Prévia do material em texto
Transformações nas organizações e novas tecnologias de gestão Transformações recentes nas organizações e novas estratégias de gestão socioambiental. Profª. Juliana Velloso 1. Itens iniciais Propósito As novas estratégias de gestão da agenda socioambiental empresarial têm adquirido cada vez mais espaço e pressupõem que as empresas atuem além do que a legislação estabelece. Esse conhecimento permitirá que você esteja preparado para lidar com as mudanças e atualizações sobre os novos conceitos de gestão socioambiental. Objetivos Reconhecer os principais desafios sociais e ambientais das corporações. Identificar as principais ferramentas de gestão socioambiental das empresas. Descrever os instrumentos de monitoramento de sistemas de gestão socioambiental. Identificar as características da gestão ambiental compartilhada. Introdução A teoria econômica tradicional baseia-se na premissa de que os homens são racionais e agem egoisticamente para maximizar a satisfação de seus interesses. Por essa razão, coube a uma instituição supostamente independente, o mercado, a responsabilidade pelo fluxo de todos os bens e serviços gerados por indivíduos e organizações. Por meio do livre jogo da oferta e da procura, o mercado seria capaz de garantir a distribuição dos bens entre a totalidade dos membros da sociedade, com a consequente satisfação de cada um. Contudo, para seu bom desempenho, o mercado precisa de grande margem de liberdade, não devendo o Estado interferir ou regular seu funcionamento. Sabe-se que, no mundo real, economia e sociedade não estão dissociadas e que o mercado não é uma instituição perfeita. Assim, convidamos você a estudar as transformações nas organizações e as novas estratégias de gestão socioambiental que vêm sendo incorporadas pelas empresas. Inicialmente, abordaremos a importância do gerenciamento dos aspectos sociais e ambientais nas organizações e como é fundamental e crescente o comprometimento dessas instituições, muito além do pagamento dos impostos. Em seguida, apresentaremos as ferramentas de gestão das agendas socioambientais das empresas e as mudanças recentes. Também discutiremos os instrumentos de monitoramento de sistemas de gestão socioambiental e, para finalizar, possibilidades de gestão ambiental compartilhada, explorando a economia circular, mais especificamente o conceito de simbiose industrial. Conhecendo e compreendendo as novas estratégias e ferramentas de gestão socioambiental das empresas, podemos refrear e mitigar os impactos sociais e ambientais, e consequentemente evitar perdas financeiras, reputacionais e de mercado para as corporações, assim como utilizar a força dos negócios para promover soluções para problemas enfrentados pela sociedade contemporânea. • • • • 1. Desafios sociais e ambientais Motivadores da agenda socioambiental empresarial Durante a Conferência de Estocolmo (1972), o representante do governo brasileiro defendeu que o controle da poluição era um entrave ao progresso e articulou a vinda para a cidade de Cubatão, em São Paulo, de indústrias altamente poluidoras, que estavam sendo expulsas dos países desenvolvidos. Naquela época, poluição ainda era sinal de progresso. Conferência de Estocolmo Evento que representou o primeiro alerta de grande repercussão sobre os graves riscos ambientais sofridos pelo planeta. Vista do interior do prédio de Sveriges Riksdag, onde foi realizada a Conferência de Estocolmo. Desde então, muita coisa mudou. Legislações foram instituídas, acordos foram estabelecidos e, com a difusão da tecnologia da informação, a visibilidade das ações do setor privado se tornou muito maior, dando espaço para crescente fiscalização e cobrança por parte da mídia e da sociedade. Além disso, como já demonstrado por meio de diversos estudos sobre as consequências das mudanças climáticas, o custo da inação é geralmente muito maior do que o de agir da forma correta. Assim, e por experiências práticas, o setor privado vem se conscientizando de que o custo financeiro de reduzir o passivo ambiental e de administrar conflitos sociais pode ser mais oneroso do que o custo de "fazer a coisa certa", isto é, de respeitar os direitos humanos e o meio ambiente de todos os povos. Inicialmente, essa mudança de comportamento foi motivada por restrições impostas pela legislação e por pressão da sociedade civil, mas terminou por influenciar o mercado, alterando as bases tradicionais da concorrência. Atenção Se as normas ambientais mais rigorosas representam um custo alto em pagamento de multas e mitigação dos danos ambientais, os acidentes e crimes ambientais provocam escândalos corporativos que abalam a confiança dos consumidores e acionistas, resultando em queda de vendas e, consequentemente, em prejuízos financeiros muito maiores. Tsunami no Japão. Outro fator de pressão, cuja influência cresceu significativamente nos últimos anos, devido aos inúmeros e sucessivos desastres ambientais atribuídos a ações antrópicas (entre eles, queimadas, chuvas intensas, tsunamis e furacões), relaciona-se ao risco real de uma crise ambiental de grandes proporções capaz de gerar escassez das matérias-primas e das fontes energéticas, que suportam o atual padrão de produção e consumo. Além disso, a crise climática atual impactará toda a sociedade, que precisará mudar a trajetória baseada em combustíveis fósseis, para conseguir limitar o aquecimento do planeta. Saiba mais Conforme o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (ONU, 2021), o aquecimento induzido pelo homem atingiu aproximadamente 1°C acima dos níveis pré-industriais em 2017 e irá aumentar em torno de 0,2°C por década. Diante disso, ações de mitigação são indispensáveis para limitar o aquecimento a 1,5°C e as empresas têm papel fundamental nesse processo. É importante ressaltar que o compromisso com a agenda climática engloba, concomitantemente, outras questões ambientais — de gestão de resíduos e água à proteção da biodiversidade e de meios de subsistência —, todas essenciais para uma abordagem holística da mudança climática, com as quais muitas empresas globais têm se preocupado de forma crescente. De fato, esse cenário vem preocupando alguns segmentos industriais, particularmente as indústrias do setor de petróleo e derivados, responsáveis pelo consumo de fontes não renováveis e por elevadas taxas de emissão de poluentes, além de incontáveis acidentes de grandes proporções. Um caso emblemático: Um dos piores desastres ambientais da história dos Estados Unidos, o vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010, já custou à petroleira britânica BP, principal empresa envolvida, mais de US$ 65 bilhões (R$ 238,5 bilhões), e a conta continua a aumentar. (CORRÊA, 2019) Atualmente, as gigantes do petróleo disputam a primazia de possuir as melhores tecnologias de energia renovável e de superar as metas na redução de emissões, em uma tentativa de mudar sua imagem pública desgastada por décadas na liderança da emissão de gases de efeito estufa (GEE). Empresas dos mais variados setores vêm assumindo compromissos públicos com as questões climáticas e questões ambientais, sociais e de governança (ASG). Ao menos no plano da retórica, representantes dos mais diversos setores encaram os custos ambientais como um investimento inerente ao negócio. Ao reconhecer que não tem autonomia para decidir como explorar os recursos de uma determinada região, a empresa demonstra maturidade para o diálogo e abre caminho para a obtenção do que se convencionou chamar “licença social para operar”. Finalmente, na era da globalização e na chamada sociedade da informação, os ativos intangíveis —isto é, o conjunto de recursos não materiais, como o conhecimento e a reputação — também possuem importância estratégica na condução dos negócios. Perder reputação pode representar um prejuízo financeiro incalculável. Assim, as empresas possuem inúmeros motivos para se comprometerem com agendas socioambientais, incorporando-as como parte da estratégia de negócio e buscando estratégiasmodernas de gestão socioambiental. A seguir, vamos abordar conceitos relevantes nessa agenda empresarial. Filantropia, responsabilidade social corporativa, sustentabilidade, empresa B e estratégia ASG Primeiro vamos conhecer a diferença entre filantropia e responsabilidade social corporativa. Ao se relacionar estrategicamente com seus públicos, a empresa precisa considerar inúmeras organizações de interesse civil/social/ambiental, além do público interno, acionistas, consumidores/clientes e fornecedores. Ela abrange uma ampla variedade de temas. Filantropia Durante muitos anos, empresários e empresas praticavam ações filantrópicas como forma de retribuir à sociedade parte dos ganhos adquiridos. Embora sejam relevantes para ajudar a sociedade a mitigar desafios, principalmente sociais, esses tipos de iniciativa não podem ser consideradas ações estratégicas e vinculadas a uma gestão socioambiental. Responsabilidade social corporativa A responsabilidade social corporativa (RSC) ganhou espaço nas corporações em meados da década de 1990 e foi adotada à época por diversas instituições. É definida pela relação que a empresa estabelece com todos os seus públicos (stakeholders) no curto e no longo prazo e de forma estratégica e não pontual. Ela está além do que a empresa deve fazer por obrigação legal, pois cumprir a lei não faz uma empresa ser socialmente responsável. Exemplo Os códigos de ética, as práticas de boa governança corporativa, os compromissos públicos assumidos pela empresa, a gestão e prevenção de riscos, as questões ambientais e a diversidade são alguns dos temas abrangidos. O ideal é que as empresas busquem compartilhar seus compromissos com essa agenda por toda sua cadeia produtiva. De acordo com o Instituto Ethos (2007, p. 5), a RSC é organizada em sete tópicos a serem explorados: Valores, transparência e governança. Público interno. Meio ambiente. Fornecedores e parceiros. Consumidores/clientes. Comunidade. Governo e sociedade. Ações sociais praticadas pelas empresas são relevantes para a sociedade, mas elas não são suficientes para afirmar que uma corporação é ou não socialmente responsável. Atenção É importante ressaltar a diferença entre filantropia e responsabilidade social. As duas podem trazer benefícios à sociedade, no entanto, a primeira tem caráter pontual, assistencialista e voluntário, enquanto a segunda explicita maior comprometimento com uma gestão socioambiental. Ao incorporar a responsabilidade social como estratégia, as empresas estão perseguindo a própria perenidade. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. No Brasil, o conceito de sustentabilidade começou a ser usado no final da década de 2010. As ações e estratégias de responsabilidade social corporativa passam a ser denominadas como ações, estratégias e área de sustentabilidade. Um conceito importante norteou estratégias de sustentabilidade: Triple bottom line ou, em português, tripé da sustentabilidade, que preconiza que as empresas precisam focar não apenas em questões financeiras, mas também ambientais e sociais. A busca passa a ser por prosperidade econômica, qualidade ambiental e justiça social. Tripé da Sustentabilidade. De acordo com Elkington (1998), há sete dimensões da sustentabilidade: Mercados Valores Transparência Tecnologias focadas no ciclo de vida Parcerias Tempo Governança corporativa No início do século XXI, o conceito de empresa B começou a ganhar força. As empresas B fazem parte de um movimento que tem como objetivo redefinir o conceito de sucesso nos negócios ao usar a sua inovação, velocidade e capacidade de crescimento não apenas para ganhar dinheiro, mas também para ajudar a mitigar a pobreza, a construir comunidades mais fortes, a recuperar o meio ambiente e a nos inspirar a trabalhar por um propósito maior. O “B” significa benefício e as empresas B querem construir um novo setor da economia no qual a corrida até o topo não quer dizer ser o melhor no mundo, mas sim o melhor para o mundo. A empresa, para ser considerada B, precisa passar por um processo de certificação. • • • • • • • Para finalizar, falaremos do conceito atualmente em voga no mercado: ambiental, social e governança (ASG). Esse termo, que vem sendo cada vez mais utilizado pelas empresas e no mercado financeiro, preconiza o enfoque em uma estratégia corporativa que priorize os três aspectos além da geração de lucro. Pelo lado dos investimentos ASG, as finanças sustentáveis passam a integrar aspectos ambientais, sociais e de governança nas tomadas de decisão de investimento pelos atores do mercado financeiro, e acabam gerando um círculo virtuoso, porque esses investimentos estimulam as empresas a investir em agendas ASG. Atualmente, é crescente o incentivo às boas práticas ASG. Consumidores sinalizam disposição a pagar mais por um produto de uma empresa que prioriza essas práticas. Além disso, com a internet, o consumidor e as organizações não governamentais atuam de forma mais enfática na vigilância permanente contra más práticas corporativas socioambientais. A importância e os princípios da gestão socioambiental nas corporações Até aqui ficou claro como questões socioambientais são vitais para a sustentabilidade das corporações. Um sistema de gestão ambiental é um conjunto inter‐relacionado de políticas, práticas e procedimentos organizacionais, técnicos e administrativos de uma empresa, que tem como objetivo a obtenção de um melhor desempenho ambiental, bem como o controle e a redução dos impactos ambientais. Empresas que adotam a gestão socioambiental e levam a sério, acabam não apenas se beneficiando em termos institucionais e reputacionais, mas também em termos financeiros. Atenção É cada vez maior a atenção dos consumidores ao impacto social e ambiental das empresas, assim como às restrições e obrigações, por meio de legislações, da vigilância de organizações não governamentais, da mídia e das redes sociais. Quando uma empresa coloca em prática estratégias e ferramentas de gestão socioambiental, ela consegue mensurar seus impactos e estabelecer medidas para diminuí-los ou zerá-los. Com o tempo, as empresas começaram a verificar que os recursos alocados na área ambiental se tornavam investimentos e proporcionavam vantagem competitiva (DONAIRE, 1999, p. 57). Diante disso, a partir da década de 1980, países desenvolvidos, como a Alemanha, começaram a incorporar a dimensão ambiental em suas estratégias de negócio. Inicialmente, isso foi introduzido de forma pontual até serem desenvolvidos e implementados sistemas de gestão ambiental e social. Desde então, diversas metodologias de gestão socioambiental foram desenvolvidas e vêm sendo aplicadas e aprimoradas. Benefícios da gestão socioambiental Ao incorporar questões socioambientais à sua estratégia e implementar a gestão desses temas, a empresa acaba encontrando muitas oportunidades de melhoria e economia de recursos financeiros e materiais em seus processos. Além disso, fica mais bem preparada para lidar com desafios de diferentes naturezas. As empresas provavelmente serão mais resilientes diante de choques inesperados e adversidades se forem administradas com objetivos de longo prazo e em linha com megatendências socioambientais, como inclusão e mudança climática. Entre os principais benefícios, podemos destacar: Redução de riscos de acidentes ambientais. Melhor utilização dos recursos naturais disponíveis, evitando desperdício e estimulando o reuso. Redução nas contas de água e luz. Adoção do descarte adequado de resíduos e da reutilização e melhor uso de materiais. Fortalecimento da imagem da empresa junto a fornecedores, clientes, autoridades, bem como toda a sociedade. Melhoria significativa na administração de recursos energéticos, humanos e materiais. • • • • • • No quadro a seguir, são apresentados benefícios da gestão socioambiental: Benefícios econômicos Benefícios estratégicos Economia devido à redução do consumo de água, energia e outros insumos. Melhoriada imagem institucional. Economia devido à reciclagem, à venda e ao aproveitamento de resíduos, bem como devido à diminuição de efluentes. Renovação e ampliação do portfólio de produtos/serviços. Redução de multas e penalidades por poluição. Aumento da eficiência nos processos. Aumento da contribuição marginal de “produtos verdes” a partir da agregação de valor. Aumento da produtividade. Linhas de novos produtos para novos mercados. Possibilidades de aumento no comprometimento dos atores envolvidos. Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da poluição. Expansão da criatividade e consequente preparo para novos desafios. Melhoria das relações com órgãos governamentais, comunidade e ONGs. Melhoria das relações com demais stakeholders. Aumento de oportunidades de acesso ao mercado externo. Melhor adequação aos padrões ambientais. Quadro: Benefícios da gestão socioambiental. Elaborador por: Juliana Velloso. A implantação de sistemas de gestão ambiental nas empresas diminui os impactos ambientais causados pelas suas atividades, com o uso sistemático de ferramentas. Os aspectos ambientais significativos devem ser medidos periodicamente e ter seus resultados comparados aos padrões legais aplicáveis. Temas que sempre precisam ser medidos pelas empresas são as emissões atmosféricas, os efluentes líquidos e os ruídos, seguindo as legislações ambientais. De forma geral, as empresas que realizam a gestão socioambiental se mostram mais preparadas para lidar com desafios e acabam performando melhor. Case : Interfaceflor Neste vídeo, a especialista apresentará o case de uma empresa considerada referência em sustentabilidade no mundo e que leva a gestão socioambiental a sério. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Objetivos de desenvolvimento sustentável Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Mudanças climáticas: o grande desafio ambiental atual da humanidade Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Um dos principais desafios da atualidade é o aquecimento global e ele vem gerando mudanças climáticas que são e serão sentidas, de diferentes formas, por todo o planeta. Um dos principais causadores do aquecimento global é a emissão de gases de efeito estufa. Indique como um sistema de gestão socioambiental poderia ajudar as corporações a lidarem melhor com esse desafio. A As empresas entenderiam melhor os impactos do aquecimento global em seus modelos de negócio, implementariam mudanças e metas para diminuir suas emissões, assim como ferramentas de monitoramento. B As empresas buscariam migrar suas fábricas para locais menos afetados pelas mudanças climáticas, mantendo seu padrão de impacto socioambiental. C As empresas buscariam conscientizar seus funcionários sobre a questão e estimulariam mudanças no dia a dia deles não alterando seus processos e produtos. D As empresas seguiriam a legislação ambiental e continuariam emitindo poluentes e gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global, até a mudança da legislação. E As empresas buscariam apenas copiar o que suas concorrentes estavam fazendo alterando marginalmente seus processos e tecnologias utilizadas. A alternativa A está correta. Muitas empresas começaram a verificar que as despesas realizadas com a proteção ambiental podem se transformar em vantagem competitiva. Ter uma estratégia e investir em um sistema de gestão ambiental pode ser fundamental para escolher a melhor forma de lidar com um desafio socioambiental como as mudanças climáticas. Questão 2 Ao incorporar a gestão socioambiental, a empresa precisa se relacionar com diferentes stakeholders e passar a tratar uma ampla variedade de temas que incluem, por exemplo, códigos de ética, práticas de boa governança corporativa, compromissos públicos assumidos pela empresa, gestão e prevenção de riscos, questões ambientais e diversidade. De acordo com o Instituto Ethos, referência no tema no país, há sete tópicos a serem explorados em uma estratégia de responsabilidade social corporativa. Identifique a alternativa a seguir que demonstra uma empresa que incorpora todas as temáticas na sua gestão. A A empresa Rouxinol possui uma estratégia socioambiental focada em projetos sociais no entorno da sua sede. A empresa não realiza a coleta seletiva de seus resíduos. Tem um programa que estimula ações sociais entre seus parceiros e fornecedores. Paga todos os impostos. Estimula seus funcionários a realizarem projetos sociais no tempo livre. B A empresa Tiê publica anualmente seu relatório de sustentabilidade, tem programas de valorização de seu corpo funcional e promove a qualidade de vida no ambiente de trabalho, segue todas as normas ambientais e faz a gestão ambiental de toda sua operação. Busca incentivar o mesmo comportamento entre seus fornecedores, é muito bem avaliada pelo relacionamento com os clientes, tem um programa regular de diálogo com as comunidades que são afetadas em suas operações e sempre dialoga com o governo sobre questões críticas ao seu negócio. C A empresa Sabiá tem ótimo relacionamento com seus cliente e acionistas. Tem alto índice de resolução de reclamações. Segue as normas ambientais que regem seu negócio. Realizam trabalhos sociais nas comunidades de seu entorno. O corpo funcional faz hora extra e segue uma política competitiva, que, muitas vezes, leva a problemas relacionais entre os funcionários. D A empresa Bemtevi ganhou o prêmio de melhor relatório de sustentabilidade por cinco anos consecutivos. Auxilia o governo como empresa piloto para o estabelecimento de aprimoramentos regulatórios. Realiza encontros semestrais com acionistas e representantes dos principais grupos de stakeholders. Recentemente, causou a poluição de um rio próximo à sua sede, impactando o consumo da comunidade do entorno. E A empresa Kea é referência em monitorar sua gestão socioambiental. Tem uma política de relacionamento com a comunidade e com diversos grupos com os quais se relaciona. Tem programas em prol de seu corpo funcional. Recentemente, recebeu multas por atraso no pagamento de impostos. A alternativa B está correta. Muitas empresas acabam focando apenas em alguns aspectos da gestão socioambiental, não incorporando uma estratégia de sustentabilidade de forma integral. A empresa Rouxinol não realiza a coleta seletiva dos seus resíduos, enviando a totalidade para aterros sanitários, sendo que parte do resíduo poderia se tornar matéria-prima para sua produção ou para outras empresas. A empresa Sabiá estimula a competitividade entre seus funcionários, o que leva a conflitos dentro da organização. A empresa Bemtevi polui um rio em seu entorno, impactando o modo de vida da comunidade e a empresa Kea recebeu multas por atraso no pagamento de impostos representando falha administrativa considerável. 2. Gestão socioambiental das empresas Ferramentas de gestão socioambiental Relatórios de sustentabilidade Quando se fala em sustentabilidade empresarial, um primeiro passo importante é elaborar um relatório de sustentabilidade, o qual permitirá entender em que ponto a empresa se encontra, estabelecer como a empresa pretende avançar e definir metas claras para tal. Além da importância da relatoria para o diálogo com as partes interessadas internas e externas, ela também se torna um instrumento de gestão de desempenho para a organização. O processo de elaboração dos relatórios de sustentabilidade envolve a identificação, a avaliação e a mensuração do desempenho em relação à sustentabilidade, ajudando na sua gestão. Esse processo, por si só, permite à organização desenvolver ou até mesmo aprimorar as suas estratégias de sustentabilidade e promover a integração entre diferentes áreas da empresa. A grande dificuldade em relação ao tema costuma estar na estruturaçãodos pontos a serem abordados no relatório, no levantamento e na análise de resultados de medidas sustentáveis, e na mensuração do impacto social e ambiental das operações no dia a dia da empresa. Nesse sentido, existem alguns modelos para apoiar as empresas na elaboração dos relatórios e um dos utilizados pelas grandes empresas e reconhecido internacionalmente é o estabelecido pelo Global Reporting Initiative (GRI). Indicadores Ethos O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma instituição que tem como objetivo mobilizar, sensibilizar e ajudar empresas a implementarem a responsabilidade social corporativa em seus negócios. Ela é uma instituição que congrega e compartilha conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas para auxiliar as empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seu compromisso com a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. O instituto possui um conjunto de indicadores que podem ser utilizados por empresas que querem incorporar questões socioambientais em sua estratégia. Os indicadores representam uma ferramenta de gestão socioambiental e se baseiam em um questionário, que permite à empresa mapear seu atual contexto na gestão socioambiental e estabelecer metas e compromissos para evoluir no tema. Atenção Esses indicadores apoiam as empresas de todos os segmentos e portes na definição de estratégias, políticas e processos de uma agenda socioambiental, além de ajudá-las a definir objetivos e ações de gestão responsável para a sustentabilidade. Programas de gestão ambiental Há inúmeras proposições de modelos de gestão socioambiental e mencionaremos alguns. O Modelo Winter A empresa Ernst Winter &; Sohn, fabricante de ferramentas em diamantes, comprometeu-se publicamente com a proteção do meio ambiente em 1992. Desde essa data, a empresa iniciou diversas ações até desenvolver um sistema integrado de gestão ambiental e que foi denominado modelo Winter. O modelo incorporava questões ambientais em todos os setores da companhia. De acordo com o modelo Winter, uma gestão ambiental sistemática não é algo que possa ser introduzido de forma imediata em uma empresa. Ela exige planejamento, o estabelecimento de etapas a serem seguidas e dedicação em sua implementação. Os módulos do modelo incorporam os seguintes temas: Motivação da alta administração. Objetivos e estratégias da empresa. Marketing. Disposições internas em defesa do ambiente. Motivação e formação do pessoal. Condições do trabalho. Alimentação dos funcionários. Aconselhamento ambiental familiar. Economia de energia e água. Desenvolvimento do produto. Gestão de materiais. Tecnologia de produção. Tratamento e valorização de resíduos. Veículos da empresa. Construção das instalações. Finanças. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. Direito. Seguros. Relações internacionais. Relações públicas. Os planos de ação e a estratégia ecológica Os chamados planos de ação da gestão ambiental começam a partir da realização de um diagnóstico ecológico da empresa e da construção de uma estratégia ecológica. Segundo Backer (1995), idealizador desse sistema de gestão ambiental, é necessária a realização de um diagnóstico inicial para entender como a variável ambiental é compreendida dentro da empresa. A partir disso, o esforço necessário para implementação de uma gestão que incorpore essa variável é estabelecido. A estratégia ecológica que será utilizada pela empresa incorpora diversas áreas e planos diferentes conforme apresenta a figura a seguir. Os planos de ação que forma a estratégia ecológica. O programa de atuação responsável da Abiquim O Programa de Atuação Responsável da Abiquim foi adaptado do Responsible Care Program, desenvolvido pela Chemistry Industry Association of Canada (CIAC), implantado em diversos países e, de acordo com Donaire e Oliveira (2018), utilizado em mais de 40 países com indústrias químicas em operação. O Responsible Care Program se propôs a ser um instrumento eficaz para o direcionamento do gerenciamento ambiental. Além de se preocupar com a questão ambiental de cada empresa, inclui recomendações para a segurança das instalações, processos e produtos e questões relativas à saúde e segurança dos trabalhadores, bem como relativas ao diálogo com a comunidade. Saiba mais No Brasil, a Abiquim adaptou o programa ao contexto brasileiro, e ele começou a ser utilizado pelas empresas químicas na década de 1990. Em 1998, o programa passou a ser obrigatório para todas as empresas associadas à Abiquim. 17. 18. 19. 20. Normas ISO Diante da crescente relevância das questões socioambientais, a partir da década de 90, começaram a ser definidas as diretrizes para a implementação de um sistema de gestão ambiental por corporações. A ISO 14001, que estabeleceu essas diretrizes acabou sendo estruturada após o estabelecimento da ISO 9001, que definiu os parâmetros para implementação de sistemas de gestão da qualidade. Em 1999 OHSAS 18001 Foi instituída a OHSAS 18001, que estabeleceu o direcionamento para a formação de Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho (SGSST). Em 2004 ISO 16001 Um marco importante na agenda socioambiental empresarial foi o lançamento, da ISO 16001 para apoiar a implantação de um sistema de gestão de responsabilidade social. Em 2010 ISO 26000 Foi lançada a ISO 26000, que estabeleceu as diretrizes da responsabilidade social corporativa. As normas são importantes, pois se espera que facilitem a implementação de ações concretas que respondam à crescente preocupação e pressão da sociedade em relação aos direitos humanos em seu sentido mais amplo, englobando os direitos trabalhistas e políticos, a par do direito dos consumidores, além da preservação ambiental. As normas ISO 9000 e ISO 14000 estão entre as mais conhecidas certificações no mundo em relação à gestão da qualidade e à gestão do meio ambiente. São séries que beneficiam empresários na busca por soluções de problemas de produção e melhoria de produtividade, além de tornar o negócio mais transparente, mais eficiente e gerar mínimo impacto na natureza. Vamos conhecer sobre elas a seguir. ISO 9001 A primeira versão da norma ISO 9001, publicada em 1987, passou por quatro revisões, nos anos 1994, 2000, 2008 e 2015. A norma ISO 9001 estabelece requisitos de gestão da qualidade com base em um modelo de sistema de gestão. O modelo baseia-se nos princípios da gestão da qualidade total, que envolvem: foco no cliente, liderança, envolvimento das pessoas, abordagem de processo, abordagem sistêmica para a gestão, melhoria contínua, tomada de decisão baseada em fatos, além de benefícios mútuos nas relações com os fornecedores. ISO 14001 É uma norma que institui as diretrizes de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) permitindo que as organizações construam uma estrutura que proteja o meio ambiente. A norma define as diretrizes para uso da especificação e tem por objetivo oferecer às empresas direcionamentos para uma efetiva gestão ambiental que seja conectada aos demais objetivos da organização. Ela define um SGA como parte de um sistema de gestão de uma organização, constituído de um conjunto de elementos inter-relacionados, utilizado para desenvolver e implementar sua política ambiental, além de gerenciar seus aspectos ambientais. Considera-se nesse arcabouço teórico-conceitual a estrutura organizacional, as atividades de planejamento, organização, direção e controle, a amplitude de atuação gerencial, os níveis de responsabilidades práticas, os procedimentos, os processos e os recursos. Além disso, ela preconiza a instituição de uma política ambiental corporativa, que compreende o conjunto de intenções e princípios gerais de uma organização em relação ao seu desempenho ambiental, em conformidade com o que é formalmente expresso pela alta administração. A política ambiental estabelece uma estrutura para ação e definição dos seus objetivos e metas ambientais. Um pontofundamental para o estabelecimento de um SGA é o comprometimento de todos os colaboradores, principalmente da alta administração. OHSAS 18001 O objetivo da OHSAS 18001:2007 é estabelecer um sistema de gestão da segurança e saúde do trabalho (SST) destinado a eliminar ou minimizar o risco para trabalhadores e outras partes interessadas, que possam ser expostas a riscos para a SST associados às suas atividades. ISO 16001 A NBR 16001 é uma norma brasileira que teve sua primeira versão lançada em 2004 e revisada em 2012. Essa norma estabelece requisitos para a implementação de um sistema de gestão da responsabilidade social (SGRS). ISO 26000 A ISO 26000 fornece diretrizes de responsabilidade social para corporações de modo a facilitar o trabalho na construção de uma gestão socioambiental. Ela estabelece orientações para corporações de diferentes portes e trata sobre conceitos, termos e definições de responsabilidade social e diversos outros temas relacionados à questão. Os temas centrais que regem o desenvolvimento a ISO 26000 são os seguintes: direitos humanos, práticas trabalhistas, meio ambiente, práticas operacionais justas, questão dos consumidores, desenvolvimento e participação da comunidade e governança organizacional. Outras iniciativas É importante mencionar também outras iniciativas, como a gestão da qualidade ambiental total (TQEM), ecologia industrial (EI) e produção mais limpa (P+L). Os três são ferramentas de gestão socioambiental que buscam aumentar a eficiência das empresas. Vamos conhecer a seguir. Gestão da qualidade ambiental total (TQEM) Na década de 1990, o gerenciamento da qualidade total (TQM) começou a ser desenvolvido e adotado no Japão. O sistema envolve três processos baseados em planejamento, controle e melhoria. Além disso, ele é baseado em pontos que abordam a satisfação do cliente, a liderança para a qualidade, a melhoria contínua, a participação dos funcionários, a constância de propósitos e o desenvolvimento de treinamentos. Para essa metodologia, não adianta uma empresa ter ótimos produtos se seu processo produtivo promover impactos ambientais. A empresa precisa incorporar a gestão ambiental à sua estratégia e a todas as suas decisões. Atenção Com a gestão da qualidade ambiental total, objetiva-se promover melhorias em todo processo produtivo, gerando mais eficiência nos processos e economia de recursos materiais, energéticos e financeiros. Ecologia industrial A ecologia industrial preconiza a mudança de processos que seguem uma lógica linear para modelos que têm uma lógica circular e virtuosa. O objetivo é otimizar a utilização de recursos e desenvolver formas mais eficientes e menos impactantes de produzir. A ecologia industrial possui sua origem vinculada à metáfora entre os ecossistemas naturais e industriais. Ela foi definida por Robert White (1994) como uma proposta de avaliar os fluxos materiais e de energia em atividades produtivas e consumidoras e seus efeitos no ambiente. Ela pode ser compreendida, em termos gerais, por meio de cinco características: Basear-se na natureza como modelo. Promover a harmonia, o equilíbrio e a integração entre os sistemas ecológico e industriais. Ser uma ciência da sustentabilidade. • • • Focar produtos, processos, serviços e resíduos. Buscar a integração de diferentes sistemas. A ecologia industrial possui três diferentes escalas de atuação. Ela pode ocorrer internamente à organização, isto é, intraorganizacional, entre organizações, o que comporia relações interorganizacionais e, no fim, em uma perspectiva macro, no âmbito regional ou global. Observe os diferentes níveis e os conceitos associados. Escalas de atuação da ecologia industrial. Podução mais limpa (P+L) O modelo de produção mais limpa (P+L) vem sendo desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), desde a década de 1980. Ele objetiva levar para as corporações uma gestão ambiental preventiva que contemple processos, produtos e serviços e que integre a variável ambiental de forma estratégica. A ideia é buscar o aumento da eficiência e minimizar e evitar impactos ambientais. A P+L, nesta sequência, prioriza a prevenção, a redução, o reuso e a reciclagem, o tratamento com recuperação de materiais e energia, o tratamento e a disposição final. Segundo o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), os maiores obstáculos à implementação das práticas de P+L ocorrem em função de: Resistência à mudança, da concepção errônea (falta de informação sobre a técnica e a importância dada ao ambiente natural). Inexistência de políticas nacionais que deem suporte às atividades de P+L. Barreiras econômicas (alocação incorreta dos custos ambientais e investimentos). Barreiras técnicas (novas tecnologias). Produção mais limpa Neste vídeo, o especialista irá explorar mais o modelo produção mais limpa e apresentar dois casos de empresas que aplicaram o programa. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. • • 1. 2. 3. 4. Explorando outras ferramentas de gestão socioambiental: Global Reporting Initiative Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Explorando outras ferramentas de gestão socioambiental: Carbon Disclosure Project Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 As empresas precisam, antes de tudo, mapear seus processos e monitorar suas atividades para implementar uma gestão socioambiental. Qual opção ilustra ferramentas que possibilitam realizar esse processo? A Código de ética e quadro de missão e valores. B Relatório de sustentabilidade e indicadores Ethos. C Plano de relacionamento com stakeholders. D Plano de comunicação interno e externo. E Plano de carreiras. A alternativa B está correta. O relatório de sustentabilidade pode ser um ótimo primeiro passo para as empresas mapearem e monitorarem seus processos. Os indicadores Ethos são uma excelente ferramenta para as empresas iniciarem a gestão socioambiental. Questão 2 A ecologia industrial busca alterar a lógica de processos lineares para processos circulares, otimizando o uso de energia e de recursos, e eliminando perdas desnecessárias. Ela estuda os fluxos de materiais e de energia em atividades industriais e de consumo, bem como os seus efeitos no meio ambiente. Qual opção a seguir retrata características da ecologia industrial? A Buscar usar os recursos naturais ao máximo. B Produzir de forma a não pensar em reutilizar os materiais descartados durante o processo produtivo. C Buscar promover o consumo irracional dos produtos e a venda contínua de peças de reposição. D Gerar resíduos crescentes e não buscar soluções para a questão. E Buscar a harmonia, o equilíbrio e a integração entre os sistemas ecológico e industriais. A alternativa E está correta. A ecologia industrial busca integrar os sistemas ecológicos e industriais, incorporando aprendizados da natureza no processo produtivo. 3. Sistemas de gestão socioambiental A importância dos indicadores para o monitoramento dos sistemas de gestão As iniciativas de gestão socioambiental só serão efetivas se as empresas, além de implementarem os sistemas, monitorarem suas respectivas performances. É necessário o estabelecimento de indicadores que monitorem as metas e os resultados instituídos e, por conseguinte, promovam a melhoria contínua dos sistemas. Devido à sua relevância, há inúmeros indicadores que avaliam o desempenho de sistemas de gestão socioambiental e que suprem a necessidade de medição e verificação da eficiência das estratégias empresariais. Eles possibilitam conhecer a situação real das corporações e estabelecer planos de ação para implementação de melhorias. Os indicadores são relevantes,pois geram informações relevantes sobre a gestão socioambiental implementada e ajudam na obtenção de resultados cada vez melhores. São associados a informações qualitativas ou quantitativas e podem representar as condições de um momento ou funcionar como instrumento constante de monitoramento. Observe, a seguir, as características de indicadores de um sistema de gestão ambiental. Eles podem ser aplicados em qualquer ramo de atividade, por serem indicadores de fácil implementação e controle. Características de indicadores de um sistema de gestão ambiental São requisitos que os indicadores do sistema de gestão ambiental devem apresentar: Simplicidade. Representatividade. Disponibilidade de dados. Estabilidade. Rastreabilidade. A escolha dos indicadores depende do que objetiva monitorar, e eles podem ser medidos em campo, em laboratório ou em escritório. A medição de alguns é bem simples, mas de outros pode apresentar elevado grau de complexidade. Os principais indicadores são do: 1. 2. 3. 4. 5. Meio ambiente natural Desenvolvimento sustentável Impacto na saúde humana Exemplos de indicadores de um sistema de gestão ambiental Há uma série de indicadores que podem ser monitorados em um sistema de gestão socioambiental. Desde a elaboração de um relatório de sustentabilidade, do GRI, dos indicadores Ethos, das normas ISO, até a elaboração de inventário de carbono, tudo isso pode auxiliar as empresas a elencarem seus principais indicadores. A seguir, apresentamos exemplos de temas que podem ser monitorados por indicadores ambientais: Exemplos de indicadores de aspectos ambientais relativos a: Materiais (uso e reciclagem) Energia (consumo de energia direta ou indireta) Água (retirada por fonte) Biodiversidade (índice de biodiversidade e impactos nas áreas pertencentes ou administradas pela organização) Emissões, efluentes e resíduos Produtos e serviços (mitigação de impactos ambientais e recuperação de embalagens) Conformidade ambiental (multas e sanções por não conformidades ambientais) Transporte (impactos de transporte de mercadorias e de trabalhadores) Aspectos ambientais gerais (investimento em proteção ambiental) Quadro: Exemplos de indicadores de aspectos ambientais. Elaborador por Juliana Velloso, adaptado de GRI, 2008. A auditoria ambiental A auditoria ambiental é um fator importante para uma efetiva política de minimização dos impactos ambientais das empresas e de melhoria de seus indicadores. Sua execução constitui-se em um critério essencial para que investidores e acionistas possam avaliar o passivo ambiental da empresa e fazer a projeção para sua situação no longo prazo, de modo mais transparente e confiável. Ela simboliza um processo formal e periódico de verificação, por parte de um agente externo, da atuação ambiental de uma instituição. Seus princípios mais relevantes são conduta ética, apresentação justa, devido cuidado profissional e independência, e abordagem baseada em evidências. Saiba mais A auditoria pode ser usada como uma estratégia em busca de melhoria contínua, pois acaba exigindo aprimoramentos constantes por parte das empresas. Na prática, observa-se que muitas empresas controlam e monitoram aspectos socioambientais por meio da realização periódica de auditorias (interna e externa) e elas se tornam muito importantes no caso de obtenção e renovação de certificações. Por meio de auditorias socioambientais, pode-se prevenir acidentes ambientais, identificar conformidades e não conformidades, aprimorar a gestão da empresa, ajudar na mitigação de impactos ambientais e, consequentemente, melhorar a imagem da empresa. Resumindo As auditorias são importantes instrumentos de verificação da efetividade de sistemas de gestão socioambiental e acabam estimulando a melhoria contínua da empresa em relação à questão. Tipos de auditoria ambiental As auditorias ambientais realizam uma avaliação da organização com base em critérios ambientais, tais como: normas técnicas, requisitos legais, requisitos definidos por clientes ou pela própria empresa. Existem diferentes tipos de auditorias ambientais, vejamos sobre cada uma delas a seguir. Auditoria de conformidade legal Avalia se a empresa está atendendo às normas legislativa. Auditoria de descomissionamento É realizada quando as empresas estão fechando. Auditoria pós-acidente Tem como objetivo investigar os motivos que levaram ao ocorrido. Auditoria de sistema de gestão Visa adaptar, certificar ou avaliar o atendimento da empresa ao que é definido em um sistema de gestão ambiental. Metodologia da auditoria ambiental A auditoria contempla uma sistemática e documentada avaliação de como a empresa se encontra em relação à sua gestão socioambiental. Ela deve ser realizada periodicamente, visa facilitar a atuação e o controle da gestão ambiental da empresa e assegurar que a planta industrial esteja dentro dos padrões exigidos pela legislação. De acordo com Donaire (1999), entre as atividades que são usualmente auditadas, incluem-se as seguintes: Políticas, responsabilidades e organização das tarefas. Planejamento, acompanhamento e relatório das ações. Treinamento e conscientização do pessoal. Relações externas com órgãos públicos e comunidade. Adequação aos padrões legais. Planejamento de emergências e funcionalidade. Fontes de poluição e sua minimização. Tratamento da poluição e acompanhamento das descargas. Economia de recursos. Manutenção adequada. Uso do solo. Embora possa haver procedimentos diferentes de empresa para empresa, usualmente são adotados alguns passos básicos para executar auditoria ambiental em empresas, dividindo o trabalho em três partes: Atividades pré-auditoria. Atividades de campo. Atividades pós-auditoria. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. • • • Na maioria das empresas, as auditorias ambientais são de competência de uma equipe que está sob a responsabilidade da área ambiental da empresa. A auditoria necessita do apoio e do envolvimento da alta administração, pois caso contrário seus resultados não serão satisfatórios. Assim, a atividade de auditoria deve ser claramente comunicada na organização junto aos demais escalões da empresa, especificando seus objetivos, a metodologia e os procedimentos, bem como a política de incentivos que será adotada. A equipe de auditoria deve ganhar a confiança das unidades auditadas e deixar claro que seu trabalho está muito mais voltado para melhorar a eficácia global da organização, identificando formas de progresso, do que para identificar e punir os responsáveis pelos problemas encontrados. As atividades de pré-auditoria são: Selecionar e programar as condições da auditoria. Selecionar os integrantes da equipe de auditoria fixando suas responsabilidades no processo. Discutir com a equipe o plano de auditoria e mecanismos que facilitem seu desenvolvimento. Na etapa de atividades de campo, a equipe de auditoria pode usar vários instrumentos que permitirão avaliar o comportamento da unidade auditada, como: visitas às plantas das fábricas, inspeção de processos e materiais, questionários, entrevistas e revisão de documentos. As atividades de campo incluem cinco fases, que são as seguintes: Entendimento dos controles internos e critérios Avaliação dos controles internos 1. 2. 3. Coleta dos dados Avaliação dos resultados da auditoria Relatórios preliminares dos resultados O relatório final da auditoria ambiental deve ser elaborado como resultado da discussão entre a equipe de auditoria, os gerentes e os representantes dos trabalhadores da unidade auditada, a fim de que possa ser delineado um plano comum de ação com base nos resultados encontrados. As atividades de pós-auditoria devem atender os seguintes aspectos: Apresentar o relatório explicado no encontro fechado, especificando prazo para a correção e lista de destinatários que devem ser informados por meio do relatório final e do plano de ação. Elaborar o relatório final. Estabelecer o planode ação, especificando metodologia, estratégia, cronograma, execução e controle. Acompanhar a execução do plano de ação e de seus resultados junto às unidades envolvidas, certificando-se de que todos os procedimentos foram seguidos e executados. Confiabilidade dos instrumentos de monitoramento Um sistema de monitoramento se torna essencial para que as corporações possam monitorar, medir, analisar e avaliar o desempenho de sistemas de gestão socioambiental. É importante ter diversos indicadores que possam avaliar os processos operacionais, os aspectos ambientais relevantes e o atendimento de obrigações legais e compromissos da empresa e do setor. • • • • Atenção O monitoramento é importante como uma forma de garantir a qualidade dos dados e a obtenção de resultados frente aos padrões legais e objetivos e metas organizacionais. Empresas que colocaram a gestão socioambiental em prática Neste vídeo, a especialista irá explorar a importância da gestão socioambiental e apresentar cinco casos de sucesso. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. A importância dos indicadores de gestão socioambiental para as empresas Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Auditoria ambiental ISO19011 Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A escolha dos indicadores depende dos objetivos de monitoramento e ação de uma empresa. Eles são importantes para as empresas analisarem como estão e estabelecerem aonde querem chegar em termos socioambientais. A seguir, selecione a opção que apresenta indicadores relevantes para a gestão ambiental de uma empresa. A Indicadores relativos ao número de acidentes de trabalho. B Indicadores relativos à retenção de talentos. C Indicadores relativos à escolaridade de funcionários. D Indicadores relativos à economia de energia elétrica. E Indicadores relativos ao recall de produtos. A alternativa D está correta. O controle dos gastos de energia é um tema de grande importância dentro de uma estratégia de gestão ambiental de uma empresa e precisa ter seus dados levantados e monitorados, buscando a melhoria contínua de seus números. Os demais indicadores apresentados se referem a questões sociais e produtivas da organização. Questão 2 A auditoria socioambiental é uma atividade administrativa que compreende uma sistemática e documentada avaliação de como a organização se encontra em relação à questão socioambiental. Ela deve ser realizada periodicamente para permitir o controle da gestão ambiental da empresa e assegurar que ela esteja dentro dos padrões exigidos pela legislação e dentro das metas estabelecidas. A atividade de auditoria consiste em A replanejar todo o processo produtivo da empresa para gerar mudanças com objetivo apenas de aumentar a lucratividade. B controlar e monitorar aspectos socioambientais periodicamente. C levantar todos os indicadores da empresa apenas para armazená-los em um banco de dados. D mapear os principais impactos socioambientais da empresa e informá-los à diretoria. E levantar todas as pendências financeiras da empresa advindas de questões socioambientais. A alternativa B está correta. A auditoria é uma importante ferramenta de controle e monitoramento da estratégia socioambiental da empresa. Ela permite que a empresa avalie, periodicamente, o desempenho de seu sistema de gestão ambiental e, caso necessário, ajuste seus objetivos e se esforce para melhores resultados. 4. Gestão ambiental compartilhada Case de gestão ambiental compartilhada Case de gestão ambiental compartilhada Neste vídeo, a especialista irá apresentar o caso de Kalundborg. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Gestão ambiental compartilhada A gestão ambiental compartilhada depende, antes de tudo, do comprometimento da empresa com uma melhor gestão ambiental. Quando ela começa a entender o impacto ambiental de seu processo produtivo e de todos os demais processos associados, ela pode identificar, como já apresentado, diversos pontos de aperfeiçoamento, que podem gerar economia de recursos financeiros e materiais. Geralmente, isso acontece dentro de cada empresa ou, em caso de empresas multinacionais, em todas as suas unidades. Quando a empresa avança ainda mais em sua gestão ambiental e consegue estabelecer parcerias com outras empresas, ela pode alcançar ganhos ainda maiores de economia. Muitas vezes, o resíduo de uma empresa pode ser um recurso valioso para outra e, quando se estabelecem parcerias, consegue-se alterar processos que funcionam em ciclos lineares, baseados na extração, produção e no descarte, para ciclos circulares, em que o objetivo é não ter a geração de resíduo, sempre considerado um recurso. No tópico seguinte, apresentaremos o conceito de economia circular. Economia circular O modelo circular compreende a natureza e seu funcionamento como grande inspiração e busca replicar os processos nas corporações. A economia circular preconiza que o fluxo de materiais pode ocorrer de duas maneiras: A economia circular orienta o abandono da lógica dominante, baseada na linearidade “extrair, produzir, desperdiçar” e defende que esse sistema está atingindo seu limite físico. A lógica baseada na circularidade busca dissociar a atividade econômica do consumo de recursos finitos. Além disso, ela defende o uso de fontes renováveis de energia e se baseia em três princípios: Eliminar resíduos e poluição desde o princípio. Manter produtos e materiais em uso. Regenerar sistemas naturais. A partir da lógica circular, empresas vêm reinventando processos e implementando mudanças positivas para seus negócios e para o planeta. Atenção Além de mudanças em suas estruturas internas, as empresas podem buscar parcerias com outras instituições, aprimorando ainda mais sua gestão ambiental. No tópico seguinte, apresentaremos o conceito de simbiose industrial, que busca promover essas parcerias e otimizações. Simbiose industrial A simbiose industrial engloba a troca de recursos, tecnologias e conhecimento entre empresas, tendo como premissa o estabelecimento de parcerias que resultam em ganhos, não apenas financeiros, para todas as partes envolvidas. Primeiro Os que compreendem os nutrientes biológicos e que podem retornar ao ambiente de forma segura. Segundo Os que compreendem nutrientes técnicos e que precisam circular o máximo possível e com qualidade antes de retornar para o ambiente. • • • O termo simbiose industrial é inspirado de um termo da Biologia, que indica que organismos de diferentes espécies realizam trocas, com objetivo de gerar benefícios para todos os envolvidos. De forma análoga, as empresas que estabelecem uma relação simbiótica, buscam estabelecer trocas que gerem vantagens para todos os participantes dessa relação. As palavras colaboração e parceria se tornam estratégicas para o estabelecimento da simbiose industrial. A simbiose industrial também pode ser definida como um conjunto de empresas que atuam de forma cooperativa em prol da ecoinovação e buscam uma mudança cultural, em favor da colaboração, no longo prazo. Atenção É importante ressaltar que, apesar de a proximidade geográfica ser um fator geralmente mencionado nos casos de simbiose industrial, ele não é determinante. A simbiose industrial busca reduzir o desperdício e a poluição, por meio de uma gestão compartilhada entre diferentes empresas. Para isso, é de extrema relevância um ambiente corporativo de confiança. De acordo com Trevisan et al. (2016, p. 209-210), são exemplos de práticas que podem ser beneficiadas pela simbiose industrial: Reaproveitamento energético. Reciclagem de materiais. Aperfeiçoamento e integração de processos produtivos. Desenvolvimento de produtos sustentáveis. Aprendizagem coletiva. Potencialização de projetosconjuntos para o alcance de objetivos comuns. Saiba mais Um dos casos de referência no mundo de simbiose industrial se refere ao ecoparque industrial de Kalundborg, na Dinamarca. Ele surgiu na década de 1970 e enfoca a otimização de energia, água, fluxos de materiais e fluxos de informações. Principais desafios para estabelecer parcerias de gestão ambiental como a simbiose industrial São inúmeros os desafios para manter um projeto de simbiose industrial. Incentivos financeiros e fiscais, políticas públicas de suporte e um pacto duradouro entre os atores envolvidos são necessários e quase sempre dificilmente encontrados, principalmente no contexto brasileiro. • • • • • • Para manter o fluxo contínuo de materiais e energia, a produção deve ser constante. Quando um dos atores perde o interesse no modelo, o colapso do projeto pode acontecer, por isso, é importante que as parcerias sejam estabelecidas por meio de acordos e contratos. Atenção Um ambiente institucional seguro, com contratos bem definidos e respeitados, onde a confiança predomina, são considerados os requisitos mais importantes. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Os princípios da economia circular Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Caso de simbiose industrial no Brasil Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A economia circular defende abandonarmos a lógica linear, que é predominante no mundo atualmente, para uma lógica circular, na qual os resíduos passem a ser vistos como recursos desde a concepção e o design de um novo produto. A ideia é postergar a vida útil do que consumimos e permitir que ele ou seus componentes sejam reinseridos no ciclo produtivo. Quando uma empresa realiza a gestão socioambiental, fica mais fácil identificar oportunidades de transformar processos para a lógica circular. Diante disso, assinale a afirmação que exemplifica um caso de empresa que segue a lógica circular. A A empresa X produz alimentos e, em seu processo produtivo, acaba gerando muitos resíduos orgânicos, que são descartados e enviados para o aterro sanitário mais próximo de sua planta. B A empresa Y utiliza apenas energia a partir de fontes renováveis e possui um sistema de logística reversa que recebe de volta suas embalagens para reuso. Seus produtos têm longa vida útil e possuem componentes modulares, que permitem o reparo de forma mais fácil sem necessitar a troca do produto. Ao final de sua vida útil, o produto é totalmente reutilizado para gerar novos produtos. C A empresa Z realiza a reciclagem em sua fábrica e composta os resíduos orgânicos. Seus produtos possuem alta taxa de troca, por não terem vida útil longa, gerando constante compra de novas matérias-primas. D A empresa W possui um sistema de gestão socioambiental consolidado, que envolve toda a empresa. Ela possui programa de eficiência energética e investe em fontes renováveis de energia. Ela gera quantidade expressiva de resíduos tóxicos que são tratados e incinerados. E A empresa K é líder em vendas e possui excelente avaliação de seus consumidores, que aprovam a qualidade e a durabilidade de seus produtos. Em seu processo produtivo, ela busca otimizar a utilização de recursos naturais, mas levou uma multa por poluir o rio que passa ao lado de sua fábrica. A alternativa B está correta. A economia circular defende que a produção busque transformar todos os resíduos em recursos e respeitar o meio ambiente em todos os aspectos. Apenas a empresa Y ilustra esse caso. A empresa Y segue todos os preceitos da economia circular, utiliza fontes renováveis de energia, realiza a logística reversa de suas embalagens, busca a modularidade e seus produtos podem ser totalmente reutilizados para gerar novos produtos. A empresa X gera resíduos orgânicos, que são descartados e enviados para o aterro sanitário e que poderiam ser compostados ou virar energia renovável (biogás). A empresa Z apresenta alta taxa de troca, gerando constante utilização de novas matérias-primas. A empresa W gera quantidade expressiva de resíduos tóxicos, que são tratados e incinerados. A empresa K levou uma multa por poluir o rio que passa na beira de sua fábrica. Questão 2 A simbiose industrial é um conceito que busca estimular parcerias entre empresas para otimizar a utilização de recursos naturais, tecnológicos e humanos. Ela depende da cooperação de quem está envolvido e pode gerar ótimos resultados e economia de recursos e financeira. Qual a opção que apresenta características da simbiose industrial? A Aumentar a margem de lucro por meio da venda de produtos feitos a partir de resíduos. B Gerar economia de escala ao utilizar apenas uma planta industrial para produzir produtos de diferentes empresas. C Estabelecer acordos com empresas vizinhas para que haja uso de recursos entre elas, que possam levar a uma otimização para todas as envolvidas. D Levantar as características de empresas que se encontram em uma determinada região e identificar potenciais complementações que poderiam ser estabelecidas. E Efetuar a troca de tecnologias mais poluentes para tecnologias mais limpas e menos energointensivas. A alternativa C está correta. A simbiose industrial preconiza o estabelecimento de parcerias, instituídas a partir de acordos de cooperação, que geram benefícios mútuos, podendo ser de diferentes naturezas, para todos os envolvidos. 5. Conclusão Considerações finais Começamos nosso estudo apresentando a agenda socioambiental empresarial, que motiva o crescente engajamento das empresas, e as diferentes abordagens colocadas em prática no mundo corporativo. Além disso, também destacamos os principais desafios socioambientais da atualidade, que reforçam a importância do tema. Nesse sentido, apresentamos a gestão socioambiental, destacamos sua relevância e seus princípios, assim como os benefícios para a empresa ao incorporar o tema à sua estratégia. Mostramos também, apresentando o caso de sucesso da empresa Interfaceflor, como pode ser lucrativo para a organização ter uma gestão socioambiental séria, comprometida e robusta. Exploramos as principais ferramentas de gestão socioambiental, destacando que esse universo não é exaustivo e cada empresa pode criar seu próprio instrumento, com diretrizes, planos, metas e indicadores para avançar na gestão de aspectos sociais e ambientais. É importante ressaltar que o mundo empresarial é muito dinâmico e novas ferramentas e soluções surgem a todo momento. Um ponto importante destacado diz respeito à importância de instrumentos de monitoramento de sistemas de gestão, fundamentais para avaliar e (re)conduzir a estratégia de gestão socioambiental das empresas. Discutimos o papel dos indicadores e das auditorias nesse processo. Por fim, foram apresentados dois conceitos que preconizam a lógica de parceria e compartilhamento, a economia circular e a simbiose industrial. Em um contexto de recursos escassos como o que vivemos e de crises socioambientais crescentes, essas soluções se tornam cada vez mais relevantes e ganham espaço nas agendas empresariais. Podcast Neste podcast, a especialista irá apresentar o caso da empresa brasileira Native, que é referência na área socioambiental e obtém grande sucesso e reconhecimento a partir disso nacional e internacionalmente. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Para saber mais sobre a empresa InterfaceFlor, busque o vídeo Is It Profitable to Use a Circular Business Model? | Interface Flor Study, disponível no YouTube. Pesquise também o vídeo Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis para saber mais sobre esses indicadores. Para saber sobre a crise climática, assista à reportagem do Fantástico, exibida em 12 de maio de 2019: Derretimento da Antártica já está seis vezes mais rápido do que há 40 anos. Saiba mais sobre os Objetivos deDesenvolvimento Sustentável (ODS) na página da Pacto Global Rede Brasil. Além disso, leia o livro A História das Coisas: da natureza ao lixo, o que acontece com tudo que consumimos, de Annie Leonard, da editora Zahar, 2011. Referências ALVES, I. J. B. R.; FREITAS, L. S. de. Análise comparativa das ferramentas de gestão ambiental: produção mais limpa x Ecodesign. Campina Grande, PB: EDUEPB, 2013. BACKER, P. Gestão ambiental: a administração verde. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1995. CORRÊA, A. Meio ambiente: o que aconteceu com os responsáveis por um dos maiores desastres dos EUA. BBC News Brasil, 2019. Consultado na internet em: 23 ago. 2021. DONAIRE, D. Gestão ambiental na empresa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. DONAIRE, D.; OLIVEIRA, E. C. Gestão ambiental na empresa. São Paulo: Atlas, 2018. ELKINGTON, J. Cannibals with Forks. Gabriola, Canada: New Society Publishers, 1998. GLOBAL REPORTING INITIATIVE. GRI. Sustainability Reporting Guidelines. GRI, 2008. INSTITUTO ETHOS. Conceitos básicos e indicadores de responsabilidade social empresarial. São Paulo: Rede Ethos de Jornalistas, 2007. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Global Warming of 1.5°C, 2018. Consultado na internet em: 30 ago. 2021. TREVISAN, M. et al. Ecologia industrial, simbiose industrial e ecoparque industrial: conhecer para aplicar. Sistemas & Gestão, v. 11, n. 2, p. 204-15, 2016. WHITE, R. M. P. The Greening of Industrial Ecosystems. Washington, DC, USA: National Academy Press, 1994. Transformações nas organizações e novas tecnologias de gestão 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Desafios sociais e ambientais Motivadores da agenda socioambiental empresarial Atenção Saiba mais Filantropia, responsabilidade social corporativa, sustentabilidade, empresa B e estratégia ASG Exemplo Atenção A importância e os princípios da gestão socioambiental nas corporações Atenção Benefícios da gestão socioambiental Case : Interfaceflor Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Objetivos de desenvolvimento sustentável Conteúdo interativo Mudanças climáticas: o grande desafio ambiental atual da humanidade Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Gestão socioambiental das empresas Ferramentas de gestão socioambiental Relatórios de sustentabilidade Indicadores Ethos Atenção Programas de gestão ambiental O Modelo Winter Os planos de ação e a estratégia ecológica O programa de atuação responsável da Abiquim Saiba mais Normas ISO OHSAS 18001 ISO 16001 ISO 26000 ISO 9001 ISO 14001 OHSAS 18001 ISO 16001 ISO 26000 Outras iniciativas Gestão da qualidade ambiental total (TQEM) Atenção Ecologia industrial Podução mais limpa (P+L) Produção mais limpa Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Explorando outras ferramentas de gestão socioambiental: Global Reporting Initiative Conteúdo interativo Explorando outras ferramentas de gestão socioambiental: Carbon Disclosure Project Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Sistemas de gestão socioambiental A importância dos indicadores para o monitoramento dos sistemas de gestão Características de indicadores de um sistema de gestão ambiental Meio ambiente natural Desenvolvimento sustentável Impacto na saúde humana Exemplos de indicadores de um sistema de gestão ambiental A auditoria ambiental Saiba mais Resumindo Tipos de auditoria ambiental Auditoria de conformidade legal Auditoria de descomissionamento Auditoria pós-acidente Auditoria de sistema de gestão Metodologia da auditoria ambiental Entendimento dos controles internos e critérios Avaliação dos controles internos Coleta dos dados Avaliação dos resultados da auditoria Relatórios preliminares dos resultados Confiabilidade dos instrumentos de monitoramento Atenção Empresas que colocaram a gestão socioambiental em prática Conteúdo interativo Vem que eu te explico! A importância dos indicadores de gestão socioambiental para as empresas Conteúdo interativo Auditoria ambiental ISO19011 Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Gestão ambiental compartilhada Case de gestão ambiental compartilhada Case de gestão ambiental compartilhada Conteúdo interativo Gestão ambiental compartilhada Economia circular Atenção Simbiose industrial Atenção Saiba mais Principais desafios para estabelecer parcerias de gestão ambiental como a simbiose industrial Atenção Vem que eu te explico! Os princípios da economia circular Conteúdo interativo Caso de simbiose industrial no Brasil Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 5. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências