Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Resumo da prova
TURMA
NOME
TITULO
MATÉRIA
MOTIVO DO
RESUMO
UNIDADE I – RELAÇÕES ÉTNICO-
RACIAIS NO BRASIL
PSICOLOGIA -UNIP
RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO BRASIL
PREPARAÇÃO NP2
UNIDADE I – RELAÇÕES ÉTNICO-
RACIAIS NO BRASIL
1. Objetivos da disciplina
A disciplina busca:
Desenvolver consciência crítica sobre as questões étnico-raciais no Brasil.
Compreender a formação racial do país, as estruturas autoritárias e o racismo
estrutural.
Analisar as formas de discriminação e conflitos interétnicos.
Capacitar o futuro profissional para uma prática pedagógica de promoção da
igualdade racial.
Perguntas que norteiam o estudo:
Negros e brancos têm as mesmas oportunidades no Brasil?
Somos ou não um povo racista?
Por que o racismo é crime inafiançável?
2. Marcos legais
Lei nº 10.639/2003 – torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-
Brasileira.
Lei nº 11.645/2008 – amplia a obrigatoriedade para incluir a História e Cultura
Indígena.
 Essas leis buscam corrigir o apagamento histórico da contribuição africana e
indígena na formação do Brasil.
3. Conceito de “raça” e “etnia”
O termo “raça” surge no século XVI, com base em critérios biológicos (genótipo
e fenótipo).
A ciência moderna desconsidera a existência de raças humanas: há uma só
espécie humana.
Hoje, entende-se que raça é uma construção social e política, não biológica.
Foi forjada nas relações de poder entre brancos e negros.
Define lugares sociais e oportunidades com base em aparência física e cor
da pele.
Etnia refere-se à identidade cultural compartilhada (língua, religião, história,
tradições).
Portanto, raça e etnia não são sinônimos.
“Aprendemos a ver negros e brancos como diferentes porque somos educados
assim.”
 (Nilma Bentes, apud Munanga & Gomes, 2006)
4. Racismo e sua construção histórica
Século XIX: o positivismo e o darwinismo social justificavam desigualdades com
base na “superioridade racial”.
Nazismo e eugenia: defendiam a “raça ariana” e condenavam a miscigenação.
No Brasil, essas ideias sustentaram o racismo científico e o mito da democracia
racial — crença de que aqui não há racismo porque “todas as raças convivem
harmonicamente”.
Na realidade, o país manteve uma sociedade hierarquizada, em que brancos
foram colonizadores, indígenas oprimidos e negros escravizados.
5. O mito da democracia racial
Criado a partir da obra Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre, 1933).
Valorizava a miscigenação como marca da identidade nacional.
Porém, mascarava o racismo estrutural e as desigualdades.
A ideologia da “convivência harmoniosa” entre as “três raças” serviu para ocultar
o preconceito e legitimar privilégios.
Sérgio Buarque de Holanda reforçou o mito do “homem cordial” — a ideia de
um povo naturalmente pacífico e tolerante.
6. Pressupostos do racismo
Hierarquização: ideia de que há grupos humanos superiores e inferiores.
Inferiorização: legitima o domínio e exclusão dos “inferiores”.
Preconceito: crença irracional e internalizada.
Discriminação: ação prática e institucional que materializa o preconceito.
Desigualdade: consequência estrutural dessas práticas (racismo institucional e
estrutural).
O racismo brasileiro é velado — presente nas relações cotidianas, nas
oportunidades de trabalho, educação e representação social.
7. Africanidades e o legado africano
Africanidade: conceito que valoriza a herança cultural, histórica e tecnológica
dos povos africanos e afrodescendentes.
Objetivo: resgatar o protagonismo africano e romper com os estereótipos
criados pelo colonizador.
Antes de 1500, as sociedades africanas já dominavam técnicas de metalurgia,
agricultura, tecelagem, arquitetura e organização social complexa.
A colonização destruiu esses sistemas por meio de guerras e exploração,
causando a diáspora africana — deslocamento forçado e fragmentação cultural.
8. A escravidão no Brasil
O Brasil recebeu cerca de 3,6 milhões de africanos escravizados entre os séculos XVI e
XIX — o maior contingente do continente americano.
A escravidão sustentou a economia colonial e enriqueceu Portugal.
Os africanos foram desumanizados e tiveram sua cultura apagada.
A história da África passou a ser contada sob a ótica do colonizador.
Formas de resistência
Resistência passiva: recusas, sabotagens, fugas.
Resistência ativa: revoltas e formação de quilombos (Palmares, entre outros).
Zumbi dos Palmares: símbolo da liberdade e da luta antiescravista.
Dandara: liderança feminina que lutou ao lado de Zumbi e se tornou ícone da
resistência negra.
9. O abolicionismo e suas contradições
A abolição da escravidão (1888) foi um processo conservador e lento, conduzido pelas
elites para evitar revoltas.
As leis abolicionistas (Ventre Livre, Sexagenários e Áurea) beneficiaram mais os
senhores do que os libertos.
Não houve políticas públicas para integrar os negros à economia — o que levou à
marginalização e à formação das periferias urbanas.
Surgiu então o projeto de branqueamento da população: incentivo à imigração
europeia e genocídio negro na Guerra do Paraguai.
10. Contribuições africanas à formação do Brasil
Econômica: trabalho escravo construiu a base da riqueza colonial.
Demográfica: presença africana formou grande parte da população brasileira.
Cultural: influência em língua, religião (candomblé, umbanda), música (samba,
maracatu), culinária e expressões artísticas.
A cultura afro-brasileira é um dos pilares da identidade nacional.
11. Dados atuais: desigualdade racial
PNAD/IBGE (2019):
População: 42,7% brancos, 9,4% pretos, 46,8% pardos.
Regiões Norte e Nordeste concentram maior proporção de negros e pardos.
Educação: taxa de analfabetismo entre negros e pardos (13%) é o dobro da de
brancos (6%).
Gênero e raça: mulheres negras são o grupo com maior vulnerabilidade
socioeconômica, mas também o mais mobilizado em movimentos de
empoderamento.
Saúde: mortalidade materna é quase o dobro entre mulheres negras.
12. Povos indígenas no Brasil
População: 817 mil (IBGE, 2010), distribuída em 505 terras indígenas (12,5% do
território nacional).
Enfrentam discriminação linguística, pobreza, baixa escolaridade e mortalidade
elevada.
Segundo Baniwa (2006), a educação deve respeitar a língua materna indígena como
princípio pedagógico.
13. Movimento negro contemporâneo e ações afirmativas
O movimento negro busca:
Promoção da igualdade racial e social.
Conscientização da importância da representatividade negra.
Luta contra o racismo estrutural.
Ações afirmativas: políticas públicas que buscam reparar desigualdades históricas,
como:
Cotas raciais em universidades e concursos.
Programas de incentivo à inclusão social e ao mercado de trabalho.
Objetivos das ações afirmativas:
Promover igualdade de oportunidades.
Acelerar o processo histórico de inclusão.
Combater o racismo institucional.
Desmontar o mito da democracia racial.
14. Síntese conclusiva
O racismo no Brasil é estrutural e histórico, herdado da escravidão e da colonização.
A sociedade brasileira ainda reproduz desigualdades entre brancos, negros e
indígenas.
As leis 10.639/03 e 11.645/08 representam avanços no combate à invisibilidade e no
reconhecimento da diversidade cultural.
A educação antirracista deve:
Valorizar a contribuição africana e indígena.
Promover reflexão crítica.
Combater o preconceito e a exclusão.
O desafio contemporâneo é transformar o discurso de igualdade racial em prática
social efetiva.
Resumo da prova
TURMA
NOME
TITULO
MATÉRIA
MOTIVO DO
RESUMO
UNIDADE II – RELAÇÕES ÉTNICO-
RACIAIS NO BRASIL
PSICOLOGIA -UNIP
RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO BRASIL
PREPARAÇÃO NP2
UNIDADE II – RELAÇÕES ÉTNICO-
RACIAIS NO BRASIL
1. Temas centrais da unidade
Legislação antirracista: abordagens e reflexões.
A pedagogia da exclusão: imagens e representações do negro no Brasil.
Identidade, interação e diversidade: por uma educação cidadã.
Educação e promoção da igualdade racial.
Objetivo geral: compreender como leis, representações sociais e práticas
pedagógicas interferem na formação da identidade étnico-racial e como podem ser
transformadas para construir uma sociedade igualitária.2. Legislação antirracista no Brasil
O Brasil possui legislação moderna e abrangente, mas sua aplicação é limitada pela
distância entre a lei e a prática social.
 A Constituição Federal de 1988 estabelece:
Art. 5º, XLII – “A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível,
sujeito à pena de reclusão.”
Principais marcos legais:
ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) – Lei n. 8.069/1990:
Garante proteção contra discriminação, exploração e opressão.
Reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos.
Inspirado em tratados internacionais como a Convenção dos Direitos da
Criança (ONU, 1989).
Estatuto da Igualdade Racial – Lei n. 12.288/2010:
Propõe igualdade de oportunidades e combate ao racismo.
Prevê medidas concretas:
Punição de até 3 anos para crimes de racismo online.
Cotas raciais em universidades e partidos políticos.
Reconhecimento da capoeira como esporte nacional.
Incentivo à contratação de pessoas negras.
Estatuto do Índio – Lei n. 6.001/1973 (em revisão):
Antigo texto via indígenas como “relativamente incapazes”.
A Constituição de 1988 reconhece o direito à preservação cultural e
linguística.
O Novo Código Civil (2003) retira essa condição de incapacidade, afirmando
a autonomia indígena.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei n. 9.394/1996:
Art. 26, §4º: o ensino de História do Brasil deve considerar as contribuições
das matrizes indígena, africana e europeia.
Lei n. 10.639/2003:
Inclui no currículo oficial o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira.
Institui o Dia da Consciência Negra (20 de novembro).
Representa avanço na consolidação de uma educação antirracista.
3. A pedagogia da exclusão: imagens e representações do negro no Brasil
Após a abolição, consolidou-se um projeto nacional de branqueamento e o mito
da democracia racial, que mascarou o racismo.
A exclusão simbólica se perpetuou por meio da literatura, da mídia e da escola.
Essas instâncias sociais construíram imagens de inferioridade, submissão e
dependência do negro.
Na literatura
Autores como Monteiro Lobato retrataram personagens negros como
submissos e servis, perpetuando estereótipos.
Exemplos de expressões racistas naturalizadas:
“Preto de alma branca.”
“Tenho bons amigos pretos.”
A literatura reforçou a ideia de que o negro “só serve” em posições de servidão,
o que Cavalleiro (2000) chama de “pedagogia da exclusão”.
Na mídia
Antigamente, personagens negros apareciam apenas como empregadas,
escravos ou malandros.
Hoje, há maior representatividade (atores, jornalistas, filósofos, juízes), mas
ainda há resquícios de estereótipos.
Segundo Araújo (2008), o inconsciente coletivo brasileiro naturaliza essas
representações, tornando-as socialmente aceitas.
Principais estereótipos racistas:
1.A “mãe preta” submissa.
2.O “fiel jagunço” ou capanga.
3.A “negra sensual” ou “fogosa”.
4.O “malandro”.
5.O “negro perfeito” (que se comporta como branco).
Esses modelos perpetuam a ideia de que o negro só é valorizado quando se
aproxima dos padrões brancos.
4. A violência simbólica (Pierre Bourdieu)
A violência simbólica é uma forma de dominação invisível, reproduzida nas relações
sociais e nas instituições.
Ela age por meio de discursos, imagens e práticas naturalizadas, que impõem um
padrão cultural dominante.
No Brasil, a violência simbólica faz com que os próprios negros internalizem valores
eurocêntricos e rejeitem sua identidade racial.
A escola e os materiais didáticos são espaços em que essa violência ainda se
manifesta.
5. A violência simbólica na escola
Professores, muitas vezes inconscientemente, reproduzem estereótipos raciais em
sala de aula.
Crianças negras enfrentam dificuldades para construir uma identidade positiva, pois:
Não se veem representadas nos livros.
Recebem menos reconhecimento social.
Sofrem racismo velado de colegas e educadores.
A ausência de autorreconhecimento por parte de professoras afrodescendentes
reforça esse ciclo de negação.
6. Identidade e cultura
A identidade é construída nas relações sociais e culturais.
Envolve valores, crenças, símbolos e significados compartilhados.
Se forma a partir da interação com o outro (Laraia, 2008; Kemp, 2009).
A identidade afrodescendente é atravessada por conflitos, discriminação e
ressignificações.
A educação tem papel central na reconstrução da autoimagem e da autoestima
negras.
7. O papel da escola: trabalhar a diversidade
Desafios principais:
Desconstruir estereótipos de raça e cor.
Desmistificar mitos raciais da sociedade brasileira.
Desenvolver relações equitativas e inclusivas entre educadores e educandos.
Combater o racismo nos livros didáticos, que ainda trazem visões simplificadas da
história e da contribuição afrodescendente.
Os currículos escolares são construções políticas — e, historicamente, excluíram as vozes
negras e indígenas.
 A Lei 10.639/2003 exige a reformulação dos conteúdos, planos pedagógicos e materiais
escolares.
8. A prática educativa com intencionalidade
A prática pedagógica deve ter propósito político e social: promover a igualdade racial.
Exige:
Superar simplificações históricas.
Reforçar a perspectiva étnico-racial nos currículos.
Combater a invisibilidade de grupos marginalizados.
A intencionalidade pedagógica significa compreender que educar é também
transformar a realidade social (UFSCar/NEAB, 2004).
9. Educação e promoção da igualdade racial
A escola é espaço estratégico para:
Valorizar as africanidades brasileiras (raízes culturais afrodescendentes).
Reconstruir o discurso pedagógico, rompendo com práticas eurocêntricas.
Recriar as diferentes raízes da cultura brasileira, reconhecendo a diversidade.
A pedagogia antirracista busca promover a pluralidade e o respeito à diferença como
princípios de formação cidadã.
10. As instituições sociais e a comunidade
O educador deve conhecer:
A realidade sociocultural da comunidade escolar.
Os problemas e expressões culturais do entorno.
A aproximação entre escola e comunidade fortalece o sentimento de pertencimento e
a valorização da cultura local.
11. Ações profissionais e éticas
Construir novas formas de relação com a diversidade.
Lutar contra a homogeneização e o “assujeitamento” — processos que moldam
subjetividades e reproduzem desigualdade.
Buscar pluralidade, afetividade e diálogo nas relações interpessoais.
Desenvolver subjetividades livres de modelos racistas, sexistas e elitistas.
“Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o
mundo.” — Paulo Freire
12. Síntese conclusiva
O racismo no Brasil é sustentado por mecanismos simbólicos e institucionais.
A escola e os meios de comunicação podem reproduzir ou desconstruir tais práticas.
A educação deve ter intencionalidade política, comprometida com a justiça racial e o
respeito à diversidade.
A pedagogia antirracista exige ação contínua, crítica e afetiva, capaz de transformar
representações sociais e fortalecer identidades negras e indígenas.

Mais conteúdos dessa disciplina