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HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Dayane Rúbila Lobo Hessmann 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Como diz o título de uma obra clássica (Huxley, 2014), um admirável 
mundo novo se abriu após o final da Primeira Guerra Mundial. Duas décadas 
separaram a Primeira da Segunda Guerra, em um período que foi marcado pela 
reconstrução da Europa, pelo surgimento de totalitarismos, pela crise de 1929 e 
pelo acirramento de conflitos, fatos que contribuíram significativamente para a 
eclosão da Segunda Guerra Mundial. Assim, nesta etapa interessa-nos 
compreender o nazifascismo, bem como os motivos e desdobramentos da crise 
de 1929. Ademais, enfocaremos a Segunda Guerra Mundial e, 
consequentemente, a Guerra Fria. 
TEMA 1 – UM MUNDO ENTREGUERRAS 
A Primeira Guerra Mundial causou profundas mudanças em todas as 
esferas do mundo ocidental. Suas marcas foram sentidas por muito tempo e seus 
desdobramentos geraram inúmeras transformações para o mundo e 
principalmente para a Europa. O dito velho mundo, que até o século XIX foi o 
grande protagonista global, perdeu sua hegemonia, pois encontrava-se 
devastado, abalado territorial, política, econômica e emocionalmente. Nesse 
novo cenário, os Estados Unidos, que ganharam relevância ao término da 
Primeira Guerra, se consolidaram como uma grande potência, destacando-se 
como o epicentro do capitalismo mundial. Na conjuntura de crise europeia pós-
guerra, os EUA emprestaram dinheiro para os países europeus se 
reestabelecerem. 
Com a crise europeia, os norte-americanos aproveitaram para assumir a 
liderança das exportações de todo o mundo, o que carretou um veloz 
crescimento industrial e um acentuado consumismo interno, nos países. Tal 
prosperidade econômica propiciou uma política de crédito bancário livre do 
controle estatal, levando milhares de pessoas a aplicarem sua renda no mercado 
de ações, em busca de enriquecerem de maneira fácil. Porém, passada quase 
uma década do final da Primeira Guerra, no final da década de 1920, os países 
europeus estavam recuperando sua capacidade de produção industrial e 
agrícola, o que gerou uma significativa redução das importações. Assim, uma 
crise de superprodução rapidamente chegou aos EUA. Com a quebra da Bolsa 
de Valores de Nova York, em 1929, as ações das empresas perderam quase 
 
 
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todo o seu valor, levando milhares de pessoas, que haviam investido dinheiro 
nelas, à falência. Muitas fábricas, comércios e bancos entraram em colapso e 
faliram. A quebra da Bolsa de Nova York teve reflexos imediatamente, uma vez 
que, logo em seguida, o número de desempregados cresceu expressivamente, 
gerando pobreza e miséria. Além da questão financeira, a crise gerou também 
significativos problemas psicológicos, vide o crescimento do alcoolismo e muitos 
casos de suicídio. 
Figura 1 – Uma mãe migrante e seus filhos, durante a Grande Depressão 
 
Crédito: Dorothea Lange/CC-PD. 
 
 
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Diante desse panorama de profunda recessão, os norte-americanos 
suspenderam as importações e cortaram os empréstimos aos países europeus, 
o que, por sua vez, desencadeou também uma crise na Europa e em outros 
países americanos e até mesmo na Ásia. O historiador René Rémond (1974, p. 
71) ressalta que essa crise, quase que mundial, acarretou importantes 
consequências políticas, pois a opinião pública perdeu a confiança nas 
instituições democráticas capitalistas, bem como afetou a concepção de 
liberalismo econômico, levando os governos a intervirem na economia. Cabe 
destacar, todavia, que a União Soviética saiu intacta dessa crise. Ou seja: 
enquanto o capitalismo fracassava, o socialismo prosperava. 
O contexto intitulado entreguerras ainda foi palco do surgimento do 
fascismo italiano. A Itália perdeu cerca de 2 milhões de homens na Grande 
Guerra, isso lhe gerando um trauma coletivo. Somou-se a isso uma grave crise 
econômica, que acarretou, por sua vez, uma intensa crise social. Ou seja, no 
início da década de 1920, a Itália encontrava-se com sérios problemas. Nessa 
conjuntura de crise, os movimentos de esquerda cresceram, o que causava 
pavor na burguesia italiana, temerosa de que algo similar à Revolução Russa 
acontecesse ali. Ainda sobre esSe cenário, é conveniente lembrar que A 
Alemanha foi considerada culpada pela Primeira Guerra e, por isso, foRA 
penalizada. Assim, perdeu 13,5% do seu território, foi obrigada a pagar uma 
indenização aos países vitoriosos e, ainda, teve seu Exército e Marinha limitados 
e sua força aérea suprimida. 
As exigências do Tratado de Versalhes acarretaram um significativo 
impacto econômico e moral à população alemã. Além do luto da perda de quase 
2 milhões de homens e 4 milhões de feridos e inválidos, os alemães ainda 
precisavam lidar com o sentimento da derrota e, sobretudo, com o da humilhação 
imposta pelo acordo de paz. O exorbitante gasto na indenização do Tratado de 
Versalhes gerou uma profunda crise econômica no país, com crescimento 
exorbitante da dívida externa da Alemanha. Somou-se a isso o desemprego, o 
que acarretou um empobrecimento de boa parte da sociedade alemã. Foi nesse 
contexto de densa fragilidade da população que nasceu o Partido Nacional 
Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista, em 1919. 
Portanto, foi diante desse momento de incertezas e vulnerabilidades que 
surgiram o fascismo italiano e o nazismo alemão, os quais estudaremos com 
mais profundidade no próximo tópico. 
 
 
5 
TEMA 2 – OS TOTALITARISMOS 
Uma consequência da grave crise econômica e política do período pós-
Primeira Guerra foi o desenvolvimento de Estados totalitários. Em que pese as 
particularidades de cada caso, em geral eles possuem características em 
comum, tais como serem: 
• avessos à democracia, ao liberalismo econômico e ao socialismo; 
• não aceitarem ideias de igualdade, de luta de classe, nem ideias 
internacionalistas; 
• nacionalistas; 
• extremamente bélicos; 
• defenderem a resolução armada de conflitos; 
• acreditarem num Estado forte e na necessidade de haver uma liderança 
determinada ao alcance de seus objetivos. 
Benito Mussolini (1883-1945) criou, em 1919, um grupo paramilitar 
chamado Fasci Italiani di Combattimento, cujo intuito era combater os socialistas. 
Com um forte discurso nacionalista, seus integrantes faziam uso da violência 
para reprimir os ditos inimigos. Esse grupo, que cresceu de forma rápida e 
espantosamente, recebeu o apoio de ex-soldados da Primeira Guerra, da 
burguesia e da Igreja Católica, temerosos com o possível avanço socialista. 
Saiba mais 
Fascismo vem de fascio, termo italiano que significa feixe e remete a 
fasces, palavra latina usada na época dos romanos para designar um machado 
amarrado com um feixe de varetas. Na época do Império Romano, o fascio era 
utilizado para abrir caminhos para a passagem dos magistrados. Assim, o fascio 
era atrelado à ideia de poder e autoridade. Esse objeto foi retomado e usado por 
Mussolini como símbolo do fascismo italiano. 
 
 
 
 
 
 
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Figura 2 – Emblema do Partido Nacional Fascista 
 
Crédito: NsMn/CC-PD. 
Em 1921, esse grupo se tornou um partido de extrema direita, o Partido 
Fascista Italiano, tendo Mussolini como o grande líder do partido. Os fascistas 
prometiam reestabelecer a ordem social, gerar um crescimento econômico e 
conquistar novos territórios, afirmando que a Itália, tal como já havia sido no 
período da Roma Antiga, se tornaria um grande e poderoso império, novamente. 
Para tanto, defendiam um Estado centralizador e autoritário. Em 1922, os 
fascistas organizaram a Marcha sobre Roma, uma grande manifestação cujo 
objetivo era pressionar e conquistar a tomada do poder à força. Devido à grande 
pressão, o rei italiano Vitor Emanuel III (1869-1847) convidou Mussolini para se 
tornar o primeiro-ministro italiano. A partir de então, os fascistas passaram a 
controlar o Estado. 
Hannah Arendt(2009), em As origens do totalitarismo, de 1951, destaca 
que o fascismo italiano inaugurou uma nova e inédita forma de governo, o 
totalitarismo. Nessa esteira, o historiador Robert Paxton (2007, p. 68) afirma que 
 
 
7 
Fascismo [...] era uma invenção nova, criada a partir do zero para a era 
da política das massas. Ele tentava apelar sobretudo às emoções, 
pelos rituais, de cerimônias cuidadosamente encenadas e de retórica 
intensamente carregada. [...] o fascismo não se baseia de forma 
explícita num sistema filosófico complexo, e sim no sentimento popular. 
A propaganda foi um dos pilares de sustentação do fascismo. Frases 
como Mussolini tem sempre razão eram repetidas em todos os lugares, nos 
jornais, nas escolas, nos prédios públicos, nas rádios. Além disso, os ideais do 
fascismo, como pátria, família e trabalho, eram constantemente divulgados. O 
intuito era convencer e receber a aprovação da população. 
Figura 3 – Benito Mussolini dirigindo-se à multidão, em 1938 
 
Crédito: Shawshots/Alamy/Fotoarena. 
O militarismo era utilizado como instrumento para disciplinar e organizar 
toda a sociedade. Além disso, o fascismo tinha como características: ódio à 
razão e aversão aos intelectuais, aos artistas e aos cientistas; uso de força e 
violência; forte propaganda; culto à personalidade; censura; oposição e 
perseguição aos ditos inimigos políticos: socialistas, anarquistas e sindicalistas; 
presença de um partido único; extremo controle da população; catolicismo como 
religião oficial do Estado; visão imperialista. 
Quase dez anos depois da promoção do fascismo italiano, inaugurava-se 
na Alemanha um regime similar: o nazismo. Como vimos anteriormente, o 
 
 
8 
nazismo surgiu num contexto de profunda crise social, econômica e emocional 
da população alemã, tal como salienta a historiadora Jeanine Poock de Almeida 
Drumond (2017, p. 29): 
Após a derrota na Primeira Guerra Mundial em 1918 pelas forças 
aliadas (França, Grã-Bretanha, Itália e Estados Unidos), a Alemanha 
estava arrasada e humilhada e seu exército em retirada. Suas fábricas 
estavam paralisadas, suas cidades invadidas por soldados e operários 
insuflados pela revolução comunista. A conjuntura da Europa havia 
mudado, pois em função de acordos firmados em 1919 surgiram novos 
países: Polônia, Tchecoslováquia, Áustria, Hungria e países bálticos. 
Em questões territoriais a Alemanha foi muito prejudicada com esses 
acordos, pois perdeu parte do território para Tchecoslováquia onde 
viviam cerca de três milhões de cidadãos de origem alemã. Além disso, 
o território polonês se formou dividindo a Alemanha pelo “corredor 
polonês”. O Tratado de Versalhes imposto à Alemanha, firmado na 
ocasião do encontro dos países vitoriosos, considerou-a a grande 
responsável pela guerra. 
Assim, foi nessa conjuntura que surgiu o Partido dos Trabalhadores 
Alemães (DAP), em janeiro de 1919. Adolf Hitler, um jovem entusiasta, não foi o 
fundador do partido, porém, em pouco tempo, se tornou uma figura bastante 
relevante dele. Em fevereiro de 1920, o então DAP teve seu nome modificado 
para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nsdap). No seu 
programa, o partido apresentava características marcadamente de extrema 
direita: nacionalista, autoritário e intolerante. 
Saiba mais 
Em 1932, o líder nazista disse: “Socialismo é a ciência de lidar com o bem 
comum. Comunismo não é socialismo. Marxismo não é socialismo. Os marxistas 
roubaram o termo e confundiram seu significado. Eu irei tomar o socialismo dos 
socialistas”. Cabe destacar que, no contexto do final da Primeira Guerra Mundial, 
a palavra socialismo estava na moda e atraía os trabalhadores. Hitler se 
aproveitou dessa popularidade e também da própria estética socialista, ao usar 
a cor vermelha, por exemplo, em panfletos e cartazes, para conquistar grupos 
de esquerda e trabalhadores. 
 Em 1922, Hitler alcançou o posto de liderança no Partido Nazista. Em 
1923, Hitler tentou dar um golpe, todavia fracassado. Por conta disso, acusado 
de traidor da pátria, ele foi preso e, nos oito meses em que ficou na cadeia, ele 
escreveu Mein Kampf, livro-base do nazismo. Nessa obra, Hitler conceituou 
todos os ideais nazistas, como o nacionalismo exacerbado, o antissemitismo, o 
antiliberalismo, o anticomunismo e a pretensa supremacia da raça ariana. 
 
 
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Figura 4 – Retrato de Adolf Hitler, 1938 
 
Crédito: Elzbieta Sekowska/Shutterstock. 
Devido à forte pressão popular, em 1933 Hitler foi convidado pelo 
presidente alemão para assumir o cargo público mais alto do posto executivo, de 
chanceler, isto é, chefe do governo alemão. Em 1934, o presidente faleceu e 
 
 
10 
Hitler então se declarou Führer: chefe do Partido Nazista Alemão, chefe do 
Estado alemão e o grande líder da população, tudo isso com o apoio do 
Parlamento. Em seguida, foi realizado um plebiscito para a aceitação ou não de 
Hitler para o cargo, cujo resultado foi de 89,9% de aprovação da sociedade 
alemã. 
Conforme Hannah Arendt (2009), o governo nazista, juntamente com o 
fascismo italiano e o stalinismo soviético, se configura um governo totalitário, que 
se trata de um sistema de governo singular e específico ao século XX. Ademais, 
devemos salientar quem embora com traços em comum, esses regimes 
pertencem a espectros ideológicos diferentes. O nazismo se estabeleceu como 
um governo totalitário na medida em que centralizou todos os poderes políticos 
e administrativos, não permitindo a existência de outros grupos ou partidos 
políticos. Nele, além disso, havia um controle total da vida pública e privada da 
população, a qual devia lealdade total, irrestrita e incondicional ao Partido 
Nazista. A propaganda e o terror foram os pilares do governo totalitário; mais 
que censura, havia um monopólio da verdade. 
Norbert Elias, Zygmunt Bauman, Hannah Arendt (2009) e tantos outros 
pesquisadores da área das ciências humanas já se debruçaram sobre a temática 
nazista, buscando explicar como os nazistas chegaram de maneira tão rápida ao 
poder e como obtiveram tão facilmente o apoio da população. Certamente, a 
crise de 1929 e o discurso de salvação da economia contribuíram para a 
popularização de Hitler, mas a economia não foi o único motivo que nos ajuda a 
compreender esse fenômeno. Hitler soube valer-se de características da história 
do povo alemão. Maria Luiza Tucci Carneiro (2000) alega que Hitler soube se 
aproveitar do histórico do povo alemão especialmente no que diz respeito ao 
ódio aos judeus. A historiadora ressalta que o ódio aos judeus na sociedade 
alemã vinha de longa data, de modo que o antissemitismo não foi uma invenção 
de Hitler. Assim, desde 1933, quando Hitler assumiu o poder, os judeus já 
passaram a viver sob um regime de terror, com ataques físicos e psicológicos. A 
propaganda antissemita transformou os judeus em verdadeiros bodes 
expiatórios, num símbolo do mal, num inimigo em comum, que precisava ser 
destruído. Tudo de ruim que já havia acontecido a Alemanha era culpa dos 
judeus, que seriam verdadeiras “pragas” a serem eliminadas daquela nação.
 Paralelemente a isso, se intensificava a ideia de que a população 
germânica formava a raça ariana: uma raça pura, superior e escolhida. É 
 
 
11 
importante salientar que a ideia da raça ariana se tratava de uma classificação 
ideológica e não científica. Em 1935 foram promulgadas as Leis de Nuremberg, 
que oficializaram a perseguição sistemática aos judeus e os transformaram em 
inimigo número 1 do regime nazista. Milhares de judeus foram presos pelo crime 
de serem judeus, bem como tiveram seus bens (negócios, comércios, joias, 
carros, obras de arte) confiscados pelos nazistas. Iniciou-se assim a segregação 
dos judeus da sociedade alemã, pois a partir daquele momento eles estavam 
proibidos de frequentar qualquer lugar público, como praças, museus, piscinas, 
parques, escolas, restaurantes. 
Numericamente, os judeus foramos inimigos mais penalizados durante o 
governo nazista, porém eles não foram os únicos. Homossexuais, negros, 
ciganos, testemunhas de Jeová, inimigos políticos (comunistas, socialistas, 
sindicalistas, anarquistas ou qualquer pessoa contra o Partido Nazista), pessoas 
com problemas físicos e mentais também foram classificados como seres 
racialmente inferiores e, portanto, passíveis de eliminação. Além do 
antissemitismo, da crença na superioridade da raça ariana, o nazismo também 
se caracterizou pela defesa do espaço vital, isto é, pelo domínio de um vasto 
território para que os alemães puros pudessem viver e se desenvolver 
plenamente, livres das raças inferiores. Portanto, nitidamente, havia uma 
pretensão de dominar o mundo, expandir o nazismo para além das fronteiras 
alemãs, o que ficará visível na Segunda Guerra Mundial. 
Por fim, não tem como falar sobre nazismo sem abordar os campos de 
concentração, que foram, infelizmente, uma marca registrada do governo 
nazista. Os alemães construíram tais campos com diferentes desígnios: havia 
campos de trânsito, campos para prisioneiros de guerra, campos para 
prisioneiros civis e, depois, campos de trabalho e de extermínio. Os campos de 
concentração foram fundamentais para a economia de guerra alemã, na medida 
em que toda a logística necessária para a guerra era produzida com mão de obra 
escrava. Além disso, os alemães vendiam essa mão de obra escrava para outras 
empresas interessadas. 
 
 
 
 
 
 
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Figura 5 – Prisioneiro tendo a cabeça raspada no campo de concentração de 
Sachsenhausen, Alemanha, 1942 
. 
Crédito: Acervo Museu do Holocausto. 
Ademais, os campos de concentração eram também laboratórios de 
experimentos onde tudo era possível. Tanto assim que a indústria farmacêutica 
realizou muitos experimentos utilizando os prisioneiros como cobaias. Os 
 
 
13 
campos eram lugares de violência gratuita, onde todos os abusos e absurdos 
inimagináveis poderiam acontecer. 
A partir de 1942, os nazistas começaram a executar seus inimigos, 
especialmente os judeus, em larga escala, de uma maneira rápida, barata e 
lucrativa. Para tanto, desenvolveram as câmaras de gás como método para 
assassinar centenas pessoas ao mesmo tempo, poupando derramamento de 
sangue e economizando em balas. Depois, os corpos das vítimas eram retirados 
por prisioneiros saudáveis, para aproveitar o que deles fosse possível, antes de 
incinerá-los. Todo esse processo foi denominado indústria da morte. 
TEMA 3 – COMEÇA O SEGUNDO ATO: UMA GUERRA, VÁRIAS RAZÕES 
Segundo o historiador Eric Hobsbawm (1995, p. 51-52), a Segunda 
Guerra consolidou a definição de guerra moderna, ou seja, uma guerra total, a 
envolver uma quantidade de arsenal bélico inimaginável, muita organização e 
administração, milhares de soldados e que transforma, direta ou diretamente, a 
vida de todos os países envolvidos. Tratou-se essa de uma guerra de massas, 
que envolveu não somente os combatentes, mas também toda a população civil 
mundial. 
O historiador Williams da Silva Gonçalves (2000) afirma que, até fins da 
década de 1950, havia um consenso, na historiografia, de que Adolf Hitler foi o 
grande responsável pela Segunda Guerra Mundial. Nesse consenso, havia duas 
correntes interpretativas: a liberal, cujo enfoque se dava na questão do 
totalitarismo desumano e antidemocrático; e a marxista, que privilegiava a 
abordagem do imperialismo capitalista, cruel e agressivo. 
 Em 1961, o historiador britânico Alan John Percival Taylor (1991) lançou 
The Origen Of the Second War, no qual questionava a visão historiográfica da 
época. Para Taylor (1991), Hitler deu continuidade a uma estratégia política que 
já havia sido definida anteriormente, de tal modo que o povo alemão também 
deveria ganhar sua parcela de responsabilidade pelos acontecimentos. Taylor 
(1991) abriu uma nova possibilidade de se pensar a Segunda Guerra, que não 
parou por aí. 
Seja como for, o debate não se encerrou e a pergunta sobre o porquê 
da guerra continua a ser feita. Para nós, parece razoável afirmar que 
não há uma resposta objetiva para esta pergunta. A guerra foi um 
resultado perverso de uma conjunção de fatores. Dentre esses fatores, 
 
 
14 
a devastadora crise econômica de 1929 desempenhou um papel 
central. (Gonçalves, 2000, p. 168) 
A Alemanha, que teve sua economia totalmente devastada durante a 
Primeira Guerra e sofreu muito com a crise de 1929, adotou, após a ascensão 
de Hitler, uma política belicosa e expansionista. Algo muito parecido aconteceu 
na Itália de Mussolini. Como resultado, teremos a união dessas duas nações e 
o início da Segunda Guerra. Sobre isso, o historiador Pedro Tota (2006, p. 360) 
destaca que é “[...] interessante notar que o mesmo fenômeno acontecia na Itália 
e no Japão sob os governos de ministros militaristas. Ambos os países, cada um 
a seu modo, modernizaram a indústria pesada e construíram armas, aviões e 
navios para suas respectivas Forças Armadas.” 
 Os interesses expansionistas da Alemanha, da Itália e do Japão (o Eixo) 
são importantes para se compreender a Segunda Guerra Mundial. O Japão foi 
pioneiro na expansão territorial ao invadir a Manchúria, uma província chinesa, 
em 1931. Logo depois, avançou sobre a China, chegando a Xangai. Em 1935, 
Mussolini autorizou a invasão da Etiópia, na África. Em 1938, a Alemanha 
anexou a Áustria e passou a reivindicar algumas regiões da Tchecoslováquia. 
A anexação alemã da Áustria marcou uma quebra significativa da 
ordem internacional do período após a Primeira Guerra Mundial. 
Apenas seis meses depois, a Alemanha nazista forjou uma crise nos 
Sudetos, que era uma região da Tchecoslováquia. Em setembro de 
1938, líderes da Itália, da França e da Grã-Bretanha se encontraram 
com Hitler em Munique para discutir a questão. Eles aplacaram Hitler 
ao ceder aquela região à Alemanha nazista, sob a condição de que o 
resto da Tchecoslováquia permanecesse intocado. Em março de 1939, 
a Alemanha nazista quebrou este acordo e ocupou as terras tchecas, 
incluindo sua capital, Praga. (Agressão, 2022) 
Vale lembrar que, ao final da Primeira Guerra Mundial, com o Tratado de 
Versalhes, a Alemanha fora obrigada a transferir uma faixa de terra, à Polônia, 
que garantia ao país acesso ao Mar Báltico. Essa faixa de terra ficou conhecida 
como corredor polonês. Em março de 1939, a Alemanha pediu a devolução de 
parte desse território, o que foi recusado pelos poloneses. A partir disso, Hitler 
resolveu invadir a Polônia. Em 1º de setembro de 1939 Hitler ordenou a invasão 
da Polônia, utilizando a estratégia chamada blitzkrieg, isto é, guerra-relâmpago, 
que consistia em pegar o inimigo de surpresa, atacando por todas as frentes, por 
terra, por mar e pelo ar. No decorrer da Segunda Guerra, essa estratégia foi 
bastante explorada. A invasão da Polônia foi um ato de agressão e expansão 
territorial, sinalizando o estopim para o início da Segunda Guerra Mundial. 
 
 
 
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Figura 6 – Tropas alemãs desfilam em Varsóvia, depois da rendição da Polônia 
 
Crédito: World History Archive/Alamy/Fotoarena. 
Diante dessa invasão, a França e a Grã-Bretanha tiveram que se 
posicionar, pois tinham um compromisso de ajuda aos poloneses caso a 
Alemanha os ameaçasse. Desse modo, formaram o bloco chamado de Aliados, 
que mais tarde contaria com a união de outros países. 
O conflito pode ser dividido em três etapas, a primeira marcada por um 
rápido avanço do Eixo, a segunda marcada pelo início das derrotas do Eixo e a 
terceira na qual se destaca a entrada dos EUA na guerra, como veremos a 
seguir. Nos primeiros anos da guerra, os nazistas obtiveram êxito, pois contavam 
com uma excelente força aérea (Luftwaffe) e com um exército bem equipado e 
muito bem treinado. Em abril de 1940, o exército alemão invadiu a Dinamarca e 
a Noruega e, no mês seguinte, conquistaram a Holanda, a Bélgica e 
Luxemburgo, abrindo caminho para seu próximoalvo: a França. As tropas 
nazistas conseguiram dominar a França sem muito esforço e com pouca 
 
 
16 
resistência. Depois da França, o plano dos nazistas era dominar a Inglaterra. A 
força aérea alemã começou a bombardear fortemente as terras inglesas, 
contudo encontraram resistência da força aérea inglesa, a Royal Air Force (RAF). 
Após essa tentativa frustrada, mas com boa parte da Europa Ocidental 
sucumbida, Hitler voltou sua atenção à Europa Oriental, rompendo 
definitivamente o pacto de não agressão antes estabelecido com a União 
Soviética. 
O Pacto Germano-Soviético foi um acordo assinado pela Alemanha 
nazista e pela União Soviética no dia 23 de agosto de 1939. Ele foi 
negociado pelo ministro de relações exteriores alemão, Joachim von 
Ribbentrop, e pelo ministro de relações exteriores soviético, 
Vyacheslav Molotov. Popularmente chamado de Pacto Nazi-Soviético 
ou Pacto Molotov-Ribbentrop, também é conhecido como Pacto Hitler-
Stalin. 
O Pacto Germano-Soviético possuía duas versões, uma pública e uma 
secreta. A parte pública era um pacto de não agressão em que cada 
signatário prometia não atacar o outro. Além disso, o Pacto também 
estabelecia que, caso uma das duas potências fosse atacada por um 
terceiro país, o outro signatário não forneceria assistência de qualquer 
tipo para o país atacador. Cada um ainda concordou em não participar 
de tratados com outras potências que, direta ou indiretamente, 
prejudicassem o outro. O acordo de não-agressão deveria durar dez 
anos e seria automaticamente renovado por cinco anos adicionais caso 
nenhum dos signatários quisesse rescindi-lo. 
A parte secreta do acordo era um protocolo que estabelecia as 
respectivas esferas de influência soviética e alemã na Europa Oriental. 
Esse protocolo reconhecia a Estônia, Letônia e Bessarábia como 
estando dentro da área de influência soviética. Os signatários 
concordaram em dividir a Polônia seguindo as linhas dos rios Narev, 
Vistula e San. (Pacto, 2022) 
As tropas nazistas elaboraram o plano chamado de Operação 
Barbarossa, cujo objetivo era dominar a URSS. Em junho de 1941, com milhares 
blindados, canhões, aviões e mais de 3 milhões de soldados, os alemães 
iniciaram a invasão à URSS: em menos de um mês, os nazistas percorreram 
quase 800 km em território soviético e, inicialmente, obtiveram um saldo bastante 
positivo. Foi nesse momento que a União Soviética entrou no conflito, ao lado 
dos Aliados. Para se defender, Stalin usou da estratégia da terra arrasada, ou 
seja, destruir as plantações e a infraestrutura local que pudessem ser úteis ao 
inimigo. O fator climático foi essencial para tirar a invencibilidade alemã, pois o 
rigoroso inverno soviético, com temperaturas abaixo dos 40 graus negativos, foi 
um grande desafio para os nazistas. Hitler imaginou que as forças nazistas 
conseguiriam fácil e rapidamente dominar a URSS, mas não foi isso que 
aconteceu. 
 
 
 
17 
Figura 7 – Soldados do Exército Vermelho num telhado em Stalingrado, em 
janeiro de 1943 
 
Crédito: Vintage_Space/Alamy/Fotoarena. 
O Japão tinha interesses econômicos nas mesmas regiões da Ásia que 
os Estados Unidos, por isso atacaram a base aeronaval em Pearl Harbor, situada 
no Havaí, região do Pacífico, matando aproximadamente 2,4 mil soldados 
americanos e afundando vários navios de guerra. Diante desse fato, os Estados 
Unidos, que até então estava neutro no conflito, foi obrigado a tomar uma 
postura, declarando guerra ao Japão e entrando no conflito ao lado dos Aliados, 
em 7 de dezembro de 1941. Sobre a atuação japonesa na guerra, cabe 
mencionar a estratégia singular dos pilotos kamikazes, cuja missão era matar e 
morrer ao mesmo tempo. Isto é, os kamikazes eram pilotos suicidas, que 
deveriam jogar sua aeronave cheia de explosivos em cima do alvo desejado, 
geralmente navios porta-aviões. Estima-se que mais de 3 mil pilotos japoneses 
se suicidaram, nessas missões. 
A partir de 1943, a Marinha e a Aeronáutica norte-americanas começaram 
a retomar, paulatinamente, os territórios ocupados pelos japoneses: Ilhas 
Marshall, Marianas, Filipinas e outras ilhas na região do Pacífico. Paralelamente 
a isso, na Europa Ocidental, a outra frente da guerra também obteve sucesso. 
As tropas britânicas e americanas conseguiram expulsar os italianos e alemães 
do norte da África. Essa vitória facilitou o avanço dos aliados em direção ao norte 
 
 
18 
da Itália e a derrubada de Mussolini. Em 6 de junho de 1944, conhecido como O 
Dia D, os aliados atacaram a Normandia, norte da França, para retomar o 
controle da região que estava nas mãos dos nazistas. 
Após a derrota nazista em solo soviético, o Exército Vermelho iniciou o 
avanço em direção a Berlim, em abril de 1945. Assim, a Batalha de Berlim foi a 
última grande batalha entre soviéticos e nazistas. Conquistar Berlim era muito 
alegórico, pois denotava a queda, em definitivo, de Hitler. Para defender a 
cidade, Hitler convocou idosos e adolescentes a lutar, mas isso não foi suficiente: 
o poderoso e temido Exército Alemão sucumbiu. Em menos de um mês, Berlim 
foi ocupada pelos soviéticos, isso obrigando à rendição alemã. Após a derrocada 
do Exército Alemão na Batalha de Berlim, Hitler e sua esposa, Eva Braum, 
cometeram suicídio. Mussolini já havia sido capturado e morto. Ou seja: na 
Europa, a guerra já tinha, então, chegado ao fim. Não obstante, no Pacífico, ela 
ainda continuava, pois o Japão se recusava a aceitar a derrota do Eixo. 
A guerra já tinha se dado por encerrada, a Organização das Nações 
Unidas (ONU) já havia sido criada e, no Pacífico, o Japão ainda insistia no 
conflito. Sendo assim, os Estados Unidos decidiram exibir todo o seu poder 
militar lançando duas bombas atômicas no Japão, nas cidades de Hiroshima e 
Nagasaki, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
Figura 8 – Nuvens de cogumelo sobre Hiroshima (esquerda) e Nagasaki (direita), 
após o lançamento das bombas atômicas nas duas cidades, nos dias 6 e 9 de 
agosto de 1945, respectivamente 
 
Crédito: George R. Caron/CC-PD; Charles Levy /CC-PD. 
As bombas mataram instantaneamente milhares de pessoas – civis e 
militares –, deixaram milhares de feridos e inválidos devido à radiação e 
destruíram as duas cidades, levando à rendição total japonesa, dias depois, 
colocando fim à Segunda Guerra Mundial. 
TEMA 4 – UM MUNDO BIPOLAR 
A Guerra Fria, como ficou conhecida a disputa pela hegemonia mundial 
entre os Estados Unidos e a União Soviética, começou mesmo antes do fim 
efetivo da Segunda Guerra Mundial, pois, nas conferências realizadas entre os 
países vencedores para tratar dos acordos e negociações referentes ao pós-
guerra, já se observavam fortes tensões e discordâncias entre ambos os países. 
O historiador Eric Hobsbawm (1995) salienta que a União Soviética era 
economicamente e militarmente mais precária que os Estados Unidos, de modo 
que não oferecia um perigo real para uma possível supremacia mundial 
daqueles, mas que 
[...] a histeria em Washington não se baseava, claro, num raciocínio 
realista. Em termos reais, o poder americano, ao contrário do seu 
prestígio, continuava decisivamente maior que o soviético. Quanto às 
 
 
20 
economias e tecnologias dos dois campos, a superioridade ocidental 
[...] superava qualquer cálculo. (Hobsbawm, 1995, p. 243-244) 
Desse modo, Hobsbawm (1995) defende a ideia de que foi a histeria dos Estados 
Unidos, a crença de que o capitalismo estava ameaçado que deram origem à 
Guerra Fria. Como mencionamos anteriormente, a Guerra Fria foi o nome dado 
à disputa entre duas superpotências, EUA e URSS. Todavia, essa não se 
concretizou num enfrentamento direto entre os países, mas numa rivalidade 
ideológica, armamentista e espacial. Logo após o fim da Segunda Guerra, os 
Estados Unidos se comprometeram a prestar ajuda a todo e qualquer país que 
precisasse conter o avanço comunista. Essefato deu início à Doutrina Truman, 
que se constituiu numa ofensiva americana contra a expansão do comunismo no 
mundo. Além disso, os EUA lançaram o Plano Marshall, que objetivava a 
recuperação europeia por meio de empréstimos a baixíssimos juros, aos países 
arruinados pela Segunda Guerra. Nesse contexto, a Organização do Tratado do 
Atlântico Norte (Otan) foi criada e consistia numa aliança militar permanente, 
contra a dita ameaça soviética, que reunia os Estados Unidos, os países da 
Europa Ocidental e o Canadá. 
Em contrapartida, a URSS criou o Comitê de Informações dos Partidos 
Comunistas e Operários (Cominform), com o intuito de coordenar e controlar as 
ações dos partidos comunistas da Europa Oriental. Ademais, reuniu os países 
socialistas do Leste Europeu e criou o Pacto de Varsóvia, uma aliança militar 
cuja finalidade era a autoproteção. Cabe lembrar que foi a Alemanha Nazista 
que deu o pontapé inicial da Segunda Guerra Mundial, além de ser responsável 
por milhões de mortes no conflito e nos campos de concentração. Sendo assim, 
ao fim do conflito, em 1945, os Aliados decidiram dividir a Alemanha e Berlim em 
quatro zonas de ocupação sob o comando de franceses, ingleses, americanos e 
soviéticos. Ressalta-se, ainda, que Stalin nutria uma grande desconfiança em 
relação aos alemães, sobretudo a partir do Cerco de Berlim, que criara inúmeros 
bolsões de resistência nazista na Alemanha e em outras regiões da Europa. 
Ademais, Stalin estava obstinado a dominar Berlim, para concretizar sua 
vingança contra os nazistas, que, durante a guerra, haviam destruído alguns 
territórios soviéticos. Somado a isso, Stalin almejava controlar os alemães de 
perto, para sondar se não havia, em território alemão, a construção de armas 
atômicas. 
 
 
 
21 
Figura 9 – As zonas de Berlim, por responsáveis pela sua ocupação externa 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
Em 1949, a cidade de Berlim ficou dividida assim: o seu lado oeste ficou 
sob o domínio dos países capitalistas, enquanto o seu lado leste, comandado 
pelos soviéticos. No seu lado oeste surgiu a República Federal da Alemanha 
(RFA); já no seu lado oeste, foi criada a República Democrática Alemã (RDA). 
Apesar de haver bastante tensão entre as partes, inicialmente a população 
alemã podia circular livremente pelos dois territórios. Porém, em 1961, a URSS 
decidiu construir uma barreira física para impedir a passagem das pessoas entre 
os lados: o famoso Muro de Berlim. O Muro de Berlim acabou se tornando o 
grande símbolo da Guerra Fria, na medida em que uma única cidade fora dividida 
entre a ideologia capitalista e a ideologia socialista. Durante 28 anos (1961-
1989), ele dividiu não somente um território, mas separou inúmeras famílias. 
 
 
 
 
 
 
22 
Figura 10 – Localização do Muro de Berlim em frente ao Portão de 
Brandemburgo, em 1961 
 
Crédito: DPA Picture Alliance/Alamy/Fotoarena. 
O Muro de Berlim era composto por centenas de torres de vigilância, redes 
metálicas eletrificadas, cães ferozes, fossos e guardas de fronteira com licença 
para matar quem tentasse ultrapassar as fronteiras ali estabelecidas. O muro 
perpassava toda a capital, com aproximadamente 155 km de extensão e pouco 
mais de 3 metros de altura. Muitas pessoas tentaram fugir e foram mortas 
tentando cruzar a fronteira: calcula-se que mais de 1 centena de pessoas 
morreram tentando atravessar os limites do muro. 
A corrida armamentista foi outra marca da Guerra Fria: EUA e URSS 
investiram pesado na indústria bélica, buscando produzir novas tecnologias e 
possuir armas sofisticadas e altamente destrutivas. A ideia era se armar para se 
proteger de um possível ataque do inimigo, formando um círculo vicioso de 
fabricação de armas. A corrida armamentista também se atrelava a uma 
estratégia de dominação de outros lugares, na qual se realizavam alianças 
regionais para instalação de bases militares de ambos os países, em diversos 
lugares do mundo. A União Soviética procurara, rapidamente, se igualar, em 
 
 
23 
poderio, ao seu oponente, sobretudo, em relação a armas nucleares, para não 
ficar em desvantagem, gerando o famoso equilíbrio do terror. Ou seja: ambos os 
países tinham armamentos igualmente potentes, portanto, ao mesmo tempo, 
nenhum dos dois queria iniciar o ataque, pois cada um sabia do risco de 
destruição em massa diante do armamento que ambos possuíam. 
A disputa entre EUA e URSS, durante a Guerra Fria, ultrapassou os limites 
terrestres, pois eles competiram até no espaço. Afinal, conquistar o espaço se 
traduzia em sinônimo de força, poder, inteligência, tecnologia e 
desenvolvimento. Em outubro de 1957, os soviéticos lançaram o primeiro satélite 
artificial ao espaço, o Sputnik. Meses depois, em novembro, lançaram o Sputnik 
2, com uma novidade: a presença de uma cachorrinha a bordo da espaçonave 
– Laika foi o primeiro ser vivo lançado num voo espacial. Tratava-se de um teste 
para verificar os padrões de segurança necessários para mandar, futuramente, 
um ser humano ao espaço. Então, em abril de 1961, os soviéticos enviaram o 
primeiro homem ao espaço, quando o astronauta Yuri Gagarin tripulou a nave 
espacial Vostok I, num voo orbital de 108 minutos. Gagarin ganhou grande 
projeção internacional, estrelando a capa de várias revistas. Em contrapartida, 
no dia 20 de julho de 1969, os EUA surpreenderam o mundo mandando homens 
para a Lua: a missão Apollo 11 levou os astronautas Neil Armstrong, Edwin Buzz 
Aldrin e Michael Collins ao solo lunar. Esse episódio foi amplamente 
televisionado, se transformando num verdadeiro espetáculo. 
 
 
 
24 
Figura 11 – Os Estados Unidos e a chegada do homem à Lua, em 1969 
 
Crédito: Nasa/Neil A. Armstrong/CCPD. 
Existem muitos filmes de espionagem sobre a Guerra Fria e isso não é à 
toa, pois a espionagem foi um elemento central naquela época. Os americanos 
tinham a Agência Central de Inteligência (CIA); já os soviéticos, o seu Comitê de 
Segurança do Estado (KGB). Esses órgãos atuavam, secretamente, dentro e 
fora dos seus respectivos países, com espiões espalhados pelo mundo todo com 
o objetivo de buscar informações de relevância nacional. Havia uma vigilância 
não somente dos considerados suspeitos, mas de toda a população mundo 
afora. 
A partir de 1950, o então senador norte-americano Joseph McCarthy 
liderou uma verdadeira caça aos comunistas: foi presidente do Comitê de 
Atividades Antiamericanas do Senado e perseguiu inúmeros políticos, 
jornalistas, intelectuais e artistas por suspeita de serem comunistas. Esse 
 
 
25 
período de intensa perseguição foi chamado de macartismo. A disputa também 
se deu por meio da propaganda, que foi amplamente utilizada pelos dois países, 
com uma dupla função: traçar uma imagem negativa do inimigo; e, ao mesmo 
tempo, exaltar a ideologia defendida. Ainda que ambos os governos 
demonizassem seu adversário, o historiador Eric Hobsbawm (1995, p. 232) 
destaca que a presença do anticomunismo nos EUA era muito maior do que a 
presença do antiamericanismo na URSS, uma vez que a democracia americana 
precisava eleger seus políticos e a criação de um perigoso inimigo externo era 
útil e conveniente, pois angariava votos. 
Em 1989, o Muro de Berlim foi derrubado. Sua queda pode ser explicada 
devido à crise econômica e administrativa da URSS. Dois anos depois, em 
1991, a Guerra Fria chegou ao fim com a desintegração da União Soviética, 
marcando a vitória do capitalismo e uma nova reconfiguração geográfica, com a 
criação de novos países. Entretanto, o fim da Guerra Fria não colocou fim ao 
perigo das armas nucleares, pois ogivas nucleares ainda existem até hoje. 
NA PRÁTICA 
Discussões recentes apontam que podemos estar diante de uma nova 
Guerra Fria, agora protagonizada pelos Estados Unidos e pela China. Busque 
artigos, textos e reportagens sobre essa temática e elabore um flashcard 
destacando seus aspectos mais relevantes.FINALIZANDO 
Ao final da Primeira Guerra Mundial, os países envolvidos não saíram 
satisfeitos do conflito, restando um clima de revanche no ar. Nesse contexto 
entreguerras surgiu, ainda, o nazifascismo. Embora o fascismo italiano e o 
nazismo alemão tenham muitos traços em comum – Mussolini também 
perseguiu ferozmente seus opositores –, é preciso salientar que apenas no 
nazismo ocorreu o genocídio de judeus e outros inimigos do governo. As ideias 
nazistas, infelizmente, não se encerraram com a morte de Adolf Hitler. Mesmo 
tantos anos após o fim do governo nazista alemão, o neonazismo ainda se faz 
presente em diferentes sociedades, em vários lugares do mundo. 
A grave crise econômica de 1929, somada aos problemas ainda 
existentes da Primeira Guerra, levaram à eclosão da Segunda Guerra Mundial. 
 
 
26 
Esse foi o conflito mais traumático da história: deixou um saldo de 60 milhões de 
mortos e mais de 20 milhões de mutilados. Milhares de crianças perderam suas 
famílias, e muitas cidades foram destruídas. A Segunda Guerra envolveu, de 
maneira direta ou indireta, todos os países do globo. Após o seu fim, um novo 
conflito surgiu: um mundo bipolarizado entre Estados Unidos e União Soviética, 
em uma disputa, entre o capitalismo e o socialismo, que pautou a metade do 
século XX. 
 
 
27 
REFERÊNCIAS 
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jul. 2022. Disponível em: . Acesso em: 20 set. 2022. 
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Xamã, 1995. (Série Eventos). 
DRUMOND, J. P. de A. O nazismo na percepção dos apoiadores de Hitler: 
um estudo sobre as cartas enviadas ao Nsdap e ao Estado Nazista (1925-1939). 
269 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Goiás, 
Goiânia, 2017. 
GONÇALVES, W. da S. A Segunda Guerra Mundial. In REIS FILHO, D. A.; 
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Companhia das Letras, 1995. 
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PACTO Germano-Soviético. Enciclopédia do Holocausto, 11 jul. 2022. 
Disponível em: . Acesso em: 20 set. 2022. 
PAXTON, R. O. A anatomia do fascismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007. 
RÉMOND, R. O século XX: de 1914 aos nossos dias. São Paulo: Editora Cultrix, 
1974. 
TAYLOR, A. J. P. The Origins of the Second World War. Londres: Penguin 
Books, 1991. 
TOTA, P. Segunda Guerra Mundial. In: MAGNOLI, D. (Org.). Histórias das 
guerras. São Paulo: Contexto, 2006.

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