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LIBRAS III #CURRÍCULO LATTES# APRESENTAÇÃO Greicy Juliana Moreira ● Mestre em Letras (UEM). ● Especialista em Língua Portuguesa - Teoria e Prática (América do Sul). ● Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional (Faculdade Maringá). ● Especialista em Educação Especial com Ênfase em Libras (Bom Bosco). ● Especialista em Educação Empreendedora (PUC - RJ). ● Especialista em Gestão de Pessoas (Faculdades Maringá). ● Especialista em Novas Tecnologias da Educação (UniFCV). ● Licenciatura em Letras/Pedagogia. ● Professora da Pós-Graduação (UniFCV). ● Mediadora Pedagógica e de Pós-Graduação da (UniFCV). ● Professora conteudista na área de Educação/Letras: (UniFCV/UNIFATECIE/KROTON/SAGAH/EFICAZ). ● Instrutora de cursos Técnicos e Profissionalizantes (SENAC - PR). ● Experiência profissional: Técnico/Superior/Pós- Graduação:PRESENCIAL/EAD) há 13 anos. ● Experiência Acesse meu currículo lattes: ● http://lattes.cnpq.br/8929294723407914 #CURRÍCULO LATTES# APRESENTAÇÃO DA APOSTILA https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=B8DA4EF97D4AE655B42127C955EE8B8E Acadêmico(a), olá!!! Seja bem-vindo(a)! A partir de agora, você deu largada em uma jornada de conhecimento por meio do incrível mundo surdo, mais especificamente ao maravilhoso universo da cultura surda e suas especificidades. Nossa missão será apresentar a você, por meio de dialogismo, novos conhecimentos e descobertas, que proporcionarão reflexões e mudanças significativas no seu modo de pensar e agir, tanto no contexto pessoal, acadêmico e sobretudo na esfera profissional, favorecendo o desenvolvimento de suas competências, habilidades e atitudes. O presente material foi produzido exclusivamente para proporcionar a construção de novos conhecimentos, por meio de quatro unidades curriculares, recheadas de conceitos teóricos e reflexivos, conectando teoria e situações reais, favorecendo o processo de ensino-aprendizagem. A apostila é composta por uma introdução, seguida de quatro unidades, divididas em três tópicos cada uma, criteriosamente analisados e selecionados para dar sustentação às discussões, reflexões e conclusão. Além dos conteúdos abordados no decorrer das unidades curriculares, você também terá acesso à informações extras, como por exemplo novas leituras, a seção #saibamais, #reflita, #leituracomplementar, e ainda, dicas de livros e filmes, que contemplam os assuntos em questão na presente disciplina. Na Unidade I, o conteúdo disponibilizado será sobre os “TIPOS DE CULTURA SURDA E SUAS IDENTIDADES” então, iremos ampliar o conhecimento sobre a cultura surda e suas identidades Na Unidade II, a ênfase será exclusivamente sobre a “A HETEROGENEIDADE DA SURDEZ”: o objetivo será conhecer as especificidades da surdez e suas implicações sociais. Na Unidade III, vamos falar sobre as especificidades da “COGNIÇÃO E LINGUAGEM”, aqui, a ênfase será entender o processo de aquisição da Língua para o surdo Na Unidade IV, denominada “LÍNGUA EM TRANSFORMAÇÃO”, nosso propósito será apresentar informações sobre a língua de sinais e suas diversas variações linguísticas. Diante do exposto, desejamos que, a partir desse momento, você inicie a leitura e estudo desse material e que, no decorrer dessa trilha de descobertas, você possa refletir sobre os aspectos aqui abordados, sobre a importância da sua formação acadêmica e, ainda, como contribuir, enquanto profissional, para a eliminação de barreiras relacionadas ao ensino-aprendizagem do público-alvo dessa disciplina Boa viagem! Embarque agora nessa trilha de conhecimentos! Até mais!!! Profa. Me. Greicy Juliana Moreira. UNIDADE I TIPOS DE CULTURA SURDA E SUAS IDENTIDADES Professora Mestre Greicy Juliana Moreira Plano de Estudo: • Surdo: Diferente ou Deficiente; • Cultura Surda; • Tipos de Identidade Surda. Objetivos de Aprendizagem: • Apresentar informações sobre o termo correto para se referir ao “surdo”; • Compreender as especificidades da Cultura Surda; • Conhecer as características dos tipos de identidade surda. INTRODUÇÃO Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) à primeira unidade desta disciplina, intitulada de “TIPOS DE CULTURA SURDA E SUAS IDENTIDADES”. A ênfase é ampliar o conhecimento sobre a língua de sinais e suas variações. Além disso, dialogar sobre a importância de conhecer e compreender as especificidades dessa língua para atuação profissional. Para facilitar o seu entendimento sobre o assunto em questão, os conteúdos abordados foram didaticamente separados em três tópicos. No primeiro momento, Tópico Um (1), intitulado de “Surdo: Diferente ou Deficiente”, e a ideia central será apresentar informações sobre a correta utilização do termo surdo, segundo as orientações legais. Posteriormente, no segundo tópico, intitulado de “Cultura Surda”, o intuito é revelar as especificidades da cultura em questão. Por fim, no terceiro tópico, denominado de “Tipos de Identidade Surda”, a finalidade é explicar as características dos diversos tipos de identidade surda. Então, venha comigo, embarque nessa jornada pelo maravilhoso contexto social do surdo. Encontro você logo ali, no primeiro tópico. Até mais! 1 SURDO: DIFERENTE OU DEFICIENTE Fonte: 1998439745 Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao primeiro tópico desta unidade. Neste momento, o foco é oportunizar conhecimentos sobre o universo do mundo surdo e compartilhar informações sobre especificidades do termo e a utilização nas mais diversas esferas sociais. Além disso, a ideia é oportunizar a reflexão sobre as diversas formas de nomeações que são designadas ao surdo e como isso influencia positiva e/ou negativamente a vida dele. Caro(a) aluno(a), os conteúdos aqui apresentados vão corroborar para sua formação acadêmica, contudo, para uma prática pedagógica de excelência, faz-se necessária constante atualização profissional, ou seja, a busca incessante por novos saberes. Então, conto com sua disponibilidade e interesse para embarcar comigo nessa trilha de novos conhecimentos!! Surdo diferente ou deficiente? Aluno(a), nas mais variadas esferas sociais, as pessoas utilizam diversos nomes para se referir à pessoa surda. Em muitos casos, os leigos no assunto fazem uso de nomeações errôneas, muitas vezes, isso acontece por falta de conhecimento e/ou, até mesmo, por questões preconceituosas e pejorativas. Por isso, utilizam nomes, como, por exemplo, as designações que estão expressas na figura a seguir: Figura 1: Designações leigas Fonte: A autora (2021). Diante do exposto, infere-se que muitos nomes são utilizados para fazer referência à pessoa surda, nos mais diversos contextos sociais. Mas, como devemos nos referir ao surdo, você sabe? De acordo com o Decreto 5.626/2005, o qual regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, no artigo 2º, elucida que deve-se considerar como pessoa surda “aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras” (BRASIL, 2005). Na sequência, no Parágrafo único, destaca também que “Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz (BRASIL, 2005). No Glossário da Educação Especial do Censo 2021, para elucidar as especificidades do público-alvo da Educação Especial, destacam-se as seguintese gramaticais. Já aquelas que retratam os conceitos, estão divididas em diversas regiões sensoriais e motoras entre os dois hemisférios (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). Acadêmico(a), agora que já sabemos como é o funcionamento do cérebro no que se refere à área da linguagem, vamos entender a natureza da linguagem. Para atender ao objetivo proposto nesta disciplina, vamos utilizar para o termo LINGUAGEM a seguinte acepção: todo e qualquer sistema de signos empregados pelas pessoas com intuito de produzir sentidos (TRASK, 2004). Soma-se a essa definição os apontamentos de Koch (2002) ao salientar que a linguagem realiza a mediação entre as referências do mundo biológico e as referências do mundo sociocultural, então, a construção do conhecimento é um produto da interação social. Diante do exposto, infere-se que a cognição é uma construção social. (KOCH, 2002). Nas revisões de literatura sobre o assunto, também encontramos uma informação bastante relevante sobre o termo “A linguagem é um fato exclusivamente humano, um método de comunicação racional de ideias, emoções e desejos por meio de símbolos produzidos de maneira deliberada”. (RABAÇA e BARBOSA, 2002, p. 367). A partir das informações disponibilizadas até então e a importância desse assunto para o entendimento do propósito maior deste tópico, fica evidente a necessidade de oportunizar à pessoa surda o contato com uma língua já nos primeiros anos de vida, isso torna-se fundamental para que ela consiga desenvolver-se, seguindo o curso natural das fases de aquisição da linguagem. Essa interpretação pode ser legitimada a partir dos postulados de Fernandes e Correia (2012), ao destacar que, é por meio da aquisição de um sistema simbólico, no caso a língua, que o ser humano amplia o seu conhecimento e transforma sua concepção sobre o mundo. Contudo, a falta do contato com uma língua, resulta em implicações neurolinguísticas, pois a aquisição da linguagem é uma forma de expressão da criança surda. No que se refere ao déficit auditivo na infância e as questões neurolinguísticas, a partir da literatura consultada, infere-se que isso pode resultar em prejuízos gigantescos no decorrer da vida, principalmente nas habilidades de linguagem receptiva e expressiva. Sobre a gravidade da deficiência e a faixa etária, deve-se analisar os seguintes aspectos (LUSTIG, 2019, on-line). ● Idade na qual houve a perda; ● Natureza ( duração, frequências afetadas e o grau); ● Suscetibilidades individuais da criança (coexistência com deficiência visual, deficiência intelectual, déficits primários de linguagem, ambiente linguístico inadequado); Sobre isso, o médico ainda salienta que as crianças que possuem outros tipos de deficiências, como, por exemplo, sensoriais, linguísticas ou cognitivas terão maior gravidade e impactos ao longo do tempo (LUSTIG, 2019, on-line). Dentre muitos quesitos que poderão ser afetados com a ausência ou deficiência da audição estão: atrasos na fala, a comunicação e relação interpessoal, escrita deficiente, trocas de fonemas etc. Estudante, na próxima unidade vamos ampliar os conhecimentos sobre o processo de aquisição da linguagem do surdo. Até mais! SAIBA MAIS A interface entre a apropriação da linguagem por sujeitos surdos e a língua de sinais Este artigo aborda a apropriação da linguagem por surdos, apontando a relevância do papel da Libras em suas interações familiares, escolares e sociais. As discussões estão alicerçadas sobre a teoria sócio histórica de Vygotsky, segundo a qual o desenvolvimento da linguagem ocorre impulsionado pelas interações humanas. A partir dessa perspectiva teórica, foram levantadas questões sobre os efeitos da privação da Língua de Sinais em crianças surdas, uma lacuna que as impede de alcançar desenvolvimento semelhante ao das crianças ouvintes por não terem acesso a uma língua plena. Além da necessidade de a criança surda ter acesso à Língua de Sinais desde tenra idade, aponta-se também a importância da criação de um ambiente bilíngue familiar, escolar e social, para que ela possa ter interações de qualidade, fomentando a plena apropriação da linguagem e de outros desenvolvimentos correlatos. Para ler na íntegra, dê um click: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/58475 Fonte: ANDREIS-WITKOSKI, S.; FILIETAZ, M. R. P. A interface entre a apropriação da linguagem por sujeitos surdos e a língua de sinais. Revista Sinalizar, [S. l.], v. 4, 2019. DOI: 10.5216/rs.v4.58475. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/58475. Acesso em: 7 dez. 2021. #SAIBA MAIS# REFLITA Acadêmico(a), A partir das informações disponibilizadas sobre surdez e linguagem, reflita: Quais são os possíveis problemas que uma criança surda pode enfrentar no que se refere à aquisição da linguagem? Fonte: elaborada pela autora. #REFLITA # https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/58475 CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudante, olá! Chegamos ao final dessa segunda unidade, na qual dialogamos sobre algumas particularidades relacionadas à surdez e comunidade surda. Além disso, falamos também sobre a importância que esse assunto tem, especificamente, para os profissionais que trabalham com o ensino da língua. No primeiro tópico, a ênfase foi ampliar o conhecimento sobre as principais causas da surdez. Então, você compreendeu as acepções do termo “surdez” e as particularidades relacionadas à surdez e deficiência auditiva. Posteriormente, no segundo tópico, o diálogo esteve relacionado à heterogeneidade da surdez. Assim, você conheceu os tipos de surdez e as possíveis causas. Por fim, e não menos importante, no terceiro tópico, o objetivo foi apresentar informações sobre a heterogeneidade da surdez. Para que isso fosse possível, você conheceu as funcionalidades do cérebro, os objetivos da neurolinguística e, ainda, os possíveis transtornos que podem ocorrer com a aquisição da linguagem de uma criança surda. Diante do exposto, salientamos que os diálogos e informações aqui disponibilizados não esgotam os estudos sobre a surdez, mas abrem janelas para busca de novos conhecimentos sobre o assunto. Então, encontro você na próxima unidade. Até mais!!!! LEITURA COMPLEMENTAR SURDEZ E LIBRAS: aspectos biológicos, históricos e legais Com cerca de 10 milhões de brasileiros que possuem algum grau de deficiência auditiva, as quais podem ser consideradas leve, moderada, severa ou profunda, e podem ser tratadas com aparelhos auditivos e/ou implantes cocleares, de acordo com cada caso, a comunidade surda brasileira nem sempre foi tratada com o devido respeito. Visto que, o Brasil é um país considerado novo em relação aos países do continente europeu e a Língua Brasileira de Sinais apenas há dezoito anos foi reconhecida e está cada dia ganhando mais espaço e “voz”. Como o tema inclusão vem cada dia sendo mais discutido, as pessoas com surdez não poderiam ficar de fora, assim, a LIBRAS foi reconhecida como o meio de comunicação oficial da comunidade surda brasileira em 2002. Dessa forma, buscou-se cumprir o direito que garante o acesso à escolarização todos disponibilizando adaptações de acordo com as especificidades de cada aluno. O presente estudo tem como objetivo apresentar um pouco sobre a inclusão dos estudantes surdos dentro da comunidade escolar, mostrar algumas políticas públicas que incluam esses estudantes nas escolas e promover uma reflexão sobre questões que permeiam a surdez. O interesse nesse trabalho surgiu durante as aulas de libras,devido a uma curiosidade que tínhamos na área, para entender melhor como funciona a educação inclusiva. Para realizarmos o trabalho, fizemos uso de pesquisa bibliográfica e em sites, as quais possibilitarama busca por novos caminhos e argumentos para nossa reflexão. Foi utilizado grandes teóricos na área, tais como Mantoan, Brito e Honora. Gostaríamos de proporcionar com esse trabalho, uma reflexão sobre a educação inclusiva, como a Libras é uma ferramenta essencial e conscientizar um pouco sobre a surdez. Para ler na íntegra, dê um click: https://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rel/article/view/2170. Fonte: CARLONI, Luis Eduardo Monteiro, PELIZARO, Sophia Costa Fernandes, MELO, Heloisa Helena Vallim de. SURDEZ E LIBRAS: aspectos biológicos, históricos e legais. Revista Eletrônica de Letras. v. 14, n. 1 (2021): REL Edição 14 - (Janeiro-Dezembro 2021). Disponível em: https://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rel/article/view/2170. Acesso em: 01 dez. 2021. https://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rel/article/view/2170 LIVRO • Título. Surdez e linguagem: Aspectos e implicações neurolinguísticas • Autor. Ana Paula Santana (Autor) • Editora.Plexus Editora • Sinopse . Para os pais, ter um filho diagnosticado surdo implica uma série de escolhas. Há de se decidir se ele fará alguma cirurgia, se aprenderá a língua de sinais e a língua oral e ainda se estudará em escola especial ou comum. Nesse momento, surgem vários preconceitos, como a ideia de que o surdo não tem capacidade de se comunicar. Neste livro, Ana Paula Santana faz uma reflexão sobre as visões médicas, fonoaudiológicas, sociais e (neuro) linguísticas da condição do surdo. Com base em pesquisas e em entrevistas com sujeitos surdos e seus familiares e educadores, a autora revela a importância de considerar múltiplos aspectos quando se trata desse tipo de deficiência, fugindo dos lugares-comuns e preconceitos. FILME/VÍDEO • Título: Deaf Jam • Ano: 2011 • Sinopse: É um documentário dirigido e produzido pela cineasta americana Judy Lieff. O filme é centrado na experiência de Aneta Brodski, uma adolescente surda que vive no Queens, em Nova York , que mergulha na forma dinâmica e tridimensional da poesia em linguagem de sinais americana . Quando Aneta, uma poetisa israelense da ASL, finalmente conhece Tahani, uma poetisa palestina, as duas começam a colaborar, criando uma nova forma de poesia que ganha reconhecimento em comunidades surdas e ouvintes. • Link do vídeo: https://www.imdb.com/title/tt1512763/ WEB https://www.imdb.com/title/tt1512763/ • Apresentação do link: Parceria do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (ACERP) viabiliza a primeira webTV em Língua Brasileira de Sinais (Libras), com legendas e locução. • Link do site: http://tvines.org.br/?page_id=33 http://tvines.org.br/?page_id=33 REFERÊNCIAS ANDREIS-WITKOSKI, S.; FILIETAZ, M. R. P. A interface entre a apropriação da linguagem por sujeitos surdos e a língua de sinais. Revista Sinalizar, [S. l.], v. 4, 2019. DOI: 10.5216/rs.v4.58475. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/58475. Acesso em: 7 dez. 2021. BENTO, Ricardo Ferreira. Saúde auditiva: uma grande preocupação para o século 21. Revista Saúde, Desenvolvimento e Educação. Edição Especial no 11 - Agosto 2019. Disponível em: https://forl.org.br/Content/CKEditor/revista%20ouvir%20bem.pdf. Acesso em: Acesso em: 11 dez. 2021. BENTO, Ricardo Ferreira. Surdez. Disciplina de otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP. 2007. Disponível em: http://www.surdez.org.br/conteudo.asp?id=4. Acesso em: 11 dez. 2021. BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 ago. 2009. Seção 1, p. 3. BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Glossário da educação especial: Censo Escolar 2021. Brasília, DF: Inep, 2021. BRASIL, LEI Nº 11.796, DE 29 DE OUTUBRO DE 2008. Institui o Dia Nacional dos Surdos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2008/lei/l11796.htm. Acesso em: 12 dez. 2021. BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 7 jul. 2015. Seção 1, p. 2. BVS, Biblioteca Virtual em Saúde. Surdez. Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/surdez-3/. Acesso em: 11 dez. 2021. CARLONI, Luis Eduardo Monteiro, PELIZARO, Sophia Costa Fernandes, MELO, Heloisa Helena Vallim de. Surdez e Libras: aspectos biológicos, históricos e legais. Revista Eletrônica de Letras. v. 14, n. 1 (2021): REL Edição 14 - (Janeiro-Dezembro 2021). Disponível em: https://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rel/article/view/2170. Acesso em: 01 dez. 2021. DAMÁSIO, António. DAMÁSIO, Hanna. O Cérebro e a Linguagem. Psiquiatria Geral. Revista: Viver Mente & Cérebro Scientific American Ano XIII Nº143. 2004. 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A ideia central é dialogar sobre o processo de aquisição da linguagem da criança surda e entender a importância do contato precoce com a língua materna do sudo. Para facilitar o seu entendimento sobre o assunto em questão, os conteúdos abordados foram didaticamente separados em três tópicos. No primeiro momento, Tópico Um (1), intitulado de “Desenvolvimento cognitivo do sujeito surdo”, objetivo é possibilitar o seu entendimento sobre o processo cognitivo, psíquico e social do sujeito surdo. Posteriormente, no segundo tópico, intitulado de “Aquisição da linguagem na surdez ”, o intuito é disponibilizar informações que leve você a compreender como acontece esse processo. Por fim, no terceiro tópico, denominado de “Aquisição da Língua de Sinais”, a finalidade é explicar o desenvolvimento linguístico da criança que tem contato com a língua de sinais desde o primeiro momento de vida.. Então, venha comigo, embarque nessa trilha da linguagem pelo mundo surdo. Encontro você logo ali, no próximo tópico. Até mais! 1 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DO SUJEITO SURDO Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao primeiro tópico desta unidade, denominado de “Desenvolvimento cognitivo do sujeito surdo”. Estudos apontam que a surdez reflete diversos problemas de ordem social para a pessoa que possui essa deficiência, mas a dificuldade de maior relevância é a comunicativa, que consequentemente, atinge o desenvolvimento como um todo desde a primeira infância. Por isso, é muito relevante adquirir novos conhecimentos sobre o assunto, pois a compreensão desses aspectos corrobora para o desenvolvimento de programas educacionais que proporcionem melhores condições de aprendizado para as pessoas com deficiência auditiva e/ou surdez. Diante dessa afirmação, o objetivo, neste tópico, é que você compreenda como acontece o processo de desenvolvimento cognitivo, psíquico e social do sujeito surdo. Além disso, a ideia é esclarecer que o surdez sozinha não acarreta problemas cognitivos, como por exemplo, a ausência de raciocínio abstrato, dentre outros. Então, venha, embarque nesta trilha de novos conhecimentos! Desenvolvimento cognitivo no surdo Acadêmico(a), Você sabe o que significa cognição? Vamos entender? De acordo com as acepções do dicionário Oxford: Sf: 1.processo ou faculdade de adquirir um conhecimento; 2. percepção, conhecimento (Oxford, on-line). Muito bem, agora que você já sabe o significado desse termo, faz-se necessário entender como acontece esse processo no sujeito surdo. Especialistas que desenvolvem estudos sobre o assunto, apontam que é por meio da audição que se adquire a linguagem, portanto, a alteração ou mesmo a ausência dessa habilidade reflete em problemas comunicativos, que acarretam dificuldades no desenvolvimento psicossocial, cognitivo, de linguagem e ainda de fala (GOLDFELD, 2002). Em décadas passadas, a partir da publicação de alguns estudos, acreditava-se que a surdez comprometia o desenvolvimento cognitivo, pois as crianças surdas ao serem expostas ao teste de QI (quociente de inteligência), apresentavam resultados inferiores às crianças oralistas (JAMIESON, 1999). O estudo de Myklebust e Britton (1951, apud JAMIESON, 1999, p. 590-609) apontava que, por causa da surdez, o pensamento do indivíduo era mais concreto do que do ouvinte, por isso, a inconformidade entre os surdos e os ouvintes era qualitativa e não quantitativa conforme apontava o teste de QI. Sobre incapacidade ou inferioridade de QI do surdo apontadas nas pesquisas em questão, Vygotsky (1996) destaca que o distúrbio físico em si, “defeito orgânico”, seja ele de qualquer ordem, reflete em problemas de interação social Em oposição a essas afirmações, o teórico do ensino como processo social, linha sócio-interacionista, Vygotsky (1996), assevera que, as análises estavam sendo realizadas erroneamente, uma vez que as crianças eram submetidas a testes na língua materna do país e não na língua mais apropriada para o surdo, como consequência, houve a produção de resultados insatisfatórios. O autor também criticou a técnica oralista, pois, na visão dele, a utilização dessa filosofia resulta em pronúncias fragmentadas. Diante dessa afirmação, infere-se que a aquisição da língua de sinais desde a primeira infância para a criança surda é a abordagem mais correta. Mas será que esse pensamento é unânime? Todos os especialistas no assunto acreditam que essa seja a melhor forma de desenvolver o cognitivo e consequentemente a linguagem da pessoa surda? Estudante, isso posto, para um melhor entendimento sobre o assunto, cabe-nos agora, relembrarmos as especificidades das abordagens de ensino direcionadas ao público-alvo dessa disciplina e as implicações de cada uma para o desenvolvimento do processo cognitivo. Para isso, verifique a figura a seguir: Figura 1: Abordagens de ensino Fonte: Produzido pela autora (baseado em QUADROS (1997). ● ORALISMO: Surgiu no século XVIII, a partir da publicação de Samuel Heinicke, pai do método “Oralismo Puro” e fundador da primeira escola com método oralista. O autor valorizava a exclusividade da fala. Sobre os aspectos positivos da metodologia, os especialistas ressaltam que esse método possibilitou a disseminação de pesquisas sobre o tema surdez. Análises apresentadas na literatura apontam que o método apresentou efeitos positivos em alguns casos. No que se refere aos pontos negativos, os estudiosos afirmam que a abordagem é de difícil adaptação e, por isso, ocasiona déficit cognitivo. Além disso, nesse método há a negação à cultura surda, pois favorece a oralidade (CAPOVILLA, 2000). ● COMUNICAÇÃO TOTAL: Teve início mais ou menos em meados dos anos 60, a partir da publicação dos postulados de William Stokoe, essa metodologia utiliza diversas formas de comunicação, tudo junto e misturado, como, por exemplo, gestos, mímicas, línguas de sinais, alfabeto manual, leitura labial, oralização, escrita, bimodalismo e aparelhos auditivos. Não obteve êxito e acarretou em problemas de entendimento linguístico, isso aponta para características negativas. Os aspectos positivos surgem pela aceitação da língua de sinais como forma de comunicação (CAPOVILLA, 2000). ● BILINGUISMO: No Brasil, teve início em meados dos 80, com os defensores e divulgadores dessa metodologia Stoko e Quadros. O método utiliza como elemento principal para o desenvolvimento da linguagem, o canal visogestual. Além disso, defende o uso da língua de sinais como primordial para construção da identidade do sujeito surdo. A abordagem em questão trabalha com duas línguas, a língua de sinais oficial, como língua materna (L1) e, depois, o Português, na modalidade escrita como segunda língua (L2) (CAPOVILLA, 2000). Estudante, agora que você compreendeu as características de cada metodologia, é oportuno entendermos qual é o método adequado no que se refere aos aspectos cognitivos. Nas revisões da literatura sobre o assunto, observou-se que é comum os autores alegarem que as crianças surdas têm atraso de linguagem e, em virtude disso, elas terão diversos problemas de ordem cognitiva e sociais. Nesse sentido, infere-se que o conceito de linguagem, nesse caso, abrange tanto a organização do pensamento como as funções comunicativas, por isso, assume papel de destaque no que se refere ao desenvolvimento cognitivo. Coaduna-se, então, com essas afirmativas, os postulados do pai do sócio- interacionismo Vygotsky (1996), para ele o pensamento e a linguagem caminham juntos, ou seja, a linguagem constrói o pensamento do exterior para o interior. Considerando o exposto, a língua de sinais tem papel dedestaque para o desenvolvimento de mecanismos e estratégias cognitivas, porque tem função semelhante à linguagem oral em relação ao ouvinte, ou seja, constitui a cognição do surdo (GOLDFELD, 2002). Nessa perspectiva, segundo os autores que desenvolvem estudos na área, o Bilinguismo é a metodologia mais adequada para o desenvolvimento cognitivo da criança surda, uma vez que, utiliza a língua de sinais como primordial para o aprendizado da criança surda. Acadêmico(a), nesse tópico, você compreendeu que o sucesso do desenvolvimento cognitivo no surdo está relacionado à língua de sinais. No próximo tópico vamos ampliar os conhecimentos sobre aquisição da linguagem do surdo. Até mais! 2 AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM NA SURDEZ Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao segundo tópico desta unidade intitulado de “Aquisição da linguagem na surdez”. Como o título sugere, nosso objetivo será entender como as crianças surdas adquirem a linguagem, elemento de essencial importância para um bom desenvolvimento cognitivo e social. Nos últimos anos, no que se refere ao contexto educacional, houve um aumento significativo de estudos linguísticos acerca da aquisição da linguagem do surdo. No Brasil, essa temática ganhou destaque a partir da consolidação de algumas reivindicações da comunidade surda, que foram consolidadas e transformadas em leis, como, por exemplo, a Lei nº 10.436/2002, que reconheceu a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão dos surdos, o Decreto Nº 5.626/2005 que regulamenta a Lei nº 10.436 e, recentemente, a Lei Nº 14.191, de 3 de agosto de 2021, que altera a LDB nº 9.394, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para dispor sobre a modalidade de educação bilíngue de surdos. Para que seja possível tecer esse diálogo, primeiramente, vamos rever as especificidades de algumas teorias sobre a aquisição da linguagem: o gerativismo de Chomsky; a abordagem epigenética de Piaget e o interacionismo de Vygotsky. Logo após, a ênfase será dialogar sobre como o público-alvo dessa disciplina adquire a linguagem e quais são os entraves encontrados no decorrer do percurso. Além disso, qual a importância dessa aquisição…. Embarque comigo em mais essa trilha de novos conhecimentos. Teorias sobre a aquisição da linguagem Acadêmico(a), Compreender o processo de aquisição da linguagem humana demandou muitos estudos, uma vez que, essa não é uma atividade muito simples, por isso, foram realizadas diversas pesquisas sobre o assunto, em momentos sócio-históricos diferentes, que resultaram em teorias que possuem diferenças e também algumas semelhanças. Para iniciar os objetivos deste tópico, vamos começar o nosso diálogo apresentando informações sobre as especificidades de cada teoria. ● Gerativismo/ Inatismo A teoria Inatista de aquisição da linguagem de Noam Chomsky, linguista americano, é gerativista, baseada em uma estrutura mental/ cerebral hipotética, ainda é muito relevante e tem destaque no que se refere aos estudos da aquisição da linguagem. O autor em questão, criador da Gramática Gerativa Transformacional, publicou seus estudos a partir de meados dos anos 50. Chomsky (1997) defende que a criança nasce com equipamento físico básico (neural e estrutural), ou seja, possui um dispositivo de aquisição da linguagem (DAL) inato, herança genética de sua espécie, que quando ativado, aciona o Imput. Portanto, a criança adquire a língua materna por meio do contato social, quando há estímulos externos. O órgão da linguagem é constituído por princípios universais, chamados de Gramática Universal (GU). Esse processo resulta na gramática da língua à qual a criança está exposta (CHOMSKY, 1997). ● Epigenética / Cognitivismo Construtivista Essa teoria é balizada por Jean Piaget (1896 - 1980), psicólogo e suíço, reconhecido mundialmente como um dos pensadores mais renomados do século XX. Piaget afirma que existem dois mecanismos que permeiam o crescimento cognitivo da criança: assimilação e acomodação. É oportuno salientar que para o teórico esses mecanismos são complementares e indissociáveis (PIAGET, 1974). ➢ Acomodação: A estrutura mental chamada de Esquema recebe novas informações do meio social e as incorpora às pré-existentes, encaixando-as às novas informações (PIAGET, 1974). ➢ Assimilação: Esse processo refere-se à percepção e adaptação às novas informações, ou seja, “uma integração às estruturas prévias, que podem permanecer invariáveis ou modificadas por esta própria integração, mas sem descontinuidade com o estado precedente, acomodando-se à nova situação” (PIAGET, 1996, p. 13). Após entendermos esses dois conceitos, vamos compreender os postulados do referido autor sobre o desenvolvimento cognitivo. Piaget (1974), assevera que o pensamento do ser humano perpassa por quatro estágios até atingir a capacidade plena de raciocínio, o que acontece mais ou menos na idade da pré-adolescência. Ele dividiu essas fases considerando a faixa-etária e também os novos processos que relacionam-se à capacidade cognitiva, ou seja, com a construção do conhecimento na psiquê. As fases propostas pelo referido autor refletem como acontece o desenvolvimento das estruturas cognitivas, que estão conectados à construção da afetividade e da socialização da criança: ● Inteligência sensório-motor (0 a 2 anos): Importante fase do desenvolvimento cognitivo, nesse momento são construídos os processos cognitivos. ● Inteligência simbólica ou pré-operatória (2 a 7-8 anos): nessa etapa, ocorre o processo transitório entre a inteligência sensório-motora e a inteligência representativa (PIAGET, 1974). ● Inteligência operatória concreta (7-8 a 11-12 anos): nessa fase inicia-se a fase operatória, com a aquisição da reversibilidade lógica (PIAGET, 1974). ● Inteligência formal (12 anos ou mais ): Construção das operações e estruturas de natureza concreta (PIAGET, 1974). Ainda sobre essa questão das fases do desenvolvimento, o autor destaca que os estágios acontecem em ordem fixa para todas as crianças. Além disso, cada estágio é construído sobre o anterior e, assim, concomitantemente de forma irreversível (PIAGET, 1974). No que se refere à linguagem, Piaget (1974) pontua que o aparecimento da linguagem dá-se a partir dos 18 meses, fase da superação do estágio sensório-motor, neste momento, acontece o desenvolvimento da função simbólica, Diante do exposto, para o autor existe uma relação direta entre a linguagem e o pensamento, que a precede, ou seja, a linguagem possibilita a socialização e é considerada primordial para a infância. Em suma, a criança adquire primeiro o conhecimento enquanto fala, somente depois, desenvolve a linguagem (PIAGET, 1974). Estudante, as informações disponibilizadas não esgotam o assunto, contudo, contribuem para que haja um melhor entendimento sobre a aquisição da linguagem da criança surda. ● Interacionismo A teoria de Vygotsky é uma das teorias mais estudadas na contemporaneidade, pois defende a importância da função mediadora no processo de aquisição do conhecimento. O autor separou os processos cognitivos em dois níveis: ➢ Processos cognitivos inferiores ou no plano natural: os conhecimentos que acontecem naturalmente, sem mediação (VYGOTSKY, 1996). Processos cognitivos superiores ou mediados: os conhecimentos adquiridos por meio de interações sociais e culturais e mediadores (VYGOTSKY, 1996). Sobre a aquisição da linguagem essa teoria opõe-se aos postulados piagetianos, pois para o interacionismo, a linguagem acompanha o pensamento e não o direciona, conforme destaca Piaget. Para Vygotsky (1996), a cognição e a linguagem não são dependentes, porque o pensamento evolui, inicialmente, sem a linguagem.Porém, com o crescimento estabelecem relação de interdependência, então, a linguagem contribui para a estruturação do pensamento. Além disso, o autor pontua que os primeiros balbucios são expressos em forma de comunicação, mas sem pensamento. Contudo, ele reconhece a função social da fala, pois o bebê produz sons para efetivar a comunicação com os pais. A partir dessas explicações, para a visão interacionista, na primeira infância, a criança possui um pensamento pré-linguístico e uma linguagem pré-intelectual (VYGOTSKY, 1996). Em suma, na visão interacionista a aquisição e o desenvolvimento da linguagem é social e cultural, contrapondo-se à concepção de Piaget, que defende uma aquisição individual e biológica. Como o surdo adquire a linguagem? Estudante, agora que você compreendeu as especificidades das teorias sobre aquisição da linguagem, é oportuno entender como isso acontece com a criança surda. O processo de aquisição da linguagem inicia-se no momento do nascimento e vai sendo construído no decorrer do crescimento e desenvolvimento da criança. A autora renomada que desenvolve estudos sobre o assunto, Quadros (1997), pontua que a criança surda percorre até certo ponto o período pré-linguístico expressando os balbucios (silábico e a gesticulação) da mesma forma que a ouvinte, pois esse é um processo inata do ser humano. Contudo, com os bebês surdos isso acontece até um determinado momento, pois as expressões cessam em virtude do input linguístico. Por volta dos 12 meses de vida, o bebê está transitando entre os estágios pré- linguísticos (sons produzidos não são associados a nenhum significado) e o linguístico. Na fase linguística, configura-se a aquisição dos primeiros sinais, que são manifestados pela criança para se comunicarem com os pais. Esse processo acontece igualmente tanto com crianças ouvintes como com crianças surdas. De acordo com a concepção defendida por Lyons (1987), aquisição da linguagem é um processo natural determinado pelo meio, ou seja, pela língua nativa. Diante disso, infere-se que a criança surda, filhas de pais surdos, que utilizam no contexto familiar a língua de sinais, adquirirá essa língua natural e igualmente a uma criança ouvinte que adquire a língua utilizada pelos pais diariamente. Isso posto, é importante destacar que em decorrência de fatores clínicos, como o bloqueio sensorial e sonoro, o surdo não desenvolverá uma fala natural, mesmo havendo a possibilidade de aprendizagem, nunca terá a mesma habilidade de uma pessoa ouvinte. Assim sendo, a criança surda desenvolve sua linguagem naturalmente e realiza a comunicação por meio de gestos, do choro, olhar, contudo, não manifesta sua comunicação oralmente. Por isso, de acordo com as acepções vygotskyana, o surdo precisa ter contato desde a primeira infância com uma língua que proporcione a integração social e, não apenas a reprodução de palavras, no caso da utilização do oralismo. Nesse sentido, justifica-se a utilização da língua de sinais, pois ela é natural para a criança surda. No próximo tópico, a ênfase será dialogar sobre a aquisição da língua de sinais pela criança surda. Até mais! 3 AQUISIÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao terceiro tópico dessa unidade, intitulado de “Aquisição da Língua de Sinais”. Existem diversos estudos sobre o assunto, contudo, na maioria das vezes, para uma uma melhor análise do processo de aquisição da língua, as crianças são categorizadas, ou seja, separadas em grupos e, a essa divisão, decorre da diferença de alguns aspectos, como, por exemplo, crianças surdas com pais surdos (ou somente o pai ou a mãe) ou crianças surdas com pais ouvintes etc.. Segundo os especialistas no assunto, essas diversidades sociais refletem no processo de aquisição da linguagem, por isso, precisam ser consideradas e analisadas separadamente (QUADROS, 1997). Portanto, no tópico em questão, a ideia é apresentar informações sobre a aquisição da língua de sinais a partir dos pressupostos de Vygotsky (1996), considerando a aquisição da linguagem por meio da interação com pessoas surdas. A Língua de sinais Acadêmico(a), para um melhor entendimento sobre o assunto, vamos relembrar alguns aspectos importantes sobre a língua de sinais brasileira. A Libras possui origem na francesa LSF, porque foi através do professor francês Eduard Huet, que a língua de sinais chegou ao Brasil. Ele criou a primeira escola de surdos no país, o Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES). A língua em questão foi reconhecida oficialmente como uma Língua Brasileira de Sinais, em 2002, pela Lei nº 10.436 e, depois, regulamentada pelo Decreto Nº 5.626/2005. Sobre as características da Libras, na da Lei nº 10.436, Parágrafo único, Art. 1o encontramos as seguintes informações: é uma forma de comunicação e expressão, na qual o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. Acadêmico(a), Agora, vamos entender como acontece a aquisição da língua de sinais brasileira, Libras. A partir de uma revisão da literatura especializada sobre o assunto, infere-se que a aquisição das línguas de sinais acontece naturalmente para os surdos, por meio da interação social. Dentre muitos autores que compartilham estudos sobre o assunto, Ferreira-Brito e Santos (1996) asseveram que a aquisição da Libras é essencial para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e semânticas da criança surda. Contudo, a autora renomada no assunto, pontua que “As línguas de sinais, apesar de apresentarem algumas formas icônicas, são altamente complexas. O uso de mecanismos sintáticos espaciais evidenciam a recursividade e complexidade de tais línguas (QUADROS, 1997). Uma revisão bibliográfica seletiva sobre o assunto indica que o ser humano, surdo, ou não, possui uma capacidade linguística que alicerça a aquisição da linguagem independente da modalidade da língua. Nesse sentido, confira as informações sobre os estágios de aquisição da língua, a partir das acepções de (QUADROS e CRUZ, 2011): ● Pré-linguístico: (entre 12 e 24 meses): também conhecido como estágio de um sinal, neste momento, os bebês surdos fazem uso da linguagem não verbal para se comunicar e expressar emoções: apontar, segurar, olhar e tocar. ● Primeiras combinações (2 anos até 3 anos): agora, a criança já sinaliza com dois ou três sinais, pois está adquirindo, naturalmente, a língua utilizada no contexto familiar, a Libras, no caso do Brasil. ● Múltiplas Combinações (2 anos e seis meses até 3 três anos): nesse período, conhecido como explosão do vocabulário, ela já possui conhecimentos sobre gestos e compreende o que acontece à sua volta. ● Estabelece comunicação clara (entre seis e sete anos): isso somente acontece se o surdo tiver estímulos linguísticos e sociais para a aquisição da língua de sinais. É importante salientar que a ausência do contato natural com a língua ocasionará diversos problemas de comunicação. Coaduna-se com essas reflexões sobre a importância do contato desde a primeira infância com a língua de sinais as determinações da Lei nº 14.191/2021, que altera a Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre a modalidade de educação bilíngue de surdos. CAPÍTULO V-A. DA EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS. Art. 60-A. Entende-se por educação bilíngue de surdos, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida em Língua Brasileira de Sinais (Libras), como primeira língua, e em português escrito, como segunda língua, em escolas bilíngues de surdos, classes bilíngues de surdos, escolas comuns ou em polosde educação bilíngue de surdos, para educandos surdos, surdo-cegos, com deficiência auditiva sinalizantes, surdos com altas habilidades ou superdotação ou com outras deficiências associadas, optantes pela modalidade de educação bilíngue de surdos [...] § 2º A oferta de educação bilíngue de surdos terá início ao zero ano, na educação infantil, e se estenderá ao longo da vida (BRASIL, 2021). Diante do exposto, fica evidente que o estímulo e o contato com a língua de sinais desde os primeiros momentos de vida é de essencial importância para o desenvolvimento cognitivo e linguístico da criança surda. Assim, finalizamos este tópico com o desejo de que você tenha compreendido como a criança surda adquire a língua de sinais, como também, a importância da socialização para a aquisição da linguagem, uma vez que toda pessoa possui capacidade linguística, mas precisa de estímulo para que a linguagem seja desenvolvida eficazmente. Até mais! SAIBA MAIS PAIS OUVINTES, FILHO SURDO: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS NA AQUISIÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS COMO PRIMEIRA LÍNGUA Esta pesquisa analisa o processo de aquisição de linguagem de uma criança surda filha de pais ouvintes. O referencial teórico parte das discussões sobre teorias de aquisição da linguagem por surdos. A metodologia empregada é qualitativa, por meio de um estudo de caso que investiga fatores linguísticos e sociais no processo de aquisição de linguagem de uma criança surda. Foram feitas observações sobre a comunicação entre a criança surda e sua mãe ouvinte e foi coletado um questionário com o objetivo de saber a opinião da mãe a respeito de questões de aquisição de língua por sua filha surda. Os resultados indicam que a criança surda se comunica com a mãe mais por meio de gestos, gestos caseiros e língua oral do que por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Porém, quando há necessidade veemente de que mãe e filha se entendam, é feito o uso de gestos ou da Libras. Em consonância com os autores visitados, percebeu-se a necessidade do uso da língua de sinais como primeira língua dessa criança surda para uma efetiva e eficaz comunicação com a sua mãe. Dessa forma, este trabalho contribui para que a comunidade em geral e os pais ouvintes de crianças surdas conheçam o processo de aquisição de língua de seus filhos e busquem, a partir de estudos realizados aqui, a maneira mais saudável de estimular seus filhos a se comunicarem e se desenvolverem linguisticamente. Dê um click para saber mais: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/41493 Fonte: SANTOS, L. R. de L.; CARVALHO, D. M. PAIS OUVINTES, FILHO SURDO: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS NA AQUISIÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS COMO PRIMEIRA LÍNGUA. Revista Sinalizar, [S. l.], v. 1, n. 2, p. 190–203, 2016. DOI: 10.5216/rs.v1i2.41493. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/41493. Acesso em: 7 dez. 2021. #SAIBA MAIS# REFLITA https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/41493 Estudante, No decorrer desta unidade você adquiriu conhecimentos sobre como a criança surda adquire a linguagem. Em posse desses conhecimentos, leia, analise e reflita sobre: Se a criança surda não tiver estímulos precoces, tanto sociais quanto linguísticos, isso pode causar problemas de comunicação, no que se refere ao aprendizado da língua de sinais? Reflita! Fonte: produzido pela autora, baseado em (QUADROS, 1997). #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudante, olá! Chegamos ao final desta terceira unidade. Neste estudo, discutimos sobre muitos sobre o processo de aquisição da linguagem da criança surda. Para que isso fosse possível, no primeiro tópico, foram disponibilizadas informações sobre os aspectos relacionados ao desenvolvimento cognitivo, psíquico e social do sujeito surdo. Então, você entendeu que a surdez, sozinha, não acarreta problemas cognitivos, como, por exemplo, a ausência de raciocínio abstrato, dentre outros. Diante disso, evidencia-se que a inteligência do surdo está preservada. No segundo tópico, aprofundamos o diálogo e disponibilizamos informações sobre diversas teorias de aquisição da linguagem e compreendemos que, de acordo com a perspectiva vigotskiana, a criança surda precisa ter contato desde a primeira infância com a língua de sinais como primeira língua para que desenvolva uma boa comunicação. Por fim, no último tópico, discutimos especificamente sobre o processo de aquisição da língua de sinais e a importância da socialização e do contato com a língua materna desde cedo, pois é por meio da linguagem que acontecem as interações sociais. Diante disso, há a necessidade possibilitar que a criança surda estabeleça essas relações por meio de uma língua que seja natural para ela e não forçada como a oralidade. Enfim, os conteúdos disponibilizados não esgotam o assunto, mas proporcionam novos conhecimentos e, também abrem portas para novas descobertas. Até mais! LEITURA COMPLEMENTAR Desenvolvimento cognitivo do surdo e aquisição da Língua de Sinais Este estudo tem como objetivo entender como ocorre o processo de desenvolvimento linguístico dos surdos na perspectiva de Vygotsky sobre a interligação entre cognição e o contato com a língua e na ótica de Chomsky, que defende a faculdade biológica da linguagem.Para isso, realizou-se uma pesquisa de cunho bibliográfico com o intuito de conhecer mais sobre os circuitos neurais, a capacidade cognitiva, a disposição inata para linguagem e a influência da interação social das pessoas com surdez.Como evidenciam estudos realizados, os surdos não são impossibilitados de aprender. Apenas têm possibilidades distintas e a necessidade de uma exposição adequada a sua língua materna para melhor desenvolvimento de seu potencial linguístico.Palavras-chave:Surdo. Linguagem. Cognição. [...] Foi possível observar que a aquisição linguística,tanto das línguas de sinais quanto das línguas orais, têm um processo semelhante e complexo. Além disso, evidenciou-se, através das pesquisas desenvolvidas, que os surdos têm todas as capacidades orgânicas necessárias para aquisição do desenvolvimento linguístico e cognitivo. As dificuldades encontradas por eles estão relacionadas às barreiras linguísticas, muitas vezes, encontradas desde a infância, no seio familiar. Compreende-se, portanto,que a ausência de relações sociais apropriadas ao diferencial linguístico da pessoa com surdez é o que produz prejuízos não só de caráter linguístico, mas também cognitivos e emocionais e não qualquer incapacidade biológica. Quanto ao desempenho linguístico,o surdo pode se tornar amplamente fluente desde que tenha convívio social e seja exposto à experiências linguísticas com outros surdos sem privações, possibilitando, assim, a construção da sua própria identidade. Para ler na íntegra, dê um click: Fonte: VARGAS, V. da S.; MOSER, D. A. Desenvolvimento cognitivo do surdo e aquisição da Língua de Sinais. Revista Sinalizar, [S. l.], v. 5, 2020. DOI: 10.5216/rs.v5.65749. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/65749. Acesso em: 1 dez. 2021. LIVRO • Título: Ferramenta Didática e Lúdica Para Intensificar o Aprendizado da Língua Brasileira de Sinais • Autor: Melquisedeque Oliveira Silva Almeida; • Editora: Editora da UESC; • Sinopse: Com uma linguagem fácil e lúdica, o livro busca tornar conhecida a Língua Brasileira de Sinais - Libras, por meio do conhecimento da sua história, da língua propriamente dita e da escrita. Tendo como base o sistema Signwriting, contribui para o ensino prático de estudantes de diversas áreas do conhecimento e interessados, sendo eles surdos ou ouvintes.FILME/VÍDEO • Título: E seu nome é Jonas • Ano: 1979 • Sinopse: O filme mostra a triste realidade de quando a Língua de Sinais era proibida, e Jonas, devido a privação da linguagem, não conseguia se comunicar, e teve alguns anos da sua vida perdida ao ser internado em um hospital para pessoas com deficiência intelectual. • Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=pc8mM0DHRB4 WEB • Apresentação do link: A Revista Sinalizar é uma publicação do Curso de Letras: Libras e do Curso de Letras: Tradução e Interpretação em Libras/Português da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás (UFG). Foi idealizada com o propósito de tornar-se um espaço de acolhimento e divulgação de artigos, resenhas, traduções e entrevistas relacionados a temas como: Linguística das línguas de sinais e da Libras, Tradução e Interpretação entre as línguas de sinais e entre línguas orais e línguas de sinais, Escrita de Sinais, ELiS (Sistema Brasileiro de Escrita de Sinais), Literatura Surda, Literatura para surdos, Educação de Surdos e temas afins no campo das ciências humanas. • Link do site: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/about. https://www.revistas.ufg.br/revsinal/about REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 25 abr. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 12 dez. 2021. BRASIL. Lei nº 14.191, de 3 de Agosto de 2021. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre a modalidade de educação bilíngue de surdos. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.191-de-3-de-agosto-de-2021-336083749. Acesso em: Acesso em 12 dez. 2021. CAPOVILLA, F. C. (2000). Filosofias educacionais em relação ao surdo: do oralismo à comunicação total ao bilinguismo. Revista Brasileira de Educação Especial, v.6, n.1, 2000. Disponível em: https://abpee.net/pdf/artigos/art-6-6.pdf. Acesso em: 12 dez. 2021. CHOMSKY, Noam. Linguagem e pensamento. 4. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1997. FERREIRA-BRITO, L.; SANTOS, D.V. A importância das línguas de sinais para o desenvolvimento da escrita pelos surdos. In: CICCONE, M.M.C. Comunicação Total – introdução, estratégia, à pessoa surda. 2. ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1996. p. 152-69. GOLDFELD, M. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio- interacionista. 2. ed. 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A ênfase é ampliar o conhecimento sobre a cultura surda e suas identidades. Além disso, dialogar sobre a importância de conhecer e compreender as especificidades do contexto social do surdo. Para facilitar o seu entendimento sobre o assunto em questão, os conteúdos abordados foram didaticamente separados em três tópicos. No primeiro momento, Tópico Um (1), intitulado de “Processos de formação de sinais”, e a ideia central será apresentar informações sobre como são configurados os sinais e os cinco parâmetros da língua de sinais. Posteriormente, no segundo tópico, intitulado de “Variação linguística na Libras”, o intuito é revelar como acontecem essas variações que decorrem do espaço social, do tempo e das necessidades da comunidade surda. Por fim, no terceiro tópico, denominado de “Figuras de linguagem em Libras”, a finalidade é explicar as características da metáfora e da metonímia na língua de sinais. Então, venha comigo, embarque nessa jornada pelo maravilhoso contexto social do surdo. Encontro você logo ali, no primeiro tópico. Até mais! 1 PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE SINAIS Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao primeiro tópico desta última unidade, intitulado de “Processos de formação de sinais''. Dialogar e refletir sobre esse tema é de essencial importância para todo profissional que desenvolve sua prática profissional com o surdo e/ou deficiente auditivo, público-alvo em questão nesta disciplina. Na língua de sinais, como em qualquer outra língua, seja ela oral e/ou viso- gestual, existe o processo de formação de palavras, a diferença é que na Libras esse processo é realizado por meio da construção dos sinais. Então, os sinais são formados pela combinação dos movimentos realizados pelas mãos e os pontos no corpo ou no espaço onde esses sinais são produzidos. Venha comigo, vamos descobrir juntos como acontece esse processo linguístico. Até mais !!! Processos que formam os sinais Acadêmico(a), Os sinais são formados entre a combinação do movimento com a forma das mãos concomitantemente com pontos no corpo ou mesmo no espaço, local onde são realizados os sinais. Além desses aspectos, faz parte do processo comunicativo as expressões faciais que juntamente com os sinais completam a comunicação. Para que você entenda como acontece o processo de formação de palavras, primeiramente, é necessário rever alguns conceitos sobre os parâmetros para a formação dos sinais. Os parâmetros são elementos que se combinam, simultaneamente, para construir as palavras e frases em Libras. Você sabe quais são eles? Confira na figura a seguir. Figura 1: Parâmetros que formam os sinais Fonte: Produzido pela autora com base em (FELIPE; MONTEIRO, 2007) ● Ponto ou local de articulação: é o local de realização do sinal, a ideia é tocar alguma parte do corpo, ou mesmo espaço neutro vertical (do meio do corpo à cabeça) e horizontal (à frente do emissor) (FELIPE e MONTEIRO, 2007). ● Configuração das mãos: esse elemento refere-se à posição dos dedos. Sugere- se que seja realizado, preferencialmente, com a mão direita para destros e esquerda para canhotos), ou mesmo, com as duas mãos, em alguns casos. ATENÇÃO: existem sinais que são realizados da mesma forma, portanto, a diferença será constatadaa partir da indicação em alguma parte do corpo ou ainda, no espaço neutro. Confira as 64 configurações de mão da Libras (FELIPE e MONTEIRO, 2007). Figura 1: 64 configurações de mão da Libras Fonte: (FELIPE e MONTEIRO, 2007). ● O movimento: esse quesito diz respeito à forma como as mãos se movimentam e também, em qual direção (direita/esquerda, frente/atrás). Além disso, é importante salientar que os sinais podem ter ou não movimentos, ou seja, alguns serão estáticos e outros não (FELIPE e MONTEIRO, 2007). ● Expressão facial e/ou corporal: essa categoria é conhecida como componentes não manuais, uma vez que inclui outros aspectos da linguagem não-verbal que funcionam como complemento para mensagem expressa pelos outros elementos que compõem os parâmetros da Libras. Para Felipe e Monteiro (2007, p. 27) "Na combinação destes quatro parâmetros, ou cinco, tem-se o sinal. Falar com as mãos é, portanto, combinar estes elementos para formarem as palavras e estas formarem as frases em um contexto". Confira a explicação de outra especialista que desenvolve estudos sobre esses elementos: Rosto: Parte superior: sobrancelhas franzidas; olhos arregalados; lance de olhos; sobrancelhas levantadas. Parte inferior: bochechas infladas; bochechas contraídas; lábios; Cabeça: Movimento de assentimento (sim); movimento de negação; inclinação para frente; inclinação para o lado; inclinação para trás; Rosto e cabeça: Cabeça projetada para frente; olhos levemente cerrados, sobrancelhas franzidas; cabeça projetada para trás e olhos arregalados; Tronco: Para frente; para trás; balanceamento alternado (ou simultâneo) dos ombros (FERREIRA- BRITO, 1995, p. 242). ● Orientação/direcionalidade: esse elemento refere-se à direção que a palma da mão será direcionada. Importante salientar, que a mudança da forma de expressar o parâmetro reflete na mudança de significado do sinal. Estudante, agora que você já relembrou as especificidades dos cinco parâmetros da Libras, faz-se necessário que você entenda como os sinais são formados. Morfologia A morfologia em Língua Portuguesa diz respeito à área da linguística que tem como objetivo estudar a forma, a estrutura e a classificação das palavras de maneira isolada, ou seja, desconectada do contexto no qual a palavra foi utilizada. Nesse sentido, opõe-se à sintaxe, que analisa o emprego da palavra na oração. Confira a explicação que consta no dicionário de linguística sobre a Morfologia. A morfologia é a descrição das regras que regem a estrutura interna das palavras, isto é, as regras de combinação entre os morfemas raízes para construir ‘palavras’ (regras de formação das palavras) e a descrição das formas diversas que tomam essas palavras conforme a categoria de número, gênero, tempo, pessoa [...] (DUBOIS et al., 1989, p. 421). No que se refere à língua de sinais, a categoria em questão é semelhante à morfologia das línguas orais, ou seja, estuda a estrutura interna dos sinais. (QUADROS; KARNOPP, 2004). Especialistas que desenvolvem estudos sobre o assunto pontuam que, de acordo com os estudos linguísticos, a morfologia possui duas categorias distintas: sequencial e a simultânea (QUADROS; KARNOPP, 2004): Sequencial: nessa categoria, existe a combinação sequencial de morfemas, um a um. É oportuno salientar que nas línguas de sinais esse processo não é muito comum e isso se difere das línguas orais, pois existe a ocorrência desse processo com mais frequência. Simultânea: nessa especificidade da morfologia os morfemas combinam-se concomitantemente, ou seja, juntos e isso ocorre com frequência nas línguas de sinais). Estudante, confira no quadro, abaixo, um resumo sobre as categorias da morfologia. Quadro 1: Categorias da morfologia Fonte: (FERREIRA, S., FERREIRA, M., 2016). Estudante, agora que você entendeu as especificidades da morfologia, que estuda o processo de estrutura e formação das palavras. Vamos refletir sobre o processo de formação de sinais em Libras. Em Libras o processo de formação de palavras acontece por meio da combinação entre os morfemas lexicais e os morfemas gramaticais ou derivacionais. Dessa forma, a utilização dos cinco parâmetros das línguas de sinais denotam os morfemas. Então, por meio dessas combinações de morfemas são construídos os itens (FELIPE; MONTEIRO, 2007). Além disso, na Libras, como em qualquer outra língua, existe o processo derivacional, que formam novas palavras: derivação, composição e incorporação. Em suma, nas línguas de sinais, o processo de formação de palavras utiliza os elementos dos cinco parâmetros para compor os sinais. Até mais! SAIBA MAIS Acadêmico(a), a ausência de sinais nos termos de Ciências originou a construção do “Manual de libras para ciências: a célula e o corpo humano”. O manual tem como objetivo criar sinais para os termos de Ciências que não existem em LIBRAS, melhorando o ensino e a aprendizagem neste campo do conhecimento. Esse material foi produzido pelos alunos da Universidade Federal do Piauí. Para conhecê-lo na íntegra, dê um click: Fonte: ILES, Bruno. OLIVEIRA, Taiane Maria de. SANTOS, Rosemary Meneses dos. LEMOS, Jesus Rodrigues. Org. Manual de libras para ciências: a célula e o corpo humano. Teresina: EDUFPI, 2019. Disponível em: https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_- _MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA- _A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf. Acesso em: 18 dez. 2021. #SAIBA MAIS# https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf 2 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA LIBRAS I Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao segundo tópico desta unidade, denominado de “Variação linguística na Libras”. Na Libras, como na Língua Portuguesa, existem variações linguísticas, ou seja, as palavras e os sinais apresentam variações de significados de acordo com a região onde estão sendo utilizados. Diante disso, o foco, nesse momento, é possibilitar o entendimento e a reflexão sobre o desenvolvimento dos diferentes usos dos sinais, em Libras, em diversos contextos sociais. Variação linguística em Libras Para iniciarmos os estudos sobre o assunto, é oportuno relembrarmos algumas particularidades sobre variações linguísticas. Entende-se por variação linguística fenômeno de mudança e variação natural de uma língua, que decorre da interferência de aspectos históricos, sociais e culturais. Assim, para simplificar, é a maneira como os falantes da língua expressam e utilizam as palavras, em determinada esfera social, determinado contexto geográfico e sociocultural (TRAVAGLIA, 2000). No que se refere aos níveis de variações linguísticas, destacam-se (TRAVAGLIA, 2000). ● Fonético-fonológico: diversidade na forma de pronunciar palavras ou expressões. ● Morfossintático: variação na forma das palavras ou em sua organização nos períodos. ● Vocabular: diferentes palavras utilizadas para designar um mesmo objeto. ● Semântico: variação no sentido que as palavras sejam de ordem histórica, geográfica, grupo social etc. Quanto aos tipos de variações, são consideradas: histórica, geográfica, social, situacional (TRAVAGLIA, 2000). Estudar esse processo em Libras é muito interessante, contudo, como salientam os especialistas no assunto, esse processo não é simples e demanda muitas análises. As variações decorrem de aspectoshistóricos sobre a comunidade surda, uma vez que, são diferenças que uma mesma língua apresenta quando é utilizada, de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas. Essa afirmação pode ser legitimada a partir dos postulados de Strobel (2009), ao salientar que a língua está sempre conectada à cultura, então, a língua de sinais é a expressão e identidade da comunidade surda. Nesse sentido, Stokoe (2005) assevera que as variações linguísticas das línguas de sinais, acontecem por meio de características específicas, ou seja, elas acontecem a partir do contexto social no qual o indivíduo está inserido, como também, repertório linguístico que ele foi exposto durante o processo de aquisição da linguagem. Nesse sentido, o autor destaca algumas especificidades de variações linguísticas: 1) Sintonização da sinalização do locutor com o interlocutor (escolhas lexicais, forma de sinalização); 2) Convenção de sinais, acordos no uso de vocabulários ainda não convencionados; 3) Simultaneidade na sinalização e intensificador; 4) Contexto de comunicação; 5) Indivíduo nativo (produção natural) ou não; 6) Variável social (classe social, idade, escolarização, profissão); 7) Variável no grau de formalidade (registro formal ou informal). Por estes motivos são incluídos os classificadores em língua de sinais. Para ilustrar o que foi dito, apresentamos um exemplo de variação lexical na Língua Brasileira de Sinais: Figura 2: Variação lexical na Libras Fonte: Capovilla (2006). Conforme você observou na imagem n.1, a imagem do lado esquerdo, representa a sinalização da cor verde com as duas mãos (mão de cima ativa / mão de baixo passiva). Essa forma de representação é utilizada em algumas regiões, como por exemplo, no Rio de Janeiro/RJ, Minas Gerais/MG, Mato Grosso do Sul/MS, Paraná/PR, Bahia/BA, Ceará/CE e no Distrito Federal/DF (CAPOVILLA, 2006) . Diferentemente, a imagem da direita expressa a cor verde realizando o movimento de com configuração de mão utilizando apenas uma mão. Essa variação é mais encontrada nos estados de São Paulo e no Rio Grande do Sul (CAPOVILLA, 2006) . Um outro exemplo, é a variação diacrônica, que na língua portuguesa, significa a modificação da escrita da palavra com o passar do tempo. Na Libras, esse tipo de variação pode ser constatada na expressão do sinal da palavra água. Anteriormente, o sinal expressava uma água sendo retirada do poço, já, atualmente, o referido sinal expressa a aproximação com a água bebida no bebedouro. Figura 3: Sinal atual da palavra “água” Fonte: (CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001, p.167) A variação linguística, conforme dito anteriormente, ocorre no decorrer do tempo para satisfazer as necessidades dos falantes da língua. Confira, no próximo exemplo, a nova forma linguística utilizada para expressar a palavra café: Figura 4: Alterações do sinal da palavra “café” Fonte: Diniz (2011). Como você pode perceber a partir da análise da imagem n.3, houve uma mudança lexical, pois houve uma alteração na configuração de mão por outra. De acordo com a explicação do especialista no assunto, da esquerda para a direita, a primeira imagem apresenta um sinal que expressa um moedor de café. Essa configuração justifica-se, porque, em tempos passados, o café não era vendido moído conforme compramos hoje. Diante disso, após analisar as outras duas imagens, houve uma mudança lexical, já que a última imagem representa uma xícara de café sendo levada à boca. (DINIZ, 2011). Diante do exposto, infere-se que as alterações apresentadas comprovam que a Libras, como a Língua Portuguesa, sofre alterações, ou seja, possui variações linguísticas, que decorrem do tempo, como de outros aspectos, como já foi explicado anteriormente. REFLITA Estudante, como você pôde perceber, a Libras possui variações e alterações linguísticas que decorrem de diversos fatores. A variação diastrástica é caracterizada pelas diferenças dos diversos grupos sociais, configurando variações sociais, como por exemplo, gírias, jargões, etc. Nesse sentido, você já refletiu sobre como são expressas os sinais de gírias pelo grupo social LGBT? Reflita sobre isso! Para saber mais sobre o assunto, acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=mUwnOMZxTsM KITANA DREAMS..Gírias LGBT em LIBRAS: parte 2. Youtube BR, 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mUwnOMZxTsM. Acesso em: 20 out. 2021. Fonte: elaborado pela autora com base em (YOUTUBE, 2016). #REFLITA# 3 FIGURAS DE LINGUAGEM EM LIBRAS Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao terceiro e último tópico desta unidade, intitulado de “Figuras de linguagem em Libras”. Neste momento, a ênfase será identificar alguns tipos de figuras de linguagem existentes na Libras e compará-las aos conceitos expressos na Língua Portuguesa. Assim, o recorte que será utilizado neste tópico é apresentar informações sobre as figuras de linguagem de palavras ou tropos, como, por exemplo, a metáfora e a metonímia. Nesse sentido, os conteúdos foram didaticamente organizados para uma melhor entendimento sobre o assunto. Venha comigo, embarque em mais essa viagem pelo fantástico mundo das figuras de linguagens do mundo surdo. Até mais! Figuras de linguagem As figuras de linguagem também conhecidas como figuras de estilo são recursos utilizados na comunicação em geral para expressar pensamentos que, geralmente, diferem do significado literal das palavras. De acordo com os especialistas no assunto, elas são classificadas como: • Figuras de palavras: refere-se ao significado das palavras, ou seja, à semântica, são elas: 1. Metáfora; 2. Metonímia; 3. Comparação; 4. Sinestesia; 5. Catacrese. • Figuras de pensamento: está relacionada à combinação de pensamentos: 1. Hipérbole; 2. Eufemismo; 3. Ironia; 4. Antítese; 5. Paradoxo; 6. Prosopopeia ou personificação • Figuras de sintaxe: alteram a estrutura gramatical: 1. Elipse; 2. Pleonasmo; • Figuras de som: relaciona-se à sonoridade, são elas: 1. Onomatopéia; 2. Aliteração. Acadêmico(a), para o nosso estudo sobre as figuras de linguagem em Libras, vamos apresentar informações sobre as figuras de pensamento, mais especificamente, sobre a metáfora e a metonímia. Metáfora Como os surdos entendem metáforas? Você sabe? Vamos descobrir? Especialistas no assunto salientam que sim, o surdo consegue entender as metáforas da língua portuguesa, contudo, é imprescindível uma atuação precisa do intérprete para fazê-lo entender com exatidão. Por isso, o profissional precisa utilizar informações da cultura surda, para auxiliar na tradução e interpretação para se fazer entendido. Sobre isso, confira a explicação do autor que apresenta estudos nessa área: A atividade do tradutor pode ser pensada como um ato marcado pelo dilema de evitar tanto impor o modo de ser de uma dada cultura, repetindo palavras e metáforas que vêm de outra cultura, como impor ao texto a ser traduzido o modo de ser de sua própria cultura, matando “o estilo e as ênfases do conjunto”. Logo, manter esse difícil equilíbrio é necessariamente um ato ético, um ato de resposta e de responsabilidade, um ato de arbitragem honesta, de negociação entre culturas que busca chegar ao acordo que é o texto fiel (...) (ALFARANO, 2003, p. 203) Essa figura de linguagem tem por objetivo expressar sentidos para as palavras diferentemente do expresso pelo literal ou concreto, ou seja, elas são utilizadas com sentido figurativo. Para os renomados autores, Lakoff e Johnson (2002, p. 93), “A metáfora é principalmente um modo de conceber uma coisa em termos de outra e sua forma primordial é a compreensão”. Além disso, o referido autordefende a existência de três tipos de metáforas: estruturais, orientacionais e ontológicas. 1. Estruturais: diz respeito à outra experiência, como, por exemplo, é na expressão “As mães batem boca na reunião ”, o termo “batem boca” significa a o ato de discussão, briga etc. Outro exemplo: “O atleta paralímpico está voando!”, nesse sentido, o “voando” está sendo utilizado no sentido de correr rápido, veloz. Na Libras, por exemplo, a expressão “cara de pau” é expressa pela realização do sinal com a configuração de mão em “A”, batendo na face. Nesse sentido, o rosto denota uma superfície. (LAKOFF; JOHNSON (2002 [1980], p. 59 ). 2. Orientacionais: essa categoria diz respeito aos conceitos abstratos a partir de vivências corporais e perceptuais de orientação de mundo, sejam elas, física, cultural ou social. Assim, o posicionamento espacial diz respeito aos sentimentos como, por exemplo: para o alto - positivo, para baixo - negativos, para trás - passado, para frente - futuro (LAKOFF; JOHNSON(2002 [1980], p. 59 ). Confira as exemplificações na imagem a seguir. Figura 5: Metáforas Orientacionais de cunho POSITIVO (PARA CIMA E PARA BAIXO) Fonte: SILVA, STUMPF (2020) Figura 6: Metáforas Orientacionais de cunho NEGATIVO (PARA CIMA E PARA BAIXO) Fonte: SILVA, STUMPF (2020) 3. Ontológicas: essa especificidade expressa as emoções e transforma um conceito abstrato em objeto ou substância. Veja o exemplo: “Pedro está com a cabeça cheia”, nesse sentido, as preocupações configuram sentimentos ruins (LAKOFF; JOHNSON (2002 [1980], p. 59). Diante do exposto, infere-se que nas línguas de sinais a utilização das metáforas no processo de comunicação do surdo é semelhante à línguas orais. Além disso, conforme exemplificado, os sinais realizados com o Movimento para cima possuem conotação positiva, diferentemente, os sinais que expressam o Movimento para baixo denota sentido negativo. Metonímia A metonímia é uma figura de linguagem que faz parte da categoria semântica e tem por objetivo substituir uma palavra por outra. Na maioria das vezes, essa substituição acontece quando as palavras estabelecem uma ligação entre si e/ou apresentam uma relação próxima. Na Libras, a metonímia representa significação e, ainda, o surgimento de expressões metafóricas, além disso, é responsável pela produção de novas significações e de novos sinais. É muito comum a utilização desse recurso nos sinais de frutas para expressar ações como, por exemplo, comer, pegar o fruto na árvore, ou mesmo, o sinal é expresso a partir da forma presente no fruto, com alto grau de iconicidade. Os especialistas no assunto pontuam que “Mas esta metonímia pode transgredir a representação de um único referente e deslocar seu significado para outros campos”. (WILCOX, WILCOX E JARQUE 2003 apud ALBRES, 2012, p. 69) . Confira alguns exemplos de metonímia em Libras: Figura 7: Parte pelo todo Fonte: (SÁ; GONÇALVES; ESTELITA, 2014) Estudante, perceba, nas imagens acima, que o sinal expresso utiliza as duas mãos para demonstrar as ondulações da fruta. Nesse sentido, percebe-se que o sinal foi configurado a partir da forma da fruta. Figura 8: Parte da ação pela ação Fonte: (DUDA, 2014). Acadêmico(a), na Libras, para fazer a configuração do sinal de BANANA são utilizadas as duas mãos, configurando o “D”, que recebe a ação, e a outra em “A”, que pratica a ação, simbolizando a ação de descascar a banana, ou seja, a configuração do sinal aconteceu por meio da metonímia de retirar a casca. O autor renomado no assunto destaca que “as metáforas se processam na LS e não se restringem a empréstimos adquiridos da LP, mas também e, em grande parte, a estruturas originadas no contexto e motivadas pela significação de mundo partilhada pelos surdos em sua comunidade” (FARIA-NASCIMENTO, 2003, p. 19). Diante do exposto, a figura de linguagem Metonímia, na Libras, é expressa a partir da formação de sinais em nome de frutas, possibilitando o surgimento de expressões metafóricas . SAIBA MAIS Estudante, O vídeo em questão apresenta algumas considerações sobre a criação de um glossário de Literatura Surda. Todo o vídeo é apresentado na língua de sinais brasileira, a Libras Clique no link para saber mais: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/221529. Fonte: RIBEIRO, Arenilson Costa; MACHADO, Fernanda de Araújo; BOLDO, Jaqueline; MARQUEZI, Luana; SUTTON-SPENCE, Rachel; BARROS, Ricardo Oliveira; VIEIRA, Saulo Zulmar. Considerações sobre a criação de um glossário de Literatura Surda. In: Revista Brasileira de Vídeo-Registros em Libras. Edição nº 005/2020. [artigo em Libras publicado em vídeo, 20m01s]. Florianópolis: UFSC, 2020. Disponível em: http://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br. Acesso em: 07 dez. 2021. ISSN: 2358- 7911. #SAIBA MAIS# http://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br/ CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudante, olá! Chegamos ao final desta quarta unidade. Neste material, foram apresentadas informações relevantes sobre a língua de sinais e suas variações. Diante do exposto, você pode compreender o desenvolvimento da Libras e as mudanças que ocorrem com o decorrer do tempo. Na sequência, dialogamos sobre os processos de formação de sinais e suas especificidades. Assim, você pôde relembrar as características dos cinco parâmetros que compõem os sinais. Depois, nosso diálogo foi sobre as variação linguística na Libras, então, você percebeu que, como em todas as línguas, esse processo acontece naturalmente, quando a comunidade surda mantém contato com diversas formas de sinalização e as atualizam para atender às necessidades sociais dos falantes dessa língua. Essas variações, como visto, decorrem de fatores diversos, sejam eles de ordem geográfica, social etc. No último tópico, você conheceu as características das figuras de linguagem em Libras: metáfora e metonímia. Desejo que os assuntos que foram disponibilizados contribuam com seu crescimento pessoal e profissional. Além disso, sugiro que você continue buscando novos conhecimentos sobre a Libras e a cultura surda. Um abraço! LEITURA COMPLEMENTAR Variações linguísticas na Libras: particularidades entre as formas de comunicação/sinalização Na Língua Brasileira de Sinais (Libras) há sinais que vão variar de região para região, o que reforça a legitimação da Libras como uma língua. O objetivo desta pesquisa é analisar as variações linguísticas que ocorrem na sinalização das palavras APAIXONAR, REPROVAR e ACHAR pelo aplicativo alagoano de grande circulação nacional, Hand Talk, que traduz palavras da Língua Portuguesa para a Libras e, uma professora surda ativista paraense, que teve seu vídeo viralizado nas redes sociais em 2017 após o tema da Redação do Enem. A metodologia utilizada foi de caráter exploratório com entrevistas e análises comparativas. Diante das variações observadas, analisamo-las de acordo com critérios paramétricos: CM, LOC, MOV, ORI e EF, fundamentados nos estudos de Ferreira Brito (1990); Quadros e Karnopp (2004) e Quadros (1997, 2004, 2006). Os resultados apontam que a variação, enquanto processo presente em qualquer língua natural, também ocorre na Libras. Para saber mais , dê um click: https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/2705 Fonte: OLIVEIRA, Liliane Afonso de. SILVA, Maria do Perpétuo Socorro Cardoso da. CAMPELO, Wanubya do Nascimento Moraes. Variações linguísticas na Libras: particularidades entre as formas de comunicação/sinalização. Revista Cocar. V.14 N.30. Set./Dez./ 2020 p.1-21. Disponível em: .informações, as quais estão respaldadas na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e, também, na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), ratificada no Brasil em forma de Emenda Constitucional, por meio do Decreto Legislativo nº 186/2008 e do Decreto nº 6.949/2009, da Presidência da República (BRASIL 2009). Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas (BRASIL, 2021, p. 6). Importante salientar também as particularidades da Surdocegueira, pois as pessoas com esse tipo de deficiência também são consideradas integrantes da Educação Especial: Trata-se de deficiência única, caracterizada pela associação da deficiência auditiva (com ou sem resíduo auditivo) e visual (com ou sem resíduo visual) concomitante. A surdocegueira pode ser classificada de duas formas: pré- linguística e pós-linguística. Na pré-linguística, a pessoa nasce surdocega ou adquire a surdocegueira muito precocemente, antes da aquisição de uma língua. Na forma pós-linguística, uma das deficiências (auditiva ou visual) ou ambas são adquiridas após a aquisição de uma língua (a Língua Portuguesa ou a Língua Brasileira de Sinais). Cabe destacar que essa condição apresenta outras particularidades, além daquelas causadas pela deficiência auditiva, surdez, baixa visão e cegueira (BRASIL, 2021, p. 6). A partir dessas explicações, compreende-se que, segundo os critérios qualitativos do ponto de vista clínico, funcional e educacional, a deficiência auditiva, a surdez e, também a surdocegueira são deficiências que estão coletadas no Censo Escolar, por isso, pessoas com essas características fazem parte do público-alvo da Educação Especial (BRASIL, 2021). Considerando o exposto, infere-se que é extremamente errado designar pessoas com deficiência auditiva e/ou surdez como PORTADOR(A), porque esses indivíduos não estão portanto nada, eles possuem sim uma deficiência, conforme elucidam as legislações vigentes. Outra designação muito utilizada cotidianamente pelos leigos no assunto é “especial” e, até mesmo, “com necessidades especiais”. Os especialistas no assunto postulam que todas as pessoas são especiais e diferentes ao mesmo tempo. Soma-se a isso o fato de que todos possuímos particularidades, por esse motivo, não é correto referir-se à pessoa com deficiência auditiva e/ou surdez dessa forma. Faz-se necessário destacar também que as pessoas surdas possuem diversas peculiaridades, que, na maioria das vezes, vão além das características clínicas, mas fazem parte dos contextos e vivências, por isso, segundo as acepções da comunidade surda, a maneira mais assertiva de se referir a esse público é utilizar termos como: “Surdo” e/ou ou “Pessoa Surda”. Além disso, também não é correta a utilização do termo deficiente, porque, de acordo com os preceitos legais, a pessoa não deve ser definida por sua deficiência, ou seja, ela apenas apresenta um tipo de deficiência, mas acima de tudo é uma pessoa, por isso, a terminologia correta é PESSOA COM DEFICIÊNCIA. Em suma, saber como utilizar corretamente a expressão é essencial para todos e vai muito além de estar politicamente correto(a), pois as designações que damos às pessoas refletem positiva e/ou negativamente àqueles que são denominados, porque as nomeações, na particularidade desse público, está muito atrelada à cultura. Estudante, até aqui dialogamos sobre como se referir às pessoas com deficiência, em especial com surdez e/ou deficiência auditivas. No próximo tópico, a ênfase será entender as particularidades da “CULTURA SURDA”. Venha comigo e continue participando e ampliando seus conhecimentos sobre o assunto. Bons estudos e até mais! 2 CULTURA SURDA Fonte: ID 1521395234 Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao Segundo Tópico desta Unidade I, intitulado de “Cultura Surda”. Neste momento, o foco será dialogar sobre a cultura surda e entendê-la como movimento histórico do povo surdo. Compreender as particularidades dessa cultura e refletir sobre o assunto em questão é de grande valia, uma vez que, a pessoa surda está inserida em dois contextos sociais distintos, ou seja, tem contato direto com dois tipos de culturas diversas: a surda e a ouvinte, contudo, a identidade dessa pessoa é constituída a partir da sua cultura de origem. Sendo assim, para um melhor entendimento sobre o assunto, primeiramente, serão apresentadas informações sobre as definições do termo “CULTURA”. Posteriormente, a ideia é entender quais são os diversos elementos que fazem parte da composição da cultura do povo surdo e as especificidades de cada um. Por fim, objetiva-se refletir sobre a importância do reconhecimento dessa cultura, nas batalhas travadas contra as adversidades e preconceitos sofridos pelo povo surdo, nos mais diversos contextos sociais. Então, venha comigo e deleite-se com as informações disponibilizadas sobre o fantástico mundo surdo. Até mais!!! O Termo Cultura e suas acepções Acadêmico(a), você sabe qual a origem e os diversos significados da palavra CULTURA? Para iniciarmos, vamos conhecer quais são as acepções do dicionário Michaelis para essa palavra: Sf 1 AGR Ato, processo ou efeito de trabalhar a terra, a fim de torná-la mais produtiva; cultivo, lavra. 2 AGR Ato de semear ou plantar vegetais. 3 AGR A área cultivada de um sítio. 4 AGR Produção agrícola com técnicas especiais; cultivo. 5 BIOL Ato de cultivar células ou tecidos vivos numa solução com nutrientes, em condições adequadas, a fim de realizar estudos científicos. 6 Criação de determinados animais. 7 ANTROP Conjunto de conhecimentos, costumes, crenças, padrões de comportamento, adquiridos e transmitidos socialmente, que caracterizam um grupo social. 8 Conjunto de conhecimentos adquiridos, como experiências e instrução, que levam ao desenvolvimento intelectual e ao aprimoramento espiritual; instrução, sabedoria. 9 Requinte de hábitos e conduta, bem como apreciação crítica apurada (MICHAELIS, 2021, on-line). Como você pode perceber, o termo em questão possui diversas acepções, mas, neste momento, o que nos interessa é a sétima, porque apresenta uma definição a partir dos estudos antropológicos: “7 ANTROP: Conjunto de conhecimentos, costumes, crenças, padrões de comportamento, adquiridos e transmitidos socialmente, que caracterizam um grupo social” (MICHAELIS, 2021, on-line). A partir dessa definição, infere-se que essa palavra carrega e simboliza a forma como as pessoas expressam suas experiências e vivências em dada época e sociedade marcada. Ela representa as particularidades de um povo e/ou comunidade. Esse termo surgiu em meados do século XIII, possui etimologia latina e, inicialmente, foi utilizado para nomear terras cultivadas. Como toda palavra, no decorrer do tempo sofreu algumas variações, ou seja, sucessivas evoluções sociais. Assim, por volta do século XVI, essa palavra começou a ser aplicada como sinônimo de capacidade intelectual de um indivíduo. Mais tarde, a partir do século XVIII, teve ampliação de sentido e começou a designar singularidades de conhecimento, como por exemplo, artes, ciências, etc.(SANTOS, 1996). De acordo com o renomado especialista que desenvolve estudos sobre o assunto, existem várias formas de expressões culturais, para ele “a cultura, como temos visto, é uma produção coletiva” (SANTOS, 1996, p. 84). Confira as diversas variações de cultura, na figura a seguir: Figura 2: Expressões culturais Fonte: (SANTOS, 1996). Em síntese das afirmações sobre os sentidosAcesso em 07 dez. 2021. https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/2705 LIVRO • Título: Educação de Surdos: A Aquisição da Linguagem • Autor: Ronice Müller de Quadros. • Editora: Artmed. • Sinopse: Apresenta os princípios do trabalho com pessoas surdas, em especial no âmbito escolar, tais como aspectos sociais e culturais de uma proposta educacional, língua de sinais e aspectos relacionados à sua estrutura e aquisição da língua portuguesa. FILME/VÍDEO • Título: Sobre Meus Lábios / Sur Mes Lèvres • Ano: 2001. • Sinopse: Funcionária modelo e extremamente dedicada ao trabalho, Carla é uma secretária que às voltas com um salário miserável e uma deficiência auditiva vê suas chances de crescer profissionalmente reduzidas a quase nada. Sua vida tem uma reviravolta com a contratação do estagiário Paul, um jovem recém-saído da prisão. • Link do vídeo: https://filmow.com/sobre-meus-labios-t14520/ WEB • Apresentação do link: Revista Brasileira de Vídeo-Registros em Libras. Uma organização do Grupo de Pesquisa da UFSC. Todos os artigos publicados são traduzidos para a Libras e publicados em formato de vídeo. • Link do site: https://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br/. https://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br/ REFERÊNCIAS ALBRES, Neiva de Aquino (org). Libras em estudo: ensino-aprendizagem. São Paulo: FENEIS, 2012. ALFARANO, Regina. In: BENEDETTI, Ivone C.; SOBRAL, Adail (orgs.). 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Continuando nossa trilha de descobertas, na Unidade III, tivemos a oportunidade de estudar mais especificamente as particularidades e as características da “COGNIÇÃO E LINGUAGEM”. Assim foi possível compreender o desenvolvimento cognitivo do sujeito surdo, como acontece o processo de aquisição da linguagem na surdez e, por fim, entendemos como o surdo adquire a língua de sinais de forma natural. Enfim, na Unidade IV, última parada da nossa viagem pelo mundo do surdo, nos debruçamos sobreas particularidades da “LÍNGUA EM TRANSFORMAÇÃO”. Nesse sentido, você conheceu os processos de formação de sinais, as diversas variações linguísticas na Libras, por último, compreendeu as especificidades de algumas figuras de linguagem em Libras, como por exemplo, a metáfora e a metonímia. Assim, de acordo com o que foi exposto, durante essa trajetória, você adquiriu novos conhecimentos e refletiu sobre as especificidades da língua de sinais, em especial da Libras. Desejo, portanto, que no decorrer dessa jornada de conhecimentos e descobertas, eu tenha contribuído significativamente para o sucesso da sua formação acadêmica, como também para a excelência da sua prática profissional. A partir de agora acredito que você já está preparado para seguir em frente desenvolvendo ainda mais suas habilidades nos mais diversos contextos sociais. Um grande abraço!!!!! Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada!da palavra CULTURA, conclui-se que ela engloba todas as atividade humana, em todas as esferas sociais, ou seja, ela reflete tudo o que o ser humano realiza, como, por exemplo, os aspectos elencados no resumo da gráfico da figura a seguir: Figura 3: Acepções do termo Cultura Fonte: (Adaptado de SANTOS, 1996). A partir desse levantamento sobre as acepções do termo CULTURA, cabe-nos agora entendermos as singularidades da CULTURA SURDA. A cultura surda Para Santos (1996), a cultura explica a vida da sociedade e o comportamento de seus membros. Na interpretação da literatura sobre o assunto, infere-se, portanto, que a Cultura Surda diz respeito aos aspectos cotidianos, às experiências e vivências do povo surdo, ou seja, ela traduz toda a maneira como esse grupo social se constitui. Sobre essa questão, é oportuno salientar que a Cultura Surda, que reflete um conjunto de elementos culturais do povo em questão, não é muito difundida, por isso, as pessoas ouvintes desconhecem muito dessas particularidades. Coaduna-se a essa reflexão as acepções de Santana (2007), para ele, na maioria das vezes, a expressão “cultura surda” é utilizada, cotidianamente, para fazer menção à língua (de sinais), contudo, não pode se limitar apenas a isso, pois ela expressa muito mais elementos sociais, como, exemplo, ela é considerada como bandeira no entrave político e social do povo surdo em prol dos reconhecimento dos seus direitos. Ainda sobre essa questão, o referido autor postula que “Códigos específicos não expressam uma cultura diferente, apenas indicam a particularidade de um grupo dentro de um sistema social” (SANTANA, 2007, p. 45). Nesse particular, é importante ressaltarmos que o intuito da CULTURA SURDA é conquistar o reconhecimento dos aspectos linguísticos e sociais do povo surdo (SANTANA, 2007). Corresponde à afirmação do autor citado anteriormente sobre o objetivo dessa cultura em particular, os postulados de Skliar (2015), pois, para ele, a disseminação da cultura auxilia os surdos a realizarem interconexões sociais e interagirem socialmente. Mas qual é a diferença entre POVO SURDO X COMUNIDADE SURDA? Vamos entender? Entre os autores que se dedicaram ao estudo, Karin Strobel, diretora de Políticas de Educação Bilíngue de Surdos do Ministério da Educação, em uma das suas obras, apresenta a seguinte definição para Povo Surdo: Quando pronunciamos ‘povo surdo’, estamos nos referindo aos sujeitos surdos que não habitam no mesmo local, mas que estão ligados por uma origem, por um código ético de formação visual, independente do grau de evolução lingüística, tais como a língua de sinais, a cultura surda e quaisquer outros laços. (STROBEL, 2008, p. 29). No estudo da referida autora também encontramos a definição de Comunidade Surda. Entendemos que a comunidade surda de fato não é só de sujeitos surdos, há também sujeitos ouvintes- membros de família, intérpretes, professores, amigos e outros- que participam e compartilham os mesmos interesses em comuns em uma determinada localização. (...) Em que lugares? Geralmente em associação de surdos, federações de surdos, igrejas e outros. (STROBEL, 2008, p. 29). Estudante, após compreender a diferença entre os termos, vamos aprofundar nossos conhecimentos. Você sabe quais são os elementos que fazem parte da cultura surda? Para melhor entendimento sobre o assunto, disponibilizamos um resumo gráfico para apresentar quais são os elementos dessa cultura que merecem destaque. Confira imagem a seguir: Figura 4: Elementos da Cultura Surda Fonte: (IFPB, 2018) Diante do exposto, entende-se que os componentes desse resumo gráfico contribuem significativamente para a inclusão do surdo nas diversas esferas sociais. Na visão da renomada autora que apresenta estudos sobre o assunto: A língua de sinais é uma das principais marca da identidade de um povo surdo, pois é uma das peculiaridades da cultura surda, é uma forma de comunicação que capta as experiências visuais dos sujeitos surdo, sendo que é esta a língua que vai levar o surdo a transmitir e proporciona-lhe a aquisição de conhecimento universal (STROBEL, 2008, p.44). Sobre isso, é importante relembrar que a Libras foi reconhecida oficialmente, em 2002, Lei Nº 10.436, de 24 de abril de 2002: Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados. Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual- motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil (BRASIL, 2002). Além disso, o Decreto Nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005 regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Assim sendo, a partir das reflexões apresentadas, podemos dizer que as interações sociais dos surdos com o meio no qual estão inseridos, moldam e constituem a maneira como eles enxergam o mundo. Então, o resultado dessa conexão constitui as diversas produções culturais, que são reveladas pela Cultura Surda, como por exemplo, o aspecto linguístico/língua de sinais, a cultura familiar, a literatura surda e as artes, o esporte, as identidades, a política etc. (STROBEL, 2008). Além disso, é oportuno lembrarmos que as legislações vigentes regulamentam a Libras e demais assuntos relacionados à surdez. Elas visam promover e garantir a difusão da CULTURA SURDA e, também, assegurar os direitos desse povo. Como exemplo, podemos destacar: 1. Lei n.º 10.436/ 2002: “A Libras é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados” (BRASIL, 2002). 2. Decreto 5.626/2005: “Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000” (BRASIL, 2005). 3. Lei n.º 12.319/2010: “Regulamenta a profissão de tradutor e intérprete da Língua Brasileira de Sinais - Libras” (BRASIL, 2010). 4. LEI Nº 13.146/2015: “LBI assegura e promove, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania” (BRASIL, 2015). 5. LEI Nº 14.19/ 2021: “Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre a modalidade de educação bilíngue de surdos” (BRASIL, 2021). Considerando o que foi apresentado a partir de uma revisão seletiva sobre o assunto, compreende-se que diversos fatores concorrem para o processo de promoção da CULTURA SURDA, contudo, ainda há muito que ser conquistado e também disseminado para que a verdadeira inclusão social e o reconhecimento dessa cultura aconteça eficazmente. No próximo tópico, vamos ampliar a discussão sobre o assunto, pois vamos conhecer e refletir sobre a “IDENTIDADE SURDA”. Venha comigo e continue a sua jornada por esse fantástico mundo surdo! Até mais! 3 TIPOS DE IDENTIDADE SURDA Fonte: ID 1909146781 Estudante, olá! Chegamos ao Terceiro Tópico dessa primeira unidade. Nesse momento, objetiva- se apresentar informações sobre as “Diferentes identidades entre os sujeitos surdos”. No tópico anterior, você compreendeu a importância da “Cultura Surda” para legitimação desse público no contexto social. Então, agora, faz-se necessário entender a diversidade de identidades que fazem parte do universo surdo. Dialogar sobre esse assunto é muito relevante, pois favorece o entendimentosobre os tipos de relações existentes entre eles e, também, quais são as adversidades vivenciadas. Assim, para uma melhor organização, primeiramente, serão disponibilizadas informações sobre o conceito de “Identidade”. Na sequência, você será conduzido(a) a refletir sobre a construção da identidade surda. Por fim, o objetivo será possibilitar a sua compreensão sobre as singularidades dos diversos tipos de identidades existentes: surda, híbrida, de transição, flutuante e embaraçada. Por fim, Então, venha comigo, vamos juntos para mais essa jornada! Até logo! O que significa identidade? Estudante, você já teve contato com esse termo muitas vezes durante a sua vida. Mas você sabe realmente qual o sentido dessa palavra? De acordo com as acepções do dicionário: Sf: 1 Estado de semelhança absoluta e completa entre dois elementos com as mesmas características principais; 2 Série de características próprias de uma pessoa ou coisa por meio das quais podemos distingui- las; 3 Aquilo que contribui para que uma coisa seja sempre a mesma ou da mesma natureza; 4 Segundo o aristotelismo, é uma das três leis básicas do raciocínio, em que todo objeto é igual a si mesmo; 5 Relação de semelhança total e absoluta dirigida a todos os valores das variáveis envolvidas; 6. Cédula de identidade; 7. elemento identidade (MICHAELIS, 2021, on-line). Para o nosso estudo sobre o assunto, utilizaremos a segunda acepção “Série de características próprias de uma pessoa ou coisa por meio das quais podemos distingui- las” (MICHAELIS, 2021, on-line). Isso posto, passamos para o próximo passo: conhecer as várias formas de expressões que são aplicadas ao termo identidade. Confira na figura a seguir: Figura 5: Expressões de Identidade Fonte: Adaptado de (MICHAELIS, 2021, online). Acadêmico(a), no que se refere ao foco dessa disciplina, a expressão que mais se adequa ao assunto é “Identidade Nacional”, porque significa “valorização das características culturais essenciais de uma nação, profundamente ligada a uma reinterpretação do popular pelos grupos sociais e pela maioria de seus cidadãos e à própria construção do Estado” (MICHAELIS, 2021, online). Então, transpondo esse conceito para o universo surdo, compreende-se que a “Identidade Surda” nada mais é do que a valorização do ser humano, ou seja do surdo, a partir das experiências vividas no contexto social, as quais contribuem para a construção da identidade pessoal. Coaduna-se com essa afirmação os postulados de HALL (2005), porque para ele, a identidade significa constante construção, flexível e passível de transformação. Ela movimenta-se frequentemente de acordo com as experiências vivenciadas e as interações sociais cultivadas. Infere-se, então, que ela seja uma construção móvel, passível de transformação que direciona e posiciona o sujeito nas esferas sociais. Em suma, a compreensão que o sujeito tem do mundo à sua volta contribui significativamente para a sua construção identitária, contudo, essa identidade pode sofrer alterações no decorrer do tempo em função do meio social no qual está inserido. Agora que você já compreendeu os sentidos do termo identidade, passamos para a próxima etapa: compreender as especificidades das IDENTIDADES SURDAS! Vamos lá! Identidades Surdas Caro(a) acadêmico(a), olá! A partir de uma revisão seletiva sobre o assunto, compreende-se que dialogar sobre a Identidade surda, significa falar sobre as pessoas surdas que estão inseridas na comunidade surdo e, por esse motivo, entende-se como parte desse contexto social. Além disso, utilizam a língua de sinais como língua materna e meio de comunicação. Vale ressaltar, que por fazer parte ativamente dessa esfera social, esse sujeito defende as bandeiras erguidas e lutam em prol de novas conquistas que favoreçam a comunidade (STROBEL, 2008). Dentre muitos autores que compartilham das ideias sobre as Identidades Surdas, Perlin (2010) apresentou uma forma de categorização dessas identidades, conforme exemplificado na figura a seguir: Figura 6: Categorias de identidades surdas Fonte: (PERLIN, 2011). Estudante, vamos aprofundar os conhecimentos sobre as diversas identidades surdas, a partir da interpretação dos estudos de Perlin (2010): Identidade surda: Integram esse tipo de identidade as pessoas surdas que fazem uso da comunicação visual durante as interações sociais Além disso, participa dos movimentos políticos e sociais em prol do povo surdo, como também compartilham vivências e experiências nesse contexto social; Identidade híbrida: Diz respeito àquelas pessoas que por algum motivo, no decorrer da vida, ficaram surdos, contudo, nasceram ouvintes, ou seja, possuem uma surdez que foi adquirida ao longo do tempo. Por isso, como forma de expressão, utilizam tanto a linguagem oral, mas também a sinalizada. É importante salientar, que, geralmente, os integrantes dessa categoria recorrem aos diversos recursos de acessibilidade para surdos. Eles também, na maioria das vezes, são integrantes ativos das comunidades surdas. Identidade de transição: Esse grupo, em especial, refere-se aos sujeitos surdos que só conviveram com ouvintes, ou seja, nasceram em uma família ouvinte, que não possibilitou o contato dessa pessoa com a comunidade surda e suas especificidades. Então, estão em processo de transição, iniciando os contatos sociais com as pessoas surdas e começando a reconhecer-se como tal. Identidade flutuante: Surdos que não se reconhecem e/ou não aceitam a sua deficiência. Na maioria das vezes, eles negam a utilização da língua de sinais e a cultura surda. Soma-se a isso o fato de que hesitam relações sociais com a comunidade surda e, ainda, defendem o oralismo como forma de expressão. Por isso, externam conflitos emocionais como também possuem dificuldades de manter as relações interpessoais; Identidade embaraçada: Pessoas que fazem parte dessa categoria não utilizam a língua de sinais, não buscam uma referência oralista, nem mesmo da cultura surda. Externam dificuldades de comunicação, porque geralmente não conseguem se comunicar de forma eficaz. Diante do exposto, infere-se que a identidade surda é heterogênea e se constitui a partir de diversidades. Assim, a maneira como os surdos percebem o mundo e se compreendem, constitui a sua identidade social. Estudante, chegamos ao final desse tópico desejando que você tenha compreendido as especificidades do termo identidade, em especial, as particularidades dos diversos tipos de identidades surdas. Até mais! SAIBA MAIS Bebê registrado em língua de sinais Estudante, em 2015, no Reino Unido, um bebê surdo foi registrado com seu sinal pessoal (nome gestual). Na certidão de nascimento da pequenina Hazel Lichy, um nome bastante improvável consta entre os outros: Hazel UbOtDDstarL Holly Eileen Garfield Lichy. UbOtDDstarL? No sistema de notação escolhido, a letra [U] indica a região do queixo, onde se articula o sinal (ponto de articulação); [bO], ou “baby O”, faz menção a uma configuração de mão composta por polegar e indicador, a formar um “pequeno o”; [tD] refere-se à orientação do sinal: palma da mão virada para o sinalizador; [Dstar] indica o movimento de abertura das mãos; [L] ilustra a configuração final, em formato de “L”. O nome gestual dado à Hazel por seus pais, Tomato Lichy e Paula Garfield (também surdos), evidencia mais uma conquista das comunidades surdas britânicas: se familiares ouvintes podem registrar seus filhos em suas línguas nativas (no caso, o inglês), não poderão pais surdos fazer o mesmo? “O nome gestual de minha filha foi escolhido porque sua primeira expressão foi um sorriso (…) e não há como traduzir isto, perfeitamente, para o inglês” (fonte: DailyMail), diz Paula, justificandoa escolha do sinal com que batizou seu bebê (bastante similar a “sorriso”, em Libras). Para saber mais sobre o assunto, dê um click: Fonte: CULTURA SURDA.NET. Bebê registrado em língua de sinais. Disponível em: https://culturasurda.net/2015/01/26/bebe-registrado-em-lingua-de-sinais/. Acesso em: 30 nov. 2021. #SAIBA MAIS# SAIBA MAIS Estudante, olá! O artigo em questão apresenta informações relevantes sobre “CULTURA E IDENTIDADE SURDAS: ENCRUZILHADA DE LUTAS SOCIAIS E TEÓRICAS”. Confira o resumo: As expressões cultura e identidade surdas têm se legitimado, principalmente, pela defesa da língua de sinais como sendo a língua natural dos surdos. Essa defesa se faz por meio de uma inversão teórica que toma a língua, num primeiro momento, como determinada pelas práticas e interações sociais e, num segundo, faz dela a definidora dessas mesmas práticas. Este artigo discute os mecanismos de legitimação dessa inversão e suas implicações sociais e teóricas. Saiba mais sobre o assunto, dê um click no link: Fonte: SANTANA, Ana Paula, BERGAMO,Alexandre. Cultura e Identidade Surdas: Encruzilhada de Lutas Sociais e Teóricas. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 91, p. 565-582, Maio/Ago. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/es/a/hxDxvJQjCZy8MCdBGLgGNnK/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 30 nov. 2019. #SAIBA MAIS# REFLITA Estudante, É sabido que uma língua representa muito mais do que palavras e/ou gestos, ou seja, ela possibilita toda forma de interação social. Nesse sentido, após entender as especificidades das identidades do povo surdo, na sua opinião, quais são as maiores dificuldades enfrentadas pelas pessoas que fazem parte da categoria de Identidade flutuante e embaraçada? Reflita sobre isso. Fonte: Produzido pela autora com base em Strobel (2008) #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Acadêmico(a), olá! Chegamos ao final desta primeira unidade. Neste material, foram apresentadas informações relevantes sobre os conceitos e definições relacionados ao surdo. Diante do exposto, você pode compreender que, muitas vezes, são utilizadas denominações erradas para se referir a esse público. O surdo não é diferente, não é especial, não é portador. De acordo com a legislação vigente, o Decreto 5.626/2005 e a IV Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Conade, a terminologia correta para se referir a essas pessoas é pessoa surda para aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso Libras. Na sequência, dialogamos sobre os campos de estudo da Cultura Surda. Então, você entendeu o que significa o termo cultura e também, as características da cultura surda, como, por exemplo, que ela é composta por diversos artefatos culturais que são: linguístico, familiar, literatura surda, esportivo, artes, política e materiais. Por fim, no último tópico, a ênfase foi possibilitar a sua compreensão sobre as identidades surdas e como elas são constituídas no contexto social. Então, de acordo com o que foi exposto, você conheceu as características da: Identidade surda; Identidade híbrida; Identidade de transição; Identidade flutuante; Identidade embaraçada. Desejo que os assuntos que foram disponibilizados contribuam com seu crescimento pessoal e profissional. Além disso, sugiro que você continue buscando novos conhecimentos sobre a educação inclusiva e, em especial, sobre o mundo surdo. Convido você a ir para a próxima unidade, porque vamos trilhar novos caminhos que irão possibilitar muitas descobertas. Até mais. LEITURA COMPLEMENTAR O OLHAR DO OUTRO: IDENTIDADE E CULTURA SURDA EM UMA ESCOLA ESTADUAL DO RIO GRANDE DO NORTE RESUMO: A cultura e a identidade surdas estão presentes em todos os espaços sociais de nossa sociedade. Fruto de lutas educacionais e políticas inclusivas que há mais de uma década garante “voz” e visibilidade à comunidade surda brasileira, cada vez mais estudantes com surdez têm sido matriculados em escolas estaduais do Rio Grande do Norte. No entanto, esta inclusão carece de alguns ajustes, uma vez que boa parte dos profissionais de nossas instituições de ensino não estão preparados profissionalmente para receber esses estudantes. Com base nesses argumentos, surgem-nos questões: Como os profissionais da educação básica do Rio Grande do Norte compreendem os sistemas de identidade e cultura de estudantes surdos? No intuito de responder a esse questionamento, temos como objetivo apresentar os discursos que constituem a compreensão de profissionais da educação básica estadual do Rio Grande do Norte sobre identidade e cultura surdas; bem como analisar a constituição desses discursos com base no que defende Perlin (1998), Santana e Bergamo (2007) e Quadros (2010). Nossa metodologia parte da perspectiva da linguística de corpus, através da qual analisaremos discursos de professores e funcionários escolares presentes no Corpus “DISURDOS”, constituído por Nascimento-Mendes (2018). Nossos resultados apontam que a cultura e identidade surdas, através do que sugere os discursos analisados, está marcada sob o olhar da diversidade/diferença, unida pelo viés do fortalecimento coletivo da comunidade surda escolar e militante pelas causas políticas e legais que lhes são de direito. Palavras-chave: Cultura. Identidade. Surdas. Escolas. Discursos. Para ler na íntegra, dê um click: Fonte: MENDES. Victor Rafael do Nascimento. CUNHA. Aldeci Fernandes da. O olhar do outro: Identidade e Cultura Surda em uma Escola Estadual do Rio Grande do Norte. Revista Virtual de Cultura Surda Centro Revista Virtual De Cultura Surda. Edição Nº 27 / Março de 2020. Disponível em: https://editora-arara- azul.com.br/site/admin/ckfinder/userfiles/files/Artigo%207%20Revista%20MENDES%20e%20CUNHA.pdf . Acesso em: 30 nov. 2021. https://editora-arara-azul.com.br/site/admin/ckfinder/userfiles/files/Artigo%207%20Revista%20MENDES%20e%20CUNHA.pdf https://editora-arara-azul.com.br/site/admin/ckfinder/userfiles/files/Artigo%207%20Revista%20MENDES%20e%20CUNHA.pdf LIVRO • Título: A Educação de Surdos Sob a Perspectiva de Sua Cultura e Identidade • Autor: Danilo Pessoa Ferreira de Souza • Editora: Clube de Autores • Sinopse: Se propor refletir sobre o surdo é compreender que este ao longo do tempo trava uma batalha por sua presença histórica, identitária e cultural na sociedade. A educação de surdos é apenas um dos feixes de um infinito leque de possibilidades para tal compreensão, ao mesmo tempo um desafio frente às políticas inclusivas que estão em implementação e com constante necessidade de revisão. Neste sentido, o presente livro surge de uma problemática sobre a reflexão de qual a percepção que os alunos surdos têm sobre sua educação e de que forma os professores entendem esses alunos, considerando a cultura surda. Isso dentro de um contexto, o ensino em escolas públicas na cidade de Parintins-AM. FILME/VÍDEO • Título: O Som do Silêncio • Ano: 2019 • Sinopse: Interessante história do baterista de heavy metal que fica surdo e tem de se adaptar à nova situação. O filme ganhou o Oscar 2021 de melhor som. Em Sound of Metal, um jovem baterista teme por seu futuro quando percebe que está gradualmente ficando surdo. Duas paixões estão em jogo: a música e sua namorada, que é integrante da mesma banda de heavy metal que o rapaz. Essa mudança drástica acarreta em muita tensão e angústia na vida do baterista, atormentado lentamente pelo silêncio. • Link do vídeo: https://www.primevideo.com/detail/amzn1.dv.gti.feba7620-5120-322f- 4512-9d635983c0f3?tag=adorocinemabrasil-bouton-20. WEB • Apresentação do link:Site Cultura Surda. um espaço para partilha e promoção de produções culturais relacionadas a comunidades surdas de diferentes países do mundo. Artes plásticas (De’VIA), literatura, teatro, filmes, curtas, projetos, músicas em línguas gestuais: as culturas surdas em exibição. Produções de, para e sobre o público Surdo, partilhadas neste espaço virtual. • Link do site: https://culturasurda.net/sobre-o-site-2/. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 25 abr. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 12 dez. 2021. BRASIL. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº 10.048, de 08 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 dez. 2004. Seção 1, p. 5. BRASIL. Decreto n. 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nş 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei nş 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez. 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2005/decreto/d5626.htm. Acesso em: 12 dez. 2021. BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 ago. 2009. Seção 1, p. 3. BRASIL. Lei nº 12.319, de 1º de Setembro de 2010. Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1º de setembro de 2010. BRASIL. Lei 13.146 de 06 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 10 dez. 2021. BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Glossário da educação especial: Censo Escolar 2021. Brasília, DF: Inep, 2021. HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade, Rio de Janeiro, DP & A Editora, 2005. IFPR. Instituto Federal da Paraíba. O que é cultura surda? 2018. Disponível em: https://www.ifpb.edu.br/assuntos/fique-por-dentro/o-que-e-cultura-surda. Acesso em: 30 nov. 2021. MICHAELIS, online. Cultura. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=cultura. Acesso em: 02 dez. 2021. MENDES. Victor Rafael do Nascimento. CUNHA. Aldeci Fernandes da. O olhar do outro: Identidade e Cultura Surda em uma Escola Estadual do Rio Grande do Norte. Revista Virtual de Cultura Surda Centro Revista Virtual De Cultura Surda. Edição Nº 27 / Março de 2020. Disponível em: https://editora-arara- azul.com.br/site/admin/ckfinder/userfiles/files/Artigo%207%20Revista%20MENDES%20 e%20CUNHA.pdf. Acesso em: 30 nov. 2021. PERLIN, Gladis Teresinha Taschetto. Identidades Surdas. In: SKLIAR, Carlos (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. 5. ed. Porto Alegre: Mediação, 2010. p. 51-73. SANTANA, A. P. Surdez e linguagem: aspectos e implicações neurológicas. São Paulo: Plexus, 2007. SANTANA, Ana Paula, BERGAMO,Alexandre. Cultura e Identidade Surdas: Encruzilhada de Lutas Sociais e Teóricas. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 91, p. 565-582, Maio/Ago. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/es/a/hxDxvJQjCZy8MCdBGLgGNnK/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 30 nov. 2019. SANTOS, José Luiz dos, 1949- O que é cultura / José Luiz dos Santos. São Paulo : Brasiliense, 2006. - - (Coleção primeiros passos ; 110) 12ª reimpr. da 16ª. ed. de 1996. SKLIAR, Carlos. A surdez: um olhar sobre as diferenças. 5.ed. Porto Alegre: Mediação, 2015. STROBEL, K. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: Editora da UFSC, 2008. 2011, p. 70. UNIDADE II A HETEROGENEIDADE DA SURDEZ Professora Mestre Greicy Juliana Moreira Plano de Estudo: ● As principais causas da surdez; ● Tipos de surdez; ● Campos de estudo e as implicações neurolinguísticas da surdez. Objetivos de Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar as principais causas da surdez; ● Compreender os tipos de surdez; ● Entender as implicações neurolinguísticas da surdez. INTRODUÇÃO Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) à segunda unidade desta disciplina, denominada de “A HETEROGENEIDADE DA SURDEZ”. Essa unidade está dividida em três tópicos e cada um deles possuem além dos conteúdos propostos, as seções #saiba mais, #reflita, e ainda, dicas de novas leituras, como, por exemplo, livros, filmes e sites, que corroboram para o entendimento dos conteúdos disponibilizados. Nesse momento, o objetivo será ampliar seus conhecimentos sobre o mundo surdo. Para tanto, a divisão em tópicos tem uma sequência lógica que possibilita um melhor entendimento sobre o assunto. No tópico I, denominado: “As principais causas da surdez”, o objetivo é conceituar e contextualizar as principais causas da surdez. Para tanto, foram disponibilizadas informações relevantes baseadas em estudos científicos que comprovam a veracidade das informações. Na sequência, o tópico II, intitulado de “Tipos de surdez ”, a ênfase será compreender os tipos de surdez e suas especificidades. Por fim e não menos importante, o tópico III, chamado de “Implicações Neurolinguísticas da surdez”, o diálogo será especificamente sobre os campos de estudo e as implicações neurolinguísticas da surdez. Embarque nessa aventura pelo mundo surdo e descubra novas informações sobre esse fantástico lugar social. Até mais! 1 AS PRINCIPAIS CAUSAS DA SURDEZ Estudante, olá! Seja muito bem-vindo ao primeiro tópico da Unidade II, denominado de “As principais causas da surdez” Compreender as especificidades relacionadas ao assunto em questão é de grande relevância para todo profissional que está inserido no contexto escolar, uma vez que, as escolas recebem muitos alunos(a) que possuem essa deficiência. Diante disso, tal entendimento corrobora para uma atuação profissional mais eficaz. Para uma melhor compreensão sobre o assunto, este tópico está organizado didaticamente em uma sequência lógica. Então, primeiramente o objetivo será apresentar informações sobre a surdez e seus significados. Posteriormente, a ênfase será discorrer sobre as principais causas de surdez e perdas auditivas. Embarque comigo nessa trilha e adquira novos conhecimentos sobre o assunto! Vamos lá! O que é surdez? Estudante, você conhece as especificidades do termo surdez? O Ministério da Saúde apresenta a seguinte definição para o termo, “Surdez é o nome dado à impossibilidade ou dificuldade de ouvir” (BVS, 2021, on-line). Diante do exposto, infere-se que a surdez pode ter causas diversas, como, por exemplo, por fatores genéticos, utilização medicamentosa, exposição à barulho excessivo, etc…mas, sobre isso, aprofundaremos os estudos no próximo tópico. Após a compreensão do termo, faz-se necessário entender, então, como acontece o processo de audição, já que a surdez significa a ausência dessa habilidade. Segundo explicações técnicas proferidas por órgãos da área da saúde, a audição é constituída por canais que conduzem o som até o ouvido interno e transforma as ondas em estímulos elétricos enviando-os ao cérebro (BVS, 2021, on-line). Mas como o ouvido funciona? Vamos entender esse processo a partir de uma explicação científica sobre oassunto: A orelha (anteriormente chamada de ouvido) pode ser dividida em três partes: externa, média e interna. A membrana do tímpano é a divisão entre as porções externa e média da orelha. Nesta última se situam os três ossículos da audição, os menores ossos do corpo humano: martelo, bigorna e estribo. Estes são responsáveis por transmitir à orelha interna os sons que chegam ao tímpano. A cóclea (orelha interna) é o órgão que transforma as vibrações mecânicas dos ossículos em impulsos elétricos e os envia ao cérebro através do nervo auditivo (MOREIRA, 2021, on- line). A imagem a seguir ilustra o que foi explicado cientificamente: Figura 1: Como funciona a audição Fonte: (Eauriz, 2021, online). Para especialistas no assunto, o renomado otorrinolaringologista e professor da Faculdade de Medicina (FMUSP), Ricardo Ferreira Bento, classificado como um dos melhores cientistas do mundo pelo ranking da AD Scientific Indexa, a perda auditiva é muito comum e atinge uma parcela considerável da população brasileira (MORAIS, 2021, on-line). A afirmação do médico em questão pode ser legitimada pela Pesquisa Nacional de Saúde - PNS, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos anos de 2013 e 2019. Os dados publicados apontam que pelo menos 1,1% da população brasileira possui deficiência auditiva. Atualmente, o Brasil ultrapassa a marca de 213 milhões de habitantes, segundo o IBGE. Infere-se, portanto, que existem que a deficiência em questão atinge um número considerável de pessoas. Principais causas da surdez De acordo com os especialistas no assunto, mais ou menos meio bilhão de pessoas (quase 8% da população mundial) tem perda auditiva e isso configura o distúrbio sensorial mais comum mundialmente. Essa perda implica em problemas de comunicação diária e os relacionamentos interpessoais. Entenda a explicação do médico americano sobre o número de pessoas que apresentam perda auditiva e suas possíveis causas: Cerca de 1/800 a 1/1.000 recém-nascidos nascem com perda auditiva grave à profunda. Duas a 3 vezes mais, nascem com perda de audição mais leve. Durante a infância, mais 2 a 3/1.000 crianças adquirem uma perda auditiva moderada a grave. Os adolescentes estão em risco de exposição excessiva ao ruído, traumatismo craniano, ou ambos. Adultos mais velhos normalmente apresentam diminuição progressiva da audição (presbiacusia), o que provavelmente está diretamente relacionado com envelhecimento, exposição a ruídos e fatores genéticos (LUSTIG, 2019, on-line). Como você pode perceber na explicação do autor renomado que desenvolve estudos sobre o assunto, as causas da perda auditiva são diversas e variam de acordo com a faixa etária. Quanto à etiologia, a perda auditiva pode ser (LUSTIG, 2019, on-line). ● Congênita ( Causas da perda auditiva congênita*) ou adquirida ( Algumas causas de perda auditiva adquirida ) ● Progressiva ou súbita ● Temporária ou permanente ● Unilateral ou bilateral ● Leve ou profunda Na tabela a seguir, você pode conferir as causas da perda auditiva congênita, legitimada por uma explicação médica sobre o assunto: Tabela 1: Causas da perda auditiva congênita* Área anatômica afetada Etiologia† Condutiva Orelha média e externa Genética Desenvolvimental (p. ex., imobilização ossicular) Malformação idiopática (desconhecida) Malformação induzida por fármacos (p. ex., com talidomida) Sensório Orelha interna Genética Malformação idiopática (desconhecida) Infecção congênita (p. ex., rubéola, CMV, toxoplasmose, sífilis) Incompatibilidade Rh Anoxia Ingestão materna de fármacos ototóxicos (p. ex., para tuberculose ou infecção grave) Malformação induzida por fármacos (p. ex., com talidomida) Neural Sistema nervoso central Anoxia Malformação idiopática (desconhecida) Genética Infecção congênita (p. ex., rubéola, CMV, toxoplasmose, sífilis) Neurofibromatose (tipo 2) Hiperbilirrubinemia * Algumas perdas auditivas congênitas podem ser perdas mistas — uma combinação de perda condutiva e sensorial com ou sem um componente neural. † As causas estão listadas primeiro em ordem aproximada de maior frequência. Fonte: (LUSTIG, 2019, on-line). Na sequência, confira a tabela que apresenta as causas de perda auditiva adquirida, a partir de uma explicação do especialista no assunto, o médico americano Lawrence R. Lustig da Columbia University Medical Center and New York Presbyterian Hospital: Tabela 2: Algumas causas de perda auditiva adquirida Causa* Achados sugestivos Abordagem diagnóstica† Orelha externa (perda condutiva) Obstrução (p. ex., causada por cerume, corpo estranho, otite externa ou, raramente, tumor) Visíveis à otoscopia Otoscopia Orelha média (perda condutiva) Otite média (secretora) Perda auditiva que pode flutuar Eventualmente também tontura, dor ou plenitude aural Quase sempre alteração na MT Otoscopia Audiometria e timpanometria Com frequência, história de otite média aguda ou outro evento causador Otite média (crônica)‡ Otorreia crônica Perfuração geralmente visível Tecido de granulação ou pólipo no canal Colesteatoma, eventualmente Otoscopia TC ou RM para colesteatoma Trauma auditivo‡ Aparente pela história Com frequência, perfuração visível da MT, sangue no canal atrás da MT (se intacta) Otoscopia Otosclerose‡ História familiar Idade de início aos 20 a 30 anos Lentamente progressiva Timpanograma Tumores (benignos e malignos) Perda unilateral Muitas vezes, lesão visível durante a otoscopia TC ou RM Orelha interna (perda sensorial) Doenças genéticas (p. ex., mutação na conexina 26, síndrome de Waardenburg, síndrome de Usher, síndrome de Pendred) de Waardenburg Perda de visão e audição pode às vezes, história familiar positiva (mas normalmente negativo) Consanguinidade Mutações da conexina 26 são responsáveis pela grande maioria dos casos de perda auditiva não sindrômica e devem ser pesquisadas inicialmente Às vezes, mechas brancas no cabelo ou coloração diferente dos olhos sugere síndrome erir síndrome de Usher Exame genético TC e/ou MR Exposição ao ruído Quase sempre aparente pela história Avaliação clínica Presbiacusia > 55 anos em homens, > 65 anos em mulheres Perda bilateral progressiva Exame neurológico normal Avaliação clínica Fármacos ototóxicos (p. ex., ácido acetilsalicílico, aminoglicosídios, vancomicina, cisplatina, furosemida, ácido etacrínico, quinina) História de uso Perda bilateral Sintomas vestibulares variáveis Insuficiência renal Avaliação clínica Exames de sangue para dosar os níveis dos medicamentos Infecções (p. ex., meningite, labirintite purulenta) História evidente de infecção Sintomas que se iniciam durante ou logo após uma infecção Avaliação clínica Doenças autoimunes (como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico) Inflamação das articulações, exantema Às vezes, alteração repentina na visão ou irritação nos olhos Com frequência, doença autoimune conhecida Exames sorológicos Síndrome de Ménière Episódios de perda auditiva unilateral flutuante acompanhada por plenitude auricular, zumbido e vertigem Ressonância magnética com gadolínio para descartar tumor Barotrauma (com fístula perilinfática)‡ História de mudança abrupta na pressão (p. ex., mergulho, descida rápida em um avião) ou sopro no canal auditivo Dor grave ou vertigem, eventualmente Timpanometria e testes de função de equilíbrio TC do osso temporal Exploração cirúrgica se a vertigem persistir Traumatismo craniano (com fratura da base do crânio ou concussão coclear)‡ História de lesão significante Possivelmente sintomas vestibulares,fraqueza facial Às vezes, sinais de hemotímpano, fístula liquórica, equimose em região mastoidea TC ou RM Neuropatia auditiva‡ Boa detecção sonora, mas compreensão ruim de palavras Testes auditivos (ABR, emissões otoacústicas) RM Sistema nervoso central (perda neural) Tumores do ângulo pontocerebelar (p. ex., neuroma acústico e meningioma) Perda auditiva unilateral, frequentemente com zumbido Alterações vestibulares Às vezes, déficits de nervo facial ou trigêmeo RM com gadolínio Doença desmielinizante (p. ex., esclerose múltipla) Perda unilateral Multifocal Sintomas em surto e remissão RM do encéfalo Algumas vezes, punção lombar * Cada grupo é listado em ordem aproximada de frequência. † Todos os pacientes devem passar por otoscopia e realizar avaliação audiológica. ‡ Perda neurossensorial e condutora mista também pode estar presente. MT = membrana timpânica. Fonte: (LUSTIG, 2019, online). Estudante, agora que você já sabe o que significa o termo “surdez” e as possíveis causas da perda auditiva, como também o percentual de pessoas que possuem essa deficiência no Brasil, faz-se necessário ativar o conhecimento sobre a expressão pessoa deficiência. De acordo com Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), ratificada no Brasil em forma de Emenda Constitucional, por meio do Decreto Legislativo nº 186/2008 e do Decreto nº 6.949/2009, da Presidência da República: Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas (BRASIL, 2009) Como você pode perceber, a legislação estabelece os critérios para definir as particularidades que estão relacionadas ao termo surdez e ou deficiência auditiva. Isso posto, para ampliar o conhecimento sobre o assunto, vamos entender o que diz o Glossário da Educação Especial, no que se refere à deficiência auditiva e surdez: Consiste em impedimentos permanentes de natureza auditiva, ou seja, na perda parcial (deficiência auditiva) ou total (surdez) da audição que, em interação com barreiras comunicacionais e atitudinais, podem impedir a plena participação e aprendizagem do aluno (BRASIL, 2021). Na interpretação da literatura sobre o assunto, infere-se que as pessoas que possuem surdez e/ou deficiência auditiva estão amparadas pela legislação nacional no que se refere à preservação dos seus direitos sociais. Ainda sobre essa questão é oportuno relembrar que, no Brasil, a LEI Nº 11.796/2008, instituiu o dia Nacional do surdo, 26 de setembro de cada ano. Essa data foi escolhida em memória ao início da primeira escola de surdos, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), que oficialmente começou a funcionar no ano de 1857 (BRASIL, 2008). O mês de aniversário ficou definido como "SETEMBRO AZUL”, então, os integrantes da comunidade surda utilizam fitas azuis nas roupas, além disso promovem diversos eventos, como, por exemplo, palestras, cursos etc…em prol de novas conquistas e garantia aos direitos desse povo. Outra informação relacionada à comunidade surda que merece destaque é que a Federação Mundial de Surdos -World Federation of the Deaf (WDF), organização não governamental internacional, reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), definiu o dia 10 de setembro como o Dia Internacional das Línguas de Sinais. A escolha da data teve como parâmetro o Congresso de Milão, promovido em 1880, entre os dias 06 e 11 de setembro. Como resultado desse evento, foi imposta a propagação do Oralismo e, ainda, ficou proibida a utilização da língua de sinais na área da educação em diversos países (WDF, 2021, on-line). Caro(a) Acadêmico(a), agora que você já compreendeu as especificidades relacionadas ao termo surdez e algumas curiosidades que estão relacionadas à comunidade surda, vamos para o próximo tópico, lá você terá a oportunidade de adquirir novos conhecimentos relacionados aos tipos de surdez. Encontro você logo ali. Até mais! 2 TIPOS DE SURDEZ Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao segundo tópico desta unidade, denominado de “ Tipos de surdez “. Para o especialista no assunto Bento (2019), professor titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP, a saúde auditiva, atualmente é considerada como uma grande preocupação para o século 21, conforme apontam os resultados dos estudos sobre Carga Global da Doença (GBD), pois os dados coletados indicam uma crescente e preocupante carga de perda auditiva manifestada na população em geral, no Brasil (BENTO, 2019). Coaduna-se com essa informação o fato de existirem diversos mitos relacionados à surdez, que são propagados rotineiramente por pessoas leigas, como, por exemplo, ouvir música alta pode causar perda auditiva, todo surdo é mudo, todo surdo faz leitura labial, o surdo não fala, o surdo é incapaz, etc. Diante da disseminação de tantos mitos e do crescente aumento da perda auditiva, a ideia, aqui, é disponibilizar informações corretas sobre as questões em torno da surdez, ou seja, tipos e causas da surdez, a partir de estudos publicados por autores renomados que realizaram pesquisas na área. Para tanto, os conteúdos foram divididos didaticamente para que você consiga compreendê-los. Então, embarque comigo nesta nova viagem e amplie os seus conhecimentos sobre o assunto. Vamo lá! Especificidade da Surdez Acadêmico(a), de acordo com as informações disponibilizadas no tópico anterior, você conseguiu compreender que a audição é um sentido de primordial importância para o desenvolvimento social do ser humano, uma vez que, por meio dela conseguimos nos comunicar naturalmente utilizando a língua materna sem a necessidade de acessibilidade. Contudo, a ausência desse sentido ou mesmo a perda parcial dele configura algumas adversidades, sejam elas de causa emocionais, psicológicas, de interação social, problemas relacionados ao aprendizado e consequentemente na esfera do mundo do trabalho. Segundo os dados que foram publicados pela revista Saúde, Desenvolvimento e Educação, em 2019: “10% da população mundial possui alguma deficiência auditiva. 5,6% da população brasileira possui deficiência auditiva. Aproximadamente 2% da população brasileira possui perda auditiva severa e profunda (BENTO, 2019, p. 4). Além disso, outra informação relevante sobre o assunto, é o apontamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao divulgar que, de acordo com alguns estudos, até 2050, 500 milhões de jovens e adultos terão perda auditiva, em virtude da má utilização de fones de ouvido, leia-se, uso constante e, também, volume extremamente alto. Na imagem, a seguir, você pode observar os graus de perda auditiva desde o normal até a profunda. Importante destacar que, para a medicina, a perda auditiva é analisada em decibéis (dB). Figura 2: Graus de perda auditiva Fonte: (BENTO, 2007). Conforme os dados acima, constatamos que a audição normal possibilita que sejam ouvidos todos os sons que são propagados nos mais diversos contextos sociais, oriundos, de seres humanos, animais, máquinas, recursos digitais etc (BENTO, 2007). Nesse sentido, caso haja a perda auditiva entre entre 25 e 40 dB, é configurada uma perda leve. Como característica disso, existe a dificuldade de ouvir algumas consoantes, por exemplo, “f, s, p, t, k” e, ainda, o som do relógio batendo (BENTO, 2007). Já na perda auditiva moderada – 45 a 70 dB – quase nenhum som da fala pode ser percebido em nível de voz natural. Apenas sons fortes como choros de crianças e o de aspirador de pó funcionandosão audíveis. A comunicação com o mundo torna-se bastante limitada (BENTO, 2007). Com relação à perda moderada, os níveis variam entre 45 a 70 dB. Essa perda reflete a impossibilidade de audição natural de um diálogo e isso já causa transtornos sociais, uma vez que, o processo comunicativo torna-se dificultoso. Contudo, pode-se ainda ouvir barulhos exageradamente altos e estridentes, como o som de um aspirador de pó, motor de máquina grande etc (BENTO, 2007). No quesito severa, a perda equivale a 70 a 90 dB, nesse sentido, a audição natural não existe mais, portanto, há a necessidade de utilização de acessibilidades diversas como auxiliadoras (BENTO, 2007). Por fim, a profunda, é manifestada quando a perda supera 90 dB. É válido ressaltar sobre essa categoria, que se isso acontecer desde o nascimento, a criança terá prejuízos relacionados à aquisição da fala e da linguagem. Para o Dr. Ricardo Bento (2007), a medicina considera dois tipos de surdez: Condução e Neurossensorial. No que se refere à surdez de condução, estudos apontam que não é um tipo muito comum. Ela manifesta-se no ouvido externo ou médio, geralmente, quando as ondas sonoras não são dirigidas de maneira adequada para o ouvido interno. Confira na figura abaixo, as possíveis causas: Figura 3: Causas: perda de Condução Fonte: (BENTO, 2007). O referido médico assevera que os problemas que foram elencados nessa categoria podem ser sanados com tratamento medicamentoso e/ou intervenção cirúrgica (BENTO, 2007). Já a perda Neurossensorial, forma mais comum, atinge especificamente o nervo auditivo ou pode acontecer também na cóclea. Isso acontece quando a “cóclea que é o órgão interno da audição não consegue transformar a energia mecânica da vibração que o som produz em energia elétrica para transmiti-la ao cérebro que irá entender o som” (BENTO, 2007, on-line). Confira na figura abaixo, as principais causas da perda no nervo: Figura 4: Causas: perda Neurossensorial Fonte: (BENTO, 2007). Os especialistas no assunto alertam que diagnosticar precocemente é decisivo para o controle e, também, o tratamento dessas especificidades. Diferente, a demora do diagnóstico, pode refletir em danos severos. Muito bem! Chegamos ao final desse tópico, no qual você pode compreender os tipos e causas da surdez. Encontro você logo ali, no terceiro e último tópico para continuarmos nosso diálogo sobre o assunto em questão. Até mais! 3 IMPLICAÇÕES NEUROLINGUÍSTICAS DA SURDEZ Estudante, olá! Chegamos ao terceiro e último tópico dessa unidade, denominado de “Implicações Neurolinguísticas da surdez”. Você já sabe que no passado, em tempos não tão distantes, os surdos eram considerados como pessoas desprovidas de inteligência, ou seja, erroneamente, as pessoas disseminavam uma inverdade sobre eles. Muitas vezes, foram considerados como aberrações da natureza, loucos etc. Em virtude dessas análises preconceituosas e descabidas, eles eram também impedidos de frequentar as escolas. Mas isso mudou, e atualmente, após muitas lutas e conquistas, estão inseridos na esfera escolar. Contudo, ainda existe pouca divulgação de estudos sobre os aspectos neurolinguísticos e o desenvolvimento da linguagem dos surdos. Portanto, dialogar sobre esse tema é de extrema relevância para todo o profissional que está inserido no contexto educacional, uma vez que, entender como acontece esse processo , favorece o desenvolvimento da prática profissional e corrobora com a identificação e também com a superação das dificuldades apresentadas pelos alunos. Então, mergulhe nessa aventura e desvende os mistérios do cérebro. Até mais! Implicações Neurolinguísticas Estudante, para falar sobre esse tema, é interessante, relembrarmos alguns conceitos sobre Neurolinguística, de acordo com as acepções do dicionário Michaelis, “é a ciência que estuda as relações entre a estrutura do cérebro humano e a capacidade linguística, com atenção especial à aquisição da linguagem e aos distúrbios da linguagem” (MICHAELIS, 2021, on-line). Isso posto, para melhor compreensão do conteúdo, faz-se necessário relembrar as acepções da LINGUÍSTICA, ou seja, o estudo científico da linguagem, em qualquer um de seus sentidos. Ela é a ciência que estuda os fenômenos relacionados à linguagem verbal humana, buscando entender quais são as características e princípios que regem as estruturas das línguas do mundo. A partir dessa definição, infere-se que NEUROLINGUÍSTICA é uma área interdisciplinar entre duas ciências: a medicina e a linguística. O objetivo desse campo do saber é a linguagem humana, ou seja, compreender como usamos e combinamos palavras, no caso dos surdos, os signos, utilizados na linguagem gestual, para construir frases e transmitir os conceitos processados pelo cérebro. Além disso, interessa-se, ainda, elucidar como o cérebro elabora os conceitos das palavras proferidas por outra pessoa (RODRIGUES, 1991). No que se refere ao público-alvo dessa disciplina, a intenção aqui é entender quais são as implicações neurolinguísticas da surdez, uma vez que, o surdo se comunica, geralmente, por sinais e não por meio da linguagem verbal. Contudo, mesmo que ele possua escassa ou nenhuma audição, o que resulta, em pouca ou quase nenhuma manifestação oral, ele consegue se comunicar perfeitamente (NADER, PINTO, 2011). Com intuito de aprofundarmos os conhecimentos sobre a neurolinguística, vamos entender como o cérebro elabora a linguagem? Os cientistas postulam que esse órgão de extrema importância elabora a linguagem a partir da interação de três conjuntos de estruturas neuronais: 1. Composto de numerosos sistemas neuronais dos dois hemisférios: Representa interações não linguísticas entre o corpo e seu meio, percebido por diversos sistemas sensoriais e motores; ele forja uma representação de tudo o que uma pessoa faz, percebe, pensa ou sente. Além de decompor essas representações não linguísticas (forma, cor, sucessão no tempo ou importância emocional), o cérebro cria representações de nível superior, pelas quais gerem os resultados dessa classificação (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). 2. Conjunto menor de estruturas neuronais, localizado no hemisfério esquerdo: Representa os fonemas, suas combinações e as regras sintáticas de ordenação destas palavras em frases. Quando solicitados pelo cérebro, esses sistemas reúnem palavras em frases destinadas a ser ditas ou escritas,- se demandados em reação a um estímulo linguístico externo (uma palavra ouvida ou um texto lido), asseguram os processamentos iniciais das palavras e frases percebidas (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). 3. Conjunto situado no hemisfério esquerdo, coordena os dois primeiros: “Produz palavras a partir de um conceito ou conceitos a partir de palavras” (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). Para que você consiga entender melhor o que foi explicado e também, confira nas imagens as representações dos centros cerebrais Figura 5: Centros cerebrais Fonte: (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). Estudante, como você pode observar na imagem, os Centros Cerebrais responsáveis por processar a cor estão estruturados como sistemas para a compreensão e utilização da linguagem (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). A seguir, confira a diferença de organização dos Centros Cerebrais da Linguagem. Figura 6 : Centros Cerebrais da Linguagem Fonte: (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, online). Verifique que, no hemisfério esquerdo, estão organizadas as estruturas relacionadas ao processamento das palavras e as frases e também, aquelas que fazem a mediação entre os elementos lexicais