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PORTUGUÊS P/ TST - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS) 
PROFESSOR TERROR 
Prof. Décio Terror www.pontodosconcursos.com.br 1
 
 
 
Aula 08 
Intelecção de textos. Redação (confronto e reconhecimento de frases 
corretas e incorretas). 
 
 Olá, pessoal! 
 Quanto ao assunto intelecção de textos, vamos observar que a banca 
Fundação Carlos Chagas trabalha a interpretação de uma forma bem clara. 
Você deve se lembrar do seguinte: todo professor que propõe qualquer 
questão de concurso tem que provar que a alternativa eleita por ele como 
correta é a única resposta possível. Para isso, as bancas cobram dele tudo 
documentado: os fundamentos, prováveis recursos, índice de dificuldade, 
tempo aproximado de resolução. Com a interpretação de texto é a mesma 
coisa. Interpretar não é algo subjetivo, como muitos têm dito por aí. Entender 
o texto tem sua lógica, seu princípio norteador, e a banca FCC sabe cobrar isso 
como ninguém. 
 Assim, quem monta a questão de interpretação tem que provar no texto 
qual a alternativa é a correta. Por isso, não podemos resolver questões de 
interpretação somente no achismo. Temos que provar que nossa alternativa é 
a correta, com fundamento no texto. 
 É importante notarmos que, dentro de um texto, há informações 
implícitas (aquilo que o texto sugere) e explícitas (aquilo que está escrito 
literalmente). É mais fácil o concursando encontrar as informações explícitas, 
por isso basicamente as bancas examinadoras exploram o outro tipo de 
informação: o implícito – o autor não mostra claramente, mas a interpretação 
bem feita alcança essa informação. 
 Toda informação implícita do texto é “carregada” de vestígios. Como em 
uma investigação, o criminoso não está explícito, mas ele existe. Um bom 
investigador é um excelente leitor de vestígios. Assim, vestígios podem ser: 
uma palavra irônica, as características do ambiente e do personagem, a época 
em que o texto foi escrito ou a que o texto se refere, o vocabulário do autor, o 
rodapé do texto, as figuras de linguagem, o uso da primeira ou terceira pessoa 
verbal etc. Tudo isso pode indicar a intenção do autor ao escrever o texto, daí 
se tira o vestígio que nos leva à boa interpretação. 
 Portanto, não se deixe levar pelo tamanho do texto antes de lê-lo. Há 
texto chato, e outros intrigantes. Ao iniciar sua leitura, faça-a duas ou três 
vezes, atentamente, antes de responder a qualquer pergunta. Primeiro, é 
preciso captar sua mensagem, entendê-lo como um todo, e isso não pode ser 
alcançado com uma simples leitura. A cada leitura, novas ideias serão 
assimiladas. Tenha a paciência necessária para agir assim. Só depois tente 
resolver as questões propostas. 
 As questões da Fundação Carlos Chagas têm uma tendência: elas podem 
ser localizadas (voltadas só para um determinado trecho do texto) ou referir-
Português para Tribunal Superior do Trabalho (TST) 
(teoria e questões comentadas) 
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se ao conjunto, às ideias gerais do texto. No primeiro caso, leia não apenas o 
trecho (às vezes uma linha) referido, mas todo o parágrafo em que ele se 
situa. Lembre-se: quanto mais você ler, mais entenderá o texto. Tudo é uma 
questão de costume, e você vai acostumar-se a agir dessa forma. 
 Lembre-se, ainda, de que a banca examinadora não pede a “sua 
opinião”, mas a “interpretação” da opinião do autor. 
 Tenha paciência, aplicação e perseverança: afinal, concurso é isso! 
a) As informações implícitas 
Observe a seguinte frase: 
Fiz faculdade, mas aprendi algumas coisas. 
Nela, o falante transmite duas informações de maneira explícita: 
a) que ele frequentou um curso superior; 
b) que ele aprendeu algumas coisas. 
Ao ligar essas duas informações com uma conjunção "mas", comunica 
também de modo implícito sua crítica ao sistema de ensino superior, pois a 
frase passa a transmitir a ideia de que nas faculdades não se aprende quase 
nada... 
Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verificação 
de que ele pode dizer coisas que parece não estar dizendo: além das 
informações explicitamente enunciadas, existem outras que ficam 
subentendidas ou pressupostas. Para realizar uma leitura eficiente, o leitor 
deve captar tanto os dados explícitos quanto os implícitos. 
 Leitor perspicaz é aquele que consegue ler nas entrelinhas. Caso 
contrário, ele pode passar por cima de significados importantes e decisivos ou 
- o que é pior - pode concordar com coisas que rejeitaria se as percebesse. 
Não é preciso dizer que alguns tipos de texto exploram, com malícia e 
com intenções falaciosas, esses aspectos subentendidos e pressupostos. 
Que são pressupostos? São aquelas ideias não expressas de maneira 
explícita, mas que o leitor pode perceber a partir de certas palavras ou 
expressões contidas na frase, aqui chamadas de vestígios. 
Assim, quando se diz "O tempo continua chuvoso", comunica-se de 
maneira explícita que no momento da fala o tempo é de chuva, mas, ao 
mesmo tempo, o verbo "continuar" deixa perceber a informação implícita de 
que antes o tempo já estava chuvoso. 
Na frase "Pedro deixou de fumar" diz-se explicitamente que, no 
momento da fala, Pedro não fuma. O verbo "deixar", todavia, transmite a 
informação implícita de que Pedro fumava antes. 
Na leitura e interpretação de um texto, é muito importante detectar os 
pressupostos (vestígios), pois seu uso é um dos recursos argumentativos 
utilizados com vistas a levar o leitor a aceitar o que está sendo comunicado. 
Ao introduzir uma ideia sob a forma de pressuposto, o autor transforma o 
leitor em cúmplice, uma vez que essa ideia não é posta em discussão e todos 
os argumentos subsequentes só contribuem para confirmá-la. 
Por isso, pode-se dizer que o pressuposto aprisiona o ouvinte ao sistema 
de pensamento montado pelo autor. 
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A demonstração disso pode ser encontrada em muitas dessas 
"verdades" incontestáveis postas como base de muitas alegações do discurso 
político, como: 
“O governo investiu 8 bilhões de reais na merenda escolar. Assim, 
nossas crianças estão mais saudáveis e certamente aprendem muito mais.” 
Ora, é natural que criança bem alimentada seja mais desperta para a 
aprendizagem, naturalmente há possibilidade de a criança aprender mais e 
melhor. Mas há várias circunstâncias que permeiam a entrada de recurso da 
merenda, o uso efetivo desse recurso nas escolas e a consequente melhoria 
no ensino. Note que há possibilidade de melhoria, não há certeza. 
Os pressupostos são marcados, nas frases, por meio de vários 
indicadores linguísticos (vestígios), como, por exemplo: 
a) certos advérbios 
Os resultados da pesquisa ainda não chegaram até nós. 
Pressupostos: Os resultados já deviam ter chegado. 
ou 
Os resultados vão chegar mais tarde. 
b) certos verbos 
O caso do contrabando tornou-se público. 
Pressuposto: O caso não era público antes. 
 
c) as orações adjetivas 
Os candidatos a prefeito, que só querem defender seus interesses, não 
pensam no povo. 
Pressuposto: Todos os candidatos a prefeito têm interesses individuais. 
 
Mas a mesma frase poderia ser redigida assim: 
Os candidatos a prefeito que só querem defender seus interesses não pensam 
no povo. 
No caso, o pressuposto seria outro: Nem todos os candidatos a prefeito têm 
interesses individuais. 
No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As 
explicativas pressupõem que o que elas expressam refere-se a todos os 
elementos de um dado conjunto; as restritivas dizem o que concerne a parte 
dos elementos de um dado conjunto. 
 d) os adjetivosOs partidos radicais acabarão com a democracia no Brasil. 
Pressuposto: Existem partidos radicais no Brasil. 
 Vamos ao macete da resolução das questões de interpretação. NUNCA 
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA, sempre elimine as erradas. Esse é o 
princípio. Disso não se pode fugir. 
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 Outro detalhe, há palavras como só, somente, apenas, nunca, sempre, 
ninguém, tudo, nada etc, que têm papel importante nas alternativas das 
questões. Essas palavras são chamadas categóricas, pois não admitem outra 
interpretação e normalmente estão nas alternativas para que o candidato as 
visualize como errada. 
 Vamos exercitar tomando como exemplo a seguinte frase: 
É preciso construir mísseis nucleares para defender o Ocidente de ataques de 
extremistas. 
Marque (C) para informação de possível inferência do texto e (E) como 
informação equivocada do texto. 
1. O Ocidente necessita construir mísseis. 
2. Há uma finalidade de defesa contra ataques de extremistas. 
3. Os mísseis atuais não são suficientes para conter os ataques de extremistas. 
4. Uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas os 
extremistas. 
5. A ação dos diplomatas com os extremistas é o único meio real de dissuadi-
los de um ataque ao Ocidente. 
6. Todo o Oriente está contra o Ocidente. 
7. O Ocidente está sempre sofrendo invasões do Oriente. 
8. Mísseis nucleares são a melhor saída para qualquer situação bélica. 
9. Os extremistas não têm bom relacionamento com o Ocidente. 
10. O Ocidente aguarda estático um ataque do Oriente. 
 
Vamos às respostas com base nos vestígios! 
 
1. O Ocidente necessita construir mísseis. (C) 
(Inferência certa, pois o vestígio é “É preciso”) 
2. Há uma finalidade de defesa contra o ataque de extremistas. (C) 
(Inferência certa, pois o vestígio é a oração subordinada adverbial de 
finalidade “para defender o Ocidente de ataques de extremistas”.) 
3. Os mísseis atuais não são suficientes para conter o ataque de extremistas. 
(E) (Inferência errada, pois não há evidência no texto de que já havia mísseis) 
4. Uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas os 
extremistas. (E) 
(Inferência errada, pois a expressão “destruir o mundo inteiro” é uma 
suposição com base em expressão categórica. Não há certeza de que os 
mísseis destruirão por completo o mundo, mas é certo que vão abalar o mundo 
inteiro.) 
5. A ação dos diplomatas com os extremistas é o único meio real de 
dissuadi-los de um ataque ao Ocidente. (E) 
(Inferência errada, pois novamente há expressão categórica e pode haver 
outros meios, outras negociações, não só pelos diplomatas.) 
6. Todo o Oriente está contra o Ocidente. (E) 
(Inferência errada, pois novamente há expressão categórica. Não se sabe se 
todo o Oriente está contra o Ocidente. Pelo texto, apenas os extremistas) 
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7. O Ocidente está sempre sofrendo invasões do Oriente. (E) 
(Inferência errada, pois novamente há expressão categórica: “sempre”. Além 
disso, houve uma palavra que extrapolou o texto: “invasões”. Não foi afirmado 
nada sobre invasão no texto.) 
8. Mísseis nucleares são a melhor saída para qualquer situação bélica. (E) 
(Consideração sem fundamento no texto. Veja as palavras categóricas.) 
9. Os extremistas não têm bom relacionamento com o Ocidente. (C) 
(Inferência possível, pois é vista a preocupação de possível ataque.) 
10. O Ocidente aguarda estático um ataque do Oriente. (E) 
(Consideração sem fundamento no texto.) 
 
Assim, quando você for realizar as questões de interpretação, verá 
muitas dessas expressões categóricas ou palavras que extrapolam o conteúdo 
do texto. Normalmente, eliminamos essas expressões já na primeira leitura, 
por estarem bem fora do contexto. Assim, normalmente ficaremos entre duas 
alternativas. Aí vem o “burilamento”. Deve-se ter paciência para encontrar os 
vestígios que comprovem sua resposta como a correta. Às vezes você nem a 
ache, mas encontra pelo menos o vestígio que torne errada a outra alternativa, 
sobrando uma como correta. 
Observação: antes que alguém pergunte no fórum, a banca FCC não 
cobra a diferença entre “vestígio”, “pressuposto”, “inferência”, “subentendido” 
e palavra “categórica”, o que importa é você observar que isso ajuda a achar 
os dados implícitos. 
 
TRT 17ª R - 2004 - Analista 
Pobreza e indigência 
 Como se quantifica o número de pobres existentes no Brasil? É 
necessário, em primeiro lugar, definir o que é um pobre. Pouca gente teria 
dificuldade em dar sua própria definição. Provavelmente a maioria diria que os 
pobres são aqueles que ganham mal e têm pouco ou nenhum patrimônio. São 
as pessoas que pedem dinheiro nas ruas ou vivem de trabalhos precários. 
Embora suficiente para conversas informais sobre o assunto, trata-se de 
definição muito imprecisa. Um exemplo: como qualificar empregadas 
domésticas que trabalham em casas de famílias ricas de São Paulo, Porto 
Alegre ou Rio de Janeiro? Em comparação com os patrões, é razoável 
imaginar que elas sejam consideradas pobres, mas em comparação com um 
miserável do interior do Nordeste, que passa fome durante vários meses do 
ano, certamente isso não seria verdade. 
 Para que a discussão sobre o tema possa ser feita em bases mais 
sólidas, é vital avançar para uma definição mais rigorosa. Na maioria dos 
trabalhos acadêmicos, a contagem dos pobres é realizada da seguinte forma: 
admite-se, em primeiro lugar, uma cesta de bens e serviços (alimentos, 
transporte, moradia etc.) à qual todo mundo deveria ter acesso para não ser 
considerado pobre. A seguir, atribui-se um valor monetário a essa cesta (que 
pode variar de região para região), também chamado de linha de pobreza. A 
partir daí, verifica-se quem tem renda superior ao valor da cesta (os que não 
são pobres) e quem tem renda inferior (os que são pobres). É claro que 
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aqueles com renda inferior não conseguem comprar todos os bens e serviços 
da cesta. Portanto, o número de pobres depende sempre da definição do que 
é a linha de pobreza. 
 O mesmo argumento vale para a linha de indigência. A cesta de bens 
inclui, nesse caso, apenas os alimentos mínimos necessários para que a 
pessoa permaneça viva, de acordo com os padrões da Organização Mundial da 
Saúde. Ou seja, teoricamente, quem está abaixo da linha de indigência não 
conseguiria sequer sobreviver – se o faz é porque complementa minimamente 
sua renda com esmolas ou algum tipo de cultura de subsistência, que 
representa um recurso adicional que não é levado em conta pelos 
pesquisadores. 
(André Lahóz. Revista VEJA, 15/05/2002) 
Questão 1: De acordo com o texto, uma quantificação objetiva do número de 
pobres no Brasil depende 
(A) de uma fixação criteriosa do que seja, exatamente, a linha de indigência. 
(B) da fixação do valor monetário de uma determinada cesta de bens e 
serviços. 
(C) dos padrões que venham a ser fixados pela Organização Mundial de 
Saúde. 
(D) dos critérios acadêmicos que permitem subestimar as diferenças 
regionais. 
(E) de pesquisas orientadas por diferentes critérios e metodologia. 
Comentário: É importante responder à questão sempre por eliminação. 
Assim, a primeira passagem nas alternativas não assegurará a correta. O que 
sobrar das eliminações, nós voltaremos para confirmar no texto. 
 Na alternativa (A), perceba que o texto faz menção à linha de indigência 
(3º parágrafo), que é um nível ainda mais baixo em relação à linha da 
pobreza. Além disso, “exatamente” é palavra categóricaque fixa a 
quantificação do número de pobres com a precisão da linha de indigência, o 
que não é correto. Assim, esta pode ser eliminada. 
 A alternativa (B) parece ser a correta, pois o início do segundo parágrafo 
está bem claro: 
“Para que a discussão sobre o tema possa ser feita em bases mais sólidas 
(quantificação objetiva), é vital avançar para uma definição mais rigorosa. 
Na maioria dos trabalhos acadêmicos, a contagem dos pobres é realizada da 
seguinte forma: admite-se, em primeiro lugar, uma cesta de bens e serviços 
(alimentos, transporte, moradia etc.) à qual todo mundo deveria ter acesso 
para não ser considerado pobre. A seguir, atribui-se um valor monetário a 
essa cesta...”. Mas devemos confirmar com as demais alternativas. 
 Na alternativa (C), perceba que a Organização mundial da Saúde fixa a 
linha de indigência: 
“O mesmo argumento vale para a linha de indigência. A cesta de bens inclui, 
nesse caso, apenas os alimentos mínimos necessários para que a pessoa 
permaneça viva, de acordo com os padrões da Organização Mundial da 
Saúde.” 
 Na alternativa (D), observa-se que o texto não deixa dúvida que se deve 
levar em conta a região em que se vive: “A seguir, atribui-se um valor 
monetário a essa cesta (que pode variar de região para região), também 
chamado de linha de pobreza.”. 
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 Na alternativa (E), há erro, porque o texto é bem claro ao definir a linha 
de pobreza. Assim, a metodologia e os critérios foram expostos 
objetivamente. Ele não é vago e diverso como expõe esta alternativa. 
 Assim, passamos por todas as alternativas e vimos que a única que 
preencheu corretamente o pedido da questão foi a (B). Lembre-se de que 
eliminamos todas primeiro, para depois nos certificarmos de que esta é a 
correta. Essa será a nossa forma de abordagem das interpretações de texto. 
Gabarito: B 
 
Questão 2: Considere as seguintes afirmações: 
I. A maioria das pessoas tem uma precária definição do que seja pobreza, 
precariedade que compromete o nível das pesquisas acadêmicas sobre o 
tema. 
II. O acesso ou falta de acesso a determinados bens e serviços é um critério 
pelo qual se identificam os que estão acima e os que estão abaixo da linha 
de pobreza. 
III. A linha de indigência é definida pelo acesso parcial de um indivíduo tanto 
aos bens como aos serviços considerados essenciais para o pleno 
exercício de sua cidadania. 
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em 
(A) I. 
(B) I e II. 
(C) II. 
(D) II e III. 
(E) III. 
Comentário: Este tipo de questão aborda o conteúdo localizado no texto. 
 A frase I quer do candidato a inferência do texto. Os dados não estão 
literalmente escritos, mas podemos entender que o fato de a população não 
saber determinar o que venha a ser a linha de pobreza não implica dificuldade 
para os técnicos fazerem isso. Os vestígios que confirmam isso são 
encontrados no primeiro parágrafo. Como temos certeza de que esta 
afirmativa está errada, podemos eliminar as alternativas (A) e (B). 
 Na frase II, percebemos que “... quem tem renda superior ao valor da 
cesta (os que não são pobres) e quem tem renda inferior (os que são 
pobres).” são dados literais do texto. Poderíamos ter dúvida apenas na falta 
da palavra “respectivamente” na alternativa, pois o candidato poderia se 
enrolar no entendimento da questão. Veja: 
“O acesso ou falta de acesso a determinados bens e serviços é um critério 
pelo qual se identificam os que estão acima e os que estão abaixo da linha de 
pobreza (respectivamente).” Por isso, ficaríamos na dúvida, então não 
eliminamos a alternativa, nem adotamos como correta. 
 A frase III está errada, porque considera que a linha de indigência é 
definida pelo acesso parcial de um indivíduo tanto aos bens como aos 
serviços considerados essenciais para o pleno exercício de sua cidadania. A 
banca queria chamar a atenção sobre a ressalva dada no texto de que a linha 
de indigência é teórica, pois quem está abaixo dela não conseguiria 
sobreviver, mas consegue por contar com algum recurso adicional. Mas esse 
adicional não é considerado pelos pesquisadores. Se o fosse, entenderíamos 
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como acesso parcial. Assim, os pesquisadores são categóricos: estando acima 
da linha ou abaixo dela, define-se teoricamente o não-indigente ou o 
indigente. Veja: 
Ou seja, teoricamente, quem está abaixo da linha de indigência não 
conseguiria sequer sobreviver – se o faz é porque complementa minimamente 
sua renda com esmolas ou algum tipo de cultura de subsistência, que 
representa um recurso adicional que não é levado em conta pelos 
pesquisadores. 
 Assim, veja que a dúvida que havia na frase II agora não há mais; pois 
é a única alternativa possível. Vendo mais claramente, observamos que faltou 
o advérbio “respectivamente”, mas podemos entender que não houve 
incoerência sem ele. 
Gabarito: C 
 
Questão 3: No segundo parágrafo, a utilização das expressões em primeiro 
lugar, a seguir e a partir daí presta-se a descrever uma metodologia de 
trabalho baseada em 
(A) um alargamento de possibilidades. 
(B) uma concomitância de fatos. 
(C) uma série de alternativas. 
(D) um encadeamento de operações. 
(E) uma sucessão de hipóteses. 
Comentário: Vamos aos trechos em que haja esses conectivos para melhor 
visualização da resposta correta. 
...admite-se, em primeiro lugar, uma cesta de bens e serviços (alimentos, 
transporte, moradia etc.) à qual todo mundo deveria ter acesso para não ser 
considerado pobre. 
A seguir, atribui-se um valor monetário a essa cesta (que pode variar de 
região para região), também chamado de linha de pobreza. 
A partir daí, verifica-se quem tem renda superior ao valor da cesta (os que 
não são pobres) e quem tem renda inferior (os que são pobres). 
 Na alternativa (A), transmite-se uma imprecisão que não cabe ao 
contexto (“alargamento de possibilidades”). 
 Na alternativa (B), perceba que “concomitância” significa ao mesmo 
tempo. É justamente o contrário que expressam esses conectivos. 
 Na alternativa (C), “uma série de alternativas” tem valor bem parecido 
com a alternativa (A). Perceba que não há alternativas, mas um acúmulo de 
procedimentos para uma só conclusão. 
 A alternativa (D) é a correta, pois “encadeamento” é justamente o que 
requer a interpretação dos conectivos acima negritados no texto, pois se 
mostra uma sequência de ações, procedimentos a serem tomados. Mas ainda 
não temos certeza, temos que verificar o último. 
 Na alternativa (E), há transmissão de ideia parecida com as alternativas 
(A) e (C). Não houve abertura para várias alternativas, hipóteses ou 
possibilidades, mas uma sequência de procedimentos que levam a uma 
situação. 
 Assim, confirmamos a (D) como correta. 
Gabarito: D 
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Questão 4: Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de 
uma expressão do texto em 
(A) embora suficiente = ainda que bastante 
(B) em bases mais sólidas = de modo mais especulativo 
(C) atribui-se um valor monetário = calcula-se a demanda 
(D) cultura de subsistência = hábitos da pobreza 
(E) recurso adicional = atribuição necessária 
Comentário: Este tipo de questão pede a contextualização. O chato é ter que 
achar as expressões no texto, pois a banca não delimita a linha. 
 (A): A conjunção “embora” é adverbial concessiva e permite ser 
substituída pela locução conjuntiva de igual valor “ainda que”. Note que está 
subentendido o verbo “seja” nesta oração subordinada adverbial concessiva 
(embora seja suficiente).O adjetivo “suficiente” é sinônimo contextual de 
“bastante”, por isso pode haver a troca. Veja um problema que o candidato 
poderia ter na hora da prova: no texto, a conjunção está com letra inicial 
maiúscula, mas na questão foi colocada com inicial minúscula. Isso porque a 
questão não está pedindo a substituição literal, mas pergunta apenas se o 
sentido é preservado. Isso está correto. 
Embora suficiente para conversas informais sobre o assunto, trata-se de 
definição muito imprecisa. (Ainda que bastante para conversas...) 
 Portanto, é a alternativa correta. 
(B): “em bases mais sólidas” tem o mesmo sentido de “efetivo”, “objetivo”, 
“fundamentado”, “contundente”. Mas não há noção de algo especulativo. 
(C): A expressão “atribui-se” de certa forma se entende como “calcula-se”; 
mas “demanda” significa necessidade, o que não cabe no contexto. 
(D): “cultura de subsistência” não tem sentido de “hábito de pobreza”, pois 
esta cultura não significa somente com os pobres. Há alguns povos que 
sobrevivem da cultura de subsistência, nem por isso são considerados pobres. 
(E): “recurso adicional” é um ganho extra, a mais. Não há relação desta 
expressão com necessidade de atribuição. Por isso está errada a alternativa. 
Gabarito: A 
 
Entre o fato e a notícia 
 A decantada objetividade jornalística tem, na verdade, duas faces: se de 
um lado toda notícia deve se prender originalmente a um fato cuja ocorrência 
seja inquestionável, por outro lado ela implica sempre uma dose de 
interpretação desse fato. O espaço concedido, o estilo empregado, o ângulo 
adotado, as ênfases (intencionais ou inconscientes), tudo isso traz para a 
matéria jornalística uma certa conformação subjetiva. Por isso, um dos 
requisitos do bom leitor de jornais ou revistas está na atenção que ele saiba 
dar não apenas ao fato relatado, mas ao modo como o foi. 
 Ao se transformar em linguagem, todo fato torna-se, também, um fato 
lingüístico; é com a linguagem que se produz uma notícia, é por meio de 
palavras que entramos em contato com a base de realidade de um 
acontecimento. Nesse sentido, não há, e nem pode haver, jornalismo 
inteiramente inocente, ainda quando se trate do mais honesto dos 
profissionais. Por isso, também o leitor deve recusar a ingênua credulidade de 
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quem acha que uma notícia não é uma imagem construída, mas a 
materialidade mesma do fato ocorrido. 
(Celso de Oliveira) 
Questão 5: Ao afirmar, referindo-se à notícia jornalística, que todo fato 
torna-se, também, um fato lingüístico, o autor fornece um argumento para a 
seguinte tese: 
(A) É da realidade mesma de um fato que a matéria jornalística depende, se 
quiser ser inteiramente objetiva. 
(B) A ocorrência de um fato e a sua divulgação jornalística são realidades em 
si mesmas contraditórias. 
(C) O jornalismo competente é aquele em que a plena transparência da 
linguagem garante a transparência da realidade mesma do fato. 
(D) Cabe ao leitor, entre o fato gerador da notícia e o fato relatado, escolher 
de que lado está a verdade. 
(E) A leitura crítica não se prende apenas ao fato que gerou a notícia, mas à 
forma pela qual esta forçosamente o interpreta. 
Comentário: A banca queria que o candidato percebesse que o texto faz uma 
diferença do que é fato (verdade, o ocorrido) e a notícia (muitas vezes 
carregada de impressões, interpretações de quem publica a notícia). Assim, 
temos a tese do texto: 
“A decantada objetividade jornalística tem, na verdade, duas faces: se de um 
lado toda notícia deve se prender originalmente a um fato cuja ocorrência 
seja inquestionável, por outro lado ela implica sempre uma dose de 
interpretação desse fato.” 
 O texto é crítico ao que é veiculado na mídia, entre o real e o 
transmitido ao povo. Assim, uma face é o fato em si, o outro é o fato 
lingüístico, isto é, a interpretação linguística dele, o que será passado à 
população. 
 Confirmando isso, a alternativa (E) é uma outra forma de dizer o que 
está escrito no último período do 1º parágrafo: “Por isso, um dos requisitos do 
bom leitor de jornais ou revistas está na atenção que ele saiba dar não apenas 
ao fato relatado, mas ao modo como o foi” (como foi relatado). 
Compare: “A leitura crítica não se prende apenas ao fato que gerou a notícia, 
mas à forma pela qual esta (notícia, ou melhor, quem gerou a notícia) 
forçosamente o (o fato) interpreta”. 
 Com base na interpretação literal do texto, vemos que as demais 
alternativas não estão corretas. 
Gabarito: E 
 
Questão 6: Considere as seguintes afirmações: 
I. A expressão conformação subjetiva, no primeiro parágrafo, tem sentido 
vago, pois não há exemplos que a materializem. 
II. A frase não há, e nem pode haver, jornalismo inocente não é uma 
acusação moral, mas uma decorrência da tese central defendida pelo 
autor do texto. 
III. A expressão ingênua credulidade, no segundo parágrafo, refere-se ao 
leitor que considera a notícia um espelho que reflete a verdade 
incontestável do fato. 
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Em relação ao texto, está correto o que se afirma em 
(A) I, II e III. 
(B) I e II, somente. 
(C) II e III, somente. 
(D) I e III, somente. 
(E) III, somente. 
Comentário: Para entendermos as afirmativas, vamos reescrever trechos do 
texto. 
O espaço concedido, o estilo empregado, o ângulo adotado, as ênfases 
(intencionais ou inconscientes), tudo isso traz para a matéria jornalística uma 
certa conformação subjetiva. Por isso, um dos requisitos do bom leitor de 
jornais ou revistas está na atenção que ele saiba dar não apenas ao fato 
relatado, mas ao modo como o foi. (1° parágrafo) 
 A expressão “conformação subjetiva” significa no texto o ângulo, o 
ponto de vista de quem publica uma matéria jornalística. Isso vai depender do 
“espaço concedido” (aí englobando tempo e lugar), do “estilo empregado, o 
ângulo adotado, as ênfases (intencionais ou inconscientes)”. Essas expressões 
são justamente os exemplos da conformação subjetiva. Por isso, a frase está 
errada. Assim, eliminamos as alternativas (A), (B) e (D). 
 Na frase II, a acusação moral poderia ser interpretada como uma 
linguagem acusativa e ofensiva do autor contra um repórter ou comunicador 
da mídia; mas a estrutura textual é clara e não permite esse tipo de 
interpretação. Primeiro se mostra na tese do texto que há duas faces na 
“decantada objetividade jornalística”. Todo o texto vem na sequência 
desenvolvendo esta ideia de que a realidade é expressa por palavras e esta 
linguagem deve ser entendida bem criticamente, pois foi a interpretação do 
repórter, não quer dizer que seja a verdade nua e crua. 
 Na frase III, “ingênua credulidade” se refere ao leitor não atento, não 
crítico (por isso ingênuo), que vê na notícia a realidade dos fatos. 
 Assim, só cabe a alternativa (C). 
Gabarito: C 
 
TRT 18ª R – 2008 – Analista 
Viagem para fora 
 Há não tanto tempo assim, uma viagem de ônibus, sobretudo quando 
noturna, era a oportunidade para um passageiro ficar com o nariz na janela e, 
mesmo vendo pouco, ou nada, entreter-se com algumas luzes, talvez a lua, e 
certamente com os próprios pensamentos. A escuridão e o silêncio no interior 
do ônibus propiciavam um pequeno devaneio, a memória de alguma cena 
longínqua, uma reflexão qualquer. 
 Nos dias de hoje as pessoas não parecem dispostas a esse exercício 
mínimo de solidão. Não sei se a temem: sei que há dispositivos de toda 
espécie para não deixar um passageiro entregar-se ao curso das idéias e da 
imaginação pessoal. Há sempre um filme passando nos três ou quatro 
monitores de TV, estrategicamente dispostos no corredor. Em geral, é um 
filme ritmadopelo som de tiros, gritos, explosões. É também bastante 
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possível que seu vizinho de poltrona prefira não assistir ao filme e deixar-se 
embalar pela música altíssima de seu fone de ouvido, que você também 
ouvirá, traduzida num chiado interminável, com direito a batidas mecânicas de 
algum sucesso pop. Inevitável, também, acompanhar a variedade dos toques 
personalizados dos celulares, que vão do latido de um cachorro à versão 
eletrônica de uma abertura sinfônica de Mozart. Claro que você também se 
inteirará dos detalhes da vida doméstica de muita gente: a senhora da frente 
pergunta pelo cardápio do jantar que a espera, enquanto o senhor logo atrás 
de você lamenta não ter incluído certos dados em seu último relatório. 
Quando o ônibus chega, enfim, ao destino, você desce tomado por um 
inexplicável cansaço. 
 Acho interessantes todas as conquistas da tecnologia da mídia moderna, 
mas prefiro desfrutar de uma a cada vez, e em momentos que eu escolho. 
Mas parece que a maioria das pessoas entrega-se gozosa e voluptuosamente 
a uma sobrecarga de estímulos áudio-visuais, evitando o rumo dos mudos 
pensamentos e das imagens internas, sem luz. Ninguém mais gosta de ficar, 
por um tempo mínimo que seja, metido no seu canto, entretido consigo 
mesmo? Por que se deleitam todos com tantas engenhocas eletrônicas, numa 
viagem que poderia propiciar o prazer de uma pequena incursão íntima? Fica 
a impressão de que a vida interior das pessoas vem-se reduzindo na mesma 
proporção em que se expandem os recursos eletrônicos. 
(Thiago Solito da Cruz, inédito) 
Questão 7: Considerando-se o sentido integral do texto, o título Viagem 
para fora representa 
(A) uma alusão à exterioridade dos apelos a que se entregam os passageiros. 
(B) um específico anseio que o autor alimenta a cada viagem de ônibus. 
(C) a nostalgia de excursões antigas, em que todos se solidarizavam. 
(D) a importância que o autor confere aos devaneios dos passageiros. 
(E) a ironia de quem não se deixa abalar por tumultuadas viagens de ônibus. 
Comentário: O tema, isto é, o sentido central do texto, normalmente é 
expresso pelo título, elemento estrutural que o resume ou nos induz a 
perceber seu sentido. “Viagem para fora” remete a “uma alusão à 
exterioridade dos apelos¹ a que se entregam os passageiros².” Observe 
que a alternativa (A), citada anteriormente, transmite explicitamente o que se 
diz na segunda frase do terceiro parágrafo do texto: “Mais parece que a 
maioria das pessoas entrega-se² gozosa e voluptuosamente a uma 
sobrecarga de estímulos áudio-visuais¹.” As expressões-chave tanto da 
resposta quanto da alternativa (A) foram colocadas em negrito para 
comparação e observação de sua proximidade semântica. Tendo em vista a 
explicação da alternativa (A), eliminam-se os outros itens. Mesmo assim, veja 
em negrito o que está errado nas demais alternativas: 
(B) um específico anseio que o autor alimenta a cada viagem de ônibus. 
(C) a nostalgia de excursões antigas, em que todos se solidarizavam. 
(D) a importância que o autor confere aos devaneios dos passageiros. 
(E) a ironia de quem não se deixa abalar por tumultuadas viagens de 
ônibus. 
Gabarito: A 
 
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Questão 8: Atente para as seguintes afirmações: 
I. No primeiro parágrafo, configura-se a tensão entre o desejo de 
recolhimento íntimo de um passageiro e a agitação de uma viagem 
noturna. 
II. No segundo parágrafo, o cruzamento de mensagens, em diferentes meios 
de comunicação, é considerado invasivo por quem preferiria entregar-se 
ao curso da imaginação pessoal. 
III. No terceiro parágrafo, o autor considera a possibilidade de os recursos da 
mídia eletrônica e o cultivo da vida serem usufruídos em tempos distintos. 
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em 
(A) I, II e III. 
(B) I e II, somente. 
(C) II e III, somente. 
(D) I e III, somente. 
(E) II, somente. 
Comentário: Perceba que este tipo de questão trabalha o conteúdo 
localizado. Ele induz o candidato a interpretar cada parte do texto. 
 Na frase I, o erro está em dizer que houve a tensão entre o desejo de 
recolhimento íntimo de um passageiro e a agitação de uma viagem noturna. 
Verifique que a agitação é alvo dos próximos parágrafos, não do primeiro. 
 A frase II a expressão “... o cruzamento de mensagens, em diferentes 
meios de comunicação, é considerado invasivo¹ por quem preferiria 
entregar-se ao curso da imaginação pessoal².” está inteiramente correta. 
Basta confrontá-la com a seguinte passagem do texto: “... sei que há 
dispositivos de toda espécie para não deixar¹ um passageiro entregar-
se ao curso das idéias e da imaginação pessoal²”. Por isso, está correta. 
 A frase III a expressão “... o autor considera a possibilidade de os 
recursos da mídia eletrônica e o cultivo da vida serem usufruídos em 
tempos distintos¹.” está correta, porque encontra base na primeira frase do 
terceiro parágrafo: “Acho interessantes todas as conquistas da tecnologia da 
mídia moderna, mas prefiro desfrutar de uma a cada vez, e em 
momentos que eu escolho¹”. Perceba que o autor prefere desfrutar de cada 
conquista a seu tempo, e essa forma de desfrutar de algo implicitamente leva 
o leitor a entender que essa é a maneira de o autor do texto ver o cultivo da 
vida. Assim, a frase III também está correta. 
Gabarito: C 
 
Questão 9: O autor vale-se do emprego do pronome você, ao longo do 
segundo parágrafo, da mesma forma que esse pronome é empregado em: 
(A) Quando perguntei se você gostava de viajar, você titubeou, e não me 
respondeu. 
(B) Já sei a opinião dele acerca da mídia eletrônica; gostaria que você me 
dissesse, agora, qual a sua. 
(C) Não é aquele ou aquela passageira que me interessa; meus olhos não 
conseguem desviar-se de você. 
(D) Quando se está em meio a um tumulto, você não consegue concentrar-se 
em seus próprios pensamentos. 
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(E) Espero que você não tenha se ofendido por eu lhe haver proposto que 
desligue o celular enquanto conversamos. 
Comentário: O autor do texto vale-se do pronome de tratamento “você” de 
sentido geral, indefinindo o agente, quer dizer, “quem se passar por tal 
situação”. Deve-se inferir das alternativas (A), (B), (C) e (E) que o pronome 
de tratamento retrata o locutor (com quem se fala, uma pessoa específica), e 
não é esse o uso no texto. 
 Porém, na alternativa (D), o exemplo é de que “Quando se está em 
meio a um tumulto, você (isto é, qualquer pessoa que estiver nesta situação) 
não consegue concentrar-se em seus próprios pensamentos.” O autor poderia 
também optar por indeterminar o sujeito: “... não se consegue concentrar nos 
próprios pensamentos.” 
Gabarito: D 
 
Questão 10: O último período do texto retoma e arremata, conclusivamente, 
uma idéia que já se representara na seguinte passagem: 
(A) (...) há dispositivos de toda espécie para não deixar um passageiro 
entregar-se ao curso das idéias (...). 
(B) A escuridão e o silêncio no interior do ônibus propiciavam um pequeno 
devaneio (...). 
(C) Claro que você também se inteirará dos detalhes da vida doméstica de 
muita gente (...). 
(D) Quando o ônibus chega, enfim, ao destino, você desce tomado por um 
inexplicável cansaço. 
(E) Há sempre um filme passando nos três ou quatro monitores de TV, 
estrategicamente dispostos no corredor. 
Comentário: O último período é: “Fica a impressão de que a vida interior das 
pessoas vem-se reduzindo na mesma proporção em que se expandem os 
recursos eletrônicos”. Percebemosque essa frase não se refere aos trechos 
expostos nas alternativas (B), (C), (D) e (E). 
 Mas a alternativa (A) mostra literalmente as palavras-chave do último 
período: 
(A): “...há dispositivos de toda espécie¹ para não deixar um passageiro 
entregar-se ao curso das idéias e da imaginação pessoal².” 
 
(texto): “Fica a impressão de que a vida interior das pessoas vem-se 
reduzindo² na mesma proporção em que se expandem os recursos 
eletrônicos¹.” 
Gabarito: A 
 
A amizade 
 Uma amizade verdadeira possui tão grandes vantagens que mal posso 
descrevê-las. Para começar, em que pode consistir uma “vida vivível” que não 
encontre descanso na afeição partilhada com um amigo? Que há de mais 
agradável que ter alguém a quem se ousa contar tudo como a si mesmo? De 
que seria feita a graça tão intensa de nossos sucessos, sem um ser para se 
alegrar com eles tanto quanto nós? E em relação a nossos reveses, seriam 
mais difíceis de suportar sem essa pessoa, para quem eles são ainda mais 
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penosos que para nós mesmos. 
 Os outros privilégios da vida a que as pessoas aspiram só existem em 
função de uma única forma de utilização: as riquezas, para serem gastas; o 
poder, para ser cortejado; as honrarias, para suscitarem os elogios; os 
prazeres, para deles se obter satisfação; a saúde, para não termos de padecer 
a dor e podermos contar com os recursos de nosso corpo. 
 Quanto à amizade, ela contém uma série de possibilidades. Em qualquer 
direção a que a gente se volte, ela está lá, prestativa, jamais excluída de 
alguma situação, jamais importuna, jamais embaraçosa. Por isso, como diz o 
ditado, “nem a água nem o fogo nos são mais prestimosos que a amizade”. E 
aqui não se trata da amizade comum ou medíocre (que, no entanto, 
proporciona alguma satisfação e utilidade), mas da verdadeira, da perfeita, à 
qual venho me referindo. Pois a amizade torna mais maravilhosos os favores 
da vida, e mais leves, porque comunicados e partilhados, seus golpes mais 
duros. 
(Adaptado de Cícero, filósofo e jurista romano) 
Questão 11: Ao tratar da amizade verdadeira, Cícero dá um peso especial ao 
fato de que ela 
(A) é um privilégio desfrutado de uma forma única e exclusiva. 
(B) intensifica nossas conquistas e ameniza nossos infortúnios. 
(C) abre caminho para o exercício de um poder que todos desejamos. 
(D) produz honrarias que todos os amigos podem compartilhar. 
(E) afasta os padecimentos morais e multiplica as alegrias. 
Comentário: As últimas frases do texto relatam: 
“E aqui não se trata da amizade comum ou medíocre (...), mas da verdadeira, 
da perfeita, à qual venho me referindo. Pois a amizade torna mais 
maravilhosos os favores da vida, e mais leves, porque comunicados e 
partilhados, seus golpes mais duros.” 
A alternativa (B) é a correta, pois nela se diz que amizade verdadeira 
intensifica nossas conquistas (“os favores da vida”) e ameniza nossos 
infortúnios (“golpes mais duros”). 
Gabarito: B 
 
Questão 12: No segundo parágrafo, os segmentos iniciados por as riquezas 
(...), as honrarias (...) e os prazeres (...) deixam subentendida a forma 
verbal: 
(A) aspiram. 
(B) contêm. 
(C) obtêm. 
(D) suscitam. 
(E) existem. 
Comentário: Deve-se observar nesta questão o motivo da vírgula após as 
palavras “riquezas”, “poder”, “honrarias”, “prazeres”. Elas marcam a elipse de 
um verbo e são seus sujeitos. A questão apenas pede para identificar o verbo. 
 No texto, temos: 
“Os outros privilégios da vida a que as pessoas aspiram só existem em função 
de uma única forma de utilização: as riquezas (existem), para serem gastas; 
o poder (existe), para ser cortejado; as honrarias (existem), para suscitarem 
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os elogios; os prazeres (existem), para deles se obter satisfação...” 
 Essa estrutura ocorre para não haver repetição de vocábulo facilmente 
subentendido no contexto. 
Gabarito: E 
 
Questão 13: Atente para as seguintes afirmações: 
I. A expressão nossos reveses (1° parágrafo) é empregada com sentido 
equivalente ao de golpes mais duros (3° parágrafo). 
II. Em vez de podermos contar (2° parágrafo), o emprego da forma 
pudermos contar seria mais adequado à construção da frase. 
III. Os termos comunicados e partilhados (3° parágrafo) referem-se ao termo 
anterior favores. 
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e II. 
(E) II e III. 
Comentário: A frase I está correta, pois os reveses são entendidos como 
problemas, desgostos na vida. Podemos entender a palavra golpes também 
com esse mesmo sentido. 
 A frase II está errada porque “podermos” está na forma nominal 
infinitiva, haja vista que se encontra em oração subordinada adverbial de 
finalidade reduzida (a preposição “para” introduz essa construção); já o verbo 
pudermos seria o futuro do subjuntivo e não caberia nesse contexto. 
 Para entender que a frase III está errada, deve-se reescrever um 
fragmento da última frase na ordem direta: a amizade torna (...) mais leves 
seus golpes mais duros, porque comunicados e partilhados. Então são os 
golpes mais duros comunicados e partilhados, e não os favores. Portanto, a 
correta é a alternativa (A). 
Gabarito: A 
 
Questão 14: Que há de mais agradável que ter alguém a quem se ousa 
contar tudo como a si mesmo? 
Pode-se substituir o segmento sublinhado na frase acima, sem prejuízo para o 
sentido, clareza e correção, por: 
(A) com a audácia de contar tudo para si mesmo? 
(B) que pode contar com si mesmo? 
(C) com a coragem de quem ousa contar tudo? 
(D) com força para contar tudo sobre si próprio? 
(E) para confidenciar, sem receio, tudo de si? 
Comentário: Deve-se perceber nesta questão a presença do objeto indireto 
“a quem”, significando que alguém receberia alguma ação, portanto esse 
alguém deve ser paciente e não agente. As alternativas (A, B, C e D) 
transmitem o sentido desse “alguém” retomado pelo “a quem” como agente. 
No entanto, somente a alternativa (E) pode ser entendida com valor paciente: 
alguém para confidenciar, sem receio, tudo de si. Quem conta, quem 
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confidencia não foi abordado nesse trecho. Apenas a quem isso foi dirigido. 
Observe-se o erro gramatical na (B), não existe “com si mesmo”, mas 
“consigo mesmo”. 
Gabarito: E 
 
TRE TO – 2011 – Analista 
Cartão de Natal 
 Pois que reinaugurando essa criança 
 pensam os homens 
 reinaugurar a sua vida 
 e começar novo caderno, 
 fresco como o pão do dia; 
 pois que nestes dias a aventura 
 parece em ponto de voo, e parece 
 que vão enfim poder 
 explodir suas sementes: 
 
 que desta vez não perca esse caderno 
 sua atração núbil para o dente; 
 que o entusiasmo conserve vivas 
 suas molas, 
 e possa enfim o ferro 
 comer a ferrugem 
 o sim comer o não. 
 João Cabral de Melo Neto 
Questão 15: No poema, João Cabral 
(A) critica o egoísmo, e manifesta o desejo de que na passagem do Natal as 
pessoas se tornem generosas e façam o sim comer o não. 
(B) demonstra a sua aversão às festividades natalinas, pois nestes dias a 
aventura parece em ponto de vôo, mas depois a rotina segue como 
sempre. 
(C) critica a atração núbil para o dente daqueles que transformam o Natal em 
uma apologia ao consumo e se esquecem do seu caráter religioso. 
(D) observa com otimismo que o Natal é um momento de renovação em que 
os homens se transformam para melhor e fazem o ferro comer a 
ferrugem. 
(E) manifesta a esperança de que o Natal traga, defato, uma transformação, 
e que, ao contrário de outros natais, seja possível começar novo caderno. 
Comentário: Um poema não deve ser lido como um texto em prosa. Você 
deve perceber que o poema deve ser curto e sugestivo; pois poucas palavras 
devem induzir o leitor a entender algo além do que está apenas escrito. 
 Só há delicadeza, arte e valor quando o poema não diz diretamente o 
tema, mas sugere por sensibilidade, sonoridade, linguagem figurada. Veja que 
o poeta não fala da passagem do ano. Ele a sugere como consequência da 
expressão “reinaugurando essa criança”. A expressão “essa criança” é uma 
menção ao menino Jesus. Ao reinaugurá-lo, é manifestada a passagem de 
natal e o desejo do homem em mudar (reinaugurar) sua vida e pensar a 
mudança desta vida (começar novo caderno). 
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 Note no final da segunda estrofe a expressão “explodir suas sementes”. 
É lógico que ela não está em seu sentido direto, denotativo; mas figurado, 
conotativo. Veja os dois-pontos na sequência. Isso quer dizer que há uma 
explicação dessa explosão de sementes. 
 Para que as sementes explodem? Para germinar, para florescer, para 
gerar nova vida. E o que pensamos nas passagens de ano, não é o mesmo? 
Queremos sempre mudança, sempre pensando positivo para que a vida 
melhore. É esse o desejo do poeta. Mas ele não fala diretamente, mas sugere. 
 Aí está a arte, a melodia, o ritmo. 
 Veja que “este caderno” é a vida, na qual escrevemos nossa história. O 
verso “que não perca sua atração núbil para o dente” mostra o desejo de que 
os problemas (“o dente”) não destruam nossos objetivos, nossa união 
(“atração núbil”) e que tenhamos sempre entusiasmo em nossa vida para que 
tudo corra bem (conserve vivas suas molas). E assim a vida possa ser melhor 
com nosso desejo vencendo os problemas (o ferro comer a ferrugem / o sim 
comer o não). 
 Pela forma como abordamos, veja agora a alternativa (E): 
”No poema, João Cabral manifesta a esperança de que o Natal traga, de fato, 
uma transformação¹, e que, ao contrário de outros natais², seja possível 
começar novo caderno³.” 
 
 Pois que reinaugurando essa criança 
 pensam os homens 
 reinaugurar a sua vida 
 e começar novo caderno³, 
 fresco como o pão do dia; 
 pois que nestes dias a aventura 
 parece em ponto de voo, e parece 
 que vão enfim poder 
 explodir suas sementes: 
 
 que desta vez² não perca esse caderno³ 
 sua atração núbil para o dente; 
 que o entusiasmo conserve vivas 
 suas molas, 
 e possa enfim o ferro 
 comer a ferrugem 
 o sim comer o não. 
Gabarito: E 
 
Questão 16: É correto perceber no poema uma equivalência entre 
(A) ferrugem e aventura. 
(B) dente e entusiasmo. 
(C) caderno e vida. 
(D) sementes e pão do dia. 
(E) ferro e atração núbil. 
Comentário: Veja que o terceiro e quarto versos são paralelos, ligados pela 
conjunção “e”. Isso mostra a junção de mesmas ideias, mesmos princípios. 
Veja abaixo o poema com as palavras das alternativas em destaque e em 
1 
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seguida o significado dessas palavras. 
 Pois que reinaugurando essa criança 
 pensam os homens 
 reinaugurar a sua vida 
 e começar novo caderno, 
 fresco como o pão do dia;(amanhecer) 
 pois que nestes dias a aventura (vontades, desejos) 
 parece em ponto de voo, e parece 
 que vão enfim poder 
 explodir suas sementes: (trazer consequências boas, nova vida) 
 
 que desta vez não perca esse caderno 
 sua atração núbil para o dente; (casamento, enlace) X (problema) 
 que o entusiasmo conserve vivas (vontade, desejo) 
 suas molas, 
 e possa enfim o ferro (nosso desejo) 
 comer a ferrugem (nossos problemas) 
 o sim comer o não. 
Gabarito: C 
 
Questão 17: Pois que reinaugurando essa criança 
O segmento grifado acima pode ser substituído, no contexto, por: 
(A) Mesmo que estejam. 
(B) Apesar de estarem. 
(C) Ainda que estejam. 
(D) Como estão. 
(E) Mas estão. 
Comentário: Note que essa estrutura é uma oração reduzida de gerúndio. A 
banca nos ajudou muito inserindo 4 alternativas com valor de oposição. As 
alternativas (A), (B) e (C) transmitem valor adverbial concessivo. A 
alternativa (E) possui valor coordenado adversativo. O único diferente é a 
alternativa (D), com o valor adverbial de causa. Por isso esta é a correta. 
Gabarito: D 
 
Questão 18: que desta vez não perca esse caderno 
Com a frase acima o poeta 
(A) alude a uma impossibilidade. 
(B) exprime um desejo. 
(C) demonstra estar confuso. 
(D) revela sua hesitação. 
(E) manifesta desconfiança. 
Comentário: Pela nossa explicação anterior, verificamos que há vontade de 
mudança. O verbo “perca” encontra-se no presente do subjuntivo, e sabemos 
que esse tempo verbal exprime desejo, possibilidade. Isso confirma a 
alternativa (B) como correta. 
Gabarito: B 
 
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Assembleia Legislativa SP - 2010 - Analista 
 "Nenhum homem é uma ilha", escreveu o inglês John Donne em 1624, 
frase que atravessaria os séculos como um dos lugares-comuns mais citados 
de todos os tempos. Todo lugar-comum, porém, tem um alicerce na realidade 
ou nos sentimentos humanos – e esse não é exceção. Durante toda a história 
da espécie, a biologia e a cultura conspiraram juntas para que a vida humana 
adquirisse exatamente esse contorno, o de um continente, um relevo que se 
espraia, abraça e se interliga. 
 A vida moderna, porém, alterou-o de maneira drástica. Em certos 
aspectos partiu o continente humano em um arquipélago tão fragmentado que 
uma pessoa pode se sentir totalmente separada das demais. Vencer tal 
distância e se reunir aos outros, entretanto, é um dos nossos instintos 
básicos. E é a ele que atende um setor do mercado editorial que cresce a 
passos largos: o da autoajuda e, em particular, de uma autoajuda que se 
pode descrever como espiritual. Não porque tenha necessariamente 
tonalidades religiosas (embora elas, às vezes, sejam nítidas), mas porque se 
dirige àquelas questões de alma que sempre atormentam os homens. Como a 
perda de uma pessoa querida, a rejeição ou o abandono, a dificuldade de 
conviver com os próprios defeitos e os alheios, o medo da velhice e da morte, 
conflitos com os pais e os filhos, a frustração com as aspirações que não se 
realizaram, a perplexidade diante do fim e a dúvida sobre o propósito da 
existência. Questões que, como séculos de filosofia já explicitaram, nem 
sempre têm solução clara – mas que são suportáveis quando se tem com 
quem dividir seu peso, e esmagadoras quando se está só. 
 As mudanças que conduziram a isso não são poucas nem sutis: na sua 
segunda metade, em particular, o século XX foi pródigo em abalos de 
natureza social que reconfiguraram o modo como vivemos. O campo, com 
suas relações próximas, foi trocado em massa pelas cidades, onde vigora o 
anonimato. As mulheres saíram de casa para o trabalho, e a instituição da 
"comadre" virtualmente desapareceu. Desmanchou-se também a ligação 
quase compulsória que se tinha com a religião, as famílias encolheram 
drasticamente não só em número de filhos mas também em sua extensão. A 
vida profissional se tornou terrivelmente competitiva, o que acrescenta 
ansiedade e reduz as chances de fazer amizades verdadeiras no local de 
trabalho. Também o celular e o computador fazem sua parte, aumentando o 
número de contatos de que se desfruta, mas reduzindo sua profundidade e 
qualidade. 
 Perdeu-se aquela vasta rede de segurança que, é certo, originava fofoca 
e intromissão, mas também implicava conselhos e experiência, valores sólidose afeição desprendida, que não aumenta nem diminui em função do sucesso 
ou da beleza. Essa é a lacuna da vida moderna que a autoajuda vem se 
propondo a preencher: esse sentido de desconexão que faz com que em 
certas ocasiões cada um se sinta como uma ilha desgarrada do continente e 
sem meios de se reunir novamente a ele. 
(Isabela Boscov e Silvia Rogar. Veja, 2 de dezembro de 2009, 
pp. 141–143, com adaptações) 
Questão 19: A afirmativa inicial do texto significa, em outras palavras, que 
(A) o fato de uma pessoa se manter isolada das demais é um dos aspectos 
inerentes à natureza humana. 
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(B) todos os homens podem usufruir, por decisão própria, situações de 
afastamento dos demais, à semelhança de uma ilha. 
(C) o sentimento coletivo transforma os homens num aglomerado de ilhas, 
como num arquipélago. 
(D) o isolamento entre os homens pode fazer parte de sua natureza, embora 
eles vivam em sociedade. 
(E) os homens são dependentes uns dos outros por natureza, distintos das 
ilhas, que são isoladas por definição. 
Comentário: Esta é outra questão localizada, em que a banca situa a 
interpretação a partir de um ponto determinado no texto. 
 Na alternativa (A), o erro é dizer que se manter isolado é uma 
característica do ser humano, mas o primeiro parágrafo prova o contrário em: 
“Durante toda a história da espécie, a biologia e a cultura conspiraram juntas 
para que a vida humana adquirisse exatamente esse contorno, o de um 
continente, um relevo que se espraia, abraça e se interliga.” 
 Na alternativa (B), uma ilha não tem decisão própria. Aliás, ela não 
decide nada!!!!! 
 Na alternativa (C), o sentimento coletivo faz o contrário, ele une, não dá 
margem à individualização (ilha). 
 Na alternativa (D), o primeiro parágrafo nos mostra que não faz parte 
do ser humano a cultura de se isolar, mas de se agrupar. 
 A alternativa (E) é a correta, pois o homem se interliga (primeiro 
parágrafo); diferente da ilha, cuja definição já é a de isolar-se. 
Gabarito:E 
 
Questão 20: De acordo com o texto, 
(A) as mudanças sociais ocorridas no século XX alteraram o modo de vida das 
pessoas, permitindo maior aproximação entre elas. 
(B) a transformação de um mundo rural em uma sociedade urbana favoreceu 
o surgimento de uma rede de contatos pessoais mais próximos. 
(C) a ausência de um verdadeiro sentimento religioso induz as pessoas a uma 
insatisfação que marca até mesmo as relações de trabalho na sociedade 
moderna. 
(D) a beleza e o sucesso pessoal passaram a ser mais importantes na vida 
moderna, em detrimento das relações de verdadeira e desinteressada 
afeição. 
(E) a vida moderna instituiu novos padrões e valores que regem a sociedade, 
aproximando os homens em torno de serviços oferecidos pelas cidades. 
Comentário: A correta é a alternativa (D); pois, no último parágrafo, temos 
os vestígios “Perdeu-se” e “que não aumenta nem diminui em função do 
sucesso ou da beleza”. Isso nos faz inferir que hoje são muito valorizados o 
sucesso e a beleza, algo que não era antigamente e com isso se perdeu “a 
vasta rede de segurança”. 
 Note que as demais alternativas possuem ideias bem fora do contexto. 
(A): Segundo o texto, as mudanças ocorridas no século XX estão fazendo o 
ser humano distanciar-se dos outros. 
(B): Esta alternativa está errada pelo mesmo motivo da anterior. Com a 
urbanização, o homem teve a tendência de isolar-se. 
(C): Esta alternativa extrapolou o conteúdo do texto. Não há no texto indício 
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de que não há verdadeiro sentimento religioso e que isso induza as pessoas a 
uma insatisfação. 
(E): Esta alternativa também extrapolou o conteúdo do texto no fragmento 
“aproximando os homens em torno de serviços oferecidos pelas cidades”. 
Gabarito:D 
 
Questão 21: Considerando-se o 2° parágrafo, está INCORRETO o que se 
afirma em: 
(A) O parágrafo se articula com o 1° por meio de uma ressalva, expressa por 
porém. 
(B) O segmento grifado em partiu o continente humano pode ser substituído 
por partiu-lhe. 
(C) Há relação de causa e consequência no segmento um arquipélago tão 
fragmentado que uma pessoa pode se sentir totalmente separada das 
demais. 
(D) Há nele enumeração de situações que exemplificam as questões de alma 
que sempre atormentam os homens. 
(E) Substituindo-se o segmento grifado em quando se está só por estamos, 
a palavra só deverá ir obrigatoriamente para o plural – sós. 
Comentário: Basta notar que foi pedida a alternativa errada. Assim, o verbo 
“partiu” é transitivo direto e “o continente humano” é o objeto direto, só 
cabendo o pronome oblíquo átono “o”. 
 Na alternativa (A), bastava o candidato ver a conjunção “porém” 
deslocada (“A vida moderna, porém, alterou-o”) e se lembrar de que as 
conjunções coordenadas adversativas e adverbiais concessivas transmitem 
contraste, oposição e ressalva. 
 Na alternativa (C), bastava o candidato verificar a estrutura da oração 
subordinada adverbial consecutiva, a qual exploramos na aula 3. A conjunção 
consecutiva “que” se ligou ao intensificador “tão”, assim temos a oração 
principal (“um arquipélago tão fragmentado” - valor de causa) e a oração 
subordinada adverbial consecutiva (“que uma pessoa pode se sentir 
totalmente separada das demais“ - consequência). 
Na alternativa (D), a palavra denotativa de exemplificação “Como” inicia uma 
sequência de situações (enumeração). Isso serve para confirmar o que se diz 
na oração anterior: “àquelas situações de alma que sempre atormentam os 
homens”. 
 Na alternativa (E), bastava atentar-se quanto à concordância nominal do 
adjetivo “só”/”sós”. 
Gabarito: B 
 
Questão 22: A expressão cujo sentido está corretamente transcrito, com 
outras palavras, é: 
(A) um alicerce na realidade = uma base na existência efetiva. 
(B) alterou-o de maneira drástica = substituiu-o paulatinamente. 
(C) um arquipélago tão fragmentado = ilhas de relevo acidentado. 
(D) foi pródigo em abalos de natureza social = permitiu algumas alterações na 
sociedade. 
(E) a ligação quase compulsória = uma convicção extrema. 
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Comentário: Esta questão é típica da Fundação Carlos Chagas e vamos 
explorar bastante a partir da próxima aula, com as provas comentadas. Não 
se quer que o candidato conheça o sentido de todos os vocábulos, o que deve 
ser feito é a contextualização da palavra. Numa leitura bem atenta do texto, 
conseguimos interpretar o sentido destes vocábulos, mesmo não conhecendo 
seu sinônimo extra-textual. Assim, vamos por eliminação. Normalmente, 
devemos eliminar as alternativas que estão bem fora do contexto. Se ficarmos 
em dúvida em alguma, voltamos ao texto e tiramos a dúvida. Veja: 
 Na alternativa (A), “alicerce” tem a ver com “base”, “realidade” tem a 
ver (conotativamente) com “existência efetiva”. Assim, não eliminamos esta 
alternativa, porque tem possibilidades de ser a correta. 
 Na alternativa (B), “alterou” tem a ver com “substituiu”, mas “maneira 
drástica” não tem nada a ver com “paulatinamente”. Eliminamos, portanto, 
esta alternativa. 
 Na alternativa (C), “arquipélago” tem a ver com “ilhas”, porém “tão 
fragmentado” (sentido figurado, conotativo) não tem nada a ver com “relevo 
acidentado” (sentido real, concreto, denotativo). Também eliminamos. 
 Na alternativa (D), “pródigo em abalos” (cheio de, em excesso) não tem 
nada a ver com “permitiu algumas alterações” . Eliminamos mais uma. 
 Na alternativa (E), “compulsória” (algo forçado, exigido) não tem nada a 
ver com “extrema”,além de “ligação” não ter a ideia de “convicção”. 
Gabarito: A 
 
Questão 23: As mudanças que conduziram a isso não são poucas nem 
sutis... (3° parágrafo) 
A expressão grifada refere-se, corretamente, 
(A) às condições impostas tanto pela biologia quanto pela cultura ao modo de 
vida que se desenhou nos dias de hoje. 
(B) ao crescimento de um tipo de literatura que se difundiu pelo mundo todo, 
como alternativa à perda do antigo sentimento religioso. 
(C) à retomada do espírito de união que sempre caracterizou os agrupamentos 
humanos, com a consciência de que cada um é parte de um todo social. 
(D) às questões existenciais que se agravaram diante da percepção de 
isolamento existente nas contingências da vida moderna. 
(E) à certeza de que frases que se tornam repetitivas ao longo do tempo 
constituem a base da autoajuda, tão importante nos dias de hoje. 
Comentário: Esta questão trabalha o assunto coesão referencial, isto é, a 
quem o vocábulo se refere. Perceba onde se localiza esta palavra, ela retoma 
expressão anterior: a enumeração dos exemplos de situações que envolvem 
as questões existências. Por isso, a alternativa (D) é a correta. 
Gabarito: D 
 
Questão 24: E é a ele que atende um setor do mercado editorial que cresce a 
passos largos... (2° parágrafo) 
O pronome grifado acima substitui corretamente, considerando-se o contexto, 
(A) um arquipélago fragmentado. 
(B) um relevo que se espraia. 
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(C) um dos nossos instintos básicos. 
(D) um dos lugares-comuns mais citados de todos os tempos. 
(E) um setor de autoajuda do mercado editorial. 
Comentário: Outra questão de coesão referencial. Observe o posicionamento 
no texto deste pronome. Veja a quem se liga: ao termo anterior. Esse termo é 
“um dos nossos instintos básicos”. Note que “ele” retoma o núcleo “um”, por 
isso está no singular e masculino. 
Gabarito: C 
 
DNOCS – 2010 Superior 
Texto: 
Cultura de massa e cultura popular 
 
 O poder econômico expansivo dos meios de comunicação parece ter 
abolido, em vários momentos e lugares, as manifestações da cultura popular, 
reduzindo-as à função de folclore para turismo. Tal é a penetração de certos 
programas de rádio e TV junto às classes pobres, tal é a aparência de 
modernização que cobre a vida do povo em todo o território brasileiro, que, à 
primeira vista, parece não ter sobrado mais nenhum espaço próprio para os 
modos de ser, pensar e falar, em suma, viver, tradicionais e populares. 
 A cultura de massa entra na casa do caboclo e do trabalhador da 
periferia, ocupando-lhe as horas de lazer em que poderia desenvolver alguma 
forma criativa de autoexpressão; eis o seu primeiro tento. Em outro plano, a 
cultura de massa aproveita-se dos aspectos diferenciados da vida popular e os 
explora sob a categoria de reportagem popularesca e de turismo. O 
vampirismo é assim duplo e crescente; destrói-se por dentro o tempo próprio 
da cultura popular e exibe-se, para consumo do telespectador, o que restou 
desse tempo, no artesanato, nas festas, nos ritos. Poderíamos, aqui, 
configurar com mais clareza uma relação de aparelhos econômicos industriais 
e comerciais que exploram, e a cultura popular, que é explorada. Não se 
pode, de resto, fugir à luta fundamental: é o capital à procura de matéria-
prima e de mão de obra para manipular, elaborar e vender. A macumba na 
televisão, a escola de samba no Carnaval estipendiado para o turista, são 
exemplos de conhecimento geral. 
 No entanto, a dialética é uma verdade mais séria do que supõe a nossa 
vã filosofia. A exploração, o uso abusivo que a cultura de massa faz das 
manifestações populares não foi ainda capaz de interromper para sempre o 
dinamismo lento, mas seguro e poderoso da vida arcaico-popular, que se 
reproduz quase organicamente em microescalas, no interior da rede familiar e 
comunitária, apoiada pela socialização do parentesco, do vicinato e dos grupos 
religiosos. 
(Alfredo Bosi. Dialética da colonização. S. Paulo: Companhia 
das Letras, 1992, pp. 328-29) 
Questão 25: Tomando como referências a cultura de massa e a cultura 
popular, o autor do texto considera que, entre elas, 
(A) não há qualquer relação possível, uma vez que configuram universos 
distintos no tempo e no espaço. 
(B) há uma relação de necessária interdependência, pois não há sociedade 
que possa prescindir de ambas. 
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(C) há uma espécie de simbiose, uma vez que já não é possível distinguir 
uma da outra. 
(D) há uma relação de apropriação, conforme se manifestam os efeitos da 
primeira sobre a segunda. 
(E) há uma espécie de dialética, pois cada uma delas se desenvolve à medida 
que sofre a influência da outra. 
Comentário: Notamos ao longo do texto um contraste entre a cultura de 
massa e a cultura popular, em que a primeira tenta se apoderar da segunda. 
 Assim, a alternativa (D) é a correta, pois realmente há uma relação de 
apropriação da cultura de massa sobre a cultura popular. Note que esta 
alternativa não possui palavras categóricas. Assim, entendemos que de 
maneira geral ocorre essa apropriação, mesmo não sendo total. 
 Você poderia ter ficado na dúvida em relação à alternativa (E), mas veja 
que nela é dito que uma sofre a influência da outra. Como não há uma 
identificação das culturas, nenhum trecho nos induz a interpretar que haveria 
uma influência mútua: a cultura de massa influenciaria a cultura popular e 
vice-versa. Isso confirma a alternativa como errada. 
 A alternativa (A) está bem fora, pois a palavra “qualquer” é categórica e 
transmite uma interpretação bem equivocada. 
 A alternativa (B) está errada, pois não há uma relação de necessária 
interdependência. 
 A alternativa (C) está errada, pois todo o texto mostra os contrastes 
entre essas culturas, assim não há simbiose (associação entre dois seres em 
comum). 
Gabarito: D 
 
Questão 26: Atente para as seguintes afirmações: 
I. No primeiro parágrafo, afirma-se que a modernização é determinante 
para a sobrevivência de algumas formas autênticas da cultura popular. 
II. No segundo parágrafo, a expropriação sofrida pela cultura de massa é 
vista na sua concomitância com o desprestígio da cultura popular. 
III. No terceiro parágrafo, aponta-se a resistência das manifestações de 
cultura popular, observadas em determinados círculos sociais. 
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e II. 
(E) II e III. 
Comentário: A afirmativa I está errada, pois a modernização não é 
determinante para a cultura popular. 
 A afirmativa II está errada, pois quem sofre expropriação é a cultura 
popular. 
 A afirmativa III está correta, pois realmente no terceiro parágrafo há um 
contraste, mostrando que a cultura popular ainda resiste (“A exploração, o 
uso abusivo que a cultura de massa faz das manifestações populares não foi 
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ainda capaz de interromper para sempre o dinamismo lento, mas seguro e 
poderoso da vida arcaico-popular”). 
 Além disso, foi afirmado que isso ocorre em alguns círculos sociais. Veja 
o trecho que comprova isso: ”que se reproduz quase organicamente em 
microescalas, no interior da rede familiar e comunitária, apoiada pela 
socialização do parentesco, do vicinato e dos grupos religiosos”. 
 Assim, a alternativa correta é a (C). 
Gabarito: C 
 
Questão 27: Um mesmo fenômeno é expresso pelos segmentos: 
(A) poder econômico expansivo e socialização do parentesco. 
(B) aparência de modernização e formacriativa de autoexpressão. 
(C) aspectos diferenciados da vida popular e reportagem popularesca. 
(D) aparelhos econômicos e a dialética é uma verdade mais séria. 
(E) o dinamismo lento e se reproduz quase organicamente. 
Comentário: Esta questão cobrou simplesmente a localização dos trechos no 
texto e a observação da referência ao mesmo argumento (fenômeno). 
 Na alternativa (A), “poder econômico expansivo” refere-se aos meios de 
comunicação (cultura de massa); já “socialização do parentesco” refere-se à 
cultura popular. Assim, fenômenos diferentes. 
 Na alternativa (B), “aparência de modernização” é o mascaramento 
provocado pela cultura de massa; já a “forma criativa de autoexpressão” se 
refere à cultura popular. Assim, fenômenos diferentes. 
 Na alternativa (C), “aspectos diferenciados da vida popular” se refere à 
cultura popular; já “reportagem popularesca” refere-se à cultura de massa. 
Assim, fenômenos diferentes. 
 Na alternativa (D), “aparelhos econômicos” refere-se à cultura de 
massa; mas “dialética é uma verdade mais séria” é trecho que trata da cultura 
popular. Assim, fenômenos diferentes. 
 A alternativa (E) é a correta, pois se refere ao mesmo fenômeno: a 
cultura popular. Para isso, basta verificar este trecho no texto: "o dinamismo 
lento, mas seguro e poderoso da vida arcaico-popular, que se reproduz 
quase organicamente em microescalas". 
Gabarito: E 
 
Questão 28: Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o 
sentido de um segmento em: 
(A) reduzindo-as à função (1º parágrafo) = incitando-as à extrapolação. 
(B) vampirismo (...) crescente (2º parágrafo) = progressiva avidez. 
(C) seu primeiro tento (2º parágrafo) = sua primitiva meta. 
(D) estipendiado para o turista (2º parágrafo) = estilizado para o visitante. 
(E) socialização do parentesco (3º parágrafo) = sociabilidade dos vínculos. 
Comentário: Na alternativa (A), "reduzindo-as à função" restringe algo, 
diminui suas possibilidades. Já, em "incitando-as à extrapolação", o sentido 
é oposto. 
 Na alternativa (B), veja que, no contexto em que se encontra, 
"vampirismo" significa sugar as potencialidades. Esse é o sentido próximo de 
avidez(cobiça, ambição). Os vocábulos "crescente" e "progressiva" também 
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são sinônimos contextuais. Assim, é a alternativa correta. 
 Na alternativa (C), a expressão "seu primeiro tento" significa o primeiro 
dos objetivos, a primeira meta. Esse sentido é bem diferente de "primitiva" 
meta. Este vocábulo tem o sentido de primário (original). No contexto, é bem 
diferente de primeiro. 
 Na alternativa (D), "estipendiando" significa cobrando, tirando proveito 
pecuniário. Bem diferente de estilizado, concorda? Se você não sabia o que 
significava a palavra "estipendiando", a palavra estilizado nos ajudou a 
perceber que não cabe no contexto. Então, também conseguiríamos eliminar 
esta alternativa. 
 Na alternativa (E), "parentesco" e "vínculo", fora do contexto, até 
poderiam ter proximidades de sentido. Mas, no contexto, "parentesco" é um 
subgrupo dos diversos tipos de vínculos. Assim, o primeiro possui um valor 
bem mais restrito, específico, enquanto o outro tem um valor bem 
generalizante, o qual engloba os outros termos do texto, como "vicinato", 
"grupos religiosos", os quais estão paralelos a "parentesco". 
Gabarito: B 
 
Questão 29: No 3º parágrafo, o autor vale-se do termo dialética para 
indicar 
(A) a dinâmica pela qual a cultura popular ainda resiste à cultura de massa. 
(B) a absoluta absorção que a cultura de massa impõe à cultura popular. 
(C) a contradição entre interesse econômico e a macumba na televisão. 
(D) o contraste entre manifestações populares e relações de vicinato. 
(E) o apoio que a cultura de massa acaba representando para a popular. 
Comentário: Perceba que o terceiro parágrafo inicia-se com a conjunção 
coordenada adversativa “No entanto”, para fazer um contraste ao que foi dito 
anteriormente. Nos dois parágrafos anteriores, observa-se a ênfase na 
tentativa de absorção da cultura popular pela cultura de massa. No terceiro 
parágrafo, mostra-se a sobrevivência da cultura popular, mesmo com a força 
que a cultura de massa possui. 
 A alternativa (A) é a correta, pois reforça que a cultura popular ainda 
resiste à cultura de massa por meio de seu “dinamismo lento, mas seguro e 
poderoso da vida arcaico-popular”. 
A alternativa (B) está errada, pois não houve absoluta absorção. Veja 
isso na expressão “não foi ainda capaz de interromper”. 
A alternativa (C) está errada, porque não houve contradição entre 
interesse econômico e a macumba na televisão. 
A alternativa (D) está errada, pois não há contraste entre manifestações 
populares e relações de vicinato. 
A alternativa (E) está errada, percebemos ao longo do texto e mais 
enfaticamente no terceiro parágrafo que não há apoio da cultura de massa 
para a popular. 
Gabarito: A 
 
Questão 30: No segundo parágrafo, o elemento sublinhado na construção 
(A) ocupando-lhe as horas de lazer refere-se ao termo casa. 
(B) eis o seu primeiro tento refere-se à expressão forma criativa. 
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(C) eis o seu primeiro tento refere-se à expressão cultura de massa. 
(D) ocupando-lhe as horas de lazer refere-se à expressão cultura de massa. 
(E) eis o seu primeiro tento refere-se à expressão horas de lazer. 
Comentário: O pronome “lhe” retoma “caboclo” ou “trabalhador” e o 
pronome “seu” retoma “cultura de massa”. Assim, a alternativa correta é a 
(C). 
Gabarito: C 
 
Vamos partir para outro assunto: Redação (confronto e 
reconhecimento de frases corretas e incorretas). Neste tema, temos 
várias frases em que a banca pede para verificar se há respeito à norma culta, 
e às vezes, pede qual das alternativas possui atendimento à clareza, à coesão 
e à coerência. Na realidade, a banca é bem objetiva. Ela quer nos testar 
quanto ao conhecimento gramatical como um todo. 
 Uma leitura atenta das alternativas nos ajuda muito. Por isso, vamos 
direto à prática. 
 
Questão 31: TRT 16R 2009 Técnico 
Os números iniciais do Censo 2000 revelam melhorias. 
A queda das taxas de mortalidade infantil foi maior do que o esperado. 
Boa parte da população brasileira continua vivendo na pobreza. 
As frases acima formam um único período, com correção e lógica, em: 
(A) Se as taxas de mortalidade infantil entraram em queda maior do que era 
esperada, a população brasileira continua vivendo na pobreza, apesar das 
melhorias que o Censo 2000, revelam em seus dados iniciais. 
(B) A população brasileira em boa parte continua vivendo na pobreza, os 
números iniciais do Censo 2000 revelam as melhorias, onde as taxas de 
mortalidade infantil em queda, maior do que se esperava. 
(C) Com a queda das taxas de mortalidade infantil, e os números iniciais do 
Censo 2000 revela que foi maior que o esperado, mas boa parte da 
população brasileira continua vivendo na pobreza. 
(D) Os números iniciais do Censo 2000 melhoraram, com a queda das taxas 
de mortalidade infantil, que foi maior do que se esperavam, onde boa 
parte da população brasileira continua vivendo na pobreza. 
(E) Boa parte da população brasileira continua vivendo na pobreza, conquanto 
os números iniciais do Censo 2000 revelem melhorias, como a queda das 
taxas de mortalidade infantil, maior do que o esperado. 
Comentário: O ideal é primeiro partir para o exame dos erros gramaticais. 
Se sobrar alguma dúvida, observamos também a ligação entre as estruturas. 
Isso é importante, para ganharmos tempo de prova. 
 Na (A), não pode haver vírgula entre o sujeito e o predicado, por isso 
devemos retirar a vírgula após “o Censo 2000”. 
 Na (B), oprimeiro problema é o uso do “onde” sem se referir a lugar. 
Além disso, a última oração precisa de um verbo. Corrigindo, teríamos: 
A população brasileira em boa parte continua vivendo na pobreza, os números 
iniciais do Censo 2000 revelam as melhorias, mas as taxas de mortalidade 
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infantil em queda ainda são maiores do que se esperava. 
 Na (C), deve-se retirar a conjunção “e”, pois não há adição. O verbo 
“revela” deve concordar com o sujeito plural “os números”: revelam. Veja: 
Com a queda das taxas de mortalidade infantil, os números iniciais do Censo 
2000 revelam que foram maiores que o esperado, mas boa parte da 
população brasileira continua vivendo na pobreza. 
 Na (D), o verbo “esperavam” deve se flexionar no singular, porque seu 
sujeito é “que”, o qual retoma “o” (singular), isto é, isso era esperado. O 
vocábulo “onde” deve ser substituído por “mas”, por haver uma ideia 
adversativa. Veja: 
Os números iniciais do Censo 2000 melhoraram, com a queda das taxas de 
mortalidade infantil, que foi maior do que se esperava, mas boa parte da 
população brasileira continua vivendo na pobreza. 
 A alternativa (E) é a correta. Poderíamos pensar que “maior” deveria se 
flexionar no plural, entendendo “revelam melhorias (...) maiores do que o 
esperado. É uma estrutura possível; porém, também podemos entender que 
“maior do que o esperado” é apenas o comentário do autor sobre a queda das 
taxas de mortalidade infantil. Para ficar mais claro, basta colocarmos esta 
expressão entre parênteses. Veja: 
Boa parte da população brasileira continua vivendo na pobreza, conquanto os 
números iniciais do Censo 2000 revelem melhorias, como a queda das taxas 
de mortalidade infantil (maior do que o esperado). 
Gabarito:E 
 
Questão 32: TRT 16R 2009 técnico 
O vapor liberado pela transpiração das árvores sobe na atmosfera. 
O vapor encontra camadas de ar frio. 
O vapor se condensa e forma as nuvens. 
As frases acima encontram-se articuladas em um único período, com clareza, 
correção e lógica, em: 
(A) O vapor, quando vai subindo na atmosfera com o vapor da transpiração 
das árvores, vão encontrar camadas de ar frio se condensando e 
formando as nuvens. 
(B) A fim de ser liberado pela transpiração das árvores, o vapor que se 
condensa formando as nuvens, quando encontra camadas de ar frio na 
atmosfera. 
(C) Ao subir na atmosfera, o vapor liberado pela transpiração das árvores 
encontra camadas de ar frio e se condensa, formando as nuvens. 
(D) O vapor que encontra camadas de ar frio se condensa e formam as 
nuvens, quando é liberado pela transpiração das árvores, subindo na 
atmosfera. 
(E) O vapor se condensa formando as nuvens, sendo liberado pela 
transpiração das árvores que sobem na atmosfera, com as camadas de ar 
frio. 
Comentário: Já eliminamos a (A) porque a locução verbal deve ficar no 
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singular por concordar com o sujeito “O vapor”: vai encontrar. 
 Na (B), veja que não há coerência, pois falta a oração principal. O 
problema foi a inserção do pronome relativo “que”, o qual torna a oração “que 
se condensa” subordinada adjetiva. Porém esta estrutura deve fazer parte da 
oração principal. Para que a estrutura sintática seja preservada, basta retirar 
o “que”. Por enquanto, estamos analisando apenas sintaticamente. Assim, 
ficaria: 
A fim de ser liberado pela transpiração das árvores, o vapor se condensa 
formando as nuvens, quando encontra camadas de ar frio na atmosfera. 
 A alternativa (C) é a correta. Perceba as vírgulas corretamente 
posicionadas e a concordância também correta. 
 Na (D), o problema maior é a flexão no plural do verbo “formam”. Ele 
está paralelo à oração anterior, fazendo referência a “O vapor” (O vapor forma 
as nuvens). Além disso, é necessário corrigir a estrutura oracional seguinte. 
Veja: 
O vapor que encontra camadas de ar frio se condensa e forma as nuvens. 
Quando é liberado pela transpiração das árvores, sobe para a atmosfera. 
 Na (E), as árvores não “sobem” na atmosfera... 
Gabarito: C 
 
Questão 33: TRT 24ªR 2006 Técnico 
• O animal silvestre dissemina sementes. 
• O animal silvestre é essencial para o equilíbrio do meio ambiente. 
• As sementes atuam na reprodução e na recomposição da vegetação. 
• As sementes participam da cadeia alimentar e perpetuam a vida. 
As frases acima estruturam-se em um único período com lógica, clareza e 
correção, em: 
(A) O animal silvestre quando dissemina sementes, é essencial para equilibrar 
o meio ambiente, que essas sementes atuam na reprodução e na 
recomposição da vegetação, e participam da cadeia alimentar e 
perpetuam a vida. 
(B) O animal silvestre é essencial para o equilíbrio do meio ambiente, pois 
dissemina sementes que atuam na reprodução e na recomposição da 
vegetação, além de participar da cadeia alimentar, perpetuando a vida. 
(C) As sementes, as quais atuam na reprodução e na recomposição da 
vegetação, participam da cadeia alimentar e perpetuam a vida, é o animal 
silvestre que dissemina essas, essencial para o meio ambiente. 
(D) Essencial para o meio ambiente, as sementes reproduzem e recompõe a 
vegetação, que o animal silvestre lhes dissemina, sementes para 
participar da cadeia alimentar e perpetuar a vida. 
(E) O animal silvestre dissemina sementes já que atuam na reprodução e na 
recomposição da vegetação, com a participação da cadeia alimentar, para 
a perpetuação da vida, o qual é essencial para o meio ambiente. 
Comentário: Este tipo de questão cobra de você o ajuste semântico de 
quatro ideias (uma ideia em cada oração). Ao juntarmos todas, poderemos 
ficar meio perdidos quanto ao sentido. Até chegarmos à conclusão desta 
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questão, poderíamos perder muito tempo. Assim, vai um macete: encontrar 
erro gramatical é mais fácil e rápido de eliminar as alternativas. Então, 
façamos uma leitura em cada alternativa e vamos eliminando quando der. 
Veja: 
(A) O animal silvestre quando dissemina sementes, é essencial para equilibrar 
o meio ambiente, que essas sementes atuam na reprodução e na 
recomposição da vegetação, e participam da cadeia alimentar e perpetuam a 
vida. 
Observe que a oração “quando dissemina sementes” é subordinada adverbial 
temporal e está intercalada; por isso deve ficar entre vírgulas (não apenas no 
final, como está na alternativa). Veja a falta de coesão na expressão “que 
essas”. Esse pronome relativo deve ser precedido de preposição (em que). Os 
verbos “atuam”, “participam” e “perpetuam” estão paralelos (coordenados), 
por isso, antes do verbo “participam” deve-se retirar a conjunção “e”, 
deixando-se apenas a vírgula separando o primeiro do segundo termo 
enumerado. Corrigindo, temos: 
O animal silvestre, quando dissemina sementes, é essencial para equilibrar o 
meio ambiente, em que essas sementes atuam na reprodução e na 
recomposição da vegetação, participam da cadeia alimentar e perpetuam a 
vida. 
Ao lermos a alternativa (B), não observamos problemas gramaticais. Assim, 
passamos à frente, pois o que importa agora é eliminar as erradas. 
(C) As sementes, as quais atuam na reprodução e na recomposição da 
vegetação, participam da cadeia alimentar e perpetuam a vida, é o animal 
silvestre que dissemina essas, essencial para o meio ambiente. 
Veja como a expressão “é o animal silvestre que dissemina essas, essencial 
para o meio ambiente” está mal construída. Não há ligação com a estrutura 
anterior e está gramaticalmente incorreta. Então, pulamosesta alternativa e 
vamos à próxima. 
Na (D), veja que o verbo “recompõe” deve se flexionar no plural. Além disso, 
a estrutura “que o animal silvestre lhes dissemina” não retoma “vegetação”, e 
o verbo “dissemina” é transitivo direto, não cabendo o pronome “lhes”. 
(E) O animal silvestre dissemina sementes já que atuam na reprodução e na 
recomposição da vegetação, com a participação da cadeia alimentar, para a 
perpetuação da vida, o qual é essencial para o meio ambiente. 
Deve-se substituir a locução “já que” por “portanto”, “dessa forma” ou “por 
conseguinte” pois não há causa, mas uma conclusão, consequência. Além 
disso, Note como o pronome relativo “o qual” está longe de seu referente 
“animal silvestre”. Assim, novamente há truncamento sintático. 
Percebemos, então, que a única resposta possível realmente é a (B). 
Gabarito: B 
 
Questão 34: TCE-SP 2012 Auxiliar de Fiscalização 
 Esforços devem ser feitos no sentido de preservar a região Amazônica. 
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 O potencial elétrico da Amazônia deve ser desenvolvido. 
 Áreas devem ser oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos 
ambientais, por exemplo. 
 É preciso conciliar os objetivos que se contrapõem à exploração do 
potencial hidrelétrico da Amazônia. 
As frases acima articulam-se em um único período, com clareza, correção e 
lógica, em: 
(A) Ainda que esforços devem ser feitos no sentido de preservar a região 
Amazônica e o seu potencial elétrico desenvolvido, com áreas que devem 
ser oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos ambientais, 
assim se concilia os objetivos que se contrapõem à exploração do 
potencial hidrelétrico da Amazônia. 
(B) O potencial elétrico da Amazônia deve ser desenvolvido, e com esforços 
no sentido de preservar a região Amazônica, sendo preciso conciliar os 
objetivos que se contrapõem à essa exploração, em áreas que devem ser 
oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos ambientais. 
(C) Para conciliar os objetivos que se contrapõem a exploração do potencial 
hidrelétrico da Amazônia, deve ser feito esforços no sentido de preservar 
a região Amazônica, com áreas de compensação aos efeitos dos impactos 
ambientais, onde esse potencial elétrico deve ser desenvolvido. 
(D) O potencial elétrico da região Amazônica, que deve ser desenvolvido com 
áreas oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos ambientais, 
e com esforços no sentido de preservar essa região, sendo preciso 
conciliar os objetivos que se contrapõem a exploração do potencial 
hidrelétrico. 
(E) É preciso conciliar os objetivos que se contrapõem à exploração do 
potencial hidrelétrico da Amazônia, que deve ser desenvolvido, ao lado de 
esforços no sentido de preservar a região, como, por exemplo, a oferta 
de áreas que possam compensar os efeitos dos impactos ambientais. 
Comentário: Façamos uma leitura de cada alternativa e vamos eliminando os 
erros gramaticais. Nem precisamos, ainda, julgar se o sentido original foi 
preservado. 
 A alternativa (A) está errada, pois a locução conjuntiva adverbial 
concessiva “Ainda que” traz um sentido de contraste, mas isso não cabe no 
período. O ideal seria sua substituição por “Com” seguido do pronome relativo 
“que”. O pronome apassivador “se” faz com que o sujeito paciente e plural 
(“os objetivos”) force o verbo transitivo direto ao plural (“conciliam”). Veja: 
“Com esforços que devem ser feitos no sentido de preservar a região 
Amazônica e o seu potencial elétrico desenvolvido, com áreas que devem ser 
oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos ambientais, assim se 
conciliam os objetivos que se contrapõem à exploração do potencial 
hidrelétrico da Amazônia.” 
 A alternativa (B) está errada, pois não pode haver crase antes de 
pronome demonstrativo (“se contrapõem a essa exploração”). Deve ser 
retirada a conjunção “e”, pois há apenas um adjunto adverbial de modo e este 
não está composto a outro anterior. 
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“O potencial elétrico da Amazônia deve ser desenvolvido, com esforços no 
sentido de preservar a região Amazônica, sendo preciso conciliar os objetivos 
que se contrapõem a essa exploração, em áreas que devem ser oferecidas 
como compensação aos efeitos dos impactos ambientais.” 
 A alternativa (C) está errada, pois a estrutura “se contrapõem” exige a 
preposição “a” e o substantivo “exploração” está antecedido do artigo “a”. 
Assim, deve haver crase (“se contrapõem à exploração do potencial 
hidrelétrico da Amazônia”). A locução verbal deve concordar com seu sujeito 
plural (“devem ser feitos esforços”). 
“Para conciliar os objetivos que se contrapõem à exploração do potencial 
hidrelétrico da Amazônia, devem ser feitos esforços no sentido de preservar 
a região Amazônica, com áreas de compensação aos efeitos dos impactos 
ambientais, onde esse potencial elétrico deve ser desenvolvido.” 
 A alternativa (D) está errada, pois a estrutura adverbial composta 
possui a conjunção aditiva “e”, a qual não pode ser antecipada de vírgula, por 
não haver dentre esses termos adverbiais divisão interna com vírgula ou outra 
conjunção “e”. Assim devemos retirar tal vírgula. 
 Além disso, veja que a oração principal inicia-se com o sujeito “O 
potencial elétrico da região Amazônica”, mas este não possui verbo conjugado 
em modo e tempo verbal, para que haja coesão e coerência (O potencial 
elétrico da região Amazônica ... sendo preciso...). Assim, devemos iniciar o 
parágrafo com uma expressão adverbial (“Quanto ao potencial elétrico da 
região Amazônica”), além de flexionar o verbo “sendo” no presente do 
indicativo, pois o seu sujeito é a oração subordinada substantiva subjetiva 
reduzida de infinitivo “conciliar os objetivos” (isso é preciso). 
 Veja novamente a falta da crase. Então, vamos corrigir: “se contrapõem 
à exploração do potencial hidrelétrico da Amazônia”. 
 Observação: Em todas as alternativas até agora, só estamos explorando 
a correção gramatical. 
“Quanto ao potencial elétrico da região Amazônica, que deve ser desenvolvido 
com áreas oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos ambientais 
e com esforços no sentido de preservar essa região, é preciso conciliar os 
objetivos que se contrapõem à exploração do potencial hidrelétrico.” 
 Portanto, a alternativa (E) é a correta. Agora, sim, é hora de 
confirmarmos a gramaticalidade e o sentido original. Veja que a crase está 
correta, a concordância de “deve ser desenvolvido” está correta, porque o 
pronome relativo “que” retoma “potencial”. As vírgulas também estão 
corretas: as duas primeiras intercalam a oração subordinada adjetiva 
explicativa; já as três últimas separam corretamente as duas expressões 
denotativas de exemplificação “como” e “por exemplo”. 
 Acompanhe, agora, de acordo com a numeração, a preservação do 
sentido original: 
 Esforços devem ser feitos no sentido de preservar a região Amazônica¹. 
 O potencial elétrico da Amazônia deve ser desenvolvido². 
 Áreas devem ser oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos 
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ambientais, por exemplo³. 
É preciso conciliar os objetivos que se contrapõem à exploração do 
potencial hidrelétrico da Amazônia4. 
“É preciso conciliar os objetivos que se contrapõem à exploração do potencial 
hidrelétrico da Amazônia4, que deve ser desenvolvido², ao lado de esforços no 
sentido de preservar a região¹, como, por exemplo, a oferta de áreas que 
possam compensar os efeitos dos impactos ambientais³.” 
Gabarito: E 
 
Questão 35: Polícia Civil -MA 2006Agente 
 A cidade egípcia de Alexandria abrigou a mais célebre biblioteca da 
Antigüidade. 
 Há controvérsia entre historiadores quanto às razões de seu 
desaparecimento. 
 Durante muito tempo atribuiu-se sua destruição final aos árabes, no 
século VII. 
 Essa biblioteca foi provavelmente o maior acervo de livros do mundo 
antigo. 
As frases acima articulam-se em um único período, com clareza, lógica e 
correção, em: 
(A) A mais célebre biblioteca da Antigüidade foi na cidade egípcia de 
Alexandria, com o acervo dos maiores do mundo antigo, e os 
historiadores são controversos quanto porque ela desapareceu, já que 
durante muito tempo atribuiu-se sua destruição final aos árabes, no 
século VI. 
(B) Conquanto a cidade egípcia de Alexandria abrigou a mais célebre 
biblioteca da Antigüidade, há controvérsia entre historiadores pelas 
razões de seu desaparecimento, com cujo acervo era o maior do mundo 
antigo, parece que foi destruído finalmente pelos árabes, no século VI. 
(C) Há controvérsia entre historiadores das razões de seu desaparecimento, 
com um acervo que foi provável o maior do mundo antigo, nos livros, que 
era a mais célebre biblioteca da Antigüidade, na cidade egípcia de 
Alexandria, que aos árabes foi atribuído, no século VI, sua destruição 
final. 
(D) Na cidade egípcia de Alexandria onde abrigou a mais célebre biblioteca da 
Antigüidade, com a controvérsia entre historiadores das razões do 
desaparecimento de um acervo provavelmente o mais antigo do mundo, 
que durante muito tempo atribuíram-se ao final aos árabes, no século VI. 
(E)) A cidade egípcia de Alexandria abrigou a mais célebre biblioteca da 
Antigüidade, talvez o maior acervo de livros do mundo antigo, cuja 
destruição final foi atribuída durante muito tempo aos árabes, no século 
VI, embora haja controvérsia entre historiadores quanto às razões de seu 
desaparecimento. 
Comentário: Façamos uma leitura de cada alternativa e vamos eliminando os 
erros gramaticais. Nem precisamos, ainda, julgar se o sentido original foi 
preservado. Veja que a palavra “Antigüidade” está grafada com trema, porque 
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a prova é de 2006, ok! 
 A alternativa (A) está errada, pois não cabe o verbo “foi”, mas “estava”, 
o que marca um lugar estático. A estrutura “quanto porque” está truncada, o 
correto é “quanto aos motivos, quanto às razões” etc. Veja: 
“A mais célebre biblioteca da Antigüidade estava na cidade egípcia de 
Alexandria, com o acervo dos maiores do mundo antigo, e os historiadores são 
controversos quanto às razões de seu desaparecimento, já que durante 
muito tempo atribuiu-se sua destruição final aos árabes, no século VI.” 
 A alternativa (B) está errada. É normal a FCC inserir uma conjunção 
adverbial concessiva e um verbo no modo indicativo, para você já eliminar “de 
cara” a alternativa. A conjunção concessiva “conquanto” força o verbo ao 
pretérito imperfeito do subjuntivo (“Conquanto...abrigasse..”). 
 Além disso, veja que o pronome relativo “cujo” e o substantivo “acervo” 
são o sujeito do verbo “era”, por isso devemos retirar a preposição “com”. 
 Gramaticalmente, a oração “parece que foi destruído finalmente pelos 
árabes, no século VI.” produz novo argumento e não possui conjunção que 
ligue às orações anteriores. Assim, o ideal seria iniciar novo período. 
“Conquanto a cidade egípcia de Alexandria abrigasse a mais célebre 
biblioteca da Antigüidade, há controvérsia entre historiadores pelas razões de 
seu desaparecimento, cujo acervo era o maior do mundo antigo. Parece que 
foi destruído finalmente pelos árabes, no século VI.” 
 A alternativa (C) está errada, pois a estrutura “seu desaparecimento” 
faz menção a algo que deveria ter sido dito antes, e não foi. Da forma como 
está, são os historiadores que teriam desaparecido, o que foge à coerência. 
Além disso, deve haver o advérbio “provavelmente”, e não o adjetivo 
“provável”. 
 Pessoal, estes foram apenas os primeiros erros que encontramos nesta 
alternativa, mas o texto está tão truncado que não é necessário, nem vale a 
pena reestruturá-lo totalmente, pois facilmente já identificamos os erros, ok. 
A banca normalmente faz isso para você já descartar logo a alternativa e 
partir para outra. 
 A alternativa (D) está errada, pois, na oração subordinada adjetiva 
“abrigou a mais célebre biblioteca da Antigüidade”, o pronome relativo ocupa 
a função de sujeito. Assim, devemos substituir “onde” por “que”. 
 Bom, se você quiser preservar o valor de adjunto adverbial de lugar, 
basta inserir o pronome apassivador “se” e o sujeito passa a ser paciente 
(“onde se abrigou a mais célebre biblioteca da Antigüidade”). 
 Para haver coerência, sugere-se transformar a estrutura adverbial “Na 
cidade egípcia de Alexandria” em sujeito, portanto sem a preposição “em”, e 
estruturar a oração principal para que haja um predicado para tal sujeito (“A 
cidade egípcia de Alexandria ... instiga a controvérsia...”). 
 Além disso, a expressão “provavelmente o mais antigo do mundo” é um 
comentário do autor. Assim, deve ficar entre vírgulas. Veja que também deve 
ficar entre vírgulas a oração subordinada adjetiva explicativa “que abrigou a 
mais célebre biblioteca da Antigüidade”. 
 Veja ainda a correção da última oração com o predicado “teve seu final 
atribuído aos árabes”. A dupla vírgula em “durante muito tempo” é facultativa 
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por se poder entender como adjunto adverbial de pequena extensão. 
“A cidade egípcia de Alexandria, que abrigou a mais célebre biblioteca da 
Antigüidade, instiga a controvérsia entre historiadores das razões do 
desaparecimento de um acervo, provavelmente o mais antigo do mundo, que, 
durante muito tempo, teve seu final atribuído aos árabes, no século VI.” 
 Portanto, a alternativa (E) é a correta. Agora, sim, é hora de 
confirmarmos a gramaticalidade e o sentido original. Veja que se preservou a 
gramaticalidade. 
 Acompanhe, agora, de acordo com a numeração, a preservação do 
sentido original. Note que os trechos originais apresentam os pronomes 
possessivos “seu” e “sua”, o que poderia gerar ambiguidade, mas note que 
essa ambiguidade é retirada pelo contexto e a escrita do parágrafo preservou 
o mesmo sentido. Veja: 
 A cidade egípcia de Alexandria abrigou a mais célebre biblioteca da 
Antigüidade¹. 
 Há controvérsia entre historiadores quanto às razões de seu 
desaparecimento². 
 Durante muito tempo atribuiu-se sua destruição final aos árabes, no 
século VI³. 
 Essa biblioteca foi provavelmente o maior acervo de livros do mundo 
antigo4. 
 “A cidade egípcia de Alexandria abrigou a mais célebre biblioteca da 
Antigüidade, talvez o maior acervo de livros do mundo antigo4, cuja destruição 
final foi atribuída durante muito tempo aos árabes, no século VI³, embora 
haja controvérsia entre historiadores quanto às razões de seu 
desaparecimento².” 
 Observação do professor: Esta questão originalmente havia sido 
anulada, por um erro de digitação. O redator havia inserido “século VII”, na 
estrutura original da questão e todas as alternativas tinham a expressão 
“século VI”. Assim, para evitar prejuízo, a banca achou por bem anulá-la. 
 Mas, para validar a questão, corrigi o erro do redator, por isso a 
alternativa (E) é a correta. 
Gabarito: E 
 
Questão 36: TRT 4 R - 2011 – Analista 
A frase redigida de modo claro e condizente com o padrão culto escrito é: 
(A) A criação, coordenação e assessoria a cursos profissionalizantes está a 
cargo de ambos os formados na área, de cujo conhecimento de ponta 
muito se depende. 
(B) Advoguei junto ao chefe do rapaz que sua atuação tanto profissional comoem sociedade não deixava nada à desejar, o que lhe ajudou bastante 
naquela pendência. 
(C) Ele era o único que espontaneamente se dignava de ouvir-nos a todos, 
sem exceção, e consentia prazeroso até o depoimento mais insosso ou 
desajeitado. 
(D) Não posso atribuir unicamente a precária condição de acesso à Educação 
PORTUGUÊS P/ TST - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS) 
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a apenas a condição de miscigenação dos que desejam ascender à sua 
dignidade. 
(E) Os resultados da pesquisa científica levada a efeito no ano passado deve 
ser aberta àquele núcleo que a instigou, não devendo ficar restrito aos 
especialistas. 
Comentário: Na alternativa (A), o problema é apenas de concordância 
verbal, pois o sujeito é composto “A criação, coordenação e assessoria a 
cursos profissionalizantes” e leva o verbo ao plural: estão. Veja que a 
expressão “de cujo conhecimento de ponta” está empregada corretamente. 
Ela é o objeto indireto do verbo transitivo indireto “depende”: muito se 
depende do conhecimento de ponta dos formados na área. 
 Na alternativa (B), já vemos que há problema na crase antes do verbo. 
Vemos também que, na oração “que sua atuação tanto profissional como em 
sociedade não deixava”, o “que” e o pronome “sua” soam estranho, porque 
estão entre dois substantivos com valor de posse. Assim, cabe o pronome 
relativo “cuja”. O termo “cuja atuação” é o sujeito, por isso não é precedido 
de preposição. Veja a frase corretamente escrita: 
Advoguei junto ao chefe do rapaz cuja atuação tanto profissional como em 
sociedade não deixava nada a desejar, o que lhe ajudou bastante naquela 
pendência. 
 A alternativa (C) é a correta. Perceba que o verbo “se dignava” é 
transitivo indireto e por isso há preposição “de” em seguida. Note que a 
expressão “-nos a todos” significa “a todos nós”. Assim, temos o objeto direto 
“nos” e o reforço pleonástico “a todos”. Isso está correto. Veja que a dupla 
vírgula está correta, por intercalar o adjunto adverbial de modo “sem 
exceção”. 
 Na alternativa (D), a locução verbal “posso atribuir” é transitiva direta e 
indireta. O termo “a precária condição de acesso” é o objeto direto, seguido 
do complemento nominal “à Educação”. O objeto indireto deve ser precedido 
da preposição “a”. Como o núcleo “condição” admite artigo “a”, ocorrerá a 
crase: “à condição”. Assim, deve-se retirar a preposição “a” antes de 
“apenas”, pois esta preposição se repete depois deste vocábulo. A correta 
construção da frase seria: 
Não posso atribuir unicamente a precária condição de acesso à Educação 
apenas à condição de miscigenação dos que desejam ascender à sua 
dignidade. 
A crase em “à Educação” é obrigatória e em “à sua dignidade” é facultativa. 
 Na alternativa (E), o sujeito “Os resultados da pesquisa científica” é 
caracterizado por uma oração subordinada adjetiva restritiva reduzida de 
particípio “levada a efeito no ano passado”. Esta oração se refere, na 
realidade, ao núcleo desse sujeito; portanto, o ideal é a concordância deste 
particípio no plural e masculino: levados. Além disso, esse sujeito da oração 
principal deve levar a locução verbal para o plural: devem ser abertos. O 
mesmo ocorrendo com o adjetivo “restrito”: restritos. Nesse contexto, cabe o 
pronome “a” retomando apenas “pesquisa” e não “resultados”. Veja a 
reescrita corretamente: 
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Os resultados da pesquisa científica levados a efeito no ano passado devem 
ser abertos àquele núcleo que a instigou, não devendo ficar restritos aos 
especialistas. 
 Veja que o verbo “instigou” está no singular, porque seu sujeito é o 
pronome relativo “que”, o qual retoma o substantivo singular “núcleo”. 
Gabarito: C 
 
Questão 37: TRF 4R - 2010 – Analista 
É preciso corrigir, pela má estruturação que apresenta, a seguinte frase: 
(A) Com o advento dos meios de comunicação de massa, sobretudo os 
eletrônicos, nem por isso o progresso tecnológico deixa de ser 
contestado. 
(B) A globalização está diretamente ligada à propagação e ao 
aperfeiçoamento dos meios de comunicação de massa, que encurtam 
distâncias e aproximam as pessoas. 
(C) Quem não se deixa seduzir pelos atrativos e novidades da tecnologia de 
ponta costuma defender as vantagens da simplicidade e da naturalidade 
em nossa vida. 
(D) Os muito jovens não fazem ideia de como foram velozes as 
transformações que sofreu o nosso cotidiano, nas últimas décadas, por 
causa das inovações tecnológicas. 
(E) Ao que tudo indica, os próximos passos da tecnologia eletrônica serão 
dados na direção de uma ainda maior integração entre as diversas 
mídias. 
Comentário: Veja que a estrutura “nem por isso” não cabe nesta oração. O 
termo “Com o advento dos meios de comunicação de massa, sobretudo os 
eletrônicos” é um adjunto adverbial de causa. Assim, o restante da oração 
deve ser a provável consequência: “o progresso tecnológico deixa de ser 
contestado”. Por isso, não cabe a expressão “nem por isso”. Essa expressão 
necessita de uma oração inicial com algo negativo, para, em seguida, iniciar 
uma oração coordenada sindética conclusiva, e o vocábulo “nem” ratificaria o 
uso dessa negação. 
 Assim, houve problema na estrutura. Nas outras orações, você poderia 
ter dúvida numa vírgula ou preposição, mas perceba que o problema desta 
alternativa é grave. Assim, é fácil já marcá-la como a errada. 
Gabarito: A 
 
Questão 38: TRF 1R - 2006 – Analista 
Está clara e correta a redação da seguinte frase: 
(A) Ficou tão evidente no texto o quanto Cuba é solidária que tem para isso 
uma notável vocação. 
(B) Onde a vocação de Cuba é realmente notável está no fator de sua 
incontestável solidariedade. 
(C) Amplamente vocacionada para tanto, Cuba também já demonstrou, ainda 
assim, o quanto é solidária. 
(D) Cuba já demonstrou, sobejamente, o quanto é vocacionada para o 
exercício da solidariedade. 
(E) Nunca faltou à solidariedade de Cuba a vocação para se mostrar 
respectivamente notável nisso. 
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Comentário: A banca quer uma redação clara, coesa, sem rodeios ao que se 
afirma. Assim, devemos retirar as palavras desnecessárias ou inadequadas. 
Veja: 
 Na alternativa (A), basta retirar o “que”, pois há clara ideia de adição: 
Ficou tão evidente no texto o quanto Cuba é solidária e tem para isso uma 
notável vocação. 
 Na alternativa (B), a palavra “onde” só cabe a lugar, a expressão “no 
fator de” está a mais e não transmite coesão no contexto, por isso foi retirada. 
A vocação de Cuba é realmente notável na sua incontestável solidariedade. 
 Na alternativa (C), a palavra denotativa de adição “também” necessita 
de uma referência a um outro termo anteriormente dito; além disso, a locução 
conjuntiva “ainda assim” está em excesso, sem fundamento gramatical. 
Amplamente vocacionada para tanto, Cuba já demonstrou o quanto é 
solidária. 
 A alternativa (D) é a correta, porque expressa de forma clara a 
informação e respeita os princípios gramaticais. Veja que “sobejamente” 
significa “bastante, muito”; por isso, cabe no contexto. 
Cuba já demonstrou, sobejamente, o quanto é vocacionada para o exercício 
da solidariedade. 
 Na alternativa (E), o problema é o advérbio “respectivamente”. Ele deve 
ser retirado, porque não há uma sequência nesta informação. 
Nunca faltou à solidariedade de Cuba a vocação para se mostrar notável nisso. 
Gabarito: D 
 
Questão 39: TRT 14 R - 2011 – Analista 
É preciso corrigir, devido à má estruturação, a redação da seguinte frase: 
(A) Não se sabe a quem ocorreu a ideia, umavez que condomínios de luxo 
certamente não combinam com sucata, de que usaram como base de 
anúncio. 
(B) Alguém, num momento infeliz, teve a lamentável ideia de usar carros 
velhos como suporte de propaganda para a venda de imóveis de luxo. 
(C) Definitivamente, quem procura imóvel com espaço gourmet ou depósito 
de vinho individual não se deixará atrair pela propaganda apoiada num 
velho Opala de cor berrante. 
(D) Os homens-placa ficam ensanduichados entre tábuas ou pranchas de 
metal, transportando-as pelas ruas reduzidos à condições de suporte. 
(E) Sensibilizou-se o autor do texto com a condição humilhante desses 
homens e mulheres-placa, tratados como se fossem coisas, destituídos de 
sua humanidade. 
Comentário: Houve dois problemas nesta questão. Tanto a alternativa (A) 
está errada, quanto a (D). Veja: 
 (A): O problema aqui é a regência verbal. Veja que a oração 
subordinada adjetiva explicativa “de que usaram como base de anúncio” 
possui o verbo transitivo direto “usaram” (alguém usa algo). O seu sujeito 
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contextualmente poderia ser elíptico retomando “alguém”, expresso em 
oração anterior; mas, dada a ideia de generalização desta palavra, cabe a 
indeterminação do sujeito, com esse verbo no plural. Por isso a flexão deste 
verbo está correta. A expressão “como base de anúncio” é adjunto adverbial 
de modo e a expressão “de que” deve perder a preposição “de”, pois há, na 
realidade, o objeto direto (usaram sucata como base do anúncio). 
 A (B) está correta. Veja a dupla vírgula marcando a intercalação de 
adjunto adverbial de tempo. 
 A (C) está correta. Veja que a vírgula após “Definitivamente” ocorreu 
por antecipação de um adjunto adverbial de certeza (de pequena extensão, 
por isso a vírgula é facultativa). 
 Na (D), o problema é a crase “à” antes do substantivo plural 
“condições”. Quanto a isso, não há dúvida; há erro gramatical. Portanto, esta 
é outra alternativa errada. 
 Na (E), note a concordância e a vírgula usadas corretamente. 
 Por isso, a questão foi anulada. 
Gabarito: Anulada 
 
Questão 40: TRT 24ªR 2003 Analista 
A má redação tornou incoerente a seguinte frase: 
(A) Embora seja compreendido e falado por uma minoria, o nheengatu tem o 
direito de ser preservado como uma língua de uso, não podendo ser 
abolido por decreto. 
(B) Em virtude de ser compreendido e falado por uma minoria, o nheengatu 
deveria ser visto como prova da resistência de uma cultura, e não como 
ameaça social. 
(C) A menos que o nheengatu fosse compreendido e falado por poucas 
pessoas, tampouco poderia ser analisado como um fato cultural de 
relevância. 
(D) Ainda que o nheengatu fosse compreendido e falado por poucas centenas 
de pessoas, isso não deixaria de constituir um fato de relevância cultural. 
(E) Muito embora seja compreendido e falado por uma pequena minoria, o 
nheengatu não deixa de ter um significativo valor cultural. 
Comentário: Vamos direto à alternativa incorreta. Perceba que o conectivo 
“tampouco” liga orações coordenadas aditivas, em que obrigatoriamente haja 
uma negação na oração anterior (coordenada inicial). Note que a oração 
anterior a este conectivo é subordinada adverbial condicional. O que se espera 
é em seguida uma oração principal, sem conjunção. Assim, podemos 
consertar a oração retirando o conectivo “tampouco”: 
A menos que o nheengatu fosse compreendido e falado por poucas pessoas, 
poderia ser analisado como um fato cultural de relevância. 
Gabarito: C 
 
Questões cumulativas (REVISÃO) 
 
Questão 41: TRT19ªR 2008 Analista 
Está inteiramente adequada a pontuação da seguinte frase: 
(A) Quem cuida da saúde, conta com os recursos do corpo, já quem cultiva 
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uma amizade, conta com o conforto moral. 
(B) No que me diz respeito, não me interessam os amigos de ocasião: prezo 
apenas os verdadeiros, os que me apoiam incondicionalmente. 
(C) De que pode valer, gozarmos um momento de felicidade, se não dispomos 
de alguém, a quem possamos estendê-la? 
(D) Confio sempre num amigo; pois minha confiança nele, certamente será 
retribuída com sua confiança em mim. 
(E) São essas enfim, minhas razões para louvar a amizade: diga-me você 
agora quais as suas? 
Comentário: As frases estarão abaixo reescritas já com a correção. 
 Na alternativa (A), observe que os sujeitos do verbo “conta” nas duas 
ocorrências são “Quem cuida da saúde” e “quem cultiva uma amizade”; por 
isso as vírgulas entre estes termos estão erradas. A vírgula antes do advérbio 
“já” está correta, pois separa duas estruturas coordenadas adversativas. 
Quem cuida da saúde conta com os recursos do corpo, já quem cultiva uma 
amizade conta com o conforto moral. 
 A alternativa (B) é a correta, pois há uma estrutura adverbial 
antecipada, composta de preposição “em”, pronome demonstrativo reduzido 
“o” (“no”) e oração subordinada adjetiva restritiva “que me diz respeito”. Por 
isso a vírgula é obrigatória. Os dois-pontos assinalam uma explicação. A 
vírgula após “verdadeiros” ocorreu para assinalar que o pronome 
demonstrativo reduzido “os”, seguido da oração subordinada adjetiva 
restritiva “que me apoiam incondicionalmente” é um aposto, o qual amplia o 
termo “os verdadeiros”. 
No que me diz respeito, não me interessam os amigos de ocasião: prezo 
apenas os verdadeiros, os que me apoiam incondicionalmente. 
 Na alternativa (C), a oração “gozarmos um momento de felicidade” é 
uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo, e sua 
oração principal é “De que pode valer”. Assim, não pode haver vírgula entre 
essas orações. Note que a oração principal possui a locução verbal “pode 
valer”, a qual é entendida como transitiva indireta e seu objeto indireto é “de 
que”; por isso toda a oração já apontada é o sujeito. A vírgula antes da 
conjunção “se” é facultativa, pois inicia uma oração subordinada adverbial 
condicional (“se não dispomos de alguém”), a qual se encontra após a oração 
principal. Note que a oração “a quem possamos estendê-la” é subordinada 
adjetiva. Ela se encontra antecipada de vírgula, o que não é coerente, pois o 
termo a ser caracterizado é um pronome indefinido (“alguém”). Termos 
generalizantes como este devem ser restringidos pela oração adjetiva e não 
explicados. Por isso, o ideal é a retirada da vírgula. 
De que pode valer gozarmos um momento de felicidade, se não dispomos 
de alguém a quem possamos estendê-la? 
 Na alternativa (D), o vício nesta frase está em não se inserir uma vírgula 
após o advérbio “certamente”. Esse advérbio, por se entender de pequena 
extensão, pode ficar entre vírgulas ou sem qualquer vírgula, o que não se 
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admite é a forma como está na questão: apenas com uma. O ponto e vírgula 
está corretamente inserido, pois divide as orações coordenadas, sendo que 
uma delas (a explicativa) já se encontra com vírgulas internas. 
Confio sempre num amigo; pois minha confiança nele, certamente, será 
retribuída com sua confiança em mim. 
 Na alternativa (E), a palavra denotativa “enfim” funciona como 
conjunção coordenativa conclusiva deslocada; por isso deve ficar entre 
vírgulas. Os dois-pontos muito raramente são utilizados para expressar 
conclusão, mas a norma culta aceita; por isso seu uso é lícito nesta frase. 
(E) São essas, enfim, minhas razões para louvar a amizade: diga-me você 
agora quais as suas? 
Gabarito: B 
 
Questão 42: TRT 21ªR 2003 Analista 
Está inteiramente correta a pontuação do seguinte período:(A) Os romeiros temendo que o barquinho não suportasse a correnteza, que 
era forte naquele trecho do rio passaram a rezar, evitando de qualquer 
modo o mínimo movimento do corpo. 
(B) Se é certo que Deus ajuda – pensavam os romeiros, não custa facilitar as 
coisas para Ele, razão por que buscavam: não fazer o mínimo movimento 
– enquanto atravessam o rio de forte correnteza. 
(C) Um ato de fé – como o daqueles romeiros atravessando o rio de forte 
correnteza – não dispensa em todo caso, que se tomem providências 
facilitando-se assim, as coisas, para a Providência divina. 
(D) Entre o temor e a fé, dividiam-se os romeiros, pois a confiança na 
Providência divina não os eximia de se comportarem, com muita cautela, 
enquanto estavam na perigosa correnteza do rio. 
(E) Nem mesmo a fé em Deus dispensou os romeiros, preocupados que 
estavam com a força da correnteza do rio, de tomar providências práticas 
para que o barquinho, em sua fragilidade, não viesse a naufragar. 
Comentário: 
a) Os romeiros, temendo que o barquinho não suportasse a correnteza, que 
era forte naquele trecho do rio, passaram a rezar, evitando de qualquer 
modo o mínimo movimento do corpo. 
 A oração principal1 está intercalada de uma estrutura adverbial2, 
substantiva3 e adjetiva4. Assim, a oração subordinada adverbial causal 
reduzida de gerúndio2 “Temendo” é seguida de uma oração subordinada 
substantiva objetiva direta3 “que o barquinho não suportasse a correnteza”. 
Note, então, que entre essas duas orações (2 e 3) não poderá haver vírgula. A 
oração subordinada adjetiva explicativa4 “que era forte naquele trecho do rio” 
deve ser separada por vírgulas, por isso esta pontuação após “correnteza” 
1 2 3 4 
1 5 
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está certa e deve ser inserida vírgula após “rio”. Esta última vírgula tem dupla 
função: fechar a vírgula que foi iniciada na oração subordinada adjetiva 
explicativa4 e fechar a vírgula que iniciou toda a estrutura adverbial antes de 
“temendo”2,3,4. 
 A expressão “de qualquer modo” é uma locução adverbial de modo e 
poderia vir separada por dupla vírgula. Como se pode entendê-la como de 
pequena extensão, a dupla vírgula é facultativa. 
 
b) Se é certo que Deus ajuda – pensavam os romeiros –, não custa facilitar as 
coisas para Ele, razão por que buscavam: não fazer o mínimo movimento 
enquanto atravessam o rio de forte correnteza. 
 A vírgula antes do advérbio “não” ocorre porque há antecipação de 
oração subordinada adverbial condicional1, seguida de oração subordinada 
substantiva subjetiva2 e do comentário do autor3. Entre 1 e 2 não poderá 
haver vírgula porque oração substantiva não pode ser precedida de vírgula. A 
expressão “pensavam os romeiros” é o comentário do autor, chamada 
também de expressão intercalada ou parentética. Este último nome é dado 
porque a expressão pode ser intercalada por dupla vírgula, duplo travessão ou 
parênteses (daí o nome). Por isso há necessidade de um travessão após 
“romeiros”, fechando o elemento intercalado. 
 A oração “não custa” é principal4 e “facilitar as coisas para Ele” é a 
oração subordinada substantiva subjetiva5, por isso entre 4 e 5 não poderá 
haver separação por vírgula. 
 O substantivo “razão” é o aposto explicativo6, por isso vem precedido de 
vírgula. A oração “por que buscavam” é subordinada adjetiva restritiva7, por 
isso não vem precedida de vírgula, serve para caracterizar o substantivo 
“razão”. Note nesta oração que o verbo “buscavam” é transitivo direto e seu 
objeto direto é a oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de 
infinitivo8 “não fazer nenhum movimento”, então não pode haver a separação 
por dois-pontos. 
 A oração “enquanto atravessam o rio de forte correnteza” é subordinada 
adverbial temporal9. Como se encontra após sua oração principal, a vírgula 
antes da conjunção “enquanto” é facultativa. 
c) Um ato de fé – como o daqueles romeiros atravessando o rio de forte 
correnteza – não dispensa, em todo caso, que se tomem providências 
facilitando-se, assim, as coisas, para a Providência divina. 
 A ideia principal “Um ato de fé não dispensa que se tomem 
providências” não deve ser separada por vírgula, pois segue a estrutura SVO. 
Porém a expressão “como o daqueles romeiros atravessando o rio de forte 
correnteza” pode ser entendida como comentário do autor e o duplo travessão 
foi acertadamente utilizado. Já a locução adverbial “em todo caso” é de 
pequena extensão e pode ou não ser separada por vírgulas. Assim, o erro está 
em apenas se fechar esta locução com vírgula. Ou não se insere nenhuma 
vírgula, ou se colocam duas: uma antes desta locução e outra depois. 
1 2 3 4 5 
6 7 8 
9 
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 A inserção de vírgula antes da oração reduzida de gerúndio “facilitando-
se, assim, as coisas” não é de rigor, mas traduz mais clareza no texto. Por 
isso sua falta não implica erro gramatical. Mas, como a conjunção 
coordenativa conclusiva “assim” está deslocada, deve-se separá-la por dupla 
vírgula. 
 A expressão “para a Providência divina” é o objeto indireto do verbo 
transitivo direto e indireto “facilitando”, por isso a vírgula que a precede deve 
ser retirada. Do contrário, haveria vírgula entre sujeito paciente “as coisas“ e 
esse objeto indireto. Note que o “se” é o pronome apassivador, fazendo com 
que não haja objeto direto, e sim, sujeito paciente. 
d) Entre o temor e a fé, dividiam-se os romeiros, pois a confiança na 
Providência divina não os eximia de se comportarem, com muita cautela, 
enquanto estavam na perigosa correnteza do rio. 
 À primeira leitura, poder-se-ia entender esta frase como correta 
gramaticalmente. Mas, ao verificar a alternativa E, perceber-se-ia que esta 
ainda está errada. A única vírgula errada é a que separa o objeto indireto 
“Entre o temor e a fé” e seu verbo transitivo direto e indireto “dividiam”. É 
natural se pensar que é um adjunto adverbial, pois a expressão iniciada por 
“entre” normalmente ocupa esta função; porém se deve perceber a 
transitividade do verbo dividir (dividir algo em outros ou dividir algo entre 
outros). Note que não cabe a pergunta “onde”, isso nos dá a certeza de que 
não há adjunto adverbial de lugar. Por isso a vírgula está errada. 
 A vírgula antes da conjunção “pois” normalmente ocorre, pois há oração 
coordenada sindética explicativa. A dupla vírgula separando o adjunto 
adverbial de modo “com muita cautela” não é de rigor, mas pode ser utilizada, 
pois se entende como adjunto adverbial de pequena extensão. 
 
e) Nem mesmo a fé em Deus dispensou os romeiros, preocupados que 
estavam com a força da correnteza do rio, de tomar providências práticas 
para que o barquinho, em sua fragilidade, não viesse a naufragar. 
 Observemos a estrutura básica em negrito: a oração 1 é a principal, a 3 
é a subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo e a 4 é a 
oração subordinada adverbial de finalidade. Note que poderia haver vírgula 
antes da locução conjuntiva “para que”, pois a oração adverbial encontra-se 
após a oração principal, assim a vírgula é facultativa. Note que a oração 2 é 
uma subordinada adjetiva explicativa; por isso a dupla vírgula é obrigatória. 
Note que, por estilo, o autor fez a inversão, deixando o pronome relativo 
“que” após o nome “preocupados”. Além disso, perceba que a expressão “em 
sua fragilidade” é uma locução adverbial intercalada, por isso está entre 
vírgulas. 
Gabarito: E 
 
 
 
1 
3 
4 
2 
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Questão 43: TRT 17ªR -2004 – Analista 
Justificam-se inteiramente ambas as ocorrências do sinal de crase em: 
(A) Os que têm pleno acesso àquilo que oferece a cesta de bens e serviços 
devem considerar-se à margem da pobreza. 
(B) Quem atribui um valor monetário à essa cesta de bens e serviços está-se 
habilitando à definir uma linha de pobreza. 
(C) Não falta, à maioria das pessoas, uma definição de pobreza; o que falta à 
uma boa definição é o rigor de um bom critério. 
(D) Há quem recrimine à cultura da subsistência, imputando-lhe à 
responsabilidade pelo mascaramento da real situação de miséria de 
muitos brasileiros. 
(E) Os que têm proventos inferiores à quantia necessária para a aquisição 
dessa cesta deixam de atender à todas as suas necessidades básicas. 
Comentário: Cada alternativa será comentada e em seguida será reescrita a 
frase já com a correção em negrito. 
A alternativa (A) é a correta, pois “acesso” rege preposição “a”, a qual se 
junta ao pronome demonstrativo “aquilo”; por isso ocorre crase. A locução 
adverbial de modo “à margem da pobreza” possui estrutura interna com 
preposição “a” seguida de artigo “a” admitido pelo substantivo feminino 
“margem”. Por isso, os dois sinais indicativos de crase estão corretos. 
Na alternativa (B), o pronome demonstrativo “essa” não admite artigo, nem 
verbo admite ser antecedido por artigo “a”; por isso não há crase. 
Quem atribui um valor monetário a essa cesta de bens e serviços está-se 
habilitando a definir uma linha de pobreza. 
Na alternativa (C), desprezando-se a dupla vírgula separando o objeto indireto 
“à maioria das pessoas”, que é um erro agudo (mas aqui não se pode contar 
como erro, porque a questão trata apenas de crase); o verbo “falta” exige 
preposição “a” e o substantivo “maioria” admite artigo “a”; por isso há crase. 
O erro está a seguir; pois o verbo “falta” é transitivo indireto e exige o objeto 
indireto “a uma boa definição”. Como há artigo indefinido “uma”, não há 
artigo “a”, consequentemente, não pode haver crase. 
Não falta, à maioria das pessoas, uma definição de pobreza; o que falta a uma 
boa definição é o rigor de um bom critério. 
Na alternativa (D), o verbo “recrimine” é transitivo direto; assim o objeto 
direto “a cultura da subsistência” não admite preposição “a” e não pode 
receber crase. O verbo “imputando” é transitivo direto e indireto. Seu objeto 
indireto é “lhe”, e “a responsabilidade” é o objeto direto, o qual não é 
precedido por preposição “a”; por isso não há crase. 
Há quem recrimine a cultura da subsistência, imputando-lhe a 
responsabilidade pelo mascaramento da real situação de miséria de muitos 
brasileiros. 
Na alternativa (E), “inferiores” rege preposição “a” e “quantia” admite artigo 
“a”, por isso há crase. O verbo “atender” é transitivo indireto, exigindo 
preposição “a”, porém o pronome “todas” não admite ser antecipado por 
artigo “as”. Logo, não há crase. 
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Os que têm proventos inferiores à quantia necessária para a aquisição dessa 
cesta deixam de atender a todas as suas necessidades básicas. 
Gabarito: A 
 
Questão 44: BAHIA GÁS - 2010 – Analista 
Os mitos nos acompanham ao longo do tempo, por isso é preciso dar aos 
mitos a atenção que requerem. Porque haveremos de tratar os mitos como se 
fossem embustes, em vez de reconhecer nos mitos a simbologia inspiradora? 
Evitam-se as viciosas repetições do texto acima substituindo-se os elementos 
sublinhados, respectivamente, por: 
(A) dar-lhes os tratar neles reconhecer 
(B) dar-lhes tratar-lhes reconhecê-los 
(C) dá-los os tratar lhes reconhecer 
(D) lhes dar tratar a eles os reconhecer 
(E) dar a eles lhes tratar reconhecer neles 
Comentário: O verbo “dar” é transitivo direto e indireto. A expressão “a 
atenção” é o objeto direto e “aos mitos” é o objeto indireto. Assim, só cabe 
“lhes”. Com isso, eliminamos a alternativa (C). 
 O verbo “tratar” é transitivo direto, logo “os mitos” é o objeto direto, 
cabendo o pronome “os”. Com isso, eliminamos as alternativas (B), (D) e (E). 
 Agora, já sabemos que a alternativa correta é a (A), mas devemos 
confirmar. 
 O verbo “reconhecer” é transitivo indireto e “nos mitos” é o objeto 
indireto; cabe o pronome oblíquo tônico com preposição “em”: “neles”. 
Gabarito: A 
 
Questão 45: BB DF - 2006 - Escriturário 
Verbos do texto foram empregados em novas frases. A que se apresenta 
totalmente em conformidade com a norma padrão escrita é: 
(A) Com a invasão do europeu, afetou-se, de maneira evidente, muitas 
práticas tradicionais dos povos indígenas. 
(B) Trata-se de relações complexas, essas que são estabelecidas entre povos 
de culturas distintas. 
(C) Se você ver a colonização da América com o distanciamento que uma 
análise objetiva exige, muitos aspectos obscuros se esclarecerão. 
(D) Seria uma grande conquista se conseguíssemos que fosse reconstituído, 
pela ação dos antropólogos, os mais relevantes aspectos da cultura 
soterrada. 
(E) Eles evitaram inúmeras vezes abandonarem o sítio arqueológico, mas 
acabaram por fazê-lo. 
Comentário: Seguem abaixo as frases já corrigidas: 
Na alternativa (A), o verbo “afetou” é transitivo direto, “se” é pronome 
apassivador e o sujeito é “muitas práticas tradicionais dos povos indígenas”; 
por isso o verbo deve ser flexionado no plural: 
Com a invasão do europeu, afetaram-se, de maneira evidente, muitas 
práticas tradicionais dos povos indígenas. 
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A alternativa (B) é a correta, pois o verbo “Trata” é transitivo indireto e possui 
o índice de indeterminação do sujeito, por isso só pode se flexionar no 
singular. 
Trata-se de relações complexas, essas que são estabelecidas entre povos de 
culturas distintas. 
O erro da alternativa (C) é a flexão do verbo “ver” no futuro do subjuntivo. O 
correto é “vir”: 
Se você vir a colonização da América com o distanciamento que uma análise 
objetiva exige, muitos aspectos obscuros se esclarecerão. 
O erro na alternativa (D) é a locução verbal não realizar a concordância com o 
seu sujeito no plural: 
Seria uma grande conquista se conseguíssemos que fossem reconstituídos, 
pela ação dos antropólogos, os mais relevantes aspectos da cultura soterrada. 
O erro na alternativa (E) foi a flexão do infinitivo. Esse verbo é impessoal e 
não se refere ao sujeito da primeira oração “Eles”: 
Eles evitaram inúmeras vezes abandonar o sítio arqueológico, mas acabaram 
por fazê-lo. 
Gabarito: B 
 
Questão 46: TRT 24ªR - 2006 – Analista 
Na frase No entanto, mesmo com a multiplicação das instituições, não 
conhecemos nenhuma época histórica que não tenha sido marcada por 
conflitos, o segmento sublinhado pode ser corretamente substituído, sem 
prejuízo para o sentido, por: 
(A) Ainda assim, contando com a 
(B) Porém, ainda que houvesse a 
(C) Apesar disso, pelo fato de haver a 
(D) Todavia, apesar da 
(E) Por conseguinte, a despeito da 
Comentário: Veja que “No entanto” é conjunção coordenada adversativa. Por 
isso só cabe as alternativas (B) e (D). A outra estrutura é adverbial 
concessiva, por isso cabem as locuções “ainda que” ou “apesar da”. Com a 
inserção da oração “ainda que houvesse a...”, o verbo desta oração está no 
pretérito imperfeito do subjuntivo (houvesse) e levaria o verbo da outra 
oração para o futuro do pretérito do indicativo (conheceríamos). Porém, ele 
está no presente do indicativo (conhecemos). Isso indica que esta estrutura 
adverbial deve ser um adjunto adverbial e não uma oração. Por isso, cabe 
“apesar da”. 
Gabarito: D 
 
Questão 47: TRE PE 2011 Técnico 
Leia atentamente as afirmações a seguir. 
I. Essas qualidades contraditóriasfazem seu gênio ... 
 Substituindo-se o segmento grifado acima por Esse conjunto de 
qualidades contraditórias, o verbo fazer pode ser mantido no plural 
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sem prejuízo para a concordância verbal. 
II. ... Delacroix, o criador de antíteses coloridas tão sonoras quanto as da 
poesia de Victor Hugo. 
 Respeitando-se a concordância verbal e, em linhas gerais, o sentido, o 
segmento grifado acima pode ser assim reescrito: quanto as que 
costumam haver na poesia de Victor Hugo. 
III. Cézanne admira a maestria plástica de Rubens ... 
 Mantém-se o respeito à concordância verbal e, em linhas gerais, ao 
sentido caso a frase acima seja assim reescrita: Cézanne admira as 
obras em que se revela a maestria plástica de Rubens. 
Está correto SOMENTE o que se afirma em 
(A) I e III. (B) II e III. (C) I. (D) III. (E) I e II. 
Comentário: O tópico I está errado, porque, com a substituição, o núcleo do 
sujeito (“conjunto”) faria com que o verbo “fazer” fosse flexionado no 
singular, e não no plural, como foi afirmado. Veja: 
Esse conjunto de qualidades contraditórias faz seu gênio... 
 Com isso, podemos eliminar as alternativas (A), (C) e (E). 
 O tópico II está errado, pois, na locução verbal “costumam haver”, o 
verbo “haver” é o principal e está sendo empregado no sentido de “existir”. 
Assim, não há sujeito e esta locução verbal deve se flexionar no singular. 
Veja: 
... Delacroix, o criador de antíteses coloridas tão sonoras quanto as que 
costuma haver na poesia de Victor Hugo. 
 O tópico III está correto. Quanto ao sentido, subentende-se que “a 
maestria plástica”, em sentido figurado, representa as obras relacionadas a 
Rubens. Assim, essa maestria é revelada nessas obras. Por isso, de maneira 
geral, preserva-se o sentido. 
 Quanto à concordância verbal, perceba que o verbo “admira” está 
corretamente flexionado no singular, concordando com “Cézanne”. O verbo 
“revela” é transitivo direto, o pronome “se” é apassivador e o sujeito paciente 
“a maestria plástica de Rubens” está no singular, forçando este verbo ao 
singular. 
Gabarito: D 
 
Questão 48: TRE – RN 2011 – Técnico Judiciário 
O clima pouco favorável ao cultivo da cana levou a atividade econômica para a 
pecuária. 
O mesmo tipo de regência nominal que se observa acima ocorre no segmento 
também grifado em: 
(A) O litoral oriental compõe o Polo Costa das Dunas − com belas praias, 
falésias, dunas e o maior cajueiro do mundo... 
(B) Os 410 quilômetros de praias garantem um lugar especial para o turismo 
na economia estadual. 
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(C) A ocupação portuguesa só se efetivou no final do século, com a fundação 
do Forte dos Reis Magos e da Vila de Natal. 
(D) Em Caicó há vários açudes e formações rochosas naturais que desafiam a 
imaginação do homem. 
(E) Em Santa Cruz, a subida ao Monte Carmelo desvenda toda a beleza do 
sertão potiguar ... 
Comentário: Primeiro, é bom lembrar o que é a regência nominal: é um 
substantivo abstrato, um adjetivo ou um advérbio que exigem um 
complemento nominal. 
 Podemos normalmente fazer uma associação com a regência verbal, em 
que um verbo exige o complemento verbal. Vou inventar um exemplo!!! 
 A expressão “leitura do livro” possui o termo paciente “do livro” por ser 
complemento nominal do substantivo abstrato “leitura”. Veja: 
 ler o livro leitura do livro 
 VTD + OD (termo paciente) nome + CN (termo paciente) 
 (regência verbal) (regência nominal) 
 Agora, compare com a estrutura “leitura do aluno”. 
 O termo “do aluno” é apenas o adjunto adnominal, pois é um termo 
agente. Veja: 
 O aluno lê leitura do aluno 
 sujeito + VTD nome + adjunto adnominal 
 (termo agente) (termo agente) 
 
 Vale lembrar que, quando há adjetivo ou advérbio, não há necessidade 
de verificação se o termo preposicionado é agente ou paciente, pois não pode 
haver adjunto adnominal dessas palavras. 
 Agora, vamos à questão: 
 No segmento “favorável ao cultivo da cana”, há dois complementos 
nominais: o adjetivo “favorável” exigiu o complemento nominal “ao cultivo”, e 
o substantivo abstrato “cultivo” exigiu o complemento nominal “da cana”. Veja 
que o substantivo abstrato é gerado do verbo “cultivar” (cultivar a cana). 
Como “a cana” é o complemento verbal de “cultivar”, na transformação desse 
verbo em substantivo abstrato, esse complemento passa a ser nominal: 
cultivo da cana. Veja: 
 cultivar a cana cultivo da cana 
 VTD + OD (termo paciente) nome + CN (termo paciente) 
 (regência verbal) (regência nominal) 
 A alternativa (C) é a correta, pois a expressão “fundação do Forte dos 
Reis Magos e da Vila de Natal” possui o termo paciente “do Forte dos Reis 
Magos e da Vila de Natal” por ser complemento nominal do substantivo 
abstrato “fundação”. Veja: 
 fundar Forte dos Reis Magos e a Vila de Natal (regência verbal) 
 VTD + objeto direto (termo paciente) 
 
fundação Forte dos Reis Magos e a Vila de Natal (regência nominal) 
 nome + complemento nominal (termo paciente) 
 
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 Na alternativa (A), o substantivo “Polo” está sendo determinado pelo 
aposto especificativo “Costa das Dunas”. Este aposto é utilizado para dar 
nome às coisas. Assim, não há regência nominal. 
 Na alternativa (B), o termo “de praias” é o adjunto adnominal do 
substantivo “quilômetros”, pois o restringe. Assim, também não há regência 
nominal. 
Na alternativa (D), o termo “do homem” é o adjunto adnominal do 
substantivo “imagem”, pois o restringe. Assim, também não há regência 
nominal. 
Na alternativa (E), o termo “do sertão potiguar” é o adjunto adnominal 
do substantivo “beleza”, pois o restringe. Assim, também não há regência 
nominal. 
Gabarito: C 
 
 Chegamos ao fim de mais uma aula, pessoal! 
 Na próxima semana, haverá nossa última aula com provas comentadas; 
mas ainda vou enviar aulas-extras, com mais provas, para que vocês possam 
ter a noção geral da prova e praticar bastante. 
 
 Lembre-se: o entusiasmo com o qual começamos o curso deve ser o 
mesmo agora em seu término. Então, motive-se sempre, estude muito!!!! 
Abraço! 
Terror 
 
Lista de questões 
 
TRT 17ª R - 2004 - Analista 
Pobreza e indigência 
 Como se quantifica o número de pobres existentes no Brasil? É 
necessário, em primeiro lugar, definir o que é um pobre. Pouca gente teria 
dificuldade em dar sua própria definição. Provavelmente a maioria diria que os 
pobres são aqueles que ganham mal e têm pouco ou nenhum patrimônio. São 
as pessoas que pedem dinheiro nas ruas ou vivem de trabalhos precários. 
Embora suficiente para conversas informais sobre o assunto, trata-se de 
definição muito imprecisa. Um exemplo: como qualificar empregadas 
domésticas que trabalham em casas de famílias ricas de São Paulo, Porto 
Alegre ou Rio de Janeiro? Em comparação com os patrões, é razoável 
imaginar que elas sejam consideradas pobres, mas em comparação com um 
miserável do interior do Nordeste, que passa fome durante vários meses do 
ano, certamente isso não seria verdade. 
 Para que a discussão sobre o tema possa ser feita em bases mais 
sólidas, é vital avançar para uma definição mais rigorosa. Na maioria dos 
trabalhos acadêmicos, a contagem dos pobres é realizada da seguinte forma: 
admite-se, em primeiro lugar, uma cesta de bens e serviços (alimentos, 
transporte, moradia etc.) à qual todo mundo deveria ter acessopara não ser 
considerado pobre. A seguir, atribui-se um valor monetário a essa cesta (que 
pode variar de região para região), também chamado de linha de pobreza. A 
partir daí, verifica-se quem tem renda superior ao valor da cesta (os que não 
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são pobres) e quem tem renda inferior (os que são pobres). É claro que 
aqueles com renda inferior não conseguem comprar todos os bens e serviços 
da cesta. Portanto, o número de pobres depende sempre da definição do que 
é a linha de pobreza. 
 O mesmo argumento vale para a linha de indigência. A cesta de bens 
inclui, nesse caso, apenas os alimentos mínimos necessários para que a 
pessoa permaneça viva, de acordo com os padrões da Organização Mundial da 
Saúde. Ou seja, teoricamente, quem está abaixo da linha de indigência não 
conseguiria sequer sobreviver – se o faz é porque complementa minimamente 
sua renda com esmolas ou algum tipo de cultura de subsistência, que 
representa um recurso adicional que não é levado em conta pelos 
pesquisadores. 
(André Lahóz. Revista VEJA, 15/05/2002) 
Questão 1: De acordo com o texto, uma quantificação objetiva do número de 
pobres no Brasil depende 
(A) de uma fixação criteriosa do que seja, exatamente, a linha de indigência. 
(B) da fixação do valor monetário de uma determinada cesta de bens e 
serviços. 
(C) dos padrões que venham a ser fixados pela Organização Mundial de 
Saúde. 
(D) dos critérios acadêmicos que permitem subestimar as diferenças 
regionais. 
(E) de pesquisas orientadas por diferentes critérios e metodologia. 
 
Questão 2: Considere as seguintes afirmações: 
I. A maioria das pessoas tem uma precária definição do que seja pobreza, 
precariedade que compromete o nível das pesquisas acadêmicas sobre o 
tema. 
II. O acesso ou falta de acesso a determinados bens e serviços é um critério 
pelo qual se identificam os que estão acima e os que estão abaixo da linha 
de pobreza. 
III. A linha de indigência é definida pelo acesso parcial de um indivíduo tanto 
aos bens como aos serviços considerados essenciais para o pleno 
exercício de sua cidadania. 
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em 
(A) I. 
(B) I e II. 
(C) II. 
(D) II e III. 
(E) III. 
 
Questão 3: No segundo parágrafo, a utilização das expressões em primeiro 
lugar, a seguir e a partir daí presta-se a descrever uma metodologia de 
trabalho baseada em 
(A) um alargamento de possibilidades. 
(B) uma concomitância de fatos. 
(C) uma série de alternativas. 
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(D) um encadeamento de operações. 
(E) uma sucessão de hipóteses. 
 
Questão 4: Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de 
uma expressão do texto em 
(A) embora suficiente = ainda que bastante 
(B) em bases mais sólidas = de modo mais especulativo 
(C) atribui-se um valor monetário = calcula-se a demanda 
(D) cultura de subsistência = hábitos da pobreza 
(E) recurso adicional = atribuição necessária 
 
Entre o fato e a notícia 
 A decantada objetividade jornalística tem, na verdade, duas faces: se de 
um lado toda notícia deve se prender originalmente a um fato cuja ocorrência 
seja inquestionável, por outro lado ela implica sempre uma dose de 
interpretação desse fato. O espaço concedido, o estilo empregado, o ângulo 
adotado, as ênfases (intencionais ou inconscientes), tudo isso traz para a 
matéria jornalística uma certa conformação subjetiva. Por isso, um dos 
requisitos do bom leitor de jornais ou revistas está na atenção que ele saiba 
dar não apenas ao fato relatado, mas ao modo como o foi. 
 Ao se transformar em linguagem, todo fato torna-se, também, um fato 
lingüístico; é com a linguagem que se produz uma notícia, é por meio de 
palavras que entramos em contato com a base de realidade de um 
acontecimento. Nesse sentido, não há, e nem pode haver, jornalismo 
inteiramente inocente, ainda quando se trate do mais honesto dos 
profissionais. Por isso, também o leitor deve recusar a ingênua credulidade de 
quem acha que uma notícia não é uma imagem construída, mas a 
materialidade mesma do fato ocorrido. 
(Celso de Oliveira) 
Questão 5: Ao afirmar, referindo-se à notícia jornalística, que todo fato 
torna-se, também, um fato lingüístico, o autor fornece um argumento para a 
seguinte tese: 
(A) É da realidade mesma de um fato que a matéria jornalística depende, se 
quiser ser inteiramente objetiva. 
(B) A ocorrência de um fato e a sua divulgação jornalística são realidades em 
si mesmas contraditórias. 
(C) O jornalismo competente é aquele em que a plena transparência da 
linguagem garante a transparência da realidade mesma do fato. 
(D) Cabe ao leitor, entre o fato gerador da notícia e o fato relatado, escolher 
de que lado está a verdade. 
(E) A leitura crítica não se prende apenas ao fato que gerou a notícia, mas à 
forma pela qual esta forçosamente o interpreta. 
 
Questão 6: Considere as seguintes afirmações: 
I. A expressão conformação subjetiva, no primeiro parágrafo, tem sentido 
vago, pois não há exemplos que a materializem. 
II. A frase não há, e nem pode haver, jornalismo inocente não é uma 
acusação moral, mas uma decorrência da tese central defendida pelo 
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autor do texto. 
III. A expressão ingênua credulidade, no segundo parágrafo, refere-se ao 
leitor que considera a notícia um espelho que reflete a verdade 
incontestável do fato. 
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em 
(A) I, II e III. 
(B) I e II, somente. 
(C) II e III, somente. 
(D) I e III, somente. 
(E) III, somente. 
 
TRT 18ª R – 2008 – Analista 
Viagem para fora 
 Há não tanto tempo assim, uma viagem de ônibus, sobretudo quando 
noturna, era a oportunidade para um passageiro ficar com o nariz na janela e, 
mesmo vendo pouco, ou nada, entreter-se com algumas luzes, talvez a lua, e 
certamente com os próprios pensamentos. A escuridão e o silêncio no interior 
do ônibus propiciavam um pequeno devaneio, a memória de alguma cena 
longínqua, uma reflexão qualquer. 
 Nos dias de hoje as pessoas não parecem dispostas a esse exercício 
mínimo de solidão. Não sei se a temem: sei que há dispositivos de toda 
espécie para não deixar um passageiro entregar-se ao curso das idéias e da 
imaginação pessoal. Há sempre um filme passando nos três ou quatro 
monitores de TV, estrategicamente dispostos no corredor. Em geral, é um 
filme ritmado pelo som de tiros, gritos, explosões. É também bastante 
possível que seu vizinho de poltrona prefira não assistir ao filme e deixar-se 
embalar pela música altíssima de seu fone de ouvido, que você também 
ouvirá, traduzida num chiado interminável, com direito a batidas mecânicas de 
algum sucesso pop. Inevitável, também, acompanhar a variedade dos toques 
personalizados dos celulares, que vão do latido de um cachorro à versão 
eletrônica de uma abertura sinfônica de Mozart. Claro que você também se 
inteirará dos detalhes da vida doméstica de muita gente: a senhora da frente 
pergunta pelo cardápio do jantar que a espera, enquanto o senhor logo atrás 
de você lamenta não ter incluído certos dados em seu último relatório. 
Quando o ônibus chega, enfim, ao destino, você desce tomado por um 
inexplicável cansaço. 
 Acho interessantes todas as conquistas da tecnologia da mídia moderna, 
mas prefiro desfrutar de uma a cada vez, e em momentos que eu escolho. 
Mas parece que a maioria das pessoas entrega-se gozosa e voluptuosamente 
a uma sobrecarga de estímulos áudio-visuais, evitando o rumo dos mudospensamentos e das imagens internas, sem luz. Ninguém mais gosta de ficar, 
por um tempo mínimo que seja, metido no seu canto, entretido consigo 
mesmo? Por que se deleitam todos com tantas engenhocas eletrônicas, numa 
viagem que poderia propiciar o prazer de uma pequena incursão íntima? Fica 
a impressão de que a vida interior das pessoas vem-se reduzindo na mesma 
proporção em que se expandem os recursos eletrônicos. 
(Thiago Solito da Cruz, inédito) 
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Questão 7: Considerando-se o sentido integral do texto, o título Viagem 
para fora representa 
(A) uma alusão à exterioridade dos apelos a que se entregam os passageiros. 
(B) um específico anseio que o autor alimenta a cada viagem de ônibus. 
(C) a nostalgia de excursões antigas, em que todos se solidarizavam. 
(D) a importância que o autor confere aos devaneios dos passageiros. 
(E) a ironia de quem não se deixa abalar por tumultuadas viagens de ônibus. 
 
Questão 8: Atente para as seguintes afirmações: 
I. No primeiro parágrafo, configura-se a tensão entre o desejo de 
recolhimento íntimo de um passageiro e a agitação de uma viagem 
noturna. 
II. No segundo parágrafo, o cruzamento de mensagens, em diferentes meios 
de comunicação, é considerado invasivo por quem preferiria entregar-se 
ao curso da imaginação pessoal. 
III. No terceiro parágrafo, o autor considera a possibilidade de os recursos da 
mídia eletrônica e o cultivo da vida serem usufruídos em tempos distintos. 
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em 
(A) I, II e III. 
(B) I e II, somente. 
(C) II e III, somente. 
(D) I e III, somente. 
(E) II, somente. 
 
Questão 9: O autor vale-se do emprego do pronome você, ao longo do 
segundo parágrafo, da mesma forma que esse pronome é empregado em: 
(A) Quando perguntei se você gostava de viajar, você titubeou, e não me 
respondeu. 
(B) Já sei a opinião dele acerca da mídia eletrônica; gostaria que você me 
dissesse, agora, qual a sua. 
(C) Não é aquele ou aquela passageira que me interessa; meus olhos não 
conseguem desviar-se de você. 
(D) Quando se está em meio a um tumulto, você não consegue concentrar-se 
em seus próprios pensamentos. 
(E) Espero que você não tenha se ofendido por eu lhe haver proposto que 
desligue o celular enquanto conversamos. 
 
Questão 10: O último período do texto retoma e arremata, conclusivamente, 
uma idéia que já se representara na seguinte passagem: 
(A) (...) há dispositivos de toda espécie para não deixar um passageiro 
entregar-se ao curso das idéias (...). 
(B) A escuridão e o silêncio no interior do ônibus propiciavam um pequeno 
devaneio (...). 
(C) Claro que você também se inteirará dos detalhes da vida doméstica de 
muita gente (...). 
(D) Quando o ônibus chega, enfim, ao destino, você desce tomado por um 
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inexplicável cansaço. 
(E) Há sempre um filme passando nos três ou quatro monitores de TV, 
estrategicamente dispostos no corredor. 
 
A amizade 
 Uma amizade verdadeira possui tão grandes vantagens que mal posso 
descrevê-las. Para começar, em que pode consistir uma “vida vivível” que não 
encontre descanso na afeição partilhada com um amigo? Que há de mais 
agradável que ter alguém a quem se ousa contar tudo como a si mesmo? De 
que seria feita a graça tão intensa de nossos sucessos, sem um ser para se 
alegrar com eles tanto quanto nós? E em relação a nossos reveses, seriam 
mais difíceis de suportar sem essa pessoa, para quem eles são ainda mais 
penosos que para nós mesmos. 
 Os outros privilégios da vida a que as pessoas aspiram só existem em 
função de uma única forma de utilização: as riquezas, para serem gastas; o 
poder, para ser cortejado; as honrarias, para suscitarem os elogios; os 
prazeres, para deles se obter satisfação; a saúde, para não termos de padecer 
a dor e podermos contar com os recursos de nosso corpo. 
 Quanto à amizade, ela contém uma série de possibilidades. Em qualquer 
direção a que a gente se volte, ela está lá, prestativa, jamais excluída de 
alguma situação, jamais importuna, jamais embaraçosa. Por isso, como diz o 
ditado, “nem a água nem o fogo nos são mais prestimosos que a amizade”. E 
aqui não se trata da amizade comum ou medíocre (que, no entanto, 
proporciona alguma satisfação e utilidade), mas da verdadeira, da perfeita, à 
qual venho me referindo. Pois a amizade torna mais maravilhosos os favores 
da vida, e mais leves, porque comunicados e partilhados, seus golpes mais 
duros. 
(Adaptado de Cícero, filósofo e jurista romano) 
Questão 11: Ao tratar da amizade verdadeira, Cícero dá um peso especial ao 
fato de que ela 
(A) é um privilégio desfrutado de uma forma única e exclusiva. 
(B) intensifica nossas conquistas e ameniza nossos infortúnios. 
(C) abre caminho para o exercício de um poder que todos desejamos. 
(D) produz honrarias que todos os amigos podem compartilhar. 
(E) afasta os padecimentos morais e multiplica as alegrias. 
 
Questão 12: No segundo parágrafo, os segmentos iniciados por as riquezas 
(...), as honrarias (...) e os prazeres (...) deixam subentendida a forma 
verbal: 
(A) aspiram. 
(B) contêm. 
(C) obtêm. 
(D) suscitam. 
(E) existem. 
 
Questão 13: Atente para as seguintes afirmações: 
I. A expressão nossos reveses (1° parágrafo) é empregada com sentido 
equivalente ao de golpes mais duros (3° parágrafo). 
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II. Em vez de podermos contar (2° parágrafo), o emprego da forma 
pudermos contar seria mais adequado à construção da frase. 
III. Os termos comunicados e partilhados (3° parágrafo) referem-se ao termo 
anterior favores. 
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e II. 
(E) II e III. 
 
Questão 14: Que há de mais agradável que ter alguém a quem se ousa 
contar tudo como a si mesmo? 
Pode-se substituir o segmento sublinhado na frase acima, sem prejuízo para o 
sentido, clareza e correção, por: 
(A) com a audácia de contar tudo para si mesmo? 
(B) que pode contar com si mesmo? 
(C) com a coragem de quem ousa contar tudo? 
(D) com força para contar tudo sobre si próprio? 
(E) para confidenciar, sem receio, tudo de si? 
 
TRE TO – 2011 – Analista 
Cartão de Natal 
 Pois que reinaugurando essa criança 
 pensam os homens 
 reinaugurar a sua vida 
 e começar novo caderno, 
 fresco como o pão do dia; 
 pois que nestes dias a aventura 
 parece em ponto de voo, e parece 
 que vão enfim poder 
 explodir suas sementes: 
 
 que desta vez não perca esse caderno 
 sua atração núbil para o dente; 
 que o entusiasmo conserve vivas 
 suas molas, 
 e possa enfim o ferro 
 comer a ferrugem 
 o sim comer o não. 
 João Cabral de Melo Neto 
Questão 15: No poema, João Cabral 
(A) critica o egoísmo, e manifesta o desejo de que na passagem do Natal as 
pessoas se tornem generosas e façam o sim comer o não. 
(B) demonstra a sua aversão às festividades natalinas, pois nestes dias a 
aventura parece em ponto de vôo, mas depois a rotina segue como 
sempre. 
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(C) critica a atração núbil para o dente daqueles que transformam o Natal em 
uma apologia ao consumo e se esquecem do seu caráter religioso. 
(D) observa com otimismo que o Natal é um momento de renovação em que 
os homens se transformam para melhor e fazem o ferro comer a 
ferrugem. 
(E)manifesta a esperança de que o Natal traga, de fato, uma transformação, 
e que, ao contrário de outros natais, seja possível começar novo caderno. 
 
Questão 16: É correto perceber no poema uma equivalência entre 
(A) ferrugem e aventura. 
(B) dente e entusiasmo. 
(C) caderno e vida. 
(D) sementes e pão do dia. 
(E) ferro e atração núbil. 
 
Questão 17: Pois que reinaugurando essa criança 
O segmento grifado acima pode ser substituído, no contexto, por: 
(A) Mesmo que estejam. 
(B) Apesar de estarem. 
(C) Ainda que estejam. 
(D) Como estão. 
(E) Mas estão. 
 
Questão 18: que desta vez não perca esse caderno 
Com a frase acima o poeta 
(A) alude a uma impossibilidade. 
(B) exprime um desejo. 
(C) demonstra estar confuso. 
(D) revela sua hesitação. 
(E) manifesta desconfiança. 
 
Assembleia Legislativa SP - 2010 - Analista 
 "Nenhum homem é uma ilha", escreveu o inglês John Donne em 1624, 
frase que atravessaria os séculos como um dos lugares-comuns mais citados 
de todos os tempos. Todo lugar-comum, porém, tem um alicerce na realidade 
ou nos sentimentos humanos – e esse não é exceção. Durante toda a história 
da espécie, a biologia e a cultura conspiraram juntas para que a vida humana 
adquirisse exatamente esse contorno, o de um continente, um relevo que se 
espraia, abraça e se interliga. 
 A vida moderna, porém, alterou-o de maneira drástica. Em certos 
aspectos partiu o continente humano em um arquipélago tão fragmentado que 
uma pessoa pode se sentir totalmente separada das demais. Vencer tal 
distância e se reunir aos outros, entretanto, é um dos nossos instintos 
básicos. E é a ele que atende um setor do mercado editorial que cresce a 
passos largos: o da autoajuda e, em particular, de uma autoajuda que se 
pode descrever como espiritual. Não porque tenha necessariamente 
tonalidades religiosas (embora elas, às vezes, sejam nítidas), mas porque se 
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dirige àquelas questões de alma que sempre atormentam os homens. Como a 
perda de uma pessoa querida, a rejeição ou o abandono, a dificuldade de 
conviver com os próprios defeitos e os alheios, o medo da velhice e da morte, 
conflitos com os pais e os filhos, a frustração com as aspirações que não se 
realizaram, a perplexidade diante do fim e a dúvida sobre o propósito da 
existência. Questões que, como séculos de filosofia já explicitaram, nem 
sempre têm solução clara – mas que são suportáveis quando se tem com 
quem dividir seu peso, e esmagadoras quando se está só. 
 As mudanças que conduziram a isso não são poucas nem sutis: na sua 
segunda metade, em particular, o século XX foi pródigo em abalos de 
natureza social que reconfiguraram o modo como vivemos. O campo, com 
suas relações próximas, foi trocado em massa pelas cidades, onde vigora o 
anonimato. As mulheres saíram de casa para o trabalho, e a instituição da 
"comadre" virtualmente desapareceu. Desmanchou-se também a ligação 
quase compulsória que se tinha com a religião, as famílias encolheram 
drasticamente não só em número de filhos mas também em sua extensão. A 
vida profissional se tornou terrivelmente competitiva, o que acrescenta 
ansiedade e reduz as chances de fazer amizades verdadeiras no local de 
trabalho. Também o celular e o computador fazem sua parte, aumentando o 
número de contatos de que se desfruta, mas reduzindo sua profundidade e 
qualidade. 
 Perdeu-se aquela vasta rede de segurança que, é certo, originava fofoca 
e intromissão, mas também implicava conselhos e experiência, valores sólidos 
e afeição desprendida, que não aumenta nem diminui em função do sucesso 
ou da beleza. Essa é a lacuna da vida moderna que a autoajuda vem se 
propondo a preencher: esse sentido de desconexão que faz com que em 
certas ocasiões cada um se sinta como uma ilha desgarrada do continente e 
sem meios de se reunir novamente a ele. 
(Isabela Boscov e Silvia Rogar. Veja, 2 de dezembro de 2009, 
pp. 141–143, com adaptações) 
Questão 19: A afirmativa inicial do texto significa, em outras palavras, que 
(A) o fato de uma pessoa se manter isolada das demais é um dos aspectos 
inerentes à natureza humana. 
(B) todos os homens podem usufruir, por decisão própria, situações de 
afastamento dos demais, à semelhança de uma ilha. 
(C) o sentimento coletivo transforma os homens num aglomerado de ilhas, 
como num arquipélago. 
(D) o isolamento entre os homens pode fazer parte de sua natureza, embora 
eles vivam em sociedade. 
(E) os homens são dependentes uns dos outros por natureza, distintos das 
ilhas, que são isoladas por definição. 
 
Questão 20: De acordo com o texto, 
(A) as mudanças sociais ocorridas no século XX alteraram o modo de vida das 
pessoas, permitindo maior aproximação entre elas. 
(B) a transformação de um mundo rural em uma sociedade urbana favoreceu 
o surgimento de uma rede de contatos pessoais mais próximos. 
(C) a ausência de um verdadeiro sentimento religioso induz as pessoas a uma 
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insatisfação que marca até mesmo as relações de trabalho na sociedade 
moderna. 
(D) a beleza e o sucesso pessoal passaram a ser mais importantes na vida 
moderna, em detrimento das relações de verdadeira e desinteressada 
afeição. 
(E) a vida moderna instituiu novos padrões e valores que regem a sociedade, 
aproximando os homens em torno de serviços oferecidos pelas cidades. 
 
Questão 21: Considerando-se o 2° parágrafo, está INCORRETO o que se 
afirma em: 
(A) O parágrafo se articula com o 1° por meio de uma ressalva, expressa por 
porém. 
(B) O segmento grifado em partiu o continente humano pode ser substituído 
por partiu-lhe. 
(C) Há relação de causa e consequência no segmento um arquipélago tão 
fragmentado que uma pessoa pode se sentir totalmente separada das 
demais. 
(D) Há nele enumeração de situações que exemplificam as questões de alma 
que sempre atormentam os homens. 
(E) Substituindo-se o segmento grifado em quando se está só por estamos, 
a palavra só deverá ir obrigatoriamente para o plural – sós. 
 
Questão 22: A expressão cujo sentido está corretamente transcrito, com 
outras palavras, é: 
(A) um alicerce na realidade = uma base na existência efetiva. 
(B) alterou-o de maneira drástica = substituiu-o paulatinamente. 
(C) um arquipélago tão fragmentado = ilhas de relevo acidentado. 
(D) foi pródigo em abalos de natureza social = permitiu algumas alterações na 
sociedade. 
(E) a ligação quase compulsória = uma convicção extrema. 
 
Questão 23: As mudanças que conduziram a isso não são poucas nem 
sutis... (3° parágrafo) 
A expressão grifada refere-se, corretamente, 
(A) às condições impostas tanto pela biologia quanto pela cultura ao modo de 
vida que se desenhou nos dias de hoje. 
(B) ao crescimento de um tipo de literatura que se difundiu pelo mundo todo, 
como alternativa à perda do antigo sentimento religioso. 
(C) à retomada do espírito de união que sempre caracterizou os agrupamentos 
humanos, com a consciência de que cada um é parte de um todo social. 
(D) às questões existenciais que se agravaram diante da percepção de 
isolamento existente nas contingências da vida moderna. 
(E) à certeza de que frases que se tornam repetitivas ao longo do tempo 
constituem a base da autoajuda, tão importante nos dias de hoje. 
 
Questão 24: E é a ele que atende um setor do mercado editorial que cresce a 
passos largos... (2° parágrafo) 
PORTUGUÊS P/ TST - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS) 
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O pronome grifado acima substitui corretamente, considerando-se o contexto, 
(A) umarquipélago fragmentado. 
(B) um relevo que se espraia. 
(C) um dos nossos instintos básicos. 
(D) um dos lugares-comuns mais citados de todos os tempos. 
(E) um setor de autoajuda do mercado editorial. 
 
DNOCS – 2010 Superior 
Texto: 
Cultura de massa e cultura popular 
 
 O poder econômico expansivo dos meios de comunicação parece ter 
abolido, em vários momentos e lugares, as manifestações da cultura popular, 
reduzindo-as à função de folclore para turismo. Tal é a penetração de certos 
programas de rádio e TV junto às classes pobres, tal é a aparência de 
modernização que cobre a vida do povo em todo o território brasileiro, que, à 
primeira vista, parece não ter sobrado mais nenhum espaço próprio para os 
modos de ser, pensar e falar, em suma, viver, tradicionais e populares. 
 A cultura de massa entra na casa do caboclo e do trabalhador da 
periferia, ocupando-lhe as horas de lazer em que poderia desenvolver alguma 
forma criativa de autoexpressão; eis o seu primeiro tento. Em outro plano, a 
cultura de massa aproveita-se dos aspectos diferenciados da vida popular e os 
explora sob a categoria de reportagem popularesca e de turismo. O 
vampirismo é assim duplo e crescente; destrói-se por dentro o tempo próprio 
da cultura popular e exibe-se, para consumo do telespectador, o que restou 
desse tempo, no artesanato, nas festas, nos ritos. Poderíamos, aqui, 
configurar com mais clareza uma relação de aparelhos econômicos industriais 
e comerciais que exploram, e a cultura popular, que é explorada. Não se 
pode, de resto, fugir à luta fundamental: é o capital à procura de matéria-
prima e de mão de obra para manipular, elaborar e vender. A macumba na 
televisão, a escola de samba no Carnaval estipendiado para o turista, são 
exemplos de conhecimento geral. 
 No entanto, a dialética é uma verdade mais séria do que supõe a nossa 
vã filosofia. A exploração, o uso abusivo que a cultura de massa faz das 
manifestações populares não foi ainda capaz de interromper para sempre o 
dinamismo lento, mas seguro e poderoso da vida arcaico-popular, que se 
reproduz quase organicamente em microescalas, no interior da rede familiar e 
comunitária, apoiada pela socialização do parentesco, do vicinato e dos grupos 
religiosos. 
(Alfredo Bosi. Dialética da colonização. S. Paulo: Companhia 
das Letras, 1992, pp. 328-29) 
Questão 25: Tomando como referências a cultura de massa e a cultura 
popular, o autor do texto considera que, entre elas, 
(A) não há qualquer relação possível, uma vez que configuram universos 
distintos no tempo e no espaço. 
(B) há uma relação de necessária interdependência, pois não há sociedade 
que possa prescindir de ambas. 
(C) há uma espécie de simbiose, uma vez que já não é possível distinguir 
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uma da outra. 
(D) há uma relação de apropriação, conforme se manifestam os efeitos da 
primeira sobre a segunda. 
(E) há uma espécie de dialética, pois cada uma delas se desenvolve à medida 
que sofre a influência da outra. 
 
Questão 26: Atente para as seguintes afirmações: 
I. No primeiro parágrafo, afirma-se que a modernização é determinante 
para a sobrevivência de algumas formas autênticas da cultura popular. 
II. No segundo parágrafo, a expropriação sofrida pela cultura de massa é 
vista na sua concomitância com o desprestígio da cultura popular. 
III. No terceiro parágrafo, aponta-se a resistência das manifestações de 
cultura popular, observadas em determinados círculos sociais. 
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e II. 
(E) II e III. 
 
Questão 27: Um mesmo fenômeno é expresso pelos segmentos: 
(A) poder econômico expansivo e socialização do parentesco. 
(B) aparência de modernização e forma criativa de autoexpressão. 
(C) aspectos diferenciados da vida popular e reportagem popularesca. 
(D) aparelhos econômicos e a dialética é uma verdade mais séria. 
(E) o dinamismo lento e se reproduz quase organicamente. 
 
Questão 28: Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o 
sentido de um segmento em: 
(A) reduzindo-as à função (1º parágrafo) = incitando-as à extrapolação. 
(B) vampirismo (...) crescente (2º parágrafo) = progressiva avidez. 
(C) seu primeiro tento (2º parágrafo) = sua primitiva meta. 
(D) estipendiado para o turista (2º parágrafo) = estilizado para o visitante. 
(E) socialização do parentesco (3º parágrafo) = sociabilidade dos vínculos. 
 
Questão 29: No 3º parágrafo, o autor vale-se do termo dialética para 
indicar 
(A) a dinâmica pela qual a cultura popular ainda resiste à cultura de massa. 
(B) a absoluta absorção que a cultura de massa impõe à cultura popular. 
(C) a contradição entre interesse econômico e a macumba na televisão. 
(D) o contraste entre manifestações populares e relações de vicinato. 
(E) o apoio que a cultura de massa acaba representando para a popular. 
 
Questão 30: No segundo parágrafo, o elemento sublinhado na construção 
(A) ocupando-lhe as horas de lazer refere-se ao termo casa. 
(B) eis o seu primeiro tento refere-se à expressão forma criativa. 
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(C) eis o seu primeiro tento refere-se à expressão cultura de massa. 
(D) ocupando-lhe as horas de lazer refere-se à expressão cultura de massa. 
(E) eis o seu primeiro tento refere-se à expressão horas de lazer. 
 
Questão 31: TRT 16R 2009 Técnico 
Os números iniciais do Censo 2000 revelam melhorias. 
A queda das taxas de mortalidade infantil foi maior do que o esperado. 
Boa parte da população brasileira continua vivendo na pobreza. 
As frases acima formam um único período, com correção e lógica, em: 
(A) Se as taxas de mortalidade infantil entraram em queda maior do que era 
esperada, a população brasileira continua vivendo na pobreza, apesar das 
melhorias que o Censo 2000, revelam em seus dados iniciais. 
(B) A população brasileira em boa parte continua vivendo na pobreza, os 
números iniciais do Censo 2000 revelam as melhorias, onde as taxas de 
mortalidade infantil em queda, maior do que se esperava. 
(C) Com a queda das taxas de mortalidade infantil, e os números iniciais do 
Censo 2000 revela que foi maior que o esperado, mas boa parte da 
população brasileira continua vivendo na pobreza. 
(D) Os números iniciais do Censo 2000 melhoraram, com a queda das taxas 
de mortalidade infantil, que foi maior do que se esperavam, onde boa 
parte da população brasileira continua vivendo na pobreza. 
(E) Boa parte da população brasileira continua vivendo na pobreza, conquanto 
os números iniciais do Censo 2000 revelem melhorias, como a queda das 
taxas de mortalidade infantil, maior do que o esperado. 
 
Questão 32: TRT 16R 2009 técnico 
O vapor liberado pela transpiração das árvores sobe na atmosfera. 
O vapor encontra camadas de ar frio. 
O vapor se condensa e forma as nuvens. 
As frases acima encontram-se articuladas em um único período, com clareza, 
correção e lógica, em: 
(A) O vapor, quando vai subindo na atmosfera com o vapor da transpiração 
das árvores, vão encontrar camadas de ar frio se condensando e 
formando as nuvens. 
(B) A fim de ser liberado pela transpiração das árvores, o vapor que se 
condensa formando as nuvens, quando encontra camadas de ar frio na 
atmosfera. 
(C) Ao subir na atmosfera, o vapor liberado pela transpiração das árvores 
encontra camadas de ar frio e se condensa, formando as nuvens. 
(D) O vapor que encontra camadas de ar frio se condensa e formam as 
nuvens, quando é liberado pela transpiração das árvores, subindo na 
atmosfera. 
(E) O vapor se condensa formando as nuvens, sendo liberado pelatranspiração das árvores que sobem na atmosfera, com as camadas de ar 
frio. 
 
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Questão 33: TRT 24ªR 2006 Técnico 
• O animal silvestre dissemina sementes. 
• O animal silvestre é essencial para o equilíbrio do meio ambiente. 
• As sementes atuam na reprodução e na recomposição da vegetação. 
• As sementes participam da cadeia alimentar e perpetuam a vida. 
As frases acima estruturam-se em um único período com lógica, clareza e 
correção, em: 
(A) O animal silvestre quando dissemina sementes, é essencial para equilibrar 
o meio ambiente, que essas sementes atuam na reprodução e na 
recomposição da vegetação, e participam da cadeia alimentar e 
perpetuam a vida. 
(B) O animal silvestre é essencial para o equilíbrio do meio ambiente, pois 
dissemina sementes que atuam na reprodução e na recomposição da 
vegetação, além de participar da cadeia alimentar, perpetuando a vida. 
(C) As sementes, as quais atuam na reprodução e na recomposição da 
vegetação, participam da cadeia alimentar e perpetuam a vida, é o animal 
silvestre que dissemina essas, essencial para o meio ambiente. 
(D) Essencial para o meio ambiente, as sementes reproduzem e recompõe a 
vegetação, que o animal silvestre lhes dissemina, sementes para 
participar da cadeia alimentar e perpetuar a vida. 
(E) O animal silvestre dissemina sementes já que atuam na reprodução e na 
recomposição da vegetação, com a participação da cadeia alimentar, para 
a perpetuação da vida, o qual é essencial para o meio ambiente. 
 
Questão 34: TCE-SP 2012 Auxiliar de Fiscalização 
 Esforços devem ser feitos no sentido de preservar a região Amazônica. 
 O potencial elétrico da Amazônia deve ser desenvolvido. 
 Áreas devem ser oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos 
ambientais, por exemplo. 
 É preciso conciliar os objetivos que se contrapõem à exploração do 
potencial hidrelétrico da Amazônia. 
As frases acima articulam-se em um único período, com clareza, correção e 
lógica, em: 
(A) Ainda que esforços devem ser feitos no sentido de preservar a região 
Amazônica e o seu potencial elétrico desenvolvido, com áreas que devem 
ser oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos ambientais, 
assim se concilia os objetivos que se contrapõem à exploração do 
potencial hidrelétrico da Amazônia. 
(B) O potencial elétrico da Amazônia deve ser desenvolvido, e com esforços 
no sentido de preservar a região Amazônica, sendo preciso conciliar os 
objetivos que se contrapõem à essa exploração, em áreas que devem ser 
oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos ambientais. 
(C) Para conciliar os objetivos que se contrapõem a exploração do potencial 
hidrelétrico da Amazônia, deve ser feito esforços no sentido de preservar 
a região Amazônica, com áreas de compensação aos efeitos dos impactos 
ambientais, onde esse potencial elétrico deve ser desenvolvido. 
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(D) O potencial elétrico da região Amazônica, que deve ser desenvolvido com 
áreas oferecidas como compensação aos efeitos dos impactos ambientais, 
e com esforços no sentido de preservar essa região, sendo preciso 
conciliar os objetivos que se contrapõem a exploração do potencial 
hidrelétrico. 
(E) É preciso conciliar os objetivos que se contrapõem à exploração do 
potencial hidrelétrico da Amazônia, que deve ser desenvolvido, ao lado de 
esforços no sentido de preservar a região, como, por exemplo, a oferta 
de áreas que possam compensar os efeitos dos impactos ambientais. 
 
Questão 35: Polícia Civil -MA 2006 Agente 
 A cidade egípcia de Alexandria abrigou a mais célebre biblioteca da 
Antigüidade. 
 Há controvérsia entre historiadores quanto às razões de seu 
desaparecimento. 
 Durante muito tempo atribuiu-se sua destruição final aos árabes, no 
século VII. 
 Essa biblioteca foi provavelmente o maior acervo de livros do mundo 
antigo. 
As frases acima articulam-se em um único período, com clareza, lógica e 
correção, em: 
(A) A mais célebre biblioteca da Antigüidade foi na cidade egípcia de 
Alexandria, com o acervo dos maiores do mundo antigo, e os 
historiadores são controversos quanto porque ela desapareceu, já que 
durante muito tempo atribuiu-se sua destruição final aos árabes, no 
século VI. 
(B) Conquanto a cidade egípcia de Alexandria abrigou a mais célebre 
biblioteca da Antigüidade, há controvérsia entre historiadores pelas 
razões de seu desaparecimento, com cujo acervo era o maior do mundo 
antigo, parece que foi destruído finalmente pelos árabes, no século VI. 
(C) Há controvérsia entre historiadores das razões de seu desaparecimento, 
com um acervo que foi provável o maior do mundo antigo, nos livros, que 
era a mais célebre biblioteca da Antigüidade, na cidade egípcia de 
Alexandria, que aos árabes foi atribuído, no século VI, sua destruição 
final. 
(D) Na cidade egípcia de Alexandria onde abrigou a mais célebre biblioteca da 
Antigüidade, com a controvérsia entre historiadores das razões do 
desaparecimento de um acervo provavelmente o mais antigo do mundo, 
que durante muito tempo atribuíram-se ao final aos árabes, no século VI. 
(E)) A cidade egípcia de Alexandria abrigou a mais célebre biblioteca da 
Antigüidade, talvez o maior acervo de livros do mundo antigo, cuja 
destruição final foi atribuída durante muito tempo aos árabes, no século 
VI, embora haja controvérsia entre historiadores quanto às razões de seu 
desaparecimento. 
 
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Questão 36: TRT 4 R - 2011 – Analista 
A frase redigida de modo claro e condizente com o padrão culto escrito é: 
(A) A criação, coordenação e assessoria a cursos profissionalizantes está a 
cargo de ambos os formados na área, de cujo conhecimento de ponta 
muito se depende. 
(B) Advoguei junto ao chefe do rapaz que sua atuação tanto profissional como 
em sociedade não deixava nada à desejar, o que lhe ajudou bastante 
naquela pendência. 
(C) Ele era o único que espontaneamente se dignava de ouvir-nos a todos, 
sem exceção, e consentia prazeroso até o depoimento mais insosso ou 
desajeitado. 
(D) Não posso atribuir unicamente a precária condição de acesso à Educação 
a apenas a condição de miscigenação dos que desejam ascender à sua 
dignidade. 
(E) Os resultados da pesquisa científica levada a efeito no ano passado deve 
ser aberta àquele núcleo que a instigou, não devendo ficar restrito aos 
especialistas. 
 
Questão 37: TRF 4R - 2010 – Analista 
É preciso corrigir, pela má estruturação que apresenta, a seguinte frase: 
(A) Com o advento dos meios de comunicação de massa, sobretudo os 
eletrônicos, nem por isso o progresso tecnológico deixa de ser 
contestado. 
(B) A globalização está diretamente ligada à propagação e ao 
aperfeiçoamento dos meios de comunicação de massa, que encurtam 
distâncias e aproximam as pessoas. 
(C) Quem não se deixa seduzir pelos atrativos e novidades da tecnologia de 
ponta costuma defender as vantagens da simplicidade e da naturalidade 
em nossa vida. 
(D) Os muito jovens não fazem ideia de como foram velozes as 
transformações que sofreu o nosso cotidiano, nas últimas décadas, por 
causa das inovações tecnológicas. 
(E) Ao que tudo indica, os próximos passos da tecnologia eletrônica serão 
dados na direção de uma ainda maior integração entre as diversas 
mídias. 
 
Questão 38: TRF 1R - 2006 – Analista 
Está clara e correta a redação da seguinte frase: 
(A) Ficou tão evidente no texto o quanto Cuba é solidária que tem para isso 
uma notávelvocação. 
(B) Onde a vocação de Cuba é realmente notável está no fator de sua 
incontestável solidariedade. 
(C) Amplamente vocacionada para tanto, Cuba também já demonstrou, ainda 
assim, o quanto é solidária. 
(D) Cuba já demonstrou, sobejamente, o quanto é vocacionada para o 
exercício da solidariedade. 
(E) Nunca faltou à solidariedade de Cuba a vocação para se mostrar 
respectivamente notável nisso. 
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Questão 39: TRT 14 R - 2011 – Analista 
É preciso corrigir, devido à má estruturação, a redação da seguinte frase: 
(A) Não se sabe a quem ocorreu a ideia, uma vez que condomínios de luxo 
certamente não combinam com sucata, de que usaram como base de 
anúncio. 
(B) Alguém, num momento infeliz, teve a lamentável ideia de usar carros 
velhos como suporte de propaganda para a venda de imóveis de luxo. 
(C) Definitivamente, quem procura imóvel com espaço gourmet ou depósito 
de vinho individual não se deixará atrair pela propaganda apoiada num 
velho Opala de cor berrante. 
(D) Os homens-placa ficam ensanduichados entre tábuas ou pranchas de 
metal, transportando-as pelas ruas reduzidos à condições de suporte. 
(E) Sensibilizou-se o autor do texto com a condição humilhante desses 
homens e mulheres-placa, tratados como se fossem coisas, destituídos de 
sua humanidade. 
 
Questão 40: TRT 24ªR 2003 Analista 
A má redação tornou incoerente a seguinte frase: 
(A) Embora seja compreendido e falado por uma minoria, o nheengatu tem o 
direito de ser preservado como uma língua de uso, não podendo ser 
abolido por decreto. 
(B) Em virtude de ser compreendido e falado por uma minoria, o nheengatu 
deveria ser visto como prova da resistência de uma cultura, e não como 
ameaça social. 
(C) A menos que o nheengatu fosse compreendido e falado por poucas 
pessoas, tampouco poderia ser analisado como um fato cultural de 
relevância. 
(D) Ainda que o nheengatu fosse compreendido e falado por poucas centenas 
de pessoas, isso não deixaria de constituir um fato de relevância cultural. 
(E) Muito embora seja compreendido e falado por uma pequena minoria, o 
nheengatu não deixa de ter um significativo valor cultural. 
 
Questão 41: TRT19ªR 2008 Analista 
Está inteiramente adequada a pontuação da seguinte frase: 
(A) Quem cuida da saúde, conta com os recursos do corpo, já quem cultiva 
uma amizade, conta com o conforto moral. 
(B) No que me diz respeito, não me interessam os amigos de ocasião: prezo 
apenas os verdadeiros, os que me apoiam incondicionalmente. 
(C) De que pode valer, gozarmos um momento de felicidade, se não dispomos 
de alguém, a quem possamos estendê-la? 
(D) Confio sempre num amigo; pois minha confiança nele, certamente será 
retribuída com sua confiança em mim. 
(E) São essas enfim, minhas razões para louvar a amizade: diga-me você 
agora quais as suas? 
 
 
 
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Questão 42: TRT 21ªR 2003 Analista 
Está inteiramente correta a pontuação do seguinte período: 
(A) Os romeiros temendo que o barquinho não suportasse a correnteza, que 
era forte naquele trecho do rio passaram a rezar, evitando de qualquer 
modo o mínimo movimento do corpo. 
(B) Se é certo que Deus ajuda – pensavam os romeiros, não custa facilitar as 
coisas para Ele, razão por que buscavam: não fazer o mínimo movimento 
– enquanto atravessam o rio de forte correnteza. 
(C) Um ato de fé – como o daqueles romeiros atravessando o rio de forte 
correnteza – não dispensa em todo caso, que se tomem providências 
facilitando-se assim, as coisas, para a Providência divina. 
(D) Entre o temor e a fé, dividiam-se os romeiros, pois a confiança na 
Providência divina não os eximia de se comportarem, com muita cautela, 
enquanto estavam na perigosa correnteza do rio. 
(E) Nem mesmo a fé em Deus dispensou os romeiros, preocupados que 
estavam com a força da correnteza do rio, de tomar providências práticas 
para que o barquinho, em sua fragilidade, não viesse a naufragar. 
 
Questão 43: TRT 17ªR - 2004 – Analista 
Justificam-se inteiramente ambas as ocorrências do sinal de crase em: 
(A) Os que têm pleno acesso àquilo que oferece a cesta de bens e serviços 
devem considerar-se à margem da pobreza. 
(B) Quem atribui um valor monetário à essa cesta de bens e serviços está-se 
habilitando à definir uma linha de pobreza. 
(C) Não falta, à maioria das pessoas, uma definição de pobreza; o que falta à 
uma boa definição é o rigor de um bom critério. 
(D) Há quem recrimine à cultura da subsistência, imputando-lhe à 
responsabilidade pelo mascaramento da real situação de miséria de 
muitos brasileiros. 
(E) Os que têm proventos inferiores à quantia necessária para a aquisição 
dessa cesta deixam de atender à todas as suas necessidades básicas. 
 
Questão 44: BAHIA GÁS - 2010 – Analista 
Os mitos nos acompanham ao longo do tempo, por isso é preciso dar aos 
mitos a atenção que requerem. Porque haveremos de tratar os mitos como se 
fossem embustes, em vez de reconhecer nos mitos a simbologia inspiradora? 
Evitam-se as viciosas repetições do texto acima substituindo-se os elementos 
sublinhados, respectivamente, por: 
(A) dar-lhes os tratar neles reconhecer 
(B) dar-lhes tratar-lhes reconhecê-los 
(C) dá-los os tratar lhes reconhecer 
(D) lhes dar tratar a eles os reconhecer 
(E) dar a eles lhes tratar reconhecer neles 
 
Questão 45: BB DF - 2006 - Escriturário 
Verbos do texto foram empregados em novas frases. A que se apresenta 
totalmente em conformidade com a norma padrão escrita é: 
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(A) Com a invasão do europeu, afetou-se, de maneira evidente, muitas 
práticas tradicionais dos povos indígenas. 
(B) Trata-se de relações complexas, essas que são estabelecidas entre povos 
de culturas distintas. 
(C) Se você ver a colonização da América com o distanciamento que uma 
análise objetiva exige, muitos aspectos obscuros se esclarecerão. 
(D) Seria uma grande conquista se conseguíssemos que fosse reconstituído, 
pela ação dos antropólogos, os mais relevantes aspectos da cultura 
soterrada. 
(E) Eles evitaram inúmeras vezes abandonarem o sítio arqueológico, mas 
acabaram por fazê-lo. 
 
Questão 46: TRT 24ªR - 2006 – Analista 
Na frase No entanto, mesmo com a multiplicação das instituições, não 
conhecemos nenhuma época histórica que não tenha sido marcada por 
conflitos, o segmento sublinhado pode ser corretamente substituído, sem 
prejuízo para o sentido, por: 
(A) Ainda assim, contando com a 
(B) Porém, ainda que houvesse a 
(C) Apesar disso, pelo fato de haver a 
(D) Todavia, apesar da 
(E) Por conseguinte, a despeito da 
 
Questão 47: TRE PE 2011 Técnico 
Leia atentamente as afirmações a seguir. 
I. Essas qualidades contraditórias fazem seu gênio ... 
 Substituindo-se o segmento grifado acima por Esse conjunto de 
qualidades contraditórias, o verbo fazer pode ser mantido no plural 
sem prejuízo para a concordância verbal. 
II. ... Delacroix, o criador de antíteses coloridas tão sonoras quanto as da 
poesia de Victor Hugo. 
 Respeitando-se a concordância verbal e, em linhas gerais, o sentido, o 
segmento grifado acima pode ser assim reescrito: quanto as que 
costumam haver na poesia de Victor Hugo. 
III. Cézanne admira a maestria plástica de Rubens ... 
 Mantém-se o respeito à concordância verbal e, em linhas gerais, ao 
sentido caso a frase acima seja assim reescrita: Cézanne admira as 
obras em que se revela a maestria plástica de Rubens. 
Estácorreto SOMENTE o que se afirma em 
(A) I e III. (B) II e III. (C) I. (D) III. (E) I e II. 
 
Questão 48: TRE – RN 2011 – Técnico Judiciário 
O clima pouco favorável ao cultivo da cana levou a atividade econômica para a 
pecuária. 
O mesmo tipo de regência nominal que se observa acima ocorre no segmento 
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também grifado em: 
(A) O litoral oriental compõe o Polo Costa das Dunas − com belas praias, 
falésias, dunas e o maior cajueiro do mundo... 
(B) Os 410 quilômetros de praias garantem um lugar especial para o turismo 
na economia estadual. 
(C) A ocupação portuguesa só se efetivou no final do século, com a fundação 
do Forte dos Reis Magos e da Vila de Natal. 
(D) Em Caicó há vários açudes e formações rochosas naturais que desafiam a 
imaginação do homem. 
(E) Em Santa Cruz, a subida ao Monte Carmelo desvenda toda a beleza do 
sertão potiguar ... 
 
GABARITO 
 
1. B 2. C 3. D 4. A 5. E 6. C 7. A 8. C 9. D 10. A 
11. B 12. E 13. A 14. E 15. E 16. C 17. D 18. B 19. E 20. D 
21. B 22. A 23. D 24. C 25. D 26. C 27. E 28. B 29. A 30. C 
31. E 32. C 33. B 34. E 35. E 36. C 37. A 38. D 39. * 40. C 
41. B 42. E 43. A 44. A 45. B 46. D 47. D 48. C 
 
* Questão anulada

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