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DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 1 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Sumário DIREITO CONSTITUCIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS.............................................................. 3 1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS...................................................................................................................... 4 2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS.......................................................................................................9 2.1 Direitos x Garantias x Remédios Constitucionais...................................................................................9 2.2 Direitos Fundamentais x Direitos Humanos........................................................................................ 10 2.3 Geração dos direitos fundamentais.....................................................................................................12 2.4 Características dos direitos fundamentais...........................................................................................18 2.5 Dimensão dos Direitos Fundamentais................................................................................................. 21 2.5.1 Desdobramentos da dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais.........................................22 2.6 Direitos individuais implícitos e explícitos........................................................................................... 23 2.7 Destinatários........................................................................................................................................25 2.8 Os Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988............................................................... 26 2.8.1. Não taxatividade dos direitos fundamentais e tratados de direitos humanos..........................26 2.8.2. Hierarquia dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos..................................................27 2.9 Deveres Fundamentais........................................................................................................................ 28 2.10 Alguns direitos individuais – rol do art. 5º da CF/88......................................................................... 29 3. DIREITOS SOCIAIS.........................................................................................................................................61 2 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS DIREITO CONSTITUCIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA CF/88 ⦁ Art. 1º, III ⦁ Art. 3º ⦁ Art. 4º, 5º, 6º e 7º ⦁ Art. 8º a 11º OUTROS DIPLOMAS LEGAIS ⦁ Lei nº 9.296/96 (Lei de interceptação telefônica) ⦁ Lei nº 9.455/97 (Lei de tortura) ⦁ Lei nº 7.716/90 (Lei de racismo) ⦁ Lei nº 12.037/2009 (Lei de Identificação criminal) ⦁ Lei nº 12.016/2009 (Lei do mandado de segurança) ⦁ Lei nº 13.300/2016 (Lei do mandado de injunção) ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! PRINCIPAIS INCISOS DO ART. 5º, CF/88: ⦁ Inc. I, II, IV ⦁ Inc. III e XLII (leitura conjunta com a Lei nº 7.716/90) ⦁ Inc. VIII (leitura conjunta com o art. 15, IV, CF/88) ⦁ Inc. XI (leitura conjunta com os arts. 3-B, XI; 240, §1º e 243 do CPP) ⦁ Inc. XII (leitura conjunta com a Lei nº 9.296/96) ⦁ Inc. XVI a XXI (muito cobrados em prova objetiva!) ⦁ Inc. XXXIII a XXXV ⦁ Inc. XXXVII (leitura conjunta com o inc. LIII – princípio do juiz natural) ⦁ Inc. XXXIX e XL (leitura conjunta com o art. 1º e 2º do CP) ⦁ Inc. XLIII a LV (leitura obrigatória!) ⦁ Inc. LVI (leitura conjunta com o art. 157, CPP) ⦁ Inc. LVII e LX ⦁ Inc. LVIII (leitura conjunta com o art. 3º, 4º e 5º da Lei nº 12.037/2009) ⦁ Inc. LXI a LXVII (leitura conjunta com os art. 301 a 310, CPP) ⦁ Inc. LXVIII ⦁ Inc. LXIX e LXX (leitura conjunta com a Lei nº 12.016/2009) ⦁ Inc. LXXI (leitura conjunta com a Lei nº 13.300/2016) ⦁ Inc. LXXII a LXXVIII ⦁ §§1º e 3º 3 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA Súmula 444-STJ: É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base. Súmula 403-STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. Súmula 2-STJ: Não cabe o habeas data (CF, art. 5º, LXXII, letra "a") se não houver recusa de informações por parte da autoridade administrativa. Súmula vinculante 1-STF: Ofende a garantia constitucional do ato jurídico perfeito a decisão que, sem ponderar as circunstâncias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de acordo constante do termo de adesão instituído pela Lei Complementar nº 110/2001. Súmula 654-STF: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado. Súmula 280-STJ: O art. 35 do Decreto-Lei n° 7.661, de 1945, que estabelece a prisão administrativa, foi revogado pelos incisos LXI e LXVII do art. 5° da Constituição Federal de 1988. Súmula vinculante 25-STF: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. Súmula 419-STJ: Descabe a prisão civil do depositário infiel. 1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Partindo-se da compreensão de que a Constituição consiste num sistema aberto de regras e princípios e que a Constituição é uma norma principiológica por natureza, é preciso identificar parâmetros sérios para a boa compreensão dos princípios e, consequentemente, das normas constitucionais como um todo. Conforme Dworkin, os princípios são normas jurídicas que, em que pese não tragam em si soluções prontas e acabadas para os casos concretos, direcionam a decisão dos juízes a soluções justas que respeitem a equidade das relações jurídicas e a integridade do sistema jurídico. Já para Alexy, num sentido próximo, mas não idêntico ao de Dworkin, os princípios são normas jurídicas que estabelecemdo regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais de que a República Federativa do Brasil seja parte". ● Eventual novo direito individual criado por meio de emenda constitucional é considerado cláusula pétrea? NÃO. Segundo Gilmar Mendes, deve-se ter em mente que as cláusulas pétreas “se fundamentam na superioridade do poder constituinte originário sobre o de reforma”, de maneira que somente o primeiro pode criar obstáculos à atuação do segundo. Não faz sentido, do ponto de vista lógico, permitir que o poder reformador crie limites invencíveis a si mesmo. Assim, conclui Gilmar Mendes que “não é cabível que o poder de reforma crie cláusulas pétreas. Apenas o poder constituinte originário pode fazê-lo”. Caso EC crie um novo direito fundamental, este não será cláusula pétrea. 24 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS É preciso distinguir, contudo, a situação em que uma EC apenas especifica, detalha ou incrementa um direito fundamental já criado, sem inovar no rol de direitos. Nesse caso, ainda que introduzida por EC, a novidade é considerada cláusula pétrea. Para Gilmar Mendes “é o que se deu, por exemplo, com o direito à prestação jurisdicional célere somado ao rol do art. 5º da Constituição pela EC 45/04. Esse direito já existia, como elemento necessário do direito de acesso à justiça – que há de ser ágil para ser efetiva – e do princípio do devido processo legal, ambos assentados pelo constituinte originário”. Classificação dos direitos fundamentais explícitos: ● Direitos individuais e coletivos: direitos ligados ao conceito de pessoa humana e sua própria personalidade, com, por exemplo, vida, dignidade da pessoa humana, honra, liberdade, etc. Estão espalhados pela CF/88, mas uma grande parte concentra no art. 5º; ● Direitos sociais: caracterizam-se como verdadeiras liberdades positivas, de observância obrigatória em um Estado Social de Direito, tendo por finalidade a melhoria das condições de vida aos hipossuficientes; ● Direitos de nacionalidade: nacionalidade é o vínculo jurídico-político que visa ligar um indivíduo a certo e determinado Estado fazendo deste indivíduo um componente do povo, da dimensão pessoal deste Estado, capacitando-o a exigir sua proteção e sujeitando-o ao cumprimento de deveres impostos; ● Direitos políticos: conjunto de regras que disciplina as formas de atuação da soberania popular. São direitos públicos subjetivos que permitem ao indivíduo o exercício concreto da liberdade de participação nos negócios políticos do Estado; ● Direitos relacionados à existência, organização e participação em partidos políticos: a Constituição Federal regulamentou os partidos políticos como instrumentos necessários e importantes para preservação do Estado Democrático de Direito, assegurando-lhes autonomia e plena liberdade de atuação, para concretizar o sistema representativo. 2.7 Destinatários Os destinatários das normas dos direitos individuais, que são os direitos fundamentais, são os seres humanos, os indivíduos. Isso porque os direitos fundamentais surgiram com o intuito de proteção do indivíduo em face das arbitrariedades do Estado. Segundo dispõe o art. 5º, caput, da CF/88, os destinatários dos direitos fundamentais elencados na Carta Maior são: os brasileiros e os estrangeiros residentes no Brasil. ● E os estrangeiros não residentes no Brasil que apenas se encontram em trânsito no solo nacional? Para a doutrina, os estrangeiros não residentes no Brasil também são destinatários de direitos fundamentais conforme dignidade da pessoa humana, interpretação sistemática e a característica da universalidade. Veja: Dirley da Cunha - “O artigo 5º, caput deve ser interpretado a partir da unidade da Constituição, para se entender que todas as pessoas, físicas ou jurídicas, nacionais 25 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ou estrangeiras, com residência ou não no Brasil, são destinatárias dos direitos e garantias fundamentais previstas na CF, salvo quando a própria Carta Maior excluir algumas delas”.CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional. 13ª ed. Salvador: Juspodivm, 2022. Professor Bruno Pinheiro - A característica da universalidade dos direitos fundamentais fundamenta a interpretação extensiva do art. 5º, caput, da CF/88, permitindo a aplicação dos direitos fundamentais aos apátridas, aos estrangeiros não residentes no país. Há, portanto, direitos que se asseguram a todos, independentemente da nacionalidade do indivíduo, porquanto são considerados emanações necessárias do princípio da dignidade da pessoa humana. Alguns direitos, porém, são dirigidos ao indivíduo enquanto cidadão, tendo em conta a situação peculiar que o liga ao País. Assim, os direitos políticos pressupõem exatamente a nacionalidade brasileira. Direitos sociais, como o direito ao trabalho, tendem a ser também não inclusivos dos estrangeiros sem residência no País (MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional, 5ª ed., pg.350-351. São Paulo: Saraiva, 2010). ● Pessoas jurídicas são titulares de direitos fundamentais? R.: Para a maioria da doutrina e para o STF, SIM! Pessoa Jurídica de Direito Privado e Pessoa Jurídica de Direito Público podem ser titulares, bastando analisar casuisticamente quais direitos fundamentais se compatibilizam com a condição de pessoa jurídica. Naturalmente que o direito fundamental deve estar em harmonia com a natureza jurídica da pessoa jurídica. Ex. podem sofrer dano moral (súmula 227 do STJ), mas não podem ser pacientes de HC. Atenção (1): existem direitos fundamentais catalogados na CF que são concebidos especificamente para as pessoas jurídicas. – art. 5º, XIX, XXI, etc. XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; Atenção (2): pessoas jurídicas de direito público, apesar de integrarem o Estado (polo passivo dos direitos fundamentais), gozam de direitos fundamentais, desde que compatíveis com a sua condição. 2.8 Os Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988 26 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TIN S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS A CF de 88 estabeleceu um rol compromissório de direitos fundamentais que condensa diversas ideologias consagradas em direitos de 1º, 2ª e 3ª dimensões. Aproximou-se do denominado liberalismo igualitário, que busca se equilibrar entre a proteção das liberdades civis e a redução das desigualdades sociais. Obs.1: princípio da indivisibilidade - os direitos das diferentes gerações não se excluem, na verdade, se interpenetram, sofrendo influência mútua. Ou seja, uma geração fortalece o advento da outra. Isto porque compõem um conjunto único de direitos que se relacionam entre si de forma harmônica. De acordo com este princípio, todos os direitos humanos devem contar com a mesma proteção jurídica. Obs.2: não há hierarquia entre os direitos fundamentais, pois a Constituição brasileira não permite hierarquização prévia e abstrata entre os direitos fundamentais. 2.8.1. Não taxatividade dos direitos fundamentais e tratados de direitos humanos O ordenamento jurídico brasileiro adotou um sistema aberto de direitos fundamentais, não se podendo considerar taxativo o rol do seu artigo 5º. CF, Art. 5º, § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Ingo Sarlet faz a seguinte divisão: a) Direitos formalmente constitucionais → os incluídos pelo Poder Constituinte originário no catálogo de direitos fundamentais (estão presentes no art. 5º ou no título II da CF/88). b) Direitos materialmente constitucionais → direitos que não se encontram no rol formal da CF/88, mas possuem status de fundamentais haja vista seu conteúdo jusfundamental (não importando o local de positivação). A baliza para saber qual conteúdo confere à norma status de direito fundamental é a dignidade da pessoa humana (princípio-matriz de todos os direitos fundamentais e fundamento da República Federativa do Brasil). A fundamentalidade material dos direitos fundamentais decorre da abertura da Constituição a outros direitos fundamentais não expressamente constitucionalizados. O aspecto material dos direitos fundamentais nasce da essência do seu conteúdo substancial normativo. CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. 4º ed. Coimbra: Almedina. Conforme ensina André de Carvalho Ramos, a abertura dos direitos humanos pode se dar de forma nacional ou internacional. A abertura internacional ocorre quando são editados novos tratados ou mesmo com os avanços na proteção internacional dos direitos humanos. Por sua vez, a abertura nacional ocorre através da inclusão de novos direitos fundamentais em nosso ordenamento e também com a interpretação evolutiva e ampliativa dos tribunais nacionais. 27 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS A cláusula materialmente aberta prevista no §2º do art. 5º da CF/88 decorre do reconhecimento da dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado (art. 1º, III). A consequência disso é que o rol de direitos fundamentais é meramente exemplificativo. 2.8.2. Hierarquia dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos O art. 5º, §3º da CF/88 foi introduzido pela EC 45/2004 (conhecida como reforma do Poder Judiciário). Esse dispositivo prevê que os tratados internacionais sobre direitos humanos que observarem o procedimento de incorporação análogo ao das Emendas Constitucionais terão paridade normativa, isto é: terão status normativo de emendas constitucionais. Que procedimento de incorporação é esse? ● Aprovação em cada Casa do Congresso Nacional; ● Em 2 turnos de votação; ● Com pelo menos 3/5 dos votos dos respectivos membros. ● E os tratados internacionais de direitos humanos que não observarem o procedimento especial do art. 5º, §3º da CF, não sendo aprovados pelo quórum constitucional? R.: Segundo a doutrina majoritária e o Supremo Tribunal Federal, os Tratados Internacionais de Direitos Humanos internalizados sem a observância do procedimento estabelecido no art. 5, §3º, da CF/88 terão hierarquia normativa supralegal: acima das leis e abaixo da Constituição. Esse status normativo de supralegalidade tem o efeito de bloquear a legislação infraconstitucional que com eles seja incompatível, análise de compatibilidade que é chamado de controle de convencionalidade pela doutrina especializada. Por fim, os Tratados Internacionais que não versam sobre direitos humanos terão hierarquia infraconstitucional, com status normativo equivalente à lei ordinária. RESUMINDO: Tratado internacional SOBRE DIREITOS HUMANOS, aprovado pelo mesmo rito da Emenda Constitucional (art. 5º, §3º) Status normativo de emenda constitucional. Tratado internacional SOBRE DIREITOS HUMANOS, aprovado com quórum diverso das emendas constitucionais Status normativo de supralegalidade: superior às leis e inferior à Constituição. Tratados Internacionais QUE NÃO VERSAM SOBRE DIREITOS HUMANOS Independente do procedimento e quórum de votação terão status normativo de leis ordinária. 28 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 2.9 Deveres Fundamentais Além de direitos fundamentais, há os deveres fundamentais. A doutrina é vasta em discorrer sobre os direitos fundamentais, porém, pouca atenção se dá aos deveres fundamentais. Conforme o professor Pedro Lenza “diante da vida em sociedade, devemos pensar, também, a necessidade de serem observados os deveres, pois muitas vezes o direito de um indivíduo depende do dever do outro em não violar ou impedir a concretização do referido direito” (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, pg. 1154). Conforme o autor Bernardo Gonçalves Porém, em detrimento dessa conduta, o Estado Social e o constitucionalismo social, bem como o Estado Democrático de Direito e atual constitucionalismo do Estado Democrático de Direito, vão buscar inspiração na tutela dos interesses da comunidade (e não só do indivíduo considerado isoladamente). Esses ditos valores sociais, que convivem (ou devem conviver em equilíbrio em uma democracia) com os projetos e concepções individuais (de vida), devem ser respeitados e tutelados pelo Estado e também pelos particulares. Nesses termos, "O reconhecimento de deveres fundamentais diz respeito à participação ativa dos cidadãos na vidapública e implica em um empenho solidário (de responsabilidade social) de todos na transformação das estruturas sociais”. Surge, então, daí a noção de deveres fundamentais. (GONÇALVES FERNANDES, Bernardo. Curso de Direito Constitucional. Salvador: Juspodivm) Pode-se esquematizar alguns deveres fundamentais: -Dever de efetivação dos direitos fundamentais - Estado prestacionista; -Deveres específicos do Estado diante dos indivíduos - ex. dever de indenizar o condenado por erro judiciário; -Deveres de criminalização do Estado - ex. art. 5°, XLIII, da CRFB; - Deveres dos cidadãos e da sociedade - ex. serviço militar obrigatório; - Dever de exercício do direito de forma solidária e levando em consideração os interesses da sociedade - ex. direito de propriedade que se leva em consideração o exercício conforme a sua função social; - Deveres implícitos - o direito de uma pessoa pressupõe o dever de todas as demais. 2.10 Alguns direitos individuais – rol do art. 5º da CF/88 A. DIREITO À VIDA: CRFB, Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 29 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: Está relacionado à existência física de um ser humano. O art. 5º, caput, da CF assegura a inviolabilidade do direito à vida em relação ao Estado e em relação aos demais indivíduos. Inviolabilidade difere de irrenunciabilidade: a inviolabilidade diz respeito à proteção de um direito em face de outras pessoas, enquanto que a irrenunciabilidade diz respeito à proteção de um direito em face do próprio titular. O direito à vida compreende o direito ao mínimo necessário a uma existência digna, que abrange: 1. Direito à integridade física: direito à saúde, vedação de pena de morte, proibição do aborto, etc.; 2. Direito a condições materiais e espirituais mínimas necessárias a uma existência digna. ● Dupla acepção do direito à vida (NOVELINO, 2017, p. 325): 1. Acepção positiva: está associada ao direito à existência digna, que assegura o acesso a bens e utilidades indispensáveis para isso. Ela não se limita ao mínimo existencial, pois garante também pretensões de caráter material e jurídico, de modo que os poderes públicos devem adotar medidas positivas de proteção da vida, de amparo material e de emissão de normas protetivas; 2. Acepção negativa: é o direito assegurado a todo e qualquer ser humano de permanecer vivo. É um direito de defesa e um pressuposto elementar para o exercício de todos os demais direitos. Uma decorrência dessa acepção é a proibição da pena de morte (art. 5º, XLVII, “a”, da CF). A ponderação de direitos depende de uma análise no caso concreto (nunca em abstrato) que deve sempre levar em consideração o princípio pro homine (pro persona), em que o intérprete prefira a interpretação dos direitos humanos que seja mais favorável à pessoa e a máxima efetividade, de modo que se alcance o maior proveito possível para o titular, com o menor sacrifício aos titulares dos demais direitos. Contudo, considerando-se que são inevitáveis algumas colisões de direitos fundamentais, é possível que estes sofram limitações diante de outros que sejam igualmente relevantes. Assim, de forma excepcional, pode haver a restrição ou mesmo a derrogação de alguns direitos. Exemplo de que o direito à vida não é um direito absoluto: existência da pena de morte no ordenamento jurídico brasileiro. Obs. Vale ressaltar que nem mesmo o poder constituinte originário poderia ampliar as hipóteses de pena de morte diante da observância do princípio da continuidade e proibição do retrocesso. DESACORDOS MORAIS RAZOÁVEIS Segundo o professor Pedro Lenza: Desacordos morais razoáveis surgem em razão de inexistência de consenso em relação a temas polêmicos e com entendimentos antagônicos e diametralmente opostos e 30 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS que se fundam em conclusão racional, como, por exemplo, a interrupção da gravidez. Assumir uma das posições significa negar a outra, e essa realidade é marca de uma sociedade plural, característica das democracias modernas (posições religiosas, morais, filosóficas etc.). Nessas matérias, como regra geral, o papel do direito e do Estado deve ser o de assegurar que cada pessoa possa viver sua autonomia da vontade e suas crenças. Exemplos: interrupção de gestação, pesquisas com células-tronco embrionárias, eutanásia/ortotanásia, uniões homoafetivas, etc. JURISPRUDÊNCIA SOBRE DIREITO À VIDA: 1) ADI 3510 – Pesquisa em Células Tronco Embrionárias O art. 5º da Lei de Biossegurança autoriza a utilização do material biológico para fins de pesquisa, terapia, etc., desde que sejam embriões inviáveis, ou, ainda que embriões viáveis, com mais de três anos de armazenamento. O art.5º foi impugnado na sua constitucionalidade porque se chegou a cogitar eventual violação da dignidade da pessoa humana, por considerar que o ser humano estaria sendo tratado como coisa. Decisão do STF: o STF concluiu, por votação bastante apertada, que as pesquisas com célula-tronco embrionária, nos termos da lei, não violam o direito à vida. A constatação de que a vida começa com a existência do cérebro (segundo o STF e sem apresentar qualquer análise axiológica ou filosófica) estaria estabelecida, também, no art. 3.º da Lei de Transplantes, que prevê a possibilidade de retirada de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento depois da morte desde que se constate a morte encefálica. Logo, para a lei, o fim da vida dar-se-ia com a morte cerebral, razão pela qual é nessa linha que o conceito de vida está ligado (surgimento do cérebro). Conclusão: O art. 5° da Lei nº 11.105/2005 (Lei de Biossegurança) é plenamente constitucional, não havendo qualquer violação ao direito à vida. Isso porque o art. 5° toma os cuidados necessários, usa efetivamente as pesquisas científicas para fins terapêuticos, etc., sem trazer nenhum efeito deletério ou coisificante para a pessoa que forneceu o material biológico. 2) ADPF 54 – Aborto de Feto Anencéfalo Desconsiderando os aspectos moral, ético ou religioso, tecnicamente, em relação à interrupção da gravidez de feto anencéfalo, desde que se comprove, por laudos médicos, com 100% de certeza, que o feto não tem cérebro e não há perspectiva de sobrevida. Nessa linha de desenvolvimento, o STF, para seguir a lógica do julgamento anterior (célula-tronco), teria de autorizar a possibilidade de antecipação terapêutica do parto. A imposição estatal da manutençãode gravidez cujo resultado final será irremediavelmente a morte do feto vai de encontro aos princípios basilares do sistema constitucional, mais precisamente à dignidade da pessoa humana, à liberdade, à autodeterminação, à saúde, ao direito de privacidade, ao reconhecimento pleno dos direitos sexuais e reprodutivos de milhares de mulheres. Conforme o Ministro Marco Aurélio, “o ato de obrigar a mulher a manter a gestação, colocando-a em uma espécie de cárcere privado em seu próprio corpo, desprovida de um mínimo essencial de 31 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS autodeterminação e liberdade, assemelha-se à tortura ou a um sacrifício que não pode ser pedido a qualquer pessoa ou dela exigido.” O STF, então, julgou procedente o pedido formulado para declarar a inconstitucionalidade de interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo é conduta tipificada nos arts. 124, 126 e 128, I e II, todos do Código Penal. Assim, enalteceu o direito à dignidade da pessoa humana, à liberdade no campo sexual, à autonomia, à privacidade, à integridade física, psicológica e moral e à saúde. Em outras palavras: o STF excluiu qualquer interpretação no sentido de que a interrupção da gestação de feto anencéfalo pudesse ser catalogada como aborto. Justamente por isso fala-se que não se trata de aborto, mas sim de uma interrupção da gestação em razão da inexistência de uma vida possível. Os fundamentos foram, dentre outros, direito à dignidade da pessoa humana, à liberdade no campo sexual, à autonomia, à privacidade, à integridade física, psicológica e moral e à saúde. Obs. Não é possível a concessão de salvo-conduto autorizando a realização de procedimento de interrupção da gravidez, em aplicação, por analogia, do entendimento firmado no julgamento da ADPF n. 54/STF, quando, embora o feto esteja acometido de condição genética com prognóstico grave (Síndrome de Edwards e cardiopatia grave), com alta probabilidade de letalidade, não for possível extrair da documentação médica a impossibilidade de vida fora do útero. STJ. HC 932.495-SC, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 6/8/2024. (Info 820) Caiu em prova Delegado RR/2022! A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada na ADPF no 54, que autoriza a realização voluntária do aborto de feto anencefálico teve como um dos seus expressos fundamentos: intepretação constitucional sem redução de texto (item correto). Caiu em prova Delegado BA/2022! A Constituição Federal de 1988 dispõe que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Com relação aos direitos fundamentais e o entendimento jurisprudencial dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa correta: É possível a interrupção da gravidez quando houver diagnóstico de anencefalia do feto. 3) HC 124.306 - Interrupção voluntária da gestação no primeiro trimestre O STF conferiu interpretação conforme à Constituição aos arts. 124 a 126 do Código Penal para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre. Os Ministros entenderam que a criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, bem como o princípio da proporcionalidade, nos termos do voto do Min. Barroso (HC 124.306, j. 29.11.2016, DJE de 17.03.2017). Os fundamentos também foram, dentre outros, direito à dignidade da pessoa humana, à liberdade no campo sexual, à autonomia, à integridade física, psicológica e moral e à saúde. Mas atenção, diante do exposto, a interrupção da gravidez no primeiro trimestre não deixou de ser considerada crime, já que a questão decidida pela 1 a Turma do STF foi na concessão de HC e, portanto, sem caráter vinculante. 32 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 4) Distanásia, eutanásia, suicídio assistido e ortotanásia Distanásia: também chamada de obstinação terapêutica ou medical futility, trata-se de conduta onde não se prolonga a vida propriamente dita, mas o processo de morrer. No Brasil, a exposição de motivos da Resolução nº 1.805/2006 do Conselho Federal de Medicina permite ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal, de enfermidade grave e incurável, respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal. De acordo com Jean Robert Debray, são procedimentos terapêuticos cujos efeitos são mais nocivos do que o próprio mal a ser curado e acabam por negar a dignidade da vida humana. Eutanásia: conhecida como “morte serena”, “morte doce” ou “boa morte”, tem o fim de abreviar a vida do doente terminal. É uma ação médica intencional com exclusiva finalidade benevolente de pessoa que se encontre em situação irreversível e incurável, padecendo de intensos sofrimentos físicos e psíquicos. De acordo com Lenza: “Atualmente, não tendo ainda o STF apreciado a matéria, a eutanásia enseja a prática do crime previsto no art. 121, § 1.º, CP, qual seja, homicídio privilegiado, já que praticado por motivo de relevante valor moral e, por esse motivo, a prescrição normativa da causa de diminuição de pena. Alguns autores o denominam ‘homicídio por piedade’.” Acrescente-se que a eutanásia ativa não se confunde com a eutanásia passiva. Esta última consiste na omissão de um tratamento que poderia garantir a continuidade da vida ao passo que a primeira é a ação deliberada de matar (seja ministrando medicamento ou suprimindo tratamento já iniciado). Suicídio assistido: em algumas situações, a pessoa doente em estágio terminal quer pôr fim ao seu sofrimento, contudo, em virtude das suas debilidades, não tem condições de o fazer sem auxílio. Ortotanásia: é uma prática sensível ao processo de humanização da morte, consistindo em uma aceitação desta, permitindo que ela siga seu curso. Visa aliviar as dores sem incorrer em prolongamentos abusivos que imponham sofrimentos adicionais. Para a doutrina, seria uma forma de eutanásia ativa indireta em que os mecanismos de sustentação artificial da vida são retirados ou de eutanásia passiva, onde não se inicia uma ação médica. De acordo com Ingo Sarlet: “A ideia de bom senso, prudência e razoabilidade deve ser considerada, deixando claro não haver, ao menos explicitamente, qualquer vedação constitucional ao dito ‘direito de morrer com dignidade’ (...).” B. DIREITO À IGUALDADE: Está previsto no art. 5º, caput e inciso I, da CF/88: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeirosresidentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...). I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; 33 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS a) Concepções da igualdade: ● Concepção formal: é a igualdade perante a lei e perante o Estado. Por essa concepção, a igualdade impede que os indivíduos sejam tratados pelos poderes públicos de maneira diversa. Trata-se de uma concepção estática e negativa, insuficiente para solucionar as desigualdades sociais; ● Concepção material: representa o tratamento igual dos iguais e o tratamento desigual daqueles em situações desiguais. Por essa concepção, a igualdade deve adotar critérios distintivos justos e razoáveis, de modo que os poderes públicos devem adotar medidas concretas para reduzir ou compensar desigualdades. IGUALDADE FORMAL IGUALDADE MATERIAL É a igualdade perante a lei e perante o Estado, impedindo que os indivíduos sejam tratados pelos poderes públicos de maneira diversa É o tratamento igual dos iguais e o tratamento desigual aos desiguais na medida em que se desigualam. Deve adotar critérios distintivos justos e razoáveis, de modo que os poderes públicos devem adotar medidas concretas para reduzir ou compensar desigualdades Confira a dica da Professora Thaianne: https://youtu.be/f6uK8WsoSnM b) Dimensões da igualdade (NOVELINO, 2017, p. 340): ● Dimensão objetiva: é a igualdade compreendida como princípio material estruturante do Estado brasileiro que impõe o tratamento igual para os iguais e desigual para os desiguais, bem como ações voltadas à redução das desigualdades sociais e regionais; 34 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 https://youtu.be/f6uK8WsoSnM DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ● Dimensão subjetiva: confere a indivíduos e grupos posições jurídicas de caráter negativo (proteção contra diferenciações ou igualizações arbitrárias) e de caráter positivo (direito a exigir determinadas prestações materiais e jurídicas destinadas à redução de desigualdades). Certo é que, no atual Estado Democrático de Direito, deve-se buscar, não somente a igualdade formal (consagrada no liberalismo clássico), mas, principalmente, a igualdade material. Isso porque, no Estado social ativo, efetivador dos direitos humanos, imagina-se uma igualdade mais real perante os bens da vida, diversa daquela apenas formalizada em face da lei. Caiu em prova Delegado RJ/2022! Com relação ao direito à igualdade, expressamente previsto no art. 5.º da Constituição Federal de 1988, assinale a opção correta: Analisando-se o princípio da igualdade com relação ao particular, verifica-se que este não poderá tratar os demais membros da sociedade de maneira discriminatória, atingindo direitos fundamentais por meio de condutas preconceituosas, sob pena de responsabilização civil e até mesmo criminal, quando o ato for tipificado como crime. Assim, é vedado ao particular, na contratação de empregados, por exemplo, utilizar qualquer critério discriminatório com relação a sexo, idade, origem, raça, cor, religião ou estado civil. C. DIREITO À DIGNIDADE HUMANA: É um valor, um princípio, servindo como parâmetro para a definição dos direitos formal e materialmente fundamentais. APROFUNDANDO: ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL - Inspiração: Corte Constitucional Colombiana. - Definição: Quadro insuportável de violação massiva de direitos fundamentais, agravado pela inércia continuada das autoridades. - Pressupostos: ● Violação generalizada e sistemática de direitos fundamentais; ● Inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a conjuntura; ● Situação que exige a atuação de uma pluralidade de autoridades públicas. Sistema prisional brasileiro: estado de coisas inconstitucional decorrente da violação grave e massiva de direitos fundamentais - ADPF 347/DF (Info 1111, STF) De acordo com o STF, há um estado de coisas inconstitucional no sistema carcerário brasileiro, responsável pela violação massiva de direitos fundamentais dos presos. Tal estado de coisas demanda a atuação cooperativa das diversas autoridades, instituições e comunidade para a construção de uma solução satisfatória. Diante disso, União, Estados e Distrito Federal, em conjunto com o Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (DMF/CNJ), deverão elaborar planos a serem submetidos à homologação do Supremo Tribunal Federal, especialmente voltados para o controle da superlotação carcerária, da má qualidade das vagas existentes e da entrada e saída dos presos. 35 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS A situação de grave violação em massa de direitos fundamentais dos presos enseja o reconhecimento de um estado de coisas inconstitucional do sistema prisional brasileiro. A superação desse problema de natureza estrutural exige do Poder Público a elaboração de um plano nacional e de planos locais que prevejam um conjunto de medidas e a participação de diversas autoridades e entidades da sociedade. Conforme ressaltou a Corte, a proteção dos direitos fundamentais é inerente à condição humana. Assim, tem-se que tanto as normas constitucionais como os tratados internacionais de direitos humanos de que o Brasil é parte proíbem a existência de penas cruéis, garantem ao preso o respeito à sua integridade física e moral, bem como preveem que a pena será cumprida em estabelecimentos distintos de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado. Caiu na prova Delegado RJ/2022! A respeito da figura denominada Estado de coisas inconstitucional, é correto afirmar que: encontra fundamento nos casos de inadimplemento reiterado de direitos fundamentais pelos poderes do Estado, sem que haja possibilidade de remédio para vias tradicionais, ocasião em que o tribunal assume o papel de coordenador de políticas públicas por meio da denominada tutela estruturante. Ainda sobre a violação de direitos humanos e o estado de coisas inconstitucional, o STF decidiu (ADPF 976 MC-Ref/DF,Info 1105), em relação à população em situação de rua, que: estão presentes os pressupostos necessários para a concessão da medida cautelar (fumaça do bom direito e perigo da demora na efetivação de uma decisão judicial), eis que: (i) a discussão acerca das condições precárias de vida da população em situação de rua no Brasil demanda uma reestruturação institucional que decorre de um quadro grave e urgente de desrespeito a direitos humanos fundamentais; e (ii) a violação maciça de direitos humanos — a indicar um potencial estado de coisas inconstitucional — impele o Poder Judiciário a intervir, mediar e promover esforços para estabelecer uma estrutura adequada de enfrentamento. D. DIREITO À SAÚDE A saúde é direito de todos e dever do Estado (art. 196 da CF/88), sendo assegurada por meio de políticas sociais e econômicas que busquem: ● A redução do risco de doença e de outros agravos; e ● O acesso universal e igualitário às ações e serviços voltados à sua promoção, proteção e recuperação. Quando se fala na dimensão objetiva do direito à saúde, isso significa que, independentemente de um caso concreto, existe um dever jurídico geral do Poder Público de concretizar medidas para garantir as políticas públicas de saúde. De acordo com Lenza, assim como os demais direitos sociais, tal direito possui duas vertentes. Uma positiva, onde se fomenta um Estado prestacionista para implementar o direito social; e outra negativa, onde o Estado ou particular devem se abster da prática de atos que sejam prejudiciais a terceiros. Cuidar da saúde da população é uma competência COMUM que deve ser exercida por todos os entes federados. 36 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS CRFB, Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência; Critérios para a concessão judicial de medicamentos não incorporados às listas de dispensação do SUS Teses fixadas: “1. A ausência de inclusão de medicamento nas listas de dispensação do Sistema Único de Saúde - SUS (RENAME, RESME, REMUME, entre outras) impede, como regra geral, o fornecimento do fármaco por decisão judicial, independentemente do custo. 2. É possível, excepcionalmente, a concessão judicial de medicamento registrado na ANVISA, mas não incorporado às listas de dispensação do Sistema Único de Saúde, desde que preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos, cujo ônus probatório incumbe ao autor da ação: (a) negativa de fornecimento do medicamento na via administrativa, nos termos do item ‘4’ do Tema 1.234 da repercussão geral; (b) ilegalidade do ato de não incorporação do medicamento pela Conitec, ausência de pedido de incorporação ou da mora na sua apreciação, tendo em vista os prazos e critérios previstos nos artigos 19-Q e 19-R da Lei nº 8.080/1990 e no Decreto nº 7.646/2011; (c) impossibilidade de substituição por outro medicamento constante das listas do SUS e dos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas; (d) comprovação, à luz da medicina baseada em evidências, da eficácia, acurácia, efetividade e segurança do fármaco, necessariamente respaldadas por evidências científicas de alto nível, ou seja, unicamente ensaios clínicos randomizados e revisão sistemática ou meta-análise; (e) imprescindibilidade clínica do tratamento, comprovada mediante laudo médico fundamentado, descrevendo inclusive qual o tratamento já realizado; e (f) incapacidade financeira de arcar com o custeio do medicamento. 3. Sob pena de nulidade da decisão judicial, nos termos do artigo 489, § 1º, incisos V e VI, e artigo 927, inciso III, § 1º, ambos do Código de Processo Civil, o Poder Judiciário, ao apreciar pedido de concessão de medicamentos não incorporados, deverá obrigatoriamente: (a) analisar o ato administrativo comissivo ou omissivo de não incorporação pela Conitec ou da negativa de fornecimento da via administrativa, à luz das circunstâncias do caso concreto e da legislação de regência, especialmente a política pública do SUS, não sendo possível a incursão no mérito do ato administrativo; (b) aferir a presença dos requisitos de dispensação do medicamento, previstos no item 2, a partir da prévia consulta ao Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NATJUS), sempre que disponível na respectiva jurisdição, ou a entes ou pessoas com expertise técnica na área, não 37 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS podendo fundamentar a sua decisão unicamente em prescrição, relatório ou laudo médico juntado aos autos pelo autor da ação; e (c) no caso de deferimento judicial do fármaco, oficiar aos órgãos competentes para avaliarem a possibilidade de sua incorporação no âmbito do SUS.” STF. RE 566.471/RN, relator Ministro Marco Aurélio, redator do acórdão Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 20.09.2024. (Info 1152) Liberdade religiosa: tratamento médico alternativo compatível com as convicções religiosas do paciente Teses fixadas: RE 979.742/AM - “1. Testemunhas de Jeová, quando maiores e capazes, têm o direito de recusar procedimento médico que envolva transfusão de sangue, com base na autonomia individual e na liberdade religiosa. 2. Como consequência, em respeito ao direito à vida e à saúde, fazem jus aos procedimentos alternativos disponíveis no Sistema Único de Saúde - SUS, podendo, se necessário, recorrer a tratamento fora de seu domicílio". RE 1.212.272/AL - “1. É permitido ao paciente, no gozo pleno de sua capacidade civil, recusar-se a se submeter a tratamento de saúde, por motivos religiosos. A recusa a tratamento de saúde, por razões religiosas, é condicionada à decisão inequívoca, livre, informada e esclarecida do paciente, inclusive, quando veiculada por meio de diretivas antecipadas de vontade. 2. É possível a realização de procedimento médico, disponibilizado a todos pelo sistema público de saúde, com a interdição da realização de transfusão sanguínea ou outra medida excepcional, caso haja viabilidade técnico-científica de sucesso, anuência da equipe médica com a sua realização e decisão inequívoca, livre, informada e esclarecida do paciente". STF. RE 979.742/AM, relator Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento finalizado em 25.09.2024 (Info 1152) Pessoas transexuais e travestis: direito ao atendimento médico de acordo com as suas necessidades biológicas e direito à correta identificação nas DNVs de seus filhos O Ministério da Saúde, em observância aos direitos à dignidade da pessoa humana, à saúde e à igualdade (CF/1988, arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, caput, e 6º, caput), deve garantir atendimento médicoa pessoas transexuais e travestis, de acordo com suas necessidades biológicas, e acrescentar termos inclusivos para englobar a população transexual na Declaração de Nascido Vivo (DNV) de seus filhos. STF. ADPF 787/DF, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento finalizado em 17.10.2024. (Info 1155) Poder Público pode determinar a vacinação compulsória contra a Covid-19 (o que é diferente de vacinação forçada) 38 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS A tese fixada foi a seguinte: (A) A vacinação compulsória não significa vacinação forçada, por exigir sempre o consentimento do usuário, podendo, contudo, ser implementada por meio de medidas indiretas, as quais compreendem, dentre outras, a restrição ao exercício de certas atividades ou à frequência de determinados lugares, desde que previstas em lei, ou dela decorrentes, e (i) tenham como base evidências científicas e análises estratégicas pertinentes, (ii) venham acompanhadas de ampla informação sobre a eficácia, segurança e contraindicações dos imunizantes, (iii) respeitem a dignidade humana e os direitos fundamentais das pessoas; (iv) atendam aos critérios de razoabilidade e proporcionalidade, e (v) sejam as vacinas distribuídas universal e gratuitamente; e (B) tais medidas, com as limitações acima expostas, podem ser implementadas tanto pela União como pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, respeitadas as respectivas esferas de competência. STF. Plenário. ADI 6586, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/12/2020. É ilegítima a recusa dos pais à vacinação compulsória de filho menor por motivo de convicção filosófica É constitucional a obrigatoriedade de imunização por meio de vacina que, registrada em órgão de vigilância sanitária, (i) tenha sido incluída no Programa Nacional de Imunizações ou (ii) tenha sua aplicação obrigatória determinada em lei ou (iii) seja objeto de determinação da União, estado, Distrito Federal ou município, com base em consenso médico-científico. Em tais casos, não se caracteriza violação à liberdade de consciência e de convicção filosófica dos pais ou responsáveis, nem tampouco ao poder familiar. STF. Plenário. ARE 1267879/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 16 e 17/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 1103) (Info 1003). E. DIREITO À INTEGRIDADE A Carta Magna proíbe a prática de lesões, psíquica e moral (provocação de dor interna e sofrimento). Ademais, veda a prática da tortura, bem como qualquer tipo de comercialização de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento (art. 199, §4º). F. PROIBIÇÃO DA TORTURA Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante (art. 5º, III, da CF/88). 39 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ● Não esquecer que parcela da doutrina defende que o direito de não ser torturado é um exemplo de direito fundamental absoluto, sendo uma exceção à característica da relatividade dos direitos fundamentais. ● Uso de algemas e a Súmula Vinculante 11: “o uso legítimo de algemas não é arbitrário, sendo de natureza excepcional, a ser adotado nos casos e com as finalidades de impedir, prevenir ou dificultar a fuga ou reação indevida do preso, desde que haja fundada suspeita ou justificado receio de que tanto venha a ocorrer, e para evitar agressão do preso contra os próprios policiais, contra terceiros ou contra si mesmo. O emprego dessa medida tem como balizamento jurídico necessário os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade” (HC 89.429, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 22.08.2006, DJ de 02.02.2007). Súmula Vinculante nº 11: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processo a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. A respeito do uso de algemas em pessoas menores de idade, o STF possui o seguinte entendimento: Em se tratando de menor de idade, além das balizas fixadas na Súmula Vinculante nº 11, a necessidade de utilização de algemas apresentada pela autoridade policial deve ser avaliada pelo Ministério Público e submetida ao Conselho Tutelar, que se manifestará a respeito das providências relatadas. STF. Rcl 61.876/RJ, relatora Ministra Cármen Lúcia, julgamento finalizado em 07.05.2024. (Info 1136) G. DIREITO À PRIVACIDADE – DIMENSÕES Art. 5°, X, da CRFB - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; ● Intimidade: é o direito de estar só (right to be alone) e o direito de ser deixado em paz. ● Vida privada: é o direito do indivíduo de ser do modo que quiser, sem a intervenção de outrem. ● Honra: ligada à honra objetiva (visão da sociedade) e honra subjetiva (visão da própria pessoa). ● Imagem: é a representação da pessoa, por meio de desenhos, fotografias. É constitucional norma que permite, mesmo sem autorização judicial, que delegados de polícia e membros do Ministério Público requisitem de quaisquer órgãos do Poder Público ou de empresas da iniciativa privada o repasse de dados e informações cadastrais da vítima ou dos suspeitos em investigações sobre os 40 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6723955 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6723955 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS crimes de cárcere privado, redução a condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, sequestro relâmpago, extorsão mediante sequestro e envio ilegal de criança ao exterior (CPP/1941, art. 13-A) STF. ADI 5.642/DF, relator Ministro Edson Fachin, julgamento finalizado em 18.04.2024. (Info 1133). O direito à retratação e ao esclarecimento da verdade possui previsão na Constituição da República e na Lei Civil, não tendo sido afastado pelo Supremo TribunalFederal no julgamento da ADPF 130/DF. O princípio da reparação integral (arts. 927 e 944 do CC) possibilita o pagamento da indenização em pecúnia e in natura, a fim de se dar efetividade ao instituto da responsabilidade civil. Dessa forma, é possível que o magistrado condene o autor da ofensa a divulgar a sentença condenatória nos mesmos veículos de comunicação em que foi cometida a ofensa à honra, desde que fundamentada em dispositivos legais diversos da Lei de Imprensa. STJ. 3ª Turma. REsp 1771866-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/02/2019 (Info 642). Fonte: Dizer o Direito É legítimo, desde que observados alguns parâmetros, o compartilhamento de dados pessoais entre órgãos e entidades da Administração Pública federal, sem qualquer prejuízo da irrestrita observância dos princípios gerais e mecanismos de proteção elencados na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018) e dos direitos constitucionais à privacidade e proteção de dados. STF. Plenário. ADI 6649/DF e ADPF 695/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 15/9/2022 (Info 1068). ● Privacidade e sigilo bancário e fiscal: o STF admite a quebra do sigilo pelo Judiciário ou por CPI (federal ou estadual, mas não municipal), mas resiste a que o MP possa requisitá-la diretamente, por falta de autorização legal específica, salvo a hipótese de existir procedimento administrativo investigando utilização indevida de patrimônio público. LC 105/2001 E QUEBRA DE SIGILO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA3 - A Lei Complementar n.º 105/2001 atribui a agentes tributários, no exercício do poder de fiscalização, o poder de requisitar informações referentes à operação e serviços das instituições financeiras, independente de autorização judicial. Inicialmente, nos autos do RE 389808, o STF entendeu NÃO ser possível o afastamento do sigilo. - O STF entendeu possível o repasse das informações dos bancos para o Fisco, pelos seguintes 3 Para aprofundamento, sugerimos leitura do julgado comentado pelo Dizer o Direito: http://www.dizerodireito.com.br/2016/02/a-receita-pode-requisitar-das.html 41 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS argumentos, pois as informações são remetidas ao Fisco em caráter sigiloso e permanecem de forma sigilosa na Administração Tributária, inacessível a terceiros, não pode ser considerado violação do sigilo. É constitucional a requisição, sem prévia autorização judicial, de dados bancários e fiscais considerados imprescindíveis pelo Corregedor Nacional de Justiça para apurar infração de sujeito determinado, desde que em processo regularmente instaurado mediante decisão fundamentada e baseada em indícios concretos da prática do ato. STF. Plenário. ADI 4709/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/5/2022 (Info 1056). Dados obtidos com a quebra de sigilo bancário não podem ser divulgados abertamente em site oficial. Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal devem ser mantidos sob reserva. Assim, a página do Senado Federal na internet não pode divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por comissão parlamentar de inquérito (CPI). STF. Plenário. MS 25940, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/4/2018 (Info 899). ● Privacidade, produção de relatórios de inteligência e vinculação ao interesse público – ADPF 722/DF: Os órgãos do Sistema Brasileiro de Inteligência, conquanto necessários para a segurança pública, segurança nacional e garantia de cumprimento eficiente dos deveres do Estado, devem operar com estrita vinculação ao interesse público, observância aos valores democráticos e respeito aos direitos e garantias fundamentais. Nesse contexto, caracterizam desvio de finalidade e abuso de poder a colheita, a produção e o compartilhamento de dados, informações e conhecimentos específicos para satisfazer interesse privado de órgão ou de agente público. Com base nesses entendimentos, o Plenário, por maioria, julgou procedente o pedido para confirmar a medida cautelar e declarar inconstitucionais atos do Ministério da Justiça e Segurança Pública de produção ou compartilhamento de informações sobre a vida pessoal, as escolhas pessoais e políticas, e as práticas cívicas de cidadãos, servidores públicos federais, estaduais e municipais identificados como integrantes de movimento político, professores universitários e quaisquer outros que, atuando nos limites da legalidade, exerçam seus direitos de livremente expressar-se, reunir-se e associar-se. STF, ADPF 722, Plenário, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento 13.5.2022. ● DADOS, INCLUSIVE NOS MEIOS DIGITAIS: Uma das facetas do direito à privacidade, foi incluído, agora expressamente, na Constituição Federal, por meio da EC 115/2022, o direito à proteção dos dados 42 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS pessoais, inclusive nos meios digitais: LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 115, de 2022) Isso significa que este direito passou a ser cláusula pétrea, uma vez que ampliou a proteção já conferida pelo direito à privacidade, não podendo mais ser excluído do texto constitucional, sob pena de configurar retrocesso na proteção dos direitos fundamentais. Além disso, a EC 115/2022 estabeleceu competir à União organizar e fiscalizar a proteção e o tratamento de dados pessoais, nos termos da lei. (art. 21, XXVI), bem como legislar privativamente a respeito da proteção e tratamento de dados pessoais. H. INVIOLABILIDADE DE DOMICÍLIO: Art. 5°, XI, da CRFB - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. ● A casa é asilo inviolável. Qual é o conceito de casa? R.: Segundo o STF e doutrina, casa abrange não só o domicílio como também todo lugar privativo, ocupado por alguém, com direito próprio e de maneira exclusiva, mesmo sem caráter definitivo ou habitual. A abrangência do conceito alcança: ▪ O escritório de trabalho ▪ O estabelecimento industrial ▪ Clube recreativo ▪ Quarto de hotel É lícita a entrada de policiais, sem autorização judicial e sem o consentimento do hóspede, em quarto de hotel, desde que presentes fundadas razões da ocorrência de flagrante delito. O STJ afirmou que, embora o quarto de hotel regularmente ocupado seja, juridicamente, qualificado como “casa” para fins de tutela constitucional da inviolabilidade domiciliar (art. 5º, XI), a exigência, em termos de standard probatório, paraque policiais ingressem em um quarto de hotel sem mandado judicial não pode ser igual às fundadas razões exigidas para o ingresso em uma residência propriamente dita, a não ser que se trate (o quarto de hotel) de um 43 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS local de moradia permanente do suspeito. STJ. 6ª Turma. HC 659.527-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2021 (Info 715). ▪ Quarto de motel ▪ Automóveis quando usados para fins de moradia ▪ Barcos quando usados para fins de moradia. Atenção: A prova da legalidade e da voluntariedade do consentimento para o ingresso na residência do suspeito incumbe, em caso de dúvida, ao Estado, e deve ser registrada em áudio-vídeo e preservada tal prova enquanto durar o processo.STJ. AgRg no HC 821.494-MG, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 6/2/2024, DJe 8/2/2024. (Info. 800) O galpão destinado para atividades comerciais não se enquadra no conceito de domicílio, ainda que por extensão. STJ. AgRg no HC 845.545-SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 17/10/2023, DJe 20/10/2023. (Info 798) O STJ possui jurisprudência entendendo que a habitação em prédio abandonado de escola municipal pode caracterizar o conceito de domicílio em que incide a proteção disposta no art. 5º, inciso XI da Constituição Federal (AgRg no HC 712.529-SE). A abordagem policial em estabelecimento comercial, ainda que a diligência tenha ocorrido quando não havia mais clientes, é hipótese de local aberto ao público, que não recebe a proteção constitucional da inviolabilidade do domicílio. Consoante decidido no RE 603.616/RO, pelo Supremo Tribunal Federal, "a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que, dentro da casa, ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil, e penal do agente ou da autoridade e de nulidade dos atos praticados". Todavia, no caso, verifica-se que os policiais afirmaram que "havia uma investigação em andamento relativa a um roubo de carga, tendo sido veiculada denúncia anônima dando conta de que parte do carregamento subtraído estava nas dependências da borracharia pertencente ao réu, diante do que procederam à diligência local". Desse modo, como se trata de 44 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS estabelecimento comercial - em funcionamento e aberto ao público - não pode receber a proteção que a Constituição Federal confere à casa. Assim, não há violação à garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio, a caracterizar a ocorrência de constrangimento ilegal. STJ, HC 754.789-RS, Rel. Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 6/12/2022. Caiu em prova Delegado RO/2022! Assinale a opção que contempla o entendimento do STF e do STJ acerca da inviolabilidade de domicílio: A entrada forçada em residência, quando não justificada, sujeita o agente policial à responsabilidade disciplinar, civil e penal (item correto). ▪ Bens públicos de uso especial não abertos ao público como gabinetes de prefeitos, gabinete do delegado de polícia Info. 549 do STJ (2014): Afirmou que o gabinete do delegado de polícia encontra-se inserido no conceito de “casa” previsto no inciso III do §4º do art. 150 do CP. Logo, invasão ao seu gabinete constitui crime de violação de domicílio. CP, Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências: § 4º - A expressão "casa" compreende: I - qualquer compartimento habitado; II - aposento ocupado de habitação coletiva; III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade * ATENÇÃO - Exceções ao direito à inviolabilidade do domicílio: (1) Em caso de flagrante delito, a qualquer momento; (2) Em caso de desastre ou para prestar socorro; (3) Através de autorização judicial, durante o dia. C) Direito às Liberdades Abrange as liberdades física, de pensamento, de locomoção. I. LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO – Art. 5º, IV e V, da CRFB IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 45 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; A Constituição assegurou a liberdade de manifestação do pensamento, vedando o anonimato. Se durante a manifestação do pensamento se causar dano material, moral ou à imagem, assegura-se o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização. Conforme salienta o autor Pedro Lenza, o inciso IV estabelece uma espécie de “cláusula geral” que, em conjunto com outros dispositivos, asseguram a liberdade de expressão nas suas diversas manifestações: a) liberdade de manifestação do pensamento (incluindo a liberdade de opinião); b) liberdade de expressão artística; c) liberdade de ensino e pesquisa; d) liberdade de comunicação e de informação (liberdade de “imprensa”); e) liberdade de expressão religiosa. ● “Hate speech” (discurso de ódio)– a liberdade de expressão não é absoluta. O modelo, portanto, de solução é a ponderação, pautada pelo princípio da proporcionalidade. O STF, embora adote a tese preferencial pela liberdade de expressão, certo é que não se trata de direito absolutamente infenso a limites e restrições, desde que eventual restrição tenha caráter excepcional, seja promovido por lei e/ou decisão judicial e tenha por fundamento a salvaguarda da dignidade da pessoa humana (que aqui se opera como limite e aos limites de direitos fundamentais) e de direitos e bens jurídicos-constitucionais individuais e coletivos fundamentais observados o critério da proporcionalidade e da preservação do núcleo essencial dos direitos em conflito - LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, pg.1183. Caiu em prova Delegado MS/2021! O discurso de ódio (hate speech) configura abuso do direito fundamental à liberdade de expressão, e o STF entende que a imunidade parlamentar material não pode ser utilizada para atentar frontalmente contra a manutenção do Estado Democrático de Direito (item correto). ● Marcha da Maconha (ADPF 187) – as marchas da maconha vinham sendo reprimidas pela polícia, sob a ótica de que elas geravam apologia ao crime, vez que o uso de maconha é criminalizado. Este entendimento viola a liberdade de expressão, porque não se confunde a apologia à droga e o seu uso com a defesa da descriminalização ou ainda da inconstitucionalidade da criminalização. Em um Estado Democrático de Direito se entender que o povo não possa se manifestar pela descriminalização de uma conduta, evidentemente é se viver em um Estado que não pode ser chamado de Democrático de Direito. Em um regime que preza pela liberdade de expressão tem que dar a opção da população se manifestar pela descriminalização de determinada conduta. Fundamentos trazidos pelo STF: livre manifestação de pensamento, reunião e direito das minorias. Ademais, nas garantias dos direitos à informação e de liberdade de expressão, viabilizados pelo direito de reunião e como emanação da dignidade da pessoa humana, da democracia e da cidadania. 46 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS OBS. O art. 28 da Lei nº 11.343/2006 – Lei de Drogas refere-se à infração conhecida como porte ou posse de drogas para consumo pessoal. Há infrações equiparadas, como é o caso daquele que semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica. Como se percebe, o art. 28 da Lei de Drogas não comina pena privativa de liberdade, tendo como penas a advertência, a prestação de serviços à comunidade e a medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. O STF já havia decidido em diversas outras ocasiões que o art. 28 da Lei de Drogas ainda se tratava de um crime, embora não tivesse pena privativa de liberdade cominada. Entendia a Corte Suprema que tinha havido uma despenalização em relação ao crime do art. 28 da Lei de Drogas, muito embora o termo mais adequado e que deveria ter sido utilizado à época seria a descarcerização ao invés de despenalização da conduta. Embora essas considerações sejam pertinentes para fins de contextualização, conforme julgado do Recurso Extraordinário 635.659, na data de 25/06/2024 o STF formou MAIORIA para DESCRIMINALIZAR o porte de maconha para consumo pessoal. Assim, houve a descriminalização da conduta, que deixou de ser infração penal e passou a ser infração administrativa. Conforme votos proferidos pela maioria dos Ministros da Corte Suprema, a descriminalização alcança tão somente a maconha, estabelecendo a quantidade de 40g ou o cultivo de seis plantas fêmeas como critério para a caracterização do porte/posse para consumo pessoal. Assim, considerando que o porte de maconha deixou de ser crime e passou a ser tão somente um ILÍCITO ADMINISTRATIVO, entendeu o STF que poderão ser aplicadas ao usuário ou dependente de maconha a penalidade agora administrativa de advertência ou mesmo de medida educativa de frequência a programa ou curso educativo, duas das sanções que já estavam previstas para quem infringisse o disposto no art. 28 da Lei de Drogas. ● Delação anônima (Inq. 1957) – o STF já decidiu não ser possível a utilização da denúncia anônima, pura e simples, para a instauração de procedimento investigatório, por violar a vedação ao anonimato, prevista no art. 5.º, IV, da CRFB. Nada impede, contudo, que o Poder Público provocado por delação anônima adote medidas informais - com prudência e discrição - destinadas a apurar, previamente, em averiguação sumária, a possível ocorrência de eventual situação de ilicitude penal, desde que o faça com o objetivo de conferir a verossimilhança dos fatos nela denunciados, em ordem a promover, então, em caso positivo, a formal instauração da persecutio criminis, mantendo-se, assim, completa desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas”. ● Tatuagem e o concurso público – “as pigmentações de caráter permanente inseridas voluntariamente em partes dos corpos dos cidadãos configuram instrumentos de exteriorização da liberdade de manifestação do pensamento e de expressão, valores amplamente tutelados pelo ordenamento jurídico brasileiro (CRFB/88, art. 5.°, IV e IX)”. Assim, “o Estado não pode desempenhar o papel de adversário da liberdade de expressão, incumbindo-lhe, ao revés, assegurar que minorias possam se manifestar livremente”, salvo situações excepcionais em razão de conteúdo que viole valores constitucionais. (RE 898.450, Plenário, Rel. Min. Luiz Fux, j. 17.08.2016, DJE de 31.05.2017). 47 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ● Liberdade de expressão e imunidade parlamentar – Ressalta-se que os direitos fundamentais não possuem caráter absoluto. A Segunda Turma do STF reafirmou esse entendimento ao entender que a liberdade de expressão não alcança a prática de discursos dolosos, com intuito manifestamente difamatório ou injurioso (Pet 8242 AgR/DF, Pet 8259 AgR/DF, Pet 8262 AgR/DF, Pet 8263 AgR/DF, Pet 8267 AgR/DF e Pet 8366 AgR/DF, relator Min. Celso de Mello, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgamento em 3.5.2022.) A liberdade de expressão existe para a manifestação de opiniões contrárias, jocosas, satíricas e até mesmo errôneas, mas não para opiniões criminosas, discurso de ódio ou atentados contra o Estado Democrático de Direito e a democracia. STF. AP 1044/DF, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento em 20.4.2022 (Info 1051). II. LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, CRENÇA E CULTO – ART 5º, VI a VIII, da CRFB) VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; Assegura-se a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, sendo garantido o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. ▪ Liberdade de crença: é a liberdade de pensamento de foro íntimomandamentos de otimização, isto é, normas que determinam que algo seja realizado na maior medida possível em face das possibilidades fático-jurídicas. O QUE É O PREÂMBULO E QUAL A SUA NATUREZA JURÍDICA? O PREÂMBULO DA CF/88: 4 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 'Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.’ Na doutrina constitucional há uma relevante discussão sobre qual é a natureza jurídica do preâmbulo, destacando-se três correntes doutrinárias: 1) Natureza Ideológica (Tese da irrelevância jurídica). Essa corrente doutrinária, encabeçada por doutrinadores de peso, como Hans Kelsen e Paulo Bonavides, defende que o preâmbulo não é norma jurídica e não possui qualquer relevância jurídica, sendo mera expressão política. Essa tem sido a posição adotada pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 2.076/2002), em que pese vozes dissonantes na jurisprudência da Corte. Inclusive, atenção! Apesar do julgado na ADI 2.076/AC, mais recente, a Ministra CÁRMEN LÚCIA na ADI n° 2.649 deixou assente que o preâmbulo deve ser dotado de relevância jurídica ao mencionar o autor José Afonso da Silva. 2) Natureza Jurídica Hermenêutica (Tese da relevância jurídica indireta). Para os defensores dessa corrente, o preâmbulo não possui força normativa, não sendo norma jurídica constitucional, contudo é um elemento hermenêutico-constitucional, cumprindo função na interpretação e integração do texto constitucional. 3) Natureza Jurídica Normativa (Tese da relevância jurídica direta e imediata). Essa corrente, de tradição francesa, defendida pela doutrina constitucional majoritária,66 defende que o preâmbulo possui força normativa, sendo norma constitucional integrante da Constituição, tendo a mesma hierarquia das normas da parte dogmática e servindo, inclusive, como parâmetro de controle de constitucionalidade. (Manual de Direito Constitucional / Eduardo Rodrigues dos Santos - 3.ed., rev. atual e ampl. - São Paulo: Editora JusPodivm, 2023, pg. 86). Como o tema foi cobrado (CESPE/2022/PC-RJ/Delegado de Polícia): Conforme expressamente previsto no art. 1.º da Constituição Federal de 1988, “A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito”. Além de elencar os princípios republicano e federativo, o referido dispositivo constitucional aponta como um dos princípios fundamentais da Lei Maior o denominado princípio do Estado democrático de direito. Considerando os princípios que fundamentam o Estado brasileiro e aspectos relacionados a esse assunto, assinale a opção correta. A Com o surgimento do liberalismo, os Estados passaram a ser criados por meio de constituições escritas, com fixação de mecanismos de repartição e limitação do poder estatal, dando-se especial atenção à proteção do indivíduo contra eventuais arbitrariedades; passou a ser comum aos Estados modernos a edição de normas estabelecidas tanto pela constituição quanto pelos diplomas infraconstitucionais, não apenas para reger as relações entre os particulares, mas também para vincular a atuação dos agentes públicos. Assim, é correto afirmar que o Estado de direito pode ser conceituado, sinteticamente, como aquele que se mantém baseado no império das leis. 5 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS – TÍTULO I DA CRFB/88: A Constituição Federal de 1988 elenca, em seus artigos 1o, 2o, 3o e 4o como princípios fundamentais os fundamentos da República Federativa do Brasil; a separação de Poderes; os objetivos fundamentais e os princípios que regem as relações internacionais. Ou seja, princípios fundamentais não se confundem com fundamentos, pois aqueles são mais abrangentes. OUTROS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os Princípios Constitucionais estão presentes não só no art. 5º, mas em diversos dispositivos, a exemplo dos princípios tributários, previstos no art. 150, e dos princípios expressos da Administração Pública (art. 37, caput). Assim, atente-se brevemente aos princípios da dignidade da pessoa humana, legalidade e isonomia, sem prejuízo dos demais que se inserem na Carta Magna – e serão tratados nas matérias específicas: a) Dignidade da pessoa humana: Define Luís Roberto Barroso que o “princípio da dignidade humana expressa um conjunto de valores civilizatórios que se pode considerar incorporado ao patrimônio da humanidade. Dele se extrai o sentido mais nuclear dos direitos fundamentais, para tutela do mínimo existencial e da personalidade humana, tanto na dimensão física como na moral”. Pode-se acrescentar também que a dignidade humana possui um enfoque moral, consistente na máxima de Kant segundo a qual o homem é um fim em si mesmo, e um enfoque material, relativo à manutenção do mínimo existencial. Decorre do aludido princípio, por exemplo, a impenhorabilidade do bem de família e a união estável entre pessoas do mesmo sexo. É considerado um “super-princípio”. (BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo: os conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. 6ª ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2022). Nesse sentido, a dignidade da pessoa humana, enquanto princípio fundamental da República Federativa do Brasil e consagrado no art. 1°, III, da CF/88, consiste na principal fonte jurídico-axiológica de nosso sistema, sendo, portanto, princípio-matriz de todos os direitos fundamentais. Como o tema foi cobrado (CESPE, Oral PCRO/2023) (espelho): O fato de a dignidade humana ser positivada na Constituição como princípio fundamental da República confere-lhe a natureza de norma jurídica, seja como princípio ou como regra, mas, de todo modo, como norma. A dignidade não é ali referida apenas como uma declaração retórica, apenas como enunciado de importante conteúdo ético. Ela é também um valor constitucional relevante. Isso significa que ela passa a ter ao menos eficácia negativa contra normas infraconstitucionais e contra atos que se contraponham à dignidade humana, isto é, tais normas e atos podem ser reconhecidos como inválidos (antijurídicos), no que forem contrários a ela. Além disso, como princípio fundamental da República,em questões de natureza religiosa, incluindo o direito de professar ou não uma religião, de acreditar ou não na existência de um, em nenhum ou em vários deuses (art. 5º, VI); e ▪ Liberdade de consciência em sentido estrito: é a liberdade de pensamento de foro íntimo em questões não religiosas. Obs.: o art. 5º, VII, da CF/88 também assegura, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva. 48 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5719092 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5727683 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5727770 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5727772 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5730939 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5765224 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5765224 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5719092 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5719092 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS É compatível com a Constituição Federal de 1988 — e não ofende a proibição de discriminação (CF/1988, arts. 3º, IV, e 5º, caput), o postulado da laicidade estatal (CF/1988, art. 19, I) e o princípio da impessoalidade na Administração Pública (CF/1988, art. 37, caput) — a presença de símbolos religiosos em espaços públicos, pertencentes ao Estado, nas hipóteses em que se busca representar tradição cultural da sociedade brasileira. A lealdade aos valores e princípios democráticos defendidos pelo texto constitucional ensejam a identificação e o compromisso com os ideais de igualdade, liberdade e justiça nele contidos, independentemente de diferenças culturais ou religiosas. Nesse contexto, a presença de símbolos religiosos (i) não retira a legitimidade da ação do administrador público ou da convicção do julgador; (ii) não impõe concepções filosóficas ao cidadão nem o constrange a renunciar à fé ou lhe retira a faculdade de autodeterminação e de percepção mítico-simbólica; bem como (iii) não fere a liberdade de ter, não ter ou deixar de ter uma religião. STF. ARE 1.249.095/SP, relator Ministro Cristiano Zanin, julgamento virtual finalizado em 26.11.2024. (Info 1160) É constitucional a utilização de vestimentas ou acessórios relacionados a crença ou religião nas fotos de documentos oficiais, desde que não impeçam a adequada identificação individual, com rosto visível. STF. RE 859.376/PR, relator Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento finalizado em 17.04.2024. (Info 1133) É constitucional a instituição, por lei municipal, de feriado local para a comemoração do Dia da Consciência Negra, a ser celebrado em 20 de novembro, em especial porque a data representa um símbolo de resistência cultural e configura ação afirmativa contra o preconceito racial. ADPF 634/SP, relatora Ministra Cármen Lúcia, julgamento finalizado em 30.11.2022. É inconstitucional norma que proíbe proselitismo em rádios comunitárias É inconstitucional o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.612/98. Esse dispositivo proíbe, no âmbito da programação das emissoras de radiodifusão comunitária, a prática de proselitismo, ou seja, a transmissão de conteúdo tendente a converter pessoas a uma doutrina, sistema, religião, seita ou ideologia. O STF entendeu que essa proibição afronta os arts. 5º, IV, VI e IX, e 220, da Constituição Federal. A liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo, o uso de argumentos críticos, o consenso e o debate público informado e pressupõe a livre troca de ideias e não apenas a divulgação de informações. STF. Plenário. ADI 2566/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 16/5/2018 (Info 902). 49 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6727895 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6727895 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS A incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões pode configurar o crime de racismo A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão. STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info 893). É inconstitucional lei estadual que obriga que as escolas e bibliotecas públicas tenham um exemplar da Bíblia. No Amazonas, foi editada lei estadual obrigando as escolas e bibliotecas públicas a terem pelo menos uma Bíblia disponível para consulta. Esta lei é inconstitucional. Isso porque o art. 19, I, da CF/88 prevê a laicidade estatal. STF. Plenário. ADI 5258/AM, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 12/4/2021. (Info 1012) É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz africana. RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 28/3/2019. (Info 935) DICA DD: Não confundir- o STF entendeu que a CF/88 não proíbe que sejam oferecidas aulas de uma religião específica, que ensine os dogmas ou valores daquela religião. Não há qualquer problema nisso, desde que se garanta oportunidade a todas as doutrinas religiosas. STF. Plenário. ADI 4439/DF, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 27/9/2017 (Info 879). Lembre-se que a “neutralidade do ensino religioso não existe. O que deve existir é o respeito às diferenças”. Como o tema foi cobrado (CESPE, Oral PCRO/2023) (espelho): A liberdade de culto e de crença, como a quase totalidade dos direitos fundamentais, não é ilimitada. Portanto, alguns limites estatais podem ser impostos, alguns sem grande polêmica, como a necessidade de observância a limites de produção de ruído definidos por autoridades municipais e a outras posturas municipais (como alvarás para construção e funcionamento de templos). Outros limites mais delicados também podem ser impostos, como ocorreu durante a pandemia de covid-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), quando o Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a restrição a atos religiosos presenciais, por motivos sanitários. Por outro lado, a liberdade de culto e de crença não autoriza as pessoas a cometer delitos e outros atos juridicamente inválidos, embora cada ato deva ser examinado de forma cuidadosa, exatamente para não anular a liberdade de culto nem outras garantias, como a liberdade de expressão. A liberdade de culto e de crença não autoriza, por exemplo, prática de ofensa a minorias ou a grupossociais vulneráveis nem 50 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS propagação de discurso de ódio. Portanto, praticantes de determinada religião, incluindo padres, pastores e outros sacerdotes e membros do grupo religioso, podem ser punidos por atos ligados à prática da religião. Transfusão de sangue nas Testemunhas de Jeová Tema que gera muita discussão. O Ministro Barroso sustenta que a dignidade da pessoa humana apresenta duas acepções: - Dignidade como autonomia: tutela a capacidade de autodeterminação e a responsabilidade moral do indivíduo por suas escolhas, notadamente as de catéter existencial, dentre as quais se inclui a liberdade religiosa; - Dignidade como heteronomia: envolve a imposição de padrões sociais externos ao indivíduo, o que, no caso concreto, significa a proteção objetiva da vida humana, mesmo contra a vontade do titular do direito. As acepções se complementam, mas é possível afirmar a prevalência da dignidade como autonomia, o que significa dizer que devem prevalecer as escolhas individuais (LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado, pg. 1195). Assim, a escolha da pessoa - e aqui inclui a recusa pela transfusão de sangue - é válida desde que o consentimento seja dado pelo titular do direito, manifestado de forma válida e inequívoca por pessoa capaz e com discernimento, ou seja, consentimento inequívoco, personalíssimo, expresso e atual. Ademais, deverá também ser livre e informado. Apesar do tema ser polêmico, acerca de necessidade de transfusão de sangue em menores com risco de vida, como não se pode exigir que exprimem consentimento, o médico deverá realizar todos os tratamentos médicos alternativos sem sangue e, se mesmo assim não resolver, diante da vida ou morte do menor, poderá então realizar a transfusão de sangue não respondendo o médico por constrangimento ilegal. III. LIBERDADE DE ATIVIDADE INTELECTUAL, ARTÍSTICA, CIENTÍFICA OU DE COMUNICAÇÃO – ART. 5º, IX, CF/88 IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. Veda-se a censura de natureza política, ideológica e artística (art. 220, § 2.º), porém, apesar da liberdade de expressão acima garantida, lei federal deverá regular as diversões e os espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada. IV. LIBERDADE DE PROFISSÃO – ART. 5º, XIII da CRFB XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; 51 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Assegura a liberdade do exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Trata-se de norma constitucional de eficácia contida, podendo a legislação infraconstitucional limitar o seu alcance, fixando condições ou requisitos para o pleno exercício da profissão. Cuidado - a jurisprudência do STF admite a regulamentação por lei de atividades que possam trazer danos a terceiros, atividades profissionais cuja falta de técnica traga o risco de “atingir negativamente a esfera pública de outros indivíduos ou de valores ou interesses da própria sociedade” (ADI 3.870, 2019). Nessas situações, a lei poderá disciplinar, restritivamente, impondo regras ao exercício da profissão. Ex.: exigência de aprovação no exame da OAB para exercício da advocacia. E) LIBERDADE DE INFORMAÇÃO – ART. 5º, XIV e XXXIII da CRFB XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; Caiu na prova Delegado SC/2024 (ADAPTADA): Diretor de determinado órgão policial do Estado edita a Portaria XXX/2021 que determina que todos os processos do Sistema Eletrônico de Informações do órgão sejam cadastrados com nível de acesso restrito ou sigiloso e, com isso, impedindo o acesso público. Com base na situação hipotética descrita e na ordem constitucional vigente, é correto afirmar que: - A Portaria XXX/2021 viola a liberdade de informação do Art. 5º, inciso XXXIII, da CF/88, que estabelece como regra a publicidade das informações mantidas por órgãos do Estado. (ITEM CORRETO) - O ato de qualquer órgão do Estado restritivo à publicidade das informações deve ser justificado objetiva, específica e formalmente. (ITEM CORRETO) ▪ Liberdade de informação jornalística: A CF/88 consagrou expressamente o princípio da publicidade como um dos vetores imprescindíveis à Administração Pública, conferindo-lhe absoluta prioridade na gestão administrativa e garantindo pleno acesso às informações a toda a sociedade. A consagração constitucional de publicidade e transparência corresponde à obrigatoriedade do Estado em fornecer as informações necessárias à sociedade. O acesso às informações consubstancia-se em verdadeira garantia instrumental ao pleno exercício do princípio democrático. Assim, salvo situações excepcionais, a Administração Pública tem o dever de absoluta transparência na condução dos negócios públicos, sob pena de desrespeito aos arts. 37, caput, e 5º, XXXIII e LXXII, CF/88, 52 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS pois “o modelo político-jurídico, plasmado na nova ordem constitucional, rejeita o poder que oculta e o poder que se oculta”. Na hipótese de publicação de entrevista, por quaisquer meios, em que o entrevistado imputa falsamente prática de crime a terceiro, a empresa jornalística somente poderá ser responsabilizada civilmente se comprovada sua má-fécaracterizada: (i) pelo dolo demonstrado em razão do conhecimento prévio da falsidade da declaração, ou (ii) pela culpa grave decorrente da evidente negligência na apuração da veracidade do fato e na sua divulgação ao público sem resposta do terceiro ofendido ou, ao menos, de busca do contraditório pelo veículo; 2. Na hipótese de entrevistas realizadas e transmitidas ao vivo, fica excluída a responsabilidade do veículo por ato exclusivamente de terceiro quando este falsamente imputa a outrem a prática de um crime, devendo ser assegurado pelo veículo o exercício do direito de resposta em iguais condições, espaço e destaque, sob pena de responsabilidade nos termos dos incisos V e X do artigo 5º da Constituição Federal; 3. Constatada a falsidade referida nos itens acima, deve haver remoção, de ofício ou por notificação da vítima, quando a imputação permanecer disponível em plataformas digitais, sob pena de responsabilidade. STF. RE 1.075.412 ED/PE, relator Ministro Edson Fachin, julgamento finalizado em 20.03.2025. (Info 1170). Constitui assédio judicial comprometedor da liberdade de expressão o ajuizamento de inúmeras ações a respeito dos mesmos fatos, em comarcas diversas, com o intuito ou o efeito de constranger jornalista ou órgão de imprensa, dificultar sua defesa ou torná-la excessivamente onerosa; 2. Caracterizado o assédio judicial, a parte demandada poderá requerer a reunião de todas as ações no foro de seu domicílio. 3. A responsabilidade civil de jornalistas ou de órgãos de imprensa somente estará configurada em caso inequívoco de dolo ou de culpa grave (evidente negligência profissional na apuração dos fatos). STF. ADI 6.792/DF e ADI 7.055/DF, relatora Ministra Rosa Weber, redator do acórdão Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento finalizado em 22.05.2024. (Info 1138) A plena proteção constitucional à liberdade de imprensa é consagrada pelo binômio liberdade com responsabilidade, vedada qualquer espécie de censura prévia. Admite-se a possibilidade posterior de análise e responsabilização, inclusive com remoção de conteúdo, por informações comprovadamente 53 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4972872 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4972872 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS injuriosas, difamantes, caluniosas, mentirosas, e em relação a eventuais danos materiais e morais. Isso porque os direitos à honra, intimidade, vida privada e à própria imagem formam a proteção constitucional à dignidade da pessoa humana, salvaguardando um espaço íntimo intransponível por intromissões ilícitas externas. Na hipótese de publicação de entrevista em que o entrevistado imputa falsamente prática de crime a terceiro, a empresa jornalística somente poderá ser responsabilizada civilmente se: (i) à época da divulgação, havia indícios concretos da falsidade da imputação; e (ii) o veículo deixou de observar o dever de cuidado na verificação da veracidade dos fatos e na divulgação da existência de tais indícios”. STF. RE 1.075.412/PE, relator Ministro Marco Aurélio, redator do acórdão Ministro Edson Fachin, julgamento finalizado em 29.11.2023. (Info. 1120) A liberdade de informação jornalística não legitima a utilização de informações sigilosas obtidas por meios ilícitos. 8. Agravo regimental interposto por Infoglobo Comunicações Ltda. do qual não se conhece. 9 Agravo regimental interposto por Globo Comunicação e Participações S/A ao qual se nega provimento. (RE 638360 AgR-segundo, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 27/04/2020, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-131 DIVULG 27-05-2020 PUBLIC 28-05-2020 REPUBLICAÇÃO: DJe-161 DIVULG 25-06-2020 PUBLIC 26-06-2020) Cabe reclamação contra decisão judicial que determina retirada de matéria jornalística de site. STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/3/2018 (Info 893). Jornal poderá acessar dados sobre mortes registradas em ocorrências policiais De acordo com o STJ, não cabe à administração pública ou ao Poder Judiciário discutir o uso que se pretende dar à informação de natureza pública. A informação, por ser pública, deve estar disponível ao público, independentemente de justificações ou considerações quanto aos interesses a que se destina. Não se pode vedar o exercício de um direito – acessar a informação pública – pelo mero receio do abuso no exercício de um outro e distinto direito – o de livre comunicar. Em suma: veículo de imprensa jornalística possui direito líquido e certo de obter dados públicos sobre óbitos relacionados a ocorrências policiais. STJ. 2ª Turma. REsp 1852629-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 06/10/2020 (Info 682). ▪ Liberdade de informação x direito ao esquecimento 54 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/412decf7f56202004e18650fb2db5897?categoria=1&subcategoria=1&criterio-pesquisa=e DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS O direito ao esquecimento é o direito que uma pessoa possui de não permitir que um fato, ainda que verídico, ocorrido em determinado momento de sua vida, seja exposto ao público em geral, causando-lhe sofrimento ou transtornos. Veja a definição dada por Anderson Schreiber: “(...) o direito ao esquecimento é, portanto, um direito (a) exercido necessariamente por uma pessoa humana; (b) em face de agentes públicos ou privados que tenham a aptidão fática de promover representações daquela pessoa sobre a esfera pública (opinião social); incluindo veículos de imprensa, emissoras de TV, fornecedores de serviços de busca na internet etc.; (c) em oposição a uma recordação opressiva dos fatos, assim entendida a recordação que se caracteriza, a um só tempo, por ser desatual e recair sobre aspecto sensível da personalidade, comprometendo a plena realização da identidade daquela pessoa humana, ao apresentá-la sob falsas luzes à sociedade.” (Anderson SCHREIBER. Direito ao esquecimento e proteção de dados pessoais na Lei 13.709/2018. In: TEPEDINO, G; FRAZÃO, A; OLIVA, M.D. Lei geral de proteção de dados pessoais e suas repercussões no direito brasileiro. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019, p. 376). A discussão quanto ao direito ao esquecimento envolve um conflito aparente entre a liberdade de expressão/informação e atributos individuais da pessoa humana, como a intimidade, privacidade e honra, passando por evolução jurisprudencial. Veja: O STJ reconheceu o direito ao esquecimento tendo, inclusive, em março de 2013, na VI Jornada de Direito Civil do CJF/STJ, aprovado um enunciado defendendo a existência do direito ao esquecimento como uma expressão da dignidade da pessoa humana. Veja: “Enunciado 531: A tutela da dignidadeda pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento”. Vale ressaltar, ainda, que o STJ possui o entendimento no sentido de que, quando os registros da folha de antecedentes do réu são muito antigos, admite-se o afastamento de sua análise desfavorável, em aplicação à teoria do direito ao esquecimento. Isso porque não se pode tornar perpétua a valoração negativa dos antecedentes, nem perenizar o estigma de criminoso para fins de aplicação da reprimenda, pois a transitoriedade é consectário natural da ordem das coisas. STJ. 6ª Turma. HC 452.570/PR, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 02/02/2021. No entanto, o tema passou por uma EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL. Isso porque o STJ passou a relativizar o direito ao esquecimento, ao passo que o STF passou a entender pela sua incompatibilidade com a Constituição Federal. Confira: O chamado direito ao esquecimento, apesar de ser reconhecido pela jurisprudência, não possui caráter absoluto. Em caso de evidente interesse social no cultivo à memória histórica e coletiva de delito notório, não se pode proibir a veiculação de matérias jornalísticas relacionados com o fato criminoso, sob pena de configuração de censura prévia, vedada pelo ordenamento jurídico pátrio. Em tal situação, não se aplica o direito 55 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ao esquecimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.803-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 28/04/2020 (Info 670). É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos parâmetros constitucionais – especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e da personalidade em geral – e as expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível. STF. Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – Tema 786) (Info 1005). Nota: Teoria pró-informação: simplesmente não existe um direito ao esquecimento, que, além de não constar expressamente da legislação brasileira, não poderia ser extraído de qualquer direito fundamental nem mesmo do direito à privacidade e à intimidade. Um direito ao esquecimento seria, ademais, contrário à memória de um povo e à própria História da sociedade. A liberdade de informação prevaleceria sempre e a priori, à semelhança do que ocorre nos Estados Unidos da América (ver New York Times Co. vs. Sullivan, entre outros). Os defensores desse posicionamento invocam, ainda, a jurisprudência mais recente do nosso Supremo Tribunal Federal, especialmente o célebre precedente das biografias não-autorizadas (ADI 4.815). ▪ Liberdade artística e os veículos de comunicação social: É ampla liberdade na produção da arte. * ATENÇÃO: Embora exista a liberdade artística, o Poder Público poderá estabelecer faixas etárias recomendadas, locais e horários para a apresentação. Ao mesmo tempo, lei federal deverá estabelecer meios para que qualquer pessoa ou família possa defender-se de programações de rádio e televisão que atentem contra os valores éticos vigentes (art. 220, §3º, I e II). V. LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO: É o direito de ir e vir, amparado por habeas corpus. XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão 56 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; Perceba que a liberdade de locomoção no território nacional é livre NOS TEMPOS DE PAZ. Existem 4 hipóteses de exceção a liberdade de locomoção: (1) Em caso de prisão em flagrante ou prisão por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar (art. 5º, LXI, CF/88) (2) Durante o estado de defesa (art. 136, 3º, I, CF/88) o decreto poderá estabelecer restrição ao direito de reunião, ainda que exercida no seio das associações. (3) Durante o estado de sítio decretado com fundamento no art. 137, I, CF/88, poderão ser tomadas contra as pessoas as medidas de obrigação de permanência em localidade determinada (art. 139, I, CF/88); detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns (art. 139, II, CF/88); suspensão da liberdade de reunião (art. 139, IV, CF/88). (4) Declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira (hipóteses de decretação de estado de sítio – art. 137, II, CF/88), a liberdade de locomoção também poderá ser restringida ou suspensa (art. 138, caput, CF/88). VI. LIBERDADE DE REUNIÃO: Art. 5°, XVI, CRFB - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; É o agrupamento organizado de pessoas de caráter transitório, com uma determinada finalidade. O exercício válido do direito de reunião deve satisfazer os requisitos constitucionais, a saber: ✔ Reunião pacífica ✔ Sem armas ✔ Em locais abertos ao público ✔ Dispensa autorização, mas deve haver aviso prévio aviso à autoridade competente ✔ Não pode frustrar outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local O que se entende por aviso prévio para os fins do direito de reunião do art. 5º, XVI, da CF/88? O STF fixou a seguinte tese: A exigência constitucional de aviso prévio relativamente ao direito de reunião é satisfeita com a veiculação de informação 57 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAISque permita ao poder público zelar para que seu exercício se dê de forma pacífica ou para que não frustre outra reunião no mesmo local. STF. Plenário. RE 806339, Rel. para acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 14/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 855). O entendimento foi fixado porque não se pode exigir o aviso prévio como condicionante ao exercício do direito de reunião. ATENÇÃO! em 13.04.2023, o Tribunal Pleno do STF, sob a Relatoria do Excelentíssimo Senhor Ministro DIAS TOFFOLI, na ADPF 734/PE, reconheceu a constitucionalidade da Lei nº 6.425/72 do Estado de Pernambuco, a qual trata sobre o regime jurídico dos policiais civis no Estado, proíbe que os policiais civis promovam ou participem de manifestações de apreço ou desapreço a quaisquer autoridades ou contra atos da Administração Pública em geral. A decisão foi veiculada no Informativo 1090. Resumo: Desta forma, a restrição imposta pela lei estadual que veda a promoção ou a participação de policiais em manifestações de apreço ou desapreço a quaisquer autoridades ou contra atos da Administração Pública em geral é constitucional, e não configura censura a liberdade de expressão e manifestação. Para complementar: Os fundamentos para considerar constitucional a restrição imposta pela lei foram os seguintes: 1. Hierarquia e disciplina nas carreiras da área de segurança pública: A lei estadual impugnada proíbe que os policiais civis promovam ou participem de manifestações de apreço ou desapreço a autoridades ou contra atos da Administração Pública em geral. Isso se justifica pela necessidade de manter a hierarquia e a disciplina nas carreiras da área de segurança pública, que têm como objetivo a preservação da ordem pública e da paz social. 2. Segurança e ordem públicas: Os policiais civis são agentes públicos armados, e suas manifestações de apreço ou desapreço em relação a atos da Administração Pública ou autoridades podem afetar a segurança e a ordem públicas. Portanto, a restrição imposta pela lei visa conciliar a liberdade de expressão dos policiais civis com a necessidade de garantir a segurança e a ordem na sociedade. 3. Proteção constitucional de outros valores: A restrição imposta pela lei estadual é uma ingerência no exercício do direito fundamental à liberdade de expressão dos policiais civis. No entanto, essa restrição se justifica pela existência de outros valores constitucionais igualmente protegidos, como a segurança pública, a ordem pública e a hierarquia e disciplina nas organizações policiais. Assim, é necessário sopesar esses valores no contexto concreto. 4. Convenção Americana de Direitos Humanos: A restrição imposta pela lei estadual também encontra respaldo na Convenção Americana de Direitos Humanos, que estabelece que o exercício da liberdade de expressão deve assegurar a proteção da segurança pública, da ordem pública, da saúde ou da moral públicas. Portanto, a restrição imposta pela lei está em 58 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS conformidade com os princípios internacionais de direitos humanos. Dica: Faça um link desta decisão estudada com esta exposta a seguir, que versa sobre a proibição do direito de greve pelos policiais civis e demais servidores que atuem diretamente na área de segurança pública: O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860). VII. LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO: Agrupamento de pessoas, organizado e permanente, para fins lícitos. Abrange: ∘ Direito de associar-se a outras pessoas para a formação de uma entidade; ∘ Aderir a uma associação já formada; ∘ Desligar-se da associação; ∘ Autodissolução das associações. Atenção (1): o direito de associação somente é livre se: ● For para fins lícitos ● Não tiver caráter paramilitar. Art. 5°, XVII, CRFB - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; Atenção (2): ● Associações são criadas independentemente de autorização, já as cooperativas devem ser criadas na forma da lei, mas independem de autorização; XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; Atenção (3): A CF/88 veda qualquer interferência estatal no funcionamento das associações e cooperativas. Atenção (4): As associações: ● Podem ser dissolvidas de forma compulsória por decisão judicial, mas apenas após o trânsito em julgado. ● Podem ter suas atividades suspensas por decisão judicial, não sendo exigido o trânsito em julgado. 59 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XX - Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; Obs.: É inconstitucional o condicionamento da desfiliação de associado à quitação de débito referente a benefício obtido por intermédio da associação ou ao pagamento de multa. STF. Plenário. RE 820823/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 30/9/2022 (Repercussão Geral – Tema 922) (Info 1070). VIII. DIREITO DE PROPRIEDADE XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; É garantido pela Constituição, mas não é absoluto, uma vez que a propriedade poderá ser desapropriada. É necessário também que a propriedade cumpra sua função social, atendendo aos interesses da coletividade e não apenas do proprietário. ● É garantido o direito de propriedade (art. 5º, XXII). ● A propriedade atenderá a sua função social (art. 5º, XXIII). ● A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na Constituição (art. 5º, XXIV). ● No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano (art. 5º, XXV).IX. DIREITO DE PETIÇÃO E DE OBTENÇÃO DE CERTIDÕES XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; Caso o pedido de certidão não seja atendido, o remédio constitucional cabível será o mandado de segurança e não o habeas data. O direito de certidão não é absoluto, pois pode ser negado em caso de o sigilo ser imprescindível à segurança da sociedade ou do Estado. 60 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS X. INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito (art. 5º, XXXV, CF/88). Não se confunde com o direito de petição, já que este consiste em um direito de participação política que não demanda a demonstração de interesse processual ou lesão a direito pessoal. Exceção à regra da inafastabilidade da jurisdição: O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei (art. 217, §1º, da CF). XI. IRRETROATIVIDADE DA LEI A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (art. 5º, XXXVI,CF/88). Conceitos (art. 6º da LINDB): I- Direito adquirido: direito que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aquele cujo começo do exercício tenha termo prefixo ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem; II- Ato jurídico perfeito: ato já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou; III- Coisa julgada: decisão judicial de que não caiba mais recurso. Súmula 654-STF: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado. XII. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido (art. 5º XLV, CF/88). O princípio da pessoalidade tem duas dimensões: 1) Dimensão negativa: impede que sanções de natureza penal extrapolem o âmbito estritamente pessoal do infrator, vedando a imposição de pena a terceiros; 2) Dimensão positiva: impõe o dever de expor circunstancialmente as condutas responsáveis pelo ilícito, bem como de narrar com clareza o grau de participação dos acusados. A veiculação de matéria jornalística sobre delito histórico que expõe a vida cotidiana de terceiros não envolvidos no fato criminoso, em especial de criança e de adolescente, representa ofensa ao princípio da intranscendência 61 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c705112d1ec18b97acac7e2d63973424?palavra-chave=esquecimento&criterio-pesquisa=texto_literal https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c705112d1ec18b97acac7e2d63973424?palavra-chave=esquecimento&criterio-pesquisa=texto_literal https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c705112d1ec18b97acac7e2d63973424?palavra-chave=esquecimento&criterio-pesquisa=texto_literal DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS STJ. 3ª Turma. REsp 1736803-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 28/04/2020 (Info 670). É inconstitucional lei estadual que proíba a Administração Pública de contratar empresa que tenha tido empregado condenado por crime ou contravenção relacionados com a prática de atos discriminatórios É inconstitucional lei estadual que proíba que a Administração Pública contrate empresa cujo diretor, gerente ou empregado tenha sido condenado por crime ou contravenção relacionados com a prática de atos discriminatórios. Essa lei viola os princípios da intransmissibilidade da pena, da responsabilidade pessoal e do devido processo legal. STF. Plenário. ADI 3092, Rel. Marco Aurélio, julgado em 22/06/2020 (Info 987 – clipping). XIII. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA: XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; A aplicação do princípio ocorre em três âmbitos: ● Plano legislativo: dirige-se ao legislador no momento da fixação dos limites mínimos e máximos da pena, do regime de cumprimento e dos benefícios que podem ser concedidos ao infrator. ● Plano judicial: o magistrado, ao aplicar a pena, deve definir, fundamentadamente, a sua quantidade conforme os parâmetros legais, o regime inicial e os benefícios aplicáveis; ● Plano executório: no momento da execução penal, deverá ser definido o estabelecimento prisional de cumprimento da pena, tendo em conta a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado (art. 5º, XLVIII, CF/88). * Obs.: Súmula Vinculante nº 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS. 3. DIREITOS SOCIAIS São direitos de 2ª geração/dimensão. A Constituição define no art. 6º quais são os direitos sociais: 62 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/71cc107d2e0408e60a3d3c44f47507bd?categoria=1&subcategoria=1&ano=2020 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/71cc107d2e0408e60a3d3c44f47507bd?categoria=1&subcategoria=1&ano=2020 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/71cc107d2e0408e60a3d3c44f47507bd?categoria=1&subcategoria=1&ano=2020 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS CRFB, Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.Inclusão legislativa (Emenda Constitucional nº 114 de 2021): Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica familiar, garantida pelo poder público em programa permanente de transferência de renda, cujas normas e requisitos de acesso serão determinados em lei, observada a legislação fiscal e orçamentária. (grifo nosso). ● Direitos dos trabalhadores Direitos dos trabalhadores nas suas relações individuais de trabalho: são os direitos dos trabalhadores do art. 7º da CF, cujo dispositivo deve ser lido atentamente. Dentre esses direitos, destaca-se: · Direito ao trabalho: infere-se do valor social do trabalho como fundamento da República (art. 2º) e demais dispositivos constitucionais; · Garantia do emprego: é a proteção da relação de emprego contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, entre outros direitos, impedindo-se, dessa forma, a dispensa injustificada, sem motivo socialmente relevante. ATENÇÃO: A EC 72/2013 ampliou os direitos dos empregados domésticos! ● É possível a efetivação de direitos sociais pelo poder judiciário? R.: Embora seja prerrogativa dos Poderes Legislativo e Executivo formular e executar políticas públicas, o STF entende possível a efetivação de direitos sociais via Poder Judiciário, excepcionalmente, sobretudo nas hipóteses de políticas públicas definidas pela própria Constituição. O Poder Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração Pública adote medidas concretas, assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais. DIREITOS COLETIVOS DOS TRABALHADORES: Exercidos pelos trabalhadores coletivamente ou no interesse de uma coletividade deles, previstos nos arts. 8-11. Destacamos: ▪ Organização sindical: o art. 8º, CF/88, institui ampla autonomia coletiva para a fundação e direção desse ente associativo, não podendo o Estado intervir ou condicionar o exercício desse direito. Pode, contudo, ser exigida a inscrição do sindicato em órgão próprio (Ministério do Trabalho), bem como admite-se que a lei disponha genericamente sobre regras básicas de organização sindical. ▪ Direito de substituição processual: a CF/88 previu a possibilidade de os sindicatos ingressarem em juízo na defesa de direitos e interesses coletivos e individuais da categoria, em hipótese de substituição processual, pois o sindicato ingressa em nome próprio na defesa de interesses alheios. 63 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ▪ Greve: previsto no art. 9º, cabe aos trabalhadores decidir a oportunidade de exercê-lo e os interesses que devam por meio dele defender. Outrossim, prevê que a lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, inclusive responsabilizando os abusos cometidos. 💣 Cuidado! Policial não pode fazer greve!!! O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860). ATENÇÃO - Para servidores públicos civis: como não existe lei específica sobre o assunto para servidores públicos civis, o STF conferiu efeitos concretos aos Mandados de Injunção ajuizados pelos Sindicatos de Servidores Civis. Por maioria, conheceu dos mandados de injunção e propôs a solução para a omissão legislativa com a aplicação, no que couber, da Lei nº 7.783/89, que dispõe sobre o exercício do direito de greve na iniciativa privada. IMPORTANTE: O estudo da jurisprudência acerca do tema: “Direitos Fundamentais” é imprescindível, diante da elevada cobrança em provas. Nesse sentido, não deixe de ver o caderno de jurisprudências cuja leitura é importantíssima! Veja algumas decisões que já foram objeto de prova: É inconstitucional lei municipal que proíba a divulgação de material com referência a “ideologia de gênero” nas escolas municipais Compete privativamente à União legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional (art. 22, XXIV, da CF), de modo que os Municípios não têm competência para editar lei proibindo a divulgação de material com referência a “ideologia de gênero” nas escolas municipais. Existe inconstitucionalidade formal. Há também inconstitucionalidade material nessa lei. Lei municipal proibindo essa divulgação viola: • a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber (art. 206, II, CF/88); e • o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas (art. 206, III). Essa lei contraria ainda um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, que é a promoção do bem de todos sem preconceitos (art. 3º, IV, CF/88). Por fim, essa lei não cumpre com o dever estatal de promover políticas de inclusão e de igualdade, contribuindo para a 64 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS manutenção da discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero. STF. Plenário. ADPF 457, Rel. Alexandre de Moraes, julgado em 27/04/2020. Essa jurisprudência foi cobrada na prova de Delegado de Polícia do Paraná: Caiu em prova Delegado PR/2021! Atendendo ao interesse local, os municípios podem editar lei que proíba a divulgação de materiais com menção à ideologia de gênero nas escolas municipais. (item incorreto). À luz do art. 227 da Constituição Federal, que confere proteção integral da criança com absoluta prioridade e do princípio da paternidade responsável, a licença maternidade, prevista no art. 7º, XVIII, da CF/88 e regulamentada pelo art. 207 da Lei 8.112/1990, estende-se ao pai genitor monoparental. STF. RE 1348854/DF, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 12.5.2022. (Info 1054). Caiu em prova Delegado ES/2022! Com base no disposto na Constituição Federal de 1988 (CF/88) e no entendimento do Supremo Tribunal Federal, assinale a opção correta acerca dos direitos sociais: O servidor público que seja pai monoparental faz jus à licença maternidade e ao salário maternidade pelo prazo de 180 dias (item considerado correto). O STJ, através da sua 2° Turma – informativo de n° 666 – decidiu que: “A omissão injustificada da Administração em providenciar a disponibilização de banho quente nos estabelecimentos prisionaisfere a dignidade de presos sob sua custódia.” Caiu em prova Delegado ES/2022! Assinale a opção correta a respeito dos direitos e garantias fundamentais: A omissão injustificada da administração pública em providenciar a disponibilização de banho quente nos estabelecimentos prisionais fere a dignidade dos presos sob sua custódia (item considerado correto). REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: Pedro Lenza. Direito Constitucional Esquematizado. Marcelo Novelino. Curso de Direito Constitucional. Dirley da Cunha Junior. Curso de Direito Constitucional. Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino. Direitos Constitucional Descomplicado Bruno Del Preti e Paulo Lépore. Manual de Direitos Humanos 65 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS João Trindade. Teoria Geral dos Direitos Fundamentais. Disponível em: http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teori a_geral_dos_direitos_fundamentais.pdf Julgados comentados do site Dizer o Direito. http://www.dizerodireito.com.br/ 66 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teoria_geral_dos_direitos_fundamentais.pdf http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teoria_geral_dos_direitos_fundamentais.pdf http://www.dizerodireito.com.br/ DIREITO CONSTITUCIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS1 2.1 Direitos x Garantias x Remédios Constitucionais 2.2 Direitos Fundamentais x Direitos Humanos 2.3 Geração dos direitos fundamentais Direitos e garantias fundamentais. Dever estatal de proteção e promoção da cultura. Prática da vaquejada: hipótese de manifestação cultural - ADI 5.728/DF. É constitucional — por não configurar violação às cláusulas pétreas e por respeitar os limites formais e materiais da Constituição Federal de 1988 — a Emenda Constitucional nº 96/2017 (CF/1988, art. 225, § 7º), que estabelece que práticas desportivas com animais, como a vaquejada, não são consideradas cruéis, desde que sejam manifestações culturais registradas como patrimônio cultural imaterial e regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. STF. ADI 5.728/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 14.03.2025. (Info 1168). 2.4 Características dos direitos fundamentais 2.5 Dimensão dos Direitos Fundamentais 2.5.1 Desdobramentos da dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais 2.6 Direitos individuais implícitos e explícitos 2.7 Destinatários 2.8 Os Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988 2.8.1. Não taxatividade dos direitos fundamentais e tratados de direitos humanos 2.8.2. Hierarquia dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos 2.9 Deveres Fundamentais 2.10 Alguns direitos individuais – rol do art. 5º da CF/88 3. DIREITOS SOCIAISa dignidade deve ser considerada na interpretação das demais normas do ordenamento jurídico, uma vez que é também objetivo a ser alcançado na atuação do Estado brasileiro. A dignidade humana tem sido frequentemente adotada com essas funções pelo Supremo Tribunal Federal, na interpretação do direito. 6 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS b) Legalidade: o princípio da legalidade significa que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo que não esteja previamente estabelecido na própria CF/88 e nas normas jurídicas dela derivadas. O princípio da legalidade, desta forma, se converte em princípio da constitucionalidade (Canotilho), subordinando toda atividade estatal e privada à força da Constituição. No direito brasileiro encontra-se previsto nos arts. 5º, II; 37; e 84, IV, da CF/88. I. Legalidade x Reserva Legal: o princípio da reserva legal é um desdobramento da legalidade, que impõe e vincula a regulação de determinadas matérias constantes na constituição à fonte formal do tipo lei. II. Acepções do princípio da legalidade: 1) Para particulares: somente a lei pode criar obrigações, de forma que a inexistência de lei proibitiva de determinada conduta implica ser ela permitida. Vigora a autonomia da vontade. 2) Para a Administração Pública: O Estado se sujeita às leis, e deve atuar em conformidade à previsão legal. O administrador público só poderá agir dentro daquilo que é previsto e autorizado por lei. Obs. Sob esta acepção, o princípio da legalidade vem sofrendo uma releitura pela doutrina moderna, que defende a necessidade de conformação da atividade do administrador ao Direito (e não apenas à lei). Assim, fala-se atualmente em princípio da juridicidade (o assunto é aprofundado em Direito Administrativo). c) Isonomia: Segundo bem definiu Rui Barbosa, “a regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade (...). Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real”. O princípio da igualdade compreende a igualdade formal e igualdade material, a primeira abrange a igualdade na lei, isto é, que nas normas jurídicas não pode haver distinções que não sejam autorizadas pela Constituição e que tem por destinatário o legislador e a igualdade perante a lei tem como destinatário os aplicadores da lei, segundo o qual deve se aplicar igualmente a lei, ainda que crie uma desigualdade. (JUNIOR, 2020, p.p. 620/621) Logo, é possível extrair: ● Isonomia formal: igualdade perante a lei; ● Isonomia material: tratar os desiguais na medida de sua desigualdade. É POSSÍVEL ESTABELECER CRITÉRIOS DIFERENCIADORES PARA ADMISSÃO DE CANDIDATO EM CONCURSOS PÚBLICOS? A jurisprudência vem admitindo algumas hipóteses de discriminação, podendo ocorrer em relação à idade, sexo, altura, etc., desde que sejam observados dois requisitos: 1) Previsão legal anterior definindo os critérios de admissão para o cargo; e 2) Razoabilidade da exigência, decorrente da natureza das atribuições do cargo a ser preenchido. 7 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral). AÇÕES AFIRMATIVAS A Carta Magna busca a igualdade material. Para aplicação do princípio da isonomia, são necessárias as ações afirmativas, também denominadas discriminações positivas, cuja finalidade é proteger certos grupos sociais que demandam tratamento diverso. Tais ações consideram a realidade histórica de marginalização ou hipossuficiência e, assim, funcionam como medidas de compensação com o fim de concretizar uma igualdade de oportunidades. A exemplo, podemos citar: mercado de trabalho da mulher, cotas de vagas sem serviços públicos, cotas em universidades (PROUNI), cotas, Lei Maria da Penha. Segundo Dirley da Cunha Júnior: As ações afirmativas, portanto, são medidas especiais e concretas para assegurar o desenvolvimento ou a proteção de certos grupos, com o fito de garantir-lhes, em condições de igualdade, o pleno exercício dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. (...) A própria Constituição já determina algumas ações afirmativas, que não podem ser negligenciadas pelo legislador ordinário, como, por exemplo, a proteção do mercador de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos (art.7º, XX) e a determinação de reserva de percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência (art.37, VIII). (2020, p. 623) Curiosidade: Ações afirmativas têm origem nos Estados Unidos da América, do qual se originou inclusive a nomenclatura: affirmative actions. Atenção ao julgado: Info. 1141 do STF - LEI DAS COTAS RACIAIS: VIGÊNCIA TEMPORÁRIA E EFICÁCIA DA AÇÃO AFIRMATIVA Encontram-se presentes os requisitos para a concessão da medida cautelar, pois: (i) há plausibilidade jurídica no que se refere à alegação de que, mesmo que sopesados os avanços já alcançados pela ação afirmativa de cotas raciais instituída pela Lei nº 12.990/2014, remanesce a necessidade da continuidade da política para que haja a efetiva inclusão social almejada; e (ii) há perigo da demora na prestação jurisdicional, consubstanciado na data de encerramento do período de vigência legal (10 de junho de 2024), o que pode gerar grave insegurança jurídica para os concursos em andamento ou finalizados recentemente. STF. ADI 7.654 MC-Ref/DF, relator Ministro Flávio Dino, julgamento virtual finalizado em 14.06.2024. Atenção ao julgado: Info. 1088 do STF – CANDIDATO ESTRANGEIRO 8 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS O candidato estrangeiro tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para provimento de cargos de professor, técnico e cientista em universidadese instituições de pesquisa científica e tecnológica federais, nos termos do art. 207, § 1º, da Constituição Federal, salvo se a restrição da nacionalidade estiver expressa no edital do certame com o exclusivo objetivo de preservar o interesse público e desde que, sem prejuízo de controle judicial, devidamente justificada. É inconstitucional — por violar o princípio da isonomia (CF/1988, art. 5º, “caput”) e a norma que estabelece às universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica a possibilidade de prover seus cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros (CF/1988, art. 207, § 1º) — a negativa de nomeação de aprovado em concurso público para cargo de professor em instituto federal, fundada apenas em motivo de nacionalidade.RE 1.177.699/SC, relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 24.3.2023. Atenção ao julgado: Info. 973 do STF - PRINCÍPIO DA IGUALDADE E SISTEMA DE COTAS É inconstitucional lei distrital que preveja percentual de vagas nas universidades públicas reservadas para alunos que estudaram nas escolas públicas do Distrito Federal, excluindo, portanto, alunos de escolas públicas de outros Estados da Federação. Veja que o STF não proibiu o sistema de cotas para alunos de escolas públicas, mas sim para alunos somente do DF (determinada localidade) violando a isonomia. No mesmo sentido: STF. Plenário. ADI 4868, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/03/2020. 2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS1 A CF/88 no Título II classifica o gênero direitos e garantias fundamentais em importantes grupos. Veja: - Direitos e Deveres individuais e coletivos; - Direitos sociais; - Direitos de nacionalidade; - Direitos políticos; - Partidos políticos. 2.1 Direitos x Garantias x Remédios Constitucionais 1 Para aprofundamento no assunto, consultar: http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teoria_geral_do s_direitos_fundamentais.pdf 9 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ● Direitos: são normas de conteúdo declaratório da existência de um interesse, de uma vantagem, isto é, imprimem a existência legal. Ex: direito à vida, à propriedade; ● Garantias: normas de conteúdo assecuratório, que servem para assegurar o direito declarado. As garantias são estabelecidas pelo texto constitucional como instrumento de proteção dos direitos fundamentais e writs constitucionais. São também chamadas de instrumentos de tutela das liberdades e ações constitucionais. DIREITOS FUNDAMENTAIS GARANTIAS FUNDAMENTAIS NORMAS QUE PROTEGEM os bens jurídicos fundamentais de uma sociedade INSTRUMENTOS que buscam proteger os direitos fundamentais Têm valor intrínseco Têm valor instrumental Direitos são bens e vantagens prescritos na norma enquanto garantias são os instrumentos através dos quais se assegura esse exercício. Ilustrando: é inviolável a liberdade de consciência e de crença (direito), garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas liturgias (garantia). ● Remédios Constitucionais: embora todo remédio constitucional seja uma garantia, nem toda garantia é um remédio constitucional, porque este é um instrumento processual que tem por objetivo assegurar o exercício de um direito. Ex: Habeas Corpus, Mandado de Segurança. Pode-se dizer que os remédios constitucionais são espécies do gênero garantia. ATENÇÃO: alguns dispositivos constitucionais contêm direitos e garantias no mesmo enunciado. O art. 5º, X, estabelece a inviolabilidade do direito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, assegurando, em seguida, o direito à indenização em caso de dano material ou moral provocado pela sua violação. 2.2 Direitos Fundamentais x Direitos Humanos Embora materialmente ambos objetivem a proteção e a promoção da dignidade da pessoa humana, não se confundem. Assim, convém destacar que a doutrina estabelece duas distinções entre os direitos humanos e os direitos fundamentais. A primeira delas relaciona-se ao locus de previsão, de modo que os direitos humanos – intrinsecamente ligados ao Direito Internacional Público – estão previstos em normas internacionais. Os direitos fundamentais, por sua vez, estão reconhecidos e positivados pelo Direito interno de um Estado determinado. A segunda distinção apontada se relaciona com a exigibilidade. Assim, os direitos humanos nem sempre seriam exigíveis internamente enquanto os direitos fundamentais, uma vez positivados no ordenamento interno (matriz constitucional) podem ser cobrados judicialmente. 10 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ● Direitos Humanos: são direitos reconhecidos no âmbito internacional; nem sempre exigíveis internamente. ● Direitos fundamentais: são direitos reconhecidos no plano interno de um determinado Estado. Preferencialmente, positivados na CF; passíveis de cobrança judicial. DIREITOS FUNDAMENTAIS DIREITOS HUMANOS FORMAL FUNDAMENTO DE VALIDADE/JURÍDICO Encontram previsão formal nas constituições. Encontram fundamento nos Tratados Internacionais; Exemplo: Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. MATERIAL LIGADA AO CONTEÚDO FINALIDADE DE CADA UM DOS INSTITUTOS Estabelecem o conjunto de bens jurídicos básicos, essenciais de uma sociedade, não se limitando à proteção da pessoa física. Buscam a proteção da pessoa humana (exclusivamente). Como se classificam as normas constitucionais de direitos fundamentais quanto à eficácia e aplicabilidade? Pela classificação de José Afonso da Silva e considerando não haver direito fundamental absoluto, as normas podem possuir eficácia plena, e podem apresentar, conforme a hipótese, eficácia contida (ou restringível) ou limitada. CLASSIFICAÇÃO DE JOSÉ AFONSO DA SILVA NORMAS DE EFICÁCIA PLENA NORMAS DE EFICÁCIA CONTIDA NORMAS DE EFICÁCIA LIMITADA QUANTO À EFICÁCIA (PRODUÇÃO DE EFEITOS) Imediata Imediata Mediata/Reduzida QUANTO À APLICABILIDADE (INDEPENDÊNCIA OU DEPENDÊNCIA DE LEI) Autoaplicável Autoaplicável Não autoaplicável Depende de lei para sua aplicação Subdividas em normas de princípios institutivos (promovem a estruturação 11 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TIN S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS de instituições, entidades e órgãos, como o art. 25, §3°, CF) e normas de conteúdo programático (traçam objetivos a serem perseguidos pelo Estado, como o art. 170, VIII, CF). QUANTO À POSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO Não restringível Ex: art. 5º, III, CF (vedação à tortura). Pode ser restringida pelo legislador Ex: art. 5º, XIII, CF (livre exercício de qualquer trabalho, desde que atendidas as exigências legais) Sofre restrição legal O que significa os efeitos negativo e positivo das normas constitucionais de direitos fundamentais? O efeito positivo diz respeito ao fato de que, pelo simples fato de surgir uma nova Constituição, ela revoga tudo do ordenamento anterior que for contrário a ela. As normas constitucionais têm, assim, efeitos positivos, no sentido de proativo, pois revogam (não recepcionam) tudo do ordenamento anterior que for contrário a elas. Já o efeito negativo, por sua vez, tem o sentido de vedar/negar ao legislador ordinário a possibilidade de produzir normas infraconstitucionais contrárias a ela (norma constitucional); e, acaso o poder legiferante fizer, o judiciário, entendendo que houve contrariedade, extirpa a norma do ordenamento jurídico por intermédio do controle de constitucionalidade. A Carta Magna de 1988 é um marco na história constitucional brasileira, pois a sua abertura aos direitos foi baseada também nos tratados internacionais celebrados pelo Brasil. Dessa forma, ela introduziu o mais extenso rol de direitos de diversas espécies, incluindo direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, além de prever várias garantias constitucionais. Ademais, o art. 5°, §2°, da CRFB/88 prevê o princípio da não exaustividade dos direitos fundamentais, ou seja, que o rol desses direitos não é taxativo, ao afirmar que os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes: i) do regime e dos princípios por ela adotados e ii) dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. A fundamentalidade material dos direitos fundamentais decorre da abertura da Constituição a outros direitos fundamentais não expressamente constitucionalizados. O aspecto material dos direitos fundamentais nasce da essência do seu conteúdo substancial normativo. Caiu em prova Delegado RJ/2022! A fundamentalidade material dos direitos fundamentais decorre da circunstância de serem os direitos fundamentais elemento constitutivo da Constituição material, contendo decisões fundamentais sobre a estrutura básica do Estado e da sociedade (item correto). 12 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 2.3 Geração dos direitos fundamentais As dimensões ou gerações dos direitos humanos são cobrados com frequência nos Concursos Públicos. O tema foi apresentado pela primeira vez por Karel Vasak, em sua forma clássica chamada de Gerações dos Direitos Humanos, desdobrando-se em 1ª, 2ª e 3ª gerações. Em provas objetivas, a tendência é que se cobre essas gerações, tendo em vista que não há controvérsias relevantes sobre elas. Trata-se de classificação dos direitos fundamentais que tem como critério o contexto histórico em que surgiram, a ordem cronológica de reconhecimento e afirmação dos direitos fundamentais. #DICA DD: Classificar os direitos em gerações sugere a ideia de superação de que as gerações mais novas suplantam as anteriores. Assim, e visando afastar essa concepção substitutiva de uma geração sobre a outra bem como a impressão de que existe uma relação de antiguidade ou posteridade dos direitos, a doutrina moderna entende que o mais adequado é falar em dimensões, uma vez que inexiste cronologia nesses direitos. Como o tema foi cobrado (CESPE, Oral PCRO/2023) (espelho): Não existe sucessão cronológica precisa e definida na evolução dos direitos individuais e coletivos, de modo que não é o mais correto falar em gerações de direitos fundamentais ou direitos humanos. Por essa razão, muitos doutrinadores preferem falar em dimensões dos direitos fundamentais e não em gerações. Esses direitos evoluem de forma cumulativa e somam-se à evolução dos direitos precedentes. O termo “dimensão” dos direitos fundamentais dá uma noção mais clara dos valores prevalecentes em cada uma dessas classificações de direitos, mas não de sucessividade ou de estanqueidade entre eles. Como os direitos fundamentais são indivisíveis e possuem relação entre si de fortalecimento mútuo, e não de exclusão mútua, o surgimento de uma nova geração de direitos tem o viés de fortalecer a geração já existente. Ex.: direito à educação fortalece o direito de liberdade de expressão. 1) DIREITOS DE PRIMEIRA GERAÇÃO OU PRIMEIRA DIMENSÃO (individuais ou negativos): Surgem no contexto histórico das revoluções liberais, burguesas, diante do nascimento do constitucionalismo liberal – Séc. XIX. Marcam a passagem de um Estado autoritário para um Estado de Direito. Grandes Marcos dos direitos de 1ª dimensão: · Inglaterra – 1.215 – Magna Carta, assinada pelo Rei “João Sem Terra” · EUA – 1.776 – Declaração de Independência Americana · EUA – 1.787 – Constituição Americana · França – 1.789 – Revolução Francesa · França – 1.791 – Constituição Francesa 13 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Estão relacionados à luta pela liberdade e segurança diante do Estado. Trata-se de impor ao Estado obrigações de não-fazer (absenteísmo estatal) e se relacionam às pessoas, individualmente. Ex.: propriedade, igualdade formal (perante a lei), liberdade de crença, de manifestação de pensamento, direito à vida etc. Obs.1: são chamados também de direitos negativos ou direitos de defesa. Obs.2: o fundamento dos direitos de 1ª geração/dimensão é a IGUALDADE FORMAL. 2) DIREITOS DE SEGUNDA GERAÇÃO OU SEGUNDA DIMENSÃO (sociais, econômicos e culturais ou direitos positivos): Surgem no final do século XIX e início do século XX, diante do fenômeno do constitucionalismo social (ligado ao movimento do socialismo). Grandes Marcos: · Constituição Mexicana de 1917 · Constituição Alemã de Weimar de 1919 · Tratado de Versalhes, de 1919 (OIT) · Rússia – 1.917/18 – Declaração do Povo Oprimido e Trabalhador – Revolução Russa · Constituição Brasileira de 1934. São os direitos de grupos sociais menos favorecidos, e que impõem ao Estado uma obrigação de fazer, de prestar (por isso são chamados de direitos prestacionais). Buscam viabilizar, através do Estado, a satisfação das necessidades básicas dosindivíduos como forma de lhes proporcionar uma vida digna. Ex: saúde, educação, moradia, segurança pública. Os direitos sociais elencados no art. 6º da CF/88 são exemplos clássicos de direitos de 2ª geração/dimensão: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. DICA DD: O direito ao transporte não é uma norma constitucional originária e foi incluído no rol do direitos sociais pela EC. 90/2015. Observação: A teoria da reserva do possível é uma limitação fática e jurídica oponível à realização dos direitos fundamentais, sobretudo os de cunho prestacional. Como é cediço, o Estado não possui recursos materiais ilimitados, o que leva os administradores a realizarem escolhas trágicas, alocando esses recursos em ações prioritárias. O limite da reserva do possível é o mínimo existencial, núcleo da dignidade da pessoa humana. Nesse contexto, a reserva do possível deve ser analisada sob três aspectos: 14 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS I - Disponibilidade fática dos recursos para efetivação dos direitos fundamentais. II - Disponibilidade jurídica dos recursos, mediante autorização orçamentária. III - Razoabilidade e proporcionalidade da prestação, levando-se em consideração a universalização da demanda, não apenas o indivíduo. Nesse sentido, não se pode exigir judicialmente do Estado uma prestação que não possa ser concedida a todos os indivíduos que se encontrem em situação idêntica, sob pena de violação do princípio da isonomia. Contudo, conforme reiterada jurisprudência do STF, o fundamento da reserva do possível pelo Estado não é tese apta a fundamentar a não execução de políticas públicas. Com efeito, prepondera-se a tese do mínimo existencial. De forma atípica o Poder Judiciário atua, autorizado pela jurisprudência atual, com proatividade intervindo nas políticas públicas não executadas pelo ente subnacional. A exemplo, é a ADPF de n° 347 que, em seu bojo, aplicou a tese do estado de coisas inconstitucional em razão da massiva violação de direitos fundamentais em seu sentido objetivo. Inclusive, o STF no tema 365 da repercussão geral fixou a seguinte tese: “Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os padrões mínimos de humanidade previsto no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, §6°, da Constituição Federal, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta de ou insuficiência das condições legais de encarceramento” (RE 580.252, 16.02.2017) Assim, a Corte entendeu que não sendo assegurado o mínimo existencial, não se poderia sustentar a aplicação da cláusula de reserva financeira do possível para o Estado deixar de indenizar. Obs.1: o fundamento dos direitos de 2ª dimensão é a IGUALDADE MATERIAL. Obs.2: o efeito bipolar dos direitos de 2ª dimensão e princípio da vedação ao retrocesso: Os direitos de 2ª dimensão (direitos sociais) não possuem apenas um viés positivo, mas também um viés negativo. ● Viés negativo – Fruto da vedação ao retrocesso (efeito cliquet) → Uma vez implementado o direito de 2ª dimensão por medida estatal, o próprio Estado passa a ter o dever de se abster de retornar ao status quo de quando o direito ainda não tinha efetividade. O indivíduo também tem o direito de exigir um não fazer estatal com o intuito de preservar o direito fundamental já efetivado. Em outras palavras: não pode promover um retrocesso social, revogar ou enfraquecer normas que já alcançaram o grau de densidade normativo adequado. Ex.: 13º salário. ● Viés positivo – Aqui a ideia não é só manter o status quo, mas também implementar/desenvolver novos direitos sociais. E, enquanto não for implementado, o indivíduo possui o direito de exigir um atuar do Estado com o intuito de realizá-lo (ideia de direitos prestacionais). Como vimos, dentre os direitos fundamentais de 2º Dimensão incluem-se os direitos culturais. Sobre o tema, é importante ter atenção à jurisprudência do STF sobre a prática da vaquejada. Vejamos: 15 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Direitos e garantias fundamentais. Dever estatal de proteção e promoção da cultura. Prática da vaquejada: hipótese de manifestação cultural - ADI 5.728/DF. É constitucional — por não configurar violação às cláusulas pétreas e por respeitar os limites formais e materiais da Constituição Federal de 1988 — a Emenda Constitucional nº 96/2017 (CF/1988, art. 225, § 7º), que estabelece que práticas desportivas com animais, como a vaquejada, não são consideradas cruéis, desde que sejam manifestações culturais registradas como patrimônio cultural imaterial e regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. STF. ADI 5.728/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 14.03.2025. (Info 1168). 3) DIREITOS DE TERCEIRA GERAÇÃO OU TERCEIRA DIMENSÃO (difusos e coletivos): Surgem na 2ª metade do séc. XX, no pós 2ª Guerra, ligados aos movimentos de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. São direitos transindividuais, isto é, direitos que são de várias pessoas, mas não pertencem a ninguém isoladamente. Transcendem o indivíduo isoladamente considerado. Necessidade de preservacionismo ambiental e as dificuldades para proteção dos consumidores. Possuem caráter indivisível e são titularizados por toda a coletividade. Ex.: direito ao meio ambiente. São também conhecidos como: ● DIREITOS DE FRATERNIDADE ● Direitos metaindividuais (estão além do indivíduo) ● Direitos supraindividuais (estão acima do indivíduo isoladamente considerado). Vamos esquematizar? Direitos de 1ª GERAÇÃO/DIMENSÃO Direitos de 2ª GERAÇÃO/DIMENSÃO Direitos de 3ª GERAÇÃO/DIMENSÃO CONTEXTO HISTÓRICO Surgem com revoluções liberais, burguesas, diante do nascimento do constitucionalismo liberal. – Séc. XIX. Surgem no final do século XIX e início do século XX, diante do fenômeno do constitucionalismo social. 2ª metade do séc. XX, no pós 2ª Guerra, ligados aos movimentos de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. 16 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5208901 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5208901 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5208901 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS MARCOS Inglaterra – 1.215 – Magna Carta EUA – 1.776 – Declaração de Independência Americana EUA – 1.787 – Constituição Americana França – 1.789 – Revolução Francesa França – 1.791 – Constituição Francesa Constituição Mexicana de 1917 Constituição Alemã de Weimar de 1919 Rússia – 1.917/18 – Declaração do Povo Oprimido e Trabalhador – Revolução Russa Constituição Brasileira de 1934. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, embora não traga especificamente direitos de terceira dimensão, é considerada como um documento embrionário desta dimensão de direitos, trazendo a fraternidade em seu artigo 1º. SINÔNIMOS direitos negativos, direitos de abstenção. direitos sociais, econômicos e culturais direitos positivos, direitos prestacionais difusos e coletivos direitos metaindividuais direitos supraindividuais FUNDAMENTO Igualdade FORMAL Igualdade MATERIAL FRATERNIDADE CONCEITO Buscam limitar o poder estatal, impondo ao Estado obrigações de não-fazer e se relacionam às pessoas, individualmente. São direitos que impõem ao Estado uma obrigação de fazer, de prestar. Buscam viabilizar, através do Estado, a satisfação das necessidades básicas dos indivíduos como forma de lhes proporcionar uma vida digna. São direitos transindividuais, isto é, titularizados por toda a coletividade, não pertencendo a uma pessoa isoladamente. Possuem caráter indivisível. EXEMPLOS Propriedade, igualdade formal (perante a lei), liberdade de crença, de manifestação de pensamento, direito à vida, direito de locomoção Saúde, educação, moradia, segurança pública. Direito ao meio ambiente, direito ao desenvolvimento, direito de propriedade sobre o patrimônio da humanidade, direito de comunicação NOVAS GERAÇÕES/DIMENSÕES DE DIREITOS FUNDAMENTAIS: 4) DIREITOS DE QUARTA GERAÇÃO OU QUARTA DIMENSÃO Há autores que se referem a essa categoria, mas ainda não há consenso na doutrina sobre qual o conteúdo desse tipo de direitos. 17 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Segundo o autor Paulo Bonavides os direitos de quarta dimensão seriam fruto do processo de globalização dos direitos fundamentais, no sentido de uma universalização desses direitos no plano institucional, o que corresponde à última fase da institucionalização do Estado Social, de forma a sacramentar a evolução democrática e social alcançada até então, ou seja, democracia (direta), informação e pluralismo2. Assim, para Bonavides, os direitos de 4a dimensão decorrem da globalização dos direitos fundamentais, o que significa universalizá-los no campo institucional. Para Bobbio, essa dimensão está ligada aos avanços no campo da engenharia genética. ● Direito à democracia participativa – A democracia participativa ou semidireta é uma democracia indireta, mas que conta com instrumentos de participação direta do povo no processo político. Esses mecanismos de participação direta integrariam o rol dos direitos de quarta dimensão: · Plebiscito; Referendo; Iniciativa popular de lei; Ação popular, etc. ● Direito à informação - consequência do próprio regime democrático, conjugado com a forma republicana de governo. Garante o direito à transparência e, consequentemente, o direito à informação (exemplo: lei de acesso à informação; art. 5º, XXXIII, CF/88) ● Direitos ligados às questões de bioética. ● Direitos ao pluralismo (art. 1º, CF/88). 5) DIREITOS DE QUINTA GERAÇÃO OU DIMENSÃO: direito à paz para Bonavides (para Karel Vasak a paz está na 3a dimensão). Quadro sinóptico – Segundo Paulo Bonavides: 2 O Estado Social ou Estado do Bem-estar Social (Welfare State) surgiu como forma de reação à crise do Estado liberal, notadamente em razão das desigualdades sociais vivenciadas à época. Os direitos sociais e econômicos passam a ser contemplados de modo mais amplo, como corolários da igualdade material, sendo, posteriormente classificados como direitos fundamentais de segunda geração. 18 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (Mazzuoli, 2018) Obs.: Crítica doutrinária às “novas dimensões” de direitos fundamentais Parcela da doutrina critica a classificação de outras dimensões de direito, pois seriam direitos já existentes aplicados, hoje, a um novo contexto social, diante da evolução da sociedade. Ingo Salert – “trazer novas dimensões é dar destaque ao direito, não trata o direito como um mero desdobramento de um outro direito que já está nas 3 dimensões anteriores, de modo a facilitar a sua efetivação e proteção. Ex.: questões de bioética trabalham com direitos básicos como direito à integridade, ao próprio corpo e dignidade.” 2.4 Características dos direitos fundamentais ● Historicidade: o que se entende por direitos fundamentais varia de acordo com o momento histórico, não são conceitos herméticos e fechados, variando no tempo e no espaço. Emergem progressivamente das lutas que o homem trava por sua própria emancipação. ● Inalienabilidade: são direitos sem conteúdo econômico patrimonial, não podem ser comercializados ou permutados. ● Imprescritibilidade: são sempre exigíveis, ainda que não exercidos. ● Irrenunciabilidade: o indivíduo pode não exercer os seus direitos, mas não pode renunciá-los, de modo geral. OBS: O STF admite, excepcionalmente, a renúncia temporária aos direitos que não ferem o núcleo da dignidade da pessoa humana, como no caso de participação em reality show. ● Relatividade: não são direitos absolutos. Se houver um choque entre os direitos fundamentais, serão resolvidos por um juízo de ponderação à luz da razoabilidade e da concordância prática ou 19 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S.M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS harmonização levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos conjugando-a com a sua mínima restrição (limitabilidade). Apesar da limitabilidade inerente à natureza dos direitos humanos, a doutrina contemporânea sustenta que existem 2 exceções a essa regra, as quais seriam direitos considerados absolutos: a vedação à tortura (art. 5° da DUDH) e a vedação à escravidão (art. 4° da DUDH). De acordo com o Professor Bruno Pinheiro, parte da doutrina aponta que existem Direitos Fundamentais Absolutos: a) Direito a Não Tortura (apontado por Norberto Bobbio) b) Direito a Não Escravidão c) Direito a Não Extradição do Brasileiro Nato (art. 5º, LI, CF/88) → apontado por Carlos Ayres Britto. TEORIA DA RESTRIÇÃO DAS RESTRIÇÕES (= LIMITAÇÃO DAS LIMITAÇÕES) - É teoria alemã, adotada no Brasil pelo STF; - Uma das características dos direitos fundamentais é que eles são relativos, ou seja, podem sofrer limitações. Porém, essas restrições devem ser feitas com critérios e de forma excepcional a não esvaziar o seu núcleo essencial. Conclusão: Pode haver restrições aos direitos fundamentais, mas essas restrições devem ser limitadas, não atingindo seu núcleo essencial. - Só podem ser impostas restrições se obedecerem aos seguintes requisitos: Requisito formal: os direitos fundamentais só podem ser restringidos em caráter geral por meio de normas elaboradas por órgãos dotados de atribuição legiferante conferido pela CF/88. A restrição deve estar expressa ou implicitamente autorizada. Requisitos materiais: para a restrição ser válida, deve observar aos seguintes princípios: - Não retroatividade; - Proporcionalidade; - Generalidade e abstração; - Proteção do núcleo essencial. A teoria dos limites dos limites (Schranhen- Schranken), ou seja, limites (com base em determinados parâmetros) para a limitação (restrição) dos direitos fundamentais adota, portanto, critérios (limites) para que tais limitações ocorram foram estabelecidos”. Por fim, os direitos fundamentais podem ser restringidos, em primeiro lugar, pela própria Constituição, seja em nome de outros direitos fundamentais (a liberdade de expressão não inclui o direito de caluniar alguém – cf. art. 5º, IV e X) seja para promover valores e interesses coletivos (a liberdade de ir e vir pode ser limitada no estado de sítio – art. 139, I). Podem ser restringidos, também, pela lei, tanto em hipóteses nas quais a Constituição expressamente preveja a limitação (a inviolabilidade das comunicações telefônicas pode ser excepcionada por lei para fins de investigação criminal ou instrução processual penal – art. 5º, XII –, e a liberdade de trabalho pode estar sujeita a qualificações impostas por lei) quanto com base nos limites imanentes. 20 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Caiu em prova Delegado RJ/2022! O método de solução de conflitos entre direitos fundamentais constitucionalmente previstos, em caso de colisão, é a ponderação de interesses; o legislador, contudo, por força do princípio democrático, pode resolver conflitos por meio da lei, efetuando a ponderação em abstrato. Técnica de Robert Alexy: a ponderação de interesses é considerada um método de solução de conflitos em caso de colisão entre direitos fundamentais constitucionalmente previstos. Ademais, a CRFB assegura ao Poder Legislativo a prerrogativa de estabelecer regras jurídicas em abstrato, como forma de resolver conflitos por meio da lei, efetuando a ponderação em abstrato. Não confunda com a teoria dos direitos imanentes: “A doutrina da imanência busca justificar dogmaticamente o reconhecimento de limites não expressamente previstos no texto da Constituição, tendo sido elaborada com base em duas premissas genericamente aceitas no pensamento jurídico: i) a ideia de que os direitos fundamentais não são absolutos nem podem ser invocados em todas as situações; e ii) a noção de que os direitos das pessoas devem ser harmonizados entre si”. Jane Reis Gonçalves Pereira, Interpretação constitucional e direitos fundamentais, 2006, p. 182. Para Canotilho: "(...) os chamados ‘limites imanentes' são o resultado de uma ponderação de princípios jurídico-constitucionais conducente ao afastamento definitivo, num caso concreto, de uma dimensão que prima facie, cabia no âmbito prospectivo de um direito, liberdade e garantia." Nesse ponto, adota-se as definições (e descrições) teóricas de Virgílio Afonso da Silva. In: SILVA, Virgílio Afonso. Direitos Fundamentais, conteúdo essencial, restrições e eficácia, p. 166. Para o autor, em termos rigorosos, os limites imanentes não se relacionam com a possibilidade de restrições aos direitos fundamentais e, com isso a ponderação mediante a regra da proporcionalidade. ● Personalidade: não se transmitem. ● Concorrência e cumulatividade: são direitos que podem ser exercidos ao mesmo tempo. ● Universalidade: são universais, destinando-se a todos os seres humanos, indiscriminadamente. Independentemente de as nações serem signatárias da declaração universal dos direitos humanos, devem ser reconhecidos em todo o planeta, independentemente, da cultura, política e sociedade. De acordo com o Professor Bruno Pinheiro, é a característica da Universalidade que fundamenta a interpretação extensiva e sistemática do art. 5º, caput da CF/88, permitindo a aplicação dos direitos fundamentais aos apátridas, e aos estrangeiros não residentes no país. “Todo e qualquer ser humano é sujeito ativo desses direitos, podendo pleiteá-los em qualquer foro nacional ou internacional (parágrafo 5° da Declaração e Programa de Ação de Viena de 1993);” Como o tema foi cobrado (Cespe, Oral RO/2023) (espelho): A universalidade dos direitos fundamentais significa que todo ser humano os detém, apenas por sua condição humana, embora haja alguns desses direitos que não necessariamente possam ser exercidos por todas as pessoas. Os direitos políticos, por exemplo, em alguns casos pressupõem a condição de nacionalidade de um país, de modo que estrangeiros não podem exercê-los plenamente. 21 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ● Proibição de retrocesso: não se pode retroceder nos avanços históricos conquistados. Os direitos fundamentais são o resultado de um processo evolutivo, marcado por lutas e conquistas em prol da afirmação de posições jurídicas concretizadoras da dignidade da pessoa humana e, por isso, uma vez reconhecidos, não podem ser suprimidos, abolidos ou enfraquecidos. Destaca-se que há várias manifestações no STF sobre esse princípio, especialmente do Min. Celso de Mello, paraquem “o princípio da proibição do retrocesso impede, em tema de direitos fundamentais de caráter social, que sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele vive.” (STF, ARE n.º 639.337 AgR/SP, 2.ª Turma, Rel. Min. Celso de Mello, j. 23.08.2011, DJe 15.09.2011.). 2.5 Dimensão dos Direitos Fundamentais a) Dimensão subjetiva: os direitos fundamentais conferem aos seus titulares o poder de exigir algo, seja ação ou omissão. Ex.: omissão - respeitar a autonomia da vontade, sem interferir na religião, política, etc. Ex.: ação - exigir do Estado uma atuação comissiva, exigir ações para garantir educação, saúde, etc. b) Dimensão objetiva: os direitos fundamentais encarnam valores que permeiam toda a ordem jurídica, condicionam e inspiram a interpretação e aplicação de outras normas (EFICÁCIA IRRADIANTE) e criam dever geral de proteção sobre os bens salvaguardados. Assim, a dimensão objetiva dos direitos fundamentais consiste em atribuir a estes importância máxima dentro do ordenamento jurídico: eles são a base, o eixo axiológico de todo o ordenamento jurídico. Caiu na prova Delegado SP/2023! A dimensão objetiva dos direitos fundamentais está ligada ao reconhecimento de que tais direitos implicam deveres de proteção do Estado. (ITEM CORRETO) 2.5.1 Desdobramentos da dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais A dimensão objetiva atribui força aos direitos fundamentais, que passam a ser a diretriz para a aplicação e interpretação das normas: 1) Eficácia interpretativa dos direitos fundamentais Com a dimensão objetiva, os direitos fundamentais ganham um reforço na sua juridicidade, ganhando força no ordenamento jurídico e, além disso, se tornam normas de eficácia irradiante, que, tendo como base o princípio da dignidade da pessoa humana, se espalham para todo o ordenamento jurídico, vinculando os 3 Poderes do Estado, seja para o Legislativo ao elaborar a lei, seja para a Administração Pública ao “governar”, seja para o Judiciário ao resolver eventuais conflitos. Valores morais incorporados nos princípios constitucionais que devem irradiar por todo o ordenamento jurídico. Gera o dever do intérprete de promover a filtragem constitucional 22 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 2) Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Com a evolução da teoria dos direitos fundamentais, atualmente é reconhecida a incidência também na relação entre particulares, em igualdade de armas. Logo, pode se definir a incidência e necessidade de observância de todos os direitos fundamentais nas relações privadas (PARTICULAR X PARTICULAR). O STF já reconheceu a aludida eficácia. Em outras palavras: a eficácia horizontal dos direitos fundamentais consiste na possibilidade de aplicação dos direitos fundamentais nas relações jurídicas estritamente privadas. Em relação à eficácia horizontal dos direitos fundamentais, pode-se destacar 2 teorias: 1) Eficácia indireta ou mediata: os direitos fundamentais são aplicados de maneira reflexa, tanto em uma dimensão proibitiva e voltada para o legislador, que não poderá editar lei que viole direitos fundamentais, como, ainda, positiva, voltada para que o legislador implemente os direitos fundamentais, ponderando quais devem aplicar-se às relações privadas; 2) Eficácia direta ou imediata: alguns direitos fundamentais podem ser aplicados às relações privadas sem que haja a necessidade de “intermediação legislativa” para a sua concretização. Precedentes em que o STF reconheceu a eficácia horizontal dos direitos fundamentais: · RE 160.222 – Entendeu que constitui constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. · RE 158.215 – Violação ao princípio do devido processo legal na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. · ADI 2572 – Constitucionalidade da reserva de vagas para pessoas obesas – O STF entendeu que não há inconstitucionalidade material, tendo em vista que se trata de política inclusiva que não afronta a liberdade de iniciativa, principalmente se considerada a eficácia horizontal dos direitos fundamentais. A eficácia dos direitos fundamentais pode também pode ser: ● Vertical: aplica-se à tradicional ideia de limitação de poder do Estado e respeito aos direitos dos indivíduos, conferindo direitos básicos e garantias aos indivíduos. Há um poder superior (Estado), em face do indivíduo, em posições diferentes (ESTADO X PARTICULAR); TEORIA DOS QUATRO STATUS DE JELLINEK São as possíveis relações do indivíduo com o Estado: ● Passivo ou “subjectionis”: o indivíduo encontra-se em posição de subordinação com relação aos poderes públicos; ● Ativo (direitos políticos): é o poder do indivíduo de interferir na formação da vontade do Estado, sobretudo através do voto; ● Negativo: o indivíduo pode agir livre da atuação do Estado, podendo autodeterminar-se sem ingerência estatal (abstenção estatal); 23 1649 1649 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 D AN IE LL A S. M AR TI N S 04 44 47 61 13 0 DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ● Positivo ou “civitatis”: é a possibilidade de o indivíduo exigir atuações positivas do Estado em seu favor. ● Diagonal: teoria desenvolvida por Sérgio Gamonal, e consiste na incidência e observância dos direitos fundamentais nas relações privadas marcadas por desigualdade de forças, ante a vulnerabilidade de uma das partes. Na hipótese, embora as partes teoricamente estejam em posição equivalente (PARTICULAR X PARTICULAR), na prática há império do poder econômico, por exemplo, nas relações envolvendo crianças, pessoas com deficiência, trabalhadores, consumidores etc. O TST já adotou a eficácia diagonal em alguns julgados, inclusive. EFICÁCIA VERTICAL EFICÁCIA HORIZONTAL EFICÁCIA DIAGONAL A aplicação dos direitos fundamentais às relações entre Estado e particulares, a relação de subordinação que o particular tem com o Estado. A aplicação dos direitos fundamentais às relações entre os próprios particulares. Há hipossuficiência de uma das partes. É uma relação entre particulares onde não há uma igualdade fática. 2.6 Direitos individuais implícitos e explícitos Os direitos individuais podem ser explícitos ou implícitos. ● Explícitos: são aqueles previstos expressamente no texto da Constituição Federal. Como exemplo, os contidos no art. 5° da CF/88 e seus incisos, em especial os previstos no caput do mencionado artigo, como a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. ● Implícitos: o reconhecimento decorre de interpretação do texto da Lei. Isto se evidencia pela leitura do art. 5º, § 2º, da CF/88, que reconhece a existência de outros direitos individuais "decorrentes