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 Constituição da Madeira
A madeira se origina dos troncos das árvores, formados por tecidos vegetais de diversas funções. O tronco é composto, do exterior para o interior, por:
Casca externa e interna – protege os tecidos internos contra agentes externos.
Liber – conduz a seiva elaborada (descendente).
Alburno (ou câmbio) – tecido vivo que transporta a seiva bruta (ascendente).
Cerne – madeira dura e consistente, impregnada de tanino e lignina, parte mais nobre da árvore.
Medula – núcleo central, de material mole.
A estrutura do tronco revela anéis de crescimento, que indicam a idade da árvore e refletem as condições climáticas.
Quimicamente, a madeira é constituída por celulose e lignina, com composição média de:
50% carbono, 42–44% oxigênio, 5–6% hidrogênio, 1% nitrogênio e 1% de materiais minerais.
Os cortes realizados no estudo da madeira são:
Transversal – mostra cerne e alburno;
Longitudinal – revela a fibrosidade;
Tangencial – indica o curso das fibras.
Classificação das Madeiras
As madeiras se dividem em dois grandes grupos botânicos:
Coníferas (Resinosas) – da classe das gimnospermas, como o pinho e pinheirinho.
Frondosas (Dicotiledôneas) – das angiospermas, como aroeira-do-sertão, sucupira, jatobá, imbuia, cedro, jequitibá-rosa, peroba, entre outras.
As frondosas compõem a maior parte das madeiras empregadas na construção civil, marcenaria e indústria naval, por sua resistência e densidade variáveis.
 Características Físicas e Mecânicas
Características Físicas:
Umidade: afeta diretamente a resistência; a madeira verde contém até 80% de água. Após secagem natural, atinge 25% (ponto de saturação).
Peso específico: varia de 0,30 a 1,30 g/cm³, conforme espécie e origem.
Retratilidade: refere-se à contração linear e volumétrica com a perda de umidade.
A secagem natural ao ar ou em estufa (105 °C) reduz a umidade até o equilíbrio higrométrico.
Características Mecânicas:
Dependem do teor de umidade e peso específico. As principais propriedades são:
Resistência à compressão (paralela e normal às fibras);
Módulo de elasticidade à compressão e à flexão;
Resistência à tração, cisalhamento e fendilhamento;
Dureza e tenacidade (resistência a choques).
As melhores madeiras provêm de árvores altas, com troncos retos, homogêneos e regulares, sendo duras, mas de fácil usinagem.
 Principais Espécies Brasileiras e Aplicações
As madeiras brasileiras se destacam pela variedade e qualidade. Algumas espécies e suas densidades médias:
Angelim (0,85–1,00 g/cm³): móveis, construção naval e civil.
Amendoim (0,80–0,90): móveis, assoalhos, ferramentas.
Angico (0,70–0,95): dormentes, construções rurais.
Aroeira-do-sertão (0,85–1,70): postes, pontes, estruturas pesadas.
Cabreúva (0,90–1,10): móveis finos, pisos, interiores.
Canela (0,60–0,75): carpintaria e móveis.
Cedro (0,65–0,75): móveis e compensados.
Jatobá (0,80–1,10): estruturas, dormentes, pisos.
Jequitibá-rosa (0,50–0,70): móveis e compensados.
Ipê (0,90–1,20): pisos, implementos agrícolas.
Peroba (0,75–0,85): esquadrias, carrocerias, móveis.
Pinho-do-Paraná (0,50–0,60): móveis e compensados.
Sucupira (0,90–1,10): pisos, móveis, implementos.
A escolha depende da densidade, resistência e finalidade de uso.
 Defeitos e Deformidades da Madeira
A madeira está sujeita a anomalias estruturais e enfermidades que comprometem seu uso:
Defeitos principais:
Fibra torcida ou revirada – crescimento helicoidal, reduz a resistência.
Nós e irregularidades – interferem na homogeneidade.
Excentricidade do cerne – crescimento desigual, baixa elasticidade.
Fendas e gretas – reduzem resistência e dificultam o uso industrial.
Agentes biológicos destrutivos:
Fungos e bactérias – degradam celulose e lignina.
Insetos e cupins – perfuram e fragilizam a estrutura.
Moluscos marinhos – atacam madeiras submersas, formando galerias.
O tratamento preventivo mais comum é o uso de creosoto ou sulfato de cobre.
Preservação da Madeira
A secagem é o principal método de preservação. Pode ser:
Natural (ao ar, protegida da chuva)
Artificial (em estufa).
Outros métodos:
Tratamento superficial – pintura ou imersão em preservativos (creosoto, sulfato de cobre, óleos asfálticos).
Impregnação sob pressão/vácuo – o mais eficiente, pois atinge o interior da madeira.
Esses tratamentos aumentam a durabilidade, resistência à umidade e aos agentes biológicos.
 Aplicações da Madeira
A madeira tem uso diversificado nas áreas:
Construção civil – vigas, assoalhos, esquadrias e telhados.
Carpintaria e marcenaria – móveis, acabamentos e ornamentações.
Construção naval e mecânica – peças estruturais e decorativas.
Transporte e veículos – carrocerias, revestimentos, tábuas.
Compensados e Contraplacados
Produzidos com três ou mais lâminas sobrepostas, com fibras cruzadas a 90°, coladas com adesivo resistente.
Propriedades:
Alta resistência mecânica;
Estabilidade dimensional;
Resistência ao fendilhamento e à flexão nos dois sentidos;
Excelente aproveitamento da madeira.
São amplamente usados em arquitetura, móveis, barcos, aviões e embalagens.
Conclusão
A madeira é um material versátil, renovável e estratégico para a humanidade.
Sua importância vai muito além da construção: abrange desde a produção de energia, tecidos e combustíveis até o uso tecnológico e industrial.
Quando manejada de forma sustentável, a floresta se torna um recurso perene, capaz de fornecer matéria-prima indefinidamente, mantendo o equilíbrio ambiental e econômico.
A durabilidade e o desempenho da madeira dependem da espécie, teor de umidade, forma de secagem e tratamento preservativo.
Assim, compreender sua constituição, classificação e propriedades é essencial para garantir aplicações seguras, eficientes e ecológicas nas mais diversas áreas da engenharia e das ciências dos materiais.

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