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1 PROCESSO DE FABRICAÇÃO DA CANNABIS MEDICINAL E CONTROLE DE QUALIDADE 2 Sumário Processo Obtém Compostos Ativos Da Cannabis Para A Produção De Medicamentos .................................................................................................... 3 Testes Em Humanos ...................................................................................... 4 A Futura Indústria Da Cannabis No Brasil E O Desafio Do Alto Preço Dos Produtos ............................................................................................................. 5 Anvisa Liberou A Maconha? Quais As Ligações Entre Cannabis, Ciência E Brasil? ............................................................................................................. 6 Legislações No Mundo ................................................................................... 6 Maconha E Saúde: Entenda Por Que Fumar É Diferente De Usar Remédios 7 Anvisa Expõe Dados De 1.900 Pessoas Que Usam Óleo De Cannabis ........ 9 Consumo De Cannabis Pode Trazer Riscos Para Pessoas Com Problemas De Coração ................................................................................................... 11 Dados Confirmam Que A Maconha É O Novo Bitcoin .................................. 12 A Situação Da Cannabis Medicinal No Brasil ........................................ 13 Como Funciona O Processo Para Extração Do Cannabidiol? ...................... 14 Uso De Maconha Medicinal É Aprovado Pela Anvisa .................................. 15 Anvisa Aprova Uso Da Maconha Medicinal No Brasil............................ 16 – Por Unanimidade, Anvisa Aprova Plantio De Maconha Medicinal ............. 16 Projetos De Lei Apresentados Em 2019: ...................................................... 17 Cannabis Medicinal: Entenda Como Está A Área No Brasil E No Mundo ......................................................................................................................... 17 O Que É Cannabis Medicinal? ............................................................... 19 Qual É A História Da Cannabis Medicinal?................................................... 19 Qual É A Importância Dessa Substância? .................................................... 19 Como É O Mercado Canábico No Brasil E No Mundo? ................................ 20 Como Ingressar Nesse Setor Promissor?..................................................... 21 Responsabilidades Técnicas: ....................................................................... 24 Canabinoides: Pesquisa, Análise E Controle De Qualidade .................. 25 REFERENCIAS BIBLOGRAFICAS ....................................................... 28 3 Processo obtém compostos ativos da Cannabis para a produção de medicamentos O uso da Cannabis para fins terapêuticos tem sido alvo de discussões há anos por todo o mundo, sob o olhar atento de especialistas e pressão da socie- dade, especialmente daqueles que possuem em suas famílias casos pessoas com doenças crônicas, passíveis de serem tratadas com medicamentos à base da Cannabis. Ao longo dos anos, as pesquisas têm avançado nessa área. En- tretanto, apesar da urgência por uma solução, no Brasil, o impasse está na es- fera federal. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou, em janeiro de 2015, o uso terapêutico de canabidiol, que é um dos principais compostos ativos da Cannabis. Desde então, não houve muitos avanços no ambiente regu- latório nacional, uma vez que não se concretizou a abertura pela Anvisa de au- diência pública para tratar não somente da regulamentação da cultura da Can- nabis no Brasil, mas também da comercialização no mercado de acesso, voltada para ensaios clínicos e venda de produtos baseados em Cannabis. Se, no que tange a regulamentação, há um atraso nas definições nacio- nais, no que se refere à inovação, o Brasil saiu à frente do mundo no último ano, com o desenvolvimento de um processo totalmente inovador elaborado a partir de um contrato de transferência de know how da Unicamp para a startup Entou- rage Phytolab, uma empresa brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de medicamentos à base de Cannabis. O contrato de transferência de tecnologia foi aprovado pelo Conselho Uni- versitário, órgão máximo da Universidade, e negociado pela Agência de Inova- ção Inova Unicamp, com foco na aplicação da tecnologia de extração supercrí- tica para a obtenção seletiva de compostos ativos da Cannabis, que serão base para a composição de medicamentos. Depois da aprovação junto ao Conselho, o desenvolvimento ocorreu nos laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, pela professora Maria Ângela de Almeida Meireles e seu grupo de pesquisa. Maria Ângela explica que a Cannabis possui mais de 500 compostos ativos e que o 4 processo desenvolvido atua na extração de pelo menos 120 das famílias de THC (tetrahidrocanabinol), que é o composto ligado à sensação de relaxamento, re- dução da dor, e aumento do apetite, e do cannabidiol, que tem sido voltado mais recentemente para o tratamento de crianças com epilepsia refratária. Com o processo pronto, Maria Ângela afirma que a Entourage possui uma tecnologia muito avançada quando comparada às outras empresas no setor, pois obteve um produto totalmente diferenciado, a partir de matéria-prima certi- ficada e com um processo verde, que obtém compostos ativos sem resíduos. “Os processos de extração tradicionais aplicados às plantas podem obter com- postos com resíduos de solventes e neste caso, a aplicação medicinal pode ser prejudicada em função destes resíduos. Já no caso da extração supercrítica, o solvente é o dióxido de carbono que é 100% removido e pode ser reciclado, o que também tem uma função ecológica”, explica a docente. Atualmente os pesquisadores da Unicamp estão finalizando o estudo de aumento de escala. Caio Abreu, que é fundador da Entourage Phytolab, comenta que a em- presa está com o projeto pronto para construir as instalações farmacêuticas de acordo com as Boas Práticas de Fabricação, mas aguarda a evolução do marco regulatório para iniciar a construção da planta, que será na cidade de Valinhos (SP). “Existe uma urgência na regulamentação, pois muitas famílias no mundo inteiro vêm utilizando produtos sem controle de qualidade”, avalia Abreu. Segundo ele, com a tecnologia desenvolvida por meio da transferência de tecnologia na Unicamp, a Entourage tem condições de oferecer um produto far- macêutico de característica inovadora em caráter internacional. “A gente acredita no chamado efeito entourage, no qual os vários componentes da planta, trabalhando em conjunto, são mais seguros e eficazes do que as subs- tâncias isoladas. O nome da empresa vem daí. Com o processo desenvolvido na Unicamp pronto, nosso produto final precisa de três vezes menos cannabidiol, o que pode proporcionar menos efeitos colaterais, porém com eficácia”, avalia Abreu. Testes em humanos 5 Abreu explica que atualmente o principal produto da empresa está em fase de ensaios pré-clínicos no CIEnP (Centro de Inovação e Estudos Pré-Clíni- cos) em Florianópolis. “Os testes clínicos devem ser iniciados em 2019”, afirma o empreendedor. A futura indústria da cannabis no Brasil e o desafio do alto preço dos produtos Em busca da desmistificação da maconha como medicamento, foram anos de diálogo e luta pela liberação de produtos à base de cannabis para fins medicinais — que são bem diferentes de seu uso recreativo, vale salientar. Como parte do direito à saúde conquistado, no próximo mês, a partir do dia 10, entrará em vigor a regulamentação elaborada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que permitirá a comercialização desses produtos, em farmácias e drogarias, mediante à prescrição médicae sujeita a rígidos con- troles de qualidade. No entanto, esse regulamento traz uma série de particularidades, como a proibição do cultivo e produção da cannabis em solo brasileiro também para fins médicos. Em outras palavras, significa que todo o produto desenvolvido ou co- mercializado aqui deverá ser importado de outro país, onde sua plantação é le- galizada. A partir dessa limitação para a indústria brasileira, foi organizado o encon- tro The Future of Cannabis and Hemp in Latin America, em Punta del Este, no Uruguai, com a proposta de trocar conhecimentos entre países com uma legis- lação mais avançada sobre o tema, como Uruguai, Canadá, Portugal e Estados Unidos. 6 Nova regulamentação da Anvisa deve impulsionar empresas do ramo da cannabis no Brasil (Foto: Bair Gable/ Reuters) Anvisa liberou a maconha? Quais as ligações entre cannabis, ciência e Brasil? Presentes no evento uruguaio, a advogada Alessandra Mourão, uma das organizadoras do encontro e e sócia fundadora do escritório Nascimento e Mou- rão Advogados, e o empreendedor Eduardo Sampaio, que é CEO e fundador da Piauhy Labs Portugal e sócio da Grune Labs Uruguay, ambas empresas de cul- tivo e comercialização da cannabis para fins medicinais, conversaram com o Ca- naltech sobre os desafios desse incipiente mercado no Brasil. Legislações no mundo Com a recente regulamentação brasileira da Anvisa, que ainda não está em vigor, será permitida a produção de produtos a base de cannabis para fins medicinais. Até então, um paciente, para ter acesso a esses produtos, precisava de uma autorização judicial para sua importação. Agora, empresas localizadas no país poderão produzir seus próprios pro- dutos, desde que com matérias primas importadas. "Teremos que nos beneficiar de outros países que têm uma outra regulamentação, onde o cultivo é permitido, 7 para trazer o insumo [biomassa com os princípios ativos]. Necessariamente, a atividade de produção final brasileira terá que ser internacional”, explica a advo- gada Alessandra Mourão. Por isso mesmo é tão importante entender de que forma outros países lidam com a questão da maconha, seus usos e sua regulação. Nesse cenário, o Uruguai foi o primeiro país a estabelecer uma lei sobre cannabis no mundo, tanto para o uso medicinal quanto recreacional, em 2013. O projeto de lei (PL) enca- beçado pelo presidente da época, José Mujica, legalizava a produção, a venda e o consumo da planta com suas especificidades. Inclusive, criava uma agência específica para seu controle, o Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (IRCA). O empresário Eduardo Sampaio conta que é sócio de uma das primeiras empresas a solicitar a licença de produ- ção no país de origem espanhola, a Grune Labs Uruguay, e que "estamos em fase de expansão, esperando exportar os nossos produtos para o Brasil." Depois do Uruguai, foi a vez do Canadá regularizar formas de consumo da cannabis em seu território, de forma abrangente, sendo o primeiro entre os países desenvolvidos a legislar sobre o tema com o primeiro-ministro Justin Tru- deau, em 2018. No mesmo ano, Portugal, por iniciativa do congresso, aprovou um PL que permitia a criação de uma indústria de cannabis no país lusófono. Já no ano passado, foi a vez de Israel regulamentar seu uso através do parlamento. Maconha e saúde: entenda por que fumar é diferente de usar remédios Divisão norte-americana Nesse cenário internacional da cannabis medicinal, os Estados Unidos são um caso a parte. Cada estado tem as suas próprias leis a respeito do tema (inclusive, regiões que proíbem completamente o uso). No entanto, estados como o Colorado e a Califórnia são importantes players internacionais, principal- mente, por suas pesquisas de ponta relacionadas à planta. Há ainda outras re- giões, como Illinois, Maine, Massachusetts, Michigan e Nevada caminhando na mesma direção. 8 Para o mercado internacional da cannabis, ainda há série de leis e buro- cracias que travam seu crescimento, mesmo na área medicinal (Imagem: Shut- terstock) Só que, na ausência de uma lei federal que regulamente seu consumo, seja medicinal ou não, "a cannabis é classificada como schedule 1. Essa cate- goria significa, basicamente, que são substâncias com alto poder de causar da- nos para a sociedade e que não têm nenhum tipo de uso medicinal, como a heroína e o crack", explica Sampaio. Ainda segundo o empresário, essa postura pode ser entendida como "um crime contra o bom-senso." E nos poucos temas sobre os quais intermeia, a lei federal norte-ameri- cana proíbe a exportação de produtos com alta concentração de THC (substân- cia psicoativa da maconha), o que inviabiliza o uso de seus produtos no mercado internacional, como o Brasil. Dimensionando o problema, Sampaio comenta que "o tratamento para esclerose múltipla recomenda proporções iguais entre THC e CBD [canabidiol, outro composto da planta], ou seja, se eu não posso exportar produtos com THC, eu não posso exportar produtos dos estados Unidos para pacientes com escle- rose múltipla." Pelo fato da cannabis não ter uma jurisdição federal, oficialmente os ban- cos não podem se envolver com companhias do tipo. Isso porque as instituições financeiras poderiam ser considerados como colaboradoras em atividades de 9 lavagem de dinheiro. "Se eu estiver no estado do Colorado e tiver uma empresa devidamente licenciada, ainda sim essa empresa está à margem da lei e terá dificuldade em abrir conta em algum grande banco americano", exemplifica Sam- paio. Como os bancos costumam ter uma atuação global, as exigências ameri- canas se espalham por outros países, como o Uruguai, onde essas atividades são lícitas. Sobre a empresa em que é sócio, a Grune Labs Uruguay, Sampaio já teve as contas bancárias encerradas em dois bancos uruguaios, porque a ma- triz não permitia a prestação de seus serviços a essas companhias. Para soluci- onar o problema, corre no senado norte-americano a lei SAFE Banking Act, que visa regularizar as operações financeiras. Anvisa expõe dados de 1.900 pessoas que usam óleo de cannabis Mercado brasileiro Se pairam questões, de maneira geral, sobre a cadeia de produção e de consumo no mundo todo sobre a cannabis medicinal, isso não seria diferente no Brasil, ainda mais com sua tímida e ainda nova regulamentação. "A Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi) endereçou 20 per- guntas para a Anvisa sobre a regulamentação, tangindo pontos que não ficaram claros", ilustra a advogada Mourão. De acordo com a profissional, há questões que nem o órgão regulador tem uma posição definida ainda. “Estamos falando de uma planta que tem uma grande carga de preconceito por causa de seu uso recreativo", pontua. Mesmo com a regulamentação, para que "um paciente possa fazer uso de um produto a base de cannabis, é necessário uma declaração de próprio punho de que foram tentadas outras formas de tratamento para sua situação e, como não resta mais nenhum tratamento, irá usar um desses produtos", explica Mourão. “Estamos dando remédios para pessoas que têm doenças e que podem ser cuidadas com esse medicamento", enfatiza a advogada. No entanto, o termo "medicamento" é questionado pela própria Anvisa, em uma postura que Mourão considera "esquizôfrenica", já que a regulação proíbe que esses produtos à base 10 de cannabis sejam chamados de medicamentos. Inclusive, exigirá um rótulo es- pecial que esclareça isso, ao mesmo tempo que exige condutas de produção idênticas aos procedimentos para medicamentos. Independente desse cenário, Sampaio é otimista com as novas possibili- dades: “O Brasil será um dos maiores mercados do mundo para cannabis medi- cinal, mas essa realidade vai demorar um tempo para chegar." O empresário defende seu ponto de vista diante dalista de tratamentos para doenças à base da planta, que não para de crescer. De acordo com ele, "existe uma quantidade crescente de evidências de que medicamentos derivados de plantas do gênero cannabis são efetivas numa série de enfermidades." Alto valor dos produtos a base de cannabis pode criar um mercado paralelo (Foto: Reprodu- ção/ NutriOnline) Além disso, para Sampaio, "estima-se que numa primeira onda de acei- tação da cannabis medicinal, isso equivale ao alcance 0,4% da população. Em um segundo momento, esse número tem potencial de aumentar.” Em números, essa porcentagem da população brasileira equivaleria a mais de 80 mil pacien- tes. Atualmente, são cerca de 11 mil inscritos no programa de importação da Anvisa. Por enquanto, os tratamentos mais eficientes são para epilepsia refrataria — aqueles quadros que não respondem ao tratamento tradicional —, autismo, 11 tratamentos relacionados ao câncer e aos efeitos colaterais do tratamento, além das aplicações para a terceira idade, como em casos de dores crônicas e de- mências, principalmente as doenças de Parkinson e de Alzheimer. Consumo de cannabis pode trazer riscos para pessoas com problemas de coração Custos proibitivos Um dos maiores desafios para a implementação e popularização dos pro- dutos a base de cannabis no Brasil será o custo. Afinal, os tratamentos mais "populares" no país podem chegar a quatro mil reais. “Quantos pacientes podem gastar essa quantia com um único medicamento? Esse número é obviamente pequeno, por isso o custo nessa faixa de preço é proibitivo", explica Sampaio. De acordo com o empresário, os preços altos mostram algo de errado na cadeia de fornecimento desses medicamentos no país até agora, por isso mesmo os valores devem diminuir nos próximos meses. "Sei quanto custa pro- duzir, produzo no Uruguai com os melhores padrões que há no mercado, por exemplo, meu cultivo é indoor [em estufas] e toda nossa extração é feita com CO2 supercrítico, ainda assim é possível comercializar esses produtos por um décimo do que está sendo cobrado”, esclarece Sampaio. Outra questão é que muitos desses produtos comercializados no país nem chegam a ter um padrão elevado ou premium de produção, o que poderia justificar os altos preços. É o caso do "óleo de cânhamo industrial produzido nos Estados Unidos, em grandes hectares e colhido com tratores. Esses produtos deveriam custar um real, dois reais a cápsula", afirma Sampaio. Caso os preços desses produtos não se tornem mais acessíveis, é pos- sível que prejudiquem o próprio mercado, ainda em fase de desenvolvimento. Isso porque pacientes que precisem desses produtos, mas não têm condições financeiras pra adquiri-los, provavelmente optarão por vias ilícitas. Nesse sen- tido, Sampaio alerta para a possibilidade de produção caseira, afinal, trata-se de um extrato de planta de fácil obtenção, mas dificilmente na quantidade exata. "Não recomendo isso, principalmente, para distúrbios psiquiátricos, como au- tismo", já que os efeitos podem ser muito nocivos. Uma outra possibilidade que se abre é o surgimento de um mercado de produtos ilegais e não registrados que, em tese, pode vir a se tornar popular, 12 caso somente alguns tenham acesso a esses produtos por conta dos preços impraticáveis para a maioria da população. Dados confirmam que a maconha é o novo bitcoin Esqueça todos esses problemas Se até agora o problema vem sendo o plantio, o manuseio ou o uso da cannabis para tratamento de inúmeras doenças, isso pode acabar em breve. Já existem novas técnicas voltadas para a produção isolada das substâncias da cannabis, como o THC, a partir da biossíntese. De maneira geral, a técnica consite no uso de algum microorganismo vivo, como uma bactéria ou um fungo, que tem seu código genético modificado para a produção de outras substâncias, que ele naturalemnte não produziria. Esse processo é muito utilizado na produção da insulina (hormônio usado por diabéti- cos), mas nem sempre foi assim. Até os anos 70, a maior parte da insulina con- sumida no mundo era derivada de suínos, que é naturalmente muito parecida a humana. Só que a partir de 1975, foi possível reproduzir essa substância em laboratório e em maior escala, via biossíntese. Na área da cannabis, isso também se tornou possível. Embora existam pesquisas sobre a biossíntese há anos, até o ano passado, não eram viáveis comercialmente, ou seja, o custo de produção era muito mais caro do que o do plantio. Em fevereiro, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, solucionaram a questão da eficiência com determinadas alterações em uma bac- téria, chegando a um custo total parecido com o do plantio da erva. Com a produção economicamente viável de THC, CBD e outros canabi- noides da maconha, em laboratório, Sampaio desenvolve pesquisas na Piauhy Labs Portugal, onde é CEO, para descobrir microorganismos vivos capazes de realizar essa produção e, quem sabe, deixar para trás grande parte das discus- sões sobre a maconha como ainda é vista hoje no Brasil. 13 A situação da cannabis medicinal no Brasil A discussão sobre o uso de produtos a base de Cannabis já é pauta antiga e está no radar da Anvisa, órgão regulador, desde 2014. Dessa data em diante, a maconha entrou na lista de plantas e substâncias de controle especial do Mi- nistério da Saúde, possibilitando o registro de medicamentos com derivados da planta. Foi isso que ocorreu, em 2017, com o Mevatyl. De acordo com a Anvisa, desde 2015, existe um grupo de estudos dedi- cado a discutir o cultivo de maconha para fins medicinais e, finalmente, depois de muitas discussões, no último dia 3 de dezembro, a Anvisa aprovou o uso de produtos à base de Cannabis para fins medicinais no Brasil. Segundo a agência, no decorrer desse tempo, foram quase três mil pedidos de autorização excepci- onal para importação de remédios à base de Cannabis, sendo 7.700 pedidos autorizados. Com a decisão, fica legalizado o uso de maconha medicinal no Brasil. O que acontece agora é que produtos poderão ser vendidos em farmácias medi- ante apresentação de prescrição por profissional médico habilitado legalmente. O texto aprovado dispõe sobre os procedimentos para a concessão de autoriza- ção sanitária para a fabricação e a importação desses produtos. Também deter- mina requisitos para comercialização, prescrição, dispensação, monitoramento e fiscalização de produtos de Cannabis para fins medicinais. Como era antes O paciente que possuía indicação médica para o uso de produtos à base de maconha precisava de autorização para importação. As farmácias não po- diam vender os medicamentos, ainda que eles fossem produzidos pela indústria 14 internacional. Também era necessário o preenchimento de um formulário no site da Anvisa e que o paciente apresentasse um relatório médico e uma receita. A proposta que foi votada também previa o plantio para fins medicinais, com comercialização destinada somente a instituições de pesquisa e fabrican- tes, não podendo ser vendidos a pessoas físicas. No cultivo, as empresas deve- riam garantir plano de segurança e que fosse feito em ambiente fechado, com a utilização de barreiras, como grades. Nos locais de armazenamento e cultivo da planta seria necessário uso de biometria, portas de segurança com acesso eletrônico e intertravamento de por- tas. A proposta do cultivo foi arquivada. Exceção à regra Atualmente, no Brasil, existe apenas uma associação com autorização para cultivar maconha para fins medicinais, a Abrace (Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança). Localizada em João Pessoa (PB), a entidade aten- deu mais de 2.000 pessoas de todo o Brasil, incluindo países como Portugal e Argentina. Entre as pessoas atendidas, 100 famílias recebem o medicamento gratui- tamente por falta de condições financeiras. Nafila de espera da associação es- tão outras 1.000. Como funciona o processo para extração do Cannabidiol? O processo completo, do plantio ao cultivo, pode levar de oito a 24 sema- nas. Na Abrace, o espaço é dividido em duas áreas. Na verde, ficam as três estufas, separadas por períodos de germinação. Assim que as mudas estão prontas, a Cannabis é cultivada, separada e colocada em pequenos contêineres metálicos, protegidos por senha. Na área vermelha, onde ficam os laboratórios de extração e análise do óleo artesanal, o acesso é limitado e inspecionado pelo Ministério Público Fede- ral (MPF). É desse espaço que sai o chamado óleo Esperança, comercializado pela associação e usado para tratamentos de diversas doenças, entre elas, a Epilepsia, uma das que gera mais procura pela cannabis medicinal, por diminuir crises. São três tipos de óleos separados por cor (azul, verde e laranja). A diferença entre os óleos se dá na concentração e na predominância de tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), principais substâncias extraídas https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2019/07/31/conheca-a-unica-instituicao-que-pode-cultivar-maconha-medicinal-no-pais.htm http://www.mpf.mp.br/ http://www.mpf.mp.br/ 15 da maconha. A Abrace também produz uma pomada para uso em regiões de dores e inchaço, um óleo para vaporização e um spray nasal para interromper crises convulsivas. Entre colaboradores, voluntários e assalariados, são cerca de 25 funcio- nários distribuídos entre o laboratório, cultivo e dispensário. São farmacêuticos, psicólogos, assistentes sociais e químicos, entre outros, e todos precisam assi- nar um termo de ética para trabalhar na associação. Além da Abrace, 37 famílias têm habeas corpus concedido pela Justiça para plantar Cannabis, segundo levantamento da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas. Uso de maconha medicinal é aprovado pela Anvisa A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade a le- galização do uso medicinal da maconha. Foram 4 votos a 0 em sessão realizada na manhã desta terça-feira (3) em Brasília. A norma entra em vigor 90 dias após a publicação em Diário Oficial e os medicamentos podem ser vendidos em far- mácias. – Diretores pedem vistas e votação de propostas sobre cannabis é adiada na Anvisa | coluna: Viviane Sedola #2 O projeto tem relatoria de William Dib e prevê a produção de produtos à base de maconha, entre eles o canabidiol, além do plantio controlado da erva. A autorização para o plantio ainda precisa ser votada. 16 Anvisa aprova uso da maconha medicinal no Brasil “O novo marco regulatório cria uma nova base de produto sujeito à vigi- lância sanitária: os produtos à base de cannabis”, informa a Anvisa em nota. O órgão ressalta que as empresas interessadas devem apresentar “conjunto de dados e informações técnicas que comprovem a qualidade, limites de especifi- cação e métodos de controle de qualidade”. A expectativa é que a legalização da maconha medicinal facilite a impor- tação, além de regulamentar a fabricação de medicamentos no Brasil. Para se ter ideia, existem cerca de 14 mil pedidos de importação, sendo 12,5 mil aprova- dos, apreciados pela Anvisa. O processo deve ficar mais fácil para quem precisa, já que atualmente a autorização para o uso de medicamentos à base de cannabis vence em 12 me- ses. O paciente precisa enfrentar um calvário que dura, em média, três meses. – Por unanimidade, Anvisa aprova plantio de maconha medicinal Antes da votação histórica Rachel Ximenes, sócia da CM Advogados, mostrou otimismo com a aprovação, sobretudo com a criação de comissões es- peciais. “Diante desse cenário, a expectativa é que o tema entre em votação mais rápido do que aconteceria em um projeto de lei isolado, o que pode acontecer inclusive em sessões extraordinárias”, afirma Ximenes ao Hypeness. https://www.hypeness.com.br/2019/06/por-unanimidade-anvisa-aprova-plantio-de-maconha-medicinal/ 17 A decisão facilita a vida de quem precisa O Hypeness acompanha a sessão da Anvisa em Brasília. Projetos de lei apresentados em 2019: Projeto de Lei 5158/2019 – De autoria do Senador Eduardo Girão – PO- DEMOS/CE, visa, em sua ementa, obrigar o SUS a fornecer medicamentos que contenham canabidiol como único princípio ativo; Projeto de Lei 4776/2019 – De autoria do Senador Flávio Arns – REDE/PR, dispõe, em sua emente, sobre o uso da planta Cannabis para fins medicinais e sobre a produção, controle, fiscalização, importação e dispensação de medicamentos à base de Cannabis, seus derivados e análogos sintéticos; Projeto de Lei 5295/209 – De autoria da Comissão de Direitos Humanos, tem origem na SUG 06/2016, e que dispõe sobre a Cannabis medicinal e o cânhamo industrial. Cannabis medicinal: entenda como está a área no Brasil e no mundo Quer entender as aplicações da cannabis medicinal e quais são as pers- pectivas de crescimento desse mercado? Acesse nosso post! 18 Desde dezembro de 2019, está autorizado pela Agência Nacional de Vi- gilância Sanitária (Anvisa) a comercialização de produtos à base de cannabis — a planta da maconha — em farmácias do Brasil. É a chamada cannabis medici- nal, pois dela se extrai um composto químico (canabidiol ou CBD) que tem bons resultados em diferentes tratamentos de saúde. Apesar de muito preconceito em torno dessa questão, pelo fato de a ma- conha estar relacionada ao uso recreativo devido a seu efeito entorpecente, há um potencial grande de uso da substância da área médica — trazendo boas perspectivas para o mercado nacional e internacional que se volta ao setor. Quer compreender melhor o que é a cannabis medicinal, sua história, importân- cia e como essa área está se expandindo no Brasil e no mundo? Acompanhe os tópicos a seguir! 19 O que é cannabis medicinal? Cannabis medicinal, também chamada de maconha medicinal, é o uso dessa planta (cannabis sativa) para fins terapêuticos. Dela se obtém o CBD, composto capaz de ativar receptores que regulam o sistema imunológico e o sistema nervoso. Tem uma boa resposta por conta de seu efeito neurogênico e pode estimular novas sinapses, trazendo esperança a pacientes com Alzheimer, por exemplo. A cannabis é composta pelo tetra-hidrocanabidiol (THC), substância tó- xica e psicotrópica, e pelo canabidiol (CBD), com efeito analgésico ou relaxante. Então, apesar da resistência que muitas pessoas têm por relacionar à maconha, apenas o THC afeta as funções cerebrais, e não o CBD. Qual é a história da cannabis medicinal? Há relatos do uso da cannabis para fins medicinais em 2737 a.C., quando um imperador chinês já utilizava chá com a planta no tratamento de reumatismo, gota, malária e até problemas de memória. No ano 70, ela também apareceu na obra de um médico greco-romano como uma substância eficaz para inflama- ções. No século XV, já havia uso da maconha medicinal no Oriente Médio. No Brasil, a cannabis para fins terapêuticos foi trazida em 1808 por escravos africanos, disseminando-se entre os indígenas. Apesar de seus efeitos médicos serem conhecidos há tanto tempo, por aqui, somente em 2014 o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou o uso de medicamentos a base de CBD para crianças e adolescentes com epilepsia. Isso porque é comprovado que a substância reduz episódios convulsivos em pacientes com epilepsia grave, diminuindo o uso de outros medicamentos e tra- zendo qualidade de vida a essas pessoas. Qual é a importância dessa substância? Ela é importante no cenário da saúde devido a todo o seu potencial tera- pêutico em diferentes pacientes. Vários estudos estão em andamento visando a comprovar seus benefícios para alguns quadros e doenças, por isso, no futuro, há grandes chances de a substância ser prescrita para o tratamento de um nú- mero maior de pessoas.20 Naturalmente, ainda faltam pesquisas com maior amostragem para trazer mais dados sobre os efeitos da substância. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o CBD é um composto seguro quando tem indi- cação terapêutica, não tendo o risco de criar dependência no paciente. A seguir, veja os tratamentos que podem ter bons resultados com a cannabis medicinal: epilepsia; Alzheimer; Parkinson; esquizofrenia; dores neuropáticas; esclerose múltipla; redução dos efeitos da quimioterapia, como dor, náusea, vômito e fadiga; dependência de drogas; artrite; enxaqueca crônica. Autismo O uso do CBD pode ter bons efeitos em pessoas que estão no Transtorno do Espectro Autista (TEA). O composto químico ameniza quadros de ansiedade, irritabilidade, insônia e agressividade, refletindo-se em uma melhor qualidade de vida para os pacientes. Em crianças, há relatos de bons resultados acerca da linguagem e socialização depois de usar a substância. Como é o mercado canábico no Brasil e no mundo? Devido aos resultados promissores, cerca de 40 países já aprovaram o uso da cannabis medicinal, incluindo o Brasil diante da recente resolução da An- visa. Contudo, aqui no país, o plantio da maconha ainda não é permitido, por- tanto, a produção do CBD deve ser feita com matéria-prima que venha de fora. Outra questão é a necessidade de ser vendido pronto, não sendo permitida sua manipulação. Os produtos à base de cannabis podem ser comercializados para uso oral e nasal (comprimidos, líquidos ou soluções oleosas), beneficiando muitos paci- entes e movimentando o mercado da saúde. https://blog.unyleya.edu.br/guia-de-carreiras/entenda-a-relacao-entre-os-estudos-e-qualidade-de-vida/ https://blog.unyleya.edu.br/guia-de-carreiras/entenda-a-relacao-entre-os-estudos-e-qualidade-de-vida/ https://blog.unyleya.edu.br/inicie-sua-carreira/mercado-da-saude/ 21 É um segmento em franco crescimento que atrai a atenção de farmacêuticas e empreendedores. O mercado mundial de cannabis representou, em 2018, US$ 18 bilhões, e a estimativa é que essa cifra alcance os US$ 194 bilhões até 2026. A questão no Brasil é ainda esbarrar no preconceito em relação à maco- nha e o fato de ser uma droga ilegal no país. Como ingressar nesse setor promissor? A área da cannabis medicinal tem muito potencial de crescimento. Quem busca um setor promissor pode começar a se qualificar, fazendo uma pós em saúde. Existem cursos de especialização para esse nicho, como a pós-gradua- ção a distância de Cannabis Medicinal da Unyleya, com carga horária de 460h. É uma formação voltada a médicos, enfermeiros, administradores, advogados, engenheiros, biólogos ou outros profissionais que querem empreender nessa área em crescimento. A principal vantagem é estudar por meio de uma plataforma digital, tendo o acompanhamento individualizado do professor. É um curso para quem deseja se tornar um especialista no assunto, pois conta com uma grade curricular completa. O aluno acompanha diversos temas, como origem e história da Cannabis no Brasil, farmacologia, legislação e regulamentação da substância no Brasil e no mundo, além de: Gestão e Funcionamento do Mercado Canábico no Brasil e no Mundo; Utilização da Cannabis Medicinal para Tratamento de Enfermidades, Uso Tera- pêutico e outros Segmentos de Atuação; Processo de Fabricação da Cannabis Medicinal e Sistema de Controle de Qua- lidade na Produção; Técnicas do Cultivo e Manejo da Cannabis Medicinal; Utilização da Cannabis Medicinal para o Tratamento de Transtornos do Sistema Nervoso Central. Viu só como as perspectivas de ampliação do mercado da cannabis medicinal no Brasil é grande? Se você se interessa por esse setor, saia na frente: escolha uma especialização de qualidade voltada para esse segmento. https://blog.unyleya.edu.br/especialize-se/insights-confiaveis2/pos-graduacao-da-unyleya-e-boa/ https://blog.unyleya.edu.br/especialize-se/insights-confiaveis2/saiba-o-que-levar-em-consideracao-para-escolher-uma-especializacao/ https://blog.unyleya.edu.br/especialize-se/insights-confiaveis2/saiba-o-que-levar-em-consideracao-para-escolher-uma-especializacao/ 22 Gostou das informações que trouxemos neste post? Ficou interessado nessa pós-graduação? Conheça mais detalhes do curso de especialização 100% digi- tal da Unyleya voltado para cannabis medicinal! Fabricação de medicamentos Prática de fabricação: Manter sempre atualizados os POP’s (procedimentos operacionais padrões), a documentação de produção que garanta que a fabricação de produtos esteja dentro dos padrões de qualidade requeridos. Avaliar toda a infra-estrutura industrial e promover através de treinamentos os ajustes necessários à adequação de instalações e equipamentos, ajustar os ser- viços, avaliar e implantar a correta utilização dos materiais , recipientes e dos rótulos, e ainda o correto armazenamento e transporte dos produtos farmacêuti- cos. Controle de qualidade: Procedimentos de sanitização e limpeza em todas as fases da produção, a cor- reta utilização de saneantes e detergentes, bem como, verificar a potencialidade dos mesmos de se tornar um agente contaminante. Colaborar para que todas as etapas que envolvam a qualificação e validação de processos sejam conduzidos satisfatoriamente por todos os setores envolvidos. Investigar, identificar as causas e corrigir, qualquer indício de desvio da quali- dade do produto. Assegurar que a fabricação dos produtos seja efetuada de conformidade com os registros dos mesmos junto com o órgão sanitário competente. Definir as responsabilidade de seus subordinados, conferindo-lhes a autoridade https://unyleya.edu.br/pos-graduacao-ead/curso/cannabis-medicinal https://unyleya.edu.br/pos-graduacao-ead/curso/cannabis-medicinal 23 necessária para o correto desempenho de suas funções, conforme organo- grama. Participar juntamente com a garantia dos processos de QI (qualificação de instalação), QO (qualificação de operação) e o QD (qualificação de desem- penho), de calibração, validações de limpeza e de processo, participar da apro- vação e o monitoramento de fornecedores de materiais, aprovar e monitorar os fabricantes contratados, especificar e monitorar as condições de armazena- mento de materiais e produtos, arquivar os documentos e registros obtidos, bem como, inspecionar, investigar e acompanhar todas as etapas de fabricação, para eliminar os fatores que afetam a qualidade dos produtos e para monitorar e cum- priras boas práticas de fabricação. Monitoramento dos processos de fabricação: Promover o treinamento sistemático de seus colaboradores, visando a correta aplicação do controle de qualidade. Fazer cumprir rígida conduta de higiene pessoal e encaminhar ao setor competente todo e qualquer empregado ou servidor envolvido nas atividades, com enfermidade que possa colocar em risco a qualidade do produto. Monitorar o aparecimento de qualquer enfermidade. Avaliar as instalações industriais quanto a localização, projeto, construção e a adequação das atividades industriais desenvolvidas, visando a melhor lim- peza e manutenção, evitando a possibilidade de contaminação cruzada, e a cor- reta utilização das áreas considerando o tipo de produtos e suas características sensibilizantes. Obedecer as condições dos materiais quanto ao status de quarentena, aprovado ou rejeitado, como também a ordem de entrada e vencimento dos ma- teriais. A guarda de todos os produtos em condições de semi-elaborados, como também o fluxo dos materiais em toda a área. 24 Responsabilidades técnicas: A responsabilidade pelo correto preenchimento de toda a documentação de fabricação, garantido assim a sua recuperação e rastreabilidade de lotes. A responsabilidade pela checagem de todos os materiais utilizadosna produção de um lote, baseado na fórmula mestra, conferindo a quantidade de cada um deles, fazer toda a reconciliação dos materiais em cada fase do pro- cesso e calcular rendimento final do processo, acusando os desvios em relação ao teórico e quais explicações para a ocorrência dos mesmos, elaborar os rela- tórios de desvios de qualidade com justificativa para os mesmos. Auxiliar na qualificação de fornecedores de materiais-primas, materiais de embalagem necessários para a produção de medicamentos. Itens obrigatórios: Conhecer, acatar, respeitar e fazer cumprir o código de ética da profissão farmacêutica, e a legislação sanitária em vigor e fazer com que esta legislação seja cumprida pela empresa de sua responsabilidade. Apresentar aos órgãos competentes a documentação necessária à regu- larização da empresa, quanto às licença e autorização de funcionamento, bem como, para a autorização especial. Conferir os relatórios para os registros dos produtos que a empresa irá fabricar. Comunicar ao órgão competente a reprovação de matérias-primas, base- ado nos resultados de ensaios analíticos insatisfatórios, realizados pela própria empresa ou terceiro contratado, conforme formulário específico. Ampliar sempre seus conhecimentos técnicos-científicos para melhor de- sempenho do exercício profissional. Manter rigorosamente atualizados os registros de distribuição dos produ- tos para garantir a rastreabilidade dos lotes. Possuir conhecimento atualizado das normas sanitárias que regem o fun- cionamento da industria farmacêutica. 25 Ampliar os conhecimentos das boas práticas de fabricação para melhor executá-las. Capacitar-se para que possa avaliar os processos farmacêuticos e possa identificar e quantificar os riscos e os danos causados à saúde e ao meio ambi- ente. Supervisionar o comércio, a escrituração, a guarda, balanços, embalagem e material promocional das substâncias sujeitas a regime de controle especial. Assegurar a todos os envolvidos no processo de fabricação do produto, as condições necessárias ao cumprimento das atribuições, visando priorita- mente, a qualidade, eficácia e segurança do produto. Incentivar e promover programas de treinamento para todos os setores da empresa. Prestar sua colaboração aos conselhos federal e regional da farmácia a que está jurisdicionado, às autoridades sanitárias e também informar toda e qual- quer irregularidade detectada nos medicamentos fabricados na industria sob sua responsabilidade técnica. Manter-se informado de todas as reclamações recebidas pelo serviço de atendimento ao consumidor. Manter-se informado de toda e qualquer ação efetuada de recolhimento de produtos. Responsável técnico atem atividade privativa, exigência das autoridades sanitárias para o funcionamento da indústria de medicamento. Deverá exercer assistência técnica, que é o conjunto das atividades pro- fissionais que requer, obrigatoriamente a presença física do farmacêutico, dos serviços inerentes ao âmbito da profissão. Admite-se a presença de co-respon- sável quando se dá a ausência do efetivo. Canabinoides: pesquisa, análise e controle de qualidade 26 Recente avanço na pesquisa dos canabinoides, combinado com o au- mento da demanda por produtos, resultou em um foco maior na análise de amos- tras e controle de qualidade neste espaço de aplicação. Hoje em dia, a qualidade do produto, a consistência entre lotes e a pro- porção entre determinados compostos em uma amostra são aspectos importan- tes quando se lida com produtos à base de cannabis. Historicamente, as plantas de cannabis têm sido usadas para fins medicinais e recreativos. Restrições foram postas em prática no século passado, mas os países recentemente selecionados e alguns estados nos EUA legalizaram a cannabis para usos específicos ou relaxaram algumas das regras. Métodos analíticos confiáveis também são uma necessidade, conside- rando a fonte natural de compostos canabinoides e como seus níveis são eco- nomicamente relevantes para os produtores. Por exemplo, sabe-se que varia- ções na disponibilidade de água e na temperatura afetam as vias metabólicas nas plantas e a cannabis não é exceção. As condições climáticas podem afetar severamente a direção da produ- ção de metabólitos secundários, por exemplo, o crescimento e desenvolvimento das plantas, mas essas mudanças ambientais temporárias também podem influ- enciar a quantidade de canabinoides produzidos. Quando a variabilidade do pro- duto está além de uma faixa predeterminada, a mistura de extratos de plantas precisa ser tratada para fornecer consistentemente ao mercado. https://cmscientifica.com.br/canabinoides-pesquisa-analise-e-controle-de-qualidade 27 A análise de amostras de cannabis tornou-se uma área de foco para um número crescente de analistas e químicos medicinais à medida que mais labo- ratórios certificados abrem negócios para a identificação de ingredientes de can- nabis, e a potência do produto, bem como as proporções de canabinoides preci- sam ser determinadas. As instalações de processamento de cannabis precisam de controle de qualidade para fornecer produtos manufaturados consistentes ao mercado, para garantir ao consumidor que o produto atende às especificações e pode seguir a lista de declaração de ingredientes. Laboratórios que trabalham perto das insta- lações de fabricação usam métodos de HPLC para análise regular e controle de qualidade. O exemplo mostrado na figura é o cromatograma analítico de um padrão de referência que consiste em cinco principais compostos canabinoides usando o material da fase estacionária Kromasil Classic C18. O resultado mostra exce- lente formato de pico e resolução completa entre compostos, o que torna o Kro- masil um material ideal para este tipo de trabalho de laboratório. As colunas Kromasil e a granel são conhecidas por serem os mais efeti- vos em análises na indústria de produtos naturais para a análise e purificação de uma ampla variedade de substâncias. A Kromasil tem apoiado o sucesso de indústrias farmacêuticas, de produtos naturais, clínicas e ambientais a déca- das e é reconhecida no mercado por sua excelente seletividade, estabilidade mecânica e química superiores. https://cmscientifica.com.br/produto/coluna-cromatografica-para-hplc-kromasil-100-5-c18/ https://www.kromasil.com/ 28 REFERENCIAS BIBLOGRAFICAS ANVISA. Importação de canabidiol, 2018. Disponível em: . 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