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Curso de Psicologia
Disciplina: Processos Psicológicos Básicos
Período: 2º semestre
Prof. Dr. Lucas D.M.F. Vales
lucas.vales@docente.unip.br
Memória
• Codificação, armazenamento e recuperação da informação;
• Memória sensorial, memória de curto prazo, memória de longo 
prazo; 
• Tipos de Memória de Longo Prazo;
• Esquecimento – falha na codificação, falha no armazenamento e 
falha na recuperação.
Memória
• Caracterização da memória;
• Sistema de processamento de informações; 
• Codificação, armazenamento e recuperação da informação;
• Memória sensorial, memória de curto prazo, memória de longo 
prazo; 
• Tipos de Memória de Longo Prazo.
Estudo e codificação de memórias
✓Somos capazes de lembrar de inúmeros rostos, lugares e acontecimentos;
sabores, cheiros e texturas; vozes, sons e canções.
o Em um estudo, os alunos ouviram trechos – meros quatro décimos de segundo – de
músicas populares e reconheceram o artista e a música em mais de 25% das vezes
(Krumhansl, 2010). Muitas vezes reconhecemos músicas tão rapidamente quanto
reconhecemos uma voz familiar.
A pessoa média poderia:
✓ repetir uma sequência de cerca de sete ou talvez até nove dígitos memorizados;
✓armazenar e reconhecer permanentemente cerca de 5 mil rostos (Jenkins et al., 2018).
Estudo e codificação de memórias
oE não são apenas os humanos que têm memória notável para rostos. Ovelhas
também se lembram de rostos. E também aconteceu com pelo menos uma
espécie de peixe – como demonstrado por cuspirem em rostos familiares para
desencadear uma recompensa alimentar (Newport et al., 2016)
Sheep don't forget a face.
Kendrick KM, da Costa AP, Leigh AE, Hinton MR, Peirce JW.
Nature, 2001 Nov 8;414(6860):165-6.
Laboratory of Cognitive and Developmental Neuroscience, Babraham Institute, Cambridge CB2 4AT,
UK. keith.kendrick@bbsrc.ac.uk
The human brain has evolved specialized neural mechanisms for visual recognition of
faces, which afford us a remarkable ability to discriminate between, remember and think
about many hundreds of different individuals. Sheep also recognize and are attracted to
individual sheep and humans by their faces, as they possess similar specialized neural
systems in the temporal and frontal lobes for assisting in this important social task,
including a greater involvement of the right brain hemisphere. Here we show that
individual sheep can remember 50 other different sheep faces for over 2 years, and that
the specialized neural circuits involved maintain selective encoding of individual sheep and
human faces even after long periods of separation.
mailto:keith.kendrick@bbsrc.ac.uk
Estudo e codificação de memórias
• Como realizamos essas façanhas da memória? 
• Como nosso cérebro colhe informações do mundo e guarda essas 
informações para uso posterior? 
• Como podemos lembrar coisas sobre as quais não pensamos há anos e 
esquecer o nome de alguém que acabamos de conhecer? 
• Como as memórias são armazenadas no nosso cérebro?
o A memória pode ser definida como a capacidade de um organismo
alterar seu comportamento em decorrência de experiências prévias.
(Squire, 1987)
o Aprendizagem é o processo pelo qual o comportamento é adicionado
ao repertório de um organismo.
Memória
Aprendizagem – Mapas cognitivos
o Representação mental do espaço físico; da estrutura do ambiente de um ser.
Por exemplo, após explorar um labirinto, ratos agem como se tivessem
aprendido seu mapa cognitivo.
Grande parte das concepções sobre aprendizagem e memória surgiu no contexto da
experimentação animal em labirintos.
A preferência por modelos aquáticos em estudos com animais justifica-se pela vantagem de não
necessitar qualquer tipo de recompensa alimentar. (Barnes et al., 1968)
Labirinto radial aquático
(Hyde; Sherman; Denenberg, 1996) 
Labirinto em T aquático
(Wolf et al., 1986)
Labirinto aquático de Morris
(D’Hooge; De Deyn, 2001)
oA aprendizagem pode ser definida como uma mudança relativamente
permanente no comportamento, que resulta da prática; mudanças de
comportamento devidas à maturação (em vez de prática), ou a condições
temporárias do organismo (tais como fadiga ou estados induzidos por
drogas) não são incluídas.
o Tipos de aprendizagem: 1) habituação, 2) condicionamento clássico,
3) condicionamento operante e 4) aprendizagem complexa.
Aprendizagem - conceitos
1) Habituação – consiste na espécie mais simples de
aprendizagem, como aprender a ignorar um estímulo que
se tornou familiar e não tem consequências sérias.
Exemplo: aprender a ignorar o tique-taque de um novo
relógio.
Aprendizagem - conceitos
2) Condicionamento Clássico – aprendizagem que ocorre por associação
entre estímulos, um estímulo incondicionado capaz de eliciar uma resposta,
também incondicionada, e um outro estímulo inicialmente neutro que após
pareamentos repetidos passa a eliciar uma resposta condicionada,
semelhante àquela incondicionada.
Aprendizagem - conceitos
Ivan P. Pavlov
(1849-1936)
• Fisiologista russo
• Prêmio Nobel 1904: processos digestivos de animais
• Investigação fisiológica para examinar o funcionamento neurológico
• Pavlov investigou os reflexos que implicavam nas principais
secreções glandulares
• As experiências de Pavlov com cães são exemplos paradigmáticos desta
forma de aprendizagem.
• Pavlov observou que os cães salivavam quando as glândulas salivares se
punham em contato com o alimento, o que classificou de reação
incondicionada.
• Posteriormente os cães passaram também a salivar diante de estímulos que
precediam o alimento: resposta condicionada (aprendida).
Aprendizagem – condicionamento clássico
Comportamentos Reflexos ou Respondentes
Cheiro de comida 
(UC)
Fome 
(UR)
Jato de ar 
(UC)
Som alto 
(UC)
Susto 
(UR)
Piscar 
(UR)
ANTES DO CONDICIONAMENTO
Alimento 
(Estímulo INCONDICIONADO)
Salivação 
(Resposta INCONDICIONADA)
Som
(Estímulo NEUTRO)
Nenhuma Resposta
Reflexo
Incondicionado
Aprendizagem – condicionamento clássico
DURANTE O CONDICIONAMENTO
+
Som 
(Estímulo NEUTRO)
Alimento
(Estímulo INCONDICIONADO)
Salivação 
(Resposta INCONDICIONADA)
DEPOIS DO CONDICIONAMENTO
Som (Estímulo 
CONDICIONADO) Salivação (Resposta 
CONDICIONADA)
Reflexo
Condicionado
Aprendizagem – condicionamento clássico
• Generalização e Discriminação
• Quando uma resposta condicionada foi associada a um determinado estímulo
outros estímulos similares evocarão a mesma resposta. Quanto mais similares
os novos estímulos são ao EC original, mais provavelmente evocarão a
resposta condicionada. Generalização
• A Discriminação é um processo complementar. Enquanto a generalização é
uma reação às similaridades, a discriminação é uma reação às diferenças. É
causada por reforço diferencial e extinção.
Ex:
Aprendizagem – condicionamento clássico
Fatores cognitivos: Previsibilidade e Emoção
• A previsibilidade é bastante importante para reações emocionais. Se um
determinado EC prediz confiavelmente que a dor está vindo, então a ausência
deste prediz que a dor não virá e o organismo pode relaxar. O EC seria,
portanto, um sinal de perigo e sua ausência seria um sinal de segurança.
• Quando esses sinais são erráticos, a carga emocional para o organismo pode
ser devastadora. Não há sinais de perigo ou de segurança e a ausência de um
previsor confiável leva à ansiedade.
Exemplos:
▪ Choques sinalizados e não sinalizados – modelo animal.
▪ Aviso médico em um procedimento.
Importância do Condicionamento Clássico
❖O condicionamento clássico está envolvido em muitos de nossos
comportamentos:
❑ quando toca uma música e lembramos de alguém
❑ cheiro específico lembra um lugar ou pessoa
❑ propagandas
❑ preconceito
❑ tratamentos médicos
B. F. Skinner 
(1904-1990)
❖Condicionamento clássico:
❖Condicionamento operante: resposta – consequência
estímulo resposta
resposta estímulo
Aprendizagem – condicionamento operante
• Resposta – qualquer ato que se segue a um estímulo exterior e a ele está
imediatamente ligado; unidade decomportamento que é controlada por suas
consequências.
• Estímulo – qualquer evento físico, combinação de eventos ou relação
entre eventos.
 O estímulo classifica os aspectos do ambiente, do mesmo modo que a
resposta classifica os aspectos do comportamento.
Aprendizagem – condicionamento operante
• Operante → Comportamento por meio do qual o organismo
modifica o ambiente.
• Características:
- Emitido;
- Modificado por suas consequências;
Aprendizagem – condicionamento operante
Resposta
(ação)
Estimulo 
SINALIZAÇÃO DA 
CONSEQUÊNCIA
Resposta Conseqüência
Conseqüência
(contingência)
Aprendizagem – condicionamento operante
oModelagem → Modificação gradual de alguma propriedade do
comportamento pelo reforço diferencial de aproximações
sucessivas a um comportamento /classe operante alvo.
oReforço diferencial → Reforço de algumas respostas mas não
de outras, dependendo das propriedades das respostas.
oAproximações sucessivas
Aprendizagem – condicionamento operante
❖Reforçar aproximações sucessivas da resposta alvo
➢ O andar em crianças 
❑ Exploração do meio e desenvolvimento da coordenação motora global
❑ Equilíbrio, lateralização e alteração da postura
❑ Aproximações claras do comportamento alvo
❑ Execução correta do comportamento alvo
❑ Uma vez estabelecido o comportamento correto, trabalhar sua execução e o 
desenvolvimento de sua complexidade para outros mais 
Modelagem
• Positive Reinforcement
Positive_Reinforcement_The_Big_Bang_Theory.flv
Aprendizagem
➢ Aprendizagem latente: Aprendizagem que ocorre, mas não é aparente até que surja um
incentivo para demonstrá-la.
➢ Aprendizagem por Insight (pelo discernimento)
Em experiências de solução de problemas, a percepção de relacionamentos que levam a uma
solução.
Exemplos: Chimpanzee Problem Solving.flv
Corvus moneduloides - problem solving.flv
Crows using traffic to crack walnut.flv
Corvus moneduloides - problem solving.flv
Chimpanzee Problem Solving.flv
Corvus moneduloides - problem solving.flv
Crows using traffic to crack walnut.flv
Principais fatores para o estabelecimento da aprendizagem e
memória:
✓ Aquisição (Codificação)
✓ Consolidação (Armazenagem)
✓ Evocação de informações (Recuperação)
Memória – principais fatores
Memória de trabalho
Codificação de informações apresentadas em contextos temporais específicos,
mantidas por períodos de tempo durante os quais sejam relevantes, distinguindo um
instante dentro de um conjunto de eventos, susceptível às interferências de efeitos
temporais.
Memória de longo prazo
Codificação das informações que são utilizadas em diferentes situações e que são
menos vulneráveis ao contexto específico sob o qual foram adquiridas, portanto,
menos propensa à interferência temporal.
Memória – tipos de memória
o A memória de longo prazo envolve informações que foram retidas
por intervalos de apenas alguns minutos ou de uma vida inteira.
➢Duas questões importantes:
✓Diferentemente da situação na memória de curto prazo, interações
importantes entre a codificação e a recuperação ocorrem na memória de
longo prazo.
• Codificação do Significado
• Acréscimo de conexões Significativas
✓É frequentemente difícil saber se o esquecimento de uma memória de
longo prazo acontece devido a uma perda da armazenagem ou ao
fracasso para recuperá-la.
Memória – armazenamento e recuperação
Memória - retenção
A evidência de que a aprendizagem persiste inclui estas três medidas de
retenção:
o Recordação: recuperar informações que não estão atualmente em sua consciência,
mas que foram aprendidas anteriormente.
o Reconhecimento: identificar itens aprendidos anteriormente.
o Reaprendizagem: aprender alguma coisa mais rapidamente quando você aprende
uma segunda vez ou posteriormente. Quando você revisar as primeiras semanas de
trabalho do curso para se preparar para o exame final ou se dedicar a um idioma usado
na primeira infância, será mais fácil reaprender a matéria do que quando você a
aprendeu.
Memória - retenção
JIH, BAZ, FUB, YOX, SUJ, XIR, DAX, LEQ, VUM,
PID, KEL, WAV, TUV, ZOF, GEK, HIW
Curva de retenção de Ebbinghaus:
Ebbinghaus constatou que quanto mais
itens ele praticasse em uma lista de
sílabas sem sentido no primeiro dia, de
menos tempo ele precisaria para
reaprendê-la no segundo dia. A
velocidade de reaprendizagem é uma
medida da retenção da memória.
(Extraída de Baddeley, 1982.)
Memória – revisão dos conceitos
Memória: Persistência da aprendizagem ao longo do tempo por intermédio do
armazenamento e da recuperação das informações.
Recordação: Medida da memória em que a pessoa precisa recuperar informações
obtidas antes, como em um teste de preenchimento de espaços.
Reconhecimento: Medida da memória em que a pessoa precisa apenas identificar
os itens anteriormente aprendidos, como em um teste de múltipla escolha.
Reaprendizagem: Medida da memória que avalia a quantidade de tempo ganho
quando se aprende determinado assunto pela segunda vez.
Memória – processamento de informações
Nosso cérebro ágil processa muitas coisas ao mesmo tempo (algumas delas
inconscientemente) por meio do processamento paralelo.
Para focalizar esse processamento múltiplo, um modelo de processamento de
informação, o conexionismo, vê as memórias como produtos de redes neurais
interconectadas.
Memórias específicas surgem a partir de padrões de ativação particulares
dentro dessas redes. Toda vez que você aprende alguma coisa nova, as
conexões neurais de seu cérebro mudam – um exemplo da neuroplasticidade,
formando e fortalecendo vias que permitem a você interagir e aprender com o
ambiente em constante mutação.
Memória – processamento de informações
Codificação: Processamento de informações dentro do sistema de memória –
por exemplo, por meio de extração de significados.
Armazenamento: Processo de reter as informações codificadas ao longo do 
tempo.
Recuperação: Processo de extrair informações do armazenamento de memória.
Processamento paralelo: Processamento de diversos aspectos de um estímulo 
ou problema simultaneamente.
Memória – processamento de informações
Memória sensorial: Lembrança imediata e muito fugaz de informações 
sensoriais no sistema de memória.
Memória de curto prazo: Memória ativada que retém poucos itens por 
pouco tempo (como um número de telefone enquanto é discado) antes 
de a informação ser armazenada ou esquecida.
Memória de longo prazo: Armazenamento relativamente permanente e 
ilimitado do sistema de memória. Inclui as habilidades, o conhecimento e 
as experiências.
Memória – processamento de informações
MEMÓRIA DE TRABALHO: Modelo de 3 estágios (Atkinson e Shiffrin) - a 
memória de curto prazo apenas como um espaço para armazenar 
brevemente pensamentos e experiências recentes. 
Esse estágio de memória passou a ser chamado de memória de trabalho, 
porque se assemelhava a um “bloco de rascunho” ativo, no qual nosso 
cérebro dá sentido a novas experiências e as conecta com nossas 
memórias de longo prazo. 
Esse “sistema para manter a informação em mente e trabalhar nela” 
(Oberauer et al., 2018) também funciona na direção oposta, recuperando e 
processando informações previamente armazenadas.
Memória – processamento de informações
Modelo de processamento de memória em três estágios modificado: O modelo compreende outras maneiras de
formar memórias de longo prazo. Por exemplo, alguma informação escorrega para a memória de longo prazo por
uma “porta dos fundos”, sem termos consciência disso (processamento automático). Além disso, ocorre tanto
processamento ativo no estágio de memória de curto prazo que hoje muitos preferem o termo memória de
trabalho.
Memória – processamento de informações
MEMÓRIA SENSORIAL
o A memória sensorial alimenta nossa memória de trabalho ativa, registrando imagens,
sons e fortes aromas momentâneos. Mas a memória sensorial, como um relâmpago, é
passageira.
✓Memória icônica: Memória sensorial momentânea de estímulos visuais; memória
fotográfica ou pictórica que não dura mais do que poucosdécimos de segundo.
✓Memória ecoica: Memória sensorial momentânea de um estímulo auditivo; se a atenção
está voltada para outra coisa, sons e palavras ainda podem ser lembrados por 3 ou 4
segundos.
Memória - esquecimento
Esquecimento, construção da memória e seu aprimoramento:
Por que esquecemos?
Em meio aos aplausos para a memória – todos os esforços para compreendê-la, todos
os livros para melhorá-la –, alguém já ouviu algum elogio ao esquecimento? William
James (1890, p. 680) foi esse defensor: “se lembrássemos de tudo, passaríamos a maior
parte do tempo sofrendo tanto quanto se não lembrássemos de nada”. Os psicólogos
Robert Bjork e Elizabeth Bjork (2019) concordam, chamando o esquecimento de “o
amigo da aprendizagem”. Descartar a confusão de informações inúteis – onde
estacionamos ontem, nosso número de telefone antigo, pedidos de restaurante já
preparados e servidos – é certamente uma bênção (Nørby, 2015).
O esquecimento pode ocorrer em
qualquer estágio da memória. Quando
processamos informações, filtramos,
alteramos ou perdemos grande parte
delas.
À medida que processamos informações,
peneiramos, alteramos ou perdemos a
maior parte.
Memória - esquecimento
Memória - esquecimento
o Esquecimento extremo: A doença de Alzheimer danifica gravemente o
cérebro e, no processo, nos despoja da nossa memória.
Memória - esquecimento
o A doença de Alzheimer começa como dificuldade de lembrar novas informações,
progredindo para uma incapacidade de realizar tarefas cotidianas (amnésia
anterógrada).
o A fala complexa torna-se frases simples; membros da família e amigos próximos
tornam-se estranhos; os centros de memória do cérebro, uma vez fortes, tornam-se
fracos e declinam (Desikan et al., 2009).
o Ao longo de vários anos, as pessoas com Alzheimer podem tornar-se desconhecidas e
incognoscíveis. Seu senso de identidade enfraquece e faz com que se perguntem:
“quem sou eu?” (Ben Malek et al., 2019).
Memória - esquecimento
oA memória perdida atinge o núcleo de sua humanidade, roubando-lhes sua
alegria, significado e companheirismo.
oDevemos à memória quase tudo que temos ou somos; A memória reúne os
incontáveis fenômenos de nossa existência em um todo único, permitindo a
preservação de nossa consciência. (Hering, 1920)
Processamento automático e memórias implícitas
Quais informações processamos automaticamente?
o Nossas memórias implícitas incluem a memória procedural para habilidades
automáticas (como andar de bicicleta) e associações formadas a partir do
condicionamento clássico entre os estímulos.
Memória implícita: Retenção de habilidades aprendidas ou associações condicionadas
classicamente independentes de lembranças conscientes. Também chamada memória
não declarativa.
✓Quando atacado por um cão na infância, anos mais tarde você pode, sem se lembrar da
associação condicionada, ficar automaticamente tenso quando um cão se aproximar.
Processamento automático e memórias implícitas
Sem esforço consciente, processamos automaticamente informações sobre:
✓Espaço: Ao estudar, você pode codificar o local na página do livro em que determinado
material aparece; mais tarde, ao tentar se lembrar da informação, é possível que você visualize
sua localização;
✓Tempo: Enquanto seu dia transcorre, involuntariamente você registra a sequência de
acontecimentos. Mais tarde, percebendo que deixou seu telefone em algum lugar, a
sequência de eventos codificada automaticamente pelo seu cérebro permitirá que você refaça
seus passos;
✓Frequência: Sem muito esforço, você rastreia quantas vezes alguma coisa aconteceu, o que
permite perceber que “é a terceira vez que passo por ela hoje”.
Processamento automático e memórias implícitas
A mente se envolve em um processamento de informações
impressionantemente eficiente de duas vias.
✓Como uma das vias guarda automaticamente muitos detalhes de rotina, a outra
via fica livre para se concentrar no processo consciente, com esforço.
✓Os feitos mentais, como visão, pensamento e memória, podem parecer
habilidades únicas, mas não são. Em vez disso, dividimos a informação em
componentes distintos para processamento que ocorre separado e
simultaneamente.
Processamento com esforço e memórias explícitas
O processamento automático acontece sem esforço. 
✓Quando você vê as palavras em seu idioma nativo na lateral de um caminhão de 
entregas, não pode deixar de ler e registrar seu significado. 
✓Aprender a ler, no entanto, não foi automático. Você deve se lembrar de trabalhar 
duro para apontar as letras e ligá-las a certos sons. Mas, com experiência e 
prática, sua leitura tornou-se automática. 
Imagine agora aprender a ler frases invertidas como esta:
.ocitámotua ranrot es edop oçrofse moc otnemassecorp O
Processamento com esforço e memórias explícitas
Memória explícita: Memória de fatos e experiências de que a pessoa é capaz de
lembrar conscientemente e “declarar”. Também chamada memória declarativa.
Processamento com esforço: Codificação que exige atenção e esforço
consciente.
Processamento automático: Codificação inconsciente de informações
incidentais, como espaço, tempo e frequência, e de informações bem
aprendidas, como o significado das palavras.
Armazenamento e recuperação das memórias
Qual é a capacidade da memória de longo prazo? Nossas memórias de longo prazo são
processadas e armazenadas em locais específicos?
o Nossa capacidade de armazenar memórias em longo prazo é essencialmente ilimitada. Estima-se
que as conexões neurais do cérebro tenham capacidade de armazenamento comparável ao
patamar da World Wide Web (rede mundial da internet).
Retenção das informações no cérebro:
o As memórias ficam no cérebro, mas o cérebro distribui os componentes de uma memória em
diversos locais interconectados em rede.
o Esses locais específicos incluem alguns dos circuitos envolvidos na experiência original: algumas
células cerebrais que disparam quando vivenciamos alguma coisa disparam novamente quando nos
lembramos dela.
Armazenamento e recuperação das memórias
Nossas memórias são flexíveis e se sobrepõem:
✓Apesar da vasta capacidade de armazenamento do cérebro, não armazenamos informações
como as bibliotecas armazenam seus livros, em locais únicos e precisos.
✓ Em vez disso, as redes cerebrais codificam, armazenam e recuperam as informações que
formam nossas memórias complexas.
Memória semântica: Memória explícita de fatos e conhecimentos gerais; um dos nossos
dois sistemas de memória consciente (o outro é a memória episódica).
Memória episódica: Memória explícita de eventos vivenciados pessoalmente; um dos
nossos dois sistemas de memória consciente (o outro é a memória semântica).
Sistema de memória explícita
Quais são os papéis dos lobos frontais e do hipocampo no processamento da
memória?
✓As memórias explícitas e conscientes podem ser semânticas (fatos e conhecimento geral)
ou episódicas (eventos vivenciados). A rede que processa e armazena novas memórias
explícitas para fatos e episódios inclui os lobos frontais e hipocampo.
✓Quando se evoca uma repetição mental de experiência passada, muitas regiões do
cérebro enviam informações para o córtex pré-frontal (a parte frontal dos lobos frontais)
para realizar o processamento da memória de trabalho.
Sistema de memória explícita
✓Os lobos frontais esquerdo e direito processam tipos diferentes de
memórias.
❖Lembrar uma senha e guardá-la na memória de trabalho, por exemplo, ativaria o lobo
frontal esquerdo.
❖Invocar a cena de uma festa provavelmente ativaria o lobo frontal direito.
➢Mulheres, cuja memória episódica supera a dos homens, são mais propensas a
lembrar com precisão o que aconteceu em uma festa.
Sistema de memória explícita: Hipocampo e lobos frontais
Os neurocientistas cognitivos constataram que o
hipocampo, um centro neural do lobo temporal localizado
no sistema límbico, é o equivalente cerebral de um botão
“salvar” para as memórias explícitas.
✓À medida que as crianças amadurecem, seu hipocampocresce, permitindo-lhes construir memórias mais detalhadas.
✓Imagens do cérebro revelam atividade no hipocampo e nas
redes cerebrais próximas à medida que as pessoas formam
memórias explícitas de nomes, imagens e eventos.
Sistema de memória explícita: Hipocampo e lobos frontais
Lesões nessa estrutura interrompem a formação e a evocação de
memórias explícitas. Chapins norte-americanos e outros pássaros
armazenam alimento em centenas de lugares e voltam meses depois a
esses repositórios sem identificação, mas não conseguirão encontrá-los
se seu hipocampo tiver sido prejudicado/lesionado.
Com uma lesão no hipocampo esquerdo, as pessoas têm problemas para lembrar
informações verbais, mas não têm problemas para lembrar efeitos visuais e locais. Com
uma lesão no hipocampo direito, o problema é o inverso.
Quebra-nozes de Clark: pode localizar
até 6 mil depósitos de pinhão que
havia enterrado anteriormente.
Sistema de memória explícita: Hipocampo e lobos frontais
O hipocampo é complexo, com sub-regiões que cumprem diferentes funções.
✓Uma parte está ativa enquanto camundongos e pessoas aprendem informações sociais.
✓Outra parte está ativa quando os campeões de memória se envolvem em mnemônica
espacial.
✓A área traseira, que processa a memória espacial, cresce quanto mais um taxista londrino
tenha percorrido o labirinto de ruas da cidade.
Sistema de memória implícita: cerebelo e gânglios basais
O hipocampo e os lobos frontais são sítios de processamento de memórias explícitas.
Mas perder essas áreas ainda possibilitaria estabelecer memórias implícitas para
habilidades e associações recém-condicionadas, assim, graças ao processamento
automático.
✓ Joseph LeDoux (1996) recontou a história de uma paciente com danos cerebrais cuja amnésia
a deixou incapaz de reconhecer o próprio médico, já que todos os dias ele apertava sua mão e
se apresentava. Um dia, ela recolheu a mão quando o médico picou sua palma com uma
tachinha. Na próxima vez que ele voltou e se apresentou, ela não quis apertar a sua mão, mas
não conseguia explicar por quê. Por ter sido condicionada classicamente, ela simplesmente não
o faria. Intuitivamente (implicitamente) ela sentiu algo que não conseguia explicar.
Sistema de memória implícita: cerebelo e gânglios basais
O cerebelo tem um papel fundamental na formação e no armazenamento das memórias
implícitas criadas pelo condicionamento clássico. Com o cerebelo danificado, as pessoas não
conseguem desenvolver certos reflexos condicionados, como associar um tom a um sopro de ar
iminente – e assim, não piscam antes do sopro. A formação da memória implícita precisa do
cerebelo.
Os gânglios basais, estruturas cerebrais profundas envolvidas no movimento motor, facilitam a
formação de nossas memórias procedurais para habilidades. Os gânglios basais recebem
informações do córtex, mas não retribuem o favor de enviar as informações de volta ao córtex
para a percepção consciente da aprendizagem procedural.
✓ Aprender a andar de bicicleta é possível graças aos gânglios basais.
Sistema de memória implícita: cerebelo e gânglios basais
O sistema de memória implícita, viabilizado por essas áreas mais ancestrais do
cérebro, ajuda a explicar por que as reações e habilidades que aprendemos
durante a infância permanecem por longo tempo e nos acompanham até o
nosso futuro.
✓No entanto, como adultos, a memória consciente de nossos 4 primeiros anos de vida
praticamente inexiste em decorrência da amnésia infantil.
Sistema de memória implícita: cerebelo e gânglios basais
✓Amnésia Infantil: Duas influências contribuem
para a amnésia infantil: primeiro, indexamos
grande parte de nossa memória explícita
usando palavras que crianças não verbais ainda
não aprenderam; segundo, o hipocampo é uma
das últimas estruturas cerebrais a amadurecer
e, à medida que isso acontece, mais
informações ficam retidas.
Lobos frontais e hipocampo: formação da memória
explícita. Cerebelo e gânglios basais: formação da
memória implícita. Amígdala: formação da memória
relacionada com a emoção.
Amígdala, emoções e memória
Como as emoções afetam nosso processamento da memória?
✓Nossas emoções desencadeiam a liberação de hormônios do estresse que influenciam a
formação de memória. Quando estamos excitados ou estressados, esses hormônios
disponibilizam mais energia a partir da glicose para alimentar a atividade cerebral,
sinalizando ao cérebro que algo importante está acontecendo.
✓Além disso, os hormônios do estresse fazem a memória ficar mais focada. O estresse
estimula a amígdala (dois conglomerados no sistema límbico nos quais ocorre o
processamento emocional) a iniciar um traço de memória – uma mudança física que
perdura enquanto memória se forma – que aumenta a atividade nas áreas do cérebro em
que as memórias se formam.
Amígdala, emoções e memória
É como se a amígdala dissesse: “cérebro, codifique este momento para referência
futura!”. O resultado? A excitação emocional pode marcar certos eventos no cérebro,
enquanto interrompe a memória para eventos irrelevantes.
o Eventos significativamente estressantes podem formar memórias quase inesquecíveis. Depois
de uma experiência traumática – um tiroteio em uma escola, um incêndio em uma casa, um
estupro –, lembranças vívidas do horrível evento podem surgir repetidas vezes. É como se
fossem marcados a ferro quente: “experiências emocionais muito fortes criam memórias mais
fortes e confiáveis” (James McGaugh, 1994, 2003).
o Essas experiências fortalecem até mesmo a lembrança de eventos relevantes e imediatamente
anteriores. Isso faz sentido do ponto de vista adaptativo: ao agitar bandeiras de alerta, a
memória nos protege de perigos futuros.
Amígdala, emoções e memória
Mas como os eventos emocionais produzem memória com visão de túnel, eles
concentram nossa atenção e recordação em informações de alta prioridade e
reduzem nossa recordação de detalhes irrelevantes.
✓O que quer que capte nossa atenção é bem lembrado à custa do contexto
circundante.
Amígdala, emoções e memória
Alterações hormonais provocadas pelas emoções ajudam a explicar por que lembramos
por muito tempo de eventos chocantes ou excitantes:
✓ como o primeiro beijo, ou dos rumos de nossas vidas ao sabermos da morte de um ente
querido.
✓Onde você estava, por exemplo, quando soube do lockdown da COVID-19, em 16 de março de
2020?
✓ Segundo pesquisa do instituto de pesquisa Pew realizada em 2006, 95% dos adultos norte-
americanos afirmaram que eram capazes de lembrar exatamente onde estavam e o que faziam
quando ouviram a notícia do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001.
✓ Essa clareza percebida das memórias de eventos surpreendentes e significativos levou alguns
psicólogos a chamarem-nas de memórias emocionais (ou memórias vívidas).
Armazenamento e recuperação das memórias
Memória emocional (ou vívida): Memória clara de um momento ou evento
emocionalmente significativo.
Nossas memórias emocionais são notáveis por sua vivacidade e por nossa confiança
nelas. Mas, à medida que revivemos, reiteramos e discutimos essas memórias, elas
podem resultar em erros.
➢Com o tempo, alguns erros se infiltraram nas lembranças do 11 de setembro das pessoas (em
comparação com seus relatórios anteriores, feitos logo depois). No entanto, a maior parte das
memórias do 11 de setembro continuou coerente ao longo dos 2 a 3 anos seguintes.
Armazenamento e recuperação das memórias
O que é mais importante – suas experiências ou suas memórias delas?
❖Experiências dramáticas continuam vivas e claras na nossa memória em parte
porque as repetimos. Pensamos nelas enquanto as descrevemos para as
outras pessoas.
✓Memórias de experiências com maior relevância pessoal também perduram.
o Comparados aos não católicos, os católicos devotos recordaram melhor a renúncia do
Papa Bento XVI.
o Um aumento de memória semelhante ocorreu após o desastre nuclear de Fukushima no
Japão, em 2011. Na Alemanha, repetidas discussões políticas sobre os perigosda energia
nuclear levaram a memórias mais duradouras do desastre do que na Holanda, onde
ocorreram menos discussões políticas.
Referências bibliográficas
Bibliografia básica:
• FELDMAN, R. S. Introdução à Psicologia. 10ª ed. Porto Alegre: AMGH, 2015,
capítulo 6.
• MYERS, D.; DEWALL, N. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2017, capítulo 8.
• GLEITMAN, H.; REISBERG, H.; GROSS, J. Psicologia. 7ª ed. Porto Alegre:
Artmed, 2009, capítulo 7.
Bibliografia para aprofundamento:
• WEITEN, W. Introdução à Psicologia: temas e variações. São Paulo: Pioneira
Thompson, 2002, capítulo 7.
	Slide 1: Curso de Psicologia Disciplina: Processos Psicológicos Básicos Período: 2º semestre
	Slide 2: Memória
	Slide 3: Memória
	Slide 4: Estudo e codificação de memórias
	Slide 5: Estudo e codificação de memórias
	Slide 6
	Slide 7: Estudo e codificação de memórias
	Slide 8: Memória
	Slide 9: Aprendizagem – Mapas cognitivos
	Slide 10: Aprendizagem - conceitos
	Slide 11
	Slide 12: Aprendizagem - conceitos
	Slide 13: Ivan P. Pavlov (1849-1936)
	Slide 14: Aprendizagem – condicionamento clássico
	Slide 15: Comportamentos Reflexos ou Respondentes
	Slide 16: Aprendizagem – condicionamento clássico
	Slide 17
	Slide 18: Aprendizagem – condicionamento clássico
	Slide 19: Fatores cognitivos: Previsibilidade e Emoção
	Slide 20: Importância do Condicionamento Clássico
	Slide 21: B. F. Skinner (1904-1990) 
	Slide 22
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	Slide 27: Aprendizagem
	Slide 28: Memória – principais fatores
	Slide 29: Memória – tipos de memória
	Slide 30: Memória – armazenamento e recuperação
	Slide 31: Memória - retenção
	Slide 32: Memória - retenção
	Slide 33: Memória – revisão dos conceitos
	Slide 34: Memória – processamento de informações
	Slide 35: Memória – processamento de informações
	Slide 36: Memória – processamento de informações
	Slide 37: Memória – processamento de informações
	Slide 38: Memória – processamento de informações
	Slide 39: Memória – processamento de informações
	Slide 40: Memória - esquecimento
	Slide 41
	Slide 42: Memória - esquecimento
	Slide 43: Memória - esquecimento
	Slide 44: Memória - esquecimento
	Slide 45: Processamento automático e memórias implícitas
	Slide 46: Processamento automático e memórias implícitas
	Slide 47: Processamento automático e memórias implícitas
	Slide 48: Processamento com esforço e memórias explícitas 
	Slide 49: Processamento com esforço e memórias explícitas
	Slide 50: Armazenamento e recuperação das memórias
	Slide 51: Armazenamento e recuperação das memórias
	Slide 52: Sistema de memória explícita
	Slide 53: Sistema de memória explícita
	Slide 54: Sistema de memória explícita: Hipocampo e lobos frontais
	Slide 55: Sistema de memória explícita: Hipocampo e lobos frontais
	Slide 56: Sistema de memória explícita: Hipocampo e lobos frontais
	Slide 57: Sistema de memória implícita: cerebelo e gânglios basais
	Slide 58: Sistema de memória implícita: cerebelo e gânglios basais
	Slide 59: Sistema de memória implícita: cerebelo e gânglios basais
	Slide 60: Sistema de memória implícita: cerebelo e gânglios basais
	Slide 61: Amígdala, emoções e memória
	Slide 62: Amígdala, emoções e memória
	Slide 63: Amígdala, emoções e memória
	Slide 64: Amígdala, emoções e memória
	Slide 65: Armazenamento e recuperação das memórias
	Slide 66: Armazenamento e recuperação das memórias
	Slide 67: Referências bibliográficas

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