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Vozes Verbais e Funções do SE
Janaina Souto
Vozes Verbais
Janaina Souto
Voz verbal é a forma como o verbo se encontra para indicar sua relação com o
sujeito.
O verbo pode indicar uma ação:
- praticada pelo sujeito (voz ativa)
- sofrida pelo sujeito (voz passiva)
- praticada e sofrida pelo sujeito (voz reflexiva).
Voz Ativa
O verbo (ou locução verbal) indica uma ação praticada pelo sujeito.
Exemplo:
O professor aprovou o aluno.
Ao analisarmos a frase, vemos que:
O professor: sujeito que pratica a ação da frase
Reprovou: verbo na voz ativa; a ação praticada pelo sujeito: aprovar o aluno.
Outros exemplos:
Eu aprendo gramática. 
O diretor desenvolveu o software.
Faremos a remodelação do restaurante .
A professora Janaína repreendeu Roberto.
Voz Passiva
O verbo indica uma ação sofrida ou desfrutada pelo sujeito.
1) Voz Passiva Analítica
Sua marca principal é, normalmente, a locução verbal formada por ser/estar/ficar
+ particípio.
DICA: as questões de concursos exploram quase sempre a construção ser +
particípio.
Os resultados da pesquisa foram apresentados pela Instituição.
2) Voz Passiva Sintética (ou Pronominal)
Sua marca principal é o verbo transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto
(VTDI) acompanhado do pronome apassivador se; o sujeito sempre vem
explícito, e o verbo concorda com ele em número e pessoa.
Apresentaram-se os resultados da pesquisa.
Apresentaram-se os resultados da pesquisa aos clientes.
Voz Reflexiva
Segundo a gramática tradicional, ocorre voz reflexiva quando o verbo indica uma
ação praticada e sofrida pelo próprio sujeito, ou seja, o sujeito é o agente e o
alvo da ação, ao mesmo tempo – a ação que ele pratica reflete em si mesmo.
Na voz reflexiva, o verbo é transitivo direto (ou direto e indireto) e tem como objeto
um dos pronomes oblíquos átonos (pronomes reflexivos) me, te, se, nos, vos.
Eu me amo.
Tu te maquiaste muito bem.
Depois de muito sofrer, João se deu o direito de tirar umas férias.
Voz reflexiva recíproca
Ocorre quando o verbo se encontra no plural (normalmente) e há pelo menos
dois seres praticando a mesma ação verbal, um no outro. O verbo sempre vem
acompanhado dos pronomes oblíquos átonos com valor reflexivo recíproco (se,
nos, vos), que podem ter ao lado expressões reforçativas, como um ao outro,
uns aos outros, reciprocamente, mutuamente.
Nós nos beijamos.
Foi péssimo quando o casal se xingou na frente de todos.
Passagem de Voz Ativa para Passiva Analítica
A repórter acompanhou todas as informações. (voz ativa)
Passando para a voz passiva analítica: o objeto direto vira sujeito, o sujeito vira
agente da passiva e o verbo vira uma locução verbal (normalmente, ser +
particípio), mantendo-se o tempo e o modo verbal.
Todas as informações foram acompanhadas pela repórter. (voz passiva analítica)
Se o verbo for transitivo direto e indireto, o objeto direto vira sujeito e o objeto
indireto continua com função sintática de objeto indireto na voz passiva analítica.
O patrão sempre delegará responsabilidades ao empregado. (voz ativa)
Responsabilidades sempre serão delegadas pelo patrão ao empregado. (voz 
passiva analítica)
Passagem de Voz Passiva Analítica para Voz Passiva Sintética
Os boletos foram pagos.
Passo 1 - “Jogue fora o agente da passiva”. Elimine o verbo auxiliar e passe o
verbo principal para o mesmo modo, tempo e pessoa em que estava o verbo ser
(transforme em 1 só): Pagaram
Passo 2 - Junte o pronome se apassivador ao verbo, respeitando-se as regras de
colocação dos pronomes: Pagaram-se.
Passo 3 - O sujeito fica, normalmente, posposto ao verbo que com ele concorda:
Pagaram-se os boletos.
ATENÇÃO: Cuidado com a passagem de voz ativa para a passiva analítica
quando houver locuções verbais com infinitivo e gerúndio e locuções verbais de
tempos compostos.
É necessária a conservação do tempo e modo verbal do verbo auxiliar e a estrutura
de voz passiva ser + particípio (no infinitivo) e sendo + particípio (no gerúndio).
Vou comprar uma casa. (voz ativa) /
Estou comprando uma casa. (voz ativa) /
Espero que tenham resolvido as pendências. (voz ativa) /
Funções do SE
Janaina Souto
Reflexivo (Recíproco)
Sempre acompanhado de verbo transitivo direto e/ou indireto (VTD/VTI/VTDI).
Segundo Bechara, ele “faz refletir sobre o sujeito a ação que ele mesmo praticou”.
Diz-se que o pronome reflexivo é chamado de recíproco quando há mais de um
ser no sujeito.
A menina se cortou.
O Brasil já se deixou explorar por muito tempo.
Os namorados se deram as mãos.
O casal se beijou com vontade.
Parte integrante do verbo
Sempre acompanha verbo intransitivo (VI) ou transitivo indireto (VTI).
Para Bechara, tais verbos, chamados de pronominais, pois não se conjugam
sem a presença do pronome oblíquo, indicam sentimento (indignar-se, ufanar-se,
atrever-se, alegrar-se, admirar-se, lembrar-se, esquecer-se, orgulhar-se, arrepender-
se, queixar-se etc.) ou movimento/atitudes da pessoa em relação ao seu próprio
corpo (sentar-se, suicidar-se, concentrar-se, converter-se, afastar-se, precaver-
se etc.).
Ela se precaveu dos insultos.
O homem, infelizmente, suicidou-se.
Expletivo
Acompanhado de verbos intransitivos (VI), normalmente. Pode ser retirado da
oração sem prejuízo sintático e semântico, pois seu valor é apenas estilístico
(ênfase, expressividade), por isso é chamado de partícula de realce.
Vão-se os anéis, ficam-se os dedos. Vão os anéis, ficam os dedos.
Ela se tremia de medo do escuro. Ela tremia de medo do escuro.
Passaram-se anos, e ele não retornou ainda. Passaram anos, e ele não retornou ainda.
Indeterminador do Sujeito
Sempre acompanha verbos na 3ª pessoa do singular de quaisquer
transitividades (verbo de ligação – VL –, VI, VTI, VTD), sem sujeito explícito. Tal
indeterminação implica um sujeito de valor genérico (generalizador), impreciso.
Lá se era mais feliz. (VL)
Aqui se vive em paz. (VI)
Lamentavelmente, não se confia mais nos governantes. (VTI)
No caso do VTD, precisará haver objeto direto preposicionado para que o se
indetermine o sujeito.
Já não mais se ama a Deus nesta Igreja. (VTD)
Apassivador
Sempre acompanha VTD ou VTDI para indicar que o sujeito explícito da frase
tem valor paciente, ou seja, sofre a ação verbal. Sempre é possível reescrever a
frase passando para a voz passiva analítica, ou seja, transformando o verbo em
locução verbal (ser + particípio).
Alugaram-se carros.
Sabe-se que as línguas evoluem.
Amores não se compram.
Conjunção subordinativa integrante
Introduz uma oração subordinada substantiva. É aquela que usamos o “Isso;
Nisso, Disso...” para substituir.
Analisamos se as propostas eram convenientes.
Quero saber se ela virá à festa.
Conjunção subordinativa condicional
Introduz orações subordinadas adverbiais condicionais. Pode ser substituída por
“caso” semanticamente.
Deixe um recado se você não me encontrar.
Se você for, eu vou.

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