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Direito
Penal
M O R G A N A B E R N A R D E S
TEORIA GERAL DO CRIME 
FATO TÍPICO
PARTE 2
Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos
@morganabernardes
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Direito PenalDireito Penal
SUMÁRIOSUMÁRIO
TEORIA GERAL DO CRIME - FATO TÍPICO (PARTE 2)
RESULTADO1.
NEXO CAUSAL2.
TIPICIDADE3.
ERRO DE TIPO4.
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Direito PenalDireito Penal
1. RESULTADO1. RESULTADO
TEORIA GERAL DO CRIME - FATO TÍPICOTEORIA GERAL DO CRIME - FATO TÍPICO
Resultado é o efeito ou a consequência da ação ou omissão do sujeito ativo. Existem duas
teorias sobre o resultado:
O resultado é a lesão ou ameaça de lesão ao bem jurídico tutelado pelo Direito Penal. No
caso do homicídio consumado, o resultado é a lesão ao bem jurídico tutelado, ou seja, a vida
todo crime possui resultado jurídico.
TEORIA NATURALÍSTICA
O resultado é a modificação realizada no mundo exterior pela conduta, comissiva ou
omissiva, do agente. No caso do homicídio consumado, o resultado é a morte causada pelo
agente, entretanto, nem toda infração penal possui um resultado naturalístico.
TEORIA JURÍDICA OU NORMATIVA
Parte 2
Sob o critério da teoria naturalística, os crimes se classificam em:
 Crime material: é aquele que prevê a produção de resultado naturalístico, sem o qual o
crime não se consuma. Exemplo: homicídio, em que o resultado morte é essencial para
que o crime se considere consumado.
Crime formal: é o que possui a previsão de resultado naturalístico, mas cuja produção é
irrelevante para a consumação do delito. Exemplo: extorsão mediante sequestro. Esse
crime se consuma com o sequestro da vítima, a obtenção ou não do preço do resgate
pelo sujeito ativo do delito não é relevante para configuração da consumação. 
Crime de mera conduta: é aquele em que não se prevê a produção de resultado
naturalístico. Exemplo: crime de desobediência e de omissão de socorro. 
Sob o critério da teoria normativa ou jurídica, os crimes se classificam em:
Crime de dano: é aquele que produz um resultado consistente na lesão ao bem jurídico.
Exemplo: homicídio, lesão corporal.
 Crime de perigo: é aquele cuja ocorrência se verifica com a exposição do bem jurídico a
um perigo ou risco. Subdivide-se em: 1) Crime de perigo abstrato: é aquele em que a
norma penal presume a ocorrência de perigo ao bem jurídico em determinada situação,
como no tráfico de drogas. 2) Crime de perigo concreto: é aquele que exige a
demonstração de efetivo perigo de dano ao bem jurídico, como no crime de incêndio.
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Direito PenalDireito Penal
2. NEXO CAUSAL2. NEXO CAUSAL
Nexo causal é a relação de causalidade entre a conduta e o resultado.
TEORIAS DO NEXO CAUSAL
TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES
Todo e qualquer fator que tenha contribuído para o resultado deve ser considerado sua
causa. Logo, a não ocorrência de qualquer dos fatores levaria à não produção do resultado.
De acordo com esta teoria, um antecedente deve ser considerado causa de algo quando,
sem sua ocorrência, o resultado não seria produzido. Uma crítica feita a esta teoria é a
possibilidade do regresso infinito, assim se Caio mata sua esposa, os pais de Caio poderiam
ser responsabilizados, pois a atitude dos pais de resolverem ter um filho seria um
antecedente. Se os pais não tivesse tido Caio como filho, o homicídio não teria acontecido.
TEORIA DA CAUSALIDADE ADEQUADA
Segunda essa teoria, para o antecedente ser considerado causa, não basta que sem a sua
ocorrência, o resultado não teria ocorrido. É necessário que o antecedente possua
idoneidade para a produção do resultado, assim só deve ser considerada causa a condição
que seja idônea para produzir o resultado. No exemplo anterior, os pais de Caio terem tido
um filho não é um antecedente idôneo a provocar a morte de alguém anos depois. Assim, os
antecedentes causais ficam limitados àqueles que possuam capacidade de efetivamente
causar o resultado.
TEORIA DA CONDIÇÃO INUS
Segundo esta teoria, um resultado é provocado por diversos fatores, assim cada resultado
será gerado por um grupo de fatores distintos. Cada grupo é suficiente para provocar o
resultado, mas nenhum é necessário. Cada fator é uma condição INUS. Então, condição
suficiente é aquela que, caso ocorra, vai provocar o resultado. Já a condição necessária é
aquela que é imprescindível para que o resultado ocorra, mas ela pode ser insuficiente por
depender de outros fatores. Exemplo: um curto circuito é a condição INUS para incêndios de
casas. Isso significa que é uma condição insuficiente, porque é necessário também haver
oxigênio e material inflamável. Mas não é redundante, já que sem o curto as outras condições
não causaram o incêndio. É parte de uma condição que, no seu conjunto, é suficiente para o
incêndio da casa. Entretanto, esse conjunto de fatores não é necessário, pois há outros
conjuntos de fatores que podem provocar o incêndio da casa, como um isqueiro e
combustível.
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Direito PenalDireito Penal
TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA
Busca dar ao nexo causal um conteúdo jurídico, e não só naturalístico. A análise dos
antecedentes causais não deve se limitar a verificar se o antecedente foi necessário para a
produção do resultado. É imprescindível que se analise também o conteúdo jurídico do
antecedente. Esta teoria exige que a conduta crie um risco proibido para a produção do
resultado. Não é todo risco que enseja a responsabilidade penal, como o fato de o sujeito
presentear seu inimigo com uma viagem de avião para a praia, desejando que o avião caia. O
eventual falecimento em decorrência de acidente aéreo não pode ensejar a
responsabilização do sujeito por sua conduta.
Essa teoria adiciona ao nexo de causalidade a criação de um risco proibido ou o aumento de
um já existente, a realização desse risco no resultado, exigindo que o resultado esteja na linha
de desdobramento causal normal da conduta, ao que se dá o nome de nexo normativo.
Acerca do resultado, o Código Penal diz:
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe
deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido
O Código Penal adotou a teoria da equivalência das condições. Sua base é a chamada regra
da conditio sine qua non, isto é, deve ser considerada causa aquele comportamento
(comissivo ou omissivo) cuja ausência implicaria na não produção do resultado. 
CONCAUSAS
É o caso de mais de uma causa contribuir na produção do resultado. Concausas, portanto,
são antecedentes causais de um mesmo resultado, são comportamentos cuja não ocorrência
eliminaria o resultado. Essas condições podem ser preexistentes, concomitantes ou
supervenientes, conforme a ordem cronológica de sua ocorrência. Podem ser, ainda,
absolutamente ou relativamente independentes:
ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES
Ocorre quando um antecedente não depende do outro para ocorrer, são causas
independentes, sem ligação entre elas.
Exemplo: Maria envenena o café de José. Enquanto José bebia o café, Luana entra e dispara
três tiros contra ele, provocando sua morte instantânea. A concausa (os tiros) são
absolutamente independentes do comportamento de Maria (envenenamento). Tendo sido
preparado ou não o café com substância venenosa, Luana entraria para matar José, por isso,
sua independência é absoluta. Neste caso, Luana responde por homicídio e Maria por
tentativa de homicídio. No caso de concausas absolutamente independentes, rompe-se o
nexo causal, logo o agente responde somente pelos atos que praticou.
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Direito PenalDireito Penal
RELATIVAMENTE INDEPENDENTES
Ocorre quando um antecedente depende do outro para ocorrer.
Exemplo: José esfaqueia Maria ao descobrir uma traição.A vítima é socorrida, mas, no
hospital, tem complicações, decorrentes de uma infecção hospitalar, e morre. A concausa
(infecção hospitalar) não é totalmente independente do antecedente, o comportamento do
agente (os golpes de faca). A vítima só foi parar no hospital e necessitou ser internada
porque foi lesionada por José Portanto, temos uma causa relativamente independente e José
responderá por homicídio. No caso de concausas relativamente independentes, não se
rompe o nexo causal. O agente responde pelo resultado provocado.
RELATIVAMENTE INDEPENDENTE PREEXISTENTE
Caio querendo matar Edu e sabendo ser ele hemofílico, desfere contra ele uma facada na
perna que, sozinha, não causaria a sua morte, mas que por esta condição, a morte ocorreu. A
doença era anterior à facada, agindo as duas em conjunto, de modo que o agente responde
pelo crime consumado.
Observe que o fato de Edu ser hemofílico, por si só, não levaria ele à morte. A facada, por si
só, também não o levaria à morte (por ter sido deferida em lugar não letal). A hemofilia e a
facada são dependentes uma da outra para ocorrer o resultado. Ou seja: é a soma das causas
que leva ao resultado morte.
A existência de doença cardíaca de que padecia a vítima configura-se como concausa
preexistente relativamente independente, não sendo possível afastar o resultado mais grave
(morte) e, por consequência, a imputação de latrocínio. HC 704.718-SP, Rel. Ministra Laurita
Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 16/5/2023, DJe 23/5/2023. (Info 777 STJ)
Entretanto, existe uma exceção, que é o caso de causa relativamente independente
superveniente que por si só causa o resultado. Veja o que diz o parágrafo primeiro do artigo
13, do Código Penal:
A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só,
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.
O Código Penal adotou a teoria da equivalência dos antecedentes como regra, conforme
prevê o artigo 13, caput, mas o parágrafo primeiro do mesmo artigo trouxe,
excepcionalmente, a aplicação da teoria da causalidade adequada. Trata-se da hipótese de
uma causa relativamente independente superveniente que por si só causa o resultado. 
Exemplo: A fere B com uma faca em uma briga de bar e, por isso, B está em uma ambulância.
No caminho para o hospital, a ponte se rompe e a ambulância cai no rio, ocasionando a morte
de quem estava dentro.
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Direito PenalDireito Penal
É o enquadramento de uma conduta praticada ao tipo legal, molde descritivo da lei penal.
Possui um aspecto formal e um aspecto material:
TIPICIDADE MATERIAL
Consiste em um juízo de valor, referente à relevância da lesão ou ameaça de lesão.
TIPICIDADE FORMAL
É a subsunção entre os fatos da realidade e o tipo penal previsto na lei penal incriminadora.
Subdivide-se em: 
a) Imediata ou direta quando não depender de outra norma para sua configuração; 
b) Mediata ou indireta quando depender de uma norma de extensão, sem a qual não há
subsunção entre o fato e o tipo penal. 
EXEMPLO DE NORMA DE EXTENSÃO
Crimes tentados, A tenta matar B, mas é impedido por C. A conduta de A não se enquadra no
crime de homicídio, tendo em vista que o homicídio não se consumou. Não há tipicidade.
Entretanto, como existe uma norma penal que prevê que é punível a tentativa, esta norma de
extensão possibilita a tipicidade da conduta.
TIPICIDADE CONGLOBANTE
Idealizada por Zaffaroni, que é formada pela tipicidade material + antinormatividade. Para ele,
não se pode considerar ilícita uma conduta que é determinada ou fomentada pelo Estado.
Exemplo: O oficial de justiça que promove penhora de bens em razão de cumprimento de
mandado, ou seja, uma espécie de subtração de coisa alheia móvel. Ele, que só ficará isento
de responsabilidade na análise do segundo elemento do crime (ilicitude), enquanto não
deveria sequer haver tipicidade penal.O STJ já adotou a tipicidade conglobante (AP 638).
3. TIPICIDADE3. TIPICIDADE
A queda da ambulância não estava na linha natural de acontecimentos e, por isso, essa
concausa rompe o nexo causal e produz, sozinha, o resultado, não era previsível que a ponte
iria se romper e a ambulância iria cair no rio. Entretanto, esta concausa não é absolutamente
independente, já que o sujeito só estava na ambulância em razão de ter sido ferido na briga.
A concausa é superveniente, pois ocorreu depois. Rompido o nexo causal, cuida-se de
hipótese em que, mesmo sendo a concausa relativamente independente, o sujeito responde
apenas pela tentativa de homicídio, e não pelo resultado morte.
Fato diferente ocorreria se B morresse em razão de infecção dos ferimentos decorrentes da
facada. Tendo em vista que se não fosse a facada não haveria a infecção e que esta infecção
é uma possibilidade normal, que se encontra dentro das consequências esperadas de uma
facada, o agente responde pelo delito consumado.
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Direito PenalDireito Penal
“(...) TIPICIDADE X ANTINORMATIVIDADE. TEORIA DA TIPICIDADE CONGLOBANTE (...) 3. A
tipicidade conglobante surge quando comprovado, no caso concreto, que a conduta
praticada pelo agente é considerada antinormativa, isto é, contrária à norma penal, e não
imposta ou fomentada por ela, bem como ofensiva a bens de relevo para o Direito Penal
(tipicidade material). Na lição de Zaffaroni e Pierangeli, não é possível que no ordenamento
jurídico, que se entende como perfeito, uma norma proíba tudo aquilo que outra imponha ou
fomente. (...). Portanto, a antinomia existente deverá ser solucionada pelo próprio
ordenamento jurídico” (GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: Parte Geral, 20ª ed.
Niterói/RJ. Impetus, 2018, p. 261/262. (...) (Embargos Declaratórios no Agravo Regimental
nos Embargos Declaratórios no Agravo em Recurso Especial nº 1.421.747/SC, STJ, 5ª T.,
unânime, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 10/03/2020, DJ 19/05/2020).
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Recai sobre as elementares e circunstâncias do tipo penal, impedindo o agente de saber que
está praticando uma infração penal. 
Exemplo: Caio está caçando com Ronaldo e para lhe pregar uma peça, Caio se veste de urso,
pensando que vai assustá-lo. Ao se deparar com a figura vindo em sua direção, Ronaldo atira,
pensando se tratar de um animal. A falsa percepção da realidade não lhe fez perceber que
atirava em alguém, um ser humano, e não em um animal irracional.
Direito PenalDireito Penal
4. ERRO DE TIPO4. ERRO DE TIPO
Erro para o Direito Penal é a falsa percepção de algo, o engano acerca de alguma coisa. Erro
de tipo, por sua vez, é a falsa percepção, pelo agente, da realidade que o cerca. O erro de
tipo recai sobre elementares ou circunstâncias do tipo ou outros dados acessórios. 
Exemplo: Uma moça vai a uma loja e deixa sua bolsa sob a bancada. Na saída, vê uma bolsa
similar a sua e, supondo-o ser aquela de sua propriedade, leva-a para casa. Do ponto de vista
formal, a moça subtraiu coisa alheia móvel. Entretanto, caso seja um erro escusável, não será
responsabilizada já que incidiu em erro de tipo.
4.1 ESPÉCIES DE ERRO DE TIPO4.1 ESPÉCIES DE ERRO DE TIPO
O erro de tipo pode ser essencial ou acidental.
4.1.1 ERRO DE TIPO ESSENCIAL4.1.1 ERRO DE TIPO ESSENCIAL
Este erro está previsto no artigo 20 do Código Penal:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a
punição por crime culposo, se previsto em lei.
Trata-se de erro que não poderia ter sido evitado pelo agente.A invencibilidade do erro
impede a caracterização da infração penal, pois mesmo que o agente tivesse atuado com
mais diligência, não poderia ter evitado o erro. O erro de tipo essencial invencível sobre
elementares afasta o dolo e a culpa. Aqui o agente não será responsabilizado penalmente. 
INEVITÁVEL, DESCULPÁVEL OU ESCUSÁVEL: 
CLASSIFICAÇÃOERRO DE TIPO ESSENCIAL
VENCÍVEL, EVITÁVEL OU INESCUSÁVEL
É o erro que poderia ter sido evitado pelo agente com emprego de certa diligência, pois é
previsível. Neste caso, o agente será responsabilizado penalmente caso haja previsão da
figura culposa. O erro de tipo essencial vencível sobre elementares afasta o dolo, mas não a
culpa.
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Direito PenalDireito Penal
ERRO DE TIPO SOBRE O OBJETO (ERROR IN OBJECTO)
É aquele em que o agente confunde o objeto material, atingindo um que é diverso daquele
pretendido. Não há previsão legal, sendo tratado pela doutrina. Exemplo: Caio quer danificar
o carro de seu inimigo. Assim, lança uma pedra no para-brisa do veículo, mas acaba acertando
o carro Ana. 
ERRO DE TIPO SOBRE A PESSOA (ERROR IN PERSONA)
É aquele em que o agente queria atingir determinada pessoa, mas acaba vindo a atingir outra.
O Código Penal prevê esta hipótese em seu artigo 20, § 3º, que assim dispõe: 
ERRO DE TIPO SOBRE A EXECUÇÃO (ABERRATIO ICTUS)
É aquele em que o agente sabe exatamente quem quer atingir com sua conduta delituosa.
Entretanto, ele falha na execução do crime, por acidente ou por erro relacionado ao meio de
execução. O Código Penal prevê esta hipótese em seu artigo 73: 
No caso de um só resultado, a lei determina que o agente deve responder pela vítima que
queria atingir e não aquela que atingiu por erro na execução. Entretanto, se o agente atingir
tanto a vítima a que visava quanto outra pessoa, é caso de concurso formal.
Exemplo: Mariana decide matar o perito do INSS por ter sua aposentadoria negada e ao
disparar uma arma de fogo contra o mesmo, acaba por atingir um particular que estava ao
lado por falha de pontaria. Mariana responderá como se tivesse atingido o perito. Caso
Mariana atinja o perito de raspão e depois o particular, ficando ambos lesionados, Mariana
responderá por tentativa de homicídio contra o perito em concurso com lesão corporal
contra o particular. 
4.1.2 ERRO DE TIPO ACIDENTAL4.1.2 ERRO DE TIPO ACIDENTAL
Erro de tipo acidental é o erro que recai sobre elementos secundários do tipo penal que são
irrelevantes para a configuração ou não do delito. Podem ser:
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se
consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra
quem o agente queria praticar o crime.
A responsabilização penal será como se o agente tivesse atingido quem realmente era sua
vítima desejada. Exemplo: Mário quer matar sua esposa, mas acaba se confundindo e mata
uma moça extremamente parecida com sua esposa, mas responderá como se tivesse
matado sua esposa, incidindo a causa de aumento. 
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de
atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse
praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código.
No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do
art. 70 deste Código. 
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Direito PenalDireito Penal
Mariana vai responder por crime cometido contra o perito do INSS nos termos do artigo 73
do CP. Entretanto, essa determinação é de Direito Penal. O STJ tem entendido que a
aberratio ictus não alcança o direito processual.
NO EXEMPLO ACIMA, A COMPETÊNCIA É DA JUSTIÇA COMUM FEDERAL OU ESTADUAL?
O STJ tem entendido que a aberratio ictus não alcança o direito processual. No exemplo
dado, o sujeito seria julgado pela Justiça Comum Estadual, pois não foi vítima o perito federal
em razão de suas funções, mas um particular, um padeiro.
RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO (ABERRATIO CRIMINIS OU ABERRATIO
DELICTI)
É aquele em que o agente, por erro na execução, provoca lesão em bem jurídico diverso do
pretendido. O Código Penal trata da hipótese em seu artigo 74:
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do
crime, sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é
previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do
art. 70 deste Código.
Exemplo: A quer danificar o carro de B, então joga um tijolo no carro, mas acaba acertando B
que se fere. A queria praticar o crime de dano, mas acabou praticando lesão corporal. Como
o resultado diverso do pretendido não era desejado pelo agente, o Código Penal afasta o
dolo, determinando a punição do agente por culpa. Assim, A responde por lesão corporal
culposa. Entretanto caso A acerte o carro e também cause lesões em B, então deverá
responder por crime de dano e lesão corporal culposa em concurso formal.
ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL
É aquele em que o agente pratica o resultado pretendido, mas com outro nexo de
causalidade. O sujeito ativo pratica uma conduta visando à produção do resultado, mas não o
atinge como imaginava. Existem duas hipóteses:
ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL EM SENTIDO ESTRITO
O agente só pratica um ato, mas atinge o resultado por causa diversa da que pretendia.
Exemplo: A joga a vítima do ao mar para que morra afogada, por não saber nadar. Entretanto,
ela bate a cabeça numa rocha e morre com o impacto. A responde pelo crime de forma
dolosa, de todo modo, já que ele pretendia o resultado, não importando se o obteve da
forma como imaginava.
DOLO GERAL OU ABERRATIO CAUSAE
Há uma pluralidade de atos, um erro sucessivo. 
Exemplo: A dispara tiros contra B com o intuito de matá-lo, após, joga o corpo ao mar.
Entretanto, B não havia morrido com os tiros e acabou morrendo afogado. A responde pelo
crime de forma dolosa, pois desejava o resultado, não importando se o obteve da forma
como imaginava.
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Direito PenalDireito Penal
Descriminante significa excludente de ilicitude. Putativa significa imaginária, irreal. Assim,
descriminante putativa pode ser conceituada como uma imaginação do agente de que existe
uma causa que exclui a ilicitude do seu comportamento. O indivíduo supõe estar acobertado
por uma excludente de ilicitude, mas não está.
A descriminante putativa pode ocorrer por erro de tipo ou por erro de proibição:
DESCRIMINANTE PUTATIVA POR ERRO DE TIPO
Ocorre quando o agente interpreta de modo equivocado a realidade e imagina que está
acobertado por uma excludente de ilicitude. É o erro sobre um pressuposto fático de uma
excludente de ilicitude.
Exemplo: O filho chega em casa de madrugada e percebe que esqueceu a chave do portão.
Então, resolve pular o muro para não precisar acordar seus pais.Seu pai, ao ver alguém
pulando o muro, atira por pensar que se trata de uma ladrão, mas depois vê que é seu filho.O
pai agiu porque imaginou estar acobertado pela legítima defesa, mas, na verdade, teve uma
interpretação equivocada dos fatos, do mundo real. Portanto,
configura-se uma descriminante putativa (uma legítima defesa apenas imaginada) por erro de
tipo. 
Se o equívoco se deu de modo inevitável, afastam-se o dolo e a culpa, razão pela qual ele não
pode ser responsabilizado penalmente. Entretanto, se o equívoco podia ser evitado, é
possível a sua punição pela modalidade culposa do crime, se houver.
DESCRIMINANTE PUTATIVA POR ERRO DE PROIBIÇÃO
Se configura quando o agente imagina, equivocadamente, estar agindo sob a incidência de
uma excludente de ilicitude, mas porque interpreta a norma, que prevê tal excludente, de
forma errada. Ele se equivoca sobre a existência ou sobre os limites da excludente de
ilicitude. Aqui o agente não tem uma falsa percepção da realidade, ele vê a realidade como
ela é, mas se equivocou na interpretação da norma penal.
Exemplo: Caio mata sua esposa após descobrir uma traição por achar que está em legítima
defesa da honra. O agente interpretou mal a norma que prevê a excludente de ilicitude,
imaginando que estáacobertado pela descriminante da legítima defesa. Entretanto, é um
erro dele sobre a abrangência da norma que trata da legítima defesa.
Se o erro for inevitável, o agente não responde penalmente, ficando isento de pena. Se for
evitável, deve ter sua pena diminuída de um sexto a um terço, em razão de sua culpabilidade
ser menor.
4.2 DESCRIMINANTES PUTATIVAS4.2 DESCRIMINANTES PUTATIVAS
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Direito PenalDireito Penal
O agente percebe a realidade de forma equivocada por causa de um agente provocador que
é o autor mediato, que o induz a erro. O Código Penal trata da hipótese no artigo 20, §2º:
§2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
4.3 ERRO DE TIPO CAUSADO POR TERCEIRO4.3 ERRO DE TIPO CAUSADO POR TERCEIRO
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