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ESTRUTURAS DE MADEIRA 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Patricia Fontana 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Como observamos anteriormente, são diversos os sistemas construtivos 
possíveis de serem executados com madeira, incluindo o uso do material como 
sistema de acabamento, vedação, entre outras funções. 
 Em nosso estudo, estamos trazendo o foco no uso da madeira como 
elemento estrutural e abordando os sistemas construtivos que utilizam a madeira 
desta forma. 
Nesta etapa, abordaremos informações sobre o sistema construtivo que 
utiliza madeiras serradas e roliças em sua composição, que consiste em um 
sistema com concepção semelhante a uma estrutura de concreto armado 
sustentada por pilar e vigas. 
CONTEXTUALIZANDO 
O sistema de pilar e vigas em madeira serrada ou roliça consiste em uma 
forma construtiva que apresenta limitações de comprimento e seção transversal, 
por ser um material resultante dos troncos, dependendo, portanto, das 
dimensões das árvores disponíveis para extração. 
A seguir, falaremos sobre as formas de associação de vigas e pilares em 
madeira serrada para composição da estrutura de uma edificação, abordando 
informações sobre dimensões para pré-dimensionamento e tipos de seções 
transversais. 
Vale destacar que as dimensões recomendadas indicadas consistem em 
orientações para pré-dimensionamento de elementos estruturais. As medidas 
obtidas não devem ser tomadas como efetivas para uma etapa de execução sem 
que antes sejam realizados os devidos cálculos de dimensionamento e 
verificação que as normas técnicas preconizam. 
TEMA 1 – ASSOCIAÇÃO DE VIGAS E PILARES DE MADEIRA SERRADA 
As estruturas executadas em madeira serrada consistem em um sistema 
pré-fabricado, uma vez que as peças são produzidas fora do canteiro, para 
posteriormente serem transportadas e montadas na obra. 
Ao sistema estrutural composto por vigas e pilares vinculados, damos o 
nome de pórtico. No caso de construções em madeira serrada, a forma mais 
comum de associação para obtenção de um pórtico consiste na disposição dos 
 
 
3 
pilares na vertical e das vigas na horizontal, com a execução da ligação, que 
pode ser de diversos tipos, como pregada, com uso de chapas metálicas, 
encaixe, entre outros. Falaremos em detalhes sobre os tipos de ligações nas 
próximas etapas. 
Saiba mais 
Conheça a Casa da Quitandinha, da 247 Arquitetura, nos links abaixo: 
• Disponível em: . Acesso em: 21 jun. 2024; 
• Disponível em: . Acesso em: 21 jun. 2024. 
Para situações que exijam grandes vãos ou alturas, pode ser feita a 
associação de diversas peças serradas formando um sistema de pórtico 
treliçado. Essa forma de associação foi mais utilizada na construção civil do país 
até a Segunda Guerra Mundial, sendo que após esse evento histórico ocorreu o 
aumento do uso do aço no país em virtude, principalmente, da criação da 
Companhia Siderúrgica Nacional, em 1946. 
Mais recentemente, ganhou espaço o uso da madeira engenheirada, que 
é um sistema que permite vencer grandes vãos em virtude da possibilidade de 
fabricação de grandes vigas, inclusive vigas curvas. 
Figura 1 – Exemplo de pórtico em madeira engenheirada 
 
Créditos: Myfotoprom/Shutterstock. 
 
 
4 
Uma obra de referência que utilizou o sistema de vigas e pilares em 
madeira serrada foi a residência Hélio Olga, projeto datado de 1990 e de autoria 
do arquiteto Marcos Acayaba. 
Saiba mais 
Conheça a residência Hélio Olga nos links abaixo: 
• Disponível em: . 
Acesso em: 21 jun. 2024; 
• Disponível em: . 
Acesso em: 21 jun. 2024. 
Com esse projeto, podemos observar que uma forma de se obter a seção 
transversal final das vigas e pilares consiste no uso de duas ou mais peças de 
madeira formando um mesmo elemento estrutural. 
O uso de duas peças para compor um mesmo elemento estrutural 
apresenta duas vantagens principais: facilita a execução das ligações entre vigas 
e pilares e possibilita a utilização de peças mais resistentes a um custo reduzido, 
aproveitando bitolas comerciais mais econômicas em vez de vigas ou pilares de 
dimensões maiores, que podem ser mais caros. 
Meirelles (2010) apresenta exemplos de vinculações entre peças de 
madeira serrada, como o esquema apresentado na Figura 2, com a indicação de 
bitolas comerciais utilizadas para construções em madeira com vãos da ordem 
de 4 metros, que consiste em um vão convencional e econômico para esse tipo 
de sistema construtivo. 
Figura 2 – À esquerda, pilar com seção simples e viga principal com seção 
composta por duas peças; à direita, pilar com seção composta por duas peças 
de madeira e vigas com seção simples 
 
 
 
5 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
É possível utilizar duas ou mais peças para formar um mesmo elemento 
estrutural. Na Figura 3, é apresentado um exemplo de detalhe de pilar composto 
por 4 peças em madeira. 
Figura 3 – Pilar composto por 4 peças em madeira 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
TEMA 2 – SOLUÇÕES ESTRUTURAIS DE PAVIMENTOS 
A concepção de uma construção em madeira deve sempre considerar as 
soluções de piso disponíveis para o sistema adotado. No caso de edificações em 
madeira serrada, o tipo mais comum de piso consiste nos assoalhos de madeira, 
podendo também ser utilizados painéis de placas cimentícias (por exemplo, 
painel wall) ou OSB. Devido aos tipos de pisos utilizados, que vencem pequenos 
 
 
6 
vãos, é comum que o sistema estrutural do piso dessas construções seja 
composto por vigas principais e secundárias biapoiadas. 
Chamamos de vigas secundárias aquelas sobre as quais o piso (assoalho 
ou painel) se apoia, enquanto as vigas principais recebem as cargas das vigas 
secundárias. As vigas secundárias são dispostas paralelamente entre si com um 
determinado afastamento, dependendo do tipo de piso adotado. Além de 
suportarem as cargas do piso, as vigas secundárias também melhoram o 
funcionamento da estrutura ao aumentar sua rigidez transversal. Elas funcionam 
como contraventamentos entre as vigas principais, permitindo uma melhor 
distribuição de carga e reduzindo o efeito das vibrações. 
As vigas principais são responsáveis por encaminhar as cargas até os 
pilares e, portanto, devem possuir geometria de seção transversal adequada 
para vencer os vãos entre os pilares. No caso do uso de assoalhos de madeira, 
as vigas secundárias devem ser espaçadas de 40 a 60 cm de eixo a eixo, 
dependendo da madeira utilizada no piso e de sua resistência. 
Rebello (2007) apresenta em seu livro recomendações para as dimensões 
das vigas principais e secundárias (esta última também chamada de nervuras 
pelo autor), conforme pode ser observado na Figura 4. 
Figura 4 – Sistema estrutural de um pavimento com piso de assoalho 
 
Fonte: Rebello, 2007. 
 
 
7 
A distância entre as vigas secundárias, quando se utilizam painéis, é 
determinada pelo vão resistente do painel, informação que deve ser obtida 
diretamente do fabricante. Por exemplo, os painéis wall podem vencer vãos de 
até 125 cm. Essa solução permite utilizar distâncias maiores entre as vigas 
secundárias, reduzindo o consumo de madeira na estrutura e os custos com mão 
de obra. 
Figura 5 – Sistema estrutural de um pavimento com piso em painel 
 
Fonte: Rebello, 2007. 
Como pode ser observado nas imagens anteriores, a solução mais 
eficiente consiste em posicionar as vigas secundárias no sentido do menor vão 
e as vigas principais no sentido do maior vão. Quanto à disposição das vigas 
principais e secundárias no pavimento, há duas abordagens principais: vigas 
principais e secundárias no mesmo nível; vigas secundárias apoiadas nas vigas 
principais por cima destas. 
A solução comvigas principais e secundárias dispostas no mesmo nível 
permite uma redução na altura estrutural, pois ambos os elementos estão no 
mesmo plano, como ilustrado no esquema da Figura 6. No entanto, esse método 
possui um processo de execução mais complexo, exigindo um ajuste preciso das 
peças. 
 
 
 
8 
Figura 6 – Solução de piso com vigas secundárias e principais no mesmo nível 
 
Fonte: Meirelles, 2010. 
Figura 7 – Detalhe de piso com vigas secundárias e principais no mesmo nível 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
9 
Já a solução com vigas principais e secundárias dispostas uma sobre a 
outra, como mostrado na Figura 8, criando dois níveis estruturais no pavimento, 
oferece uma execução mais rápida, porém consome mais altura na construção. 
Figura 8 – Solução de piso com vigas secundárias e principais em dois níveis de 
apoio 
 
Fonte: Meirelles, 2010. 
Figura 9 – Solução de piso com vigas secundárias e principais em dois níveis de 
apoio 
 
Fonte: Martins, 2010. 
Em geral, as estruturas de pavimento com madeira serrada têm um vão 
máximo de 4 a 5 metros, devido às limitações de dimensões dos troncos das 
árvores. Em casos excepcionais, podem ser observadas peças com vãos 
maiores, chegando a 7 a 8 metros, o que geralmente aumenta o custo da 
construção. Para vãos maiores, recomenda-se o uso de sistemas construtivos 
com madeiras engenheiradas. 
 
 
10 
TEMA 3 – COORDENAÇÃO MODULAR 
Sistemas construtivos pré-fabricados exigem que a concepção do projeto 
arquitetônico ocorra de modo modular. A coordenação modular consiste em 
definir e racionalizar as dimensões dos componentes de uma construção por 
meio de medidas modulares, relacionando as dimensões dos materiais da 
construção com as dimensões dos ambientes arquitetônicos, visando obter uma 
construção econômica e com menor desperdício de materiais. 
Atualmente, o tipo de sistema estrutural mais utilizado em nosso país é o 
concreto armado, por ser um material barato e não exigir mão de obra 
especializada. No entanto, já começamos a observar sinais de escassez das 
matérias-primas do concreto armado, além de estudos que indicam um possível 
aumento do custo desse material ao longo dos anos, principalmente devido à 
necessidade de redução das emissões de CO2 na construção civil. 
Portanto, é essencial que durante o estudo de viabilidade de um 
empreendimento sejam avaliadas alternativas de sistemas construtivos e 
estruturais que visem economia para o cliente, além de soluções mais 
sustentáveis. Os sistemas construtivos em madeira só conseguem se tornar 
competitivos do ponto de vista econômico, em comparação ao concreto armado, 
se forem bem projetados, levando em consideração as características e 
vantagens da madeira. Para isso, a concepção deve considerar, sempre que 
possível, o estudo da coordenação modular, com definição de geometrias 
compatíveis com o material disponível no mercado. 
O estudo e aplicação da coordenação modular nas construções não são 
técnicas novas. Berriel (2009) afirma que no Japão, por muitos séculos, a 
composição arquitetônica obedeceu às regras determinadas pelas dimensões 
do “tatami”, uma esteira retangular de palha que revestia o piso das casas 
tradicionais. 
A coordenação modular permite reduzir o desperdício ao minimizar os 
cortes dos componentes de uma construção. Com isso, é possível também 
reduzir as despesas com destinação de resíduos da construção civil, além de 
aumentar o rendimento da mão de obra e consequentemente reduzir os prazos 
de execução, o que diminui os custos de um empreendimento. Erros de projeto 
e retrabalhos também são mitigados quando são aplicados os conceitos da 
coordenação modular na etapa de projeto. 
 
 
11 
Na concepção com aplicação dos conceitos da coordenação modular, 
tanto as dimensões no plano horizontal quanto vertical devem ser escolhidas de 
maneira que pertençam a um sistema de medida comum, o que influencia tanto 
as distâncias entre pilares quanto as entre vigas e as medidas de pé-direito. 
Abaixo, é apresentado o exemplo de uma planta de uma residência 
tradicional japonesa, onde é possível observar a disposição dos ambientes com 
base em uma grade definida a partir de uma medida base da coordenação 
modular. 
Figura 10 – Grelha em planta de uma casa japonesa 
 
Fonte: Berriel, 2009. 
Segundo o que foi apresentado por Berriel (2009), o grande difusor da 
ideia de coordenação modular e do módulo decimétrico (10 cm) foi A. F. Bemis, 
um industrial de Boston. De acordo com a autora, A. F. Bemis afirma que na 
coordenação modular todos os objetos de uma construção devem satisfazer à 
condição de possuírem dimensões múltiplas de uma medida comum, chamada 
módulo, que são comensuráveis entre si e, portanto, também em relação ao 
edifício que formam quando integrados. 
Trata-se de uma questão fundamental, ao se escolher um sistema 
construtivo — seja ele constituído por elementos de madeira ou não —
, a definição ou concepção do funcionamento da estrutura e de sua 
relação — de dependência ou independência — com os elementos de 
vedação. (Berriel, 2009) 
Saiba mais 
O site do Programa de Tecnologia de Habitação (HABITARE) disponibiliza 
a publicação “Introdução à coordenação modular da construção no Brasil”, que 
aborda conceitos da coordenação. Disponível em: 
 
 
12 
. Acesso em: 20 jun. 2024. 
TEMA 4 – DIMENSÕES MÍNIMAS E PRÉ-DIMENSIONAMENTO 
As peças em madeira serrada comercializadas no país possuem diversas 
dimensões em seção transversal. Popularmente, as medidas de seção 
transversal, ou seja, altura x largura de uma peça de madeira, são conhecidas 
como bitolas. Zenid (2009) apresenta na publicação “Madeira, uso sustentável 
na construção civil” uma tabela com as dimensões dos principais produtos da 
madeira serrada, que é transcrita abaixo. 
Produtos Espessura (mm) Largura (mm) Comprimento (m) 
Pranchão Maior que 70 Maior que 200 Variável 
Prancha 40 - 70 Maior que 200 Variável 
Viga Maior que 40 110 - 200 Variável 
Vigota 40 - 80 80 - 110 Variável 
Caibro 40 - 80 50 - 80 Variável 
Tábua 10 - 40 Maior que 100 Variável 
Sarrafo 20 - 40 20 - 100 Variável 
Ripa Menor que 20 Menor que 100 Variável 
Dormente 160 - 170 220 - 240 2,00 - 5,60/ 2,80 - 5,60 
Pontalete 75 75 Variável 
Bloco Variável Variável Variável 
Fonte: Zenid, 2009. 
Os produtos listados acima podem ser encontrados com diferentes 
dimensões nas diversas regiões do país. Alguns exemplos de dimensões 
comerciais são apresentados a seguir: 
Produto Dimensões (cm) 
Vigotas ou terças 6 x 12 e 6 x 16 
Sarrafos 2,5 x 10 ; 2,5 x 10 e 2,5 x 15 ; 3,8 x 7,5 ; 2,2 x 7,5 
Pranchas 8 x 20 
Caibros 
5 x 6 ; 5 x 7 ; 6 x 6 ; 6 x 8 ; 6 x 12 ; 
6 x 16 ; 6 x 20 ; 6 x 24 ; 7,5 x 5 ; 
7,5 x 7,5 
Tábuas 2,5 x 11,5 ; 2,5 x 15 ; 2,5 x 20 ; 2,5 x 25 e 2,5 x 30 
Ripas 1,2 x 5 e 1,5 x 5 
Pontaletes 8 x 8 
Vigas 
12 x 20 ; 12 x 24 ; 12 x 30 ; 12 x 36 ; 7,5 x 15 ; 15 x 15 ; 6 x 12 ; 6 
x 16 ; 5 x 20 
Pilares 12 x 12 e 17 x 17 
As peças roliças podem ser encontradas com seção transversal circular 
com diversos diâmetros. Por exemplo, para as peças em eucalipto é comum que 
sejam encontrados diâmetros que variam entre 15 cm e 28 cm. 
 
 
13 
Do ponto de vista de comportamento estrutural e critérios relacionados ao 
desempenho e durabilidade, a norma de Projeto de estruturas de madeira, ABNT 
NBR 7190, estabelece que “nas peças principais isoladas, como vigas e barras 
longitudinais de treliças, a área mínima das seções transversais é de 50 cm² e 
espessura mínima de 5 cm”. Segundo a norma, para as peças secundárias esses 
limites se reduzem para 18 cm² e 2,5 cm. 
Quando forem utilizadas peças múltiplas, como vigas ou pilares 
compostos, a área mínima da seção transversal de cada peça deve ser de 35 
cm² com espessura mínima de 2,5 cm. 
Figura 11 – Representação das dimensõesmínimas das peças estruturais em 
madeira segundo a ABNT NBR 7190 
 
 
 
Fonte: Szücs, 2015. 
As dimensões dos elementos estruturais em madeira serrada podem ser 
estimadas na etapa de concepção arquitetônica através do uso dos ábacos 
traduzidos pelo arquiteto Yopanan C. P. Rebello ou por formulações simples de 
pré-dimensionamento. 
Para vigas principais, para definição da altura da peça em uma etapa de 
pré-dimensionamento, pode ser utilizada a seguinte relação: 
 
 
14 
h = ℓ/17 a ℓ/20 
Onde: 
• ℓ = vão (em cm); 
• h = altura da viga (em cm). 
A largura pode ser definida para uma estimativa pela expressão b = h/6 a 
h/3 ou ser definida de acordo com a disponibilidade comercial da região. 
Figura 12 – Representação do vão de uma viga e a altura pré-dimensionada 
 
Fonte: Rebello, 2007. 
Vale relembrar que as vigas de madeira serrada são econômicas para 
vãos de até 4 ou 5 metros. Para vãos maiores, uma alternativa de solução de 
piso com uso de madeiras serradas são as vigas vagão ou as vigas treliçadas 
de banzos paralelos. 
Para o uso de vigas treliçadas para o piso, a relação de vão para pré-
dimensionamento é indicada na imagem abaixo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
Figura 13 – Pré-dimensionamento de vigas treliçadas para pisos 
 
Fonte: Rebello, 2007. 
Existem autores, como Ching (2010), que recomendam uma relação de 
pré-dimensionamento de L/18 para as treliças. Este autor indica vãos de 5 a 18 
metros para o uso desse tipo de sistema estrutural em madeira para pisos. 
As vigas vagão são obtidas da associação de uma viga de alma cheia e 
um cabo. Segundo Rebelo (2005), consiste em uma viga cujo vão é diminuído 
pela colocação de montantes, que apoiam o cabo. Segundo o autor, a viga vagão 
pode ter um ou mais montantes e, para o correto comportamento deste tipo de 
estrutura, o cabo deverá ter a forma funicular. 
Figura 14 – Representação do formato do cabo para uma viga vagão 
 
Fonte: Rebello, 2007. 
O pré-dimensionamento de uma viga vagão pode ser realizada conforme 
orientado na Figura 15. 
Figura 15 – Relação de pré-dimensionamento de uma viga vagão 
 
Fonte: Rebello, 2007. 
Em alguns casos, pode ser aplicado o uso de vigas treliçadas com duas 
águas invertidas, como no exemplo da Figura 16. 
 
 
16 
Figura 16 – Treliça com duas águas invertidas para uso como sistema de piso 
 
Fonte: Rebello, 2007. 
Outra forma de pré-dimensionamento consiste no uso dos ábacos de pré-
dimensionamento, que são gráficos que apresentam nas abscissas (eixo x) 
valores correspondentes a uma das variáveis, como vão ou número de 
pavimentos. 
Nas ordenadas (eixo y), é apresentado o valor da medida que se busca 
com o pré-dimensionamento (altura de laje, viga ou dimensão mínima de um dos 
lados de um pilar). 
 
Você irá observar que os gráficos são compostos pelos eixos citados e 
por uma área hachurada, que varia de acordo com o tipo de gráfico. Essa área 
hachurada é delimitada por uma linha superior, que indica os valores máximos 
para pré-dimensionamento, e por uma linha inferior, que representa os valores 
mínimos para pré-dimensionamento. 
 
 
17 
Não há uma regra para o uso desses ábacos, devendo o usuário utilizar 
bom senso e seu conhecimento em relação aos tipos de cargas nas estruturas, 
assim como ao comportamento esperado do elemento (por exemplo: vigas 
acima de janelas devem ter deslocamentos muito controlados para evitar 
problemas no uso, sendo interessante considerar o uso do limite superior no pré-
dimensionamento). 
A seguir, são apresentados os ábacos de pré-dimensionamento para 
vigas e pilares. 
 
Fonte: Rebello, 2007. 
 
 
18 
 
Fonte: Rebello, 2007. 
 
 
19 
TEMA 5 – ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES EM MADEIRA SERRADA 
Por utilizar um sistema pré-fabricado, as edificações em madeira exigem 
a execução de ligações entre os elementos estruturais. Quanto mais simples 
essas ligações forem de executar, menos rigidez conferem à estrutura. Assim, 
geralmente, a estrutura de madeira deve ser contraventada e estabilizada contra 
ventos. 
A estabilização pode ocorrer pela rigidez intrínseca da estrutura, utilizando 
ligações rígidas e peças mais robustas, ou através de sistemas complementares 
de estabilização. Um desses sistemas é o uso de contraventamentos com cabos 
de aço, como ilustrado no esquema da Figura 17. 
Figura 17 – Contraventamento com uso de cabo de aço em X 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
Este sistema de travamento foi empregado na residência do arquiteto 
Marcos Acayaba, uma edificação realizada com pilares hexagonais de madeira 
jatobá, apoiados em pilares de concreto armado por meio de uma vinculação 
simples e articulada, utilizando aparelhos de apoio de aço. Toda a sustentação 
da casa é feita em apenas três pilares de concreto, o que confere à residência 
uma maior flexibilidade, exigindo o uso dos travamentos em aço. 
 
 
20 
Figura 18 – Residência Marcos Acayaba 
 
Crédito: Nelson Kon. 
O travamento da estrutura também é assegurado pela grelha de piso 
utilizada, que associada aos cabos de aço proporciona a estabilidade desejada. 
Segundo Nakanishi (2007), “o triângulo é uma forma geometricamente 
indeformável. Já o quadrado é deformável quando não são utilizados 
travamentos nas diagonais internas”. Essa situação é ilustrada pela autora e 
representada na Figura 19. 
Figura 19 – Comportamento à deformação de formas triangulares e retangulares 
 
 
 
 
 
 
21 
Figura 20 – Vista dos pilares árvore da Residência Marcos Acayaba 
 
Crédito: Acayaba, 2021. 
Figura 21 – Aparelho de apoio em aço dos pilares árvore da Casa Marcos 
Acayaba 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
22 
Os sistemas de vedação da construção e a composição da grelha do piso 
(incluindo vigas e tipo de piso) também podem contribuir para a estabilização de 
uma construção. Por isso, edificações com sistemas mais leves tendem a exigir 
mais frequentemente o uso de contraventamentos, tanto no piso quanto nos 
sistemas verticais. 
Edificações com elementos estruturais maiores e mais robustos, e com 
sistemas de vedação mais rígidos, como é o caso das alvenarias, podem 
dispensar um sistema de estabilização adicional. Isso é observado na 
Residência Schuster, do arquiteto Severiano Mário Porto, reconhecido por suas 
contribuições nas construções em Manaus. 
Segundo Simões (2017), os trabalhos de Severiano contribuíram para a 
desmistificação de alguns preconceitos da elite manauara em relação à 
utilização da madeira em construções urbanas, “que anteriormente era malvista, 
sendo associada apenas a casas populares”. 
Na Residência Schuster, que pode ser visualizada nos links adicionais, 
não são necessários travamentos, uma vez que a estabilidade da construção é 
garantida pelo próprio sistema de vigas e pilares da casa, aliado ao uso de 
alvenarias de vedação. 
Saiba mais 
Conheça a Residência Schuster e a obra do arquiteto Severiano Porto: 
• Disponível em: . Acesso em: 21 
jun. 2024; 
• Disponível em: . 
Acesso em: 21 jun. 2024. 
TROCANDO IDEIAS 
No site ArchDaily, foi publicada uma matéria em abril de 2020 com uma 
lista de 20 residências brasileiras construídas em madeira. Na seleção feita pelo 
autor, podemos encontrar tanto casas feitas com madeira serrada quanto roliça, 
além das construídas com madeira engenheirada, este último tópico de nosso 
material. 
Convido você a ler a matéria mencionada, que está disponível em: 
. Acesso em: 20 jun. 2024. 
Após a leitura, responda: quais casas são feitas em madeira serrada e/ou 
roliça? E quais casas são construídascom madeira engenheirada? Com base 
na análise dos projetos e imagens das residências, quais são as principais 
diferenças observadas nas concepções quando comparamos o sistema de 
madeira engenheirada com o sistema de viga e pórtico executado com madeiras 
serradas ou roliças? 
NA PRÁTICA 
Para definir a melhor forma de associar os elementos em madeira serrada, 
devem-se avaliar as dimensões dos cômodos, estudar o programa de 
necessidades, considerar a altura disponível, a disponibilidade de materiais na 
região e avaliar os vãos recomendados para as peças em madeira. 
Para orientar nesse último aspecto, Ching (2010) apresenta um gráfico 
com informações sobre os vãos convencionais para diferentes elementos 
horizontais utilizados em estruturas de madeira. 
 
O autor também oferece outras orientações que complementam o exposto 
ao longo desta publicação e são aqui transpostas para ajudar na prática dos 
cuidados necessários durante a concepção de uma edificação em madeira: 
• Nas estruturas de madeira, os pilares externos geralmente são menores 
do que os internos, uma vez que recebem áreas contribuintes menores. 
• Se houver balanços, os pilares de quina podem transferir cargas 
equivalentes aos pilares internos, podendo ser projetados com dimensões 
similares aos pilares internos. 
 
 
24 
 
• Sempre que o sistema de piso com viga principal e vigas secundárias 
(barrotes) ficar exposto, o que é comum neste tipo de sistema, é preciso 
ter cuidado na escolha da espécie e na qualidade da madeira utilizada, 
assim como nos detalhes das conexões. 
• O uso de balanços é possível, apesar de não ser comum devido à 
limitação de comprimento das vigas serradas disponíveis no mercado. 
Para utilizar balanços, as vigas devem ter apoio e continuar além deste 
apoio na extremidade, conforme esquematizado na figura a seguir. O 
limite recomendado para a dimensão do balanço é de ¼ do vão entre 
apoios. 
Figura 22 – Esquema de estrutura de madeira com vigas principais e 
secundárias, balanços e contraventamentos em X para estabilização 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
25 
• Para estabilizar uma estrutura, é necessário utilizar contraventamentos 
diagonais ou um conjunto de paredes. 
• Se houver necessidade de abertura ou cargas concentradas no 
pavimento, deve-se estudar uma estrutura independente adicional, 
conforme indicado na figura a seguir. 
Figura 23 – Esquema de estrutura de madeira com vigas principais e 
secundárias, balanços, paredes para estabilização e a indicação de uma região 
com abertura, que exige uma concepção particular 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
• O autor recomenda que as dimensões da seção transversal dos pilares 
de madeira podem ser obtidas a partir das seguintes relações. 
 
 
 
 
 
 
 
26 
Figura 24 – Pré-dimensionamento de pilares 
 
Fonte: Ching, 2010. 
Na Figura 25, é apresentada uma imagem com algumas regras gerais 
para o pré-dimensionamento de pilares. 
Figura 25 – Recomendações gerais para pré-dimensionamento de pilares 
 
Fonte: Ching, 2010. 
 
 
27 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, abordamos o uso de madeiras serradas na construção de 
edificações. Foram discutidas informações sobre os tipos de sistemas estruturais 
para os pavimentos, seções mais convencionais, a importância de 
contraventamentos e recomendações para o pré-dimensionamento. 
É importante mencionar que as madeiras serradas também são 
amplamente utilizadas para as coberturas das edificações, seja no caso de 
coberturas apoiadas em lajes, com uso de pontaletes, ou em coberturas 
executadas com grandes vãos livres e elementos em arco ou treliças. Nas 
próximas etapas, serão apresentadas informações sobre a aplicação desse 
material também nas coberturas. 
Parte do estudo do sistema construtivo abordado neste material inclui a 
análise das ligações, que serão o foco de um capítulo específico sobre o assunto. 
Observa-se, ainda, que o uso da madeira serrada é justificado e aplicável 
em construções onde os vãos variam entre 4 e 6 metros. Vãos maiores 
eventualmente podem ser viabilizados, dependendo da disponibilidade de 
madeira na região, mas geralmente envolvem custos elevados. 
Quando necessário projetar ambientes com vãos mais amplos e alturas 
elevadas, o uso de madeiras engenheiradas se torna a melhor alternativa. 
Portanto, na próxima etapa abordaremos este sistema construtivo. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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