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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
Sumário 
DIREITO CONSTITUCIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS.............................................................. 3 
1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS...................................................................................................................... 4 
2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS.......................................................................................................9 
2.1 Direitos x Garantias x Remédios Constitucionais...................................................................................9 
2.2 Direitos Fundamentais x Direitos Humanos........................................................................................ 10 
2.3 Geração dos direitos fundamentais.....................................................................................................12 
2.4 Características dos direitos fundamentais...........................................................................................18 
2.5 Dimensão dos Direitos Fundamentais................................................................................................. 21 
2.5.1 Desdobramentos da dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais.........................................22 
2.6 Direitos individuais implícitos e explícitos........................................................................................... 23 
2.7 Destinatários........................................................................................................................................25 
2.8 Os Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988............................................................... 26 
2.8.1. Não taxatividade dos direitos fundamentais e tratados de direitos humanos..........................26 
2.8.2. Hierarquia dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos..................................................27 
2.9 Deveres Fundamentais........................................................................................................................ 28 
2.10 Alguns direitos individuais – rol do art. 5º da CF/88......................................................................... 29 
3. DIREITOS SOCIAIS.........................................................................................................................................61 
 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
DIREITO CONSTITUCIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA 
CF/88 
⦁
 Art. 1º, III 
⦁
 Art. 3º 
⦁
 Art. 4º, 5º, 6º e 7º 
⦁
 Art. 8º a 11º 
 
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS 
⦁
 Lei nº 9.296/96 (Lei de interceptação telefônica) 
⦁
 Lei nº 9.455/97 (Lei de tortura) 
⦁
 Lei nº 7.716/90 (Lei de racismo) 
⦁
 Lei nº 12.037/2009 (Lei de Identificação criminal) 
⦁
 Lei nº 12.016/2009 (Lei do mandado de segurança) 
⦁
 Lei nº 13.300/2016 (Lei do mandado de injunção) 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! 
PRINCIPAIS INCISOS DO ART. 5º, CF/88: 
⦁
 Inc. I, II, IV 
⦁
 Inc. III e XLII (leitura conjunta com a Lei nº 7.716/90) 
⦁
 Inc. VIII (leitura conjunta com o art. 15, IV, CF/88) 
⦁
 Inc. XI (leitura conjunta com os arts. 3-B, XI; 240, §1º e 243 do CPP) 
⦁
 Inc. XII (leitura conjunta com a Lei nº 9.296/96) 
⦁
 Inc. XVI a XXI (muito cobrados em prova objetiva!) 
⦁
 Inc. XXXIII a XXXV 
⦁
 Inc. XXXVII (leitura conjunta com o inc. LIII – princípio do juiz natural) 
⦁
 Inc. XXXIX e XL (leitura conjunta com o art. 1º e 2º do CP) 
⦁
 Inc. XLIII a LV (leitura obrigatória!) 
⦁
 Inc. LVI (leitura conjunta com o art. 157, CPP) 
⦁
 Inc. LVII e LX 
⦁
 Inc. LVIII (leitura conjunta com o art. 3º, 4º e 5º da Lei nº 12.037/2009) 
⦁
 Inc. LXI a LXVII (leitura conjunta com os art. 301 a 310, CPP) 
⦁
 Inc. LXVIII 
⦁
 Inc. LXIX e LXX (leitura conjunta com a Lei nº 12.016/2009) 
⦁
 Inc. LXXI (leitura conjunta com a Lei nº 13.300/2016) 
⦁
 Inc. LXXII a LXXVIII 
⦁
 §§1º e 3º 
 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA 
Súmula 444-STJ: É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a 
pena-base. 
Súmula 403-STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da 
imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. 
Súmula 2-STJ: Não cabe o habeas data (CF, art. 5º, LXXII, letra "a") se não houver recusa de informações 
por parte da autoridade administrativa. 
Súmula vinculante 1-STF: Ofende a garantia constitucional do ato jurídico perfeito a decisão que, sem 
ponderar as circunstâncias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de acordo constante do 
termo de adesão instituído pela Lei Complementar nº 110/2001. 
Súmula 654-STF: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição da 
República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado. 
Súmula 280-STJ: O art. 35 do Decreto-Lei n° 7.661, de 1945, que estabelece a prisão administrativa, foi 
revogado pelos incisos LXI e LXVII do art. 5° da Constituição Federal de 1988. 
Súmula vinculante 25-STF: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do 
depósito. 
Súmula 419-STJ: Descabe a prisão civil do depositário infiel. 
 
1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 
 
Partindo-se da compreensão de que a Constituição consiste num sistema aberto de regras e 
princípios e que a Constituição é uma norma principiológica por natureza, é preciso identificar parâmetros 
sérios para a boa compreensão dos princípios e, consequentemente, das normas constitucionais como um 
todo. 
Conforme Dworkin, os princípios são normas jurídicas que, em que pese não tragam em si soluções 
prontas e acabadas para os casos concretos, direcionam a decisão dos juízes a soluções justas que 
respeitem a equidade das relações jurídicas e a integridade do sistema jurídico. Já para Alexy, num sentido 
próximo, mas não idêntico ao de Dworkin, os princípios são normas jurídicas que estabelecemdo 
regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais de que a República 
Federativa do Brasil seja parte". 
 
● Eventual novo direito individual criado por meio de emenda constitucional é considerado cláusula 
pétrea? 
NÃO. Segundo Gilmar Mendes, deve-se ter em mente que as cláusulas pétreas “se fundamentam na 
superioridade do poder constituinte originário sobre o de reforma”, de maneira que somente o primeiro 
pode criar obstáculos à atuação do segundo. Não faz sentido, do ponto de vista lógico, permitir que o 
poder reformador crie limites invencíveis a si mesmo. 
Assim, conclui Gilmar Mendes que “não é cabível que o poder de reforma crie cláusulas pétreas. 
Apenas o poder constituinte originário pode fazê-lo”. Caso EC crie um novo direito fundamental, este não 
será cláusula pétrea. 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
É preciso distinguir, contudo, a situação em que uma EC apenas especifica, detalha ou incrementa 
um direito fundamental já criado, sem inovar no rol de direitos. Nesse caso, ainda que introduzida por EC, a 
novidade é considerada cláusula pétrea. Para Gilmar Mendes “é o que se deu, por exemplo, com o direito à 
prestação jurisdicional célere somado ao rol do art. 5º da Constituição pela EC 45/04. Esse direito já existia, 
como elemento necessário do direito de acesso à justiça – que há de ser ágil para ser efetiva – e do 
princípio do devido processo legal, ambos assentados pelo constituinte originário”. 
 
Classificação dos direitos fundamentais explícitos: 
● Direitos individuais e coletivos: direitos ligados ao conceito de pessoa humana e sua própria 
personalidade, com, por exemplo, vida, dignidade da pessoa humana, honra, liberdade, etc. Estão 
espalhados pela CF/88, mas uma grande parte concentra no art. 5º; 
● Direitos sociais: caracterizam-se como verdadeiras liberdades positivas, de observância obrigatória 
em um Estado Social de Direito, tendo por finalidade a melhoria das condições de vida aos 
hipossuficientes; 
● Direitos de nacionalidade: nacionalidade é o vínculo jurídico-político que visa ligar um indivíduo a 
certo e determinado Estado fazendo deste indivíduo um componente do povo, da dimensão pessoal 
deste Estado, capacitando-o a exigir sua proteção e sujeitando-o ao cumprimento de deveres 
impostos; 
● Direitos políticos: conjunto de regras que disciplina as formas de atuação da soberania popular. São 
direitos públicos subjetivos que permitem ao indivíduo o exercício concreto da liberdade de 
participação nos negócios políticos do Estado; 
● Direitos relacionados à existência, organização e participação em partidos políticos: a Constituição 
Federal regulamentou os partidos políticos como instrumentos necessários e importantes para 
preservação do Estado Democrático de Direito, assegurando-lhes autonomia e plena liberdade de 
atuação, para concretizar o sistema representativo. 
 
2.7 Destinatários 
 
Os destinatários das normas dos direitos individuais, que são os direitos fundamentais, são os seres 
humanos, os indivíduos. Isso porque os direitos fundamentais surgiram com o intuito de proteção do 
indivíduo em face das arbitrariedades do Estado. 
Segundo dispõe o art. 5º, caput, da CF/88, os destinatários dos direitos fundamentais elencados na 
Carta Maior são: os brasileiros e os estrangeiros residentes no Brasil. 
 
● E os estrangeiros não residentes no Brasil que apenas se encontram em trânsito no solo nacional? 
 Para a doutrina, os estrangeiros não residentes no Brasil também são destinatários de direitos 
fundamentais conforme dignidade da pessoa humana, interpretação sistemática e a característica da 
universalidade. Veja: 
 
Dirley da Cunha - “O artigo 5º, caput deve ser interpretado a partir da unidade da 
Constituição, para se entender que todas as pessoas, físicas ou jurídicas, nacionais 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
ou estrangeiras, com residência ou não no Brasil, são destinatárias dos direitos e 
garantias fundamentais previstas na CF, salvo quando a própria Carta Maior excluir 
algumas delas”.CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional. 13ª ed. 
Salvador: Juspodivm, 2022. 
 
Professor Bruno Pinheiro - A característica da universalidade dos direitos 
fundamentais fundamenta a interpretação extensiva do art. 5º, caput, da CF/88, 
permitindo a aplicação dos direitos fundamentais aos apátridas, aos estrangeiros 
não residentes no país. 
 
Há, portanto, direitos que se asseguram a todos, independentemente da 
nacionalidade do indivíduo, porquanto são considerados emanações necessárias 
do princípio da dignidade da pessoa humana. Alguns direitos, porém, são 
dirigidos ao indivíduo enquanto cidadão, tendo em conta a situação peculiar que o 
liga ao País. Assim, os direitos políticos pressupõem exatamente a nacionalidade 
brasileira. Direitos sociais, como o direito ao trabalho, tendem a ser também não 
inclusivos dos estrangeiros sem residência no País (MENDES, Gilmar Ferreira; 
COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito 
Constitucional, 5ª ed., pg.350-351. São Paulo: Saraiva, 2010). 
 
● Pessoas jurídicas são titulares de direitos fundamentais? 
 R.: Para a maioria da doutrina e para o STF, SIM! Pessoa Jurídica de Direito Privado e Pessoa 
Jurídica de Direito Público podem ser titulares, bastando analisar casuisticamente quais direitos 
fundamentais se compatibilizam com a condição de pessoa jurídica. 
 Naturalmente que o direito fundamental deve estar em harmonia com a natureza jurídica da pessoa 
jurídica. Ex. podem sofrer dano moral (súmula 227 do STJ), mas não podem ser pacientes de HC. 
 Atenção (1): existem direitos fundamentais catalogados na CF que são concebidos especificamente 
para as pessoas jurídicas. – art. 5º, XIX, XXI, etc. 
 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas 
atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito 
em julgado; 
 XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm 
legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; 
 
 Atenção (2): pessoas jurídicas de direito público, apesar de integrarem o Estado (polo passivo dos 
direitos fundamentais), gozam de direitos fundamentais, desde que compatíveis com a sua condição. 
 
2.8 Os Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988 
 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 A CF de 88 estabeleceu um rol compromissório de direitos fundamentais que condensa diversas 
ideologias consagradas em direitos de 1º, 2ª e 3ª dimensões. Aproximou-se do denominado liberalismo 
igualitário, que busca se equilibrar entre a proteção das liberdades civis e a redução das desigualdades 
sociais. 
 
 Obs.1: princípio da indivisibilidade - os direitos das diferentes gerações não se excluem, na 
verdade, se interpenetram, sofrendo influência mútua. Ou seja, uma geração fortalece o advento da outra. 
Isto porque compõem um conjunto único de direitos que se relacionam entre si de forma harmônica. De 
acordo com este princípio, todos os direitos humanos devem contar com a mesma proteção jurídica. 
 Obs.2: não há hierarquia entre os direitos fundamentais, pois a Constituição brasileira não 
permite hierarquização prévia e abstrata entre os direitos fundamentais. 
 
2.8.1. Não taxatividade dos direitos fundamentais e tratados de direitos humanos 
 
O ordenamento jurídico brasileiro adotou um sistema aberto de direitos fundamentais, não se 
podendo considerar taxativo o rol do seu artigo 5º. 
 
CF, Art. 5º, § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem 
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados 
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 
 
Ingo Sarlet faz a seguinte divisão: 
a) Direitos formalmente constitucionais → os incluídos pelo Poder Constituinte originário no 
catálogo de direitos fundamentais (estão presentes no art. 5º ou no título II da CF/88). 
b) Direitos materialmente constitucionais → direitos que não se encontram no rol formal da CF/88, 
mas possuem status de fundamentais haja vista seu conteúdo jusfundamental (não importando o 
local de positivação). A baliza para saber qual conteúdo confere à norma status de direito 
fundamental é a dignidade da pessoa humana (princípio-matriz de todos os direitos fundamentais 
e fundamento da República Federativa do Brasil). A fundamentalidade material dos direitos 
fundamentais decorre da abertura da Constituição a outros direitos fundamentais não 
expressamente constitucionalizados. O aspecto material dos direitos fundamentais nasce da 
essência do seu conteúdo substancial normativo. CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito 
constitucional e teoria da constituição. 4º ed. Coimbra: Almedina. 
 
 Conforme ensina André de Carvalho Ramos, a abertura dos direitos humanos pode se dar de forma 
nacional ou internacional. A abertura internacional ocorre quando são editados novos tratados ou mesmo 
com os avanços na proteção internacional dos direitos humanos. Por sua vez, a abertura nacional ocorre 
através da inclusão de novos direitos fundamentais em nosso ordenamento e também com a interpretação 
evolutiva e ampliativa dos tribunais nacionais. 
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 A cláusula materialmente aberta prevista no §2º do art. 5º da CF/88 decorre do reconhecimento da 
dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado (art. 1º, III). A consequência disso é que o rol de 
direitos fundamentais é meramente exemplificativo. 
 
2.8.2. Hierarquia dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos 
 
 O art. 5º, §3º da CF/88 foi introduzido pela EC 45/2004 (conhecida como reforma do Poder 
Judiciário). 
 Esse dispositivo prevê que os tratados internacionais sobre direitos humanos que observarem o 
procedimento de incorporação análogo ao das Emendas Constitucionais terão paridade normativa, isto é: 
terão status normativo de emendas constitucionais. 
 Que procedimento de incorporação é esse? 
● Aprovação em cada Casa do Congresso Nacional; 
● Em 2 turnos de votação; 
● Com pelo menos 3/5 dos votos dos respectivos membros. 
 
● E os tratados internacionais de direitos humanos que não observarem o procedimento especial do 
art. 5º, §3º da CF, não sendo aprovados pelo quórum constitucional? 
 R.: Segundo a doutrina majoritária e o Supremo Tribunal Federal, os Tratados Internacionais de 
Direitos Humanos internalizados sem a observância do procedimento estabelecido no art. 5, §3º, da CF/88 
terão hierarquia normativa supralegal: acima das leis e abaixo da Constituição. 
 Esse status normativo de supralegalidade tem o efeito de bloquear a legislação infraconstitucional 
que com eles seja incompatível, análise de compatibilidade que é chamado de controle de 
convencionalidade pela doutrina especializada. 
 Por fim, os Tratados Internacionais que não versam sobre direitos humanos terão hierarquia 
infraconstitucional, com status normativo equivalente à lei ordinária. 
 
RESUMINDO: 
Tratado internacional SOBRE DIREITOS 
HUMANOS, aprovado pelo mesmo rito da 
Emenda Constitucional (art. 5º, §3º) 
 
 
 
Status normativo de emenda constitucional. 
Tratado internacional SOBRE DIREITOS 
HUMANOS, aprovado com quórum 
diverso das emendas constitucionais 
 
 
Status normativo de supralegalidade: superior 
às leis e inferior à Constituição. 
Tratados Internacionais QUE NÃO 
VERSAM SOBRE DIREITOS HUMANOS 
Independente do procedimento e quórum de 
votação terão status normativo de leis 
ordinária. 
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2.9 Deveres Fundamentais 
 
 Além de direitos fundamentais, há os deveres fundamentais. A doutrina é vasta em discorrer sobre 
os direitos fundamentais, porém, pouca atenção se dá aos deveres fundamentais. Conforme o professor 
Pedro Lenza “diante da vida em sociedade, devemos pensar, também, a necessidade de serem observados 
os deveres, pois muitas vezes o direito de um indivíduo depende do dever do outro em não violar ou 
impedir a concretização do referido direito” (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, pg. 
1154). 
Conforme o autor Bernardo Gonçalves 
 
Porém, em detrimento dessa conduta, o Estado Social e o constitucionalismo 
social, bem como o Estado Democrático de Direito e atual constitucionalismo do 
Estado Democrático de Direito, vão buscar inspiração na tutela dos interesses da 
comunidade (e não só do indivíduo considerado isoladamente). Esses ditos valores 
sociais, que convivem (ou devem conviver em equilíbrio em uma democracia) com 
os projetos e concepções individuais (de vida), devem ser respeitados e tutelados 
pelo Estado e também pelos particulares. Nesses termos, "O reconhecimento de 
deveres fundamentais diz respeito à participação ativa dos cidadãos na vidapública e implica em um empenho solidário (de responsabilidade social) de todos 
na transformação das estruturas sociais”. Surge, então, daí a noção de deveres 
fundamentais. (GONÇALVES FERNANDES, Bernardo. Curso de Direito 
Constitucional. Salvador: Juspodivm) 
 
Pode-se esquematizar alguns deveres fundamentais: 
-Dever de efetivação dos direitos fundamentais - Estado prestacionista; 
-Deveres específicos do Estado diante dos indivíduos - ex. dever de indenizar o condenado por erro 
judiciário; 
-Deveres de criminalização do Estado - ex. art. 5°, XLIII, da CRFB; 
- Deveres dos cidadãos e da sociedade - ex. serviço militar obrigatório; 
- Dever de exercício do direito de forma solidária e levando em consideração os interesses da 
sociedade - ex. direito de propriedade que se leva em consideração o exercício conforme a sua função 
social; 
- Deveres implícitos - o direito de uma pessoa pressupõe o dever de todas as demais. 
 
2.10 Alguns direitos individuais – rol do art. 5º da CF/88 
 
A. DIREITO À VIDA: 
 
CRFB, Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
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inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
 
Está relacionado à existência física de um ser humano. O art. 5º, caput, da CF assegura a 
inviolabilidade do direito à vida em relação ao Estado e em relação aos demais indivíduos. 
Inviolabilidade difere de irrenunciabilidade: a inviolabilidade diz respeito à proteção de um direito 
em face de outras pessoas, enquanto que a irrenunciabilidade diz respeito à proteção de um direito em face 
do próprio titular. 
O direito à vida compreende o direito ao mínimo necessário a uma existência digna, que abrange: 
 
1. Direito à integridade física: direito à saúde, vedação de pena de morte, proibição do 
aborto, etc.; 
2. Direito a condições materiais e espirituais mínimas necessárias a uma existência digna. 
 
● Dupla acepção do direito à vida (NOVELINO, 2017, p. 325): 
 
1. Acepção positiva: está associada ao direito à existência digna, que assegura o acesso a bens 
e utilidades indispensáveis para isso. Ela não se limita ao mínimo existencial, pois garante 
também pretensões de caráter material e jurídico, de modo que os poderes públicos devem 
adotar medidas positivas de proteção da vida, de amparo material e de emissão de normas 
protetivas; 
2. Acepção negativa: é o direito assegurado a todo e qualquer ser humano de permanecer 
vivo. É um direito de defesa e um pressuposto elementar para o exercício de todos os 
demais direitos. Uma decorrência dessa acepção é a proibição da pena de morte (art. 5º, 
XLVII, “a”, da CF). 
 
A ponderação de direitos depende de uma análise no caso concreto (nunca em abstrato) que deve 
sempre levar em consideração o princípio pro homine (pro persona), em que o intérprete prefira a 
interpretação dos direitos humanos que seja mais favorável à pessoa e a máxima efetividade, de modo que 
se alcance o maior proveito possível para o titular, com o menor sacrifício aos titulares dos demais direitos. 
Contudo, considerando-se que são inevitáveis algumas colisões de direitos fundamentais, é possível 
que estes sofram limitações diante de outros que sejam igualmente relevantes. Assim, de forma 
excepcional, pode haver a restrição ou mesmo a derrogação de alguns direitos. Exemplo de que o direito à 
vida não é um direito absoluto: existência da pena de morte no ordenamento jurídico brasileiro. 
 Obs. Vale ressaltar que nem mesmo o poder constituinte originário poderia ampliar as hipóteses de 
pena de morte diante da observância do princípio da continuidade e proibição do retrocesso. 
 
DESACORDOS MORAIS RAZOÁVEIS 
 
Segundo o professor Pedro Lenza: Desacordos morais razoáveis surgem em razão de inexistência de 
consenso em relação a temas polêmicos e com entendimentos antagônicos e diametralmente opostos e 
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que se fundam em conclusão racional, como, por exemplo, a interrupção da gravidez. Assumir uma das 
posições significa negar a outra, e essa realidade é marca de uma sociedade plural, característica das 
democracias modernas (posições religiosas, morais, filosóficas etc.). 
Nessas matérias, como regra geral, o papel do direito e do Estado deve ser o de assegurar que cada pessoa 
possa viver sua autonomia da vontade e suas crenças. 
Exemplos: interrupção de gestação, pesquisas com células-tronco embrionárias, eutanásia/ortotanásia, 
uniões homoafetivas, etc. 
 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE DIREITO À VIDA: 
 
1) ADI 3510 – Pesquisa em Células Tronco Embrionárias 
O art. 5º da Lei de Biossegurança autoriza a utilização do material biológico para fins de pesquisa, 
terapia, etc., desde que sejam embriões inviáveis, ou, ainda que embriões viáveis, com mais de três anos de 
armazenamento. 
O art.5º foi impugnado na sua constitucionalidade porque se chegou a cogitar eventual violação da 
dignidade da pessoa humana, por considerar que o ser humano estaria sendo tratado como coisa. 
Decisão do STF: o STF concluiu, por votação bastante apertada, que as pesquisas com 
célula-tronco embrionária, nos termos da lei, não violam o direito à vida. A constatação de que a vida 
começa com a existência do cérebro (segundo o STF e sem apresentar qualquer análise axiológica ou 
filosófica) estaria estabelecida, também, no art. 3.º da Lei de Transplantes, que prevê a possibilidade de 
retirada de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento depois da 
morte desde que se constate a morte encefálica. Logo, para a lei, o fim da vida dar-se-ia com a morte 
cerebral, razão pela qual é nessa linha que o conceito de vida está ligado (surgimento do cérebro). 
Conclusão: O art. 5° da Lei nº 11.105/2005 (Lei de Biossegurança) é plenamente constitucional, 
não havendo qualquer violação ao direito à vida. Isso porque o art. 5° toma os cuidados necessários, usa 
efetivamente as pesquisas científicas para fins terapêuticos, etc., sem trazer nenhum efeito deletério ou 
coisificante para a pessoa que forneceu o material biológico. 
 
2) ADPF 54 – Aborto de Feto Anencéfalo 
Desconsiderando os aspectos moral, ético ou religioso, tecnicamente, em relação à interrupção da 
gravidez de feto anencéfalo, desde que se comprove, por laudos médicos, com 100% de certeza, que o feto 
não tem cérebro e não há perspectiva de sobrevida. 
Nessa linha de desenvolvimento, o STF, para seguir a lógica do julgamento anterior (célula-tronco), 
teria de autorizar a possibilidade de antecipação terapêutica do parto. A imposição estatal da manutençãode gravidez cujo resultado final será irremediavelmente a morte do feto vai de encontro aos princípios 
basilares do sistema constitucional, mais precisamente à dignidade da pessoa humana, à liberdade, à 
autodeterminação, à saúde, ao direito de privacidade, ao reconhecimento pleno dos direitos sexuais e 
reprodutivos de milhares de mulheres. 
Conforme o Ministro Marco Aurélio, “o ato de obrigar a mulher a manter a gestação, colocando-a 
em uma espécie de cárcere privado em seu próprio corpo, desprovida de um mínimo essencial de 
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autodeterminação e liberdade, assemelha-se à tortura ou a um sacrifício que não pode ser pedido a 
qualquer pessoa ou dela exigido.” 
O STF, então, julgou procedente o pedido formulado para declarar a inconstitucionalidade de 
interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo é conduta tipificada nos arts. 
124, 126 e 128, I e II, todos do Código Penal. Assim, enalteceu o direito à dignidade da pessoa humana, à 
liberdade no campo sexual, à autonomia, à privacidade, à integridade física, psicológica e moral e à saúde. 
Em outras palavras: o STF excluiu qualquer interpretação no sentido de que a interrupção da gestação de 
feto anencéfalo pudesse ser catalogada como aborto. Justamente por isso fala-se que não se trata de 
aborto, mas sim de uma interrupção da gestação em razão da inexistência de uma vida possível. Os 
fundamentos foram, dentre outros, direito à dignidade da pessoa humana, à liberdade no campo sexual, à 
autonomia, à privacidade, à integridade física, psicológica e moral e à saúde. 
Obs. Não é possível a concessão de salvo-conduto autorizando a realização de procedimento de 
interrupção da gravidez, em aplicação, por analogia, do entendimento firmado no julgamento da ADPF n. 
54/STF, quando, embora o feto esteja acometido de condição genética com prognóstico grave (Síndrome 
de Edwards e cardiopatia grave), com alta probabilidade de letalidade, não for possível extrair da 
documentação médica a impossibilidade de vida fora do útero. STJ. HC 932.495-SC, Rel. Ministro Messod 
Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 6/8/2024. (Info 820) 
 
Caiu em prova Delegado RR/2022! A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada na ADPF no 54, que 
autoriza a realização voluntária do aborto de feto anencefálico teve como um dos seus expressos 
fundamentos: intepretação constitucional sem redução de texto (item correto). 
 
Caiu em prova Delegado BA/2022! A Constituição Federal de 1988 dispõe que todos são iguais perante a 
lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Com relação aos 
direitos fundamentais e o entendimento jurisprudencial dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa 
correta: É possível a interrupção da gravidez quando houver diagnóstico de anencefalia do feto. 
 
3) HC 124.306 - Interrupção voluntária da gestação no primeiro trimestre 
O STF conferiu interpretação conforme à Constituição aos arts. 124 a 126 do Código Penal para 
excluir do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre. Os 
Ministros entenderam que a criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, 
bem como o princípio da proporcionalidade, nos termos do voto do Min. Barroso (HC 124.306, j. 
29.11.2016, DJE de 17.03.2017). Os fundamentos também foram, dentre outros, direito à dignidade da 
pessoa humana, à liberdade no campo sexual, à autonomia, à integridade física, psicológica e moral e à 
saúde. 
Mas atenção, diante do exposto, a interrupção da gravidez no primeiro trimestre não deixou de ser 
considerada crime, já que a questão decidida pela 1 a Turma do STF foi na concessão de HC e, portanto, 
sem caráter vinculante. 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 
4) Distanásia, eutanásia, suicídio assistido e ortotanásia 
Distanásia: também chamada de obstinação terapêutica ou medical futility, trata-se de conduta 
onde não se prolonga a vida propriamente dita, mas o processo de morrer. No Brasil, a exposição de 
motivos da Resolução nº 1.805/2006 do Conselho Federal de Medicina permite ao médico limitar ou 
suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal, de 
enfermidade grave e incurável, respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal. De acordo 
com Jean Robert Debray, são procedimentos terapêuticos cujos efeitos são mais nocivos do que o próprio 
mal a ser curado e acabam por negar a dignidade da vida humana. 
Eutanásia: conhecida como “morte serena”, “morte doce” ou “boa morte”, tem o fim de abreviar a 
vida do doente terminal. É uma ação médica intencional com exclusiva finalidade benevolente de pessoa 
que se encontre em situação irreversível e incurável, padecendo de intensos sofrimentos físicos e psíquicos. 
De acordo com Lenza: 
“Atualmente, não tendo ainda o STF apreciado a matéria, a eutanásia enseja a 
prática do crime previsto no art. 121, § 1.º, CP, qual seja, homicídio privilegiado, já 
que praticado por motivo de relevante valor moral e, por esse motivo, a prescrição 
normativa da causa de diminuição de pena. Alguns autores o denominam 
‘homicídio por piedade’.” 
 
Acrescente-se que a eutanásia ativa não se confunde com a eutanásia passiva. Esta última consiste 
na omissão de um tratamento que poderia garantir a continuidade da vida ao passo que a primeira é a ação 
deliberada de matar (seja ministrando medicamento ou suprimindo tratamento já iniciado). 
Suicídio assistido: em algumas situações, a pessoa doente em estágio terminal quer pôr fim ao seu 
sofrimento, contudo, em virtude das suas debilidades, não tem condições de o fazer sem auxílio. 
Ortotanásia: é uma prática sensível ao processo de humanização da morte, consistindo em uma 
aceitação desta, permitindo que ela siga seu curso. Visa aliviar as dores sem incorrer em prolongamentos 
abusivos que imponham sofrimentos adicionais. Para a doutrina, seria uma forma de eutanásia ativa 
indireta em que os mecanismos de sustentação artificial da vida são retirados ou de eutanásia passiva, 
onde não se inicia uma ação médica. De acordo com Ingo Sarlet: “A ideia de bom senso, prudência e 
razoabilidade deve ser considerada, deixando claro não haver, ao menos explicitamente, qualquer vedação 
constitucional ao dito ‘direito de morrer com dignidade’ (...).” 
 
B. DIREITO À IGUALDADE: 
 
Está previsto no art. 5º, caput e inciso I, da CF/88: 
 
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se 
aos brasileiros e aos estrangeirosresidentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...). 
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta 
Constituição; 
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a) Concepções da igualdade: 
● Concepção formal: é a igualdade perante a lei e perante o Estado. Por essa concepção, a igualdade 
impede que os indivíduos sejam tratados pelos poderes públicos de maneira diversa. Trata-se de 
uma concepção estática e negativa, insuficiente para solucionar as desigualdades sociais; 
● Concepção material: representa o tratamento igual dos iguais e o tratamento desigual daqueles em 
situações desiguais. Por essa concepção, a igualdade deve adotar critérios distintivos justos e 
razoáveis, de modo que os poderes públicos devem adotar medidas concretas para reduzir ou 
compensar desigualdades. 
 
IGUALDADE FORMAL IGUALDADE MATERIAL 
É a igualdade perante a lei e perante o 
Estado, impedindo que os indivíduos sejam 
tratados pelos poderes públicos de maneira 
diversa 
É o tratamento igual dos iguais e o 
tratamento desigual aos desiguais na 
medida em que se desigualam. 
 
Deve adotar critérios distintivos justos e 
razoáveis, de modo que os poderes públicos 
devem adotar medidas concretas para 
reduzir ou compensar desigualdades 
 
 Confira a dica da Professora Thaianne: 
 
https://youtu.be/f6uK8WsoSnM 
 
 
b) Dimensões da igualdade (NOVELINO, 2017, p. 340): 
 
● Dimensão objetiva: é a igualdade compreendida como princípio material estruturante do Estado 
brasileiro que impõe o tratamento igual para os iguais e desigual para os desiguais, bem como 
ações voltadas à redução das desigualdades sociais e regionais; 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
● Dimensão subjetiva: confere a indivíduos e grupos posições jurídicas de caráter negativo (proteção 
contra diferenciações ou igualizações arbitrárias) e de caráter positivo (direito a exigir determinadas 
prestações materiais e jurídicas destinadas à redução de desigualdades). 
 
Certo é que, no atual Estado Democrático de Direito, deve-se buscar, não somente a igualdade 
formal (consagrada no liberalismo clássico), mas, principalmente, a igualdade material. Isso porque, no 
Estado social ativo, efetivador dos direitos humanos, imagina-se uma igualdade mais real perante os bens 
da vida, diversa daquela apenas formalizada em face da lei. 
 
Caiu em prova Delegado RJ/2022! Com relação ao direito à igualdade, expressamente previsto no art. 5.º 
da Constituição Federal de 1988, assinale a opção correta: Analisando-se o princípio da igualdade com 
relação ao particular, verifica-se que este não poderá tratar os demais membros da sociedade de maneira 
discriminatória, atingindo direitos fundamentais por meio de condutas preconceituosas, sob pena de 
responsabilização civil e até mesmo criminal, quando o ato for tipificado como crime. Assim, é vedado ao 
particular, na contratação de empregados, por exemplo, utilizar qualquer critério discriminatório com 
relação a sexo, idade, origem, raça, cor, religião ou estado civil. 
 
C. DIREITO À DIGNIDADE HUMANA: 
É um valor, um princípio, servindo como parâmetro para a definição dos direitos formal e 
materialmente fundamentais. 
 
APROFUNDANDO: ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL 
 
- Inspiração: Corte Constitucional Colombiana. 
- Definição: Quadro insuportável de violação massiva de direitos fundamentais, agravado pela inércia 
continuada das autoridades. 
- Pressupostos: 
● Violação generalizada e sistemática de direitos fundamentais; 
● Inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a conjuntura; 
● Situação que exige a atuação de uma pluralidade de autoridades públicas. 
 
Sistema prisional brasileiro: estado de coisas inconstitucional decorrente da violação grave e massiva de 
direitos fundamentais - ADPF 347/DF (Info 1111, STF) 
 
De acordo com o STF, há um estado de coisas inconstitucional no sistema carcerário brasileiro, 
responsável pela violação massiva de direitos fundamentais dos presos. Tal estado de coisas demanda a 
atuação cooperativa das diversas autoridades, instituições e comunidade para a construção de uma 
solução satisfatória. Diante disso, União, Estados e Distrito Federal, em conjunto com o Departamento de 
Monitoramento e Fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (DMF/CNJ), deverão elaborar planos a 
serem submetidos à homologação do Supremo Tribunal Federal, especialmente voltados para o controle 
da superlotação carcerária, da má qualidade das vagas existentes e da entrada e saída dos presos. 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
A situação de grave violação em massa de direitos fundamentais dos presos enseja o 
reconhecimento de um estado de coisas inconstitucional do sistema prisional brasileiro. A superação 
desse problema de natureza estrutural exige do Poder Público a elaboração de um plano nacional e de 
planos locais que prevejam um conjunto de medidas e a participação de diversas autoridades e entidades 
da sociedade. 
Conforme ressaltou a Corte, a proteção dos direitos fundamentais é inerente à condição humana. 
Assim, tem-se que tanto as normas constitucionais como os tratados internacionais de direitos humanos 
de que o Brasil é parte proíbem a existência de penas cruéis, garantem ao preso o respeito à sua 
integridade física e moral, bem como preveem que a pena será cumprida em estabelecimentos distintos 
de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado. 
 
Caiu na prova Delegado RJ/2022! A respeito da figura denominada Estado de coisas inconstitucional, é 
correto afirmar que: encontra fundamento nos casos de inadimplemento reiterado de direitos 
fundamentais pelos poderes do Estado, sem que haja possibilidade de remédio para vias tradicionais, 
ocasião em que o tribunal assume o papel de coordenador de políticas públicas por meio da denominada 
tutela estruturante. 
 
Ainda sobre a violação de direitos humanos e o estado de coisas inconstitucional, o STF decidiu 
(ADPF 976 MC-Ref/DF,Info 1105), em relação à população em situação de rua, que: estão presentes os 
pressupostos necessários para a concessão da medida cautelar (fumaça do bom direito e perigo da demora 
na efetivação de uma decisão judicial), eis que: (i) a discussão acerca das condições precárias de vida da 
população em situação de rua no Brasil demanda uma reestruturação institucional que decorre de um 
quadro grave e urgente de desrespeito a direitos humanos fundamentais; e (ii) a violação maciça de direitos 
humanos — a indicar um potencial estado de coisas inconstitucional — impele o Poder Judiciário a intervir, 
mediar e promover esforços para estabelecer uma estrutura adequada de enfrentamento. 
 
D. DIREITO À SAÚDE 
 A saúde é direito de todos e dever do Estado (art. 196 da CF/88), sendo assegurada por meio de 
políticas sociais e econômicas que busquem: 
● A redução do risco de doença e de outros agravos; e 
● O acesso universal e igualitário às ações e serviços voltados à sua promoção, proteção e 
recuperação. 
 
 Quando se fala na dimensão objetiva do direito à saúde, isso significa que, independentemente de 
um caso concreto, existe um dever jurídico geral do Poder Público de concretizar medidas para garantir as 
políticas públicas de saúde. 
 De acordo com Lenza, assim como os demais direitos sociais, tal direito possui duas vertentes. Uma 
positiva, onde se fomenta um Estado prestacionista para implementar o direito social; e outra negativa, 
onde o Estado ou particular devem se abster da prática de atos que sejam prejudiciais a terceiros. 
 Cuidar da saúde da população é uma competência COMUM que deve ser exercida por todos os 
entes federados. 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 
CRFB, Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios: 
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas 
portadoras de deficiência; 
 
Critérios para a concessão judicial de medicamentos não incorporados às listas de dispensação do 
SUS 
Teses fixadas: 
“1. A ausência de inclusão de medicamento nas listas de dispensação do Sistema 
Único de Saúde - SUS (RENAME, RESME, REMUME, entre outras) impede, como 
regra geral, o fornecimento do fármaco por decisão judicial, independentemente 
do custo. 
2. É possível, excepcionalmente, a concessão judicial de medicamento registrado 
na ANVISA, mas não incorporado às listas de dispensação do Sistema Único de 
Saúde, desde que preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos, cujo 
ônus probatório incumbe ao autor da ação: (a) negativa de fornecimento do 
medicamento na via administrativa, nos termos do item ‘4’ do Tema 1.234 da 
repercussão geral; (b) ilegalidade do ato de não incorporação do medicamento 
pela Conitec, ausência de pedido de incorporação ou da mora na sua apreciação, 
tendo em vista os prazos e critérios previstos nos artigos 19-Q e 19-R da Lei nº 
8.080/1990 e no Decreto nº 7.646/2011; (c) impossibilidade de substituição por 
outro medicamento constante das listas do SUS e dos protocolos clínicos e 
diretrizes terapêuticas; (d) comprovação, à luz da medicina baseada em 
evidências, da eficácia, acurácia, efetividade e segurança do fármaco, 
necessariamente respaldadas por evidências científicas de alto nível, ou seja, 
unicamente ensaios clínicos randomizados e revisão sistemática ou meta-análise; 
(e) imprescindibilidade clínica do tratamento, comprovada mediante laudo médico 
fundamentado, descrevendo inclusive qual o tratamento já realizado; e (f) 
incapacidade financeira de arcar com o custeio do medicamento. 
3. Sob pena de nulidade da decisão judicial, nos termos do artigo 489, § 1º, incisos 
V e VI, e artigo 927, inciso III, § 1º, ambos do Código de Processo Civil, o Poder 
Judiciário, ao apreciar pedido de concessão de medicamentos não incorporados, 
deverá obrigatoriamente: (a) analisar o ato administrativo comissivo ou omissivo 
de não incorporação pela Conitec ou da negativa de fornecimento da via 
administrativa, à luz das circunstâncias do caso concreto e da legislação de 
regência, especialmente a política pública do SUS, não sendo possível a incursão 
no mérito do ato administrativo; (b) aferir a presença dos requisitos de 
dispensação do medicamento, previstos no item 2, a partir da prévia consulta ao 
Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NATJUS), sempre que disponível na 
respectiva jurisdição, ou a entes ou pessoas com expertise técnica na área, não 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
podendo fundamentar a sua decisão unicamente em prescrição, relatório ou laudo 
médico juntado aos autos pelo autor da ação; e (c) no caso de deferimento judicial 
do fármaco, oficiar aos órgãos competentes para avaliarem a possibilidade de sua 
incorporação no âmbito do SUS.” STF. RE 566.471/RN, relator Ministro Marco 
Aurélio, redator do acórdão Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento virtual 
finalizado em 20.09.2024. (Info 1152) 
 
Liberdade religiosa: tratamento médico alternativo compatível com as convicções religiosas do 
paciente 
Teses fixadas: 
RE 979.742/AM - “1. Testemunhas de Jeová, quando maiores e capazes, têm o 
direito de recusar procedimento médico que envolva transfusão de sangue, com 
base na autonomia individual e na liberdade religiosa. 2. Como consequência, em 
respeito ao direito à vida e à saúde, fazem jus aos procedimentos alternativos 
disponíveis no Sistema Único de Saúde - SUS, podendo, se necessário, recorrer a 
tratamento fora de seu domicílio". 
RE 1.212.272/AL - “1. É permitido ao paciente, no gozo pleno de sua capacidade 
civil, recusar-se a se submeter a tratamento de saúde, por motivos religiosos. A 
recusa a tratamento de saúde, por razões religiosas, é condicionada à decisão 
inequívoca, livre, informada e esclarecida do paciente, inclusive, quando veiculada 
por meio de diretivas antecipadas de vontade. 2. É possível a realização de 
procedimento médico, disponibilizado a todos pelo sistema público de saúde, com 
a interdição da realização de transfusão sanguínea ou outra medida excepcional, 
caso haja viabilidade técnico-científica de sucesso, anuência da equipe médica 
com a sua realização e decisão inequívoca, livre, informada e esclarecida do 
paciente". STF. RE 979.742/AM, relator Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento 
finalizado em 25.09.2024 (Info 1152) 
 
Pessoas transexuais e travestis: direito ao atendimento médico de acordo com as suas 
necessidades biológicas e direito à correta identificação nas DNVs de seus filhos 
O Ministério da Saúde, em observância aos direitos à dignidade da pessoa 
humana, à saúde e à igualdade (CF/1988, arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, caput, e 6º, caput), 
deve garantir atendimento médicoa pessoas transexuais e travestis, de acordo 
com suas necessidades biológicas, e acrescentar termos inclusivos para englobar a 
população transexual na Declaração de Nascido Vivo (DNV) de seus filhos. STF. 
ADPF 787/DF, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento finalizado em 
17.10.2024. (Info 1155) 
 Poder Público pode determinar a vacinação compulsória contra a Covid-19 (o que é diferente de 
vacinação forçada) 
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A tese fixada foi a seguinte: (A) A vacinação compulsória não significa vacinação 
forçada, por exigir sempre o consentimento do usuário, podendo, contudo, ser 
implementada por meio de medidas indiretas, as quais compreendem, dentre 
outras, a restrição ao exercício de certas atividades ou à frequência de 
determinados lugares, desde que previstas em lei, ou dela decorrentes, e (i) 
tenham como base evidências científicas e análises estratégicas pertinentes, (ii) 
venham acompanhadas de ampla informação sobre a eficácia, segurança e 
contraindicações dos imunizantes, (iii) respeitem a dignidade humana e os direitos 
fundamentais das pessoas; (iv) atendam aos critérios de razoabilidade e 
proporcionalidade, e (v) sejam as vacinas distribuídas universal e gratuitamente; e 
(B) tais medidas, com as limitações acima expostas, podem ser implementadas 
tanto pela União como pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, respeitadas as 
respectivas esferas de competência. STF. Plenário. ADI 6586, Rel. Min. Ricardo 
Lewandowski, julgado em 17/12/2020. 
 
É ilegítima a recusa dos pais à vacinação compulsória de filho menor por motivo de convicção 
filosófica 
 
É constitucional a obrigatoriedade de imunização por meio de vacina que, 
registrada em órgão de vigilância sanitária, (i) tenha sido incluída no Programa 
Nacional de Imunizações ou (ii) tenha sua aplicação obrigatória determinada em 
lei ou (iii) seja objeto de determinação da União, estado, Distrito Federal ou 
município, com base em consenso médico-científico. Em tais casos, não se 
caracteriza violação à liberdade de consciência e de convicção filosófica dos pais 
ou responsáveis, nem tampouco ao poder familiar. STF. Plenário. ARE 1267879/SP, 
Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 16 e 17/12/2020 (Repercussão Geral – 
Tema 1103) (Info 1003). 
 
E. DIREITO À INTEGRIDADE 
 
A Carta Magna proíbe a prática de lesões, psíquica e moral (provocação de dor interna e 
sofrimento). Ademais, veda a prática da tortura, bem como qualquer tipo de comercialização de órgãos, 
tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento (art. 199, §4º). 
 
F. PROIBIÇÃO DA TORTURA 
 
Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante 
(art. 5º, III, da CF/88). 
 
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● Não esquecer que parcela da doutrina defende que o direito de não ser torturado é um exemplo de 
direito fundamental absoluto, sendo uma exceção à característica da relatividade dos direitos 
fundamentais. 
● Uso de algemas e a Súmula Vinculante 11: “o uso legítimo de algemas não é arbitrário, sendo de 
natureza excepcional, a ser adotado nos casos e com as finalidades de impedir, prevenir ou dificultar a 
fuga ou reação indevida do preso, desde que haja fundada suspeita ou justificado receio de que tanto 
venha a ocorrer, e para evitar agressão do preso contra os próprios policiais, contra terceiros ou contra 
si mesmo. O emprego dessa medida tem como balizamento jurídico necessário os princípios da 
proporcionalidade e da razoabilidade” (HC 89.429, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 22.08.2006, DJ de 
02.02.2007). 
 
Súmula Vinculante nº 11: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de 
fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por 
parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob 
pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de 
nulidade da prisão ou do ato processo a que se refere, sem prejuízo da 
responsabilidade civil do Estado. 
 
A respeito do uso de algemas em pessoas menores de idade, o STF possui o seguinte entendimento: 
 
Em se tratando de menor de idade, além das balizas fixadas na Súmula Vinculante 
nº 11, a necessidade de utilização de algemas apresentada pela autoridade policial 
deve ser avaliada pelo Ministério Público e submetida ao Conselho Tutelar, que se 
manifestará a respeito das providências relatadas. STF. Rcl 61.876/RJ, relatora 
Ministra Cármen Lúcia, julgamento finalizado em 07.05.2024. (Info 1136) 
 
G. DIREITO À PRIVACIDADE – DIMENSÕES 
 
Art. 5°, X, da CRFB - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem 
das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação; 
 
● Intimidade: é o direito de estar só (right to be alone) e o direito de ser deixado em paz. 
● Vida privada: é o direito do indivíduo de ser do modo que quiser, sem a intervenção de outrem. 
● Honra: ligada à honra objetiva (visão da sociedade) e honra subjetiva (visão da própria pessoa). 
● Imagem: é a representação da pessoa, por meio de desenhos, fotografias. 
 
É constitucional norma que permite, mesmo sem autorização judicial, que 
delegados de polícia e membros do Ministério Público requisitem de quaisquer 
órgãos do Poder Público ou de empresas da iniciativa privada o repasse de dados e 
informações cadastrais da vítima ou dos suspeitos em investigações sobre os 
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https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6723955
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6723955
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
crimes de cárcere privado, redução a condição análoga à de escravo, tráfico de 
pessoas, sequestro relâmpago, extorsão mediante sequestro e envio ilegal de 
criança ao exterior (CPP/1941, art. 13-A) STF. ADI 5.642/DF, relator Ministro Edson 
Fachin, julgamento finalizado em 18.04.2024. (Info 1133). 
 
O direito à retratação e ao esclarecimento da verdade possui previsão na 
Constituição da República e na Lei Civil, não tendo sido afastado pelo Supremo 
TribunalFederal no julgamento da ADPF 130/DF. O princípio da reparação 
integral (arts. 927 e 944 do CC) possibilita o pagamento da indenização em 
pecúnia e in natura, a fim de se dar efetividade ao instituto da responsabilidade 
civil. Dessa forma, é possível que o magistrado condene o autor da ofensa a 
divulgar a sentença condenatória nos mesmos veículos de comunicação em que 
foi cometida a ofensa à honra, desde que fundamentada em dispositivos legais 
diversos da Lei de Imprensa. STJ. 3ª Turma. REsp 1771866-DF, Rel. Min. Marco 
Aurélio Bellizze, julgado em 12/02/2019 (Info 642). Fonte: Dizer o Direito 
 
É legítimo, desde que observados alguns parâmetros, o compartilhamento de 
dados pessoais entre órgãos e entidades da Administração Pública federal, sem 
qualquer prejuízo da irrestrita observância dos princípios gerais e mecanismos de 
proteção elencados na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 
13.709/2018) e dos direitos constitucionais à privacidade e proteção de dados. 
STF. Plenário. ADI 6649/DF e ADPF 695/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 
15/9/2022 (Info 1068). 
 
 
● Privacidade e sigilo bancário e fiscal: o STF admite a quebra do sigilo pelo Judiciário ou por CPI (federal 
ou estadual, mas não municipal), mas resiste a que o MP possa requisitá-la diretamente, por falta de 
autorização legal específica, salvo a hipótese de existir procedimento administrativo investigando 
utilização indevida de patrimônio público. 
 
LC 105/2001 E QUEBRA DE SIGILO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA3 
- A Lei Complementar n.º 105/2001 atribui a agentes tributários, no exercício do poder de fiscalização, o 
poder de requisitar informações referentes à operação e serviços das instituições financeiras, 
independente de autorização judicial. Inicialmente, nos autos do RE 389808, o STF entendeu NÃO ser 
possível o afastamento do sigilo. 
 
- O STF entendeu possível o repasse das informações dos bancos para o Fisco, pelos seguintes 
3 Para aprofundamento, sugerimos leitura do julgado comentado pelo Dizer o Direito: 
http://www.dizerodireito.com.br/2016/02/a-receita-pode-requisitar-das.html 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
argumentos, pois as informações são remetidas ao Fisco em caráter sigiloso e permanecem de forma 
sigilosa na Administração Tributária, inacessível a terceiros, não pode ser considerado violação do sigilo. 
 
É constitucional a requisição, sem prévia autorização judicial, de dados bancários 
e fiscais considerados imprescindíveis pelo Corregedor Nacional de Justiça para 
apurar infração de sujeito determinado, desde que em processo regularmente 
instaurado mediante decisão fundamentada e baseada em indícios concretos da 
prática do ato. STF. Plenário. ADI 4709/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 
27/5/2022 (Info 1056). 
 
Dados obtidos com a quebra de sigilo bancário não podem ser divulgados 
abertamente em site oficial. 
Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal 
devem ser mantidos sob reserva. Assim, a página do Senado Federal na internet 
não pode divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por 
comissão parlamentar de inquérito (CPI). STF. Plenário. MS 25940, Rel. Min. Marco 
Aurélio, julgado em 26/4/2018 (Info 899). 
 
● Privacidade, produção de relatórios de inteligência e vinculação ao interesse público – ADPF 
722/DF: 
 
Os órgãos do Sistema Brasileiro de Inteligência, conquanto necessários para a 
segurança pública, segurança nacional e garantia de cumprimento eficiente dos 
deveres do Estado, devem operar com estrita vinculação ao interesse público, 
observância aos valores democráticos e respeito aos direitos e garantias 
fundamentais. Nesse contexto, caracterizam desvio de finalidade e abuso de 
poder a colheita, a produção e o compartilhamento de dados, informações e 
conhecimentos específicos para satisfazer interesse privado de órgão ou de agente 
público. Com base nesses entendimentos, o Plenário, por maioria, julgou 
procedente o pedido para confirmar a medida cautelar e declarar 
inconstitucionais atos do Ministério da Justiça e Segurança Pública de produção ou 
compartilhamento de informações sobre a vida pessoal, as escolhas pessoais e 
políticas, e as práticas cívicas de cidadãos, servidores públicos federais, estaduais e 
municipais identificados como integrantes de movimento político, professores 
universitários e quaisquer outros que, atuando nos limites da legalidade, exerçam 
seus direitos de livremente expressar-se, reunir-se e associar-se. STF, ADPF 722, 
Plenário, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento 13.5.2022. 
 
● DADOS, INCLUSIVE NOS MEIOS DIGITAIS: Uma das facetas do direito à privacidade, foi incluído, 
agora expressamente, na Constituição Federal, por meio da EC 115/2022, o direito à proteção dos dados 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
pessoais, inclusive nos meios digitais: 
 
LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, 
inclusive nos meios digitais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 115, de 
2022) 
 
Isso significa que este direito passou a ser cláusula pétrea, uma vez que ampliou a proteção já 
conferida pelo direito à privacidade, não podendo mais ser excluído do texto constitucional, sob pena de 
configurar retrocesso na proteção dos direitos fundamentais. 
Além disso, a EC 115/2022 estabeleceu competir à União organizar e fiscalizar a proteção e o 
tratamento de dados pessoais, nos termos da lei. (art. 21, XXVI), bem como legislar privativamente a 
respeito da proteção e tratamento de dados pessoais. 
 
H. INVIOLABILIDADE DE DOMICÍLIO: 
 
Art. 5°, XI, da CRFB - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo 
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou 
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. 
 
● A casa é asilo inviolável. Qual é o conceito de casa? 
 R.: Segundo o STF e doutrina, casa abrange não só o domicílio como também todo lugar privativo, 
ocupado por alguém, com direito próprio e de maneira exclusiva, mesmo sem caráter definitivo ou habitual. 
 
A abrangência do conceito alcança: 
▪ O escritório de trabalho 
▪ O estabelecimento industrial 
▪ Clube recreativo 
▪ Quarto de hotel 
 
É lícita a entrada de policiais, sem autorização judicial e sem o consentimento do 
hóspede, em quarto de hotel, desde que presentes fundadas razões da 
ocorrência de flagrante delito. 
O STJ afirmou que, embora o quarto de hotel regularmente ocupado seja, 
juridicamente, qualificado como “casa” para fins de tutela constitucional da 
inviolabilidade domiciliar (art. 5º, XI), a exigência, em termos de standard 
probatório, paraque policiais ingressem em um quarto de hotel sem mandado 
judicial não pode ser igual às fundadas razões exigidas para o ingresso em uma 
residência propriamente dita, a não ser que se trate (o quarto de hotel) de um 
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local de moradia permanente do suspeito. STJ. 6ª Turma. HC 659.527-SP, Rel. Min. 
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2021 (Info 715). 
 
▪ Quarto de motel 
▪ Automóveis quando usados para fins de moradia 
▪ Barcos quando usados para fins de moradia. 
 
Atenção: 
 
A prova da legalidade e da voluntariedade do consentimento para o ingresso na 
residência do suspeito incumbe, em caso de dúvida, ao Estado, e deve ser 
registrada em áudio-vídeo e preservada tal prova enquanto durar o processo.STJ. 
AgRg no HC 821.494-MG, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, por 
unanimidade, julgado em 6/2/2024, DJe 8/2/2024. (Info. 800) 
 
O galpão destinado para atividades comerciais não se enquadra no conceito de 
domicílio, ainda que por extensão. STJ. AgRg no HC 845.545-SP, Rel. Ministra 
Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 17/10/2023, DJe 
20/10/2023. (Info 798) 
 
O STJ possui jurisprudência entendendo que a habitação em prédio abandonado 
de escola municipal pode caracterizar o conceito de domicílio em que incide a 
proteção disposta no art. 5º, inciso XI da Constituição Federal (AgRg no HC 
712.529-SE). 
 
A abordagem policial em estabelecimento comercial, ainda que a diligência 
tenha ocorrido quando não havia mais clientes, é hipótese de local aberto ao 
público, que não recebe a proteção constitucional da inviolabilidade do 
domicílio. 
Consoante decidido no RE 603.616/RO, pelo Supremo Tribunal Federal, "a entrada 
forçada em domicílio sem mandado judicial é lícita, mesmo em período noturno, 
quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, 
que indiquem que, dentro da casa, ocorre situação de flagrante delito, sob pena 
de responsabilidade disciplinar, civil, e penal do agente ou da autoridade e de 
nulidade dos atos praticados". Todavia, no caso, verifica-se que os policiais 
afirmaram que "havia uma investigação em andamento relativa a um roubo de 
carga, tendo sido veiculada denúncia anônima dando conta de que parte do 
carregamento subtraído estava nas dependências da borracharia pertencente ao 
réu, diante do que procederam à diligência local". Desse modo, como se trata de 
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estabelecimento comercial - em funcionamento e aberto ao público - não pode 
receber a proteção que a Constituição Federal confere à casa. Assim, não há 
violação à garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio, a caracterizar a 
ocorrência de constrangimento ilegal. STJ, HC 754.789-RS, Rel. Ministro Olindo 
Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, por 
unanimidade, julgado em 6/12/2022. 
 
Caiu em prova Delegado RO/2022! Assinale a opção que contempla o entendimento do STF e do STJ acerca 
da inviolabilidade de domicílio: A entrada forçada em residência, quando não justificada, sujeita o agente 
policial à responsabilidade disciplinar, civil e penal (item correto). 
 
▪ Bens públicos de uso especial não abertos ao público como gabinetes de prefeitos, gabinete do 
delegado de polícia 
 
Info. 549 do STJ (2014): Afirmou que o gabinete do delegado de polícia 
encontra-se inserido no conceito de “casa” previsto no inciso III do §4º do art. 
150 do CP. Logo, invasão ao seu gabinete constitui crime de violação de domicílio. 
 
CP, Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a 
vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas 
dependências: 
§ 4º - A expressão "casa" compreende: 
I - qualquer compartimento habitado; 
II - aposento ocupado de habitação coletiva; 
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou 
atividade 
 
* ATENÇÃO - Exceções ao direito à inviolabilidade do domicílio: 
(1) Em caso de flagrante delito, a qualquer momento; 
(2) Em caso de desastre ou para prestar socorro; 
(3) Através de autorização judicial, durante o dia. 
 
C) Direito às Liberdades 
 
Abrange as liberdades física, de pensamento, de locomoção. 
 
I. LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO – Art. 5º, IV e V, da CRFB 
 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
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V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da 
indenização por dano material, moral ou à imagem; 
 
 A Constituição assegurou a liberdade de manifestação do pensamento, vedando o anonimato. Se 
durante a manifestação do pensamento se causar dano material, moral ou à imagem, assegura-se o direito 
de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização. 
 Conforme salienta o autor Pedro Lenza, o inciso IV estabelece uma espécie de “cláusula geral” que, 
em conjunto com outros dispositivos, asseguram a liberdade de expressão nas suas diversas manifestações: 
a) liberdade de manifestação do pensamento (incluindo a liberdade de opinião); 
b) liberdade de expressão artística; 
c) liberdade de ensino e pesquisa; 
d) liberdade de comunicação e de informação (liberdade de “imprensa”); 
e) liberdade de expressão religiosa. 
 
● “Hate speech” (discurso de ódio)– a liberdade de expressão não é absoluta. O modelo, portanto, de 
solução é a ponderação, pautada pelo princípio da proporcionalidade. O STF, embora adote a tese 
preferencial pela liberdade de expressão, certo é que não se trata de direito absolutamente infenso a 
limites e restrições, desde que eventual restrição tenha caráter excepcional, seja promovido por lei e/ou 
decisão judicial e tenha por fundamento a salvaguarda da dignidade da pessoa humana (que aqui se 
opera como limite e aos limites de direitos fundamentais) e de direitos e bens jurídicos-constitucionais 
individuais e coletivos fundamentais observados o critério da proporcionalidade e da preservação do 
núcleo essencial dos direitos em conflito - LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, pg.1183. 
 
Caiu em prova Delegado MS/2021! O discurso de ódio (hate speech) configura abuso do direito 
fundamental à liberdade de expressão, e o STF entende que a imunidade parlamentar material não pode 
ser utilizada para atentar frontalmente contra a manutenção do Estado Democrático de Direito (item 
correto). 
 
● Marcha da Maconha (ADPF 187) – as marchas da maconha vinham sendo reprimidas pela polícia, sob a 
ótica de que elas geravam apologia ao crime, vez que o uso de maconha é criminalizado. Este 
entendimento viola a liberdade de expressão, porque não se confunde a apologia à droga e o seu uso 
com a defesa da descriminalização ou ainda da inconstitucionalidade da criminalização. Em um 
Estado Democrático de Direito se entender que o povo não possa se manifestar pela 
descriminalização de uma conduta, evidentemente é se viver em um Estado que não pode ser 
chamado de Democrático de Direito. Em um regime que preza pela liberdade de expressão tem que 
dar a opção da população se manifestar pela descriminalização de determinada conduta. Fundamentos 
trazidos pelo STF: livre manifestação de pensamento, reunião e direito das minorias. Ademais, nas 
garantias dos direitos à informação e de liberdade de expressão, viabilizados pelo direito de reunião e 
como emanação da dignidade da pessoa humana, da democracia e da cidadania. 
 
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OBS. O art. 28 da Lei nº 11.343/2006 – Lei de Drogas refere-se à infração conhecida como porte ou posse 
de drogas para consumo pessoal. Há infrações equiparadas, como é o caso daquele que semeia, cultiva ou 
colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar 
dependência física ou psíquica. 
Como se percebe, o art. 28 da Lei de Drogas não comina pena privativa de liberdade, tendo como 
penas a advertência, a prestação de serviços à comunidade e a medida educativa de comparecimento a 
programa ou curso educativo. 
O STF já havia decidido em diversas outras ocasiões que o art. 28 da Lei de Drogas ainda se tratava 
de um crime, embora não tivesse pena privativa de liberdade cominada. Entendia a Corte Suprema que 
tinha havido uma despenalização em relação ao crime do art. 28 da Lei de Drogas, muito embora o termo 
mais adequado e que deveria ter sido utilizado à época seria a descarcerização ao invés de despenalização 
da conduta. 
Embora essas considerações sejam pertinentes para fins de contextualização, conforme julgado do 
Recurso Extraordinário 635.659, na data de 25/06/2024 o STF formou MAIORIA para DESCRIMINALIZAR o 
porte de maconha para consumo pessoal. Assim, houve a descriminalização da conduta, que deixou de ser 
infração penal e passou a ser infração administrativa. Conforme votos proferidos pela maioria dos Ministros 
da Corte Suprema, a descriminalização alcança tão somente a maconha, estabelecendo a quantidade de 
40g ou o cultivo de seis plantas fêmeas como critério para a caracterização do porte/posse para consumo 
pessoal. 
Assim, considerando que o porte de maconha deixou de ser crime e passou a ser tão somente um 
ILÍCITO ADMINISTRATIVO, entendeu o STF que poderão ser aplicadas ao usuário ou dependente de 
maconha a penalidade agora administrativa de advertência ou mesmo de medida educativa de frequência a 
programa ou curso educativo, duas das sanções que já estavam previstas para quem infringisse o disposto 
no art. 28 da Lei de Drogas. 
 
● Delação anônima (Inq. 1957) – o STF já decidiu não ser possível a utilização da denúncia anônima, 
pura e simples, para a instauração de procedimento investigatório, por violar a vedação ao anonimato, 
prevista no art. 5.º, IV, da CRFB. Nada impede, contudo, que o Poder Público provocado por delação 
anônima adote medidas informais - com prudência e discrição - destinadas a apurar, previamente, em 
averiguação sumária, a possível ocorrência de eventual situação de ilicitude penal, desde que o faça com o 
objetivo de conferir a verossimilhança dos fatos nela denunciados, em ordem a promover, então, em caso 
positivo, a formal instauração da persecutio criminis, mantendo-se, assim, completa desvinculação desse 
procedimento estatal em relação às peças apócrifas”. 
 
● Tatuagem e o concurso público – “as pigmentações de caráter permanente inseridas 
voluntariamente em partes dos corpos dos cidadãos configuram instrumentos de exteriorização da 
liberdade de manifestação do pensamento e de expressão, valores amplamente tutelados pelo 
ordenamento jurídico brasileiro (CRFB/88, art. 5.°, IV e IX)”. Assim, “o Estado não pode desempenhar o 
papel de adversário da liberdade de expressão, incumbindo-lhe, ao revés, assegurar que minorias possam 
se manifestar livremente”, salvo situações excepcionais em razão de conteúdo que viole valores 
constitucionais. (RE 898.450, Plenário, Rel. Min. Luiz Fux, j. 17.08.2016, DJE de 31.05.2017). 
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● Liberdade de expressão e imunidade parlamentar – Ressalta-se que os direitos fundamentais não 
possuem caráter absoluto. A Segunda Turma do STF reafirmou esse entendimento ao entender que a 
liberdade de expressão não alcança a prática de discursos dolosos, com intuito manifestamente difamatório 
ou injurioso (Pet 8242 AgR/DF, Pet 8259 AgR/DF, Pet 8262 AgR/DF, Pet 8263 AgR/DF, Pet 8267 AgR/DF e Pet 
8366 AgR/DF, relator Min. Celso de Mello, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgamento em 
3.5.2022.) 
 
A liberdade de expressão existe para a manifestação de opiniões contrárias, 
jocosas, satíricas e até mesmo errôneas, mas não para opiniões criminosas, 
discurso de ódio ou atentados contra o Estado Democrático de Direito e a 
democracia. STF. AP 1044/DF, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento em 
20.4.2022 (Info 1051). 
 
II. LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, CRENÇA E CULTO – ART 5º, VI a VIII, da CRFB) 
 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre 
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de 
culto e a suas liturgias; 
 
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas 
entidades civis e militares de internação coletiva; 
 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de 
convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação 
legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; 
 
 Assegura-se a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, sendo garantido o livre 
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. 
 
▪ Liberdade de crença: é a liberdade de pensamento de foro íntimomandamentos de otimização, isto é, normas que determinam que algo seja realizado na maior medida 
possível em face das possibilidades fático-jurídicas. 
 
O QUE É O PREÂMBULO E QUAL A SUA NATUREZA JURÍDICA? 
 
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'Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um 
Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a 
segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma 
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem 
interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a 
seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.’ 
 
Na doutrina constitucional há uma relevante discussão sobre qual é a natureza jurídica do preâmbulo, 
destacando-se três correntes doutrinárias: 
1) Natureza Ideológica (Tese da irrelevância jurídica). Essa corrente doutrinária, encabeçada por 
doutrinadores de peso, como Hans Kelsen e Paulo Bonavides, defende que o preâmbulo não é norma 
jurídica e não possui qualquer relevância jurídica, sendo mera expressão política. Essa tem sido a posição 
adotada pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 2.076/2002), em que pese vozes dissonantes na 
jurisprudência da Corte. Inclusive, atenção! Apesar do julgado na ADI 2.076/AC, mais recente, a Ministra 
CÁRMEN LÚCIA na ADI n° 2.649 deixou assente que o preâmbulo deve ser dotado de relevância jurídica ao 
mencionar o autor José Afonso da Silva. 
2) Natureza Jurídica Hermenêutica (Tese da relevância jurídica indireta). Para os defensores dessa corrente, 
o preâmbulo não possui força normativa, não sendo norma jurídica constitucional, contudo é um elemento 
hermenêutico-constitucional, cumprindo função na interpretação e integração do texto constitucional. 3) 
Natureza Jurídica Normativa (Tese da relevância jurídica direta e imediata). Essa corrente, de tradição 
francesa, defendida pela doutrina constitucional majoritária,66 defende que o preâmbulo possui força 
normativa, sendo norma constitucional integrante da Constituição, tendo a mesma hierarquia das normas 
da parte dogmática e servindo, inclusive, como parâmetro de controle de constitucionalidade. (Manual de 
Direito Constitucional / Eduardo Rodrigues dos Santos - 3.ed., rev. atual e ampl. - São Paulo: Editora 
JusPodivm, 2023, pg. 86). 
 
Como o tema foi cobrado (CESPE/2022/PC-RJ/Delegado de Polícia): 
Conforme expressamente previsto no art. 1.º da Constituição Federal de 1988, “A República Federativa do 
Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em 
Estado Democrático de Direito”. Além de elencar os princípios republicano e federativo, o referido 
dispositivo constitucional aponta como um dos princípios fundamentais da Lei Maior o denominado 
princípio do Estado democrático de direito. Considerando os princípios que fundamentam o Estado 
brasileiro e aspectos relacionados a esse assunto, assinale a opção correta. 
A Com o surgimento do liberalismo, os Estados passaram a ser criados por meio de constituições escritas, 
com fixação de mecanismos de repartição e limitação do poder estatal, dando-se especial atenção à 
proteção do indivíduo contra eventuais arbitrariedades; passou a ser comum aos Estados modernos a 
edição de normas estabelecidas tanto pela constituição quanto pelos diplomas infraconstitucionais, não 
apenas para reger as relações entre os particulares, mas também para vincular a atuação dos agentes 
públicos. Assim, é correto afirmar que o Estado de direito pode ser conceituado, sinteticamente, como 
aquele que se mantém baseado no império das leis. 
 
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PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS – TÍTULO I DA CRFB/88: 
 
A Constituição Federal de 1988 elenca, em seus artigos 1o, 2o, 3o e 4o como princípios 
fundamentais os fundamentos da República Federativa do Brasil; a separação de Poderes; os objetivos 
fundamentais e os princípios que regem as relações internacionais. Ou seja, princípios fundamentais não se 
confundem com fundamentos, pois aqueles são mais abrangentes. 
 
OUTROS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 
 
Os Princípios Constitucionais estão presentes não só no art. 5º, mas em diversos dispositivos, a 
exemplo dos princípios tributários, previstos no art. 150, e dos princípios expressos da Administração 
Pública (art. 37, caput). Assim, atente-se brevemente aos princípios da dignidade da pessoa humana, 
legalidade e isonomia, sem prejuízo dos demais que se inserem na Carta Magna – e serão tratados nas 
matérias específicas: 
 
a) Dignidade da pessoa humana: Define Luís Roberto Barroso que o “princípio da dignidade humana 
expressa um conjunto de valores civilizatórios que se pode considerar incorporado ao patrimônio da 
 humanidade. Dele se extrai o sentido mais nuclear dos direitos fundamentais, para tutela do mínimo 
existencial e da personalidade humana, tanto na dimensão física como na moral”. Pode-se acrescentar 
também que a dignidade humana possui um enfoque moral, consistente na máxima de Kant segundo a qual 
o homem é um fim em si mesmo, e um enfoque material, relativo à manutenção do mínimo existencial. 
Decorre do aludido princípio, por exemplo, a impenhorabilidade do bem de família e a união estável entre 
pessoas do mesmo sexo. É considerado um “super-princípio”. (BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito 
Constitucional Contemporâneo: os conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. 6ª ed. São 
Paulo: Saraiva Educação, 2022). 
Nesse sentido, a dignidade da pessoa humana, enquanto princípio fundamental da República 
Federativa do Brasil e consagrado no art. 1°, III, da CF/88, consiste na principal fonte jurídico-axiológica de 
nosso sistema, sendo, portanto, princípio-matriz de todos os direitos fundamentais. 
 
Como o tema foi cobrado (CESPE, Oral PCRO/2023) (espelho): 
O fato de a dignidade humana ser positivada na Constituição como princípio fundamental da República 
confere-lhe a natureza de norma jurídica, seja como princípio ou como regra, mas, de todo modo, como 
norma. A dignidade não é ali referida apenas como uma declaração retórica, apenas como enunciado de 
importante conteúdo ético. Ela é também um valor constitucional relevante. Isso significa que ela passa a 
ter ao menos eficácia negativa contra normas infraconstitucionais e contra atos que se contraponham à 
dignidade humana, isto é, tais normas e atos podem ser reconhecidos como inválidos (antijurídicos), no que 
forem contrários a ela. Além disso, como princípio fundamental da República,em questões de natureza 
religiosa, incluindo o direito de professar ou não uma religião, de acreditar ou não na existência 
de um, em nenhum ou em vários deuses (art. 5º, VI); e 
▪ Liberdade de consciência em sentido estrito: é a liberdade de pensamento de foro íntimo em 
questões não religiosas. 
 
Obs.: o art. 5º, VII, da CF/88 também assegura, nos termos da lei, a prestação de assistência 
religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva. 
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https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5727770
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5727772
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5730939
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5765224
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
É compatível com a Constituição Federal de 1988 — e não ofende a proibição de 
discriminação (CF/1988, arts. 3º, IV, e 5º, caput), o postulado da laicidade estatal 
(CF/1988, art. 19, I) e o princípio da impessoalidade na Administração Pública 
(CF/1988, art. 37, caput) — a presença de símbolos religiosos em espaços 
públicos, pertencentes ao Estado, nas hipóteses em que se busca representar 
tradição cultural da sociedade brasileira. A lealdade aos valores e princípios 
democráticos defendidos pelo texto constitucional ensejam a identificação e o 
compromisso com os ideais de igualdade, liberdade e justiça nele contidos, 
independentemente de diferenças culturais ou religiosas. Nesse contexto, a 
presença de símbolos religiosos (i) não retira a legitimidade da ação do 
administrador público ou da convicção do julgador; (ii) não impõe concepções 
filosóficas ao cidadão nem o constrange a renunciar à fé ou lhe retira a faculdade 
de autodeterminação e de percepção mítico-simbólica; bem como (iii) não fere a 
liberdade de ter, não ter ou deixar de ter uma religião. STF. ARE 1.249.095/SP, 
relator Ministro Cristiano Zanin, julgamento virtual finalizado em 26.11.2024. (Info 
1160) 
É constitucional a utilização de vestimentas ou acessórios relacionados a crença 
ou religião nas fotos de documentos oficiais, desde que não impeçam a 
adequada identificação individual, com rosto visível. STF. RE 859.376/PR, relator 
Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento finalizado em 17.04.2024. (Info 1133) 
É constitucional a instituição, por lei municipal, de feriado local para a 
comemoração do Dia da Consciência Negra, a ser celebrado em 20 de novembro, 
em especial porque a data representa um símbolo de resistência cultural e 
configura ação afirmativa contra o preconceito racial. ADPF 634/SP, relatora 
Ministra Cármen Lúcia, julgamento finalizado em 30.11.2022. 
É inconstitucional norma que proíbe proselitismo em rádios comunitárias 
É inconstitucional o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.612/98. Esse dispositivo proíbe, no 
âmbito da programação das emissoras de radiodifusão comunitária, a prática de 
proselitismo, ou seja, a transmissão de conteúdo tendente a converter pessoas a 
uma doutrina, sistema, religião, seita ou ideologia. 
O STF entendeu que essa proibição afronta os arts. 5º, IV, VI e IX, e 220, da 
Constituição Federal. A liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo, o 
uso de argumentos críticos, o consenso e o debate público informado e pressupõe 
a livre troca de ideias e não apenas a divulgação de informações. 
STF. Plenário. ADI 2566/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. 
Edson Fachin, julgado em 16/5/2018 (Info 902). 
 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
A incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões pode 
configurar o crime de racismo 
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus 
seguidores não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a 
liberdade de expressão. 
STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias 
Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info 893). 
 
É inconstitucional lei estadual que obriga que as escolas e bibliotecas públicas 
tenham um exemplar da Bíblia. No Amazonas, foi editada lei estadual obrigando 
as escolas e bibliotecas públicas a terem pelo menos uma Bíblia disponível para 
consulta. Esta lei é inconstitucional. Isso porque o art. 19, I, da CF/88 prevê a 
laicidade estatal. STF. Plenário. ADI 5258/AM, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 
12/4/2021. (Info 1012) 
 
É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade 
religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz 
africana. RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson 
Fachin, julgado em 28/3/2019. (Info 935) 
 
DICA DD: Não confundir- o STF entendeu que a CF/88 não proíbe que sejam 
oferecidas aulas de uma religião específica, que ensine os dogmas ou valores 
daquela religião. Não há qualquer problema nisso, desde que se garanta 
oportunidade a todas as doutrinas religiosas. STF. Plenário. ADI 4439/DF, rel. orig. 
Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 
27/9/2017 (Info 879). Lembre-se que a “neutralidade do ensino religioso não 
existe. O que deve existir é o respeito às diferenças”. 
 
Como o tema foi cobrado (CESPE, Oral PCRO/2023) (espelho): 
A liberdade de culto e de crença, como a quase totalidade dos direitos fundamentais, não é ilimitada. 
Portanto, alguns limites estatais podem ser impostos, alguns sem grande polêmica, como a necessidade de 
observância a limites de produção de ruído definidos por autoridades municipais e a outras posturas 
municipais (como alvarás para construção e funcionamento de templos). Outros limites mais delicados 
também podem ser impostos, como ocorreu durante a pandemia de covid-19, causada pelo novo 
coronavírus (SARS-CoV-2), quando o Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a restrição a atos 
religiosos presenciais, por motivos sanitários. 
Por outro lado, a liberdade de culto e de crença não autoriza as pessoas a cometer delitos e outros atos 
juridicamente inválidos, embora cada ato deva ser examinado de forma cuidadosa, exatamente para não 
anular a liberdade de culto nem outras garantias, como a liberdade de expressão. A liberdade de culto e de 
crença não autoriza, por exemplo, prática de ofensa a minorias ou a grupossociais vulneráveis nem 
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propagação de discurso de ódio. Portanto, praticantes de determinada religião, incluindo padres, pastores e 
outros sacerdotes e membros do grupo religioso, podem ser punidos por atos ligados à prática da religião. 
 
 Transfusão de sangue nas Testemunhas de Jeová 
 Tema que gera muita discussão. O Ministro Barroso sustenta que a dignidade da pessoa humana 
apresenta duas acepções: 
- Dignidade como autonomia: tutela a capacidade de autodeterminação e a responsabilidade moral 
do indivíduo por suas escolhas, notadamente as de catéter existencial, dentre as quais se inclui a 
liberdade religiosa; 
- Dignidade como heteronomia: envolve a imposição de padrões sociais externos ao indivíduo, o que, 
no caso concreto, significa a proteção objetiva da vida humana, mesmo contra a vontade do titular 
do direito. 
 As acepções se complementam, mas é possível afirmar a prevalência da dignidade como 
autonomia, o que significa dizer que devem prevalecer as escolhas individuais (LENZA, Pedro. Direito 
constitucional esquematizado, pg. 1195). Assim, a escolha da pessoa - e aqui inclui a recusa pela transfusão 
de sangue - é válida desde que o consentimento seja dado pelo titular do direito, manifestado de forma 
válida e inequívoca por pessoa capaz e com discernimento, ou seja, consentimento inequívoco, 
personalíssimo, expresso e atual. Ademais, deverá também ser livre e informado. 
 Apesar do tema ser polêmico, acerca de necessidade de transfusão de sangue em menores com 
risco de vida, como não se pode exigir que exprimem consentimento, o médico deverá realizar todos os 
tratamentos médicos alternativos sem sangue e, se mesmo assim não resolver, diante da vida ou morte do 
menor, poderá então realizar a transfusão de sangue não respondendo o médico por constrangimento 
ilegal. 
 
III. LIBERDADE DE ATIVIDADE INTELECTUAL, ARTÍSTICA, CIENTÍFICA OU DE COMUNICAÇÃO – ART. 5º, IX, 
CF/88 
 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, 
independentemente de censura ou licença; 
 
 É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, 
independentemente de censura ou licença. 
 Veda-se a censura de natureza política, ideológica e artística (art. 220, § 2.º), porém, apesar da 
liberdade de expressão acima garantida, lei federal deverá regular as diversões e os espetáculos públicos, 
cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, 
locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada. 
 
IV. LIBERDADE DE PROFISSÃO – ART. 5º, XIII da CRFB 
 
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as 
qualificações profissionais que a lei estabelecer; 
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 Assegura a liberdade do exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as 
qualificações profissionais que a lei estabelecer. Trata-se de norma constitucional de eficácia contida, 
podendo a legislação infraconstitucional limitar o seu alcance, fixando condições ou requisitos para o pleno 
exercício da profissão. 
 
Cuidado - a jurisprudência do STF admite a regulamentação por lei de atividades que possam trazer 
danos a terceiros, atividades profissionais cuja falta de técnica traga o risco de “atingir negativamente a 
esfera pública de outros indivíduos ou de valores ou interesses da própria sociedade” (ADI 3.870, 2019). 
Nessas situações, a lei poderá disciplinar, restritivamente, impondo regras ao exercício da profissão. Ex.: 
exigência de aprovação no exame da OAB para exercício da advocacia. 
 
E) LIBERDADE DE INFORMAÇÃO – ART. 5º, XIV e XXXIII da CRFB 
 
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, 
quando necessário ao exercício profissional; 
 
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse 
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob 
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à 
segurança da sociedade e do Estado; 
 
Caiu na prova Delegado SC/2024 (ADAPTADA): Diretor de determinado órgão policial do Estado edita a 
Portaria XXX/2021 que determina que todos os processos do Sistema Eletrônico de Informações do órgão 
sejam cadastrados com nível de acesso restrito ou sigiloso e, com isso, impedindo o acesso público. Com 
base na situação hipotética descrita e na ordem constitucional vigente, é correto afirmar que: 
- A Portaria XXX/2021 viola a liberdade de informação do Art. 5º, inciso XXXIII, da CF/88, que estabelece 
como regra a publicidade das informações mantidas por órgãos do Estado. (ITEM CORRETO) 
- O ato de qualquer órgão do Estado restritivo à publicidade das informações deve ser justificado objetiva, 
específica e formalmente. (ITEM CORRETO) 
 
▪ Liberdade de informação jornalística: 
 A CF/88 consagrou expressamente o princípio da publicidade como um dos vetores imprescindíveis 
à Administração Pública, conferindo-lhe absoluta prioridade na gestão administrativa e garantindo pleno 
acesso às informações a toda a sociedade. 
 A consagração constitucional de publicidade e transparência corresponde à obrigatoriedade do 
Estado em fornecer as informações necessárias à sociedade. O acesso às informações consubstancia-se em 
verdadeira garantia instrumental ao pleno exercício do princípio democrático. 
 Assim, salvo situações excepcionais, a Administração Pública tem o dever de absoluta transparência 
na condução dos negócios públicos, sob pena de desrespeito aos arts. 37, caput, e 5º, XXXIII e LXXII, CF/88, 
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pois “o modelo político-jurídico, plasmado na nova ordem constitucional, rejeita o poder que oculta e o 
poder que se oculta”. 
 
Na hipótese de publicação de entrevista, por quaisquer meios, em que o 
entrevistado imputa falsamente prática de crime a terceiro, a empresa 
jornalística somente poderá ser responsabilizada civilmente se comprovada sua 
má-fécaracterizada: (i) pelo dolo demonstrado em razão do conhecimento prévio 
da falsidade da declaração, ou (ii) pela culpa grave decorrente da evidente 
negligência na apuração da veracidade do fato e na sua divulgação ao público sem 
resposta do terceiro ofendido ou, ao menos, de busca do contraditório pelo 
veículo; 2. Na hipótese de entrevistas realizadas e transmitidas ao vivo, fica 
excluída a responsabilidade do veículo por ato exclusivamente de terceiro quando 
este falsamente imputa a outrem a prática de um crime, devendo ser assegurado 
pelo veículo o exercício do direito de resposta em iguais condições, espaço e 
destaque, sob pena de responsabilidade nos termos dos incisos V e X do artigo 5º 
da Constituição Federal; 3. Constatada a falsidade referida nos itens acima, deve 
haver remoção, de ofício ou por notificação da vítima, quando a imputação 
permanecer disponível em plataformas digitais, sob pena de responsabilidade. 
STF. RE 1.075.412 ED/PE, relator Ministro Edson Fachin, julgamento finalizado em 
20.03.2025. (Info 1170). 
 
 
Constitui assédio judicial comprometedor da liberdade de expressão o 
ajuizamento de inúmeras ações a respeito dos mesmos fatos, em comarcas 
diversas, com o intuito ou o efeito de constranger jornalista ou órgão de 
imprensa, dificultar sua defesa ou torná-la excessivamente onerosa; 2. 
Caracterizado o assédio judicial, a parte demandada poderá requerer a reunião 
de todas as ações no foro de seu domicílio. 3. A responsabilidade civil de 
jornalistas ou de órgãos de imprensa somente estará configurada em caso 
inequívoco de dolo ou de culpa grave (evidente negligência profissional na 
apuração dos fatos). STF. ADI 6.792/DF e ADI 7.055/DF, relatora Ministra Rosa 
Weber, redator do acórdão Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento finalizado 
em 22.05.2024. (Info 1138) 
 
A plena proteção constitucional à liberdade de imprensa é consagrada pelo 
binômio liberdade com responsabilidade, vedada qualquer espécie de censura 
prévia. Admite-se a possibilidade posterior de análise e responsabilização, 
inclusive com remoção de conteúdo, por informações comprovadamente 
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https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4972872
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4972872
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
injuriosas, difamantes, caluniosas, mentirosas, e em relação a eventuais danos 
materiais e morais. Isso porque os direitos à honra, intimidade, vida privada e à 
própria imagem formam a proteção constitucional à dignidade da pessoa 
humana, salvaguardando um espaço íntimo intransponível por intromissões 
ilícitas externas. 
Na hipótese de publicação de entrevista em que o entrevistado imputa 
falsamente prática de crime a terceiro, a empresa jornalística somente poderá 
ser responsabilizada civilmente se: (i) à época da divulgação, havia indícios 
concretos da falsidade da imputação; e (ii) o veículo deixou de observar o dever 
de cuidado na verificação da veracidade dos fatos e na divulgação da existência 
de tais indícios”. STF. RE 1.075.412/PE, relator Ministro Marco Aurélio, redator do 
acórdão Ministro Edson Fachin, julgamento finalizado em 29.11.2023. (Info. 1120) 
 
A liberdade de informação jornalística não legitima a utilização de informações 
sigilosas obtidas por meios ilícitos. 8. Agravo regimental interposto por Infoglobo 
Comunicações Ltda. do qual não se conhece. 9 Agravo regimental interposto por 
Globo Comunicação e Participações S/A ao qual se nega provimento. (RE 638360 
AgR-segundo, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 27/04/2020, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-131 DIVULG 27-05-2020 PUBLIC 28-05-2020 
REPUBLICAÇÃO: DJe-161 DIVULG 25-06-2020 PUBLIC 26-06-2020) 
 
 
Cabe reclamação contra decisão judicial que determina retirada de matéria 
jornalística de site. STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, 
julgado em 6/3/2018 (Info 893). 
 
Jornal poderá acessar dados sobre mortes registradas em ocorrências policiais 
De acordo com o STJ, não cabe à administração pública ou ao Poder Judiciário 
discutir o uso que se pretende dar à informação de natureza pública. A 
informação, por ser pública, deve estar disponível ao público, independentemente 
de justificações ou considerações quanto aos interesses a que se destina. Não se 
pode vedar o exercício de um direito – acessar a informação pública – pelo mero 
receio do abuso no exercício de um outro e distinto direito – o de livre comunicar. 
Em suma: veículo de imprensa jornalística possui direito líquido e certo de obter 
dados públicos sobre óbitos relacionados a ocorrências policiais. STJ. 2ª Turma. 
REsp 1852629-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 06/10/2020 (Info 682). 
 
▪ Liberdade de informação x direito ao esquecimento 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 O direito ao esquecimento é o direito que uma pessoa possui de não permitir que um fato, ainda 
que verídico, ocorrido em determinado momento de sua vida, seja exposto ao público em geral, 
causando-lhe sofrimento ou transtornos. Veja a definição dada por Anderson Schreiber: 
 
“(...) o direito ao esquecimento é, portanto, um direito (a) exercido 
necessariamente por uma pessoa humana; (b) em face de agentes públicos ou 
privados que tenham a aptidão fática de promover representações daquela pessoa 
sobre a esfera pública (opinião social); incluindo veículos de imprensa, emissoras 
de TV, fornecedores de serviços de busca na internet etc.; (c) em oposição a uma 
recordação opressiva dos fatos, assim entendida a recordação que se caracteriza, a 
um só tempo, por ser desatual e recair sobre aspecto sensível da personalidade, 
comprometendo a plena realização da identidade daquela pessoa humana, ao 
apresentá-la sob falsas luzes à sociedade.” (Anderson SCHREIBER. Direito 
ao esquecimento e proteção de dados pessoais na Lei 13.709/2018. In: TEPEDINO, 
G; FRAZÃO, A; OLIVA, M.D. Lei geral de proteção de dados pessoais e suas 
repercussões no direito brasileiro. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019, p. 
376). 
 
 A discussão quanto ao direito ao esquecimento envolve um conflito aparente entre a liberdade de 
expressão/informação e atributos individuais da pessoa humana, como a intimidade, privacidade e honra, 
passando por evolução jurisprudencial. Veja: 
 O STJ reconheceu o direito ao esquecimento tendo, inclusive, em março de 2013, na VI Jornada de 
Direito Civil do CJF/STJ, aprovado um enunciado defendendo a existência do direito ao esquecimento como 
uma expressão da dignidade da pessoa humana. Veja: “Enunciado 531: A tutela da dignidadeda pessoa 
humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento”. 
 Vale ressaltar, ainda, que o STJ possui o entendimento no sentido de que, quando os registros da 
folha de antecedentes do réu são muito antigos, admite-se o afastamento de sua análise desfavorável, em 
aplicação à teoria do direito ao esquecimento. Isso porque não se pode tornar perpétua a valoração 
negativa dos antecedentes, nem perenizar o estigma de criminoso para fins de aplicação da reprimenda, 
pois a transitoriedade é consectário natural da ordem das coisas. STJ. 6ª Turma. HC 452.570/PR, Rel. Min. 
Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 02/02/2021. 
 No entanto, o tema passou por uma EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL. Isso porque o STJ passou a 
relativizar o direito ao esquecimento, ao passo que o STF passou a entender pela sua incompatibilidade 
com a Constituição Federal. Confira: 
 
O chamado direito ao esquecimento, apesar de ser reconhecido pela 
jurisprudência, não possui caráter absoluto. 
Em caso de evidente interesse social no cultivo à memória histórica e coletiva de 
delito notório, não se pode proibir a veiculação de matérias jornalísticas 
relacionados com o fato criminoso, sob pena de configuração de censura prévia, 
vedada pelo ordenamento jurídico pátrio. Em tal situação, não se aplica o direito 
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ao esquecimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.803-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas 
Cueva, julgado em 28/04/2020 (Info 670). 
 
É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim 
entendido como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a 
divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e publicados em 
meios de comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou 
abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser 
analisados caso a caso, a partir dos parâmetros constitucionais – especialmente 
os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e da personalidade 
em geral – e as expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível. 
STF. Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 
(Repercussão Geral – Tema 786) (Info 1005). 
Nota: Teoria pró-informação: simplesmente não existe um direito ao 
esquecimento, que, além de não constar expressamente da legislação brasileira, 
não poderia ser extraído de qualquer direito fundamental nem mesmo do direito 
à privacidade e à intimidade. Um direito ao esquecimento seria, ademais, 
contrário à memória de um povo e à própria História da sociedade. A liberdade de 
informação prevaleceria sempre e a priori, à semelhança do que ocorre nos 
Estados Unidos da América (ver New York Times Co. vs. Sullivan, entre outros). Os 
defensores desse posicionamento invocam, ainda, a jurisprudência mais recente 
do nosso Supremo Tribunal Federal, especialmente o célebre precedente das 
biografias não-autorizadas (ADI 4.815). 
 
▪ Liberdade artística e os veículos de comunicação social: É ampla liberdade na produção da arte. 
 
* ATENÇÃO: Embora exista a liberdade artística, o Poder Público poderá estabelecer faixas etárias 
recomendadas, locais e horários para a apresentação. Ao mesmo tempo, lei federal deverá estabelecer 
meios para que qualquer pessoa ou família possa defender-se de programações de rádio e televisão que 
atentem contra os valores éticos vigentes (art. 220, §3º, I e II). 
 
V. LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO: 
 
É o direito de ir e vir, amparado por habeas corpus. 
 
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer 
pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; 
 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e 
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão 
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militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; 
 
 Perceba que a liberdade de locomoção no território nacional é livre NOS TEMPOS DE PAZ. 
 
 Existem 4 hipóteses de exceção a liberdade de locomoção: 
(1) Em caso de prisão em flagrante ou prisão por ordem escrita e fundamentada da autoridade 
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar (art. 
5º, LXI, CF/88) 
(2) Durante o estado de defesa (art. 136, 3º, I, CF/88) o decreto poderá estabelecer restrição ao direito 
de reunião, ainda que exercida no seio das associações. 
(3) Durante o estado de sítio decretado com fundamento no art. 137, I, CF/88, poderão ser tomadas 
contra as pessoas as medidas de obrigação de permanência em localidade determinada (art. 139, I, 
CF/88); detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns (art. 
139, II, CF/88); suspensão da liberdade de reunião (art. 139, IV, CF/88). 
(4) Declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira (hipóteses de 
decretação de estado de sítio – art. 137, II, CF/88), a liberdade de locomoção também poderá ser 
restringida ou suspensa (art. 138, caput, CF/88). 
 
VI. LIBERDADE DE REUNIÃO: 
 
Art. 5°, XVI, CRFB - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais 
abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem 
outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas 
exigido prévio aviso à autoridade competente; 
 
 É o agrupamento organizado de pessoas de caráter transitório, com uma determinada finalidade. 
 O exercício válido do direito de reunião deve satisfazer os requisitos constitucionais, a saber: 
✔ Reunião pacífica 
✔ Sem armas 
✔ Em locais abertos ao público 
✔ Dispensa autorização, mas deve haver aviso prévio aviso à autoridade competente 
✔ Não pode frustrar outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local 
 
O que se entende por aviso prévio para os fins do direito de reunião do art. 5º, 
XVI, da CF/88? 
O STF fixou a seguinte tese: A exigência constitucional de aviso prévio 
relativamente ao direito de reunião é satisfeita com a veiculação de informação 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAISque permita ao poder público zelar para que seu exercício se dê de forma pacífica 
ou para que não frustre outra reunião no mesmo local. STF. Plenário. RE 806339, 
Rel. para acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 14/12/2020 (Repercussão Geral – 
Tema 855). 
 
O entendimento foi fixado porque não se pode exigir o aviso prévio como condicionante ao 
exercício do direito de reunião. 
 
ATENÇÃO! em 13.04.2023, o Tribunal Pleno do STF, sob a Relatoria do Excelentíssimo Senhor Ministro DIAS 
TOFFOLI, na ADPF 734/PE, reconheceu a constitucionalidade da Lei nº 6.425/72 do Estado de Pernambuco, 
a qual trata sobre o regime jurídico dos policiais civis no Estado, proíbe que os policiais civis promovam ou 
participem de manifestações de apreço ou desapreço a quaisquer autoridades ou contra atos da 
Administração Pública em geral. A decisão foi veiculada no Informativo 1090. 
 
Resumo: 
Desta forma, a restrição imposta pela lei estadual que veda a promoção ou a participação de 
policiais em manifestações de apreço ou desapreço a quaisquer autoridades ou contra atos da 
Administração Pública em geral é constitucional, e não configura censura a liberdade de expressão e 
manifestação. 
 
Para complementar: 
Os fundamentos para considerar constitucional a restrição imposta pela lei foram os seguintes: 
1. Hierarquia e disciplina nas carreiras da área de segurança pública: A lei estadual impugnada 
proíbe que os policiais civis promovam ou participem de manifestações de apreço ou 
desapreço a autoridades ou contra atos da Administração Pública em geral. Isso se justifica 
pela necessidade de manter a hierarquia e a disciplina nas carreiras da área de segurança 
pública, que têm como objetivo a preservação da ordem pública e da paz social. 
2. Segurança e ordem públicas: Os policiais civis são agentes públicos armados, e suas 
manifestações de apreço ou desapreço em relação a atos da Administração Pública ou 
autoridades podem afetar a segurança e a ordem públicas. Portanto, a restrição imposta pela 
lei visa conciliar a liberdade de expressão dos policiais civis com a necessidade de garantir a 
segurança e a ordem na sociedade. 
3. Proteção constitucional de outros valores: A restrição imposta pela lei estadual é uma 
ingerência no exercício do direito fundamental à liberdade de expressão dos policiais civis. No 
entanto, essa restrição se justifica pela existência de outros valores constitucionais igualmente 
protegidos, como a segurança pública, a ordem pública e a hierarquia e disciplina nas 
organizações policiais. Assim, é necessário sopesar esses valores no contexto concreto. 
4. Convenção Americana de Direitos Humanos: A restrição imposta pela lei estadual também 
encontra respaldo na Convenção Americana de Direitos Humanos, que estabelece que o 
exercício da liberdade de expressão deve assegurar a proteção da segurança pública, da 
ordem pública, da saúde ou da moral públicas. Portanto, a restrição imposta pela lei está em 
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conformidade com os princípios internacionais de direitos humanos. 
 
Dica: Faça um link desta decisão estudada com esta exposta a seguir, que versa sobre a proibição do 
direito de greve pelos policiais civis e demais servidores que atuem diretamente na área de segurança 
pública: 
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado 
aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na 
área de segurança pública. 
É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos 
órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do 
CPC, para vocalização dos interesses da categoria. 
STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860). 
 
VII. LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO: 
Agrupamento de pessoas, organizado e permanente, para fins lícitos. Abrange: 
∘ Direito de associar-se a outras pessoas para a formação de uma entidade; 
∘ Aderir a uma associação já formada; 
∘ Desligar-se da associação; 
∘ Autodissolução das associações. 
 
Atenção (1): o direito de associação somente é livre se: 
● For para fins lícitos 
● Não tiver caráter paramilitar. 
 
Art. 5°, XVII, CRFB - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de 
caráter paramilitar; 
 
Atenção (2): 
● Associações são criadas independentemente de autorização, já as cooperativas devem ser criadas na 
forma da lei, mas independem de autorização; 
 
XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem 
de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; 
 
Atenção (3): A CF/88 veda qualquer interferência estatal no funcionamento das associações e cooperativas. 
 
Atenção (4): As associações: 
● Podem ser dissolvidas de forma compulsória por decisão judicial, mas apenas após o trânsito em 
julgado. 
● Podem ter suas atividades suspensas por decisão judicial, não sendo exigido o trânsito em julgado. 
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XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas 
atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito 
em julgado; 
XX - Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm 
legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; 
 
Obs.: É inconstitucional o condicionamento da desfiliação de associado à quitação de débito referente a 
benefício obtido por intermédio da associação ou ao pagamento de multa. STF. Plenário. RE 820823/DF, 
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 30/9/2022 (Repercussão Geral – Tema 922) (Info 1070). 
 
VIII. DIREITO DE PROPRIEDADE 
 
XXII - é garantido o direito de propriedade; 
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 
 
É garantido pela Constituição, mas não é absoluto, uma vez que a propriedade poderá ser 
desapropriada. É necessário também que a propriedade cumpra sua função social, atendendo aos 
interesses da coletividade e não apenas do proprietário. 
● É garantido o direito de propriedade (art. 5º, XXII). 
● A propriedade atenderá a sua função social (art. 5º, XXIII). 
● A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou 
por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos 
previstos na Constituição (art. 5º, XXIV). 
● No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade 
particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano (art. 5º, XXV).IX. DIREITO DE PETIÇÃO E DE OBTENÇÃO DE CERTIDÕES 
 
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade 
ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e 
esclarecimento de situações de interesse pessoal; 
 
Caso o pedido de certidão não seja atendido, o remédio constitucional cabível será o mandado de 
segurança e não o habeas data. 
O direito de certidão não é absoluto, pois pode ser negado em caso de o sigilo ser imprescindível à 
segurança da sociedade ou do Estado. 
 
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X. INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO 
 
A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito (art. 
5º, XXXV, CF/88). 
 
Não se confunde com o direito de petição, já que este consiste em um direito de participação 
política que não demanda a demonstração de interesse processual ou lesão a direito pessoal. 
Exceção à regra da inafastabilidade da jurisdição: O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à 
disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em 
lei (art. 217, §1º, da CF). 
 
XI. IRRETROATIVIDADE DA LEI 
 
A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada 
(art. 5º, XXXVI,CF/88). 
 
Conceitos (art. 6º da LINDB): 
I- Direito adquirido: direito que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aquele cujo 
começo do exercício tenha termo prefixo ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem; 
II- Ato jurídico perfeito: ato já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou; 
III- Coisa julgada: decisão judicial de que não caiba mais recurso. 
 
Súmula 654-STF: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da 
Constituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha 
editado. 
 
XII. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE 
 
Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a 
decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles 
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido (art. 5º XLV, CF/88). 
O princípio da pessoalidade tem duas dimensões: 
1) Dimensão negativa: impede que sanções de natureza penal extrapolem o âmbito estritamente 
pessoal do infrator, vedando a imposição de pena a terceiros; 
2) Dimensão positiva: impõe o dever de expor circunstancialmente as condutas responsáveis pelo 
ilícito, bem como de narrar com clareza o grau de participação dos acusados. 
 
A veiculação de matéria jornalística sobre delito histórico que expõe a vida 
cotidiana de terceiros não envolvidos no fato criminoso, em especial de criança e 
de adolescente, representa ofensa ao princípio da intranscendência 
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c705112d1ec18b97acac7e2d63973424?palavra-chave=esquecimento&criterio-pesquisa=texto_literal
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
STJ. 3ª Turma. REsp 1736803-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 
28/04/2020 (Info 670). 
 
É inconstitucional lei estadual que proíba a Administração Pública de contratar 
empresa que tenha tido empregado condenado por crime ou contravenção 
relacionados com a prática de atos discriminatórios 
É inconstitucional lei estadual que proíba que a Administração Pública contrate 
empresa cujo diretor, gerente ou empregado tenha sido condenado por crime ou 
contravenção relacionados com a prática de atos discriminatórios. Essa lei viola os 
princípios da intransmissibilidade da pena, da responsabilidade pessoal e do 
devido processo legal. STF. Plenário. ADI 3092, Rel. Marco Aurélio, julgado em 
22/06/2020 (Info 987 – clipping). 
 
XIII. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA: 
 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as 
seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
 
A aplicação do princípio ocorre em três âmbitos: 
 
● Plano legislativo: dirige-se ao legislador no momento da fixação dos limites mínimos e máximos da 
pena, do regime de cumprimento e dos benefícios que podem ser concedidos ao infrator. 
● Plano judicial: o magistrado, ao aplicar a pena, deve definir, fundamentadamente, a sua quantidade 
conforme os parâmetros legais, o regime inicial e os benefícios aplicáveis; 
● Plano executório: no momento da execução penal, deverá ser definido o estabelecimento prisional de 
cumprimento da pena, tendo em conta a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado (art. 5º, 
XLVIII, CF/88). 
 
* Obs.: Súmula Vinculante nº 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção 
do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros 
fixados no RE 641.320/RS. 
 
3. DIREITOS SOCIAIS 
 
São direitos de 2ª geração/dimensão. A Constituição define no art. 6º quais são os direitos sociais: 
 
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/71cc107d2e0408e60a3d3c44f47507bd?categoria=1&subcategoria=1&ano=2020
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
CRFB, Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a 
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à 
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta 
Constituição.Inclusão legislativa (Emenda Constitucional nº 114 de 2021): Parágrafo único. Todo brasileiro em 
situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica familiar, garantida pelo poder público 
em programa permanente de transferência de renda, cujas normas e requisitos de acesso serão 
determinados em lei, observada a legislação fiscal e orçamentária. (grifo nosso). 
 
● Direitos dos trabalhadores 
Direitos dos trabalhadores nas suas relações individuais de trabalho: são os direitos dos 
trabalhadores do art. 7º da CF, cujo dispositivo deve ser lido atentamente. Dentre esses direitos, destaca-se: 
· Direito ao trabalho: infere-se do valor social do trabalho como fundamento da República 
(art. 2º) e demais dispositivos constitucionais; 
· Garantia do emprego: é a proteção da relação de emprego contra despedida arbitrária ou 
sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, 
entre outros direitos, impedindo-se, dessa forma, a dispensa injustificada, sem motivo 
socialmente relevante. 
 
ATENÇÃO: A EC 72/2013 ampliou os direitos dos empregados domésticos! 
 
● É possível a efetivação de direitos sociais pelo poder judiciário? 
 R.: Embora seja prerrogativa dos Poderes Legislativo e Executivo formular e executar políticas 
públicas, o STF entende possível a efetivação de direitos sociais via Poder Judiciário, excepcionalmente, 
sobretudo nas hipóteses de políticas públicas definidas pela própria Constituição. 
 O Poder Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração Pública adote 
medidas concretas, assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais. 
 
DIREITOS COLETIVOS DOS TRABALHADORES: Exercidos pelos trabalhadores coletivamente ou no interesse 
de uma coletividade deles, previstos nos arts. 8-11. Destacamos: 
 
▪ Organização sindical: o art. 8º, CF/88, institui ampla autonomia coletiva para a fundação e direção 
desse ente associativo, não podendo o Estado intervir ou condicionar o exercício desse direito. 
Pode, contudo, ser exigida a inscrição do sindicato em órgão próprio (Ministério do Trabalho), bem 
como admite-se que a lei disponha genericamente sobre regras básicas de organização sindical. 
▪ Direito de substituição processual: a CF/88 previu a possibilidade de os sindicatos ingressarem em 
juízo na defesa de direitos e interesses coletivos e individuais da categoria, em hipótese de 
substituição processual, pois o sindicato ingressa em nome próprio na defesa de interesses alheios. 
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▪ Greve: previsto no art. 9º, cabe aos trabalhadores decidir a oportunidade de exercê-lo e os 
interesses que devam por meio dele defender. Outrossim, prevê que a lei definirá os serviços ou 
atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, 
inclusive responsabilizando os abusos cometidos. 
 
💣 Cuidado! Policial não pode fazer greve!!! 
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos 
policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de 
segurança pública. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação 
instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos 
do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. 
STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860). 
 
ATENÇÃO - Para servidores públicos civis: como não existe lei específica sobre o assunto para servidores 
públicos civis, o STF conferiu efeitos concretos aos Mandados de Injunção ajuizados pelos Sindicatos de 
Servidores Civis. Por maioria, conheceu dos mandados de injunção e propôs a solução para a omissão 
legislativa com a aplicação, no que couber, da Lei nº 7.783/89, que dispõe sobre o exercício do direito de 
greve na iniciativa privada. 
 
IMPORTANTE: 
O estudo da jurisprudência acerca do tema: “Direitos Fundamentais” é imprescindível, diante da 
elevada cobrança em provas. Nesse sentido, não deixe de ver o caderno de jurisprudências cuja leitura é 
importantíssima! Veja algumas decisões que já foram objeto de prova: 
 
 
É inconstitucional lei municipal que proíba a divulgação de material com 
referência a “ideologia de gênero” nas escolas municipais 
Compete privativamente à União legislar sobre diretrizes e bases da educação 
nacional (art. 22, XXIV, da CF), de modo que os Municípios não têm competência 
para editar lei proibindo a divulgação de material com referência a “ideologia de 
gênero” nas escolas municipais. Existe inconstitucionalidade formal. Há também 
inconstitucionalidade material nessa lei. Lei municipal proibindo essa divulgação 
viola: • a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a 
arte e o saber (art. 206, II, CF/88); e • o pluralismo de ideias e de concepções 
pedagógicas (art. 206, III). Essa lei contraria ainda um dos objetivos fundamentais 
da República Federativa do Brasil, que é a promoção do bem de todos sem 
preconceitos (art. 3º, IV, CF/88). Por fim, essa lei não cumpre com o dever estatal 
de promover políticas de inclusão e de igualdade, contribuindo para a 
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manutenção da discriminação com base na orientação sexual e identidade de 
gênero. STF. Plenário. ADPF 457, Rel. Alexandre de Moraes, julgado em 
27/04/2020. 
 
Essa jurisprudência foi cobrada na prova de Delegado de Polícia do Paraná: 
 
Caiu em prova Delegado PR/2021! Atendendo ao interesse local, os municípios podem editar lei que 
proíba a divulgação de materiais com menção à ideologia de gênero nas escolas municipais. (item 
incorreto). 
 
À luz do art. 227 da Constituição Federal, que confere proteção integral da 
criança com absoluta prioridade e do princípio da paternidade responsável, a 
licença maternidade, prevista no art. 7º, XVIII, da CF/88 e regulamentada pelo 
art. 207 da Lei 8.112/1990, estende-se ao pai genitor monoparental. STF. RE 
1348854/DF, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 
12.5.2022. (Info 1054). 
 
Caiu em prova Delegado ES/2022! Com base no disposto na Constituição Federal de 1988 (CF/88) e no 
entendimento do Supremo Tribunal Federal, assinale a opção correta acerca dos direitos sociais: O servidor 
público que seja pai monoparental faz jus à licença maternidade e ao salário maternidade pelo prazo de 180 
dias (item considerado correto). 
 
 
O STJ, através da sua 2° Turma – informativo de n° 666 – decidiu que: “A omissão 
injustificada da Administração em providenciar a disponibilização de banho 
quente nos estabelecimentos prisionaisfere a dignidade de presos sob sua 
custódia.” 
 
Caiu em prova Delegado ES/2022! Assinale a opção correta a respeito dos direitos e garantias 
fundamentais: A omissão injustificada da administração pública em providenciar a disponibilização de 
banho quente nos estabelecimentos prisionais fere a dignidade dos presos sob sua custódia (item 
considerado correto). 
 
 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: 
 
Pedro Lenza. Direito Constitucional Esquematizado. 
Marcelo Novelino. Curso de Direito Constitucional. 
Dirley da Cunha Junior. Curso de Direito Constitucional. 
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino. Direitos Constitucional Descomplicado 
Bruno Del Preti e Paulo Lépore. Manual de Direitos Humanos 
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João Trindade. Teoria Geral dos Direitos Fundamentais. Disponível em: 
http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teori
a_geral_dos_direitos_fundamentais.pdf 
Julgados comentados do site Dizer o Direito. http://www.dizerodireito.com.br/ 
 
 
 
 
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http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teoria_geral_dos_direitos_fundamentais.pdf
http://www.dizerodireito.com.br/
	DIREITO CONSTITUCIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
	1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 
	2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS1 
	2.1 Direitos x Garantias x Remédios Constitucionais 
	2.2 Direitos Fundamentais x Direitos Humanos 
	2.3 Geração dos direitos fundamentais 
	Direitos e garantias fundamentais. Dever estatal de proteção e promoção da cultura. Prática da vaquejada: hipótese de manifestação cultural - ADI 5.728/DF. É constitucional — por não configurar violação às cláusulas pétreas e por respeitar os limites formais e materiais da Constituição Federal de 1988 — a Emenda Constitucional nº 96/2017 (CF/1988, art. 225, § 7º), que estabelece que práticas desportivas com animais, como a vaquejada, não são consideradas cruéis, desde que sejam manifestações culturais registradas como patrimônio cultural imaterial e regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. STF. ADI 5.728/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 14.03.2025. (Info 1168). 
	2.4 Características dos direitos fundamentais 
	2.5 Dimensão dos Direitos Fundamentais 
	2.5.1 Desdobramentos da dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais 
	2.6 Direitos individuais implícitos e explícitos 
	2.7 Destinatários 
	2.8 Os Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988 
	2.8.1. Não taxatividade dos direitos fundamentais e tratados de direitos humanos 
	2.8.2. Hierarquia dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos 
	2.9 Deveres Fundamentais 
	2.10 Alguns direitos individuais – rol do art. 5º da CF/88 
	3. DIREITOS SOCIAISa dignidade deve ser 
considerada na interpretação das demais normas do ordenamento jurídico, uma vez que é também objetivo 
a ser alcançado na atuação do Estado brasileiro. A dignidade humana tem sido frequentemente adotada 
com essas funções pelo Supremo Tribunal Federal, na interpretação do direito. 
 
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b) Legalidade: o princípio da legalidade significa que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo 
que não esteja previamente estabelecido na própria CF/88 e nas normas jurídicas dela derivadas. O 
princípio da legalidade, desta forma, se converte em princípio da constitucionalidade (Canotilho), 
subordinando toda atividade estatal e privada à força da Constituição. No direito brasileiro encontra-se 
previsto nos arts. 5º, II; 37; e 84, IV, da CF/88. 
 
I. Legalidade x Reserva Legal: o princípio da reserva legal é um desdobramento da legalidade, que impõe e 
vincula a regulação de determinadas matérias constantes na constituição à fonte formal do tipo lei. 
II. Acepções do princípio da legalidade: 
1) Para particulares: somente a lei pode criar obrigações, de forma que a inexistência de lei proibitiva 
de determinada conduta implica ser ela permitida. Vigora a autonomia da vontade. 
2) Para a Administração Pública: O Estado se sujeita às leis, e deve atuar em conformidade à previsão 
legal. O administrador público só poderá agir dentro daquilo que é previsto e autorizado por lei. 
Obs. Sob esta acepção, o princípio da legalidade vem sofrendo uma releitura pela doutrina 
moderna, que defende a necessidade de conformação da atividade do administrador ao Direito (e 
não apenas à lei). Assim, fala-se atualmente em princípio da juridicidade (o assunto é aprofundado 
em Direito Administrativo). 
 
c) Isonomia: Segundo bem definiu Rui Barbosa, “a regra da igualdade não consiste senão em quinhoar 
desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à 
desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade (...). Tratar com desigualdade a iguais, ou 
a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real”. 
 
O princípio da igualdade compreende a igualdade formal e igualdade material, a 
primeira abrange a igualdade na lei, isto é, que nas normas jurídicas não pode 
haver distinções que não sejam autorizadas pela Constituição e que tem por 
destinatário o legislador e a igualdade perante a lei tem como destinatário os 
aplicadores da lei, segundo o qual deve se aplicar igualmente a lei, ainda que crie 
uma desigualdade. (JUNIOR, 2020, p.p. 620/621) 
 
Logo, é possível extrair: 
● Isonomia formal: igualdade perante a lei; 
● Isonomia material: tratar os desiguais na medida de sua desigualdade. 
 
É POSSÍVEL ESTABELECER CRITÉRIOS DIFERENCIADORES PARA ADMISSÃO DE CANDIDATO EM CONCURSOS 
PÚBLICOS? 
 
A jurisprudência vem admitindo algumas hipóteses de discriminação, podendo ocorrer em relação à idade, 
sexo, altura, etc., desde que sejam observados dois requisitos: 
1) Previsão legal anterior definindo os critérios de admissão para o cargo; e 
2) Razoabilidade da exigência, decorrente da natureza das atribuições do cargo a ser preenchido. 
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É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua 
realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE 
1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral). 
 
AÇÕES AFIRMATIVAS 
 
A Carta Magna busca a igualdade material. Para aplicação do princípio da isonomia, são necessárias as 
ações afirmativas, também denominadas discriminações positivas, cuja finalidade é proteger certos grupos 
sociais que demandam tratamento diverso. Tais ações consideram a realidade histórica de marginalização 
ou hipossuficiência e, assim, funcionam como medidas de compensação com o fim de concretizar uma 
igualdade de oportunidades. A exemplo, podemos citar: mercado de trabalho da mulher, cotas de vagas 
sem serviços públicos, cotas em universidades (PROUNI), cotas, Lei Maria da Penha. 
 
Segundo Dirley da Cunha Júnior: 
 
As ações afirmativas, portanto, são medidas especiais e concretas para assegurar o desenvolvimento ou a 
proteção de certos grupos, com o fito de garantir-lhes, em condições de igualdade, o pleno exercício dos 
direitos do homem e das liberdades fundamentais. (...) A própria Constituição já determina algumas ações 
afirmativas, que não podem ser negligenciadas pelo legislador ordinário, como, por exemplo, a proteção do 
mercador de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos (art.7º, XX) e a determinação de reserva 
de percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência (art.37, VIII). 
(2020, p. 623) 
Curiosidade: Ações afirmativas têm origem nos Estados Unidos da América, do qual se originou inclusive a 
nomenclatura: affirmative actions. 
 
Atenção ao julgado: Info. 1141 do STF - LEI DAS COTAS RACIAIS: VIGÊNCIA 
TEMPORÁRIA E EFICÁCIA DA AÇÃO AFIRMATIVA 
Encontram-se presentes os requisitos para a concessão da medida cautelar, pois: 
(i) há plausibilidade jurídica no que se refere à alegação de que, mesmo que 
sopesados os avanços já alcançados pela ação afirmativa de cotas raciais instituída 
pela Lei nº 12.990/2014, remanesce a necessidade da continuidade da política 
para que haja a efetiva inclusão social almejada; e (ii) há perigo da demora na 
prestação jurisdicional, consubstanciado na data de encerramento do período de 
vigência legal (10 de junho de 2024), o que pode gerar grave insegurança jurídica 
para os concursos em andamento ou finalizados recentemente. STF. ADI 7.654 
MC-Ref/DF, relator Ministro Flávio Dino, julgamento virtual finalizado em 
14.06.2024. 
 
Atenção ao julgado: Info. 1088 do STF – CANDIDATO ESTRANGEIRO 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
O candidato estrangeiro tem direito líquido e certo à nomeação em concurso 
público para provimento de cargos de professor, técnico e cientista em 
universidadese instituições de pesquisa científica e tecnológica federais, nos 
termos do art. 207, § 1º, da Constituição Federal, salvo se a restrição da 
nacionalidade estiver expressa no edital do certame com o exclusivo objetivo de 
preservar o interesse público e desde que, sem prejuízo de controle judicial, 
devidamente justificada. É inconstitucional — por violar o princípio da isonomia 
(CF/1988, art. 5º, “caput”) e a norma que estabelece às universidades e 
instituições de pesquisa científica e tecnológica a possibilidade de prover seus 
cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros (CF/1988, art. 207, § 1º) 
— a negativa de nomeação de aprovado em concurso público para cargo de 
professor em instituto federal, fundada apenas em motivo de nacionalidade.RE 
1.177.699/SC, relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 
24.3.2023. 
 
Atenção ao julgado: Info. 973 do STF - PRINCÍPIO DA IGUALDADE E SISTEMA DE 
COTAS 
É inconstitucional lei distrital que preveja percentual de vagas nas universidades 
públicas reservadas para alunos que estudaram nas escolas públicas do Distrito 
Federal, excluindo, portanto, alunos de escolas públicas de outros Estados da 
Federação. Veja que o STF não proibiu o sistema de cotas para alunos de escolas 
públicas, mas sim para alunos somente do DF (determinada localidade) violando a 
isonomia. No mesmo sentido: STF. Plenário. ADI 4868, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 27/03/2020. 
 
2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS1 
 
 A CF/88 no Título II classifica o gênero direitos e garantias fundamentais em importantes grupos. 
Veja: 
- Direitos e Deveres individuais e coletivos; 
- Direitos sociais; 
- Direitos de nacionalidade; 
- Direitos políticos; 
- Partidos políticos. 
 
2.1 Direitos x Garantias x Remédios Constitucionais 
 
1 Para aprofundamento no assunto, consultar: 
http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teoria_geral_do
s_direitos_fundamentais.pdf 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
● Direitos: são normas de conteúdo declaratório da existência de um interesse, de uma vantagem, 
isto é, imprimem a existência legal. Ex: direito à vida, à propriedade; 
● Garantias: normas de conteúdo assecuratório, que servem para assegurar o direito declarado. As 
garantias são estabelecidas pelo texto constitucional como instrumento de proteção dos direitos 
fundamentais e writs constitucionais. São também chamadas de instrumentos de tutela das 
liberdades e ações constitucionais. 
 
DIREITOS FUNDAMENTAIS GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
NORMAS QUE PROTEGEM os bens jurídicos 
fundamentais de uma sociedade 
INSTRUMENTOS que buscam proteger os 
direitos fundamentais 
Têm valor intrínseco Têm valor instrumental 
 
 Direitos são bens e vantagens prescritos na norma enquanto garantias são os instrumentos através 
dos quais se assegura esse exercício. 
Ilustrando: é inviolável a liberdade de consciência e de crença (direito), garantindo-se na forma da 
lei a proteção aos locais de culto e suas liturgias (garantia). 
 
● Remédios Constitucionais: embora todo remédio constitucional seja uma garantia, nem toda 
garantia é um remédio constitucional, porque este é um instrumento processual que tem por 
objetivo assegurar o exercício de um direito. Ex: Habeas Corpus, Mandado de Segurança. Pode-se 
dizer que os remédios constitucionais são espécies do gênero garantia. 
 
ATENÇÃO: alguns dispositivos constitucionais contêm direitos e garantias no mesmo enunciado. O art. 5º, X, 
estabelece a inviolabilidade do direito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, 
assegurando, em seguida, o direito à indenização em caso de dano material ou moral provocado pela sua 
violação. 
 
2.2 Direitos Fundamentais x Direitos Humanos 
 
Embora materialmente ambos objetivem a proteção e a promoção da dignidade da pessoa humana, 
não se confundem. Assim, convém destacar que a doutrina estabelece duas distinções entre os direitos 
humanos e os direitos fundamentais. A primeira delas relaciona-se ao locus de previsão, de modo que os 
direitos humanos – intrinsecamente ligados ao Direito Internacional Público – estão previstos em normas 
internacionais. Os direitos fundamentais, por sua vez, estão reconhecidos e positivados pelo Direito interno 
de um Estado determinado. 
A segunda distinção apontada se relaciona com a exigibilidade. Assim, os direitos humanos nem 
sempre seriam exigíveis internamente enquanto os direitos fundamentais, uma vez positivados no 
ordenamento interno (matriz constitucional) podem ser cobrados judicialmente. 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
● Direitos Humanos: são direitos reconhecidos no âmbito internacional; nem sempre exigíveis 
internamente. 
● Direitos fundamentais: são direitos reconhecidos no plano interno de um determinado Estado. 
Preferencialmente, positivados na CF; passíveis de cobrança judicial. 
 
 DIREITOS FUNDAMENTAIS DIREITOS HUMANOS 
FORMAL 
FUNDAMENTO DE 
VALIDADE/JURÍDICO 
Encontram previsão formal 
nas constituições. 
 
Encontram fundamento 
nos Tratados 
Internacionais; 
Exemplo: Declaração 
Universal dos Direitos 
Humanos da ONU. 
 
MATERIAL 
LIGADA AO CONTEÚDO 
FINALIDADE DE CADA UM DOS 
INSTITUTOS 
Estabelecem o conjunto de 
bens jurídicos básicos, 
essenciais de uma 
sociedade, não se 
limitando à proteção da 
pessoa física. 
 
Buscam a proteção da 
pessoa humana 
(exclusivamente). 
 
 
Como se classificam as normas constitucionais de direitos fundamentais quanto à eficácia e 
aplicabilidade? 
Pela classificação de José Afonso da Silva e considerando não haver direito fundamental absoluto, 
as normas podem possuir eficácia plena, e podem apresentar, conforme a hipótese, eficácia contida (ou 
restringível) ou limitada. 
 
CLASSIFICAÇÃO DE JOSÉ 
AFONSO DA SILVA 
NORMAS DE EFICÁCIA 
PLENA 
NORMAS DE EFICÁCIA 
CONTIDA 
NORMAS DE EFICÁCIA 
LIMITADA 
QUANTO À EFICÁCIA 
(PRODUÇÃO DE EFEITOS) 
Imediata Imediata Mediata/Reduzida 
 
 
QUANTO À APLICABILIDADE 
(INDEPENDÊNCIA OU 
DEPENDÊNCIA DE LEI) 
 
 
 
Autoaplicável 
 
 
 
Autoaplicável 
Não autoaplicável 
Depende de lei para sua 
aplicação 
Subdividas em normas de 
princípios institutivos 
(promovem a estruturação 
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de instituições, entidades 
e órgãos, como o art. 25, 
§3°, CF) e normas de 
conteúdo programático 
(traçam objetivos a serem 
perseguidos pelo Estado, 
como o art. 170, VIII, CF). 
QUANTO À POSSIBILIDADE 
DE RESTRIÇÃO 
Não restringível 
 
Ex: art. 5º, III, CF (vedação 
à tortura). 
Pode ser restringida pelo 
legislador 
 
Ex: art. 5º, XIII, CF (livre 
exercício de qualquer 
trabalho, desde que 
atendidas as exigências 
legais) 
Sofre restrição legal 
 
 
O que significa os efeitos negativo e positivo das normas constitucionais de direitos fundamentais? 
 
O efeito positivo diz respeito ao fato de que, pelo simples fato de surgir uma nova Constituição, ela 
revoga tudo do ordenamento anterior que for contrário a ela. As normas constitucionais têm, assim, efeitos 
positivos, no sentido de proativo, pois revogam (não recepcionam) tudo do ordenamento anterior que for 
contrário a elas. Já o efeito negativo, por sua vez, tem o sentido de vedar/negar ao legislador ordinário a 
possibilidade de produzir normas infraconstitucionais contrárias a ela (norma constitucional); e, acaso o 
poder legiferante fizer, o judiciário, entendendo que houve contrariedade, extirpa a norma do ordenamento 
jurídico por intermédio do controle de constitucionalidade. 
A Carta Magna de 1988 é um marco na história constitucional brasileira, pois a sua abertura aos 
direitos foi baseada também nos tratados internacionais celebrados pelo Brasil. Dessa forma, ela introduziu 
o mais extenso rol de direitos de diversas espécies, incluindo direitos civis, políticos, econômicos, sociais e 
culturais, além de prever várias garantias constitucionais. 
Ademais, o art. 5°, §2°, da CRFB/88 prevê o princípio da não exaustividade dos direitos 
fundamentais, ou seja, que o rol desses direitos não é taxativo, ao afirmar que os direitos e garantias 
expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes: i) do regime e dos princípios por ela 
adotados e ii) dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 
A fundamentalidade material dos direitos fundamentais decorre da abertura da Constituição a 
outros direitos fundamentais não expressamente constitucionalizados. O aspecto material dos 
direitos fundamentais nasce da essência do seu conteúdo substancial normativo. 
 
Caiu em prova Delegado RJ/2022! A fundamentalidade material dos direitos fundamentais decorre da 
circunstância de serem os direitos fundamentais elemento constitutivo da Constituição material, contendo 
decisões fundamentais sobre a estrutura básica do Estado e da sociedade (item correto). 
 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
2.3 Geração dos direitos fundamentais 
 
 As dimensões ou gerações dos direitos humanos são cobrados com frequência nos Concursos 
Públicos. O tema foi apresentado pela primeira vez por Karel Vasak, em sua forma clássica chamada de 
Gerações dos Direitos Humanos, desdobrando-se em 1ª, 2ª e 3ª gerações. Em provas objetivas, a tendência 
é que se cobre essas gerações, tendo em vista que não há controvérsias relevantes sobre elas. 
Trata-se de classificação dos direitos fundamentais que tem como critério o contexto histórico em 
que surgiram, a ordem cronológica de reconhecimento e afirmação dos direitos fundamentais. 
 
#DICA DD: Classificar os direitos em gerações sugere a ideia de superação de que 
as gerações mais novas suplantam as anteriores. Assim, e visando afastar essa 
concepção substitutiva de uma geração sobre a outra bem como a impressão de 
que existe uma relação de antiguidade ou posteridade dos direitos, a doutrina 
moderna entende que o mais adequado é falar em dimensões, uma vez que 
inexiste cronologia nesses direitos. 
 
Como o tema foi cobrado (CESPE, Oral PCRO/2023) (espelho): 
Não existe sucessão cronológica precisa e definida na evolução dos direitos individuais e coletivos, de modo 
que não é o mais correto falar em gerações de direitos fundamentais ou direitos humanos. Por essa razão, 
muitos doutrinadores preferem falar em dimensões dos direitos fundamentais e não em gerações. Esses 
direitos evoluem de forma cumulativa e somam-se à evolução dos direitos precedentes. O termo 
“dimensão” dos direitos fundamentais dá uma noção mais clara dos valores prevalecentes em cada uma 
dessas classificações de direitos, mas não de sucessividade ou de estanqueidade entre eles. 
 
Como os direitos fundamentais são indivisíveis e possuem relação entre si de fortalecimento mútuo, 
e não de exclusão mútua, o surgimento de uma nova geração de direitos tem o viés de fortalecer a geração 
já existente. Ex.: direito à educação fortalece o direito de liberdade de expressão. 
 
1) DIREITOS DE PRIMEIRA GERAÇÃO OU PRIMEIRA DIMENSÃO (individuais ou negativos): 
 Surgem no contexto histórico das revoluções liberais, burguesas, diante do nascimento do 
constitucionalismo liberal – Séc. XIX. Marcam a passagem de um Estado autoritário para um Estado de 
Direito. Grandes Marcos dos direitos de 1ª dimensão: 
· Inglaterra – 1.215 – Magna Carta, assinada pelo Rei “João Sem Terra” 
· EUA – 1.776 – Declaração de Independência Americana 
· EUA – 1.787 – Constituição Americana 
· França – 1.789 – Revolução Francesa 
· França – 1.791 – Constituição Francesa 
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 Estão relacionados à luta pela liberdade e segurança diante do Estado. Trata-se de impor ao Estado 
obrigações de não-fazer (absenteísmo estatal) e se relacionam às pessoas, individualmente. Ex.: 
propriedade, igualdade formal (perante a lei), liberdade de crença, de manifestação de pensamento, direito 
à vida etc. 
 Obs.1: são chamados também de direitos negativos ou direitos de defesa. 
 Obs.2: o fundamento dos direitos de 1ª geração/dimensão é a IGUALDADE FORMAL. 
 
2) DIREITOS DE SEGUNDA GERAÇÃO OU SEGUNDA DIMENSÃO (sociais, econômicos e culturais ou 
direitos positivos): 
 Surgem no final do século XIX e início do século XX, diante do fenômeno do constitucionalismo 
social (ligado ao movimento do socialismo). Grandes Marcos: 
· Constituição Mexicana de 1917 
· Constituição Alemã de Weimar de 1919 
· Tratado de Versalhes, de 1919 (OIT) 
· Rússia – 1.917/18 – Declaração do Povo Oprimido e Trabalhador – Revolução Russa 
· Constituição Brasileira de 1934. 
 
 São os direitos de grupos sociais menos favorecidos, e que impõem ao Estado uma obrigação de 
fazer, de prestar (por isso são chamados de direitos prestacionais). Buscam viabilizar, através do Estado, a 
satisfação das necessidades básicas dosindivíduos como forma de lhes proporcionar uma vida digna. Ex: 
saúde, educação, moradia, segurança pública. 
 Os direitos sociais elencados no art. 6º da CF/88 são exemplos clássicos de direitos de 2ª 
geração/dimensão: 
 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a 
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à 
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta 
Constituição. 
DICA DD: O direito ao transporte não é uma norma constitucional originária e foi 
incluído no rol do direitos sociais pela EC. 90/2015. 
 
Observação: A teoria da reserva do possível é uma limitação fática e jurídica oponível à realização dos 
direitos fundamentais, sobretudo os de cunho prestacional. Como é cediço, o Estado não possui recursos 
materiais ilimitados, o que leva os administradores a realizarem escolhas trágicas, alocando esses recursos 
em ações prioritárias. O limite da reserva do possível é o mínimo existencial, núcleo da dignidade da pessoa 
humana. Nesse contexto, a reserva do possível deve ser analisada sob três aspectos: 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 
I - Disponibilidade fática dos recursos para efetivação dos direitos fundamentais. 
II - Disponibilidade jurídica dos recursos, mediante autorização orçamentária. 
III - Razoabilidade e proporcionalidade da prestação, levando-se em consideração a universalização da 
demanda, não apenas o indivíduo. Nesse sentido, não se pode exigir judicialmente do Estado uma 
prestação que não possa ser concedida a todos os indivíduos que se encontrem em situação idêntica, sob 
pena de violação do princípio da isonomia. 
 
Contudo, conforme reiterada jurisprudência do STF, o fundamento da reserva do possível pelo Estado não é 
tese apta a fundamentar a não execução de políticas públicas. Com efeito, prepondera-se a tese do mínimo 
existencial. De forma atípica o Poder Judiciário atua, autorizado pela jurisprudência atual, com proatividade 
intervindo nas políticas públicas não executadas pelo ente subnacional. A exemplo, é a ADPF de n° 347 que, 
em seu bojo, aplicou a tese do estado de coisas inconstitucional em razão da massiva violação de direitos 
fundamentais em seu sentido objetivo. 
 
Inclusive, o STF no tema 365 da repercussão geral fixou a seguinte tese: “Considerando que é dever do 
Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os padrões mínimos de humanidade 
previsto no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, §6°, da Constituição 
Federal, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em 
decorrência da falta de ou insuficiência das condições legais de encarceramento” (RE 580.252, 16.02.2017) 
 
Assim, a Corte entendeu que não sendo assegurado o mínimo existencial, não se poderia sustentar a 
aplicação da cláusula de reserva financeira do possível para o Estado deixar de indenizar. 
 
Obs.1: o fundamento dos direitos de 2ª dimensão é a IGUALDADE MATERIAL. 
Obs.2: o efeito bipolar dos direitos de 2ª dimensão e princípio da vedação ao retrocesso: 
Os direitos de 2ª dimensão (direitos sociais) não possuem apenas um viés positivo, mas também um 
viés negativo. 
 
● Viés negativo – Fruto da vedação ao retrocesso (efeito cliquet) → Uma vez implementado o direito 
de 2ª dimensão por medida estatal, o próprio Estado passa a ter o dever de se abster de retornar ao 
status quo de quando o direito ainda não tinha efetividade. O indivíduo também tem o direito de 
exigir um não fazer estatal com o intuito de preservar o direito fundamental já efetivado. Em outras 
palavras: não pode promover um retrocesso social, revogar ou enfraquecer normas que já 
alcançaram o grau de densidade normativo adequado. Ex.: 13º salário. 
● Viés positivo – Aqui a ideia não é só manter o status quo, mas também implementar/desenvolver 
novos direitos sociais. E, enquanto não for implementado, o indivíduo possui o direito de exigir um 
atuar do Estado com o intuito de realizá-lo (ideia de direitos prestacionais). 
 
Como vimos, dentre os direitos fundamentais de 2º Dimensão incluem-se os direitos culturais. 
Sobre o tema, é importante ter atenção à jurisprudência do STF sobre a prática da vaquejada. Vejamos: 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
Direitos e garantias fundamentais. Dever estatal de proteção e promoção da 
cultura. Prática da vaquejada: hipótese de manifestação cultural - ADI 5.728/DF. É 
constitucional — por não configurar violação às cláusulas pétreas e por respeitar 
os limites formais e materiais da Constituição Federal de 1988 — a Emenda 
Constitucional nº 96/2017 (CF/1988, art. 225, § 7º), que estabelece que práticas 
desportivas com animais, como a vaquejada, não são consideradas cruéis, desde 
que sejam manifestações culturais registradas como patrimônio cultural 
imaterial e regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos 
animais envolvidos. STF. ADI 5.728/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento 
virtual finalizado em 14.03.2025. (Info 1168). 
 
3) DIREITOS DE TERCEIRA GERAÇÃO OU TERCEIRA DIMENSÃO (difusos e coletivos): 
 
 Surgem na 2ª metade do séc. XX, no pós 2ª Guerra, ligados aos movimentos de melhoria da 
qualidade de vida dos cidadãos. São direitos transindividuais, isto é, direitos que são de várias pessoas, mas 
não pertencem a ninguém isoladamente. Transcendem o indivíduo isoladamente considerado. Necessidade 
de preservacionismo ambiental e as dificuldades para proteção dos consumidores. Possuem caráter 
indivisível e são titularizados por toda a coletividade. Ex.: direito ao meio ambiente. 
 São também conhecidos como: 
● DIREITOS DE FRATERNIDADE 
● Direitos metaindividuais (estão além do indivíduo) 
● Direitos supraindividuais (estão acima do indivíduo isoladamente considerado). 
 
Vamos esquematizar? 
 Direitos de 1ª 
GERAÇÃO/DIMENSÃO 
Direitos de 2ª 
GERAÇÃO/DIMENSÃO 
Direitos de 3ª 
GERAÇÃO/DIMENSÃO 
 
CONTEXTO 
HISTÓRICO 
Surgem com revoluções 
liberais, burguesas, diante do 
nascimento do 
constitucionalismo liberal. – 
Séc. XIX. 
Surgem no final do século XIX 
e início do século XX, diante 
do fenômeno do 
constitucionalismo social. 
 
2ª metade do séc. XX, no pós 
2ª Guerra, ligados aos 
movimentos de melhoria da 
qualidade de vida dos 
cidadãos. 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
MARCOS Inglaterra – 1.215 – Magna 
Carta 
EUA – 1.776 – Declaração de 
Independência Americana 
EUA – 1.787 – Constituição 
Americana 
França – 1.789 – Revolução 
Francesa 
França – 1.791 – Constituição 
Francesa 
Constituição Mexicana de 
1917 
Constituição Alemã de 
Weimar de 1919 
Rússia – 1.917/18 – 
Declaração do Povo Oprimido 
e Trabalhador – Revolução 
Russa 
Constituição Brasileira de 
1934. 
A Declaração Universal dos 
Direitos Humanos, embora 
não traga especificamente 
direitos de terceira dimensão, 
é considerada como um 
documento embrionário desta 
dimensão de direitos, 
trazendo a fraternidade em 
seu artigo 1º. 
SINÔNIMOS direitos negativos, direitos de 
abstenção. 
direitos sociais, econômicos e 
culturais 
direitos positivos, direitos 
prestacionais 
difusos e coletivos 
direitos metaindividuais 
direitos supraindividuais 
 
FUNDAMENTO Igualdade FORMAL Igualdade MATERIAL FRATERNIDADE 
CONCEITO Buscam limitar o poder 
estatal, impondo ao Estado 
obrigações de não-fazer e se 
relacionam às pessoas, 
individualmente. 
 
São direitos que impõem ao 
Estado uma obrigação de 
fazer, de prestar. 
Buscam viabilizar, através do 
Estado, a satisfação das 
necessidades básicas dos 
indivíduos como forma de 
lhes proporcionar uma vida 
digna. 
São direitos transindividuais, 
isto é, titularizados por toda a 
coletividade, não pertencendo 
a uma pessoa isoladamente. 
 
Possuem caráter indivisível. 
 
EXEMPLOS Propriedade, igualdade formal 
(perante a lei), liberdade de 
crença, de manifestação de 
pensamento, direito à vida, 
direito de locomoção 
Saúde, educação, moradia, 
segurança pública. 
Direito ao meio ambiente, 
direito ao desenvolvimento, 
direito de propriedade sobre o 
patrimônio da humanidade, 
direito de comunicação 
 
NOVAS GERAÇÕES/DIMENSÕES DE DIREITOS FUNDAMENTAIS: 
 
4) DIREITOS DE QUARTA GERAÇÃO OU QUARTA DIMENSÃO 
 
 Há autores que se referem a essa categoria, mas ainda não há consenso na doutrina sobre qual o 
conteúdo desse tipo de direitos. 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 Segundo o autor Paulo Bonavides os direitos de quarta dimensão seriam fruto do processo de 
globalização dos direitos fundamentais, no sentido de uma universalização desses direitos no plano 
institucional, o que corresponde à última fase da institucionalização do Estado Social, de forma a 
sacramentar a evolução democrática e social alcançada até então, ou seja, democracia (direta), informação 
e pluralismo2. Assim, para Bonavides, os direitos de 4a dimensão decorrem da globalização dos direitos 
fundamentais, o que significa universalizá-los no campo institucional. Para Bobbio, essa dimensão está 
ligada aos avanços no campo da engenharia genética. 
 
● Direito à democracia participativa – A democracia participativa ou semidireta é uma democracia 
indireta, mas que conta com instrumentos de participação direta do povo no processo político. 
Esses mecanismos de participação direta integrariam o rol dos direitos de quarta dimensão: 
· Plebiscito; Referendo; Iniciativa popular de lei; Ação popular, etc. 
 
● Direito à informação - consequência do próprio regime democrático, conjugado com a forma 
republicana de governo. Garante o direito à transparência e, consequentemente, o direito à 
informação (exemplo: lei de acesso à informação; art. 5º, XXXIII, CF/88) 
 
● Direitos ligados às questões de bioética. 
 
● Direitos ao pluralismo (art. 1º, CF/88). 
 
5) DIREITOS DE QUINTA GERAÇÃO OU DIMENSÃO: direito à paz para Bonavides (para Karel Vasak a paz 
está na 3a dimensão). 
 
Quadro sinóptico – Segundo Paulo Bonavides: 
2 O Estado Social ou Estado do Bem-estar Social (Welfare State) surgiu como forma de reação à crise do Estado liberal, 
notadamente em razão das desigualdades sociais vivenciadas à época. Os direitos sociais e econômicos passam a ser 
contemplados de modo mais amplo, como corolários da igualdade material, sendo, posteriormente classificados como 
direitos fundamentais de segunda geração. 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 
(Mazzuoli, 2018) 
 
Obs.: Crítica doutrinária às “novas dimensões” de direitos fundamentais 
Parcela da doutrina critica a classificação de outras dimensões de direito, pois seriam direitos já 
existentes aplicados, hoje, a um novo contexto social, diante da evolução da sociedade. 
 
Ingo Salert – “trazer novas dimensões é dar destaque ao direito, não trata o direito 
como um mero desdobramento de um outro direito que já está nas 3 dimensões 
anteriores, de modo a facilitar a sua efetivação e proteção. Ex.: questões de 
bioética trabalham com direitos básicos como direito à integridade, ao próprio 
corpo e dignidade.” 
 
2.4 Características dos direitos fundamentais 
 
● Historicidade: o que se entende por direitos fundamentais varia de acordo com o momento histórico, 
não são conceitos herméticos e fechados, variando no tempo e no espaço. Emergem progressivamente 
das lutas que o homem trava por sua própria emancipação. 
● Inalienabilidade: são direitos sem conteúdo econômico patrimonial, não podem ser comercializados 
ou permutados. 
● Imprescritibilidade: são sempre exigíveis, ainda que não exercidos. 
● Irrenunciabilidade: o indivíduo pode não exercer os seus direitos, mas não pode renunciá-los, de modo 
geral. OBS: O STF admite, excepcionalmente, a renúncia temporária aos direitos que não ferem o 
núcleo da dignidade da pessoa humana, como no caso de participação em reality show. 
● Relatividade: não são direitos absolutos. Se houver um choque entre os direitos fundamentais, serão 
resolvidos por um juízo de ponderação à luz da razoabilidade e da concordância prática ou 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
harmonização levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais 
envolvidos conjugando-a com a sua mínima restrição (limitabilidade). 
 
Apesar da limitabilidade inerente à natureza dos direitos humanos, a doutrina contemporânea 
sustenta que existem 2 exceções a essa regra, as quais seriam direitos considerados absolutos: a vedação à 
tortura (art. 5° da DUDH) e a vedação à escravidão (art. 4° da DUDH). 
 De acordo com o Professor Bruno Pinheiro, parte da doutrina aponta que existem Direitos 
Fundamentais Absolutos: 
a) Direito a Não Tortura (apontado por Norberto Bobbio) 
b) Direito a Não Escravidão 
c) Direito a Não Extradição do Brasileiro Nato (art. 5º, LI, CF/88) → apontado por Carlos Ayres Britto. 
 
TEORIA DA RESTRIÇÃO DAS RESTRIÇÕES (= LIMITAÇÃO DAS LIMITAÇÕES) 
- É teoria alemã, adotada no Brasil pelo STF; 
- Uma das características dos direitos fundamentais é que eles são relativos, ou seja, podem sofrer 
limitações. Porém, essas restrições devem ser feitas com critérios e de forma excepcional a não esvaziar o 
seu núcleo essencial. Conclusão: Pode haver restrições aos direitos fundamentais, mas essas restrições 
devem ser limitadas, não atingindo seu núcleo essencial. 
- Só podem ser impostas restrições se obedecerem aos seguintes requisitos: 
Requisito formal: os direitos fundamentais só podem ser restringidos em caráter geral por meio de normas 
elaboradas por órgãos dotados de atribuição legiferante conferido pela CF/88. A restrição deve estar 
expressa ou implicitamente autorizada. 
Requisitos materiais: para a restrição ser válida, deve observar aos seguintes princípios: 
- Não retroatividade; 
- Proporcionalidade; 
- Generalidade e abstração; 
- Proteção do núcleo essencial. 
 
A teoria dos limites dos limites (Schranhen- Schranken), ou seja, limites (com base em determinados 
parâmetros) para a limitação (restrição) dos direitos fundamentais adota, portanto, critérios (limites) para 
que tais limitações ocorram foram estabelecidos”. 
 
Por fim, os direitos fundamentais podem ser restringidos, em primeiro lugar, pela própria Constituição, seja 
em nome de outros direitos fundamentais (a liberdade de expressão não inclui o direito de caluniar alguém 
– cf. art. 5º, IV e X) seja para promover valores e interesses coletivos (a liberdade de ir e vir pode ser 
limitada no estado de sítio – art. 139, I). Podem ser restringidos, também, pela lei, tanto em hipóteses nas 
quais a Constituição expressamente preveja a limitação (a inviolabilidade das comunicações telefônicas 
pode ser excepcionada por lei para fins de investigação criminal ou instrução processual penal – art. 5º, XII 
–, e a liberdade de trabalho pode estar sujeita a qualificações impostas por lei) quanto com base nos limites 
imanentes. 
 
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Caiu em prova Delegado RJ/2022! O método de solução de conflitos entre direitos fundamentais 
constitucionalmente previstos, em caso de colisão, é a ponderação de interesses; o legislador, contudo, por 
força do princípio democrático, pode resolver conflitos por meio da lei, efetuando a ponderação em abstrato. 
Técnica de Robert Alexy: a ponderação de interesses é considerada um método de solução de conflitos em 
caso de colisão entre direitos fundamentais constitucionalmente previstos. Ademais, a CRFB assegura ao 
Poder Legislativo a prerrogativa de estabelecer regras jurídicas em abstrato, como forma de resolver conflitos 
por meio da lei, efetuando a ponderação em abstrato. 
 
Não confunda com a teoria dos direitos imanentes: “A doutrina da imanência busca justificar 
dogmaticamente o reconhecimento de limites não expressamente previstos no texto da Constituição, tendo 
sido elaborada com base em duas premissas genericamente aceitas no pensamento jurídico: i) a ideia de que 
os direitos fundamentais não são absolutos nem podem ser invocados em todas as situações; e ii) a noção de 
que os direitos das pessoas devem ser harmonizados entre si”. Jane Reis Gonçalves Pereira, Interpretação 
constitucional e direitos fundamentais, 2006, p. 182. 
Para Canotilho: "(...) os chamados ‘limites imanentes' são o resultado de uma ponderação de princípios 
jurídico-constitucionais conducente ao afastamento definitivo, num caso concreto, de uma dimensão que 
prima facie, cabia no âmbito prospectivo de um direito, liberdade e garantia." Nesse ponto, adota-se as 
definições (e descrições) teóricas de Virgílio Afonso da Silva. In: SILVA, Virgílio Afonso. Direitos Fundamentais, 
conteúdo essencial, restrições e eficácia, p. 166. Para o autor, em termos rigorosos, os limites imanentes não 
se relacionam com a possibilidade de restrições aos direitos fundamentais e, com isso a ponderação 
mediante a regra da proporcionalidade. 
 
● Personalidade: não se transmitem. 
● Concorrência e cumulatividade: são direitos que podem ser exercidos ao mesmo tempo. 
● Universalidade: são universais, destinando-se a todos os seres humanos, indiscriminadamente. 
Independentemente de as nações serem signatárias da declaração universal dos direitos humanos, 
devem ser reconhecidos em todo o planeta, independentemente, da cultura, política e sociedade. 
 
De acordo com o Professor Bruno Pinheiro, é a característica da Universalidade 
que fundamenta a interpretação extensiva e sistemática do art. 5º, caput da 
CF/88, permitindo a aplicação dos direitos fundamentais aos apátridas, e aos 
estrangeiros não residentes no país. 
“Todo e qualquer ser humano é sujeito ativo desses direitos, podendo pleiteá-los 
em qualquer foro nacional ou internacional (parágrafo 5° da Declaração e 
Programa de Ação de Viena de 1993);” 
 
Como o tema foi cobrado (Cespe, Oral RO/2023) (espelho): 
A universalidade dos direitos fundamentais significa que todo ser humano os detém, apenas por sua 
condição humana, embora haja alguns desses direitos que não necessariamente possam ser exercidos por 
todas as pessoas. Os direitos políticos, por exemplo, em alguns casos pressupõem a condição de 
nacionalidade de um país, de modo que estrangeiros não podem exercê-los plenamente. 
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DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 
● Proibição de retrocesso: não se pode retroceder nos avanços históricos conquistados. Os direitos 
fundamentais são o resultado de um processo evolutivo, marcado por lutas e conquistas em prol da 
afirmação de posições jurídicas concretizadoras da dignidade da pessoa humana e, por isso, uma vez 
reconhecidos, não podem ser suprimidos, abolidos ou enfraquecidos. Destaca-se que há várias 
manifestações no STF sobre esse princípio, especialmente do Min. Celso de Mello, paraquem “o 
princípio da proibição do retrocesso impede, em tema de direitos fundamentais de caráter social, que 
sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele 
vive.” (STF, ARE n.º 639.337 AgR/SP, 2.ª Turma, Rel. Min. Celso de Mello, j. 23.08.2011, DJe 
15.09.2011.). 
 
2.5 Dimensão dos Direitos Fundamentais 
 
a) Dimensão subjetiva: os direitos fundamentais conferem aos seus titulares o poder de exigir algo, seja 
ação ou omissão. 
Ex.: omissão - respeitar a autonomia da vontade, sem interferir na religião, política, etc. 
Ex.: ação - exigir do Estado uma atuação comissiva, exigir ações para garantir educação, saúde, etc. 
 
b) Dimensão objetiva: os direitos fundamentais encarnam valores que permeiam toda a ordem jurídica, 
condicionam e inspiram a interpretação e aplicação de outras normas (EFICÁCIA IRRADIANTE) e criam 
dever geral de proteção sobre os bens salvaguardados. Assim, a dimensão objetiva dos direitos 
fundamentais consiste em atribuir a estes importância máxima dentro do ordenamento jurídico: eles 
são a base, o eixo axiológico de todo o ordenamento jurídico. 
 
Caiu na prova Delegado SP/2023! A dimensão objetiva dos direitos fundamentais está ligada ao 
reconhecimento de que tais direitos implicam deveres de proteção do Estado. (ITEM CORRETO) 
 
2.5.1 Desdobramentos da dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais 
 
A dimensão objetiva atribui força aos direitos fundamentais, que passam a ser a diretriz para a 
aplicação e interpretação das normas: 
 
1) Eficácia interpretativa dos direitos fundamentais 
Com a dimensão objetiva, os direitos fundamentais ganham um reforço na sua juridicidade, 
ganhando força no ordenamento jurídico e, além disso, se tornam normas de eficácia irradiante, que, 
tendo como base o princípio da dignidade da pessoa humana, se espalham para todo o ordenamento 
jurídico, vinculando os 3 Poderes do Estado, seja para o Legislativo ao elaborar a lei, seja para a 
Administração Pública ao “governar”, seja para o Judiciário ao resolver eventuais conflitos. 
Valores morais incorporados nos princípios constitucionais que devem irradiar por todo o 
ordenamento jurídico. 
Gera o dever do intérprete de promover a filtragem constitucional 
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2) Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: 
Com a evolução da teoria dos direitos fundamentais, atualmente é reconhecida a incidência 
também na relação entre particulares, em igualdade de armas. Logo, pode se definir a incidência e 
necessidade de observância de todos os direitos fundamentais nas relações privadas (PARTICULAR X 
PARTICULAR). O STF já reconheceu a aludida eficácia. 
Em outras palavras: a eficácia horizontal dos direitos fundamentais consiste na possibilidade de 
aplicação dos direitos fundamentais nas relações jurídicas estritamente privadas. 
Em relação à eficácia horizontal dos direitos fundamentais, pode-se destacar 2 teorias: 
 
1) Eficácia indireta ou mediata: os direitos fundamentais são aplicados de maneira reflexa, tanto em 
uma dimensão proibitiva e voltada para o legislador, que não poderá editar lei que viole direitos 
fundamentais, como, ainda, positiva, voltada para que o legislador implemente os direitos 
fundamentais, ponderando quais devem aplicar-se às relações privadas; 
2) Eficácia direta ou imediata: alguns direitos fundamentais podem ser aplicados às relações privadas 
sem que haja a necessidade de “intermediação legislativa” para a sua concretização. 
 
Precedentes em que o STF reconheceu a eficácia horizontal dos direitos fundamentais: 
· RE 160.222 – Entendeu que constitui constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em 
fábrica de lingerie. 
· RE 158.215 – Violação ao princípio do devido processo legal na hipótese de exclusão de associado 
de cooperativa sem direito à defesa. 
· ADI 2572 – Constitucionalidade da reserva de vagas para pessoas obesas – O STF entendeu que não 
há inconstitucionalidade material, tendo em vista que se trata de política inclusiva que não afronta 
a liberdade de iniciativa, principalmente se considerada a eficácia horizontal dos direitos 
fundamentais. 
 
A eficácia dos direitos fundamentais pode também pode ser: 
● Vertical: aplica-se à tradicional ideia de limitação de poder do Estado e respeito aos direitos dos 
indivíduos, conferindo direitos básicos e garantias aos indivíduos. Há um poder superior (Estado), 
em face do indivíduo, em posições diferentes (ESTADO X PARTICULAR); 
 
TEORIA DOS QUATRO STATUS DE JELLINEK 
São as possíveis relações do indivíduo com o Estado: 
● Passivo ou “subjectionis”: o indivíduo encontra-se em posição de subordinação com relação aos 
poderes públicos; 
● Ativo (direitos políticos): é o poder do indivíduo de interferir na formação da vontade do Estado, 
sobretudo através do voto; 
● Negativo: o indivíduo pode agir livre da atuação do Estado, podendo autodeterminar-se sem 
ingerência estatal (abstenção estatal); 
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● Positivo ou “civitatis”: é a possibilidade de o indivíduo exigir atuações positivas do Estado em seu 
favor. 
 
● Diagonal: teoria desenvolvida por Sérgio Gamonal, e consiste na incidência e observância dos 
direitos fundamentais nas relações privadas marcadas por desigualdade de forças, ante a 
vulnerabilidade de uma das partes. Na hipótese, embora as partes teoricamente estejam em 
posição equivalente (PARTICULAR X PARTICULAR), na prática há império do poder econômico, por 
exemplo, nas relações envolvendo crianças, pessoas com deficiência, trabalhadores, consumidores 
etc. O TST já adotou a eficácia diagonal em alguns julgados, inclusive. 
 
EFICÁCIA VERTICAL EFICÁCIA HORIZONTAL EFICÁCIA DIAGONAL 
A aplicação dos direitos 
fundamentais às relações entre 
Estado e particulares, a relação de 
subordinação que o particular tem 
com o Estado. 
A aplicação dos direitos 
fundamentais às relações 
entre os próprios 
particulares. 
Há hipossuficiência de uma das 
partes. É uma relação entre 
particulares onde não há uma 
igualdade fática. 
 
2.6 Direitos individuais implícitos e explícitos 
 
Os direitos individuais podem ser explícitos ou implícitos. 
● Explícitos: são aqueles previstos expressamente no texto da Constituição Federal. Como exemplo, 
os contidos no art. 5° da CF/88 e seus incisos, em especial os previstos no caput do mencionado 
artigo, como a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade. 
● Implícitos: o reconhecimento decorre de interpretação do texto da Lei. Isto se evidencia pela leitura 
do art. 5º, § 2º, da CF/88, que reconhece a existência de outros direitos individuais "decorrentes

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