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Constitucionalismo na 
Idade Moderna
 
SST
Azevedo, S.;
Constitucionalismo na Idade Moderna / Simone Azevedo
Ano: 2020
nº de p.: 10 páginas
Copyright © 2020. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados.
Constitucionalismo na 
Idade Moderna
3
Apresentação
Nesta Unidade, iremos estudar o Constitucionalismo moderno, que representa 
uma técnica específica que limita o poder com fins garantísticos (CANOTILHO, 
1993). Surgiu, portanto, associado à ideia de Constituição escrita. 
Constituições escritas e rígidas dos Estados Unidos da América, de 1787, e da 
França, de 1791, ambas apresentavam como características fundamentais a 
organização do Estado e a limitação do poder estatal, que se verificava através da 
declaração de direitos e garantias fundamentais.
Documentos do constitucionalismo 
A Bill of Rights, decorrente da Revolução Gloriosa (1688 a 1689), estabeleceu uma 
declaração de direitos, bem como afirmou a supremacia do parlamento. A partir 
desse acontecimento, estabeleceu-se a Monarquia Constitucional na Inglaterra, 
com a abdicação do rei absolutista Jaime II e a nomeação de Guilherme III e Maria 
II, que passam a governar submetendo-se aos limites impostos pela Bill of Rights 
(BARROSO, 2010).
Os direitos e garantias fundamentais estão previstos em documentos 
elaborados para este fim.
Fonte: Plataforma Deduca (2020). 
4
O Act of Settlement (Ato de Estabelecimento) tinha por objetivos mais importantes: 
a reafirmação da necessidade de os governantes submeterem-se às leis, à garantia 
da independência dos órgãos jurisdicionais e à previsão da possibilidade de 
responsabilizar os agentes políticos pelos seus atos.
Todos são considerados importantes documentos constitucionais escritos, visto 
que marcam uma transição lenta e gradual das fontes de poder das mãos do 
monarca para tais documentos que, como já mencionado, estabeleciam uma série 
de direitos individuais. 
Constitucionalismo na Idade Moderna
Com o Iluminismo, o Constitucionalismo consolidou-se como movimento político 
e filosófico. Segundo Barroso (2010), caracteriza a revolução intelectual que 
aconteceu na Europa no século XVIII, em especial na França, representando o ápice 
das transformações que tiveram início com o Renascimento, no século XIV. 
No Renascimento, com o antropocentrismo e o individualismo, houve incentivo 
à investigação científica, ocasionando a separação gradativa entre o campo da 
religião e o da razão (ciência). E isto gerou aprofundas transformações na forma de 
pensar e de agir do ser humano. 
A Revolução Francesa, que desempenhou um papel simbólico arrebatador no final 
do século XVIII, conferiu o sentido moderno ao termo “revolução”, que significa um 
novo curso, e dividiu a história em antes e depois dessa revolução.
A Primeira Guerra Mundial gerou uma profunda mudança no movimento 
constitucionalista. Não marcou o seu fim, vale ressaltar, mas modificou a maneira 
de entender-se o papel do Estado: a necessidade de sua intervenção, ainda que 
mínima, nas relações entre os indivíduos. 
Observa-se, no Pós-Primeira Grande Guerra, a desvinculação do liberalismo do 
movimento constitucional. Os partidos socialistas e cristãos impuseram às novas 
Constituições uma preocupação com os aspectos econômico e sociais, fazendo 
com que essas Cartas Políticas inserissem direitos de cunho econômico e social 
em seus textos (CUNHA JÚNIOR, 2012).
5
Execução pela guilhotina do rei Louis XVI durante a revolução francesa
Fonte: Delinea (2020)
Aduz Cunha Júnior sobre a necessidade de uma Constituição escrita:
Já no Constitucionalismo moderno, a noção de Constituição envolve uma 
força capaz de limitar e vincular todos os órgãos do poder político. Por 
isso mesmo, a Constituição é concebida como um documento escrito 
e rígido, manifestando-se como uma norma suprema e fundamental, 
porque hierarquicamente superior a todas as outras, das quais constitui 
o fundamento de validade que só pode ser alterado por procedimentos 
especiais e solenes previstos em seu próprio texto. Como decorrência 
disso, institui um sistema de responsabilização jurídico-política do poder 
que a desrespeitar, inclusive por meio do controle de constitucionalidade 
dos atos do Parlamento (CUNHA JUNIOR, 2012, p. 34).
O Constitucionalismo moderno deve ser entendido como um desejo por uma 
Constituição escrita, que proporcionasse a separação de Poderes e garantisse os 
direitos fundamentais, opondo-se, assim, ao poder absoluto, próprio dos Estados 
absolutistas. 
Assevera Cunha Júnior (2012) que a Constituição, como texto escrito e fundamental 
de um Estado, representa uma aspiração política da liberdade ao ser elaborada para 
exercer a função de organizar e limitar o poder estatal, sendo essa alcançada por 
meio de uma declaração de direitos e garantias individuais.
Este Constitucionalismo no plano político e econômico confunde-se com o 
liberalismo do século XIX, que se consubstancia na livre concorrência, da não 
intervenção do Estado, tendo por objetivo a expansão do capitalismo. O liberalismo 
6
entende o Estado como um mal necessário e busca evitar eventuais abusos de 
poder com a instituição da separação de poderes idealizada por Montesquieu. 
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
A concepção liberal do Estado decorre da influência do individualismo filosófico 
e político do século XVIII e da Revolução Francesa, que considera como objetivo 
principal do Estado a proteção dos direitos individuais contra abusos de poder e 
do liberalismo econômico de Adam Smith, cuja concepção é de que não caberia ao 
Estado o exercício de funções de ordem econômica.
A independência das colônias nas Américas sofreu influência do movimento 
constitucionalista. Impôs-se a adoção de Constituições escritas para que se 
pudessem estabelecer regras para a existência de um Estado independentemente; 
não se deixou o Constitucionalismo no continente americano de identificar-se com 
o que ocorria na Europa. 
Portanto, a ideia de Constituição escrita como instrumento de institucionalização 
política não foi inventada por algum doutrinador imaginoso; é uma criação coletiva 
apoiada em precedentes históricos e doutrinários (CUNHA JÚNIOR, 2012).
As Constituições passam a conceber um novo modelo de Estado: social e 
intervencionista. Coube, então, ao Estado adotar programas e políticas a serem 
executadas por meio de prestações positivas oferecidas aos cidadãos. A 
história, portanto, testemunha a passagem do Estado liberal ao Estado social e, 
consequentemente, a metamorfose da Constituição, de Constituição Garantia, 
Defensiva ou Liberal para Constituição Social, Dirigente, Programática ou 
Constitutiva (CUNHA JÚNIOR, 2012).
7
O Estado do Bem-Estar Social teve início com a revolucionária Constituição 
mexicana de 1917. No Brasil, a Constituição de 1934, sob a influência da 
Constituição alemã de Weimar de 1919, foi a primeira a delinear os contornos da 
atuação desse Estado intervencionista, do tipo social, dualista, na consecução do 
seu objetivo de promover o desenvolvimento econômico e o bem-estar social. E 
desde a Carta de 1934 até a atual, o regime constitucional brasileiro tem pautado-
se por uma conjugação de democracia liberal e social (CUNHA JUNIOR, 2012).
Após a Segunda Guerra Mundial, observaram-se novas transformações no 
campo jurídico. Os abusos cometidos pelos nazistas levaram o mundo a buscar 
mecanismos para coibir práticas que desrespeitassem a dignidade humana. Assim, 
convenções, tratados sobre direitos humanos foram estabelecidos. Reflete-se essa 
preocupação com a efetivação dos direitos fundamentais nas constituições no 
mundo Pós-Segunda Grande Guerra. A Constituição Federal do Brasil de 1988 é um 
exemplo de Constituição democrática, porque tem por base o respeito ao princípio 
da dignidade da pessoa humana.
Neoconstitucionalismo
O Constitucionalismo democrático do século XX é uma ideologia vitoriosa ao 
derrotar projetos autoritários e abusivos. Esse Constitucionalismo significa 
Estado de Direito,poder limitado e respeito aos direitos fundamentais mediante a 
efetividade das normas constitucionais. O Neoconstitucionalismo gera uma nova 
forma de interpretar a normconstitucional, e o ativismo judicial é uma consequência 
desse movimento.
Entretanto, Barroso (2017) cita que inúmeras críticas têm sido dirigidas a 
essa expansão do papel do Judiciário. A primeira delas é de natureza política: 
magistrados não são eleitos e, por essa razão, não deveriam poder sobrepor sua 
vontade à dos agentes escolhidos pelo povo. A segunda é uma crítica ideológica: 
o Judiciário seria um espaço conservador, de preservação das elites contra os 
processos democráticos majoritários. 
Uma terceira crítica diz respeito à capacidade institucional do Judiciário, que seria 
preparado para decidir casos específicos, não para avaliar o efeito sistêmico de 
decisões que repercutem sobre políticas públicas gerais. E, por fim, a judicialização 
reduziria a possibilidade de participação da sociedade como um todo, por excluir os 
indivíduos que não têm acesso aos tribunais (BARROSO, 2017).
8
O ativismo judicial, apesar das críticas contrárias à sua prática, mostra-se 
um mecanismo inevitável à solução de casos levados a juízo e que não têm 
uma norma específica disciplinando a questão. É o que ocorreu em relação ao 
reconhecimento das uniões homoafetivas pelo STF. A complexidade, o pluralismo 
e a dinâmica da vida moderna impedem que o legislador possa prever todas as 
situações sociais em lei.
Reconhecimento das uniões homoafetivas
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
Assim, a doutrina brasileira da efetividade promoveu mudanças de paradigma 
na teoria e prática do Direito Constitucional do país. A essência da doutrina da 
efetividade é tornar as normas constitucionais aplicáveis direta e imediatamente 
na extensão máxima de sua densidade normativa. Como consequência, 
sempre que for violado um mandamento constitucional, a ordem jurídica deve 
prover mecanismos adequados de tutela – por meio da ação e da jurisdição – 
disciplinando os remédios jurídicos próprios e a autuação efetiva de juízes e 
tribunais (BARROSO, 2017).
No plano jurídico, segundo Barroso (2017, s.p.), esse movimento “[...] atribuiu 
normatividade plena à Constituição, que se tornou fonte de direitos e obrigações, 
independentemente da intermediação do legislador”.
9
Fechamento
Nesta Unidade, estudamos os documentos que embasam o constitucionalismo 
moderno que visam estabilização e a segurança jurídica do sistema jurídico, e 
viu-se, ainda, uma publicidade para as normas constitucionais, sua história e 
evoluação. Estas normas privilegiam a dignidade humana e constitutem-se em um 
amparato de mudanças em sociedade na busca da cristalização de direitos.
10
Referências
BARROSO, L. R. O Constitucionalismo democrático no Brasil: crônica de um 
sucesso imprevisto. 2017. Disponível em: <http://www.luisrobertobarroso.com.br/
wpcontent/uploads/2017/09/constitucionalismo_democratico_brasil_cronica_um_
sucesso_imprevisto.pdf.>.Acesso em: 29 set 2020.
______. Superior Tribunal de Justiça. Habeas corpus nº 124.306. Rio de Janeiro. 
Relator: Min. Marco Aurélio. JusBrasil, 2016. <http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/
noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf.>. Acesso em: 29 set 2020.
CARVALHO, K. G. Direito Constitucional – Teoria do Estado e da Constituição – 
Direito Constitucional Positivo. 25. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2015.
CUNHA JÚNIOR, D. da. Curso de Direito Constitucional. 6. ed. rev.atual. amp. Bahia: 
Juspoidum, 2012.
STRECK, L. L. Verdade e consenso: constituição, hermenêutica e teorias discursivas. 
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TAVARES, A. R. Curso de Direito Constitucional. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2012 
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Notícias STF. STF libera pesquisas com células-
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http://www.luisrobertobarroso.com.br/wpcontent/uploads/2017/09/constitucionalismo_democratico_brasil_cronica_um_sucesso_imprevisto.pdf
http://www.luisrobertobarroso.com.br/wpcontent/uploads/2017/09/constitucionalismo_democratico_brasil_cronica_um_sucesso_imprevisto.pdf
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http://stf.jus.br/portal/cms/vernoticiadetalhe.asp?idconteudo=89917
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