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teorico A PRÁTICA PROFISSIONAL DO

Capítulo sobre a prática profissional do Serviço Social no Brasil (1961–1964), situando o período democrático-popular e o populismo. Analisa mudanças na profissão, movimentos sociais (MEB, liga camponesa, sindicatos rurais), a relação com o Estado e a metodologia do Desenvolvimento de Comunidade.

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FUNDAMENTOS DO SERVIÇO SOCIAL: 
QUESTÃO SOCIAL NOS ANOS 60-80
CAPÍTULO 5 - A PRÁTICA PROFISSIONAL DO 
SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO DO 
POPULISMO (1961-1964)
Micaela Alves Rocha da Costa
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Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Contextualizar o serviço social brasileiro em diferentes períodos.
• Compreender a particularidade da atividade profissional.
• Conhecer as principais bandeiras de luta dos profissionais no período.
Tópicos de estudo
• A prática profissional.
• Principais acontecimentos do período democrático-popular.
• Emergência de uma nova prática profissional.
• Movimentos sociais no governo de Jânio Quadros.
• Movimento de Educação de Base (MEB).
• Movimento de cultura popular.
• Liga camponesa e sindicatos rurais.
• Serviço social e o Estado.
• O assistente social como funcionário do Estado.
• Objeto profissional do Assistente social.
• Deslocamento do eixo do indivíduo para o da comunidade.
• O Desenvolvimento de comunidade (DC).
• A metodologia do DC no Brasil.
• DC no Brasil: caráter político, crítico e clássico.
Contextualizando o cenário
A prática profissional do serviço social brasileiro tem sido construída coletivamente desde o século XX, contando 
com a contribuição de diversos sujeitos, organizações e instituições: a Igreja Católica, os movimentos sociais, o 
Estado, o empresariado, entre outros. Durante sua consolidação enquanto profissão, inúmeras transformações 
aconteceram no que se refere a teoria e a prática do/a assistente social.
Neste capítulo, vamos nos debruçar sobre importante metodologia adotada pela profissão, o desenvolvimento de 
comunidade, que trouxe mudanças significativas para o serviço social, erodindo as bases tradicionais da profissão 
e inaugurando um novo período para a categoria.
Diante disso, surge a seguinte questão: qual a contribuição da metodologia de desenvolvimento de caso para a 
profissão, no contexto desenvolvimentista?
5.1 A prática profissional
A história do serviço social brasileiro traz em seu bojo complexa construção histórica, com muitas transformações 
no que se refere ao trato com as expressões da questão social. Com gênese de origem e de influência religiosa, a 
profissão iniciou seu legado na década de 1930 no Brasil, pautada em um viés tradicional e conservador.
Contudo, com o desenvolvimento da economia, da política e das relações sociais, essa influência foi questionada e 
deu início a um período histórico com uma nova prática profissional pautada em outras análises, com contribuição
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de diferentes influências. Neste capítulo, entenderemos um pouco mais da conjuntura do populismo e as
transformações gestadas no âmbito do serviço social.
5.1.1 Principais acontecimentos do período democrático-popular
Para entender as transformações que imbricaram no âmbito profissional, é de fundamental importância
compreender o contexto da época. Acompanhe clicando a seguir:
• Período democrático-popular
Foi na década de 1960, que uma série de acontecimentos configuraram o período denominado
democrático-popular, cujas principais expressões foram a luta de classes e as mobilizações populares.
Ambas se colocavam contra o processo de internacionalização da econômica brasileira.
• Significativas mudanças no contexto
Já no período que vai de 1961 a 1964, o contexto governamental brasileiro passou por significativas
mudanças. Em 1961, o presidente Jânio Quadros foi eleito, mas renunciou à presidência, por não conseguir
administrar a grave crise política pela qual o país passava. Quem assumiu o governo foi o vice dele, João
Goulart, popularmente conhecido como Jango.
• Governo de João Goulart
O governo de João Goulart durou até abril de 1964, quando foi deposto pelo golpe militar, iniciando a
ditadura no país. Durante o período em que foi presidente, Jango administrou diversas ações políticas que
o aproximaram, mesmo com limites, das reivindicações da classe trabalhadora. O momento foi de
sentimento populista fomentado junto à população.
O contexto em que Jango assumiu o governo foi marcado pela continuidade da crise econômica repercutindo
sobre a população, mobilizando diversos movimentos sociais e organizações na reivindicação de mudanças de
caráter popular e por divergências entre os representantes políticos.
As ações de Jango, para enfrentar a situação financeira do país, tiveram como referência a criação do Plano
 (1963-1965). Esse objetivava “[...] o combate ao surtoTrienal de Desenvolvimento Econômico-Social
inflacionário com uma política de desenvolvimento que permitisse ao país retomar as taxas de crescimento”
(TOLEDO, 2004, p.16).
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PAUSA PARA REFLETIR
Com base na conjuntura política e econômica do Brasil na década de 1960, quais as principais
dificuldades que a classe trabalhadora enfrentava em seu cotidiano?
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Fonte: © skyfish / / Shutterstock.
Embora o governo empenhasse esforços no sucesso do Plano, este não foi alcançado, ocasionando a permanência
da população em dívidas e a insatisfação de empresários da classe dominante.
Por outro lado, Jango promoveu a discussão da importância das reformas de base (na área agrária, política, fiscal,
etc.), na tentativa de trazer melhorias para trabalhadores. Além disso, o presidente também consolidou relação
mais próxima com o governo norte-americano, para manter a satisfação dos setores dominantes da sociedade.
Para tanto,
[...] Como reconhecia o Plano, as reformas eram indispensáveis a fim de que o capitalismo industrial
brasileiro pudesse alcançar um novo patamar de desenvolvimento. Concomitantemente, os setores da
esquerda nacionalista erigiam as reformas como condições indispensáveis à ampliação e
fortalecimento da democracia política no país (TOLEDO, 2004, p.17).
Com um grande apelo à população, o governo de Jango conseguiu garantir legitimidade frente ao contexto
econômico instável, com a pauta das reformas de base e, com isso, ganhou adeptos e apoiadores de diversos
setores.
Esse contexto mudou consideravelmente o cenário político e permite o surgimento de movimentos sociais em
várias áreas, conforme observaremos mais a frente.
5.1.2 Emergência de uma nova prática profissional
Com um complexo contexto político na realidade brasileira que configurava a intensa industrialização do país e o
início da polarização das classes sociais, o serviço social também passou a receber influências norte-americanas,
no que concerne ao âmbito profissional. De acordo com Andrade (2008, p. 275),
[...] A América do Norte passou a ser o novo “empório” de ideias, a nova referência de modelos e ações,
inclusive no sistema de bem-estar-social. Este fato, inevitavelmente, atingiu também o Serviço Social
brasileiro, que buscou, no correlato norte-americano, desde o suporte filosófico, as teorias do
conhecimento que dessem conta, principalmente, de responder as necessidades, até um suporte
teórico-científico e técnico para a prática profissional.
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Esta relação de proximidade entre Brasil e EUA inaugurou um novo período profissional provocando diversas
mudanças no modo de pensar e no o agir do serviço social, inserido na realidade brasileira em expansão com o
desenvolvimentismo. De acordo com Iamamoto e Carvalho (2006, p. 241), o desenvolvimentismo “[...] visa a uma
integração mais dinâmica no sistema capitalista”. No Brasil, essa ideologia se expressou com tensionamentos,
devido ao estágio de subdesenvolvimento e economia dependente.
Fonte: © Rawpixel.com / / Shutterstock.
Conforme apontam Moro e Marques (2011), a contradição entre as mobilizações da classe trabalhadora e do
projeto reformista possibilitaram ao serviço social brasileiro o repensar pautado na autocrítica e no
questionamento do humanismo cristão presente desde a gênese profissional.
Com estas novas reflexões dentro do bojo profissional, a erosão do serviço social tradicional e o surgimento de
nova proposta para a prática profissional determinaram o processo de modernização da profissão que se
expressou na formação, na prática profissionale na expansão de técnicas utilizadas. Para tanto,
O serviço social sofre a influência macrossocietária do período, de profundas mudanças econômicas,
sociais, políticas e ideoculturais, oriundas do exaurimento do padrão rígido de acumulação capitalista
e das consequentes respostas que lhe são dadas pelo movimento das classes sociais em confronto
(MORO, MARQUES, 2011, p.17).
Essas transformações profissionais impactaram, igualmente, o fazer profissional nos espaços sócio ocupacionais.
De acordo com Iamamoto e Carvalho (2006, p.340), “[....] há, também, um significativo alargamento das funções
exercidas por assistentes sociais, em direção a tarefas, por exemplo, de coordenação e planejamento que
evidenciam uma evolução no status técnico da profissão”. Neste período, houve a expansão da metodologia de
serviço social de comunidade ao qual nos deteremos mais a diante.
Para além destas mudanças profissionais, a influência dos movimentos sociais também rebateu sobre a profissão,
que incorporou novos elementos para a análise da totalidade e das relações sociais.
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5.2 Movimentos sociais no governo de Jânio Quadros
No período do governo de Jango, a reorganização da classe trabalhadora possibilitou o surgimento e a expansão
de inúmeros movimentos sociais. Com as medidas que visavam as reformas de base, a relação entre os
movimentos sociais e o governo ganharam mais proximidade e maior tensionamento de interesses junto à setores
da classe dominante.
Dentre as inúmeras bandeiras de luta presentes nesse período, destacaremos o protagonismo de três movimentos
sociais fundamentais para a luta política e para a proximidade com o serviço social: o movimento de educação de
, o e a , representando os sindicatos rurais da época.base movimento de cultura popular liga camponesa
5.2.1 Movimento de educação de base (MEB)
No contexto de diversas transformações políticas e econômicas em efervescência no país e no mundo, que
polarizaram os interesses capitalistas e o avanço do comunismo, algumas instituições desempenharam um papel
importante para a correlação de forças.
Militantes oriundos da Igreja Católica, frente à intensa conjuntura política que possibilitava a mobilização da classe
trabalhadora, organizaram-se em torno do movimento de educação de base (MEB).
O MEB objetivava a construção de ações no campo da educação com base no método de educação popular, por
meio da difusão de escolas radiofônicas.
Para tanto, [...] MEB tinha como objetivo não só alfabetizar os pobres, mas conscientizá-los e ajudá-los a tornarem-
se agentes de sua própria história” (SCHEFFER, 2013, p. 296). A ampliação das escolas radiofônicas, com apoio da
Igreja Católica e do Ministério da Educação, abarcou todas as regiões do país e foi amplamente difundida.
Seu funcionamento contava com uma equipe de inúmeros profissionais: professores, locutores de rádio, apoio
administrativo, radialistas, etc., que propagavam a educação popular para a classe trabalhadora.
DICA
A educação popular objetivou a formação de consciência política com o desenvolvimento de
conhecimentos. A formação pautada em uma perspectiva crítica e de totalidade possibilita o
exercício da reflexão cidadã comprometida com a transformação social.
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Fonte: © Stokkete / / Shutterstock.
Além disso, o MEB tinha como base para a formação política diversas leituras críticas, com base na teoria marxista
e nas obras de Paulo Freire, que chegou a influenciar a prática profissional dos assistentes sociais, inspirados pelo
método de educação popular.
5.2.2 Movimento de cultura popular (MPC)
Paralelo ao surgimento do MEB, o movimento de cultura popular (MPC) foi outra entidade de grande relevância
tanto para a organização da classe trabalhadora quanto para o período da época. O movimento de cultura popular
era composto por inúmeros sujeitos, como estudantes universitários, artistas e intelectuais e tinha por objetivo,
[...] Realizar uma ação comunitária de educação popular, a partir de uma pluralidade de perspectivas,
com ênfase na cultura popular, além de formar uma consciência política e social nos trabalhadores,
preparando-os para uma efetiva participação na vida política do país (GASPAR, 2019, p. 313).
Tendo como berço de seu surgimento a cidade de Recife, o MCP buscou difundir seu objetivo por meio de três
departamentos/frentes de atuação, como mostra do fluxograma a seguir.
Eixos de atuação do movimento de cultura popular.
Clique a seguir e conheça como se dava a organização destas frentes do MPC:
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Cultura
popular
c o m o
estratégia
Estas frentes eram organizadas de modo a levar a cultura popular como estratégia de
educação de base, de difusão de conhecimentos populares e formação de pessoal habilitado
para tais tarefas.
Educação
popular
A metodologia de educação popular e a influência de Paulo Freire também eram comumente
utilizadas no cotidiano do MPC, aproximando cada vez mais a população do movimento.
A utilização
do rádio
A utilização do rádio era bastante comum neste período, o que possibilitou ao MPC a
educação de jovens e de adultos e a formação de mais escolas de rádios para a expansão do
conhecimento nos bairros carentes.
O MPC também fomentou a educação popular amplamente, utilizando tais estratégias e contribuindo para a
formação da consciência crítica de vários setores da classe trabalhadora localizadas nos centros urbanos
periféricos.
A seguir, veremos como se deu a mobilização e a organização dos trabalhadores.
5.2.3 Ligas camponesas e sindicatos rurais
No que concerne ao âmbito rural, a mobilização e a organização dos trabalhadores também se deram de forma
expansiva. Vamos clicar a seguir e acompanhar como isso aconteceu.
Ligas camponesas
As ligas camponesas surgiram na década de 1950, na cidade de Galileia, interior de Pernambuco. E, inicialmente
tiveram como objetivo a articulação política entre agricultores para enfrentar a luta contra latifundiários os quais
utilizavam de medidas repressivas nas disputas de terra.
Articulação política
Frente à grande dificuldade das articulações no interior, diversos agricultores se encaminharam para a capital, de
modo que conseguiram construir alianças políticas com importantes organizações, tais como a articulação do 
 (PCB).Partido Comunista Brasileiro
O PCB foi um exemplo destas articulações que contribuiu de forma relevante para a formação política e para a
consolidação de movimento mais organizado na luta contra o latifúndio. A bandeira pela reforma agrária se
constituiu como uma pauta central para as , bem como para seu trabalho de base.ligas camponesas
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Fonte: © greenaperture / / Shutterstock.
Dentre as maiores conquistas tanto das ligas camponesas quanto dos sindicatos rurais tem-se o reconhecimento e
a legitimação de movimentos precursores como o (MST), já que este contribuiu para oMovimento dos Sem Terra
surgimento do (GUILHERME, 2012).Serviço Social Rural 
Todos estes movimentos sociais citados agregaram para o enriquecimento teórico e para a análise da realidade
por parte do serviço social, considerando a interlocução com autores críticos, de inspiração marxista (baseados
nos preceitos de Karl Marx), bem como para o surgimento de nova prática profissional influenciada por esse
processo.
ASSISTA
O filme conta a história da luta camponesa no Brasil, durante a Cabra Marcado para Morrer 
década de 1960. Ele mostra as tensões entre os latifundiários e os trabalhadores rurais na luta
pela reforma agrária.
PAUSA PARA REFLETIR
Qual a contribuição teórica dos movimentos sociais no período desenvolvimentista para o
processo de politização do serviço social?
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No tópico as seguir, veremos quais as relações do serviço social com o Estado.
5.3 O serviço social e o Estado
A relação do serviço social com o Estado atinge, nesse período histórico, nova fase. A industrialização nos centros
urbanos, o desenvolvimento das cidades, a mobilização dos movimentos sociais e a expansão de empresas e
programas nacionais, de recorte social exigem a contratação de profissionais paraatender às diversas demandas
oriundas nos mais diversos espaços ocupacionais.
A transformação da prática profissional, sob a influência das teorias norte-americanas, modificou
substancialmente o serviço social brasileiro e toda a categoria profissional. Nos próximos itens, nos debruçaremos
sobre como essas mudanças se operaram e qual o legado histórico que elas deixaram para os profissionais e para o
serviço social.
5.3.1 O Assistente social como funcionário do Estado
Com a crise da economia e a expansão do capital estrangeiro no país, o governo desenvolvimentista de Jango foi
responsável por fomentar o crescimento industrial nacional, mesmo em um período de crise política, como
enfatizamos.
Isso traz implicações para o serviço social, na medida em que expande a demanda por profissionais da área nas
instituições públicas, criando novas necessidades por meio de políticas públicas. De acordo com Raichelis (2009, p.
4),
[...] Assim sendo, é o próprio Estado o grande impulsionador da profissionalização do assistente social,
responsável pela ampliação e constituição de um mercado de trabalho nacional, cada vez mais amplo
e diversificado, acompanhando a direção e os rumos do desenvolvimento capitalista na sociedade
brasileira.
Enquanto agente profissional, capacitado para lidar com as demandas impostas pelas políticas sociais, o assistente
social também vivia os tensionamentos em seu cotidiano de trabalho: entre o direcionamento do Estado, sob a
lógica do capital, e dos movimentos sociais, que instigados pela política desenvolvimentista e o sentimento
populista, exigiam a maior participação da população nas instâncias governamentais.
Fonte: © Dmytro Zinkevych / / Shutterstock.
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Fonte: © Dmytro Zinkevych / / Shutterstock.
Com base neste contexto, a profissão recebe influências que se expressam na formação e na prática profissional,
agregando novos métodos de trabalho nos diversos espaços sócio ocupacionais, conforme veremos no item a
seguir.
5.3.2 Objeto profissional do assistente social
Nas modificações operadas dentro da profissão é fundamental destacar dois elementos neste período: o início da
erosão das bases tradicionais da gênese profissional e a incorporação das teorias do serviço social norte-
americano.
As diversas transformações oriundas do período desenvolvimentista e o estreitamento das relações com os EUA no
âmbito econômico trouxeram contribuições para a profissão também. A metodologia de caso e de grupo, utilizada
amplamente pela categoria no trabalho profissional, na década de 1940, foi perdendo espaço frente às profundas
mudanças do contexto.
A forte presença dos movimentos sociais abriu espaço para que o desenvolvimento da técnica de trabalho
comunitário fosse incorporado pela categoria profissional. Além disso, a influência teórica do serviço social dos
EUA respaldava essa nova cena na conjuntura profissional.
Navegue no recurso a seguir e conheça mais sobre essa nova conjuntura.
Teorias norte-americanas
De acordo com Guilherme (2012), elas tinham como prerrogativas a técnica de emorganização da comunidade
situações decorrentes da expansão da forte industrialização nos centros urbanos. Desse modo, a técnica objetivava
a estruturação da população em torno de serviços institucionais.
No Brasil
No Brasil, esse movimento se expressou no âmbito do Estado e reorientou a profissão, de modo que, o “[...] serviço
social reaparece modificado, dentro do aparelho de Estado e grandes instituições assistenciais, guardando,
contudo, suas características fundamentais” (IAMAMOTO, CARVALHO, 2008, p. 309).
Controle do Estado
Estas características fundamentais indicavam que, embora a profissão perdesse alguns traços do caráter
tradicional, as novas transformações do contexto desenvolvimentista ainda reverberavam por meio de uma prática
de controle do Estado sob os sujeitos sociais.
A seguir, acompanhe um fluxograma sobre a prática profissional do Serviço Social no contexto desenvolvimentista.
CONTEXTO
Estas metodologias são utilizadas pela categoria profissional em meados da década de 1950 e
entendem a questão social como um problema individual dos sujeitos.
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Transformações do contexto desenvolvimentista.
Assim, com a contribuição teórica da técnica de organização de comunidade e com as transformações operadas no
contexto desenvolvimentista, a categoria daria início à reflexão sobre sua prática profissional, incitando um novo
período para o serviço social no contexto brasileiro.
5.3.3 Deslocamento do eixo do indivíduo para o da comunidade
Conforme observamos até agora, embora as referências tradicionais ainda se expressassem na prática profissional,
o questionamento dessas bases teóricas foi fomentado por um conjunto de determinações. Conheça as principais
clicando nas abas a seguir:
Participação dos movimentos sociais na cena política.
Influência de profissionais e teorias norte-americanas.
Orientação de instituições políticas internacionais.
Cabe destacar que o contexto mundial da época retratava ainda as disputas e os conflitos oriundos da Guerra Fria,
entre os Estados Unidos e a União Soviética. Esse tensionamento de forças que colocava em risco as potências
econômicas exigiu interferência da (ONU) para garantir a ordem mundial e, deOrganização das Nações Unidas 
forma sutil, enfraquecer as investidas dos socialistas internacionalmente. De acordo com Guilherme (2012, p.132),
[...] A Organização das Nações Unidas, no decorrer dos anos 1950 e 1960, voltou-se a sistematizar e
disseminar um modelo de Desenvolvimento de Comunidade que se define como um processo que
envolve a integração dos esforços da população aos planos regionais e nacionais de desenvolvimento
econômico e social.
Com base nesta orientação, o serviço social brasileiro recebeu influências de duas frentes distintas. De um lado, a
profissão deixava de utilizar técnicas centradas no indivíduo e começava a receber diversas influências da
psicologia, da sociologia com orientação funcionalista, passando a compreender a importância de sua atuação por
meio de uma perspectiva de ajustamento dos sujeitos.
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Fonte: © iQoncept / / Shutterstock.
Por outro lado, o contexto de crescente luta dos movimentos sociais no governo de Jango, a difusão da educação
popular e a reivindicação de inúmeras reformas de base nas instâncias públicas incidiram sobre a categoria
profissional. Essa influência fez com que os/as assistentes sociais ingressassem nos movimentos sociais e
passassem a utilizar referenciais teóricos de origem crítica e popular. Assim,
[...] É a partir de tais vetores, condicionados por uma conjuntura nacional e internacional
desenvolvimentista que supunha novas exigências e atribuições que não mais o caso/grupo, que se
gestam através de novos referenciais teórico-metodológicos as possibilidades de uma inicial relação
profissional com os movimentos sociais (MORO, MARQUES, 2011, p. 24).
Como consequência desta conjuntura histórica, o serviço social brasileiro incorporou a metodologia de
desenvolvimento de comunidade em sua prática profissional, inaugurando uma nova fase para a profissão e para a
intervenção na realidade social.
5.4 O Desenvolvimento de comunidade (DC)
O desenvolvimento de comunidade originou-se em 1920, na Europa e nos Estados Unidos, e tinha como objetivo a
dominação e o controle por parte do Estado das contradições sociais, conforme aponta Castro (2011). A disso, as
principais potências econômicas começam a utilizar o desenvolvimento de comunidade, produzindo um conteúdo
de referência para a área social.
A influência dessa metodologia para o serviço social brasileiro chega em um momento tardio, em um forte
contexto de aproximação com os movimentos sociais que emergiam, conforme observamos nos itens anteriores.
Neste subcapítulo entenderemos a importância dessa contribuição para a profissão e para o contexto da época.
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5.4.1 A metodologia do DC no Brasil
Como já assinalado, a metodologia de desenvolvimento de comunidade emergiu no contexto de expansão
industrial e criseeconômica. Porém, na América Latina e no Brasil, a aproximação dela só ocorreu alguns anos
depois, no segundo Congresso que ocorreu em 1949, no Rio de Janeiro, as primeiras discussõesPan Americano,
sobre o desenvolvimento de comunidade já eram difundidas por alguns profissionais que assinalavam o potencial
do método para a profissão.
Diante disso, o marco do desenvolvimento de comunidade no Brasil inaugurou relação mais próxima com os
movimentos sociais, que encontravam no desenvolvimentismo espaço para ampliar a democracia e reivindicar
reformas importantes no âmbito da política estatal.
Foi a partir da década de 1950 que o desenvolvimento de comunidade passou ser utilizado como técnica pelos
profissionais do serviço social brasileiro. De acordo com Silva (2006, p. 28),
[...] Ao DC é conferido um caráter político, crítico e classista, inserindo-se no contexto do
desenvolvimento nacional, numa dimensão macrossocietária e em função de mudanças estruturais,
fazendo com que as comunidades passem a ser vistas como uma realidade constituída de formas
antagônicas regidas por relações sociais de dominação.
A proximidade com os movimentos sociais do campo e da cidade com a profissão permitem uma partilha de
saberes sobre a vida social que influenciam a profissão em vários sentidos: na aproximação com a luta dos
camponeses, na incorporação da educação popular por parte dos profissionais, na contribuição da formação
políticas, entre outros.
Fonte: © / / Shutterstock.
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Ao mesmo tempo que essa aproximação por meio da metodologia do desenvolvimento de comunidade
possibilitou a contribuição dos movimentos sociais, houve um limite da prática profissional, considerando que ela
é funcional ao modo de produção capitalista, e permite ao Estado maior controle e enquadramento dos sujeitos
frente ao aprofundamento da desigualdade social, ao aumento da pobreza, ao avanço dos ideais comunistas, etc.
Fluxograma sobre o direcionamento da metodologia de Desenvolvimento de Comunidade.
Permeada por avanços e retrocessos, a prática profissional se utiliza do Desenvolvimento de Comunidade para
trabalhar as contradições da sociabilidade vigente.
Para tanto, a categoria profissional da época se distanciou das práticas do serviço social tradicional e incorporou
essa nova metodologia, entendendo-a como central para a leitura da realidade e intervenção junto às classes
sociais. De acordo com Guilherme (2012, p.134),
[...] O Desenvolvimento de Comunidade assume caráter de mecanismo de ação sobre o capital
humano, a partir de sua existência comunitária, e estimula o próprio povo a participar do
planejamento e da realização de programas destinados a elevar o padrão de suas vidas por meio de
esforços somados entre o povo e o governo.
Com as mobilizações sociais em emergência, as demandas para a profissão aumentaram tanto no campo, como na
cidade. A aproximação da categoria com leituras críticas fomentou a consciência política de seu fazer profissional,
bem como reverberou em toda a formação profissional.
A implementação das bases que, posteriormente consolidará o movimento de reconceituação, é fruto deste
período histórico para a profissão.
5.4.2 DC no Brasil: caráter político, crítico e clássico
A metodologia de desenvolvimento de comunidade no serviço social brasileiro assumiu um caráter que se
diferencia dos métodos anteriormente usados (serviço social de caso e de grupo).
De acordo com Moro e Marques (2011, p.24) “[...] o Desenvolvimento de Comunidade no Brasil, aliado a uma
política governamental de bases populista e reformista, cria os determinantes para proposições que ultrapassem a
esfera modernizadora e acrítica”.
Desse modo, podemos auferir que o método DC trouxe como contribuição principal a participação dos
movimentos sociais e contribuições teóricas que alargaram o horizonte metodológico da prática profissional.
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As contribuições do desenvolvimento de comunidade.
Acima, é possível visualizar o fluxograma com as contribuições do desenvolvimento de comunidade.
Embora as contribuições teóricas do desenvolvimento de comunidade para o serviço social brasileiro tenham
modificado a prática profissional, é importante ressaltar que o tensionamento entre os limites da análise
funcionalista e a criticidade dos movimentos sociais permaneciam atravessados na profissão. Segundo Guilherme
(2012, p.135)
[...] as práticas e as produções teóricas do Desenvolvimento de Comunidade, realizadas durante o
período de 1960-1964, registram, de um lado, os postulados funcionalistas de integração social e, de
outro, intensos movimentos de participação que idealizavam mudanças sociais.
A contribuição dos movimentos sociais para a profissão foi suspensa a partir de 1964, com o golpe militar, o que
provocou uma nova fase para toda a sociedade e para o serviço social. Houve perda dos direitos políticos e a
instalação de medidas de controle, censura e perseguição para muitos, inclusive a classe trabalhadora.
Assim, toda a contribuição realizada pelo desenvolvimento de comunidade foi refreada pelo fechamento do
regime, contudo, a experiência oferecida nesse período histórico construiu bases sólidas para o futuro da profissão
e para a transformação de seu referencial teórico-metodológico.
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um destacandomapa conceitual 
as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir mapa considere as leituras básicas e
complementares realizadas.
Dicas: comece com um termo ou expressão principal, em seguida, conecte-o às palavras de ligação, para dar
sentido ao texto. Por exemplo: na década de durante o o método de 1960, período desenvolvimentista, 
Desenvolvimento de Comunidade...
Recapitulando
A metodologia de desenvolvimento de comunidade foi um importante saldo do período desenvolvimentista para o
serviço social e para a renovação da profissão. Isto possibilitou o enriquecimento teórico com a influência de
outros países e a aproximação com os movimentos sociais.
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Conforme observamos neste capítulo, a prática profissional na década de 1960 foi atravessada por um contexto
histórico de intensa mudança, promovida pela crise política e econômica do governo de Jango, provocando o
serviço social brasileiro diante de uma conjuntura complexa.
O aprofundamento da desigualdade social, os altos índices inflacionários e o crescente endividamento da
população implicaram no tensionamento entre as classes sociais e na reivindicação de reformas de base, por parte
da classe trabalhadora ao governo. É importante destacar que se gestava forte sentimento populista entre a classe
trabalhadora, o que incentivava ainda mais a luta por melhorias.
Esse movimento despertou na população a organização dos movimentos sociais que lutavam por melhorias nas
mais diversas áreas. Conforme vimos no capítulo, o movimento de educação de base, o movimento de cultura
popular, as ligas camponesas e os sindicatos rurais conquistaram legitimidade e espaço na cena política brasileira,
além de contribuir com a profissão com referenciais teóricos críticos e de base popular.
Também nos debruçamos sobre a profissão, no que concerne a sua atuação sob os moldes do Estado no contexto
desenvolvimentista, e destacamos o processo de influência e incorporação das teóricas norte americanas. Estas
permitiram a erosão de algumas bases tradicionais do serviço social brasileiro e deslocaram a intervenção
profissional pautada no individuo para a comunidade.
Nesse sentido, destacamos o surgimento da metodologia de desenvolvimento de comunidade, que promoveu
mudanças substanciais na formação e no exercício profissional, contribuindo para a correlação de forças entre a
classe trabalhadora e o governo.
Embora o desenvolvimento de comunidade apresente orientação funcionalista, a metodologia contribuiu
significativamente para a interlocução com o popular e para a profissão. O diálogo e intercâmbio com os
movimentos sociais, em detrimento da democracia, foi suspenso com ogolpe militar em 1964, o qual retirou dos
direitos políticos sociedade e limitou a atuação profissional junto à população. Dessa maneira, o fechamento do
regime encerrou o período populista da mais abrupta forma.
Referências
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FUNDAMENTOS DO SERVIÇO SOCIAL: 
QUESTÃO SOCIAL NOS ANOS 60-80
CAPÍTULO 6 - O SERVIÇO SOCIAL NO 
CONTEXTO DA DITADURA MILITAR (1964-1985)
Flávio José Souza Silva
102
Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Estudar a realidade da intervenção profissional em uma realidade adversa.
• Constatar quando a ausência de processos democráticos prejudica ações profissionais.
• Descrever práticas focais e pontuais desenvolvidas no período em questão.
Tópicos de estudo
• Ditadura militar e serviço social.
• O regime militar e o impacto sobre os profissionais.
• O cerceamento à liberdade dos profissionais do serviço social.
• Possibilidades de atuação profissional.
• Requisição do profissional do serviço social no período.
• As principais atividades desenvolvidas por assistentes sociais.
• Políticas sociais e atuação profissional.
• Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento (I PND).
• Projeto Rondon e Centros Sociais Urbanos (CSU’s).
• A política de integração social.
• Legião Brasileira de Assistência (LBA);
• Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (FUNABEM).
Contextualizando o cenário
A gênese do serviço social na realidade brasileira deu-se durante o processo de industrialização, na década de
1910, mas se aprofundou a partir do momento que fora intitulado de , na década de 1930. Éindustrialização pesada
no contexto social-político-econômico-cultural de externalização da questão social que a profissão surge na era
dos monopólios.
O tratamento conferido durante meados da década de 1930 sobre a Era Vargas, objetivou em uma nova forma do
Estado burguês lidar com às expressões da questão social, permitindo, assim, que o serviço social pudesse
legitimar-se e institucionalizar-se enquanto profissão em nossa realidade, sobretudo, na década de 1940.
Ao passo que o Estado modificou a forma de intervenção dele sobre a questão social, a prática profissional do
serviço social, de viés conservador, começou a ser questionada e exigiu-se que a profissão passasse por revisões
para que pudesse adequar o fazer profissional às novas configurações da questão social a partir de novos
pressupostos teórico-metodológicos.
Iniciou-se, portanto, a erosão do serviço social que desembocou em um outro processo, o de renovação do serviço
social brasileiro, que estava em sintonia com o Movimento de Reconceituação do Serviço Social na América Latina.
Com a implementação do golpe militar, em 1º de abril de 1964, os pressupostos progressistas contidos no
Movimento de Reconceituação, pelo contexto sócio-político brasileiro, foram abandonados.
Porém, o movimento de Renovação continuou e se expressou em três vertentes: a modernização conservadora,
que fora o norte do fazer profissional durante toda a primeira fase da ditadura; a reatualização conservadora,
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103
localizada em alguns espaços acadêmicos, a partir de meados da década de 1970; e a intenção de ruptura, em
sintonia com a abertura democrática, na década de 1980. Diante desse cenário, surge a seguinte reflexão: qual a
importância de partir da apreensão da profissão enquanto um produto histórico das relações sociais capitalistas?
6.1 Ditadura militar e o serviço social
A instauração da ditadura militar brasileira marcou a suspensão e um ataque frontal às liberdades individuais,
políticas e sociais durante toda a sua duração. Como se sabe, o regime fora marcado pelo autoritarismo, pelo
arbítrio, pela censura, pela tortura e a violência que estruturam um modelo de Estado adotado, patrocinado e
estimulado pelo imperialismo estadunidense. Isso, em um contexto internacional balizado pelas disputas
ideológicas da Guerra Fria.
Neste sentido, o contexto social, político, econômico e, sobretudo, cultural foram atingidos por esta nova
conjuntura que acabara de ser implementada, por meio de um golpe de Estado. Sendo assim, todas as profissões,
em menor ou maior grau, tiveram que ser orientadas para atender aos interesses impostos por um novo modelo de
Estado que buscava, em sua primeira fase, reafirmar-se enquanto necessário.
Fonte: © rob zs / / Shutterstock.
O serviço social era uma profissão que já estava inserida na realidade brasileira desde a década de 1910, sendo
institucionalizada e legitimada na década de 1940. A partir de 1950, a prática profissional, caracterizada pelo
serviço social tradicional, começou a ser questionada, iniciando um processo de erosão (NETTO, 2011).
ESCLARECIMENTO
A Guerra Fria foi um momento histórico caracterizado por disputas ideológicas e políticas sem o
confronto armado, entre Estados Unidos e a extinta União Soviética.
104
O processo de erosão do Serviço Social tradicional brasileiro repercutiu na possibilidade de se repensar a formação
e prática profissional. Em sintonia com o Movimento de Reconceituação Latino-Americana, o serviço social
brasileiro viu a possibilidade de se atualizar a partir de pressupostos progressistas. Porém, com a implementação
do golpe militar e a suspensão da democracia, tais referências tiveram que serabandonadas pelos profissionais.
Apesar do abandono aos pressupostos contidos no Movimento de Reconceituação, de caráter progressista e
antagônico ao momento sócio-político que o país vivenciara, iniciou-se, no Brasil, um processo nacional
possibilitando a renovação da profissão, superando, assim, as práticas contidas no serviço social tradicional,
desembocando em três vertentes.
A seguir, iremos discutir um pouco cerca dos impactos do regime militar sobre a profissão.
6.1.1 O regime militar e o Impacto sobre os profissionais
O processo de erosão do serviço social tradicional tornou-se consequência concreta, em um contexto marcado por
novas expressões da questão social, em um quadro político em que o Estado reconfigurou as suas ações sobre as
novas formas da questão social. Assim, a partir dessas modificações, exigiu-se da profissão às novasadequações 
problemáticas emergentes.
Foi a partir desta materialidade que, no interior da profissão, iniciou-se um movimento questionador da
importação de teorias estrangeiras as quais davam ao serviço social tradicional. Isto tensionou a profissãocorpo 
pela procura de conhecimentos próprios em sintonia com as particularidades da América Latina. Foi neste bojo
que, segundo Netto (2011), o Movimento de Reconceituação desenvolveu-se.
ESCLARECIMENTO
O processo de erosão do serviço social tradicional aconteceu, no período do regime militar no
Brasil, assim como em toda América Latina, no tocante à crítica às teorias e os métodos
importados, sobretudo do Estados Unidos e da Europa.
105
Fonte: © Vahe 3D / / Shutterstock.
Mesmo com a implementação do golpe militar, em 1964, no Brasil, o marco inicial do Movimento de
Reconceituação foi o 1º Seminário Regional Latino-Americano de Serviço Social, realizado em Porto Alegre, em
1965. Como já sinalizamos, a direção deste movimento era pautada em ideias e ideais progressistas, antagônicos
para um cenário ditatorial. Sendo assim, foram abandonados.
A erosão do serviço social tradicional permitiu à profissão o encontro com o pluralismo de ideias, possibilitando o
questionamento de suas bases confessionais e doutrinárias. No entanto, com a implementação do regime
ditatorial, o progressismo que caracterizava o Movimento de Reconceituação foi abandonado, ao mesmo tempo
que permitiu à profissão iniciar um processo de Renovação restrito à realidade brasileira (NETTO, 2011).
No próximo tópico, versaremos sobre o cerceamento da liberdade dos profissionais do serviço social dissidentes ao
regime militar brasileiro.
CURIOSIDADE
A importância deste seminário regional foi tamanha que, a partir dele, fundou-se a Associação
Latino-Americana de Escolas de Serviço Social (ALAETS), sendo esta responsável pela articulação
de profissionais pela reconceituação.
106
6.1.2 O cerceamento à liberdade dos profissionais do serviço social
Para apreendermos a expansão das expressões objetivas da ditadura militar sobre a profissão, segundo Netto
(2011, p. 117), é importante que possamos captar “as relações entre o movimento global do ciclo autocrático
burguês e o Serviço Social”, a fim de que possamos localizar estas novas condições e sincronizá-las à dinâmica e ao
significado histórico da autocracia burguesa brasileira.
Foi a partir da valorosa contribuição de Netto (2011) que podemos captar o trato repressivo do regime ditatorial
aos profissionais do Serviço Social, seja estes docentes, profissionais inseridos nas mais variadas políticas e
estudantes. A para esta repressão, que se objetiva da marginalização até o exílio, seria a inquietaçãojustificação
com o regime e a divulgação do pensamento dissidente.
Fonte: © Holli / / Shutterstock.
O regime ditatorial brasileiro não se detinha apenas à marginalização e ao exílio do pensamento dissidente, mas
também, realizava prisões e torturas. Netto (2011) chama atenção para o caso do professor Vicente de Paula
Faleiros, perseguido por duas ditaduras da América Latina: a chilena, seu país de origem e a brasileira. O mesmo
autor também sinaliza a longa lista de profissionais, docentes e discentes que foram perseguidos e silenciados pelo
regime (inclusive o próprio José Paulo Netto e Marilda Iamamoto).
Ao mesmo passo que havia perseguição e cerceamento da liberdade aos profissionais dissidentes do serviço social,
pois estes expressavam publicamente o seu descontentamento com o regime ditatorial, também havia a
PAUSA PARA REFLETIR
Por que a conjuntura social-política-econômica-cultural influiu sobre a profissão?
107
conversão: parcela de profissionais que constituíam um bloco homogêneo em sintonia com as diretrizes do regime.
A esta vertente do processo de renovação profissional, Netto (2011) intitulou de modernização conservadora.
A seguir apresentaremos as características da atuação profissional durante este período, com destaque para as
suas possibilidades.
6.2 As possibilidades de atuação profissional
Neste contexto sócio-histórico, abriu-se um leque de possibilidades ao serviço social, em comparação ao fazer
profissional alicerçado no tradicionalismo que marcou a gênese da profissão. No entanto, como bem pontua
Cardoso (2013), a prática profissional, naquele momento, por meio da vertente da renovação, denominada de
modernização conservadora, foi funcional à ditadura e buscou modernizar e trazer cientificidade para a formação e
exercício profissional. Mas, conserva muitos aspectos presentes na categoria desde a sua gênese, tais como o
tratamento moralizante e de responsabilização individual sobre as expressões da questão social.
Assim, é perceptível a congruência e a funcionalidade que profissão tomou nesse momento, ao ser peça-chave
para os interesses do regime, sobretudo no que se refere à condução e à aplicabilidade das políticas públicas
(NETTO, 2011). Percebe-se, portanto, o aprofundamento do conservadorismo e do tradicionalismo que marcaram
a origem da profissão, em um tratamento moralizante sobre a questão social (CARDOSO, 2013).
Mas é importante destacar: apesar de a vertente apontar para modernização conservadora do fazer profissional,
em total sintonia com os ditames do regime militar, foi nesse momento que a profissão adentrou em espaços os
quais possibilitaram o contato com pluralismo e o repensar profissional. A seguir, trabalharemos com a requisição
profissional do período.
CURIOSIDADE
Em 2016, durante o 15º Congresso Brasileiro de Assistente Sociais (CBAS), em Olinda (PE), o
Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) inaugurou a exposição de painéis do projeto: Serviço
Social, Memórias e Resistências Contra a Ditadura Militar Brasileira.
PAUSA PARA REFLETIR
Mesmo a categoria profissional rompendo com o tradicionalismo, houve continuidade do
conservadorismo. Porém, quais as possibilidades que a modernização conservadora trouxe à
profissão?
108
6.2.1 Requisição do profissional do serviço social no período
Com os processos inaugurados por meio da implementação do regime ditatorial, sobretudo, com anunciado 
, a requisição profissional por assistentes sociais aumentou significativamente, instaurando,milagre econômico
assim, um “mercado nacional de trabalho, macroscópico e consolidado” à profissão na realidade brasileira
(NETTO, 2011, p. 119).
Fonte: © quinky / / Shutterstock.
O , como se sabe, reorientou progressivamente a política social, vinculando-a ao sistemamilagre econômico
produtivo. O objetivo disso foi o de acentuar as distorções entre a produção e consumo para que, assim, fosse
possível atingir melhores índices no crescimento econômico. Isto fazia crer, portanto, que o desenvolvimento
social era consequência automática do crescimento econômico.
É a partir desta reorientação que a “(...) prestação de serviços sociais (educação, saúde, habitação, assistência e
etc.) passa a contribuir para a reprodução e maior produtividade da força de trabalho” (SILVA, 2011, p. 51). Temos,
portanto, no período, uma política social centralizada, focalizada e clientelista. À categoria profissional dos
assistentes sociais cabia, portanto, a operacionalização diretae terminal destas políticas (NETTO, 2011).
109
A requisição profissional, como podemos constatar, aumentou significativamente. Em contraste, os assistentes
sociais eram requeridos para lidar com operacionalização terminal e direta de políticas sociais, ou seja, sem ter
espaço para refletir sobre o porquê do fazer profissional. Assim, notamos os traços de continuidade com o serviço
social tradicional, embora se afirmasse que a categoria profissional havia passado pelo processo de modernização
naquele momento.
A seguir, analisaremos as principais atividades desenvolvidas por esses profissionais durante o período.
6.2.2 As principais atividades desenvolvidas por assistentes sociais
O modelo de Estado instaurado com o golpe militar orientou o conjunto das profissões a atender aos interesses
impostos pelo regime, no tocante à uma nova atuação frente às expressões da questão social. Neste sentido, o
serviço social também teve a sua prática profissional reorientada para atender e dar respostas, às necessidades
que o Estado militar demandava.
Fonte: © Everett Historical / /Shutterstock.
Neste sentido, a atuação profissional, durante o regime militar, dava-se em três espaços ocupacionais. Clique na
interação para conhecer esses espaços.
PAUSA PARA REFLETIR
Quais as mediações que são responsáveis para o questionamento da prática profissional do
serviço social?
110
Estado Respondendo às expressões da questão social coercitiva, tecnocrática e
meritocraticamente, conforme a demanda econômica do capital.
Multinacionais
As quais necessitavam de profissionais preparados para lidar com o aparato burocrático e
que pudessem intervir diretamente na relação capital e o trabalho.
Filantropia
privada
Muito se expandiu diante do aprofundamento da questão social, decorrente do processo de
urbanização da população brasileira (CARDOSO, 2013; NETTO, 2011).
A atuação profissional, portanto, passou por estas alterações enquanto resultado direto de uma revisão do papel
profissional (CARDOSO, 2013), tendo em vista o surgimento de um novo padrão de exigências ao serviço social
brasileiro. Assim, as principais atividades desenvolvidas pelos assistentes sociais eram as de possibilitar o
desenvolvimento dos indivíduos, mas procurando a integração e a harmonização das relações sociais.
Desse modo, o serviço social, por meio do diagnóstico do problema social, deveria procurar a sua solução imediata
a fim de possibilitar não apenas a resolução, mas impedir conflitos e permear a harmonização e a integração das
relações sociais, conflitantes, tendo em vista a expansão da industrialização. A seguir, veremos as políticas sociais e
atuação profissional, especificamente.
6.3 Políticas sociais e atuação profissional
Como já sinalizamos, um dos espaços sócio-ocupacionais em que o serviço social, no período da ditadura militar
brasileira, obteve expansão de sua atuação profissional foi no Estado.
Também vimos que este ditatorial era orientado por três direções no enfretamento às expressões da questão
social: a coerção, a tecnocracia e a meritocracia. Sendo assim, a atuação profissional, nas políticas públicas
desenvolvidas pelo Estado brasileiro, também foi orientada por estas direções. Vejamos a seguinte sistematização,
para melhor fixação deste conteúdo.
111
Direções no enfrentamento às expressões da questão social
Veja que esta orientação, contida nas diretrizes que formulariam as políticas públicas pelo Estado ditatorial, trazia
consigo a compreensão sobre a questão social, enquanto problemas individuais, desajustes e patologias a serem
corrigidas e tratadas pela atuação profissional do serviço social.
Percebe-se que, mesmo havendo uma ruptura com a atuação do serviço social tradicional, esta não acontece
definitivamente, trazendo, nessa fase, traços de continuidade.
Logo, essa perspectiva modernizadora (mas também moralizadora), remete a profissão a responder às expressões
da questão social com “(...) ações pontuais de enquadramento e ajustamento dos indivíduos, (...), propondo,
assim, ao Serviço Social, uma intervenção corretiva e preventiva” (CARDOSO, 2013, p. 139).
A seguir analisaremos o primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento.
6.3.1 Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento (I PNP)
O Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento (I PNP) foi organizado pelo ministro do Planejamento João Paulo
dos Reis Velloso, no governo do presidente militar Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). A orientação principal do I
PNP era inserir o Brasil entre as nações desenvolvidas no espaço de tempo de apenas uma geração. O I PNP estava
em sintonia com os princípios traçados no Programa de Metas e Bases apresentado em 1970. 
112
Fonte: © Creative Stock Studio / / Shutterstock.
Vejamos a seguinte sistematização, a fim de melhor fixar o conteúdo sobre a construção do I PND. 
113
Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento
Algumas metas foram traçadas pelo I PND, para que, assim, fosse possível alcançar a finalidade de colocar o Brasil
entre as nações desenvolvidas, sendo elas: de duplicar a renda per capita do país até 1980; de elevar o crescimento
do produto interno bruto (PIB) até 1974, com base numa taxa anual entre 8% e 10%. Se fosse possível um
crescimento tão vertiginoso assim, o Brasil conseguiria controlar as taxas de inflação e aumentaria a oferta por
emprego, chegando em até 3,2% em 1974.
Assim, portanto, a aposta contida no I PND era consolidar o desenvolvimento industrial no Brasil, aprofundando
processos de modernização, mas que não rompiam, como já se sabe, com a estrutura desigual do nosso país. A
seguir, iremos conhecer o projeto Rondon e os Centros Sociais Urbanos (CSU’s).
6.3.2 Projeto Rondon e Centros Sociais Urbanos (CSU’s)
O projeto Rondon foi fomentado por meio de uma iniciativa particular de uma equipe composta por 30 estudantes
universitários e dois (2) professores universitários, que pertenciam às faculdades do antigo estado da Guanabara,
no ano de 1967. A proposta era levá-los para vivenciarem a realidade da zona da mata amazônica e o Estado
escolhido, para tanto, foi o de Rondônia. Em 1968, por meio do decreto n. 62.927, de 28 de junho de 1968, criou-se
o GT (grupo de trabalho), subordinado ao Ministério do Interior, responsável pela institucionalização do projeto.
114
Em 1970, o GT foi transformado em um Órgão Autônomo da Administração Direta, por meio do decreto n. 67.505,
de novembro de 1970 e já em 1975, por meio da lei n. 6.310, foi instituída a Fundação Rondon, ativa até hoje. Houve
modificações, em relação à estrutura administrativa do projeto, no entanto, os objetivos continuam sendo os
seguintes. Clique nos ícones e confira.
Contribuir para o desenvolvimento.
Fortalecimento da cidadania do estudante universitário.
Desenvolvimento sustentável.
O bem-estar social e a qualidade de vida nas comunidades carentes, usando as habilidades universitárias.
Ou seja, a proposta do projeto é unir as , adquiridas em sala de aula, com ohabilidades universitárias
melhoramento da qualidade de vidada população.
Para melhor apreensão dos dados trazidos, vejamos a seguinte sistematização sobre o surgimento,
desenvolvimento e institucionalização do projeto Rondon:
Desenvolvimento e institucionalização do projeto Rondon
115
Desenvolvimento e institucionalização do projeto Rondon
Acima, vemos quais foram os principais objetivos do desenvolvimento e da institucionalização do projeto Rondon.
Já a construção dos Centros Sociais Urbanos (CSU’s) datam da metade da década de 1975, a qual se deu por meio
do decreto presidencial de n. 75.922, de julho daquele ano. A finalidade dos centros era o de promover a integração
social nas cidades, por meio do desenvolvimento de atividades comunitárias nos campos da educação, cultura e
desporto, da saúde e nutrição, do trabalho, previdência e assistência social e da recreação e lazer (BRASIL, 1975).
O presidente do Brasil, no período da construção do CSU, era Ernest Geisel (1974-1979). Naquele momento, a
ditadura militar adentrou o segundo momentodo tratamento das expressões da questão social, sofrendo um giro,
indo do tratamento policialesco à percepção da integração social.
Assim, tanto o projeto Rondon, quanto a construção dos CSU’s, atentaram à lógica da reorientação das políticas
públicas, em fase da proposta de integração social.
Ambas, portanto, fizeram parte do desenvolvimento de estratégias elaboradas pelo regime ditatorial, que tentou
reconstruir consensos e se perpetuar. A seguir, iremos nos apropriar melhor dos pressupostos dessa diretriz da
política social assumida nos governos militares.
6.4 A Política de integração social
A política de integração social fez parte da segunda fase da ditadura militar brasileira, no momento em que o
regime reorientava a ação sobre as expressões da questão social. Assim, passou-se de um tratamento meramente
policialesco, para uma lógica de harmonização e apaziguamento dos conflitos resultantes das relações sociais
antagônicas capitalistas.
Neste sentido, ao passo que o regime percebeu a limitação do tratamento pela força, reorientou e construiu
mecanismos que possibilitassem a supressão destes conflitos. Assim, as expressões da questão social foram
tratadas como problemas individualizados dos sujeitos sociais que, por meio da matriz de pensamento positivista-
funcionalista, puderam ser diagnosticados e cuidados.
Fonte: © Viktoria Kurpas / / Shutterstock.
116
Cabe, portanto, ao serviço social, criar mecanismos, por meio da atuação profissional, captar os problemas sociais,
mas também resolvê-los a fim de possibilitar a integração e harmonização. A seguir, iremos trabalhar com a Legião
Brasileira de Assistência, a fim de conhecer melhor esta instituição.
6.4.1 Legião Brasileira de Assistência (LBA)
A Legião Brasileira de Assistência (LBA) foi a primeira grande instituição nacional de assistência social no país
(IAMAMOTO; CARVALHO, 2011), sendo organizada em decorrência da participação do Brasil na Segunda Guerra
Mundial. O objetivo dela, como é resgatado pelos autores citados é o de “de promover as necessidades das famílias
cujos os chefes haviam sido mobilizados, e, ainda, prestar decidido concurso ao governo em tudo que se relaciona
ao esforço da guerra” (Idem, 2011, p. 265).
Assim sendo, o surgimento da LBA teve importante papel: o de mobilizar a opinião pública em torno do apoio da
participação do Brasil na Segunda Grande Guerra. Isto foi promovido pelo governo da época que também orientou
a população a apoiar o governo militar. Neste sentido, esta instituição funcionaria na construção de consensos,
seja no apoio à guerra, seja no respaldo ao regime ditatorial brasileiro, nos anos seguintes à sua construção.
A LBA, após a sua primeira campanha assistencial de nível nacional, “(...) foi de grande importância para
implantação e institucionalização do serviço social, contribuindo em diversos níveis para a organização, expansão
e interiorização” (IAMAMOTO; CARVALHO, 2011, p. 267) da profissão, no tocante à consolidação e à expansão do
ensino especializado e do aumento do número de trabalhadores sociais.
A seguir, para melhor sistematização do conteúdo, vejamos a seguinte sistematização:
A LBV
No esquema cima, observamos os papéis fundamentais da LBA à época de sua criação.
A atuação profissional do serviço social, nessa instituição, manteve o padrão preexistente à época, no que se refere
ao “(...) e , as visitas domiciliares e entrevistas continuam sendo o fundamento do inquérito pesquisa social serviço
 (IMAMOTO; CARVALHO, 2011, p. 267 – itálicos do original).social de casos individuais
117
Por fim, a seguir, iremos conhecer a Fundação Nacional de Bem-Estar do Menor.
6.4.2 Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (FUNABEM)
A Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (FUNABEM) foi criada pelo decreto de n. 4.513 de 1964, com o
objetivo de formular e implementar a Política Nacional de Bem-Estar do Menor. Também deveria promover
assistência em sintonia com os princípios constantes em documentos internacionais, por exemplo, a Declaração
Universal da Criança, promulgada em 1959.
A assistência prestada pela FUNABEM possuía o foco no princípio do bem-estar, voltando-se à intervenção no
processo de marginalização da vida social, seja esta acometida pela criança, adolescente ou família. Ou seja, a
finalidade era a de possibilitar a integração social, por meio de ações geradoras da conscientização, do amparo e
do auxílio. Portanto, para esta fundação, a assistência ao menor só se realizaria por intermédio da família.
A FUNABEM, pautava-se na , destinada à criança e aos adolescentes pobres,cultura da institucionalização
principalmente os dos grupos considerados perigosos. Isto se dava por intermédio do confinamento no complexo
institucional que estrutura a Fundação. Como já vimos, a proposta das políticas de integração social era a de
detectar a e elaborar a a fim de permitir a harmonização desta relação conflitante.situação-problema solução
Neste caso, internava-se o problema no intuito de solucioná-lo.
Durante o regime ditatorial brasileiro, a FUNABEM funcionou como um instrumento de legitimação de um sistema
que não teria como se manter apenas pelo uso da força, da coerção e do autoritarismo. Neste sentido, o
tratamento dos governos militares aos menores carentes foi uma característica marcante na conquista de 
consensos e da formação da opinião pública, justificando, inclusive, abusos dos direitos humanos destas pessoas.
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um mapa conceitual, destacando
as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir seu mapa conceitual, procure destacar os
elementos mais centrais, considerando as leituras básicas e complementares realizadas.
Recapitulando
Neste capítulo, trabalhamos com a temática que envolve o serviço social no contexto da ditadura militar brasileira.
Buscamos, assim, discutir a inserção da profissão em um contexto social-histórico-político-cultural caracterizado
PAUSA PARA REFLETIR
Qual a sintonia entre a FUNABEM e as políticas de integração social promulgadas pelo regime
ditatorial brasileiro? 
118
pelo autoritarismo, pela censura, pela tortura e pela violação dos direitos humanos, civis e políticos. É importante
ressaltarmos a necessidade de partirmos da apreensão social e histórica sobre a profissão, tendo em vista que esta
é um produto das relações sociais capitalistas.
A partir de tal pressuposto de apreensão do real, podemos captar as mediações que implicam em práticas
profissionais em sintonia com a conjuntura social-política-econômica-cultural do regime ditatorial, como uma
determinação social. Apesar de tratarmos este momento enquanto , paralelamente, não significou amodernizador
ruptura total com o projeto conservador que marca a gênese do serviço social. Pelo contrário, o que podemos
analisar é ruptura, mas, também, a continuidade de traços presentes no serviço social tradicional.
Durante o regime ditatorial, a realidade exigiu da profissão novas técnicas e capacidades teóricas para intervir
junto às expressões da questão social, e foi abrindo espaço para que a profissão também pudesse questionar sobre
o porquê do seu fazer profissional.
A ação meramente policialesca do regime estava mostrando a sua ineficiência, exigindo novas formas de atuação.
Foi assim que as políticas de integração social surgiram e aqui se encaixa a FUNABEM, totalmente em sintonia com
a construção de consensos pela ditadura.
Referências
BRASIL. Lei n. 75.922, de 1º. julho de 1975. . Portal da Câmara dos Deputados. Brasília, DF, 1º. jul. 1975.Decreto
Disponível em: . Acesso em: 11/07/2019.publicacaooriginal-1-pe.html
CARDOSO, P. F. G. : os Diferentes Caminhos do Serviço Social no Brasil. Campinas:Ética e Projetos Profissionais
Papel Social, 2013.
IAMAMOTO, M. V.; CARVALHO, R. : Esboço de uma InterpretaçãoRelações Sociais e Serviço Social no Brasil
Histórico-Metodológica.35. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
NETTO, J. P. : uma Análise do Serviço Social no Brasil pós-64. 16. ed. São Paulo: Cortez,Ditadura e Serviço Social
2011.
SILVA, M. O. S. Resgate Teórico-Metodológico do Projeto Profissional de Ruptura. 7.O Serviço Social e o Popular: 
ed. São Paulo: Cortez, 2011.
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https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1970-1979/decreto-75922-1-julho-1975-424462-publicacaooriginal-1-pe.html
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1970-1979/decreto-75922-1-julho-1975-424462-publicacaooriginal-1-pe.html
	FSSQSA_C01-C06
	FSSQSA_C01-C04
	FSSQSA_C01-C02
	FSSQSA_C0
	FSSQSA_C01
	Compreenda seu livro: Metodologia
	Compreenda seu livro: Percurso
	Boxes
	Apresentação da disciplina
	A autoria
	Micaela Alves Rocha da Costa
	Flávio José Souza Silva
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	1.1 Transformações societárias e os impactos nas relações sociais
	1.1.1 Revolução Industrial e as mudanças nas relações de trabalho
	1.1.2 O processo de instauração do capitalismo industrial
	1.1.3 A pauperização da classe trabalhadora
	1.1.4 As relações contraditórias entre capital e trabalho no capitalismo
	1.2 Concepções sobre a questão social do ponto de vista da Igreja
	1.2.1 Influência do pensamento religioso na manutenção da estrutura social
	1.2.2 Ação social da Igreja e as encíclicas papais
	1.3 Processo de politização das contradições capitalistas e reconhecimento da questão social
	1.3.1 A organização política dos trabalhadores
	1.3.2 A influência dos intelectuais ligados à crítica social
	1.3.3 O reconhecimento da questão social pela classe trabalhadora
	1.4 A questão social na contemporaneidade e suas expressões na sociedade brasileira
	1.4.1 Definição de questão social
	A questão social é inerente ao modo de produção capitalista
	No Brasil, a questão social apresenta características próprias
	1.4.2 Principais expressões da questão social na atualidade
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSQSA_C02
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	2.1 Período democrático popular e a questão social
	2.1.1 Jânio Quadros (1961)
	2.1.2 João Goulart (1961-1964) (SANTOS, 2012)
	2.2 A questão social e a primeira fase da ditadura militar
	2.2.1 As principais reivindicações da classe trabalhadora
	2.2.2 As propostas de enfrentamento das manifestações
	2.3 A segunda fase da ditadura militar e o controle sobre a questão social
	2.3.1 Políticas sociais desenvolvidas no período
	2.3.2 Movimentos sociais no final da década de 1970
	2.3.3 A questão indígena no período da ditadura militar
	2.4 Questão social e a política de austeridade militar a política de austeridade militar
	2.4.1 Principais índices sociais do período
	2.4.2 20 anos de ditadura militar e o acirramento das expressões da questão social
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSQSA_C03
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	3. Capitalismo dependente e a autocracia burguesa
	3.1.1 Sistema econômico brasileiro e a dependência econômica
	3.1.2 Elites brasileiras e o desenvolvimento econômico
	3.2 Golpe militar (1964)
	3.2.1 EUA e a contrarrevolução
	3.2.2 Brasil subdesenvolvido e dependente
	3.3 Autocracia burguesa e o modelo dos monopólios
	3.3.1 Manutenção do esquema de acumulação capitalista
	3.3.2 Funcionalidade política e econômica do Estado e a burguesia
	A primeira fase, de 1964 a 1968
	A segunda fase, em 1968
	A terceira e última fase, no final do ciclo da autocracia burguesa, em 1974
	3.4 Autocracia burguesa e o mundo da cultura
	3.4.1 Enquadramento do sistema educacional
	3.4.2. Política cultural da ditadura
	3.4.3 Controle e censura
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSQSA_C04
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	4.1 Política econômica do período militar
	4.1.1 Resultados econômicos do período ditatorial
	4.1.2 Inflação e poder de compra
	4.1.3 O milagre econômico
	4.1.4 Fundo Monetário Internacional (FMI)
	4.2 Indicadores sociais do período
	4.2.1 Taxas de natalidade e de mortalidade
	4.2.2 Analfabetismo e evasão escolar
	4.2.3 Saneamento básico
	4.2.4 Taxas de empregabilidade
	4.3 As políticas sociais e o trato com a questão social
	4.3.1 Política de Habitação (BNH)
	4.3.2 Políticas voltadas à infância e à juventude
	4.3.3 A política de saúde
	4.4 Ditadura militar e a crise do petróleo
	4.4.1 Programa de energias brasileiro
	4.4.2 Programa nacional do álcool (Proácool)
	4.4.3 Fortalecimento da Petrobrás
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSQSA_C05
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	5. 1 A prática profissional
	5.1.1 Principais acontecimentos do período democrático-popular
	Período democrático-popular
	Significativas mudanças no contexto
	Governo de João Goulart
	5.1.2 Emergência de uma nova prática profissional
	5.2 Movimentos sociais no governo de Jânio Quadros
	5.2.1 Movimento de educação de base (MEB)
	5.2.2 Movimento de cultura popular (MPC)
	5.2.3 Ligas camponesas e sindicatos rurais
	5.3 O serviço social e o Estado
	5.3.1 O Assistente social como funcionário do Estado
	5.3.2 Objeto profissional do assistente social
	5.3.3 Deslocamento do eixo do indivíduo para o da comunidade
	5.4 O Desenvolvimento de comunidade (DC)
	5.4.1 A metodologia do DC no Brasil
	5.4.2 DC no Brasil: caráter político, crítico e clássico
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSQSA_C06
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	6.1 Ditadura militar e o serviço social
	6.1.1 O regime militar e o Impacto sobre os profissionais
	6.1.2 O cerceamento à liberdade dos profissionais do serviço social
	6.2 As possibilidades de atuação profissional
	6.2.1 Requisição do profissional do serviço social no período
	6.2.2 As principais atividades desenvolvidas por assistentes sociais
	6.3 Políticas sociais e atuação profissional
	6.3.1 Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento (I PNP)
	6.3.2 Projeto Rondon e Centros Sociais Urbanos (CSU’s)
	6.4 A Política de integração social
	6.4.1 Legião Brasileira de Assistência (LBA)
	6.4.2 Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (FUNABEM)
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSQSA_C07
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	7. 1 A transição democrática e o saldo dos governos militares
	7.1.1 A crise e a falência dos Estados
	7.1.2 A inexistência de condições de intervenção profissional
	7.1.3 Situação econômica do período
	7.2 Reorganização do serviço social
	7.2.1 O Serviço social e movimentos sociais
	7.2.2 A Assembleia Nacional Constituinte e a possibilidade de participação popular
	7. 3 O serviço social no contexto da constituição cidadã
	7.3.1 Seguridade social
	7.3.2 Saúde universal
	7.3.3 Previdência contributiva
	7.3.4 A assistência social ganha status de política pública
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSQSA_C08
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	8.1 Espaço institucional e espaço profissional
	8.1.1 Espaço sócio-político das instituições sociais
	8.1.2 As alternativas de ação em espaços públicos e privado
	8.2 Participação e poder
	8.2.1 Formas de participação utilizadas na época
	8.2.2 O processo de planejamento e consulta popular
	8.3 Estratégias e táticas utilizados pelos profissionais
	8.3.1 Estratégias de grupos populares e o movimento operário
	Trabalhadores e movimentos sociais
	Classe dominante
	8.3.2 As mobilizações e as relações de forças
	8.4 Os centros sociais urbanos e a prática profissional
	8.4.1 A expansão capitalista e a integração social
	8.4.2 As relações de poder e o relacionamento do/a assistente social com a população
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	Blank Page
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