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1.1 – Aspectos históricos O ato de alimentar os filhos faz parte do instinto materno. É possível observar esse fenômeno também no mundo animal. Assim que seus filhotes nascem, alguns pássaros, por exemplo, saem em busca de alimentos que serão depositados diretamente nos bicos dos recém-nascidos. Já com os mamíferos, incluindo os humanos, a primeira alimentação dos filhos é feita por meio das mamas, onde eles sugam o leite materno. 
Entretanto, a amamentação sofreu grandes influências sociais e culturais ao longo do tempo. Séculos antes de Cristo, as mulheres alimentavam seus bebês usando outros artifícios como xícaras com bicos e pequenos potes feitos de barro. Esses objetos foram encontrados por arqueólogos em túmulos de crianças. 
Isso indica que as mulheres buscavam uma forma de substituir a amamentação feita pela mãe. Outra prática, também bastante antiga, para a substituição da amamentação materna é a das amas de leite. 
As amas de leite amamentavam os filhos de mulheres ricas e, muitas vezes amamentavam também seus próprios filhos. As senhoras ricas obrigavam as amas a alimentarem primeiro os herdeiros acreditando que ficariam com um leite mais saudável. Depois é que os filhos das amas eram alimentados. 
Há menção de amas de leite na Bíblia e nas mitologias de diversos povos. Por volta de 1.700 a.C. a prática da ama de leite foi regulamentada em um código de leis chamado Hamurabi, elaborado pelo Rei Hamurabi. 
]No Brasil, essa prática foi uma influência do que ocorria na Europa, trazida para cá pelas mães portuguesas que deixavam a amamentação de seus filhos a cargo de escravas. A maternidade era vista como algo que atrapalhava o bom andamento da vida social da mulher. 
Entretanto, fazer uso de uma ama de leite não era muito saudável para o bebê. De acordo com a filósofa francesa Elisabeth Badinter, em Paris entre os anos de 1780 a 1789, 26,5% das crianças amamentadas por ama de leite, faleciam antes de completar um ano. 
Isso porque o leite oferecido pelas amas, muitas vezes já não era mais o colostro, o leite produzido no primeiro mês de amamentação, que será detalhado mais adiante. Esse leite possui todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento saudável do bebê. 
Foi então que na Europa, devidas às altas taxas de mortalidade infantil, muitos estudos começaram a ser desenvolvidos nessa época. Os resultados dos estudos apontavam que a causa de tantas mortes era justamente a prática das amas de leite. 
Assim, foram sendo publicados textos que recomendavam que as mães amamentassem seus filhos, pelo fato de ser mais saudável aos bebês. Com o tempo a amamentação se tornou um hábito entre as mães e a taxa de mortalidade infantil reduziu. 
Nos dias de hoje, ainda existem mães que interrompem a amamentação antes do tempo recomendado, por diversas razões. Mas em contrapartida, há uma grande conscientização por parte das mães e dos familiares de que a amamentação só traz benefícios tanto para a mãe quanto para os bebês.
1.2 – A importância da amamentação 
As ações positivas causadas pelo aleitamento materno são inúmeras. Já durante a gestação as mamas vão sendo preparadas para o momento de amamentar. Isso só pode significar que amamentar é um processo natural e deve ocorrer. 
Os benefícios serão vistos na saúde do bebê, em aspectos psicológicos da mãe e do filho, no fortalecimento do vínculo mãe/filho e também em aspectos financeiros, já que o leite materno, além de ter todos os nutrientes que o bebê necessita, é de graça. 
Nos primeiros 30 dias após o nascimento da criança, o organismo da mãe vai produzir o colostro. Esse é o nome dado ao primeiro leite que o bebê terá contato. 
No primeiro mês após o parto o colostro vai se transformando em leite maduro aos poucos, sendo que nos primeiros sete dias, aproximadamente, ele é unicamente colostro e, depois dos 30 dias, ele é só leite maduro. O colostro é mais grosso e mais amarelado do que o leite maduro. 
Esse primeiro leite possui muitas vitaminas, proteínas e minerais necessários ao desenvolvimento do bebê. Ele é também menos gorduroso que o leite maduro e possui algumas células nutritivas que já estavam presentes nas mamas antes do parto. 
Outra qualidade importante do colostro é sua riqueza em imunoglobulinas e leucócitos, responsáveis pelas defesas do bebê. Essas células são anticorpos produzidos pelo sistema imunológico da mãe e são indispensáveis à criança, já que, logo após o parto, as defesas dela diminuem consideravelmente. Depois de 72 horas, há apenas 20% de anticorpos do que havia nas primeiras 24 horas. 
O colostro também funciona como um laxante, pois, no parto, é possível que o bebê ingira algumas substâncias que precisam sair de seu organismo, como o mecônio, por exemplo. 
O mecônio é um líquido que compõe o líquido amniótico e vai se tornando mais escuro com o passar da gravidez devido às fezes do bebê. Em alguns partos, pode ocorrer a ingestão do mecônio e ele será eliminado graças às propriedades laxantes do colostro. É por isso que as primeiras fezes do bebê são escuras e meio esverdeadas. 
A Organização Mundial de Saúde, a OMS, e a UNICEF fazem campanhas de recomendação para que as mães alimentem seus filhos apenas com o leite materno nos primeiros seis meses de vida da criança.
A inclusão de outro tipo de alimento antes dos seis meses, até mesmo o leite de vaca, pode ser prejudicial à nutrição e à saúde do bebê. O leite materno contém tudo o que a criança necessita nesse estágio da vida. Essa recomendação só pode ser alterada caso o médico receite algum suplemento. 
Após os seis meses, outros alimentos podem ser introduzidos na dieta do bebê, como sopas, papinhas e algumas frutas. A OMS recomenda que todos os bebês com mais de seis meses se alimentem tanto desses alimentos como do leite materno. 
Os bebês devem continuar a ser amamentados com o leite materno até pelo menos os dois anos de vida. Os benefícios da amamentação podem ser vistos por toda a vida do bebê. 
Os que mamaram no peito pelo tempo recomendado têm menos risco de desenvolver uma série de doenças. 
Por conta de todas as propriedades nutricionais do leite e suas substâncias benéficas para o bebê, há um menor risco de a criança desenvolver diabetes, diarreias, meningite, hipertensão, e problemas do coração. 
A diabetes tem chances menores de surgir por conta do aleitamento tanto na criança, quanto na mãe. Isso ocorre porque a mãe que amamenta consegue equilibrar melhor os níveis de glicose no sangue. 
Outro problema que pode ser evitado graças ao tempo recomendado de aleitamento materno é a obesidade infantil, que, muitas vezes, dura até a vida adulta da criança.
O leite materno possui propriedades que auxiliam o trabalho digestivo da criança, além de ajudarem o bom funcionamento dos rins e do metabolismo para diminuir as células de gordura.
As doenças respiratórias também podem ser evitadas com amamentação. Quando estão mamando, os bebês respiram somente pelo nariz e isso vai se tornar um hábito.
Se a criança não mamou no peito pelo tempo recomendado, ela corre o risco de respirar pela boca, o que pode ocasionar problemas na garganta, no nariz e processos alérgicos.
De acordo com a fonoaudióloga Jamile Elias, “respirar pela boca altera a função muscular. Os músculos da face tornam-se flácidos e a boca fica mais facilmente aberta. Essa flacidez faz com que ela respire ainda mais pela boca, não tendo força para mastigar alimentos mais sólidos. A respiração oral altera a mastigação, deglutição e sucção, e provoca modificações na arcada dentária como queixo para trás, céu da boca estreito e profundo, além de má formação da arcada”.
E esses problemas causados pela respiração oral podem se estender por toda a vida da criança, inclusive na fase adulta, fazendo com que ela corra o risco de desenvolver apneia do sono, distúrbio respiratório em que a língua tampa a garganta e impede a respiração.
A criança que tem a respiração feita pela boca é geralmente mais agitada, dorme mal e se cansa com mais facilidade. Por consequência disso, ela terá dificuldades de concentração,o que refletirá em seu aprendizado.
Mas não é só o bebê que lucra com a amamentação. O corpo da mãe também se beneficia.
O organismo feminino libera um hormônio chamado oxitocina, que só age em três situações: nas relações sexuais, no parto e na amamentação. A função dessa substância é contrair as fibras do útero.
Na gestação, o útero aumenta de 500 a 1000 vezes seu tamanho original para abrigar o feto. Após o parto, o útero ainda está expandido, ele demora alguns dias para retornar ao seu tamanho normal. Mas com a amamentação e a liberação de oxitocina, esse processo é acelerado diminuindo o sangramento pós-parto e evitando anemias.
Amamentar também gasta calorias, pois o corpo usa energia para produzir o leite. Se uma mulher amamenta seu filho com frequência, a tendência é perder meio quilo por mês.
A amamentação ajuda a prevenir o câncer de mama, pois as glândulas mamárias amadurecem no período de aleitamento e as mamas recebem grande carga de células do sistema imunológico.
Quanto mais tempo a mãe amamentar seu filho, menores são os riscos de desenvolvimento de câncer de mama. Entretanto, é importante lembrar que a amamentação não é uma vacina contra o câncer.
Outro tipo de câncer que pode ser prevenido com a amamentação é o de ovário. Esse câncer ocorre quando há um trauma causado por ovulações sem pausa, fazendo as células cancerígenas se proliferarem. Durante a amamentação não há ovulação, por isso ela previne esse tipo de câncer.
A ausência de ovulação também não deixa que a mulher engravide novamente. Quando a ovulação voltar ao normal, ela poderá engravidar. No período de amamentação, ficar grávida é mais difícil, mas não é impossível.
A osteoporose também é menos recorrente em mulheres que amamentaram. Durante o período de aleitamento, a mulher perde uma quantidade considerável de cálcio, pois ele é transferido para o leite e passado ao bebê.
Quando ocorre o desmame e a normalidade da menstruação, esse cálcio é reposto e a mulher que amamentou chega a ficar com mais cálcio do que uma que não tenha amamentado.
Além de todos esses benefícios para a saúde da mãe e do bebê, o vínculo afetivo criado no momento da amamentação é muito benéfico. O contato físico auxiliará o bebê a se relacionar melhor com outras pessoas.
A mãe, por sua vez, se sentirá plena e realizada como mãe e mulher. Saber que vem de dela tudo o que um bebê precisa para se alimentar, é gratificante.

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