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XAMPU BASE
Escola Técnica de Santa Maria -DF
Curso: Auxiliar de Produção Farmacêutica
A palavra “xampu” vem do termo indiano “chāmpo”, que significa massagear. Originalmente, era uma técnica de aplicar óleos e ervas no couro cabeludo para promover limpeza e bem-estar. Com o tempo, essa prática foi evoluindo até se transformar no produto cosmético e/ou terapêutico moderno que conhecemos hoje.
🧴 O QUE É XAMPU?
🧴 O QUE É XAMPU?
O xampu é um produto cosmético líquido ou gelatinoso desenvolvido para limpeza do couro cabeludo e dos fios de cabelo, removendo sujeira, oleosidade, resíduos e células mortas. Vai além da higiene, pois também pode tratar distúrbios do couro cabeludo e melhorar a saúde capilar com ativos hidratantes e fortificantes.
XAMPU
2. Funções principais: 
Remover sujidades (sebo, suor, poeira, resíduos de finalizadores).
Promover sensação de limpeza e frescor.
Preparar o couro cabeludo para receber ativos.
Veicular substâncias que tratam cabelos e couro cabeludo.
🧴 XAMPU
3. Por que estudar xampus em produção farmacêutica?
É uma formulação amplamente manipulada em farmácias magistrais.
Serve como veículo para ativos dermatológicos.
O mercado de cuidados capilares representa uma das maiores fatias do setor cosmético brasileiro.
Exige domínio de tensoativos, pH, compatibilidade química, estabilidade e boas práticas.
TIPOS DE XAMPUS E SUAS DIFERENÇAS
. XAMPU COSMÉTICO
Foco: limpeza e estética.
Não tem finalidade terapêutica.
Exemplos:
Xampus hidratantes (com glicerina, aloe vera)
Xampus nutritivos (óleos vegetais)
Xampus perolados (micas e agentes de brilho)
Xampus anti-ressecamento
Xampus anti-frizz
TIPOS DE XAMPUS E SUAS DIFERENÇAS
 2. XAMPU DERMOCOSMÉTICO
Cosmético com evidência científica, voltado também para saúde do couro cabeludo.
Exemplos:
Ceramidas (reparação da barreira lipídica da fibra capilar)
Panthenol (hidratação profunda)
Niacinamida (fortalece a barreira cutânea)
cafeína (estímulo da microcirculação)
Proteínas hidrolisadas (reconstrução)
Óleo de argan (antioxidante + brilho + reparação)
TIPOS DE XAMPUS E SUAS DIFERENÇAS
3. XAMPU FARMACÊUTICO / MEDICINAL
Contém fármacos e tem uso terapêutico.
Exemplos com indicações:
Cetoconazol → antifúngico, dermatite seborreica
Ciclopirox olamina → antifúngico de amplo espectro
Piritionato de zinco → anticaspa, antimicrobiano
Ácido salicílico → queratolítico, seborréia severa
Enxofre → ação antisséptica
Alcatrão → psoríase
A formulação do protocolo entregue segue o modelo de xampu base neutro, ideal para incorporação de ativos com fins cosméticos ou terapêuticos.
🔬 COMPOSIÇÃO DO XAMPU BASE – DETALHAMENTO TÉCNICO
▶️ FASE A – VEÍCULO AQUOSO E CONSERVAÇÃO
Água purificada (qsp 100g): veículo universal da formulação.
EDTA (0,1g): agente quelante – remove íons metálicos (como ferro e cálcio) que podem oxidar ou desestabilizar o produto.
Solução conservante de parabenos (3,3g): contém:
Metilparabeno e propilparabeno: ação antimicrobiana e antifúngica.
Propilenoglicol: solvente, hidratante e coadjuvante conservante.
🔬 COMPOSIÇÃO DO XAMPU BASE – DETALHAMENTO TÉCNICO
▶️ Fase B – Tensoativo primário
Lauriletersulfato de sódio (30g): agente surfactante que promove:
Desagregação de gorduras (oleosidade);
Formação de espuma;
Efeito detergente.
🔬 COMPOSIÇÃO DO XAMPU BASE – DETALHAMENTO TÉCNICO
▶️ Fase C – Tensoativo secundário e espessante
Dietanolamina de ácido graxo de coco (amida 90 – 4g):
Espessante;
Estabiliza a espuma;
Suaviza a ação detergente do lauril.
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🔬 COMPOSIÇÃO DO XAMPU BASE – DETALHAMENTO TÉCNICO
▶️ Fase D – Tensoativo anfótero
Cocoamidopropilbetaína:
Melhora a suavidade;
Compatível com a pele;
Reduz potencial irritante.
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🔬 COMPOSIÇÃO DO XAMPU BASE – DETALHAMENTO TÉCNICO
⚗️ PRINCÍPIOS TECNOLÓGICOS ENVOLVIDOS
Tensoatividade: a capacidade de reduzir a tensão superficial entre gordura/água para permitir a remoção de sujeira.
Compatibilidade com o couro cabeludo: fórmulas precisam manter o manto hidrolipídico da pele.
Estabilidade: a fórmula deve manter aparência, odor, cor, viscosidade e pH dentro de padrões por toda sua validade.
pH controlado (5,5 a 6,5): evita agressões ao couro cabeludo e mantém as cutículas fechadas.
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🧴 CLASSIFICAÇÃO DOS XAMPUS (por finalidade)
Cosméticos comuns: para uso diário, estética capilar.
Anticaspa: com ativos antifúngicos.
Antioleosidade: com maior poder detergente.
Infantis: com tensoativos mais suaves (sem lágrimas).
Medicinais: manipulados para tratamento de patologias.
🧪 IMPORTÂNCIA DO pH NO XAMPU
Manter o pH ideal é essencial para:
Evitar coceira, ardência ou ressecamento;
Proteger a microbiota natural do couro cabeludo;
Prevenir abertura das cutículas capilares (que causam frizz e opacidade).
Correções são feitas com:
Ácido cítrico ou lático → acidificar;
Hidróxido de sódio (NaOH) → alcalinizar.
CONCEITOS CLÍNICOS FUNDAMENTAIS: CASPA, SEBORREIA E QUEDA CAPILAR
1. CASPA (DERMATITE SEBORREICA LEVE)
Causada pelo fungo Malassezia sp.
Caracteriza-se por:
Descamação branca
Coceira
Irritação
Tratamento com xampus medicinais:
Piritionato de zinco
Cetoconazol
Ácido salicílico
CONCEITOS CLÍNICOS FUNDAMENTAIS: CASPA, SEBORREIA E QUEDA CAPILAR
3. QUEDA DE CABELO (CONCEITO AMPLIADO)
Queda capilar é a perda acima do normal de fios (acima de 100 fios/dia).
Classificação:
A. Queda fisiológica
Normal, parte do ciclo do fio (fase telógena).
B. Queda por quebra
Não é queda da raiz, mas ruptura do fio.
Causada por:
Tensoativos agressivos
pH alto
Procedimentos químicos
Desidratação da fibra
CONCEITOS CLÍNICOS FUNDAMENTAIS: CASPA, SEBORREIA E QUEDA CAPILAR
2. SEBORREIA
Produção excessiva de sebo pelo couro cabeludo.
Causa:
Aspecto oleoso
Coceira
Vermelhidão
Caspa oleosa (placas amareladas)
Xampus indicados:
Antisseborreicos (ácido salicílico, enxofre, alcatrão)
Tensoativos mais suaves para não gerar efeito rebote
CONCEITOS CLÍNICOS FUNDAMENTAIS: CASPA, SEBORREIA E QUEDA CAPILAR
C. Queda patológica
Alopecia androgenética
Eflúvio telógeno
Alopecia areata
Necessita intervenção médica.
D. Queda induzida por produtos inadequados
Xampus muito detergentes
Fragrâncias irritantes
Conservantes incompatíveis
Agressão à barreira cutânea
EFEITOS ADVERSOS QUE UM XAMPU PODE CAUSAR
3. DERMATITE DE CONTATO
Reação alérgica tardia.
Causada por fragrâncias, corantes e certos conservantes.
4. ALTERAÇÕES DE COR DO CABELO
Xampus alcalinos podem abrir cutículas e desbotar tintura.
EFEITOS ADVERSOS QUE UM XAMPU PODE CAUSAR
1. IRRITAÇÃO
Ardência
Coceira
Eritema
Desencadeada principalmente por tensoativos fortes e fragrâncias.
2. RESSECAMENTO
Fios ásperos
Falta de brilho
Causado por remoção excessiva de lipídios naturais.
REGULAMENTAÇÕES E NORMAS DA ANVISA (RDCS ESSENCIAIS)
RDC 48/2013 – BPF EM COSMÉTICOS
Define Boas Práticas de Fabricação para produtos de higiene, perfumes e cosméticos
Exige:
Controle de qualidade
Procedimentos operacionais padronizados (POPs)
Responsabilidade técnica
Registros e rastreabilidade
Treinamento da equipe
REGULAMENTAÇÕES E NORMAS DA ANVISA (RDCS ESSENCIAIS)
RDC 67/2007 – BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO EM FARMÁCIA
Abrange manipulação magistral e oficinal
Regras sobre:
Pesagem de matérias-primas
Acondicionamento
Controle microbiológico
Higienização
Qualificação de equipamentos
Rotulagem
REGULAMENTAÇÕES E NORMAS DA ANVISA (RDCS ESSENCIAIS)
RDC 30/2012 – REGISTRO DE PRODUTOS GRAU 2
Importante para xampus que alegam:
Anticaspa
Antisseborréico
Fortalecimento do fio
Controle de queda
REGULAMENTAÇÕES E NORMAS DA ANVISA (RDCS ESSENCIAIS)
RDC 07/2015 – NOTIFICAÇÃO E REGISTRO DE COSMÉTICOS
Divide produtos em Grau 1 e Grau 2
Xampu simples → Grau 1
Xampu com promessas funcionais → Grau 2
BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO E MANIPULAÇÃO (BPF E BPM)
BPF — BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO (RDC 48/2013)
O auxiliar deve:
Higienizar bancadas e utensílios
Usar EPIs completos
Registrar todos os lotes e operações
Controlar temperatura
Evitar contaminação cruzada
Garantir correta pesagem
Organizar fluxo unidirecional de produção
BOAS PRÁTICAS DEFABRICAÇÃO E MANIPULAÇÃO (BPF E BPM)
2. BPM — BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO (RDC 67/2007)
O auxiliar deve:
Verificar validade e integridade das matérias-primas
Manipular sob condições higiênicas
Controlar pH, aparência, odor e viscosidade
Realizar limpeza validada
Acondicionar corretamente
Identificar corretamente o lote
Preencher fichas de produção e rastreabilidade
Garantir homogeneidade da formulação
O Brasil é o 4º maior mercado consumidor de cosméticos do mundo;
Xampus estão entre os produtos mais vendidos nas farmácias;
A indústria cosmética é um grande empregador de técnicos e auxiliares de produção, com alta demanda por mão de obra qualificada.
📊 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA E SOCIAL
MERCADO DE PRODUTOS CAPILARES E IMPORTÂNCIA ECONÔMICA
O Brasil está entre os maiores consumidores de produtos capilares do mundo. O segmento de xampus cresce por fatores como:
Clima quente → necessidade de lavagens frequentes
Variedade de tipos de cabelo
Alto consumo de produtos químicos (tintas, progressivas, alisamentos)
Mercado de luxo e profissional em ascensão
Busca crescente por dermocosméticos e produtos de tratamento
MERCADO DE PRODUTOS CAPILARES E IMPORTÂNCIA ECONÔMICA
IMPACTO PROFISSIONAL:
O Auxiliar de Produção participa de um setor que movimenta bilhões de reais ao ano, exigindo qualificação técnica, entendimento regulatório e domínio de processos de fabricação.
🧪 PAPEL DO AUXILIAR DE PRODUÇÃO FARMACÊUTICA
O ALUNO CAPACITADO PODE ATUAR EM:
Pesagem e manipulação de componentes com 
balanças de precisão;
Controle de pH, cor, viscosidade e densidade;
Montagem de lotes piloto e produção industrial;
Controle de qualidade e documentação (BPF);
Análise crítica de rótulos e formulações comerciais.
CONCLUSÃO
ESTA AULA CONSOLIDOU:
Estruturas e funções dos tensoativos
Função de cada insumo da fórmula
Diferença entre xampus cosméticos, dermocosméticos e farmacêuticos
Conceitos clínicos essenciais (caspa, seborreia, queda)
Efeitos adversos dos xampus
RDCs fundamentais da ANVISA
Boas práticas de fabricação e manipulação
Importância econômica do setor
Papel fundamental do Auxiliar de Produção Farmacêutica
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