Prévia do material em texto
O aspectos e os costumes dos hunos Para um romano civilizado como Amiano Marcelino (c. 330-391) os Hunos revelavam-se de um primitivos e ameaçadores. A seguir lemos parte do relato do historiador romano: “O povo dos Hunos, pouco conhecido pelos antigos monumentos, excede todos os modos de ferocidade. Todos eles têm braços e pernas firmes, pescoços grossos, e são tão feios que os poderíamos tomar por animais. No entanto, eles possuem aspecto de homens, e, embora desagradáveis, são rudes no seu modo de vida, de tal maneira que não têm necessidade nem de fogo nem de comida saborosa; comem as raízes das plantas selvagens e a carne semicrua de qualquer espécie de animal que colocam entre as suas coxas e as costas dos cavalos para as aquecer um pouco. Vestem-se com tecidos de linho ou com as peles de ratos-silvestres costuradas umas às outras, e esta roupa serve tanto para uso doméstico como de fora. Uma vez que colocaram no pescoço uma túnica desbotada, não a tiram ou mudam até que, pelo uso do dia a dia, se desfaça em tiras e caia aos pedaços. Eles cobrem as cabeças com chapéus redondos e protegem as pernas cheias de pelos com peles de cabra; os seus sapatos não têm forma nenhuma e por isso os impedem de caminhar livremente. Por esta razão, não estão nada adaptados a guerrearem a pé, vivendo quase que fixados aos cavalos, que são fortes, mas disformes. É nos seus cavalos que de dia e de noite aqueles que vivem nesta nação compram e vendem, comem e bebem e, inclinados sobre o estreito pescoço do animal, descansam num sono tão profundo que pode ser acompanhado de sonhos variados. Ninguém entre eles pratica a agricultura. Todos vivem sem um lugar fixo, sem lar, nem lei ou uma forma de vida estabilizada, parecendo sempre fugitivos. As mulheres tecem horríveis vestimentas, dão à luz aos filhos e criam as crianças até à puberdade. Nenhum deles, se for interrogado, poderá dizer de onde é, porque, concebido num lugar, nasceu já em outro ponto e foi educado ainda mais longe.” Características dos alanos Da mesma forma que com os Hunos, o nomadismo e o espírito guerreiro dos Alanos foram as características que mais impressionaram o autor romano Amiano Marcelino (c. 330-391). “Quase todos os Alanos são altos e formosos, com os cabelos quase loiros, um olhar terrível e perturbado, ligeiros e velozes no uso das armas. Em tudo são semelhantes aos Hunos, mas na maneira de viver e nos costumes, menos selvagens. Assim como para os homens sossegados o repouso é agradável, assim eles encontram prazer no perigo e na guerra: É considerado feliz aquele que sacrificou a sua vida na batalha, enquanto que àqueles que envelheceram e deixaram o mundo por uma morte mais tranquila são chamados de covardes. Não existe nada de que mais se orgulhem do que de matar um homem, quem quer que seja: como uma recompensa gloriosa do assassinato, cortam-lhe a cabeça, arrancam-lhe a pele e colocam-na sobre os seus cavalos de guerra. Não se vê entre eles nem um templo, nem um lugar sagrado, mas com um ritual bárbaro enterram no chão uma espada desembainhada e adoram-na reverentemente, como ao deus Marte, a divindade principal destas terras por onde vagueiam”. A partir da leitura do texto, agora é hora de trabalhar como um historiador e questionar o documento par atentar encontrar características que permitam compreender sobre o período estudado. Para isso, leia às perguntas e discuta com os colegas sobre as respostas antes de escrevê-las no papel. 1) A partir da descrição apresentada sobre os hunos, podemos dizer que os romanos os consideravam “civilizados”? Há alguma relação entre as práticas da agricultura e do comércio? Comente. 2) Os romanos pareciam achar normal a forma de alimentação dos hunos? Por que? 3) Após a leitura do texto e do que foi discutido em sala, o uso do termo “bárbaro” pode ser considerado positivo ou negativo? Justifique. 4) Consulte o mapa da página 21. Você consegue dizer ao menos cinco países atuais que foram ocupados pelos povos bárbaros no passado? 5) Agora que você já sabe um pouco sobre os povos germânicos, faça um desenho que represente suas características a partir da forma como foram descritos nos textos.