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AULA 6 
BIOENERGIA 
Prof. Marcos Baroncini Proenca 
 
 
2 
GESTÃO DE BIOMASSA E DE BIOENERGIA 
Anteriormente, fizemos um apanhado geral sobre o que é a biomassa e a 
bioenergia. Aprofundamos conhecimentos sobre a biomassa no mundo e no 
Brasil, explicando os principais tipos e como são usados para geração de energia. 
Discorremos sobre os tipos de biocombustíveis e bioenergia que podem ser 
produzidos pela biomassa. Traçamos um comparativo entre a biomassa 
disponível o os biocombustíveis e bioenergia gerados, buscando relacionar 
capacidade produtiva com produção real. Discorremos sobre os fatores 
econômicos que interferem na produção de cada biomassa e no aproveitamento 
maior de seu potencial para geração de energia, bem como estabelecemos o 
potencial da bioeconomia no mundo e situamos o Brasil nesta crescente vertente 
da economia. 
Nesta aula, trataremos da principal preocupação que se deve ter com 
relação à bioeconomia, que é uma gestão dos biocombustíveis desde suas 
biomassas, para que seja explorado todo o seu potencial econômico e, com isso, 
alavancar novas áreas de atuação, empregabilidade e geração de renda. 
TEMA 1 – CONTEXTO INTERNACIONAL E NACIONAL PARA GESTÃO DE 
BIOMASSA E BIOENERGIA 
Como já vimos anteriormente, seguindo resoluções da reunião da Cúpula 
das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, foram adotados os 
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). São 17 objetivos que deverão 
orientar as políticas nacionais e as atividades de cooperação internacional nos 
próximos quinze anos, sucedendo e atualizando os Objetivos de Desenvolvimento 
do Milênio (ODM). O sétimo destes 17 objetivos trata da energia e estabelece que 
os países devem “assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço 
acessível à energia, para todos”. 
Para atingir esse objetivo, ficaram estabelecidas três metas que devem ser 
atingidas até 2030: 
• Assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a 
serviços de energia; 
• Aumentar substancialmente a participação de energias renováveis na 
matriz energética global; 
 
 
3 
• Dobrar a taxa global de melhoria da eficiência energética. 
Assim, almeja-se uma maior participação de fontes renováveis de energia 
e maior eficiência no uso dos recursos naturais, principalmente pela transição da 
matriz energética fóssil para matrizes renováveis (Ferraz, 2018). Portanto, uma 
boa gestão da biomassa e da bioenergia que ela gera é de fundamental 
importância estratégica para o atingimento destas metas e inserção como 
potência na bioeconomia. 
Um bom exemplo de gestão vem da Alemanha, onde, em 2000, a coalizão 
entre o Partido Social Democrata e o Partido Verde levou à aprovação da Lei das 
Fontes de Energia Renováveis (Erneuerbare Energien Gesetz), que foi a base da 
política de transição energética alemã. Essa lei implementou um sistema de tarifas 
diferenciadas com o intuito de apoiar as novas tecnologias de geração renovável. 
Além disso, impôs ao setor de utilidades alemãs a absorção da energia gerada 
por toda e qualquer fonte renovável. Isso levou à expansão da produção de 
energia renovável na Alemanha de forma que, já em 2017, existiam cerca de 1,5 
milhão de produtores independentes de energia renovável no país (Colomer, 
2018). Porém, como no resto do Mundo, está havendo uma desaceleração neste 
tipo de programa na Alemanha, devido às incertezas na mudança de matriz 
energética para uma totalmente sustentável. 
 Segundo Clarice Ferraz (2018), se destacam três incertezas diretamente 
relacionadas a uma maior atratividade para as fontes renováveis de energia, que 
seriam: a revolução do óleo não convencional, a financeirização dos mercados 
futuros de energia e a transição para uma economia de baixo carbono. Com 
relação ao Brasil, a autora enfatiza que, além destas incertezas, há ainda uma 
profunda crise político-institucional e econômica, afetando negativamente o nível 
de investimentos de modo geral e, em especial para o setor elétrico, que já 
apresenta um modelo regulatório com inequívocos indicativos de mau 
funcionamento (Ferraz, 2018). 
Mesmo assim, como já enfatizado anteriormente, somos considerados uma 
potência em função da biomassa e a bioenergia que podemos gerar, bastando 
uma gestão mais eficiente e adequada para nos tornarmos também uma potência 
na bioeconomia. Reforça este fato o relatório do Centro de Gestão e Estudos 
Estratégicos (CGEE, 2017), que indica que países que não têm abundância de 
biomassa natural, como a Alemanha, o Reino Unido e o Japão, mas que têm forte 
industrialização e economia nos padrões atuais, dependerão cada vez mais da 
 
 
4 
oferta de biomassa para permanecerem fortes com o crescimento da 
bioeconomia. Estes países sinalizam o desejo de estabelecer parcerias com 
países como o Brasil, considerados como potenciais fornecedores de biomassa 
para combustíveis e energia, para se manterem fortes economicamente. 
TEMA 2 – GESTÃO DA BIOMASSA E ENERGIA ELÉTRICA 
Como visto anteriormente, a geração de eletricidade a partir da biomassa 
se dá por termoelétricas. Nelas, a queima da biomassa gera energia térmica, que 
é transferida diretamente pelo aquecimento do ar, ou indiretamente, em caldeiras, 
pelo aquecimento da água que se converterá em vapor. A energia térmica do ar 
aquecido ou do vapor é convertida, em turbinas, para energia mecânica. Esta 
energia mecânica, por sua vez, por sistemas de turbinas acopladas a eixos em 
geradores, é convertida em energia elétrica. 
Os ciclos de potência de termoelétricas que são mais usados para 
conversão de biomassa em energia elétrica são o Ciclo de Rankine, o Ciclo 
Brayton e o Ciclo Misto. 
O Ciclo de Rankine é o ciclo clássico de geração de energia elétrica, no 
qual a biomassa é queimada em uma caldeira. Nesta caldeira, que normalmente 
é do tipo fogo-tubular, a água se transforma em vapor. Este vapor irá movimentar 
uma turbina acoplada a um eixo. Este eixo é de um material ferromagnético e irá 
girar dentro de um gerador, dando origem a uma corrente elétrica alternada. Esta 
corrente segue para a um retificador, onde será convertida para a corrente 
contínua comercial. As biomassas que oferecem as características mais 
favoráveis de combustão ao Ciclo Rankine são resíduos florestais, da indústria 
madeireira, o bagaço de cana-de-açúcar, resíduos sólidos da agroindústria e os 
resíduos sólidos urbanos. 
 
 
 
5 
Figura 1 – Ciclo de Rankine 
 
No Ciclo Brayton, o ar ambiente passa pelo compressor, onde, comprimido, 
tem sua temperatura elevada. Este ar comprimido segue para câmaras de 
combustão, onde é misturado com um combustível que sofrerá combustão. Ao 
sair da câmara de combustão, os gases gerados pela queima do combustível, 
com elevada pressão e temperatura, passarão pelas palhetas de uma turbina a 
gás, transformando a energia térmica em mecânica. Esta turbina, acoplada a um 
eixo de material ferromagnético, irá girar. Novamente, este eixo irá girar dentro de 
um gerador, dando origem a uma corrente elétrica alternada. Esta corrente segue 
a um retificador, onde será convertida para a corrente contínua comercial. As 
biomassas que oferecem as características mais favoráveis de combustão ao 
Ciclo Brayton são o biogás, os combustíveis obtidos de processos de gaseificação 
e os biocombustíveis líquidos. 
 
 
 
6 
Figura 2 – Ciclo de Brayton com reaquecimento, aproveitando gás de combustão 
 
Créditos: BlueRingMedia/Shutterstock. 
O Ciclo Misto, ou Ciclo Combinado, é a combinação do Ciclo de Rankine 
com o Ciclo de Brayton, normalmente pela disposição de turbinas a vapor e 
turbinas a gás em série. 
Hoje, os países que mais produzem energia elétrica de biomassa são, em 
primeiro lugar a China, os EUA em segundo e o Brasil em terceiro. O Brasil já foi 
o país de maior potencial neste tipo de energia, mas, atualmente, por falta de 
incentivos e investimento, vem perdendoposições, chegando neste momento a 
ter sua terceira posição ameaçada por Cuba, que abriu este mercado para 
investimentos estrangeiros. 
Um bom exemplo de gestão da biomassa para energia elétrica a ser 
seguido vem do Departamento Americano de Energia (DOE), que está com o 
planejamento estratégico de atingir, em 2030, uma capacidade instalada de 100 
GW de energia elétrica proveniente de biomassa. Para isso vem investindo no 
desenvolvimento de novas tecnologias para aumentar a eficiência termodinâmica 
das usinas termoelétricas e reduzir os custos de capital e geração de eletricidade. 
A meta a ser atingida em termos de custos é o kW instalado ficar entre US$ 770,00 
e US$ 900,00 e o MWh gerado entre US$ 40,00 e US$ 50,00 (ANEEL, 2005). 
TEMA 3 – GESTÃO DOS BIOCOMBUSTÍVEIS ETANOL, BIODIESEL E 
BIOQUEROSENE DE AVIAÇÃO 
Dentro de uma política de transição para uma economia sustentável, que 
vem acontecendo desde 2007, a redução do uso de combustíveis fósseis já está 
estabelecida como meta, em particular na estratégia da União Europeia, que 
 
 
7 
prevê a substituição por combustíveis de fontes renováveis. O esforço de 
promover o aumento do uso de biocombustíveis demonstrou ter um potencial de 
estimular o crescimento do emprego e oportunidades em vários setores das 
indústrias, em especial da agroindústria. 
Segundo o relatório do CGEE (2017), a discussão e implantação de 
políticas públicas de suporte a bioeconomia, no caso brasileiro, pode levar a 
políticas industriais e de desenvolvimento econômico inéditas. Este relatório 
destaca que políticas de desenvolvimento e uso de biocombustíveis, 
comparativamente a outros países, é muito mais tangível no Brasil. Porém, 
especificamente para o caso do etanol e biodiesel, ainda ocorrem diversos 
problemas que desestimulam um maior investimento no setor, com destaque para 
a concorrência dos derivados do petróleo, cujos preços nas bombas de 
abastecimento de veículos vêm sendo mantidos artificialmente mais atrativos que 
os dos biocombustíveis. 
A falta de infraestrutura para novos biocombustíveis é outro problema, 
principalmente com o crescimento de veículos automotores híbridos e elétricos, 
em expansão nos mercados, e consequente diminuição de veículos do tipo Flex 
Fuel. Investimentos em novas bombas de abastecimento e de pesquisas e 
implementações de adaptações nos motores para veículos rodarem a 
biocombustíveis com um consumo menor por quilômetro rodado são caros e a 
perspectiva de retorno nestes investimentos em um futuro previsível é cada vez 
menor. 
Assim, torna-se necessário, por meio de incentivos e políticas voltados à 
bioeconomia, criar um ambiente que permita à comunidade financeira investir na 
construção e operação de unidades inovadoras e avançadas, de forma a superar 
riscos técnicos, logísticos e de mercado que ora se apresentam. Há uma 
expectativa de comercialização de até 65 bilhões de litros anuais de 
biocombustíveis até 2020, dos quais se estima que, com os devidos investimentos 
em tecnologias, 10 a 15 bilhões sejam de biocombustíveis de segunda geração, 
produzidos a partir de fibras de cana-de-açúcar, da celulose da madeira, partes 
não comestíveis dos vegetais e de microalgas (CGEE, 2017). 
Uma boa medida apresentada anteriormente seria a melhoria da política de 
leilão de valores excedentes de energia elétrica produzida nas plantas de 
biocombustíveis, que tornaria de imediato mais atraentes os investimentos em 
 
 
8 
plantas de produção de etanol, podendo se estender à produção de biodiesel e 
bioquerosene de aviação. 
TEMA 4 – GESTÃO DO BIOGÁS 
A geração de biogás é um recurso de biomassa que não pode deixar de ser 
explorados. Todo o foco de gestão deve estar direcionado para melhorar o 
conhecimento sobre ele e sobre o desenvolvimento de tecnologias para melhor 
explorá-lo. 
Para identificar e definir os principais objetivos a serem alcançados, 
respondendo aos seguintes questionamentos: Quais os produtos a serem 
gerados? Será buscada a geração e distribuição de renda? Se buscará a 
democratização da distribuição de energia? Haverá o tratamento de passivos 
ambientais? Será uma gestão da biodiversidade? Será gestão de resíduos 
urbanos, sejam eles sólidos ou líquidos? 
Para qualquer um desses casos voltados à geração do biogás, os principais 
desafios que hoje enfrentamos estão ligados à infraestrutura e logística, mas 
também à formação de pessoal qualificado para trabalhar na área e a geração de 
conhecimento. 
No caso específico da biomassa, os desafios regulatórios são muito 
importantes para agilizar os processos de desenvolvimento de conhecimento que 
resultarão na qualificação de mão de obra e desenvolvimento de tecnologias. 
No que se refere aos resíduos urbanos sólidos e líquidos, é importante 
distinguir os casos em que os desafios são políticos, regulatórios ou tecnológicos. 
Já no caso dos resíduos agrícolas e agroindustriais, os desafios são 
principalmente tecnológicos, uma vez que o Ministério da Ciência, Tecnologia, 
Inovação e Comunicação (MCTIC) lançou em 2018 um Plano Estratégico no qual 
pretende fomentar ao menos um projeto ou chamada pública para 
desenvolvimento científico e tecnológico na produção de biogás e biofertilizante a 
partir de dejetos líquidos provenientes da agroindústria (CGEE, 2018). 
Segundo Maria Cândida Barbosa Nascimento, no Brasil, entre os períodos 
de 2004 a 2015, no qual realizou sua pesquisa, foram implementadas apenas 
nove usinas termoelétricas em aterros de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), que 
na época geravam juntas um total de 86,3 MW de energia elétrica. Também foram 
implementadas duas usinas exclusivamente para a geração de biogás. Isso 
representa, segundo a pesquisadora, entre 7% e 20% do potencial de energia que 
 
 
9 
pode ser gerada pelos gases produzidos nos aterros. Analisando o potencial por 
regiões, apresentou nesta nota técnica que a Região Sudeste coleta mais da 
metade do volume total de RSU gerados no Brasil, tendo estimado este volume 
em 52,6%, e levantado que 73% do total deste volume de RSU é disposto em 
aterros sanitários. Em segundo lugar está a Região Nordeste, com coleta de cerca 
de quase um quarto dos RSU gerados no Brasil, tendo estimado este volume em 
22,1% e levantado que 64,3% do total deste volume é depositado não só em 
aterros, mas também em condições inadequadas, nos lixões. No período, ou seja, 
até 2015, foram implantadas, nos Estados de Minas Gerais e São Paulo, seis 
usinas termelétricas, que totalizaram uma potência instalada de 57,1 MW de 
energia elétrica. Até o ano de 2016, segundo a autora, foram registrados no Brasil, 
30 projetos de aproveitamento dos gases gerados em aterros de RSU, com 
potencial de gerar juntos 286,04 MW de energia elétrica. O Gráfico 1 mostra a 
estratificação desses projetos com seus potenciais percentuais do montante de 
energia esperado (Nascimento, 2019). 
Gráfico 1 – Projetos registrados para geração de energia elétrica e Biometano até 
2016: (A) relação da distribuição da quantidade de projetos (%); (B) potencial de 
geração de energia (%) 
 
65%
26%
6% 3%
A
Norte Nordeste Sul Sudeste
 
 
10 
 
Fonte: Nascimento, 2019, p. 146. 
Em documento do BNDES (2018), há um destaque na consideração do 
biogás como um novo combustível que vem sendo fomentado no mundo, com 
destaque para a Alemanha e os EUA, e que deve ter programas de fomento como 
o RenovaBio, visando não só seu aproveitamento na geração de energia elétrica, 
como também uma importante fonte de combustível para o aumento da 
competitividade do setor agrícola e agroindustrial, pois irá substituir 
gradativamente o diesel, com potencial de diminuir em até 15% o consumo 
nacional deste combustível (BNDES, 2018). 
Este ponto de vista reforça o que Milanez et al (2018) afirmam, constatando 
que além de o biogás reduzir tanto a emissão do metano orgânico quanto do CO2 
lançado na atmosfera,sua produção engloba processos comercialmente viáveis, 
gerando um biocombustível de excelente valor agregado, que pode ser usado 
tanto em geradores estacionários como em termoelétricas, para a geração de 
eletricidade, e também diretamente como combustível em tratores e caminhões 
que vêm sendo desenvolvidos para uso do biogás em substituição ao diesel. É 
curioso observar que neste mesmo documento, o principal componente de custo 
elencado para a obtenção do biogás é o da eletricidade. 
Segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), este 
custo, chamado de custo normalizado da eletricidade (levelised cost of electricity 
– LCOE) varia entre US$ 6/kWh e US$ 14/kWh, conforme a abundância da 
matéria prima. No caso de alguns países europeus como Portugal, com 
plantações dedicadas, o custo aumenta. No caso do Brasil, a matéria prima é 
barata e abundante. Com os resíduos industriais do agronegócio, da agricultura e 
da pecuária, este custo diminui ao ponto de inexistir, como no caso do setor 
72%
17%
4%
7%
B
Norte Nordeste Sul Sudeste
 
 
11 
sucroalcooleiro, no qual há energia elétrica excedente que é vendida nos leilões 
da ANEEL (BNDES, 2018). 
Assim, em termos de gestão, o nosso biogás se apresenta como um 
produto estratégico de grande valor e que merece ser considerado e impulsionado 
para se tornar um componente importante, e talvez protagonista, da nossa 
bioeconomia. 
TEMA 5 – GESTÃO DA BIOMASSA FLORESTAL E ENERGIA TÉRMICA. 
O Brasil é o maior produtor mundial de carvão vegetal, chegando à marca 
de 5,722 milhões de toneladas produzidas em 2018, segundo o Ministério de 
Minas e Energia (2019), um aumento de 10% em relação ao ano anterior, 
representando algo em torno de 8% da matriz energética do país. 
Segundo Albuquerque, a produção de carvão vegetal está entrando em um 
período de desenvolvimento que há décadas não acontecia, em função da 
evolução e aumento de exigências do mercado brasileiro, incluindo uma maior 
fiscalização das condições de trabalho e de produção. Embora o maior 
consumidor de carvão vegetal no país, a indústria siderúrgica, consuma mais de 
90% de toda a produção nacional, este consumo representou, segundo o Centro 
de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), em torno de 35% da sua demanda, 
sendo os outros 65% supridos por carvão mineral e coque. Os principais motivos 
para que a indústria siderúrgica ainda consuma mais carvão mineral do que 
carvão vegetal são a oferta e a relação custo-benefício, devido ao seu potencial 
energético. Para fazer frente a isso, é preciso aumentar a produção, reduzir os 
custos operacionais e melhorar o potencial energético do produto, de forma 
sustentável e respeitando as normas de preservação ambiental (Albuquerque, 
2019). 
O Balanço Energético Nacional de 2018 estabeleceu o consumo de carvão 
vegetal residencial e comercial, principalmente em churrascarias, em cerca de 
677.000 toneladas. Este mercado também está cada vez mais exigente com 
relação não só à qualidade do produto, mas também às condições de fabricação 
e emissão de poluentes. Citando levantamento feito pela Empresa de Pesquisa 
Energética (EPE), Albuquerque corrobora que a região amazônica se destaca no 
abastecimento de madeira serrada no país, devido a sua vasta biodiversidade e 
pelo manejo florestal sustentável. Entre 9% e 18% em massa de resíduos são 
geradas durante a atividade de colheita e entre 45% e 55% de resíduos são 
 
 
12 
gerados no processo de beneficiamento das toras. Estes resíduos podem ser 
aproveitados para a produção de carvão e biogás ou diretamente para a produção 
de bioenergia. Assim, a Amazônia apresenta grande potencial de utilização dos 
resíduos do manejo florestal sustentável e do processamento industrial da 
madeira para abastecimento de sistemas isolados de produção de 
biocombustíveis e de energia. Entretanto, o autor enfatiza que, devido ao baixo 
nível tecnológico regional empregado na produção de carvão vegetal a partir 
desses resíduos, não há um controle adequado das variáveis do processo, o que 
diminui a eficiência da produção, prejudicando a qualidade e encarecendo o 
produto final, além de aumentar a emissão de particulados e gases nocivos ao 
meio ambiente. Novamente, fica evidenciada a necessidade de desenvolvimento 
de tecnologias e de novas pesquisas e implementação de técnicas que tornem 
esta produção mais eficiente e sustentável. 
Segundo Albuquerque (2019), uma variável fundamental do processo é o 
tempo de secagem da madeira antes do processo de carbonização. Um maior 
teor de umidade da madeira acarretará problemas no tempo de carbonização e 
de resfriamento do forno, impactando no rendimento gravimétrico do carvão e na 
sua qualidade final. Em função deste importante variável de processo, torna-se 
fundamental existir um planejamento de transporte da madeira integrado com a 
colheita, além de um sistema de estoque integrado entre campo e pátio, usando 
a rastreabilidade da madeira e estando alinhado com uma projeção de consumo 
das plantas. 
Por meio de simulações que permitam, dentro de uma variável histórica, a 
projeção de consumos de cada planta de carbonização, se poderá fazer a 
integração entre as florestas em ponto de corte e os estoques atualizados de pátio, 
gerando um planejamento de corte e transporte muito mais assertivo, o que evitará 
a ociosidade dos fornos por falta de madeira para carbonizar e permitirá que estes 
carbonizem madeiras mais secas, com melhor relação de tempo de carbonização 
e resfriamento do forno e gerando produtos de melhor qualidade rendimento 
gravimétrico. 
Uma vez equacionada esta variável, se deverá tratar do maior problema de 
produção de carvão vegetal de nosso país, que é o das falhas resultantes das 
más práticas no processo produtivo. O principal vilão deste problema é o 
ineficiente acompanhamento da carbonização. Segundo o autor, ainda é comum 
encontrar, em pequenos, médios e até grandes produtores, métodos rudimentares 
 
 
13 
e empíricos de acompanhamento da carbonização, como a observação da 
coloração da fumaça para determinar entradas de oxigênio ou vedação destas 
entradas em fornos de barro. O autor sugere que, por intermédio de um simples 
controle manual de pirometria, com treinamento dos pequenos e médios 
produtores, este processo seria extremamente mais eficiente. Já para os grandes 
produtores, um sistema supervisório com controle automático de entrada de 
oxigênio nos fornos, que são industriais, seria o mais indicado. 
Equacionado também este problema, deve ser encarado um desafio do 
processo de produção de carvão vegetal, que é a diminuição do tempo de 
resfriamento dos fornos, que chega a constituir até 65% do tempo total do 
processo. Melhorar este tempo significa dar maior rotatividade aos fornos e 
aumentar a produção. Segundo o autor, várias empresas grandes do segmento 
estão investindo em pesquisa e desenvolvimento de soluções para a diminuição 
do tempo de resfriamento dos fornos, tendo algumas já logrado êxito devido a 
implantação de sistemas de refrigeração por troca térmica em fornos retangulares. 
Porém, ainda é uma área que demanda estudos, com grandes oportunidades. 
Estes estudos devem focar em sistemas mais viáveis economicamente, uma vez 
que, mesmo para plantas de carbonização de grande porte, implementar sistemas 
de diminuição do tempo de resfriamento ainda é oneroso, pois a maioria das 
carvoarias existentes atualmente não dispõe de infraestrutura para melhorias 
tecnológicas e grande parte delas não possui sequer energia elétrica para 
instalação de compressores, ventiladores ou mesmo bombas que permitam a 
circulação de fluidos que auxiliem na refrigeração. A solução pode passar pela 
mitigação ou eliminação dos gases emitidos no processo de carbonização, que é 
uma exigência não mais exclusiva de órgãos ambientais, mas do próprio mercado 
consumidor. 
Atualmente, a formamais utilizada é o queimador de gases, que elimina 
grande parte dos gases gerados, os convertendo em gás carbônico e vapor de 
água, mas que tem como contraponto um aumento considerável no custo dos 
fornos. Para sua viabilização a melhor alternativa tem sido a complementação do 
sistema de queima a um sistema de geração de energia elétrica, o que tem 
apresentado bons resultados (Albuquerque, 2019). 
Assim, é possível gerar a energia necessária para controlar o resfriamento 
do forno e até participar em leilões de excedente de energia da ANEEL, que pode 
se constituir numa importante fonte de captação de recursos para as carvoarias. 
 
 
14 
Todas as sugestões apresentadas levam certamente a uma maior 
produtividade e maior qualidade do carvão vegetal, que permitirá seu avanço no 
mercado e uma consolidada participação na bioeconomia de nosso país. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
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Blog INFLOR, 11 abr. 2019. Disponível em: . Acesso em: 28 ago. 2019. 
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Brasília: ANEEL, 2005. Disponível em: 
. Acesso em: 28 ago. 
2019. 
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Blog Infopetro, 10 jul. 2017. Disponível em: 
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FERRAZ, C. Adaptando Estratégias para o Equilíbrio do Setor Elétrico em Tempos 
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