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Direito Penal M O R G A N A B E R N A R D E S TEORIA GERAL DO CRIME FATO TÍPICO PARTE 2 Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 00 Direito PenalDireito Penal SUMÁRIOSUMÁRIO TEORIA GERAL DO CRIME - FATO TÍPICO (PARTE 2) RESULTADO1. NEXO CAUSAL2. TIPICIDADE3. ERRO DE TIPO4. 01 05 02 07 Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 01 Direito PenalDireito Penal 1. RESULTADO1. RESULTADO TEORIA GERAL DO CRIME - FATO TÍPICOTEORIA GERAL DO CRIME - FATO TÍPICO Resultado é o efeito ou a consequência da ação ou omissão do sujeito ativo. Existem duas teorias sobre o resultado: O resultado é a lesão ou ameaça de lesão ao bem jurídico tutelado pelo Direito Penal. No caso do homicídio consumado, o resultado é a lesão ao bem jurídico tutelado, ou seja, a vida todo crime possui resultado jurídico. TEORIA NATURALÍSTICA O resultado é a modificação realizada no mundo exterior pela conduta, comissiva ou omissiva, do agente. No caso do homicídio consumado, o resultado é a morte causada pelo agente, entretanto, nem toda infração penal possui um resultado naturalístico. TEORIA JURÍDICA OU NORMATIVA Parte 2 Sob o critério da teoria naturalística, os crimes se classificam em: Crime material: é aquele que prevê a produção de resultado naturalístico, sem o qual o crime não se consuma. Exemplo: homicídio, em que o resultado morte é essencial para que o crime se considere consumado. Crime formal: é o que possui a previsão de resultado naturalístico, mas cuja produção é irrelevante para a consumação do delito. Exemplo: extorsão mediante sequestro. Esse crime se consuma com o sequestro da vítima, a obtenção ou não do preço do resgate pelo sujeito ativo do delito não é relevante para configuração da consumação. Crime de mera conduta: é aquele em que não se prevê a produção de resultado naturalístico. Exemplo: crime de desobediência e de omissão de socorro. Sob o critério da teoria normativa ou jurídica, os crimes se classificam em: Crime de dano: é aquele que produz um resultado consistente na lesão ao bem jurídico. Exemplo: homicídio, lesão corporal. Crime de perigo: é aquele cuja ocorrência se verifica com a exposição do bem jurídico a um perigo ou risco. Subdivide-se em: 1) Crime de perigo abstrato: é aquele em que a norma penal presume a ocorrência de perigo ao bem jurídico em determinada situação, como no tráfico de drogas. 2) Crime de perigo concreto: é aquele que exige a demonstração de efetivo perigo de dano ao bem jurídico, como no crime de incêndio. Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 02 Direito PenalDireito Penal 2. NEXO CAUSAL2. NEXO CAUSAL Nexo causal é a relação de causalidade entre a conduta e o resultado. TEORIAS DO NEXO CAUSAL TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES Todo e qualquer fator que tenha contribuído para o resultado deve ser considerado sua causa. Logo, a não ocorrência de qualquer dos fatores levaria à não produção do resultado. De acordo com esta teoria, um antecedente deve ser considerado causa de algo quando, sem sua ocorrência, o resultado não seria produzido. Uma crítica feita a esta teoria é a possibilidade do regresso infinito, assim se Caio mata sua esposa, os pais de Caio poderiam ser responsabilizados, pois a atitude dos pais de resolverem ter um filho seria um antecedente. Se os pais não tivesse tido Caio como filho, o homicídio não teria acontecido. TEORIA DA CAUSALIDADE ADEQUADA Segunda essa teoria, para o antecedente ser considerado causa, não basta que sem a sua ocorrência, o resultado não teria ocorrido. É necessário que o antecedente possua idoneidade para a produção do resultado, assim só deve ser considerada causa a condição que seja idônea para produzir o resultado. No exemplo anterior, os pais de Caio terem tido um filho não é um antecedente idôneo a provocar a morte de alguém anos depois. Assim, os antecedentes causais ficam limitados àqueles que possuam capacidade de efetivamente causar o resultado. TEORIA DA CONDIÇÃO INUS Segundo esta teoria, um resultado é provocado por diversos fatores, assim cada resultado será gerado por um grupo de fatores distintos. Cada grupo é suficiente para provocar o resultado, mas nenhum é necessário. Cada fator é uma condição INUS. Então, condição suficiente é aquela que, caso ocorra, vai provocar o resultado. Já a condição necessária é aquela que é imprescindível para que o resultado ocorra, mas ela pode ser insuficiente por depender de outros fatores. Exemplo: um curto circuito é a condição INUS para incêndios de casas. Isso significa que é uma condição insuficiente, porque é necessário também haver oxigênio e material inflamável. Mas não é redundante, já que sem o curto as outras condições não causaram o incêndio. É parte de uma condição que, no seu conjunto, é suficiente para o incêndio da casa. Entretanto, esse conjunto de fatores não é necessário, pois há outros conjuntos de fatores que podem provocar o incêndio da casa, como um isqueiro e combustível. Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 03 Direito PenalDireito Penal TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA Busca dar ao nexo causal um conteúdo jurídico, e não só naturalístico. A análise dos antecedentes causais não deve se limitar a verificar se o antecedente foi necessário para a produção do resultado. É imprescindível que se analise também o conteúdo jurídico do antecedente. Esta teoria exige que a conduta crie um risco proibido para a produção do resultado. Não é todo risco que enseja a responsabilidade penal, como o fato de o sujeito presentear seu inimigo com uma viagem de avião para a praia, desejando que o avião caia. O eventual falecimento em decorrência de acidente aéreo não pode ensejar a responsabilização do sujeito por sua conduta. Essa teoria adiciona ao nexo de causalidade a criação de um risco proibido ou o aumento de um já existente, a realização desse risco no resultado, exigindo que o resultado esteja na linha de desdobramento causal normal da conduta, ao que se dá o nome de nexo normativo. Acerca do resultado, o Código Penal diz: Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido O Código Penal adotou a teoria da equivalência das condições. Sua base é a chamada regra da conditio sine qua non, isto é, deve ser considerada causa aquele comportamento (comissivo ou omissivo) cuja ausência implicaria na não produção do resultado. CONCAUSAS É o caso de mais de uma causa contribuir na produção do resultado. Concausas, portanto, são antecedentes causais de um mesmo resultado, são comportamentos cuja não ocorrência eliminaria o resultado. Essas condições podem ser preexistentes, concomitantes ou supervenientes, conforme a ordem cronológica de sua ocorrência. Podem ser, ainda, absolutamente ou relativamente independentes: ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES Ocorre quando um antecedente não depende do outro para ocorrer, são causas independentes, sem ligação entre elas. Exemplo: Maria envenena o café de José. Enquanto José bebia o café, Luana entra e dispara três tiros contra ele, provocando sua morte instantânea. A concausa (os tiros) são absolutamente independentes do comportamento de Maria (envenenamento). Tendo sido preparado ou não o café com substância venenosa, Luana entraria para matar José, por isso, sua independência é absoluta. Neste caso, Luana responde por homicídio e Maria por tentativa de homicídio. No caso de concausas absolutamente independentes, rompe-se o nexo causal, logo o agente responde somente pelos atos que praticou. Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 04 Direito PenalDireito Penal RELATIVAMENTE INDEPENDENTES Ocorre quando um antecedente depende do outro para ocorrer. Exemplo: José esfaqueia Maria ao descobrir uma traição.A vítima é socorrida, mas, no hospital, tem complicações, decorrentes de uma infecção hospitalar, e morre. A concausa (infecção hospitalar) não é totalmente independente do antecedente, o comportamento do agente (os golpes de faca). A vítima só foi parar no hospital e necessitou ser internada porque foi lesionada por José Portanto, temos uma causa relativamente independente e José responderá por homicídio. No caso de concausas relativamente independentes, não se rompe o nexo causal. O agente responde pelo resultado provocado. RELATIVAMENTE INDEPENDENTE PREEXISTENTE Caio querendo matar Edu e sabendo ser ele hemofílico, desfere contra ele uma facada na perna que, sozinha, não causaria a sua morte, mas que por esta condição, a morte ocorreu. A doença era anterior à facada, agindo as duas em conjunto, de modo que o agente responde pelo crime consumado. Observe que o fato de Edu ser hemofílico, por si só, não levaria ele à morte. A facada, por si só, também não o levaria à morte (por ter sido deferida em lugar não letal). A hemofilia e a facada são dependentes uma da outra para ocorrer o resultado. Ou seja: é a soma das causas que leva ao resultado morte. A existência de doença cardíaca de que padecia a vítima configura-se como concausa preexistente relativamente independente, não sendo possível afastar o resultado mais grave (morte) e, por consequência, a imputação de latrocínio. HC 704.718-SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 16/5/2023, DJe 23/5/2023. (Info 777 STJ) Entretanto, existe uma exceção, que é o caso de causa relativamente independente superveniente que por si só causa o resultado. Veja o que diz o parágrafo primeiro do artigo 13, do Código Penal: A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou. O Código Penal adotou a teoria da equivalência dos antecedentes como regra, conforme prevê o artigo 13, caput, mas o parágrafo primeiro do mesmo artigo trouxe, excepcionalmente, a aplicação da teoria da causalidade adequada. Trata-se da hipótese de uma causa relativamente independente superveniente que por si só causa o resultado. Exemplo: A fere B com uma faca em uma briga de bar e, por isso, B está em uma ambulância. No caminho para o hospital, a ponte se rompe e a ambulância cai no rio, ocasionando a morte de quem estava dentro. Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 05 Direito PenalDireito Penal É o enquadramento de uma conduta praticada ao tipo legal, molde descritivo da lei penal. Possui um aspecto formal e um aspecto material: TIPICIDADE MATERIAL Consiste em um juízo de valor, referente à relevância da lesão ou ameaça de lesão. TIPICIDADE FORMAL É a subsunção entre os fatos da realidade e o tipo penal previsto na lei penal incriminadora. Subdivide-se em: a) Imediata ou direta quando não depender de outra norma para sua configuração; b) Mediata ou indireta quando depender de uma norma de extensão, sem a qual não há subsunção entre o fato e o tipo penal. EXEMPLO DE NORMA DE EXTENSÃO Crimes tentados, A tenta matar B, mas é impedido por C. A conduta de A não se enquadra no crime de homicídio, tendo em vista que o homicídio não se consumou. Não há tipicidade. Entretanto, como existe uma norma penal que prevê que é punível a tentativa, esta norma de extensão possibilita a tipicidade da conduta. TIPICIDADE CONGLOBANTE Idealizada por Zaffaroni, que é formada pela tipicidade material + antinormatividade. Para ele, não se pode considerar ilícita uma conduta que é determinada ou fomentada pelo Estado. Exemplo: O oficial de justiça que promove penhora de bens em razão de cumprimento de mandado, ou seja, uma espécie de subtração de coisa alheia móvel. Ele, que só ficará isento de responsabilidade na análise do segundo elemento do crime (ilicitude), enquanto não deveria sequer haver tipicidade penal.O STJ já adotou a tipicidade conglobante (AP 638). 3. TIPICIDADE3. TIPICIDADE A queda da ambulância não estava na linha natural de acontecimentos e, por isso, essa concausa rompe o nexo causal e produz, sozinha, o resultado, não era previsível que a ponte iria se romper e a ambulância iria cair no rio. Entretanto, esta concausa não é absolutamente independente, já que o sujeito só estava na ambulância em razão de ter sido ferido na briga. A concausa é superveniente, pois ocorreu depois. Rompido o nexo causal, cuida-se de hipótese em que, mesmo sendo a concausa relativamente independente, o sujeito responde apenas pela tentativa de homicídio, e não pelo resultado morte. Fato diferente ocorreria se B morresse em razão de infecção dos ferimentos decorrentes da facada. Tendo em vista que se não fosse a facada não haveria a infecção e que esta infecção é uma possibilidade normal, que se encontra dentro das consequências esperadas de uma facada, o agente responde pelo delito consumado. Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 06 Direito PenalDireito Penal “(...) TIPICIDADE X ANTINORMATIVIDADE. TEORIA DA TIPICIDADE CONGLOBANTE (...) 3. A tipicidade conglobante surge quando comprovado, no caso concreto, que a conduta praticada pelo agente é considerada antinormativa, isto é, contrária à norma penal, e não imposta ou fomentada por ela, bem como ofensiva a bens de relevo para o Direito Penal (tipicidade material). Na lição de Zaffaroni e Pierangeli, não é possível que no ordenamento jurídico, que se entende como perfeito, uma norma proíba tudo aquilo que outra imponha ou fomente. (...). Portanto, a antinomia existente deverá ser solucionada pelo próprio ordenamento jurídico” (GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: Parte Geral, 20ª ed. Niterói/RJ. Impetus, 2018, p. 261/262. (...) (Embargos Declaratórios no Agravo Regimental nos Embargos Declaratórios no Agravo em Recurso Especial nº 1.421.747/SC, STJ, 5ª T., unânime, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 10/03/2020, DJ 19/05/2020). Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 07 Recai sobre as elementares e circunstâncias do tipo penal, impedindo o agente de saber que está praticando uma infração penal. Exemplo: Caio está caçando com Ronaldo e para lhe pregar uma peça, Caio se veste de urso, pensando que vai assustá-lo. Ao se deparar com a figura vindo em sua direção, Ronaldo atira, pensando se tratar de um animal. A falsa percepção da realidade não lhe fez perceber que atirava em alguém, um ser humano, e não em um animal irracional. Direito PenalDireito Penal 4. ERRO DE TIPO4. ERRO DE TIPO Erro para o Direito Penal é a falsa percepção de algo, o engano acerca de alguma coisa. Erro de tipo, por sua vez, é a falsa percepção, pelo agente, da realidade que o cerca. O erro de tipo recai sobre elementares ou circunstâncias do tipo ou outros dados acessórios. Exemplo: Uma moça vai a uma loja e deixa sua bolsa sob a bancada. Na saída, vê uma bolsa similar a sua e, supondo-o ser aquela de sua propriedade, leva-a para casa. Do ponto de vista formal, a moça subtraiu coisa alheia móvel. Entretanto, caso seja um erro escusável, não será responsabilizada já que incidiu em erro de tipo. 4.1 ESPÉCIES DE ERRO DE TIPO4.1 ESPÉCIES DE ERRO DE TIPO O erro de tipo pode ser essencial ou acidental. 4.1.1 ERRO DE TIPO ESSENCIAL4.1.1 ERRO DE TIPO ESSENCIAL Este erro está previsto no artigo 20 do Código Penal: Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. Trata-se de erro que não poderia ter sido evitado pelo agente.A invencibilidade do erro impede a caracterização da infração penal, pois mesmo que o agente tivesse atuado com mais diligência, não poderia ter evitado o erro. O erro de tipo essencial invencível sobre elementares afasta o dolo e a culpa. Aqui o agente não será responsabilizado penalmente. INEVITÁVEL, DESCULPÁVEL OU ESCUSÁVEL: CLASSIFICAÇÃOERRO DE TIPO ESSENCIAL VENCÍVEL, EVITÁVEL OU INESCUSÁVEL É o erro que poderia ter sido evitado pelo agente com emprego de certa diligência, pois é previsível. Neste caso, o agente será responsabilizado penalmente caso haja previsão da figura culposa. O erro de tipo essencial vencível sobre elementares afasta o dolo, mas não a culpa. Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 08 Direito PenalDireito Penal ERRO DE TIPO SOBRE O OBJETO (ERROR IN OBJECTO) É aquele em que o agente confunde o objeto material, atingindo um que é diverso daquele pretendido. Não há previsão legal, sendo tratado pela doutrina. Exemplo: Caio quer danificar o carro de seu inimigo. Assim, lança uma pedra no para-brisa do veículo, mas acaba acertando o carro Ana. ERRO DE TIPO SOBRE A PESSOA (ERROR IN PERSONA) É aquele em que o agente queria atingir determinada pessoa, mas acaba vindo a atingir outra. O Código Penal prevê esta hipótese em seu artigo 20, § 3º, que assim dispõe: ERRO DE TIPO SOBRE A EXECUÇÃO (ABERRATIO ICTUS) É aquele em que o agente sabe exatamente quem quer atingir com sua conduta delituosa. Entretanto, ele falha na execução do crime, por acidente ou por erro relacionado ao meio de execução. O Código Penal prevê esta hipótese em seu artigo 73: No caso de um só resultado, a lei determina que o agente deve responder pela vítima que queria atingir e não aquela que atingiu por erro na execução. Entretanto, se o agente atingir tanto a vítima a que visava quanto outra pessoa, é caso de concurso formal. Exemplo: Mariana decide matar o perito do INSS por ter sua aposentadoria negada e ao disparar uma arma de fogo contra o mesmo, acaba por atingir um particular que estava ao lado por falha de pontaria. Mariana responderá como se tivesse atingido o perito. Caso Mariana atinja o perito de raspão e depois o particular, ficando ambos lesionados, Mariana responderá por tentativa de homicídio contra o perito em concurso com lesão corporal contra o particular. 4.1.2 ERRO DE TIPO ACIDENTAL4.1.2 ERRO DE TIPO ACIDENTAL Erro de tipo acidental é o erro que recai sobre elementos secundários do tipo penal que são irrelevantes para a configuração ou não do delito. Podem ser: § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. A responsabilização penal será como se o agente tivesse atingido quem realmente era sua vítima desejada. Exemplo: Mário quer matar sua esposa, mas acaba se confundindo e mata uma moça extremamente parecida com sua esposa, mas responderá como se tivesse matado sua esposa, incidindo a causa de aumento. Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 09 Direito PenalDireito Penal Mariana vai responder por crime cometido contra o perito do INSS nos termos do artigo 73 do CP. Entretanto, essa determinação é de Direito Penal. O STJ tem entendido que a aberratio ictus não alcança o direito processual. NO EXEMPLO ACIMA, A COMPETÊNCIA É DA JUSTIÇA COMUM FEDERAL OU ESTADUAL? O STJ tem entendido que a aberratio ictus não alcança o direito processual. No exemplo dado, o sujeito seria julgado pela Justiça Comum Estadual, pois não foi vítima o perito federal em razão de suas funções, mas um particular, um padeiro. RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO (ABERRATIO CRIMINIS OU ABERRATIO DELICTI) É aquele em que o agente, por erro na execução, provoca lesão em bem jurídico diverso do pretendido. O Código Penal trata da hipótese em seu artigo 74: Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. Exemplo: A quer danificar o carro de B, então joga um tijolo no carro, mas acaba acertando B que se fere. A queria praticar o crime de dano, mas acabou praticando lesão corporal. Como o resultado diverso do pretendido não era desejado pelo agente, o Código Penal afasta o dolo, determinando a punição do agente por culpa. Assim, A responde por lesão corporal culposa. Entretanto caso A acerte o carro e também cause lesões em B, então deverá responder por crime de dano e lesão corporal culposa em concurso formal. ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL É aquele em que o agente pratica o resultado pretendido, mas com outro nexo de causalidade. O sujeito ativo pratica uma conduta visando à produção do resultado, mas não o atinge como imaginava. Existem duas hipóteses: ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL EM SENTIDO ESTRITO O agente só pratica um ato, mas atinge o resultado por causa diversa da que pretendia. Exemplo: A joga a vítima do ao mar para que morra afogada, por não saber nadar. Entretanto, ela bate a cabeça numa rocha e morre com o impacto. A responde pelo crime de forma dolosa, de todo modo, já que ele pretendia o resultado, não importando se o obteve da forma como imaginava. DOLO GERAL OU ABERRATIO CAUSAE Há uma pluralidade de atos, um erro sucessivo. Exemplo: A dispara tiros contra B com o intuito de matá-lo, após, joga o corpo ao mar. Entretanto, B não havia morrido com os tiros e acabou morrendo afogado. A responde pelo crime de forma dolosa, pois desejava o resultado, não importando se o obteve da forma como imaginava. Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 10 Direito PenalDireito Penal Descriminante significa excludente de ilicitude. Putativa significa imaginária, irreal. Assim, descriminante putativa pode ser conceituada como uma imaginação do agente de que existe uma causa que exclui a ilicitude do seu comportamento. O indivíduo supõe estar acobertado por uma excludente de ilicitude, mas não está. A descriminante putativa pode ocorrer por erro de tipo ou por erro de proibição: DESCRIMINANTE PUTATIVA POR ERRO DE TIPO Ocorre quando o agente interpreta de modo equivocado a realidade e imagina que está acobertado por uma excludente de ilicitude. É o erro sobre um pressuposto fático de uma excludente de ilicitude. Exemplo: O filho chega em casa de madrugada e percebe que esqueceu a chave do portão. Então, resolve pular o muro para não precisar acordar seus pais.Seu pai, ao ver alguém pulando o muro, atira por pensar que se trata de uma ladrão, mas depois vê que é seu filho.O pai agiu porque imaginou estar acobertado pela legítima defesa, mas, na verdade, teve uma interpretação equivocada dos fatos, do mundo real. Portanto, configura-se uma descriminante putativa (uma legítima defesa apenas imaginada) por erro de tipo. Se o equívoco se deu de modo inevitável, afastam-se o dolo e a culpa, razão pela qual ele não pode ser responsabilizado penalmente. Entretanto, se o equívoco podia ser evitado, é possível a sua punição pela modalidade culposa do crime, se houver. DESCRIMINANTE PUTATIVA POR ERRO DE PROIBIÇÃO Se configura quando o agente imagina, equivocadamente, estar agindo sob a incidência de uma excludente de ilicitude, mas porque interpreta a norma, que prevê tal excludente, de forma errada. Ele se equivoca sobre a existência ou sobre os limites da excludente de ilicitude. Aqui o agente não tem uma falsa percepção da realidade, ele vê a realidade como ela é, mas se equivocou na interpretação da norma penal. Exemplo: Caio mata sua esposa após descobrir uma traição por achar que está em legítima defesa da honra. O agente interpretou mal a norma que prevê a excludente de ilicitude, imaginando que estáacobertado pela descriminante da legítima defesa. Entretanto, é um erro dele sobre a abrangência da norma que trata da legítima defesa. Se o erro for inevitável, o agente não responde penalmente, ficando isento de pena. Se for evitável, deve ter sua pena diminuída de um sexto a um terço, em razão de sua culpabilidade ser menor. 4.2 DESCRIMINANTES PUTATIVAS4.2 DESCRIMINANTES PUTATIVAS Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos @morganabernardes 11 Direito PenalDireito Penal O agente percebe a realidade de forma equivocada por causa de um agente provocador que é o autor mediato, que o induz a erro. O Código Penal trata da hipótese no artigo 20, §2º: §2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. 4.3 ERRO DE TIPO CAUSADO POR TERCEIRO4.3 ERRO DE TIPO CAUSADO POR TERCEIRO Licensed to psicologia2014kelly@gmail.com - Kelly Verena Santos e Santos