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GESTÃO DA INOVAÇÃO E LABORATÓRIO DE STARTUP AULA 4 – PROCESSO DE GESTÃO DA INOVAÇÃO Olá, A inovação é um processo fundamental para o crescimento e sucesso das empresas nos dias de hoje. Ela envolve a criação e implementação de novas ideias, produtos, serviços, processos e modelos de negócios que trazem valor e vantagem competitiva. O processo de inovação é complexo e abrange diversas etapas, desde a geração de ideias até a sua execução e comercialização. Requer um ambiente propício, com uma cultura organizacional voltada para a criatividade, o aprendizado contínuo e a experimentação. Além disso, a gestão da inovação envolve o envolvimento das lideranças, tanto da alta gestão quanto dos níveis médios, que desempenham papéis essenciais na promoção dessa cultura e no suporte aos projetos inovadores. Ao adotar um processo estruturado de gestão da inovação, as empresas podem aumentar suas chances de sucesso, maximizar os resultados obtidos e manter-se competitivas em um mercado em constante evolução. Bons estudos! 4 PROCESSO DA INOVAÇÃO Conforme Scherer e Carlomagno (2016), a maioria das empresas não possuem um processo formal e estruturado para gerir a inovação. A dimensão do processo refere-se à maneira como a empresa cria novas ideias, como as avalia, experimenta e decide em quais investir. Scherer e Carlomagno (2016), cita a empresa mexicana Cemex como exemplo de inovação por sua capacidade na produção de cimento, percebendo que a tecnologia da informação, juntamente com políticas de gestão de processos de inovação, poderia trazer resultados significativos. Para isso, a empresa criou um processo estruturado de gestão da inovação, no qual todas as ideias registradas pelos colaboradores são classificadas em quatro tipos e encaminhadas para o comitê de inovação, formado por um diretor, um consultor externo e três colaboradores. Em seguida, o projeto é direcionado para um time especializado, que tem um tempo determinado para desenvolver a ideia. Por fim, o projeto passa para outro grupo, que trabalha para ampliar e renovar as ideias até então desenvolvidas. Essa abordagem permite que a empresa tenha um processo formal de gestão da inovação, que aumenta as chances de sucesso das ideias e maximiza os resultados obtidos. Empresas que utilizam ferramentas de gestão de projetos e avaliam sistematicamente as iniciativas inovadoras podem otimizar seus investimentos em inovação. Exemplos como a Cemex demonstram que ter um processo estruturado para transformar ideias em inovações é fundamental para o sucesso do empreendimento (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). 4.1 Opções de financiamento para impulsionar a inovação Segundo Scherer e Carlomagno (2016), a destinação de recursos para atividades de inovação é um indicador relevante da importância atribuída pela alta administração a essas iniciativas, que envolvem o desenvolvimento de novos produtos, serviços, processos e modelos de negócios. Não há uma fórmula universalmente aceita para calcular os investimentos em inovação, mas é possível apontar faixas de percentuais em relação ao faturamento total. Empresas que não dão grande ênfase à inovação investem menos de 1% de sua receita nessa área, o que corresponde aproximadamente à média brasileira. Na maioria dos setores, valores entre 1% e 3% são considerados significativos, enquanto empresas de base tecnológica tendem a alocar até 12% do faturamento em inovação. O processo de investimento em inovação pode ser representado pelo diagrama presente na Figura 1. Em geral, as empresas reservam recursos para seus projetos anualmente, utilizando critérios de alocação que se baseiam na projeção dos valores gastos anteriormente, em proporção ao crescimento dos números do negócio. Figura 1 - Ciclo de investimento em inovação Fonte: SCHERER, CARLOMAGNO (2016). Em vez de alocar recursos com base em valores gastos no passado, é importante considerar os projetos prioritários e escaloná-los de acordo com o impacto que gerariam no negócio ou com o grau de ruptura tecnológica estimada. A manutenção de um portfólio de negócios e sua gestão permanente podem ser uma alternativa viável para o processo de decisão sobre os recursos investidos em inovação (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). Os autores destacam, ainda, que além do financiamento interno, as empresas podem buscar outras fontes de recursos para suas atividades de inovação, por meio de parcerias que compartilhem custos e riscos. Agências e bancos de desenvolvimento, como a Finep - Financiadora de Estudos e Projetos, oferecem mecanismos de financiamento com juros baixos, que incentivam a vinculação entre universidade e empresa. Ademais, alianças estratégicas com fornecedores, clientes e até concorrentes podem viabilizar atividades de pesquisa e desenvolvimento com volumes de recursos que seriam inviáveis de serem assumidos por uma única empresa. As empresas mais inovadoras do mundo têm optado por uma estratégia constante de obtenção de recursos externos. Para tanto, os projetos são classificados em categorias, e aqueles com maior potencial inovador recebem recursos provenientes de fontes de financiamento à pesquisa, capitalistas de risco e acordos em redes. Na Figura 2, é possível verificar as diversas alternativas de financiamento para projetos inovadores (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). Figura 2 - Alternativas de funding Fonte: SCHERER, CARLOMAGNO (2016). É relevante ressaltar que os diferentes tipos de financiamento identificados anteriormente possuem características únicas em relação à sua disponibilidade, custo, montante e momento de utilização ao longo do ciclo de inovação da empresa. Com o intuito de melhorar a eficiência da inovação, é essencial compreender as opções de financiamento disponíveis e avaliar sua adequação aos objetivos e iniciativas inovadoras da empresa. A Figura 3 apresenta essas alternativas de financiamento (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). Figura 3 - Alternativas de funding Fonte: Adaptada Innoscience (2009) 4.2 Relacionamentos para a inovação De acordo com Scherer e Carlomagno (2016), durante muito tempo, as inovações tecnológicas foram a principal estratégia das empresas e, consequentemente, tema recorrente em jornais, revistas e pesquisas acadêmicas. As empresas mantinham uma área de pesquisa e desenvolvimento, que era responsável pela geração de ideias para inovações. Um grupo seleto de cientistas e engenheiros era incumbido da tarefa de pensar em soluções inovadoras, enquanto os demais funcionários eram responsáveis pela execução. Em empresas menores, muitas vezes o empreendedor era visto como o gênio da lâmpada responsável por trazer ideias inovadoras. Atualmente, reconhece-se que as fontes de ideias e atividades inovadoras devem se estender para além de um único grupo ou departamento de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) dentro da empresa. A tendência atual é a busca por inovação aberta, inovação em rede e a gestão de uma cadeia de inovação, na qual a empresa concentra-se em suas áreas de especialização e terceiriza fases com outros agentes. A velocidade com que novos conhecimentos surgem impossibilita que uma empresa sozinha consiga acompanhar a evolução. Portanto, os desafios são superados por meio de alianças e parcerias estratégicas (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). Segundo os autores supracitados, as oito dimensões apresentadas na aula 2, evidentemente, não são estanques e não podem ser consideradas separadamente. Antes, são interdependentes e devem ser entendidas dentro de uma concepção sistêmica. Conforme apresentado na aula citada anteriormente, o octógono da inovação apresentado pode ser utilizado tanto para diagnóstico do potencial inovador da empresa a partir da análisede suas práticas em cada uma das oito dimensões, como para definição de ações necessárias a potencializar a inovação na empresa. Não há um conjunto de práticas em cada dimensão que garanta a efetividade da gestão da inovação em todas as empresas e setores. É preciso que a empresa parta de sua estratégia de negócios, desdobre a estratégia de inovação e alinhe as demais dimensões com tal direcionamento. É nesse equilíbrio que reside a construção de um ambiente adequado para aumentar o retorno da inovação. 4.3 Desenvolvimento do processo De acordo com as orientações de Filho (2013), para garantir o progresso adequado do processo de inovação, é essencial estabelecer de forma clara e detalhada cada fase por meio de um fluxograma de processo. Adicionalmente, é necessário elaborar a documentação pertinente a cada uma dessas etapas. Essa abordagem permite que todos os colaboradores compreendam o funcionamento do processo de inovação e possam contribuir de maneira mais efetiva. É importante ressaltar que tanto o fluxograma quanto a documentação devem ser desenvolvidos em conformidade com a cultura e as normas da empresa. 4.4 Fluxograma Na Figura 4, é exemplificado um modelo simplificado de fluxograma de processo, que pode ser utilizado como base para o desenvolvimento específico de cada empresa. O processo tem início com a captação ou geração de ideias e, existem diversas abordagens para isso. Conforme mencionado por Filho (2013), uma das formas mais comuns de captação de ideias é por meio de caixas de sugestões, embora sua efetividade seja limitada. Não se deve esperar por ideias altamente inovadoras, mas sim por pequenas melhorias que podem servir como incentivo para a participação no programa de inovação. Há outras abordagens mais eficientes para a captação de ideias, como, por exemplo, a realização de experimentos junto aos clientes e consumidores. No entanto, permitir que qualquer funcionário contribua com suas ideias agrega mais valor ao programa. De acordo com Filho (2013), é de extrema importância fornecer um retorno ao autor da ideia, conforme apresentado no fluxograma. O tempo para fornecer esse retorno deve ser estabelecido e cumprido, pois muitas vezes o autor da ideia cria grandes expectativas. Para ele, sua ideia é a melhor do mundo, e a negligência por parte do gestor de inovação pode resultar na perda de confiança no programa. Figura 4 – Fluxograma do processo de inovação Fonte: FILHO, 2013. Ainda segundo o autor, toda concepção precisa ser avaliada, independentemente de seu resultado ser positivo ou negativo. Seria ideal contar com um sistema que permita o acesso em tempo real ao status de cada ideia. Caso haja um retorno negativo, é necessário explicar a razão por trás disso ou indicar as medidas que devem ser tomadas para fortalecer a ideia. Ao enviar uma ideia para o banco de ideias, é importante deixar claro que ela pode ser considerada futuramente (caso ainda não esteja suficientemente madura) e que o autor será devidamente reconhecido. As ideias aprovadas passam para a etapa de desenvolvimento, que envolve a busca por mais detalhes técnicos e mercadológicos para avaliar sua viabilidade de implementação. Nessa fase, é necessário estimar os recursos humanos e financeiros necessários para o desenvolvimento da ideia. O gestor de inovação é responsável por essa tarefa, embora outras pessoas possam estar envolvidas, dependendo da estrutura do programa de inovação. Após a aprovação, a ideia se transforma em um projeto de inovação. Nesse momento, é preciso definir os recursos para o desenvolvimento do projeto. Segundo Filho (2013), o desenvolvimento de um projeto de inovação abrange os seguintes passos: • Desenvolvimento técnico: abrange o conceito, o modelo, os desenhos, os materiais a serem utilizados, os componentes, entre outros. • Análise preliminar de viabilidade de fabricação: verifica-se se é viável fabricar nas instalações atuais, se é necessário adquirir novas máquinas ou construir uma nova linha, se é preciso realizar alterações em máquinas ou linhas existentes, etc. • Análise preliminar de custo do produto: estabelece-se uma lista preliminar das peças a serem fabricadas e compradas, juntamente com seus respectivos custos, e estima-se o custo de fabricação. • Análise do investimento necessário para a produção do produto: inclui máquinas, moldes, ferramentas, entre outros. • Análise do tempo necessário para o desenvolvimento. • Construção de pelo menos um protótipo funcional para avaliar o funcionamento do produto e realizar testes funcionais e preliminares de segurança. Quando todas essas atividades estiverem concluídas e o projeto de inovação for aprovado, ele prossegue para o processo de desenvolvimento do produto final, visando seu lançamento. Conforme mencionado por Filho (2013), somente quando o produto estiver no mercado e os resultados começarem a aparecer, é que o plano de recompensas pode ser implementado, caso os resultados esperados sejam alcançados. O exemplo apresentado ilustra um fluxo de processos hipotético. É importante ressaltar que cada empresa terá suas particularidades, mas essa estrutura pode servir como um guia para a construção do fluxo de atividades de um programa de inovação (FILHO, 2013). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FILHO, Fernando Luiz F. Gestão da inovação: teoria e prática para implantação. São Paulo: Grupo GEN, 2013. SCHERER, Felipe O.; CARLOMAGNO, Maximiliano S. Gestão da Inovação na Prática. São Paulo: Grupo GEN, 2016. INNOSCIENCE. Consultoria de gestão da inovação, 2009. Disponível em: . Acesso em: 27, junho e 2023.