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CARDIOLOGIA 4º BIMESTRE HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA - Condição multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). HAS PRIMÁRIA - Fatores modificáveis: Obesidade, sedentarismo, estresse, álcool, tabagismo, ingesta excessiva de sal. - Fatores não modificáveis: Idade e genética. FISIOPATOLOGIA: - PA = DC x RVP. - DC alto (aumenta FC ou volume sistólico). - RVP alto. - SRRA (angiotensina II gera vasoconstrição e aumento na síntese de aldosterona que retém sódio). - Tonûs simpático (aumenta atividade simpática). - Vasoconstrição (aumento do retorno venoso, aumentando a pré carga e DC). COMPLICAÇÕES: - Hipertensivas: “Fase maligna” AVC hemorrágico, IC, nefroesclerose, dissecção aórtica. - Aterosclerótica (HA longo prazo): Doença coronária, AVC isquêmica, doença vascular periférica. PARA CONFIRMAR HAS: - PA 120 bpm, diminuição da capacidade vital. - Diagnóstico 2 sinais maiores e 1 sinal maior e 2 menores. - Diagnóstico de IC é sempre baseado nos critérios de Framingham. - Objetivos do tratamento da IC: Reduzir a progressão, melhorar os sintomas, melhorar a qualidade de vida, reduzir a mortalidade, prevenir a morte súbita, reduzir o remodelamento cardíaco. - Tratamento farmacológico da IC: Betabloqueadores, antagonistas do SRAA (iECA, BRA, neprisilina), espironolactona, diuréticos. - Reduzir a mortalidade: iECA e BRA II. Betabloqueadores (Carvedilol, metoprolol, bisoprolol, nebivolol). ATEROSCLEROSE - Doença inflamatória crônica, sendo uma disfunção endotelial causada pela agressão do endotélio, combinação de fatores genéticos e ambientais. - Fatores de risco: Tabagismo, alterações de colesterol, diabetes, hipertensão arterial. - Fatores de risco não modificáveis: Idade, sexo masculino, hereditariedade. - Fatores de risco modificáveis: Dislipidemias, HAS, tabagismo, diabetes, obesidade. - Todos esses fatores podem evoluir de diversas formas, com ciclos de inflamação e cicatrização, levando a calcificação e estenose crônica da artéria. - Coração: Angina estável/crônica. - MMII: Doença vascular periférica, claudicação intermitentes, gerando dor/câimbra em exercícios. - Rim: Estenosedas artérias renais, pode complicar com hipertensão renovascular. - Processo degenerativo inerte ao envelhecimento, porém se intensifica com o passar do tempo. - Não possui cura. - Complicações: Doença arterial coronária (DAC), angina de peito, IC, arritmias, IAM, AVC, doença vascular periférica. FISIOPATOLOGIA: - Formação de células espumosas, estrias gordurosas na túnica intima, ateroma subendotelial, placa de ateroma, rompimento da placa causando, SCA, AVC e isquemia de MMII. - Em um ciclo de inflamação do vaso a parede da placa, desmancha podendo expor o material subendotelial que é trombogênico, formando trombos que levam a complicações agudas. - Trombos formados rapidamente, acarretam SCA por ruptura ou hemorragia da placa. Outra complicação é a formação de aneurismas por enfraquecimento da parede da artéria (principalmente artéria aorta). - Lesão endotelial – aumento da permeabilidade vascular – acúmulo de lipoproteínas, principalmente LDL na camada íntima do vaso – LDL oxidado. ATEROGÊNESE: - Ocorre no espaço subintimal (fronteira entre a camada íntima vascular e limitante elástica interna do vaso), onde o LDL penetra, recrutando macrófagos para fagocitá-lo, se tornando célula espumosa, que inicia o processo inflamatório que leva a formação da placa de ateroma. - Lesão endotelial, aumenta a permeabilidade vascular, ocorre acúmulo de lipoproteínas (LDL) na camada íntima do vaso, LDL oxidado, fagocitose do LDL oxidado, células espumosas, adesão plaquetária, recrutamento e proliferação de células musculares lisas, produção de MEC, cápsula fibrosa. - Mecanismo inflamatório: LDL oxidado potencializa ativação de macrófagos e produção de citocinas, aumento da adesão de leucócitos e produção de quimiocinas, recrutamento de células inflamatórias, estado inflamatório crônico. - Placas de ateroma costumam ocorrer em bifurcação dos vasos, pois para o sangue passar nesse trajeto de bifurcamento, gera um turbilhonamento desse sangue, aumentando sua força que se choca contra a parede do vaso (Shear Stress), força de cisalhamento, força de ruptura do vaso, por conta dessa pressão que está chegando na região. - As placas são dinâmicas e aumentam de volume progressivamente: Morte e degeneração das células, remodelamento da MEC, organização do trombo, calcificação. - Quanto maior a capa fibrosa, menor o núcleo lipídico e mais estável é a placa. PLACA DE ATEROMA: - Acúmulo de lipídios, ativação das células endoteliais, migração e ativação das células inflamatórias, recrutamento das células musculares lisas, proliferação e síntese de MEC, formação da capa fibrosa, ruptura, agregação das plaquetas, trombose. - Placa pequena: Jovem de aterosclerose, leva a um evento agudo, a placa se rompe por ter núcleo grande e capa fibrosa pequena, evoluindo para o quadro aguo. - Características de lesão de evento agudo: Pouca atenuação, expansão da placa para fora do vaso (pouca ou nenhuma estenose), estenose luminal tardia na aterogênese (o que acarreta o caso clinico). - Evolução para doença crônica: Depósito de cálcio, depósito de células musculares lisas, organização da placa, pouca inflamação. - Tudo isso acarretada obstrução significativa do vaso, cicatrização e redução do lúmen do vaso, com restrição de fluxo e assim levando a angina. ESTATINA: - Reduz a inflamação do vaso. - Aumenta a produção de colágeno intersticial. - Diminui LDL oxidado. - Diminui a produção de moléculas que causam perpetuação de cicatrização. - Aumenta atividade do NO (estabiliza função endotelial). - Aumenta fibrose na placa. - Diminui o potencial trombogênico. - Reduz a placa de ateroma. Estabilizam a placa de ateroma, estabiliza função endotelial e diminui o potencial trombogênico. IMPLICAÇÕES TERAPÊUTICAS: - Procedimentos de revascularização: Alívio sintomático. - Estatinas: Previnem evento primário e recorrentes (pouco efeito no grau da estenose). - Dietas hipolipemiantes + estatinas: Diminuem conteúdo de células inflamatórias, aumentam a deposição de colágeno intersticial. - Tratamento Hipergliceridemia: Metas terapêuticas, triglicerídeos (TG) o valor normal é ate 150, - TG > 500 mg/dL terapia apropriada (risco de pancreatite). - TG > 150 – 499 terapia individualizada. - Fibratos são redutores de TG, melhor usar estatina. DISLIPIDEMIA - Grupo de alterações do metabolismo das partículas lipídicas do sangue que estão intimamente relacionadas ao processo de aterosclerose. LIPOPROTEÍNAS: - Apoproteína estrutural é o que caracteriza o nome da da lipoproteína. - Função estrutural e enzimática. - Apo B-100: Função estrutural e constitui a estrutura VLDL, IDL, LDL, produzida no fígado, empacotada junto com partículas lipídicas, secretadas na forma de VLDL. - Apo B-48: Função estrutural e faz parte dos quilomícrons, produzida no epitélio intestinal, forma os quilomícrons. - Quilomícrons: Partículas grandes formadas por Apo B-48 e de baixa densidade, produzidas no epitélio intestinal, não penetram nos capilares intestinais porque são moléculas grandes. - LDL: Lipoproteína de baixa densidade, é a que mais temos no organismo quando estamos em jejum. Extremamente importante para o funcionamento das células ! - O fator da dislipidemia relacionada com a gordura visceral, é o baixo HDL e o alto LDL (síndrome metabólica). SÍNDROME CORONARIANA AGUDA - Sintomas clínicos compatíveis com isquemia aguda do miocárdio. - Angina instável: Sem marcadores de necrose. - IAM: Marcadores de necrose positivo. - IAM subendocárdico/sem supradesnível ST. - “Paciente com dor no peito, sem ST no eletrocardiograma, não tendo diagnóstico de infarto, com diagnóstico de SCA”. - Na angina instável os trombos vão para a periferia e fazem pequenas elevações de marcadores CKMB (20/30). - IAM transmural/ com supradesnível ST. - “Paciente com supradesnível de ST”. - Não esperamos alterar os marcadores de necrose para agirmos, não chegamos a fazer reperfusão pois é um infarto. - Também forma trombos, mas de forma mais organizada, rede de fibrina interrompe completamente o fluxo, não tenho nenhum fluxo, morrendo toda a extensão e com grande elevação de marcadores de necrose (CKMB = 300). SCA SEM SUPRADESNÍVEL: - Angina instável e infarto sem supradesnível ST. - Fisiopatologia: É a formação do trombo plaquetário instável. - Tratamento inicial é antiplaquetário, anti-trombótico, estabilizar o paciente e betabloqueador. - Temos que estabilizar a placa para impedir a formação do trombo organizado. - Anti-trombótico inibe as plaquetas e a trombina que catalisa a conversão de fibrinogênio em fibrina. TROMBO VERMELHO/PLAQUETÁRIO: - Trombo friável e instável, que se refaz, pode ser muito grande e ocluir totalmente a artéria (causa dor em repouso), quando ele se desfaz, o paciente melhora da dor, mas ao se refazer a dor volta. - Dor ou desconforto torácico ou alterações eletrocardiográficas compatíveis. - Elevação de marcadores de necrose miocárdica. - Elevação de troponina e/ou CKMB. - 85% das síndromes sem supra tem eletro normal. - Multifatorial: Ruptura ou erosão da placa (trombo não oclusivo). - Micro-embolização de agregados plaquetários, ocorre destruição miocárdica, elevação das enzimas. GRAVIDADE: - Classe I: Angina início recente (menos de 2 meses, frequente 3X ou mais ao dia), acelerada evolutivamente mais frequente ou a esforço progressivamente menores. - Classe II: Angina de repouso subagudo (1 ou mais episódios em repouso nos últimos 30 dias, última há mais de 48 horas). - Classe III: Angina de repouso aguda (1 ou mais episódios nas últimas 48 horas). CIRCUNSTÂNCIA: - Classe A: Angina estável secundária. - Classe B: Angina instável primária. - Classe C: Angina pós infarto (mais de 24 horas e menos de duas semanas pós infarto). INTENSIDADE: - Classe I: Sem tratamento ou tratamento mínimo. - Classe II: Terapia antianginosa usual. - Classe III: Terapia máxima. EXAMES COMPLEMENTARES: - Eletrocardiograma. - Marcadores de necrose (CKMB, troponina I e T, mioglobina). - Se a mioglobina estiver negativa não é infarto. - CKMB: Rápida, acuradahabilidade para detecção precoce de IAM. - Mioglobina: Alta sensibilidade, útil na detecção precoce do IAM. - Troponina: Melhor que CKMB, muito sensível e especifica, mas demora para alterar no sangue, mas persiste por até 2 semanas, útil para seleção de terapia. - Tratamento clínico: Morfina 2-4 mg EV (dor persistente), nitratos, betabloqueador, não DHP, iECA/BRA. - Terapia antiplaquetária: ASS, Clopidogrel, Prasurgel/Ticagrelor. - Terapia Anticoagulante: Heparina não fracionada, Enoxiaprina. CINEANGIOCORONARIOGRAFIA: - Cateterismo (Intervencionista): Primeiras 48 horas após SCA alto risco. - Conservadora: Não é feito de imediato, feito se o paciente piorar, exame de urgência. - IAM sem supra + angina instável de alto risco = Cateterismo. - AAS + Clopidrogel + betabloqueador + anticoagulação plena. - Realizar cateterismo precoce e angioplastia com colocação de stent = até 48 horas. SCA COM SUPRADESNÍVEL: - IAM com supradesnível de ST. - Reperfusão inicial, tentando abrir a artéria (Trombo de fibrina, já foi informado). - É uma emergência. - Trombo branco: Fibrina, trombo organizado muito rígido, ocluindo totalmente a luz do vaso, tudo a frente desse trombo morre (necrose transmural). - Reperfusão imediata ou trombólise, onde damos substâncias que lisa a fibrina ou até cateterismo mexendo mecanicamente no trombo. - Placa aterosclerótica vulnerável sofre uma ruptura ou erosão com formação de trombo oclusivo, causa mais comum é a fibrilação ventricular (desestabiliza eletro graficamente e morre). - Tamanho do Infarto: Território arterial ocluído, duração da oclusão, presença ou não de fluxo colateral, demanda de O2 no tecido isquêmico, capacidade de lise do trombo, fluxo sanguíneo adequado pós reperfusão. - Quanto maior o tamanho do infarto, maior o estrago, quanto antes reperfundimos a artéria, menor o tamanho do infarto e melhor prognóstico. - Dor intensa e prolongada. - Pode ser acompanhada de ansiedade, sudorese profusa, palidez, mãos frias, bradicardia, taquicardia, bradiarritmia, taquicardia sinusal (por estar perdendo miocárdio). - Paciente hipertenso por hiperatividade simpática ou hipotenso por choque. - Exames complementares: ECG