Prévia do material em texto
TÍTULOS DE CRÉDITO Lívia Francisco T28 01/09/2025 Letras de Câmbio Estrutura da Letra de Câmbio: Saque: 1. Sacador · Quem emite a letra. · Dá a ordem de pagamento. · É como se fosse o “autor da ordem”. 2. Sacado · Quem recebe a ordem. · É a pessoa que deve pagar. · Só se torna obrigado se aceitar (por isso existe o aceite na letra de câmbio). 3. Tomador · Quem vai receber o pagamento. · Beneficiário da letra. EXEMPLO Imagine a seguinte situação: · Maria (sacador) emite uma letra de câmbio dizendo: “Pedro (sacado), pague R$ 1.000,00 a João (tomador), no dia 31/01/2025”. · Maria entrega a letra a João. · João leva a letra a Pedro: 1. Primeiro para perguntar: “Você aceita pagar?” → Aceite. 2. No vencimento, para cobrar. Possibilidades (art. 3º da Lei Uniforme) · Sacador = Tomador → Maria emite a letra em benefício dela mesma (ela mesma é a credora). · Sacador = Sacado → Maria emite a letra contra ela mesma (ela mesma dá e recebe a ordem). · Sacador ≠ Sacado ≠ Tomador → Forma mais comum (três pessoas diferentes). Resumindo: A letra de câmbio é uma ordem de pagamento: · Sacador = quem manda pagar. · Sacado = quem deve pagar. · Tomador = quem recebe o pagamento. a letra de câmbio deve ser emitida preenchendo os seus requisitos essenciais, estabelecidos na legislação (arts. 1.º e 2.º da Lei Uniforme): a) a expressão letra de câmbio (cláusula cambiária); b) uma ordem incondicional para pagamento de quantia determinada; c) o nome do sacado; d) o nome do tomador; e) a assinatura do sacador; f) a data do saque; g) o lugar do pagamento ou a menção de um lugar junto ao nome do sacado; h) o lugar do saque ou a menção de um lugar junto ao nome do sacador. Aceite: É o segundo ato que cria a obrigação cambial · Emitida a letra de câmbio, ela será entregue ao tomador, o qual, por sua vez, a levará ao sacado, para que este a aceite (art. 25 da Lei Uniforme), o que deve ser feito no próprio título por meio da expressão “aceito” ou “aceitamos”, seguida da assinatura do sacado ou de procurador com poderes especiais para tanto (art. 11 do Decreto 2.044/1908). · Se a letra foi emitida contra mais de um sacado, o tomador deve apresentá-la, inicialmente, ao primeiro nomeado no título, e depois sucessivamente. Em princípio, perceba-se que o sacado não tem obrigação cambial alguma, uma vez que ele não é obrigado a cumprir a ordem de pagamento emitida pelo sacador contra a sua vontade. · O aceite, portanto, é o ato pelo qual o sacado assume obrigação cambial e se torna o devedor principal da letra (aceitante). Aceite é a declaração cambial pela qual o signatário admite a ordem contra ele dada para pagar uma quantia determinada, concordando com os termos do saque e assumindo a qualidade de responsável principal pelo pagamento da letra de câmbio. (...) Sem o aceite na letra de câmbio o sacado não assume obrigação alguma no título, já que não o assinou. · Sendo o aceite uma faculdade do sacado, ele pode simplesmente recusá-lo, sem precisar dar qualquer justificativa para tanto. É preciso ressaltar, todavia, que a recusa do aceite produzirá efeitos relevantes para o sacador e para o tomador, uma vez que ocorrerá o vencimento antecipado do título, podendo o tomador exigir do sacador – codevedor da letra, como visto – o seu pronto pagamento. · Cumpre esclarecer, ainda, que o sacado pode aceitar a letra parcialmente, situação em que haverá, consequentemente, uma recusa parcial. Nesse caso, também ocorrerá o vencimento antecipado do título, podendo o tomador cobrar a totalidade do crédito contra o sacador. A única diferença entre a recusa total e a recusa parcial, pois, relaciona-se à posição assumida pelo sacado. No primeiro caso, ele não assume obrigação cambial nenhuma. No segundo caso, porém, ele se vincula ao pagamento do título nos termos do seu aceite (art. 26 da Lei Uniforme).