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LIBRAS III 
#CURRÍCULO LATTES# 
 
APRESENTAÇÃO 
Greicy Juliana Moreira 
 
● Mestre em Letras (UEM). 
● Especialista em Língua Portuguesa - Teoria e Prática (América do Sul). 
● Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional (Faculdade Maringá). 
● Especialista em Educação Especial com Ênfase em Libras (Bom Bosco). 
● Especialista em Educação Empreendedora (PUC - RJ). 
● Especialista em Gestão de Pessoas (Faculdades Maringá). 
● Especialista em Novas Tecnologias da Educação (UniFCV). 
● Licenciatura em Letras/Pedagogia. 
● Professora da Pós-Graduação (UniFCV). 
● Mediadora Pedagógica e de Pós-Graduação da (UniFCV). 
● Professora conteudista na área de Educação/Letras: 
(UniFCV/UNIFATECIE/KROTON/SAGAH/EFICAZ). 
● Instrutora de cursos Técnicos e Profissionalizantes (SENAC - PR). 
● Experiência profissional: Técnico/Superior/Pós-
Graduação:PRESENCIAL/EAD) há 13 anos. 
● Experiência Acesse meu currículo lattes: 
● http://lattes.cnpq.br/8929294723407914 
 
 
#CURRÍCULO LATTES# 
 
 
 
 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO DA APOSTILA 
https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=B8DA4EF97D4AE655B42127C955EE8B8E
 
Acadêmico(a), olá!!! 
 
 Seja bem-vindo(a)! A partir de agora, você deu largada em uma jornada de 
conhecimento por meio do incrível mundo surdo, mais especificamente ao maravilhoso 
universo da cultura surda e suas especificidades. 
 Nossa missão será apresentar a você, por meio de dialogismo, novos 
conhecimentos e descobertas, que proporcionarão reflexões e mudanças significativas 
no seu modo de pensar e agir, tanto no contexto pessoal, acadêmico e sobretudo na 
esfera profissional, favorecendo o desenvolvimento de suas competências, habilidades 
e atitudes. 
 O presente material foi produzido exclusivamente para proporcionar a construção 
de novos conhecimentos, por meio de quatro unidades curriculares, recheadas de 
conceitos teóricos e reflexivos, conectando teoria e situações reais, favorecendo o 
processo de ensino-aprendizagem. 
A apostila é composta por uma introdução, seguida de quatro unidades, divididas 
em três tópicos cada uma, criteriosamente analisados e selecionados para dar 
sustentação às discussões, reflexões e conclusão. 
Além dos conteúdos abordados no decorrer das unidades curriculares, você 
também terá acesso à informações extras, como por exemplo novas leituras, a seção 
#saibamais, #reflita, #leituracomplementar, e ainda, dicas de livros e filmes, que 
contemplam os assuntos em questão na presente disciplina. 
Na Unidade I, o conteúdo disponibilizado será sobre os “TIPOS DE CULTURA 
SURDA E SUAS IDENTIDADES” então, iremos ampliar o conhecimento sobre a cultura 
surda e suas identidades 
Na Unidade II, a ênfase será exclusivamente sobre a “A HETEROGENEIDADE DA 
SURDEZ”: o objetivo será conhecer as especificidades da surdez e suas implicações sociais. 
Na Unidade III, vamos falar sobre as especificidades da “COGNIÇÃO E 
LINGUAGEM”, aqui, a ênfase será entender o processo de aquisição da Língua para o surdo 
Na Unidade IV, denominada “LÍNGUA EM TRANSFORMAÇÃO”, nosso propósito 
será apresentar informações sobre a língua de sinais e suas diversas variações 
linguísticas. 
Diante do exposto, desejamos que, a partir desse momento, você inicie a leitura 
e estudo desse material e que, no decorrer dessa trilha de descobertas, você possa 
refletir sobre os aspectos aqui abordados, sobre a importância da sua formação 
acadêmica e, ainda, como contribuir, enquanto profissional, para a eliminação de 
barreiras relacionadas ao ensino-aprendizagem do público-alvo dessa disciplina 
Boa viagem! Embarque agora nessa trilha de conhecimentos! Até mais!!! 
 
Profa. Me. Greicy Juliana Moreira. 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE I 
TIPOS DE CULTURA SURDA E SUAS IDENTIDADES 
Professora Mestre Greicy Juliana Moreira 
 
 
Plano de Estudo: 
• Surdo: Diferente ou Deficiente; 
• Cultura Surda; 
• Tipos de Identidade Surda. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
• Apresentar informações sobre o termo correto para se referir ao “surdo”; 
• Compreender as especificidades da Cultura Surda; 
• Conhecer as características dos tipos de identidade surda. 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
 Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) à primeira unidade desta disciplina, intitulada de “TIPOS 
DE CULTURA SURDA E SUAS IDENTIDADES”. 
 A ênfase é ampliar o conhecimento sobre a língua de sinais e suas variações. 
Além disso, dialogar sobre a importância de conhecer e compreender as especificidades 
dessa língua para atuação profissional. 
Para facilitar o seu entendimento sobre o assunto em questão, os conteúdos 
abordados foram didaticamente separados em três tópicos. 
No primeiro momento, Tópico Um (1), intitulado de “Surdo: Diferente ou 
Deficiente”, e a ideia central será apresentar informações sobre a correta utilização do 
termo surdo, segundo as orientações legais. 
Posteriormente, no segundo tópico, intitulado de “Cultura Surda”, o intuito é 
revelar as especificidades da cultura em questão. 
Por fim, no terceiro tópico, denominado de “Tipos de Identidade Surda”, a 
finalidade é explicar as características dos diversos tipos de identidade surda. 
Então, venha comigo, embarque nessa jornada pelo maravilhoso contexto social 
do surdo. Encontro você logo ali, no primeiro tópico. 
Até mais! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 SURDO: DIFERENTE OU DEFICIENTE 
 
 
 Fonte: 1998439745 
 
Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) ao primeiro tópico desta unidade. 
Neste momento, o foco é oportunizar conhecimentos sobre o universo do mundo 
surdo e compartilhar informações sobre especificidades do termo e a utilização nas mais 
diversas esferas sociais. 
Além disso, a ideia é oportunizar a reflexão sobre as diversas formas de 
nomeações que são designadas ao surdo e como isso influencia positiva e/ou 
negativamente a vida dele. 
Caro(a) aluno(a), os conteúdos aqui apresentados vão corroborar para sua 
formação acadêmica, contudo, para uma prática pedagógica de excelência, faz-se 
necessária constante atualização profissional, ou seja, a busca incessante por novos 
saberes. 
Então, conto com sua disponibilidade e interesse para embarcar comigo nessa 
trilha de novos conhecimentos!! 
 
 
Surdo diferente ou deficiente? 
 
Aluno(a), nas mais variadas esferas sociais, as pessoas utilizam diversos nomes 
para se referir à pessoa surda. 
Em muitos casos, os leigos no assunto fazem uso de nomeações errôneas, muitas 
vezes, isso acontece por falta de conhecimento e/ou, até mesmo, por questões 
preconceituosas e pejorativas. Por isso, utilizam nomes, como, por exemplo, as 
designações que estão expressas na figura a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1: Designações leigas 
 
 
 
Fonte: A autora (2021). 
 
Diante do exposto, infere-se que muitos nomes são utilizados para fazer 
referência à pessoa surda, nos mais diversos contextos sociais. 
 
Mas, como devemos nos referir ao surdo, você sabe? 
 
De acordo com o Decreto 5.626/2005, o qual regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 
de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da 
Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, no artigo 2º, elucida que deve-se considerar 
como pessoa surda “aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o 
mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo 
uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras” (BRASIL, 2005). 
Na sequência, no Parágrafo único, destaca também que “Considera-se deficiência 
auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida 
 
por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz (BRASIL, 
2005). 
No Glossário da Educação Especial do Censo 2021, para elucidar as 
especificidades do público-alvo da Educação Especial, destacam-se as seguintese gramaticais. Já aquelas que retratam os 
conceitos, estão divididas em diversas regiões sensoriais e motoras entre os dois 
hemisférios (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). 
 Acadêmico(a), agora que já sabemos como é o funcionamento do cérebro no que 
se refere à área da linguagem, vamos entender a natureza da linguagem. Para atender 
ao objetivo proposto nesta disciplina, vamos utilizar para o termo LINGUAGEM a 
seguinte acepção: todo e qualquer sistema de signos empregados pelas pessoas com 
intuito de produzir sentidos (TRASK, 2004). 
 Soma-se a essa definição os apontamentos de Koch (2002) ao salientar que a 
linguagem realiza a mediação entre as referências do mundo biológico e as referências 
do mundo sociocultural, então, a construção do conhecimento é um produto da interação 
social. Diante do exposto, infere-se que a cognição é uma construção social. (KOCH, 
2002). 
 Nas revisões de literatura sobre o assunto, também encontramos uma informação 
bastante relevante sobre o termo “A linguagem é um fato exclusivamente humano, um 
método de comunicação racional de ideias, emoções e desejos por meio de símbolos 
produzidos de maneira deliberada”. (RABAÇA e BARBOSA, 2002, p. 367). 
 
A partir das informações disponibilizadas até então e a importância desse assunto 
para o entendimento do propósito maior deste tópico, fica evidente a necessidade de 
oportunizar à pessoa surda o contato com uma língua já nos primeiros anos de vida, isso 
torna-se fundamental para que ela consiga desenvolver-se, seguindo o curso natural das 
fases de aquisição da linguagem. 
Essa interpretação pode ser legitimada a partir dos postulados de Fernandes e 
Correia (2012), ao destacar que, é por meio da aquisição de um sistema simbólico, no 
caso a língua, que o ser humano amplia o seu conhecimento e transforma sua 
concepção sobre o mundo. Contudo, a falta do contato com uma língua, resulta em 
implicações neurolinguísticas, pois a aquisição da linguagem é uma forma de expressão 
da criança surda. 
No que se refere ao déficit auditivo na infância e as questões neurolinguísticas, 
a partir da literatura consultada, infere-se que isso pode resultar em prejuízos 
gigantescos no decorrer da vida, principalmente nas habilidades de linguagem receptiva 
e expressiva. Sobre a gravidade da deficiência e a faixa etária, deve-se analisar os 
seguintes aspectos (LUSTIG, 2019, on-line). 
 
● Idade na qual houve a perda; 
● Natureza ( duração, frequências afetadas e o grau); 
● Suscetibilidades individuais da criança (coexistência com deficiência visual, 
deficiência intelectual, déficits primários de linguagem, ambiente linguístico 
inadequado); 
 
 Sobre isso, o médico ainda salienta que as crianças que possuem outros tipos de 
deficiências, como, por exemplo, sensoriais, linguísticas ou cognitivas terão maior 
gravidade e impactos ao longo do tempo (LUSTIG, 2019, on-line). 
 
 Dentre muitos quesitos que poderão ser afetados com a ausência ou deficiência 
da audição estão: atrasos na fala, a comunicação e relação interpessoal, escrita 
deficiente, trocas de fonemas etc. 
 Estudante, na próxima unidade vamos ampliar os conhecimentos sobre o 
processo de aquisição da linguagem do surdo. 
 
Até mais! 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
A interface entre a apropriação da linguagem por sujeitos surdos e a língua de 
sinais 
 
Este artigo aborda a apropriação da linguagem por surdos, apontando a relevância do 
papel da Libras em suas interações familiares, escolares e sociais. As discussões estão 
alicerçadas sobre a teoria sócio histórica de Vygotsky, segundo a qual o desenvolvimento 
da linguagem ocorre impulsionado pelas interações humanas. A partir dessa perspectiva 
teórica, foram levantadas questões sobre os efeitos da privação da Língua de Sinais em 
crianças surdas, uma lacuna que as impede de alcançar desenvolvimento semelhante 
ao das crianças ouvintes por não terem acesso a uma língua plena. Além da necessidade 
de a criança surda ter acesso à Língua de Sinais desde tenra idade, aponta-se também 
a importância da criação de um ambiente bilíngue familiar, escolar e social, para que ela 
possa ter interações de qualidade, fomentando a plena apropriação da linguagem e de 
outros desenvolvimentos correlatos. 
 
Para ler na íntegra, dê um click: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/58475 
Fonte: ANDREIS-WITKOSKI, S.; FILIETAZ, M. R. P. A interface entre a apropriação da linguagem por 
sujeitos surdos e a língua de sinais. Revista Sinalizar, [S. l.], v. 4, 2019. DOI: 10.5216/rs.v4.58475. 
Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/58475. Acesso em: 7 dez. 2021. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
REFLITA 
 
Acadêmico(a), 
 
 A partir das informações disponibilizadas sobre surdez e linguagem, reflita: Quais 
são os possíveis problemas que uma criança surda pode enfrentar no que se refere à 
aquisição da linguagem? 
Fonte: elaborada pela autora. 
 
#REFLITA # 
https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/58475
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Estudante, olá! 
 
 Chegamos ao final dessa segunda unidade, na qual dialogamos sobre algumas 
particularidades relacionadas à surdez e comunidade surda. Além disso, falamos 
também sobre a importância que esse assunto tem, especificamente, para os 
profissionais que trabalham com o ensino da língua. 
 No primeiro tópico, a ênfase foi ampliar o conhecimento sobre as principais 
causas da surdez. Então, você compreendeu as acepções do termo “surdez” e as 
particularidades relacionadas à surdez e deficiência auditiva. 
 Posteriormente, no segundo tópico, o diálogo esteve relacionado à 
heterogeneidade da surdez. Assim, você conheceu os tipos de surdez e as possíveis 
causas. 
Por fim, e não menos importante, no terceiro tópico, o objetivo foi apresentar 
informações sobre a heterogeneidade da surdez. Para que isso fosse possível, você 
conheceu as funcionalidades do cérebro, os objetivos da neurolinguística e, ainda, os 
possíveis transtornos que podem ocorrer com a aquisição da linguagem de uma criança 
surda. 
Diante do exposto, salientamos que os diálogos e informações aqui 
disponibilizados não esgotam os estudos sobre a surdez, mas abrem janelas para busca 
de novos conhecimentos sobre o assunto. 
Então, encontro você na próxima unidade. 
Até mais!!!! 
 
 
 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
SURDEZ E LIBRAS: aspectos biológicos, históricos e legais 
 
Com cerca de 10 milhões de brasileiros que possuem algum grau de deficiência auditiva, as 
quais podem ser consideradas leve, moderada, severa ou profunda, e podem ser 
tratadas com aparelhos auditivos e/ou implantes cocleares, de acordo com cada caso, a 
comunidade surda brasileira nem sempre foi tratada com o devido respeito. Visto que, o 
Brasil é um país considerado novo em relação aos países do continente europeu e a 
Língua Brasileira de Sinais apenas há dezoito anos foi reconhecida e está cada dia 
ganhando mais espaço e “voz”. Como o tema inclusão vem cada dia sendo mais 
discutido, as pessoas com surdez não poderiam ficar de fora, assim, a LIBRAS foi 
reconhecida como o meio de comunicação oficial da comunidade surda brasileira em 
2002. Dessa forma, buscou-se cumprir o direito que garante o acesso à escolarização 
todos disponibilizando adaptações de acordo com as especificidades de cada aluno. O 
presente estudo tem como objetivo apresentar um pouco sobre a inclusão dos 
estudantes surdos dentro da comunidade escolar, mostrar algumas políticas públicas 
que incluam esses estudantes nas escolas e promover uma reflexão sobre questões que 
permeiam a surdez. O interesse nesse trabalho surgiu durante as aulas de libras,devido 
a uma curiosidade que tínhamos na área, para entender melhor como funciona a 
educação inclusiva. Para realizarmos o trabalho, fizemos uso de pesquisa bibliográfica 
e em sites, as quais possibilitarama busca por novos caminhos e argumentos para nossa 
reflexão. Foi utilizado grandes teóricos na área, tais como Mantoan, Brito e Honora. 
Gostaríamos de proporcionar com esse trabalho, uma reflexão sobre a educação 
inclusiva, como a Libras é uma ferramenta essencial e conscientizar um pouco sobre a 
surdez. 
 
Para ler na íntegra, dê um click: 
 https://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rel/article/view/2170. 
Fonte: CARLONI, Luis Eduardo Monteiro, PELIZARO, Sophia Costa Fernandes, MELO, Heloisa Helena 
Vallim de. SURDEZ E LIBRAS: aspectos biológicos, históricos e legais. Revista Eletrônica de Letras. v. 
14, n. 1 (2021): REL Edição 14 - (Janeiro-Dezembro 2021). Disponível em: 
https://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rel/article/view/2170. Acesso em: 01 dez. 2021. 
https://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rel/article/view/2170
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
• Título. Surdez e linguagem: Aspectos e implicações neurolinguísticas 
• Autor. Ana Paula Santana (Autor) 
• Editora.Plexus Editora 
• Sinopse . 
Para os pais, ter um filho diagnosticado surdo implica uma série de escolhas. Há de se 
decidir se ele fará alguma cirurgia, se aprenderá a língua de sinais e a língua oral e ainda 
se estudará em escola especial ou comum. Nesse momento, surgem vários 
preconceitos, como a ideia de que o surdo não tem capacidade de se comunicar. Neste 
livro, Ana Paula Santana faz uma reflexão sobre as visões médicas, fonoaudiológicas, 
sociais e (neuro) linguísticas da condição do surdo. Com base em pesquisas e em 
entrevistas com sujeitos surdos e seus familiares e educadores, a autora revela a 
 
importância de considerar múltiplos aspectos quando se trata desse tipo de deficiência, 
fugindo dos lugares-comuns e preconceitos. 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
• Título: Deaf Jam 
• Ano: 2011 
• Sinopse: É um documentário dirigido e produzido pela cineasta americana Judy Lieff. 
O filme é centrado na experiência de Aneta Brodski, uma adolescente surda que vive no 
Queens, em Nova York , que mergulha na forma dinâmica e tridimensional da poesia em 
linguagem de sinais americana . Quando Aneta, uma poetisa israelense da ASL, 
finalmente conhece Tahani, uma poetisa palestina, as duas começam a colaborar, 
criando uma nova forma de poesia que ganha reconhecimento em comunidades surdas 
e ouvintes. 
• Link do vídeo: https://www.imdb.com/title/tt1512763/ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
WEB 
https://www.imdb.com/title/tt1512763/
 
 
• Apresentação do link: Parceria do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e 
da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (ACERP) viabiliza a primeira 
webTV em Língua Brasileira de Sinais (Libras), com legendas e locução. 
• Link do site: http://tvines.org.br/?page_id=33 
 
 
http://tvines.org.br/?page_id=33
 
REFERÊNCIAS 
 
ANDREIS-WITKOSKI, S.; FILIETAZ, M. R. P. A interface entre a apropriação da 
linguagem por sujeitos surdos e a língua de sinais. Revista Sinalizar, [S. l.], v. 4, 
2019. DOI: 10.5216/rs.v4.58475. Disponível em: 
https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/58475. Acesso em: 7 dez. 2021. 
 
BENTO, Ricardo Ferreira. Saúde auditiva: uma grande preocupação para o século 
21. Revista Saúde, Desenvolvimento e Educação. Edição Especial no 11 - Agosto 
2019. Disponível em: https://forl.org.br/Content/CKEditor/revista%20ouvir%20bem.pdf. 
Acesso em: Acesso em: 11 dez. 2021. 
 
BENTO, Ricardo Ferreira. Surdez. Disciplina de otorrinolaringologia da Faculdade de 
Medicina da USP. 2007. Disponível em: http://www.surdez.org.br/conteudo.asp?id=4. 
Acesso em: 11 dez. 2021. 
 
BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção 
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo 
Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 26 ago. 2009. Seção 1, p. 3. 
 
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira 
(Inep). Glossário da educação especial: Censo Escolar 2021. Brasília, DF: Inep, 
2021. 
 
BRASIL, LEI Nº 11.796, DE 29 DE OUTUBRO DE 2008. Institui o Dia Nacional dos 
Surdos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2008/lei/l11796.htm. Acesso em: 12 dez. 2021. 
 
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da 
Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 7 jul. 2015. Seção 1, p. 2. 
 
BVS, Biblioteca Virtual em Saúde. Surdez. Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/surdez-3/. Acesso em: 11 dez. 2021. 
 
CARLONI, Luis Eduardo Monteiro, PELIZARO, Sophia Costa Fernandes, MELO, 
Heloisa Helena Vallim de. Surdez e Libras: aspectos biológicos, históricos e legais. 
Revista Eletrônica de Letras. v. 14, n. 1 (2021): REL Edição 14 - (Janeiro-Dezembro 
2021). Disponível em: https://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rel/article/view/2170. 
Acesso em: 01 dez. 2021. 
 
 
 
 
DAMÁSIO, António. DAMÁSIO, Hanna. O Cérebro e a Linguagem. Psiquiatria Geral. 
Revista: Viver Mente & Cérebro Scientific American 
Ano XIII Nº143. 2004. Disponível em: 
https://www.psiquiatriageral.com.br/cerebro/cerebro_e_a_linguagem.htm. Acesso em: 
12 dez. 2021. 
 
GOMES, Mariane. Como funciona a nossa audição? Euauriz - Guia da audição de A 
a Z. [s.d]. Disponível em: https://www.eauriz.com.br/como-funciona-a-nossa-audicao/. 
Acesso em: 12 dez. 2021. 
 
FERNADES, E.; CORREIA, C. M. C. Bilinguismo e surdez: a evolução dos conceitos 
no domínio da linguagem. In: FERNANDES, E. (Org.). Surdez e bilinguismo. 6. ed. São 
Paulo: Mediação, 2012. p. 7-25. 
 
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia. PNS - Pesquisa Nacional de Saúde. 
Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9160-pesquisa-
nacional-de-saude.html. Acesso em: 10 dez. 2021. 
 
KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002. 
 
LUSTIG, Lawrence R. Perda auditiva. Manuais MSD 
para profissionais, 2019. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-
br/profissional/dist%C3%BArbios-do-ouvido,-nariz-e-garganta/perda-auditiva/perda-
auditiva?query=causas%20da%20surdez. Acesso em: 12 dez. 2021. 
 
MICHAELIS, online. Cultura. Disponível em: 
https://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=cultura. Acesso em: 02 dez. 
2021. 
 
MOREIRA, Luciano. Surdez em bebês: os fatores de risco. 2021. Disponível em: 
https://portalotorrino.com.br/recuperando-a-audicao/. Acesso em: 12 dez. 2021. 
 
NADER, J. N. V.; PINTO, R. C. N. Aquisição tardia de uma língua e seus efeitos 
sobre o desenvolvimento cognitivo dos surdos. Jornal Da Unicamp, N° 499, 2011. 
Disponível em: 
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2011/ju499_pag11.php. Acesso 
em: 12 Dez 2021. 
 
PNS. A Pesquisa Nacional de Saúde. Inquérito de saúde de base domiciliar, 2021. 
Disponível em: https://www.pns.icict.fiocruz.br/. Acesso em: 01 dez. 2021. 
 
RABAÇA, Carlos Alberto; BARBOSA, Gustavo Guimarães. 
Dicionário de comunicação. Rio de Janeiro: Campos, 2002. 
 
RODRIGUES, N. Organização Neural da Linguagem. In: MOURA, M; LODI, A; 
PEREIRA, M. (eds.). A língua de Sinais e a educação do surdo. São Paulo: Tec Art, 
 
1991. 
 
TRASK, R. L. Dicionário de linguagem e linguística. São Paulo: Contexto, 2004. 
 
WORLD FEDERATION OF THE DEAF. Our Story, 2016. Disponível em: 
http://wfdeaf.org/who-we-are/our-story/. Acesso em: 12 dez. 2021. 
 
 
UNIDADE III 
COGNIÇÃO E LINGUAGEM 
Professora Mestre Greicy Juliana Moreira 
 
 
Plano de Estudo: 
● Desenvolvimento cognitivo do sujeito surdo; 
● Aquisição da linguagem na surdez; 
● Aquisição da Língua de Sinais. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
● Compreender o desenvolvimento cognitivo do sujeito surdo 
● Entender o processo de aquisição da linguagem na surdez 
● Estabelecer a importância da Libras para aquisição da linguagem da criança 
surda. 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Estudante, olá! 
 
Sejamuito bem-vindo(a) à terceira unidade desta disciplina, intitulada de 
“COGNIÇÃO E LINGUAGEM”. 
A ideia central é dialogar sobre o processo de aquisição da linguagem da criança 
surda e entender a importância do contato precoce com a língua materna do sudo. 
Para facilitar o seu entendimento sobre o assunto em questão, os conteúdos 
abordados foram didaticamente separados em três tópicos. 
No primeiro momento, Tópico Um (1), intitulado de “Desenvolvimento cognitivo 
do sujeito surdo”, objetivo é possibilitar o seu entendimento sobre o processo cognitivo, 
psíquico e social do sujeito surdo. 
Posteriormente, no segundo tópico, intitulado de “Aquisição da linguagem na 
surdez ”, o intuito é disponibilizar informações que leve você a compreender como 
acontece esse processo. 
Por fim, no terceiro tópico, denominado de “Aquisição da Língua de Sinais”, a 
finalidade é explicar o desenvolvimento linguístico da criança que tem contato com a 
língua de sinais desde o primeiro momento de vida.. 
Então, venha comigo, embarque nessa trilha da linguagem pelo mundo surdo. 
Encontro você logo ali, no próximo tópico. 
Até mais! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DO SUJEITO SURDO 
 
 
 
Estudante, olá! 
 
Seja muito bem-vindo(a) ao primeiro tópico desta unidade, denominado de 
“Desenvolvimento cognitivo do sujeito surdo”. 
Estudos apontam que a surdez reflete diversos problemas de ordem social para a 
pessoa que possui essa deficiência, mas a dificuldade de maior relevância é a 
comunicativa, que consequentemente, atinge o desenvolvimento como um todo desde 
a primeira infância. 
Por isso, é muito relevante adquirir novos conhecimentos sobre o assunto, pois a 
compreensão desses aspectos corrobora para o desenvolvimento de programas 
educacionais que proporcionem melhores condições de aprendizado para as pessoas 
com deficiência auditiva e/ou surdez. 
Diante dessa afirmação, o objetivo, neste tópico, é que você compreenda como 
acontece o processo de desenvolvimento cognitivo, psíquico e social do sujeito surdo. 
Além disso, a ideia é esclarecer que o surdez sozinha não acarreta problemas 
cognitivos, como por exemplo, a ausência de raciocínio abstrato, dentre outros. 
Então, venha, embarque nesta trilha de novos conhecimentos! 
 
Desenvolvimento cognitivo no surdo 
 
Acadêmico(a), 
 
 
 Você sabe o que significa cognição? Vamos entender? De acordo com as 
acepções do dicionário Oxford: Sf: 1.processo ou faculdade de adquirir um 
conhecimento; 2. percepção, conhecimento (Oxford, on-line). 
Muito bem, agora que você já sabe o significado desse termo, faz-se necessário 
entender como acontece esse processo no sujeito surdo. 
Especialistas que desenvolvem estudos sobre o assunto, apontam que é por meio 
da audição que se adquire a linguagem, portanto, a alteração ou mesmo a ausência 
dessa habilidade reflete em problemas comunicativos, que acarretam dificuldades no 
desenvolvimento psicossocial, cognitivo, de linguagem e ainda de fala (GOLDFELD, 
2002). 
Em décadas passadas, a partir da publicação de alguns estudos, acreditava-se 
que a surdez comprometia o desenvolvimento cognitivo, pois as crianças surdas ao 
serem expostas ao teste de QI (quociente de inteligência), apresentavam resultados 
inferiores às crianças oralistas (JAMIESON, 1999). 
O estudo de Myklebust e Britton (1951, apud JAMIESON, 1999, p. 590-609) 
apontava que, por causa da surdez, o pensamento do indivíduo era mais concreto do 
que do ouvinte, por isso, a inconformidade entre os surdos e os ouvintes era qualitativa 
e não quantitativa conforme apontava o teste de QI. 
Sobre incapacidade ou inferioridade de QI do surdo apontadas nas pesquisas em 
questão, Vygotsky (1996) destaca que o distúrbio físico em si, “defeito orgânico”, seja ele 
de qualquer ordem, reflete em problemas de interação social 
Em oposição a essas afirmações, o teórico do ensino como processo social, linha 
sócio-interacionista, Vygotsky (1996), assevera que, as análises estavam sendo 
realizadas erroneamente, uma vez que as crianças eram submetidas a testes na língua 
materna do país e não na língua mais apropriada para o surdo, como consequência, 
houve a produção de resultados insatisfatórios. O autor também criticou a técnica 
oralista, pois, na visão dele, a utilização dessa filosofia resulta em pronúncias 
fragmentadas. 
Diante dessa afirmação, infere-se que a aquisição da língua de sinais desde a 
primeira infância para a criança surda é a abordagem mais correta. Mas será que esse 
 
pensamento é unânime? Todos os especialistas no assunto acreditam que essa seja a 
melhor forma de desenvolver o cognitivo e consequentemente a linguagem da pessoa 
surda? 
Estudante, isso posto, para um melhor entendimento sobre o assunto, cabe-nos 
agora, relembrarmos as especificidades das abordagens de ensino direcionadas ao 
público-alvo dessa disciplina e as implicações de cada uma para o desenvolvimento do 
processo cognitivo. Para isso, verifique a figura a seguir: 
 
Figura 1: Abordagens de ensino 
 
 
Fonte: Produzido pela autora (baseado em QUADROS (1997). 
 
● ORALISMO: 
 
Surgiu no século XVIII, a partir da publicação de Samuel Heinicke, pai do método 
“Oralismo Puro” e fundador da primeira escola com método oralista. O autor valorizava 
a exclusividade da fala. Sobre os aspectos positivos da metodologia, os especialistas 
 
ressaltam que esse método possibilitou a disseminação de pesquisas sobre o tema 
surdez. Análises apresentadas na literatura apontam que o método apresentou efeitos 
positivos em alguns casos. No que se refere aos pontos negativos, os estudiosos 
afirmam que a abordagem é de difícil adaptação e, por isso, ocasiona déficit cognitivo. 
Além disso, nesse método há a negação à cultura surda, pois favorece a oralidade 
(CAPOVILLA, 2000). 
 
● COMUNICAÇÃO TOTAL: 
 
Teve início mais ou menos em meados dos anos 60, a partir da publicação dos 
postulados de William Stokoe, essa metodologia utiliza diversas formas de comunicação, 
tudo junto e misturado, como, por exemplo, gestos, mímicas, línguas de sinais, alfabeto 
manual, leitura labial, oralização, escrita, bimodalismo e aparelhos auditivos. Não obteve 
êxito e acarretou em problemas de entendimento linguístico, isso aponta para 
características negativas. Os aspectos positivos surgem pela aceitação da língua de 
sinais como forma de comunicação (CAPOVILLA, 2000). 
 
● BILINGUISMO: 
 
 No Brasil, teve início em meados dos 80, com os defensores e divulgadores 
dessa metodologia Stoko e Quadros. O método utiliza como elemento principal para o 
desenvolvimento da linguagem, o canal visogestual. Além disso, defende o uso da 
língua de sinais como primordial para construção da identidade do sujeito surdo. A 
abordagem em questão trabalha com duas línguas, a língua de sinais oficial, como língua 
materna (L1) e, depois, o Português, na modalidade escrita como segunda língua (L2) 
(CAPOVILLA, 2000). 
 Estudante, agora que você compreendeu as características de cada metodologia, 
é oportuno entendermos qual é o método adequado no que se refere aos aspectos 
cognitivos. 
Nas revisões da literatura sobre o assunto, observou-se que é comum os autores 
alegarem que as crianças surdas têm atraso de linguagem e, em virtude disso, elas terão 
diversos problemas de ordem cognitiva e sociais. Nesse sentido, infere-se que o 
 
conceito de linguagem, nesse caso, abrange tanto a organização do pensamento como 
as funções comunicativas, por isso, assume papel de destaque no que se refere ao 
desenvolvimento cognitivo. 
Coaduna-se, então, com essas afirmativas, os postulados do pai do sócio-
interacionismo Vygotsky (1996), para ele o pensamento e a linguagem caminham juntos, 
ou seja, a linguagem constrói o pensamento do exterior para o interior. 
Considerando o exposto, a língua de sinais tem papel dedestaque para o 
desenvolvimento de mecanismos e estratégias cognitivas, porque tem função 
semelhante à linguagem oral em relação ao ouvinte, ou seja, constitui a cognição do 
surdo (GOLDFELD, 2002). 
Nessa perspectiva, segundo os autores que desenvolvem estudos na área, o 
Bilinguismo é a metodologia mais adequada para o desenvolvimento cognitivo da criança 
surda, uma vez que, utiliza a língua de sinais como primordial para o aprendizado da 
criança surda. 
Acadêmico(a), nesse tópico, você compreendeu que o sucesso do 
desenvolvimento cognitivo no surdo está relacionado à língua de sinais. 
No próximo tópico vamos ampliar os conhecimentos sobre aquisição da linguagem 
do surdo. 
Até mais! 
 
 
2 AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM NA SURDEZ 
 
 
 
Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) ao segundo tópico desta unidade intitulado de 
“Aquisição da linguagem na surdez”. 
 Como o título sugere, nosso objetivo será entender como as crianças surdas 
adquirem a linguagem, elemento de essencial importância para um bom 
desenvolvimento cognitivo e social. 
Nos últimos anos, no que se refere ao contexto educacional, houve um aumento 
significativo de estudos linguísticos acerca da aquisição da linguagem do surdo. 
No Brasil, essa temática ganhou destaque a partir da consolidação de algumas 
reivindicações da comunidade surda, que foram consolidadas e transformadas em leis, 
como, por exemplo, a Lei nº 10.436/2002, que reconheceu a Língua Brasileira de Sinais 
(Libras) como meio legal de comunicação e expressão dos surdos, o Decreto Nº 
5.626/2005 que regulamenta a Lei nº 10.436 e, recentemente, a Lei Nº 14.191, de 3 de 
agosto de 2021, que altera a LDB nº 9.394, Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional, para dispor sobre a modalidade de educação bilíngue de surdos. 
 Para que seja possível tecer esse diálogo, primeiramente, vamos rever as 
especificidades de algumas teorias sobre a aquisição da linguagem: o gerativismo de 
Chomsky; a abordagem epigenética de Piaget e o interacionismo de Vygotsky. 
Logo após, a ênfase será dialogar sobre como o público-alvo dessa disciplina 
adquire a linguagem e quais são os entraves encontrados no decorrer do percurso. 
 
Além disso, qual a importância dessa aquisição…. 
Embarque comigo em mais essa trilha de novos conhecimentos. 
 
Teorias sobre a aquisição da linguagem 
 
Acadêmico(a), 
 
 Compreender o processo de aquisição da linguagem humana demandou muitos 
estudos, uma vez que, essa não é uma atividade muito simples, por isso, foram 
realizadas diversas pesquisas sobre o assunto, em momentos sócio-históricos 
diferentes, que resultaram em teorias que possuem diferenças e também algumas 
semelhanças. 
Para iniciar os objetivos deste tópico, vamos começar o nosso diálogo 
apresentando informações sobre as especificidades de cada teoria. 
 
● Gerativismo/ Inatismo 
 
A teoria Inatista de aquisição da linguagem de Noam Chomsky, linguista 
americano, é gerativista, baseada em uma estrutura mental/ cerebral hipotética, ainda é 
muito relevante e tem destaque no que se refere aos estudos da aquisição da linguagem. 
O autor em questão, criador da Gramática Gerativa Transformacional, publicou 
seus estudos a partir de meados dos anos 50. Chomsky (1997) defende que a criança 
nasce com equipamento físico básico (neural e estrutural), ou seja, possui um dispositivo 
de aquisição da linguagem (DAL) inato, herança genética de sua espécie, que quando 
ativado, aciona o Imput. Portanto, a criança adquire a língua materna por meio do 
contato social, quando há estímulos externos. O órgão da linguagem é constituído por 
princípios universais, chamados de Gramática Universal (GU). Esse processo resulta na 
gramática da língua à qual a criança está exposta (CHOMSKY, 1997). 
 
 
● Epigenética / Cognitivismo Construtivista 
 
 
 Essa teoria é balizada por Jean Piaget (1896 - 1980), psicólogo e suíço, 
reconhecido mundialmente como um dos pensadores mais renomados do século XX. 
Piaget afirma que existem dois mecanismos que permeiam o crescimento 
cognitivo da criança: assimilação e acomodação. É oportuno salientar que para o teórico 
esses mecanismos são complementares e indissociáveis (PIAGET, 1974). 
 
 
➢ Acomodação: A estrutura mental chamada de Esquema recebe novas 
informações do meio social e as incorpora às pré-existentes, encaixando-as às 
novas informações (PIAGET, 1974). 
 
➢ Assimilação: Esse processo refere-se à percepção e adaptação às novas 
informações, ou seja, “uma integração às estruturas prévias, que podem 
permanecer invariáveis ou modificadas por esta própria integração, mas sem 
descontinuidade com o estado precedente, acomodando-se à nova situação” 
(PIAGET, 1996, p. 13). 
 
Após entendermos esses dois conceitos, vamos compreender os postulados do 
referido autor sobre o desenvolvimento cognitivo. 
Piaget (1974), assevera que o pensamento do ser humano perpassa por quatro 
estágios até atingir a capacidade plena de raciocínio, o que acontece mais ou menos na 
idade da pré-adolescência. Ele dividiu essas fases considerando a faixa-etária e também 
os novos processos que relacionam-se à capacidade cognitiva, ou seja, com a 
construção do conhecimento na psiquê. 
 As fases propostas pelo referido autor refletem como acontece o 
desenvolvimento das estruturas cognitivas, que estão conectados à construção da 
afetividade e da socialização da criança: 
 
● Inteligência sensório-motor (0 a 2 anos): Importante fase do desenvolvimento 
cognitivo, nesse momento são construídos os processos cognitivos. 
 
● Inteligência simbólica ou pré-operatória (2 a 7-8 anos): nessa etapa, ocorre o 
processo transitório entre a inteligência sensório-motora e a inteligência 
representativa (PIAGET, 1974). 
● Inteligência operatória concreta (7-8 a 11-12 anos): nessa fase inicia-se a fase 
operatória, com a aquisição da reversibilidade lógica (PIAGET, 1974). 
● Inteligência formal (12 anos ou mais ): Construção das operações e estruturas 
de natureza concreta (PIAGET, 1974). 
 
Ainda sobre essa questão das fases do desenvolvimento, o autor destaca que os 
estágios acontecem em ordem fixa para todas as crianças. Além disso, cada estágio é 
construído sobre o anterior e, assim, concomitantemente de forma irreversível (PIAGET, 
1974). 
No que se refere à linguagem, Piaget (1974) pontua que o aparecimento da 
linguagem dá-se a partir dos 18 meses, fase da superação do estágio sensório-motor, 
neste momento, acontece o desenvolvimento da função simbólica, 
Diante do exposto, para o autor existe uma relação direta entre a linguagem e o 
pensamento, que a precede, ou seja, a linguagem possibilita a socialização e é 
considerada primordial para a infância. Em suma, a criança adquire primeiro o 
conhecimento enquanto fala, somente depois, desenvolve a linguagem (PIAGET, 1974). 
 Estudante, as informações disponibilizadas não esgotam o assunto, contudo, 
contribuem para que haja um melhor entendimento sobre a aquisição da linguagem da 
criança surda. 
 
● Interacionismo 
 
 A teoria de Vygotsky é uma das teorias mais estudadas na contemporaneidade, 
pois defende a importância da função mediadora no processo de aquisição do 
conhecimento. O autor separou os processos cognitivos em dois níveis: 
 
➢ Processos cognitivos inferiores ou no plano natural: os conhecimentos que 
acontecem naturalmente, sem mediação (VYGOTSKY, 1996). 
 
Processos cognitivos superiores ou mediados: os conhecimentos adquiridos 
por meio de interações sociais e culturais e mediadores (VYGOTSKY, 1996). 
Sobre a aquisição da linguagem essa teoria opõe-se aos postulados piagetianos, 
pois para o interacionismo, a linguagem acompanha o pensamento e não o direciona, 
conforme destaca Piaget. 
 Para Vygotsky (1996), a cognição e a linguagem não são dependentes, porque o 
pensamento evolui, inicialmente, sem a linguagem.Porém, com o crescimento 
estabelecem relação de interdependência, então, a linguagem contribui para a 
estruturação do pensamento. 
Além disso, o autor pontua que os primeiros balbucios são expressos em forma 
de comunicação, mas sem pensamento. Contudo, ele reconhece a função social da fala, 
pois o bebê produz sons para efetivar a comunicação com os pais. A partir dessas 
explicações, para a visão interacionista, na primeira infância, a criança possui um 
pensamento pré-linguístico e uma linguagem pré-intelectual (VYGOTSKY, 1996). 
 Em suma, na visão interacionista a aquisição e o desenvolvimento da linguagem 
é social e cultural, contrapondo-se à concepção de Piaget, que defende uma aquisição 
individual e biológica. 
Como o surdo adquire a linguagem? 
Estudante, agora que você compreendeu as especificidades das teorias sobre 
aquisição da linguagem, é oportuno entender como isso acontece com a criança surda. 
 O processo de aquisição da linguagem inicia-se no momento do nascimento e vai 
sendo construído no decorrer do crescimento e desenvolvimento da criança. 
 A autora renomada que desenvolve estudos sobre o assunto, Quadros (1997), 
pontua que a criança surda percorre até certo ponto o período pré-linguístico 
expressando os balbucios (silábico e a gesticulação) da mesma forma que a ouvinte, pois 
esse é um processo inata do ser humano. Contudo, com os bebês surdos isso acontece 
até um determinado momento, pois as expressões cessam em virtude do input 
linguístico. 
 
 Por volta dos 12 meses de vida, o bebê está transitando entre os estágios pré-
linguísticos (sons produzidos não são associados a nenhum significado) e o linguístico. 
Na fase linguística, configura-se a aquisição dos primeiros sinais, que são manifestados 
pela criança para se comunicarem com os pais. Esse processo acontece igualmente 
tanto com crianças ouvintes como com crianças surdas. 
 De acordo com a concepção defendida por Lyons (1987), aquisição da linguagem 
é um processo natural determinado pelo meio, ou seja, pela língua nativa. Diante disso, 
infere-se que a criança surda, filhas de pais surdos, que utilizam no contexto familiar a 
língua de sinais, adquirirá essa língua natural e igualmente a uma criança ouvinte que 
adquire a língua utilizada pelos pais diariamente. 
 Isso posto, é importante destacar que em decorrência de fatores clínicos, como o 
bloqueio sensorial e sonoro, o surdo não desenvolverá uma fala natural, mesmo havendo 
a possibilidade de aprendizagem, nunca terá a mesma habilidade de uma pessoa 
ouvinte. 
 Assim sendo, a criança surda desenvolve sua linguagem naturalmente e realiza a 
comunicação por meio de gestos, do choro, olhar, contudo, não manifesta sua 
comunicação oralmente. Por isso, de acordo com as acepções vygotskyana, o surdo 
precisa ter contato desde a primeira infância com uma língua que proporcione a 
integração social e, não apenas a reprodução de palavras, no caso da utilização do 
oralismo. Nesse sentido, justifica-se a utilização da língua de sinais, pois ela é natural 
para a criança surda. 
 No próximo tópico, a ênfase será dialogar sobre a aquisição da língua de sinais 
pela criança surda. 
Até mais! 
 
 
 
3 AQUISIÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS 
 
 
 
Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) ao terceiro tópico dessa unidade, intitulado de 
“Aquisição da Língua de Sinais”. 
 Existem diversos estudos sobre o assunto, contudo, na maioria das vezes, para 
uma uma melhor análise do processo de aquisição da língua, as crianças são 
categorizadas, ou seja, separadas em grupos e, a essa divisão, decorre da diferença de 
alguns aspectos, como, por exemplo, crianças surdas com pais surdos (ou somente o 
pai ou a mãe) ou crianças surdas com pais ouvintes etc.. Segundo os especialistas no 
assunto, essas diversidades sociais refletem no processo de aquisição da linguagem, por 
isso, precisam ser consideradas e analisadas separadamente (QUADROS, 1997). 
 Portanto, no tópico em questão, a ideia é apresentar informações sobre a 
aquisição da língua de sinais a partir dos pressupostos de Vygotsky (1996), considerando 
a aquisição da linguagem por meio da interação com pessoas surdas. 
 
A Língua de sinais 
 
 
 Acadêmico(a), para um melhor entendimento sobre o assunto, vamos relembrar 
alguns aspectos importantes sobre a língua de sinais brasileira. 
 A Libras possui origem na francesa LSF, porque foi através do professor francês 
Eduard Huet, que a língua de sinais chegou ao Brasil. Ele criou a primeira escola de 
surdos no país, o Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES). 
 A língua em questão foi reconhecida oficialmente como uma Língua Brasileira de 
Sinais, em 2002, pela Lei nº 10.436 e, depois, regulamentada pelo Decreto Nº 
5.626/2005. 
 Sobre as características da Libras, na da Lei nº 10.436, Parágrafo único, Art. 1o 
encontramos as seguintes informações: é uma forma de comunicação e expressão, na 
qual o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, 
constituem um sistema linguístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de 
comunidades de pessoas surdas do Brasil. 
 
Acadêmico(a), 
 
 Agora, vamos entender como acontece a aquisição da língua de sinais brasileira, 
Libras. 
 A partir de uma revisão da literatura especializada sobre o assunto, infere-se que 
a aquisição das línguas de sinais acontece naturalmente para os surdos, por meio da 
interação social. 
Dentre muitos autores que compartilham estudos sobre o assunto, Ferreira-Brito 
e Santos (1996) asseveram que a aquisição da Libras é essencial para o 
desenvolvimento de habilidades cognitivas e semânticas da criança surda. 
Contudo, a autora renomada no assunto, pontua que “As línguas de sinais, apesar 
de apresentarem algumas formas icônicas, são altamente complexas. O uso de 
mecanismos sintáticos espaciais evidenciam a recursividade e complexidade de tais 
línguas (QUADROS, 1997). 
Uma revisão bibliográfica seletiva sobre o assunto indica que o ser humano, surdo, 
ou não, possui uma capacidade linguística que alicerça a aquisição da linguagem 
 
independente da modalidade da língua. Nesse sentido, confira as informações sobre os 
estágios de aquisição da língua, a partir das acepções de (QUADROS e CRUZ, 2011): 
 
● Pré-linguístico: (entre 12 e 24 meses): também conhecido como estágio de um 
sinal, neste momento, os bebês surdos fazem uso da linguagem não verbal para 
se comunicar e expressar emoções: apontar, segurar, olhar e tocar. 
 
● Primeiras combinações (2 anos até 3 anos): agora, a criança já sinaliza com 
dois ou três sinais, pois está adquirindo, naturalmente, a língua utilizada no 
contexto familiar, a Libras, no caso do Brasil. 
 
● Múltiplas Combinações (2 anos e seis meses até 3 três anos): nesse período, 
conhecido como explosão do vocabulário, ela já possui conhecimentos sobre 
gestos e compreende o que acontece à sua volta. 
 
● Estabelece comunicação clara (entre seis e sete anos): isso somente 
acontece se o surdo tiver estímulos linguísticos e sociais para a aquisição da 
língua de sinais. É importante salientar que a ausência do contato natural com a 
língua ocasionará diversos problemas de comunicação. 
 
Coaduna-se com essas reflexões sobre a importância do contato desde a primeira 
infância com a língua de sinais as determinações da Lei nº 14.191/2021, que altera a 
Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre a 
modalidade de educação bilíngue de surdos. 
 
CAPÍTULO V-A. DA EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS. Art. 60-A. 
Entende-se por educação bilíngue de surdos, para os efeitos desta Lei, a 
modalidade de educação escolar oferecida em Língua Brasileira de Sinais 
(Libras), como primeira língua, e em português escrito, como segunda 
língua, em escolas bilíngues de surdos, classes bilíngues de surdos, 
escolas comuns ou em polosde educação bilíngue de surdos, para 
educandos surdos, surdo-cegos, com deficiência auditiva sinalizantes, 
surdos com altas habilidades ou superdotação ou com outras deficiências 
associadas, optantes pela modalidade de educação bilíngue de surdos 
 
[...] § 2º A oferta de educação bilíngue de surdos terá início ao zero ano, 
na educação infantil, e se estenderá ao longo da vida (BRASIL, 2021). 
 
Diante do exposto, fica evidente que o estímulo e o contato com a língua de sinais 
desde os primeiros momentos de vida é de essencial importância para o desenvolvimento 
cognitivo e linguístico da criança surda. 
Assim, finalizamos este tópico com o desejo de que você tenha compreendido 
como a criança surda adquire a língua de sinais, como também, a importância da 
socialização para a aquisição da linguagem, uma vez que toda pessoa possui capacidade 
linguística, mas precisa de estímulo para que a linguagem seja desenvolvida 
eficazmente. 
Até mais! 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
PAIS OUVINTES, FILHO SURDO: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS NA AQUISIÇÃO 
DA LÍNGUA DE SINAIS COMO PRIMEIRA LÍNGUA 
 
Esta pesquisa analisa o processo de aquisição de linguagem de uma criança surda filha 
de pais ouvintes. O referencial teórico parte das discussões sobre teorias de aquisição 
da linguagem por surdos. A metodologia empregada é qualitativa, por meio de um estudo 
de caso que investiga fatores linguísticos e sociais no processo de aquisição de 
linguagem de uma criança surda. Foram feitas observações sobre a comunicação entre 
a criança surda e sua mãe ouvinte e foi coletado um questionário com o objetivo de saber 
a opinião da mãe a respeito de questões de aquisição de língua por sua filha surda. Os 
resultados indicam que a criança surda se comunica com a mãe mais por meio de gestos, 
gestos caseiros e língua oral do que por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). 
Porém, quando há necessidade veemente de que mãe e filha se entendam, é feito o uso 
de gestos ou da Libras. Em consonância com os autores visitados, percebeu-se a 
necessidade do uso da língua de sinais como primeira língua dessa criança surda para 
uma efetiva e eficaz comunicação com a sua mãe. Dessa forma, este trabalho contribui 
para que a comunidade em geral e os pais ouvintes de crianças surdas conheçam o 
processo de aquisição de língua de seus filhos e busquem, a partir de estudos realizados 
aqui, a maneira mais saudável de estimular seus filhos a se comunicarem e se 
desenvolverem linguisticamente. 
 
Dê um click para saber mais: 
https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/41493 
 
Fonte: SANTOS, L. R. de L.; CARVALHO, D. M. PAIS OUVINTES, FILHO SURDO: CAUSAS E 
CONSEQUÊNCIAS NA AQUISIÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS COMO PRIMEIRA LÍNGUA. Revista 
Sinalizar, [S. l.], v. 1, n. 2, p. 190–203, 2016. DOI: 10.5216/rs.v1i2.41493. Disponível em: 
https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/41493. Acesso em: 7 dez. 2021. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
REFLITA 
https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/41493
 
 
Estudante, 
 
 No decorrer desta unidade você adquiriu conhecimentos sobre como a criança 
surda adquire a linguagem. Em posse desses conhecimentos, leia, analise e reflita sobre: 
Se a criança surda não tiver estímulos precoces, tanto sociais quanto 
linguísticos, isso pode causar problemas de comunicação, no que se refere ao 
aprendizado da língua de sinais? Reflita! 
 
Fonte: produzido pela autora, baseado em (QUADROS, 1997). 
 
#REFLITA# 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Estudante, olá! 
 
 Chegamos ao final desta terceira unidade. Neste estudo, discutimos sobre muitos 
sobre o processo de aquisição da linguagem da criança surda. 
 Para que isso fosse possível, no primeiro tópico, foram disponibilizadas 
informações sobre os aspectos relacionados ao desenvolvimento cognitivo, psíquico e 
social do sujeito surdo. Então, você entendeu que a surdez, sozinha, não acarreta 
problemas cognitivos, como, por exemplo, a ausência de raciocínio abstrato, dentre 
outros. Diante disso, evidencia-se que a inteligência do surdo está preservada. 
 No segundo tópico, aprofundamos o diálogo e disponibilizamos informações sobre 
diversas teorias de aquisição da linguagem e compreendemos que, de acordo com a 
perspectiva vigotskiana, a criança surda precisa ter contato desde a primeira infância 
com a língua de sinais como primeira língua para que desenvolva uma boa comunicação. 
 Por fim, no último tópico, discutimos especificamente sobre o processo de 
aquisição da língua de sinais e a importância da socialização e do contato com a língua 
materna desde cedo, pois é por meio da linguagem que acontecem as interações sociais. 
Diante disso, há a necessidade possibilitar que a criança surda estabeleça essas 
relações por meio de uma língua que seja natural para ela e não forçada como a 
oralidade. 
 Enfim, os conteúdos disponibilizados não esgotam o assunto, mas proporcionam 
novos conhecimentos e, também abrem portas para novas descobertas. 
 Até mais! 
 
 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Desenvolvimento cognitivo do surdo e aquisição da Língua de Sinais 
 
Este estudo tem como objetivo entender como ocorre o processo de desenvolvimento 
linguístico dos surdos na perspectiva de Vygotsky sobre a interligação entre cognição 
e o contato com a língua e na ótica de Chomsky, que defende a faculdade biológica da 
linguagem.Para isso, realizou-se uma pesquisa de cunho bibliográfico com o intuito 
de conhecer mais sobre os circuitos neurais, a capacidade cognitiva, a disposição 
inata para linguagem e a influência da interação social das pessoas com surdez.Como 
evidenciam estudos realizados, os surdos não são impossibilitados de aprender. 
Apenas têm possibilidades distintas e a necessidade de uma exposição adequada 
a sua língua materna para melhor desenvolvimento de seu potencial 
linguístico.Palavras-chave:Surdo. Linguagem. Cognição. [...] Foi possível observar que 
a aquisição linguística,tanto das línguas de sinais quanto das línguas orais, têm um 
processo semelhante e complexo. Além disso, evidenciou-se, através das pesquisas 
desenvolvidas, que os surdos têm todas as capacidades orgânicas necessárias para 
aquisição do desenvolvimento linguístico e cognitivo. As dificuldades encontradas por 
eles estão relacionadas às barreiras linguísticas, muitas vezes, encontradas desde a 
infância, no seio familiar. Compreende-se, portanto,que a ausência de relações sociais 
apropriadas ao diferencial linguístico da pessoa com surdez é o que produz prejuízos 
não só de caráter linguístico, mas também cognitivos e emocionais e não qualquer 
incapacidade biológica. Quanto ao desempenho linguístico,o surdo pode se tornar 
amplamente fluente desde que tenha convívio social e seja exposto à experiências 
linguísticas com outros surdos sem privações, possibilitando, assim, a construção da 
sua própria identidade. 
Para ler na íntegra, dê um click: 
 
Fonte: VARGAS, V. da S.; MOSER, D. A. Desenvolvimento cognitivo do surdo e aquisição da Língua de 
Sinais. Revista Sinalizar, [S. l.], v. 5, 2020. DOI: 10.5216/rs.v5.65749. 
Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/65749. Acesso em: 1 dez. 2021. 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 
• Título: Ferramenta Didática e Lúdica Para Intensificar o Aprendizado da Língua 
Brasileira de Sinais 
• Autor: Melquisedeque Oliveira Silva Almeida; 
• Editora: Editora da UESC; 
• Sinopse: Com uma linguagem fácil e lúdica, o livro busca tornar conhecida a Língua 
Brasileira de Sinais - Libras, por meio do conhecimento da sua história, da língua 
propriamente dita e da escrita. Tendo como base o sistema Signwriting, contribui para o 
ensino prático de estudantes de diversas áreas do conhecimento e interessados, sendo 
eles surdos ou ouvintes.FILME/VÍDEO 
 
• Título: E seu nome é Jonas 
• Ano: 1979 
• Sinopse: O filme mostra a triste realidade de quando a Língua de Sinais era proibida, 
e Jonas, devido a privação da linguagem, não conseguia se comunicar, e teve alguns 
anos da sua vida perdida ao ser internado em um hospital para pessoas com deficiência 
intelectual. 
• Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=pc8mM0DHRB4 
 
 
 
 
 
 
WEB 
 
 
• Apresentação do link: A Revista Sinalizar é uma publicação do Curso de Letras: Libras 
e do Curso de Letras: Tradução e Interpretação em Libras/Português da Faculdade de 
Letras da Universidade Federal de Goiás (UFG). Foi idealizada com o propósito de 
tornar-se um espaço de acolhimento e divulgação de artigos, resenhas, traduções e 
entrevistas relacionados a temas como: Linguística das línguas de sinais e da Libras, 
Tradução e Interpretação entre as línguas de sinais e entre línguas orais e línguas de 
sinais, Escrita de Sinais, ELiS (Sistema Brasileiro de Escrita de Sinais), Literatura Surda, 
Literatura para surdos, Educação de Surdos e temas afins no campo das ciências 
humanas. 
• Link do site: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/about. 
 
 
https://www.revistas.ufg.br/revsinal/about
 
REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de 
Sinais e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 25 abr. 2002. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 
12 dez. 2021. 
 
BRASIL. Lei nº 14.191, de 3 de Agosto de 2021. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre 
a modalidade de educação bilíngue de surdos. Disponível em: 
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.191-de-3-de-agosto-de-2021-336083749. 
Acesso em: Acesso em 12 dez. 2021. 
 
CAPOVILLA, F. C. (2000). Filosofias educacionais em relação ao surdo: do oralismo 
à comunicação total ao bilinguismo. Revista Brasileira de Educação Especial, v.6, n.1, 
2000. Disponível em: https://abpee.net/pdf/artigos/art-6-6.pdf. Acesso em: 12 dez. 2021. 
 
CHOMSKY, Noam. Linguagem e pensamento. 4. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1997. 
 
FERREIRA-BRITO, L.; SANTOS, D.V. A importância das línguas de sinais para o 
desenvolvimento da escrita pelos surdos. In: CICCONE, M.M.C. Comunicação Total – 
introdução, estratégia, à pessoa surda. 2. ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1996. 
p. 152-69. 
 
GOLDFELD, M. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-
interacionista. 2. ed. São Paulo: Plexus, 2002. 
 
JAMIESON, J.R. O impacto da deficiência auditiva. In: KATZ, J. (Ed.) Tratado de 
Audiologia clínica. 4. ed. São Paulo: Manole, 1999. p. 590-609. 
 
LYONS, J. Linguagem e Linguística: Uma Introdução. Rio de Janeiro: Guanabara, 
1987. 
 
PIAGET, Jean. Biologia e Conhecimento. 2ª Ed. Vozes : Petrópolis, 1996. 
 
PIAGET, Jean. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro, Zahar, 
1974. 
 
QUADROS, Ronice Müller; CRUZ, Carina Rabello. Língua de sinais: instrumentos 
de avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2011. 
 
QUADROS, R. M. De Educação de surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre. 
Artes Médicas. 1997. 
 
SANTOS, L. R. de L.; CARVALHO, D. M. PAIS OUVINTES, FILHO SURDO: CAUSAS 
E CONSEQUÊNCIAS NA AQUISIÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS COMO PRIMEIRA 
 
LÍNGUA. Revista Sinalizar, [S. l.], v. 1, n. 2, p. 190–203, 2016. DOI: 
10.5216/rs.v1i2.41493. Disponível em: 
https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/41493. Acesso em: 7 dez. 2021. 
 
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos 
psicológicos superiores. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. 
 
VARGAS, V. da S.; MOSER, D. A. Desenvolvimento cognitivo do surdo e aquisição da 
Língua de Sinais. Revista Sinalizar, [S. l.], v. 5, 2020. DOI: 10.5216/rs.v5.65749. 
Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/revsinal/article/view/65749. Acesso em: 1 
dez. 2021. 
 
 
UNIDADE IV 
LÍNGUA EM TRANSFORMAÇÃO 
Professora Mestre Greicy Juliana Moreira 
 
 
Plano de Estudo: 
● Processos de formação de sinais; 
● Variação linguística na Libras; 
● Figuras de linguagem em Libras. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
• Conceituar e contextualizar os processos de formação de sinais; 
• Compreender os tipos de Variação linguística na Libras; 
• Conhecer as figuras de linguagem em Libras. 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
 Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) à quarta e última unidade desta disciplina, intitulada de 
“TIPOS DE CULTURA SURDA E SUAS IDENTIDADES”. 
 A ênfase é ampliar o conhecimento sobre a cultura surda e suas identidades. 
Além disso, dialogar sobre a importância de conhecer e compreender as especificidades 
do contexto social do surdo. 
Para facilitar o seu entendimento sobre o assunto em questão, os conteúdos 
abordados foram didaticamente separados em três tópicos. 
No primeiro momento, Tópico Um (1), intitulado de “Processos de formação de 
sinais”, e a ideia central será apresentar informações sobre como são configurados os 
sinais e os cinco parâmetros da língua de sinais. 
Posteriormente, no segundo tópico, intitulado de “Variação linguística na 
Libras”, o intuito é revelar como acontecem essas variações que decorrem do espaço 
social, do tempo e das necessidades da comunidade surda. 
Por fim, no terceiro tópico, denominado de “Figuras de linguagem em Libras”, 
a finalidade é explicar as características da metáfora e da metonímia na língua de sinais. 
Então, venha comigo, embarque nessa jornada pelo maravilhoso contexto social 
do surdo. Encontro você logo ali, no primeiro tópico. 
Até mais! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE SINAIS 
 
 
 
Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) ao primeiro tópico desta última unidade, intitulado de 
“Processos de formação de sinais''. 
Dialogar e refletir sobre esse tema é de essencial importância para todo 
profissional que desenvolve sua prática profissional com o surdo e/ou deficiente auditivo, 
público-alvo em questão nesta disciplina. 
 Na língua de sinais, como em qualquer outra língua, seja ela oral e/ou viso-
gestual, existe o processo de formação de palavras, a diferença é que na Libras esse 
processo é realizado por meio da construção dos sinais. 
Então, os sinais são formados pela combinação dos movimentos realizados pelas 
mãos e os pontos no corpo ou no espaço onde esses sinais são produzidos. 
Venha comigo, vamos descobrir juntos como acontece esse processo linguístico. 
Até mais !!! 
 
Processos que formam os sinais 
 
 Acadêmico(a), Os sinais são formados entre a combinação do movimento com a 
forma das mãos concomitantemente com pontos no corpo ou mesmo no espaço, local 
onde são realizados os sinais. Além desses aspectos, faz parte do processo 
comunicativo as expressões faciais que juntamente com os sinais completam a 
comunicação. 
Para que você entenda como acontece o processo de formação de palavras, 
primeiramente, é necessário rever alguns conceitos sobre os parâmetros para a 
formação dos sinais. 
 
 Os parâmetros são elementos que se combinam, simultaneamente, para construir 
as palavras e frases em Libras. Você sabe quais são eles? Confira na figura a seguir. 
 
Figura 1: Parâmetros que formam os sinais 
 
 
Fonte: Produzido pela autora com base em (FELIPE; MONTEIRO, 2007) 
 
 
● Ponto ou local de articulação: é o local de realização do sinal, a ideia é tocar 
alguma parte do corpo, ou mesmo espaço neutro vertical (do meio do corpo à 
cabeça) e horizontal (à frente do emissor) (FELIPE e MONTEIRO, 2007). 
 
● Configuração das mãos: esse elemento refere-se à posição dos dedos. Sugere-
se que seja realizado, preferencialmente, com a mão direita para destros e 
 
esquerda para canhotos), ou mesmo, com as duas mãos, em alguns casos. 
ATENÇÃO: existem sinais que são realizados da mesma forma, portanto, a 
diferença será constatadaa partir da indicação em alguma parte do corpo ou 
ainda, no espaço neutro. Confira as 64 configurações de mão da Libras (FELIPE 
e MONTEIRO, 2007). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1: 64 configurações de mão da Libras 
 
 
Fonte: (FELIPE e MONTEIRO, 2007). 
 
● O movimento: esse quesito diz respeito à forma como as mãos se movimentam 
e também, em qual direção (direita/esquerda, frente/atrás). Além disso, é 
importante salientar que os sinais podem ter ou não movimentos, ou seja, alguns 
serão estáticos e outros não (FELIPE e MONTEIRO, 2007). 
 
● Expressão facial e/ou corporal: essa categoria é conhecida como componentes 
não manuais, uma vez que inclui outros aspectos da linguagem não-verbal que 
funcionam como complemento para mensagem expressa pelos outros elementos 
que compõem os parâmetros da Libras. Para Felipe e Monteiro (2007, p. 27) "Na 
combinação destes quatro parâmetros, ou cinco, tem-se o sinal. Falar com as 
mãos é, portanto, combinar estes elementos para formarem as palavras e estas 
 
formarem as frases em um contexto". Confira a explicação de outra especialista 
que desenvolve estudos sobre esses elementos: 
 
 
Rosto: Parte superior: sobrancelhas franzidas; olhos arregalados; lance 
de olhos; sobrancelhas levantadas. Parte inferior: bochechas infladas; 
bochechas contraídas; lábios; Cabeça: Movimento de assentimento 
(sim); movimento de negação; inclinação para frente; inclinação para o 
lado; inclinação para trás; Rosto e cabeça: Cabeça projetada para frente; 
olhos levemente cerrados, sobrancelhas franzidas; cabeça projetada 
para trás e olhos arregalados; Tronco: Para frente; para trás; 
balanceamento alternado (ou simultâneo) dos ombros (FERREIRA-
BRITO, 1995, p. 242). 
 
● Orientação/direcionalidade: esse elemento refere-se à direção que a palma da 
mão será direcionada. Importante salientar, que a mudança da forma de expressar 
o parâmetro reflete na mudança de significado do sinal. 
 
Estudante, agora que você já relembrou as especificidades dos cinco parâmetros 
da Libras, faz-se necessário que você entenda como os sinais são formados. 
 
Morfologia 
 
 A morfologia em Língua Portuguesa diz respeito à área da linguística que tem 
como objetivo estudar a forma, a estrutura e a classificação das palavras de maneira 
isolada, ou seja, desconectada do contexto no qual a palavra foi utilizada. Nesse sentido, 
opõe-se à sintaxe, que analisa o emprego da palavra na oração. 
Confira a explicação que consta no dicionário de linguística sobre a Morfologia. 
 
A morfologia é a descrição das regras que regem a estrutura interna das 
palavras, isto é, as regras de combinação entre os morfemas raízes para 
construir ‘palavras’ (regras de formação das palavras) e a descrição das 
formas diversas que tomam essas palavras conforme a categoria de 
número, gênero, tempo, pessoa [...] (DUBOIS et al., 1989, p. 421). 
 
 
No que se refere à língua de sinais, a categoria em questão é semelhante à 
morfologia das línguas orais, ou seja, estuda a estrutura interna dos sinais. (QUADROS; 
KARNOPP, 2004). 
Especialistas que desenvolvem estudos sobre o assunto pontuam que, de acordo 
com os estudos linguísticos, a morfologia possui duas categorias distintas: sequencial e 
a simultânea (QUADROS; KARNOPP, 2004): 
 
Sequencial: nessa categoria, existe a combinação sequencial de morfemas, um a um. 
É oportuno salientar que nas línguas de sinais esse processo não é muito comum e isso 
se difere das línguas orais, pois existe a ocorrência desse processo com mais frequência. 
 
Simultânea: nessa especificidade da morfologia os morfemas combinam-se 
concomitantemente, ou seja, juntos e isso ocorre com frequência nas línguas de sinais). 
 
 Estudante, confira no quadro, abaixo, um resumo sobre as categorias da 
morfologia. 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 1: Categorias da morfologia 
 
 
Fonte: (FERREIRA, S., FERREIRA, M., 2016). 
 
Estudante, agora que você entendeu as especificidades da morfologia, que 
estuda o processo de estrutura e formação das palavras. Vamos refletir sobre o 
processo de formação de sinais em Libras. 
Em Libras o processo de formação de palavras acontece por meio da combinação 
entre os morfemas lexicais e os morfemas gramaticais ou derivacionais. Dessa forma, a 
utilização dos cinco parâmetros das línguas de sinais denotam os morfemas. Então, por 
meio dessas combinações de morfemas são construídos os itens (FELIPE; MONTEIRO, 
2007). 
Além disso, na Libras, como em qualquer outra língua, existe o processo 
derivacional, que formam novas palavras: derivação, composição e incorporação. 
Em suma, nas línguas de sinais, o processo de formação de palavras utiliza os 
elementos dos cinco parâmetros para compor os sinais. 
Até mais! 
 
 
SAIBA MAIS 
 
 
Acadêmico(a), a ausência de sinais nos termos de Ciências originou a construção do 
“Manual de libras para ciências: a célula e o corpo humano”. O manual tem como objetivo 
criar sinais para os termos de Ciências que não existem em LIBRAS, melhorando o 
ensino e a aprendizagem neste campo do conhecimento. Esse material foi produzido 
pelos alunos da Universidade Federal do Piauí. 
 
Para conhecê-lo na íntegra, dê um click: 
 
Fonte: ILES, Bruno. OLIVEIRA, Taiane Maria de. SANTOS, Rosemary Meneses dos. LEMOS, Jesus 
Rodrigues. Org. Manual de libras para ciências: a célula e o corpo humano. Teresina: EDUFPI, 2019. 
Disponível em: https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_-
_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-
_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf. Acesso em: 18 dez. 2021. 
 
#SAIBA MAIS# 
https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf
https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf
https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf
 
 
2 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA LIBRAS 
 
I 
 
Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) ao segundo tópico desta unidade, denominado de 
“Variação linguística na Libras”. 
 Na Libras, como na Língua Portuguesa, existem variações linguísticas, ou seja, 
as palavras e os sinais apresentam variações de significados de acordo com a região 
onde estão sendo utilizados. 
 Diante disso, o foco, nesse momento, é possibilitar o entendimento e a reflexão 
sobre o desenvolvimento dos diferentes usos dos sinais, em Libras, em diversos 
contextos sociais. 
 
Variação linguística em Libras 
 
 Para iniciarmos os estudos sobre o assunto, é oportuno relembrarmos algumas 
particularidades sobre variações linguísticas. 
 
 Entende-se por variação linguística fenômeno de mudança e variação natural de 
uma língua, que decorre da interferência de aspectos históricos, sociais e culturais. 
Assim, para simplificar, é a maneira como os falantes da língua expressam e utilizam as 
palavras, em determinada esfera social, determinado contexto geográfico e sociocultural 
(TRAVAGLIA, 2000). 
 
 No que se refere aos níveis de variações linguísticas, destacam-se (TRAVAGLIA, 
2000). 
 
● Fonético-fonológico: diversidade na forma de pronunciar palavras ou 
expressões. 
● Morfossintático: variação na forma das palavras ou em sua organização nos 
períodos. 
● Vocabular: diferentes palavras utilizadas para designar um mesmo objeto. 
● Semântico: variação no sentido que as palavras sejam de ordem histórica, 
geográfica, grupo social etc. 
 
 Quanto aos tipos de variações, são consideradas: histórica, geográfica, social, 
situacional (TRAVAGLIA, 2000). 
 
Estudar esse processo em Libras é muito interessante, contudo, como salientam 
os especialistas no assunto, esse processo não é simples e demanda muitas análises. 
As variações decorrem de aspectoshistóricos sobre a comunidade surda, uma vez que, 
são diferenças que uma mesma língua apresenta quando é utilizada, de acordo com as 
condições sociais, culturais, regionais e históricas. 
Essa afirmação pode ser legitimada a partir dos postulados de Strobel (2009), ao 
salientar que a língua está sempre conectada à cultura, então, a língua de sinais é a 
expressão e identidade da comunidade surda. 
Nesse sentido, Stokoe (2005) assevera que as variações linguísticas das línguas 
de sinais, acontecem por meio de características específicas, ou seja, elas acontecem 
a partir do contexto social no qual o indivíduo está inserido, como também, repertório 
 
linguístico que ele foi exposto durante o processo de aquisição da linguagem. Nesse 
sentido, o autor destaca algumas especificidades de variações linguísticas: 
 
1) Sintonização da sinalização do locutor com o interlocutor (escolhas lexicais, forma de 
sinalização); 
2) Convenção de sinais, acordos no uso de vocabulários ainda não convencionados; 
3) Simultaneidade na sinalização e intensificador; 
4) Contexto de comunicação; 
5) Indivíduo nativo (produção natural) ou não; 
6) Variável social (classe social, idade, escolarização, profissão); 
7) Variável no grau de formalidade (registro formal ou informal). Por estes motivos são 
incluídos os classificadores em língua de sinais. 
 
Para ilustrar o que foi dito, apresentamos um exemplo de variação lexical na 
Língua Brasileira de Sinais: 
 
Figura 2: Variação lexical na Libras 
 
Fonte: Capovilla (2006). 
 
 Conforme você observou na imagem n.1, a imagem do lado esquerdo, representa 
a sinalização da cor verde com as duas mãos (mão de cima ativa / mão de baixo passiva). 
Essa forma de representação é utilizada em algumas regiões, como por exemplo, no Rio 
de Janeiro/RJ, Minas Gerais/MG, Mato Grosso do Sul/MS, Paraná/PR, Bahia/BA, 
Ceará/CE e no Distrito Federal/DF (CAPOVILLA, 2006) . 
 
Diferentemente, a imagem da direita expressa a cor verde realizando o 
movimento de com configuração de mão utilizando apenas uma mão. Essa variação é 
mais encontrada nos estados de São Paulo e no Rio Grande do Sul (CAPOVILLA, 2006) 
. 
Um outro exemplo, é a variação diacrônica, que na língua portuguesa, significa a 
modificação da escrita da palavra com o passar do tempo. Na Libras, esse tipo de 
variação pode ser constatada na expressão do sinal da palavra água. Anteriormente, o 
sinal expressava uma água sendo retirada do poço, já, atualmente, o referido sinal 
expressa a aproximação com a água bebida no bebedouro. 
 
Figura 3: Sinal atual da palavra “água” 
 
 
 
Fonte: (CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001, p.167) 
 
 A variação linguística, conforme dito anteriormente, ocorre no decorrer do tempo 
para satisfazer as necessidades dos falantes da língua. 
Confira, no próximo exemplo, a nova forma linguística utilizada para expressar a 
palavra café: 
 
Figura 4: Alterações do sinal da palavra “café” 
 
 
 
Fonte: Diniz (2011). 
 
Como você pode perceber a partir da análise da imagem n.3, houve uma mudança 
lexical, pois houve uma alteração na configuração de mão por outra. De acordo com a 
explicação do especialista no assunto, da esquerda para a direita, a primeira imagem 
apresenta um sinal que expressa um moedor de café. Essa configuração justifica-se, 
porque, em tempos passados, o café não era vendido moído conforme compramos hoje. 
Diante disso, após analisar as outras duas imagens, houve uma mudança lexical, já que 
a última imagem representa uma xícara de café sendo levada à boca. (DINIZ, 2011). 
Diante do exposto, infere-se que as alterações apresentadas comprovam que a 
Libras, como a Língua Portuguesa, sofre alterações, ou seja, possui variações 
linguísticas, que decorrem do tempo, como de outros aspectos, como já foi explicado 
anteriormente. 
 
REFLITA 
 
Estudante, como você pôde perceber, a Libras possui variações e alterações 
linguísticas que decorrem de diversos fatores. A variação diastrástica é caracterizada 
pelas diferenças dos diversos grupos sociais, configurando variações sociais, como por 
exemplo, gírias, jargões, etc. Nesse sentido, você já refletiu sobre como são expressas 
os sinais de gírias pelo grupo social LGBT? Reflita sobre isso! 
Para saber mais sobre o assunto, acesse o link: 
https://www.youtube.com/watch?v=mUwnOMZxTsM 
 
 
KITANA DREAMS..Gírias LGBT em LIBRAS: parte 2. Youtube BR, 2016. Disponível 
em: https://www.youtube.com/watch?v=mUwnOMZxTsM. Acesso em: 20 out. 2021. 
 
Fonte: elaborado pela autora com base em (YOUTUBE, 2016). 
 
#REFLITA# 
 
 
3 FIGURAS DE LINGUAGEM EM LIBRAS 
 
 
Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) ao terceiro e último tópico desta unidade, intitulado de 
“Figuras de linguagem em Libras”. 
 Neste momento, a ênfase será identificar alguns tipos de figuras de linguagem 
existentes na Libras e compará-las aos conceitos expressos na Língua Portuguesa. 
 Assim, o recorte que será utilizado neste tópico é apresentar informações sobre 
as figuras de linguagem de palavras ou tropos, como, por exemplo, a metáfora e a 
metonímia. 
 Nesse sentido, os conteúdos foram didaticamente organizados para uma melhor 
entendimento sobre o assunto. 
 Venha comigo, embarque em mais essa viagem pelo fantástico mundo das figuras 
de linguagens do mundo surdo. 
 Até mais! 
 
Figuras de linguagem 
 
 
 As figuras de linguagem também conhecidas como figuras de estilo são recursos 
utilizados na comunicação em geral para expressar pensamentos que, geralmente, 
diferem do significado literal das palavras. 
 De acordo com os especialistas no assunto, elas são classificadas como: 
 
• Figuras de palavras: refere-se ao significado das palavras, ou seja, à semântica, 
são elas: 
1. Metáfora; 
2. Metonímia; 
3. Comparação; 
4. Sinestesia; 
5. Catacrese. 
 
• Figuras de pensamento: está relacionada à combinação de pensamentos: 
1. Hipérbole; 
2. Eufemismo; 
3. Ironia; 
4. Antítese; 
5. Paradoxo; 
6. Prosopopeia ou personificação 
 
• Figuras de sintaxe: alteram a estrutura gramatical: 
1. Elipse; 
2. Pleonasmo; 
 
• Figuras de som: relaciona-se à sonoridade, são elas: 
1. Onomatopéia; 
2. Aliteração. 
 
 
Acadêmico(a), para o nosso estudo sobre as figuras de linguagem em Libras, 
vamos apresentar informações sobre as figuras de pensamento, mais especificamente, 
sobre a metáfora e a metonímia. 
 
Metáfora 
 
 Como os surdos entendem metáforas? Você sabe? Vamos descobrir? 
Especialistas no assunto salientam que sim, o surdo consegue entender as metáforas 
da língua portuguesa, contudo, é imprescindível uma atuação precisa do intérprete para 
fazê-lo entender com exatidão. Por isso, o profissional precisa utilizar informações da 
cultura surda, para auxiliar na tradução e interpretação para se fazer entendido. Sobre 
isso, confira a explicação do autor que apresenta estudos nessa área: 
 
 
A atividade do tradutor pode ser pensada como um ato marcado pelo 
dilema de evitar tanto impor o modo de ser de uma dada cultura, repetindo 
palavras e metáforas que vêm de outra cultura, como impor ao texto a ser 
traduzido o modo de ser de sua própria cultura, matando “o estilo e as 
ênfases do conjunto”. Logo, manter esse difícil equilíbrio é 
necessariamente um ato ético, um ato de resposta e de responsabilidade, 
um ato de arbitragem honesta, de negociação entre culturas que busca 
chegar ao acordo que é o texto fiel (...) (ALFARANO, 2003, p. 203) 
 
Essa figura de linguagem tem por objetivo expressar sentidos para as palavras 
diferentemente do expresso pelo literal ou concreto, ou seja, elas são utilizadas com 
sentido figurativo. 
Para os renomados autores, Lakoff e Johnson (2002, p. 93), “A metáfora é 
principalmente um modo de conceber uma coisa em termos de outra e sua forma 
primordial é a compreensão”. Além disso, o referido autordefende a existência de três 
tipos de metáforas: estruturais, orientacionais e ontológicas. 
 
1. Estruturais: diz respeito à outra experiência, como, por exemplo, é na expressão 
“As mães batem boca na reunião ”, o termo “batem boca” significa a o ato de 
discussão, briga etc. Outro exemplo: “O atleta paralímpico está voando!”, nesse 
 
sentido, o “voando” está sendo utilizado no sentido de correr rápido, veloz. Na 
Libras, por exemplo, a expressão “cara de pau” é expressa pela realização do 
sinal com a configuração de mão em “A”, batendo na face. Nesse sentido, o rosto 
denota uma superfície. (LAKOFF; JOHNSON (2002 [1980], p. 59 ). 
 
2. Orientacionais: essa categoria diz respeito aos conceitos abstratos a partir de 
vivências corporais e perceptuais de orientação de mundo, sejam elas, física, 
cultural ou social. Assim, o posicionamento espacial diz respeito aos sentimentos 
como, por exemplo: para o alto - positivo, para baixo - negativos, para trás - 
passado, para frente - futuro (LAKOFF; JOHNSON(2002 [1980], p. 59 ). Confira 
as exemplificações na imagem a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5: Metáforas Orientacionais de cunho POSITIVO (PARA CIMA E PARA BAIXO) 
 
 
 
Fonte: SILVA, STUMPF (2020) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6: Metáforas Orientacionais de cunho NEGATIVO (PARA CIMA E PARA BAIXO) 
 
 
 
Fonte: SILVA, STUMPF (2020) 
 
3. Ontológicas: essa especificidade expressa as emoções e transforma um 
conceito abstrato em objeto ou substância. Veja o exemplo: “Pedro está com a 
cabeça cheia”, nesse sentido, as preocupações configuram sentimentos ruins 
(LAKOFF; JOHNSON (2002 [1980], p. 59). 
 
Diante do exposto, infere-se que nas línguas de sinais a utilização das metáforas 
no processo de comunicação do surdo é semelhante à línguas orais. Além disso, 
conforme exemplificado, os sinais realizados com o Movimento para cima possuem 
conotação positiva, diferentemente, os sinais que expressam o Movimento para baixo 
denota sentido negativo. 
 
Metonímia 
 
 
A metonímia é uma figura de linguagem que faz parte da categoria semântica e 
tem por objetivo substituir uma palavra por outra. Na maioria das vezes, essa 
substituição acontece quando as palavras estabelecem uma ligação entre si e/ou 
apresentam uma relação próxima. 
Na Libras, a metonímia representa significação e, ainda, o surgimento de 
expressões metafóricas, além disso, é responsável pela produção de novas 
significações e de novos sinais. 
É muito comum a utilização desse recurso nos sinais de frutas para expressar 
ações como, por exemplo, comer, pegar o fruto na árvore, ou mesmo, o sinal é expresso 
a partir da forma presente no fruto, com alto grau de iconicidade. 
Os especialistas no assunto pontuam que “Mas esta metonímia pode transgredir 
a representação de um único referente e deslocar seu significado para outros campos”. 
(WILCOX, WILCOX E JARQUE 2003 apud ALBRES, 2012, p. 69) . 
Confira alguns exemplos de metonímia em Libras: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7: Parte pelo todo 
 
 
 
 
 
Fonte: (SÁ; GONÇALVES; ESTELITA, 2014) 
 
Estudante, perceba, nas imagens acima, que o sinal expresso utiliza as duas 
mãos para demonstrar as ondulações da fruta. Nesse sentido, percebe-se que o sinal 
foi configurado a partir da forma da fruta. 
 
 
Figura 8: Parte da ação pela ação 
 
 
 
Fonte: (DUDA, 2014). 
 
 Acadêmico(a), na Libras, para fazer a configuração do sinal de BANANA são 
utilizadas as duas mãos, configurando o “D”, que recebe a ação, e a outra em “A”, que 
pratica a ação, simbolizando a ação de descascar a banana, ou seja, a configuração do 
sinal aconteceu por meio da metonímia de retirar a casca. 
 O autor renomado no assunto destaca que “as metáforas se processam na LS e 
não se restringem a empréstimos adquiridos da LP, mas também e, em grande parte, a 
estruturas originadas no contexto e motivadas pela significação de mundo partilhada 
pelos surdos em sua comunidade” (FARIA-NASCIMENTO, 2003, p. 19). 
 Diante do exposto, a figura de linguagem Metonímia, na Libras, é expressa a 
partir da formação de sinais em nome de frutas, possibilitando o surgimento de 
expressões metafóricas . 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Estudante, 
 
 O vídeo em questão apresenta algumas considerações sobre a criação de um 
glossário de Literatura Surda. Todo o vídeo é apresentado na língua de sinais brasileira, 
a Libras 
Clique no link para saber mais: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/221529. 
 
Fonte: RIBEIRO, Arenilson Costa; MACHADO, Fernanda de Araújo; BOLDO, Jaqueline; MARQUEZI, 
Luana; SUTTON-SPENCE, Rachel; BARROS, Ricardo Oliveira; VIEIRA, Saulo Zulmar. Considerações 
sobre a criação de um glossário de Literatura Surda. In: Revista Brasileira de Vídeo-Registros em Libras. 
Edição nº 005/2020. [artigo em Libras publicado em vídeo, 20m01s]. Florianópolis: UFSC, 2020. 
Disponível em: http://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br. Acesso em: 07 dez. 2021. ISSN: 2358-
7911. 
 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
http://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br/
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Estudante, olá! 
 
Chegamos ao final desta quarta unidade. Neste material, foram apresentadas 
informações relevantes sobre a língua de sinais e suas variações. 
Diante do exposto, você pode compreender o desenvolvimento da Libras e as 
mudanças que ocorrem com o decorrer do tempo. 
Na sequência, dialogamos sobre os processos de formação de sinais e suas 
especificidades. Assim, você pôde relembrar as características dos cinco parâmetros 
que compõem os sinais. 
Depois, nosso diálogo foi sobre as variação linguística na Libras, então, você 
percebeu que, como em todas as línguas, esse processo acontece naturalmente, quando 
a comunidade surda mantém contato com diversas formas de sinalização e as atualizam 
para atender às necessidades sociais dos falantes dessa língua. Essas variações, como 
visto, decorrem de fatores diversos, sejam eles de ordem geográfica, social etc. 
No último tópico, você conheceu as características das figuras de linguagem em 
Libras: metáfora e metonímia. 
Desejo que os assuntos que foram disponibilizados contribuam com seu 
crescimento pessoal e profissional. Além disso, sugiro que você continue buscando 
novos conhecimentos sobre a Libras e a cultura surda. 
Um abraço! 
 
 
 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
 
Variações linguísticas na Libras: particularidades entre as formas de 
comunicação/sinalização 
 
Na Língua Brasileira de Sinais (Libras) há sinais que vão variar de região para região, o 
que reforça a legitimação da Libras como uma língua. O objetivo desta pesquisa é 
analisar as variações linguísticas que ocorrem na sinalização das palavras APAIXONAR, 
REPROVAR e ACHAR pelo aplicativo alagoano de grande circulação nacional, Hand 
Talk, que traduz palavras da Língua Portuguesa para a Libras e, uma professora surda 
ativista paraense, que teve seu vídeo viralizado nas redes sociais em 2017 após o tema 
da Redação do Enem. A metodologia utilizada foi de caráter exploratório com entrevistas 
e análises comparativas. Diante das variações observadas, analisamo-las de acordo com 
critérios paramétricos: CM, LOC, MOV, ORI e EF, fundamentados nos estudos de 
Ferreira Brito (1990); Quadros e Karnopp (2004) e Quadros (1997, 2004, 2006). Os 
resultados apontam que a variação, enquanto processo presente em qualquer língua 
natural, também ocorre na Libras. 
 
Para saber mais , dê um click: 
https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/2705 
Fonte: OLIVEIRA, Liliane Afonso de. SILVA, Maria do Perpétuo Socorro Cardoso da. CAMPELO, 
Wanubya do Nascimento Moraes. Variações linguísticas na Libras: particularidades entre as formas de 
comunicação/sinalização. Revista Cocar. V.14 N.30. Set./Dez./ 2020 p.1-21. Disponível em: 
.informações, as quais estão respaldadas na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 
13.146/2015) e, também, na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 
(ONU, 2006), ratificada no Brasil em forma de Emenda Constitucional, por meio do 
Decreto Legislativo nº 186/2008 e do Decreto nº 6.949/2009, da Presidência da 
República (BRASIL 2009). 
 
 
Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de 
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com 
diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade 
em igualdades de condições com as demais pessoas (BRASIL, 2021, p. 6). 
 
 
 Importante salientar também as particularidades da Surdocegueira, pois as 
pessoas com esse tipo de deficiência também são consideradas integrantes da 
Educação Especial: 
 
 
Trata-se de deficiência única, caracterizada pela associação da deficiência 
auditiva (com ou sem resíduo auditivo) e visual (com ou sem resíduo visual) 
concomitante. A surdocegueira pode ser classificada de duas formas: pré-
linguística e pós-linguística. Na pré-linguística, a pessoa nasce surdocega ou 
adquire a surdocegueira muito precocemente, antes da aquisição de uma língua. 
Na forma pós-linguística, uma das deficiências (auditiva ou visual) ou ambas são 
adquiridas após a aquisição de uma língua (a Língua Portuguesa ou a Língua 
Brasileira de Sinais). Cabe destacar que essa condição apresenta outras 
particularidades, além daquelas causadas pela deficiência auditiva, surdez, 
baixa visão e cegueira (BRASIL, 2021, p. 6). 
 
 
 A partir dessas explicações, compreende-se que, segundo os critérios qualitativos 
do ponto de vista clínico, funcional e educacional, a deficiência auditiva, a surdez e, 
também a surdocegueira são deficiências que estão coletadas no Censo Escolar, por 
isso, pessoas com essas características fazem parte do público-alvo da Educação 
Especial (BRASIL, 2021). 
 
 Considerando o exposto, infere-se que é extremamente errado designar pessoas 
com deficiência auditiva e/ou surdez como PORTADOR(A), porque esses indivíduos 
não estão portanto nada, eles possuem sim uma deficiência, conforme elucidam as 
legislações vigentes. 
 Outra designação muito utilizada cotidianamente pelos leigos no assunto é 
“especial” e, até mesmo, “com necessidades especiais”. Os especialistas no assunto 
postulam que todas as pessoas são especiais e diferentes ao mesmo tempo. Soma-se 
a isso o fato de que todos possuímos particularidades, por esse motivo, não é correto 
referir-se à pessoa com deficiência auditiva e/ou surdez dessa forma. 
 Faz-se necessário destacar também que as pessoas surdas possuem diversas 
peculiaridades, que, na maioria das vezes, vão além das características clínicas, mas 
fazem parte dos contextos e vivências, por isso, segundo as acepções da comunidade 
surda, a maneira mais assertiva de se referir a esse público é utilizar termos como: 
“Surdo” e/ou ou “Pessoa Surda”. 
Além disso, também não é correta a utilização do termo deficiente, porque, de 
acordo com os preceitos legais, a pessoa não deve ser definida por sua deficiência, ou 
seja, ela apenas apresenta um tipo de deficiência, mas acima de tudo é uma pessoa, por 
isso, a terminologia correta é PESSOA COM DEFICIÊNCIA. 
 Em suma, saber como utilizar corretamente a expressão é essencial para todos e 
vai muito além de estar politicamente correto(a), pois as designações que damos às 
pessoas refletem positiva e/ou negativamente àqueles que são denominados, porque as 
nomeações, na particularidade desse público, está muito atrelada à cultura. 
Estudante, até aqui dialogamos sobre como se referir às pessoas com deficiência, 
em especial com surdez e/ou deficiência auditivas. No próximo tópico, a ênfase será 
entender as particularidades da “CULTURA SURDA”. 
Venha comigo e continue participando e ampliando seus conhecimentos sobre o 
assunto. 
Bons estudos e até mais! 
 
 
 
 
2 CULTURA SURDA
 
Fonte: ID 1521395234 
 
 
Estudante, olá! 
 
Seja muito bem-vindo(a) ao Segundo Tópico desta Unidade I, intitulado de 
“Cultura Surda”. 
Neste momento, o foco será dialogar sobre a cultura surda e entendê-la como 
movimento histórico do povo surdo. Compreender as particularidades dessa cultura e 
refletir sobre o assunto em questão é de grande valia, uma vez que, a pessoa surda está 
inserida em dois contextos sociais distintos, ou seja, tem contato direto com dois tipos 
de culturas diversas: a surda e a ouvinte, contudo, a identidade dessa pessoa é 
constituída a partir da sua cultura de origem. 
 
Sendo assim, para um melhor entendimento sobre o assunto, primeiramente, 
serão apresentadas informações sobre as definições do termo “CULTURA”. 
Posteriormente, a ideia é entender quais são os diversos elementos que fazem 
parte da composição da cultura do povo surdo e as especificidades de cada um. 
Por fim, objetiva-se refletir sobre a importância do reconhecimento dessa cultura, 
nas batalhas travadas contra as adversidades e preconceitos sofridos pelo povo surdo, 
nos mais diversos contextos sociais. 
Então, venha comigo e deleite-se com as informações disponibilizadas sobre o 
fantástico mundo surdo. 
 Até mais!!! 
 
O Termo Cultura e suas acepções 
 
 Acadêmico(a), você sabe qual a origem e os diversos significados da palavra 
CULTURA? 
 Para iniciarmos, vamos conhecer quais são as acepções do dicionário Michaelis 
para essa palavra: 
 
 
Sf 1 AGR Ato, processo ou efeito de trabalhar a terra, a fim de torná-la mais 
produtiva; cultivo, lavra. 2 AGR Ato de semear ou plantar vegetais. 3 AGR A área 
cultivada de um sítio. 4 AGR Produção agrícola com técnicas especiais; cultivo. 
5 BIOL Ato de cultivar células ou tecidos vivos numa solução com nutrientes, em 
condições adequadas, a fim de realizar estudos científicos. 6 Criação de 
determinados animais. 7 ANTROP Conjunto de conhecimentos, costumes, 
crenças, padrões de comportamento, adquiridos e transmitidos socialmente, que 
caracterizam um grupo social. 8 Conjunto de conhecimentos adquiridos, como 
experiências e instrução, que levam ao desenvolvimento intelectual e ao 
aprimoramento espiritual; instrução, sabedoria. 9 Requinte de hábitos e conduta, 
bem como apreciação crítica apurada (MICHAELIS, 2021, on-line). 
 
 
 Como você pode perceber, o termo em questão possui diversas acepções, mas, 
neste momento, o que nos interessa é a sétima, porque apresenta uma definição a partir 
dos estudos antropológicos: “7 ANTROP: Conjunto de conhecimentos, costumes, 
 
crenças, padrões de comportamento, adquiridos e transmitidos socialmente, que 
caracterizam um grupo social” (MICHAELIS, 2021, on-line). 
 A partir dessa definição, infere-se que essa palavra carrega e simboliza a forma 
como as pessoas expressam suas experiências e vivências em dada época e sociedade 
marcada. Ela representa as particularidades de um povo e/ou comunidade. 
 Esse termo surgiu em meados do século XIII, possui etimologia latina e, 
inicialmente, foi utilizado para nomear terras cultivadas. Como toda palavra, no decorrer 
do tempo sofreu algumas variações, ou seja, sucessivas evoluções sociais. Assim, por 
volta do século XVI, essa palavra começou a ser aplicada como sinônimo de capacidade 
intelectual de um indivíduo. Mais tarde, a partir do século XVIII, teve ampliação de 
sentido e começou a designar singularidades de conhecimento, como por exemplo, 
artes, ciências, etc.(SANTOS, 1996). 
 De acordo com o renomado especialista que desenvolve estudos sobre o assunto, 
existem várias formas de expressões culturais, para ele “a cultura, como temos visto, é 
uma produção coletiva” (SANTOS, 1996, p. 84). Confira as diversas variações de 
cultura, na figura a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2: Expressões culturais 
 
 
 
Fonte: (SANTOS, 1996). 
 
Em síntese das afirmações sobre os sentidosAcesso em 07 dez. 2021. 
 
 
 
 
https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/2705
 
 
LIVRO 
 
• Título: Educação de Surdos: A Aquisição da Linguagem 
• Autor: Ronice Müller de Quadros. 
• Editora: Artmed. 
• Sinopse: Apresenta os princípios do trabalho com pessoas surdas, em especial no 
âmbito escolar, tais como aspectos sociais e culturais de uma proposta educacional, 
língua de sinais e aspectos relacionados à sua estrutura e aquisição da língua 
portuguesa. 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
 
• Título: Sobre Meus Lábios / Sur Mes Lèvres 
• Ano: 2001. 
• Sinopse: Funcionária modelo e extremamente dedicada ao trabalho, Carla é uma 
secretária que às voltas com um salário miserável e uma deficiência auditiva vê suas 
chances de crescer profissionalmente reduzidas a quase nada. Sua vida tem uma 
reviravolta com a contratação do estagiário Paul, um jovem recém-saído da prisão. 
• Link do vídeo: https://filmow.com/sobre-meus-labios-t14520/ 
 
 
 
 
WEB 
 
• Apresentação do link: 
Revista Brasileira de Vídeo-Registros em Libras. Uma organização do Grupo de 
Pesquisa da UFSC. Todos os artigos publicados são traduzidos para a Libras e 
publicados em formato de vídeo. 
 
• Link do site: https://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br/. 
 
 
https://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br/
 
REFERÊNCIAS 
 
ALBRES, Neiva de Aquino (org). Libras em estudo: ensino-aprendizagem. São 
Paulo: FENEIS, 2012. 
 
ALFARANO, Regina. In: BENEDETTI, Ivone C.; SOBRAL, Adail (orgs.). Conversas 
com Tradutores: Balanços e Perspectivas da Tradução. São Paulo: Parábola Editorial, 
2003. p. 33-43. 
 
CAPOVILLA, F. C. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da Língua de Sinais 
Brasileira: Vol. I: Sinais de A a L, Vol. II: Sinais de M a Z (3a. ed., Vols. 1, 2). São 
Paulo: Edusp, MEC, 2006. 
 
CAPOVILLA, Fernando César; RAPHAEL, Walkiria Duarte. (2001). Dicionário 
enciclopédico ilustrado trilíngue da Língua de Sinais Brasileira – Libras. v. I e II. 
São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo/ Imprensa Oficial do Estado. 
 
DINIZ, H. G. A história da Língua de Sinais dos Surdos brasileiros: Um estudo 
descritivo de mudanças fonológicas e lexicais da LIBRAS. Petrópolis: Editora Arara 
Azul, 2011. 
 
DUBOIS, Jean et al. Dicionário de linguística. Traduzido por Frederico Pessoa de 
Barros et al. São Paulo: Cultrix, 1989. 
 
DUDA, Amanda. Frutas em Libras para Educação Infantil. 2014. Pedagogia e Libras. 
Disponível em: https://vidacff.blogspot.com/2014/08/frutas-em-libras-para-educacao-
infantil.html. Acesso em: 21 jan. 2022. 
 
FARIA-NASCIMENTO. S. P. A metáfora na LSB e a construção dos sentidos no 
desenvolvimento da competência comunicativa de alunos surdos. Dissertação 
(Mestrado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação (Stricto Sensu) do 
Departamento de Linguística, Línguas Clássicas e Vernáculas, Universidade de 
Brasília, Brasília, 2003. 
 
FELIPE, TANYA AMARA; MONTEIRO, MYRNA. Libras em Contexto: Curso Básico - 
Livro do Professor. ed. 6. Brasília/DF: Programa Nacional de Apoio à Educação dos 
Surdos, MEC: SEEP, 2007. 
 
FERREIRA-BRITO, LUCINDA. Por uma gramática de línguas de sinais. Rio de 
Janeiro: Tempo Brasileiro, 1995. 
 
FERREIRA, Sindy Rayane de Souza; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira. 
Descrevendo processos de formação de sinais em Libras em uma variedade de 
Belém do Pará. Entretextos, Londrina, v. 16, n. 1, p. 67-98, jan./jun. 2016. Disponível 
em: https://www.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/article/view/19293/20011. 
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ILES, Bruno. OLIVEIRA, Taiane Maria de. SANTOS, Rosemary Meneses dos. LEMOS, 
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_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf. Acesso em: 18 
dez. 2021. 
 
LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Metáforas da Vida Cotidiana. Tradução: Grupo 
de 
Estudos da Indeterminação e da Metáfora (GEIM) sob a coordenação de Mara Sophia 
Zanotto e pela tradutora Vera Maluf. São Paulo: Mercado das letras, 2002. 
 
LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Metaphors We Live By. Chicago: University of 
Chicago Press, 1980. Revista Porto das Letras, Vol. 06, Nº 06. 2020. 
 
KITANA DREAMS.Gírias LGBT em LIBRAS: parte 2. Youtube BR, 2016. Disponível 
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OLIVEIRA, Liliane Afonso de; SILVA, Maria do Perpétuo Socorro Cardoso da; 
CAMPELO, Wanubya do Nascimento Moraes. Variações linguísticas na Libras: 
particularidades entre as formas de comunicação/sinalização. Revista Cocar. V.14 
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https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/2705. Acesso em: 07 dez. 2021. 
 
QUADROS, R. M. de; KARNOPP, L. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. 
ArtMed: Porto Alegre, 2004. 
 
RIBEIRO, Arenilson Costa; MACHADO, Fernanda de Araújo; BOLDO, Jaqueline; 
MARQUEZI, Luana; SUTTON-SPENCE, Rachel; BARROS, Ricardo Oliveira; VIEIRA, 
Saulo Zulmar. Considerações sobre a criação de um glossário de Literatura Surda. 
In: Revista Brasileira de Vídeo-Registros em Libras. Edição nº 005/2020. [artigo em 
Libras publicado em vídeo, 20m01s]. Florianópolis: UFSC, 2020. Disponível em: 
http://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br. Acesso em: 07 dez. 2021. ISSN: 2358-
7911. 
 
SÁ, Glaucielle Celestina de. GONÇALVES, Urcélia Antônia. ESTELITA, Mariângela. 
Metonímia na libras: configurações de mãos como elementos metonímicos em nomes 
de frutas. Revista Virtual de Cultura Surda. Edição Nº 13 / Maio de 2014. Disponível 
em: https://editora-arara-
azul.com.br/site/admin/ckfinder/userfiles/files/3%C3%82%C2%BA%20Artigo%20da%20
REVISTA%2013%20%5BEstelita%20%26%20Gon%C3%83%C2%A7alves%20%26%2
0S%C3%83%C2%A1%5D.pdf. Acesso em: 20 dez. 2021. 
SILVA, Daltro Roque Carvalho da Junior. STUMPF, Marianne Rossi. Metáforas 
Orientacionais em Libras: uma Perspectiva Lexical. Revista Porto das Letras, Vol. 06, 
http://revistabrasileiravrlibras.paginas.ufsc.br/
 
Nº 06. 2020 Descrição e Análise Linguística da Língua Brasileira de Sinais. Disponível 
em: 
https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/download/10007/1
8296/. Acesso em: 10 dez. 2021. 
 
STOKOE, W. C. Sign language structure: an outline of the visual communication 
systems of the American deaf. In: Journal of Deaf Studies and Deaf Education. Vol. 10, 
No. 1. New York: Oxford University Press, 2005. 
 
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de 
gramática no 1º e 2º graus. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2000. 
 
 
 
CONCLUSÃO GERAL 
Prezado(a) aluno(a), 
Neste material, busquei trazer para você os principais conceitos e 
conhecimentos sobre o universo do surdo e compartilhar informações sobre as 
especificidades da surdez e as implicações neurolinguísticas. 
Inicialmente, nosso diálogo, na Unidade I, foi direcionado para que 
pudéssemos entender os “TIPOS DE CULTURA SURDA E SUAS 
IDENTIDADES. Para tanto, dialogamos sobre o Surdo: Diferente ou Deficiente; 
a Cultura Surda e suas especificidades e ainda, conhecemos os tipos de 
Identidade Surda. 
Na sequência, na Unidade II, nossa conversa enfatizou “A 
HETEROGENEIDADE DA SURDEZ”, então, conhecemos as principais causas 
da surdez, os tipos de surdez e, ainda, as implicações neurolinguísticas da 
surdez. 
Continuando nossa trilha de descobertas, na Unidade III, tivemos a 
oportunidade de estudar mais especificamente as particularidades e as 
características da “COGNIÇÃO E LINGUAGEM”. Assim foi possível 
compreender o desenvolvimento cognitivo do sujeito surdo, como acontece o 
processo de aquisição da linguagem na surdez e, por fim, entendemos como o 
surdo adquire a língua de sinais de forma natural. 
Enfim, na Unidade IV, última parada da nossa viagem pelo mundo do 
surdo, nos debruçamos sobreas particularidades da “LÍNGUA EM 
TRANSFORMAÇÃO”. Nesse sentido, você conheceu os processos de 
formação de sinais, as diversas variações linguísticas na Libras, por último, 
compreendeu as especificidades de algumas figuras de linguagem em Libras, 
como por exemplo, a metáfora e a metonímia. 
Assim, de acordo com o que foi exposto, durante essa trajetória, você 
adquiriu novos conhecimentos e refletiu sobre as especificidades da língua de 
sinais, em especial da Libras. 
Desejo, portanto, que no decorrer dessa jornada de conhecimentos e 
descobertas, eu tenha contribuído significativamente para o sucesso da sua 
formação acadêmica, como também para a excelência da sua prática 
profissional. 
A partir de agora acredito que você já está preparado para seguir em 
frente desenvolvendo ainda mais suas habilidades nos mais diversos contextos 
sociais. 
Um grande abraço!!!!! 
 Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada!da palavra CULTURA, conclui-se 
que ela engloba todas as atividade humana, em todas as esferas sociais, ou seja, ela 
reflete tudo o que o ser humano realiza, como, por exemplo, os aspectos elencados no 
resumo da gráfico da figura a seguir: 
 
 
 
 
Figura 3: Acepções do termo Cultura 
 
 
Fonte: (Adaptado de SANTOS, 1996). 
 
 A partir desse levantamento sobre as acepções do termo CULTURA, cabe-nos 
agora entendermos as singularidades da CULTURA SURDA. 
 
A cultura surda 
 
 Para Santos (1996), a cultura explica a vida da sociedade e o comportamento de 
seus membros. Na interpretação da literatura sobre o assunto, infere-se, portanto, que a 
Cultura Surda diz respeito aos aspectos cotidianos, às experiências e vivências do povo 
surdo, ou seja, ela traduz toda a maneira como esse grupo social se constitui. 
 Sobre essa questão, é oportuno salientar que a Cultura Surda, que reflete um 
conjunto de elementos culturais do povo em questão, não é muito difundida, por isso, as 
pessoas ouvintes desconhecem muito dessas particularidades. 
 Coaduna-se a essa reflexão as acepções de Santana (2007), para ele, na maioria 
das vezes, a expressão “cultura surda” é utilizada, cotidianamente, para fazer menção à 
língua (de sinais), contudo, não pode se limitar apenas a isso, pois ela expressa muito 
mais elementos sociais, como, exemplo, ela é considerada como bandeira no entrave 
político e social do povo surdo em prol dos reconhecimento dos seus direitos. 
 
 Ainda sobre essa questão, o referido autor postula que “Códigos específicos não 
expressam uma cultura diferente, apenas indicam a particularidade de um grupo dentro 
de um sistema social” (SANTANA, 2007, p. 45). Nesse particular, é importante 
ressaltarmos que o intuito da CULTURA SURDA é conquistar o reconhecimento dos 
aspectos linguísticos e sociais do povo surdo (SANTANA, 2007). 
 Corresponde à afirmação do autor citado anteriormente sobre o objetivo dessa 
cultura em particular, os postulados de Skliar (2015), pois, para ele, a disseminação da 
cultura auxilia os surdos a realizarem interconexões sociais e interagirem socialmente. 
 Mas qual é a diferença entre POVO SURDO X COMUNIDADE SURDA? Vamos 
entender? 
 Entre os autores que se dedicaram ao estudo, Karin Strobel, diretora de Políticas 
de Educação Bilíngue de Surdos do Ministério da Educação, em uma das suas obras, 
apresenta a seguinte definição para Povo Surdo: 
 
 
Quando pronunciamos ‘povo surdo’, estamos nos referindo aos sujeitos surdos 
que não habitam no mesmo local, mas que estão ligados por uma origem, por um 
código ético de formação visual, independente do grau de evolução lingüística, tais 
como a língua de sinais, a cultura surda e quaisquer outros laços. (STROBEL, 
2008, p. 29). 
 
 
 No estudo da referida autora também encontramos a definição de Comunidade 
Surda. 
 
 
Entendemos que a comunidade surda de fato não é só de sujeitos surdos, há 
também sujeitos ouvintes- membros de família, intérpretes, professores, amigos 
e outros- que participam e compartilham os mesmos interesses em comuns em 
uma determinada localização. (...) Em que lugares? Geralmente em associação 
de surdos, federações de surdos, igrejas e outros. (STROBEL, 2008, p. 29). 
 
Estudante, após compreender a diferença entre os termos, vamos aprofundar 
nossos conhecimentos. Você sabe quais são os elementos que fazem parte da cultura 
surda? 
 
 Para melhor entendimento sobre o assunto, disponibilizamos um resumo gráfico 
para apresentar quais são os elementos dessa cultura que merecem destaque. Confira 
imagem a seguir: 
 
Figura 4: Elementos da Cultura Surda 
 
Fonte: (IFPB, 2018) 
 
 
Diante do exposto, entende-se que os componentes desse resumo gráfico 
contribuem significativamente para a inclusão do surdo nas diversas esferas sociais. 
Na visão da renomada autora que apresenta estudos sobre o assunto: 
 
 
 
A língua de sinais é uma das principais marca da identidade de um povo surdo, 
pois é uma das peculiaridades da cultura surda, é uma forma de comunicação 
que capta as experiências visuais dos sujeitos surdo, sendo que é esta a língua 
que vai levar o surdo a transmitir e proporciona-lhe a aquisição de conhecimento 
universal (STROBEL, 2008, p.44). 
 
 Sobre isso, é importante relembrar que a Libras foi reconhecida oficialmente, em 
2002, Lei Nº 10.436, de 24 de abril de 2002: 
 
 
Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua 
Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados. 
Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma 
de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-
motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de 
transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do 
Brasil (BRASIL, 2002). 
 
 Além disso, o Decreto Nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005 regulamenta a Lei 
nº 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 
2000. 
Assim sendo, a partir das reflexões apresentadas, podemos dizer que as 
interações sociais dos surdos com o meio no qual estão inseridos, moldam e constituem 
a maneira como eles enxergam o mundo. Então, o resultado dessa conexão constitui as 
diversas produções culturais, que são reveladas pela Cultura Surda, como por exemplo, 
o aspecto linguístico/língua de sinais, a cultura familiar, a literatura surda e as artes, o 
esporte, as identidades, a política etc. (STROBEL, 2008). 
Além disso, é oportuno lembrarmos que as legislações vigentes regulamentam a 
Libras e demais assuntos relacionados à surdez. Elas visam promover e garantir a 
difusão da CULTURA SURDA e, também, assegurar os direitos desse povo. Como 
exemplo, podemos destacar: 
 
1. Lei n.º 10.436/ 2002: “A Libras é reconhecida como meio legal de comunicação 
e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão 
a ela associados” (BRASIL, 2002). 
 
 
2. Decreto 5.626/2005: “Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que 
dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098, 
de 19 de dezembro de 2000” (BRASIL, 2005). 
 
3. Lei n.º 12.319/2010: “Regulamenta a profissão de tradutor e intérprete da Língua 
Brasileira de Sinais - Libras” (BRASIL, 2010). 
 
4. LEI Nº 13.146/2015: “LBI assegura e promove, em condições de igualdade, o 
exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, 
visando à sua inclusão social e cidadania” (BRASIL, 2015). 
 
5. LEI Nº 14.19/ 2021: “Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre a modalidade de 
educação bilíngue de surdos” (BRASIL, 2021). 
 
Considerando o que foi apresentado a partir de uma revisão seletiva sobre o 
assunto, compreende-se que diversos fatores concorrem para o processo de promoção 
da CULTURA SURDA, contudo, ainda há muito que ser conquistado e também 
disseminado para que a verdadeira inclusão social e o reconhecimento dessa cultura 
aconteça eficazmente. 
No próximo tópico, vamos ampliar a discussão sobre o assunto, pois vamos 
conhecer e refletir sobre a “IDENTIDADE SURDA”. 
Venha comigo e continue a sua jornada por esse fantástico mundo surdo! 
Até mais! 
 
 
 
3 TIPOS DE IDENTIDADE SURDA 
 
 
Fonte: ID 1909146781 
 
Estudante, olá! 
 
 Chegamos ao Terceiro Tópico dessa primeira unidade. Nesse momento, objetiva-
se apresentar informações sobre as “Diferentes identidades entre os sujeitos 
surdos”. 
 No tópico anterior, você compreendeu a importância da “Cultura Surda” para 
legitimação desse público no contexto social. Então, agora, faz-se necessário entender 
a diversidade de identidades que fazem parte do universo surdo. 
 Dialogar sobre esse assunto é muito relevante, pois favorece o entendimentosobre os tipos de relações existentes entre eles e, também, quais são as adversidades 
vivenciadas. 
 Assim, para uma melhor organização, primeiramente, serão disponibilizadas 
informações sobre o conceito de “Identidade”. Na sequência, você será conduzido(a) 
 
a refletir sobre a construção da identidade surda. Por fim, o objetivo será possibilitar 
a sua compreensão sobre as singularidades dos diversos tipos de identidades existentes: 
surda, híbrida, de transição, flutuante e embaraçada. Por fim, 
 Então, venha comigo, vamos juntos para mais essa jornada! 
 Até logo! 
 
O que significa identidade? 
 
 Estudante, você já teve contato com esse termo muitas vezes durante a sua vida. 
Mas você sabe realmente qual o sentido dessa palavra? 
 De acordo com as acepções do dicionário: 
 
 
Sf: 1 Estado de semelhança absoluta e completa entre dois elementos 
com as mesmas características principais; 2 Série de características 
próprias de uma pessoa ou coisa por meio das quais podemos distingui-
las; 3 Aquilo que contribui para que uma coisa seja sempre a mesma ou 
da mesma natureza; 4 Segundo o aristotelismo, é uma das três leis 
básicas do raciocínio, em que todo objeto é igual a si mesmo; 5 Relação 
de semelhança total e absoluta dirigida a todos os valores das variáveis 
envolvidas; 6. Cédula de identidade; 7. elemento identidade 
(MICHAELIS, 2021, on-line). 
 
 
 Para o nosso estudo sobre o assunto, utilizaremos a segunda acepção “Série de 
características próprias de uma pessoa ou coisa por meio das quais podemos distingui-
las” (MICHAELIS, 2021, on-line). 
 
 Isso posto, passamos para o próximo passo: conhecer as várias formas de 
expressões que são aplicadas ao termo identidade. Confira na figura a seguir: 
 
Figura 5: Expressões de Identidade 
 
 
Fonte: Adaptado de (MICHAELIS, 2021, online). 
 
 Acadêmico(a), no que se refere ao foco dessa disciplina, a expressão que mais 
se adequa ao assunto é “Identidade Nacional”, porque significa “valorização das 
características culturais essenciais de uma nação, profundamente ligada a uma 
reinterpretação do popular pelos grupos sociais e pela maioria de seus cidadãos e à 
própria construção do Estado” (MICHAELIS, 2021, online). 
Então, transpondo esse conceito para o universo surdo, compreende-se que a 
“Identidade Surda” nada mais é do que a valorização do ser humano, ou seja do surdo, 
a partir das experiências vividas no contexto social, as quais contribuem para a 
construção da identidade pessoal. 
Coaduna-se com essa afirmação os postulados de HALL (2005), porque para ele, 
a identidade significa constante construção, flexível e passível de transformação. Ela 
movimenta-se frequentemente de acordo com as experiências vivenciadas e as 
interações sociais cultivadas. Infere-se, então, que ela seja uma construção móvel, 
passível de transformação que direciona e posiciona o sujeito nas esferas sociais. 
Em suma, a compreensão que o sujeito tem do mundo à sua volta contribui 
significativamente para a sua construção identitária, contudo, essa identidade pode 
sofrer alterações no decorrer do tempo em função do meio social no qual está inserido. 
 
Agora que você já compreendeu os sentidos do termo identidade, passamos para 
a próxima etapa: compreender as especificidades das IDENTIDADES SURDAS! 
Vamos lá! 
 
Identidades Surdas 
 
Caro(a) acadêmico(a), olá! 
 
 A partir de uma revisão seletiva sobre o assunto, compreende-se que dialogar 
sobre a Identidade surda, significa falar sobre as pessoas surdas que estão inseridas na 
comunidade surdo e, por esse motivo, entende-se como parte desse contexto social. 
Além disso, utilizam a língua de sinais como língua materna e meio de comunicação. 
Vale ressaltar, que por fazer parte ativamente dessa esfera social, esse sujeito defende 
as bandeiras erguidas e lutam em prol de novas conquistas que favoreçam a comunidade 
(STROBEL, 2008). 
 Dentre muitos autores que compartilham das ideias sobre as Identidades Surdas, 
Perlin (2010) apresentou uma forma de categorização dessas identidades, conforme 
exemplificado na figura a seguir: 
 
Figura 6: Categorias de identidades surdas 
 
 
 
 
Fonte: (PERLIN, 2011). 
 
 Estudante, vamos aprofundar os conhecimentos sobre as diversas identidades 
surdas, a partir da interpretação dos estudos de Perlin (2010): 
 
Identidade surda: Integram esse tipo de identidade as pessoas surdas que fazem uso 
da comunicação visual durante as interações sociais Além disso, participa dos 
movimentos políticos e sociais em prol do povo surdo, como também compartilham 
vivências e experiências nesse contexto social; 
 
Identidade híbrida: Diz respeito àquelas pessoas que por algum motivo, no decorrer da 
vida, ficaram surdos, contudo, nasceram ouvintes, ou seja, possuem uma surdez que foi 
 
adquirida ao longo do tempo. Por isso, como forma de expressão, utilizam tanto a 
linguagem oral, mas também a sinalizada. É importante salientar, que, geralmente, os 
integrantes dessa categoria recorrem aos diversos recursos de acessibilidade para 
surdos. Eles também, na maioria das vezes, são integrantes ativos das comunidades 
surdas. 
 
Identidade de transição: Esse grupo, em especial, refere-se aos sujeitos surdos que só 
conviveram com ouvintes, ou seja, nasceram em uma família ouvinte, que não 
possibilitou o contato dessa pessoa com a comunidade surda e suas especificidades. 
Então, estão em processo de transição, iniciando os contatos sociais com as pessoas 
surdas e começando a reconhecer-se como tal. 
 
Identidade flutuante: Surdos que não se reconhecem e/ou não aceitam a sua 
deficiência. Na maioria das vezes, eles negam a utilização da língua de sinais e a cultura 
surda. Soma-se a isso o fato de que hesitam relações sociais com a comunidade surda 
e, ainda, defendem o oralismo como forma de expressão. Por isso, externam conflitos 
emocionais como também possuem dificuldades de manter as relações interpessoais; 
 
Identidade embaraçada: Pessoas que fazem parte dessa categoria não utilizam a 
língua de sinais, não buscam uma referência oralista, nem mesmo da cultura surda. 
Externam dificuldades de comunicação, porque geralmente não conseguem se 
comunicar de forma eficaz. 
 
 Diante do exposto, infere-se que a identidade surda é heterogênea e se constitui 
a partir de diversidades. Assim, a maneira como os surdos percebem o mundo e se 
compreendem, constitui a sua identidade social. 
 Estudante, chegamos ao final desse tópico desejando que você tenha 
compreendido as especificidades do termo identidade, em especial, as particularidades 
dos diversos tipos de identidades surdas. 
 Até mais! 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Bebê registrado em língua de sinais 
 
Estudante, em 2015, no Reino Unido, um bebê surdo foi registrado com seu sinal pessoal 
(nome gestual). Na certidão de nascimento da pequenina Hazel Lichy, um nome bastante 
improvável consta entre os outros: Hazel UbOtDDstarL Holly Eileen Garfield Lichy. 
 
UbOtDDstarL? No sistema de notação escolhido, a letra [U] indica a região do queixo, 
onde se articula o sinal (ponto de articulação); [bO], ou “baby O”, faz menção a uma 
configuração de mão composta por polegar e indicador, a formar um “pequeno o”; [tD] 
refere-se à orientação do sinal: palma da mão virada para o sinalizador; [Dstar] indica o 
movimento de abertura das mãos; [L] ilustra a configuração final, em formato de “L”. 
O nome gestual dado à Hazel por seus pais, Tomato Lichy e Paula Garfield (também 
surdos), evidencia mais uma conquista das comunidades surdas britânicas: se familiares 
ouvintes podem registrar seus filhos em suas línguas nativas (no caso, o inglês), não 
poderão pais surdos fazer o mesmo? “O nome gestual de minha filha foi escolhido porque 
sua primeira expressão foi um sorriso (…) e não há como traduzir isto, perfeitamente, 
para o inglês” (fonte: DailyMail), diz Paula, justificandoa escolha do sinal com que batizou 
seu bebê (bastante similar a “sorriso”, em Libras). 
Para saber mais sobre o assunto, dê um click: 
 
Fonte: CULTURA SURDA.NET. Bebê registrado em língua de sinais. Disponível em: 
https://culturasurda.net/2015/01/26/bebe-registrado-em-lingua-de-sinais/. Acesso em: 30 nov. 2021. 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Estudante, olá! 
 
O artigo em questão apresenta informações relevantes sobre “CULTURA E 
IDENTIDADE SURDAS: ENCRUZILHADA DE LUTAS SOCIAIS E TEÓRICAS”. Confira 
o resumo: 
 
 
As expressões cultura e identidade surdas têm se legitimado, principalmente, 
pela defesa da língua de sinais como sendo a língua natural dos surdos. Essa 
defesa se faz por meio de uma inversão teórica que toma a língua, num primeiro 
momento, como determinada pelas práticas e interações sociais e, num 
segundo, faz dela a definidora dessas mesmas práticas. Este artigo discute os 
mecanismos de legitimação dessa inversão e suas implicações sociais e 
teóricas. 
 
 
Saiba mais sobre o assunto, dê um click no link: 
 
Fonte: SANTANA, Ana Paula, BERGAMO,Alexandre. Cultura e Identidade Surdas: Encruzilhada de 
Lutas Sociais e Teóricas. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 91, p. 565-582, Maio/Ago. 2005. Disponível 
em: https://www.scielo.br/j/es/a/hxDxvJQjCZy8MCdBGLgGNnK/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 30 
nov. 2019. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
REFLITA 
 
Estudante, 
 
 É sabido que uma língua representa muito mais do que palavras e/ou gestos, ou 
seja, ela possibilita toda forma de interação social. Nesse sentido, após entender as 
especificidades das identidades do povo surdo, na sua opinião, quais são as maiores 
dificuldades enfrentadas pelas pessoas que fazem parte da categoria de Identidade 
flutuante e embaraçada? Reflita sobre isso. 
 
Fonte: Produzido pela autora com base em Strobel (2008) 
 
 
#REFLITA# 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Acadêmico(a), olá! 
 
 Chegamos ao final desta primeira unidade. Neste material, foram apresentadas 
informações relevantes sobre os conceitos e definições relacionados ao surdo. 
Diante do exposto, você pode compreender que, muitas vezes, são utilizadas 
denominações erradas para se referir a esse público. O surdo não é diferente, não é 
especial, não é portador. De acordo com a legislação vigente, o Decreto 5.626/2005 e a 
IV Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada pelo 
Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Conade, a terminologia 
correta para se referir a essas pessoas é pessoa surda para aquela que, por ter perda 
auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, 
manifestando sua cultura principalmente pelo uso Libras. 
Na sequência, dialogamos sobre os campos de estudo da Cultura Surda. Então, 
você entendeu o que significa o termo cultura e também, as características da cultura 
surda, como, por exemplo, que ela é composta por diversos artefatos culturais que são: 
linguístico, familiar, literatura surda, esportivo, artes, política e materiais. 
Por fim, no último tópico, a ênfase foi possibilitar a sua compreensão sobre as 
identidades surdas e como elas são constituídas no contexto social. Então, de acordo 
com o que foi exposto, você conheceu as características da: Identidade surda; 
Identidade híbrida; Identidade de transição; Identidade flutuante; Identidade 
embaraçada. 
Desejo que os assuntos que foram disponibilizados contribuam com seu 
crescimento pessoal e profissional. Além disso, sugiro que você continue buscando 
novos conhecimentos sobre a educação inclusiva e, em especial, sobre o mundo surdo. 
Convido você a ir para a próxima unidade, porque vamos trilhar novos caminhos 
que irão possibilitar muitas descobertas. 
Até mais. 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
 
O OLHAR DO OUTRO: IDENTIDADE E CULTURA SURDA EM UMA ESCOLA 
ESTADUAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
 
 
RESUMO: A cultura e a identidade surdas estão presentes em todos os espaços sociais 
de nossa sociedade. Fruto de lutas educacionais e políticas inclusivas que há mais de 
uma década garante “voz” e visibilidade à comunidade surda brasileira, cada vez mais 
estudantes com surdez têm sido matriculados em escolas estaduais do Rio Grande do 
Norte. No entanto, esta inclusão carece de alguns ajustes, uma vez que boa parte dos 
profissionais de nossas instituições de ensino não estão preparados profissionalmente 
para receber esses estudantes. Com base nesses argumentos, surgem-nos questões: 
Como os profissionais da educação básica do Rio Grande do Norte compreendem os 
sistemas de identidade e cultura de estudantes surdos? No intuito de responder a esse 
questionamento, temos como objetivo apresentar os discursos que constituem a 
compreensão de profissionais da educação básica estadual do Rio Grande do Norte 
sobre identidade e cultura surdas; bem como analisar a constituição desses discursos 
com base no que defende Perlin (1998), Santana e Bergamo (2007) e Quadros (2010). 
Nossa metodologia parte da perspectiva da linguística de corpus, através da qual 
analisaremos discursos de professores e funcionários escolares presentes no Corpus 
“DISURDOS”, constituído por Nascimento-Mendes (2018). Nossos resultados apontam 
que a cultura e identidade surdas, através do que sugere os discursos analisados, está 
marcada sob o olhar da diversidade/diferença, unida pelo viés do fortalecimento coletivo 
da comunidade surda escolar e militante pelas causas políticas e legais que lhes são de 
direito. 
 
Palavras-chave: Cultura. Identidade. Surdas. Escolas. Discursos. 
 
Para ler na íntegra, dê um click: 
 
Fonte: MENDES. Victor Rafael do Nascimento. CUNHA. Aldeci Fernandes da. O olhar do outro: 
Identidade e Cultura Surda em uma Escola Estadual do Rio Grande do Norte. Revista Virtual de 
Cultura Surda Centro Revista Virtual De Cultura Surda. Edição Nº 27 / Março de 2020. Disponível em: 
https://editora-arara-
azul.com.br/site/admin/ckfinder/userfiles/files/Artigo%207%20Revista%20MENDES%20e%20CUNHA.pdf
. Acesso em: 30 nov. 2021. 
https://editora-arara-azul.com.br/site/admin/ckfinder/userfiles/files/Artigo%207%20Revista%20MENDES%20e%20CUNHA.pdf
https://editora-arara-azul.com.br/site/admin/ckfinder/userfiles/files/Artigo%207%20Revista%20MENDES%20e%20CUNHA.pdf
 
 
 
LIVRO 
 
 
• Título: A Educação de Surdos Sob a Perspectiva de Sua Cultura e Identidade 
• Autor: Danilo Pessoa Ferreira de Souza 
• Editora: Clube de Autores 
• Sinopse: Se propor refletir sobre o surdo é compreender que este ao longo do tempo 
trava uma batalha por sua presença histórica, identitária e cultural na sociedade. A 
educação de surdos é apenas um dos feixes de um infinito leque de possibilidades para 
tal compreensão, ao mesmo tempo um desafio frente às políticas inclusivas que estão 
em implementação e com constante necessidade de revisão. Neste sentido, o presente 
livro surge de uma problemática sobre a reflexão de qual a percepção que os alunos 
surdos têm sobre sua educação e de que forma os professores entendem esses alunos, 
 
considerando a cultura surda. Isso dentro de um contexto, o ensino em escolas públicas 
na cidade de Parintins-AM. 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
• Título: O Som do Silêncio 
• Ano: 2019 
• Sinopse: Interessante história do baterista de heavy metal que fica surdo e tem de se 
adaptar à nova situação. O filme ganhou o Oscar 2021 de melhor som. Em Sound of 
Metal, um jovem baterista teme por seu futuro quando percebe que está gradualmente 
ficando surdo. Duas paixões estão em jogo: a música e sua namorada, que é integrante 
da mesma banda de heavy metal que o rapaz. Essa mudança drástica acarreta em muita 
tensão e angústia na vida do baterista, atormentado lentamente pelo silêncio. 
 
• Link do vídeo: https://www.primevideo.com/detail/amzn1.dv.gti.feba7620-5120-322f-
4512-9d635983c0f3?tag=adorocinemabrasil-bouton-20. 
 
 
 
WEB 
 
• Apresentação do link:Site Cultura Surda. um espaço para partilha e promoção de 
produções culturais relacionadas a comunidades surdas de diferentes países do mundo. 
Artes plásticas (De’VIA), literatura, teatro, filmes, curtas, projetos, músicas em línguas 
gestuais: as culturas surdas em exibição. Produções de, para e sobre o público Surdo, 
partilhadas neste espaço virtual. 
• Link do site: https://culturasurda.net/sobre-o-site-2/. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de 
Sinais e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 25 abr. 2002. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 
12 dez. 2021. 
 
BRASIL. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº 
10.048, de 08 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que 
especifica, e nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e 
critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de 
deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 3 dez. 2004. Seção 1, p. 5. 
 
BRASIL. Decreto n. 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nş 
10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, 
e o art. 18 da Lei nş 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da União, 
Brasília, 23 dez. 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2005/decreto/d5626.htm. Acesso em: 12 dez. 2021. 
 
BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção 
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo 
Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 26 ago. 2009. Seção 1, p. 3. 
 
BRASIL. Lei nº 12.319, de 1º de Setembro de 2010. Regulamenta a profissão de 
Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 1º de setembro de 2010. 
 
BRASIL. Lei 13.146 de 06 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da 
Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 
10 dez. 2021. 
 
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira 
(Inep). Glossário da educação especial: Censo Escolar 2021. Brasília, DF: Inep, 
2021. 
HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade, Rio de Janeiro, DP & A 
Editora, 2005. 
 
IFPR. Instituto Federal da Paraíba. O que é cultura surda? 2018. Disponível em: 
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MICHAELIS, online. Cultura. Disponível em: 
https://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=cultura. Acesso em: 02 dez. 
2021. 
 
 
MENDES. Victor Rafael do Nascimento. CUNHA. Aldeci Fernandes da. O olhar do 
outro: Identidade e Cultura Surda em uma Escola Estadual do Rio Grande do 
Norte. Revista Virtual de Cultura Surda Centro Revista Virtual De Cultura Surda. 
Edição Nº 27 / Março de 2020. Disponível em: https://editora-arara-
azul.com.br/site/admin/ckfinder/userfiles/files/Artigo%207%20Revista%20MENDES%20
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PERLIN, Gladis Teresinha Taschetto. Identidades Surdas. In: SKLIAR, Carlos (Org.). A 
surdez: um olhar sobre as diferenças. 5. ed. Porto Alegre: Mediação, 2010. p. 51-73. 
SANTANA, A. P. Surdez e linguagem: aspectos e implicações neurológicas. São 
Paulo: Plexus, 2007. 
 
SANTANA, Ana Paula, BERGAMO,Alexandre. Cultura e Identidade Surdas: 
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565-582, Maio/Ago. 2005. Disponível em: 
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Acesso em: 30 nov. 2019. 
 
SANTOS, José Luiz dos, 1949- O que é cultura / José Luiz dos Santos. São Paulo : 
Brasiliense, 2006. - - (Coleção primeiros passos ; 110) 12ª reimpr. da 16ª. ed. de 1996. 
SKLIAR, Carlos. A surdez: um olhar sobre as diferenças. 5.ed. Porto Alegre: 
Mediação, 2015. 
 
STROBEL, K. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: Editora da 
UFSC, 2008. 2011, p. 70. 
 
UNIDADE II 
A HETEROGENEIDADE DA SURDEZ 
Professora Mestre Greicy Juliana Moreira 
 
 
Plano de Estudo: 
● As principais causas da surdez; 
● Tipos de surdez; 
● Campos de estudo e as implicações neurolinguísticas da surdez. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
● Conceituar e contextualizar as principais causas da surdez; 
● Compreender os tipos de surdez; 
● Entender as implicações neurolinguísticas da surdez. 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) à segunda unidade desta disciplina, denominada de “A 
HETEROGENEIDADE DA SURDEZ”. 
Essa unidade está dividida em três tópicos e cada um deles possuem além dos 
conteúdos propostos, as seções #saiba mais, #reflita, e ainda, dicas de novas leituras, 
como, por exemplo, livros, filmes e sites, que corroboram para o entendimento dos 
conteúdos disponibilizados. 
 Nesse momento, o objetivo será ampliar seus conhecimentos sobre o mundo 
surdo. Para tanto, a divisão em tópicos tem uma sequência lógica que possibilita um 
melhor entendimento sobre o assunto. 
 No tópico I, denominado: “As principais causas da surdez”, o objetivo é 
conceituar e contextualizar as principais causas da surdez. Para tanto, foram 
disponibilizadas informações relevantes baseadas em estudos científicos que 
comprovam a veracidade das informações. 
Na sequência, o tópico II, intitulado de “Tipos de surdez ”, a ênfase será 
compreender os tipos de surdez e suas especificidades. 
Por fim e não menos importante, o tópico III, chamado de “Implicações 
Neurolinguísticas da surdez”, o diálogo será especificamente sobre os campos de 
estudo e as implicações neurolinguísticas da surdez. 
Embarque nessa aventura pelo mundo surdo e descubra novas informações sobre 
esse fantástico lugar social. 
Até mais! 
 
 
 
 
1 AS PRINCIPAIS CAUSAS DA SURDEZ 
 
 
 
 
Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo ao primeiro tópico da Unidade II, denominado de “As 
principais causas da surdez” 
 Compreender as especificidades relacionadas ao assunto em questão é de 
grande relevância para todo profissional que está inserido no contexto escolar, uma vez 
que, as escolas recebem muitos alunos(a) que possuem essa deficiência. Diante disso, 
tal entendimento corrobora para uma atuação profissional mais eficaz. 
 Para uma melhor compreensão sobre o assunto, este tópico está organizado 
didaticamente em uma sequência lógica. Então, primeiramente o objetivo será 
apresentar informações sobre a surdez e seus significados. Posteriormente, a ênfase 
será discorrer sobre as principais causas de surdez e perdas auditivas. 
Embarque comigo nessa trilha e adquira novos conhecimentos sobre o assunto! 
Vamos lá! 
 
O que é surdez? 
 
Estudante, você conhece as especificidades do termo surdez? 
 
O Ministério da Saúde apresenta a seguinte definição para o termo, “Surdez é o 
nome dado à impossibilidade ou dificuldade de ouvir” (BVS, 2021, on-line). Diante do 
 
exposto, infere-se que a surdez pode ter causas diversas, como, por exemplo, por 
fatores genéticos, utilização medicamentosa, exposição à barulho excessivo, etc…mas, 
sobre isso, aprofundaremos os estudos no próximo tópico. 
Após a compreensão do termo, faz-se necessário entender, então, como acontece 
o processo de audição, já que a surdez significa a ausência dessa habilidade. Segundo 
explicações técnicas proferidas por órgãos da área da saúde, a audição é constituída por 
canais que conduzem o som até o ouvido interno e transforma as ondas em estímulos 
elétricos enviando-os ao cérebro (BVS, 2021, on-line). 
Mas como o ouvido funciona? Vamos entender esse processo a partir de uma 
explicação científica sobre oassunto: 
 
 
A orelha (anteriormente chamada de ouvido) pode ser dividida em três 
partes: externa, média e interna. A membrana do tímpano é a divisão 
entre as porções externa e média da orelha. Nesta última se situam os 
três ossículos da audição, os menores ossos do corpo humano: martelo, 
bigorna e estribo. Estes são responsáveis por transmitir à orelha interna 
os sons que chegam ao tímpano. A cóclea (orelha interna) é o órgão que 
transforma as vibrações mecânicas dos ossículos em impulsos elétricos 
e os envia ao cérebro através do nervo auditivo (MOREIRA, 2021, on-
line). 
A imagem a seguir ilustra o que foi explicado cientificamente: 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1: Como funciona a audição 
 
 
 
 
 
Fonte: (Eauriz, 2021, online). 
 
Para especialistas no assunto, o renomado otorrinolaringologista e professor da 
Faculdade de Medicina (FMUSP), Ricardo Ferreira Bento, classificado como um dos 
melhores cientistas do mundo pelo ranking da AD Scientific Indexa, a perda auditiva é 
muito comum e atinge uma parcela considerável da população brasileira (MORAIS, 2021, 
on-line). 
 A afirmação do médico em questão pode ser legitimada pela Pesquisa Nacional 
de Saúde - PNS, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística (IBGE) nos anos de 2013 e 2019. Os dados publicados 
apontam que pelo menos 1,1% da população brasileira possui deficiência auditiva. 
Atualmente, o Brasil ultrapassa a marca de 213 milhões de habitantes, segundo o IBGE. 
 
Infere-se, portanto, que existem que a deficiência em questão atinge um número 
considerável de pessoas. 
 
Principais causas da surdez 
 
De acordo com os especialistas no assunto, mais ou menos meio bilhão de 
pessoas (quase 8% da população mundial) tem perda auditiva e isso configura o distúrbio 
sensorial mais comum mundialmente. Essa perda implica em problemas de 
comunicação diária e os relacionamentos interpessoais. 
Entenda a explicação do médico americano sobre o número de pessoas que 
apresentam perda auditiva e suas possíveis causas: 
 
 
Cerca de 1/800 a 1/1.000 recém-nascidos nascem com perda auditiva 
grave à profunda. Duas a 3 vezes mais, nascem com perda de audição 
mais leve. Durante a infância, mais 2 a 3/1.000 crianças adquirem uma 
perda auditiva moderada a grave. Os adolescentes estão em risco de 
exposição excessiva ao ruído, traumatismo craniano, ou ambos. Adultos 
mais velhos normalmente apresentam diminuição progressiva da audição 
(presbiacusia), o que provavelmente está diretamente relacionado com 
envelhecimento, exposição a ruídos e fatores genéticos (LUSTIG, 2019, 
on-line). 
 
 Como você pode perceber na explicação do autor renomado que desenvolve 
estudos sobre o assunto, as causas da perda auditiva são diversas e variam de acordo 
com a faixa etária. 
 Quanto à etiologia, a perda auditiva pode ser (LUSTIG, 2019, on-line). 
 
● Congênita ( Causas da perda auditiva congênita*) ou adquirida ( Algumas 
causas de perda auditiva adquirida ) 
● Progressiva ou súbita 
● Temporária ou permanente 
● Unilateral ou bilateral 
● Leve ou profunda 
 
Na tabela a seguir, você pode conferir as causas da perda auditiva congênita, 
legitimada por uma explicação médica sobre o assunto: 
 
Tabela 1: Causas da perda auditiva congênita* 
Área anatômica afetada Etiologia† 
Condutiva 
Orelha média e externa Genética 
Desenvolvimental (p. ex., imobilização ossicular) 
Malformação idiopática (desconhecida) 
Malformação induzida por fármacos (p. ex., com 
talidomida) 
Sensório 
Orelha interna Genética 
Malformação idiopática (desconhecida) 
Infecção congênita (p. ex., rubéola, CMV, 
toxoplasmose, sífilis) 
Incompatibilidade Rh 
Anoxia 
Ingestão materna de fármacos ototóxicos (p. ex., 
para tuberculose ou infecção grave) 
Malformação induzida por fármacos (p. ex., com 
talidomida) 
Neural 
Sistema nervoso central Anoxia 
Malformação idiopática (desconhecida) 
Genética 
Infecção congênita (p. ex., rubéola, CMV, 
toxoplasmose, sífilis) 
Neurofibromatose (tipo 2) 
Hiperbilirrubinemia 
 
* Algumas perdas auditivas congênitas podem ser perdas mistas — uma 
combinação de perda condutiva e sensorial com ou sem um componente neural. 
† As causas estão listadas primeiro em ordem aproximada de maior frequência. 
 
Fonte: (LUSTIG, 2019, on-line). 
 
Na sequência, confira a tabela que apresenta as causas de perda auditiva 
adquirida, a partir de uma explicação do especialista no assunto, o médico americano 
Lawrence R. Lustig da Columbia University Medical Center and New York Presbyterian 
Hospital: 
 
Tabela 2: Algumas causas de perda auditiva adquirida 
 
Causa* Achados sugestivos Abordagem 
diagnóstica† 
Orelha externa (perda condutiva) 
Obstrução (p. ex., causada por 
cerume, corpo estranho, otite 
externa ou, raramente, tumor) 
Visíveis à otoscopia Otoscopia 
Orelha média (perda condutiva) 
Otite média (secretora) Perda auditiva que pode 
flutuar 
Eventualmente também 
tontura, dor ou plenitude 
aural 
Quase sempre alteração 
na MT 
Otoscopia 
Audiometria e 
timpanometria 
 
Com frequência, história 
de otite média aguda ou 
outro evento causador 
Otite média (crônica)‡ Otorreia crônica 
Perfuração geralmente 
visível 
Tecido de granulação ou 
pólipo no canal 
Colesteatoma, 
eventualmente 
Otoscopia 
TC ou RM para 
colesteatoma 
 
Trauma auditivo‡ Aparente pela história 
Com frequência, 
perfuração visível da 
MT, sangue no canal 
atrás da MT (se 
intacta) 
Otoscopia 
Otosclerose‡ História familiar 
Idade de início aos 20 
a 30 anos 
Lentamente 
progressiva 
Timpanograma 
Tumores (benignos e 
malignos) 
Perda unilateral 
Muitas vezes, lesão 
visível durante a 
otoscopia 
TC ou RM 
Orelha interna (perda sensorial) 
 
Doenças genéticas (p. ex., 
mutação na conexina 26, 
síndrome de Waardenburg, 
síndrome de Usher, síndrome 
de Pendred) 
de Waardenburg 
Perda de visão e 
audição pode às 
vezes, história familiar 
positiva (mas 
normalmente negativo) 
Consanguinidade 
Mutações da conexina 
26 são responsáveis 
pela grande maioria 
dos casos de perda 
auditiva não 
sindrômica e devem 
ser pesquisadas 
inicialmente 
Às vezes, mechas 
brancas no cabelo ou 
coloração diferente 
dos olhos sugere 
síndrome erir 
síndrome de Usher 
Exame genético 
TC e/ou MR 
Exposição ao ruído Quase sempre 
aparente pela história 
Avaliação clínica 
Presbiacusia > 55 anos em homens, 
> 65 anos em 
mulheres 
Perda bilateral 
progressiva 
Exame neurológico 
normal 
Avaliação clínica 
Fármacos ototóxicos (p. ex., 
ácido acetilsalicílico, 
aminoglicosídios, 
vancomicina, cisplatina, 
furosemida, ácido etacrínico, 
quinina) 
História de uso 
Perda bilateral 
Sintomas vestibulares 
variáveis 
Insuficiência renal 
Avaliação clínica 
Exames de 
sangue para 
dosar os níveis 
dos 
medicamentos 
 
Infecções (p. ex., meningite, 
labirintite purulenta) 
História evidente de 
infecção 
Sintomas que se 
iniciam durante ou 
logo após uma 
infecção 
Avaliação clínica 
Doenças autoimunes (como 
artrite reumatoide e lúpus 
eritematoso sistêmico) 
Inflamação das 
articulações, exantema 
Às vezes, alteração 
repentina na visão ou 
irritação nos olhos 
Com frequência, 
doença autoimune 
conhecida 
Exames 
sorológicos 
Síndrome de Ménière Episódios de perda 
auditiva unilateral 
flutuante 
acompanhada por 
plenitude auricular, 
zumbido e vertigem 
Ressonância 
magnética com 
gadolínio para 
descartar tumor 
Barotrauma (com fístula 
perilinfática)‡ 
História de mudança 
abrupta na pressão (p. 
ex., mergulho, descida 
rápida em um avião) 
ou sopro no canal 
auditivo 
Dor grave ou vertigem, 
eventualmente 
Timpanometria e 
testes de função 
de equilíbrio 
TC do osso 
temporal 
Exploração 
cirúrgica se a 
vertigem persistir 
 
Traumatismo craniano (com 
fratura da base do crânio ou 
concussão coclear)‡ 
História de lesão 
significante 
Possivelmente 
sintomas vestibulares,fraqueza facial 
Às vezes, sinais de 
hemotímpano, fístula 
liquórica, equimose em 
região mastoidea 
TC ou RM 
Neuropatia auditiva‡ Boa detecção sonora, 
mas compreensão 
ruim de palavras 
Testes auditivos 
(ABR, emissões 
otoacústicas) 
RM 
Sistema nervoso central (perda neural) 
Tumores do ângulo 
pontocerebelar (p. ex., 
neuroma acústico e 
meningioma) 
Perda auditiva 
unilateral, 
frequentemente com 
zumbido 
Alterações 
vestibulares 
Às vezes, déficits de 
nervo facial ou 
trigêmeo 
RM com 
gadolínio 
Doença desmielinizante (p. 
ex., esclerose múltipla) 
Perda unilateral 
Multifocal 
Sintomas em surto e 
remissão 
RM do encéfalo 
Algumas vezes, 
punção lombar 
* Cada grupo é listado em ordem aproximada de frequência. 
† Todos os pacientes devem passar por otoscopia e realizar avaliação 
audiológica. 
 
‡ Perda neurossensorial e condutora mista também pode estar presente. 
MT = membrana timpânica. 
 
Fonte: (LUSTIG, 2019, online). 
 
Estudante, agora que você já sabe o que significa o termo “surdez” e as possíveis 
causas da perda auditiva, como também o percentual de pessoas que possuem essa 
deficiência no Brasil, faz-se necessário ativar o conhecimento sobre a expressão pessoa 
deficiência. 
De acordo com Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Convenção 
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), ratificada no Brasil em 
forma de Emenda Constitucional, por meio do Decreto Legislativo nº 186/2008 e do 
Decreto nº 6.949/2009, da Presidência da República: 
 
 
Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo 
prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em 
interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena 
e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais 
pessoas (BRASIL, 2009) 
 
 Como você pode perceber, a legislação estabelece os critérios para definir as 
particularidades que estão relacionadas ao termo surdez e ou deficiência auditiva. Isso 
posto, para ampliar o conhecimento sobre o assunto, vamos entender o que diz o 
Glossário da Educação Especial, no que se refere à deficiência auditiva e surdez: 
 
 
Consiste em impedimentos permanentes de natureza auditiva, ou seja, 
na perda parcial (deficiência auditiva) ou total (surdez) da audição que, 
em interação com barreiras comunicacionais e atitudinais, podem impedir 
a plena participação e aprendizagem do aluno (BRASIL, 2021). 
 
 
 Na interpretação da literatura sobre o assunto, infere-se que as pessoas que 
possuem surdez e/ou deficiência auditiva estão amparadas pela legislação nacional no 
que se refere à preservação dos seus direitos sociais. 
 Ainda sobre essa questão é oportuno relembrar que, no Brasil, a LEI Nº 
11.796/2008, instituiu o dia Nacional do surdo, 26 de setembro de cada ano. Essa data 
foi escolhida em memória ao início da primeira escola de surdos, o Instituto Nacional de 
Educação de Surdos (Ines), que oficialmente começou a funcionar no ano de 1857 
(BRASIL, 2008). O mês de aniversário ficou definido como "SETEMBRO AZUL”, então, 
os integrantes da comunidade surda utilizam fitas azuis nas roupas, além disso 
promovem diversos eventos, como, por exemplo, palestras, cursos etc…em prol de 
novas conquistas e garantia aos direitos desse povo. 
Outra informação relacionada à comunidade surda que merece destaque é que a 
Federação Mundial de Surdos -World Federation of the Deaf (WDF), organização não 
governamental internacional, reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), 
definiu o dia 10 de setembro como o Dia Internacional das Línguas de Sinais. A escolha 
da data teve como parâmetro o Congresso de Milão, promovido em 1880, entre os dias 
06 e 11 de setembro. Como resultado desse evento, foi imposta a propagação do 
Oralismo e, ainda, ficou proibida a utilização da língua de sinais na área da educação em 
diversos países (WDF, 2021, on-line). 
Caro(a) Acadêmico(a), agora que você já compreendeu as especificidades 
relacionadas ao termo surdez e algumas curiosidades que estão relacionadas à 
comunidade surda, vamos para o próximo tópico, lá você terá a oportunidade de adquirir 
novos conhecimentos relacionados aos tipos de surdez. 
Encontro você logo ali. 
Até mais! 
 
 
 
 
2 TIPOS DE SURDEZ 
 
 
Estudante, olá! 
 
 Seja muito bem-vindo(a) ao segundo tópico desta unidade, denominado de “ 
Tipos de surdez “. 
 Para o especialista no assunto Bento (2019), professor titular de 
Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP, a saúde auditiva, atualmente é 
considerada como uma grande preocupação para o século 21, conforme apontam os 
resultados dos estudos sobre Carga Global da Doença (GBD), pois os dados coletados 
indicam uma crescente e preocupante carga de perda auditiva manifestada na população 
em geral, no Brasil (BENTO, 2019). 
 Coaduna-se com essa informação o fato de existirem diversos mitos relacionados 
à surdez, que são propagados rotineiramente por pessoas leigas, como, por exemplo, 
ouvir música alta pode causar perda auditiva, todo surdo é mudo, todo surdo faz leitura 
labial, o surdo não fala, o surdo é incapaz, etc. 
 Diante da disseminação de tantos mitos e do crescente aumento da perda 
auditiva, a ideia, aqui, é disponibilizar informações corretas sobre as questões em torno 
da surdez, ou seja, tipos e causas da surdez, a partir de estudos publicados por autores 
renomados que realizaram pesquisas na área. 
 
 Para tanto, os conteúdos foram divididos didaticamente para que você consiga 
compreendê-los. 
Então, embarque comigo nesta nova viagem e amplie os seus conhecimentos 
sobre o assunto. 
Vamo lá! 
 
Especificidade da Surdez 
 
 Acadêmico(a), de acordo com as informações disponibilizadas no tópico anterior, 
você conseguiu compreender que a audição é um sentido de primordial importância para 
o desenvolvimento social do ser humano, uma vez que, por meio dela conseguimos 
nos comunicar naturalmente utilizando a língua materna sem a necessidade de 
acessibilidade. Contudo, a ausência desse sentido ou mesmo a perda parcial dele 
configura algumas adversidades, sejam elas de causa emocionais, psicológicas, de 
interação social, problemas relacionados ao aprendizado e consequentemente na esfera 
do mundo do trabalho. 
Segundo os dados que foram publicados pela revista Saúde, Desenvolvimento e 
Educação, em 2019: “10% da população mundial possui alguma deficiência auditiva. 
5,6% da população brasileira possui deficiência auditiva. Aproximadamente 2% da 
população brasileira possui perda auditiva severa e profunda (BENTO, 2019, p. 4). Além 
disso, outra informação relevante sobre o assunto, é o apontamento da Organização 
Mundial da Saúde (OMS) ao divulgar que, de acordo com alguns estudos, até 2050, 500 
milhões de jovens e adultos terão perda auditiva, em virtude da má utilização de fones 
de ouvido, leia-se, uso constante e, também, volume extremamente alto. 
Na imagem, a seguir, você pode observar os graus de perda auditiva desde o 
normal até a profunda. Importante destacar que, para a medicina, a perda auditiva é 
analisada em decibéis (dB). 
 
Figura 2: Graus de perda auditiva 
 
 
Fonte: (BENTO, 2007). 
 
Conforme os dados acima, constatamos que a audição normal possibilita que 
sejam ouvidos todos os sons que são propagados nos mais diversos contextos sociais, 
oriundos, de seres humanos, animais, máquinas, recursos digitais etc (BENTO, 2007). 
Nesse sentido, caso haja a perda auditiva entre entre 25 e 40 dB, é configurada 
uma perda leve. Como característica disso, existe a dificuldade de ouvir algumas 
consoantes, por exemplo, “f, s, p, t, k” e, ainda, o som do relógio batendo (BENTO, 
2007). 
 Já na perda auditiva moderada – 45 a 70 dB – quase nenhum som da fala pode 
ser percebido em nível de voz natural. Apenas sons fortes como choros de crianças e o 
 
de aspirador de pó funcionandosão audíveis. A comunicação com o mundo torna-se 
bastante limitada (BENTO, 2007). 
 Com relação à perda moderada, os níveis variam entre 45 a 70 dB. Essa perda 
reflete a impossibilidade de audição natural de um diálogo e isso já causa transtornos 
sociais, uma vez que, o processo comunicativo torna-se dificultoso. Contudo, pode-se 
ainda ouvir barulhos exageradamente altos e estridentes, como o som de um aspirador 
de pó, motor de máquina grande etc (BENTO, 2007). 
 No quesito severa, a perda equivale a 70 a 90 dB, nesse sentido, a audição natural 
não existe mais, portanto, há a necessidade de utilização de acessibilidades diversas 
como auxiliadoras (BENTO, 2007). 
 Por fim, a profunda, é manifestada quando a perda supera 90 dB. É válido 
ressaltar sobre essa categoria, que se isso acontecer desde o nascimento, a criança terá 
prejuízos relacionados à aquisição da fala e da linguagem. 
Para o Dr. Ricardo Bento (2007), a medicina considera dois tipos de surdez: 
Condução e Neurossensorial. 
 
No que se refere à surdez de condução, estudos apontam que não é um tipo muito 
comum. Ela manifesta-se no ouvido externo ou médio, geralmente, quando as ondas 
sonoras não são dirigidas de maneira adequada para o ouvido interno. Confira na figura 
abaixo, as possíveis causas: 
 
 
 
 
Figura 3: Causas: perda de Condução 
 
 
Fonte: (BENTO, 2007). 
 
 O referido médico assevera que os problemas que foram elencados nessa 
categoria podem ser sanados com tratamento medicamentoso e/ou intervenção 
cirúrgica (BENTO, 2007). 
 Já a perda Neurossensorial, forma mais comum, atinge especificamente o nervo 
auditivo ou pode acontecer também na cóclea. Isso acontece quando a “cóclea que é o 
órgão interno da audição não consegue transformar a energia mecânica da vibração que 
o som produz em energia elétrica para transmiti-la ao cérebro que irá entender o som” 
(BENTO, 2007, on-line). Confira na figura abaixo, as principais causas da perda no nervo: 
 
 
Figura 4: Causas: perda Neurossensorial 
 
 
Fonte: (BENTO, 2007). 
 
 Os especialistas no assunto alertam que diagnosticar precocemente é decisivo 
para o controle e, também, o tratamento dessas especificidades. Diferente, a demora do 
diagnóstico, pode refletir em danos severos. 
 Muito bem! Chegamos ao final desse tópico, no qual você pode compreender os 
tipos e causas da surdez. 
 Encontro você logo ali, no terceiro e último tópico para continuarmos nosso 
diálogo sobre o assunto em questão. 
 Até mais! 
 
 
 
 
3 IMPLICAÇÕES NEUROLINGUÍSTICAS DA SURDEZ 
 
 
Estudante, olá! 
 
 Chegamos ao terceiro e último tópico dessa unidade, denominado de 
“Implicações Neurolinguísticas da surdez”. 
 Você já sabe que no passado, em tempos não tão distantes, os surdos eram 
considerados como pessoas desprovidas de inteligência, ou seja, erroneamente, as 
pessoas disseminavam uma inverdade sobre eles. Muitas vezes, foram considerados 
como aberrações da natureza, loucos etc. Em virtude dessas análises preconceituosas 
e descabidas, eles eram também impedidos de frequentar as escolas. 
 Mas isso mudou, e atualmente, após muitas lutas e conquistas, estão inseridos 
na esfera escolar. Contudo, ainda existe pouca divulgação de estudos sobre os aspectos 
neurolinguísticos e o desenvolvimento da linguagem dos surdos. 
Portanto, dialogar sobre esse tema é de extrema relevância para todo o 
profissional que está inserido no contexto educacional, uma vez que, entender como 
acontece esse processo , favorece o desenvolvimento da prática profissional e corrobora 
com a identificação e também com a superação das dificuldades apresentadas pelos 
alunos. 
Então, mergulhe nessa aventura e desvende os mistérios do cérebro. 
Até mais! 
 
Implicações Neurolinguísticas 
 
 
 Estudante, para falar sobre esse tema, é interessante, relembrarmos alguns 
conceitos sobre 
 Neurolinguística, de acordo com as acepções do dicionário Michaelis, “é a ciência 
que estuda as relações entre a estrutura do cérebro humano e a capacidade linguística, 
com atenção especial à aquisição da linguagem e aos distúrbios da linguagem” 
(MICHAELIS, 2021, on-line). 
 Isso posto, para melhor compreensão do conteúdo, faz-se necessário relembrar 
as acepções da LINGUÍSTICA, ou seja, o estudo científico da linguagem, em qualquer 
um de seus sentidos. Ela é a ciência que estuda os fenômenos relacionados à linguagem 
verbal humana, buscando entender quais são as características e princípios que regem 
as estruturas das línguas do mundo. 
 A partir dessa definição, infere-se que NEUROLINGUÍSTICA é uma área 
interdisciplinar entre duas ciências: a medicina e a linguística. O objetivo desse campo 
do saber é a linguagem humana, ou seja, compreender como usamos e combinamos 
palavras, no caso dos surdos, os signos, utilizados na linguagem gestual, para construir 
frases e transmitir os conceitos processados pelo cérebro. Além disso, interessa-se, 
ainda, elucidar como o cérebro elabora os conceitos das palavras proferidas por outra 
pessoa (RODRIGUES, 1991). 
No que se refere ao público-alvo dessa disciplina, a intenção aqui é entender 
quais são as implicações neurolinguísticas da surdez, uma vez que, o surdo se 
comunica, geralmente, por sinais e não por meio da linguagem verbal. Contudo, mesmo 
que ele possua escassa ou nenhuma audição, o que resulta, em pouca ou quase 
nenhuma manifestação oral, ele consegue se comunicar perfeitamente (NADER, PINTO, 
2011). 
Com intuito de aprofundarmos os conhecimentos sobre a neurolinguística, vamos 
entender como o cérebro elabora a linguagem? Os cientistas postulam que esse órgão 
de extrema importância elabora a linguagem a partir da interação de três conjuntos de 
estruturas neuronais: 
 
1. Composto de numerosos sistemas neuronais dos dois hemisférios: 
 
 
Representa interações não linguísticas entre o corpo e seu meio, 
percebido por diversos sistemas sensoriais e motores; ele forja uma 
representação de tudo o que uma pessoa faz, percebe, pensa ou sente. 
Além de decompor essas representações não linguísticas (forma, cor, 
sucessão no tempo ou importância emocional), o cérebro cria 
representações de nível superior, pelas quais gerem os resultados dessa 
classificação (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). 
 
2. Conjunto menor de estruturas neuronais, localizado no hemisfério esquerdo: 
 
Representa os fonemas, suas combinações e as regras sintáticas de 
ordenação destas palavras em frases. Quando solicitados pelo cérebro, 
esses sistemas reúnem palavras em frases destinadas a ser ditas ou 
escritas,- se demandados em reação a um estímulo linguístico externo 
(uma palavra ouvida ou um texto lido), asseguram os processamentos 
iniciais das palavras e frases percebidas (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, 
H., 2004, on-line). 
 
3. Conjunto situado no hemisfério esquerdo, coordena os dois primeiros: “Produz 
palavras a partir de um conceito ou conceitos a partir de palavras” (DAMÁSIO, A., 
DAMÁSIO, H., 2004, on-line). 
 
Para que você consiga entender melhor o que foi explicado e também, confira 
nas imagens as representações dos centros cerebrais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5: Centros cerebrais 
 
 
Fonte: (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). 
 
Estudante, como você pode observar na imagem, os Centros Cerebrais 
responsáveis por processar a cor estão estruturados como sistemas para a 
compreensão e utilização da linguagem (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, on-line). 
A seguir, confira a diferença de organização dos Centros Cerebrais da Linguagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 : Centros Cerebrais da Linguagem 
 
 
Fonte: (DAMÁSIO, A., DAMÁSIO, H., 2004, online). 
 
Verifique que, no hemisfério esquerdo, estão organizadas as estruturas 
relacionadas ao processamento das palavras e as frases e também, aquelas que fazem 
a mediação entre os elementos lexicais

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