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FINANÇAS E GESTÃO TRIBUTÁRIA Autoria: Valdecir Knuth Indaial - 2022 UNIASSELVI-PÓS 2ª Edição CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Jairo Martins Marcio Kisner Marcelo Bucci Revisão Gramatical: Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2022 Impresso por: K74f Knuth, Valdecir Finanças e gestão tributária. / Valdecir Knuth – Indaial: UNIASSELVI, 2022. 164 p.; il. ISBN Digital 978-65-5646-556-2 1. Gestor tributário. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 330 Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................5 CAPÍTULO 1 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA ........................... 7 CAPÍTULO 2 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS ...... 65 CAPÍTULO 3 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO PARA GESTÃO NAS EMPRESAS ..115 APRESENTAÇÃO Na vida pessoal, assim como nas empresas, existe uma quantidade significativa de impostos que temos que pagar. Muitas pessoas não avaliam o quanto pagamos efetivamente de impostos nos produtos e serviços que são consumidos, seja por pessoa física ou jurídica. Os efeitos tributários estão tão inseridos no nosso dia a dia que nem nos damos conta disso. No mundo dos negócios é preciso estar sempre atento aos efeitos tributários que o fisco impõe, pois estes efeitos acabam impactando na geração da riqueza das empresas. O gestor tributário deve oferecer soluções aos administradores da empresa e enquadrar a empresa da melhor forma possível para evitar incorrer em erros fiscais devido à alta complexidade da área tributária. Cabe ao gestor tributário também buscar oportunidades para a redução da carga tributária e promover assim a maior economia tributária possível. O material deste Livro de Estudos está organizado em três capítulos que possibilitam o conhecimento da gestão tributária, envolvendo a legislação, o sistema tributário, os enquadramentos tributários para as empresas e o planejamento tributário. No Capítulo 1, você irá estudar os elementos básicos que constituem o papel da gestão tributária e os conceitos do direito tributário que têm relação direta com a legislação tributária, a qual é bastante ampla e complexa e deve ser amplamente estudada para melhor atender à gestão tributária nas empresas. Você também irá estudar os tipos de tributos existentes, como o ICMS, PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e o ISS. Os seus elementos e a forma como os impostos são aplicados é parte deste capítulo também; os temas que abrangem a obrigação tributária e a base de cálculo que é denominada a grandeza tributária para arrecadação de erário público. No Capítulo 2, você irá aprender sobre como funciona o sistema tributário nacional, os aspectos legais, as bases e a abrangência da tributação no regime de lucro presumido, no regime do simples nacional e no regime do lucro arbitrado que irão contribuir para o melhor enquadramento tributário das empresas. Você também irá estudar a tributação no regime do lucro real, o fato gerador pertinente a esse regime tributário e aprender como apurar o lucro real da empresa. No Capítulo 3, você irá estudar o que é e como se procede o planejamento tributário, suas características e os modelos de planejamento aplicáveis. Além disso, você irá conhecer a auditoria tributária, a melhor opção para o enquadramento tributário e operações relacionadas ao crédito tributário nas compras para empresas enquadradas no simples nacional, lucro presumido e lucro real. Leia cada capítulo com atenção e desenvolva todas as atividades de aprendizagem. Mas, lembre-se: os conteúdos apresentados neste livro têm a finalidade de enriquecer os seus conhecimentos e aumentar a capacidade de implementar essas ferramentas aqui estudadas na vida profissional, o que resultará na melhoria da gestão financeira e, consequentemente, na melhoria dos resultados da empresa. Busque mais informações e procure sempre se atualizar, pois as exigências do mercado nos reservam desafios constantes e a busca do conhecimento aliada à determinação e ao saber fazer é fundamental. Tenha um excelente estudo! Prof. Valdecir Knuth CAPÍTULO 1 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Conhecer os conceitos da gestão tributária, principalmente os relacionados aos aspectos da administração de todos os processos da empresa que envolvem os tributos e o planejamento estratégico do negócio. Saber as diferenças entre tributação e o pagamento dos impostos nas três esferas (federal, estadual ou municipal), nas quais os principais impostos cobrados em cada uma das esferas no Brasil são: Em nível federal: o II – Imposto sobre a importação de produtos estrangeiros. o IE – Imposto sobre a exportação de produtos nacionais ou nacionalizados. o IR – Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. o IPI – Imposto sobre produtos industrializados. o IOF – Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos ou valores mobiliários. o ITR – Imposto territorial rural. Em nível estadual: o ICMS – Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. o IPVA – Imposto sobre propriedade de veículos automotores. 8 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA o ITCMD – Imposto sobre transmissões causa mortis e doações de qualquer bem ou direito. Em nível municipal: o IPTU – Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana. o ITBI – Imposto sobre a transmissão intervivos de bens e imóveis e de direitos reais a eles relativos. o ISSQN – Impostos sobre serviços de qualquer natureza. Saber que o “método da Contabilidade Tributária” que consiste em: adequar o planejamento tributário e elaborar relatórios contábeis efi cazes que demonstrem com presteza e exatidão os resultados constantes nas contas do patrimônio e do resultado. Elaborar estudos para compreender a relevância dos tributos, e que estes somente podem ser defi nidos por Lei Complementar e existem três elementos fundamentais de um tributo: o fato gerador, o contribuinte e a base de cálculo. Compreender que a União tem o poder regulatório de mercado, utilizando os artifícios tributários para viabilizar ou inviabilizar a entrada de mercadorias do mercado externo para o território nacional. 9 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO No Brasil existe uma elevada carga tributária e por isso é fundamental iniciarmos este livro com uma abordagem sobre os principais conceitos da gestão tributária para melhor compreender a gestão fi scal de uma empresa. É preciso que os gestores das empresas estejam amparados com todas as informações necessárias para compreender o enquadramento tributário da sua empresa, seja no regime tributário do Simples Nacional, do Lucro Presumido ou do Lucro Real. Em cada regime tributário existem particularidades específi cas que acabam impactando nos resultados das empresas. Isso ocorre porque o peso tributário em cada enquadramento é diferente, tanto na tributação sobre o Lucro da empresa que é o IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) como nos parâmetros relacionados aos tributos incidentes nas compras dos produtos para a empresa. Existem diferentesincidentes nas operações internas. Se alguma empresa importar algum tipo de produto de algum outro país, ao se realizar o desembaraço aduaneiro para nacionalizar o produto e poder transitar em território nacional, essa mercadoria também será submetida a vários tributos. Bueno (2021, s.p.) relaciona os tributos incidentes na importação e esclarece que determinados tributos são aplicados somente em algumas mercadorias. 1) Imposto de Importação (II) 2) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) 3) Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços – (PIS/PASEP- Importação) 4) Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – (COFINS-Importação) 5) Antidumping 6) Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre Combustíveis (CIDE-Combustíveis) 7) Medidas Compensatórias 8) Medidas de Salvaguarda 9) Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) Não podemos esquecer que o mesmo ocorre também na importação de serviços, por exemplo, se a empresa adquirir algum tipo de máquina de algum outro país e a tecnologia é extremamente atual, é muito comum que esta mesma empresa contrate os serviços de algum engenheiro da empresa fabricante dessa máquina, ou alguém que presta serviços para a empresa fabricante dessa máquina. Nesse caso, existe a importação de serviços que também estarão sujeitos à aplicação do ISS, IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte), 40 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA PIS, COFINS e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) exatamente da mesma forma como ocorre a tributação dos serviços prestados em território brasileiro a partir de empresas prestadoras de serviços constituídas no Brasil. De acordo com CEFIS (2021), os tributos que podem incidir em uma importação de serviços são os seguintes: • ISSQN • PIS • COFINS • IRRF • CIDE • IOF Pode parecer estranho, porque os custos da compra ou da contratação desses serviços também sofreram tributação no seu país de origem, porém esses serviços ainda não sofreram o mesmo nível de tributação existente em território brasileiro. Por esse motivo, ao importar serviços, esses deverão estar sujeitos também à tributação brasileira para evitar que os custos desses serviços sejam menores que os existentes no Brasil, o que geraria a chamada concorrência desleal. Porém, seria interessante os serviços em território brasileiro sofrerem a redução de carga tributária porque isso permitiria aos serviços criados no Brasil serem exportados para outros países, e não manter da forma como se encontra na atualidade, por que isso deixa o Brasil em desvantagem na concorrência internacional. Obviamente nas importações a incidência da carga tributária é realizada com maior rigor justamente para regularizar o mercado interno e proteger a indústria nacional, evitando-se desta forma prejudicar a indústria brasileira. Veja o exemplo da importação de um veículo colecionável. 41 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 FONTE: Araújo (2011, s.p.) FIGURA 2 – VEÍCULO ANTIGO De acordo com Araújo (2011), temos a seguinte carga tributária para um veículo colecionável: Um carro de até 6 pessoas e com cilindrada superior a 3.000 cm3 (3.0), cuja NCM é a 8703.24.10, paga: 35% de Imposto de Importação 25% de IPI 2% de PIS 9,6% de Cofi ns 12% de ICMS. Aqui temos o montante de: 35% + 25% + 2% + 9,60% + 12% = 83,60% de impostos para nacionalizar esse veículo. Então, se o veículo possui um custo no seu país de origem em US$ 50.000, convertidos pela taxa cambial hipotética de R$ 5,40, o valor fi cará em R$ 270.000,00 e aplicando somente esses impostos, teremos o valor de R$ 225.720,00 apenas de impostos, o que perfaz o valor total de R$ 495.720,00. Isso sem contar com demais despesas para trazer esse veículo. Conforme Araújo (2011), as despesas envolvidas no processo poderão variar dependendo do local em que você se encontre. Elas não são tabeladas nacionalmente e é preciso fazer uma ampla e profunda pesquisa de preços antes de decidir para 42 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA qual Estado/Porto a carga seguirá. Para facilitar a análise, vamos considerar apenas as despesas que normalmente acontecem em um processo normal, não considerando o valor do bem, o transporte e o seguro do veículo. São elas: Despesas antes do embarque Dispensa de LCVM (IBAMA). Solicitação de deferimento de LI (FBVA). CAT (Denatran). Honorários especializados para Despachante Aduaneiro. Honorários para a empresa que emitirá o LCVM/Ibama e o CAT/Denatran. Despesas após chegada da mercadoria no Brasil Remoção do contêiner do Porto para o Porto Seco. Desova do contêiner. Entrega do contêiner vazio. Liberação documental na Agência Marítima. Despesas de conserto/lavagem do contêiner, caso haja alguma avaria. Armazenagem / movimentação da carga no terminal. Realmente esses custos se tornam proibitivos se no caso os países não realizassem os seus acordos comerciais para promover a compra e venda de produtos entre países e assim reduzir um pouco o impacto desses custos. No caso, vimos a importação de um veículo colecionável, mas os acordos comerciais entre os países geralmente ocorrem a partir de produtos de consumo para o mercado em geral. Em Francisco (2021, s.p.) encontramos uma avaliação pertinente às relações comerciais: As relações comerciais entre os países ocorrem há centenas de anos, pois nenhuma nação é autossufi ciente em todos os setores que possam suprir as necessidades da população e proporcionar desenvolvimento econômico. Sendo assim, é comum e necessária a comercialização internacional de recursos naturais, alimentos, fontes energéticas, tecnologia etc. O que ainda temos que considerar são as mercadorias e serviços que são exportados para outros países, e nesse caso existe a isenção tributária, o que torna os produtos com o valor interessante no mercado Internacional. Veja conforme contribuição de Lima (2020, s.p.): O Governo Federal encontrou maneiras de incentivar a exportação de produtos brasileiros, para ganhar mais mercado e criar maior competitividade. Esse incentivo chega até o empresário através da isenção de impostos de exportação, como: 43 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços; PIS - Programa de Formação do Patrimônio; Cofi ns - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados; ISS - Imposto sobre serviços de qualquer natureza. Desta forma, a exportação possui incentivos e a indústria brasileira se benefi cia com a respectiva redução da carga tributária, o que por conseguinte também melhora o saldo da balança comercial brasileira. Assim, as empresas que trabalham com exportação estão contempladas com a isenção de diversos tributos incidentes na venda de mercadorias, a partir do momento em que as destinam ao comércio exterior. Em se relacionando com vantagens tributárias nessa operação, há a possibilidade de manter os créditos tributários apropriados para a aquisição de produtos e demais insumos no mercado Internacional para a produção. Mas, vejamos, a Constituição Federal, em seu art. 153, dá competência à União para instituir impostos sobre: “I- importação de produtos estrangeiros; II- exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados” (BRASIL, 1988). Isso signifi ca que a União tem o poder regulatório de mercado, utilizando os artifícios tributários para viabilizar ou inviabilizar a entrada de mercadorias do mercado externo para o território nacional. Desta forma, há produtos considerados essenciais para o mercado nacional, como medicamentos que nãosão produzidos aqui, e que dependem da indústria farmacêutica estrangeira e esses possuem redução na carga tributária. Por outro lado, existem produtos que podem ser considerados supérfl uos pelo governo e esses terão uma elevada carga tributária. Temos como exemplo o cigarro. De acordo com o observado, o governo possui forte envolvimento no mercado com o objetivo de regular quais são os produtos que mais facilmente podem entrar no mercado nacional ou não. Sob esses aspectos, sobre o Imposto de Importação, o art. 21 do Código Tributário Nacional dispõe que “O Poder Executivo pode, nas condições e nos limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas, ou as bases de cálculo do imposto, a fi m de ajustá-lo aos objetivos da política cambial e do comércio exterior” (BRASIL, 1988). 44 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Um exemplo clássico é quando a importação de produtos estrangeiros está prejudicando o desempenho das empresas nacionais. O governo federal intervém e pode desestimular essa importação mediante a elevação das alíquotas do Imposto de Importação. Veja o seguinte caso conforme Resende (2019, s.p.): O Ministério da Agricultura informou nesta terça-feira (12) que vai aumentar o imposto de importação do leite integral em pó e desnatado da Europa e da Nova Zelândia. A medida visa compensar o fi m do antidumping sobre os produtos. A nova alíquota não foi informada. O antidumping é uma taxa que visa proteger os produtores nacionais da importação de produtos a um preço inferior ao do mercado interno. A prática (dumping) é considerada desleal conforme os acordos internacionais. [...] Mas o setor teme que, sem a taxa, a produção excedente dos europeus seja direcionada ao mercado brasileiro, afetando principalmente os pequenos produtores. [...] Hoje, o imposto de importação do leite em pó, por exemplo, tem alíquota de 28%. Este valor é referente à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. A proposta do governo seria considerar a antiga taxa antidumping, que era de 14,8%, e a soma das duas tarifas chegaria a 42,8%. Percebe-se claramente o risco existente na importação do leite da Europa e Nova Zelândia. Se o governo não intervir, o produtor em território nacional poderá sofrer as consequências. Existe a situação contrária, onde a falta de concorrência pode permitir que no mercado interno sejam formados cartéis que com certeza estarão manipulando os preços e, dessa forma, poderão prejudicar o consumidor. Corrobora Ramos (2021, s.p.): A intervenção do Estado no domínio econômico nada mais é do que todo ato ou medida legal que restrinja, condiciona ou tenha por fi m suprimir a iniciativa privada em determinada área, visando assim, o desenvolvimento nacional e a justiça social, assegurados os direitos e garantias individuais. 45 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 Dentre os motivos determinantes para o surgimento da intervenção estatal na economia, despontam o fracasso do mercado e a necessidade de recriá-lo com o Estado que assumisse determinadas responsabilidades. Outrossim, a intervenção teve por fi m garantir a livre competição e a eliminação da desigualdade. O governo também pode intervir com o objetivo de reduzir as alíquotas do Imposto de Importação para aumentar a concorrência com os produtos externos. Percebe-se, com isso, que o comércio internacional é uma via de mão dupla, ou seja, é preciso respeitar os acordos entre os países, e as divergências devem ser resolvidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC). De acordo com Teixeira (2017, s.p., grifo do autor): O Conselho Geral tem grande importância por atuar no Sistema de Solução de Controvérsias da OMC, que é considerado um dos mais modernos meios de solucionar disputas comerciais internacionais. Os processos costumam surgir em casos de políticas e atos domésticos desleais em face dos Acordos da OMC. Quando um dos membros é prejudicado, tem direito a um foro multilateral para julgar o caso. Como medidas para a adequação tributária, com a “cesta desses impostos” às variações da conjuntura econômica devem ser tomadas de forma rápida e efi caz, nesse caso, eles não estão sujeitos aos princípios da anterioridade e da noventena (cobrados somente após 90 dias da data da publicação da lei) (art. 150, III, letras b e c, da Constituição Federal) (BRASIL, 1988). Tanto no Imposto de Importação como no Imposto de Exportação, as alterações entram em vigor na data de publicação da lei (FABRETTI, 2009). O Brasil participa ativamente e proativamente no comércio sul-americano através do Mercosul. “Países-membros são os países que fundaram o Mercosul ou aqueles que ingressaram após a criação do bloco. São eles: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela (suspensa)” (BUENO, 2021, s.p.). No mercado mundial, o Brasil participa do BRIC, que é composto por Brasil, Rússia, Índia e China, estabelecendo também um comércio com características diferenciadas. 46 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA 4.2 TRIBUTAÇÃO SOBRE SERVIÇOS Os municípios possuem a sua arrecadação tributária sobre os serviços, com a aplicação do ISS (Imposto Sobre Serviços). Foi a Constituição Federal (1988) que concedeu a responsabilidade para legislar sobre o ISS, que é atribuída aos municípios. De acordo com Santos (2015, s.p.): Caberá aos Municípios, mediante a edição de uma lei ordinária, a instituição do ISS. Ademais, é bom lembrar que, na condição de imposto municipal, o ISS poderá ser instituído igualmente pelo Distrito Federal, no exercício da competência tributária cumulativa ou múltipla (art. 147, parte fi nal, CF). Isso signifi ca que cada município pode determinar as regras de tributação do ISS, mas há a necessidade de se respeitar a determinação da Lei Complementar 116/2003. A referida Lei Complementar estabelece quais são as alíquotas que podem ser aplicadas e defi ne uma lista que contêm os serviços que estão sujeitos a esse imposto. Conforme o art. 8º, II da LC 116/2003, a alíquota máxima a ser aplicada sobre o serviço é de 5%. A lista de serviços anexa à Lei Complementar 116/2003 elenca o rol de atividades que devem ser considerados como serviço. De acordo com Xerpay (2019, s.p., grifo do autor): Além do ISS, as empresas também podem ser taxadas por outros impostos que vamos ver a seguir: INSS O INSS é um tributo obrigatório para empresas que contratam colaboradores ou outra organização a qual atue como prestadora de serviço. O recolhimento tem o objetivo de benefícios aos trabalhadores, como aposentadoria, licença maternidade, auxílio doença, pensão por morte, 13º salário e reabilitação profi ssional. O cálculo das alíquotas varia conforme o valor salário e o tipo de trabalhador (empregado, empregado doméstico, contribuinte individual, facultativo ou especial). ICMS Como adiantamos anteriormente, algumas prestações de serviço são tributadas pelo ICMS e não pelo ISS. Os serviços que se enquadram neste tributo de impostos sobre serviços são: distribuição de energia elétrica, transporte rodoviário de cargas 47 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 e serviços de telecomunicações. O tributo nacional, porém, cada unidade federativa tem suas regras específi cas quanto ao cálculo das alíquotas e recolhimento do ICMS. IRPJ O Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) é obrigatório para empresas de qualquer porte e micro empreendedores individuais. Pago trimestralmente, o IRPJ é calculado de acordo com o modelo de tributação que a empresa possui, conheça alguns abaixo: Simples Nacional: o tributo já vem descontado na própria guia de impostos e varia de acordo com o faturamento da empresa; Lucro Presumido: a alíquota para o cálculo do IRPJ é de 15% em cima do valor do lucro presumido. Este lucro tem como base uma tabela do governo que estima o percentual de lucro de acordo com o segmento de atuação; Lucro Real: incide sobre o lucro da empresa a alíquota de 15%. CSLLA Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) é considerada uma das tributações mais representativas, pois abrange todas as pessoas jurídicas do país. Ou seja, além do IRPJ, todas as pessoas jurídicas que optam pelo Lucro Presumido, Real ou Arbitrado devem, também, recolher o CSLL. O cálculo aplicado a este imposto sobre serviços segue a mesma norma de apuração e pagamento estabelecida para o IRPJ. A CSLL é destinada a apoiar o fi nanciamento da seguridade social. Ou seja, investimentos em serviços públicos como: auxílio desemprego, aposentadoria, direitos à saúde, etc. PIS e COFINS O COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) é de caráter federal, calculado sobre o valor da receita da empresa. É outro dos impostos sobre serviços que colabora com o fi nanciamento da seguridade social. O cálculo tem como base o regime tributário: Lucro Presumido: alíquota fi xa de 3%; Lucro Real: alíquota fi xa de 7,6%. O PIS (Programa de Integração Social), por sua vez, junto com o PASEP (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) integra o fi nanciamento do seguro-desemprego e abono salarial dos trabalhadores. A base de cálculo também leva em consideração o regime tributário: Lucro Presumido: alíquota de 0,65%; Lucro Real: alíquota de 1,65%. IRRF O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) é uma antecipação do pagamento do imposto de renda, cobrado pela Receita Federal às empresas. É uma contribuição obrigatória calculada sobre a renda média anual, da empresa ou pessoa física. 48 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Para os trabalhadores contratados no regime de CLT, a tabela vai de 7,5% até 27,5%. Trabalhadores com carteira assinada, que trabalham sob as regras da CLT, as alíquotas variam de 7,5% até 27,5%, de acordo com o salário recebido pelo colaborador. Podem ocorrer situações específi cas listadas na normativa de cada um desses tributos como a transmissão da responsabilidade por substituição tributária. Quando ocorrer a substituição tributária, o adquirente do serviço deve emitir a guia e recolher o valor devido dos tributos aos cofres públicos. A responsabilidade pelo recolhimento do tributo é transmitida ao tomador do serviço por meio da substituição tributária e nesse caso o tomador deve reter esse tributo e descontar do valor a pagar ao prestador do serviço. Vejamos um exemplo de responsabilidade de recolhimento do imposto por substituição tributária, conforme Econet (2021): Certa empresa contrata um serviço de construção civil, constante do item 7.02 (Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos, exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fi ca sujeito ao ICMS.) da lista anexa à LC 116/2003, pelo valor total de R$ 1.000,00. De acordo com Portal Tributário (2021c), será considerado que o município onde o tomador do serviço está estabelecido cobra a alíquota máxima de 5% de ISS para esse tipo de serviço. Pelo que estabelece a LC 116/2003 em seu art. 3º, quando há prestação de serviços do item 7.02, o ISS deve ser pago no local da prestação e, dessa forma, transmite a responsabilidade pelo recolhimento deste ISS ao tomador do serviço. Conforme Contabilizei (2021), a empresa contratante do serviço deve reter o valor de R$ 50,00 referente aos 5% de ISS e recolher ao município onde o serviço foi prestado. A contratante descontará esse valor de R$ 50,00 do valor da duplicata de R$ 1.000,00, pagando somente R$ 950,00 ao prestador do serviço. Neste exemplo, a empresa contratante substituiu a empresa contratada em sua obrigação de recolher o ISS ao município em que o serviço foi prestado. Isso signifi ca que ocorreu a substituição tributária pelo recolhimento do tributo. 49 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 Da mesma maneira que o ISS pode ser atribuído ao tomador do serviço por responsabilidade tributária, o INSS, PIS, COFINS, CSLL e o IR também estão sujeitos a essa sistemática. 4.3 BASE DE CÁLCULO Um dos aspectos extremamente importantes para avaliarmos na Gestão Tributária, envolve a base de cálculo, também chamada de base imponível. Compreende-se por base de cálculo, segundo Nóbrega (2015, s.p.), como sendo “[...] a grandeza econômica sobre a qual se aplica a alíquota para calcular o valor do tributo. Já a alíquota é o percentual ou valor fi xo que será aplicado sobre a base de cálculo para o cálculo do valor de um tributo”. Portanto, a alíquota em qualquer tipo de imposto, é um percentual determinado em lei específi ca (ICMS, IPI, dentre outros) e aplicado sobre um valor que é a base de cálculo. Em Direito Tributário, a alíquota é o percentual ou o valor fi xo que será aplicado sobre a base de cálculo para o cálculo do valor de um tributo. A entidade tributante (Estados, Municípios ou a União) é que determina as alíquotas para que sejam aplicadas nas bases de cálculo, e por sua vez, determina o valor a ser recolhido para estes entes tributantes. Para cada tributo existe uma alíquota específi ca a ser aplicada e podem ser aumentadas ou reduzidas apenas por legislação específi ca. Vamos para um exemplo que envolve o Imposto de Renda na venda de um imóvel. A base de cálculo para o Imposto de Renda é a diferença entre o valor da aquisição desse imóvel e o valor da venda. Nesse caso ocorreu o ganho de capital. Então, se determinada pessoa física ou jurídica adquiriu um imóvel em 2018 por R$ 450.000,00 e o vendeu em 2021 por R$ 520.000,00, ela teve um ganho de capital pela valorização do imóvel em R$ 70.000,00. Haverá a incidência da alíquota de 15% de IRPJ sobre esta valorização de R$ 70.000,00. Portanto, o recolhimento do IRPJ será de R$ 10.500,00. Veja alguns casos em que há isenção tributária na venda de imóvel: 50 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA De acordo com Redação Leoa (2020), há seis casos que isentam o efeito tributário na venda de imóveis que são os seguintes: 1. Utilizar o dinheiro da venda do imóvel para comprar outro A ação é protegida pela lei de nº11.196, no entanto, para fazer uso desta tática é preciso seguir algumas regras e exigências, sendo elas: a) a lei apenas protege a compra e venda de imóveis residenciais; b) o contrato de compra deve ser fechado em até 180 dias após a venda do imóvel; c) só é possível realizar essa ação uma vez a cada cinco anos; d) se a compra for de um imóvel de valor inferior ao ganho de capital, você terá que pagar imposto sobre a parcela restante. Esse é um meio prático e seguro para isentar-se do valor de imposto sugerido pela Receita Federal. 2. Vender imóveis de até R$ 440.000 Também é possível isentar-se da taxa estipulada pelo governo se o imóvel vendido for de até R$ 440.000. Entretanto, para a isenção valer, o vendedor não deve ter outro imóvel ou partes de outras propriedades em seu nome ou, ainda, ter vendido algum imóvel nos últimos cinco anos. 3. Herdar imóvel desobriga o pagamento do Imposto de Renda Porém, é preciso ter herdado o imóvel de pessoas falecidas antes de janeiro de 1998. Essa é, com certeza, uma das menos usadas para isentar Imposto de Renda, mas é bom estar a par de todas as possibilidades. 4. Passar mais tempo no imóvel antes de vendê-lo É bom saber que quanto mais tempo você passar sendo proprietário do imóvel, mais redução de imposto você terá. Para saber exatamente quanto será o imposto em relação ao tempo que você passou no imóvel, utilize o próprio programa de declaração do Imposto de Renda, o site informará quanto será o imposto devido. 5. Declarar todas as benfeitorias realizadas no imóvel 51 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 Umapossibilidade para diminuir o imposto a ser pago à Receita Federal é declarar todas as benfeitorias, o que signifi ca, de fato, declarar todos os gastos com reformas no imóvel, por exemplo. Portanto, se você pintou, ampliou, fez reparos antes de vender seu imóvel, guardou os comprovantes e os mencionou corretamente em suas declarações de Imposto de Renda, poderá conseguir o desconto. Além disso, o valor pago à corretora de imóveis também pode garantir um desconto a mais para você, mas para isso, do mesmo modo, é preciso guardar o recibo de IR. Isso acontece porque a legislação tributária apenas cobra o IR sobre o ganho líquido de capital, e os gastos com obras e imobiliária, portanto, podem ser somados ao valor de compra do imóvel. 6. Abrir uma empresa caso invista em imóveis Como a legislação do Imposto de Renda é mais rigorosa com as pessoas físicas do que com as jurídicas, caso você faça da venda de imóveis uma espécie de negócio, você tem a possibilidade, legalmente, de abrir uma empresa para esse fi m. Dessa forma, você poderá ter mais lucro ao invés de ter que pagar 15% sobre o ganho de capital de cada imóvel vendido. No ICMS, a base de cálculo sempre é o valor da mercadoria. Ela representa o valor fi xado em lei sobre o qual se aplica a alíquota para determinar o montante do tributo devido (FREBETTI, 2008). De acordo com a Constituição Federal (Art. 146, III), cabe à lei complementar estabelecer as normas gerais em matéria de legislação tributária, em especial à defi nição de tributos e de suas espécies, seus respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. Portanto, a Constituição Federal estabelece que essa base de cálculo bem como os critérios para a sua determinação devem ser defi nidos em lei complementar, afi rma Fabretti (2008). 52 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Desta maneira, a base de cálculo para a aplicação de um fator tributário é um dos elementos fundamentais na área jurídica, pois a legislação tributária é ampla e complexa e há a necessidade de atualização e treinamento constantes dos profi ssionais envolvidos assim como também representa o valor fi xado em lei sobre o qual se aplica a alíquota para determinar o montante do tributo devido. Em relação à alíquota, esta corresponde ao percentual defi nido em lei que é aplicado sobre a base de cálculo e que determina o montante do tributo a ser pago. A alteração da alíquota está sujeita aos princípios da legalidade, da irretroatividade e da autoridade sem exceção, quanto a sua anterioridade, dos casos previstos na Constituição (FABRETTI, 1999). Desta forma, a aplicação das alíquotas varia de acordo com uma série de fatores, entre eles qual é o ente tributante, o tipo de mercadoria e o regime tributário da empresa. Isso quer dizer que a alíquota será um percentual quando a base de cálculo for um valor econômico. As alíquotas em percentual são mais comuns em impostos e as alíquotas em valor ocorrem mais em tributos, taxas e contribuição de melhoria. Assim, há a exigência de que seu valor ou percentual seja estabelecido em lei. No Estado de São Paulo, por exemplo, a alíquota de ICMS varia entre 4% e 30%. Veja a contribuição de Tecnospeed (2021): De acordo com o regulamento do ICMS (RICMS) de São Paulo, as alíquotas praticadas pelo estado de São Paulo para as operações interestaduais variam de 4% a 12%. É aplicado 4% na prestação de serviço de transporte aéreo interestadual de passageiro, carga e mala postal. É aplicado 7% nas operações que destinarem mercadorias aos Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro- Oeste e ao Estado do Espírito Santo, assim como nas prestações interestaduais cujo destino seja estes Estados. É aplicado 12% nas operações interestaduais que destinarem mercadorias aos Estados das regiões Sul e Sudeste, assim como nas prestações interestaduais cujo destino seja estes Estados. Em 2021, as alíquotas incidentes sobre as operações internas do estado de São Paulo sofreram um complemento, passando de 7% para 9,4%, de 12% para 13,3%, podendo chegar até 30%. Por exemplo, sobre a comercialização de embalagens para ovo “in natura” incide a alíquota de 9,4% enquanto na comercialização de fumo aplica-se a alíquota de 30%. 53 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 A Figura seguinte apresenta a variação de alíquotas nas operações interestaduais entre os estados brasileiros. FONTE: Boletim (2021, on-line) FIGURA 3 – ICMS: ALÍQUOTAS NAS OPERAÇÕES INTERESTADUAIS Como constatamos na Figura anterior, a aplicação da alíquota varia de Estado para Estado. De acordo com Contabilizei (2021), “o ICMS é um dos impostos mais complexos para se calcular e os percentuais variam por estado, operação, regime de tributação e por produto”. A base de cálculo para cada tributo é defi nida em sua regulamentação. Para sabermos qual o valor correto a ser utilizado como base de cálculo de determinado tributo, devemos atentar para a legislação que trata desse tributo, pois cada qual pode ter uma base de cálculo específi ca, ocorrendo inclusão, redução ou majoração de valores. Além da particularidade de cada tributo, algumas mercadorias ou serviços também podem ter particularidades para defi nição de sua base de cálculo. Podemos citar como exemplo o papel utilizado na impressão de livros e jornais. Segundo Matos (2015, s.p.), O Código Tributário Nacional em seu artigo 9º, inciso IV, alínea “d”, prevê a imunidade tributária do papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. Já a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 150, inciso VI, 54 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA alínea “d”, limita o poder da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, de instituir impostos sobre os livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão, bem como o artigo 128, inciso VI, alínea “d” da Constituição do Estado de Santa Catarina de 1989, o qual veda ao Estado e Municípios, estando a lei Estadual em conformidade com a Lei Maior segundo o Princípio da Simetria. Para a maioria dos tributos incidentes sobre o faturamento, a base de cálculo corresponde ao valor da mercadoria. Devemos, entretanto, observar as exceções defi nidas em lei. Alguns tributos podem fazer parte de sua própria base de cálculo. São os tributos calculados “por dentro”, como é o caso do ICMS, PIS e COFINS. Para melhor compreender o cálculo por dentro, vejamos um exemplo: Digamos que uma mercadoria possui o custo no valor de R$ 100,00 e ao vender essa mercadoria, a empresa irá calcular 12% de ICMS no seu preço. O cálculo será: R$ 100,00 / ( 1 – 0,12 ) onde 0,12 são os 12% em coefi ciente decimal. Assim, R$ 100,00 / 0,88 = R$ 113,64 (que é o valor total da nota fi scal). Desta forma, ao aplicar a alíquota de 12% do ICMS sobre a base de cálculo de R$ 113,64, teremos um valor do ICMS em R$ 13,64. Descontando o valor de R$ 13,64 do valor total da nota fi scal, teremos o valor do produto que é de R$ 100,00. No caso do cálculo “por fora”, simplesmente o percentual do ICMS é multiplicado na base de cálculo que é R$ 100,00 e o valor do ICMS totaliza R$ 12,00. É um valor reduzido, porém no Brasil se aplica a fórmula “por dentro” porque o Estado arrecada mais impostos. Com certeza, uma forma injusta que retira do contribuinte um valor maior de impostos, o que reduz a renda dos consumidores. Vamos relembrar as metodologias para cálculo do lucro e que servem de base de incidência dos impostos. Segundo Carlos R. Júnior (2021, s.p.): lucro real: a adesão é obrigatória para empresas que possuem um faturamento superior a R$ 78 milhões no período de apuração. Empresas com atividades relacionadas ao setor fi nanceiro também são obrigadas a adotar esse regime; lucro presumido: só podem aderir as empresas que não possuírem faturamento anual superior a R$ 78 milhões. Ademais, qualquer empresa que não estiver enquadrada nas obrigatoriedades do Lucro Real pode aderir ao regime. A maioria pode optar pelo Simples Nacional, porém, para aquelas empresas que estão impedidas de serem enquadradas no Simples, ou ainda quando o Simples não é a melhor alternativa, a dúvida fi ca entre Lucro Presumido ou Lucro Real. 55 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 Em relação aos créditos tributários, o tributo, quando a mercadoria é destinada para consumidor fi nal (não é utilizado para processo industrial), torna- se efetivo, e é absorvido em sua totalidade pelo adquirente, o valor recai na totalidade como despesa ou custo indireto. Esclarecendo, consumidor fi nal é a pessoa física ou jurídica que adquire o produto para consumo próprio. No caso, quando a aquisição da mercadoria for destinada à industrialização ou comercialização, alguns tributos passam a atuar de forma diferenciada, possibilitando a apropriação de créditos fi scais. São tributos que permitem o aproveitamento de créditos fi scais, quando destinados à comercialização ou industrialização: ICMS, PIS, COFINS, e unicamente na industrialização, o IPI. Esses créditos fi scais são permitidos devido ao princípio da não cumulatividade dos tributos, previsto na Constituição Federal de 1988. Conforme Maia (2016, s.p.), “o princípio da não-cumulatividade, como limitador do poder de tributar, impõe que seja assegurado o direito ao crédito físico, isso quer dizer creditar o tributo com base nos dispêndios com insumos e bens adquiridos para a revenda”. Observe a seguir a disposição dos tributos com relação à possibilidade de crédito tributário, conforme Grupo Studio (2019, s.p., grifo dos autores): Nem todos os impostos são passíveis de se tornarem créditos fi scais. Todas as regulamentações estaduais e federais, segundo o Código Tributário Nacional (CTN), são seguidas para permitir a geração de valores com os seguintes tributos: Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS): por se tratar de um tributo estadual, seu valor é variável de acordo com a localização da empresa. A possibilidade de se tornar crédito se deve ao fato de ser cobrado em etapas anteriores à entrada da matéria-prima adquirida ou devolução de produtos. Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI): calculado sobre o preço da venda de produtos industrializados, somente pode ser cobrado por empresas de lucro presumido. É válido para produtores ou importadores, se aplicando à compra na entrada da matéria-prima adquirida ou devolução de itens utilizados na produção de bens. Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (Cofi ns): ambos são tributos federais e não possuem variação de cobrança. O primeiro é calculado em cima do faturamento, e o segundo sobre a renda bruta da empresa. Tendo em vista o fato de trabalhar com os quatro impostos passíveis de se tornarem créditos fi scais, o setor industrial é o principal benefi ciário do mecanismo. 56 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Agora, sim, temos os conhecimentos principais necessários para podermos aprofundar os estudos com as formas de apuração dos tributos nos regimes de lucro real e de lucro presumido, uma vez que o simples nacional é uma simplifi cação do lucro presumido. Esses temas serão abordados nos próximos capítulos. Com isso, encerramos esta seção que abordou sobre a tributação sobre o comércio exterior e demais esferas tributárias. 5 No caso de uma empresa importar algum tipo de produto de algum outro país, ao se realizar o desembaraço aduaneiro para nacionalizar o mesmo e poder transitar em território nacional, essa mercadoria precisa ser submetida à tributação. Quais são os tributos que podem incidir em uma operação de importação de mercadorias? 6 A particularidade de cada tributo nos permite identifi car alguns tipos de produtos que possuem imunidade tributária. Cite um exemplo de produto que possui imunidade tributária. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, você conheceu a gestão tributária como um ramo da contabilidade que tem por objetivo aplicar na prática conceitos, princípios e normas básicas da contabilidade e da legislação tributária, de forma simultânea e adequada. A função da gestão tributária é apresentar aos acionistas da organização o efetivo resultado econômico, que não pode ser modifi cado por exigências fi scais. A legislação tributária compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais e as normas complementares que versam sobre tributos e relações jurídicas pertinentes. 57 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 O objeto da contabilidade tributária é apurar com exatidão o resultado econômico do exercício social para atender de forma extracontábil as exigências das legislações tributárias. Tributos são taxas e contribuições, espontâneas ou não, para assegurar o funcionamento do Estado e das coletividades locais. Os impostos podem ser classifi cados em nível federal, estadual ou municipal e sua magnitude e abrangência são defi nidos por legislação específi ca. Os três elementos fundamentais de um tributo são o fato gerador, o contribuinte e a base de cálculo. Fato gerador representa a concretização da hipótese de incidência tributária prevista em abstrato na lei, o que gera a obrigação de pagar o tributo. Contribuinte é o sujeito passivo da obrigação tributária e que tem relação direta e pessoal com o fato gerador. A base de cálculo representa o valor fi xado em lei sobre o qual se aplica a alíquota para determinar o montante do tributo devido. Obrigação tributária é a relação jurídica que se estabelece entre um credor ao exigir de um devedor uma prestação de caráter patrimonial. REFERÊNCIAS ARAÚJO, C. Um roteiro bem explicado sobre a importação de veículos antigos. 2011. Disponível em: https://comexblog.com.br/importacao/um-roteiro- bem-explicado-sobre-a-importacao-de-veiculos-antigos/. Acesso em: 12 jul. 2021. BALSAN, F. Entendendo Substituição Tributária Progressiva em 3...2...1! Disponível em: https://fbalsan.jusbrasil.com.br/artigos/336857152/entendendo- substituicao-tributaria-progressiva-em-321. Acesso em: 5 maio 2021. BOLETIM CONTÁBIL. ICMS - Tabela de Alíquotas nas Operações Interestaduais. Disponível em: https://www.boletimcontabil. com.br/tabelas/icms_orig.pdf. 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Estudar a gestão fi scal sob a perspectiva do lucro de uma organização e nas formas de determiná-lo, se lucro líquido real ou lucro anual, e suas formas de apuração e os regimes tributários reincidentes sobre eles. Elaborar estudos práticos sobre cada tipo de tributação e seus impactos em uma empresa real. Elaborar cálculos do efeito tributário do imposto de renda e da contribuição social na apuração do Lucro Real da empresa, com base mensal, trimestral ou anual, e correlacionar seus impactos nas fi nanças da empresa. 66 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA 67 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Este capítulo tem como objetivo o estudo do Sistema Tributário Nacional e para melhor compreensão vamos conhecer o que são “tributos” e os principais tipos de tributos existentes, diferenciando-os dos “impostos e taxas”. Neste capítulo iremos conhecer as formas de tributação e a apuração dos tributos relacionados com o regime de tributação da empresa enquadrada no Lucro Presumido. No caso do Simples Nacional, este é um regime tributário que tem como objetivo regular o tratamento diferenciado, simplifi cado e favorecido às empresas de micro e pequeno porte mediante o recolhimento unifi cado de tributos. É importante frisar que o percentual de tributação aplicado no Simples Nacional aumenta progressivamente à medida que a receita auferida se torna maior. Em seguida, vamos aprender sobre a modalidade do enquadramento tributário no regime do Lucro Arbitrado ou de Lucro Presumido e Estimado, as formas de apuração dos tributos e sua contabilização nas empresas. O lucro arbitrado é uma modalidade de tributação prerrogativa do Fisco aplicada em última instância nas hipóteses em que a escrituração contábil e fi scal do contribuinte for desclassifi cada. O lucro presumido é uma modalidade tributária que consiste em presumir ou estimar o lucro como sendo um percentual sobre a receita bruta. Esse percentual, que é fi xado em lei, varia de acordo com o tipo de atividade. O enquadramento no regime de lucro presumido está subordinado ao volume de receita bruta auferida pela pessoa jurídica e à inexistência de outros impedimentos legalmente previstos e que dizem respeito à atividade exercida. 2 SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Quando foram defi nidos os conceitos gerais da Gestão Tributária, no Capítulo 1, percebeu-se um elevado grau de contingências tributárias, lacunas essas, que são amplamente discutidas no ambiente jurídico, e a Contabilidade precisa estar atenta para atender e estar de acordo com uma série de leis, normas e decretos que precisam ser cumpridos. 68 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA É possível afi rmar que o Direito e a Contabilidade andam praticamente juntos, e assim são ciências complementares e que precisam acompanhar a evolução das diversas sociedades (OLIVEIRA et al., 2011). Podemos afi rmar que o Direita é a ciência das “normas obrigatórias” e essas são as que disciplinam as relações dos seres humanos em sociedade. Mas existem também as legislações e jurisprudências que são parte integrante das normas jurídicas que vigoram na nação. O que é jurisprudência? Vamos buscar em Politize (2020, s.p.) seu conceito: Jurisprudência é o conjunto de decisões judiciais em um mesmo sentido proferida pelos tribunais. Vamos fazer uma análise mais profunda de cada um desses termos expressos e destacados. Começando por conjunto: implica necessariamente em uma variedade, pluralidade de decisões. Ou seja, havendo uma única decisão, não há o que se falar em jurisprudência. No caso de haver uma única decisão judicial a respeito de um tema, podemos dizer que há um precedente judicial, que muitas vezes não gera grandes efeitos na órbita jurídica. Decisões judiciais: uma decisão é o fruto do processo judicial, proferida pelo Magistrado após a resolução de um caso. Serve para pacifi car os confl itos, com conteúdo decisório que, como resultado, produz uma sentença. Pode condenar ou absolver o réu e reconhecer ou não o direito do reclamante. Neste caso entendemos decisão judicial em sentido amplo, ou seja, a sentença que estabelece um sentido sobre determinada matéria. Em relação a estas normas, podemos elencar as que estabelecem as “regras gerais de direito tributário”, que são plenamente aplicáveis aos entes federativos como: União, Estados e Municípios. As “normas gerais do direito tributário” constituem o Sistema Tributário Nacional, que é a área que disciplina a arrecadação e distribuição de rendas no Brasil. Sobre normas gerais do direito tributário, buscou-se em Almeida (2021, s.p.): As normas gerais de direito tributário explicitam os pontos mais importantes do modelo normativo constitucional tributário, podendo-se afi rmar que são normas de integração do texto constitucional, complementando-o de forma a esclarecer a intenção do poder constituinte, ou seja, tornam efetivas as normas jurídicas constitucionais tributárias e não podem inovar ou ir além desses ditames. 69 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 À vista do papel atribuído à lei complementar pelo poder constituinte, não se pode afi rmar que seus dispositivos seriam desfavoráveis aos princípios da isonomia,da autonomia municipal e do sistema federativo, mas, sim, que solidifi cam tais princípios constitucionais e estruturam as regras básicas a ser seguidas por todos os entes federativos tributantes, uma vez que favorecem primordialmente o princípio constitucional da segurança jurídica tributária e, portanto, visam a impedir distorções interpretativas pelas pessoas políticas de direito público interno e possibilitam um melhor conhecimento e aplicação das normas jurídicas tributárias pelos contribuintes. Pode-se dizer então que a Contabilidade é a ciência que tem por premissa estudar e praticar as funções de orientação, controle e registro dos atos e fatos de uma entidade econômica. A Contabilidade, então, serve como ferramenta para o gerenciamento do patrimônio da empresa, prestação de contas aos sócios e também às autoridades responsáveis pela arrecadação tributária. Oliveira et al. (2011, p. 3-4) esclarece que: No exercício de suas funções, claro está que o contador deve obedecer, além das normas e dos princípios fundamentais de contabilidade, também à legislação tributária concernente ao registro contábil e divulgação dos tributos que incidem nas diversas fases das empresas e, principalmente, sobre a obtenção de renda e lucro em determinado período. Justifi ca- se, portanto, a imperiosa necessidade de os contadores conhecerem determinados aspectos da legislação tributária, devido à grande infl uência nas rotinas das organizações. Portanto, conforme Peixoto (2021), “Art.96 – A expressão “legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”. O Código Tributário Nacional determina que somente a lei pode estabelecer, conforme LEGJUR (2021): Art. 97: - Somente a lei pode estabelecer: I- a instituição de tributos, ou a sua extinção; II- a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos arts. 21, 26, 39, 57 e 65; [[CTN, art. 21. CTN, art. 26. CTN, art. 39. CTN, art. 57. CTN, art. 65. ]]; 70 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA III- a defi nição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do CTN, art. 52, e do seu sujeito passivo; IV- a fi xação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; [[CTN, art. 21. CTN, art. 26. CTN, art. 39. CTN, art. 57. CTN, art. 65. ]]; V- a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela defi nidas; VI- as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º - Equipara-se à majoração do tributo a modifi cação de sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. § 2º - Não constitui majoração de tributo, para os fi ns do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Entende-se que somente a legislação pode instituir um tributo. Vejamos o signifi cado desse termo: Segundo Ferreira (2021, s.p.), “o conceito de tributo encontra-se expressamente previsto no art. 3º do Código Tributário Nacional.” da seguinte forma: tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Para melhor compreensão sobre esse assunto, Oliveira et al. (2011) apresenta as seguintes características dos tributos: Prestação pecuniária: signifi ca que o tributo deve ser pago em unidade de moeda corrente, inexistindo o pagamento in natura ou in labore, ou seja, o que é pago em bens ou em trabalho ou prestação de serviço; Compulsória: obrigação independente da vontade do contribuinte; Em moeda cujo valor se possa exprimir: os tributos são expressos em moeda corrente nacional (reais) ou por meio de indexadores; Que não constitua sanção de ato ilícito: as penalidades pecuniárias ou multas não se incluem no conceito de tributo; Instituída em lei: só existe a obrigação de pagar o tributo se uma norma jurídica com força de lei estabelecer essa obrigação; 71 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada: a autoridade não possui liberdade para escolher a melhor oportunidade de cobrar o tributo; a lei já estabelece todos os passos a serem seguidos. Com essas características, é possível afi rmar que os tributos estão estruturados de forma a permitir que o Estado possa efetivar a sua cobrança. O Estado envolve a união, os estados, o distrito federal e os municípios. Correia Neto (2021) apresenta as competências tributárias de cada ente federativo na seguinte Figura: FIGURA 1 – REPARTIÇÃO CONSTITUCIONAL DE COMPETÊNCIAS TRIBUTÁRIAS FONTE: Correia Neto (2021, s.p.) Conforme Oliveira et al. (2011), os tipos de tributos são os seguintes: Impostos: decorrem de fatos geradores que são independentes de qualquer contraprestação do Estado em favor do contribuinte; Taxas: estas estão vinculadas diretamente à utilização efetiva ou potencial por parte do contribuinte, de quaisquer tipos de serviços públicos específi cos e divisíveis; Contribuições de melhoria: são cobradas quando o benefício é gerado aos contribuintes por obras públicas. 72 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Maidl (2021, s.p.) permite ampliar este conhecimento em relação aos tipos de tributos: Sendo assim, a teoria adotada por maior parte da doutrina é a pentapartida, ou seja, as espécies de tributos são cinco: os impostos; as taxas; as contribuições de melhoria; as contribuições (especiais); e os empréstimos compulsórios. O fundamento para a adoção desse entendimento, segundo os estudiosos, está no art. 145, cumulado com os arts. 148 (caput) e 149 (caput), todos da Constituição Federal. Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I - impostos; II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específi cos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profi ssionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Desta forma, os impostos representam simplesmente o instrumento pelo qual o Estado utiliza para gerar os seus recursos, para gerenciar a máquina pública, permitir investimentos nas obras públicas e direcionar o comportamento da economia, uma vez que mais ou menos tributos poderão permitir a entrada de produtos do mercado externo ou não (OLIVEIRA et al., 2011). Desta maneira, os controles puramente fi scais aplicados para as empresas servem como exigências fi scais impostas por lei e devem ser cumpridas mediante sua aplicação. Isso quer dizer que os tributos são devidos na forma exigida, mediante amparo legal (FEBRETTI, 1999). Pois bem, como já foi estudado no Capítulo 1, o objeto da contabilidade tributária é apurar com extrema exatidão o resultado econômico de cada exercício social de forma a atender as exigências da legislação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro. A empresa deverá sempre dispor de planilhas ou de anotações que permitam ao fi sco auditar, sempre que possível, as bases de cálculo do Imposto de Renda e Contribuição sobreo Lucro Líquido, e na falta desses, algum tipo de sistema que possa vincular as bases de cálculo do resultado contábil com a apuração devida desses tributos. 73 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 A compreensão dessas necessidades de controles adicionais permite conhecer o tipo de enquadramento tributário que a empresa possa se encontrar e assim aplicar as exigências fi scais de acordo com cada tipo de enquadramento (Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real). Na próxima seção, iremos estudar o enquadramento tributário respectivo ao Simples Nacional. 2.1 SIMPLES NACIONAL A economia brasileira tem forte infl uência das atividades e riqueza gerada pelas empresas de micro e pequeno porte, pois desempenham um papel fundamental para o crescimento da nação, pela forte contribuição na geração de empregos e na melhoria de renda e condições sociais da população em geral. Corrobora CFA (2019, s.p.): Para fugir da crise econômica que assola o país há mais de quatro anos, muitas pessoas recorreram ao empreendedorismo. De acordo com dados do Ministério da Economia, mensurados até abril de 2019, o país tem hoje mais de 13 milhões de empresas optantes pelo Simples Nacional, regime tributário que defi ne as micro e pequenas empresas (MPEs) por faixa de faturamento. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), elas já são as principais geradoras de riqueza no país. As MPEs respondem por 53,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do comércio e, na indústria e no setor de serviços, a participação delas também é relevante – 22,5% e 36,3%, respectivamente. Para se ter uma ideia da relevância delas para a economia do Brasil, basta olhar os números referentes aos empregos formais. Estima-se, a partir das estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que as MPEs contribuíram com 93,6 mil empregos com carteira assinada. O saldo representa 72,3% do total gerado no país em abril de 2019, que foi de 129,6 mil. Por esse motivo, as empresas de micro e pequeno porte recebem um tratamento diferenciado na cobrança de tributos. A partir do ano de 1997, com o advento da Lei nº 9.317/1996, passou a vigorar o Simples Nacional. O objetivo central desta legislação foi o de regular o tratamento diferenciado, simplifi cado e favorecido, aplicável às micro e pequenas empresas, afi rma Santos e Barros (2005). 74 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA E o que isso representa para as empresas? O Simples Nacional representa uma importante contribuição ao facilitar a apuração e recolhimento do imposto. Conforme Endeavor (2021, s.p.): Um regime de arrecadação, cobrança e fi scalização de tributos. Foi criado pela Lei Geral para simplifi car a vida do empreendedor de pequeno porte! Ele unifi ca oito impostos em um único boleto e reduz sua carga tributária. Segundo o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afi f, por exemplo, para quem sai do regime e opta pelo Lucro Presumido, o aumento médio de tributação é de 54%. Os impostos são: – Federais: IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI – Previdência: INSS patronal – Estaduais: ICMS – Municipais: ISS Porém, Santos e Barros (2005) alerta que as condições estabelecidas para as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) para fi ns de estatuto não se confunde com os requisitos exigidos para que tais pessoas jurídicas possam se inscrever no Simples Nacional. São coisas distintas ser ME/ EPP para fi ns de estatuto e ME/EPP para se inscrever no Simples Nacional. Quando consideramos as questões estatutárias de ME/EPP, a lei prevê uma série de benefícios a essas empresas e estabelece normas relativas ao tratamento jurídico diferenciado, simplifi cado e favorecido nos campos: Administrativo; Previdenciário; Trabalhista; Creditício; e De desenvolvimento empresarial. O Simples Nacional nada mais é que uma forma simplifi cada e unifi cada para o recolhimento dos tributos, com a aplicação de percentuais progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, que corresponde à receita bruta gerada nas vendas da empresa. 75 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Dessa forma, Uma ME/EPP, registrada como tal segundo as normas do estatuto, não precisa necessariamente, estar enquadrada no Simples. Isso pode ocorrer inclusive em decorrência das diferenças de limites de receita bruta das respectivas legislações (estatuto da ME/EPP e Lei do Simples) (SANTOS; BARROS, 2005, p. 42). Para efeitos do Simples Nacional, de acordo com Vhsys (2021), a partir de fevereiro de 2021 são consideradas para as microempresas o limite de até R$ 360 mil de faturamento anual (R$ 30 mil mensais). Também a partir dessa data, de acordo com Vhsys (2021) são consideradas para efeitos do Simples Nacional para as Empresas de Pequeno Porte (EPP) o limite de faturamento anual de até R$ 4,8 milhões (R$ 400 mil por mês). Os limites de mercado interno e exportação são avaliados separadamente, não somados num só de R$ 9.600.000,00. Vale dizer, assim como a empresa não pode ter uma receita de mercado interno superior ao limite de R$ 4.800.000,00 de mercado interno, ainda que não tenha receitas de exportação, também não pode ter uma receita de exportação superior ao limite adicional de R$ 4.800.000,00 (SIMPLES NACIONAL, 2021). Isso signifi ca que o Simples Nacional é um regime facultativo para o contribuinte, pois cabe ao empresário decidir por optar ou não por este regime tributário, apesar da empresa estar enquadrada na condição estatutária de ME ou EPP. A opção pelo Simples Nacional deve ser formalizada pela pessoa jurídica por meio da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) exclusivamente pela internet e disponível no site da Receita Federal do Brasil (www.receita.fazenda.gov.br). A partir de sua inscrição, a empresa se submeterá à sistemática do regime tributário do Simples Nacional (SANTOS; BARROS, 2005). Dica: Confi ra na seguinte página (https://www.jornalcontabil.com.br/veja-quais-sao-as-atividades- impeditivas-para-o-simples-nacional/) a relação das atividades vedadas a ingressarem na sistemática do Simples Nacional. 76 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Como já vimos nesta seção, o enquadramento da empresa no Simples Nacional prevê o cálculo do valor dos tributos e contribuições unifi cadas mediante a aplicação de percentuais específi cos sobre a receita bruta mensal. Conforme explica Santos e Barros (2005), esse percentual aumenta progressivamente à medida que a receita auferida se torna maior. Em outras palavras, quanto maior é a receita, maior é o percentual de tributação, observando- se os limites estabelecidos pela legislação. O Simples Nacional é um regime tributário simplifi cado exclusivo para as pequenas empresas, especialmente as MEs e EPPs, que faturam até 4,8 milhões anuais. O valor de impostos no Simples Nacional é de 9,3% do faturamento. Ao optar pelo Simples Nacional, a microempresa paga todos os impostos em uma única guia (DAS), com alíquotas adequadas ao seu faturamento e segmento (GULARTE, 2021). Em relação à tributação do Simples Nacional, há a necessidade em identifi car o ramo de atuação da empresa, se esta é do ramo comercial, industrial ou da prestação de serviços. Isso porque existem anexos diferentes aplicados (TORRES, 2021). Temos o anexo 1, 2 e 3: ANEXO 1 – Tabela Simples Nacional – Comércio – 2018 Faixa Alíquota Valor a Deduzir (em R$) Receita Bruta em 12 Meses (em R$) 1ª Faixa 4,00% – Até 180.000,00 2ª Faixa 7,30% 5.940,00 De 180.000,01 a 360.000,00 3ª Faixa 9,50% 13.860,00 De 360.000,01 a 720.000,00 4ª Faixa 10,70% 22.500,00 De 720.000,01 a 1.800.000,00 5ª Faixa 14,30% 87.300,00 De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 6ª Faixa 19,00% 378.000,00 De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 ANEXO 2 – Tabela Simples Nacional 2018 – Indústria Faixa Alíquota Valor a Deduzir (em R$) Receita Bruta em 12 Meses (em R$) 1a Faixa 4,50%– Até 180.000,00 2a Faixa 7,80% 5.940,00 De 180.000,01 a 360.000,00 3a Faixa 10,00% 13.860,00 De 360.000,01 a 720.000,00 4a Faixa 11,20% 22.500,00 De 720.000,01 a 1.800.000,00 5a Faixa 14,70% 85.500,00 De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 6a Faixa 30,00% 720.000,00 De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 77 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 ANEXO 3 – Tabela Simples Nacional 2018 – Serviços Faixa Alíquota Valor a Deduzir (em R$) Receita Bruta em 12 Meses (em R$) 1a Faixa 6,00% – Até 180.000,00 2a Faixa 11,20% 9.360,00 De 180.000,01 a 360.000,00 3a Faixa 13,50% 17.640,00 De 360.000,01 a 720.000,00 4a Faixa 16,00% 35.640,00 De 720.000,01 a 1.800.000,00 5a Faixa 21,00% 125.640,00 De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 6a Faixa 33,00% 648.000,00 De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 Veja que existem enquadramentos das empresas no Simples Nacional ainda por ramo de atividades. Fazendo uma simulação para a apuração do Simples Nacional com um faturamento no valor de R$ R$ 650.000,00, teríamos: Comércio: R$ 650.000,00 x 9,50% = R$ 61.750,00 ( - ) R$ 13.860,00 = R$ 47.890,00. Indústria: R$ 650.000,00 x 10,00% = R$ 65.000 ( - ) R$ 13.860,00 = R$ 51.140,00. Serviços: R$ 650.000,00 x 13,50% = R$ 87.750,00 ( - ) R$ 17.640,00 = R$ 70.110,00. Até agora vimos somente o enquadramento das empresas no regime tributário do Simples Nacional. Mas existem outras possibilidades de enquadramentos, como veremos adiante. 2.2 LUCRO ARBITRADO A legislação tributária brasileira também prevê o enquadramento tributário das empresas no lucro arbitrado. O regime de tributação com base no lucro arbitrado é utilizado quando não é possível realizar a apuração do imposto devido por intermédio do lucro real ou do lucro presumido e muito menos pelo Simples Nacional, que são os demais regimes tributários contemplados pela legislação. De acordo com Febretti (2008), o lucro arbitrado é uma prerrogativa do Fisco. Ele poderá arbitrar o lucro, na forma da lei, nas hipóteses em que a escrituração contábil e fi scal do contribuinte for desclassifi cada. Estas hipóteses são: a) Se o contribuinte, obrigado a tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fi scais, ou deixar de elaborar as demonstrações fi nanceiras exigidas pela legislação fi scal; 78 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA b) Se a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou defi ciências que a tornem imprestável para: Identifi car a efetiva movimentação fi nanceira, inclusive a bancária; Determinar o lucro real; c) Se o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fi scal, ou o livro Caixa, no caso de opção pelo lucro presumido; d) Se o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; e) Se o comissário ou representante de pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro de sua atividade separadamente do lucro do comitente, residente ou domiciliado no exterior; f) Se o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fi chas utilizadas para resumo e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Isso quer dizer que o lucro arbitrado é um recurso utilizado quase sempre como última alternativa, não encontrando demais modalidades para enquadramento tributário das empresas. Segundo Oliveira et al. (2011), esse regime só deve ser aplicado quando houver ausência absoluta de confi ança na escrituração contábil do contribuinte por qualquer motivo já listado, e isso com certeza, gera dúvidas no fi sco. Em outras palavras, o lucro arbitrado é utilizado pela autoridade tributária para determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e da contribuição social devidos pelo contribuinte, quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido ou se recusar a fornecer os livros e documentos contábeis e fi scais solicitados em um processo de fi scalização (OLIVEIRA et al., 2011, p. 186). Por esse motivo, conforme Já calculei (2021, s.p., grifo do autor): 79 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 O Lucro Arbitrado corresponde a um cálculo do imposto de renda utilizado pela autoridade tributária ou pelo contribuinte. Isso acontece quando a pessoa jurídica deixa de cumprir as obrigações acessórias determinadas pelo Lucro Presumido ou Real, como a não apresentação de documentos ou, até mesmo, por fraudes fi scais. Conforme Santos e Barros (2005), mesmo as empresas (pessoas jurídicas) tributadas nesse regime fi cam obrigadas a comprovar as receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Desta forma, a escrituração contábil deverá contemplar esses registros, o que em caso de negativa na escrituração, poderá culminar em potencial notifi cação tributária. Embora não seja tratado como uma sanção, mas de apuração da base de cálculo, o lucro arbitrado não libera a empresa da aplicação das penalidades previstas na legislação. Essa forma de tributação concede à pessoa jurídica enquadrada nesse regime tributário, também proceder ao autoarbitramento. Vejamos os fatores que levam ao Arbitramento do Lucro da Pessoa Jurídica, estabelecidos no artigo 530 (Decreto nº 3.000/99): Art. 530 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I- o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fi scais, ou deixar de elaborar as demonstrações fi nanceiras exigidas pela legislação fi scal; II- a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou defi ciências que a tornem imprestável para: a) identifi car a efetiva movimentação fi nanceira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III- o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fi scal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV- o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V- o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI- o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fi chas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. 80 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Conforme Santos e Barros (2005), isso apenas é possível quando a empresa tem condições para a apuração da receita bruta e desde que se possa aplicar as hipóteses já mencionadas. Desta forma, a pessoa jurídica poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda de acordo com base no lucro arbitrado, porém, devem ser observadas as seguintes regras apresentadas por Santos e Barros (2005) com base na legislação: Deve ser realizada a cada trimestre do ano calendário, a apuração com base no lucro arbitrado, o que deverá assegurar, nos trimestres não submetidos ao arbitramento, a tributação com base no lucro real. Isso se a pessoa jurídica dispuser de escrituração, na forma exigida pelas leis comerciais e fi scais, que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos pela tributação com base no lucro arbitrado; Por expressa autorização da IN SRF nº 93/1997 (art. 47), a pessoa jurídica que, em qualquer trimestre do ano-calendário, tiver seu lucro arbitrado poderá optar pela tributação com base no lucro presumido relativamente aos demais trimestres desse ano-calendário, desde que não esteja obrigadaoportunidades para o crédito tributário das compras para a empresa, pois o impacto dos tributos é diferente. A gestão tributária é considerada um dos ramos da contabilidade e é fundamental o conhecimento da legislação a esse respeito. A seguir, vamos conhecer o conceito e objeto da gestão tributária e os elementos de um tributo, o seu fato gerador e avaliar a obrigação tributária existente. Com isso, poderemos estudar a base de cálculo de um tributo e avaliar o resultado da alíquota. 2 ELEMENTOS BÁSICOS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Um líder norte-americano muito famoso, que provavelmente você já ouviu falar, Benjamin Franklin falou uma frase muito famosa, conforme adaptação de Nogueira (2012, s.p.), que é a seguinte: “[...] dessa vida com tantas lutas e sofrimentos que nós passamos apenas temos certeza de duas coisas, que a morte é existente e não podemos fugir dos impostos”. 10 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Esta frase tem um signifi cado profundo no sentido de atribuir duas situações que primeiramente não nos sentimos devidamente confortáveis em ouvir ou refl etir, mas com certeza essa declaração confi rma que todas as pessoas físicas e jurídicas estão sujeitas ao recolhimento dos tributos para a manutenção fi nanceira e econômica do Estado (União, Estados e Municípios). Além de cobrar os impostos, o Estado (União, Estados e Municípios) tem um poder regulador no controle dos produtos e riquezas produzidas, pois ao elevar a carga tributária de determinado produto, pode restringir a circulação deste em território nacional ou em determinado estado da federação. O Estado pode infl uenciar na tributação do ICMS do produto e evitar que este seja importado de outro país com o objetivo de fortalecer a produção e a comercialização dentro do seu território. Isso signifi ca que o Estado é um órgão regulador na manutenção industrial e comercial dos produtos através da redução ou elevação de tributos em determinados produtos. Outro assunto que está plenamente vinculado à gestão tributária é a contabilidade tributária. Esta pode ser defi nida, segundo Fabretti (1999, p. 25), da seguinte forma: É o ramo da contabilidade que tem por objetivo aplicar na prática conceitos, princípios e normas básicas da contabilidade e da legislação tributária, de forma simultânea e adequada. Como ramo da contabilidade, deve demonstrar a situação do patrimônio e o resultado do exercício, de forma precisa e clara, rigorosamente de acordo com os conceitos, princípios e normas básicas da contabilidade. O resultado apurado deve ser economicamente exato. Porém, na visão de Fabretti (1999) existem certas particularidades que possibilitam a legislação tributária frequentemente atropelar os resultados econômicos em detrimento do lucro real apurado da empresa, pois acrescenta ao resultado fi scal determinados gastos que o fi sco entende como indedutíveis para a apuração do lucro real. Por esse motivo, há a necessidade de frequentes ajustes do lucro tributável para que a empresa possa atender às exigências fi scais, por isso, é necessário o planejamento tributário. 11 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 Uma das áreas envolvidas no planejamento tributário é a Contabilidade Tributária, que tem a função de apresentar aos sócios e investidores, ou acionistas da empresa, a apuração do resultado econômico e, neste caso, não pode conter mudanças para atender às exigências fi scais. A contabilidade sempre deve demonstrar com exatidão o patrimônio e o resultado do exercício apurado na empresa (FABRETTI, 1999). Isso quer dizer que o próprio fi sco impõe às empresas que estas realizem controles extracontábeis e meramente fi scais, o que equivale a afi rmar que devem ser provisionados todos os tributos apurados pela demonstração do resultado do exercício da empresa. Vejamos o seguinte exemplo de Fabretti (1999, p. 25): Se os sócios proprietários da empresa realizaram uma conferência do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) apurando a alíquota de 15% sobre o resultado antes da provisão do IRPJ, serão encontradas diferenças, por esse motivo há a necessidade de demonstrar em notas explicativas o que ocorre nas demonstrações fi nanceiras da empresa, devendo sempre informar que o IRPJ foi calculado na forma da lei (resultado do exercício + adições - exclusões - compensações), em outras palavras esse tipo de apuração de resultado é o que o fi sco determina como sendo o lucro real, e não é meramente o resultado econômico antes da provisão desse tributo mas sim o que chamamos de resultado fi scal. O gestor empresarial precisa ter uma compreensão ampla do conceito de legislação tributária. De acordo com as Normas Gerais de Direito Tributário, em seu art. 96, a expressão “legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. É possível perceber que a Gestão Fiscal ou Tributária envolve profundamente os conceitos relacionados ao direito tributário, assunto este que é bastante complexo. Porém, não há necessidade de se preocupar uma vez que neste livro apresentamos a gestão tributária de forma didática e bastante simplifi cada. Gestão Tributária, de acordo com Gularte (2021, s.p.), “[...] consiste em administrar todos os processos da empresa que envolvem os tributos e o planejamento estratégico do negócio.” E Direito Tributário “[...] é um ramo do direito público que tem como propósito regular como ocorre a cobrança de tributos pelo Estado das pessoas naturais e jurídicas” (PROJURIS, 2021, s.p.). São dois temas extremamente áridos se houver a pretensão de reuni-los sob a ótica da gestão fi scal, pois estão relacionados com os atos e fatos administrativos. 12 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Você já deve ter ouvido falar ou estudado os atos e fatos administrativos, estes que produzem modifi cações no patrimônio da empresa e por consequência também no resultado econômico (lucro ou prejuízo), e isso é feito pela escrituração contábil (FABRETTI,1999). Em contrapartida, as exigências que o fi sco nos coloca para determinação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL são demonstradas de forma extracontábil no livro fi scal chamado Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Após a apuração dos valores relacionados às provisões para o pagamento desses respectivos tributos, estes são registrados na contabilidade e são descontados, abatidos do resultado econômico. É sabido que as empresas pagam, além dos tributos, as taxas e contribuições de melhorias, sejam elas espontâneas ou compulsórias, que tem por objetivo manter o funcionamento das atividades da máquina pública e deve permitir o bem-estar social com investimentos em infraestrutura, segurança, educação, saneamento básico e principalmente saúde pública. Estes serviços são extremamente caros no sentido de alto valor despendido ou investido e para assegurar a sua manutenção há necessidade de o Estado arrecadar elevados tributos. Segundo dados de Martello (2020, s.p.), o funcionalismo federal, que é o mais oneroso, custa para o Brasil 4,26% do PIB. Vale destacar também que o país investe apenas 0,20% do PIB em saneamento, de modo que o país tem mais de 100 milhões de habitantes sem acesso à Saneamento Básico, com cerca de 35 milhões deles sem água potável. Talvez você já deve ter ouvido falar que as empresas são obrigadas a fazer o que a lei determina. Na verdade, elas podem fazer o que a lei não proíbe enquanto o setor público está limitado a fazer aquilo que apenas é determinado em lei. Assim, a empresa pode se organizar de tal maneira a controlar os efeitos tributários nos seus resultados para que estejam em conformidade com a lei, e sempre apurar pelos menores valores que são permitidos pela respectiva legislação tributária, e não de outra forma. Por esse motivo foi mencionado anteriormenteà apuração do lucro real; O imposto apurado com base no lucro arbitrado terá por vencimento o último dia útil do mês subsequente ao do encerramento de cada período de apuração. Para se realizar a apuração do valor do lucro arbitrado, a empresa deverá ter os registros para apurar o valor da receita bruta. O lucro arbitrado será determinado pela aplicação dos percentuais de presunção do lucro, acrescido de 20%. A título de exemplo, Febretti (2008) apresenta conforme artigo 15 da lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 15 % de presunção % de arbitramento Caput 8% 9,60% Inciso I 1,6% 1,92% Inciso II 16% 19,2% Inciso III 32% 38,40% TABELA 2 – DIFERENÇA ENTRE ARBITRAMENTO E PRESUNÇÃO FONTE: Adaptado de Febretti (2008) 81 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Isso signifi ca que no caso do Caput, o % da presunção ser de 8% deverá acrescentar 20% que nesse caso serão 1,60%, pois 8% x 20% = 1,60% e em seguida somar esse resultado aos 8% da presunção. Desta forma, 8% + 1,60% = 9,60%. Para o Inciso I, o % da presunção é de 1,6% e acrescidos os 20% para o arbitramento deverá ser calculado da seguinte forma: 1,6% x 20% = 0,32% e em seguida somar esse resultado aos 1,6% da presunção. Desta forma, 1,6% + 0,32% = 1,92%. Para o Inciso II, o % da presunção é de 16% e acrescidos os 20% para o arbitramento deverá ser calculado da seguinte forma: 16% x 20% = 3,20% e em seguida somar esse resultado aos 1,6% da presunção. Desta forma, 16% + 3,20% = 19,20%. Para o Inciso III, o % da presunção é de 32% e acrescidos os 20% para o arbitramento deverá ser calculado da seguinte forma: 32% x 20% = 6,40% e em seguida somar esse resultado aos 1,6% da presunção. Desta forma, 32% + 6,40% = 38,40%. No caso das instituições fi nanceiras, o percentual para determinação do lucro arbitrado é de 45% (RECEITA, 2020, p. 10): No caso do valor de partida para a defi nição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, devemos utilizar a Receita Bruta. Compreende a Receita Bruta, conforme determinado no Decreto-Lei nº 1.598/1977: Art. 12 A receita bruta compreende: I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II - o preço da prestação de serviços em geral; III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: I - devoluções e vendas canceladas; II - descontos concedidos incondicionalmente; III - tributos sobre ela incidentes; e IV - valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. Nas atividades desenvolvidas por bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, agências de fomento, caixas econômicas, sociedades de crédito, fi nanciamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta. 82 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Mas, e se acontecer de a receita da empresa não ser conhecida. Como se procederá a apuração? Conforme Febretti (2009), nesses casos deve-se optar por um dos índices a seguir: a) 1,5 do lucro real relativo ao último período em que a pessoa jurídica manteve escrituração, atualizado monetariamente. Caso o lucro real for decorrente do período base anual, o valor que será a base ao arbitramento será proporcional ao número de meses do período-base considerado; b) 0,04 da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido, atualizado monetariamente; c) 0,07 do valor do capital, inclusive sua Correção Monetária do Balanço contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de constituição ou de alteração da sociedade, atualizado monetariamente; d) 0,05 do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido, atualizado monetariamente; e) 0,4 do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; f) 0,4 da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem; g) 0,8 da soma dos valores devidos no mês aos empregados; h) 0,9 do valor mensal do aluguel devido. Perceba como a legislação tributária brasileira é extremamente rigorosa na apuração dos tributos pelo regime arbitrário. Porém, esse é um recurso que somente deve ser aplicado em último caso. Na próxima seção, vamos estudar o funcionamento do mecanismo que trata o regime tributário com base no lucro presumido. 83 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 2.3 LUCRO PRESUMIDO O regime tributário relacionado com o lucro presumido é uma modalidade utilizada por várias empresas com o objetivo de facilitar o recolhimento dos tributos sem a necessidade de utilizar a complicada sistemática exigida para apuração do lucro real. Corrobora Gularte (2021, s.p.) que: O Lucro Presumido é um regime tributário em que a empresa faz a apuração simplifi cada do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A Receita Federal presume que uma determinada porcentagem do faturamento é o lucro. Com esse percentual de presunção, não será mais necessário comprovar para o fi sco se houve ou não lucro no período do recolhimento dos impostos. Conforme demonstraremos a seguir, isso é muito bom em algumas situações, mas pode ser desvantajoso em outros casos. O Lucro Presumido pode ser utilizado pela maioria das empresas no Brasil. Os requisitos para aderir ao Lucro Presumido são apenas que se fature abaixo de R$ 78 milhões anuais e que não se opere em ramos específi cos, como bancos e empresas públicas. As empresas que utilizam esse regime têm alíquotas de imposto que podem variar de acordo com o tipo de atividade que exercem. As porcentagens vão de 1,6% até 32% sobre o faturamento. Gularte (2021) pressupõe uma contabilidade efi caz e capaz de apurar o resultado antes do último dia útil do mês subsequente ao encerramento do trimestre. A modalidade de apuração consiste em presumir ou estimar o lucro como sendo um percentual sobre a receita bruta. Esse percentual sempre é fi xado em lei e varia de acordo com o tipo de atividade desenvolvida pela empresa (FEBRETTI, 2008). Porém, a legislação tributária brasileira visa facilitar as rotinas burocráticas e administrativas das organizações, principalmente para as empresas de menor porte e nível de estrutura, onde o pagamento do imposto presumido satisfaz o tesouro nacional. Nesse sentido, Oliveira et al. (2011, p. 180) esclarece: É uma forma simplifi cada de apuração da base de cálculo dos tributos com o Imposto de Renda e da contribuição social, restrita aos contribuintes que não estão obrigados ao regime de apuração de tributação com base no lucro real [...]. As empresas que optam pela apuração do imposto de renda e contribuição social na modalidade do lucro presumido não estão obrigadas a possuir escrituração contábil detalhada de 84 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA suas receitas e despesas, que indique seu lucro real, baste que possua e escriture o livro caixa, o qual irá mostrar, entre outras coisas, as receitas efetivamente recebidas. Evidentemente, esse livro caixa precisa ser escriturado dentro dos princípios e formalidades previstos na legislação fi scal. Quando os gestores das empresas optam por esse regime, esses devem ter consciência de que esse método é defi nido para o ano-calendário. Desta forma, a opção por esseregime de tributação será efetuada no momento em que for paga a primeira parcela do imposto ou da cota única, que irá ocorrer no fi nal do mês de abril para os optantes desse regime tributário, acrescenta Oliveira et al. (2011). O enquadramento das empresas no regime de lucro presumido está subordinado ao volume de receita bruta auferida pela pessoa jurídica e à inexistência de outros impedimentos legalmente previstos e que dizem respeito à atividade exercida pelas mesmas. Com relação à receita bruta, Vieira (2021, s.p.) explica que: O Lucro presumido fundamenta-se na aplicação de percentuais fi xos de acordo com o tipo de atividade sobre as receitas auferidas pela empresa, 32%, por exemplo, para as prestadoras de serviços, além de outras receitas/receitas fi nanceiras que são oferecidas à tributação sem presunção. Dessa forma, os custos e despesas são irrelevantes, já que o IRPJ/CSLL são calculados com base no faturamento e não com base no resultado da empresa. Nesse regime, há quatro períodos de apuração dos referidos impostos: 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12 de cada ano. Esse regime de tributação costuma ser vantajoso para empresas lucrativas (margem de lucro real acima das presunções estabelecidas) e cujo faturamento não ultrapasse o limite de R$ 78.000.000,00 no ano-calendário anterior (caso exceda, o contribuinte está automaticamente obrigado ao Lucro Real no ano seguinte), visto que a tributação do IRPJ/CSLL independe de lucro, pois tem como fato gerador as receitas da empresa. Nesse caso, temos: O lucro presumido com os pagamentos mensais por estimativa é facilmente confundidos, pois as sistemáticas de pagamento são as mesmas, embora a grande diferenciação esteja na periodicidade dos pagamentos (o presumido é trimestral e a estimativa é mensal) e, principalmente, no código do Darf relativo ao primeiro recolhimento no ano-calendário. É preciso muito cuidado neste ponto, pois, uma vez feita a opção, ela é irretratável para todo o ano-calendário (OLIVEIRA et al., 2011, p. 182). 85 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Várias atividades empresariais não podem optar por essa sistemática. Conforme relacionado por Oliveira et al. (2011), são elas: As entidades fi nanceiras; As empresas que aufi ram lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; As empresas que usufruam benefícios fi scais de isenção ou redução do Imposto de Renda, calculados com base no lucro da exploração (empresas geralmente sediadas nas áreas da Sudene e Sudam); As empresas e prestação de serviço de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito (factoring); As imobiliárias de construção, incorporação, compra e venda de imóveis que tenham registro de custo orçado, nos termos das normas aplicáveis a essas atividades. A base de cálculo do Imposto de Renda sobre o lucro presumido é apurada a partir da receita bruta decorrente da atividade da pessoa jurídica optante e do resultado das demais receitas e dos ganhos de capital, sendo a receita bruta o produto das vendas de bens e serviços nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (OLIVEIRA et al., 2011). O respectivo autor acrescenta ainda que na apuração da receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, além do preço do bem ou serviço, dos quais o vendedor de bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Além disso, em relação às compras a prazo, o custo do fi nanciamento, contido no valor dos bens ou serviços ou destacado na nota fi scal, integra a receita bruta como complemento do preço de venda (OLIVEIRA et al., 2011). Vamos analisar no Quadro seguinte, a demonstração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta de vendas de mercadorias. 86 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Espécies de atividades geradores da receita Percentuais aplicáveis sobre a receita Revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural 1,60% » Venda de mercadorias ou produtos (exceto revenda de combustíveis para consumo) » Transporte de cargas » Serviços hospitalares » Atividade rural » Industrialização de produtos em que a matéria-prima, o produto intermediário ou o material de embalagem tenham sido fornecidos por quem encomendou a industrialização 8,00% » Atividades imobiliárias » Construção por empreitada, quando houver emprego de matéria próprios, em qualquer quantidade » Qualquer outra atividade (exceto prestação de serviços), para a qual não esteja previsto percentual específi co » Serviços de transporte (exceto o de cargas) » Serviços (exceto hospitalares, de transporte e de sociedades civis de profi ssões regulamentadas) prestados com exclusividade por empresas com receita bruta anual não superior a R$ 120.000,00 16% » Serviços em geral, para os quais não esteja previsto percentual específi co, inclusive os prestados por sociedades civis de profi ssões regulamentadas » Intermediação de negócios 32% » Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza » Serviços de mão de obra de construção civil, quando a prestadora não empregar materiais de sua propriedade nem se responsabilizar pela execução da obra » Prestadoras de serviços com receita bruta até R$ 120.000,00 16% » Pessoas jurídicas que não fazem jus ao percentual reduzido (16%) para fi ns de determinação do lucro presumido (entendimento expendido pelo Fisco) 16% QUADRO 1 – PERCENTUAIS APLICÁVEIS PARA CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO FONTE: Adaptado de Santos e Barros (2005) 87 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 QUADRO 2 – ATIVIDADES ESPECÍFICAS – POSIÇÃO DO FISCO Em relação às atividades específi cas, o fi sco brasileiro assim coloca a sua opinião para tributação: Espécies de atividades geradores da receita Percentuais aplicáveis sobre a receita Corretagem e representação comercial 32% 32,00% Gráfi ca (quando a empresa atuar nas áreas comercial e industrial) 8,00% Gráfi ca (na hipótese de prestação de serviços, com ou sem o fornecimento de material) 32,00% Serviços médico-laboratoriais similares 8,00% Software (sobre as receitas de revenda de programas de computador elaborados por terceiros) 8,00% Software (sobre as receitas de programação e manutenção de softwares específi cos, sob encomenda) 32,00% Sondagem de solo 8,00% Atividade de hotelaria (sobre a receita de venda de refeições) 8,00% Atividade de hotelaria (sobre a receita de prestação de serviços de hotelaria) 32,00% Prestação de serviços com guindaste e locação de guindaste (sobre a receita de prestação de serviços com guindaste) 8,00% Prestação de serviços com guindaste e locação de guindaste (sobre a receita de locação de guindaste) 32,00% Serviços de suprimento de água tratada, coleta e tratamento de esgotos e de exploração de rodovias 32,00% Escolas e creches 32,00% Curso de idiomas 16,00% Sociedades cooperativas de consumo Utilizam percentual de presunção de lucro de acordo com a natureza de suas atividades. FONTE: Adaptado de Santos e Barros (2005) 88 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Observa-se que a tributação nas empresas que estão enquadradas nesse regime tem como principal origem o lucro. Desta forma, as empresas que são optantes por essa modalidade de tributação devem presumir o lucro apurado pelo período trimestral e isso é sempre realizado com base nos percentuais de lucratividade citados em lei. Portanto: Calculado o lucro presumido, a empresa deverá adicionar a esse lucro, integralmente, os ganhos de capital, os rendimentos e os ganhos líquidos auferidos em aplicações fi nanceiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pela atividade, auferidos no trimestre podendo diminuir o Imposto de Renda retidona fonte sobre os rendimentos de aplicações fi nanceiras em que for computado o rendimento (OLIVEIRA et al., 2011, p. 183). Ainda que o Imposto de Renda seja trimestral, diz Santos e Barros (2005), é calculado mediante a aplicação da: a. Alíquota de 15% sobre a totalidade do lucro presumido apurado no trimestre; b. Alíquota adicional de 10% sobre a parcela do lucro presumido trimestral que exceder a R$ 60.000,00 ou, no caso de início ou encerramento de atividades no trimestre, sobre o limite equivalente ao resultado da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do período de apuração. Santos e Barros (2005) busca destacar que as deduções e compensações do imposto de renda pessoa jurídica devido em cada trimestre e que podem ser deduzidos são as seguintes: A) O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre as receitas computadas na determinação da base de cálculo do imposto trimestral, a saber: 1) Imposto Retido na Fonte sobre importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a título de: 1.1) remuneração de serviços profi ssionais prestados; 1.2) serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber (Lei nº 10.833/2003); 1.3) comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela intermediação de negócios; 1.4) remuneração pela prestação de serviços de limpeza e conservação de imóveis, segurança e vigilância e locação de mão de obra; 89 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 1.5) juros e indenizações por lucros cessantes em decorrência de sentença judicial; 1.6) multas ou quaisquer vantagens, inclusive a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato; 1.7) rendimentos de aplicações fi nanceiras de renda fi xa; 1.8) juros remuneratórios do capital próprio; B) Imposto Retido na Fonte sobre importâncias recebidas de entidades da administração pública federal pelo fornecimento de bens ou serviços; 1) o imposto pago pela própria empresa, incidente sobre: 1.1) ganhos líquidos de aplicações fi nanceiras de renda variável; 1.2) remuneração de serviços de propaganda e publicidade recebida de pessoas jurídicas; 1.3) comissões e corretagens recebidas de pessoas jurídicas relativas a vendas de passagens, excursões ou viagens, administração de cartões de crédito e prestação de serviços de distribuição de refeições pelo sistema de refeições-convênio. Por sua vez, existe ainda a situação em que a empresa optante pelo Refi s e pelo lucro presumido poderá deduzir o Imposto de Renda pago no exterior do imposto devido no Brasil sobre os lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior (SANTOS; BARROS, 2005). Já as compensações possíveis a cada trimestre se resumem a: a. Pagamentos indevidos ou a maior que o devido a título de Imposto de Renda. b. Saldo negativo do Imposto de Renda apurado em períodos anteriores, ainda não compensado. c. Outros valores pagos a maior ou indevidamente. Deve-se observar que a legislação proíbe a dedução de quaisquer tipos de incentivos fi scais existentes em relação ao imposto devido com base no lucro presumido, portanto, somente deve excetuar-se dessa regra a empresa optante pelo Refi s e pelo lucro presumido. Por fi m, há a necessidade em estudar de que forma é realizada a contabilização do lucro presumido. 90 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Como já foi estudado anteriormente, o Imposto de Renda calculado e recolhido pelo contribuinte com base no lucro presumido é defi nitivo (OLIVEIRA et al., 2011). Vamos para a contabilização da respectiva operação com valores fi ctícios: Reconhecimento da despesa tributária Débito: Despesas Tributárias Imposto de Renda Pessoa Jurídica – lucro presumido 20.000,00 Crédito: Passivo Circulante Imposto de Renda à Recolher 20.000,00 Para o reconhecimento do recolhimento do imposto devido à contabilização é a seguinte: Débito: Passivo Circulante Imposto de Renda à Recolher 20.000,00 Crédito: Ativo Circulante Banco Conta Movimento - Disponibilidades 20.000,00 Agora já sabemos como fazer a gestão tributária das organizações pelos regimes de lucro presumido, de lucro arbitrado e do Simples Nacional. Mas ainda precisamos conhecer a forma de tributação pelo lucro real, cujo tema será abordado no próximo Capítulo. 1 A Legislação Tributária compreende as leis, tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que tratam sobre os tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66). Desta forma, o Código Tributário Nacional determina que somente a lei pode estabelecer. De acordo com essa assertiva, cite 3 situações que o Código Tributário Nacional assim estabelece: 91 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 2 O regime tributário relacionado com o lucro presumido é uma modalidade utilizada por várias empresas com o objetivo de facilitar o recolhimento dos tributos sem a necessidade de utilizar a complicada sistemática exigida para apuração do lucro real. Quais são as atividades empresariais que não podem optar por essa sistemática? 3 TRIBUTAÇÃO NO REGIME DE LUCRO REAL Devido a maior complexidade na forma de apuração, trataremos nesta Seção exclusivamente sobre o regime tributário de lucro real. Vamos primeiramente compreender o seu signifi cado e como se determina a apuração do lucro real. Iremos estudar sobre quais são as empresas que estão legalmente sujeitas à tributação do lucro real e também iremos estudar sobre qual é o fato gerador que estabelece a apuração do valor devido nesse regime de tributação. Ao fi nal desta seção, estudaremos as formas de realizar a apuração do imposto devido, se é trimestral em relação ao lucro anual, assim como a apuração anual do lucro. Além disso, estudaremos também sobre os procedimentos para a apuração mensal do imposto por estimativa, assim como do lucro real. 3.1 DEFINIÇÃO E DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL Todos os regimes tributários que estudamos no capítulo anterior são apurados com base em estimativas ou em percentuais sobre os lucros. Em oposição a eles, o regime de lucro real trabalha com o rigor e a realidade dos valores apurados pela contabilidade. 92 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Em outras palavras, temos uma maior complexidade envolvida na tributação das organizações enquadradas nesse regime pois ele representa o que existe de fato no lucro apurado pela contabilidade da empresa. Nesse sentido, de acordo com Souza (2011, s.p.): A base de cálculo do IRPJ será determinada de acordo com o regime de tributação denominado lucro real quando o contribuinte estiver obrigado nos termos da legislação, ou quando não estando obrigado fi zer essa opção. De acordo com o art. 247 do RIR/99, lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pelo Decreto nº 3.000/99.” Da mesma forma, o Fisco esclarece que a expressão signifi ca o próprio lucro tributável, para fi ns da legislação do Imposto de Renda, distinto do lucro líquido apurado contabilmente. Portanto, o lucro real corresponde ao lucro fi scal, ou seja, aquele sobre o qual incidirá efetivamente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (SANTOS; BARROS, 2005). O Imposto de Renda é um imposto de competência da União adotado universalmente que obriga cada pessoa (física ou jurídica) a destinar um determinado percentual de sua renda média anual para o governo, cuja percentagem varia de acordo com a renda média ou pode ser fi xa. Oliveira et al. (2011, p. 168) esclarece: O Imposto de Renda em regra geral é cobrado (ou pago) mensalmente e no ano seguinte o contribuinte prepara uma declaração de ajuste anual de quanto deve de imposto (ou tem restituição de valores pagos a mais), sendo que esses valores deverão ser homologados pelas autoridades tributárias.Os contribuintes se dividem em Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), caracterizado pelas pessoas naturais, e Imposto sobre Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizado por empresas. Dessa forma, o Código Tributário Nacional (art. 43) estabelece que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: » De renda, representada pelo produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; » De proventos de qualquer natureza, representadas pelos acréscimos patrimoniais não compreendidos no item anterior. 93 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Conforme Oliveira et al. (2011), para efeitos tributários a renda é entendida em seu sentido amplo e abrange a renda propriamente dita e seus proventos. Contabilmente, a ocorrência de fato gerador para as pessoas jurídicas se dá pela obtenção de resultados positivos (lucros). Disso podemos depreender que o imposto será devido à medida em que os lucros, rendimentos e ganhos forem auferidos pela organização. Desde o ano-calendário de 1997, o IRPJ passou a ser determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado por períodos de apuração trimestrais. Para as empresas tributadas pelo lucro real, há possibilidade de trabalhar com balanço anual (PINTO, 2010). Nos casos de extinção, incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto de renda devido, bem como da contribuição social sobre o lucro líquido, devem ser efetuados na data do evento, complementa Pinto (2010). O mesmo procedimento vale para os casos de extinção da pessoa jurídica, a apuração ocorre na data do evento. A legislação determina que o contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos, os seguintes livros (art. 8, Lei nº 1598): I- de apuração de lucro real, no qual: a. Serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício; b. Será transcrita a demonstração do lucro real; c. Serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subsequentes; II- razão auxiliar em ORTN. § 1º - Completada a ocorrência de cada fato gerador do imposto, o contribuinte deverá elaborar demonstração do lucro real, que discriminará: a. O lucro líquido do exercício do período-base de incidência; b. Os lançamentos de ajuste do lucro líquido, com a indicação, quando for o caso, dos registros correspondentes na escrituração comercial ou fi scal; c. O lucro real. A Lei das S/A (art. 177, parágrafo 2º) também diz que a companhia observará exclusivamente em livros ou registros auxiliares, sem qualquer modifi cação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas na lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, 94 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração de outras demonstrações fi nanceiras. A determinação do lucro real é apurada a partir do resultado contábil do período-base, que pode ser de lucro (positivo) ou prejuízo (negativo), explica Febretti (2008). Logo, isso pressupõe escrituração contábil regular e mensal. Por ser apurado com base na escrituração mercantil das organizações e isso requer a adoção de um conjunto de procedimentos corriqueiros no ambiente profi ssional do contabilista, conforme expõe Oliveira et al. (2011) a seguir: a. Rigorosa observância dos princípios de contabilidade; b. Constituição das provisões necessárias; c. Completa escrituração contábil e fi scal; d. Escrituração de um conjunto de livros fi scais e contábeis, incluindo o Registro de Inventário e o Lalur; e. Preparação das demonstrações contábeis etc. Assim, é o lucro líquido do período apurado na escrituração comercial (lucro contábil), ajustado pelas adições, exclusões e compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda, completa Oliveira et al. (2011). O lucro real pode ser apurado a critério do contribuinte trimestralmente ou anualmente. Agora fi cou mais fácil compreender a razão da complexidade da apuração pelo regime de lucro real, não é mesmo? É por isso que nem todas as empresas estão submetidas a esse regime. Na próxima seção, veremos quais delas fi cam obrigadas ao regime de lucro real. 95 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 3.2 EMPRESAS OBRIGADAS E FATO GERADOR DE LUCRO REAL Já vimos como o regime tributário do lucro real exige empenho na apuração e, por isso, muitas empresas optam pelos outros regimes tributários. Mas isso nem sempre é possível, porque a legislação também prevê as organizações que devem usar essa sistemática. De acordo com Nexoos (2021, s.p.), a legislação do Imposto de Renda determina que é obrigatória a apuração pelo regime do lucro real para as seguintes pessoas jurídicas: O Lucro Real é um regime tributário obrigatório para as empresas que possuem o faturamento superior a R$ 78 milhões e que estejam presentes no setor fi nanceiro. Além disso, existem outros fatores que obrigam ao enquadramento desse sistema. Acompanhe abaixo: Empresas que tiveram lucro, rendimentos ou ganhos provenientes do exterior; Negócios que atuem como factoring, Organizações que possuem benefícios fi scais, como redução ou isenção de imposto. Também de acordo com a Instrução Normativa n.1700 da Receita Federal do Brasil, em seu artigo n. 59, estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real, as empresas, conforme PLANACON (2020): Art. 59. São obrigadas ao regime de tributação do IRPJ com base no lucro real as pessoas jurídicas: I- cuja receita total no ano-calendário anterior tenha excedido o limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou de R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de meses de atividade no período, quando inferior a 12 (doze) meses; II- cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, agências de fomento, caixas econômicas, sociedades de crédito, fi nanciamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; 96 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA III- que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV- que, autorizadas pela legislação tributária, usufruem de benefícios fi scais relativos à isenção ou redução do imposto; V- que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma prevista nos arts. 33 e 34; VI- que exploram as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); ou VII- que exploram as atividades de securitização de créditos imobiliários, fi nanceiros e do agronegócio. § 1º Considera-se receita total o somatório: I - da receita bruta mensal; II - dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas em bolsa de valores, de mercadorias e futuros e em mercado de balcão organizado; III - dos rendimentos produzidos por aplicações fi nanceiras de renda fi xa e de renda variável; IV- das demais receitas e ganhos de capital; V- das parcelas de receitas auferidas nas exportações às pessoas vinculadas ou aos países com tributação favorecida que excederem o valor já apropriado na escrituração da empresa, na forma prevista na Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012; e VI- dos jurossobre o capital próprio que não tenham sido contabilizados como receita, conforme disposto no parágrafo único do art. 76. §2º A obrigatoriedade a que se refere o inciso III do caput não se aplica à pessoa jurídica que auferir receita de exportação de mercadorias e da prestação direta de serviços no exterior. §3º Para fi ns do disposto no § 2º, não se considera direta a prestação de serviços realizada no exterior por intermédio de fi liais, sucursais, agências, representações, coligadas, controladas e outras unidades descentralizadas da pessoa jurídica que lhes sejam assemelhadas. §4º São obrigadas ao regime de tributação do IRPJ com base no lucro real as pessoas jurídicas que exploram atividades de compra de direitos creditórios, ainda que se destinem à formação de lastro de valores mobiliários. Art. 60. Estarão sujeitas ao regime de tributação da CSLL sobre o resultado ajustado as pessoas jurídicas que adotarem o regime de tributação do IRPJ com base no lucro real. 97 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Desta forma, a apuração deve ser feita em 31 de dezembro de cada ano ou na data de sua extinção para as empresas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real e as que não optaram pelo regime de tributação com base no lucro presumido. De acordo com Código Tributário Nacional, em seu artigo 43, o fundamento da incidência do Imposto sobre a Renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza (OLIVEIRA et al., 2011). O autor explica ainda: Por disponibilidade econômica ou jurídica pode-se entender, de maneira resumida, a obtenção de um conjunto de bens, valores e/ou títulos por uma pessoa física ou jurídica, passíveis de serem transformados ou convertidos de imediato em numerário. Para estar sujeita à tributação pelo Imposto de Renda, a disponibilidade deve ser efetivamente adquirida, não se cogitando sua incidência se houver apenas a potencialidade de se adquirirem tais disponibilidades (OLIVEIRA et al., 2011, p. 169). Se olharmos pelo lado contábil, a ocorrência do fato gerador se dá pela obtenção de resultados positivos (lucros) nas operações industriais, mercantis, comerciais e de prestação de serviços das pessoas jurídicas. Além disso, considera-se também os acréscimos patrimoniais decorrentes de ganhos de capital e outras receitas não operacionais (OLIVEIRA et al., 2011). O imposto devido aumenta na proporção em que os lucros, rendimentos e ganhos forem auferidos. Para tanto, a empresa precisa fazer a apuração do lucro anual. Isso pode ser feita de diversas maneiras, como veremos na próxima Seção do Capítulo. Vamos calcular! 3.3 FORMAS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL O regime de tributação de lucro real é bastante extenso e complexo como podemos constatar no que estudamos até o momento. A legislação deixa a critério do contribuinte ser apurado a cada trimestre ou anualmente. 98 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Conforme Portal Tributário (2021, s.p.): LUCRO REAL ANUAL No Lucro Real Anual a empresa deve antecipar os tributos mensalmente, com base no faturamento mensal, sobre o qual aplicam-se percentuais predeterminados, de acordo com o enquadramento das atividades, para obter uma margem de lucro estimada (estimativa), sobre a qual recai o IRPJ e a CSLL, de forma semelhante ao Lucro Presumido. Nesta opção, há, ainda, a possibilidade de levantar balanços ou balancetes mensais, reduzindo ou suspendendo-se o recolhimento do IRPJ e da CSLL, caso demonstre-se que o lucro real efetivo é menor do que aquele estimado ou que a pessoa jurídica está operando com prejuízo fi scal. No fi nal do ano, a pessoa jurídica levanta o balanço anual e apura o lucro real do exercício, calculando em defi nitivo o IRPJ e a CSLL e descontando as antecipações realizadas mensalmente. Eventualmente, as antecipações podem ser superiores aos tributos devidos, ocasionando um crédito em favor do contribuinte. Então, a desvantagem é antecipar o pagamento dos tributos, tirando recursos no fl uxo de caixa empresarial. LUCRO REAL TRIMESTRAL No Lucro Real trimestral, o IRPJ e a CSLL são calculados com base no resultado apurado no fi nal de cada trimestre civil, de forma isolada. Portanto, nesta modalidade, teremos durante o ano 4 (quatro) apurações defi nitivas, não havendo antecipações mensais como ocorre na opção de ajuste anual. Esta modalidade deve ser vista com cautela, principalmente em atividades sazonais ou que alternem lucros e prejuízos no decorrer do ano. Nesta modalidade, os lucros e prejuízos são apurados trimestralmente, de forma isolada. Assim se a pessoa jurídica tiver um prejuízo fi scal de R$ 100.000,00 (cem mil reais) no primeiro trimestre e um lucro de também R$ 100.000,00 (cem mil reais) no segundo trimestre terá que tributar IRPJ e CSLL sobre a base de R$ 70.000,00 (setenta mil reais), pois não se pode compensar integralmente o prejuízo do trimestre anterior, ainda que dentro do mesmo ano-calendário. O prejuízo fi scal de um trimestre só poderá deduzir até o limite de 30% do lucro real dos trimestres seguintes. Essa pode ser uma boa opção para empresas com lucros lineares. 99 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Mas para as empresas com picos de faturamento, durante o exercício, a opção pelo Lucro Real anual pode ser mais vantajosa porque poderá suspender ou reduzir o pagamento do IRPJ e da CSLL, quando os balancetes apontarem lucro real menor que o estimado ou até mesmo prejuízos fi scais. Outra vantagem é que o prejuízo apurado no próprio ano pode ser compensado integralmente com lucros do exercício. A opção por um dos dois tipos de períodos-base (trimestral ou anual) está associada à opção que a pessoa jurídica faz anualmente quanto ao pagamento do Imposto de Renda. De acordo com Santos e Barros (2005), essas opções podem ser: » Com base no valor efetivamente devido no trimestre (hipótese em que o período-base será trimestral); ou » Por estimativa mensal (caso em que o período-base será anual). Dessa forma, se a empresa fi zer a opção pela apuração trimestral, se diz que ela está no balanço trimestral. Da mesma forma, se a empresa fi zer a opção de apuração anual, se diz que ela está no balanço anual. Santos e Barros (2005) lembram ainda que a Contribuição Social sobre o Lucro observa a mesma periodicidade de apuração e o mesmo critério de pagamento defi nidos para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Agora que sabemos as opções do contribuinte, descobriremos as maneiras de se fazer a apuração trimestral e anual do imposto. 3.4 APURAÇÃO TRIMESTRAL DO LUCRO ANUAL Se a empresa optar pela apuração trimestral do lucro real, então o imposto é apurado e recolhido a cada três meses do ano. Essa apuração é feita com base no resultado líquido de cada trimestre encerrado nas datas de 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro (SANTOS; BARROS, 2005; OLIVEIRA et al., 2011). 100 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA A exceção a essa regra se dá nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, nos quais a apuração da base de cálculo e do imposto devido deve ser efetuada na data em que ocorre qualquer um desses eventos (SANTOS; BARROS, 2005). O resultado deve ser apurado mediante levantamento das demonstrações contábeis, observando-se as normas estabelecidas pela legislação comercial e fi scal, e cujo resultado será ajustado pelas adições, exclusões e compensações determinadas ou autorizadas pela legislação tributária, acrescentam Oliveira et al. (2011). De acordo com Oliveira et al. (2011), o cálculo do Imposto de Renda trimestral será calculado mediante a aplicação da alíquota: 1. Alíquota normal de 15% sobre a totalidade da base de cálculo, ou seja, 15% do lucro real; 2. Alíquota adicional de 10% sobre a parcela da base de cálculo que exceder o limite de R$ 60.000,00 –limite trimestral. No caso de início de atividades, o limite trimestral será proporcional ao número de meses, ou seja, R$ 20.000,00 para cada mês em que a empresa exerceu atividades no trimestre. Do valor do imposto devido trimestral, podem ser deduzidos de acordo com a Lei 9.430 (2021): § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I- dos incentivos fi scais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fi xados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II- dos incentivos fi scais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III- do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV- do imposto de renda pago na forma deste artigo. O pagamento do imposto deve ocorrer em cota única até o último dia útil do mês subsequente ao do encerramento do trimestre. Opcionalmente, explica Santos e Barros (2005). Pode ser parcelado em três mensais, iguais e sucessivas, respeitado o valor mínimo de R$ 1.000,00 para cada uma. Nesse caso, há incidência de juros pela taxa Selic até o mês anterior ao do pagamento e de 1% ao mês (OLIVEIRA et al., 2011). 101 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 3 O lucro real é interpretado pela legislação em vigor como o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas na legislação (art. 247 da RIR/1999). Da mesma forma, o Fisco esclarece que a expressão signifi ca o próprio lucro tributável, para fi ns da legislação do Imposto de Renda, distinto do lucro líquido apurado contabilmente. De acordo com essa assertiva, ao que corresponde o lucro real? 4 Se a empresa optar pela apuração trimestral do lucro real, então o imposto é apurado e recolhido a cada três meses do ano. Essa apuração é feita com base no resultado líquido de cada trimestre encerrado nas datas de 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro. Em quais casos acontece a exceção a essa regra? 4 APURAÇÃO ANUAL DO LUCRO ANUAL A segunda alternativa das empresas enquadradas no regime tributário de lucro real é fazer a apuração anual do imposto devido. No entanto, os recolhimentos dos tributos devem ser efetuados todos os meses. Nesse sistema, as pessoas jurídicas devem efetuar os recolhimentos mensais com base em estimativas e não podem mudar a base de tributação pelo lucro presumido durante o exercício fi scal, salientam Oliveira et al. (2011). 102 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Nesse sentido, Santos e Barros (2005) dizem que as empresas optantes pelo lucro real anual devem: a. Apurar e recolher o imposto mensalmente, com base em valores estimados (o recolhimento deverá ser efetuado até o último dia do mês seguinte ao da apuração); b. Apurar o lucro real anualmente, em 31 de dezembro, ou por ocasião de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, para fi ns de determinação do imposto efetivamente devido no período e ajuste de diferenças – pagamento do saldo positivo apurado ou restituição ou compensação de saldo negativo apurado (art. 221 do RIR/1999). Entre as providências necessárias para apuração mensal do imposto por estimativa, Oliveira et al. (2011) destaca os seguintes aspectos: a. O imposto devido em cada mês, calculado em bases estimadas, deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente; b. A alíquota do Imposto de Renda é a mesma citada anteriormente, ou seja, 15%; c. A alíquota adicional, de 10%, também não se altera, sendo que o pagamento desse adicional terá que ser feito mensalmente sobre a parcela do lucro estimado que exceder R$ 20.000,00. Além disso, a pessoa jurídica opcionalmente poderá apurar o lucro real no decorrer do ano, mediante levantamento de balanços ou balancetes periódicos, com base nos quais poderá reduzir ou suspender os pagamentos mensais do imposto (SANTOS; BARROS, 2005). 103 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Segundo Santos e Barros (2005), essa opção pelo pagamento mensal é considerada fi nalizada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro, ou do início de atividades, quando for o caso. Por sua vez, ela impõe ao contribuinte o pagamento mensal também da Contribuição Social sobre o Lucro. A opção pelo pagamento mensal apresenta duas vantagens principais, de acordo com Santos e Barros (2005). São elas: 1. Compensação de prejuízos fi scais: no regime de pagamentos mensais, o que prevalece é a apuração anual do lucro real, de modo que os resultados positivos e negativos do ano são compensados automaticamente, sem nenhuma restrição, qualquer que seja a sua natureza. 2. Adicional do Imposto de Renda: no regime de pagamentos mensais, em alguns meses a empresa poderia ter fi cado sujeito ao adicional sobre a parcela do lucro mensal que excedeu a R$ 20.000,00, mas essa incidência seria provisória porque o imposto devido mensalmente durante o ano é deduzido do imposto devido sobre o lucro real anual. Nessa modalidade por estimativa, Santos e Barros (2005) explicam ainda que a base de cálculo do Imposto de Renda Mensal é determinada mediante o somatório dos seguintes valores: a. Resultado da aplicação dos percentuais informados sobre a receita bruta mensal proveniente das vendas de mercadorias ou produtos, da prestação de serviços e de outras atividades compreendidas no objeto da empresa. b. Ganhos de capital e outras receitas ou resultados auferidos no mês (por inteiro), não compreendidos na receita bruta provenientes das atividades referidas anteriormente. c. 1/120 do saldo do lucro infl acionário acumulado, existente em 31.12.1995, salvo se tiver havido opção pela sua realização acelerada, para gozo de redução da alíquota do imposto. De todo modo, em 31.12.2005 deverá ser incluído na base de cálculo a última parcela do lucro infl acionário, no caso de a empresa ter optado em incluí-lo na base de cálculo na proporção de 1/120 ao mês-calendário. 104 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Observe o seguinte Quadro referente às espécies de atividades geradoras de receitas e percentuais aplicáveis. Espécies de atividades geradores da receita Percentuais aplicáveis sobre a receita » Revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural. 1,60% » Venda de mercadorias ou produtos (exceto revenda de combustível para consumo) » Transporte de cargas » Serviços hospitalares » Atividade rural » Atividades imobiliárias 8,00% » Industrialização de produtos em que a matéria-prima ou o produto intermediário ou o material de embalagem tenham sido fornecidos por quem encomendou a industrialização » Qualquer outra atividade (exceto prestação de serviços), para a qual não esteja previsto percentual específi co » Serviços de transporte (exceto o de cargas) » Serviços (exceto hospitalares e de sociedades civis de profi ssões regulamentadas) prestados com exclusividade por empresas com receita bruta anual não superior a R$ 120.000,00 16,00% » Instituições fi nanceiras e entidades a elas equiparadas » Serviços em geral, para os quais não esteja previsto percentual específi co, inclusive os prestados por sociedades civis de profi ssões regulamentadas » Intermediação de negócios, inclusive representação comercial e corretagem (de seguros, de imóveis etc.) » Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza 32,00% » Factoring » Construção por empreitada, quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais » Administração de consórcios » Hotelaria e estacionamento QUADRO 3 – ESPÉCIES DE ATIVIDADES GERADORAS DE RECEITAS E PERCENTUAIS APLICÁVEIS FONTE: Adaptadode Santos e Barros (2005) 105 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 As pessoas obrigadas à apuração do resultado pelo lucro real, que optarem pelo pagamento mensal por estimativa, devem apurar o resultado no fi nal do ano-calendário mediante escrituração contábil, elaboração das demonstrações fi nanceiras e demonstração do cálculo do Lucro Real na LALUR (FEBRETTI, 2008). Os valores pagos são considerados como antecipação do IR devido no encerramento do ano-calendário. Caso o valor apurado seja menor ao apurado pelo Lucro Real, a diferença deve ser paga em quota única até o último dia do mês de março do ano subsequente. Se o valor for maior, a diferença poderá ser compensada com o imposto pago a partir do mês de janeiro do ano subsequente, explica Febretti (2008). Além disso, o autor acrescenta que a Contribuição Social sobre o Lucro das pessoas jurídicas foi instituída por lei em 1988 (Lei nº 7.689). Sua base de cálculo é determinada a partir do resultado do exercício antes da provisão do IR, da mesma forma do IR apurado pelo lucro real. Essa base de cálculo da CSL é apurada mediante adições e exclusões determinadas em lei. Por exigência legal, a apuração deve ser feita a cada três meses, com o prazo de pagamento até o último dia útil do mês subsequente. Da base de cálculo de cada período poderá ser deduzida a base de cálculo negativa de períodos anteriores. No entanto, Essa compensação da base de cálculo negativa foi limitada a 30% (trinta por cento) pela Lei nº 8.981/95, em seu art. 58, da mesma forma que os prejuízos fi scais anteriores. Para efeito de pagamento mensal por estimativa, a base de cálculo da CSL será a receita bruta mensal. A base de cálculo presumida da CSL é determinada pela aplicação do percentual de 12% sobre a receita bruta como regra geral, exceto para as prestadoras de serviços sujeitas à apuração pelo lucro real, por disposição expressa do art. 15, III da Lei º 9.249/95, para as quais o percentual é de 32%. A alíquota da CSL é de 9% sobre a base de cálculo (FEBRETTI, 2008, p. 240). Essa foi apenas mais uma parte da complexa operação em que consiste a apuração do lucro real. Ainda precisamos saber os procedimentos para sua apuração fi nal. 106 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA 4.1 APURAÇÃO DO LUCRO REAL Antes de entrarmos nesse cálculo, precisamos ter clara a distinção dos conceitos de lucro real e de lucro líquido. Reforçamos essa diferença com base na proposta de Pinto (2010), a seguir: Lucro real: é o lucro líquido contábil do período-base ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação do IR. Lucro líquido: o lucro líquido do período-base é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações, e deverá ser determinado com observância do preceituado na legislação comercial. Conforme nos explicam Santos e Barros (2005), a apuração do lucro real deve ser precedida da apuração do lucro líquido, com observância das disposições das leis comerciais. Para tanto, deverão ser feitos, no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), ajustes (adições, exclusões e compensações). No que se refere às adições e exclusões relativas a valores registrados na Parte B da Lalur até 31.12.1995, elas devem ser computadas pelo valor corrigido, até essa data, com base no valor da Ufi r de 1º de janeiro de 1996, de R$ 0,8287. A partir dessa data, em função da extinção da correção monetária do balanço, não se aplica mais a correção dos valores a serem excluídos ou adicionados ao lucro líquido, nem mesmo os originados de período de apuração encerrados antes dessa data (SANTOS; BARROS, 2005). Dessa forma, temos: Adições ao lucro líquido: 1. Valores debitados ao resultado contábil, mas não dedutíveis do lucro real: ao se determinar o lucro real deve ser adicionado ao lucro líquido custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do resultado que, de acordo com a legislação, não sejam dedutíveis. 2. Valores não computados no resultado que devem ser adicionados ao lucro real: também devem ser adicionados ao lucro líquido os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não creditados na apuração que, de acordo com a legislação do IR, devem ser computados no lucro real. 107 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Exclusões do lucro líquido: 1. Valores creditados ao resultado, mas não tributáveis: podem ser excluídos do lucro líquido na determinação do lucro real, os rendimentos, as receitas, os resultados e quaisquer outros valores computados a crédito de conta de resultado que, de acordo com a legislação do IR, não são computados no lucro real. 2. Valores não computados no resultado que podem ser excluídos do lucro real: na determinação do lucro real do período-base podem ser excluídos os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do IR e que, pela sua natureza, não tenham sido computados na apuração do resultado. Santos e Barros (2005) ainda explicam que os prejuízos fi scais de períodos de apuração anteriores poderão ser compensados com o lucro real apurado no período-base, respeitado o limite máximo de 30% do lucro real e demais condições pertinentes à compensação de prejuízos fi scais. Esse limite de 30% não se aplica a empresas rurais e titulares de programas especiais de exportação. Mas o cálculo ainda não termina por aí. O imposto devido sobre o lucro real é calculado à alíquota de 15%, incidente sobre o total do lucro real, mais o adicional de 10% incidente sobre a parcela do lucro real que ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 multiplicado pelo número de meses do respectivo período de apuração (SANTOS; BARROS; 2005). De acordo com Portal Tributário (2021, s.p.): A parcela do lucro real que exceder ao valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeita-se à incidência de adicional de imposto à alíquota de 10% (dez por cento). O adicional aplica-se, inclusive, nos casos de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação. O disposto neste item aplica-se, igualmente, à pessoa jurídica que explore atividade rural. O adicional de que trata este item será pago juntamente com o imposto de renda apurado pela aplicação da alíquota geral de 15%. Para se apurar o lucro real, a legislação do Imposto de Renda prevê que a pessoa jurídica tributada por essa modalidade é obrigada a escriturar os seguintes livros: 108 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Livro-diário; Livro-razão (ou fi chas, se for o caso); Livro de registro de inventário; Livro para registro de compras; Livro de apuração do lucro real (Lalur); Livro para registro permanente de estoques, para pessoas jurídicas que exercem atividades de compra, venda, incorporação e construção de imóveis, loteamento ou desmembramento de terrenos para venda; Livro de movimentação de combustíveis, a ser escriturado diariamente pelo posto revendedor. De acordo com Pinto (2010), os livros diários, de registro de inventário e registro de compras, devem ser registrados e autenticados pelo Departamento Nacional de Registro de Comércio, ou seja, pelas juntas comerciais ou repartições encarregadas do Registro do Comércio ou pelo Cartório de Títulos e Documentos quando se trata de sociedades civis. Ainda com relação à escrituração, Pinto (2010) esclarece que no Livro Apuração do Lucro Real a pessoa jurídica deverá: a. Lançar os ajustes do lucro líquido do período-base; b. Transcrever a demonstração do lucro real; c. Manter os registros de controle de prejuízos fi scais a compensar em períodos-base subsequentes; d. Manter os registros de controle dos valores excedentes a serem utilizados no cálculo das deduções dos períodos-base subsequentes.O Lalur pode ser escriturado mediante a utilização de sistema eletrônico de processamento de dados, informa Pinto (2010), desde que observadas as normas baixadas pela Secretaria da Receita Federal (RIR/99, art. 263). A Receita Federal determina que a base de cálculo da CSL e o controle dos valores que infl uenciarão os períodos seguintes devem ser transcritos na Lalur ou deverá ser utilizado livro próprio para a mesma função (PINTO, 2010). A conservação dos livros, documentos e papéis relativos às atividades da empresa ou que se refi ram a atos e operações que modifi quem ou possam vir a modifi car sua situação patrimonial é de responsabilidade da empresa enquanto não prescrever as eventuais ações que sejam pertinentes. Nesse sentido, Pinto (2010) salienta que o direito de proceder ao lançamento do imposto extingue-se após cinco anos, contados: 109 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 a. Do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. b. Da data em que se tornar defi nitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Como podemos constatar nesse Capítulo, o regime de tributação pelo Lucro Real é realmente complexo e exige rigor na sua apuração. Por isso, não fi que em dúvidas em relação a esse assunto. 5 As pessoas obrigadas à apuração do resultado pelo lucro real, que optarem pelo pagamento mensal por estimativa, devem apurar o resultado no fi nal do ano-calendário mediante escrituração contábil, elaboração das demonstrações fi nanceiras e demonstração do cálculo do lucro real na LALUR. De acordo com essa assertiva, como devem ser considerados os valores pagos? 6 A conservação dos livros, documentos e papéis relativos às atividades da empresa ou que se refi ram a atos e operações que modifi quem ou possam vir a modifi car sua situação patrimonial é de responsabilidade da empresa enquanto não prescrever as eventuais ações que sejam pertinentes. Em quais circunstâncias extingue-se o direito de proceder ao lançamento do imposto? ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Finalizamos o Capítulo 2, e, neste Capítulo, você conheceu que o Direito e Contabilidade são ciências complementares e que precisam andar juntas e devem acompanhar a evolução natural das diversas sociedades. O Sistema Tributário Nacional disciplina a arrecadação e distribuição de rendas no Brasil. A legislação tributária compreende as leis, tratados e as convenções que versam sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor se possa exprimir, que não constitua sanção por ato ilícito em lei e cobrada mediante atividade administrativa. Os tipos de tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. 110 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA O Simples Nacional é um regime tributário que tem como objetivo regular o tratamento diferenciado, simplifi cado e favorecido às empresas de micro e pequeno porte mediante o recolhimento unifi cado de tributos. Para efeitos do Simples Nacional, a partir de janeiro de 2012, são consideradas MEs a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário que aufi ram, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00. O percentual de tributação aplicado no Simples Nacional aumenta progressivamente à medida que a receita auferida se torna maior. O lucro arbitrado é uma modalidade de tributação prerrogativa do Fisco aplicada em última instância nas hipóteses em que a escrituração contábil e fi scal do contribuinte for desclassifi cada. Para efeitos de cálculo e quando a receita bruta for conhecida, o lucro arbitrado será determinado pela aplicação dos percentuais de presunção do lucro, acrescido de 20%. O lucro presumido é uma modalidade tributária que consiste em presumir ou estimar o lucro como sendo um percentual sobre a receita bruta. Esse percentual, que é fi xado em lei, varia de acordo com o tipo de atividade. O enquadramento no regime de lucro presumido está subordinado ao volume de receita bruta auferida pela pessoa jurídica e à inexistência de outros impedimentos legalmente previstos e que dizem respeito à atividade exercida. A tributação das organizações enquadradas nesse regime tem como principal origem o lucro. Assim, as empresas optantes por essa modalidade devem presumir o lucro auferido a cada trimestre e isso é feito com base nos percentuais de lucratividade ditados em lei. O regime de lucro real trabalha com o rigor e a realidade dos valores apurados pela contabilidade. Ele representa o que existe de fato no lucro apurado pela contabilidade pela empresa. O lucro real é interpretado pela legislação como o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas. O IR é um imposto de competência da União adotado universalmente que obriga a pessoa física ou jurídica a determina percentual de sua renda média para o governo. Renda é entendida em seu sentido amplo e, contabilmente, a ocorrência de fato gerado para as empresas se dá pela obtenção de resultados positivos (lucros). As empresas enquadradas no regime de lucro real podem fazer a apuração trimestral ou anual. A determinação do lucro real é apurada a partir do resultado contábil do período base, que pode ser de lucro (positivo) ou prejuízo (negativo). 111 ENQUADRAMENTOS TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS Capítulo 2 Se a empresa optar pela apuração trimestral do lucro real, então o imposto é apurado e recolhido a cada três meses do ano. Essa apuração é feita com base no resultado líquido de cada trimestre encerrado nas datas de 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro. A segunda alternativa das empresas enquadradas no regime tributário de lucro real é fazer a apuração anual do imposto devido. No entanto, os recolhimentos dos tributos devem ser efetuados todos os meses. A Contribuição Social sobre o Lucro tem sua base de cálculo determinada a partir do resultado do exercício antes da provisão do IR, da mesma forma do IR apurado pelo lucro real. A apuração do lucro real deve ser precedida da apuração do lucro líquido, com observância das disposições das leis comerciais. REFERÊNCIAS ALMEIDA, E. N. de. Normas gerais em direito tributário: visão do Supremo Tribunal Federal (STF). Disponível em: https://edvaldonalmeida.jusbrasil.com.br/artigos/295836688/ normas-gerais-em-direito-tributario. Acesso em: 8 ago. 2021. BRASIL. Código Tributário Nacional. Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/91647/ codigo-tributario-nacional-lei-5172-66. Acesso em: 3 maio 2021. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: Constituição (planalto.gov.br). Acesso em: 3 maio 2021. BRASIL. Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003a. Dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp116.htm. Acesso em: 5 maio 2021. BRASIL. Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Altera a legislação do imposto sobre a renda. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598.htm. Acesso em: 26 ago. 2021. 112 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA BRASIL. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Regulamenta a tributação, fi scalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm. Acesso em: 10 ago. 2021. BRASIL. Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Dispõe sobre a legislaçãotributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430compilada.htm. Acesso em: 20 ago. 2021. CFA. Conselho Federal de Administração. MPEs são responsáveis por fomentar a economia no país. Disponível em: https://cfa. org.br/ancoras-da-economia/. Acesso em: 18 ago. 2021. CORREIA NETO, C. de B. Sistema tributário nacional: texto base da consultoria legislativa. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/atividade- legislativa/estudos-e-notas-tecnicas/fi quePorDentro/temas/sistema-tributario- nacional-jun-2019/texto-base-da-consultoria-legislativa. Acesso em: 18 ago. 2021. ENDEAVOR. Simples Nacional: tudo que você precisa saber. Disponível em: https://endeavor.org.br/leis-e-impostos/simples- nacional-tudo-que-voce-precisa-saber/. Acesso em: 20 ago. 2021. FEBRETTI, L. C. Contabilidade tributária. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999. 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Acesso em: 11 maio 2021. SANTOS, C.; BARROS, S. F. Imposto de renda jurídica para contadores. São Paulo: IOB-Thomson, 2005. SIMPLES NACIONAL. Perguntas e respostas simples nacional. Disponível em: http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/ arquivos/manual/perguntaosn.pdf. Acesso em: 11 jun. 2021. SINDIFISCO. Reforma Tributária: Principais aspectos da PEC 110/2019. Disponível em: https://www.sindifi sco.org.br/noticias/reforma-tributaria- principais-aspectos-da-pec-1102019. Acesso em: 5 maio 2021. SOUZA, R. M. de. Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas: Adições, exclusões e compensações para fi ns de cálculo do lucro real. Disponível em: https://bit.ly/35oOGsB. Acesso em: 20 ago. 2021. TORRES, V. O que é Anexo III do Simples Nacional? Disponível em: https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/ anexo-3-simples-nacional/. Acesso em: 20 ago. 2021. VHSYS. Simples Nacional 2021: alíquotas, tabelas e impostos. Disponível em: https://blog.vhsys.com.br/o-que-e-simples-nacional/. Acesso em: 21 ago. 2021. VIEIRA, A. Escolha do regime tributário 2021. Disponível em: https://crowemacro.com.br/insight/escolha-do-regime- tributario-2021/. Acesso em: 11 jun. 2021. CAPÍTULO 3 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO PARA GESTÃO NAS EMPRESAS A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Estudar o planejamento tributário e fi scal e apresentar as suas características e os modelos e as maneiras de se colocá-lo em prática. Prevenir as fraudes fi scais em uma organização. Mais do que uma obrigação legal, as questões tributárias e fi scais envolvem planejamento, organização e tomada de decisão, como importância no contexto da administração e da área fi nanceira. Elaborar cálculos sobre o melhor enquadramento tributário para empresas enquadradas no simples nacional, lucro presumido e lucro real, sob a ótica de compreender o seu impacto na apuração dos custos dos produtos e preços sugeridos de vendas. 116 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA 117 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Neste capítulo, você irá estudar como se procede um planejamento tributário e as características para a sua elaboração, pois o enquadramento tributário das empresas entre o Lucro Real, Lucro Presumido e Simples Nacional é fundamental para a economia tributária nas empresas. Essa economia se dá em função da enorme quantidade de normas legais e tributárias que devem ser cumpridas. Por essa razão, os métodos de planejamento tributário como o operacional, estratégico e jurídico; são de grande importância para esse planejamento. A auditoria tributária também é fundamental para evitar erros e fraudes no planejamento tributário. Com relação aos créditos tributários (valores e prazos para a realização dos créditos dos tributos) nas compras e os prazos de pagamentos aos fornecedores, esse é um excelente planejamento ao que se refere às fi nanças empresariais, pois de acordo com a economia tributária gerada nas compras, há a economia fi nanceira pelos prazos negociados com a melhor opção na análise das cotações à valor presente. Ao fi nal do capítulo, você irá estudar a forma de apuração dos tributos no regime de apuração do Lucro Real. Bons estudos! 2 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Todo e qualquer tipo de planejamento é necessário para as nossas vidas, pois planejar é prever, é estimar o quanto é possível vender ou pagar de gastos. Então, pode-se entender que o planejamento também deve estar presente na gestão fi scal das empresas, pois o custo tributário nas empresas é extremamente elevado (em território brasileiro) e há necessidade de buscar um bom planejamento tributário para reduzir esse peso fi nanceiro nos seus resultados. Desta forma, a parte inicial deste Capítulo abordará o Planejamento Tributário para compreender as suas principais características e funções. 118 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriAVeremos ainda que o planejamento tributário busca adequar a empresa para uma constante economia tributária. Desta maneira, conheceremos os modelos de planejamento tributário possíveis. Estudaremos também sobre a auditoria tributária com a fi nalidade de examinar a situação fi scal da empresa e contribuir para a prevenção das fraudes fi scais. Segundo Gularte (2021, s.p.) em relação às fraudes fi scais: Fraude caracteriza qualquer engano malicioso promovido de má-fé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Ocorre quando o contribuinte tenta impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou modifi car suas características essenciais com o objetivo de reduzir o montante do imposto devido. A diferença básica entre a sonegação e a fraude é que, na primeira, os dados são escondidos; na segunda, são modifi cados para enganar o Fisco. De acordo com Tamanini e Sousa (2010, s.p.), os objetivos do planejamento tributário são: • Corrigir possíveis erros de interpretação e execução no cumprimento das obrigações e rotinas fi scais na empresa; • Evitar contingências fi scais (multas e sanções), bem como o pagamento indevido de tributos; • Implementar formas lícitas de economia tributária. Conforme afi rma Zanluca (2021, s.p.), há a edição de grande quantidade de normas que regem o sistema tributário, oriundas dos três entes tributantes: União, Estados e Municípios, [...] e, ainda, dezenas de obrigações acessórias que uma empresa deve cumprir para tentar estar em dia com o fi sco: declarações, formulários, livros, guias etc. Diante dessa realidade, o grande volume de informações e sua contínua complexidade acabam difi cultando a aplicação de rotinas e o planejamento, que não podem ser fi xos, engessados, mas devem ser sempre monitorados e atualizados. 119 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 2.1 CARACTERÍSTICAS DO PLANEJAMENTO Durante o estudo deste material, tivemos a oportunidade de constatar a existência de um elevado nível de tributação de pessoas físicas e jurídicas no Brasil e como essa tributação representa parcela signifi cativa dos custos de uma organização. Assim, se o enquadramento tributário não for bem analisado, pode chegar a inviabilizar a atividade empresarial. Ainda precisamos considerar a existência da complexidade do sistema tributário que pode, muitas vezes, tirar a tranquilidade dos contribuintes. Sobre a complexidade tributária, observe a contribuição de Monteiro (2014, s.p.): Não é novidade para o profi ssional responsável pela área tributária das empresas o quão complexo é o sistema tributário nacional. Não só pela pesada carga de tributos, mas também pelo emaranhado de normas que regulam o recolhimento. Em linhas gerais, esse tema é um pesadelo. E se já é para quem conhece o tema, imagine para cidadão médio. [...] Mas qual o motivo de ser tão complexo esse sistema? É só o número elevado de tributos que compõe nosso ordenamento? Ou é o modo como são cobrados? Em linhas gerais, dá pra dizer que sim, esses motivos são os que geram maior impacto em nosso sistema tributário. [...] Por exemplo, o Brasil é constituído de 27 estados, cada qual com sua legislação tributária específi ca, com suas alterações quase que diárias. O ICMS (Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação) é o carro chefe desse ente da federação. É desse imposto que vem a maior renda dos estados, sendo por esse motivo a sua menina dos olhos. Graças a ele, temos até hoje os problemas de guerra fi scal, um cancro para o desenvolvimento econômico e social. Afi nal, se a empresa não efetuar o devido pagamento de um tributo, isso implica em uma dívida ou renegociação com o governo para quitação do débito tributário e pode gerar ainda mais sanções, como multas e juros. É por isso que Zanluca (2021, s.p.) defi ne o planejamento tributário como: 120 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA O planejamento tributário é um conjunto de sistemas legais que visam diminuir o pagamento de tributos. O contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio da maneira que melhor lhe pareça, procurando a diminuição dos custos de seu empreendimento, inclusive dos impostos. Se a forma celebrada é jurídica e lícita, a fazenda pública deve respeitá-la. [...] Segundo o IBPT, no Brasil, em média, 33% do faturamento empresarial é dirigido ao pagamento de tributos. Somente o ônus do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro das empresas pode corresponder a 51,51% do lucro líquido apurado. Da somatória dos custos e despesas, mais da metade do valor é representada pelos tributos. Assim, imprescindível a adoção de um sistema de economia legal. O princípio constitucional não deixa dúvidas que, dentro da lei, o contribuinte pode agir no seu interesse. Planejar tributos é um direito tão essencial quanto planejar o fl uxo de caixa, fazer investimentos, etc. Signifi ca dizer que a ideia por trás do planejamento tributário é evitar erros ou fraudes e reduzir os encargos tributários da empresa, porém, dentro do âmbito legal. O planejamento tributário também é conhecido no mercado como elisão fi scal ou economia legal. Desta forma, o planejamento tributário consiste em adequar a organização da melhor maneira possível a fi m de buscar constantemente a diminuição dos custos do empreendimento, desde que os meios sejam lícitos e possíveis juridicamente. Assim, podemos relacionar os objetivos do planejamento tributário elencados por Fernandes (2020, s.p.). São eles: a) Evitar a incidência de um tributo O melhor do planejamento é quando se evita o pagamento de um tributo. Ou seja, você impede o fato gerador e não há no que se falar de obrigação tributária. São várias as escolhas que podem evitar um tributo, como o local de onde se faz uma determinada transação ou com quem (tipo de empresa) é feita essa transação. b) Reduzir os valores de recolhimento É inevitável ter que pagar tributos. O bom é que as escolhas do Planejamento poderão levar a sua empresa em uma situação de redução desses valores de recolhimento, seja com uma redução da alíquota ou na mudança da base. Essa é a forma mais comum de planejamento. c) Retardar uma obrigação tributária Se você não conseguiu afastar a incidência, ou ainda não reduziu os valores de recolhimento é possível trabalhar com a possibilidade de retardar a obrigação. Você já ouviu na escolha entre o método de caixa ou de competência? Essa é uma das formas. 121 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 Isso porque existe uma grande quantidade de normas no sistema tributário oriundas dos governos Federal, Estadual e Municipal. Além delas, existem tantas outras obrigações acessórias para que uma empresa esteja em dia com o fi sco. Diante disso, Lopes (2021) aborda que a declaração denominada de DEFIS é a Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais que entregue anualmente até o dia 31 de março do ano subsequente. Serve para comunicar e comprovar ao Governo Federal, através do órgão fi scal, que é a Receita Federal, que as empresas enquadradas no Simples Nacional recolheram, em conformidade com a lei, os devidos tributos no ano-calendário anterior. Fornece também informações a respeito da quantidade de despesas que a empresa teve, a distribuição societária dos sócios, quantidade de empregados no período, entre outras. Também existe o DAS que é o documento de arrecadação do Simples Nacional. É um imposto calculado sobre o faturamento mensal da empresa. Caso a empresa não possua movimento dentro do mês, será isento do imposto. Por sua vez, a DIRF é a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Ela é enviada anualmente para as empresas que fazem retenção do imposto (IRRF) e opcionalmente as contribuições retidas de seus fornecedores. Outra importante declaraçãoque a empresa necessita manter controles extracontábeis justamente para avaliar frequentemente as condições para apuração dos impostos e evitar pagamentos desnecessários. Isso é corroborado por Pereira (2012, s.p., grifo do autor): 13 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 [...] art. 5º, inciso II, da Constituição Federal, ‘ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei’. O que se extrai do dispositivo é um comando geral e abstrato do qual concluímos que somente a lei poderá criar direitos, deveres e vedações, fi cando os indivíduos vinculados aos comandos legais, disciplinadores de suas atividades. Os impostos básicos incidem sobre a venda, renda ou patrimônio e sua magnitude é determinada pela legislação tributária. A tributação e o pagamento dos impostos podem ser classifi cados em três esferas: federal, estadual ou municipal. Observe a seguir os principais impostos cobrados em cada uma das esferas no Brasil. Nível Federal II – Imposto sobre a importação de produtos estrangeiros; IE – Imposto sobre a exportação de produtos nacionais ou nacionalizados; IR – Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza; IPI – Imposto sobre produtos industrializados; IOF – Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos ou valores mobiliários; ITR – Imposto territorial rural. Nível Estadual ICMS – Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação; IPVA – Imposto sobre propriedade de veículos automotores; ITCMD – Imposto sobre transmissões causa mortis e doações de qualquer bem ou direito. Nível Municipal IPTU – Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana; ITBI – Imposto sobre a transmissão intervivos de bens e imóveis e de direitos reais a eles relativos; ISSQN – Impostos sobre serviços de qualquer natureza. Em relação à repartição das receitas tributárias, o Senado Federal (2021) esclarece no artigo 158 da Constituição Federal do Brasil: 14 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Art. 158. Pertencem aos Municípios: I- o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. II- cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na hipótese da opção a que se refere o art. 153, § 4º, III. III- cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de veículos automotores licenciados em seus territórios. IV- vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Parágrafo único. As parcelas de receita pertencentes aos Municípios, mencionadas no inciso IV, serão creditadas conforme os seguintes critérios: I- três quartos, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios. II- até um quarto, de acordo com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos Territórios, lei federal. Os gestores das empresas precisam estar sempre avaliando e acompanhando a legislação tributária e, principalmente, observar quais são os tipos de tributos que a empresa está recolhendo e que são previstos na legislação. Para isso, é importante conhecer os tipos de tributação existentes, o que diz a legislação e o que ela signifi ca na prática. Tipos de Tributação Tributação sobre a produção: prevê o Imposto sobre Produtos Industrializados (Art. 153, IV da Constituição). As alíquotas podem ser alteradas dos impostos sobre produção (Art. 150, III, da Constituição). Tributação sobre a circulação de mercadorias: prevê a tributação das operações de circulação de mercadorias e de serviços de transporte intermunicipal e interestadual, incide o ICMS que é de competência dos Estados (Art. 155, II, da Constituição). Prestação de serviços discriminados na lista da Lei Complementar nº 116/03 e incide ISS de competência municipal. Faturamento incidem as contribuições para o PIS e a COFINS (Art. 195, I, da Constituição) e são de competência da União (Art. 149 da Constituição). 15 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 Tributação sobre produtos relacionados ao comércio exterior: compete à União instituir impostos sobre a importação de produtos estrangeiros e exportação para o exterior de produtos nacionais ou nacionalizados (Art. 153 da Constituição). As alíquotas podem ser alteradas ou as bases de cálculo do imposto, a fi m de ajustá- lo aos objetivos da política cambial e do comércio exterior (Art. 21 do Código Tributário Nacional). Tributação sobre o patrimônio: compete aos municípios a cobrança de imposto predial e territorial urbano (Art. 156 da Constituição Federal). Tributação sobre a renda: compete à União a cobrança do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza (Art. 153 da Constituição). As normas e conceitos fundamentais do Imposto de Renda são defi nidos pelo Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66). A organização das atividades empresariais para economia de tributos podemos nomear como planejamento tributário. O planejamento dos tributos é extremamente importante para as empresas, mas deve ser desenvolvido com muito cuidado por profi ssionais formados em Ciências Contábeis que possuam vasto conhecimento relacionado aos tributos e das obrigações acessórias para a legalidade das operações nessas empresas. Planejar com exatidão as operações das empresas com vistas à economia tributária deve ser uma das principais preocupações dos gestores nas empresas. Em um mercado global e extremamente competitivo, como se apresenta na economia mundial, a redução dos efeitos tributários pode ser um excelente mecanismo para o sucesso fi nanceiro da empresa e para isso vamos conhecer o que é tributo. De acordo com o art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN): 16 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada (BRASIL, 1966). Prossegue o CTN, a Lei 5.172/66, em seu art. 96 diz que a expressão legislação tributária compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes (BRASIL, 1966). Não é fácil unir legislação e contabilidade tributária, pois a legislação tributária visa atender especifi camente às obrigações impostas pelo governo, enquanto a contabilidade possui suas atividades voltadas a registrar os fatos com base nos preceitos decorrentes das normas contábeis vigentes. A realidade tributária brasileira é notoriamente complexa. Para que as empresas consigam o diferencial de ofertar bens e serviços com preços justos e atraentes, torna-se necessário um planejamento tributário efi caz. A efi cácia do planejamento tributário é importante para as empresas se tornarem competitivas e isso somente é possível mediante um estudo aprofundado sobre os aspectos determinados na legislação tributária, sempre em conjunto com o que preconizam as regras contábeis elaboradas pelas normas nacionais e internacionais. 2.1 ELEMENTO DO TRIBUTO Para que um novo tributo possa ser criado, é necessário atender a algumas exigências, sendo a primeira delas que sua criação seja efetivada somente por legislação específi ca e que também contempleé a DESTDA, que é a Declaração de Substituição Tributária, Diferencial de Alíquotas e Antecipação (DESTDA) trata- se de uma obrigação mensal para micro e pequenas empresas. Por meio dela se dá o recolhimento do ICMS das diferenças de alíquotas entre os estados e da substituição tributária. Bastante coisa, não é? Vamos avançar mais um pouco. Ao analisar as obrigações acessórias para as empresas enquadradas no Lucro Presumido, segundo Lopes (2021), uma importante declaração a ser entregue ao fi sco é a DES, que é a Declaração Eletrônica de Serviços. Trata-se de uma declaração municipal a qual estão sujeitas as empresas prestadoras de serviço, utilizada para declarar ao fi sco o total de serviços prestados no mês. Vale ressaltar que essa obrigação só é exigida para algumas prefeituras. Por sua vez, a DCTF é a Declaração de Débitos Tributários Federais e é uma declaração de competência da União, que contém informações relacionadas aos impostos federais, como IRPJ, IRRF, IPI, CSLL e outros. Temos ainda a EFD Contribuições que trata-se de uma obrigação federal que compõe o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), a ser enviada pelas empresas na escrituração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofi ns, bem 122 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA como para a escrituração digital da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta, incidente nos setores de comércio, serviços e indústrias, no acolhimento de receitas referentes aos CNAEs, atividades, serviços e produtos (NCM) a ela relacionados. Além das declarações que as empresas precisam entregar ao fi sco, existem vários sistemas disponíveis e que são utilizados para atender a demanda da necessidade fi scal. Um desses sistemas é o SPED FISCAL, que é uma iniciativa do governo que busca simplifi car os processos de arquivamento, envio e validação das obrigações economizando papéis físicos. Serve para encaminhar ao governo federal as apurações de IPI e ICMS. Alguns estados dispensaram a entrega da GIA (Guia de Informações e Apuração). Somente requerem a entrega do SPED FISCAL. Em relação ao ICMS, existe a GIA ESTADUAL, que é a Guia de Informações e Apuração de ICMS. Serve para informar ao governo estadual as apurações individuais dos contribuintes a respeito do ICMS. Estão obrigados somente os contribuintes que possuem inscrição estadual. Em seguida temos a GIA - SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, que é a Guia de Informações e Apuração de ICMS-ST. Serve para informar ao governo estadual as apurações individuais dos contribuintes a respeito do ICMS-ST. Estão obrigados somente os contribuintes que realizam a venda de produtos sujeitos aos regimes de ST (Convênio ICMS 92/2015). Em relação aos livros fi scais, temos a LFE, que quer dizer Livro Fiscal Eletrônico. É uma obrigação acessória que se estabelece apenas para as empresas de Brasília. A LFE é para informar à Receita Federal todo contribuinte que constam no ICMS e/ou no ISS no Distrito Federal. Por fi nal, temos o SISCOSERV que é o Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio. O SISCOSERV foi criado para controlar os dados dos serviços de importações e exportações. Observe como é complexo o sistema para o cumprimento das obrigações acessórias das empresas. Então, se analisarmos detalhadamente o fechamento dos balancetes mensais e o balanço anual das empresas, poderíamos propiciar economia em IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), isso porque cada registro contábil tem uma consequência tributária a favor ou contra a contabilidade da empresa. E isso precisa ser avaliado para 123 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 verifi car as oportunidades de economia tributária, ou seja, se é melhor manter a empresa no enquadramento do regime tributário do Lucro Real, Lucro Presumido ou Simples Nacional. Como exemplo dessa situação, Fernandes (2016, s.p.) aborda as possíveis vantagens ou desvantagens dos regimes tributários mencionados: Vantagens e Desvantagens do Lucro Real [...] Vantagens O IRPJ e CSLL é calculado com base no resultado real da empresa, diminuindo distorções. É possível compensar prejuízos realizados em apurações futuras de lucro na base de cálculo; Existem duas formas de apuração, a trimestral e a anual por estimativa, nesta escolha é possível contribuir para o caixa da empresa. O regime não cumulativo do PIS e COFINS pode contribuir para reduzir a carga destes tributos. Desvantagens Complexidade no tratamento e obrigações acessórias Requer um rigoroso controle e observância dos princípios contábeis As obrigações acessórias são mais complexas e exigência extrema atenção. Va ntagens e Desvantagens do Lucro Presumido [...] Vantagens Seu tratamento é bem mais simples do que se trabalhar no Lucro Real. Se o lucro da sua empresa for superior a presunção há uma vantagem tributária. As obrigações são menos complexas, nem por isso devem ter uma menor atenção. As Alíquotas de PIS e COFINS são menores do que no Lucro Real. Desvantagens Não há a possibilidade de compensar créditos de PIS e COFINS. Se a lucratividade da empresa se reduzir durante o ano não há ajuste de base. É necessário Balanço apurado para distribuir lucros para os sócios acima da presunção adotada para o IRPJ. Vale ressaltar que estamos tratando de formas legais para que a empresa defenda os seus interesses. Assim, o planejamento tributário é um direito da empresa e uma ferramenta tão necessária quanto qualquer outra para a sua sobrevivência no mercado. 124 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Desta maneira, podemos dizer que a economia de impostos é uma premissa do planejamento tributário e podem tornar a empresa mais competitiva no cenário nacional e internacional. Para isso, ele precisa ser feito de forma completa e abrangente para assegurar condições econômicas de pagamentos de tributos com riscos calculados. As formas de se fazer essa análise, considerando fatores internos e externos, veremos na próxima Seção desse Capítulo, na qual estudaremos os tipos de planejamento tributário existentes. Com isso, encerramos a seção, na qual abordamos as características do planejamento tributário. 1 O planejamento tributário também é conhecido no mercado como elisão fi scal ou economia legal. De acordo com essa assertiva, no que consiste o planejamento tributário? 2 Em relação ao enquadramento tributário, quais são as vantagens do regime tributário do Lucro Real? 3 TIPOS DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Agora que já sabemos o que envolve o planejamento tributário e sua função para as empresas, há uma necessidade em considerar que o mesmo abrange as atividades de qualquer tipo de empresa e seus efeitos exercem refl exos na estrutura gerencial e contábil-fi nanceira. 125 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 Assim, Tamanini e Sousa (2010) destacam os tipos de planejamento existentes. São eles: » Operacional: refere-se aos procedimentos formais prescritos pelas normas ou pelo costume. » Estratégico: implica mudança de algumas características estratégicas da empresa, tais como estrutura de capital, tipos de empréstimos, contratação de mão de obra, etc. » Jurídico: em que se consideram exclusivamente os efeitos fi scais no tempo. Nesse caso, o planejamento se subdivide em outras três categorias. a. Preventivo: desenvolvido continuamente por intermédio de orientações, manuais de procedimentos, sobretudo, as atividades de cumprimento da legislação tributária nas obrigações principais e acessórias. b. Corretivo: detectada uma anormalidade, deve-se proceder o estudo para alternativas de correção. c. Especial: surgida em função de determinado fato, por exemplo, lançamento de novos produtos, reestruturação societária etc. Nesse amplo espectro de atuação do planejamento tributário, buscou-se em Menezes (2018, s.p.) que:A gestão tributária consiste em uma soma de procedimentos e ações que toda empresa deve desempenhar no que se refere ao recolhimento de tributos. A carga tributária complexa e elevada incide nas atividades de uma entidade, independentemente de sua natureza jurídica. Assim, devido à crise fi nanceira que o Brasil enfrenta, as empresas necessitam se reinventar com uma efi ciente administração de suas obrigações tributárias para garantir sua sobrevivência e competitividade, pois os tributos refl etem importante parcela dos custos das empresas. Para que a empresa se desenvolva adequadamente, seja ela micro ou pequena empresa, é necessário que os gestores estejam dispostos a desenvolver uma gestão tributária, e que seja implementada desde seu nascimento, na escolha do regime de tributação. Neste sentido, o contador desempenha o papel de informar ao empresário sobre as questões da gestão tributária, para tanto, ele utilizará a Contabilidade Tributária como fonte para tal procedimento. 126 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Se eles não estiverem atualizados podem apresentar distorções na análise real da situação fi scal da empresa. Assim, Tamanini e Sousa (2010) consideram de suma importância que o reconhecimento de todas as receitas e despesas se faça pelo regime de competência e não pelo regime de caixa. Para demonstrar isso, de acordo com o balancete a seguir, serão extraídas algumas informações tributárias possíveis de serem avaliadas. Tributos Gerados Ano 20X1 Valor % Faturamento % Relativo Grupo FATURAMENTO DO PERÍODO R$ 6.500.000,00 100,00% ICMS R$ 1.085.500,00 16,70% 40,82% IPI R$ 546.000,00 8,40% 20,53% INSS R$ 407.550,00 6,27% 15,33% COFINS R$ 198.900,00 3,06% 7,48% FGTS R$ 121.550,00 1,87% 4,57% IRPJ R$ 125.750,00 1,93% 4,73% PIS R$ 65.650,00 1,01% 2,47% ISS R$ 61.750,00 0,95% 2,32% CSLL R$ 35.750,00 0,55% 1,34% IOF R$ 3.200,00 0,05% 0,12% IPTU R$ 3.200,00 0,05% 0,12% OUTROS R$ 1.950,00 0,03% 0,07% IPVA R$ 1.300,00 0,02% 0,05% CONTRIBUIÇÃO SINDICAL R$ 1.300,00 0,02% 0,05% Total Tributos Gerados R$ 2.659.350,00 40,91% QUADRO 1 – CUSTOS TRIBUTÁRIOS EM UMA EMPRESA HIPOTÉTICA FONTE: O autor (2021) Podemos extrair as seguintes informações de acordo com o levantamento das informações do balancete da empresa, conforme quadro anterior: 1. 99,71% da carga tributária desta empresa no ano decorrem somente dos dez primeiros tributos relativo ao grupo. 2. Os tributos que estão diretamente relacionados ao faturamento e às receitas da empresa (ICMS com 40,82%; IPI com 20,53%; PIS com 2,47%; COFINS com 7,48% e ISS com 2,32%) representam 73,62% da carga tributária. Nesse caso é de extrema importância realizar um estudo mais específi co sobre cada um para verifi car sua adequação e possibilidades de planejamento, pois muitos produtos podem ter a incidência de carga tributária diferenciada. 127 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 3. Os tributos incidentes sobre a folha de pagamento dos funcionários (INSS com 6,27% e FGTS com 1,87%) representam 8,14% em relação ao faturamento da empresa, o que é bastante representativo. Como tais incidências ocorrem sobre salários e remuneração, uma análise sobre a folha de pagamento (com a aplicação de uma auditoria trabalhista) é bastante interessante de tempos em tempos. 4. Os tributos sobre o lucro da empresa (IRPJ com 1,93% e a CSLL com 0,55%) consomem cerca de 2,48% do faturamento e observa-se que há uma grande necessidade em serem avaliados com relação à sua formação, pois muitas vezes a empresa não poderá ter a incidência do adicional de 10% no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, o que de fato pode representar uma diferença no momento de uma comparação entre empresas. Deve-se estar atento principalmente em relação ao lucro contábil antes da provisão do IRPJ e da CSLL, pois se estiver acima de 7,31% do faturamento (para chegar a esse número, dividiu-se 2,48% por 34% que é a soma da alíquota máxima do 25% IRPJ + 9% CSLL). Isso quer dizer que, se o lucro estiver abaixo desse patamar, signifi ca que há algum fator onerando a tributação sobre os lucros e esse aspecto precisa ser analisado com bastante critério. 5. É preciso entender que nenhum tributo deve ser considerado “barato” para a empresa, apesar do mesmo apresentar um porcentual pequeno sobre o faturamento. É importante que se faça uma análise de 3 a 4 vezes por ano sobre essas incidências tributárias. Também é importante frisar que caso ocorram discrepâncias, é possível que receitas de vendas não tenham sido devidamente registradas ou registradas com erros (embora seja raro) na aplicação dos porcentuais para a apuração desses tributos. Para verifi carmos como funciona o planejamento tributário na prática, utilizaremos um exemplo de uma empresa (fi ctícia) do ramo alimentício, com sede em Santa Catarina. Esta empresa é fabricante de petiscos e cujos produtos são imunes ao IPI. No entanto, pode se creditar do ICMS das compras de matéria-prima e outras entradas previstas em lei. 128 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Vamos para outro exemplo, onde hipoteticamente com outros valores, a empresa possui a seguinte receita de vendas brutas do exercício social anterior: Janeiro de 20X0: R$ 207.931,45 Fevereiro de 20X0: R$ 117.742,75 Março de 20X0: R$ 119.722,30 Abril de 20X0: R$ 182.251,40 Maio de 20X0: R$ 147.176,20 Junho de 20X0: R$ 183.275,51 Julho de 20X0: R$ 148.396,94 Agosto de 20X0: R$ 157.335,96 Setembro de 20X0: R$ 214.165,00 Outubro de 20X0: R$ 172.613,00 Novembro de 20X0: R$ 142.498,70 Dezembro de 20X0: R$ 126.890,79 Total do Faturamento em 20X0 = R$ 1.920.000,00 A partir dos dados apresentados e sabendo que a empresa em questão será tributada conforme o Anexo II da Lei 123/06, podemos calcular o montante do Simples Nacional que será gerado no próximo exercício fi scal da empresa. Veja abaixo a Tabela do Simples Nacional 2021 atualizada de acordo com a Receita Federal: Faixa Receita bruta em 12 meses (em R$) Alíquota Valor a deduzir (em R$) 1ª Faixa Até 180.000,00 4,50% – 2ª Faixa De 180.000,01 a 360.000,00 7,80% 5.940,00 3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 10,00% 13.860,00 4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 11,20% 22.500,00 5ª Faixa De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 14,70% 85.000,00 6ª Faixa De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 30,00% 720.000,00 TABELA 1 – SIMPLES PARA A INDÚSTRIA (FABRICAÇÃO EM GERAL) FONTE: Gaspar (2021, on-line) 129 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 O valor do Simples Nacional da empresa hipotética está apurado da seguinte forma: 5ª faixa de tributação com alíquota de 14,70% e parcela a deduzir em R$ 85.000,00. Faturamento de R$ 1.920.000,00 x 14,70% = R$ 282.240,00 Valor de R$ 282.240,00 ( - ) R$ 85.000,00 da parcela a deduzir. R$ 197.240,00 Portanto, o valor fi nal do Simples Nacional para a empresa pagar é de R$ 197.240,00. As micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional 2021 podem exercer diferentes atividades, tendo também diferentes lucros. Por esse motivo, existe a Tabela de Alíquotas do Simples Nacional. Há ainda a necessidade de se observar que as empresas optantes do Simples Nacional devem fi car atentas às seguintes restrições, conforme Batagin (2021, s.p.): Quem não pode ser optante pelo Simples Nacional? Vejamos: 1) Tipos de empresas que não possuam as seguintes naturezas jurídicas: Sociedade empresária; Sociedade simples; Sociedade limitada unipessoal; Empresa individual de responsabilidade limitada ou; Empresário individual. 2) Que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior ou no ano calendário em curso, receita bruta no mercado interno superior a R$ 4.800.000,00 ou ao limite adicional de igual valor para exportação de mercadorias e serviços; 3) Que tenha auferido, no ano-calendário de início de atividade, receitabruta no mercado interno superior ao limite proporcional de R$ 400.000,00 multiplicados pelo número de meses em funcionamento no período, 130 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA inclusive as frações de meses, ou ao limite adicional de igual valor para exportação de mercadorias e serviços; 4) Que tenha como sócio da empresa outra pessoa jurídica; 5) Que seja fi lial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; 6) Que tenha como outro sócio pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que seja optante pelo simples nacional, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 4.800.000,00; 7) Cujo titular ou sócio participante com mais de 10% do capital de outra empresa não benefi ciada pela Lei do Simples Nacional, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 4.800.000,00; 8) Cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fi ns lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 4.800.000,00; 9) Constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; 10) Que participe do capital de outra pessoa jurídica; 11) Que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, fi nanciamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; 12) Resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 anos-calendário anteriores; 13) Constituída sob a forma de sociedade por ações; 14) Cujos titulares ou sócios guardem, cumulativamente, com o contratante do serviço, relação de pessoalidade, subordinação e habitualidade; 15) Que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); 16) Que tenha sócio domiciliado no exterior; 17) De cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; 18) Que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 131 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 19) Que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros, exceto quando na modalidade fl uvial ou quando possuir características de transporte urbano ou metropolitano ou realizar-se sob fretamento contínuo em área metropolitana para o transporte de estudantes ou trabalhadores; 20) Que seja geradora, transmissora, distribuidora ou comercializadora de energia elétrica; 21) Que exerça atividade de importação ou fabricação de automóveis e motocicletas; 22) Que exerça atividade de importação de combustíveis; 23) Que exerça atividade de produção ou venda no atacado de: cigarros, cigarrilhas, charutos, fi ltros para cigarros, armas de fogo, munições e pólvoras, explosivos e detonantes, cervejas sem álcool e bebidas alcoólicas (exceto, a partir de 2018, as produzidas ou vendidas no atacado por micro e pequenas cervejarias, micro e pequenas vinícolas, produtores de licores e micro e pequenas destilarias); 24) Que realize cessão ou locação de mão de obra; 25) Que se dedique ao loteamento e à incorporação de imóveis; 26) Que realize atividade de locação de imóveis próprios, exceto quando se referir a prestação de serviços tributados pelo ISS; 27) Sem inscrição ou com irregularidade em cadastro fi scal federal, municipal ou estadual, quando exigível. Todas as restrições citadas devem ser sempre consultadas periodicamente pois podem ocorrer alterações na legislação. No momento em que a Pessoa Jurídica solicita a inscrição como optante do Simples Nacional, esta deve ter ciência de sua projeção de receita para o período. Segundo Dau (2021), “com relação ao cálculo do Simples Nacional, propriamente dito, para chegar ao valor que precisa ser recolhido é preciso considerar o faturamento acumulado da empresa nos últimos 12 meses, e consultar a Tabela do Simples Nacional para verifi car a alíquota”. Mas nem sempre isso é possível. Quando ocorrer o excesso de receita no ano calendário em que foi feita a opção pelo Simples Nacional, a empresa deverá atentar aos seguintes fatores: 132 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA • A ME que exceder a receita bruta no ano em exercício será enquadrada como EPP no ano seguinte. • A EPP que exceder a receita bruta em 20% no ano em exercício será desenquadrada no mês seguinte. • A EPP que exceder a receita bruta em menos de 20% no ano em exercício será desenquadrada a partir do ano seguinte. • A EPP que exceder a receita bruta em 20% no ano de início das atividades será desenquadrada retroativamente ao início das atividades. Algumas atividades e condições da Pessoa Jurídica ou de seus sócios impossibilitam a opção pelo Simples Nacional. Essas situações estão listadas na Lei Complementar 123/2006, artigo 3º, parágrafo 4º (BRASIL, 2006). Vejamos: § 4º Não poderá se benefi ciar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: I- de cujo capital participe outra pessoa jurídica; II- que seja fi lial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; III- de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; IV- cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não benefi ciada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; V- cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fi ns lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; VI- constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; VII- que participe do capital de outra pessoa jurídica; VIII- que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, fi nanciamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; IX- resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anos-calendário anteriores; X- constituída sob a forma de sociedade por ações. 133 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 XI- cujos titulares ou sócios guardem, cumulativamente, com o contratante do serviço, relação de pessoalidade, subordinação e habitualidade. A opção pelo Simples Nacional possui vedações defi nidas ainda no artigo 17 da Lei Complementar Federal nº 123/2006 (BRASIL, 2006). Vejamos: I- que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços(factoring); II- que tenha sócio domiciliado no exterior; III- de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; IV- que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; V- que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros, exceto quando na modalidade fl uvial ou quando possuir características de transporte urbano ou metropolitano ou realizar-se sob fretamento contínuo em área metropolitana para o transporte de estudantes ou trabalhadores; VI- que seja geradora, transmissora, distribuidora ou comercializadora de energia elétrica; VII- que exerça atividade de importação ou fabricação de automóveis e motocicletas; VIII- que exerça atividade de importação de combustíveis; IX- que exerça atividade de produção ou venda no atacado de: a) cigarros, cigarrilhas, charutos, fi ltros para cigarros, armas de fogo, munições e pólvoras, explosivos e detonantes; b) bebidas alcoólicas e cervejas sem álcool; X- que realize cessão ou locação de mão de obra; XI- que se dedique ao loteamento e à incorporação de imóveis. XII- que realize atividade de locação de imóveis próprios, exceto quando se referir a prestação de serviços tributados pelo ISS. XIIII- com ausência de inscrição ou com irregularidade em cadastro fi scal federal, municipal ou estadual, quando exigível. Veja quantas informações conseguimos para o planejamento tributário. Mas ainda não acabou! Deste item adiante serão desenvolvidos cálculos para análise do enquadramento da empresa para o lucro presumido e lucro real. Começaremos por analisar o histórico referente ao ICMS considerando: 134 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Venda com alíquota de 12%; Historicamente, suas compras representam 60% do valor de suas vendas. Apresenta-se o valor de R$ 849.269,46. No Estado de Santa Catarina, a alíquota para a apuração do ICMS, tanto para vendas ou compras dentro do Estado é de 12%, conforme Woelfer (2020, s.p.): Tanto aos Fornecedores quanto aos Adquirentes devem estar atentos às novas regras, para correta emissão de seus documentos fi scais a partir de 01/03/2020. Esta mudança da alíquota do ICMS de 17% para 12% aplica- se na emissão dos documentos fi scais por contribuintes do Regime Normal de apuração do ICMS em relação ao ICMS da operação própria, cujo destaque é feito em campo próprio da respectiva NF, e também para as empresas do Simples Nacional, terá efeitos quanto a dedução do ICMS da operação própria a ser subtraído no cálculo da Substituição Tributária, quanto promover saídas de produtos sujeito ao regime da ST, na condição de substituto Tributário. Como “efeito colateral” todos devem fi car atentos em relação ao preço que será praticado pelos devidos fornecedores do Regime Normal de Apuração, onde passam a ter uma carga de 12% e não mais 17% em relação ao ICMS, desta forma entendemos que o mesmo deve reduzir o seu preço de venda para compensar a redução do crédito de ICMS que o adquirente terá menor. Inclusive quando o adquirente for do Simples Nacional, entendemos caber este direito a redução do valor por parte de seu fornecedor. Já para as empresas do Simples Nacional na condição de fornecedor, não terá como reduzir o valor de venda, visto que a mesma paga o ICMS de acordo com a faixa que a mesma se encontra nos moldes da LC 123/06, assim esta redução não terá efeitos nesta forma de tributação (SN). Lembrando ainda que para as mercadorias cuja alíquota INTERNAS em SC já é de 12% e para as mercadorias cuja alíquota INTERNA 25%, não sofrem qualquer alteração em relação a esta Lei. Esta alteração também não afeta a alíquota a ser aplicada no caso do cálculo do ICMS por ocasião do desembaraço de mercadoria, no momento da importação. Dessa forma, temos as projeções do ICMS sobre vendas e sobre compras: Vendas R$ 1.920.000,00 x 12% = R$ 230.400,00 Compras (60% das vendas) R$ 1.152.000,00 x 12% = R$ 138.240,00 Valor do ICMS na compra = R$ 230.400,00 ( - ) Valor do ICMS na venda = R$ 138.240,00 Valor do ICMS efetivo = $ 92.160,00 135 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 As informações extraídas da apuração anterior permitem identifi car o valor do ICMS efetivo em R$ 92.160,00 pela subtração do valor do ICMS nas compras, pelo valor do ICMS nas vendas. Agora temos condições de realizar a análise do PIS e da COFINS pelo regime tributário LUCRO PRESUMIDO. Base de cálculo PIS Lucro Presumido: R$ 1.920.000,00 Alíquota PIS Lucro Presumido: 0,65% Valor PIS Lucro Presumido: R$ 12.480,00 Base de cálculo COFINS Lucro Presumido: R$ 1.920.000,00 Alíquota COFINS Lucro Presumido: 3,00% Valor COFINS Lucro Presumido: R$ 57.600,00 Em seguida, há a necessidade em apurar o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido no enquadramento do Lucro Presumido). Nesse caso, há a necessidade em apurar a base de cálculo do IRPJ e CSLL em: IRPJ 8% CSLL 12%. Dessa forma, temos para o IRPJ - Imposto de Renda Pessoa Jurídica os seguintes valores: 1º trimestre: Vendas R$ 445.396,50 x 8% = R$ 35.631,72 base de cálculo do IRPJ 2º trimestre: Vendas R$ 512.703,11 x 8% = R$ 41.016,25 base de cálculo do IRPJ 3º trimestre: Vendas R$ 519.897,90 x 8% = R$ 41.591,83 base de cálculo do IRPJ 4º trimestre: Vendas R$ 442.002,49 x 8% = R$ 35.360,20 base de cálculo do IRPJ Com a base de cálculo apurada, será necessário apurar a alíquota de 15% para identifi car o IRPJ efetivo para a empresa enquadrada no regime tributário do Lucro Presumido. É importante observar que a empresa não atingiu a base acumulada em R$ 60.000,00 ao trimestre, desta forma, não haverá a incidência do adicional da alíquota de 10% no IRPJ. 136 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA 1º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 35.631,72 x 15% = R$ 5.344,76 2º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 41.016,25 x 15% = R$ 6.152,44 3º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 41.591,83 x 15% = R$ 6.238,77 4º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 35.360,20 x 15% = R$ 5.304,03 Com isso, o valor total do IRPJ para a empresa no enquadramento tributário do Lucro Presumido é de R$ 23.040,00 (R$ 5.344,76 + R$ 6.152,44 + R$ 6.238,77 + R$ 5.304,03). A CSLL segue o mesmo padrão de cálculo, porém, a base de cálculo é de 12% e a alíquota é de 9%. Dessa forma, temos para o IRPJ - Imposto de Renda Pessoa Jurídica os seguintes valores: 1º trimestre: Vendas R$ 445.396,50 x 12% = R$ 53.447,58 base de cálculo da CSLL 2º trimestre: Vendas R$ 512.703,11 x 12% = R$ 61.524,37 base de cálculo da CSLL 3º trimestre: Vendas R$ 519.897,90 x 12% = R$ 62.387,75 base de cálculo da CSLL 4º trimestre: Vendas R$ 442.002,49 x 12% = R$ 53.040,30 base de cálculo da CSLL Com a base de cálculo apurada, será necessário apurar a alíquota de 9% para identifi car a CSLL efetiva para a empresa enquadrada no regime tributário do Lucro Presumido. 1º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 53.447,58 x 9% = R$ 4.810,28 2º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 61.524,37 x 9% = R$ 5.537,19 3º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 62.387,75 x 9% = R$ 5.614,90 4º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 53.040,30 x 9% = R$ 4.773,63 Com isso, o valor total do IRPJ para a empresa no enquadramento tributário do Lucro Presumido é de R$ 20.736,00 (R$ 4.810,28 + R$ 5.537,19 + R$ 5.614,90 + R$ 4.773,63). Em seguida, será realizada a análise da tributação pelo lucro real. Para isso, há a necessidade de separar algumas informações adicionais a título de exemplo para o cálculo: 137 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 » Estoque inicial de R$ 47.000,00; » Estoque fi nal de R$ 100.000,00; » Custo com mão de obra de R$ 216.000,00; » Custo com mão de obra referente Férias e 13º Salário de R$ 24.000,00;» INSS empresa em 27,80% (20% mais os adicionais como INCRA, SESI, SENAI, SAT, etc.) sobre salários e o 13º salário com o acréscimo de 1/3 das férias, o que irá perfazer o valor de INSS em R$ 66.720,00; » FGTS de R$ 19.200,00; » Matérias-primas/mercadorias/insumos de R$ 1.152.000,00; » Outros custos e despesas de R$ 25.000,00; » Depreciações e equipamentos de R$ 18.000,00; » Pró-labore e serviços de terceiros pessoa física R$ 24.000,00; » INSS sobre pró-labore e serviços de terceiros pessoa física de R$ 4.800,00; » Despesas gerais e administrativas de R$ 24.000,00; É importante observar a alíquota do PIS de 1,65%; e da Cofi ns de 7,60% e aproveitar o crédito das compras para estes impostos. Portanto, o PIS e a COFINS para a empresa enquadrada no regime tributário do Lucro Real é de R$ 19.008,00 de crédito nas compras para o PIS; e R$ 87.552,00 de crédito nas compras para a COFINS. Agora temos os resultados para as três situações. Projetamos os resultados fi nais em uma DRE para melhor visualização e análise. Assim temos: 138 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Demonstração do Resultado Projetado Simples Nacional Lucro Presumido Lucro Real Receita de Vendas R$ 1.920.000,00 R$ 1.920.000,00 R$ 1.920.000,00 ( - ) Simples Nacional -R$ 197.240,00 R$ - R$ - ( - ) PIS R$ - -R$ 12.480,00 -R$ 31.680,00 ( - ) COFINS R$ - -R$ 57.600,00 -R$ 145.920,00 ( - ) ICMS R$ - -R$ 230.400,00 -R$ 230.400,00 Receita Líquida de Vendas R$ 1.722.760,00 R$ 1.619.520,00 R$ 1.512.000,00 ( - ) Estoque Inicial -R$ 47.000,00 -R$ 47.000,00 -R$ 47.000,00 Estoque Final R$ 100.000,00 R$ 100.000,00 R$ 100.000,00 ( - ) Salários -R$ 216.000,00 -R$ 216.000,00 -R$ 216.000,00 ( - ) 13º Salário + 1/3 Férias -R$ 24.000,00 -R$ 24.000,00 -R$ 24.000,00 ( - ) INSS s/ salários em 27,80% com adicionais R$ - -R$ 66.720,00 -R$ 66.720,00 ( - ) FGTS -R$ 19.200,00 -R$ 19.200,00 -R$ 19.200,00 ( - ) Matérias-primas/mercadorias/ insumos -R$ 1.152.000,00 -R$ 1.152.000,00 -R$ 1.152.000,00 ( - ) Outros Custos e Despesas -R$ 25.000,00 -R$ 25.000,00 -R$ 25.000,00 ( - ) Depreciações Equipamentos -R$ 18.000,00 -R$ 18.000,00 -R$ 18.000,00 Créditos PIS R$ - R$ - R$ 19.008,00 Créditos COFINS R$ - R$ - R$ 87.552,00 Créditos de ICMS nas Compras R$ - R$ 138.240,00 R$ 138.240,00 ( - ) Pró-Labore e Serviços 3º PF -R$ 24.000,00 -R$ 24.000,00 -R$ 24.000,00 ( - ) INSS s/ Pró-Labore e Serviços 3º PF R$ - -R$ 4.800,00 -R$ 4.800,00 ( - ) Despesas Gerais e Administrativas -R$ 24.000,00 -R$ 24.000,00 -R$ 24.000,00 Lucro antes do IRPJ + CSLL R$ 273.560,00 R$ 237.040,00 R$ 236.080,00 IRPJ R$ - -R$ 23.040,00 -R$ 35.412,00 CSLL R$ - -R$ 20.736,00 -R$ 21.247,20 RESULTADO FINAL R$ 273.560,00 R$ 193.264,00 R$ 179.420,80 QUADRO 2 – RESUMO DOS TRIBUTOS, CONTRIBUIÇÕES E RESULTADO FINAL FONTE: O autor (2021) De acordo com os números apresentados, descarta-se a opção pelo Lucro Real, pois o mesmo está em R$ 179.420,80. O Lucro Presumido está em segundo lugar com R$ 193.264,00 e o Simples Nacional apresenta um lucro de R$ 273.620,00. Vale lembrar que o IRPJ no enquadramento do regime tributário do Lucro Real é de R$ 35.412,00 devido à incidência de 15% sobre o lucro tributável de R$ 236.080,00, assim como a CSLL de 9% sobre o lucro tributável de R$ 236.080,00, o que permitirá apurar o valor de R$ 21.247,20. 139 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 Qualquer variação nos valores apresentados na DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) pode interferir na decisão. Por isso, os dados históricos corretos, bem como a projeção para o próximo exercício, se tornam muito importantes para a análise, como também a atualização do profi ssional em relação à legislação pertinente aos tributos. Em função do resultado obtido, devemos levar em consideração ainda nesse exemplo a relação do crédito do ICMS para os clientes. Se isso for um fator mercadológico relevante, temos que considerar com maior prudência a opção, visto que se for a do Simples Nacional, o crédito a ser transferido é menor do que se fosse pelo Lucro Real. Desta forma, o planejamento tributário para essa situação e considerando as variáveis analisadas com o devido conservadorismo, inclusive as variáveis de mercado, fi ca clara a opção pelo Simples Nacional pois é o melhor resultado apresentado nesse comparativo. Esse é apenas um exemplo do planejamento tributário para demonstrar a sua importância para as empresas. Mas, para auxiliar na análise da situação tributária, podemos utilizar a auditoria, cujo tema vem a seguir. 3.1 AUDITORIA TRIBUTÁRIA Outra ferramenta útil para a análise e acompanhamento do trabalho fi scal e tributário de uma organização é a auditoria com a fi nalidade de verifi car o cumprimento das normas e aproveitar as vantagens oferecidas pelo sistema tributário em vigor. Veja a contribuição de Carrijo (2020, s.p., grifo do autor): Sem dúvidas, o principal objetivo da auditoria tributária é garantir mais segurança fi scal aos negócios. Para tanto, ela confere aos empresários a oportunidade de enxergar as operações de seus empreendimentos com mais nitidez, apontando tudo aquilo que está certo ou errado; tudo o que pode representar riscos a curto, médio ou longo prazo. E por falar em riscos, prevenir as empresas contra eles é justamente o segundo maior objetivo da auditoria tributária. Oferecendo aos negócios meios para melhor controlar processos e atividades, bem como para identifi car aquilo que precisa ser ajustado, a auditoria acaba por blindá-los contra possíveis autuações por parte do Fisco e, consequentemente, contra prejuízos no faturamento. 140 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Para além desses, ainda é possível citar vários outros objetivos da auditoria tributária, como o aprimoramento da gestão fi scal e o melhor controle das rotinas e registros contábeis, por exemplo. O Brasil possui um dos sistemas mais complexos do mundo, com cerca de cinco mil leis que regem o sistema tributário e aproximadamente 80 tributos (taxas, impostos e contribuições) diferentes. Nesse sentido: Auditoria tributária corresponde à avaliação dos métodos e critérios adotados pelas empresas nas áreas fi scais/tributárias com a fi nalidade de verifi car o exato cumprimento das normas vigentes no sentido de evitar acúmulo de contingências pela adoção de procedimentos incorretos ou deixar de aproveitar possíveis vantagens fi scais pela ausência de adoção de procedimentos alternativos (OLIVEIRA et al., 2011, p. 341). A atividade da auditoria inclui a revisão dos cálculos e todos os aspectos relativos ao cumprimento das obrigações acessórias e principais dos tributos diretos e indiretos. O objetivo é certifi car-se de que os procedimentos adotados atendem às legislações vigentes. A partir disso, surgem as recomendações de alternativas legais para a economia e recuperação de impostos, pagos a mais ou indevidamente, e também a identifi cação de possíveis contingências e estudo de soluções para as devidas regularizações de forma menos onerosa e aproveitando-se da legislação (OLIVEIRA et al., 2011). O trabalho de auditoria requer o estabelecimento de um plano de trabalho para realização das auditorias, diz Andrade Filho (2009). Esse plano deve abranger a natureza, a extensão e a fi nalidade dos exames e contemplar também a natureza e a época de realização. Nesse sentido, a fi nalidade dos exames determina oescopo da auditoria. Em outras palavras, é o objetivo da auditoria que ditará a natureza e a extensão dos exames que deverão ser realizados (ANDRADE FILHO, 2009). 141 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 Para tanto, Oliveira et al. (2011) propõem um roteiro para um programa de auditoria com dois eixos básicos, a saber: Execução de procedimentos: a natureza, a época de aplicação e a extensão dos procedimentos de comprovação específi cos a serem executados nos livros e documentos. Procedimentos contábeis a serem revistos pela auditoria: são relacionados os tópicos do balanço patrimonial e as principais infl uências no cálculo do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas. Isso inclui: disponibilidades, contas a receber, valores mobiliários, imóveis destinados a venda, adiantamentos a fornecedores, impostos a recuperar, estoques, investimentos, ativo intangível, obrigações, variações monetárias e encargos fi nanceiros, impostos de renda a pagar, obrigações diversas, patrimônio líquido e impostos de renda. O trabalho de auditoria pode se prestar a diversas fi nalidades, como destacadas por Andrade Filho (2009) na sequência: Auditoria de balanço: realizada por auditor independente que visa formar opinião sobre a situação patrimonial, econômica e fi nanceira e emitir parecer que será publicado com as demonstrações contábeis exigidas por lei. Auditoria em fusões e aquisições: contratadas com a fi nalidade de oferecer uma opinião sobre a situação da empresa em venda. O caráter deste tipo de auditoria é eminentemente preventivo. Auditorias especiais e perícias: oferece opinião sobre balanços levantados para fi ns específi cos. A perícia constitui o conjunto de procedimentos técnicos e científi cos destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar à justa solução do litígio. Revisões de procedimentos: visam à expedição de um parecer formal sobre o cumprimento das obrigações tributárias em uma entidade. Elas são conduzidas, via de regra, dentro dos padrões técnicas de uma auditoria convencional. Toda auditoria culmina com a apresentação de um relatório. Os relatórios e pareceres expressam uma opinião abalizada do auditor sobre determinado assunto. Mas será que existe diferença entre relatório e parecer? 142 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA De acordo com Andrade Filho (2009), um parecer é um relatório em forma abreviada e tem a função de dar a conhecer ao público o resultado produzido pelo trabalho de auditoria. Já o relatório tem a mesma fi nalidade de um parecer, mas com maior riqueza de detalhes. As auditorias têm uma função que vão além da verifi cação dos procedimentos e métodos. Os exames da auditoria podem relevar a ocorrência de fraudes ou situações em que o não cumprimento das obrigações tributárias pode atrair a aplicação de normas penais. Por isso, Andrade Filho (2009) considera o caráter preventivo da auditoria. A fraude caracteriza-se pela ação ou omissão praticada com má-fé com o objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou que implique a modifi cação de algum dos outros aspectos da relação jurídica tributária (ANDRADE FILHO, 2009). A sonegação ocorre mediante a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. As penas mais comuns são as multas. Elas incidem sempre que houver o não cumprimento de obrigações tributárias principais ou acessórias e nos casos em que não puder ser aplicada a norma do art. 138 do Código Tributário Nacional, que exclui da responsabilidade por multa quando houver a denúncia espontânea da falta, seguida do recolhimento do tributo devido acrescido de juros de mora (ANDRADE FILHO, 2009, p. 20). Além da multa, a penalidade pode incluir a multa de mora que incide quando a obrigação tributária não é cumprida no prazo legal e desde que as autoridades fi scais tenham dado início do procedimento fi scal para realização do lançamento tributário. Depois de iniciado o procedimento administração, também pode ser aplicável a multa de ofício, que pode ser agravada conforme as circunstâncias da falta, explica Andrade Filho (2009). Mas além da fraude e da sonegação, o não cumprimento de obrigações tributárias pode caracterizar crime contra a ordem tributária, se a conduta que deu causa à infração for enquadrada nos previsto dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Nestes casos, Andrade Filho (2009) nos informa que constitui crime contra a ordem tributária: 143 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 a. Omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; b. Fraudar a fi scalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fi scal; c. Falsifi car ou alterar nota fi scal, fatura, duplicata, nota de venda ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; d. Elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; e. Negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fi scal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação; f. Fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; g. Deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; h. Exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte benefi ciário, qualquer porcentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fi scal; i. Deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuto, incentivo fi scal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; e j. Utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Portanto, o auditor deve ter ciência de que as condutas defi nidas nas leis só serão puníveis quando praticadas com dolo. O auditor deve tomar todo cuidado para não fazer juízos com base em conjecturar. O dolo e fraude devem ser provados em qualquer hipótese, diz Andrade Filho (2009). Disso decorre o caráter preventivo quanto ao fazer a verifi cação dos procedimentos e métodos tributários adotados pela organização. Com isso, encerramos a Seção 2 em que abordamos os tipos de planejamento tributário e auditoria tributária. 144 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA 4 OTIMIZAÇÃO DOS RESULTADOS As empresas só continuarão existindo se forem lucrativas e somente serão lucrativas, se produzirem mais, com mais qualidade e baixo custo. Não poderão hesitar de cobrar o que entendem que o produto vale. A precifi cação ou formulação dos preços de venda dos produtos e serviços não raros é complicada, em razão dos confl itos relacionados aos sentimentos de quem o está realizando: (a) querer servir aos mais diversos grupos de clientes, e (b) estar no negócio para ganhar dinheiro. Para isso, buscou-se em Roach (2021, s.p.): Mais do que um recurso que garante vendas, a precifi cação de produtos é uma estratégia de marketing – e, quanto melhor for o preço praticado pela sua loja, maiores são as suas chances de fi delizar clientes e conquistar novos clientes em potencial. A precifi cação é também um dos elementos responsáveis por garantir clientes satisfeitos e um processo de compra orgânico e natural, e deve ser priorizada juntamente com os canais de atendimento ao cliente e as opçõesde pagamento online disponibilizadas na loja. Especialistas afi rmam que é real a possibilidade de se aumentar lucro em basicamente todos os negócios envolvendo produtos e serviços, corrobora Leite (2021, s.p.): 3 Uma ferramenta útil para a análise e acompanhamento do trabalho fi scal e tributário de uma organização é a auditoria com a fi nalidade de verifi car o cumprimento das normas e aproveitar as vantagens oferecidas pelo sistema tributário em vigor. Nesse sentido, o que corresponde a auditoria tributária? 4 Os exames da auditoria podem relevar a ocorrência de fraudes ou situações em que o não cumprimento das obrigações tributárias pode atrair a aplicação de normas penais. O que caracteriza a fraude? 145 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 Quando a empresa segue a cartilha da boa administração e faz a sua gestão de custos de forma adequada, ela abre espaço para agregar qualidade para suas mercadorias e serviços. Se você sabe quais itens fazem mais sucesso fi nanceiramente — ou quais deles têm o melhor custo-benefício —, pode focar mais seus esforços de venda neles. A difi culdade de atingir este objetivo ocorre porque as pessoas responsáveis pelos preços de venda não pensam de forma correta na formulação dos preços e correspondente lucratividade. Para a maior parte dos formuladores de preços de venda, o preço envolve a mistura de compromissos, adivinhações, cálculos, seguir concorrentes e fazer as coisas que os competidores estão praticando. Fazem errado também aqueles que desconhecem o fato de que a venda é uma rodovia de mão dupla: comprador e vendedor fi cam frente a frente para cumprir um objetivo pessoal e previamente defi nido. É necessário saber que alguns clientes irão valorizar determinado produto mais que outros. Conforme Paulillo (2021, s.p.), “a expectativa do cliente é o conjunto de características, atributos e funcionalidades do produto ou serviço que ele está adquirindo que ele acredita que serão capazes de solucionar seu problema ou atender suas necessidades”. Em outras palavras, é o resultado que o cliente espera obter ao adquirir um produto ou serviço. Imagine em um restaurante um casal jovem com fi lhos menores e outro casal festejando 40 anos de casados. Serão percebidos valores diferentes para o cardápio oferecido. Nestes casos se recomenda contemplar nas estratégias de precifi cação, possíveis alternativas, tais como: cardápio normal, menu para jovens, descontos especiais para idosos, menu especial etc. Trata-se de uma forma de servir os mais variados clientes possíveis e lucrar com isso. A razão é o simples fato que para cada prato oferecido existem pelo menos duas pessoas dispostas a pagar preços diferentes. Não se trata simplesmente de estabelecer um valor numérico, são necessárias estratégias de maximizar os resultados, o que é factível de ser implementado prontamente. Existem muitas estratégias de precifi cação diferenciadas. Entre uma infi nidade de exemplos praticados e conhecidos, incluem-se: (a) Conforme Renne (2021), o sistema de passagem do metrô em Washington é um pouco diferente do Brasil. A cobrança é feita com base no horário e distância percorrida. Como o cálculo do valor é feito apenas na saída, você precisará do ticket para deixar a estação. O montante debitado será de acordo com o seu destino fi nal, dessa forma o metrô de Washington DC (USA) pratica valores diferentes nos horários de pico e fora deles. 146 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA (b) Empresas de telefonia que praticam preços diferenciados, de acordo com a região e correspondente capacidade fi nanceira dos clientes. Se alguns pagam mais e podem fazê-lo, é lucro para a empresa. A receita adicional pode subsidiar alguns produtos/serviços e melhorar a qualidade de outros. Existem por sua vez, restaurantes que concedem descontos no preço do almoço, aos clientes que chegarem entre 13:30 e 14:30 horas (x%) e 14:30 até as 15 horas (y%). São as refeições “half-menu” (“metade do menu”). A ideia centrada essencialmente em cortar custos, nem sempre é uma resposta completa o sufi ciente para a empresa. Melhor oferecer produtos com diferentes níveis de qualidade e preços, para manter a rentabilidade frente aos clientes leais. É o que companhias que vendem cigarro e whisky fazem. Para muitos profi ssionais, a precifi cação é uma das áreas da estratégia empresarial, na qual se sentem desconfortáveis e vulneráveis. Para estes o assunto é muito complexo. Uma possível solução recomendada, entre alternativas, pode incluir quatro iniciativas: (a) concentrar esforços e incentivos de vendas, nos produtos com maiores margens; (b) Se possível, trabalhar com mix de produtos; (c) Utilizar-se da política de preços promocionais; (d) Facilitar o fi nanciamento das vendas para os clientes. Em qualquer atividade, se pode aumentar a lucratividade, percebendo-se que a precifi cação envolve muito mais achados que a simples identifi cação do preço justo para o produto. A precifi cação de produtos e serviços é algo difícil, se previamente não for analisada a demanda e a elasticidade de preços. Corrobora Lima (2018), que precifi que seus produtos corretamente e melhore suas vendas, criando a base para um negócio que irá prosperar. Obtenha uma estratégia de precifi cação errada e você poderá criar problemas que sua empresa talvez nunca consiga superar. Para muitos, o tema preços tem sido assunto e/ou experiência frustrante: muitas opções, muitos fatores a contemplar e pouco tempo e paciência para dedicar-se. Formular o preço de venda é mais que um número, é uma série de estratégias integradas. É difícil formular o preço “perfeito”. Se o preço está alto, perdem-se vendas para clientes em potencial, que não estão dispostos a pagar mais. Se baixo, a empresa deixa de lucrar com clientes dispostos a pagar mais pelo produto ou serviço. É aconselhável a utilização de pesquisas de mercado para obter ideias do montante que os potenciais clientes estão dispostos a pagar pelo produto ou serviço. Cabe ressalvar que: 147 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 (a) não são as pesquisas de mercado isoladamente que fornecerão as respostas que permitirão defi nir o preço ótimo; (b) o montante que o cliente está disposto a pagar é subjetivo e o entendimento da resposta é a chave para o sucesso da precifi cação. É importante se conscientizar que deixar de lucrar por conta da má formulação do preço é algo semelhante à perda que ocorre com uma aeronave que decola com metade das poltronas vazias. Para a empresa atingir o sucesso, há a necessidade de balancear as forças, direcionando seus esforços para a criação de valores aos seus clientes através de processos internos que orientam as ações da empresa. Isso é preciso ser feito para se manter a criação de valores em longo prazo. 4.1 LUCRO X PREJUÍZO Empresas do mesmo segmento podem apresentar resultados opostos. Por quê? A resposta pode estar na forma de pensar e a cultura existente em uma e outra. Para lucrar há a necessidade de se criar esta cultura na empresa. Geralmente são muitas as pessoas de alguma maneira conectadas com o assunto preço de venda. O pessoal de marketing estabelece preços e descontos promocionais. O pessoal de vendas geralmente tem poderes para negociar estes preços, contemplando as demandas de cada região, em razão da muita ou pouca concorrência. A área fi nanceira desenvolve os planos de pagamento. Todos precisam: (a) entender como suas ações afetam os resultados da empresa, e (b) receber treinamento, orientações, informações, incentivos e ferramentas de trabalho para que a empresa possa lucrar e crescer. Em algumas empresas há a necessidade de mudanças. Faz-se necessário reforçar a cultura do lucro. Há inclusive alguma semelhança com o que ocorre com as pessoas, quando estabelecem para si a importância de perder peso e realizar mudanças na forma de viver. Implica em comerdentro de um contexto diferenciado e também de se exercitar regularmente. Nas pessoas o efeito é se sentir melhor; nas empresas é lucrar e crescer. A área comercial deveria investir mais tempo nos clientes e produtos mais rentáveis. Para que tal possa ocorrer, há a necessidade de se trocar informações na empresa. Esta será mais lucrativa se as pessoas forem bem-informadas. Existem pessoas que não entendem o verdadeiro signifi cado do lucro. Estas precisam saber como o seu dia a dia no trabalho afeta, de alguma maneira, a última linha da demonstração de resultados da empresa. A transparência aumenta 148 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA o moral das pessoas, quando estas aprendem e conhecem a melhor maneira de realizar seus trabalhos. Elas também precisam aprender que o acréscimo de 1% no preço de venda dos produtos ou serviços da empresa pode aumentar o resultado líquido em digamos 10, 20 ou 30%. Pergunta-se: 1% a mais no preço pago por você na última aquisição de sapatos mudaria a sua opção de compra do mesmo? Esta “matemática” e assunto precisam ser conhecidos por todos da empresa. Pode ocorrer em situações para alavancar, em substituição, a venda de produtos mais rentáveis. Pode se justifi car também, considerando-se fatores como volume, concorrência e condição econômica local. Em algumas situações, temporariamente, a empresa poderá estar sintonizada no market share (participação no mercado) em detrimento da lucratividade. Além disso, é importante saber valorizar o produto que se está vendendo e lembrar que: (a) raramente é vantagem vender um produto por preço inferior ao custo, (b) descontos até podem ser concedidos, mas de forma discreta e durante apenas um período de tempo e (c) não se pode conceder descontos que possam difi cultar vendas subsequentes com lucros. 4.2 O PESO DOS ENCARGOS SOBRE OS SALÁRIOS E REMUNERAÇÕES O custo relacionado com os encargos sociais e trabalhistas devidos sobre o valor da remuneração dos empregados é algo assustador. Os porcentuais são variáveis, dependendo das características de operação da empresa ou forma de tributação, porém em média, para as empresas não enquadradas no Simples Nacional, representam: 88,70 % do valor do salário mensal do empregado. Exemplifi cando: se a remuneração mensal for R$ 1.000,00, o custo para a empresa será de R$ 1.000,00 + R$ 887,00 = R$ 1.887,00. Se a remuneração for constituída de comissões sobre as vendas e horas extras, o porcentual atinge aproximadamente 112,58% do valor da remuneração. Exemplifi cando: R$ 1.000,00 de comissões sobre vendas ou horas extras, pagas ao empregado, custam para a empresa R$ 1.000,00 + R$ 1.112,58 = R$ 2.112,58. 149 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 No caso de empregado mensalista de micro ou pequena empresa enquadrada no Simples Nacional, com remuneração de R$ 1.000,00, os encargos representam 51,0%. Com isso, R$ 1.000,00 de remuneração mensal representará custo para a empresa de R$ 1.510,00. Faz-se necessário observar que: 1o) As condições e as porcentagens serão diferentes de empresa para empresa. Por exemplo, o porcentual para uma indústria de confecções será diferente do de uma construtora. É recomendável estruturar os dados do Quadro seguinte, contemplando as condições específi cas da sua empresa, mantendo-os atualizados. 2º) A legislação que trata do assunto é dinâmica. O Quadro 3 apresenta a composição dos porcentuais mencionados e é resultado da pesquisa e cálculo realizado para um grupo de empresas em específi co, localizado no estado de Santa Catarina. 150 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Remuneração Empresa no [A] Mensalista (*) Variável (**) SIMPLES (***) % % % INSS (avaliar possível necessidade de adequação à Lei 12.546/11) 20,00% 20,00% SESI / SESC / SEST 1,50% 1,50% SENAI / SENAC / SENAT 1,00% 1,00% INCRA 0,20% 0,20% SEBRAE 0,60% 0,60% SALÁRIO EDUCAÇÃO 2,50% 2,50% SAT (Seguro Acidente Trabalho) - observação 3 3,00% 3,00% FGTS 8,00% 8,00% 8,00% TOTAL 36,80% 36,80% 8,00% [B] % % % DSR (Descanso Semanal Remunerado = 48 domingos : 275 dias úteis/ano) 17,45% Férias (26 dias em média, após descontado o DSR : 275 dias úteis/ano) 9,45% 9,45% 9,45% Adicional de 1/3 das Férias 3,15% 3,15% 3,15% Feriados (12 dias em média por ano : 275 dias/ano) 4,36% 4,36% 4,36% Acidentes do Trabalho (15 dias : 275 dias ano : 4 empregados) - observação 4 1,36% 1,36% 1,36% Décimo Terceiro Salário (30 dias : 275 dias/ano) 10,91% 10,91% 10,91% Licença Paternidade (5 dias : 275 dias/ano : 10 empregados) - observação 5 0,18% 0,18% 0,18% Licença Remunerada (4 dias : 275 dias/ano) 1,45% 1,45% 1,45% TOTAL 30,88% 48,33% 30,87% [C] % % % Av. Prévio Indenizado (39 d : 275 dias/ano x 50% empregados) Lei 12.506/11 7,09% 7,09% 7,09% FGTS sobre o aviso prévio indenizado (8%) 0,57% 0,57% 0,57% Multa 50% do FGTS nas rescisões (50% x 8% x 50% dos empregados) 2,00% 2,00% 2,00% Lei 6.708 art 9 - Indenização p/dispensa no mês anterior ao base de dissídio Contribuição para o Sindicato Assist. médica e/ou seguros saúde e de vida - observação 6 Refeitório e/ou vale alimentação - observação 6 Auxílio e/ou vale transporte - observação 6 Auxílio creche - observação 6 Ajuda escolar - observação 6 Transporte - observação 6 Outros custos - observação 6 TOTAL 9,66% 9,66% 9,66% [D] % % % Incidências Cumulativas [A x B] 11,36% 17,79% 2,47% 88,70% 112,58% 51,00% Mensalista (*) = Empregado de empresa enquadrada no lucro real ou presumido. Remuneração variável (**) = Horas extras, comissão de vendas etc, de empregado de empresa enquadrada no lucro real ou presumido. Empresa no Simples Nacional (***) = Empregado mensalista, trabalhando em empresa enquadrada no Simples Nacional. Observações: ( 1 ) = ajustar segundo a realidade da empresa. ( 2 ) = ajustar as % considerando também a previsão de reajustes da remuneração durante o ano. ( 3 ) = ajustar segundo a atividade econômica preponderante, mais coeficiente FAP aplicado a cada empresa individualmente. ( 4 ) = foi estimado que o evento ocorre com um de cada grupo de 4 empregados, por ano. ( 5 ) = foi estimado que o evento ocorre com um de cada grupo de 10 empregados, por ano. ( 6 ) = custo/despesa absorvida pela empresa, mas contabilizada diretamente nas contas de resultados correspondentes. Benefícios e encargos que não incidem sobre os demais encargos: Benefícios e encargos (Ver observação 1) Incidências Cumulativas [A x B] TOTAL GERAL DOS ENCARGOS ENCARGOS SOBRE A REMUNERAÇÃO DO EMPREGADO GERENCIAL Encargos incidentes diretamente sobre a folha de pagamento (Observação 1) Parcelas agregadas a remuneração e pagas diretamente ao empregado: Parcelas agregadas (Ver observações 1 e 2) ( 365 dias do ano - 52 domingos - 52 1/2 sábados - 12 dias feriados : 275 dias úteis ano) IMAGEM 1 – ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS – PORCENTAGENS CALCULADAS PELO AUTOR FONTE: O autor (2021) 151 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 O custo com encargos sociais tem levado algumas empresas a pagar remunerações (total ou parcialmente) sem fazê-las transitar pela folha de pagamento. O que fazem, em nosso entender, é apenas escolher um momento diferente para pagar tais encargos. Tal momento ocorrerá quando houver fi scalização ou quando o empregado requerer os direitos na Justiça e sem dúvidas serão devidos ainda os juros e multas. Algo que nem sempre é devidamente lembrado é o efeito que provoca a contratação de autônomos. Para realizar tarefas de curta duração e de forma esporádica, geralmente não causa problemas. O que ocorre, entretanto, é que esta condição se converte em longa duração e o envolvido adquire vínculo empregatício. O cálculo da conta fi nal, após alguns meses ou anos, pode apresentar valores muito signifi cativos. É sabido que, sobre o valor de retirada de pró-labore dos sócios em atividade, basicamente recai apenas o INSS, 20%. O INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) é um órgão do governofederal que preserva como objetivo o pagamento mensal aos contribuintes que, de acordo com a legislação vigente já alcançaram o tempo de contribuição para receberem a sua aposentadoria ou mesmo, para garantir o recebimento de uma remuneração baseada nas contribuições apresentadas caso o empregado apresente-se sem condições temporárias ou mesmo permanentes de continuar a sua atividade. Esta condição, nem sempre é satisfatória e seriamente apreciada pelos empresários, em especial os de serviços, como algo que poderá ser um dos fatores favoráveis para a perpetuação de suas empresas, com vantagens para todos. Sócios não possuem direitos trabalhistas e o relacionamento interpessoal, se bem estruturado, será saudável e produtivo. Há a necessidade de se pensar nisto, para permitir a perpetuação das sociedades. 4.3 CONTRIBUIÇÃO INSS PATRONAL COM BASE NA RECEITA No Brasil, existe a substituição gradativa da base para cálculo do INSS Patronal sobre a remuneração dos empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais, pela contribuição incidente sobre a receita bruta auferida. Os principais segmentos contemplados são as empresas de tecnologia de informação, comunicação, call center, setor hoteleiro, fabricantes de vestuários 152 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA e seus acessórios, calçados, chapéus, tapetes, lãs, peles, couros, grampos, colchetes, ilhoses, botões, bolas infl áveis, fabricantes de fl uídos para freios hidráulicos, plástico, válvulas redutoras, dentre outros. Esta mudança na forma de tratamento requer atenção na aplicação da fórmula de cálculos dos preços de venda, deixando de integrar os valores que compõem o numerador e passando a integrar a porcentagem variável do denominador. 4.4 CÁLCULOS PARA IDENTIFICAR A MELHOR OPÇÃO DE COMPRA DE MERCADORIA PARA REVENDA E/OU INSUMOS PARA A PRODUÇÃO 4.4.1 Decisões sobre compras Os conhecimentos adquiridos com relação aos prazos de recuperação dos tributos e do custo do dinheiro nos permitem uma melhor avaliação das alternativas de compras. Por sua vez, a avaliação da melhor alternativa de compra deve ser precedida de cálculos específi cos e que levam em consideração os prazos e o custo do dinheiro no tempo. Antes de fazer qualquer comparativo, para conhecer a melhor opção de compras, faz-se necessário verifi car quais cálculos devem ser realizados e entendê-los, conforme demonstraremos a seguir: 153 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 FONTE: O autor (2021) QUADRO 3 – CUSTO LÍQUIDO DE AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PARA REVENDA A VALOR PRESENTE – COMERCIAL VAREJISTA SITUADA NO ESTADO DE SANTA CATARINA Para entendimento dos dados que integram o quadro anterior, serão apresentados os seguintes esclarecimentos essenciais: a) Os campos “sombreados” na planilha são os que deverão ser preenchidos ou alterados em função da realidade envolvida; b) O exemplo refere-se a uma empresa comercial varejista, optante pela tributação do lucro pela alternativa lucro real; c) A taxa fi nanceira utilizada no exemplo, de 0,95% ao mês, é hipotética. A cada cálculo, é recomendável verifi car qual a % (porcentagem) a ser considerada; d) Os tributos passíveis de crédito dependem das circunstâncias da compra e destinação dos produtos; e) Tratando-se de empresa supermercadista, por exemplo, a recuperação do IPI não é aplicável; f) Os porcentuais de tributos e os dias de prazo para recuperá-los deverão ser periodicamente confi rmados com o seu prestador de serviços contábeis. 154 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Afi nal, para que servem estes cálculos? Qual é a utilidade? Para responder estas questões, mais algumas perguntas se fazem necessárias: a) Há mais fornecedores no mercado para este mesmo produto? b) São fabricantes ou distribuidores/atacadistas? c) Estão enquadrados no Simples Nacional, Lucro Real ou Lucro Presumido? d) Estão localizados dentro ou fora do estado? e) Que preços estão praticando? f) Quantos dias de prazo estão concedendo para pagamento da fatura? g) O fornecedor vende FOB ou CIF (quem paga o frete? O comprador ou o vendedor?)? h) Sendo vários, de qual destes fornecedores é mais vantajoso comprar? A importância dos cálculos a valor presente está no fato de que apenas as mesmas unidades de medida são comparáveis entre si o que é relevante numa decisão de compra. Estes cálculos permitirão comparar cotações de preços obtidas de fornecedores diversos e defi nir de qual deles comprar, desde que as características e qualidade do produto sejam as mesmas. Alguns alertas e/ou lembretes: É o empreendedor que defi ne qual taxa fi nanceira considerar nos cálculos. Ele conhece a sua condição. E conhece também quais taxas fi nanceiras estão sendo praticadas naquele momento pelo mercado, tanto para emprestar quanto para aplicar dinheiro. O direito ou não aos créditos de tributos e correspondentes porcentagens dependem de fatores, que entre outros podem ser: • Somos microempresa ou empresa de pequeno porte, enquadrada no SIMPLES? • Somos empresa que tributa seus resultados pelo lucro real, ou optante pela tributação dos resultados pelo lucro presumido? 155 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 • A que se destina o produto ou mercadoria adquirida (industrialização, revenda ou consumo)? • Caso se destine a industrialização, o produto fi nal será ou não alcançado pelo IPI? • Os dias de prazo para recuperação dos tributos precisam ser periodicamente revisados com o seu prestador de serviços contábeis. A decisão quanto à taxa fi nanceira a ser utilizada é uma questão controversa: a) Taxa (%) de remuneração das aplicações no mercado fi nanceiro; e/ou b) Taxa (%) que onera os empréstimos tomados no mercado fi nanceiro. Há momentos em que se recomenda a adoção da primeira alternativa e outros em que se recomenda a segunda. Como terceira alternativa, pode-se ainda utilizar a taxa líquida interna, a qual resulta da soma algébrica dos encargos fi nanceiros, diminuídos das receitas fi nanceiras. FONTE: O autor (2021) QUADRO 4 – PLANILHA PARA CÁLCULO DO CUSTO LÍQUIDO DE AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PARA REVENDA, A VALOR PRESENTE E IDENTIFICAÇÃO DA MELHOR OPÇÃO DE COMPRA Conforme se percebe no Quadro anterior, o preço mais alto, nem sempre será o de maior custo. Propositalmente, na simulação feita, o maior preço acabou sendo o custo mais baixo. 156 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA FONTE: O autor (2021) QUADRO 5 – PLANILHA PARA CÁLCULO DO CUSTO LÍQUIDO DE AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MÁQUINAS, A VALOR PRESENTE E IDENTIFICAÇÃO DA MELHOR OPÇÃO DE COMPRA Novamente a alternativa com preço de compra mais alto, após os cálculos mostrou-se ser a mais vantajosa para a empresa compradora. Como se pode observar são muitas as variáveis que precisam ser consideradas simultaneamente. Pergunta-se: A sua empresa vem realizando tais cálculos? O preenchimento dos dados nos espaços “sombreados” (xxxxx) requer extrema atenção. Qualquer erro conduzirá a conclusão não correta e poderá causar prejuízo à empresa. Nas empresas em geral normalmente os valores envolvidos com compras são signifi cativos, isto é, envolvem grande soma de dinheiro. A recomendação é: calcular com profi ssionalismo e com os cuidados requeridos, sem nunca se esquecer de continuamente verifi car as possíveis alterações na legislação fi scal, com o seu prestador de serviços contábeis. 4.5 CÁLCULOS PARA SE IDENTIFICAR A MELHOR OPÇÃO DE ENQUADRAMENTO FISCAL 157 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 4.5.1 Decisão sobre o enquadramento fi scal A elevada carga tributária exige que este assunto seja cuidadosamente avaliado, buscando escolher a forma de tributação mais vantajosa. Primeiramente cabe relembrar que todas as empresas, independente do seu porte, podem praticar a alternativa lucro real. A opção lucro presumido não poderá ser adotadapor empresas com faturamento anual superior a R$ 48.000.000,00. Também as fi nanceiras, seguradoras e outras exceções não podem optar por esta alternativa, em razão das determinações contidas na legislação. Por sua vez, há de se verifi car, que a opção lucro presumido não é uma opção vantajosa para empresas pouco lucrativas, com relação ao montante do faturamento. Para supermercados, por exemplo, que operam com lucro bruto com relação ao valor total de vendas, na ordem de 3,0% na média mundial, esta opção jamais será vantajosa. As micros e pequenas empresas (faturamento de até R$ 3.600.000,00 ano) podem se enquadrar no Simples Nacional. A pergunta que se faz, neste caso, é a seguinte: ‘É signifi cativa, a vantagem da empresa enquadrada nesta condição, com relação às demais alternativas?’ Nesta subseção, o objetivo é mostrar o que representa, comparativamente, as três alternativas, aplicadas a uma mesma empresa. A empresa escolhida para tal é a que opera na atividade comercial, por ser a mais fácil para se demonstrar o comparativo. Ficando entendido o assunto com este exemplo, o leitor poderá formulá-lo para empresas industriais, prestadoras de serviços etc., obviamente contando com a ajuda do seu prestador de serviços contábeis, que o orientará sobre cálculos e a legislação fi scal vigente na oportunidade. Antes, porém, é importante mostrar os Quadros e as informações a seguir, que tratam do IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica e CSLL – Contribuição Social sobre Lucros: 1º Empresas enquadradas na condição Lucro Real: 158 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA FONTE: O autor (2021) QUADRO 6 – CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – LUCRO REAL 2º Empresas com possibilidade de enquadramento na condição Lucro Presumido: Apresentamos as alíquotas e forma de cálculo do tributo, considerando as atividades exclusivamente industriais e/ou comerciais na condição lucro presumido no Quadro a seguir: FONTE: O autor (2021) QUADRO 7 – CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – LUCRO PRESUMIDO / ATIVIDADES EXCLUSIVAMENTE INDUSTRIAIS E/OU COMERCIAIS 159 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 FONTE: O autor (2021) QUADRO 8 – CÁLCULO DO PREÇO SUGERIDO DE VENDA COMPARATIVO: LUCRO REAL, PRESUMIDO E SIMPLES NACIONAL Observar que a % de lucro presumido poderá ser: 1,6%, 8%, 16% e/ou 32% de acordo com o que estabelece a legislação em vigor. Há a necessidade de se verifi car com o prestador de serviços contábeis a realidade aplicável ao exemplo. Recomenda-se apreciar com cuidado o comparativo relativo a uma empresa comercial, localizada num dos bairros da cidade, com faturamento orçado para os 12 meses do ano de R$ 3.500.000,00 e lucro líquido de 3,5% deste valor, portanto R$ 122.500,00, preparado exclusivamente para fi ns didáticos. O objetivo é simular as 3 (três) modalidades (lucro real, lucro presumido e simples nacional) para uma mesma operação. Faz-se necessário observar que o preço de venda sugerido mais baixo sinalizará a modalidade mais vantajosa para a empresa. A escolha da opção, também conhecida como planejamento tributário, precisa ser calculada e discutida com o seu prestador de serviços contábeis, após realizadas as simulações sugeridas, no quadro a seguir. 160 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Realizados os cálculos, percebe-se que a condição mais vantajosa é o Simples Nacional, seguido da alternativa lucro real e, por último, correspondendo, neste caso, à pior opção, lucro presumido. Risco – imaginemos a seguinte situação: caso a empresa crescer e tiver que “migrar” para o lucro real ou lucro presumido e outra empresa concorrente, enquadrada no Simples Nacional (Mercadinho “Eu Calculo” Ltda) se instalar ao lado. Pergunta-se: qual é a chance de sobrevivência do Mercadinho “Eu Calculo” Ltda? Percebe-se com este exercício, a importância do planejamento tributário. A “Prova Real” é sempre bem-vinda. FONTE: O autor (2021) QUADRO 9 – PROVA REAL DO CÁLCULO DO PREÇO SUGERIDO DE VENDA COMPARATIVO: LUCRO REAL, PRESUMIDO E SIMPLES NACIONAL Com isso, encerramos a esta seção, na qual abordamos a otimização dos resultados com a melhor opção para decisão de compras conforme os prazos negociados com os fornecedores e os créditos tributários, assim como as opções para o enquadramento tributário para apuração dos custos das compras de produtos e formação do preço de vendas desse produto. 161 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 5 Para muitos profi ssionais, a precifi cação é uma das áreas da estratégia empresarial, na qual se sentem desconfortáveis e vulneráveis. Para estes o assunto é muito complexo. Nesse sentido, qual seria a melhor recomendação para esses profi ssionais? 6 O custo com encargos sociais tem levado algumas empresas a pagar remunerações (total ou parcialmente) sem fazê-las transitar pela folha de pagamento. Geralmente se utiliza qual momento para recolher esses encargos? ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Planejamento tributário é um processo de gerenciamento dos aspectos tributários de uma empresa, tendo como fi nalidade a adequação e o planejamento, visando controle das operações que tenham relação direta com os tributos. O planejamento tributário consiste em adequar a organização da melhor maneira possível a fi m de buscar a diminuição dos custos do empreendimento, desde que os meios sejam líticos e possíveis juridicamente. A economia de impostos é uma premissa do planejamento tributário e pode tornar a empresa mais competitiva no cenário nacional e internacional. Existem três tipos de planejamento tributário: operacional (procedimentos prescritos pelas normas ou pelo costume), estratégico (implica mudança de algumas características estratégicas das empresas) e jurídico (considera exclusivamente os efeitos fi scais no tempo). O planejamento tributário jurídico se subdivide ainda em preventivo, corretivo e especial. Auditoria tributária corresponde a avaliação dos métodos e critérios adotados pelas empresas nas áreas fi scais e tributárias com a fi nalidade de verifi car o exato cumprimento das normas vigentes. A partir das auditorias surgem as recomendações de alternativas legais para a economia e recuperação de impostos e a identifi cação de possíveis contingências e estudo de soluções para as devidas regularizações. 162 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA As principais fi nalidades de uma auditoria são a auditoria de balanço, a auditoria em fusões e aquisições, as auditorias especiais e perícias e as revisões de procedimentos. Os exames da auditoria podem relevar a ocorrência de fraudes ou situações em que o não cumprimento das obrigações tributárias pode atrair a aplicação de normas penais. As penas mais comuns em casos de fraude e sonegação são as multas que incidem quando a obrigação tributária não é cumprida no prazo legal. Mas além da fraude e da sonegação, o não cumprimento de obrigações tributárias pode caracterizar crime contra a ordem tributária, se a conduta que deu causa à infração for enquadrada nos previsto dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. A otimização dos resultados com a aplicação dos prazos negociados para compras e seu refl exo nos créditos tributários tem sido de importância fundamental para o gestor optar por àquele que melhor corresponda ao retorno fi nanceiro para a empresa, bem como avaliar qual é o melhor enquadramento tributário para apurar o custo da compra de um determinado produto e sua formação do preço de vendas. REFERÊNCIAS ANDRADE FILHO, E. O. Auditoria de impostos e contribuições. São Paulo: Atlas, 2009. BATAGIN, L. Simples nacional: manual completo 2021. Disponível em: https://www.contabilizeaqui.com.br/contabilidade-online/ simples-nacional?gclid=EAIaIQobChMI1diagoWg8wIVAgeRCh1P zg5xEAAYASAAEgLcNfD_BwE. Acesso em: 20 ago. 2021. BRASIL. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresaos elementos essenciais. De acordo com Fabretti (2008), devido à relevância dos tributos, eles somente podem ser defi nidos por lei complementar, existindo três elementos fundamentais de um tributo: o fato gerador, o contribuinte e a base de cálculo. Veremos separadamente cada um destes elementos. O fato gerador e o contribuinte estudaremos nesta seção e a base de cálculo veremos na seção seguinte. O objeto da Contabilidade Tributária é: 17 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 Apurar com exatidão o resultado econômico do exercício social da empresa, sempre demonstrando de forma clara e objetiva, para que possa atender de forma extracontábil às exigências das legislações do IRPJ e da Contribuição das provisões que são destinadas ao pagamento desses tributos.Lembrando, esses valores serão abatidos do resultado econômico (contábil) para determinação do lucro líquido à disposição dos acionistas, sócios ou titular da empresa (FABRETTI, 2009, p. 31). Podemos compreender pela contribuição de Fabretti (2009) que a contabilidade tributária visa cumprir única e exclusivamente o que se relaciona com a obrigação tributária que nos é obrigatória pelo governo, e isso exige que tenhamos uma contabilidade separada da contabilidade “normal”, sempre mantendo controles que identifi quem o que a empresa pode ou não pode utilizar para abater das bases de cálculo (como despesas ou demais gastos) para a apuração dos respectivos tributos. 2.2 FATO GERADOR De acordo com Nunes (2014), o fato gerador é a ocorrência, no mundo fenomênico, do fato econômico abstratamente previsto na norma tributária, ou seja, é a realização fática da hipótese de incidência. Desse modo, o fato gerador é a concretização, no mundo do ser, da hipótese de incidência prevista de forma abstrata na norma jurídica, representando o plano fático do fenômeno da subsunção tributária. Assim, o fato gerador, ou, como pode se afi rmar, o fato imponível (que se relaciona com as oportunidades de aplicar os impostos) representa a efetiva realização da hipótese de incidência tributária prevista em lei; isso gera a obrigatoriedade de pagar o tributo. Por exemplo, se a empresa for uma prestadora de serviços, a prestação de um serviço gera um tributo denominado de Imposto Sobre Serviço (ISS). Desta forma, Lima (2014, s.p.) destaca no art. 113, § 1º do CTN, que “a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.” A concretização de determinado fato gerador sempre cria uma obrigação principal que tem sempre por objeto uma prestação de caráter exclusivamente patrimonial, ou seja, o pagamento do tributo (desembolso do caixa e gera uma alteração patrimonial na geração da riqueza da empresa). Por outro lado, existe a obrigação acessória, que é o dever administrativo relacionado com as diversas atividades que culminem na possibilidade, oportunidade e principalmente na facilidade do fi sco em auditar e simplesmente fi scalizar as empresas. Essas obrigações acessórias estão relacionadas à emissão 18 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA de notas fi scais da empresa, escrituração de livros fi scais e contábeis (pois o livro razão é um livro contábil e o fi sco também utiliza para auditoria eventualmente) e prestação de informações (FABRETTI, 2008). Obrigações acessórias são declarações mensais, trimestrais e anuais, onde constam informações sobre a empresa. Elas devem ser declaradas ao Governo (federal, estadual ou municipal) e tem como principal objetivo que o próprio contribuinte (empresa) declare as informações solicitadas, podendo ser sobre a receita efetivada, os impostos apurados, além da parte trabalhista, quando são declaradas informações sobre a movimentação dos empregados na folha de pagamento e os encargos gerados sobre os salários pagos (LOPES, 2021, s.p.). Portanto, está relacionado com os deveres administrativos que são a emissão de documentos fi scais, ou seja, a nota fi scal, o preenchimento das guias dos impostos devidos para quitação e a prestação das informações mediante arquivos eletrônicos, que tanto a União ou o Estado ou os Municípios exigem para averiguar a correta apuração dos impostos de acordo com o fato gerador. As mesmas defi nições do fato gerador e da obrigação acessória podemos encontrar nos artigos 114 e 115 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional (CTN) defi ne o fato gerador da obrigação principal, no artigo 114, como sendo “a situação defi nida em lei como necessária e sufi ciente à sua ocorrência” (BRASIL, 1966). Ao originar uma obrigação principal, nasce também a obrigação acessória, que é um dever administrativo. O CTN defi ne obrigação acessória da seguinte forma: “Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não confi gure obrigação principal” (BRASIL, 1966). Caso a empresa descumpra a obrigação acessória, existem penalidades previstas que são pagamentos de multas, e para o fi sco, essas multas têm origem como receita extraordinária, que não estão vinculadas às receitas do fato principal que é o tributo. Por exemplo: um comerciante, ao promover a saída de mercadorias de seu estabelecimento, faz nascer, ao mesmo tempo, a obrigação de pagar o ICMS (obrigação principal) e a obrigação de emitir a nota fi scal correspondente (obrigação acessória). 19 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 Assim, as obrigações acessórias são todos os trabalhos complementares ao pagamento do tributo. É o trabalho acessório que o contabilista executa para comprovar ao governo que o recolhimento do tributo está de acordo com o que determinam os regulamentos correspondentes. Entre as obrigações acessórias existentes, além de emitir nota fi scal, podemos elencar a transmissão das declarações, como DCTF, DACON, DIPJ, DASN e Sped. Conforme CRCSC (2017): Estabelecidas pelo Código Tributário Nacional, as obrigações acessórias correspondem aos trâmites burocráticos que servirão como base para o pagamento dos tributos e futura fi scalização. Algumas das obrigações acessórias são: Emissão da nota fi scal de venda de mercadoria ou serviço; Emissão das guias de recolhimento dos tributos; Escrituração dos livros fi scais; Confecção e envio das declarações fi scais pertinentes; Demonstrações Contábeis; Folha de pagamento, contracheques; Confecção e envio das declarações sociais. O Sped vem tomando dimensões de complexidade que merecem atenção especial devido ao nível de detalhes no qual as informações devem ser apresentadas. O cumprimento das obrigações acessórias vem exigindo das empresas e escritórios de contabilidade uma atenção maior ao departamento de tributos. É necessário possuir profi ssionais com conhecimento aprofundado da legislação e manter um programa de treinamento e atualização desses profi ssionais. Desde a promulgação da Constituição Federal em vigor, em 1988, foi ampliada a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM) para Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Conforme Oliveira (2016, s.p.), “anteriormente ao advento da Carta Magna de 1988, incidia apenas sobre operações de circulação de mercadorias (ICM), vindo somente depois da nova Constituição também abarcar prestação de serviços de transporte e comunicação”. 20 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Quanto à fi nalidade de tal imposto, observa-se que esta é primordialmente fi scal, uma vez que busca arrecadar recursos aos cofres públicos. Essa alteração possibilitou a legalidade constitucional do Estado tributar o ICMS sobre as atividades relacionadas com a distribuição da energia elétrica, combustíveis líquidos e gasosos,e da Empresa de Pequeno Porte; altera dispositivos das Leis no 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, da Lei no 10.189, de 14 de fevereiro de 2001, da Lei Complementar no 63, de 11 de janeiro de 1990; e revoga as Leis no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e 9.841, de 5 de outubro de 1999. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm. Acesso em: 20 ago. 2021. 163 PLANEJAMENTO T. PARA GESTÃO NAS EMPRESAS Capítulo 3 CARRIJO, W. Auditoria tributária: saiba como esse processo pode benefi ciar sua empresa. Disponível em: https://www. jornalcontabil.com.br/auditoria-tributaria-como-esse-processo- pode-benefi ciar-sua-empresa/. Acesso em: 22 ago. 2021. DAU, G. 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Disponível em: http://www. portaltributario.com.br/planejamento.htm. Acesso em: 18 ago. 2021.lubrifi cantes e minerais. Antes dessa promulgação, esses produtos e serviços encontravam-se sujeitos apenas à incidência do Imposto Único Federal. Além disso, o ICMS passou a incidir ainda sobre os serviços de telecomunicações (FABRETTI, 1999). Também se faz necessário avaliar o que trata na Lei Complementar nº 87/96 em relação a esses aspectos: Art. 12 Considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II – do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III – da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no estado do transmitente; IV – da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V – do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI – do ato fi nal do transporte iniciado no exterior; VII – das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII – do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços (BRASIL, 1996). De acordo com Fabretti (1999), o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI, art. 32) defi ne e regulamenta como sendo fato gerador de imposto: I- O desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. II- A saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado à industrial. Isso demonstra também que o fato gerador não é nada mais nada menos do que a prestação de serviços contida na lista da Lei Complementar nº 56/87. O contribuinte é o prestador do serviço e, portanto, não podem ser considerados sob esses aspectos quem presta serviço com relação de emprego, pois nesse caso tem vínculo empregatício (contrato de trabalho) com a empresa 21 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 contratante. Demais exemplos, temos os trabalhadores avulsos, os diretores de empresas, os membros dos conselhos da direção direta e presidentes das empresas (FABRETTI, 1999). Na contribuição de Harada (1997, p. 260) vimos que “[...] costuma-se defi nir o fato gerador como uma situação abstrata, descrita na lei, a qual, uma vez ocorrida em concreto, enseja o nascimento da obrigação tributária”. Alguns exemplos relacionados com fatos geradores estão descritos a seguir: a) Circular mercadorias – (ICMS). b) Prestar serviços previstos na lista da LC 116/03 – (ISS). c) Receber renda – (IR). Alguns tributos podem ter o mesmo fato gerador, como no caso do PIS e COFINS, que incidem ambos sobre o faturamento. Porém, é extremamente necessário estar atento a todas as mudanças em relação à legislação de cada tributo uma vez que a regulamentação de cada um deles possui um fato gerador específi co. É necessário estar atento, conforme Moreira (2019), que a consolidação de um fato gerador acaba originando uma relação jurídica que é denominada de obrigação principal e esta sempre tem por objeto uma prestação sob caráter patrimonial. Em outras palavras, é pelo pagamento do tributo que a empresa encerra o seu compromisso da relação do fato gerador com o fi sco que lhe está cobrando o impulso de vida devido. 2.3 CONTRIBUINTE OU RESPONSÁVEL Um outro elemento fundamental do tributo se chama contribuinte, ou responsável, que é o sujeito passivo da obrigação tributária; esse tem a relação direta e pessoal juntamente com o fato gerador. Por exemplo, se você possui uma propriedade em seu nome, obrigatoriamente você deverá o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Outrossim, o responsável passa a ser a pessoa que o fi sco determinar como sendo a pessoa que irá responder obrigatoriamente como sujeito passivo da obrigação tributária, que poderá substituir de fato o papel do contribuinte, pois algumas vezes torna-se complexo alcançá-lo. 22 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Na visão de Fabretti (2008, p. 102), O responsável não arca com o ônus tributário, que é suportado pelo contribuinte de fato. Atua como uma espécie de agente arrecadador do fi sco e como seu depositário. Cabe-lhe recolher as importâncias descontadas ou cobradas do contribuinte de fato, à Receita, nos prazos de lei. Não o fazendo, é declarado depositário infi el, sujeito a pena de prisão. O código tributário nacional é bastante enfático ao defi nir o contribuinte como o responsável por qualquer apropriação indébita, pois nesse caso ocorre o não recolhimento de tributos e acarreta crime tributário e poderá ser relevada apenas no caso de o contribuinte quitar o seu débito tributário devidamente acrescido de multas e juros no prazo de até 10 dias contados da citação judicial. Observa-se de acordo com a contribuição de Scorsafava (2020): Tem-se como pessoa legitimada a cometer a apropriação o sujeito passivo da obrigação tributária que tanto pode se originar da relação direta com o fato gerador (contribuinte) ou indireta (responsável tributário), com responsabilidade/dever atribuído por lei, em função de relacionamento com o contribuinte ou com fato gerador (Arts. 121 do CTN, s.p.). Existe o que se chama de “Responsável”, que é a pessoa que a lei escolhe para responder diretamente pela obrigação tributária e atua como o agente arrecadador do fi sco. Podemos dizer que este é o depositário fi el e, portanto, o responsável direto por esses atos (FABRETTI, 2008). Em relação à pessoa do “Contribuinte”, vamos buscar a contribuição de Santos e Barros (2005) sobre os casos específi cos que se encontram abrangidos pelo conceito de contribuintes do IRPJ. Como exemplo, Santos e Barros (2005) observam o seguinte: As sociedades civis de prestação de serviços profi ssionais relativos ao exercício de profi ssão legalmente regulamentada são tributadas pelo Imposto de Renda de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. As empresas que estejam em processo de falência ou liquidação extrajudicial sujeitam-se às mesmas normas de incidência do Imposto de Renda aplicáveis às pessoas jurídicas; As empresas públicas e as sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, são contribuintes nas mesmas condições das demais pessoas jurídicas; 23 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 As sociedades cooperativas de consumo que tenham por objeto a compra e o fornecimento de bens aos consumidores também se sujeitam às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União. Com isso, encerramos esta seção, na qual abordamos os elementos básicos da gestão tributária. 1 As obrigações acessórias são todos os trabalhos complementares ao pagamento do tributo. É o trabalho acessório que o contabilista executa para comprovar ao governo que o recolhimento do tributo está de acordo com o que determinam os regulamentos correspondentes. De acordo com essa assertiva, quais são as principais obrigações acessórias existentes? 2 Os gestores das empresas precisam estar sempre avaliando e acompanhando a legislação tributária e principalmente observar quais são os tipos de tributos que a empresa está recolhendo e que são previstos na legislação. Para isso, observe quais são os tipos de tributação existentes, o que diz a legislação e o que ela signifi ca na prática. Em relação a esses aspectos, a quem compete a tributação sobre o patrimônio? 3 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA É importante enfatizar que antes de entrarmos nos quesitos relacionados com a formação da base de cálculo e as formas que são aplicadas para calcular as alíquotas, é necessário convencionar as pessoas que estão envolvidas na tributação, que são as pessoas que pagam os tributos, quem recebe os tributos eo objeto tributário. Esse tipo de relação é denominado como sendo a obrigação tributária. Essa complexidade tributária é corroborada no Portal Tributário (2021a, s.p.), que diz o seguinte: “o excesso de tributação inviabiliza muitas operações e cabe ao administrador tornar possível, em termos de custos, a continuidade de determinados produtos e serviços, num preço compatível com o que o mercado consumidor deseja pagar”. 24 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Isso signifi ca que a obrigação tributária é simplesmente a relação jurídica estabelecida entre um credor que irá exigir de um ente devedor a prestação de caráter patrimonial. A obrigação tributária tem base jurídica e a causa legal nasce da ocorrência do fato gerador, que deve estar devidamente previsto na legislação tributária (FABRETTI, 2008). Outrossim, a concretização do fato gerador é o que vai estabelecer a relação da obrigação tributária do credor, que é o Estado com o devedor, que é o Contribuinte, uma prestação em dinheiro (tributo) conforme está estabelecido por lei. É por isso que Fabretti (2008, p. 120) conceitua obrigação tributária da seguinte forma: A obrigação tributária é a relação jurídica que se estabelece entre um sujeito ativo (credor) que pode exigir de um sujeito passivo (devedor) uma prestação de caráter patrimonial (objeto) em virtude de uma causa, que pode ser a vontade da parte (ex-voluntate) ou a vontade da lei (ex-lege). De acordo Reis (2019, s.p.), com o Sistema Tributário Nacional em vigor, este estabelece que em função da composição tributária, a simples operação da venda de mercadorias pode sofrer a oneração de alguns tributos, entre eles: Os impostos incidentes sobre vendas de mercadorias variam de acordo com o produto em si e com o tipo de transação comercial. ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações); ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza); IE (imposto sobre exportação); Cofi ns (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social); PIS (Programa de Integração Social). A obrigação tributária principal, esclarece Fabretti (2008, s.p.), tem por “objeto tributário” o pagamento para liquidação do compromisso tributário. Desta forma, o sujeito ativo da obrigação tributária é o credor, que é uma pessoa jurídica de Direito Público, que a Constituição Federal concedeu a competência para instituir e cobrar o tributo, que é o objeto dessa relação jurídica de natureza unicamente tributária (FABRETTI, 2008). Do outro lado da relação tributária existe o sujeito passivo que, nesse caso, é o devedor e Fabretti (2008) o defi ne como sendo o sujeito particular. 25 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 O Código Tributário Nacional (Art. 121) estabelece que o sujeito passivo é a pessoa que se encontra na obrigação do pagamento do tributo que é o contribuinte. Além do Código Tributário Nacional, surgiu em 1993 a Emenda Constitucional nº 3/93 que introduziu a Substituição Tributária que é o tributo cobrado à frente. Isso quer dizer que a própria lei pode atribuir ao sujeito passivo a obrigação tributária como forma de estabelecer-se como substituto e responsável pelo pagamento do imposto ou contribuição devida, cujo fato gerador ainda irá ocorrer em data futura. Assim, a substituição tributária deve ser recolhida antecipadamente à emissão da nota fi scal e da circularização das mercadorias. De acordo com HM Contabilidade (2021, s.p.): O sujeito passivo segundo o direito tributário é a pessoa obrigada ao cumprimento da obrigação principal e acessória, tais obrigações têm como objeto o dever de dar, ou seja, realizar o pagamento de determinado tributo ou penalidade pecuniária, fazer ou deixar de fazer. Ao analisar o polo passivo da relação, identifi camos duas diferentes modalidades de sujeito passivo da obrigação tributária – contribuinte e responsável. É um fato gerador do futuro ou meramente presumido. Signifi ca que a substituição tributária equivale a fi xação do preço de venda diretamente ao consumidor fi nal, incluindo desta maneira todos os impostos ou contribuições que serão incidentes sobre ele, isso ocorre desde a saída do bem do estabelecimento do fabricante. De acordo com Fabretti (2008), a substituição tributária atende a várias fi nalidades: » Simplifi car a fi scalização que se concentra diretamente no produtor. » Antecipar o recolhimento do imposto ou contribuição já na venda do produtor. » Evitar a sonegação fi scal que possa ocorrer nas diversas etapas da comercialização até o produto chegar ao consumidor fi nal. Isso signifi ca que a substituição tributária é a sistemática adotada para o mero recolhimento antecipado do ICMS, IPI, PIS e Cofi ns aplicado para diversas atividades econômicas. Sobre esse aspecto, ainda existe a obrigação tributária como sujeição passiva indireta. Conforme Fabretti (2008, p. 125), “após a ocorrência do fato gerador, verifi cando-se determinada causa prevista em lei, a obrigação pelo pagamento do tributo transfere-se para outra pessoa”. 26 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA 3.1 OBJETO DA CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA A correta apuração do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), é fundamental para evitar notifi cações ou autuações fi scais a partir da Receita Federal do Brasil. Desta forma, é primordial que se mantenham controles extracontábeis com o uso de planilhas eletrônicas que deem sustentação à veracidade das informações apuradas. E as provisões destinadas à quitação desses tributos devem ser descontadas do resultado econômico (contábil) e, por consequência, determinar o lucro líquido à disposição dos acionistas sócios ou o titular da empresa individual (FABRETTI, 2009). Com base em Fabretti (2009), a gestão tributária tem por premissa atender única e exclusivamente as obrigações tributárias que são impostas pelo governo. Para que a empresa possa atender todas as exigências tributárias, há a necessidade de elaborar uma contabilidade tributária, ou seja, uma contabilidade que é separada do habitual. A empresa acabará arcando com gastos adicionais para controle e divulgação das informações para atender o fi sco que está enquadrado como União, Estados ou Municípios. Na Gestão Fiscal, as empresas precisam apurar o resultado das suas atividades pela elaboração das demonstrações fi nanceiras ou contábeis pertinentes e, em seguida apurar os tributos respectivos sobre esses resultados, retomar essas informações para reconhecimento na contabilidade e, de acordo com os prazos legais para os pagamentos, efetuar os registros devidos que são correspondentes aos tributos para cada esfera governamental (União, Estados ou Municípios). Sobre esse tema, Oliveira (2021, s.p.) contribui que: Vale lembrar que as empresas pagam impostos como o Imposto de Renda da pessoa jurídica e a Contribuição Social sobre o lucro líquido. Esses tributos são calculados em cima do lucro apurado pela DRE. Ou seja, se houver algum erro na apuração, consequentemente existirá um erro no pagamento dos impostos. Nesse caso, a empresa sempre sairá perdendo. Se o erro na apuração do lucro for para menos, o imposto pago também será menor e a empresa estará sujeita a uma multa da Receita Federal ou qualquer outro órgão fi scal. Se o erro for para mais, a empresa acabará desperdiçando dinheiro, o que também é totalmente indesejado. 27 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 De acordo com Junior (2018, s.p.): Contabilidade Tributária é a parte da contabilidade que cuida da administração de tributos de uma empresa. Também conhecida como Contabilidade Fiscal, ela abrange todos os procedimentos utilizados para organizar o pagamento de impostos e defi nir as melhores estratégias para gerenciá-los. Além disso, pode-se dizer que ela também ajuda a viabilizar oempreendimento, já que erros na parte tributária podem acabar inviabilizando o negócio a longo prazo. Desta forma, devemos aplicar o “método da Contabilidade Tributária”, que consiste em: • Adequar o planejamento tributário; • Elaborar relatórios contábeis efi cazes que demonstrem com presteza e exatidão os resultados constantes nas contas do patrimônio e do resultado. O tema Gestão Tributária nunca esteve tão em alta como nos últimos anos. Por esse motivo, estão ocorrendo vários debates para que seja promovida de forma urgente uma reforma tributária bem ampla, sendo pautadas as premissas para a criação do imposto único. O Portal da Indústria (2021, s.p.) em relação ao imposto único aborda que: A principal mudança da primeira fase da reforma tributária é o rearranjo dos impostos pagos atualmente por meio da simplifi cação: a unifi cação do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofi ns (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) em um tributo de valor agregado, o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). A proposta do CBS é substituir PIS/Pasep sobre a folha, PIS/ PASEP sobre importação, PIS/PASEP sobre receitas, Cofi ns sobre importação e Cofi ns sobre receitas em um único imposto. Essa proposta é limitada aos tributos federais sobre consumo. Os impostos municipais e estaduais sobre consumo e serviços (o ISS e o ICMS) não estão incluídos. Porém, há certa difi culdade para aplicar este imposto único porque nós temos três entes federativos no Brasil, com isso, surgiram algumas dúvidas, como: O imposto único será pago para quem? Será pago para a União e esta repassará para os Estados e Municípios? Quem irá controlar esse imposto único? Com toda certeza, o imposto único irá facilitar a simplifi cação dos controles tributários, pois eliminará um volume de cumulatividade dos tributos que têm 28 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA efeitos nefastos sobre as atividades econômicas das empresas, visto que todos os controles acessórios, ou seja, todas as obrigações acessórias para o controle tributário estão por conta e risco nas empresas. Outra proposta da reforma tributária encontra-se na PEC 110/2019. De acordo com Sindifi sco (2020), a PEC 110/2019, de relatoria do Senador Roberto Rocha (PSDB-MA), proposta ao Senado Federal em 09/07/2019, trata de uma das propostas de emenda constitucional apresentadas ao Congresso Nacional. A PEC 110/2019 é considerada por muitos juristas, economistas e contadores como sendo a melhor proposta de reforma tributária. Outra novidade trata-se da criação de um Imposto sobre Bens e Serviços Específi cos, cuja competência será Federal, incidindo sobre energia, telecomunicações, veículos e derivados do petróleo e do tabaco, mediante Lei Complementar. A proposta da reforma tributária é muito importante para as empresas instaladas no Brasil porque de uma certa forma irá reduzir bastante o impacto das despesas acessórias para o seu controle, pois da maneira como está sendo aplicada a legislação tributária na atualidade está insuportável. Assim, o objetivo é deixá-la o mais simples possível e compreensível para os seus usuários, porque muitas vezes podem ocorrer dúvidas sobre o fato gerador tributário, como exemplo, na substituição tributária, que é extremamente complexa para ser compreendida e aplicada. Poderão ocorrer limitações para aprovação desta PEC da reforma tributária, pois cada ente federativo desejará cobrar o seu imposto, ou seja, teríamos o imposto único para os 3 estados federativos como mencionado anteriormente? Que isso fi que para refl exão, pois a necessidade existe, porém a busca por recursos fi nanceiros tanto pela União como pelos Estados e Municípios cresce cada vez mais. Inclusive a reforma tributária poderá, paralelamente à simplifi cação dos controles tributários (despesas acessórias), reduzir enormemente os erros gerados na aplicação das normativas tributárias que muitas vezes são ocasionados pela própria difi culdade inerente à interpretação da legislação. Por sua vez, a redução desses erros poderá contribuir signifi cativamente para a redução da aplicação 29 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 de multas administrativas e judiciais. Para o Portal da Indústria (2021, s.p.), os principais impactos positivos de uma reforma tributária para o Brasil são: 1. Intensifi cação do crescimento da economia; 2. Redução de custos; 3. Maior atração de investimentos ao país; 4. Mais segurança jurídica; 5. Geração de emprego e renda; 6. Maior competitividade no mercado interno e externo; 7. Favorece o empreendedorismo e o ambiente de negócios; 8. Menos burocracia e diminuição da carga tributária; 9. Mais transparência: a população vai saber o quanto paga de imposto em cada produto e serviço. E isso, com certeza, irá reduzir enormemente o custo operacional da Gestão Tributária. Isso também pode ser observado no momento da contratação dos profi ssionais que irão atuar na área da contabilidade tributária das empresas, pois eles deverão estar profundamente preparados e treinados, devendo ter um conhecimento abrangente sobre o ramo de negócios da empresa onde irão ou estão atuando. Assim, deverão procurar sempre as alternativas que melhor cabem na forma de tributação e reduzir os custos tributários da sua empresa. Porém, de acordo com medidas legais sem que prejudiquem a mesma com possíveis erros de interpretação. 3.2 CICLO ECONÔMICO Dando continuidade aos nossos estudos de gestão fi scal, também devemos atentar ao ciclo econômico, que é o período o qual os produtos da empresa permanecem à disposição nas suas dependências, tendo no início o contato com o fornecedor para a compra desses produtos, na forma de matéria-prima e a execução dos serviços, que podem passar pela produção de bens e serviços e, por consequência, encerrando-se com a venda da mesma. O ciclo econômico também pode ser compreendido como o tempo gasto para transformar a matéria-prima em algum tipo de produto pronto para ser comercializado. Para Fabretti (2009), o ciclo econômico da empresa compreende as seguintes etapas: 30 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA • A primeira etapa do ciclo econômico se relaciona com a produção, que compreende a extração (minerais, carvão, sal, ouro, pedras preciosas e outros), a agricultura (plantação e colheita), a criação (pecuária, suinocultura, avicultura e outros) e a industrialização, portanto, a atividade econômica que transforma a matéria-prima em bens (produtos acabados). Porém, a lei pode equiparar à industrialização outras atividades econômicas que é o caso do benefi ciamento, da montagem de partes e peças, do recondicionamento, entre outros. • A segunda etapa do ciclo econômico é a circulação dos bens da empresa, que compreende a comercialização de bens e a prestação de serviços. • A terceira etapa do ciclo econômico é o consumo, a aquisição de bens e de serviços pelo consumidor. 3.3 TRIBUTAÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO Um aspecto muito importante quando estamos nos referindo a gestão tributária, é o que está amparando a tributação da produção, pois a produção sofre o impacto tributário pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e este é de competência da União, de acordo com o disposto no inciso IV do art. 153 da Constituição Federal (BRASIL, 1988). Um aspecto muito importante que deve ser avaliado é o que está relacionado com o fato gerador desse tributo, que é meramente a produção e, dessa forma, está condicionado às empresas industriais e aquelas que se equiparam à indústria, por força de lei. Corrobora Receita Federal (2019, s.p.): 1. Fato gerador 1.1 São duas as principais hipóteses de ocorrência do fato gerador do IPI: 1.1.1 Na importação: o desembaraço aduaneiro de produtos de procedência estrangeira; 1.1.2 Na operação interna: a saída de produto de estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Porém, como mencionado, o fato gerador é a produção, mas a basede cálculo do imposto IPI é o valor do produto comercializado. Wolfer (2021, s.p.) diz que: Assim, cada item descrito na Tabela RIPI contém uma alíquota. O cálculo do imposto é feito da seguinte forma: Base de cálculo = (Valor do produto + Frete + Seguro + Outras Despesas Acessórias) 31 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 Ou seja, é o valor cobrado pela sua venda após a aplicação do mark-up para a formação do preço sugerido de vendas envolvendo ICMS, PIS, Cofi ns, despesas gerais e administrativas, comissões da venda, lucro desejado, o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), que são tributados no lucro desejado pela empresa. E isso pode gerar um questionamento bastante relevante, pois a base de cálculo do IPI envolve todos os valores que serão utilizados para comercialização e não meramente a simples produção. Isso quer dizer que a empresa apura o IPI sobre ICMS, sobre PIS, sobre Cofi ns, assim como lucro e os demais itens mencionados anteriormente, e isso escapa à característica da industrialização, pois passa a ser um tributo que incide sobre a comercialização do produto. Mas esta é apenas uma avaliação que deverá ser observada com muito cuidado porque o processo da produção se encerra quando o produto estiver pronto para comercialização na empresa industrial. O ciclo da produção encerra neste ponto, sai da produção e irá para o estoque de produtos acabados. Quem sabe é uma pauta muito interessante para ser discutida no processo da reforma tributária, o que contribuiria bastante para a redução da carga tributária nas empresas. Outro aspecto que deverá ser tomado cuidado é que se o tributo IPI for aplicado apenas no valor que está sendo atribuído ao processo da produção, signifi ca que se tornará público o valor do custo efetivo do produto. Isto pode gerar um certo desconforto aos gestores das empresas porque ninguém desejará apresentar o valor do custo real do produto que a empresa está produzindo ao público, pois a empresa industrial é aquela que tem por atribuição a transformação dos materiais, utilizando-se de uma ou mais matérias-primas principais para a composição de produtos novos. Uma empresa equiparada à indústria é aquela em que a legislação determina como tal. Temos como exemplo de uma empresa industrial uma confecção de vestuário. 32 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Em relação às mudanças das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), fi ca dispensada a aplicação do princípio da anterioridade (cobrados somente no exercício fi nanceiro seguinte ao da publicação da lei) no imposto, isso de acordo com o art. 150, § III, alínea b, da Constituição Federal, conforme autoriza o § 1º do mesmo art. 153: “É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V” (BRASIL, 1988). Para termos uma ideia, esse tributo servem como regulador de mercado. Vejamos de que forma o IPI poderia ajudar a regular o mercado interno: Vamos a um exemplo: uma empresa industrial elabora determinado produto, de consumo normal, e esse produto está sujeito à incidência tributária do IPI de acordo com uma alíquota de 10%. Esta empresa é bastante atuante no mercado, sendo uma enorme empresa empregadora na região onde atua e, por determinação governamental, a alíquota do IPI em relação aos produtos que essa empresa fabrica é reduzida ao percentual de 0%, conforme apresenta a Tabela a seguir. TABELA 1 – PREÇO DE VENDA COM IPI 33 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 FONTE: O autor (2021) O impacto na redução do preço fi nal do produto é certo e existem grandes chances de o consumo desse produto aumentar, obviamente em função da própria redução do preço de venda relacionado à redução da alíquota do IPI. Se o aumento do consumo ocorrer, certamente a empresa necessitará empregar mais pessoas por causa do aumento da produção. Este impacto na produção refl etirá no aumento do consumo da matéria-prima e seu fornecedor de materiais também irá empregar mais pessoas. Com isso, gera-se o aquecimento da economia unicamente pelo aumento do ciclo do consumo. Isso quer dizer que o valor que a empresa paga do IPI, é repassado para o preço de venda, portanto, quem paga este imposto de fato é o consumidor fi nal ou contribuinte. O papel do contribuinte substituto, que na verdade é a empresa (que apenas repassa para o consumidor fi nal), está relacionado àquele que destaca e adiciona o valor do IPI de forma separada ao preço de venda, isso porque o valor do IPI não entra na composição do mark-up do preço de vendas. Equivale a dizer que o IPI é um imposto devido por quem consome o produto industrializado. A empresa industrial apenas realiza a retenção do imposto conforme rege a substituição tributária e acrescenta ao valor total fi nal que é cobrado do consumidor. Assim, o contribuinte substituto é considerado legalmente o depositário do valor do IPI, que é cobrado por conta e ordem da União. Agora temos um ponto interessante para refl exão. Se o valor do IPI é cobrado do consumidor, então por que ao se adquirir um produto o IPI não aparece destacado no documento fi scal de compra, a nota fi scal? Porque normalmente os consumidores adquirem os produtos a partir de estabelecimentos comerciais que não realizam o destaque do IPI na sua nota fi scal de vendas, mesmo as empresas comerciais adquirindo produtos das empresas industriais. 34 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA As empresas comerciais não têm a obrigação de destacar o IPI na sua nota fi scal conforme determinação legal. Os estabelecimentos comerciais não podem tomar o crédito do IPI pelas suas compras porque também não há débitos do IPI pelas suas vendas, pois não são equiparadas à indústria. E o que ela faz com o valor do IPI que consta na nota fi scal de compras? A empresa incorpora o valor do IPI ao seu custo de estoque que sofrerá impacto no seu preço de vendas, não destacando no documento fi scal. 3.4 TRIBUTAÇÃO SOBRE A CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS Quando nos defrontamos com as operações de circulação de mercadorias e de serviços de transporte intermunicipal e interestadual, logo vêm à mente a incidência do imposto chamado de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), e este imposto é de competência dos Estados da Federação brasileira, de acordo com o art. 155, II, da Constituição Federal (BRASIL, 1988). Por ser um imposto estadual, logo, cada Estado deve elaborar suas formas de arrecadação e fi scalização das empresas e defi nir regras específi cas em caso de alguma alteração na legislação, se couber esse aspecto. Porém, há um limite, essas regras que são elaboradas pelos Estados não poderão transcender os aspectos limitativos colocados pela Constituição Federal (1988) e sempre deverão observar o que preconiza o Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ que é o órgão regulatório responsável por acompanhar os interesses individuais dos Estados, sendo que estes não podem interferir nos interesses da coletividade (comunidade). O próprio CONFAZ (2021, s.p.) esclarece as suas atribuições: O Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ é o colegiado formado pelos Secretários de Fazenda, Finanças ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal, cujas reuniões são presididas pelo Ministro de Estado da Fazenda, competindo-lhe, precipuamente, celebrar convênios para efeito de concessão ou revogação de isenções, incentivos e benefícios fi scais e fi nanceiros do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação – ICMS (Constituição, art. 155, inciso II e § 2° , inciso XII, alínea g e Lei Complementar n° 24, de 7.1.1975). 35 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1Incumbe-lhe, ainda, nos termos do seu regimento interno, aprovado pelo Convênio ICMS 133/97: - sugerir medidas com vistas à simplifi cação e à harmonização de exigências legais; - promover a gestão do Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico-Fiscais - SINIEF, para a coleta, elaboração e distribuição de dados básicos essenciais à formulação de políticas econômico-fi scais e ao aperfeiçoamento permanente das administrações tributárias. - promover estudos com vistas ao aperfeiçoamento da Administração Tributária e do Sistema Tributário Nacional como mecanismo de desenvolvimento econômico e social, nos aspectos de inter-relação da tributação federal e da estadual; - colaborar com o Conselho Monetário Nacional na fi xação da Política de Dívida Pública Interna e Externa dos Estados e Distrito Federal, para cumprimento da legislação pertinente e na orientação das instituições fi nanceiras públicas estaduais, propiciando sua maior efi ciência como suporte básico dos Governos Estaduais. Sobre a prestação de serviços, estão relacionados na lista da Lei Complementar nº 116/03 e incidem o ISS (Impostos Sobre Serviços), que é de competência municipal conforme art. 156, III, da Constituição Federal (BRASIL, 1988). Em relação ao Imposto sobre Serviços de qualquer natureza – ISS, encontramos no Portal Tributário (2021c, s.p.) a seguinte defi nição: O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa à Lei Complementar 116/2003, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. Agora temos duas situações, o serviço no ICMS e o serviço no ISS. Com base nisso, Frank (2015, s.p.) avalia que: O fundamento legal e a competência estão previstos na constituição Federal e o imposto se materializa pela prestação dos serviços listados em lei municipal, promulgada em consonância com a Lei Complementar (LC) nº 116 de 2003. Em todos e quaisquer momentos que ocorrer a saída de mercadorias ou prestação de serviços, a empresa sempre deverá emitir a nota fi scal. 36 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA A atividade relacionada com a emissão das notas fi scais de serviço e de mercadorias deve ser denominada de faturamento. O faturamento pode ser referente a mercadorias ou serviços, salvo algumas exceções que podem estar previstas na legislação, incidem também as contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) (art. 239 da CF) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), conforme o art. 195, I, b, da CF (BRASIL, 1988). As contribuições são de competência da União (art. 149 da CF) (BRASIL, 1988). Isso signifi ca que as contribuições, por serem de competência da União, devem seguir as regras impostas pelo governo federal, conforme vasta legislação editada pelo governo federal. Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profi ssionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo (SENADO FEDERAL, 2021). Vale lembrar que independentemente de serem da União, Estados ou Municípios, os tributos sempre deverão ser incorporados ao preço fi nal da venda da mercadoria ou serviço adquirido, assim estão embutidos no seu valor comercializado. O consumidor irá pagar toda a carga tributária incidente no produto, desde a extração da matéria-prima, transformação da matéria-prima, utilização da matéria-prima em um novo processo industrial, comercialização desse produto, isso sem contar os impostos sobre o transporte dessas matérias-primas, devido ao consumo do combustível porque o combustível também possui incidência de impostos e impostos sobre o frete. A empresa apenas repassa ao governo os tributos cobrados do consumidor fi nal. Veja a seguinte Figura para uma pequena compreensão sobre o que vêm a ser a elevada carga tributária. 37 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 FONTE: Balsan (2016?, s.p.) FIGURA 1 – EVOLUÇÃO DA INCIDÊNCIA DO ICMS NO PROCESSO DA CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS Assim, em determinadas situações previstas pela legislação, a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos de toda a cadeia comercial é efetuada na saída da mercadoria da indústria. De acordo com o Portal Tributário (2021b, s.p.): A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto incidente sobre uma ou mais operações ou prestações, sejam antecedentes, concomitantes ou subsequentes, inclusive ao valor decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações que destinem bens e serviços ao consumidor fi nal localizado em outro Estado, que seja contribuinte do imposto. A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias, bens ou serviços previstos em lei de cada Estado. Observe que essa forma de responsabilidade pelo recolhimento do tributo é denominada de substituição tributária e pode ser utilizada, no caso, no ICMS, no PIS e na COFINS. Percebeu porque a carga tributária no Brasil é tão elevada? Criam-se diversas maneiras de tributar as operações da circulação de mercadorias, o que de fato encarece o produto. Para refl etir: uma reforma tributária poderia reduzir esse impacto? 38 FiNANÇAS E GESTÃo TriBuTáriA Com isso, encerramos esta seção que abordou sobre a obrigação tributária na empresa. 3 Quando nos defrontamos com as operações de circulação de mercadorias e de serviços de transporte intermunicipal e interestadual, logo vem à mente a incidência do imposto chamado de ICMS. De acordo com a Constituição Federal, de quem é a competência tributária desse imposto? 4 Em 1993, a Emenda Constitucional nº 3/93 introduziu a Substituição Tributária que é o tributo cobrado à frente. Qual é a fi nalidade da substituição tributária? 4 TRIBUTAÇÃO SOBRE O COMÉRCIO EXTERIOR E DEMAIS ESFERAS TRIBUTÁRIAS 4.1 COMÉRCIO EXTERIOR Quem nunca comprou algum produto que possui a nomenclatura MADE IN CHINA (muitos produtos na atualidade), ou MADE IN USA (muito comum nas calculadoras HP 12C nos anos de 1970), MADE IN JAPAN (nos anos de 1970 e 1980 nos famosos relógios digitais da Casio)? Pois bem, o mercado global está aí. Segundo Maya (2009), o comércio mundial é um fenômeno dinâmico impulsionado pela concorrência e comportamento do consumidor. Mais organizações em todo o mundo estão competindo em mercados fora do seu país e os consumidores continuam a comprar a baixo custo, alta qualidade de mercadoria, não importa onde ela é feita – e mais do que está sendo feito em economias emergentes como exemplo República Popular da China. Embora as oportunidades no mercado global são grandes, eles são acompanhados por novos desafi os. 39 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO TRIBUTÁRIA Capítulo 1 As barreiras linguísticas, as questões culturais, regulamentações governamentais e restrições e outros locais da concorrência estrangeira, e em alguns países, sistemas de distribuição, todos indicam a necessidade de proceder com cautela a fi m de minimizar riscos e maximizar o potencial de crescimento em novos mercados. Enquanto as grandes empresas podem entrar em relações de joint venture ou criar escritórios fi liais em diversos países ao redor do mundo, para pequenas e médias empresas geralmente é recomendado uma parceria com representações comerciais locais especializadas que detenham conhecimento do mercado a fi m de fazer as transações comerciais o mais suave possível e com segurança. Mas isso não impede a aplicação tributária no caso da importação dos produtos. A entrada de produtos estrangeiros no território brasileiro sofre também a tributação de todos os tipos de impostos que são