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IDEIAS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO 
 
Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak, é uma obra que nasceu a partir de 
duas palestras realizadas pelo autor em Portugal, nos anos de 2017 e 2019. Mais do que 
uma síntese de conferências, o livro se apresenta como um verdadeiro manifesto. 
 
Krenak afirma que o fim do mundo está mais próximo do que imaginamos e, para 
muitos povos indígenas e nativos, ele já começou há muito tempo, devido ao desmatamento 
e ao extrativismo predatório. Para ele, as chamadas políticas de “desenvolvimento 
sustentável” das grandes corporações são, na realidade, formas de invasão dos territórios 
indígenas, criando ambientes artificiais para explorar a terra, as montanhas e os rios, deixando 
para trás apenas destruição e lixo. 
 
Ao longo do livro, Krenak critica, com certa ironia, o modo de vida consumista e 
artificial adotado pela sociedade ocidental. Segundo ele, esse estilo de vida rompe os laços de 
harmonia entre os seres humanos e a natureza, tratando-os como elementos separados. Em 
contraste, os povos indígenas veem a natureza como algo sagrado e se consideram parte 
integrante dela, não uma entidade distinta. É justamente essa conexão com a memória 
ancestral, com os vínculos comunitários e identitários, que, segundo Krenak, impede as 
pessoas de enlouquecer diante de tantas crises e violências do mundo moderno. 
 
Além disso, Krenak denuncia a visão etnocêntrica de “civilização” e “Humanidade” 
que, historicamente, serviu para legitimar a colonização e a violência contra os povos 
originários das Américas. Ele mostra que, ao longo dos séculos, os indígenas desenvolveram 
estratégias de resistência criativas e poéticas contra essa barbárie, adiando, assim, o fim do 
mundo. Graças a isso, ainda hoje existem cerca de 250 etnias e 150 línguas indígenas 
resistindo no Brasil. 
 
Por fim, Krenak nos convida a pensar em outros modos de habitar o mundo, propondo 
um espaço simbólico de renovação e abertura de consciência: “Um outro lugar que a gente 
pode habitar além dessa terra dura: o lugar do sonho. Não o sonho comumente 
referenciado de quando se está cochilando, mas que é uma experiência transcendente na 
qual o casulo humano implode, se abrindo para outras visões da vida não limitada.”

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