Prévia do material em texto
Tópico 07 Fisiologia Humana Fisiologia Respiratória 1. Introdução Todos nós respiramos, mas você já parou para pensar sobre qual é a importância da respiração? Do porquê de precisarmos dela? Como ela acontece? Não se preocupe, veremos esse assunto ao longo desta lição. De acordo com Aires (2012), o sistema respiratório tem como função base suprir o nosso organismo com oxigênio e remover o gás carbônico. O oxigênio chega até o nosso sangue e, consequentemente, tecidos e, dos tecidos, o gás carbônico é levado para os alvéolos através da circulação. 2. Anatomia do sistema respiratório Como você estudou na disciplina de anatomia humana, o sistema respiratório é composto por: nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões. De acordo com Van de Graaff (2013), quando analisamos a estrutura desse sistema, ele se divide em dois: – Sistema respiratório superior (nariz, faringe e estruturas associadas) e – Sistema respiratório inferior (laringe, traqueia, brônquios e pulmões). Há também a divisão em relação às funções: Zona condutora: seria a “tubulação” do sistema que passa por dentro e fora dos pulmões. São vias de passagem que transcorrem pelo nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e bronquíolos terminais. A sua função é filtrar, aquecer e umedecer o ar, conduzindo-o para os pulmões (VAN DE GRAAFF, 2013). Zona respiratória: é o tecido localizado no interior dos pulmões onde ocorrem as trocas gasosas. Incluem bronquíolos respiratórios, ductos alveolares e sacos alveolares. São os principais locais onde ocorrem as trocas gasosas entre o sangue e o ar (VAN DE GRAAFF, 2013). Para entendermos melhor a fisiologia deste sistema, vamos relembrar as funções de cada estrutura? Nariz O nariz é a principal entrada de ar no nosso corpo. Sua cavidade interna é revestida por um epitélio ciliado. A parte externa do nariz é composto por ossos e cartilagem, dividido pelo septo nasal, formando as narinas, que fazem a comunicação do meio externo com a cavidade nasal, que, posteriormente, se comunica com a porção nasal da faringe, através das coanas (TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013; VAN DE GRAAFF, 2013). Seios paranasais São espaços aéreos (pares) que existem em certos ossos do crânio. A sua denominação é de acordo com o osso onde se encontram: seios maxilares, seios frontais, seio esfenoidal, seios etmoidais. Aquecer e umedecer o ar inspirado são funções dos seios paranasais. Além disso, são responsáveis pela ressonância do som e principalmente diminuem o peso do crânio (TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013; VAN DE GRAAFF, 2013). Faringe Vulgarmente chamada de garganta, é um órgão afunilado, com aproximadamente 13 cm de comprimento. Estende-se desde as coanas e vai até o nível da cartilagem cricóidea. Suas paredes são compostas por músculo esquelético e é revestida por uma túnica úmida. Quando estes músculos relaxam, mantém a faringe desobstruída e quando contraem ajudam na deglutição. Pela faringe, passam alimento e ar e ajudam também na ressonância (TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013; VAN DE GRAAFF, 2013). A faringe é dividida em regiões com base na sua localização: – Parte nasal da faringe: passagem do ar, é a parte superior da faringe; – Parte oral da faringe: passagem de ar inspirado, alimentos e líquidos deglutidos. É a parte média da faringe. – Parte laríngea da faringe: local onde os sistemas digestório e respiratório se separam. Os alimentos e líquidos ingeridos são encaminhados para o esôfago e o ar inspirado passa pela laringe (TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013; VAN DE GRAAFF, 2013). Laringe A laringe é a continuação da faringe, a qual se conecta com a traqueia. Sua principal função é impedir que os alimentos ou líquidos entrem na traqueia e pulmões durante a deglutição, com auxílio da epiglote, além de permitir a passagem do ar durante a respiração e produzir som (TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013; VAN DE GRAAFF, 2013). Traqueia Órgão tubular, semirrígido, com aproximadamente 12 cm de comprimento e 2,5 cm de diâmetro. Liga a laringe aos brônquios primários. Possui anéis de cartilagem hialina em forma de C, para assegurar que a via aérea esteja sempre aberta. A traqueia divide-se para formar os brônquios principais direito e esquerdo, essa divisão é denominada carina (TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013; VAN DE GRAAFF, 2013). Veja a Figura 1, cada porção do sistema respiratório: Sistema respiratório humano Árvore brônquica Logo após a traqueia, estão os brônquios principais direito (se direcionam para o pulmão direito) e brônquios principais esquerdo (se direcionam para o pulmão esquerdo). Os brônquios principais direito são verticais, curtos e mais calibrosos do que esquerdo. Assim como a traqueia, os brônquios principais possuem anéis em forma de C. Ao chegar nos pulmões, os brônquios principais dividem-se em brônquios menores, denominados brônquios secundários ou lobares, sendo um para cada lobo. Estes também se dividem em brônquios menores – brônquios segmentares (terciários) que se dividem em bronquíolos. Os bronquíolos, por sua vez, se ramificam, repetidamente, em menores e estes em menores, denominados bronquíolos terminais. Os bronquíolos terminais, por sua vez, finalizam-se em aberturas em direção aos sacos alveolares (fig. 3). Eles são a extremidade da parte condutora do sistema respiratório. (TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013; VAN DE GRAAFF, 2013). Os alvéolos pulmonares compõem a parte respiratório deste sistema. São a porção funcional dos pulmões, neles acontece a hematose. Hematose é o nome dado às trocas gasosas que acontecem entre o ar inspirado e o sangue. Os alvéolos possuem cerca de 75 a 300 μm. A união de dois ou mais alvéolos pulmonares forma os sacos alveolares, que compartilham uma abertura comum para os ductos alveolares. A superfície de contato que eles proporcionam é de 60 a 80 m², para que ocorra a difusão dos gases. Além disso, eles são formados por uma única camada de células. Esse revestimento faz a separação do ar inspirado dos vasos sanguíneos e é composto por dois tipos de células epiteliais respiratórias ou pneumócitos (fig. 2): Pneumócito do tipo I: são células finas e achatadas. Compreende a maior parte do revestimento do alvéolo (90%). Raramente, se dividem (PRESTON, 2014). Pneumócito do tipo II ou granulares: são células compactas, que liberam o surfactante pulmonar. São células de rápida divisão, o que permite reparos (PRESTON, 2014). Unidade respiratória Pulmões Os pulmões são órgãos pares, grandes, esponjosos, coniformes, situados na cavidade torácica. São separados pelo coração e outras estruturas presentes no mediastino. Todas as estruturas, após os brônquios principais, estão contidos nos pulmões. Estes são revestidos por uma túnica serosa, chamada pleura (fig 4). A pleura parietal reveste a parede torácica e a pleura visceral reveste os pulmões. Entre elas, existe a cavidade pleural, onde contém uma pequena quantidade de líquido lubrificante: o fluido pleural (TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013; VAN DE GRAAFF, 2013). O pulmão esquerdo é menor (aproximadamente 10%) que o pulmão direito, pois possui a incisura cardíaca, para acomodar o coração. O pulmão direito é mais espesso e mais largo e, relativamente mais curto, pois o diafragma do lado direito é mais alto para acomodar o fígado (TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013; VAN DE GRAAFF, 2013). Vale lembrar que os pulmões não participam apenas da respiração, mas sim do equilíbrio térmico, manutenção do pH, filtro dos êmbolos trazidos da circulação venosa, defesa contra antígenos e fonação (AIRES, 2015). Árvore brônquica e alvéolos (destaque) Pleuras Vamos ver alguns conceitos que nos ajudarão a entender a mecânica respiratória. Frequência Eventos repetitivos em um intervalo de tempo, por exemplo: batimentos cardíacos, movimentos respiratórios. Você consegue pensar em mais alguns 3. Mecânica respiratória Propriedades elásticas do sistema respiratório Quandoesticamos um elástico, ele se estica. Quando o soltamos, percebemos que ele volta ao seu tamanho original. Isso se deve à propriedade elástica do elástico. Nos pulmões, acontece a mesma coisa. A tendência dos pulmões é sempre à retração e colabar, mas, devido as suas propriedades elásticas, isso não acontece (AIRES, 2012). Nos pulmões, existem fibras elásticas, cartilagem, nervos, vasos sanguíneos, que têm essa propriedade elástica. Assim como as molas ou elásticos, os tecidos – quando são distendidos por uma força externa (músculos) e quando essa força cessa, os tecidos retraem – voltam ao original. Além disso, o que ajuda os pulmões a manterem a elasticidade é a tensão superficial do líquido presente dentro dos alvéolos (AIRES, 2012). Tensão superficial e surfactantes As moléculas de água são mais atraídas umas pelas outras do que ao ar. Com isso, elas se comprimem, formando a tensão superficial. A tensão é a força necessária, para que um objeto penetre na superfície de um líquido. Essa tensão dificulta as trocas gasosas. Para resolver esse problema, é necessário um surfactante (fig. 5). Os alvéolos possuem o líquido de revestimento alveolar, que também possui a tensão superficial. Com essa tensão, os alvéolos colapsariam, mas existe o surfactante natural, produzido pelas nossas células. Os pneumócitos tipo II, aqueles que estudamos mais acima, produzem o surfactante e o liberam nos alvéolos, para reduzir a tensão superficial. Os principais componentes do surfactante são os fosfolípides, dipalmitoilfasfatidilcolina (DPPC), fosfatidilcolina monoenoica e fosfatidilglicerol. O surfactante é importante, pois ajuda a manter o tamanho dos alvéolos, aumenta a complacência pulmonar (medida da quantidade de pressão que é necessária para insuflar os pulmões até certo volume) e manter os pulmões secos. O surfactante é liberado constantemente pelos pneumócitos tipo II, por exocitose, estimulados por mecanismo β-adrenérgicos (AIRES, 2012; PRESTON, 2014). Para que aconteça a troca de gases, é necessário um fluxo de gases, fluxo de soluções de gases e difusão destes. A fim de entendermos melhor as trocas gasosas, vamos exemplos? Pressão atmosférica Os gases presentes na atmosfera sofrem ação da gravidade e são atraídos para a centro da Terra. Essa atração faz com que as moléculas exerçam uma força sobre a superfície da Terra. Essa força é denominada Pressão. Essa pressão sofre variações, conforme altura do gás sobre a área: ao nível do mar, montanhas, por exemplo. Ao nível do mar a pressão atmosférica é 760 mmHg ou 1 atm. Pressão negativa É um nível de pressão medido em relação a um referencial, que pode ser acima (pressão positiva) ou a baixo (pressão negativa). Esse referencial, é a pressão atmosférica – ao nível do mar -> 760 mmHg. Ex.: Belo Horizonte, a 900 m acima do nível do mar. A pressão é 690 mmHg, ou seja, uma pressão negativa. Você sabe o que é a asma? Assista a esse vídeo e descubra o mecanismo da asma. O que é asma?O que é asma? https://www.youtube.com/watch?v=F35qpTkEEPo rever a física dos gases. Estrutura dos alvéolos. Propriedades físico-químicas dos gases O ar que respiramos não é apenas composto por O2. Na verdade, existe uma mistura de gases que descrita em porcentagem: O = 20,93%; CO = 0,04% e N =79,03%, além de outros gases raros, como: Ar, Ne, Kr, Xe, etc. Essa composição é uniforme até 60km de altitude (PRESTON, 2014). Quando um gás está em um recipiente fechado, as moléculas dos gases se chocam entre si e nas paredes deste recipiente. Isso é chamado de pressão. Quanto mais moléculas de gás, maior é a pressão. No caso do ar que respiramos, existem gases diferentes. Assim, cada molécula desses gases exerce uma pressão proporcional (PRESTON, 2014). Pense em quando queremos cozinhar feijão na panela de pressão: colocamos água, óleo, sal e o feijão. Depois, fechamos a panela e aplicamos calor. Com o passar do tempo, as moléculas de água irão evaporar, se agitar e irão colidir umas nas outras e nas paredes da panela, aumentando a pressão ali dentro e, consequentemente, o calor (PRESTON, 2014). A pressão que um gás exerceria se ele estivesse sozinho, se chama Pressão Parcial. No caso de uma mistura gasosa, temos a Lei de Dalton, para calcularmos a pressão. Essa lei diz que a pressão total de uma mistura gasosa corresponde à soma de todas as pressões parciais dos gases juntos. A pressão atmosférica, também denominada Pressão Barométrica – PB, como vimos, é uma mistura de gases. A sua pressão total é 760 mmHg, ou seja, PO + PCO + PN = PB. Quando a pressão atmosférica vai diminuindo, conforme altitudes mais elevadas são atingidas, acontece o que nós conhecemos como ar rarefeito (PRESTON, 2014; WEST, 2013). O estudo da fisiologia da respiração pode ser dividido em quatro grandes eventos funcionais. São eles: Ventilação pulmonar e alveolar – processo no qual o ar entra e sai dos pulmões; O surfactante é produzido no feto, após 32 semanas de gestação. Quando o recém-nascido (RN) é prematuro e nasce antes de 32 semanas, ele pode desenvolver a Síndrome do Desconforto respiratório (SDR), que pode levar à mortalidade dos RNs. Para saber mais sobre esse assunto, leia aqui esse artigo de revisão feito pela UFMG, em 2014. (CORREA JUNIOR; COURI; SOARES, 2014) 2 2 2 2 2 2 Você se lembra de alguns jogos de futebol que acontecem em países que estão muito acima do nível do mar? Os jogos da Copa Libertadores, muitas vezes, acontecem em países que estão muito acima do nível do mar, como Oruro na Bolívia, que está a mais de 3.700 m acima do nível do mar. Veja aqui a reportagem. http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2014/v42n3/a4784.pdf https://istoe.com.br/flamengo-estreia-na-libertadores-com-medo-da-altitude-de-oruro/ Difusão – do oxigênio (O ) e do dióxido de carbono (CO ) entre os alvéolos e o sangue; Transporte – do O e CO , no sangue e líquidos corporais; Regulação da ventilação. De acordo com BERNE & LEVY (2009), estudamos a mecânica pulmonar e da caixa torácica, a fim de entendermos como os pulmões trabalham quando estão saudáveis ou quando estão doentes, para percebermos as forças que os movimentam. Ventilação pulmonar e alveolar – processo no qual o ar entra e sai dos pulmões A ventilação pulmonar tem início nas vias aéreas, no sistema respiratório superior. Nesse início, haverá a umidificação, aquecimento e filtração do ar inspirado. Os movimentos de entrada do O e saída do CO dos pulmões denominam- se inspiração e expiração, respectivamente, que, para que aconteçam, dentre outros fatores, são necessários os músculos (BERNE & LEVY, 2009; TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013). Logo antes de cada inspiração, a pressão dentro dos pulmões é igual a pressão da atmosfera (nível do mar) – 760 mmHg. Mas, para que o ar entre, a pressão dentro dos alvéolos precisa ser menor que a da atmosfera, entorno de 758 mmHg. Para que isso aconteça, os pulmões precisam expandir, o que acontece com a ajuda dos músculos (BERNE & LEVY, 2009; TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, 2013). Na inspiração, o músculo que se faz mais importante é o diafragma. Quando ocorre a inspiração, esse músculo contrai e se desloca para a cavidade abdominal, proporcionando mais espaço na cavidade torácica e criando uma pressão negativa (BERNE & LEVY, 2009). Os músculos intercostais externos se conectam às costelas adjacentes e inclinam-se para frente. No momento da contração, as costelas são tracionadas para cima e para frente, levando ao aumento do diâmetro lateral e anteroposterior do tórax (WEST, 2013). E, por fim, os temos os músculos escalenos, que fazem parte dos músculos acessórios da respiração, que têm como papel elevar as duas primeiras costelas (contração) e os esternocleideomastoídeos, que promovem a elevação do esterno. Na respiração normal, esses músculos trabalham pouquíssimo, mas, no momento do exercício, eles podem contrair com vigor (WEST, 2013). A expiração é passiva, durante a respiração normal.Porém, durante o exercício e na hiperventilação, passa a ser ativa. Aqui, também são necessárias mudanças na pressão, no caso, o contrário do que acontece na inspiração. A pressão dentro dos pulmões precisa ser maior do que a pressão atmosférica. A pressão alveolar aumenta para 763 mmHg, fazendo com que os gases passem para o local onde a pressão está menor: o meio externo. Os músculos mais importantes são os da parede abdominal, sendo eles o reto abdominal, oblíquo interno e externo e transverso do abdome. Quando ocorre a contração desses músculos, a pressão intra-abdominal se eleva e o diafragma é empurrado para cima. Durante a tosse, êmese e defecação, esses músculos também contraem. Os músculos intercostais internos se opõem aos intercostais externos, ou seja, puxam as costelas para baixo e para dentro, levando à diminuição da caixa torácica (BERNE & LEVY, 2009; WEST, 2013). A ventilação pulmonar, como vimos, causa mudanças no volume da cavidade torácica, durante a respiração. Essas mudanças no volume causam mudanças nas pressões intrapulmonares, intrapleural e alveolar. Consequentemente, permitem a movimentação do ar do local com alta pressão para o de baixa pressão, ou seja, do ambiente externo para o ambiente interno (pulmões) (PRESTON, 2014). A pressão pleural (intrapleural) é a pressão encontrada na cavidade pleural. Como essa pressão é negativa, as pleuras se aderem uma a outra. Na inspiração, quando os pulmões expandem, a pressão se torna mais negativa e, quando os pulmões retraem, a pressão se torna menos negativa (mas ainda assim, negativa) (ROCCO; ZIN, 2009). A pressão que existe dentro dos alvéolos é a pressão alveolar, pois, para que o ar entre nos pulmões, a pressão nos alvéolos precisa ser negativa, pois o ar tende a se deslocar do local em que a pressão é maior para um de pressão menor (ROCCO; ZIN, 2009). 2 2 2 2 Os pulmões não têm musculatura. Mas então, como eles se contraem? 2 2 Por último, a pressão transpulmonar nada mais é do que a diferença entre as pressões pleural e alveolar. Logo, quanto maior é a pressão transpulmonar, maior é a quantidade de ar que entra nos pulmões (ROCCO; ZIN, 2009). Os ciclos de inspiração-expiração, quando em repouso, acontece com uma frequência de 12 a 16 ciclos, por minuto. A cada ciclo, o volume de gás que circula entre uma inspiração e expiração normal, denomina-se volume corrente. Já o gás mobilizado ventilado por minuto é a ventilação global por minuto (GUYOTI, 2009). Alguns fatores podem causar alterações na frequência, ritmo ou volume, como, por exemplo: choro, tosse, sono, dor, emoções. E, para cada modificação, existe uma denominação, veja: Eupnéia: respiração dentro da normalidade. Taquipneia: Aumento da frequência respiratória. Bradipnéia: Diminuição da frequência respiratória. Hiperpneia: Elevação do volume corrente. Hipopneia: Diminuição do volume corrente. Hiperventilação: Aumento da ventilação global e necessidades metabólicas. Hipoventilação: Diminuição da ventilação global e necessidades metabólicas. Apnéia: parada dos movimentos respiratórios ao final de uma expiração. Apneuse: interrupção dos movimentos respiratórios depois de uma inspiração. Dispneia: respiração com esforço. Veja os valores de referência (rpm = respirações por minuto): Adultos Bradipneico 22 rpm Crianças Bradipneico 25 rpm Recém Nascidos Bradipneico 60 rpm (PORTO, 2011) Veja como acontece a inspiração e a expiração. https://www.youtube.com/watch?v=G5tTlA6CfEc Pontociência - Como funciona a inspiração e a expiração? - Parte 2Pontociência - Como funciona a inspiração e a expiração? - Parte 2 https://www.youtube.com/watch?v=uHTPsPN7Q7k ESPIROMETRIA Os volumes gasosos mobilizados podem ser medidos, através da espirografia (fig. 6). Na espirografia, são avaliados os volumes e capacidades pulmonares. São divididos em 4 volumes primários e 4 capacidades (AIRES, 2012; GUYOTI, 2009). Figura 6 – traçado espirográfico esquematizado, mostrando volumes e capacidades pulmonares.Figura – Traçado espirográfico obtido de um indivíduo normal. Acompanhe, nos gráficos, estas legendas e veja seus conceitos: Volumes = 1. Volume Corrente (VC): quantidade de ar inspirado ou expirado a cada ciclo respiratório. Em repouso, o VC é em torno de 350-500mL. 2. Volume de Reserva Inspiratório (VRI): volume máximo que se pode inspirar voluntariamente ao final de uma inspiração espontânea. 3. Volume de Reserva Expiratório (VRE): volume máximo que se pode expirar voluntariamente ao final de uma expiração espontânea. 4. Volume Residual (VR): é o volume que permanece no interior dos pulmões após expiração máxima (não pode ser medida pelo espirógrafo comum). Capacidades = 1. Capacidade vital (CV): quantidade de gás mobilizado entre uma inspiração e uma expiração máxima (VC+VRI+VRE). 2. Capacidade inspiratória (CI): volume máximo inspirado, a partir do final de uma expiração espontânea (VC+VRI). 3. Capacidade residual funcional (CRF): quantidade de gás contida nos pulmões no final de uma expiração espontânea (VRE+VR). 4. Capacidade pulmonar total (CPT): quantidade de gás contido nos pulmões no final de uma inspiração espontânea (VC+VRI+VRE+VR). Os volumes e capacidades variam em função da idade, gênero, atividade física, postura, entre outros. Quando essa avaliação é feita, os resultados são comparados a padrões, como os valores de referência quando fazendo um hemograma. Quando respiramos de forma tranquila e normal, o ar que entra é suficiente para encher as vias aéreas até os bronquíolos terminais. Porém, somente uma parcela Pneumotórax, hemotórax e derrame pleural são problemas que acometam as pleuras, alterando as suas pressões. Consequentemente, afetam a ventilação. Quer saber mais sobre isso? Sistema Respiratório - Pleuras: Derrame Pleural, Pneumotórax e HSistema Respiratório - Pleuras: Derrame Pleural, Pneumotórax e H…… https://www.youtube.com/watch?v=pJtdLRziWbo muito pequena chega até os alvéolos, através desse ar inspirado. O ar chega até lá por difusão (AIRES, 2012). Difusão – Do oxigênio (O ) e do dióxido de carbono (CO ) entre os alvéolos e o sangue A difusão do O e CO acontece de forma passiva. Ela ocorre em meios líquidos e gasosos, de forma parecida (fig. 7). A difusão ocorre na unidade respiratória, a qual é composta por: bronquíolo respiratório, ductos alveolares e alvéolos. A troca gasosa acontece através das membranas dos componentes da unidade respiratória. Essas membranas formam o que chamamos de membrana respiratória ou membrana pulmonar, local onde acontece de fato a troca de O por CO . Elas possuem uma grande superfície de contato, o que facilita as trocas, 75 a 100 m e a espessura de 0,5uM (AIRES, 2012; GUYOTI, 2009). A lei de Fick descreve a difusão dos gases, através dos tecidos, a qual, a difusão é diretamente relacionada à área tecidual e ao gradiente de pressão e inversamente relacionada à espessura do tecido. Ou seja, quanto maior a área, maior a difusão. Porém, se o tecido for espesso, dificultará a difusão. Existem fatores que dificultam a difusão, como diminuição da PO (Pressão parcial de oxigênio), que pode levar a uma diminuição da chegada de O para o sangue. Isso pode acontecer em altitudes elevadas, asma, fibrose, redução da taxa de ventilação, enfisema pulmonar ou edema pulmonar e por uso de álcool. Qualquer morbidade que venha causar um aumento da distância do alvéolo e capilar ou a diminuição da superfície de contato. Estrutura dos alvéolos. Transporte – Do O e CO , no sangue e líquidos corporais Oxigênio: é transportado no sangue de duas maneiras: dissolvido no plasma e no fluido eritrocitário e combinado com a hemoglobina. O oxigênio dissolvido possui baixa solubilidade em água e isso dificulta o seu transporte pelo sangue. Por isso, o oxigênio dissolvido representa uma pequenaparcela, sendo praticamente desprezível. Considerando um indivíduo que está no nível do mar e respirando normalmente, a PO está a 673 mmHg e o O dissolvido está a 2%. Porém, em câmaras hiperbáricas, PO chega a 2000 mmHg e o O dissolvido a 6%. Altas concentração de oxigênio são tóxicas, com isso, a administração deve ser feita com supervisão médica (AIRES, 2012). Como o oxigênio dissolvido não é suficiente para manter o organismo em funcionamento, é necessário outro meio para transportá-lo, no caso o transporte feito combinado com a hemoglobina. Quando estamos em repouso esse transporte é >95% e quando estamos em uma atividade física >99%. A hemoglobina, como sabemos, é uma proteína que faz parte da hemácia. Cada hemácia possui em torno de 280 milhões de Hb. A hemoglobina normal do adulto (HbA) possui 4 cadeias polipeptídicas, duas de cadeia alfa e duas betas, formando uma sequência essencial para as propriedades da hemoglobina. A hemoglobina fetal (HbF) possui duas cadeias alfa e suas gamas, o que confere maior afinidade com oxigênio (AIRES, 2012). Além dos aminoácidos, as hemácias possuem um grupamento heme ligado a cada cadeia polipeptídica. O heme possui porfirina e um íon de ferro (no estado ferroso). O oxigênio associa-se ao íon de ferro, formando a oxi-hemoglobina (Hb O ), e também ao monóxido de carbono (CO), formando a carboxi-hemoglobina (HbCO), a qual por ela, a hemoglobina, possui cerca de 300 vezes mais afinidade do que pelo O , podendo assim causar intoxicações. 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 Cada molécula de hemoglobina tem a capacidade de transportar até 4 moléculas de O . A ligação do O com a hemácia é reversível, pois, depois, ele precisa ser entregue aos tecidos. Em um indivíduo saudável, a taxa de hemoglobina é de 15g/dL e a quantidade de oxigênio que 1g de hemoglobina consegue fixar é 1,39mL. Essa capacidade se chama capacidade de oxigênio. A saturação da hemoglobina se deve a relação de HbO (hemoglobina combinada com O ) e Hb total. Essa relação expressa a quantidade de O em uma amostra sanguínea sem depender da taxa de homoglobina (AIRES, 2012). Dióxido de carbono: é transportado no sangue por 4 maneiras diferentes, dissolvido em íons de carbonato, carbamino-hemoglobina e em forma de ácido carbônico. O dióxido de carbono possui alta solubilidade em água e, com isso, tem facilidade em ser transportada pelo sangue, diferentemente do oxigênio. O nosso corpo produz, em média, 200mL de CO /min. Esse gás produzido pelas células é transportado para os pulmões, através do sangue, e daí para o meio externo. Uma pequena parcela de CO dissolve-se no plasma e parte reage com a água, formando o ácido carbônico. Esse ácido dissocia-se em HCO3- e H+, que é neutralizado pelos tampões fisiológicos. Além disso, a outra parcela de CO reage com as terminações aminas livres (-NH3) das proteínas plasmáticas, dando origem aos compostos carbamínicos (AIRES, 2012). A maior parte do CO penetra nas hemácias e dentro delas acontecem 3 fenômenos: Parte do CO fica dissolvido na hemácia; Outra parte combina-se com a hemoglobina, formando a carbamino-hemoglobina (HbCO ); E boa parte, combina-se com a água, formando o ácido carbônico, porém de forma diferente como acontece no plasma. No sangue, a formação do ácido carboxílico é catalisada pela enzima anidrase carbônica. 4. Relação entre Ventilação (V) x Perfusão (Q) – V/Q Perfusão É quando o sangue sem oxigênio ou desoxigenado chega pelos pulmões e é reoxigenado. Suprimento sanguíneo para os pulmões De acordo com PRESTON (2014) os pulmões recebem sangue de duas formas: Circulação pulmonar: é a circulação que traz o sangue pobre em O do ventrículo direito, através das artérias pulmonares, até o local onde ocorrem as trocas gasosas – denominada interface sangue-gás, para que ocorra essa troca. Depois, as veias pulmonares levam o sangue rico em O para o coração, para seguir para a circulação sistêmica. A circulação pulmonar possui baixa resistência vascular (AIRES, 2012). Circulação brônquica: é a circulação presente nas vias respiratórias. É a circulação que nutre a traqueia, vias aéreas superiores, glândulas, nervos, superfície das pleuras, células secretoras de superfície, artérias e veias pulmonares. Essa circulação brônquica só irá perfundir o sistema respiratório superior, não alcançando os bronquíolos terminais, respiratórios e alvéolos (AIRES, 2012). A ventilação, como vimos anteriormente, é a entrada de ar para dentro dos pulmões. Ela e a perfusão são essenciais para a função pulmonar normal. A relação entre a ventilação-perfusão é a proporção entre a ventilação e o fluxo sanguíneo, relação do ar que chega aos pulmões com o sangue que passa pelos capilares. Com isso, é necessário ter uma boa ventilação, em parceria com uma boa perfusão, para termos uma concentração adequada de sangue para as células/tecidos (AIRES, 2012). Em condições normais: V/Q = 0,8 aregiões que tenham a mesma função. São sensíveis a variações de pH e CO no líquor. Os receptores de adaptação lenta (estiramento pulmonar) localizam-se nos músculos lisos das vias respiratórias da traqueia até aos bronquíolos. A sua função é informar, ao centro respiratório, o grau de insuflação pulmonar, ou seja, enquanto os pulmões insuflam, esses receptores são disparados e o potencial de ação chega ao centro respiratório, através dos nervos vagos, informando o término da inspiração (AIRES, 2012). Assista ao vídeo sobre a relação perfusão x ventilação Hematose - Ventilação/Perfusão - Ventilação MecânicaHematose - Ventilação/Perfusão - Ventilação Mecânica 2 2 + 2 2 2 https://www.youtube.com/watch?v=G7LYZt9YUag 5. Conclusão Neste tópico, além de relembramos a anatomia do sistema respiratório, pudemos aprender que os pulmões, para que recebam o ar, precisam do trabalho em equipe. Este trabalho é feito juntamente com os músculos da caixa torácica e diafragma que, ao contraírem e relaxarem, promovem o gradiente de pressão. E para esses movimentos acontecerem são necessárias as regulações do sistema nervoso. 6. Referências AIRES, Margarida de Mello. Fisiologia humana. 4 ed ed. Rio de Janeiro: [s.n.], 2012. BERNE & LEVY. Fisiologia. 6 ed ed. Rio de Janeiro: [s.n.], 2009. CORREA JUNIOR, Mário Dias; COURI, Lysia Muller; SOARES, Josana Laignier. Conceitos atuais sobre avaliação da maturidade pulmonar fetal Resumo. Femina, v. 42, n. 3, p. 141–148, 2014. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0100- 7254/2014/v42n3/a4784.pdf. GUYOTI, Viviane. Proteínas quinases e a ação hormonal *. p. 1–18, 2009. ISTOÉ, 2019. Flamengo estreia na Libertadores com medo da altitude de Oruro. Disponível em: https://istoe.com.br/flamengo-estreia-na-libertadores-com-medo- da-altitude-de-oruro/. PORTO, CC. Semiologia médica. 6 ed ed. Rio de Janeiro: [s.n.], 2011. PRESTON, Robin R. Fisiologia Ilustrada. 1 ed ed. Porto Alegra: [s.n.], 2014. TORTORA, GERARD J. E NIELSEN, Mark T. Princípios de anatomia humana. 12a ed. Rio de Janeiro: [s.n.], 2013. WEST, John B. Fisiologia Respiratória. 9 ed ed. Porto Alegre: [s.n.], 2013. YouTube. (2014, Abril, 19). Nelson Bonfim. Animação 3D sobre o processo de respiração. 1min50. Disponível em: https://www.youtube.com/watch? v=G5tTlA6CfEc. YouTube. (2010, junho,16). Pontociência. Pontociência – Como funciona a inspiração e a expiração? – Parte 2. 0min40. Disponível em: https://www.youtube.com/watch? v=uHTPsPN7Q7k. YouTube. (2013, agosto, 4). Anatomia Fácil com Rogério Gozzi. Sistema Respiratório – Pleuras: Derrame Pleural, Pneumotórax e Hemotórax – Anatomia – VídeoAula 025. 7min03. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=pJtdLRziWbo. YouTube. (2018, junho, 02). EnsinaMed com Olavo Valente. Hematose – Ventilação/Perfusão – Ventilação Mecânica. 17min55. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=G7LYZt9YUag&t=166s. YouTube. (2019, novembro, 05). Senhor Biologia. Fisiologia do controle respiratório aula 01. 4min44. Disponível em: https://www.youtube.com/watch? v=7GEHYxNWBKQ. Para fixar o estudo sobre regulação da respiração, assista a esse vídeo: FISIOLOGIA DO CONTROLE RESPIRATÓRIO Aula 01FISIOLOGIA DO CONTROLE RESPIRATÓRIO Aula 01 http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2014/v42n3/a4784.pdf http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2014/v42n3/a4784.pdf https://istoe.com.br/flamengo-estreia-na-libertadores-com-medo-da-altitude-de-oruro/ https://istoe.com.br/flamengo-estreia-na-libertadores-com-medo-da-altitude-de-oruro/ https://www.youtube.com/watch?v=G5tTlA6CfEc https://www.youtube.com/watch?v=G5tTlA6CfEc https://www.youtube.com/watch?v=uHTPsPN7Q7k https://www.youtube.com/watch?v=uHTPsPN7Q7k https://www.youtube.com/watch?v=pJtdLRziWbo https://www.youtube.com/watch?v=G7LYZt9YUag&t=166s https://www.youtube.com/watch?v=7GEHYxNWBKQ https://www.youtube.com/watch?v=7GEHYxNWBKQ https://www.youtube.com/watch?v=7GEHYxNWBKQ Parabéns, esta aula foi concluída! Mínimo de caracteres: 0/150 O que achou do conteúdo estudado? Péssimo Ruim Normal Bom Excelente Deixe aqui seu comentário Enviar