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Riqueza e conflitos na região açucareira da colônia portuguesa
O governo português incentivou o plantio da cana-de-açúcar e a instalação de engenhos em sua colônia na América, o que transformou a região na maior produtora e exportadora de açúcar do mundo. Neste capítulo vamos conhecer alguns aspectos desse processo histórico. O açúcar produzido da cana chegou ao continente europeu no século XII, por intermédio de mercadores árabes e cruzados. Durante séculos, foi um produto de luxo. Assim, a implantação bem-sucedida da produção de açúcar de cana nas terras tropicais da colônia portuguesa na América, a partir do século XVI, garantiu grandes lucros à metrópole. O plantio da cana e a produção de açúcar da cana eram realizados em grandes fazendas monocultoras por trabalhadores escravizados, inicialmente indígenas e, mais tarde, africanos.
o plantio da cana e a produção do açúcar eram feitos no Nordeste da colônia portuguesa, mas o financiamento vinha da Holanda, onde também ocorria o refino do açúcar; os consumidores estavam principalmente na Europa; os trabalhadores escravizados eram trazidos da África; parte dos insumos vinha da Europa; outra parte, de vários pontos da América do Sul. Formara- se um verdadeiro mercado global.
Os primeiros tempos
O primeiro engenho de cana-de-açúcar da colônia portuguesa foi instalado em 1532 na capitania de São Vicente, no litoral do atual estado de São Paulo. Dez anos depois, entrou em operação o primeiro engenho do Nordeste, em Pernambuco. O negócio ganhou impulso rapidamente: em 1580, já eram 115 engenhos no litoral brasileiro – desses, 66 estavam no Nordeste. Os principais centros produtores de açúcar eram as capitanias da Bahia, Pernambuco e Paraíba.
O termo engenho designava, na época, apenas a edificação na qual se fabricava o açúcar. Mais tarde, passou a indicar todo o complexo que envolvia a produção açucareira: os canaviais, as matas de onde se extraía lenha para as fornalhas, a casa-grande (residência do proprietário), a senzala (alojamento dos escravizados), a moenda, os instrumentos de produção, etc.
Os chamados senhores de engenho desfrutavam de um status social semelhante ao da nobreza em Portugal. Eles controlavam a vida política da região, e seus parentes detinham importantes postos públicos. Sua influência se perpetuou ao longo dos séculos, mesmo em períodos de crise da produção de açúcar. Embora, de modo geral, as esposas dos senhores de engenho estivessem sob suas ordens e seu comando, muitas não se limitaram a cuidar da educação dos filhos, da costura das roupas e da supervisão dos escravizados domésticos. Viúvas tornaram-se administradoras de engenhos e várias mulheres reagiram às imposições dos maridos, fugindo ou separando-se.

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