808, e da Missão Francesa, em 1816; segundo porque quando o estilo 
Neoclássico, por exemplo, chegou à maioria das cidades do País, como foi o caso de Parnaíba, 
não chegou de forma pura, pois havia dificuldade em obter materiais e mão de obra 
especializada, além das influências locais. 
Por fim, o terceiro aspecto a ser considerado foi que, de acordo com aproximações 
iniciais e pesquisas realizadas com os objetos de estudo, ou seja, com as residências 
construídas na primeira metade do século XX, no sítio histórico da cidade de Parnaíba, 
entendeu-se que na arquitetura parnaibana predominou o que Colin classificou como Alto 
Ecletismo e Ecletismo Tardio, e como que Needell classificou como “Ecletismo tardio”. 
3.2 O Ecletismo e a Belle Époque 
Ainda na Europa, no final do século XIX, cerca de 1871, teve início um período que se 
estendeu até 1914, e que foi denominado de Belle Époque.
135
 Essa nomenclatura, bem mais 
difundida na História do que no campo da Arquitetura, destacou uma época marcada por 
muitas transformações e pela difusão do clima intelectual e artístico do momento, bem como 
por um novo modo de pensar e viver. 
No Brasil, no início do século XX, várias cidades iniciaram reformas urbanas que 
emergiram, como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Belém e Parnaíba. As cidades brasileiras 
 
133
 NEEDELL, J.D., op. cit., 1993, p. 62. 
134
 Arquitetura “Tradicional” ou do “Período Colonial” foi o nome empregado à arquitetura produzida durante a 
época do Brasil Colônia, de 1500 a 1822, e que buscava seguir os estilos Barroco, Rococó e Maneirista 
europeus. 
135
 Belle Époque (do francês, bela época). Expressão que designa uma época marcada principalmente por 
transformações culturais, por novos modos de pensar e viver o quotidiano. Esse período ocorreu com maior ou 
menor intensidade nas diferentes cidades e ainda se estendeu por períodos distintos. No Rio de Janeiro, de 
acordo com Nicolau Sevcenko, compreendeu desde o início da campanha abolicionista até década de 1920. 
Sebastião Ponte acreditou que em Fortaleza esse período se estendeu desde meados do século XIX, e com maior 
intensidade na Primeira República. Em Parnaíba, a espanção da Belle Époque ocorreu principalmente entre os 
anos de 1920 e 1940 do século XX. 
 64 
entraram no novo século, modificando sua paisagem, iniciando uma produção arquitetônica 
nova, voltadas para o que estava acontecendo no restante do País e ainda no mundo. 
O estilo oficial adotado anteriormente no Brasil monárquico foi o Neoclássico, 
utilizado após a chegada da Corte portuguesa e da Missão francesa; e, desse modo, aplicado à 
maioria das grandes obras, sobretudo nos edifícios institucionais. 
Mas foi nesse momento que o Ecletismo ganhou ênfase, pois passou a ser o estilo mais 
adequado, tanto para as novas construções, quanto para mascarar os velhas edificações, em 
sua maioria, ainda do Período Colonial ou com traços clássicos, pois as grandes 
transformações pelas quais passavam as cidades brasileiras exigiam um caráter “moderno”, 
atual, algo que demonstrasse a sua ligação e comunicação com os grandes centros, ou seja, 
com o progresso. 
A cidade é, pois, cenário e lugar da diversificação econômica almejada. 
Todavia a proposta não se restringe apenas ao que se chamaria a dimensão 
material da transformação capitalista...ou seja, a sua modernização. [...] Há 
uma dimensão cultural e simbólica no projeto de modernidade que implica a 
transformação da existência num mundo em mudança e que encontra sua 
forma de realização no meio urbano [...]. Na proposta de progresso 
positivista, a cidade moderna configurava-se como uma das imagens 
simbólicas da modernidade almejada.
136
 
Desse modo, cidades europeias, principalmente Paris, assim como algumas capitais do 
País, como o Rio de Janeiro, eram polos irradiadores de cultura. Corroborando Pesavento,
137
 
para quem “[...] o „modelo parisiense‟, sob a forma acabada da „metrópole‟, foi capaz de 
viajar no tempo e no espaço, participando das representações sociais construídas sobre a 
cidade moderna na América Latina.” 
Esses polos de criação social invadiram o mundo com promessas novas e 
encantadoras, caracterizando-se pelo inesperado de soluções arquitetônicas, bem como pela 
riqueza de arranjos culturais.
138
 Essa influência cultural vinha, portanto, assim como ocorreu 
no Neoclássico, principalmente do continente europeu. 
Para expressar a Belle Époque, nada melhor do que as grandes avenidas e os edifícios 
com fachadas cuidadosamente planejadas. Contudo, esses edifícios possuíam fachadas 
enxertadas em construções simples e funcionais, carentes de coerência arquitetônica, mas que 
 
136
 PESAVENTO, S. J. O imaginário da cidade: visões literárias do urbano: Paris, Rio de Janeiro, Porto Alegre. 
2 ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2002. p. 263. 
137
 Ibid., p. 90. 
138
 QUEIROZ, T. de J. M. Do singular ao plural. Recife: Bagaço, 2006. 
 65 
não deixaram de cumprir com o propósito de função simbólica para os quais foram 
construídos.
139
 
No século XIX e na primeira metade do século XX, a arquitetura eclética atuou 
também como materialização social ao simbolizar o gosto da burguesia, classe que detinha o 
poder econômico e que ditava as regras, os hábitos sociais. 
Outro aspecto importante para a grande difusão do Ecletismo no Brasil foi que, no 
final do século XIX, o País ─ mais especificamente São Paulo e posteriormente a região Sul 
─ recebeu um grande número de imigrantes; e foi na arquitetura eclética que a maioria da 
população, agora configurada com origens distintas, encontrou no Ecletismo uma referência 
adequada para expressar tamanha diversidade cultural. 
Também contribuiu para a divulgação desse movimento a imprensa, a reprodução dos 
conhecimentos, as reproduções gráficas, que cresceram bastante nesse período. Através de 
catálogos, tudo podia ser produzido ou encomendado, desde residências inteiras até aparelhos 
de chá. Segundo afirma Sá,
140
 “[...] durante o período do Ecletismo era grande a circulação de 
modelos por meio das publicações, e havia facilidade de acesso a estampas, fotografias e até 
mesmo a cartões-postais [...]”. 
Assim, principalmente no final do século XIX e início do século XX, as cidades 
começaram suas transformaçõesm à busca do progresso, da cultura e da civilidade. 
Pesavento
141
 afirma que “[...] a grande cidade é aquela que irradia a cultura, a civilização, a 
novidade e a informação, onde se cruzam e entrecuzam toda sorte de gente e atividades e onde 
seu povo se caracteriza pelo que se chamaria a “urbanidade” das atitudes [...]” 
A Belle Èpoque e o seu cenário de transformações começou a atingir as grandes 
cidades do País a partir dos anos iniciais da República,
142
 pois os governos queriam imprimir 
sua marca, principalmente na normatização da vida e na reordenação dos espaços. Para que as 
cidades fossem belas, higiênicas, ordenadas, deveriam também construir edifícios 
“modernos”, como exigiam “os novos tempos” e os ideais de progresso tão caros à 
República.
143
 
 
139
 NEEDELL, J. D., op. cit., 1993. 
140
 SÁ, M. M. de. A mansão Figner: o ecletismo e a casa burguesa no início do século XX. Rio de Janeiro: 
SENAC, 2002. p. 33. 
141
 PESAVENTO, S. J., op. cit., 2002, p. 59. 
142
 República foi o período brasileiro compreendido entre a proclamação da República em 1889 e a Revolução de 
1930. 
143
 Id. ibid. 
 66 
As cidades são frutos do desejo e, ao mesmo tempo, resultado da ação de quem a 
vivencia. Os diferentes projetos,
144
 destinados a regulamentar, disciplinar o uso do solo 
evidenciam, sobretudo por parte dos órgãos públicos, a criação de cidades regulamentadas por 
leis, fato não muito recente, considerando que as primeiras experiências, desta maneira, no 
Brasil, ocorreram no Rio de Janeiro, no final do século XIX e início do século XX. 
Porém, nem sempre esses projetos se materializaram. É da confluência desses projetos 
que surgem diferentes cidades. Parafraseando sobre essas diferentes urbes, Calvino destaca 
“Fedora”: “No centro de Fedora, metrópole de pedra cinzenta, há um palácio de metal com 
uma esfera de vidro em cada cômodo. Dentro de cada esfera,vê-se uma cidade azul que é o 
modelo para outra Fedora”.145 Partilhando com Calvino, pode-se dizer que os diferentes 
planos urbanísticos almejavam cidades ideais; contudo, as diferentes intervenções tornaram 
tais projetos inviáveis. As cidades, mesmo sendo planejadas, vão configurando características 
das pessoas que a vivenciam cotidianamente. Para Michel de Certeau: 
[...] A cidade se torna tema dominante dos legendários políticos, mas não é 
mais um campo de operações programadas e controladas. Sob os discursos 
que a ideologizam, proliferam as astúcias e combinações de poderes sem 
identidade, legível, sem tomadas apreensíveis, sem transparência racional – 
impossível de gerir.
146
 
 
Dentre essas cidades, podem ser citadas Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, 
Belém, Fortaleza e Parnaíba. Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mesmo antes de ser 
empossado o primeiro intendente da capital gaúcha, já existiam planos para sanear e 
embelezar a cidade, e, desse modo, transformá-la em um local que emanasse o progresso 
econômico e industrial presente naquele período. 
A Arquitetura Eclética que materializou o cenário proposto do início do século XX 
encontrou um amplo campo com a riqueza proveniente da economia cafeeira em São Paulo. A 
maioria dos republicanos paulistas representavam uma continuidade da elite cafeeira, e o que 
ocorreu foi um deslocamento da atividade econômica. A elite antes cafeeira absorveu a 
introdução da industrialização textil e passou a representar a emergente burguesia industrial 
 
144
 Em Teresina, no ano de 1867 ocorreu a aprovação provisória das primeiras posturas municipais; e, em 1939, a 
elaboração do primeiro código de postura municipal. De acordo com pesquisa feita junto a Prefeitura de Parnaíba 
não há nenhuma informação dessa natureza pertinente ao período em estudo no trabalho. 
145
 CALVINO, Í. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 32. 
146
 CERTEAU, M. de. A invenção do cotidiano 1: artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 2008. p. 174. 
 67 
do Brasil, elevando o Estado paulista à condição privilegiada no cenário político e 
econômico.
147
 
Alguns edifícios erigidos no período materializaram o desenvovimento do Ecletismo 
aplicado às novas construções da cidade de São Paulo, como é o caso do Teatro Municipal 
(Figura 15), construído entre 1903 e 1911, cuja inspiração, claramente perceptível, é na Ópera 
de Paris (Figura 16), projetada por Charles Garnier,
148
 e um monumento ao Ecletismo francês 
e aos ensinamentos da École des Beaux-Arts. 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Rio de Janerio era o centro político do Império e também o principal porto do novo 
Império. O aumento da população urbana, o impacto dos modelos de comportamento europeu, 
os novos ineresses, oportunidades e empreendimentos contribuíram para o crescimento da 
cidade, assim como o surgimento de vários problemas. 
A Belle Époque carioca inicia-se em 1898, com Campos Sales como Presidente da 
República. Durante o seu governo (1898-1902), foram alavancados empréstimos e 
investimentos, assim como incentivou a imigração, fundamental para um desenvolvimento 
nos moldes europeus. O Rio de Janeiro, apesar de ter suas plantações esgotadas no Interior do 
Estado e também superadas pela expansão da lavoura paulista, cresce enquanto capital 
nacional, ampliando, deste modo, o seu papel como centro administrativo, comercial, 
financeiro e industrial da República.
149
 
 
147
 NEEDELL, J. D., op. cit., 1993. 
148
 Charles Garnier (1825-1898) foi um arquiteto francês cuja obra mais conhecida é a eclética “Ópera de Paris” 
(1861-1874). 
149
 NEEDELL, J. D., op. cit., 1993. 
Figura 15: Teatro Municipal de São Paulo, em 1920. 
Fonte: Disponível em: <http://www.aprenda.com.br>. 
Acesso em: 10 abr. 2007. 
 
Figura 16: Ópera de Paris, séc. XXI. 
Fonte: Disponível em: <http://kristiahlers.com>. 
Acesso em: 7 jun. 2010. 
 
 68 
No governo de Rodrigues Alves, o engenheiro Pereira Passos, cuja formação e 
experiências eram embasadas no continente europeu, principalmente em Paris, foi nomeado 
para a Prefeitura da capital carioca e encarregado de implementar os aspectos urbanísticos da 
cidade. Dentre as principais obras planejadas, estava a abertura da Avenida Central, um 
grande bulevar que cortava as construções da Cidade Velha.
150
 
Conforme explica Sevcenko,
151
 fatos como o surgimento da Avenida Central e a 
promulgação da lei da vacina obrigatória marcaram a “transfiguração” da cidade do Rio de 
Janeiro, que influenciou, por sua vez, as demais cidades no Brasil. Para tanto, os imensos 
casarões coloniais e imperiais foram destruídos, cedendo lugar aos palacetes ornamentados 
com estátuas e outros utensílios de decoração vindos da Europa. Segundo ele: 
[...] O importante, na área central da cidade, era estar em dia com os menores 
detalhes do cotidiano do Velho Mundo. E os navios europeus, 
principalmente franceses, não traziam apenas figurinos, o mobiliário e as 
roupas, mas também as notícias sobre as peças e livros mais em voga, as 
escolas filosóficas predominantes, o comportamento, o lazer, as estéticas e 
até as doenças, tudo enfim que fosse consumível por uma sociedade 
altamente urbanizada e sedenta de modelos de prestígio.
152
 
 
A cidade, para Certeau,
153
 foi construída por agentes que fugiam às regras urbanas, 
que desconstruíram a urbe legalizada pelos discursos dos pensadores tutelados pelas leis. Do 
mesmo modo que o Estado estabeleceu critérios para regulamentar, existiam alguns grupos da 
sociedade que reivindicaram para si uma urbe dotada de equipamentos que pudessem oferecer 
comodidade e prazer, isso pode ser constatado na cidade de Parnaíba no início do século XX. 
A Avenida Central carioca foi inaugurada duas vezes, em 1904 e em 1905 (Figura 17), 
e, junto com essa significativa intervenção no traçado urbanístico, ocorreu também a escolha 
do estilo arquitetônico mais apropriado para a construção dos novos edifícios ali presentes, ou 
mesmo, para revestir as fachadas dos antigos prédios que não precisaram ser demolidos. 
Finalmente, em 1910, ficaram prontas as edificações da nova avenida, cujas fachadas haviam 
sido cuidadosamente planejadas ao estilo em gosto da época, o Ecletismo. “[...] a maior parte 
dos prédios da avenida apresentavam uma fachada Beaux-Arts enxertada em uma construção 
 
150
 NEEDELL, J. D., op. cit., 1993. 
151
 SEVCENKO, N. Literatura como missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República. São 
Paulo: Brasiliense, 1999. 
152
 SEVCENKO, N., op. cit., 1999, p. 36. 
153
 CERTEAU, M. de., op. Cit., 2008. 
 69 
simples e funcional, completamente divorciada, estética e funcionalmente, de sua aparência. 
Em suma, o corpo brasileiro com máscara francesa”.154 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Essas fachadas foram submetidas a um júri, para o qual predominou a influência 
francesa e a tradição da École des Beaux-Art. E essa influência também esteve presente nos 
trabalhos da maioria dos arquitetos participantes dessa espécie de concurso. 
[...] Seguindo Haussmann,
155
 Frontin
156
 estipulou a largura e altura de cada 
fachada. Na verdade obrigou os arquitetos a submeterem os projetos de 
fachada a um júri... E aos edifícios da avenida cabiam funções variadas. 
Mesmo assim, havia uma unidade subjacente à aparente diversidade que 
surgiu em 1906. O gosto do júri e a formação dos arquitetos se encarregram 
disso. As fachadas eram, acima de tudo, um elogio cariocaao ecletismo 
francês, a expressão consagrada da École de Beaux-Arts.
157
 
Nicolau Sevcenko também enfatizou a importância da arquitetura e desse processo de 
“fachadismo” pelo qual passou o Rio de Janeiro. Segundo ele: 
 
154
 NEEDELL, J. D., op. cit., 1993, p. 66. 
155
 Barão George Eugène Haussmann foi responsável pelas grandes transformações urbanísticas na cidade de 
Paris no final do século XIX. 
156
 André Gustavo Paulo de Frontin trabalhou ao lado do então prefeito Pereira Passos na reforma urbanística da 
cidade do Rio de Janeiro no início do século XX. 
157
 NEEDELL, J. D., op. cit., 1993, p. 62. 
Figura 17: Os novos edifícios da Avenida Central em fase de construção, em 1905, 
Praça João Martins Torres. 
Fonte: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br>. Acesso em: 3 out. 2009. 
 
 70 
As fachadas tornam-se a preocupação permanente e ubíqua, não só na 
arquitetura: „... nestes tempos, a fachada é tudo‟. Singularmente, no Rio de 
Janeiro do começo do século, é o processo de transformação urbana que dá o 
tom para a definição da atmosfera cultural da cidade, as relações sociais se 
estabelecem como um sucedâneo do projeto urbanístico que as circunscreve. 
[...].
158
 
O teatro foi um dos melhores exemplos do Ecletismo desenvolvido no Rio de Janeiro. 
Por ser a mais importante cidade do País naquele momento, a Capital federal, e pelo contato 
com as cidades europeias, sobretudo Paris, o “berço da referência cultural”, pôde desenvolver 
esse estilo facilmente, pois as dificuldades em termos de materiais e técnicas foram mais 
reduzidas quando comparado com a maioria das outras cidades brasileiras. 
Assim como o Teatro Municipal de São Paulo, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro 
(Figura 18), projetado por Francisco de Oliveira Passos, filho de Pereira Passos, foi inspirado 
na Ópera de Paris (Figura 19), que trouxe a mistura de vários estilos históricos em sua 
fachada, como o Barroco e o Renascimento, por exemplo, tornando-se uma síntese da 
Arquitetura Eclética. 
 
 
 
Dentre as grandes cidades nordestinas que passaram por essas mudanças encontra-se 
Recife. Mas a capital pernambucana entrou no processo de “modernização” mais cedo que a 
maioria das outras cidades, ainda em meados do século XIX. Na administração de Francisco 
do Rego Bastos (1835-1842), que fez seus estudos na França e trouxe vários trabalhadores 
franceses para iniciar uma série de reformas na organização da cidade, dentre eles o técnico 
 
158
 SEVCENKO, N., op. cit., 1999, p. 96. 
Figura 18: Teatro Municipal do Rio de Janeiro, c. 
de 1909. 
Fonte: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org>. 
Acesso em: 9 jun. 2010. 
 
Figura 19: Ópera de Paris. 
Fonte: Disponível em: <http: http://kristiahlers.com>. 
Acesso em: 7 jun. 2010. 
 
 71 
Louis Vauthier; segundo Rezende
159
 “[...] A importação dos engenheiros franceses e a 
admiração de Rego Barros pela França causara o que se chamava de „afrancesamento‟[...]”. 
Fortaleza, capital do Ceará e uma das cidades de destaque no Nordeste brasileiro, 
também participou das transformações na Belle Époque, e, mesmo não experimentando 
transformações tão profundas como as que passaram o Rio de Janeiro e São Paulo, a partir da 
segunda metade do século XIX, tornou-se um polo econômico-social de sua região a partir da 
grande exportação de algodão para o mercado externo. Segundo afirma Ponte,
160
 “assim como 
em outros grandes centros do País, os principais agentes desse investimento remodelador da 
capital alencarina foram os grupos sociais ligados ao setor comercial, fortalecidos pelo então 
crescimento dos negócios de importação e exportação”. 
Durante as primeiras décadas do século XX, as reformas se intensificaram. A 
paisagem urbana foi se modificando, e um dos fatores preponderantes foi o surgimento dos 
primeiros edifícios construídos segundo o Ecletismo ─ o estilo utilizado majoritariamente em 
todo o País. A horizontalidade das edificações começou a ser rompida, e as novas fachadas, 
em residências e prédios públicos, eram mais elaboradas, “elegantes”. Ponte161 afirma que 
“[...] o número de casas baixas e modestas diminuiu no perímetro central, dando lugar a outras 
com estilos e fachadas mais elaboradas, portando bandeirolas, persianas, cimalhas, cornijas, 
frontões ogivais, varandas e balcões de ferro [...]”. 
No Norte do País, Belém foi uma cidade que manteve importante ligação comercial 
com Parnaíba e que foi marcada, assim como as demais aqui citadas, pelas transformações 
ocorridas, sobretudo no final do século XIX e início do século XX. Esse processo de 
modernização só foi possível através do enriquecimento oriundo do comércio extrativista da 
borracha, e que, assim como ocorreu na economia parnaibana, teve início ainda em meados do 
século XIX, em 1840, e estendeu-se, no caso de Belém, até a década de 1920. 
Belém também tentou se “modernizar”, buscando adotar hábitos da cultura europeia, 
com práticas de grande contraste, quando comparadas com a cultura amazônica. A cidade 
antes voltada para o seu porto, e como tal, carregou adjetivos de “feia” e “insalubre”. No final 
do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, adotou também a nova política de 
embelezamento, remodelação dos hábitos e costumes sociais, e saneamento, que nasceu junto 
com a República. Sobre o assunto, Sarges explica: 
 
159
 REZENDE, A. P. Desencantos modernos: histórias da cidade do Recife na década de XX. Recife: 
FUNDARPE, 1997. p. 29. 
160
 PONTE, S. R. Fortaleza Belle Époque: reformas urbanas e controle social (1860-1930). Fortaleza: Fundação 
Demócrito Rocha/Multigraf, 1993. p.15. 
161
 Ibid., p. 32. 
 72 
Belém tentou tornar-se bem mais européia do que amazônica, inclusive 
tornando-se um verdadeiro centro de consumo de bens importados. 
Culturalmente, a cidade foi dominada pelo “francesismo”, o que se explica 
pelo hábito que tinham as famílias ricas de mandarem seus filhos aprimorar 
a sua educação nas escolas francesas. Essa elite intelectual produzida na 
Europa é que vai determinar o novo decor urbano, europeizado e 
aburguezado [...].
162
 
 
Dessa forma, pôde-se perceber que as principais cidades do País, impulsionadas por 
fatores geradores de riqueza como o comércio de exportação e importação, e com o advento 
da República, iniciaram nas primeiras décadas do século XX muitas transformações. Essas 
mudanças, que se estenderam a vários aspectos da vida dessas cidades, como, por exemplo, 
aspectos culturais, sociais, urbanísticos, e ─ um dos focos principais dessa pesquisa ─ as 
mudanças arquitetônicas, que também chegaram a Parnaíba, uma das mais importantes 
cidades do Piauí nesse período. 
3.3 O Ecletismo e a Belle Époque em Parnaíba 
Parnaíba sempre esteve em contato com outras regiões do Estado, do País, e inclusive 
do Exterior, como, por exemplo, Europa e Estados Unidos.
163
 Em razão disso, a arquitetura 
produzida no resto do mundo chegou à cidade, facilitada pelas ligações comerciais, e também 
pela sociedade local que ansiou, a seu modo, por inserir-se cada vez mais no contexto 
mundial. Parnaíba foi uma das cidades piauienses que mais empregou o Ecletismo. As 
residências foram construídas seguindo as novidades arquitetônicas da época. 
Assim, através do contato permanente com a Europa e com as grandes cidades do País, 
como São Luis, Belém e o Rio de Janeiro, Parnaíba iniciou o século XX buscando se 
modernizar e foi marcada por várias transformações urbanísticas, como a criação de praças, 
jardins e a implementação de equipamentos importantescomo o fornecimento de energia 
elétrica e projetos para os serviços de água e esgoto. 
Assim como ocorreu no Rio de Janeiro, com a Avenida Central, em Parnaíba, a então 
Avenida Presidente Getúlio Vargas, antiga Rua Grande, tornou-se uma vitrine de residências 
ecléticas, em sua maioria do início do século XIX; e, à medida que a avenida se estendia do 
 
162
 SARGES, M. de N. Belém: riquezas produzindo a belle-époque (1870-1912). Belém: Paka-Tatu, 2002. p. 
186. 
163
 FIGUEIREDO, D. M. F. O monumento habitado: a preservação de sítios históricos na visão dos habitantes 
e dos arquitetos especialistas em patrimônio. O caso de Parnaíba. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal 
de Pernambuco, 2001. 
 73 
rio Igaraçu em direção à Estação Ferroviária, os vários momentos e influências do Ecletismo 
tornaram-se cada vez mais perceptíveis (Figura 20). De acordo com Diva Figueiredo: 
 
Planejada em novos padrões, ao gosto eclético do início do século, a avenida 
reflete a evolução da arquitetura urbana de Parnaíba. Na extremidade do rio 
Igaraçu prevalece um conjunto de arquitetura luso-brasileira, com suas 
alvenarias de pedra e cal, faiança e ferro forjado, mesclada com a carnaúba e 
a telha-vã,
164
 adaptadas ao meio e ao clima equatorial.
165
 
 
 
 
 
 
 
 
O Ecletismo não só atingiu as novas edificações, mas também as construções mais 
antigas da cidade. Parnaíba, ao vivenciar também a Belle-Époque, quis se modernizar e as 
transformações sofridas foram visíveis na arquitetura, inclusive a partir do núcleo mais antigo 
da cidade, a região do Porto das Barcas, onde algumas edificações coloniais sofreram 
modificações e receberam elementos ecléticos
 
 (Figura 21). 
 
 
 
 
164
 Telhas-vãs, também chamadas de telha canal, são telhas de grande tamanho, bem cozidas e de cor clara, sem 
diferenciação em relação à função ocupada no telhado, servindo para a bica e para a capa (cobertura) e que são 
assentadas na cobertura sem argamassa. Também se emprega esse nome (telha-vã ou telhado-vã) aos tetos sem 
forro no qual ficam aparentes o vigamento do telhado e as faces inferiores das telhas. 
165
 FIGUEIREDO, D. M. F., op. cit., 2001, p. 26. 
Figuras 20: Fotografia da Avenida Presidente Getúlio Vargas 
nos anos 1930, em Parnaíba, PI. 
Fonte: Cartões Postais do IPHAN. 
 
 
 74 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, no início da Avenida, às margens do rio Igaraçu, apareceram as primeiras 
edificações, com características ecléticas, que, mesmo ainda conservando traços 
arquitetônicos coloniais, como o alinhamento junto à rua, apresentaram mudanças em alguns 
elementos como nas esquadrias,
166
 que passaram a adquirir novas formas e no surgimento das 
platibandas
167
 (Figura 22). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
166
 Esquadria ou esquadro é o elemento destinado a guarnecer os vãos de passagem, ventilação e iluminação; ou 
seja, é o termo que designa a moldura dos vãos, principalmente portas e janelas. 
167
 Platibanda é a faixa horizontal (espécie de muro ou grade), vazada ou cheia, disposta no alto das fachadas e 
que emoldura a parte superior de um edifício. Tem como funções esconder as águas do telhado, proteger terraços 
ou ainda servir de elemento decorativo. 
Figuras 21: Fotografia da Avenida 
Presidente Getúlio Vargas nos anos 
1930, em Parnaíba, PI. 
Fonte: Cartões Postais do IPHAN. 
 
 
Figuras 22: Fotografia da Avenida 
Presidente Getúlio Vargas nos anos 
1930, em Parnaíba, PI. 
Fonte: Cartões Postais do IPHAN. 
 
 
 75 
À medida que a Avenida seguiu em direção à Estação Ferroviária, o Ecletismo se 
intensificou e foi possível constatar suas mais variadas influências em edificações, cujos 
estilos variam entre o Chalé, o Neocolonial e o Art Déco (Figura 23). 
 
 
 
 
 
 
 
Após 1930, com os projetos de modernização do governo federal de Getúlio Vargas, 
em 1932, sob a administração de Ademar Neves, houve uma preocupação quanto ao aspecto 
urbano da cidade. No que diz respeito à arborização da cidade e aos jardins, o primeiro espaço 
paisagístico de destaque na cidade foi a Praça da Graça. Esses cuidados se intensificaram com 
a implantação da Praça Santo Antonio, que representou também, na primeira metade do 
século XX, um período de prosperidade econômica, social e cultural. É grande a diferença 
dessa nova região da Praça Santo Antonio para o núcleo original, do Porto das Barcas. Essas 
mudanças foram visíveis através da alteração da dimensão das quadras, orientação das ruas e 
preocupações de cunho sanitaristas que revelaram o melhoramento urbano. 
O entorno da Praça Santo Antonio foi marcado por sua farta arborização, pelos 
jardins, e por passar a ser outro polo de desenvolvimento da arquitetura eclética da cidade, 
com muitas residências do estilo supracitado, que se destacaram também pela imponência dos 
palacetes e pela ornamentação. Os lotes que a circundaram eram mais largos e as edificações 
se depreenderam dos limites do terreno, criando novos espaços de quintais e jardins; mesmo 
particulares, diminuíram a percepção de limites entre o público e o privado (Figura 24). 
 
 
Figura 23: Fotografia da Avenida 
Presidente Getúlio Vargas nos anos 1930, 
em Parnaíba, PI. 
Fonte: Cartões Postais do IPHAN. 
 
 76 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Ecletismo trouxe, portanto, mudanças em relação às fachadas das edificações, e 
também mudanças no programa, na disposição interna das construções, ou seja, na 
formulação das plantas baixas. E essas transformações ocorreram por vários motivos, desde as 
preocupações de caráter higiênico e de saúde até a influência de outras regiões, que, aos 
poucos, modificaram a vida das pessoas, seu modo de viver. 
3.4 Mudanças e transformações que caracterizam o Ecletismo 
Essas transformações pelas quais passaram as edificações, nas primeiras décadas do 
século XX, são, como se viu, impregnadas pelo espírito da modernidade e das novas 
preocupações que se formaram em torno da normatização da vida e do reordenamento dos 
espaços. Algumas cidades, a exemplo de Porto Alegre, já possuíam, à época, um Código de 
Postura que orientava as construções do município. Conforme afirma Sandra J. Pesavento: 
[...] Em 13 de março de 1893, pelo Ato nº. 22, o Código de Posturas 
Municipais dispunha sobre as construções. Buscava-se padronizar e 
regulamentar as novas construções, dando um aspecto mais „civilizado‟ à 
cidade. Casas alinhadas, com alturas mínimas dos pés direitos interiores; 
quartos com obrigatoriedade de arejamento e área mínima; fixação espessura 
das paredes; regras para construir sacadas
168
 e balcões
169
; proibição de 
rótulas
170
 de portas de abrir para fora; obrigatoriedade de latrinas e distância 
média para o alinhamento eram medidas a serem adotadas por quem 
construísse ou reformasse as habitações que seriam finalizadas pela 
 
168
 Sacada é a peça saliente à edificação, sem cobertura, não permitindo trânsito, geralmente medindo cerca de 30 
cm. 
169
 Balcão é a peça sacada da edificação que permite o trânsito. 
170
 Rótula é o sistema de abertura de janelas de eixo horizontal ou vertical. 
Figura 24: Residência situada à Rua Pires Ferreira, 
783, Parnaíba-PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 71). 
 
 
 77 
municipalidade. Ficavam proibidas as edificações em madeira no 
alinhamento das ruas ou contíguas a outros prédios. As edificações que 
fossem repartidas para maisde uma habitação não teriam em comum quintal, 
esgoto, latrinas e tanques. Em suma, os prédios coletivos deveriam satisfazer 
às condições de higiene, segurança e estética a juízo da Intendência [...].
171
 
Contudo, deve-se ressaltar que poucas eram as cidades que já possuíam qualquer tipo 
de legislação designando regras para as construções. Existiam apenas regulamentações para se 
construir, e projetos por parte do governo. Sem uma normatização específica, as mudanças 
que ocorriam eram, de modo geral, as mesmas em praticamente todos os lugares e em 
Parnaíba não foi diferente. 
De acordo com Reis Filho,
172
 o fato de não mais contar, largamente, com o sistema 
servil fez surgir nas residências urbanas algumas modificações; contudo, essas mudanças não 
foram tão perceptíveis de início, pois o negro continuou a trabalhar, mesmo que na condição 
de mão de obra livre. Outro fator importante foi a chegada de grande número de novos 
materiais, técnicas e equipamentos, como, por exemplo, os aparelhos que proporcionavam a 
iluminação artificial, permitindo que as pessoas usufruíssem mais da noite, e ocupassem 
espaços que anteriormente eram utilizados minimizadamente, a exemplo das salas de jantar e 
varandas para receber visitas, amigos e conversar até mais tarde. 
Sá
173
 acreditou que, com todas essas transformações surgidas no final do séc. XIX e 
início do séc. XX, começou também a ocorrer mudanças nos programas, na planta das 
edificações, na distribuição dos cômodos das residências. O Ecletismo intensificou essa 
complexidade, pois os prédios públicos, como estações, hospitais, magazines, e até as 
edificações privadas como as residências adquiriram novas funções, diferente do que ocorria 
no passado. 
Os telhados, geralmente em duas ou quatro águas,
174
 podiam conter ainda mais 
divisões, variadas formas. Eram recobertos preferencialmente por telhas cerâmicas 
francesas,
175
 como aconteceu na maioria das edificações de Parnaíba, ou por telhas canal.
176
 
 
171
 PESAVENTO, S. J., op. cit., 2002, p. 266. 
172
 REIS FILHO, N. G. Quadro da arquitetura no Brasil. 10. ed. São Paulo: Perspectiva, 2004. 
173
 SÁ, M. M. de., op. cit., 2002. 
174
 Águas são os planos inclinados que constituem os telhados. 
175
 Telhas cerâmicas francesas é o termo empregado às telhas que se originavam não propriamente da França; 
elas eram geralmente feitas no Pará ou mesmo em Parnaíba, mas a inspiração era no modelo francês de telha 
muito utilizado no período. São telhas chatas que possuem, ao longo de um dos lados logitudinais, ranhuras para 
encaixá-la em outra telha igual e, em um dos seus lados transversias, uma concavidade que se encaixa na ripa do 
madeiramento do telhado. 
176
 Telha meia canal ou meia cana é a telha cerâmica curva que possui forma de meia-cana e é usada nas 
coberturas com a concavidade alternadamente voltada para cima e para baixo. Em geral são fixadas por seu peso 
próprio ou atrito ao madeiramento. 
 78 
As empenas,
177
 frontais ou laterais, continuavam cobertas com platibandas, mas agora repletas 
de elementos decorativos, curvas sinuosas, recortadas, com cornija
178
 (Figura 25). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A fachada frontal ainda era a que mais se destacava, muitas vezes realçada pelo 
auxílio das novas cores utilizadas, que, diferentemente do que ocorria antes, eram tons fortes. 
Muitos adornos murais em estuque
179
 ou massa são utilizados, dependendo da inspiração 
estilística adotada. 
As vergas
180
 eram um destaque à parte, pois também marcavam as fachadas. Foram 
utilizadas com as mais variadas formas, podendo ser retas, em arco pleno,
181
 arco ogival,
182
 
recortadas ou mistas, e os gradis de ferro são presença quase obrigatória nos prédios da época. 
As linhas também eram mais assimétricas, salvo quando a inspiração era o Neoclassicismo, e 
a verticaliadade também foi acentuada pelas platibandas e torres, ocorrendo a valorização do 
 
177
 Empenas ou oitão é o plano triangular acima da linha do beiral. 
178
 Cornija é uma faixa horizontal que se destaca da parede; ou ainda o conjunto de molduras salientes que 
servem de arremate superior às edificações. Na arquitetura clássica é a parte superior do entablamento. 
179
 Estuque é a argamassa feita geralmente de gesso ou cal fina e areia, podendo ser utilizado também o pó de 
mármore, cola ou outros materiais e que adquire grande dureza e resistência depois de seca. 
180
 Verga é a denominação dada a parte superior do quadro nas janelas que é constituído ainda pelo peitoril e pela 
ombreira. É a peça disposta horizontalmente sobre o vão das portas e janelas sustentando a alvenaria. Pode ser 
reta ou curva. 
181
 Arco pleno é o arco de volta perfeita, semicircular. É o arco em forma de uma semicircunferência, tendo, 
portanto, sua flecha igual ao raio que serviu para traçá-lo. 
182
 Arco ogival é o arco formado por dois segmentos de círculo iguais que se encontram no vértice; é o arco de 
ponta ou com forma triangular. 
Figura 25: Casa de tipologia eclética, sito à Rua Cel. José Narciso, 844. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 19). 
 79 
pavimento superior. O porão elevado, adotado desde o Neoclassicismo garantia a ventilação 
do piso em tabuado de madeira.
183
 
No que diz respeito ao lote, as transformações ocorreram em três momentos: 
inicialmente, o edifício era implantado recuando apenas um limite lateral e ainda 
permanecendo alinhado à via pública. Nas residências maiores, foram introduzidos nesse 
espaço entre a casa e o limite do terreno, o jardim como elemento paisagístico, possibilitando 
arejamento e iluminação, respeitando as novas preocupações com a higiene e a saúde. A 
ligação com o edifício era feita através de varandas,
184
 apoiadas em colunatas de ferro e onde 
agora se encontrava a entrada principal, que saira da fachada frontal e deslocara-se para a 
lateral.
185
 
Com o passar do tempo apareceram discretos afastamentos em relação ao segundo 
limite lateral e, com isso, o antigo hábito de dormir em alcovas,
186
 sem qualquer iluminação 
ou ventilação natural foi desaparecendo. O terceiro momento ocorreu quando, por fim, a 
construção passou a ser totalmente solta dos limites do terreno. A uniformidade anterior das 
construções caiu em desuso e as plantas dos edifícios se modificaram cada vez mais, 
tornando-se mais complexas. Procurou-se, a partir de então, a privacidade e o conforto que a 
vida moderna proporcionava. Aos poucos, cada compartimento passou a ter uma utilização 
específica e com inovações.
187
 
A partir do final do século XIX, a privacidade torna-se cada vez mais 
importante dentro do conceito de morar. Cada cômodo passa a apresentar 
identidade própria e aparecem elementos até então inexistentes, como os 
banheiros privativos com banho e wc incorporados ao corpo da casa e, 
especialmente o vestíbulo, uma invenção francesa do século XVIII que 
viabilizou uma melhor distribuição dos compartimentos e a separação das 
zonas.
188
 
Nas edificações maiores, geralmente palacetes, quando ocorriam dois pavimentos, o 
térreo era voltado para a parte de serviços e o primeiro pavimento, mais privativo, destinado a 
área social. Lemos
189
 e Reis Filho
190
 explicam que o interior, a princípio, não possuía muitas 
modificações, ficando na frente da casa a sala de visitas; os quartos em torno de um corredor 
 
183
 Tabuado de madeira é o piso em tábuas de madeira encaixadas ou justapostas; o tabuado corrido é o soalho de 
tábuas preferencialmentesem emendas. 
184
 Varanda é a guarnição vazada coberta pelo prolongamento da água principal da construção e diretamente 
apoiada no solo. 
185
 REIS FILHO, N. G., op. cit., 2004. 
186
 Alcovas eram tipos de cômodos, geralmente dormitórios, sem abertura para a parte exterior da edificação. 
187
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
188
 SÁ, M. M. de., op. cit., 2002, p. 49. 
189
 LEMOS, C. A.C. A casa brasileira. São Paulo: Contexto, 1989. 
190
 REIS FILHO, N. G., op. cit., 2004. 
 80 
ou sala de refeições na parte central; e a cozinha e os banheiros, em segundo plano, isolados 
no fundo das edificações (Figura 26). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mas com as mudanças nos hábitos de higiene foram introduzidas as primeiras 
instalações hidráulicas e tanques, que funcionaram como casas de banho nos jardins. Diante 
do progresso e da implatação dos serviços, como o abastecimento d‟água, por exemplo, esses 
compartimentos sofreram várias mudanças. Os banheiros foram planejados para receber todas 
as atividades de higiene íntima, e passaram a possuir lavatório, banheira, ducha, vaso sanitário 
e bidê. As grandes cozinhas, características desde o Período Colonial, sobretudo nas grandes 
residências, foram desmembradas em outros compartimentos como a copa, saleta e despensa 
(Figuras 27 e 28). 
 
 
 
 
 
Figura 26: Planta de residência na primeira fase do Ecletismo. 
Fonte: Reis Filho (2000, p. 49). 
 
 
 81 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os ideais de modernidade estavam estreitamente relacionados com a ideia de cultura. 
No interior das edificações procurou-se mostrar a exuberância, o gosto pelas artes, e isto foi 
constatado através dos móveis, dos trabalhos na ornamentação dos tetos, que podiam ser em 
estuque, pintados, e das paredes, que podiam ser revestidas de papel, tecido ou ainda com 
pinturas, feitas de acordo com o ambiente. Os objetos decorativos e adornos passaram a ser 
utilizados com mais frequência. 
[...] o estilo arquitetônico e a decoração interna deveriam sugerir o poder 
econômico, o gosto, o grau de ilustração e o cosmopolismo dos 
proprietários, ao mesmo tempo em que proporcionariam as condições 
necessárias ao seu isolamento. Nos interiores, acumulou-se uma massa de 
objetos caros, da prata, bronze, porcelana e cristal, frequentemente 
misturados ao excesso de tecidos que revestiam as paredes: cortinas, 
reposteiros, e toldos de renda e seda, além de papéis ou pinturas nas 
paredes.
191
 
 
191
 HOMEM, M. C. N. O palacete paulistano e outras formas urbanas de morar da elite cafeeira: 1867-
1918. São Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 29. 
Figuras 27 e 28: Plantas Baixas da Mansão Figner, em São Paulo. 
Fonte: SÁ (2002, p. 50; 54). 
 
 
 82 
A profusão de elementos adotados tanto externamente, como elementos murais nos 
edifícios, quanto internamente, ornamentando paredes, tetos, ou ainda como objetos 
decorativos, que iam desde relógios, caixas de músicas, a pianos, foi uma das características 
relevantes dessa produção arquitetônica. Como exemplifica Sá,
192
 ao dizer que “o piano, por 
sua vez, era uma presença constante e símbolo de cultura e nível social”. Quanto maior a 
ornamentação, maior a capacidade financeira do proprietário da edificação. 
No Ecletismo, o importante foi a imitação, a fantasia, a recriação. A fidelidade poderia 
ficar em segundo plano. É importante ressaltar que, mesmo que este pensamento parecesse 
uma falta de compromisso com a verdade histórica, o compromisso no caso é com o ato de 
representar e de evocar. O repertório midiático, através dos catálogos, se empenhou em 
propagar as novidades vindas da Europa, desde tecidos, ferragens, até fachadas arquitetônicas. 
A burguesia absorvia tais novidades como um reforço de sua condição social. Segundo 
Baudrillard,
193
 “[...] os objetos nunca se esgotam naquilo para que servem, e é neste excesso 
de presença que ganham a sua significação de prestígio, que designam não já o mundo, mas o 
ser e a categoria social do seu possuidor”. 
A volta a estilos do passado ou mesmo recorrer a produções arquitetônicas diferentes à 
busca da modernidade e do progresso não encontrou nenhuma resistência para a elite 
consumidora. Segundo Fabris: 
A volta do passado é, paradoxalmente, o índice da modernidade do homem 
eclético: os revivals sucessivos que propõe a si próprio não são nem 
conservadores nem reacionários, embora reajam contra a noção 
contemporânea de história. Não são conservadores porque são 
antitradicionalistas; não são reacionários porque não buscam princípios de 
autoridade absolutos e imutáveis. Não desejam restaurar nada porque a volta 
ao passado não implica uma recuperação de valores, estando sujeitos, ao 
contrário, aos ritmos da moda, ao padrão de consumo da produção industrial, 
cujos novos materiais integram-se em sua arquitetura fantasiosa [...].
194 
A arquitetura eclética ganhou ampla difusão em todo o País, inclusive em Parnaíba. 
Entretanto, percebe-se que as residências ecléticas erigidas no sítio histórico de Parnaíba, na 
primeira metade do século XX, não ocorreram seguindo a maioria dos critérios construtivos 
do Ecletismo, por questões distintas como materiais empregados e dificuldade de mão de obra 
e técnicas construtivas ou ainda formas particulares de agregar tipologias. Neste sentido, 
 
192
 SÁ, M. M. de., op. cit., 2002, p. 56. 
193
 BAUDRILLARD, J. Para uma crítica da economia política do signo. Rio de Janeiro: Elfos; Lisboa, 
Edições 70, 1995. p. 12. 
194
 FABRIS, A. (Org.). Ecletismo na arquitetura brasileira. São Paulo: EDUSP / Nobel, 1987. p. 283-284. 
 83 
buscou-se compreender quais eram as fontes de inspiração para a produção arquitetônica 
eclética em Parnaíba. 
3.5 Antecedentes e inspirações: o Ecletismo em Parnaíba 
O Ecletismo surgiu criticando o retorno ao passado, às formas clássicas gregas, 
romanas, góticas, e, por isso, buscou inspiração em momentos distintos do passado bem como 
em regiões exóticas e diferentes, materializando um estilo que se caracterizou pela mistura, 
pela união de vários estilos em um único edifício. 
Contudo, essa mistura, que inicialmente foi baseada majoritariamente em produções 
arquitetônicas incomuns ao mundo ocidental, aos poucos assimilou outros vários estilos já 
consagrados. Desse modo, o Ecletismo passou a envolver o retorno das mais variadas 
produções arquitetônicas como as formas clássicas, góticas e até a arquitetura mourisca e 
indiana, por exemplo. 
Assim entendido, foram muitas as fontes de inspiração do Ecletismo. Contudo, a partir 
dos primeiros contatos com as residências do sítio histórico de Parnaíba, percebeu-se que 
algumas dessas inspirações destacaram-se nessa produção arquitetônica do local e 
contribuíram para a formação de sua arquitetura. 
De acordo com pesquisas iniciais, em Parnaíba, a arquitetura do Período Colonial e a 
arquitetura do período Neoclássico foram importantes, e contribuíram para o Ecletismo local, 
pois muitas edificações mantiveram as características desses estilos que, como proporcionava 
a própria arquitetura eclética, foram incorporadas. Outros estilos como o Chalé foram muito 
presentes no Ecletismo, verdadeiras fontes de inspiração. E ainda outros, como o Neocolonial 
e o Art Déco, que, mesmo inicialmente surgidos como uma crítica ao Ecletismo, quando 
ocorreram na arquitetura parnaibana, foram mesclados à produção eclética, construindo parte 
dessa identidade arquitetônica local.
195
 
3.5.1 A Arquitetura TradicionalQuando se diz Arquitetura do “Período Colonial”, ou “Arquitetura Tradicional” refere-
se a arquitetura produzida durante a época do Brasil Colônia, de 1500 a 1822, que buscou 
seguir os estilos Barroco, Rococó e Maneirista europeus; e que, em muitos casos, foi também 
 
195
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
 
 84 
influenciada pela arquitetura indígena e vernacular,
196
 principalmente no interior do País, 
distante do litoral, onde era mais difícil chegar as inovações, tanto em termos materiais quanto 
técnicas. 
A arquitetura do Período Colonial se caracterizou por produzir edificações que 
ocupavam a testada e os limites laterais do lote, com caixa mural
197
 inteiriça, de volumetria 
simples. Havia, no telhado de duas águas, empenas voltadas para a lateral e telhas cerâmicas 
de capa e canal, chamadas também de telhas coloniais; beirais que avançavam sobre as 
fachadas e apoiavam-se em cornijas. A entrada ocorria pela parte frontal do edifício, onde, na 
fachada principal, os cheios predominavam sobre os vazios; as paredes tinham, em sua 
maioria, função estrutural; ou seja, além de vedar, elas suportavam o peso da edificação, 
construída em alvenaria
198
 de pedra, adobe ou taipa de pilão; e havia a predominância de 
linhas e planos horizontais (Figuras 29 e 30).
199
 
 
 
 
Figueiredo
200
 afirma que no Piauí, assim como em todo o Brasil, a arquitetura 
tradicional contou com muitas influências, como a portuguesa, a dos índios e a dos negros. 
Mas outros fatores também contribuíram para sua formação, tais como o meio ambiente 
natural, a economia e as exigências sanitaristas. As primeiras construções tinham estruturas 
 
196
 Arquitetura vernacular é a que emprega materiais e recursos do próprio ambiente em que a edificação foi 
construída, apresentando, assim, caráter local ou regional. 
197
 Caixa mural: o termo refere-se às paredes externas da edificação, ao “invólucro” que delimita o espaço 
interno. 
198
 Alvenaria é o maciço compacto e resistente resultante da reunião de blocos sólidos justapostos. Pode ser 
alvenaria de pedra, pedra e barro, tijolos etc. e pode ser com ou sem o uso de argamassa. 
199
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
200
 FIGUEIREDO, D. M. F. Arquitetura e urbanismo no Piauí: formação e identidade. In: ARAÚJO, Maria 
Mafalda Baldoino de; Eugênio, João Kennedy. Gente de longe: histórias e memórias. Teresina: Halley, 2006. 
Figura 26: Detalhe da fachada do sobrado 
Simplício Dias, sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 308, Parnaíba, PI. 
Acervo: Neuza Melo, 2006. 
Figura 30: Sobrado Mirante, sito à Rua 
Duque de Caxias, 614 e 618, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 32). 
Figura 29: Detalhe da fachada do sobrado 
Simplício Dias, sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 308, Parnaíba, PI 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2006). 
 85 
autônomas
201
 e coberturas de trançado de palha, resultantes da influência indígena, assim 
como telhados lembrando grandes chapéus, a rapidez e a simplicidade das construções. Eram 
bastante adequadas ao clima do local, e tinham como característica também a facilidade de 
acesso ao material, como o uso da carnaúba, por exemplo, utilizada em troncos naturais em 
esteios, taipa de vedação e caibros de telhados. 
Aos poucos, através das influências europeias, foram sendo acrescentadas novas 
características às soluções indígenas, como a telha de barro cozido, substituindo a palha; na 
taipa que vedava as paredes, as amarrações eram feitas em couro de boi; o reboco era de 
barro; a pintura à cal, resultando em edifícios com amplas formas das águas de telhado cuja 
estrutura era feita com troncos de carnaúba.
202
 
Nas edificações, principalmente nas residências, as linhas dominantes eram as 
horizontais; cômodos amplos e as paredes largas, sendo as internas apenas de meia altura. As 
coberturas de telhas-vãs eram raramente forradas por ripamentos planos ou em formato de 
gamelas. Os pés direitos sofreram muitas variações, sendo muito altos nas cumeeiras
203
 e 
abaixando no sentido das extremidades, onde as varandas tinham parapeito cheio, recurso 
utilizado para amenizar a incidência de luz solar e facilitar a saída de ar quente pelas telhas. 
As portas internas eram altas, com bandeiras
204
 abertas, facilitando a ventilação e amenizando 
o calor.
205
 
3.5.2 Arquitetura Neoclássica 
O Neoclassicismo surgiu na França e na Inglaterra, em meados do século XVIII, como 
o estilo do Império, e materializou os ideais estéticos da Revolução Francesa. Durante o séc. 
XIX e ainda no século XX, a arquitetura neoclássica manteve-se como uma constante. Mesmo 
com o Ecletismo e com o Movimento Moderno, esse estilo arquitetônico manteve-se firme, 
por razões tradicionais ou por razões políticas; pois muitas vezes serviu para representar os 
ideais de regimes ditatoriais, como foi o caso do “Nazismo” na Alemanha e do “Stalinismo” 
na Rússia. Ainda nos dias atuais, nas construções pós-modernas, ele se faz presente, não mais 
com o caráter historicista de antes, como cópia, mas como uma releitura de formas. 
 
201
 Estrutura autônoma é uma espécie de esqueleto. Considera-se uma construção de estrutura autônoma quando 
seu “esqueleto” de sustentação é formado por vigas, pilares e outros elementos estruturais. As paredes de 
vedação (os muros) não recebem cargas ou coberturas. 
202
 Id. ibid. 
203
 Cumeeira é a aresta superior, o ponto mais alto do telhado. 
204
 Bandeiras são aberturas na parte superior das portas e janelas; servem para proporcionar iluminação, 
ventilação e ainda a ornamentação desses vãos. Podem ser fixas ou móveis e ainda em caixilho com vidro ou 
com venezianas. 
205
 FIGUEIREDO, D. M. F., op. cit., 2006. 
 86 
No Brasil, o estilo chegou com a Missão Francesa, em 1816. O objetivo foi 
transformar o Rio de Janeiro, que abrigou a Corte e necessitava se embelezar para ficar a 
altura da condição de Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves. 
 
A arquitetura Neoclássica teve como característica a busca do classicismo, da pureza 
da arte clássica. As plantas geralmente apresentavam formas quadradas, retangulares ou 
centradas.
206
 Os frontões
207
 e as colunatas eram muito utilizados, e, diferente do que ocorria 
na arquitetura grega e romana, não havia sobreposição de ordens
208
 arquitetônicas. O exterior 
demonstrava grandiosidade e força, enquanto o interior visava à comodidade e o bem-estar. 
Teve como inspiração principal o templo grego; as linhas volumétricas dominantes 
continuavam sendo as horizontais e os principais materiais utilizados eram os tijolos, a pedra, 
o mármore branco, a pedra calcária e o granito.
209
 
No Brasil, se desenvolveu nas cidades próximas ao litoral, pois essas estavam sempre 
em contato com o que ocorria no Exterior, devido ao comércio de exportação e importação. 
Nos telhados, adotaram soluções mais complicadas, já aparecendo as quatro águas. As 
cornijas, platibandas e balaustradas substituíram e esconderam os beirais. Pedra e tijolo 
revestidos e pintados constituíram as paredes. As janelas e portas passaram a receber 
bandeiras, e o vidro clareava os ambientes, antes iluminados apenas pelos candeeiros e velas. 
As entradas eram marcadas por escadarias, colunatas e frontões, mas apenas em locais onde 
havia materiais, elementos estruturais que permitissem suportar essas estruturas, encontrando-
se, muitas vezes, a rigidez das construções coloniais ainda nas edificações, ficando o uso do 
estilo restrito aos elementos decorativos das fachadas. Nessemomento, foi introduzido o 
porão alto com a utilização dos óculos,
210
 para ventilar e não deixar a umidade chegar ao piso 
que geralmente era em tabuado de madeira.
211
 
Quanto aos espaços internos, mantinha-se a configuração do Período Colonial. A 
diferença é que começou uma intensa vida social e um cuidado maior com a ornamentação. 
As paredes, por exemplo, recebiam pinturas em tons pastéis, como o rosa, e os papéis 
 
206
 Planta centrada é aquela cujo eixo da construção encontra-se no centro do espaço; pode ser circular ou 
poligonal (com seis ou mais lados); também conhecida como planta em cruz grega devido ao formato de tal cruz. 
207
 Frontão é o elemento arquitetônico de coroamento, em forma triangular, presente na parte superior da fachada 
de um edifício ou ainda sobre portas ou portadas, cuja função inicialmente era arreamatar externamente o telhado 
de duas águas e que, através do tempo, tornou-se um elemento decorativo. 
208
 Ordem é uma forma de expressão na qual se utiliza e dispõe os elementos de forma a obter proporção, 
equilíbrio e simetria. Essa ideia surgiu na Grécia Clássica e buscava a forma e disposição dos elementos 
característicos da arquitetura grega – era baseada no diâmetro da coluna e os outros elementos derivavam dessa 
medida. 
209
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
210
 Óculo é uma abertura de formato geralmente circular presente nas fachadas dos edifícios que servia para 
iluminar e ventilar os desvãos dos telhados ou porões. 
211
 REIS FILHO, N. G., op. cit., 2004. 
 87 
coloridos. E o mobiliário tornou-se mais complexo, buscando conforto. Os objetos eram mais 
refinados, como cristais, louças e porcelanas. 
Em Parnaíba, como em todo o Piauí e na maioria das cidades do País, a “reprodução” 
desse estilo, do modo como era originalmente, europeu, não foi possível. O que se fez foi uma 
espécie de adaptação, às técnicas, aos materiais, à mão de obra. A partir de então, toda a 
produção arquitetônica que chegou sofreu transformações. Entende-se que a união da 
arquitetura vernacular com a arquitetura produzida originalmente na Europa ocorreu desde 
antes, com os portugueses e na arquitetura do Período Colonial, mas foi nesse período, 
durante o Ecletismo, que tudo ficou mais visível. 
Após a produção arquitetônica Neoclássica ou ainda “Proto-Eclética”212 (Figuras 31 e 
32), teve início o Ecletismo propriamente dito, aquele cuja característica principal eram as 
mais variadas influências. Mas como antecipado, alguns estilos ganharam mais destaque do 
que outros, como, por exemplo, o Chalé. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
212
 Proto-Ecletismo ou tipologia “Proto-Eclética” foi a nomenclatura atribuída nesta pesquisa à tipologia 
produzida em Parnaíba, e que corresponderia à tipologia Neoclassicismo no restante do País. A escolha pelo 
nome atribui-se ao fato de esse estilo, em sua maioria, não ter chegado de forma pura em Parnaíba, ou ainda pelo 
fato de que muitas edificações, inicialmente do Período Colonial, apenas dispuseram alguns elementos 
decorativos em suas fachadas, não adotando, desse modo, o estilo em sua forma completa. 
Figura 31: Casa Inglesa, sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 235, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 79). 
 88 
 
 
 
 
 
 
 
3.5.3 A inspiração no Chalé 
O Chalé foi um dos modelos mais utilizados no Ecletismo. Essa inspiração veio das 
típicas habitações rurais europeias, encontradas especialmente dos Alpes suíços e na 
Alemanha. Chegou ao Brasil no final do século XIX, trazida principalmente pelos imigrantes 
alemães que se estabeleceram no Sul do País. Rapidamente esse estilo foi difundido, e podem 
ser encontrados bons exemplares dessa produção em cidades como Belém, Recife, Olinda 
(Figura 33), assim como em Parnaíba (Figura 34), onde, logo nos primeiros passos pela 
Avenida Getúlio Vargas, percebeu-se que o gosto pelo Chalé também foi muito apreciado. 
 
 
 
 
 
 
Figura 33: Chalé em Olinda, Pernambuco. 
Fonte: Montezuma (2002, p. 158). 
Figura 34: Chalé sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 458. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2006). 
Figura 32: Casa de tipologia proto-eclética, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 164, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 78). 
 89 
Suas formas românticas
213
 e pitorescas
214
 conquistavam justamente pela diferença, por 
serem oriundas de lugares e hábitos distantes. Outro aspecto diz respeito ao fato de serem 
construídos com materiais estruturais e decorativos de produção industrial ou semi-industrial, 
pré-fabricados, ou ainda alusivos à pré-fabricação.
215
 
Dessa forma, os chalés evocavam, ao mesmo tempo, o exotismo e a modernidade, 
tornando-se um dos estilos arquitetônicos mais reproduzidos nas construções ecléticas do 
período. Conforme diz Brenna,
216
 “[...] mais do que na aplicação da modernidade ─ a 
industrialização, a estandardização ─ o fascínio do chalet estava na alusão à modernidade. Na 
vocação de hábitos e de saudades que pertenciam a outros lugares e a outros países [...]”. 
Os chalés possuíam características bem marcantes. Em sua maioria eram edificações 
com no máximo dois pavimentos; e, no início, os telhados, bastante inclinados, eram em duas 
águas, com telhas francesas e empenas voltadas para a rua. Para finalizar o acabamento de 
telhados e das cumeeiras perpendiculares ao plano da fachada principal, eram utilizados os 
lambrequins,
217
 ornamentos de madeira ou ferro recortados ou rendilhados. Como ocorreu 
durante o Ecletismo, aos poucos a edificação libertou-se dos limites do lote e incorporou os 
jardins. As mudanças na planta e a introdução de novos espaços nas edificações fizeram com 
que também os telhados ficassem mais complexos, com diferentes jogos de formas e 
volumetria mais movimentada (Figura 35). No interior, em sua maioria, o piso era em 
assoalho de madeira ou ainda no antigo tabuado corrido. As janelas e portas também recebiam 
acabamentos de madeira ou estuque, ornamentando-as e, às vezes, pequenas varandas em 
ferro fundido.
218
 
 
 
 
 
 
213
 Românticas é o termo que vem do Romantismo, expressão da arquitetura predominante na segunda década do 
século XIX e primeiras décadas do século XX, cuja principal característica é a revivescência de estilos 
históricos. 
214
 Pitorescas é o termo que vem de Pitoresco, utilizado para designar uma nova categoria estética em relação à 
paisagem natural e representada; evoca imperfeições e assimetrias em cenas repletas de detalhes curiosos e 
característicos que procuram remeter a uma natureza acolhedora e generosa. 
215
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
216
 BRENNA, G. R. del. Ecletismo no Rio de Janeiro (Séc. XIX-XX). In: FABRIS, A. (Org.). Ecletismo na 
arquitetura brasileira. São Paulo: EDUSP / Nobel, 1987. p. 37. 
217
 Lambrequim é o ornato, o adorno recortado, vazado, decorado, em forma de rendilhado, contínuo, que se 
coloca sob o beiral, escondendo o telhado, podendo ser em zinco, chapa de ferro ou madeira. 
218
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
 90 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não obstante o espírito romântico juntamente com o aspecto bucólico, nessas 
construções deveria ser utilizado o que de mais novo havia nesse campo, principalmente o que 
se refere à indústria no âmbito da pré-fabricação. No Brasil, as primeiras manifestações 
automatizadas ou de mecanização na produção industrial que ocorreram nesse período foram 
em decorrência da mão de obra dos imigrantese dos trabalhadores assalariados.
219
 Assim, o 
material produzido em série, utilizado nesses edifícios, era limitado, restringindo-se a 
elementos decorativos de madeira, zinco e ferro fundido, utilizando-se, na maior parte da 
construção, os recursos tradicionais. Portanto, para suprir essa deficiência, eram feitas muitas 
importações, desde dobradiças e fechaduras, a vidros, luminárias, bacias sanitárias, forros de 
teto etc. Por fim, poucas eram de fato as semelhanças com os chalés suíços, assemelhando-se 
mais com construções pré-fabricadas dos Estados Unidos que apareciam em catálogos e 
revistas.
220
 
3.5.4 O Neocolonial 
O Movimento Neocolonial começou nos Estados Unidos, principalmente nas áreas de 
colonização espanhola e no Sudoeste do País, no final do século XIX. A partir de 1910, 
encontrou amplo campo em alguns países da América Latina, que começaram, nesse período, 
a buscar a independência cultural da Europa, que, até então, ditava os caminhos da arquitetura 
nesses países. 
 
219
 REIS FILHO, N. G., op. cit., 2004. 
220
 BRENNA, G. R. del., op. cit., 1987. 
Figura 35: Casa de tipologia chalé, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 684, Parnaíba, 
PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 87). 
 91 
A Belle-Époque, que se iniciou no final do século XIX e nas primeiras décadas do 
século XX, foi marcada pela idolatria à cultura europeia, pela rejeição a tudo o que estivesse 
relacionado ao passado colonial, inclusive às artes. Contudo, aos poucos, surgiu uma reação 
contrária aos estilos europeus; em parte, devido à Primeira Guerra Mundial e à 
preponderância norte-americana sobre todo o continente, visto que a Europa estava agora sob 
os abalos da guerra, mas, sobretudo, pelo desejo de construir uma referência nacional. 
No final do século XIX, nas décadas de 1890 e 1900, já estavam presentes no Brasil as 
discussões em torno de nacionalidade, embora tais discussões estivessem praticamente 
restritas aos meios literários, como pode ser constatado através das obras de dois grandes 
escritores ─ Lima Barreto e Euclides da Cunha. Esses, apesar das inúmeras diferenças, 
abominavam o cosmopolitismo, o modernismo desenfreado, e acreditavam que o futuro do 
País dependia da valorização do nacional.
221
 
Com a chegada do século XX e a apatia causada pela guerra, essa questão sobre o que 
seria apropriado à condição brasileira cresceu e repercutiu na arquitetura em vários pontos do 
País. Os responsáveis pela divulgação dessas ideias nacionalistas foram José Mariano Filho, 
médico pernambucano, no Rio de Janeiro; Ricardo Severo em São Paulo, sócio de Ramos de 
Azevedo, que, além de engenheiro e arqueólogo português, era um profundo estudioso de 
suas raízes e da cultura lusitana, incluindo, dessa forma, o Brasil; Lúcio Costa e seus estudos 
sobre a arquitetura colonial; e também as frequentes viagens desses profissionais ao interior 
de Minas Gerais, sempre à busca de mais conhecimentos sobre as origens da produção 
arquitetônica brasileira.
222
 
Cada país latino começou a buscar suas próprias referências, pois essa proposta 
valorizava a herança local e a fuga dos estilos importados. No Brasil, o Neocolonial se 
desenvolveu a partir de dois caminhos: a influência da arquitetura colonial luso-brasileira e 
também sob a influência de modelos importados, mas que no momento eram de inspiração 
nos modelos norte-americanos e, principalmente, da arquitetura mexicana. Essa arquitetura 
hispano-americana recebeu o nome de “Estilo Missões”. A partir de então, foram inclusas no 
vocabulário arquitetônico brasileiro várias denominações oriundas desse contado com os 
norte-americanos, como a palavra hall, substituindo o antigo vestíbulo, living, como passou a 
ser conhecida a sala de estar e W.C., referindo-se à latrina.
223
 
 
221
 SEVCENKO, N., op. cit., 1999. 
222
 LEMOS, C. A. C., op. cit., 1989. 
223
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
 92 
A reação à produção europeia começou concomitantemente ao Ecletismo, e uma 
produção não excluiu a outra, pelo contrário. Em muitos casos, ocorreu que o Ecletismo 
assimilou o Neocolonial e fez dele mais uma de suas fontes de inspiração. Portanto, no Brasil, 
o Ecletismo ainda permaneceu. Para Lemos,
224
 as soluções continuaram sendo inspiradas no 
passado, mesmo que agora esse passado não fosse predominantemente europeu. Não obstante 
a busca por aprofundar os conhecimentos sobre a arquitetura colonial por parte dos 
renomados arquitetos, a arquitetura Neocolonial não possuiu caráter inovador, e, na maior 
parte do País, ocorreu de modo artificial, apenas como uma espécie de colagem de soluções 
antigas, ou ainda invenções decorativas, como o uso de tijolos aparentes, devido à ignorância 
dos critérios de composição da arquitetura do Período Colonial. 
Agora a arquitetura tradicionalista curte o Império, D. Pedro II, as casas de 
janela de arco pleno, pintadas de branco e rosa, branco e ocre, branco e azul. 
Tudo cheio de muita saudade que entorpece os ricaços, impedindo-os de ver 
a lógica da arquitetura contemporânea dos mestres modernos [...].
225
 
Assim, apesar da inspiração na arquitetura tradicional, de todo o sentimento 
nacionalista, à época, e das novas influências americanas, a arquitetura eclética persistiu. Um 
exemplo dessa continuidade, ou seja, do Ecletismo com novas influências pôde ser constatado 
pelo surgimento nesse período de uma novidade muito utilizada em todo o País, o bungalow. 
Esse termo proveniente de moradias típicas da Índia britânica se caracterizava pelos edifícios 
térreos, circundado de varandas cobertas. 
De modo geral, as principais características de um edifício Neocolonial eram: a 
predominância das linhas horizontais, a planta retangular, os telhados de quatro águas com 
telhas de capa e canal e largos beirais sustentados por cachorros
226
 bem recortados. O hall de 
entrada é geralmente antecedido por arcada. As portas e janelas possuíam vergas em arco 
pleno. Utilizavam ainda os balcões, as colunas retorcidas, as pinhas,
227
 as treliças e os painéis 
com azulejos decorados (Figuras 36 e 37). 
 
 
 
 
224
 LEMOS, C. A. C., op. cit., 1989. 
225
 Id. ibid., p. 97. 
226
 Cachorro, cachorrada ou ainda beiral de cachorrada são peças recortadas de madeira presentes e aparentes no 
beiral, em balanço, apoiadas no frechal para sustentar o beiral do telhado. Às vezes é utilizado apenas como 
ornamentação. 
227
 Pinhas são elementos decorativos, ornatos, em formato da pinha fruto do pinheiro, geralmente em porcelana 
ou vidro colorido. 
 93 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quanto ao posicionamento no lote, os edifícios se distanciaram dos limites do terreno, 
mas uma passagem lateral ficava reservada aos automóveis, a grande novidade do momento. 
De acordo com Lemos,
228
 embora com todos os apelos para o gosto nacionalista, o interior 
das residências ainda mantinha a inspiração francesa em termos de planta, de zoneamento e de 
sistema de circulação. 
A partir da década de 1920, as residências ganharam um novo compartimento, a copa, 
ao lado ou mesmo mesclada com a cozinha, funcionando como uma área de estar, de 
encontro, de reunião da família; e foi por ela também que o rádio entrou na casa brasileira, 
contribuindo para que esse espaço se transformasse no centro de convivência da família. A 
 
228
 LEMOS, C. A. C., op. cit., 1989. 
Figura 36: Memorial de Medicina de 
Pernambuco. 
Fonte:Disponível em: <http://www.ufpe.br>. 
Acesso em: 17 jun. 2010. 
Figura 37: Casa com dois pavimentos de 
tipologia neocolonial, sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 694, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 88). 
 94 
varanda e a sala de jantar em muitos casos transformaram-se em um apêndice da sala de 
visitas. Dependências de serviço e dos empregados ficavam em pequenas edículas no quintal. 
O “Estilo Missões”, arquitetura de influência hispano-americana, foi muito difundido 
na Califórnia, nas mansões dos artistas americanos à época. Eram edificações que traziam os 
arcos ogivais com a base larga e que utilizam as telhas coloniais como no estilo Neocolonial, 
mas que utilizavam também telhas de ponta arrebitada, de inspiração chinesa, e ainda a 
profusão de elementos decorativos na fachada como era comum ao Ecletismo. 
Havia mais liberdade na composição, jogos de volumes, telhados de duas águas e 
anexos de uma água, e um dos aspectos marcantes foi a presença, na maioria delas, de uma 
torre circular na lateral da fachada principal, local onde geralmente se encontra escada 
(Figuras 38 e 39).
229
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.5.5 O Art Déco 
Na Europa, ainda no final do século XIX e nas duas primeiras décadas do século XX, 
começaram a surgir, concomitantemente ao Ecletismo, discussões acerca dessa produção 
Historicista. Arquitetos e artistas, de modo geral, desejaram, cada vez mais, fugir do 
academicismo que, ao final século XIX, foi totalmente a favor do Estilo Eclético. A primeira 
vanguarda que surgiu com esse intuito foi o Art Nouveau. Posteriormente, no período entre 
 
229
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
Figura 38: Casa no estilo Missões em 
Uberlândia, MG. 
Fonte: Disponível em: 
<http://www.dochis.arq.br>. Acesso em: 
10 abr. 2007. 
 
 
Figura 39: Casa sito à Rua Humberto de 
Campos, 686, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 48). 
 95 
guerras, surge o Art Déco, assim como outras variantes racionalistas, que nortearam e 
serviram como transição para o Modernismo. 
Art Déco é um termo de origem francesa, uma abreviação de arts décoratifs e que, de 
acordo com Strickland,
230
 foi utilizado pela primeira vez em 1925, na Exposition des Arts 
Décoratifs et Industriels Modernes, em Paris. A partir de então, essa nomenclatura 
denominou o estilo cujo apogeu se registra entre os anos de 1920 e 1940, e que se expandiu 
pela Europa, alcançando as Américas do Norte e do Sul. 
O Art Déco era internacional e cosmopolita, ligado à produção industrial e à ideia do 
moderno, tendo a sua imagem ligada a tudo o que as inovações representavam à época, como 
os automóveis, os aviões, o rádio, o cinema e os arranha-céus. Apesar de essas características 
o aproximarem do movimento Moderno, havia várias diferenças entre eles: enquanto o 
“Movimento Moderno” estava embasado em doutrinas, estudos, teorias, manifestos, o Art 
Déco era pragmático; enquanto o “Modernismo” preocupava-se com aspectos sociais, 
econômicos, tecnológicos, e completamente contra a ornamentação, o Art Déco ocupava-se 
com a arte e com decoração. Assim como o Ecletismo, também incorporou elementos 
oriundos do passado, como os modelos clássicos da Grécia Antiga, do Egito, da arte Oriental, 
assim como animais e figuras humanas, mas o fazia de forma estilizada. 
As características mais marcantes desse estilo eram a geometria, a verticalidade, a 
simetria, a fachada valorizando a esquina. Quanto à volumetria, havia presença de cheios 
sobre os vazios, a geometrização das formas, geralmente em ziguezague ou escalonadas, com 
volumes destacando-se do corpo do edifício, a utilização de formas aerodinâmicas, de linhas 
retas e, quando curvas, formando um arco bem definido. Representando a “Era da Máquina”, 
da indústria, e por isso adquiriu aparência prática. Também era alegre, pois utilizava as cores 
vibrantes e os vitrais coloridos. Nesse momento, teve início maior integração entre a 
arquitetura e o interior, principalmente no que diz respeito ao design dos móveis, aos adornos, 
aos utensílios domésticos e à decoração em geral. 
No início, caracterizou-se também pelo uso de materiais caros, por ser um estilo 
luxuoso, requintado. No entanto, a partir de uma exposição nos Estados Unidos, passou a 
simbolizar a recuperação econômica, e tornou-se o estilo oficial de Hollywood, 
intensificando-se, dessa forma, a produção industrial e o uso de técnicas e materiais mais 
 
230
 STRICKLAND, C. Arquitetura comentada. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. 
 96 
baratos.
231
 Isso ocasionou a popularização do estilo, que passou a estar presente no mobiliário, 
nos objetos decorativos, de uso doméstico, na moda e até em joias e bijuterias.
232
 
De acordo com Albernaz,
233
 o Art Déco chegou ao Brasil poucos anos depois de seu 
lançamento em Paris, em 1925, e marcou presença principalmente nos estabelecimentos 
comerciais, cinemas e obras públicas, como é o caso do cinema em Parnaíba. Mas é 
importante ressaltar que, ao mesmo tempo, ainda era marcante a presença do Ecletismo, 
ocorrendo, desse modo, a convivência simultânea entre os dois. Para alguns teóricos da 
arquitetura, o Art Déco pode ser compreendido, ao mesmo tempo, como uma das últimas 
manifestações ecléticas, e como uma tendência moderna, preparando o campo arquitetônico 
para o Modernismo que estava por vir. 
Desse modo, esta parte do trabalho tratou das principais diretrizes para entender o 
Ecletismo. O período em que ocorreu compreendeu a Belle-Époque, e também as influências 
e características dessa arquitetura marcada pela diversidade, pelo hibridismo. Compreende-se 
que o Ecletismo desenvolvido em Parnaíba, apesar de ser originário da Europa e dos 
principais centros do Brasil, ao chegar à cidade, transformou-se e contribuiu para a construção 
da identidade local. Contudo, para comprovar tal fato foram necessárias pesquisas 
comparativas acerca das residências erigidas no sítio histórico da cidade de Parnaíba, na 
primeira metade do século XX, para, desse modo, compreender como ocorreu a produção 
arquitetônica local. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
231
 COLIN, S., op. cit., 2000. 
232
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
233
 ALBERNAZ, M. P.; LIMA, C. M. Dicionário ilustrado de arquitetura. 2. ed. São Paulo: Pro Editores, 
2002. 
 97 
4 O ECLETISMO EM PARNAÍBA: a construção do método eclético local 
4.1 O Ecletismo: aspectos comparativos 
As formas de construir, os gostos aplicados às fachadas, as soluções aplicadas na 
disposição dos cômodos de um edifício, a preocupação com a adequação ao clima, com o 
emprego de técnicas e materiais foram alguns dos aspectos estudados e pesquisados pela 
Arquitetura e Urbanismo, e que puderam fornecer dados importantes na investigação da 
História das Cidades. Entende-se que através da Arquitetura reúnem-se informações capazes 
de estabelecer uma valorosa ligação entre o passado e o presente. 
Deste modo, analisar a História, através da arquitetura presente no sítio histórico 
parnaibano, foi adequado, posto que o conjunto residencial erguido nesse espaço da cidade, na 
primeira metade do século XX, ainda conserva várias características importantes, não só 
locais, mas em relação ao patrimônio arquitetônico piauiense como um todo. Essas 
edificações permitem observar, conhecer, identificar e estudar formas, técnicas, sistemas e 
materiais utilizados na arquitetura e, ao mesmo tempo, articulá-las aos valores culturais, 
políticos e socioeconômicos da sociedadeque a produziu. 
O objetivo principal deste trabalho foi compreender a construção arquitetônica do 
método eclético local, que, apesar de ser uma arquitetura originária da Europa e dos principais 
centros do País, ao chegar a Parnaíba, transformou-se. Dessa forma, entendeu-se que o 
hibridismo, as singularidades presentes na produção arquitetônica local são importantes para 
que se perceba como é formada a identidade arquitetônica parnaibana. Dito isto, partiu-se do 
pressuposto que o Ecletismo foi predominante na produção arquitetônica residencial de 
Parnaíba no sítio histórico na primeira metade do século XX, época de maior 
desenvolvimento econômico, cultural e arquitetônico da cidade, fato devido principalmente às 
suas relações comerciais. 
Assim, na escolha do recorte empírico, considerou-se a riqueza, e, como apontavam as 
primeiras observações acerca do objeto de estudo, a diversidade da arquitetura produzida 
durante o período mencionado. Os recortes ─ espacial e temporal ─ foram, portanto, o sítio 
histórico de Parnaíba, na primeira metade do século XX, cidade cuja economia era, à época, 
voltada para o comércio de exportação, o que proporcionava à cidade um grande contato com 
o que ocorria no Estado, no País e com a arquitetura produzida no resto do mundo, que 
chegou à cidade facilitada pelas trocas comerciais. 
 98 
Este trabalho, como fruto e continuação de um estudo anterior, baseou-se então em 
alguns dados já estabelecidos anteriormente. Logo, parte do pressuposto que o Ecletismo foi 
predominante na produção arquitetônica residencial localizada no sítio histórico de Parnaíba, 
e que essa predominância foi constituída na primeira metade do século XX, época de maior 
desenvolvimento econômico local. Para chegar a tais números, foram realizadas análises 
importantes, como descrito a seguir. 
O primeiro passo consistiu em definir especificamente o recorte espacial, seus limites 
e quais os edifícios de interesse nesse entorno. Para tanto, considerou-se como o sítio 
histórico da cidade a definição e o perímetro feitos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e 
Artístico Nacional (IPHAN) do Piauí para uma proposta de proteção municipal solicitada pela 
Prefeitura Municipal de Parnaíba em 2006 (Anexo 1). 
 A escolha dos edifícios partiu de um levantamento já existente, feito em 1997, pela 
Fundação Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo Ministério da Cultura e 
pelo IPHAN / 3ª Coordenação Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico 
Nacional-CR, e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção de Conjuntos Urbanos do 
Piauí, em que o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do Acervo Cultural do 
Piauí (IPAC) em Parnaíba. Com base nesse estudo, o IPHAN selecionou, dentro desse 
perímetro, 401 edificações, as quais o órgão julgou relevante englobar na proposta de 
tombamento e as quais embasaram também a presente pesquisa (Anexos 2 e 3). 
Com o recorte espacial definido e com os edifícios selecionados, realizou-se a 
primeira parte da análise e, quanto a esse aspecto, foram seguidas três classificações. Na 
primeira, consideraram-se os aspectos de preservação desses edifícios. Alguns deles 
encontram-se em um processo de degradação muito avançado, sem possibilidade de qualquer 
intervenção, como o restauro, por exemplo. Outros, já sofreram tantas intervenções ao longo 
dos anos, que fica impossível analisá-los corretamente. Desse modo, conforme exposto no 
Gráfico 1, das 401 edificações citadas e analisadas, 111 foram consideradas descaracterizadas 
(Apêndices - Mapa 1), restando, portanto, 290 dando segmento à pesquisa.
234 
 
 
 
 
 
234
 MELO, N. B. A. L. Parnaíba cosmopolita: um estudo da sua arquitetura vinculada às formas tradicionais e 
às inovações da segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX. Monografia (Graduação em 
Arquitetura e Urbanismo) – Instituto Camillo Filho-ICF, Teresina, 2007. 
 99 
Uso Original
75,86%
2,41%
13,11%
6,21%
2,41%
0,00%
10,00%
20,00%
30,00%
40,00%
50,00%
60,00%
70,00%
80,00%
1 2 3 4 5
1 2 3 4 5
Estado de Conservação
72,32%
27,68%
0,00%
10,00%
20,00%
30,00%
40,00%
50,00%
60,00%
70,00%
80,00%
1 2
1 2
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em um segundo recorte, as 290 edificações caracterizáveis foram classificadas de 
acordo com seu uso original; ou seja, foi considerada sua função primeira, para que se 
destinou àquele edifício no ato de sua construção. Fez-se necessária essa divisão porque 
muitos imóveis sofreram modificações no seu uso, por inúmeros motivos, particulares a cada 
caso, no decorrer do tempo. Os usos se dividem em residencial, comercial, residencial e 
comercial, institucional e ainda as igrejas ou templos. Conforme Melo
235
 demonstrou no 
Gráfico 2, a seguir, o uso original predominante foi o residencial, com 220 casas; sete seriam 
ao mesmo tempo comércio e residência, trinta e oito teriam função comercial, dezoito seriam 
instituições e sete são igrejas ou templos (Apêndices - Mapa 2). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
235
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
Gráfico 1: 1 - Descaracterizadas / 2 - Caracterizadas. 
Fonte: Melo (2007, p. 61). 
 
Gráfico 2: 1 - Residencial / 2 - Comercial e Residencial / 
3 - Comercial / 4 - Institucional / 5 - Igrejas ou Templos. 
Fonte: Melo (2007, p. 62). 
 100 
O último recorte diz respeito à classificação tipológica. Considerando apenas os 
edifícios residenciais presentes no sítio histórico parnaibano, alvos da pesquisa em curso, 
foram analisadas novamente 227 construções, considerando somente aquelas 220 que têm ou 
tiveram apenas função residencial, e as sete que têm ou tinham função residencial e 
comercial.
236
 
A classificação tipológica realizada baseou-se nas características dominantes nas 
fachadas dessas casas, para, assim, descobrir quais os estilos ou movimento presentes nesse 
conjunto. Ela foi feita com o intuito de tornar a pesquisa mais didática. A partir dela, o 
Ecletismo, como apontado de acordo com as análises iniciais e superficiais da área, foi o 
movimento preponderante na arquitetura erigida no local e nesse período. 
Foram oito as categorias tipológicas, isto é, as tipologias estilísticas encontradas nas 
residências do sítio histórico de Parnaíba, as quais receberam as seguintes denominações: 1) 
“Período Colonial”; 2) “Proto-Ecletismo” (que correspondem às edificações com 
características do Neoclassicismo ou, ainda, edificações do Período Colonial que sofreram 
alterações e receberam alguma inovação neoclássica); 3) “Ecletismo”; 4) “Chalé”; 5) 
“Neocolonial”; 6) “Associação de Categorias” (onde estão presentes na mesma residência as 
tipologias Chalé e Neocolonial ou ainda Chalé, Neocolonial e Modernismo); 7) Art Déco e 8) 
“Modernismo”. 
Isto posto, do total de 227 edificações residenciais ou mistas (com uso residencial e 
comercial ao mesmo tempo), definiu-se que treze são da tipologia “Período Colonial”; vinte e 
uma correspondem ao aqui entendido como “Proto-Ecletismo”; cinquenta e uma são 
consideradas “Ecléticas”; quarenta e cinco são “Chalés”; dezenove são “Neocoloniais”; trinta 
e quatro fazem parte da “Associação de Categorias”; quatorze são Art Déco e trinta são 
“Modernas”, como apresenta Melo237 no Gráfico 3 (Apêndices - Mapa 3). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
236
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
237
 Id. ibid. 
 101 
Tipologias
5,73%
9,25%
22,47%
19,82%
8,37%14,98%
6,17%
13,21%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
1 2 3 4 5 6 7 8
1 2 3 4 5 6 7 8
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A partir dos números encontrados, dentre as tipologias de uso residencial e/ou 
residencial e comercial, entendeu-se que o Ecletismo é dominante, com 65,64%, seguido com 
pequena diferença pela tipologia Chalé. A “Associação de Categorias” ocupou a terceira 
posição e chamou a atenção para um tipo de tipologia própria, local. Em seguida, 
encontraram-se as residências Modernas, também muito difundidas na arquitetura do sítio 
histórico de Parnaíba. Em ordem decrescente de quantidade, seguiram as residências Proto-
Ecléticas, as Neocoloniais, as Art Déco e, por fim, as da tipologia Período Colonial. 
Ressalte-se que tipologias como o Chalé e o Neocolonial foram, por sua natureza, 
manifestações ecléticas (pois a primeira buscou inspiração em uma região longínqua, e a 
segunda em uma produção arquitetônica anterior); e que a denominada Associação de 
Categorias (resultado da união de outras tipologias em um só edifício) se enquadrou também, 
dentro da concepção do movimento Ecletismo. Deste modo, no que diz respeito à quantidade, 
o Ecletismo foi predominante na arquitetura do sítio histórico de Parnaíba; mas um Ecletismo 
de várias faces, de uma diversidade de características que se agruparam de maneira singular. 
É justamente essa união de determinados estilos que difere a arquitetura parnaibana das 
demais produzidas no período em estudo. 
É importante compreender também que o fato de ter sido o Ecletismo predominante 
não torna menos importante as demais tipologias que nele não se enquadraram. A arquitetura 
não é uma matéria em que tudo é exato, mas sim uma forma de arte, com caráter subjetivo e 
Gráfico 3: 1- Período Colonial / 2- Proto-Ecletismo / 3- Ecletismo / 4- Chalé 5- 
Neocolonial / 6- Associação de categorias/ 7- Art Déco / 8- Modernismo. 
Fonte: Melo (2007, p. 63). 
 
 
 102 
que reflete as condições sociais do local onde está inserida. Todas as tipologias encontradas 
apresentaram características e influências que contribuíram para a formação de tão importante 
patrimônio; logo, não considerar qualquer parte deste patrimônio seria como preterir parte da 
história, criando, desta forma, uma lacuna temporal e cultural. 
4.2 A residência 
Esta pesquisa enfocou as residências e ainda as residências mistas (com uso 
residencial e comercial), haja vista que elas são algumas das edificações mais marcantes das 
cidades; e, em todos os tempos, esse aspecto esteve presente, até mesmo quando seu papel era 
secundário, como no caso dos castelos e das fortificações militares. As casas de uma 
determinada cidade podem mostrar os modos de viver de uma população, suas manifestações 
de cultura, pois, “na arte da arquitetura, a casa é certamente o que melhor caracteriza os 
costumes, os gostos e os usos de um povo”.238 
A importância das moradias também esteve presente na cidade de Parnaíba. É evidente 
como os setores economicamente dominantes na cidade, na primeira metade do século XX, no 
esforço por distinguir-se socialmente, utilizavam suas residências como símbolos de ascensão 
social. Contudo, quando de fato se estudam essas casas, são percebidos não apenas os 
aspectos relacionados ao ambiente externo ou a fatores materiais e econômicos, mas também 
são perceptíveis as influências culturais e históricas, e ainda as diversas relações que existem 
entre os seus habitantes. 
Além dos aspectos físicos, outros fatores, muitas vezes não tão visíveis ao primeiro 
olhar, contribuem para a definição do plano arquitetônico, como, por exemplo, as relações 
entre os habitantes das residências. Para entender tais fatores, foi preciso examinar o edifício a 
partir de seu interior, vê-lo por dentro. Dessa forma, procurou-se entender que a casa, 
enquanto outra chave precursora preponderante desta pesquisa possui, além das questões 
estéticas e de ser o suporte para a arquitetura eclética produzida no local, outra dimensão, que 
trouxe à tona o conceito de lar. Além de representar um dos aspectos mais característicos das 
cidades, pode ainda mostrar os modos de viver de uma população e suas manifestações 
culturais. 
 
 
238
 VIOLLET-LE-DUC, Eugene Emmanuel. L'architecture raisonnée: extraits du Dictionnaire de l'architecture 
française. Paris: Hermann, 1964. p. 48. 
 103 
Nesse momento dois conceitos devem ser enfatizados: “Casa” e “Lar”. A ideia de 
“Casa” vem desde o Império Romano, e era atribuída a locais inicialmente rurais, diferente 
dos dommus, que eram as habitações urbanas. Na Idade Média, a palavra dommus, que 
geralmente eram associadas aos abrigos e moradias, construídos em pedra (mármore, por 
exemplo), foi substituída pela palavra casae (que em sua maioria eram moradias em madeira e 
barro – só as maiores e melhores continuaram em pedra), atribuindo ao espaço determinada 
forma e passando a ter mais valor econômico. A partir de então, a casa passou a registrar 
alterações históricas, sociais, inovações técnicas, contexto da região e ainda a delimitar o 
público e o privado. Já a ideia de lar vai além da necessidade de abrigo, e surgiu junto com o 
fogo das cabanas primitivas, das lareiras. Remete a aconchego, a conforto e representa mais 
do que a forma, traduzindo a vida, o “espírito da casa”, a vivência, o clima espiritual. 
Dentro da casa, da forma, do invólucro, está o lar, o espírito. Através do estudo das 
casas ecléticas parnaibanas foi possível entender como o lar, o local de morada, passou a ser o 
refúgio, o reino da intimidade e, ao mesmo tempo, a expressão de desenvolvimento de seus 
habitantes. Nesse período ocorreu uma reorganização dos espaços públicos e privados, 
quando a vida familiar e a vida social passaram a ser exclusivas e pertencentes somente a 
esses espaços privilegiados. 
No Brasil, durante o Período Colonial, e na maioria dos outros locais, como na 
Europa, por exemplo, a casa era um ambiente para todos os aspectos da vida, como os 
negócios, o entretenimento e até religião (Figura 40). Eram inúmeras as pessoas que tinham 
acesso a essas residências. A partir de meados do século XIX e de algumas transformações, 
como abolição do trabalho escravo, o comércio, que antes ocupava o térreo, passou a ser 
remanejado e a ter sedes próprias. A casa deixou de ser o local de trabalho, diminuiu de 
tamanho e tornou-se menos pública, passando a ser o palco de comportamentos pessoais e 
íntimos da família. Principalmente no final do século XIX, a rotina dentro das casas mudou, 
pois o escravo, que era a força motriz da casa e ocupava determinados espaços, saiu de tal 
contexto. 
 
 
 
 
 
 
Figura 40: Foto antiga da Casa Inglesa, primeira 
metade do século XX. 
Fonte: Disponível em: 
<www.deltadoparnaiba.com.brgaleria_antiga.htm>. 
Acesso em: 3 mar. 2007. 
 104 
Nas famílias, os filhos que antes eram quase que totalmente criados por sua amas 
passaram a ter contato maior com seus pais, pelo menos até atingirem a idade de frequentar os 
colégios internos dos grandes centros. O “arranjo doméstico” mudou, e, com isso, o 
programa
239
 das casas. Os filhos dormiam em quartos separados dos pais e divididos de 
acordo com o gênero. Nas salas, após a refeição noturna, o casal podia reunir-se e conversar, 
solitariamente ou recebendo visitas, fato que se tornou habitual pelo progresso técnico, como 
a introdução do lampião a gás e, posteriormente, da energia elétrica. A casa era um lugar 
social, mas com privacidade; passa a ser da família, particular, local da intimidade doméstica, 
do lar. Como afirma Witold Rybczynski:A domesticidade é um conjunto de emoções sentidas, e não um único 
atributo. Ela está relacionada à família, à intimidade, à devoção do lar, assim 
como a uma sensação da casa como incorporadora – e não somente abrigo – 
destes sentimentos.
240
 
Nos estudos históricos e sociais brasileiros a casa sempre esteve como um local de 
destaque. A residência estava separada da rua não só por limites físicos, mas por ser um local 
distinto e complexo, onde ocorriam as mais diversas dinâmicas sociais, sendo ao mesmo 
tempo um espaço íntimo e privativo, representado pelos dormitórios e banheiros, por 
exemplo, e espaço público, como as salas de visitas e jantar. Em casa, as relações se 
transformavam e os comportamentos assumiam novas posturas. 
Os espaços foram demarcados a partir do momento em que se estabeleceram 
fronteiras. Deste modo, eram concebidos de acordo com a sociedade, eram invenções sociais; 
e podiam ser eternos, transitórios, legais, mágicos, individualizados ou coletivos;
241
 e ainda 
reunir todos esses aspectos em um espaço maior, como uma casa. 
4.3 O método eclético parnaibano 
O Ecletismo foi um estilo que marcou a arquitetura brasileira na primeira metade do 
século XX, e Parnaíba, por vários motivos aqui já discutidos, acompanhou a seu modo essa 
produção arquitetônica. Mesmo sendo uma das cidades do Estado mais desenvolvidas 
economicamente nesse período, pois exportava produtos do extrativismo local para a Europa e 
Estados Unidos, não era a capital da província, fato que não ocasionou entraves para que se 
 
239
 Programa em arquitetura significa projetar a edificação considerando o funcionamento do local. Projetar para 
que se tenha um melhor desempenho da função desejada. 
240
 RYBCZYNSKI, W. Casa: pequena história de uma idéia. Rio de Janeiro: Record, 1999. p. 85. 
241
 MATTA, R. da. A casa & a rua. 5. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997. p. 45. 
 105 
tornasse o principal centro comercial do Piauí, mas que ainda não a igualou a outras cidades 
maiores como Rio de Janeiro e Santos, por exemplo. 
O fato de localizar-se no interior do Piauí acarretava maiores dificuldades no que diz 
respeito à obtenção de requisitos importantes na Arquitetura, como mão de obra 
especializada, técnicas construtivas e materiais; e isso fez com que essa arquitetura não 
acontecesse do mesmo modo como ela ocorria nos grandes centros do País, principalmente 
aqueles que também eram ligados ao litoral, ao comércio de importação e exportação e com 
maiores ligações com as grandes cidades do Exterior, como eram os casos do Rio de Janeiro e 
de Recife. 
A análise comparativa demonstrou que o Ecletismo não só ocorreu em Parnaíba, mas 
foi predominante. O que se buscou discutir, então, foi como esse Ecletismo aconteceu e o que 
o singularizou; ou seja, como é o Ecletismo parnaibano, o que o torna único, particular e o 
distinguiu em relação às outras produções arquitetônicas ecléticas. 
De acordo com as pesquisas efetuadas em algumas edificações, entendeu-se que foram 
justamente essas particularidades e diferenças do Ecletismo local ─ oriundas principalmente 
dos problemas com materiais, técnicas construtivas e mão de obra especializada, e ainda do 
modo particular de agrupar algumas tipologias ─ que contribuíram para essa produção. Ao 
analisar as residências ecléticas do sítio histórico local, percebeu-se que os parnaibanos não 
reproduziram fielmente as edificações dos grandes centros, e que foram justamente essas 
diferenças que contribuíram para o hibridismo, para as distintas características e para um 
conjunto arquitetônico residencial particular. 
As especificidades e variações do Ecletismo em Parnaíba foram vistas como 
modalidades de “tradução”. Tradução, para a teoria utilizada, corresponde a uma imitação 
traiçoeira e deslocante, através da qual o original não foi reforçado, mas simulado, 
reproduzido, transferido, bricolado, reduzido a um simulacro.
242
 As formas originais foram 
transformadas e surgiram, desse modo, as práticas culturais diferentes. E foi essa diferença 
que traduziu e qualificou a produção arquitetônica local. 
Para a questão do método, recorreu-se aos estudos de Josep Maria Montaner,
243
 em 
que ele discute “A difusão do método internacional”. Apesar de tratar-se de um período 
diferente do Modernismo, posterior ao Ecletismo, sua ideia pode ser aplicada à pesquisa aqui 
efetuada. 
 
242
 BHABHA, H. K. O local da cultura. Belo Horizonte: UFMG, 1998. 
243
 MONTANER, J. M. Depois do movimento moderno: Arquitetura da segunda metade do século XX. 
Barcelona: Gustavo Gil, 2007. 
 106 
Montaner
244
 defende que a partir da década de 1930 – momento em que o Modernismo 
já se encontrava consolidado na Europa e começava a ser explorado nos Estados Unidos sob a 
nomenclatura de “Estilo Internacional” – surgiram dois caminhos de continuidade desse 
movimento: o primeiro, mais rígido, mais ligado aos princípios e embasamentos teóricos; e o 
segundo, que mesmo mais flexível, mais “organicista”, adaptável, também foi um desenrolar 
da arquitetura moderna. Essas pequenas mudanças, esses desvios que sofreram a produção 
não descaracteriza a arquitetura; esses caminhos, essas produções aconteceram 
concomitantemente. 
Assim incorporou-se essa noção ao Ecletismo parnaibano. Existiu sim o Ecletismo 
desenvolvido nos grandes centros, aquele que serviu de espelho para toda a produção 
arquitetônica do País. Mas ocorreu também, em cidades como Parnaíba, um Ecletismo que se 
adaptou, que tomou novas formas e que se tornou o método arquitetônico local. Mesmo com 
algumas diferenças – como a maneira particular em agrupar 3 (três) tipologias – ocorreu 
perfeitamente dentro dos preceitos e significados desse estilo primeiro. Manteve as ideias 
preponderantes da Belle-Époque, quando o importante era o retorno às formas que 
traduzissem aspectos como o desenvolvimento econômico e cultural e, ao mesmo tempo, 
respeitasse as tradições locais. 
4.4 As tipologias do Ecletismo parnaibano 
Desse modo, para entender como ocorreu o Ecletismo em Parnaíba, suas 
peculiaridades, quais os fatores que o tornam único, partiu-se para a uma segunda análise de 
algumas edificações, que englobou não apenas a análise externa, das fachadas, já feita 
anteriormente, inclusive para a definição da tipologia estilística, mas também uma análise 
mais detalhada da edificação, considerando o partido, as características internas, o modo de 
construir; enfim todos os aspectos que juntos constituem de fato a arquitetura. 
Deve-se ressaltar que apesar de terem sido selecionadas quarenta e duas residências
245
 
para essa parte da pesquisa, só foi possível analisar vinte e três unidades, pois as demais 
encontravam-se fechadas ou não houve a permissão para o acesso. Nas vinte e três residências 
acessadas foram realizados registros fotográficos e o levantamento da planta baixa. É 
relevante entender que desses levantamentos apenas alguns tiveram uma medição mais exata. 
Em sua maioria, foram em forma de croqui, com desenhos mais livres. Mas o importante é 
 
244
 MONTANER, J. M., op. cit., 2007. 
245
 As residências foram escolhidas por apresentarem melhor estado de conservação 
 107 
que, a partir deles, puderam ser analisadas não só as características murais
246
 dos edifícios, 
das fachadas, bem como as transformações e mudanças internas. 
A arquitetura produzida por essa sociedade caracterizou-se também pela dicotomia 
tradição e inovação, pois ao mesmo tempo em que buscou nas formas tradicionais 
classicizantes, na opulência do Ecletismo,o resgate do passado trazido pelo Neocolonial, por 
exemplo, quis inovar, inspirando-se em locais muito distantes e diferentes, como os 
traduzidos pelos Chalés, pelas novas concepções do Art Déco e ainda pelas grandes mudanças 
do Modernismo. Não obstante o desejo por formas clássicas do passado, expressar os anseios 
de uma sociedade privilegiada economicamente, não abriu mão do conforto e das novas 
tecnologias. 
Para entender como o Ecletismo ocorreu na arquitetura produzida em Parnaíba, ou 
seja, como esse movimento, difundido nos maiores centros da época chega em Parnaíba, fez-
se necessário analisar as principais tipologias presentes no conjunto residencial construído no 
sítio histórico. 
Tratava-se, portanto, de uma cidade que buscava assemelhar-se às grandes metrópoles 
sem, contudo, abandonar totalmente os vínculos culturais locais. Bhabha
247
 chama a atenção 
entre o local e o universal, haja vista que os parnaibanos traduziram o Ecletismo através da 
inscrição, nesta arquitetura, de marcas que, ao expressarem o local, a singularizavam em 
relação à arquitetura eclética existente em outras cidades e países. 
4.4.1 Tipologia “Período Colonial” e “Proto-Ecletismo”: antecedentes do Ecletismo em 
Parnaíba 
Antes de adentrar nas particularidades do Ecletismo parnaibano, deve-se fazer uma 
pequena abordagem sobre duas outras tipologias que o antecedeu, a tipologia “Período 
Colonial” e a tipologia “Proto-Ecletismo”, mesmo que elas não estejam inclusas no universo 
temporal da pesquisa, pois, além de servirem de base para a produção arquitetônica eclética, 
também fornecem o suporte para que o leitor entenda melhor as diversas transformações 
ocorridas na arquitetura residencial na primeira metade do século XX. 
As edificações do Período Colonial encontram-se principalmente nas proximidades do 
núcleo inicial da cidade, o Porto das Barcas, e ainda no início da Avenida da Getúlio Vargas, 
próximo ao rio Igaraçu. O fato de serem essas algumas das residências mais antigas de 
 
246
 As características murais são aquelas presentes na fachada, no exterior do edifício, sem considerar as 
características do interior, como, por exemplo, a distribuição dos cômodos. 
247
 BHABHA, H. K. O local da cultura. Belo Horizonte: UFMG, 1998. 
 108 
Parnaíba pode ser comprovado através da historiografia parnaibana e também por outros 
fatores, tais como localização, posicionamento no lote e materiais empregados. 
As principais características dessas edificações são: sobrados,
248
 quando pertenciam à 
classe economicamente favorecida da sociedade à época, ou simples casas térreas, mais 
populares, chamadas meia-morada,
249
 mas todas edificações sem recuos laterais e frontal – em 
relação ao lote – e com volumetria simples, cujas plantas eram retangulares ou quadradas. As 
entradas são pela parte frontal do edifício. As telhas são de capa e canal ou telhas vãs.
250
 Os 
beirais
251
 são de cimalha
252
 e bica ou bica simples.
253
 As alvenarias
254
 são mais espessas e de 
pedra e barro ou pedra e tijolo. Os forros são em tabuado corrido,
255
 saia e camisa,
256
 e telha-
vã.
257
 
Os pisos em sua maioria são em tabuado,
258
 ladrilhos de barro cozido,
259
 nas partes 
internas, e lajeado
260
 na parte externa das construções. As vedações de vãos eram calhas ou 
almofadadas,
261
 algumas com postigos.
262
 As vergas
263
 em arco pleno,
264
 retas ou abatidas,
265
 
e os guarda-corpos
266
 em madeira, ferro fundido e bacias
267
 de lioz.
268
 
 
248
 Sobrado é o pavimento formado por uma armação de madeira que no primeiro andar é afastado do solo. Esse 
termo é aqui utilizado como um tipo de edificação constituída por mais de um pavimento e com grande área 
construída. 
249
 Meia-morada é a chamada edificação térrea que possui na fachada principal porta lateral e duas janelas, cuja 
medida dessa testada corresponde a largura dos compartimentos sala e corredor; ou seja, a fachada acompanha a 
disposição interna dos cômodos, onde sala e quartos são alinhados e ligados lateralmente à varanda por um 
corredor e, após a varanda, encontram-se ainda a cozinha. 
250
 Telhas-vãs, também chamadas de telha canal, são telhas de grande tamanho, bem cozidas, e de cor clara, sem 
diferenciação em relação à função ocupada no telhado. Servem para a bica e para a capa (cobertura), são 
assentadas na cobertura sem argamassa. Também se emprega esse nome (telha-vã ou telhado-vã) aos tetos sem 
forro, no qual ficam aparentes o vigamento do telhado e as faces inferiores das telhas. 
251
 Beirais são as extremidades dos telhados que servem para proteger as vedações (paredes) das edificações 
principalmente das ações do sol e da água das chuvas. 
252
 Cimalha é o arremate emoldurado, formando saliência na superfície de uma parede geralmente construída 
com diferentes materiais como pedra, madeira ou massa. 
253
 Bica ou bica simples são também tipos de beiral onde a telha é sacada do paramento da parede; foi 
amplamente difundida no Brasil colonial, pela facilidade de execução e baixo custo. 
254
 Alvenaria é o maciço compacto e resistente, que resulta da reunião de blocos sólidos justapostos. Pode ser 
alvenaria de pedra, pedra e barro, tijolos etc.; e pode ser usada com ou sem o uso de argamassa. 
255
 Tabuado corrido é o forro em madeira em que as tábuas são colocadas em um mesmo plano; para tanto, 
utilizam-se várias formas de junção. 
256
 O Forro saia e camisa é constituído de tábuas de madeira sobrepostas, onde as “saias” são as tábuas de 
ressalto e as “camisas” as tábuas rebaixadas. 
257
 Telhado de telha vã é assim denominado quando o telhado não possui forro e as telhas ficam aparentes. 
258
 Piso em tabuado são tábuas de madeira encaixadas ou justapostas; o tabuado corrido é o soalho de tábuas 
preferencialmente sem emendas. 
259
 Ladrilho de barro cozido é o tijolo de barro cozido assentado em argamassa de terra sobre a terra socada; em 
geral são retangulares e possuem cor clara. 
260
 Lajeado são lajes de pedra assentadas com argamassa de barro; podem ser trabalhadas ou não; podem ser de 
duas cores. 
261
 Almofada ou calha é a superfície saliente, reentrante ou emoldurada em destaque no paramento de um 
elemento de maior extensão, usualmente nas portas e janelas. 
262
 Postigos são pequenas portinholas fixadas nas folhas principais para auxiliar na iluminação ou mesmo para 
vigia. 
 109 
Quanto à disposição dos cômodos, todos sempre com grandes dimensões, mesmo não 
sendo possível determinar com precisão o seu uso original – pois são residências muito 
antigas e essas informações foram se perdendo com o tempo e com os mais variados tipos de 
mudanças – a partir de pesquisas bibliográficas e considerando alguns fatores, tais como a 
mão de obra escrava, ao analisar as plantas foi possível compreender pelo menos em parte, o 
programa dessas residências. 
Quanto aos sobrados, a parte de baixo abrigava serviços, comércios, senzala ou 
depósitos; e nos primeiros pavimentos ficavam as partes íntimas, sociais e de serviços, ligadas 
à família. A partir dos corredores na lateral ou na parte central se tinham acesso aos cômodos 
enfileirados, onde se destacavam as alcovas.
269
 As salas de estar ou jantar estavam na parte 
frontal. A cozinha ficava aos fundos, onde a telha-vã propiciava a saída da fumaça, e os 
banheiros eram fora do edifício. Um dos edifícios relevantes desse período é o Sobrado 
Mirante (Figuras 41, 42, 43 e 44).263
 Verga é a denominação dada à parte superior do quadro nas janelas, constituído ainda pelo peitoril e pela 
ombreira. É a peça disposta horizontalmente sobre o vão das portas e janelas sustentando a alvenaria. Pode ser 
reta ou curva. 
264
 Arco pleno é o arco de volta perfeita semicircular. É o arco em forma de uma semicircunferência, tendo, 
portanto, sua flecha igual ao raio que serviu para traçá-lo. 
265
 Verga abatida é em forma de arco abatido, que, por sua vez, é o arco formado por círculos de raios diferentes 
entre si, sendo sua flecha menor que a metade da distância entre seus pontos de origem. 
266
 Guarda-corpo é o anteparo de proteção, geralmente de meia altura, presente nas sacadas, varandas e balcões. 
267
 Bacias são os elementos horizontais, a base saliente que compõem o piso das sacadas ou balcões. 
268
 Lioz é um tipo de pedra (calcária branca) dura e de granulação fina comum em Portugal, principalmente na 
região de Lisboa. 
269
 Alcovas eram tipos de cômodos, geralmente dormitórios, sem abertura para a parte exterior da edificação. 
Figuras 41 e 42: Fachadas e detalhe das telhas e cobertura do Sobrado Mirante, sito à Rua Duque de 
Caxias, 614 e 618, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 32) e Acervo particular - Neuza Melo (2006), respectivamente. 
 110 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quanto ao “Proto-Ecletismo”270 e como já revelado anteriormente neste trabalho, 
considerou-se a arquitetura produzida na cidade na segunda metade do século XIX como 
tipologia “Proto-Eclética”, por questões temporais, pois o Neoclassicismo chegou, ainda que 
no século XIX, mas tardiamente em Parnaíba, e pelo fato de o Neoclassicismo não ter 
chegado em sua forma pura, pelas influências locais e dificuldade de materiais e técnicas. 
Essa tipologia aconteceu ainda na parte mais antiga da cidade, principalmente no início da 
Avenida Presidente Getúlio Vargas, próximo ao rio Igaraçu. 
 
270
 Proto-Ecletismo ou tipologia “Proto-Eclética” foi a nomenclatura atribuída nesta pesquisa à tipologia 
produzida em Parnaíba e que corresponderia à tipologia Neoclassicismo no restante do País. A escolha pelo 
nome atribui-se ao fato de esse estilo não ter chegado de forma pura em Parnaíba, ou ainda pelo fato de que 
muitas edificações inicialmente do Período Colonial apenas dispuseram alguns elementos decorativos em suas 
fachadas, não adotando, desse modo, o estilo em sua forma completa. 
Figura 44: Planta baixa do segundo pavimento do Sobrado Mirante, sito à Rua 
Duque de Caxias, 614 e 618, Parnaíba, PI. 
Fonte: PIAUÍ (1997, ficha PA cv 015). 
 
Figura 43: Planta baixa do primeiro pavimento do Sobrado Mirante, sito à Rua 
Duque de Caxias, 614 e 618, Parnaíba, PI. 
Fonte: PIAUÍ (1997, ficha PA cv 015). 
 111 
Assim como na Europa, esse estilo representava uma classe social que começou a se 
destacar através do comércio e do poder financeiro que ele proporcionava. Em Parnaíba, 
mesmo com as dificuldades locais, não aconteceu diferente. Contudo, no que diz respeito à 
mão de obra especializada, materiais e técnicas, utilizou-se a estrutura colonial já existente. 
Os edifícios foram implantados ainda sem recuos laterais ou frontais, com as entradas 
principais nas fachadas frontais, como, de fato, ocorreu na arquitetura Neoclássica. Os 
materiais utilizados eram: o tijolo maciço, a telha meia canal
271
 artesanal, a carnaúba na 
estrutura dos telhados e a madeira serrada. As cornijas
272
 foram acentuadas e os beirais 
marcados por cachorros
273
 e bicas. As inovações ficaram por conta de alguns detalhes murais 
acrescentados nas fachadas, como a platibanda,
274
 os balaústres,
275
 os pináculos e 
coruchéus
276
. 
Nesse estilo arquitetônico, a simetria e a proporção foram características. Em 
Parnaíba, as residências proto-ecléticas têm nos forros o uso do tabuado corrido; os pisos 
variam entre o ladrilho de barro cozido, o ladrilho hidráulico;
277
 o tabuado corrido uniforme 
ou o claro-escuro, a lajota cerâmica
278
 e outros. As vedações são marcadas pela calha ou 
almofadas, pelas venezianas
279
 e vidro; as vergas são retas, de arco pleno e abatidas; as 
bandeiras
280
 em ferro, vidraça e madeira; e ainda os guarda-corpos em ferro fundido e 
madeira. 
 
271
 Telha meia canal ou meia cana é a telha cerâmica curva que possui forma de meia-cana, e é usada nas 
coberturas com a concavidade alternadamente voltada para cima e para baixo. Em geral são fixadas por seu peso 
próprio ou atrito ao madeiramento. 
272
 Cornija é uma faixa horizontal que se destaca da parede, ou ainda o conjunto de molduras salientes que 
servem de arremate superior às edificações. Na arquitetura clássica, é a parte superior do entablamento. 
273
 Cachorro, cachorrada ou ainda beiral de cachorrada são peças recortadas de madeira presentes e aparentes no 
beiral, em balanço, apoiadas no frechal para sustentar o beiral do telhado; às vezes é utilizado apenas como 
ornamentação. 
274
 Platibanda é a faixa horizontal (espécie de muro ou grade), vazada ou cheia, disposta no alto das fachadas e 
que emoldura a parte superior de um edifício. Tem como funções esconder as águas do telhado, proteger terraços 
ou ainda servir de elemento decorativo. 
275
 Balaústres é uma pequena coluna ou pilar que forma junto com outros elementos iguais, dispostos em 
intervalos regulares, uma balaustrada. O tipo mais comum possui forma torneada. Pode ser em madeira, em 
argamassa ou outro mateiral. 
276
 Pináculos ou coruchéus são arremates que ornamentam o coroamento do edifício e possuem, usualmente, 
forma cônica ou piramidal. 
277
 Ladrilho Hidráulico é o ladrilho (peça pouco espessa, de superfície plana, usada principalmente para 
revestimento de piso, feito de pedra, cimento ou metal) obtido por prensagem hidráulica de argamassa de 
cimento. 
278
 Lajota cerâmica é uma pequena laje de cerâmica usada para revestir pisos. 
279
 Venezianas são palhetas horizontais paralelas, dispostas em posição inclinada de dentro para fora e do alto 
para baixo, de modo a permitir a ventilação no interior do edifício, impedir a visibilidade, a entrada de água da 
chuva e obscurecer o ambiente. 
280
 Bandeiras são aberturas na parte superior das portas e janelas e que servem para proporcionar iluminação, 
ventilação e ainda a ornamentação desses vãos. Podem ser fixas ou móveis e ainda em caixilho com vidro ou 
com venezianas. 
 112 
A disposição interna dos espaços continua a mesma do Período Colonial, ainda com 
plantas, em sua maioria, quadradas e retangulares; corredores ligando as salas na parte frontal 
aos cômodos. A parte destinada aos serviços também continuou ao fundo. Em Parnaíba, entre 
as residências proto-ecléticas visitadas, somente uma dessas tem o banheiro interno, mas com 
papel de sala de banho, possuindo grandes dimensões como o restante dos compartimentos. A 
mudança interna se deu somente no aspecto social, a preocupação em receber fez com que 
móveis, objetos de arte, louças, tecidos, enfim, uma grande variedade de objetos fosse 
importada. 
Um excelente exemplo dessa tipologia presente no sítio parnaibano é a Casa Inglesa, e 
sede da família Clark, pioneiros no comércio de exportação e importação em Parnaíba 
(Figuras 45 e 46). Considerando-se que tenha sido construída em 1814, de acordo com a placa 
locada na porta principal, que traz as datas 1814-1920. O solar passou por várias intervenções 
e mudanças ao longo do tempo, mas ainda conserva algumas características neoclássicas, 
assim como possui tambéminfluências dos sobrados maranhenses. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4.4.2 Tipologia Ecletismo 
Quando começou a ser difundida a arquitetura eclética no Brasil, em plena Bella-
Époque, vários aspectos culturais, políticos, sociais e econômicos contribuíram para a 
formação dessa produção no País. Nesse momento, fatos importantes como a Abolição da 
Escravatura e a Proclamação da República interferiram na vida das pessoas como um todo, 
Figura 45: Casa Inglesa, sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 235, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 79). 
Figura 46: Detalhe da platibanda 
e do coruchéu na Casa Inglesa, 
sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 235, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza 
Melo (2007). 
 113 
incluindo, assim, a sua forma de morar. Nesse período, as construções deixaram de contar 
com a mão de obra escrava, com o sistema servil, ao mesmo tempo em que surgiram novas 
técnicas, novos materiais, e, ainda que frutos de uma grande transformação industrial que 
começou na Europa, chegaram facilmente à Parnaíba, através do seu comércio de exportação 
e importação. A iluminação artificial foi outro fator que contribuiu para transformar a vida da 
cidade, assim como as publicações, que permitiram aos parnaibanos o conhecimento de tudo o 
que se passou no resto do País bem como no Exterior. 
O crescimento da economia fez com que houvesse não só um grande contato com o 
mundo exterior e o acesso às inovações, como também aumentou o desejo, por parte das 
pessoas que detinham o poder financeiro local, de mostrar seu progresso; e nada melhor do 
que fazer isso através da arquitetura de suas residências, algo que transmitisse a grandiosidade 
e o poder econômico da alta sociedade local, o que pode ser visto nas casas do Coronel José 
de Moraes Correia (Figura 47) e do Dr. Samuel Santos (Figura 48). 
 
 
 
 
As residências ecléticas estão presentes em todo o sítio histórico, mas é na Avenida 
Presidente Getúlio Vargas que estão alguns dos exemplares mais significativos de Parnaíba 
(Apêndices - Mapa 6). Aos poucos, a antiga arquitetura do Período Colonial e do Proto-
Ecletismo cedeu espaço para o Ecletismo (Figura 49), que se tornou a tipologia predominante 
na cidade.
281
 
 
281
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
 
Figura 47: Casa do Coronel José de Moraes Correa sito 
à rua a Grande, em Parnaíba, PI. Fotografia do 
Almanaque de Parnaíba de 1926. 
Fonte: Almanaque de Parnaíba (1926, p. 16/v). 
Figura 48: Casa do Dr. Samuel Santos, em 
Parnaíba, PI. Fotografia do Almanaque de Parnaíba 
de 1926. 
Fonte: Almanaque de Parnaíba (1926, p. 24/v.) 
 114 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Das vinte e três residências visitadas durante a pesquisa no sítio histórico parnaibano, 
sete foram classificadas como tipologia Eclética. Para facilitar a compreensão do leitor, foram 
relacionadas e organizadas seguindo uma ordem de transformação pela qual passou o 
Movimento Eclético de modo geral. 
As primeiras residências aqui apresentadas (Figuras 50, 51, 52 e 53, 54 e 55) são 
edificações que marcam o primeiro momento da arquitetura residencial eclética, quando a 
casa foi caracterizada pelo afastamento de um dos limites do lote, mas continuaram alinhadas 
à via. Nas residências maiores, surgiram os jardins, mostrando as novas preocupações com as 
questões de higiene, ventilação; e a iluminação e o acesso principal passou a ser pela lateral 
do edifício (Apêndices – Fichas Cadastrais e Arquivos de Fotos 1, 2, 3, 4 e 21). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 51: Casa de tipologia eclética, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 657, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 84). 
Figura 50: Casa de tipologia eclética, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 515, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 87). 
Figura 49: Casa sito a Av. Presidente Getúlio Vargas, 956, 
Parnaíba, PI, década de 1930. 
Fonte: Cartões Postais do IPHAN. 
 115 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em seguida, apresenta-se um exemplar característico de um momento posterior ao 
Ecletismo, quando as edificações já se soltaram do segundo limite do terreno e, por fim, se 
encontraram totalmente afastadas desses limites, como pode ser visto na fachada e, 
principalmente, na planta baixa (Figuras 56 e 57) e (Apêndices – Ficha Cadastral e Arquivo 
de Fotos 5). 
 
 
 
 
Figura 52: Casa de tipologia eclética, sito a Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 956, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 91). 
Figura 55: Planta baixa e de situação de residência eclética 
com afastamento lateral, sito à Rua Cel. José Narciso, 844, 
Parnaíba, PI. 
Fonte: PIAUÍ (1997, ficha PA cv 036). 
Figura 54: Casa de tipologia eclética, sito à 
Rua Cel. José Narciso, 844, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 19). 
Figura 53: Casa de tipologia 
eclética, sito à Rua D. Pedro II, 
1140, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 37). 
 116 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quanto à parte externa, aos detalhes murais nas fachadas, em Parnaíba, um dos marcos 
da arquitetura foi o porão alto (Figura 58). Em outras cidades piauienses, como em Pedro II, o 
porão teve vários usos, como, por exemplo, abrigo de escravos, animais e escoderijo. Mas de 
acordo com a maioria dos habitantes dessas residências parnaibanas visitadas, eles possuíram 
apenas a função de ventilação, contando, para tanto, com a presença de óculos
282
 (Figura 59). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
282
 Óculo é uma abertura de formato geralmente circular, presente nas fachadas dos edifícios e que serviam para 
iluminar e ventilar os desvãos dos telhados ou porões. 
Figura 56: Casa de tipologia eclética, sito à Rua 
Ademar Neves, 1470, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 2). Figura 57: Planta de sit. de 
resid. sito à Rua A. Neves, 
1470, Parnaíba, PI. 
Fonte: Melo (2007, p. 75). 
Figura 58: Detalhe do porão 
na residência sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 
657, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 59: Detalhe do óculo na 
residência sito à Rua Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 
657, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
 117 
Quanto à estrutura dos telhados, forro e telhas, apresentaram-se algumas 
particularidades dos parnaibanos. A maioria das estruturas das coberturas eram feitas de 
carnaúba – o que ocorreu no Piauí de modo geral – e de madeira serrada (Figura 60). Nas 
coberturas, apesar de continuarem utilizando as telhas de meia cana, a inovação chegou com 
as telhas de “Marselha”,283 também conhecidas como “telha francesa”, que logo caiu no gosto 
dos parnaibanos (Figura 61). Nos forros, foram encontrados vários modelos, desde os mais 
comuns, de madeira em tabuado corrido,
284
 saia e camisa, ripados (Figura 62), trabalhados até 
os importados, como o forro de zinco (Figura 63) que veio dos Estados Unidos especialmente 
para a uma residência parnaibana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
283
 Telhas cerâmicas francesas é o termo empregado às telhas que se originavam não propriamente da França; 
elas eram geralmente feitas no Pará ou mesmo em Parnaíba, mas a inspiração era no modelo de telha francês 
muito utilizado no período. São telhas chatas que possuem, ao longo de um dos lados logitudinais,ranhuras para 
encaixá-la em outra telha igual e, em um de seus lados transversias, uma concavidade que se encaixa na ripa do 
madeiramento do telhado. 
284
 Tabuado de madeira é o piso em tábuas de madeira encaixadas ou justapostas; o tabuado corrido é o soalho de 
tábuas preferencialmente sem emendas. 
 
Figura 60: Detalhe da cobertura na residência sito à 
Av. Presidente Getúlio Vargas, 657, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 61: Detalhe das telhas na residência sito à 
Rua Cel. José Narciso, 606, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 62: Detalhe de forro ripado na 
residência sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 657, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo 
(2007). 
 118 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma das mudanças trazidas pelo Ecletismo estava na posição das empenas,
285
 que 
antes eram laterais, e, nesse período, passaram a ser frontais. Utilizaram em Parnaíba a bica 
simples, o caibro
286
 corrido, mas as platibandas, tornaram-se marcantes, e cada vez mais 
rebuscadas, com grande variedade de formas e elementos decorativos, destacando a fachada 
principal da casa e o nível econômico de seus moradores.
287
 
Outro marco da arquitetura parnaibana foram as vedações, principalmente as janelas. 
Para fechar os vãos, os parnaibanos variaram, foram muitas as opções, como as janelas e 
portas com duas folhas, em madeira, almofadadas, de calhas, com postigos, venezianas, com 
vidros ─ inclusive coloridos (Figura 64), com painéis importados (Figura 65). Em alguns 
casos toda a estrutura da vedação já veio pronta, como foi o caso de uma janela (Figura 66) 
que veio de Belém do Pará. Finalizando essas vedações, foram utilizadas também vários tipos 
de verga, característica marcante de todo o Ecletismo, variando desde as vergas retas, em arco 
pleno, até as vergas em arco ogival,
288
 recortadas ou em ferradura. 
 
 
 
 
 
 
285
 Empenas ou oitão é o plano triangular acima da linha do beiral. 
286
 Caibro é a peça de madeira, em geral de seção retangular utilizada comumente no madeiramento do telhado. 
287
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
288
 Arco ogival é o arco formado por dois segmentos de círculo iguais que se encontram no vértice; é o arco de 
ponta ou com forma triangular. 
Figura 63: Detalhe do forro em zinco na 
residência sito à Rua Cel. José Narciso, 844, 
Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 119 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Muitas residências possuem as varandas,
289
 os balcões,
290
 enfim, espaços delimitados 
pelos gradis de ferro, que, em algumas residências, foram também importados; e as 
balaustradas, que variavam entre a alvenaria e também o ferro. Os pisos mais utilizados nas 
casas de Parnaíba foram o ladrilho hidráulico e o tabuado corrido claro-escuro. 
Nesse período de muitas inovações, absorção e assimilação de culturas, e, ao mesmo 
tempo, sempre preservando as suas próprias tradições, começaram aos poucos, algumas 
alterações no programa das residências. Baseadas nas plantas do Período Colonial e do Proto-
Ecletismo as intervenções ocorreram lentamente. As salas de visitas continuaram na parte 
 
289
 Varanda é a guarnição vazada coberta pelo prolongamento da água principal da construção e diretamente 
apoiada no solo. 
290
 Balcão é a peça sacada da edificação que permite o trânsito. 
Figura 64: Detalhe da janela e 
bandeira com vidros coloridos, na 
residência sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 657, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza 
Melo (2007). 
Figura 65: Detalhe do painel importado na 
residência sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 
657, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 66: Detalhe da janela trazida de Belém – 
PA, na residência sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 515, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 120 
frontal das casas, e, em algumas delas, paralelo a esses cômodos, um dormitório, seguido dos 
demais até a parte de serviços, a cozinha, todos ligados por um corredor. 
As salas de jantar, destinadas a receber também as visitas, encontravam-se na parte 
central da casa (Figura 67). Aos poucos, os banheiros passaram a ser incorporados à 
residência, mas sempre muito grandes e próximos à cozinha. Em algumas edificações 
visitadas, puderam ser encontrados banheiros tão espaçosos que, com o decorrer e do tempo e 
as novas necessidades, foram divididos em dois. Através do levantamento de dados das 
residências visitadas, percebeu-se que, à medida que se estendeu o século XX, quanto mais 
nova a edificação, maior o distanciamento das antigas e de seus programas, principalmente na 
questão do dimensionamento dos cômodos que tenderam a diminuir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Ecletismo trouxe à tona as cores fortes e vivas, diferentes de antes, do Neoclássico, 
cujas fachadas recebiam tons pastéis, cores sóbrias, como o cor-de-rosa claro, por exemplo. 
As casas acessadas nessa pesquisa destacaram-se pela opulência do interior, pelo requinte do 
ambiente, cujos móveis eram também importados, e, em muitos casos, austríacos. Do mesmo 
modo, ocorreu com muitos objetos decorativos, como lustres, vasos, castiçais, painéis 
decorativos e pianos. 
O último exemplar dessa tipologia, ao qual se teve acesso e que carrega o Ecletismo na 
sua fachada, foi uma casa mais simples que as demais, mais popular (Figura 68), e que 
demonstrou também um momento tardio do ecletismo parnaibano, pois já se percebeu a 
influência do Neocolonial na platibanda (Apêndices – Ficha Cadastral e Arquivo de Fotos 6). 
Figura 67: Planta baixa de situação de residência sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 515, Parnaíba, PI. 
Fonte: Melo (2007, p. 78). 
 121 
Esse anseio pelo novo, por acompanhar as tendências, foi tão forte que pode ser notado 
mesmo nas residências das classes menos favorecidas economicamente, que, apesar de não 
contarem com grandes recursos, construíram, a seu modo, edifícios com as carcterísticas do 
movimento Ecletismo.
291
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4.4.3 Tipologia Chalé: a principal inspiração eclética parnaibana 
Como mostrou a análise comparativa, a segunda tipologia mais encontrada dentre as 
edificações em estudo nessa pesquisa foi o Chalé. Mais uma vez, chama-se a atenção para 
essa separação, que se explica por seu caráter didático, pois de acordo com a História da 
Arquitetura, essa é uma das produções arquitetônicas mais “resgatadas” pelo Ecletismo, 
fazendo parte, portanto, do próprio movimento. Das quarenta e cinco casas classificadas, 
foram visitadas duas edificações, uma térrea (Figura 69) e a outra com dois pavimentos 
(Figura 70); ressalte-se que a maior dificuldade de acesso ao interior ocorreu nas residências 
dessa tipologia. 
 
 
291
 MELO, N. B. A. L., op. cit., 2007. 
Figura 68: Casa de tipologia eclética, sito à Rua Cel. José 
Narciso, 606, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 16). 
 122 
 
 
 
Nas casas dessa tipologia, que também marcaram todo o sítio histórico, principalmente 
a Avenida Getúlio Vargas e suas cercanias (Apêndices - Mapa 7), percebeu-se como os 
parnaibanos, até mesmo aqueles que pertenciam às classes menos favorecidas 
economicamente, queriam inovar, queriam o diferentee as novidades para suas residências 
(Apêndices – Fichas Cadastrais e Arquivos de Fotos 7 e 8). 
Os chalés parnaibanos conservaram, inclusive, a inovação dos telhados inclinados, 
algo cuja explicação está somente no gosto; ou seja, não há nenhuma explicação técnica, visto 
que, na realidade, essa inclinação serve para que, em locais de clima muito frio, a neve não 
acumule e pese sobre a estrutura da cobertura. 
Além da inclinação maior, foram novidades também os jogos dos telhados (Figura 71), 
cobertos com as telhas francesas, chanfrados
292
 (Figura 72) ou arrematados com 
“lambrequins”,293 geralmente em madeira; em alguns casos, lisos, mais simples; e, em outros, 
mais trabalhados; e ainda os caibros corridos e os cachorros arrematando os beirais. 
Mas essas inovações foram presentes somente nas fachadas, pois, em termos de 
transformações nas plantas, pode-se perceber, inclusive, através das duas residências 
visitadas, que, mesmo que elas tenham sofrido modificações ao longo dos anos, essas plantas 
e os programas (Figura 73) não se diferenciaram das construções ecléticas. 
 
 
 
292
 Chanfrado é o elemento que possui chanfro, que, por sua vez, é o recorte nas bordas de um elemento ou de 
uma peça da construção, evitando-se arestas viças no encontro de duas superfícies planas. 
293
 Lambrequim é o ornato, o adorno recortado, vazado, decorado, em forma de rendilhado, contínuo, que se 
coloca sob o beiral escondendo o telhado, podendo ser em zinco, chapa de ferro ou madeira. 
Figura 69: Casa térrea de tipologia chalé, sito à 
Rua Riachuelo, 966, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 96). 
Figura 70: Casa com dois pavimentos, de tipologia 
chalé, sito à Rua Vera Cruz, 747, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 108). 
 123 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4.4.4 A tipologia Neocolonial 
Como ocorreu no Brasil de modo geral, em Parnaíba, essa tipologia foi mais difundida 
em residências, e em alguns prédios institucionais, como em escolas, por exemplo. No cenário 
da pesquisa, as residências neocoloniais encontram-se, com maior ênfase, mais distantes do 
núcleo original e do entorno da Avenida Presidente Getúlio Vargas (Apêndices - Mapa 8), 
localizadas às margens do sítio histórico, pois procuravam, ao mesmo tempo, o isolamento e a 
privacidade que os sítios proporcionavam, sem, contudo, sair do perímetro urbano. 
Foram analisadas três residências, uma térrea (Figura 74), uma de dois pavimentos 
(Figuras 75) e outra que, apesar de ter também dois pavimentos (Figura 76), a ela se aplica 
melhor o conceito de bungalow. Em Parnaíba, assim como em outras regiões brasileiras, os 
Figura 71: Detalhe da inclinação do telhado no 
chalé sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 
458, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 72: Detalhe de telhado chanfrado em 
residência sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 
474, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 73: Planta baixa do chalé térreo, sito à Rua Riachuelo, 966, Parnaíba, PI. 
Fonte: Melo (2007, p. 80). 
 124 
conceitos de bungalows, estilo Missões e Neocolonial se confundem. Segundo Derenji,
294
 o 
que se chama de bungalows, aqui, são os sobrados em meio a jardins e com a presença 
marcante de torres. Essas edificações em dois pavimentos representaram, para a sociedade 
parnaibana, o ideal de progresso, tornando-se sinônimo de modernidade da cidade (Apêndices 
– Fichas Cadastrais e Arquivos de Fotos 9 e 10). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A partir de meados da década de 1920, principalmente na década de 1930, o 
Neocolonial que estava ocorrendo no Brasil também chegou a Parnaíba, ainda por intermédio 
do comércio, mas os maiores difusores foram mesmo as revistas, os periódicos, os catálogos, 
que começaram a ter papel fundamental na propagação dos novos estilos. As casas tiveram 
recuos cada vez maiores, com jardins em uma das laterais, e, na outra, o espaço reservado ao 
 
294
 DERENJI, J. da S. Arquitetura eclética no Pará. In: FABRIS, A. (Org.). Ecletismo na arquitetura 
brasileira. São Paulo: EDUSP / Nobel, 1987. 
Figura 74: Casa térrea de tipologia 
neocolonial, sito à Rua Desembargador 
Freitas, 878, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 25). 
Figura 76: Casa chamada de bungalow, sito à 
Rua Humberto de Campos, 686, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 48). 
Figura 75: Casa com dois 
pavimentos de tipologia neocolonial, 
sito à Av. Presidente Getúlio 
Vargas, 694, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 88). 
 125 
automóvel; tudo resguardado por muretas com os mais variados modelos de gradil (Figura 
77). 
Outras características são os beirais marcados por cachorros, o uso das telhas de capa e 
canal, o que não faz com que as telhas francesas percam o posto de preferidas pelos 
parnaibanos; o uso das arcadas nas entradas e da torre circular nas laterais com aberturas em 
arcos ogivais de base larga; nos forros, o uso das lajes nas varandas ou terraços; e os mais 
variados modelos de taco no piso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No programa, surgiu o hall de entrada; nos dias atuais, seriam os terraços e varandas 
nas residências parnaibanas, mas com dimensões menores. Eles conduzem às salas de visitas 
que, por sua vez, foram ligadas às salas de jantar (Figura 78). A grande novidade foi a copa, 
não como espaço, pois esse cômodo surgiu não apenas no Neocolonial, mas, no Ecletismo de 
modo geral, como um lugar que, além de ser o local de refeições, era, sobretudo, o espaço de 
reunião das famílias. As cozinhas permaneciam com as mesmas dimensões, e, nos fundos da 
casa, assim como o banheiro, que quase sempre era apenas um e muito grande. Nas 
residências das pessoas mais favorecidas economicamente, contavam com todo o conforto, 
inclusive água quente. 
 
 
 
 
Figura 77: Detalhe do gradil da residência sito à 
Av. Presidente Getúlio Vargas, 694, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 78: Planta baixa do 
primeiro pavimento de residência 
neocolonial sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 694, Parnaíba, PI. 
Fonte: Melo (2007, p. 83). 
 126 
4.4.5 A tipologia “Associação de Categorias” 
Dentre as tipologias analisadas, a tipologia aqui chamada de “Associação de 
Categorias” ganhou grande destaque dentro da arquitetura parnaibana. Primeiro, porque ficou 
em terceiro lugar em números de residências; segundo, porque se constituiu o maior exemplo 
do Ecletismo local, pois sua principal característica é não adotar um só estilo. Assim, de 
maneira eclética, misturaram o Chalé e o Neocolonial, e, ainda, o Chalé, o Neocolonial e 
algumas características já do Modernismo. 
Essa tipologia pode ser encontrada principalmente no perímetro entre a Praça Est. 
Júlio Augusto, a Avenida Presidente Getúlio Vargas, a Praça Santo Antônio e a Avenida 
Governador Chagas Rodrigues (Apêndices - Mapa 9), tanto em residências sofisticadas como 
também naquelas mais populares. 
Apesar do número expressivo de exemplares desta categoria (Figuras 79, 80 e 81), que 
somam trinta e quatro, só foi possível o acesso a um exemplar (Figura 82) e (Apêndices – 
Ficha Cadastral e Arquivo de Fotos 11); trata-se de uma casa com construção mais simples e 
que traz características da tipologia Chalé e do Neocolonial na fachada.Figura 79: Casa com tipologia 
Associação de Categorias, sito à Rua 
Cel. José Narciso, 740, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 18). 
Figura 80: Casa com tipologia 
Associação de Categorias, sito à Rua D. 
Pedro II, 1478, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 40). 
 127 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dos Chalés, a casa incorporou a inclinação do telhado, aberturas que sugerem a ideia 
de sótão, a telha francesa, o lambrequim em um dos beirais e o jogo de telhados (Figura 83). 
Da arquitetura Neocolonial, as arcadas precedendo o hall de entrada (Figura 84), o jogo de 
telhados frontal de quatro águas, telha-vã em parte da cobertura, o beiral de caibro corrido e 
bica simples e a mureta com balaustrada. 
Contudo, apesar de algumas transformações sofridas ao longo dos anos, o programa é 
de uma residência eclética típica parnaibana, ainda com traços da arquitetura do Período 
Colonial e proto-eclética, com a sala de visitas na parte da frente, e um corredor ligando os 
demais compartimentos, que começam com os quartos e terminam com a cozinha e 
dependências de serviços. A única inovação nesse caso foi um banheiro, localizado então 
próximo aos dormitórios, mas ainda com grandes dimensões (Figura 85). 
 
Figura 81: Casa com tipologia Associação de 
Categorias, sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 
769, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 82: Casa com tipologia Associação de 
Categorias, sito à Rua Simplício Dias, 265, 
Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 128 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Após a análise da maioria
295 
das tipologias presentes no sítio histórico urbano de 
Parnaíba, percebeu-se que, como já dito no início do capítulo, o Ecletismo foi o movimento 
predominante, seja em sua forma mais pura, que aqui foi associada à tipologia eclética, seja 
carregado de outras manifestações, que, por sua vez, também tem a natureza eclética, como as 
tipologias chalé ou neocolonial. Mas de todas as tipologias estudadas, a que mais responde a 
um dos principais questionamentos desta pesquisa e que diz respeito à formação do método 
eclético local é a tipologia então chamada de Associação de Categorias. 
 
295
 Maioria porque não foram investigadas residências modernas ou contemporâneas, por exemplo, por não 
serem relevantes para a pesquisa neste momento. 
Figura 83: Detalhe dos beirais de residência sito 
à Rua Simplício Dias, 265, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 84: Detalhe da 
fachada de residência sito à 
Rua Simplício Dias, 265, 
Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 85: Planta baixa da residência de tipologia Associação de Categorias, sito à Rua 
Simplício Dias, 265, Parnaíba, PI. 
Fonte: Melo (2007, p. 87). 
 129 
Esse hibridismo é particular de Parnaíba; tornou essa produção única, singular e 
distinta em relação às outras produções arquitetônicas ecléticas, fato que se fortalece, 
principalmente, pela presença de características da tipologia chalé nessa junção de estilos. Se 
relacionada a outras cidades do Estado, por exemplo, fica mais evidente ainda essa diferença. 
Além do número expressivo, nas residências que pertencem a essa tipologia, ficaram 
mais perceptíveis a mistura, a união de traços de vários estilos. Esses estilos, originados de 
regiões longínquas, não encontraram barreiras ao chegar à cidade; e, ao tempo em que foram 
incorporados, também se transformaram, ajustando-se ao contexto local. 
Um bom exemplo do que aconteceu - constatação da falta de materiais ou técnicas 
originais, e ainda da permanencia a vinculação às tradições - pode ser constatado, por 
exemplo, nas estruturas de telhado. Parnaíba não deixou de utilizar a carnaúba (fato que 
ocorreu no Piauí de modo geral), mantendo, portanto, suas tradições. Contudo, cobrindo essa 
estrutura, foram necessárias telhas especiais, pois essa é a parte do telhado que fica mais 
visível. Aos moldes franceses, tentavam fabricar ou então importavam do Pará telhas que 
estivessem de acordo com a moda, com as exigências das influências impostas pela 
arquitetura eclética. 
Esses aspectos também são interessantes quando observadas a disposição dos 
compartimentos das casas. Por fora, as fachadas ecléticas demonstravam a modernidade que a 
classe economicamente favorecida do local queria expressar, mas por dentro, mesmo 
adotando tecnologias novas, como a água aquecida nos banheiros, as plantas das edificações 
quase não sofreram modificações, essas aconteceram lentamente. 
4.5 As residências ecléticas parnaibanas: o patrimônio cultural da cidade 
4.5.1 As relações e o programa das residências ecléticas em Parnaíba 
A sociedade parnaibana, no período aqui pesquisado, não mais contava a força de 
trabalho escrava. Era uma sociedade de homens livres, impregnados pela ânsia de novidades, 
do moderno, e que acreditava ser a economia baseada no comércio de importação e 
exportação dos produtos do extrativismo local o meio de ascender (Figura 86), não só 
econômica, mas também culturalmente. 
Parnaíba progride, apreende a civilização, enfileira-se no cortejo que 
marcha, vae porém, expelindo as excrescências que possam manchar todo 
esse desejo de ser grande e próspera. Serenamente crescendo na planície. 
Calmamente desanuviando os seus horisontes para o mar, procura abrir as 
 130 
suas portas, em parte ainda cerradas as espansões das suas atividades e ao 
intercambio mundial, para em breve tornar-se maior. 
296
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O comércio, cada vez mais pungente, adquire espaço próprio. O trabalho dissocia-se 
da morada. As residências, os lares passam a ser o local do descanso, das reuniões familiares, 
como afirma João Campos no “Livro do Centenário de Parnaíba”, em 1944, ao relatar sua 
chegada na cidade em 1912. 
Nas ruas, tudo relevava atividade e trabalho, como se a ocisidade temesse 
ombrear-se com os que por ali transitavam preocupados com seus negócios. 
Nos lares estavam as famílias que prendiam em tôrno de si as crianças que 
regressavam das escolas ou das oficinas. [...] As noites abriam pequena 
exceção: nas portas das residências reuniam-se as famílias e amigos, em 
palestras intimas [...] As 21 horas, invariavelmente, a ronda do sono 
começava a fechar as casas, e apenas as repúblicas dos rapazes e o café, 
onde as palestras e diversões se prolongavam até cêrca de 23 horas, se 
mantinham acordados. O mais era silencio. 
297
 
Nessas residências, o que primeiro se destacou foram suas fachadas, o cartão postal 
que demonstrou quanto poder tem o seu proprietário, seja ele político, econômico ou social. 
Mas a arquitetura não é apenas a fachada, o estilo ou monumento de uma edificação. A 
arquitetura é também o programa, a distribuição dos cômodos, o desenho e a organização dos 
espaços físicos. Para chegar ao “arranjo” ideal, uma série de fatores deve ser ponderada, 
considerada, e depende daqueles que irão ocupar tais espaços. 
 
296
 ALMANAQUE DA PARNAÍBA. Parnaíba: Ranulpho Torres Raposo, 1937. p. 67. 
297
 CORREIA, B. J.; LIMA, B. dos S. (Org.). O Livro do Centenário de Parnaíba: 1844 – dezembro – 1944 – 
documentário da cidade – estudo histórico, corográfico, estatístico e social do município de Parnaíba. Parnaíba: 
Gráfica Americana, 1945. p. 318. 
Figura 86: Fotografia da Praça da Graça,no Almanaque de 1937. 
Fonte: Almanaque da Parnaíba (1937, p. 61). 
 
 131 
Deve-se observar além da relação patrão empregado, mas também os laços de sangue, 
gênero, a faixa etária, as atividades; enfim, as mais diversas relações entre os ocupantes de 
uma casa, que são o ponto de partida na delimitação e organização dos espaços. 
De acordo com Michel Foucault,
298
 é importante compreender justamente o que vem 
antes das definições físicas dos objetos arquitetônicos: as relações entre os indivíduos e as 
relações entre os espaços interiores. Ao mesmo tempo em que foi usada para demonstrar a 
todos o crescimento, o domínio econômico, a residência se voltou para o próprio interior, e foi 
lá dentro que se preservou a família. Dentro da casa também ocorreu o zoneamento, de acordo 
com o poder, as funções e seus ocupantes. 
Michel Foucault acreditava no poder atuando sobre todos, que as relações de poder 
estão entrelaçadas, que são um jogo de forças, algo que não se pode possuir ou apoderar-se, 
uma rede complexa de micropoderes, englobando todos os aspectos da vida social, invisível, 
molecular, positivo, construindo redes de relações. Esse poder foi característico apenas de 
uma classe social, como a burguesia, por exemplo, ou do Estado.
299
 Margareth Rago concorda 
com essa ideia e afirma: 
[...] na medida em que se passou a pensar que o poder não era uma coisa 
localizada num determinado ponto, mas que ele nomeava a sociedade e 
construía uma rede de relações no interior da qual estávamos todos, abria-se 
a possibilidade de se pensar o poder no espaço, nas disposições 
arquitetônicas [...].
300
 
Para entender melhor esse “arranjo” influenciado pelas relações, pelos “micropoderes” 
presentes nas relações dos ocupantes das residências ecléticas parnaibanas, deve-se analisar 
tais edificações sob vários aspectos. Em primeiro lugar, considerou-se sua posição no terreno. 
As casas ecléticas parnaibanas diferiam das construídas anteriormente, ainda no Período 
Colonial e Neoclássico (Figura 87), no que diz respeito à sua posição no lote, em um primeiro 
momento, por possuir um recuo lateral (Figura 88) e, com o passar do tempo, afastar-se de 
todos os limites do terreno. 
 
298
 FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979. 
299
 CASTELO BRANCO, E. de A. Fazer ver o que vemos: Michel Foucault – por uma História diagnóstica do 
presente. UNISINOS, São Leopoldo (RS), v. 11, n. 3, p.321-329, 2007. 
300
 RAGO, M. As marcas da pantera: Michel Foucault na historiografia brasileira contemporânea. Anos 90 - 
Revista do PPGH/UFRGS, v. 1, n.1, p.127, 1993. 
 132 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Essas mudanças foram comumente atribuídas a questões de saúde, para propiciar 
melhor ventilação e iluminação. A maior ventilação propiciou a entrada de ar fresco, 
renovando o ar abafado e desagradável que se formou nos ambientes em que havia muitas 
pessoas. A urbanização e a crescente população que ocupavam as cidades, principalmente a 
partir do século XIX, fizeram com que ocorressem muitas epidemias, que, à época, eram 
balizadas em teorias que acreditavam ser essas epidemias provocadas por substâncias e 
impurezas do ar. 
Não obstante esses fatores, o posicionamento da casa no terreno também estava 
relacionado a um novo modo de vida, que se buscou distanciar dos limites da rua, do exterior, 
do que era comum a todos. 
Figura 87: Meia-morada, sito à Rua Duque de Caxias, 824. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 35). 
Figura 88: Casa de tipologia eclética, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 657, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 84). 
 133 
O objetivo foi o isolamento, pois ocorreu uma redefinição dos espaços públicos e 
privados. A rua deixou de ser o espaço público, que passou a ser a sala de visitas ou o salão; 
desejou-se a retirada do exterior para se organizar a parte, em um meio homogêneo de pessoas 
ou famílias iguais. A casa era o espaço íntimo, exclusivo; e, dentro dela, existiam espaços 
ainda mais segregados, o que pode ser observado através da análise arquitetônica de seus mais 
variados cômodos, posto que, para cada local, há uma definição da posição dos indivíduos. 
Logo, é através dos variados graus de poder que serão delimitados os espaços destinados a 
cada um. 
A partir da análise das Figuras 89 e 90, pode-se compreender melhor a importância 
das relações na conformação dos espaços. A planta baixa dessa residência eclética parnaibana 
mostrou que as áreas destinadas à família, aos donos da casa e visitantes ilustres, aos que 
tinham um poder econômico dominante, como as salas de estar, dormitórios e varandas, estão 
posicionadas junto à rua, à frente, enquanto os cômodos destinados a serviços, como a 
cozinha e a funções fisiológicas, como o banheiro, estão aos fundos, separados. Acrescente-se 
que, principalmente, o banheiro começou a fazer parte do interior da casa, pois antes era 
localizado no quintal, totalmente isolado. Ele entrou na edificação, mas permaneceu atrás, 
distante do convívio social. Geralmente são espaços grandes, chamados comumente de sala de 
banho, destinados a atender a todos da família. 
 
 
 
 
 
Ao analisar o terraço ou a varanda, cômodos que permitiam o acesso à residência, 
percebeu-se que são espaços conflituosos, pois marcavam a separação da rua, e atuaram como 
uma ponte, ligando-a ao interior, sendo locais destinados a se manter contato com os 
Figura 90: Planta baixa de situação de residência sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 515, Parnaíba, PI. 
Fonte: MELO (2007, p. 78). 
Figura 89: Casa de tipologia eclética, sito à Av. 
Presidente Getúlio Vargas, 657, Parnaíba, PI. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 134 
estranhos. Segundo define Matta,
301
 é um espaço “arruado”, assim como os quintais e os 
corredores de circulação. Estes últimos se conformaram espaços públicos, como a rua, porém, 
dentro de casa, pois o que se tinha era um local de circulação de todos. 
Partiu-se então para as salas de visitas, salas de música, salas de jogos, enfim, lugares 
onde se recebiam pessoas selecionadas. As relações de poder eram evidentes nesses 
ambientes; basta vislumbrar as diferentes posições: de um lado, o proprietário, e, de outro, as 
visitas e os empregados; estes últimos estando ali somente de passagem, prontos para 
prestarem serviços assim que ordenados. 
As zonas íntimas, como os dormitórios dos donos da casa eram lugares totalmente 
reclusos, isolados, privativos, grandes e divididos, através de critérios como gênero e idade, 
onde o indivíduo encontrava-se completamente protegido. A cozinha e os dormitórios dos 
empregados estavam sempre atrás; na cozinha, o espaço físico era grande, pois era dividido 
com a dona da casa, a soberana do lar, com poderes dominantes; mas as dependências dos 
funcionários eram sempre pequenas, escondidas, concebidas sem qualquer preocupação com 
conforto, muitas vezes fora da edificação principal. 
Ainda de acordo com o pensamento foucaultiano, a dominação não percorria 
necessariamente o caminho da alma para o corpo, como se tinha aprendido, mas poderia vir 
das coisas para o corpo e para as ideias, do ambiente material para a mente.
302
 Para entender 
esse raciocínio, um bom exemplo continua sendo o das residências ecléticas parnaibanas, 
repletas de novidades, de novos equipamentos tecnológicos, como água encanada, torneiras, 
geladeira, luz elétrica e até água quente (Figura 91). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tantas inovações ajudaram a transformar o indivíduo, suas práticassociais e as 
relações de poder. Antes, a sociedade dependia da mão de obra escrava para quase tudo, pois 
 
301
 MATTA, R. da., op. cit., 1997, p. 56. 
302
 RAGO, M., op. cit., 1993. 
Figura 91: Casa com dois pavimentos de 
tipologia neocolonial, sito à Av. Presidente 
Getúlio Vargas, 694, Parnaíba, PI. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 88). 
 135 
ela atuava como o interruptor, luz elétrica ou a descarga. No final do século XIX, passou-se a 
contar com o trabalho assalariado, e, a cada mudança, seja ela tecnológica ou não, 
transformaram-se as relações. A doméstica que servia nas casas passa a não ter mais 
proximidade com o entregador que pegava água na praça;
303
 a geladeira permitiu diminuir o 
número de idas ao mercado; e, assim, o contato entre os indivíduos, o comportamento e as 
próprias ideias das pessoas vão se transformando, assim como os micropoderes existentes 
durante esses convívios. Todas essas relações e os poderes que as permeiam contribuem para 
a organização dos espaços dessas residências. 
4.5.2 O patrimônio cultural parnaibano 
Antes de entender como é formado o patrimônio cultural parnaibano, tornou-se 
importante abordar alguns conceitos que auxiliam no entendimento do assunto, como, por 
exemplo, o de cultura. Cultura é todo um modo de vida ou os diferentes modos de vida de 
cada povo, herdados pela tradição e passados a gerações futuras. Os produtos de cada cultura 
─ do pensamento, do sentimento e da ação do homem ─ são os bens culturais, ou seja, são os 
monumentos (incluindo os edifícios), as obras de arte, os documentos, usos e costumes. Mas é 
necessário compreender que esse é um conceito que se encontra em expansão, marcado cada 
vez mais por uma menor “rigidez” e por maior amplitude, onde presente e passado se 
encontram, contribuindo para formar o pensamento da atualidade. Conforme Bhabha: 
O trabalho fronteiriço da cultura exige um encontro com “o novo” que não 
seja parte do continuum de passado e presente. Ele cria a ideia do novo como 
ato insurgente de tradução cultural. [...] O “passado-presente” torna-se parte 
da necessidade, e não da nostalgia, de viver.
304
 
Um bem cultural patrimonial é aquele cujo valor simbólico refere-se a uma identidade 
coletiva. Para ser patrimonial tem que respeitar algumas convenções e características. Neles, o 
Estado intervém através de agentes autorizados e de práticas socialmente definidas e 
regulamentadas, assim como contribui para fixar sentidos e valores. 
Dessa forma, o patrimônio cultural compreende todos os elementos e manifestações, 
tangíveis (móveis e imóveis) e intangíveis, produzidas pelas sociedades, resultado de um 
processo histórico no qual a reprodução das ideias e da matéria se constituem em fatores que 
identificam um determinado país ou região. São elementos que diferenciam grupos e 
sociedades – edifícios, lendas, modos de falar – e traduzem o povo que os criou, formam a 
 
303
 RAGO, M., op. cit., 1993. 
304
 BHABHA, H. K., op. cit., 1998, p. 27. 
 136 
identidade; entretanto, ao mesmo tempo em que identificam os semelhantes, distinguem de 
outros grupos sociais. 
A primeira conferência internacional para conservação dos monumentos históricos 
ocorreu em Atenas, 1931, e reuniu somente países europeus. Após a Segunda Guerra 
Mundial, o domínio patrimonial se estende, o conceito se transforma e deixa de ser limitado a 
monumentos individuais, e passa a abranger os conjuntos edificados e os tecidos urbanos. A 
partir dos anos sessenta do século XX, passou-se a enquadrar no patrimônio histórico 
edificado toda tipologia que fosse um testemunho histórico significativo. 
Em 1972, houve a Conferência Geral da UNESCO (United Nations Educational, 
Scientific and Cultural Organization – Organização das Nações Unidas para a Educação, 
Ciência, Cultura) na qual se determinou que patrimônio cultural universal são os 
monumentos, conjuntos edificados, sítios arqueológicos ou urbanizados, que apresentem valor 
universal excepcional do ponto de vista da história da arte ou da ciência. 
A importância do patrimônio é valorizar a singularidade, a identidade. Esse conceito 
tende a expandir-se cada vez mais, e a necessidade de protegê-lo é cada vez mais latente. No 
Brasil, a Constituição Brasileira de 1988, no seu Art. 216 – além de especificar o que constitui 
o patrimônio cultural brasileiro – ampliou esse conceito e explicou que cabe ao Poder Público, 
com colaboração da comunidade a preservação desses bens: 
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza 
material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de 
referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores 
da sociedade brasileira, nos quais se incluem: 
I - as formas de expressão; 
II - os modos de criar, fazer e viver; 
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas; 
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados 
às manifestações artístico-culturais; 
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, 
arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
305
 
Hoje, no Brasil, todas as unidades da federação devem possuir o discernimento quanto 
à importância acerca do patrimônio cultural. O atual órgão responsável pela proteção desse 
acervo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) vem tomando uma 
série de medidas voltadas para a identificação, documentação, restauração, conservação, 
preservação, fiscalização e difusão do patrimônio cultural brasileiro. 
 
305
 Constituição Federal do Brasil (1988). 
 137 
Parnaíba possui um dos maiores patrimônios culturais piauienses, e, conforme 
constatado nessa pesquisa, se destaca sobretudo por seu patrimônio edificado, formado por 
um Ecletismo particular, surgido das necessidades materiais, técnicas e, ao mesmo tempo, 
pelas tradições, hábitos e anseios dos proprietários e moradores dessas residências, formando 
um conjunto relevante e que constitui não só o patrimônio cultural edificado, material, mas 
também a concepção de patrimônio cultural como um todo, englobando também o imaterial o 
intangível, afinal, essas pessoas responsáveis pela construção desse acervo desenvolveram o 
seu modo, criaram sua forma, o seu gosto, suas técnicas, tudo de forma a atender a seus 
propósitos. 
O sítio histórico, enquanto local da História do lugar, das pessoas, do núcleo das 
cidades, o ponto inicial, carrega as marcas das transformações, do tempo transcorrido, da vida 
que pulsa, principalmente nas cidades, e, dentre elas, uma cidade como Parnaíba, que, durante 
muito tempo em sua história, foi uma das principais cidades do Estado em termos de 
economia. 
A arquitetura erigida nesse local, impulsionada principalmente pela prosperidade de 
parte da população, demonstra que foi construído em Parnaíba, na primeira metade do século 
XX, um conjunto eclético que traduz não só através dos seus aspectos físicos, mas também do 
conteúdo, da “alma” dessas casas, o quanto as tradições e, ao mesmo tempo, o gosto pelo 
progresso estava presente na vida e nos anseios desse grupo economicamente privilegiado. 
Embora ainda com algumas reservas, algumas atitudes já começaram a ser tomadas 
para que esse patrimônio seja preservado, e sirva para que as gerações futuras possam 
partilhar da História, das tradições, dos costumes e desse rico acervo arquitetônico que 
contribui significativamente para a identidade local. 
Citam-se assim algumas realizações importantes, como o estudo para tombamentodo 
sítio histórico, solicitado pela prefeitura municipal no ano de 2006, o qual foi utilizado no 
desenvolvimento desta pesquisa. Com base nesse pedido, o IPHAN-PI delimitou a área 
correspondente ao que seria o sítio histórico parnaibano, e também o seu entorno, garantido 
assim a preservação da ambiência do edifício, monumento, logradouro ou do próprio sítio 
(Figura 92). 
 138 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, em setembro de 2008, o IPHAN tombou em nível federal três áreas do Piauí 
simultaneamente: a Floresta Fóssil do rio Poti em Teresina; a Ponte Metálica João Luis 
Ferreira em Teresina; e o Conjunto Histórico e Paisagístico de Parnaíba; tornando-se o 
primeiro Estado do Nordeste a receber uma ação integrada de tombamento de patrimônio 
cultural. 
Esse processo, que se iniciou ainda em 2006, com o pedido de estudo, e concretizou-se 
positivamente, foi longo e difícil. Por parte do Estado, através de órgãos pertinentes como o 
IPHAN, realiza-se um estudo detalhado para se comprovar desde a importância, até a real 
necessidade do tombamento, além dos entraves burocráticos que ocorrem com frequência. 
Fizeram-se necessárias também reuniões e discussões sobre o assunto, a fim de conscientizar 
a população local. 
Contudo, mesmo com toda a preparação essencial, parte da população que ocupa esse 
sítio histórico ainda não reconhece os benefícios desse ato, do tombamento, o que pode ser 
comprovado durante as pesquisas de campo aqui realizadas, muitas vezes confundidas com as 
do IPHAN, quando alguns proprietários de residências não permitiram o acesso, com receio 
de que fosse comprovada a sua real importância e, desse modo, tais casas fossem tombadas, o 
que de fato ocorreu em 2008. Ressalte-se, entretanto, que foi tombado o sítio histórico como 
um todo e não edifícios isolados. 
É lamentável, mas ainda há uma lacuna entre a “política do tombamento” e sua 
prática, e entende-se que são necessários ajustes, como maiores incentivos aos proprietários 
de bens tombados, para que aceitem com menos relutância esse ato imprescindível à 
preservação do acervo arquitetônico das cidades. Acrescente-se, também, a necessidade do 
entendimento de que essas residências perderam sua importância isoladamente. Elas 
Figura 92: Estudo de Proteção do sítio 
histórico de Parnaíba realizado pelo 
IPHAN-PI em 2006. 
Fonte: IPHAN ( 2006). 
 139 
continuam com o valor econômico que lhes é próprio, mas adquiriram um significado muito 
maior, mais abrangente, para a coletividade, deixando de ser importante apenas para seus 
proprietários e passando a fazer parte da História da cidade, da população local, do todo. 
Apesar de tal relutância ainda perdurar, nota-se, ao “flanar-se” pela cidade, que, aos 
poucos, essa consciência está sendo adquirida, mesmo que vagarosamente. Quanto aos atos 
em torno da preservação, nos dias atuais, destacam-se algumas intervenções que estão 
ocorrendo em edifícios relevantes, como o “Sobrado Simplício Dias”, e processos já 
aprovados, como o restauro do “Sobrado da Dona Auta ou Mirante”. Observou-se que são 
edifícios erigidos no Período Colonial, e que, por isso, não compõem o universo dessa 
pesquisa. Mas entende-se, também, que aos poucos essas iniciativas incidirão sobre os 
exemplares ecléticos parnaibanos, sobre as residências tão discutidas durante a pesquisa, pois 
carregam em si a História de Parnaíba. 
Entendeu-se que o modo como a sociedade parnaibana traduziu, reproduziu e 
transformou formas originais foi o que fez surgir práticas culturais próprias, diferentes. 
Considerando-se a noção de identidade aqui adotada, compreende-se, portanto, que são essas 
diferenças que contribuíram para a formação da identidade arquitetônica local; o que, por sua 
vez, reflete na identidade da cidade. A união das diferenças ─ do original, do transformado e 
de suas tradições ─ formou uma identidade que diferencia e ao mesmo tempo identifica. É 
essa diversidade, esse hibridismo que compõe a produção arquitetônica de Parnaíba na 
primeira metade do séc. XX. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 140 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A cidade é um tema interdisciplinar, e a História da Cidade compreende a História da 
Arquitetura. A historiadora Françoise Choay afirma que o poeta e escritor Victor Hugo 
acreditava na Arquitetura como o grande livro da humanidade, um livro de pedra, a expressão 
principal do homem em seus diversos estados de desenvolvimento, seja como força, seja 
como inteligência. 
Para construir o texto “O Ecletismo Parnaibano: hibridismo e tradução cultural na 
paisagem urbana de Parnaíba (PI) na primeira metade do século XX”, de início, foram 
realizadas pesquisas comparativas. Para tanto, a história da cidade de Parnaíba, em especial 
seu patrimônio arquitetônico, constituiu importante fonte de pesquisa, sobretudo as 
residências erguidas no período áureo da economia local. Com base na observação do valor 
dos aspectos econômicos, para essa arquitetura produzida, e formação desse patrimônio, e 
como isto implica a identidade local, na memória, e seus significados, pôde-se compreender a 
relevância do Ecletismo nesse cenário. 
Para entendê-lo de forma completa foi feita uma análise de suas principais influências, 
desde a produção arquitetônica ocidental, passando pela brasileira, até culminar em Parnaíba. 
Foram vistos estilos, desde o chamado “Período Colonial” ou “Arquitetura Tradicional”, que 
muitas vezes serviu de suporte para o Ecletismo, assim como o Chalé e o Neocolonial, 
presenças fortes na arquitetura eclética da cidade. A partir dessas considerações, apontam-se 
algumas conclusões. 
O Ecletismo, enquanto marca da Belle Époque, enquanto tradução dos anseios pela 
modernidade e pelo progresso, se desenvolveu de forma predominante na arquitetura 
construída em Parnaíba na primeira metade do século XX. Do mesmo modo, como costumava 
acontecer, como ainda acontece e provavelmente sempre acontecerá ─ em outros locais e com 
outros estilos ou movimentos arquitetônicos – essa arquitetura, ao chegar a Parnaíba, 
transformou-se, ganhou aspectos próprios traduzidos aqui na tipologia intitulada “Associação 
de Categorias”. 
A arquitetura eclética parnaibana foi assim marcada pela influência preponderante de 
um único estilo, como, por exemplo, o Chalé; mas esta pesquisa revelou que ela foi, 
principalmente, caracterizada pela união eclética do Chalé e do Neocolonial, ou ainda do 
Chalé, do Neocolonial e alguns traços do Modernismo. Essa maneira própria que marca a 
arquitetura local é também um dos pontos formadores da identidade da cidade. Essas 
 141 
residências são, desse modo, edifícios que retratam Parnaíba e, ao mesmo tempo, a diferença 
das demais cidades. 
O Ecletismo, rico em características externas, também foi analisado internamente, 
considerando as relações existentes e que contribuíram, de algum modo, para as formas de 
distribuição dos compartimentos das residências. Pôde-se perceber que algumas tradições não 
foram abandonadas, desde hábitos muitas vezes vindos da Europa, como o uso de materiais da 
arquitetura vernacular piauiense, como a carnaúba nos telhados. 
Entendeu-se que a diversidade é uma das marcas da identidade parnaibana, a começar 
pela produção arquitetônica local. No sito histórico, é possível encontrar a maioria dos estilos 
que marcaram a arquitetura brasileira, desde a erigida no período colonial, passando de forma 
enfática pelo Ecletismo, até a arquitetura contemporânea. Outro ponto de destaque dessa 
diversidade é ainda a maneira, o método como foi constituído o Ecletismo local, baseado em 
uma mistura própria, peculiar, visualizada em um número expressivo de residências cuja 
tipologiaé a Associação de Categorias. 
Essa diversidade também constituiu um dos fatores relevantes para a proteção desse 
patrimônio, para o tombamento do sítio histórico e seu entorno, em nível federal, ocorrido em 
2008, contrariamente ao que ocorreu em outros sítios que seguiram as clássicas situações de 
conjuntos urbanos protegidos pela homogeneidade. Tal multiplicidade traduz os mais 
variados aspectos dessa cidade, sejam eles culturais, sociais ou econômicos. 
Parnaíba possui um rico patrimônio cultural, tangível e intangível. Não obstante o 
enfoque desta pesquisa ter sido voltado para o material, para os edifícios (residências), 
entendeu-se que essas categorias estão intimamente relacionadas. Convém assinalar que este 
trabalho não contemplou, com magnitude, a importância da discussão sobre o patrimônio 
cultural parnaibano, assunto que se espera tratar de maneira mais apropriada em uma pesquisa 
futura. 
Acrescente-se que o IPHAN, através do instituto do tombamento, deve proteger, 
salvaguardar, mas encontra muitos entraves, como, por exemplo, no que diz respeito às 
dificuldades de fiscalização quanto ao que ocorre com esse patrimônio edificado. Por alguns 
motivos, como a carência de incentivos e a má interpretação de seus direitos e deveres perante 
esses bens, a maioria dos proprietários teme a possibilidade de ter um bem tombado, pois 
acredita que isso acarretará, principalmente, a desvalorização econômica de suas residências, 
quando a ideia é justamente inversa. 
Parnaíba, se comparada a outras cidades como Teresina, por exemplo, possui 
edificações que ainda podem ser vistas, mesmo através de seus gradis de ferro. Além disso, é 
 142 
prazeroso flanar pela cidade, perceber suas edificações, suas várias transformações e a 
história contida nos mais variados espaços, sobretudo nas edificações residenciais, presença 
marcante na cidade de Parnaíba. 
A produção arquitetônica ocorrida em Parnaíba na primeira metade do século XX 
possui valor inegável, desprovido de caráter uniforme, e por isso mesmo sobrevive. O 
Ecletismo é a tradução dessa diversidade que deve ser preservada e que se constitui maioria 
no cenário arquitetônico no sítio histórico da cidade, transformando-se em fonte de pesquisa 
para os mais variados campos disciplinares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br>. Acesso em: 3 out. 2009. 
Disponível em: <http://www.ufpe.br>. Acesso em: 17 jun. 2010. 
Disponível em: <http://www.dochis.arq.br>. Acesso em: 10 abr. 2007. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 149 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 150 
 
MAPA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 151 
MAPA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 152 
MAPA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 153 
MAPA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 154 
MAPA 7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 155 
MAPA 8 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 156 
MAPA 9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 157 
Ficha Cadastral - 1 
Residência de Tipologia Eclética sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 657 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Casa; 
 
Proprietário: João Araújo Carvalho; 
 
Área de Projeção: 391m²; 
 
Área do Lote: 2.236m²; 
 
Taxa ocupação: 17,49%; 
 
Ambientação: Intg. do conjunto histórico; 
 
Implantação: Alinhamento com recuo lateral; 
 
Pavimentos: 1; 
 
Época da construção: Meados do século,cerca de 1904; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Pedra, reboco crespo e pintura impermeável; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada e carnaúba corrida; 
 
Forros: Em madeira, ripado na sala e na entrada lateral, saia-e-camisa nos dormitórios 
principais e telha-vã na parte destinada aos serviços e demais cômodos; 
Telhado: Telha 1/2 cana artesanal; 
 
Figura 1: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 87). 
 158 
Vedações: Em madeira, almofadadas, venezianas e vidro colorido e com detalhes 
decorativos; 
Bandeiras: Madeira e vidro, transparentes e coloridos; 
 
Vergas: Arco pleno; 
 
Beiral externo: Bica simples e empena grandiosa na fachada principal; 
 
Beiral interno: Bica simples; 
 
Ferragens: Gradil de ferro fundido; maçanetas de louça; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Guarda-corpos: Entalados de ferro fundido e peitoril de madeira; 
 
Piso interno: Tabuado corrido, ladrilho hidráulico e taco; 
 
Piso externo: Lajeado; 
 
Soleiras: Ladrilho hidráulico; 
 
Obs.: Alguns móveis são austríacos, outros da década de 1950, Art Déco. As portas internas, 
que dão acesso entre sala e dormitórios, possuem painéis italianos, de Florença. Contrafortes 
na lateral da casa e no muro. O banheiro próximo ao quarto da frente é novo. 
 
Planta Baixa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2: Planta baixa. 
Fonte: Neuza Melo (2006, p. 114). 
 159 
Arquivo de Fotos - 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3: Detalhe da fachada lateral. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2006). 
Figura 4: Detalhe da janela. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2006). 
Figura 5: Detalhe da porta principal. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 6: Detalhe do forro. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 7: Detalhe do forro. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 8: Detalhe do painel importado nas portas. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 160 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9: Vista do corredor. 
Fonte: Acervo particular 
- Neuza Melo (2007). 
Figura 10: Detalhe das janelas e bandeiras. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 11: Detalhe da cobertura. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 12: Vista da escada 
na parte exterior da casa. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 13: Vista dos 
contrafortes na parte exterior 
da casa. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 14: Detalhe do forro. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 161 
Obs.: Ficha cadastral retirada do levantamento já existente, feito em 1997, pela Fundação 
Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo Ministério da Cultura e pelo 
IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção de Conjuntos Urbanos do 
Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do Acervo Cultural do Piauí 
(IPAC) em Parnaíba e atualizada por Neuza Melo em 2007. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 162 
Ficha Cadastral - 2 
Residência de Tipologia Eclética sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 515 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Casa; 
 
Proprietário: Jovenal Galeno da Silva e Luiz Pereira da Silva; 
 
Área de Projeção: 180m²; 
 
Área do Lote: 363m²; 
 
Taxa ocupação: 49,59%; 
 
Ambientação: Intg. do conjunto histórico; 
 
Implantação: Alinhamento e recuada na lateral; 
 
Pavimentos: 1; 
 
Época da construção: segunda década do século XX, em 1921; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Barrado de pedra com pintura impermeável; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada; 
 
Forros: Ripado na entrada lateral, saia-e-camisa nos cômodos principais e telhado aparente 
na parte de serviços; 
 
Telhado: Telha tipo francesa; 
Figura 15: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2. p. 84). 
 163 
Vedações: Calha, veneziana e vidro; 
 
Bandeiras: Vidraça; caixilho de vidro; 
 
Beiral externo: Platibanda; 
 
Beiral interno: Platibanda; 
 
Vergas: Retas e abatidas; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Guarda-corpos: Balaustrada de ferro fundido e peitoril de madeira; 
 
Piso interno: Tabuado corrido claro-escuro (madeira acapu); 
 
Piso externo: Cimentado; 
 
Soleiras: Ladrilho hidráulico; 
 
Obs.: Acesso restrito. Algumas portas e janelas vieram de Belém do Pará, já prontas, de 
navio. 
 
Planta Baixa e Situação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 16: Planta baixa e de situação. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 119). 
 164 
Arquivo de Fotos - 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Ficha cadastral retirada do levantamento já existente, feito em 1997, pela Fundação 
Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo Ministério da Cultura e pelo 
IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção de Conjuntos Urbanos do 
Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do Acervo Cultural do Piauí 
(IPAC) em Parnaíba e atualizada por Neuza Melo em 2007. 
 
 
 
Figura 17: Vista das fachadas. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 18: Detalhe da cobertura. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 19: Detalhe da 
pinha na entrada. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
 165 
Ficha Cadastral - 3 
Residência de Tipologia Eclética sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 956 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Casa; 
 
Proprietário: Dr. Valdeci Cavalcante; 
 
Área de Projeção: 386m²; 
 
Área do Lote: 728m²; 
Taxa ocupação: 53,02%; 
 
Ambientação: Intg. do conjunto histórico; 
 
Implantação: Alinhamento com recuo lateral; 
 
Pavimentos: 1; 
 
Época da construção: Meados do século XX; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Pintura impermeável; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada; 
 
Forros: Saia-e-camisa; 
 
Telhado: Telha francesa; 
 
Vedações: Almofada e vidro; venezianas; balcões em pedra; 
 
Figura 20: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 91). 
 166 
Bandeiras: Madeira e vidro; 
 
Vergas: Retas; 
 
Beiral externo: Platibanda; 
 
Beiral interno: Cimalha e bica simples; 
 
Ferragens: Gradil de ferro fundido; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Guarda-corpos: Balaustrada de alvenaria na fachada principal; guarda corpo em ferro nas 
janelas rasgadas; 
Piso interno: Tabuado corrido claro-escuro; 
 
Piso externo: Lajeado; 
 
Soleiras: Modificadas (em granito); 
 
Obs.: A casa sofreu recentes alterações. Os óculos de ventilação denunciam o piso 
assoalhado. Alguns móveis são originais como o existente no escritório. Porta vai e vem nova, 
remetendo à original. 
 
Planta Baixa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 21: Planta baixa. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 122). 
 167 
Arquivo de Fotos - 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Ficha cadastral retirada do levantamento já existente, feito em 1997, pela Fundação 
Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo Ministério da Cultura e peloIPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção de Conjuntos Urbanos do 
Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do Acervo Cultural do Piauí 
(IPAC) em Parnaíba e atualizada por Neuza Melo em 2007. 
 
 
 
Figura 22: Fachadas. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 23: Entrada lateral. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 24: Detalhe das 
janelas. 
Fonte: Acervo particular 
- Neuza Melo (2007). 
Figura 25: Detalhe da 
fachada lateral. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 26: Detalhe da 
porta no corredor. 
Fonte: Acervo particular 
- Neuza Melo (2007). 
 168 
Ficha Cadastral - 4 
Residência de Tipologia Eclética sito à Rua Coronel José Narciso, 844 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Casa; 
 
Proprietário: Vicente de Paulo Santos Correia; 
 
Área de Projeção: 375m²; 
 
Área do Lote: 824m²; 
 
Taxa ocupação: 45,51%; 
 
Ambientação: Intg. do conjunto histórico; 
 
Implantação: Alinhamento com recuo lateral; 
 
Pavimentos: 1; 
 
Época da construção: 1915; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Barrado de chapisco e pintura impermeável; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada; 
 
Forros: Saia-e-camisa em alguns cômodos e forros de zinco nos três cômodos iniciais da 
casa; 
Telhado: 1/2 cana artesanal e telha francesa na capela; 
 
Bandeiras: Vidraça; caixilho de vidro; 
 
Figura 27: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 19). 
 169 
Vedações: Em madeira; portas com quatro folhas, sendo duas inteiriças e outras duas 
venezianas com vidro; 
Vergas: Ogivais na capela; as demais retas; 
 
Beiral externo: Platibanda; 
 
Beiral interno: Bica simples; 
 
Ferragens: Gradil de ferro fundido; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Guarda-corpos: Entalado de ferro fundido e peitoril de madeira; 
 
Piso interno: Ladrilho hidráulico e tabuado corrido claro-escuro; 
 
Piso externo: Cimentado; 
 
Soleiras: Ladrilho hidráulico; 
 
 
Obs.: Casa típica do princípio do século. Nas salas da frente os forros são de zinco e vieram 
dos EUA. As grades também vieram de lá. Um dos cômodos foi transformado em capela. 
 
 
Planta Baixa e Situação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 28: Planta baixa e de situação. 
Fonte: Piauí (1997, PA cv 036). 
. 
 170 
Arquivo de Fotos - 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Ficha cadastral retirada do levantamento já existente, feito em 1997, pela Fundação 
Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo Ministério da Cultura e pelo 
IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção de Conjuntos Urbanos do 
Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do Acervo Cultural do Piauí 
(IPAC) em Parnaíba e atualizada por Neuza Melo em 2007. 
 
 
Figura 31: Detalhe da 
janela. 
Fonte: Acervo particular 
- Neuza Melo (2007). 
Figura 29: Fachada. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 30: Detalhe do forro 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 32: Detalhe do piso. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 171 
Ficha Cadastral - 5 
Residência de Tipologia Eclética sito a Rua Ademar Neves, 1470 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Sobrado; 
 
Localização: Rua Ademar Neves, 1470; 
 
Proprietário: Juan Paul; 
 
Área de Projeção: 308.69 m²; 
Área do Lote: 1.505 m²; 
 
Ambientação: Isolada; 
 
Implantação: Recuada; 
 
Pavimentos: 2; 
 
Época da construção: Meados do século XX; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Pintura impermeável; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada; 
 
Forros: Tabuado corrido e saia-e-camisa; 
 
Telhado: Telha francesa; 
 
Figura 33: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 2). 
 172 
Vedações: Em madeira; portas em almofadados, duas folhas; a porta da entrada com postigo; 
veneziana com vidro; algumas janelas em ferro e vidro; 
Bandeiras: Madeira e vidro; 
 
Vergas: Retas; 
 
Beiral externo: Platibanda; 
 
Beiral interno: Caibro corrido; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Guarda-corpos: Balaústre em alvenaria com forma geométrica; 
 
Piso interno: tabuado corrido claro-escuro na parte de cima; 
 
Obs.: A casa possui pavimento inferior já muito modificado. As escadarias são em mármore 
(corrimão e piso) e a escada interna em madeira. 
 
 
Plantas Baixas e Situação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 34: Planta baixa 1º pavimento. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 128). 
 173 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 36: Planta de situação. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 129). 
Figura 35: Planta baixa 2º pavimento. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 129). 
 174 
Arquivo de Fotos - 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 37: Detalhe do 
corredor. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 38: Detalhe da sala 
e porta. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 39: Detalhe da 
janela. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 40: Salas. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 41: Escadaria. 
Foto: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 42: Detalhe da janela. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 43: Fachada posterior. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
 175 
Obs.: Ficha cadastral feita por Neuza Melo, em 2007, baseada no fichamento já existente, 
feito em 1997, pela Fundação Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo 
Ministério da Cultura e pelo IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção 
de Conjuntos Urbanos do Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do 
Acervo Cultural do Piauí (IPAC) em Parnaíba. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 176 
Ficha Cadastral - 6 
Residência de Tipologia Eclética sito a Rua Coronel José Narciso, 606 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Casa; 
 
Proprietário: D. Fátima (inquilina); 
 
Área de Projeção: 86m²; 
 
Área do Lote: 120.54 m²; 
 
Ambientação: Intg. do conjunto histórico; 
 
Implantação: Alinhamento e recuada na lateral; 
 
Pavimentos: 1; 
 
Época da construção: Início do século XX; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Reboco caiado; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada; 
 
Forros: Telha-vã; 
 
Telhado: Forro de gesso nos dormitórios (alteração); 1/2 cana artesanal na sala, telha francesa 
na entrada lateral e telha cerâmica comum nos demais cômodos; 
Vedações: Em madeira; calha com postigo, veneziana e vidro; 
Figura 44: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v.2, p. 16). 
 177 
Bandeiras: Madeira com vidro; 
 
Vergas: Retas; 
 
Beiral externo: Platibanda; 
 
Beiral interno: Caibro corrido; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Piso interno: já alterado 
 
Soleiras: Cimentada 
 
Obs.: A casa é apenas alugada. Paredes e janelas fora de esquadro. 
 
Planta Baixa e SituaçãoFigura 45: Planta baixa. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 133). 
Figura 46: Planta de situação. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 133). 
 178 
Arquivo de Fotos - 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Ficha cadastral feita por Neuza Melo, em 2007, baseada no fichamento já existente, 
feito em 1997, pela Fundação Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo 
Ministério da Cultura e pelo IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção 
de Conjuntos Urbanos do Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do 
Acervo Cultural do Piauí (IPAC) em Parnaíba. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 47: Detalhe da porta. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 48: Detalhe da cobertura. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 179 
Ficha Cadastral - 7 
Residência de Tipologia Chalé sito à Rua Riachuelo, 966 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Casa; 
 
Proprietário: Paulo Roberto Campos; 
 
Área de Projeção: 204,06m²; 
 
Área do Lote: 576,10m²; 
 
Ambientação: Intg. do conjunto histórico; 
 
Implantação: Recuada; 
 
Pavimentos: 1; 
 
Época da construção: Década de 1940; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Barramento de pedra e pintura impermeável com detalhes em alvenaria; 
 
Estrutura da cobertura: Carnaúba corrida; 
 
Forros: Tabuado corrido e saia-e-camisa; 
 
Telhado: Telha francesa; 
 
Vedações: Em madeira; porta em almofadados sendo a principal com veneziana e postigo; 
janelas com venezianas e vidro; 
Bandeiras: Em madeira e vidro; 
Figura 49: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 96). 
 180 
Vergas: Retas; 
 
Beiral externo: Cachorrada e lambrequim; 
 
Beiral interno: Cachorrada; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Piso interno: Tabuado corrido e ladrilho hidráulico; 
 
Piso externo: Lajeado; 
 
Soleiras: Cimentada; 
 
Obs.: A casa sofreu mudanças, tendo sido aumentada a área da cozinha. 
 
 
Planta Baixa e Situação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 50: Planta baixa. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 136). 
Figura 51: Planta de situação. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 136). 
 
 181 
Arquivo de Fotos - 7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Ficha cadastral feita por Neuza Melo, em 2007, baseada no fichamento já existente, 
feito em 1997, pela Fundação Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo 
Ministério da Cultura e pelo IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção 
de Conjuntos Urbanos do Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do 
Acervo Cultural do Piauí (IPAC) em Parnaíba. 
 
 
 
 
Figura 54: Detalhe do forro. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 52: Detalhe do beiral. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 53: Detalhe das janelas. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 55: Fachadas frontal e lateral. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 182 
Ficha Cadastral - 8 
Residência de Tipologia Chalé sito à Rua Vera Cruz, 747 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Sobrado; 
 
Proprietário: Maria da Conceição Oliveira Neves; 
 
Área de Projeção: 161.25m²; 
 
Área do Lote: 249.60m²; 
 
Ambientação: Isolada; 
 
Implantação: Recuada; 
 
Pavimentos: 2; 
 
Época da construção: Meados do século XX; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Pintura impermeável; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada; 
 
Forros: Saia-e-camisa; 
 
Telhado: Telha francesa; 
 
Vedações: Portas e janelas em madeira; almofadadas com vidro; 
 
Bandeiras: Madeira e vidro; 
 
Figura 56: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 108). 
 183 
Vergas: Retas; 
 
Beiral externo: Caibro corrido e lambrequim; 
 
Beiral interno: Caibro corrido; 
 
Ferragens: Gradil de ferro; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Piso interno: Tabuado corrido claro-escuro; 
 
Obs.: Casa já com muitas alterações. Algumas janelas e portas não são mais originais. As três 
primeiras salas são azulejadas. 
 
Planta Baixa e Situação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 57: Planta baixa 1º pavimento. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 139). 
Figura 58: Planta baixa 2º pavimento. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 139). 
 184 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arquivo de Fotos - 8 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 59: Planta de situação. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 139). 
 Figura 60: Fachadas. 
 Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 61: Detalhe do beiral. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 62: Detalhe da porta. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 63: Vista das salas. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
 185 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Ficha cadastral feita por Neuza Melo, em 2007, baseada no fichamento já existente, 
feito em 1997, pela Fundação Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo 
Ministério da Cultura e pelo IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção 
de Conjuntos Urbanos do Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do 
Acervo Cultural do Piauí (IPAC) em Parnaíba. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 64: Detalhe do piso. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 65: Detalhe do forro. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 186 
Ficha Cadastral - 9 
Residência de Tipologia Neocolonial sito à Rua Desembargador Freitas, 878 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Casa; 
 
Proprietário: Aluízio de Castro Ribeiro; 
 
Área de Projeção: 347. 44m²; 
 
Área do Lote: 1370.50m²; 
 
Ambientação: Isolada; 
 
Implantação: Recuada; 
 
Pavimentos: 1; 
 
Época da construção: 1953; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Pintura impermeável; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada; 
 
Forros: Em madeira, saia-e-camisa; na garagem, telhado aparente; 
 
Telhado: Telha francesa; 
 
Vedações: Em madeira; portas e janelas almofadadas, do Paraná; 
 
Bandeiras: Em madeira e vidro; 
 
Figura 66: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 25). 
 187 
Vergas: Retas; 
 
Beiral externo: Cachorrada; 
 
Beiral interno: Cachorrada; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Piso interno: Já modificado (antes era tabuado corrido e taco); cerâmica no terraço; 
Piso externo: Cimentado; 
 
Obs.: O banheiro da família era apenas um e atualmente está dividido em três. A cozinha foi 
ampliada. 
 
 
 
Planta Baixa e Situação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 67: Planta baixa. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 143). 
 188 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arquivo de Fotos - 9 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Ficha cadastral feita por Neuza Melo, em 2007, baseada no fichamento já existente, 
feito em 1997, pela Fundação Estadualde Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo 
Ministério da Cultura e pelo IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção 
de Conjuntos Urbanos do Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do 
Acervo Cultural do Piauí (IPAC) em Parnaíba. 
Figura 68: Planta de situação. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 144). 
Figura 69: Detalhe interno. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 70: Detalhe da cobertura. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 189 
Ficha Cadastral - 10 
Residência de Tipologia Neocolonial sito à Av. Presidente Getúlio Vargas, 694 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Sobrado; 
 
Proprietário: Antonio L. de F. Diniz; 
 
Área de Projeção: 167m²; 
 
Área do Lote: 434m²; 
 
Taxa ocupação: 38,48%; 
 
Ambientação: Intg. do conjunto histórico; 
 
Implantação: Recuada; 
 
Pavimentos: 2; 
 
Época da construção: Cerca de 1930; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Reboco frisado com pintura impermeável; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada; 
 
Forros: Laje de concreto na varanda térrea; madeira trabalhada, liso e saia e camisa; 
 
Telhado: Telhas francesas vindas de São Paulo; 
 
Figura 71: Fachada principal. 
Fonte: IPHAN-PI (2006, v. 2, p. 88). 
 190 
Vedações: Em madeira e vidro, tábua corrida; janelas basculantes no térreo; venezianas no 
segundo pavimento; 
Bandeiras: Em madeira e vidro; 
 
Vergas: Em arco pleno e retas; 
 
Beiral externo: Bica simples; 
 
Beiral interno: Bica simples; 
 
Ferragens: Gradil de ferro fundido e maçanetas de louça; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Guarda-corpos: Balcão de alvenaria; 
 
Piso interno: Tabuado corrido, taco formando desenhos geométricos e ladrilho hidráulico; 
 
Piso externo: Lajeado; 
 
Soleiras: Ladrilho hidráulico; 
 
Obs.: O arquiteto que fez o projeto chamava-se Nestábulo. O gradil da continuação ao da casa 
vizinha porque tiveram o mesmo construtor. A escada interna é em mármore e o corrimão em 
ferro torneado. No banheiro, uma grande sala de banho, as louças são originais e havia água 
quente obtida através de um sistema de serpentinas que ficam na parte de trás da casa. 
 
 
Planta Baixa e Situação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 72: Planta baixa 1º pavimento. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 146). 
 191 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 73: Planta baixa 2º pavimento. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 147). 
Figura 74: Planta de situação. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 147). 
 192 
Arquivo de Fotos - 10 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Ficha cadastral retirada do levantamento já existente, feito em 1997, pela Fundação 
Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo Ministério da Cultura e pelo 
IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção de Conjuntos Urbanos do 
Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do Acervo Cultural do Piauí 
(IPAC) em Parnaíba e atualizada por Neuza Melo em 2007. 
 
 
 
Figura 75: Detalhe da 
escada. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 76: Detalhe da louça 
do banheiro. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 77: Detalhe da sala. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 78: Detalhe do 
armário dentro da parede. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
 193 
Ficha Cadastral - 11 
Residência de Tipologia Associação de Categorias sito à Rua Simplício Dias, 265 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Designação: Casa; 
 
Proprietário: D. Antonia. 
 
Área de Projeção: 275.76 m²; 
 
Área do Lote: 600 m²; 
 
Ambientação: Isolada; 
 
Implantação: Recuada; 
 
Pavimentos: 1; 
 
Época da construção: Meados do século XX; 
 
Alvenarias: Tijolo maciço; 
 
Revestimento: Barrado de pedra com pintura impermeável; 
 
Estrutura da cobertura: Madeira serrada; 
 
Forros: Tabuado corrido, saia-e-camisa nos cômodos principais; Telha-vã na parte de 
serviços e laje na varanda da entrada; 
Telhado: Telha francesa e telha 1/2 cana artesanal; 
 
Vedações: Em madeira; porta com almofadados e vidro; janela com quatro folhas, em 
almofadados e venezianas com vidro; 
Figura 79: Fachada principal. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 194 
Bandeiras: Em vidro; 
 
Vergas: Arco pleno na entrada e retas nas esquadrias; 
 
Beiral externo: Bica simples, caibro corrido e lambrequim; 
 
Beiral interno: Caibro corrido; 
 
Pintura das esquadrias: Esmalte; 
 
Piso interno: Cerâmica na entrada; taco na sala e dormitórios; ladrilho hidráulico. 
Obs.: Muro com balaustrada. 
 
 
Planta Baixa e Situação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 80: Planta baixa. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 150). 
Figura 137: Planta de Situação. 
Fonte: Neuza Melo e Emanoel Farias. 
Figura 81: Planta de situação. 
Fonte: Neuza Melo (2007, p. 150). 
 195 
Arquivo de Fotos - 11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Ficha cadastral feita por Neuza Melo, em 2007, baseada no fichamento já existente, 
feito em 1997, pela Fundação Estadual de Cultura e Desporto do Piauí (FUNDEC), pelo 
Ministério da Cultura e pelo IPHAN/3ª CR e que faz parte do Inventário e Estudo de Proteção 
de Conjuntos Urbanos do Piauí, onde o volume III corresponde ao Inventário de Proteção do 
Acervo Cultural do Piauí (IPAC) em Parnaíba. 
 
 
Figura 82: Detalhe do piso. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 83: Detalhe do forro. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 84: Detalhe do piso. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo 
(2007). 
Figura 85: Vista da fachada. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
Figura 85: fachada principal. 
Fonte: Neuza Melo (2007). 
 196 
Arquivo de Fotos - 12 
Edifício de Tipologia Proto-Eclética sito à Rua D. Pedro II, 1140 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 87: Detalhe das janelas. 
Fonte: Acervo particular - 
Neuza Melo (2007). 
Figura 86: Fachadas. 
Fonte: Acervo particular - Neuza Melo (2007). 
 197 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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