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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO DO HUAMBO DEPARTAMENTO DE ENSINO E INVESTIGAÇÃO EM HUMANIDADES METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO EDUCATIVA Elaborado Por: Clementino Sangueve . Huambo, 2025 1 3- DESENHO METODOLÓGICO DA INVESTIGAÇÃO EDUCATIVA O desenho metodológico é a determinação geral do tipo de investigação que será realizada, assim como dos métodos, procedimentos e técnicas para a recolha, medição, análise e interpretação dos dados inerentes ao estudo; isto é, trata-se de apresentar o modelo metodológico que se vai empregar para abordagem do problema e encontrar a resposta ao mesmo, para contrastar e verificar as hipóteses formuladas (Ortega et al., 2005, p. 173). 3.1 Modelo e tipo de investigação. 3.1.1 Modelo de investigação. Na literatura, frequentemente, são tidos como modelos de investigação a consideração do carácter quantitativo, qualitativo ou da sua forma intermédia designada como carácter misto ou qualiquantitativo (Llantada, 2005). Em vez dos termos “modelo quantitativo, modelo qualitativo” em muitas pesquisas são empregues outros termos na classificação geral da investigação, tais como “metodologia quantitativa/metodologia qualitativa, método quantitativo/método qualitativo, estudo quantitativo/estudo qualitativo, enfoque quantitativo/ enfoque qualitativo). Além da diversidade da terminologia acima enumerada, alguns investigadores consideram os modelos quantitativos e qualitativos como verdadeiros paradigmas. O que se entende por paradigma na ciência? Quais são os paradigmas em que se apoia a investigação educativa? Etimologicamente, o termo paradigma vem do grego “paradeigma” e do latim “paradigma” que significa exemplo, modelo (García & Castro, 2017). Um paradigma é o que compartilham os membros de uma comunidade científica, a qual, por sua vez, consiste num grupo de pessoas que compartilham um paradigma (Kuhn, 1962, citado por García & Castro, 2017, p. 17). Portanto, podemos dizer que um paradigma mostra-nos uma determinada maneira de conceber e interpretar a realidade, uma visão do mundo compartilhada por um grupo de pessoas e que tem um carácter normativo em relação aos métodos e técnicas de investigação a utilizar (García & Castro, 2017, p. 17). 2 Os diferentes paradigmas oferecem-nos diferentes maneiras de fazer investigação e caracterizam-se, conforme Lincoln e Guba (1985), citados por García e Castro (2017, pp. 16,17), pelas respostas que dão a três questões básicas relacionadas com a realidade que se deseja estudar, vinculadas com três dimensões: -Ontológica – Qual é a natureza do meu objecto de estudo? Esta dimensão refere- se à natureza dos fenómenos sociais. -Epistemológica – Qual é a relação entre o investigador (sujeito cognoscente) e o objecto observado (objecto conhecido)? Esta dimensão alude ao modo de relação entre quem investiga e a dita realidade. -Metodológica – Como deveria proceder o investigador? Esta dimensão faz referência ao modo em que o investigador deve obter conhecimento da dita realidade. Bencomo et al. (2019), descrevem os paradigmas utilizados na investigação educativa nos seguintes termos: a) Paradigma de investigação positivista – Também denominado paradigma quantitativo, foi extrapolado às ciência da educação, a partir das ciências naturais e exactas. Este paradigma assume uma concepção da realidade única, objectiva e tangível. A sua finalidade é explicar, controlar e predizer fenómenos com o método hipotético-dedutivo, expressando o novo conhecimento mediante leis que orientam a prática. Existem numerosas investigações circunscritas a este paradigma, como as experimentais. Os problemas de investigação surgem de teorias ou postulados existentes. Constitui um elemento importante para a generalização dos resultados obtidos, a selecção de uma amostra representativa da população, a partir de procedimentos estatísticos e probabilísticos. b) Paradigma interpretativo – Centra o seu estudo nos significados das acções humanas e a vida social, no meio de uma realidade dinâmica. Os investigadores se inclinam mais para o estudo de características de fenómenos não observáveis como algo único e particular, do que no generalizável. A importância da sua utilização radica na análise dos significados das acções humanas, no seu meio histórico, social e cultural. Tem a objectividade como critério de evidência e oferece resultados fidedignos que propiciados por uma interpretação do objecto de estudo e chegar a um conhecimento profundo e amplo, do ponto de vista teórico-prático. 3 c) Paradigma sociocrítico – Surge para obter uma ciência social, que não seja puramente empírica, nem somente interpretativa. Nos seus postulados considera.se a unidade da teoria com a prática como um todo inseparável. Abarca os estudos de investigação acção, participativa, de acção crítica e colaborativa. Neste paradigma, a realidade educativa é entendida como relação dialéctica entre o sujeito e o objecto. Tem como finalidade a melhoria da prática educativa, a partir de estratégias interventivas. O essencial é o câmbio através da acção dos seus próprios actores, envolvendo um processo de reflexão no qual participam os investigadores e os investigados. Os critérios de rigorosidade consistem na validação consensual obtida na prática. d) Paradigma emergente ou dialéctico – Permite fazer uma análise histórica dos fenómenos sociais e uma relação indissolúvel entre a teoria e a prática. Conjuga o quantitativo e o qualitativo segundo a dinâmica do objecto, do sujeito, do processo, assim como os aspectos objectivo e subjectivo da realidade. Assim, pelo exposto, nas investigações educativas actuais podem utilizar-se, indistintamente, os termos paradigma ou enfoque como sinónimos. Para outros investigadores, os enfoques são linhas temáticas sobre as quais há uma necessidade de investigação. Uma outra posição, a terceira, defende a ideia de que os enfoques dependem da escolha de determinados procedimentos, técnicas e instrumentos para a observação e recolha de dados. Os paradigmas têm a ver com os compromissos que os investigadores assumem com certas concepções, teorias e métodos, enquanto os enfoques se referem somente à dimensão heurística dos paradigmas, à escolha e aplicação do método. Nesse sentido, paradigmas e enfoques são distintos, porém complementares, visto que os enfoques permitem a materialização dos paradigmas nos contextos de investigação. De acordo com estas ideias, a investigação educativa actualmente desenvolve-se com base nos dois enfoques: o quantitativo e o qualitativo, ou, como o denomina Hernández Sampieri e outros, enfoque misto. Para Llantada (2005), nas investigações educacionais existe uma tendência a se estabelecerem relações entre o quantitativo e o qualitativo e não assumir paradigmas exclusivos de algumas dessas tendências, uma vez que só a quantificação de um resultado não nos pode dar o rigor, sem ter em conta também os seus valores qualitativos, o que tem de ser alcançado com 4 métodos adequados para isso e integrá-los adequadamente de acordo com o objecto de estudo. A seguir, apresenta-se uma descrição dos principais modelos ou metodologias de investigação quantitativa e qualitativa, à guisa de revisão dos conteúdos abordados em MIC. Metodologia quantitativa (Modelo quantitativo): -Conceito – A metodologia quantitativa é a descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação. A análise quantitativa se efectua com toda informação numérica resultante da investigação, que se apresentará como um conjunto de quadros, tabelas e medidas (Sabino, citado por (Marconi & Lakatos, 2008). -Características:sobre o tema: fichas bibliográficas, fichas de resumo ou conteúdo e fichas de citações. -O estudante deverá consultar, no mínimo, cinco (5) fontes. 35 3) Justificativa (Por quê?). É o único item do projecto que apresenta respostas à questão “Por quê?”. De suma importância, geralmente é o elemento que contribui mais directamente na aceitação da pesquisa pela(s) pessoa(s) ou entidade que vai financiá-la. A justificação consiste numa exposição sucinta, porém completa, das razões de ordem teórica e dos motivos de ordem prática que tornam importante a realização da pesquisa. Deve enfatizar: a) o estádio em que se encontra a teoria que diz respeito ao tema; b) as contribuições teóricas que a pesquisa pode trazer: confirmação geral, confirmação na sociedade particular em que se insere a pesquisa, especificação para casos particulares, clarificação da teoria, clarificação de pontos escuros; c) a importância do tema do ponto de vista geral; d) a importância do tema para casos particulares em questão; e) possibilidade de sugerir modificações no âmbito da realidade abarcada pelo tema proposto; f) descoberta de soluções para casos gerais e/ou particulares; g) a justificativa difere da revisão bibliográfica e, por esse motivo, não apresenta citações de outros autores. 4) Formulação do problema. A formulação do problema prende-se ao tema proposto: ela esclarece a dificuldade específica com a qual nos defrontamos e que pretendemos resolver por intermédio da pesquisa. Para ser cientificamente válido, um problema deve passar pelo crivo das questões seguintes: O problema: -Pode ser enunciado em forma de pergunta. -Corresponde a interesses pessoais (capacidade), sociais e científicos, isto é, de conteúdo e metodológicos? Esses interesses estão harmonizados? 36 -Constitui-se o problema em questão científica, ou seja, relacionam-se entre si pelo menos duas variáveis? -Pode ser objecto de investigação sistemática, controlada e crítica? -Pode ser empiricamente verificado em suas consequências? Formulação do problema: Esclarecer a questão de pesquisa, definir o problema – O quê? Como? Observar: viabilidade; relevância; novidade; exequibilidade; oportunidade. A formulação do problema deve ser interrogativa, clara, precisa e objectiva; possuir solução viável; expressar uma relação entre duas ou mais variáveis; ser fruto de revisão e reflexão pessoal. O problema de pesquisa pode ser enunciado de forma afirmativa, quando se tratar de questão norteadora, se julgado pelo pesquisador que essa alternativa seja mais adequada em relação ao objecto de investigação. Neste caso específico, informamos “questão norteadora” e não “problema de pesquisa”; nesse particular não há enunciado para delimitar a hipótese. Na investigação educativa, recomenda-se, na formulação do problema : (1) Descrevê-lo num breve parágrafo, definindo claramente qual é a contradição existente entre o que sucede – situação actual – e o que deve ser – situação desejável. (2) Redactar a pergunta principal. É importante indicar o objecto de estudo bem como o campo de acção da investigação que será desenvolvida. 5) Construção de hipóteses/ideia a defender. As hipóteses constituem respostas “supostas” e provisórias ao problema. Enunciado das hipóteses: -É uma suposição que fazemos na tentativa de explicar o problema. -Como resposta ou explicação provisória, relaciona duas ou mais variáveis do problema levantado. 37 -Caracterizar as variáveis da(s) hipótese(s) formulada(s), indicando suas dimensões e indicadores, naqueles casos em que as variáveis sejam qualitativas, isto é, que não sejam directamente mensuráveis (por exemplo, a motivação e o rendimento). -As hipóteses devem ser testáveis e responder ao problema. -Servem de guia na pesquisa para verificar sua validade. As hipóteses surgem de: -Observação; -Resultados de outras pesquisas; -Teorias (revisão da literatura); -Intuição. Dado o predomínio de pesquisas de cunho qualitativo na investigação educativa, recomenda-se aos estudantes dos cursos de licenciatura a formulação de defender, em vez de hipóteses, nas suas pesquisas. 6) Especificação dos objectivos (Para quê?). Os objectivos devem ser sempre expressos com verbos de acção. Esses objectivos se desdobram em: a) Geral: está ligado a uma visão global e abrangente do tema. Relaciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenómenos e eventos, quer das ideias estudadas. Vincula-se directamente à própria significação da tese proposta pelo projecto. Deve iniciar com um verbo de acção. b) Específicos: Apresentam carácter mais concreto. Têm função intermediária e instrumental, permitindo, de um lado, atingir o objectivo geral e, de outro, aplicar este a situações particulares. Exemplos: ver item sobre a formulação dos objectivos no “Tema V”. 7) Metodologia (Como?). A investigação científica depende de um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos para que seus objectivos sejam atingidos: métodos científicos. Método científico é o conjunto de processos ou operações mentais que devemos empregar na investigação. É a linha de raciocínio adoptada no processo de pesquisa. Especificar: -Modelo e critérios de design (desenho) da pesquisa ou tipos, fundamentando. Definir o referido modelo, definir o tipo de pesquisa, citando uma ou várias fontes e explicar porque é que tal modelo e tal tipo de pesquisa foram escolhidos. 38 -Métodos teóricos e métodos empíricos, fundamentando, isto é, definir cada um dos métodos, citando uma ou várias fontes; explicar “para quê” serão utilizados e como serão empregues. -Critérios de selecção e construção de técnicas e instrumentos de recolha de dados. -Critérios e técnicas de análise dos dados. Dependo do modelo de investigação definido. No modelo qualitativo predominam técnicas de análise textual, análise de documentos e análise de conteúdo; no modelo quantitativo predominam a chamadas “análises estatísticas”. -População/Universo, amostra e critérios de amostragem, conforme o modelo e tipo de investigação, fundamentado, isto é, apresentar os conceitos de população e amostra, citando uma ou várias fontes; definir o tipo de amostra e amostragem, bem como como o tamanho da amostra. 8) Estrutura da monografia O trabalho de investigação se estruturará da seguinte forma: Pré-textuais Introdução Três ou dois capítulos no corpo do trabalho No capítulo I: Fundamentação teórica sobre a xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx No capítulo II: Análise e discussão dos resultados do diagnóstico xxxxxxxxxx No capítulo III: Proposta de xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx. Conclusões Recomendações Referências bibliográficas Pós-textuais. 9) Cronograma de actividades (Quando?). A elaboração do programa responde à pergunta “quando?” A pesquisa deve ser dividida em partes, e devemos fazer a previsão do tempo necessário para passar de uma fase a outra. Determinadas partes podem ser executadas simultaneamente, mas existem outras que dependem das anteriores, como é o caso da análise e interpretação dos resuldados , cuja realização depende da codificação e da tabulação, só possíveis depois de colhidos os dados. Geralmente, os cronogramas são divididos em meses. 39 Cronograma de actividades (sugestão para seis meses): Etapa/Mês 01 02 03 04 05 06 Revisão da literatura para o projecto da investigação. X Elaboração e remessa do projecto de investigação. X Revisão da literatura e elaboração da fundamentação teórica da monografia. X X Elaboração e validadação de instrumentos de recolha de dados X X Trabalho de campo local de estudo (recolha de dados). X X Sistematização, organização e tratamento de dados. X Análise, interpretação e discussão dos resultados. XRedacção do informe final. X X Revisão da monografia, formatação, impressão e entrega ao DEI. X Fonte: Prodanov e Freitas (2013). 10) Referências/Bibliografia. Abrange livros, artigos científicos, periódicos, jornais, monografias, CDs, sites etc., publicações utilizadas para o desenvolvimento do projecto fundamentação da pesquisa. Podemos incluir, ainda, o material que será lido no decorrer do processo de pesquisa. As obras utilizadas (referências) ou utilizadas e consultadas não mencionadas no projecto (bibliografia) para a elaboração do projecto devem ser indicadas em ordem alfabética, conforma a Norma – APA, 7ª ed. 11) Elaboração dos elementos pós-textuais e pré-textuais. 12) Elaboração da introdução. A introdução anuncia o assunto e supõe a compreensão dele quanto ao seu alcance, suas implicações e seus limites. Requisitos imprescindíveis: Definição do tema e a sua delimitação; Indicação da problemática; 40 4.2 Apresentação do Anteprojecto (estructura do documento) 41 INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO DO HUAMBO ISCED – HUAMBO DEPARTAMENTO DE XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX SECTOR DE XXXXXXXXXXXX Ante-Projecto de trabalho de fim do curso apresentado ao ISCED-Hbo TÍTULO:xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Candidatos/Autores: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx HUAMBO, 202__/202__ 42 INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO DO HUAMBO ISCED – HUAMBO DEPARTAMENTO DE XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX SECTOR DE XXXXXXXXXXXX Ante-Projecto de trabalho de fim do curso apresentado ao ISCED-Hbo TÍTULO:xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Autor: Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx O Orientador:xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxl HUAMBO, 202__ 43 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 2. JUSTIFICAÇÃO 3. PROBLEMA CIENTÍFICO, OBJECTO DE ESTUDO E CAMPO DE ACÇÃO 4. HIPÓTESE 5. OBJECTIVO GERAL 6. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 7. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA / REVISÃO DA LITERATURA 8. METODOLOGIA 9. ESTRUTURA DA MONOGRAFIA 10. CRONOGRAMA DE ACTIVIDADES 11. BIBLIOGRAFIA 12. APÊNDICES 13. ANEXOS 44 1. INTRODUÇÃO Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 2. JUSTIFICATIVA xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 3. PROBLEMA CIENTÍFICO, OBJECTO DE ESTUDO E CAMPO DE ACÇÃO Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 4. HIPÓTESE xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 5. OBJECTIVO GERAL xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx . 6. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS: 1. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 2. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 3. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 7. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA/ REVISÃO DA LITERATURA xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 8. METODOLOGIA Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 9. ESTRUTURA DA MONOGRAFIA O trabalho de investigação será estruturado da seguinte forma (trata-se apenas de um esboço, cujo conteúdo será conhecido durante a investigação. Completar somente o espaço indicado por “x”): Pré-textuias Introdução. Três/dois capítulos no corpo do trabalho. No capítulo I: Fundamentação teórica sobre a xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 45 No capítulo II: Análise e discussão dos resultados do diagnóstico xxxxxxxxxx No capítulo III: Proposta de xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx. Conclusões. Recomendações. Referências bibliográficas. Pós-textuais. 10. CRONOGRAMA DE ACTIVIDADES Actividades/Mês 01 02 03 04 05 06 Revisão da literatura para o projecto da investigação. X Elaboração e remessa do projecto de investigação. X Revisão da literatura e elaboração da fundamentação teórica da monografia. X X Elaboração e validadação de instrumentos de recolha de dados X X Trabalho de campo local de estudo (recolha de dados). X X Sistematização, organização e tratamento de dados. X Análise, interpretação e discussão dos resultados. X Redacção do informe final. X X Revisão da monografia, formatação, impressão e entrega ao DEI. X 11. BIBLIOGRAFIA 12. APÊNDICES 13. ANEXOS 46 REFERÊNCIAS Aguilera, A. R. (2005). Fundamentos de la investigación educativa. Em M. M. Llantada, & G. B. Rodríguez (Comps.), Metodología de la investigación educacional: Desafíos y polémicas actauales (2ª ed., pp. 15-40). Editorial Pueblo y Educación. Alvárez de Zayas, C. (1998). Metodología de la investigación. Editorial Pueblo y Educación. Amado, J. (2014). Manual de investigação qualitativa em educação (2ª ed.). (Coord., Ed.) Imprensa da Universidade de Coimbra. Obtido de http://hdl.handle.net/10316.2/35271 Barros, A. J., & Lehfeld, N. A. (1986). Fundamentos de metodologia: Um guia para a iniciação científica. McGraw-Hill. Bencomo, O. B., González, J. L., Mesa, M. L., Maya, C. J., & Freire, E. E. (2019). 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V., Cullell, M. e., & Mendoza, M. A. (2005). Acerca del proyecto de la investigación y la elaboración del informe final. Em M. M. Llantada, & G. B. Rodríguez, Metodología de la investigación educacional: Desafíos y polémicas actuales (2ª ed., pp. 170-199). editorial Pueblo y Educación. Paulo, A. M., & Lemus, L. P. (2018). Metodlogia de investigação educativa. Yossu Editora. Pérez, A. B. (2005). Hipóteses, variables y dimensiones en la investigación educativa. Em M. M. Llantada, & G. B. Rodríguez (Comps.), Metodología de la investigación educacional: Desafíos y polémicas actuales (2ª ed.). Editorial Pueblo y Educación. Prodanov, C. C., & Freitas, E. C. (2013). Metodologia do trabalho científico: Métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho académico (2ª ed.). Feevale. Ramírez, N. A., & Lima, A. V. (2011). Resultados científicos en la investigación educativa. Editorial Pueblo y educación. Rodríguez, J. A. (2005). Aportes e compromissos de la metodología de la investigación educativa en Cuba. Em G. B. Marta Martínez Llantada, Metodología de la investigación educacional: desafíos y polémicas actuales (2ª ed., pp. 9-14). Ciudad de La Habana: Editorial Pueblo y Educación. Simons, B. C., Lavigne, M. J., Valladares, G., & Herrera, R. H. (2005). Aproximación a un marco conceptual para la investigación educativa. Em M. M. Llantada, & G. B. Rodríguez (Comps.), Metodologia de la investigación educacional: desafíos y polémicas actuales (2ª ed., pp. 49-67). editorial Pueblo y Educación. Soto-Ramírez, E. R. (2021). Lo cuantitativo y lo cualitativo en la investigación educacional: Una visión desde la filosofía. Revista RIIED, 1(1), pp. 100-107. Obtido de https://www.riied.org/index.php/v1/article/view/11/17 48 1. INTRODUÇÃO 2. JUSTIFICAÇÃO 3. PROBLEMA CIENTÍFICO, OBJECTO DE ESTUDO E CAMPO DE ACÇÃO 5. OBJECTIVO GERAL 6. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 2. JUSTIFICATIVA 4. HIPÓTESE 5. OBJECTIVO GERAL (1) 7. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA/ REVISÃO DA LITERATURA 8. METODOLOGIA REFERÊNCIAS A amostragem, no método quantitativo, reduz as amostras, sintetizando os dados de forma numérica, tabulando-os; O enfoque quantitativo emprega as seguintes fases: evidencia a observação e a valorização dos fenómenos; estabelece ideias; demonstra o grau de fundamentação; revê ideias resultantes da análise; e propõe novas observações e valorizações para esclarecer, modificar e/ou fundamentar respostas e ideias. Três traços bem definidos no conteúdo quantitativo devem ser observados: objectividade, sistematização e quantificação dos conceitos, evidenciados na comunicação. Metodologia qualitativa (Modelo qualitativo): A investigação qualitativa em Sociologia retoma a etnometodologia, a análise do discurso e as histórias de vida. Em Psicologia, a metodologia qualitativa se incorpora à hermenêutica, à fenomenologia, à investigação naturalista, etnografia e investigação-acção etc. Já na Educação, os primeiros textos fazem referência à investigação naturalista, evolução iluminativa e qualitativa, etnografia e teoria crítica, investigação-acção participativa e colaborativa. -Conceito e características: 5 A pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como a tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentadas pelos entrevistados, em lugar da produção de medidas quantitativas de características ou comportamentos (Richardson, citado por Marconi & Lakatos, 2008). Em ciências sociais, a pesquisa qualitativa preocupa-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores, atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenómenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (Minayo, citado por Marconi & Lakatos, 2008). O estudo qualitativo desenvolve-se numa situação natural; é rico em dados descritivos, tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada. Na pesquisa qualitativa há um mínimo de estruturação prévia. Não se admitem regras precisas, como problemas, hipóteses e variáveis antecipadas, e as teorias aplicáveis deverão ser empregadas no decorrer da investigação. Na pesquisa qualitativa, primeiramente faz-se a recolha de dados a fim de poder elaborar a teoria de base, ou seja, o conjunto de conceitos, princípios e significados. O esquema conceptual pode ser uma teoria elaborada, com um ou vários constructos. Desse modo, faz-se necessário correlacionar a pesquisa com o universo teórico. Para haver conteúdo válido é necessário muita leitura e reflexão sobre obras relacionadas, que tratem de teorias e de conhecimentos já existentes, relativos ao problema da investigação. O pesquisador tem liberdade de escolha do método e da teoria para realizar o seu trabalho; entretanto, deve, no momento do seu relatório, ser coerente, ter consciência, objectividade, originalidade, confiabilidade e criatividade no momento da recolha e análise dos dados. O bom resultado da pesquisa depende da sensibilidade e intuição do pesquisador, que deve ser imparcial, procurando não interferir nas respostas dos entrevistados e não deixar a sua personalidade influenciar as respostas. 6 A clareza é outro ponto importante, ou seja, é regra básica da redacção. Em suma a metodologia qualitativa caracteriza-se por: ter ambiente natural como fonte directa de dados; ser descritiva; analisar intuitivamente os dados; preocupar-se com o processo e não só com os resultados e o produto; enfatizar o significado. 3.1.2 Tipo de investigação. Não se pretende analisar todos os tipos de investigação discutidos em MIC. Neste item procuramos oferecer ao estudante algumas alternativas de escolha no âmbito da elaboração do desenho metodológico do anteprojecto e, consequentemente, no da elaboração do trabalho de fim de curso. Assim, determinados tipos de investigação poderão ser vistos em distintos momentos do desenvolvimento, como reflexo de perspectivas diferentes sobre um mesmo assunto ou ênfases diferentes, o que não pode ser visto como uma descrição repetitiva, desnecessária, dos referidos aspectos. 3.1.2.1 Diferentes sistemas de classificação da investigação. Existem diferentes classificações de tipos de investigação educativa. Estas classificações podem resumir-se em descritivas, explicativas e preditivas (Aguilera Ruiz, citada por Bencomo et al., 2019): (1)-Investigações descritivas – São aquelas que observam e descrevem o fenómeno; não requerem a manipulação de variáveis. São feitas para conhecer as características mais relevantes do estado do fenómeno e os factores associados ao problema. Em muitas ocasiões têm uma função diagnóstica. Dentro das investigações descritivas incluem-se as investigações não experimentais: a) Investigações ex-post-facto – consistem numa avaliação retrospectiva de um estudo realizado. b) Investigações correlacionais – nestas analisa-se as relações existentes entre as variáveis. c) Investigações longitudinais – permitem analisar o desenvolvimento de determinado fenómeno. d) Investigações transversais – que descrevem o estado de uma população. e) Os estudos de caso – que proporcionam o estudo profundo de uma realidade e em muitas ocasiões podem empregar uma metodologia quase-experimental. Entre os estudos de caso salientam-se as investigações etnográficas, que 7 caracterizam cenários ou grupos culturais; e as investigações históricas, que descrevem fenómenos que ocorreram no passado. (2)-Investigações explicativas – Estas investigações chegam ao conhecimento das causas dos problemas e estabelecem generalizações. Analisam o que acontece quando se produz uma alteração na variável independente e o efeito que se produz na variável dependente. Na literatura, com frequência denominam-se por investigações experimentais e se subdividem em: a) Pré-experimentais – que garantem uma primeira aproximação ao problema de investigação, analisam uma única variável e não existe nenhum controlo. b) Experimentais – as quais manipulam a variável dependente ou várias independentes para obter o controlo e a validade interna c) Quase-experimentais – onde não se pode fazer um controlo total das variáveis (dependente, independente e alheias ou estranhas), como sucede na maioria das investigações educativas. (3)-Investigações preditivas – São aquelas investigações que prognosticam os resultados esperados com base nos diagnósticos e outras técnicas de análise. Agrupam-se em investigação fundamental teórica ou pura e investigação aplicada, ambas estreitamente relacionadas. a) Investigação fundamental teórica – Dirige-se à busca de novas teorias, princípios, leis e métodos sem desvincular-se da prática. b) Investigação aplicada – Está direcionada à solução de problemas práticos e sua aplicação imediata. 3.1.2.2 Classificação da pesquisa educativa quanto aos objectivos (Ver MIC). a) Pesquisa Exploratória Para Cervo et al (2007), é aquele tipo de pesquisa que tem por objectivo familiarizar- se com o fenómeno ou obter uma nova percepção dele e descobrir novas ideias. Não requer a elaboração de hipóteses a serem testadas no trabalho, restringindo-se a definir objectivos e buscar mais informações sobre determinado assunto de estudo. Por isso, é designada por alguns autores como pesquisa quase científica ou não científica. Constitui o passo inicial da pesquisa experimental. Quando a pesquisa se encontra na fase preliminar, tem como finalidade proporcionar mais informações sobre o assunto que vamos investigar, possibilitando a sua definição e o seu delineamento, isto é, facilitar a delimitação do tema da pesquisa, 8 orientar a fixação dos objectivos e a formulação das hipóteses ou descobrir um novo enfoque para o assunto (Prodanov & Freitas,2013). Em geral, a pesquisa exploratória assume as formas de pesquisas bibliográfica e estudos de caso (Prodanov & Freitas, 2013). Ainda estes autores salientam que a planificação da pesquisa exploratória é flexível, o que permite o estudo do tema sob diversos ângulos e aspectos. Em geral envolve: -Levantamento bibliográfico. -Entrevistas com pessoas que tiveram experiências com o problema pesquisado. -Análise de exemplos que estimulem a compreensão. b) Pesquisa Descritiva – É aquele tipo de pesquisa que consiste em observar, registar, analisar e correlacionar factos ou fenómenos (variáveis) sem manipulá-los. Procura descobrir, com a maior precisão possível, a frequência com que o fenómeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua natureza e suas características (Cervo et al., 2007). Ainda em relação à caracterização da pesquisa descritiva, Prodanov e Freitas (2013), salientam os seguintes aspectos: -Envolve o uso de técnicas específicas de recolha de dados, com maior destaque para a entrevista, o questionário, o formulário, o teste e a observação. Uma das características mais significativas das pesquisas descritivas é a utilização de técnicas padronizadas de recolha de dados, como o questionário e a observação sistemática. -Nas pesquisas descritivas os factos são observados, registados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira sobre eles, ou seja, os fenómenos do mundo físico e humano são estudados, mas não são manipulados pelo investigador. -Incluem-se, entre as pesquisas descritivas, a maioria daquelas desenvolvidas nas ciências humanas e sociais, como as pesquisas de opinião, mercadológicas, os levantamentos socioeconómicos e psicossociais. -As pesquisas descritivas são, juntamente com as pesquisas exploratórias, as que habitualmente realizam os pesquisadores sociais preocupados com a actuação prática. 9 c) Os estudos correlacionais. Caracterização dos estudos correlacionais, conforme Carrillo Ramos e Santiesteban Naranjo (2014). Os estudos correlacionais têm como propósito medir o grau de relação que existe entre dois ou mais conceitos ou variáveis, num contexto particular. Localizam-se no estudo relações entre duas ou mais variáveis, isto é, uma, duas ou mais correlações. A utilidade e o propósito principal dos estudos correlacionais é saber como se pode comportar um conceito ou variável conhecendo o comportamento doutras variáveis relacionadas. Isto é, tentar prever o valor aproximado que terá um grupo de indivíduos numa variável a partir do valor que têm na variável ou variáveis relacionadas. A correlação pode ser positiva (directa) ou negativa (inversa). Se for positiva, significa que sujeitos com altos/baixos valores numa variável tenderão a mostrar altos/baixos valores na outra variável. Os estudos correlacionais distinguem-se dos estudos descritivos. Enquanto os estudos descritivos se centram em medir com precisão as variáveis individuais, os estudos correlacionais avaliam o grau de relação entre duas variáveis, podendo incluir vários pares de associações dessa natureza numa única investigação. A investigação correlacional tem, nalguma medida, um valor explicativo ainda que seja parcial. Saber que dois conceitos ou variáveis estão relacionados traz certa informação explicativa. d) Pesquisa Explicativa – Prodanov e Freitas (2013), caracterizam a pesquisa explicativa nos seguintes termos: -Na pesquisa explicativa, o pesquisador procura explicar os porquês das coisas e suas causas, por meio do registo, da análise, da classificação e da interpretação dos fenómenos observados. Visa a identificar os factores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenómenos. -Quando realizada nas ciências naturais, requer o uso do método experimental e, nas ciências sociais, requer o uso do método de observação. Assume, em geral, as formas de pesquisa experimental e pesquisa ex-post-facto. 10 -As pesquisas explicativas são mais complexas, pois, além de registar, analisar, classificar e interpretar os fenómenos estudados, têm como preocupação central identificar seus factores determinantes. -Este tipo de pesquisa é o que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas e, por esse motivo, está mais sujeita a erros. -A maioria das pesquisas explicativas utiliza o método experimental, que possibilita a manipulação e o controlo das variáveis, no intuito de identificar qual é a variável independente que determina a causa da variável dependente, ou o fenómeno em estudo. 3.1.2.3 Pesquisas baseadas na metodologia qualitativa mais frequentes na investigação educativa. Destaca-se aquelas pesquisas vinculadas ao paradigma dialéctico ou emergente, tais como a investigação ou enfoque participante e a investigação-acção, conforme descritos em MIC. Além desses tipos de pesquisa, Paulo e Lemus salientam a investigação etnográfica da sala e o estudo de casos como tipos de investigação educativa muito importantes. a) Pesquisa-acção Na pesquisa-acção a participação dos pesquisadores é explícita dentro da situação de investigação com os cuidados necessários para que a acção seja conjunta com os grupos implicados nesta situação (Barros & Lehfeld, 1986). É uma pesquisa social com base empírica, concebida e realizada em estreita associação com uma acção ou com a resolução de um problema colectivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (Thiollent, citado por Prodanov & Freitas, 2013). Toda pesquisa-acção é de tipo participativo: “a participação das pessoas implicadas nos problemas investigados é absolutamente necessária. No entanto, tudo o que é chamado pesquisa participante não é pesquisa-acção.” Há necessidade de uma acção que esteja envolvida com o problema sob observação, desde que seja uma acção trivial, o que quer dizer “uma acção problemática merecendo investigação para ser elaborada e conduzida”. Nessa pesquisa os investigadores desempenham um papel activo na solução dos problemas encontrados, no acompanhamento e na 11 avaliação das acções desencadeadas em razão dos problemas (Thiollent, citado por Prodanov & Freitas, 2013). A pesquisa-acção acontece quando há interesse colectivo na resolução de um problema ou suprimento de uma necessidade, onde pesquisadores e pesquisados podem se engajar em pesquisas bibliográficas, experimentos (experiências) etc. interagindo em função de um resultado esperado (Prodanov & Freitas, 2013). Neste tipo de pesquisa, os pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de forma cooperativa. A pesquisa-acção não se refere a um simples levantamento de dados ou de relatórios a serem arquivados. Com a pesquisa acção, os pesquisadores pretendem desempenhar um papel activo na própria realidade dos factos observados. Dada a sua diversidade, a pesquisa-acção pode ser aplicada em diferentes áreas, sendo as preferidas as áreas da educação, comunicação social, serviço social, organização, tecnologia (em particular no meio rural) e práticas políticas e sindicais, podendo abranger também urbanismo e saúde. De modo geral, a pesquisa-acção é utilizada em ciências sociais (Prodanov & Freitas, 2013). Do ponto de vista científico, a proposta metodológica da pesquisa-acção oferece subsídios para organizar a pesquisa de forma convencional, no nível da observação, do processamento de dados, da experimentação etc., tendo importante papel a desempenhar ( Prodanov & Freitas, 2013). b) Pesquisa participante Esta pesquisa, assim como a pesquisa-acção, caracteriza-se pela interacção entre pesquisadores e membros das situações investigadas. A descoberta do universo vivido pela população implica compreender, numa perspectiva interna, o ponto de vista dos indivíduos e dos grupos acercadas situações que vivem (Prodanov & Freitas, 2013). c) A investigação etnográfica da sala Paulo e Lemus (2018), caracterizam a investigação etnográfica da sala da seguinte forma: A investigação etnográfica da sala produziu um amplo leque de investigações sobre as situações produzidas no processo de ensino-aprendizagem. Este tipo de investigação qualitativa tem outros campos de aplicação, por exemplo, emprega-se no estudo das comunidades. Destaca-se pelo uso da observação como método 12 principal. Permite obter descrições bem detalhadas das situações estudadas, com registos bem minuciosos, sempre que possível, de tudo o que acontece no caso for estudado. Nas investigações etnográficas, o pesquisador começa sem hipótese específica previa nem categorias pré-estabelecidas para registar ou classificar as observações. Com esse procedimento, evita-se pré-concepções que possam levar à observação apenas de alguns factos e dar interpretações intencionadas. Exemplo: Observação da cultura do grupo. 1) Características do cenário (ambiente) físico – extensão, iluminação, pintura, etc. 2) Características dos membros do grupo – idade, sexo, etc. 3) Localização especial dos membros do grupo – diagramas – de sequências de acontecimentos; quem fala primeiro e quem fala depois, etc. 4) Interacções e relações dos membros do grupo. 5) Outros aspectos. Para García e Castro (2017), a investigação etnográfica é um tipo de investigação que se realiza num âmbito relativamente pequeno, homogéneo nas suas características demográficas e limitado geográficamente, que emprega como técnica fundamental a observação, concretamente a observação participativa e que tem como objectivo descobrir, interpretar e explicar a cultura e a estrutura social da população a estudar. Pelos seus traços característicos, esse tipo de investigação converte-se num método especialmente indicado no âmbito educativo, no qual o investigador confronta-se com o estudo de uma situação não estruturada nem sistemática (Pérez Juste, 1994, citado por García e Castro, 2017. d) Estudos de casos Conforme Paulo e Lemus (2018), estudo de casos consiste em investigações de factos, realizadas em um ou vários grupos naturais, como pode ser a sala de aulas, uma comunidade, uma escola ou em contextos similares. Os autores acima referidos, dizem que estes estudos não excluem o uso de informação quantitativa, embora o seu objectivo geral seja o de descrever da melhor forma possível a complexidade e a diversidade das situações e dos processos dos grupos estudados, necessitando, para o efeito, utilizar a informação de natureza qualitativa, obtida com técnicas mais apropriadas para isso: a observação, a 13 entrevista aprofundada. É limitada a possibilidade de generalizar os resultados dos estudos de casos. O estudo de casos é um estudo intensivo, longitudinal e ideográfico que representa uma alternativa aos estudos de carácter nomotético (García e Castro, 2017). 3.2 Métodos tóricos. Os métodos teóricos determinam a relação sujeito-objecto, na qual o nivel de conhecimento associa-se às capacidades relacionais do homem e ao estabelecimento de relações abstractas na teoria e estabelecem os nexos essenciais e as qualidades que não se podem observar directamente. Os mais utilizados nas investigações educacionais são o método histórico-lógico, a análise e a síntese, a indução e a dedução, o método hipotético-dedutivo, a modelação, o método genético entre otros (Llantada, 2005). Para uma consolidação efectiva deste conteúdo, rever apontamentos de MIC. Conforme a autora acima citada, os métodos genético e de modelação caracterizam-se pelo seguinte: a) Método genético – utiliza-se para o estudo dos fenómenos no seu próprio desenvolvimento. Procura estabelecer as condições iniciais do desenvolvimento, as principais etapas e as tendências. Tem como objectivo descobrir o nexo dos fenómenos estudados com o tempo, estudar as transições de formas inferiores às superiores. Não se pode utilizar de forma isolada. b) A modelação – utiliza-se para descobrir e estudar novas relações e qualidades do objecto analisado. Consiste numa representação simplificada da realidade pois os modelos que se criam encaminham-se a estudar essa própria realidade. Baseia-se nos seguintes procedimentos: esquematiza-se a realidade de maneira a poder extrapolar os dados do modelo do fenómeno estudado, que por ser mais simples, pode-se modificar e transformar em simultâneo com outros modelos de outros enfoques. Os métodos teóricos permitem um conhecimento profundo das regularidade e características essenciais dos fenómenos. No caso da investigação propriamente teórica, estes métodos podem ser aplicados como enfoque geral da investigação, quer dizer, como estratégia para abordar e estudar o objecto de investigação. Entretanto, nas investigações empíricas os métodos teóricos estão implícitos como 14 procedimentos em todo o processo de investigação, incluído os métodos concretos (práticos) de recolha, análise e interpretação dos resultados (Ortega et al., 2005). 3.3 Métodos empíricos. Estes métodos são imprescindíveis porque permitem fazer o registo, a medição, a análise, a interpretação e a transformação da realidade no processo de investigação científica, apoiando a prática da investigação. Entre estes métodos e técnicas destacam-se a observação, a experimentação, a entrevista, o questionário, a análise de documentos, a história de vida, as provas de conhecimento, etc. (Ortega et al., 2005). Estes métodos foram descritos com mais detalhes em MIC. Por isso, a caracterização que se segue, baseada em Llantada (2005), abarca apenas os aspectos considerados como essenciais. 3.3.1 A observação. A observação é um método empírico para obter informação primaria acerca dos objectos investigados ou a comprovação das consequências empíricas da aplicação de determinados métodos ou procedimentos. A observação permite conhecer o estado de coisas na orden social, o procedimento e conduta das pessoas e grupos sociais ordenados como estado de coisas sensorialmente perceptíveis e que se apreciam directamente pelo observador num tempo determinado. As características principais da observação consubstanciam-se no facto de que deve ser consciente, ou seja, a observação orienta-se para um fim e determina-se pelo interesse do investigador, deve ser sistemática, pois há que estabelecer tarefas, princípios e prazos, deve garantir a compreensão objectiva da realidade ao recolher informação de todos os indicadores identificados (variáveis) com um guia claro e preciso para que todos possam observar o mesmo aspecto, não só uma vez e o método seja confiável, além disso, deve ser representativa de forma tal que a amostra de elementos permita uma maior certeza das conclusões. A observação como método empírico constitui a forma básica de obter informação, estimula a curiosidade, impulsiona novas descobertas, em dependência do tipo de investigação e se é qualitativa ou quantitativa. Desta maneira pode ser participante, se o observador actua dentro do grupo como um membro e regista as acções do mesmo ou não participante, quando se incorpora a partir de fora do grupo cada uma 15 das variantes tem seus riscos em que a conduta não seja natural na segunda pela existência de um ente estranho. Ainda a observação pode ser aberta ou encoberta, observação estruturada e não estruturada, auto-observação ou observação interna e a semi-estruturada ou mista que combina a estruturada e a não estruturada 3.3.2 Inquérito O inquérito, como método empírico, permite a busca de informação para grandes grupos cujos resultados se processam geralmente de forma quantitativa e permite compilar uma grande quantidade de informação em pouco tempo. Para mais detalhes, ver técnicas de recolha de dados em MIC.3.3.3 A entrevista A entrevista é um estudo que se realiza com grupos pequenos ou com um individuo e requer treinamento para obter o maior proveito da mesma. 3.3.4 A experimentação A experimentação, como método empírico apoia-se geralmente no método hipotético- dedutivo a nível teórico para provar as hipóteses que se levantam. A verificação experimental da hipótese por sua vez exige o tratamento estatístico dos dados e, portanto, a quantificação das observações A selecção e/ou elaboração dos métodos e técnicas deve responder às seguintes exigências (Ortega et al., 2005): -Ao tipo de objectivos e hipóteses que se formulem na investigação, à natureza do objecto de estudo, em consonância com o marco teórico e conceptual que se utilize para abordar o problema. -Às características e ao tamanho da população ou amostra com a qual se trabalha. -Às vantagens e as limitações dos métodos e das técnicas. -Às características da instituição na qual se realiza o estudo. -Ao tempo disponível, recursos humanos, materiais e financeiros atribuídos, etc. 3.4- Métodos estatísticos. A estatística intervém como importante recurso no processo de investigação, ligada à organização e execução dos seus diferentes momentos. É fundamental na investigação quantitativa. Aqui há que distinguir a estatística descritiva e a inferencial (Ortega et al., 2005). 16 a) Estatística descritiva: tem como principais funções a organização dos dados e o cálculo de índices estatísticos para uma amostra. O emprego desses índices responde aos objectivos da investigação , o tipo de escala que utilize, o tamanho da amostra, etc. Entre estes índices estatísticos encontram-se as medidas de tendência central (média, moda e mediana), o desvio padrão e os coeficientes de correlação. Atendendo ao tipo de escala de medição que se utilize podem ser utilizados os seguintes índices estatísticos: -Escala nominal – frequência, moda, coeficiente de contigência e correlação. -Escala ordinal – mediana, percentis e correlação ordinal. -Escala de intervalo – média, desvio padrão e correlação. -Escala de razão – média geométrica e coeficiente de variação. b) Estatística inferencial: tem como função realizar inferências, isto é, extrair conclusões sobre uma população, partindo das características conhecidas de uma amostra. Dada a complexidade e o alcance do emprego da estatística no processo de investigação científica é necessário o apoio de um pessoal especializado para estes fins e a necessária consulta da literatura relacionada com isso. Actualmente, com o advento da informática, é natural que escolhamos os recursos computacionais para dar suporte à elaboração de índices e cálculos estatísticos, tabelas, quadros e gráficos (Prodanov & Freitas, 2013). 3.5 - Técnicas de recolha de dados. 3.5.1 Generalidades sobre técnicas de recolha de dados (MIC). O plano ou projecto de pesquisa, em especial a pesquisa empírica ou prática, como por exemplo a pesquisa descritiva, envolve também a tarefa de colecta ou recolha de dados, que corresponde a uma fase intermediária da pesquisa. A recolha de dados ocorre após a escolha e delimitação do tema ou assunto, a revisão bibliográfica, a definição dos objectivos, a formulação do problema e das hipóteses, o agrupamento dos dados em categorias e a identificação das variáveis. Realizada a recolha de dados, seguem-se as tarefas da análise e discussão dos dados e depois a conclusão e o relatório (redacção) do trabalho. Disto se depreende que a pesquisa é uma sequência lógica de fases ou etapas do método científico (Cervo et al., 2007). 17 A recolha de dados é uma etapa muito importante na pesquisa, na medida em que mediante a análise de dados podem ser obtidas evidências sobre a essência do assunto ou tema em estudo. Para Marconi e Lakatos (2007), durante a realização da pesquisa são obtidas várias informações inerentes ao objecto de estudo, cujo registo é denominado genericamente por documentação indirecta – referente aos dados obtidos das fontes documentais e fontes bibliográficas e documentação directa – que tem a ver com aqueles dados obtidos pelo pesquisador no contacto directo com a realidade (laboratório ou campo), recorrendo às técnicas de recolha de dados. Neste sentido, as técnicas de recolha de dados são classificadas em técnicas de observação directa intensiva (a observação e a entrevista) e técnicas de observação directa extensiva (questionário, formulário, medidas de opinião e atitudes etc.). Passos essenciais da colecta ou recolha de dados: determinação da população a ser estudada com a respectiva amostra, a elaboração do instrumento de recolha, a programação da recolha e também o tipo de dados e de recolha. Há diversas formas de recolha de dados, todas com suas vantagens e desvantagens ou limitações. Na decisão do uso de uma forma ou de outra, o pesquisador levará em conta a que menos desvantagens oferecer, respeitados os objectivos da pesquisa (Cervo et al., 2007). Instrumentos de recolha de dados de largo uso: a entrevista, o questionário e o formulário. Pode-se incluir também a observação nesta lista. Na aplicação da entrevista e do formulário, o informante conta com a presença do pesquisador ou seu auxiliar, que regista as informações. O questionário é preenchido pela pessoa que fornece as informações. Na prática estas técnicas são designadas por métodos empíricos (Cervo et al., 2007). Exigências a ter em conta na selecção e construção de um instrumento de recolha de dados: -O tipo de pergunta deve ser definido em função do tipo de pesquisa e forma de processamento e análise de dados. Recomenda-se o uso de questionários de perguntas fechadas em pesquisas quantitativas. -É importante levar em consideração a disponibilidade de tempo e de recursos ao fixar o instrumento de recolha de dados. 18 -O pesquisador deverá elaborar as questões do instrumento depois de ter sido definido o objectivo da pesquisa e depois de formuladas as hipóteses e as variáveis, que são condições básicas para a sua validação. Por isso, a preocupação básica ao elaborar as perguntas deve ser, além da validade, a finalidade e a relação das questões com o objectivo da pesquisa. As perguntas devem sempre colher informações a respeito das variáveis e das hipóteses do trabalho (Cervo et al., 2007). Variáveis: aspecto, propriedade ou factor, discernível num objecto de estudo e passível de mensuração (Marconi & Lakatos, 2008). -Variáveis qualitativas ou nominais: salientam aspectos qualitativos de uma propriedade e sua presença ou ausência, por exemplo, crente e ateu; votante e não votante; neurótico e não neurótico, neurose obsessiva, neurose histérica, neurose fóbica; crente católico, protestante, etc. -Variáveis quantitativas ou numéricas: indicam diversos graus de uma mesma propriedade. Por exemplo, salário, peso, altura, comprimento, volume, número de filhos, temperatura, densidade, peso etc. Passos a serem observados na construção de um instrumento de recolha de dados (Cervo et al., 2007). 1-Identificar os dados ou as variáveis sobre os quais serão feitas as questões, a partir do tema em estudo, objectivos, problema levantado, hipóteses e respectivas variáveis. 2-Seleccionar o tipo de pergunta a ser utilizado tendo em conta as suas vantagens e desvantagens em relação à forma de processamento e análise de dados. 3-Elaborar uma ou mais perguntas referentes a cada dado a ser levantado. 4-Analisar as questões elaboradas quanto à clareza da redacção, classificação e sua real necessidade. 5-Codificar as questões para a posterior tabulação e análise com inclusão dos códigos no próprio instrumento. 6-Elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do instrumento. 7-Submeter as questões a outros técnicos para sanar possíveis deficiências. 8-Revisar o instrumento para dar ordem e sequênciaàs questões. 19 9-Submeter o instrumento a um pré-teste para detectar possíveis reformulações ou correcções, antes da sua aplicação, sobretudo em pesquisas quantitativas. Outros instrumentos usados em pesquisas descritivas, como a entrevista e a observação não percorrem rigorosamente os passos acima indicados. 3.5.2 Descrição dos principais instrumentos de recolha de dados. 3.5.2.1 Entrevista. A entrevista não é uma simples conversa. É uma conversa orientada para um objectivo definido: recolher, por meio do interrogatório do informante, dados para a pesquisa. Trata-se, pois, de uma conversação efectuada face a face de maneira metódica, que pode propiciar resultados satisfatórios e informações necessárias (Marconi & Lakatos, 2008). A entrevista é um instrumento muito importante em ciências sociais e psicológicas, sobretudo quando os pesquisadores têm necessidade de obter dados que não podem ser encontrados em registos e fontes documentais e que podem ser fornecidos por certas pessoas. Também recorre-se à entrevista quando não houver fontes mais seguras para as informações desejadas ou quando se quiser completar dados extraídos de outras fontes. Tais dados são imprescindíveis para o estudo de casos ou de opiniões, entre outros exemplos (Cervo et al., 2007). Quais são os critérios para a preparação e a realização da entrevista? Cervo et al. (2007), assinalam os seguintes critérios: -Planificar a entrevista, indicando o objectivo a ser alcançado. -Obter algum conhecimento sobre o entrevistado. -Marcar com antecedência a data, o horário e o local da entrevista. -O local deverá permitir obter informações espontâneas e confidenciais. -Seleccionar o entrevistado de acordo a sua familiaridade ou autoridade em relação ao assunto escolhido. -Fazer uma lista das questões, destacando as mais importantes. -Assegurar um número suficiente de entrevistados, o que dependerá da viabilidade da informação a ser obtida. 20 -Algumas recomendações: o entrevistado deve ser sempre previamente informado do motivo da entrevista e da sua escolha; o entrevistador deve obter e manter a confiança do entrevistado, não interromper o entrevistado, dispor-se para ouvir mais do que falar. Entretanto, o entrevistado deve controlar a entrevista. Vantagens e limitações da entrevista, em relação ao questionário, conforme Barros e Lehfeld (1986); Marconi e Lakatos (2008): Vantagens: -O entrevistador tem oportunidade de observar atitudes, reacções e condutas do entrevistado durante a entrevista. -Maior flexibilidade para o pesquisador. A entrevista pode ser aplicada em qualquer segmento da população, isto é, o entrevistador pode formular as questões para melhor entendimento do entrevistado. - Há oportunidade de se obter dados relevantes e mais precisos sobre o objecto de estudo. -Não exige que a pessoa entrevistada saiba ler e escrever. Limitações: -O pesquisador despenderá mais tempo. -O custo operacional será mais alto, precisando-se treinar e habilitar o entrevistador para tal função, sobretudo na entrevista não estruturada. -O entrevistado pode ser influenciado pelo entrevistador e vice-versa. -Dificuldades para a retenção de dados importantes e ser de longa duração. -Aplica-se a um número reduzido de pessoas. Tipos de entrevista: Segundo a forma de operacionalização, as entrevistas podem ser classificadas em estruturadas e não estruturadas (Barros e Lehfeld, 1986). a) -Entrevistas estruturadas ou padronizadas: quando possuem questões previamente formuladas, isto é, o entrevistador estabelece um roteiro prévio de 21 perguntas; não há liberdade de alteração dos tópicos ou fazer inclusão de questões frente às situações. b) -Entrevistas não estruturadas (assistemáticas, antropológicas ou livres): quando o entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direcção que considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente a questão. -Modalidades das entrevistas não estruturadas: -Entrevista focalizada: a partir de um roteiro de itens para se pesquisar, o entrevistador pode incluir as questões que desejar. -Entrevista clínica: entrevista utilizada para o estudo da conduta das pessoas. -Entrevista não dirigida: o entrevistador sugere o tema e deixa o entrevistado falar sem forçá-lo a responder a este ou aquele aspecto. 3.5.2.2 Questionário. O questionário é a forma mais usada para colectar dados, pois possibilita medir com mais exactidão o que se deseja. Em geral, a palavra questionário refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche (Cervo et al., 2007, p. 53). Pode-se definir questionário como técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões (em geral, não superior a 30) apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objectivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas etc. (Gil, 2001). Gil (2001) descreve as seguintes vantagens e limitações do questionário, em relação à entrevista: Vantagens do Questionário: -Possibilita atingir grande número de pessoas, mesmo que estejam dispersas numa área geográfica muito extensa, já que o questionário pode ser enviado pelo correio. -Implica menores gastos com pessoal, posto que o questionário não exige treino dos pesquisadores. Portanto, economiza tempo e recursos tanto financeiros como humanos na sua aplicação. 22 -Garante o anonimato das respostas, consequentemente maior liberdade nas respostas, com menor risco de influência do pesquisador sobre as mesmas. -O pesquisado tem o tempo suficiente para reflectir sobre as questões e responde-las mais adequadamente. -Não expõe os pesquisados à influência das opiniões e do aspecto pessoal do pesquisador. -Facilita a tabulação e tratamento dos dados obtidos. Limitações (desvantagens): -Não pode ser aplicado a pessoas analfabetas. -Impede o auxílio ao informante quando este não entende correctamente as instruções ou perguntas. Por isso, o questionário pode ser devolvido e pode diminuir o grau de confiabilidade das respostas porque nem sempre é possível confiar na veracidade das informações. -Impede o conhecimento das circunstâncias em que foi respondido, que é importante na avaliação da qualidade das respostas. -Não é possível, por isso, observar as reacções e condutas do informante. -Construção do questionário. Além dos passos já descritos acima, para a construção de um instrumento de recolha de dados, Cervo et al. (2007), salientam ainda alguns requisitos adicionais para a elaboração do questionário: -É necessário estabelecer, com critério, as questões mais importantes a serem propostas e que interessam ser conhecidas, de acordo com os objectivos. -Devem ser propostas perguntas que conduzam facilmente às respostas de forma a não insinuarem outras colcações. -Se o questionário for respondido na ausência do investigador, deverá ser acompanhado de instruções minuciosas e específicas. -Tipos de perguntas do questionário: -Perguntas abertas: o uso de perguntas abertas permite obter respostas livres. Por ex., do que você mais gosta na cidade? 23 -Perguntas fechadas: permitem obter respostas mais precisas. Por ex. (1) Seu nível de escolaridade é: ( ) ensino primário; ( ) primeiro ciclo; ( ) segundo ciclo; ( ) graduação; ( ) pós- graduação. Portanto, as perguntas fechadas são padronizadas, de fácil aplicação, simples de codificar e analisar; entretanto, as perguntas abertas, embora possibilitem recolher dados ou informações mais ricos e variados, são codificadas e analisadas com mais dificuldades. 3.5.2.3 Formulário. O formulário é uma lista informal, catálogo ou inventário, destinado à colecta de dados resultantes quer de observações quer de interrogações, e seu preenchimento é feito pelo próprio investigador.A maioria das pessoas tem familiaridade com o formulário, pois órgãos públicos, empresas privadas e bancos utilizam-no sistematicamente para cadastro inicial dos seus clientes, e esse instrumento de colecta de dados passa a ser a principal fonte de alimentação de seus bancos de dados (Cervo et al., 2007, p. 54). Vantagens do formulário: -A assistência directa do investigador. -A possibilidade de comportar perguntas mais complexas. -A garantia da uniformidade na interpretação dos dados e dos critérios pelos quais são fornecidos. -O formulário pode ser aplicado a grupos heterogéneos, inclusive a analfabetos, o que não ocorre com o questionário. 3.5.2.4 Observação. -Conceito – Consiste em aplicar atentamente os sentidos físicos (visão, audição, tacto, olfacto, paladar, bem como os que captam informações sobre o funcionamento do organismo) a um objecto para dele obter um conhecimento claro e preciso. A observação é muito importante nas ciências, pois é dela que depende o valor de todos os outros processos. Sem a observação, o estudo da realidade e das suas leis seria reduzido a simples conjectura e adivinha (Cervo et al., 2007). 24 É uma técnica de colheita de dados para conseguir informações utilizando os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. É o ponto de partida da investigação social (Marconi & Lakatos, 2008). -Exigências – A observação científica deve ser atenta; exacta e completa; precisa; sucessiva e metódica (Cervo et al., 2007). -De acordo com a finalidade e a forma como é executada, a observação pode assumir diferentes configurações ou tipos (Marconi & Lakatos, 2008). a) Observação assistemática: também chamada espontânea, informal, simples, livre ou ocasional, caracteriza a observação sem o emprego de qualquer técnica ou instrumento, sem plano, sem controlo e sem quesitos de observação previamente elaboradas. b) Observação sistemática: também chamada observação estruturada, planificada ou controlada, tem como característica básica a planificação prévia e a utilização de anotações e de controlo do tempo e da periodicidade, recorrendo também ao uso de recursos técnicos, mecânicos e electrónicos. c) Observação não participante: ocorre quando o pesquisador deliberadamente se mantém na posição de observador e de espectador, evitando se envolver ou deixar- se envolver com o objecto da observação. d) Observação participante: ocorre quando o observador, deliberadamente, se envolve e deixa-se envolver com o objecto da pesquisa, passando a fazer parte dele. e) Observação individual: em diversas situações de pesquisa, a observação só pode ser realizada individualmente, como nas pesquisas destinadas à obtenção de títulos académicos, e o observador tem de submeter o objecto da pesquisa ao crivo de seus próprios conhecimentos, dada a inexistência de controlos externos. f) Observação em equipa: ocorre quando um objecto de pesquisa é, simultânea ou concomitantemente, observado por várias pessoas com o mesmo propósito, ainda que em tempos e lugares distintos. g) Observação laboratorial: tem carácter artificial, mas é fundamental para isolar o objecto da pesquisa de interferências externas e para descobrir os mecanismos internos de funcionamento do objecto. Para Carrilho Ramos e Santiesteban Naranjo (2014), ainda a observação poder ser classificada conforme se segue: h) Observação aberta: em que os sujeitos e objectos da investigação sabem que vão ser observados. 25 i) Observação encoberta: as pessoas que são objecto da investigação não sabem que vão ser observados. O observador oculta-se, socorrendo-se de meios técnicos, que na maioria dos casos não são de fácil obtenção. Esta investigação é mais objectiva Vantagens e limitações da observação, conforme Marconi e Lakatos (2008): Vantagens: Estuda uma ampla variedade de fenómenos, permite identificar conjunto de atitudes e de comportamentos e pode perceber sinceridade nas respostas -Limitações: De duração variável, pode ser demorada, pois os aspectos da vida quotidiana nem sempre são acessíveis e pode ter restrições no campo temporal e espacial. 3.6 População e amostra 3.6.1 Generalidades A pesquisa científica procura estabelecer generalizações a partir de observações em grupos ou conjuntos de indivíduos chamados de população ou universo. População pode referir-se a um conjunto de pessoas, de animais ou de objectos que representam a totalidade de indivíduos que possuam as mesmas características definidas para um estudo (Cervo et al., 2007). Sendo ”N o número total de elementos do universo ou da população, pode ser representado pela letra maiúscula X, tal que: XN = X1; X2; X3; …; XN” (Prodanov & Freitas, 2013). Em geral, as pesquisas sociais abrangem um universo de elementos tão grande que se torna impossível considerá-lo na sua totalidade. Assim, nesses casos, é muito frequente trabalhar com uma amostra, isto é, com uma pequena parte dos elementos que constituem o universo, isto é, um subconjunto do universo, convenientemente seleccionado (Prodanov & Freitas, 2013). Quando um pesquisador selecciona uma amostra, espera que ela seja representativa da respectiva população (Cervo et al., 2007; Prodanov & Freitas, 2013). Para Carrillo Ramos e Satiesteban Naranjo (2014), a representatividade é o centro e a essência do problema da amostragem e reside na garantia de que é possível extrapolar ou generalizar para toda a população os resultados obtidos na amostra. 26 A amostragem refere-se aos métodos, procedimentos e técnicas que se empregam para obter uma amostra, procurando que a amostra de elementos com que se vai trabalhar seja representativa da população, isto é, que na amostra estejam representados os diferentes elementos que integram a população (Carrillo Ramos & Satiesteban Naranjo, 2014). Tipos de amostragem (amostra): Amostragem probabilística – é a que se baseia na teoria das probabilidades, projectada de forma que as unidades de observação da amostra sejam uma representação efectiva da população. Só com esse método é possível falar de representatividade (Carrillo Ramos & Satiesteban Naranjo, 2014). Quer dizer que só as amostras probabilísticas podem, por definição, originar uma generalização estatística, por apoiar-se em cálculo estatístico (Prodanov & Freitas, 2013). Amostragem não probabilística – é aquela que não tem um procedimento para assegurar que todos os indivíduos, ou as suas características, estejam representados, não existindo garantia de representatividade (Carrillo Ramos & Santiesteban Naranjo, 2014). As amostras não probabilísticas são compostas de forma acidental ou intencional (Prodanov & Freitas, 2013). 3.6.2 Principais tipos de amostras probabilísticas: 1) Amostras aleatórias simples – cada elemento da população tem oportunidade igual de ser incluído na amostra. A amostragem aleatória simples é o procedimento básico da amostragem científica, sendo todos os outros procedimentos adoptados para compor amostras variações deste. A amostragem aleatória simples consiste em atribuir a cada elemento da população um número único, para, depois, seleccionar alguns desses elementos de forma casual (Prodanov & Freitas, 2013). Modalidades: -Tabelas (ou tábuas) de números aleatórios simples. Para um resultado mais rígido, podemos utilizar tábuas de números aleatórios, que normalmente constam dos livros de estatística. Esse tipo de amostra consiste em atribuir a cada elemento do universo um número único, para, depois, seleccionar alguns desses elementos de maneira casual, conforme ilustração da tábua de número aleatórios que segue (Gil, 2008, citado por Prodanov & Freitas, 2013): 27 52024 36684 59540 14520 96111 72520 15278 21058 26635 90903 11515 04184 30985 07372 72032 89628 35622 05020 77625 78849 De acordo com o autor acima, cada elemento da populaçãoé associado a um número. Determina-se a quantidade de algarismos do maior dos números associados aos elementos da população. Consulta-se, a seguir, qualquer uma das linhas de números, considerando o número de algarismos. Por exemplo, para uma população de 500 elementos, assinala-se qualquer combinação de três colunas, ou conjuntos de três algarismos consecutivos, ou três linhas etc. Suponha-se que sejam os três últimos algarismos de cada conjunto de cinco. Caminhando-se de cima para baixo na coluna, partindo de 024, assinalam-se todos os números inferiores a 501, até que sejam alcançados tantos números quantos forem os elementos necessários para a composição da amostra. Será, assim, obtida a seguinte sequência: 024, 111, 372, 020, 440, 278, 032, 058, … Os números seleccionados constituirão a amostra. Este procedimento, embora seja o que mais se ajusta aos princípios da teoria das probabilidades, nem sempre é o de mais fácil aplicação, sobretudo porque exige que atribuamos a cada elemento da população um número único. Além disso, despreza o conhecimento prévio da população que porventura o pesquisador possa ter. -Amostras casuais simples (Sorteio). Conforme Prodanov e Freitas (2013), todos os participantes apresentam a probabilidade de participar da amostra. Por exemplo: seleccionamos uma amostra casual simples de cinco casos (ABCDE), o que torna-se possível os pares AB, AC, AD, AE, BC, BD, BE, CD, CE e DE. Procedimento: escrevemos cada combinação no papel, colocamos os papeis num recipiente, misturando-os, procedemos a um sorteio. Os dois casos sorteados constituirão a amostra casual (aleatória) simples. De maneira mais simples, partindo da lista da população que se considerar, atribui-se a cada elemento um número. Escrevem-se os números em tiras de papel, assinalam-se as tiras de papel correspondentes ao número total de elementos (tamanho) da amostra estabelecida. Coloca-se todas as tiras de papel num recipiente, tanto as tiras de papel assinaladas, como as não 28 assinaladas, para depois serem retiradas uma a uma. Os elementos da população com tiras assinaladas constituirão a amostra aleatória simples (Carrillo Ramos & Satiesteban Naranjo, 2014). 2) -Amostragem sistemática. É uma variação da amostragem aleatória simples. A sua aplicação requer que a população seja ordenada de modo tal que cada um dos seus elementos possa ser unicamente identificado pela posição. Apresentam condições para satisfação desse requisito uma população identificada a partir de uma lista que englobe todos os seus elementos, uma fila de pessoas ou o conjunto de candidatos a um concurso, identificados pela ficha de inscrição. Para efectuar a escolha da amostra, procede-se à selecção de um ponto de partida aleatório entre 1 e o intervalo mais próximo à razão da amostragem (o número de elementos da população pelo número de elementos da amostra – N/n). A seguir, seleccionam-se itens em intervalos de amplitude N/n (Gil, 2001). 3) -Amostras casuais estratificadas. A amostragem estratificada caracteriza-se pela selecção de uma amostra de cada subgrupo da população considerada. O fundamento para delimitar os grupos ou estratos pode ser encontrado em propriedades como sexo, idade ou classe social. Em seguida, de cada estrato é retirada uma amostra casual simples. Essas subamostras são reunidas, formando a amostra necessária. O número de estratos dependerá do tamanho da população e dos critérios preestabelecidos (Prodanov & Freitas, 2013). 4) -Amostras por agrupamentos ou conglomerados. A amostragem por conglomerados é indicada nas situações em que é bastante difícil a identificação dos seus elementos. Os conglomerados são representados por escolas, igrejas, associações, empresas etc. Dentre esses conglomerados que representam a população-alvo, faz-se o cadastramento dos seus membros, formando os grupos necessários. E, em seguida, procede-se ao sorteio da percentagem estabelecida para cada grupo, os quais, depois, são somados, formando a amostra final (Prodanov & Freitas, 2013). 5) -Amostragem por etapas (áreas). Esse tipo de amostragem quando a população se compõe de unidades que podem ser distribuídas em diversos estágios (estádios). Torna-se muito útil quando desejamos pesquisar uma população cujos elementos se encontram dispersos numa grande área, como um estado ou um país. Por exemplo, 29 numa pesquisa que tivesse como universo todos os domicílios do Brasil, num primeiro estádio, poderiam ser seleccionadas “microrregiões”. Num segundo estádio poderiam ser seleccionados municípios. Num terceiro estádio, bairros, depois, quarteirões e, num último estádio, os domicílios (Prodanov & Freitas, 2013). 3.6.3 Principais tipos de amostras não probabilísticas, conforme Prodanov e Freitas (2013) 1) -Amostras por acessibilidade ou por conveniência. Constituem o menos rigoroso de todos os tipos de amostragem. Por isso mesmo são destituídas de qualquer rigor estatístico. O pesquisador selecciona os elementos a que tem acesso, admitindo que esses possam, de alguma forma, representar o universo. Aplica-se esse tipo de amostragem em estudos exploratórios ou qualitativos, em que não é requerido elevado nível de precisão. 2) -Amostras intencionais ou de selecção racional. Também conhecida como amostragem por tipicidade, constitui um tipo de amostragem não probabilística e consiste em seleccionar um subgrupo da população que, com base nas informações disponíveis, possa ser considerado representativo de toda a população. A principal vantagem da amostragem por tipicidade está nos baixos custos da sua selecção. Entretanto requer considerável conhecimento da população e do subgrupo seleccionado. Entretanto, requer considerável conhecimento da população e do subgrupo seleccionado. Quando esse conhecimento prévio não existe, torna-se necessária a formulação de hipóteses, o que pode comprometer a representatividade da amostra. Conforme Gil (2001), por exemplo, para escolher uma cidade típica, com vistas em um estudo sobre o país, o pesquisador deverá procurar uma cidade cuja distribuição de renda seja semelhante à do país etc. O facto de ser uma cidade típica em relação a alguns aspectos não assegura que o seja em relação a outros. Daí porque a generalização a partir de uma amostra desse tipo ser bastante arriscada. Os resultados têm validade para aquele grupo específico, ou seja, num contexto específico. 3) -Amostras por quotas. De todos os procedimentos de amostragem definidos como não probabilísticos, esse é o que apresenta maior rigor. De modo geral é desenvolvido em três fases: a) classificação da população em função de propriedades tidas como relevantes para o fenómeno a ser estudado; 30 b) determinação da proporção da população a ser colocada em cada classe, com base na constituição conhecida ou presumida da população; e c) fixação de quotas para cada observador ou entrevistador encarregado de seleccionar elementos da população a ser pesquisada, de modo tal que a amostra total seja composta em observância à proporção das classes consideradas. A escolha dos elementos que farão parte da amostra será feita livremente pelo pesquisador. O objectivo é seleccionar elementos que acompanhem uma amostra- réplica da população. Isto é, procura-se incluir na amostra, com a mesma proporção com que ocorrem na população, os seus diversos elementos. É muito utilizada em prévias eleitorais e sondagem de opinião pública. Tem como principais vantagens o baixo custo e o facto de conferir alguma estratificação à amostra. 3.6.4 Determinação do tamanho da amostra. De acordo com (Gil, 2001), para que uma amostra represente com fidedignidade as características do universo, deve ser composta por um número suficiente de casos. Este número, por sua vez depende dos seguintes factores: extensão do universo, nível de confiança estabelecido, erromáximo permitido e percentagem com a qual o fenómeno se verifica. -Amplitude do universo – A extensão da amostra tem a ver com a extensão do universo (população). Os universos de pesquisa são classificados em finitos e infinitos. Universos finitos são aqueles cujo número de elementos não excede a 100.000. Universos infinitos, por sua vez, são aqueles que apresentam elementos em número superior a esse. São assim denominados porque, acima de 100.000, qualquer que seja o número de elementos do universo, o número de elementos da amostra a ser seleccionada será rigorosamente o mesmo. -Nível de confiança estabelecido. O nível de confiança de uma amostra refere-se à área da curva normal definida a partir dos desvios-padrão em relação à sua média. Numa curva normal, a área compreendida por um desvio-padrão à direita e um à esquerda da média corresponde a aproximadamente 68% do seu total. A área compreendida por dois desvios-padrão, por sua vez, corresponde a aproximadamente 95,5% do seu total. Por fim, a área compreendida por três desvios corresponde a 99,7% do seu total. Isto significa que, quando na selecção de uma amostra são considerados dois desvios-padrão, trabalha- 31 se com um nível de confiança de 95,5%. Quando, por sua vez, são considerados três desvios-padrão, o nível de confiança passa a ser de 99,7%. -Erro máximo permitido. Os resultados obtidos numa pesquisa a partir de amostras não são rigorosamente exactos em relação ao universo de onde foram extraídas. Esses resultados apresentam sempre um erro de medição, que diminui na proporção em que aumenta o tamanho da amostra. O erro de medição é expresso em termos percentuais e nas pesquisas sociais trabalha-se usualmente com uma estimativa de erro entre 3 e 5 %. -Percentagem com que o fenómeno se verifica. A estimativa prévia da percentagem com que se verifica um fenómeno é muito importante para a determinação do tamanho da amostra. Por exemplo, numa pesquisa cujo objectivo é verificar qual a percentagem de protestantes que residem numa cidade, a estimativa prévia desse número é bastante útil. Se for possível afirmar que essa percentagem não é superior a 10%, será necessário um número de casos bem maior do que numa situação em que a percentagem presumível estivesse próxima de 50%. Assim, salientam-se duas fórmulas para o cálculo do tamanho da amostra: -Fórmula para o cálculo de amostras para populações infinitas. n = σ2p.q/e2 n = Tamanho da amostra. σ2 = Nível de confiança escolhido, expresso em número de desvios-padrão. p = percentagem com a qual o fenómeno se verifica. q = Percentagem complementar (100 – p). e2 = Erro máximo permitido. Por exemplo: Calcule o tamanho da amostra a ser seleccionada, sobre o número de protestantes residentes em determinada cidade que tem uma população superior a 100.000 habitantes, considerando os seguintes dados: o número de protestantes se situa por volta de 10%; nível de confiança fixado em 99,7%; erro máximo tolerado de 2%. 32 -Fórmula para o cálculo de amostras para populações finitas. n = σ2p.q.N/e2 (N – 1) + σ2p.q n = Tamanho da amostra. σ2 = Nível de confiança escolhido, expresso em número de desvios-padrão. p = percentagem com a qual o fenómeno se verifica. q = Percentagem complementar (100 – p). N = Tamanho da população. e2 = Erro máximo permitido. Por exemplo: uma pesquisa que tenha por objectivo verificar quantos dos 10.000 empregados de uma fábrica são sindicalizados. Presume-se que esse número não seja superior a 30% do total, deseja-se um nível de confiança de 95% (dois desvios) e tolera-se um erro de até 3%. Dada a complexidade do assunto, Carrillo Ramos e Santiesteban Naranjo (2014), salientam os seguintes procedimentos para o cálculo do tamanho da amostra: -Se a população for heterogénea e/ou existirem variáveis numerosas, é necessário uma amostra ampla, nunca inferior a 30%. -Se a população for homogénea e as variáveis se referirem a coisas estáveis, a amostra pode ser mais pequena, só de 26%. 33 4 ELABORAÇÃO E APRESENTAÇÃO DO ANTEPROJECTO Desde que se tenha em vista uma pesquisa qualquer, deve-se pensar antes de tudo em elaborar um projecto que possa garantir sua viabilidade. Trata-se do plano de pesquisa. O projecto faz a previsão e a provisão dos recursos necessários para atingir o objectivo proposto de solucionar um problema e estabelece a ordem e a natureza das diversas tarefas a serem executadas dentro de um cronograma a ser observado. Muitas pesquisas importantes, tanto para as ciências como para o pesquisador, viram-se fadadas ao fracasso porque não foi feito um projecto (Cervo et al., 2007). Em síntese, de acordo com Prodanov e Freitas (2013), a elaboração e apresentação do projecto de pesquisa consta dos seguintes itens, cuja caracterização está espelhada nas fases do método de pesquisa: 4.1 Elaboração do Anteprojecto. Nesta fase são elaborados os conteúdos mais importantes da previsão dos restantes momentos da investigação científica ou da pesquisa propriamente dita. Por isso, os conteúdos já elaborados devem ser adequadamente arquivados em ficheiros, manuscritos ou informatizados, para a posterior apresentação do Anteprojecto à instituição. Etapas essenciais: 1) Definição do tema e do título (O quê?). O tema é o assunto que desejamos provar ou desenvolver. Pode surgir de uma dificuldade prática enfrentada pelo pesquisador, da sua curiosidade científica, de desafios encontrados na leitura de outros trabalhos ou da própria teoria. Pode ser sugerido pela entidade responsável, portanto, “encomendado”, o que, porém, não lhe tira o carácter científico. Independentemente da sua origem, o tema é, nessa fase, necessariamente amplo, precisando bem o assunto geral sobre o qual desejamos realizar a pesquisa. Do tema é feita a delimitação, que deve ser dotada de um sujeito e um objecto. Já o título, acompanhado ou não por subtítulo, difere do tema. Enquanto este último sofre um processo de delimitação e especificação, para torná-lo viável à realização da pesquisa, o título sintetiza o seu conteúdo. 34 2) Fundamentação teórica/Revisão da literatura (Quais conceitos?). Após a escolha do tema, o pesquisador deve iniciar amplo levantamento das fontes teóricas (relatórios de pesquisa, livros, artigos científicos, monografias, dissertações e teses), com o objectivo de elaborar a contextualização da pesquisa e sua fundamentação teórica, a qual fará parte do referencial da pesquisa na forma de uma revisão bibliográfica (ou da literatura), buscando identificar o “estado da arte” ou o alcance dessas fontes. Essas providências mostrarão até que ponto esse tema já foi estudado e discutido na literatura pertinente. A fundamentação teórica ou revisão da literatura, no âmbito da elaboração do anteprojecto, não substitui o laborioso trabalho de “construção” de uma fundamentação téorica mais ampla e profunda da problemática de pesquisa, sendo um dos itens essenciais do cronograma de actividades para a concretização do Trabalho de Fim do Curso. Apesar disso, todas as fontes bibliográficas relevantes nesta etapa também serão úteis e referenciadas na monografia. Nessa etapa, como o próprio nome indica, analisamos as mais recentes obras científicas disponíveis que tratem do assunto ou que forneçam um fundamento teórico e metodológico para o desenvolvimento do projecto de pesquisa. É aqui também que são explicitados os principais conceitos e termos técnicos a serem utilizados na pesquisa. Todo projecto de pesquisa deve conter as premissas ou os pressupostos teóricos sobre os quais o pesquisador fundamentará sua interpretação. Destacar: -Análise de conceitos e constructos; -Definição dos termos: para torná-los claros, compreensivos, objectivos e adequados. -Selecção das obras e dos trabalhos