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Aracaju, maio de 2025 CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA I UNIDADE I 2 SUMÁRIO 1 ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO.................................................... 3 2 SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL.......................................................... 4 2.1 ESTRUTURA E COMPETENCIA................................................................ 4 2.2 PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS............................................................. 5 2.3 LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR................................................. 5 2.4 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA................................................................... 6 3. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E CONTABILIDADE...................................... 6 4 CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA................................................................. 7 5 RETENÇÕES TRIBUTÁRIAS.................................................................... 8 5.1 Contribuição Previdenciária (INSS)............................................................. 8 5.2 Imposto de Renda Retido na fonte (IRRF)................................................. 19 5.3 Contribuições Sociais Retidas na Fonte (CSRF)........................................ 28 5.4 ISS - Imposto sobre serviços....................................................................... 32 6. ICMS – IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERC. E SERVIÇOS 36 6.1 Noções e Regimes...................................................................................... 36 6.2 Antecipação tributária.................................................................................. 50 6.3 Substituição Tributária................................................................................. 53 6.4 Diferença de Alíquota.................................................................................. 57 7 REFERÊNCIAS........................................................................................... 68 3 1. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO Com o objetivo de realizar um bem comum, ou seja, de empreender ações que busquem a melhoria da coletividade, o Estado procura desenvolver ações diversas para suprir as necessidades públicas. Assim, toda atividade relacionada à obtenção, criação, administração e aplicação dos recursos do Estado para a satisfação das necessidades públicas, é o que denominamos Atividade Financeira do Estado. O professor Harada (2003), assim se manifesta acerca do assunto: “a finalidade do Estado é a realização do bem comum, conceituado como sendo um ideal que promove o bem-estar e conduz a um modelo de sociedade, que permite o pleno desenvolvimento das potencialidades humanas (...) ”. Dessa forma, para cumprir as suas obrigações legais e constitucionais, o Estado precisa: • Obter – receita pública • Criar – crédito público • Gerir – orçamento público • Despender – despesa pública • Receita Pública - é o ingresso de dinheiro nos cofres públicos em caráter definitivo, sem qualquer compromisso de devolução. o Receitas Originárias – são as rendas originárias de bens e serviços explorados pelo estado. Também chamada de Economia Privada. o Receitas Derivadas – são os recursos que o estado arrecada por meio do poder de coerção, através dos tributos e das penas pecuniárias. Também chamada de Economia Pública. • Crédito Público - é o processo de obtenção de receitas públicas temporárias, através de empréstimos internos e externos. É a chamada dívida pública. • Orçamento Público - é o planejamento de aplicação das receitas e despesas públicas para determinado período, através de programas, planos, projetos e atividades. • Despesa Pública - é o conjunto de dispêndios do Estado para o funcionamento dos serviços públicos. 4 2. SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL O Sistema Tributário Nacional (STN) foi instituído por meio da Lei n° 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), que também estabeleceu normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados, ao Distrito Federal e Municípios. O Estado obtém as receitas públicas através da tributação, ou seja, cobram tributos dentro da atividade econômica civil e os aplica de maneira a atingir os interesses coletivos da própria sociedade. O sistema tributário nacional é regido pela Constituição Federal, leis complementares, resoluções do senado e, nos limites das respectivas competências, em leis federais, nas Constituições e Leis Estaduais, bem em Leis Municipais. (SOUZA, 2012) Para Sacha Calmon Navarro Coelho, pode-se estudar a Constituição na esfera Tributária em três grupos temáticos: a) o da repartição das competências tributárias entre a União, os Estados e os Municípios; b) o dos princípios tributários e das limitações ao poder de tributar; c) o da partilha direta e indireta do produto da arrecadação dos impostos entre as pessoas políticas da Federação (participação de uns na arrecadação de outros). Nestes três grupos estarão inseridos, induvidosamente, os regramentos constitucionais [...]. 2.1. ESTRUTURA E COMPETÊNCIA O Sistema Tributário Nacional tem como fundamento de validade a Constituição Federal de 1988, que traz em seu Título VI, intitulado Da Tributação e do Orçamento, no Capítulo I – “Do Sistema Tributário Nacional”, os artigos 145 ao 162. Tais artigos estabelecem: - Princípios Gerais; - Limitações ao Poder de Tributar; - Competência para a Instituição de Tributos, - Repartição das Receitas Tributárias. Os Princípios Gerais, ou seja, constitucionais, são regras de todo o Sistema Tributário Nacional. Sem a sua real observância, a obrigação tributária não prospera. https://www.econeteditora.com.br/bdi/lei/ant/lei5172_1966.asp 5 2.2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS São sete os princípios tributários constitucionais: • Legalidade – fundamentado no art. 150, inciso I da CF, os entes federados só poderão criar ou aumentar tributo por meio de lei; • Isonomia - de acordo com o artigo 150, inciso II, da CF é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. Os iguais não poderão ser tratados de forma desigual; • Irretroatividade - é vedada a cobrança de tributos cujos fatos geradores sejam anteriores à lei. Está fundamentado no artigo 150, inciso III, alínea “a”, da CF; • Anterioridade – um tributo só pode ser cobrado no exercício financeiro subsequente à lei que o instituiu ou aumentou, conforme art, 150. Inciso III, alínea “b”; • Proibição ao Confisco – é vedada a criação de tributos cuja tributação seja excessiva e atinja demasiadamente o patrimônio do contribuinte; • Capacidade Contributiva – sempre que possível, os impostos serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, conforme art. 145, parágrafo 1º, da CF. Ou seja, não havendo riquezas não haverá tributação; • Uniformidade Geográfica - os tributos têm de ser uniformes em todo o território nacional, de acordo com o que determina o artigo 151, inciso I, da CF. 2.3. LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR De forma a frear os impulsos tributários dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), a Norma Maior, em seu art. 150, inc. VI e alíneas, impõe algumas vedações ao legislador infraconstitucional. Estas vedações estão intituladas Limitações ao Poder de Tributar, estando divididas em imunidades tributárias, não incidência e isenção. • NÃO-INCIDÊNCIA – é quando não ocorre o fato gerador para a cobrança do tributo. ▪ Ex: o prestador de determinado serviço só paga o ISS se o serviço estiver expresso na lei. 6 • IMUNIDADE – é quando ocorre a proibição constitucional para a cobrança de impostos. Não ocorre o fato gerador.de rendimentos cujo saldo seja totalmente pago dentro do próprio mês do adiantamento (conforme referido no item anterior); b) rendimentos pagos em decorrência de decisão judicial ou da prestação de serviços no curso do processo judicial. i) Rendimentos recebidos acumuladamente No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros acrescidos. Nesse caso, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, além das deduções tratadas no item 3, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. ATENÇÃO Desde 28.07.2010, por força do art. 12-A da Lei nº 7.713/1988, incluído pelo art. 44 da Lei nº 12.350/2010 e pela Instrução Normativa RFB nº 1.127/2011, dispõem acerca do tratamento tributário aplicável, no âmbito da legislação do Imposto de Renda, sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA), correspondentes a anos-calendário anteriores. 32 Os RRA relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e rendimentos do trabalho. Salienta-se, ainda, que as disposições mencionadas nesta nota aplicam-se, inclusive, aos rendimentos decorrentes de decisões das Justiças do Trabalho, Federal, Estaduais e do Distrito Federal. (RIR/1999 , art. 640; Instrução Normativa SRF nº 15/2001 , art. 3º ) EXEMPLO Rendimentos do trabalho autônomo - Mais de um pagamento no mês ao mesmo beneficiário. Admita-se que, nos dias 10 e 20.04.2019, uma empresa pague a um autônomo, respectivamente, as importâncias de R$ 3.500,00 e R$ 2.500,00, relativas a serviços prestados. Considerando-se que não há nenhuma dedução a efetuar, o desconto do imposto será feito da seguinte forma: Cálculo do IRRF em 10.04.2019: a.1) base de cálculo: R$ 3.500,00; a.2) cálculo do imposto: b) cálculo do Imposto de Renda em 20.01.2015: b.1) base de cálculo: R$ 3.500,00 + R$ 2.500,00 = R$ 6.000,00 b.2) cálculo do imposto: 27,5% sobre R$ 6.000,00 = R$ 1.650,00 Parcela a deduzir: (R$ 869,36) Imposto devido: R$ 780,64 Imposto retido no dia 12: (R$ 170,20) Imposto a reter: R$ 610,44 l) Dispensa de Retenção de valor igual ou inferior a R$ 10,00 - É dispensada a retenção de Imposto de Renda na Fonte de valor igual ou inferior a R$ 10,00, incidente sobre rendimentos que devam integrar a base de cálculo do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário. 5.2.2 – IRRF de Pessoas Jurídicas 15% sobre R$ 3.500,00 R$ 525,00 Parcela a deduzir: (R$ 354,80) Imposto a reter: R$ 170,20 33 Os pagamentos realizados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas estão sujeitos a incidência do imposto na fonte nos limites fixados na legislação. Neste texto trataremos a obrigatoriedade da retenção do IR conforme RIR/99 art. 647. Estão sujeitas ao desconto do Imposto de Renda na Fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, civis ou mercantis, pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional. Ressalte-se que, se o serviço constar da lista descrita abaixo, a incidência do imposto na fonte ocorre, independentemente: da qualificação profissional dos sócios da sociedade beneficiária e do fato de esta auferir receitas de quaisquer outras atividades, seja qual for o valor dos serviços em relação à receita total; de os serviços serem prestados pessoalmente por sócios de sociedade simples ou explorados empresarialmente por intermédio de sociedade empresarial mediante o concurso de profissionais contratados; e de os serviços se referirem ao exercício de profissão legalmente regulamentada ou não. (RIR/1999, art. 647, § 2º; Parecer Normativo CST nº 8/1986 e Decisão nº 3/1997 da 8ª Região Fiscal). a) Lista dos serviços alcançados Os serviços cuja remuneração se submete ao desconto do imposto à alíquota de 1,5%, quando prestados por uma pessoa jurídica a outra, são os seguintes (RIR/1999,art. 647,§ 1º): 01 - administração de bens ou negócios em geral, exceto consórcios ou fundos mútuos para aquisição de bens; 02 - advocacia; 03 - análise clínica laboratorial; 04 - análises técnicas; 05 - arquitetura; 06 - assessoria e consultoria técnica, exceto o serviço de assistência técnica prestado a terceiros e concernente a ramo de indústria ou comércio explorado pelo prestador do serviço (veja esclarecimentos abaixo); 07 - assistência social; 08 - auditoria; 09 - avaliação e perícia; 10 - biologia e biomedicina; 11 - cálculo em geral; 12 - consultoria; 13 - contabilidade; 14 - desenho técnico; 15 - economia; 16 - elaboração de projetos; 17 - engenharia, exceto construção de estradas, pontes, prédios e obras assemelhadas; 18 - ensino e treinamento; 19 - estatística; 20 - fisioterapia; 21 - fonoaudiologia; 22 - geologia; 23 - leilão; 34 24 - medicina, exceto a prestada por ambulatório, banco de sangue, casa de saúde, casa de recuperação ou repouso sob orientação médica, hospital e pronto-socorro (veja esclarecimentos no tópico 5); 25 - nutricionismo e dietética; 26 - odontologia; 27 - organização de feiras de amostras, congressos, seminários, simpósios e congêneres; 28 - pesquisa em geral; 29 - planejamento; 30 - programação; 31 - prótese; 32 - psicologia e psicanálise; 33 - química; 34 - radiologia e radioterapia; 35 - relações públicas; 36 - serviço de despachante; 37 - terapêutica ocupacional; 38 - tradução ou interpretação comercial; 39 - urbanismo; e 40 - veterinária. b) Assessoria e consultoria técnica No item 06 da lista estão compreendidos (como sujeitos à incidência do imposto na fonte) tão-somente os serviços de alto grau de especialização, obtido por meio de estabelecimentos de nível superior e técnico, vinculados diretamente à capacidade intelectual do indivíduo. Desse modo: • os serviços de assessoria e consultoria técnica alcançados pela tributação na fonte em exame restringem-se àqueles resultantes da engenhosidade humana, tais como: especificação técnica para a fabricação de aparelhos e equipamentos em geral; assessoria administrativo-organizacional; consultoria jurídica etc.; • não se sujeitam à aludida tributação na fonte os serviços de reparo e manutenção de aparelhos e equipamentos (domésticos ou industriais). (Parecer Normativo CST nº 37/1987 , Itens 3 a 5) c) Serviços de Engenharia - Não-incidência Obras de construção A exceção constante do item 17 da lista (que coloca fora do campo da incidência tributária a construção de estradas, pontes, prédios e obras assemelhadas) abrange as obras de construção em geral e as de montagem, instalação, restauração e manutenção de instalações e equipamentos industriais. d) Serviços de medicina - A incidência do imposto na fonte examinada neste trabalho restringe-se aos rendimentos decorrentes do desempenho de trabalhos pessoais da profissão de medicina que, normalmente, 35 poderiam ser prestados em caráter individual e de forma autônoma, mas que, por conveniência empresarial, são executados mediante interveniência de sociedades simples ou empresariais. Dessa forma, estão fora do campo da incidência em questão: • os serviços inerentes ao desempenho das atividades profissionais da medicina quando executados dentro do ambiente físico dos estabelecimentosde saúde mencionados no item 24 da lista estampada no tópico 2 deste trabalho (ambulatório, banco de sangue, casa de saúde, casa de recuperação ou repouso sob orientação médica, hospital e pronto-socorro), prestados sob subordinação técnica e administrativa da pessoa jurídica titular do empreendimento; essa exclusão abrange os serviços correlatos ao exercício da medicina, tais como análise clínica laboratorial, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, psicanálise, radiologia e radioterapia; • os rendimentos provenientes da execução de contratos de prestação de serviços médicos pactuados com pessoas jurídicas, visando a assistência médica de empregados e seus dependentes em ambulatório, casa de saúde, pronto-socorro, hospital e estabelecimentos assemelhados (referidos no item 24 da lista), desde que a prestação dos serviços seja realizada exclusivamente nos estabelecimentos de saúde mencionados, próprios ou de terceiros. (Parecer Normativo CST nº 08/1986, Itens 22 a 27) 5.3 – Contribuições Sociais Retidas na Fonte Trata-se da retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro (CSL), da Cofins e da contribuição para o PIS-Pasep, de acordo com a Lei nº 10.833/2003, com as alterações da Lei nº 11.196/2005, da Lei nº 11.727/2008 e da Instrução Normativa SRF nº 459/2004, com as alterações da Instrução Normativa RFB nº 765/2007, da Instrução Normativa RFB nº 791/2007 e Instrução Normativa RFB nº 1.151/2011. Estão sujeitos à retenção na fonte da CSL, da contribuição para PIS-Pasep e da Cofins os pagamentos efetuados, bem como os pagamentos antecipados por conta de prestação de serviços para entrega futura, por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão de obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais. Entendem-se como serviços: • de limpeza, conservação ou zeladoria aqueles de varrição, lavagem, enceramento, desinfecção, higienização, desentupimento, dedetização, desinsetização, imunização, desratização ou outros 36 serviços destinados a manter a higiene, o asseio ou a conservação de praias, jardins, rodovias, monumentos, edificações, instalações, dependências, logradouros, vias públicas, pátios ou de áreas de uso comum; • de manutenção todo e qualquer serviço de manutenção ou conservação de edificações, instalações, máquinas, veículos automotores, embarcações, aeronaves, aparelhos, equipamentos, motores, elevadores ou de qualquer bem, quando destinados a mantê-los em condições eficientes de operação, exceto se a manutenção for feita em caráter isolado, como mero conserto de um bem defeituoso; • de segurança e/ou vigilância aqueles que tenham por finalidade a garantia da integridade física de pessoas ou a preservação de valores e de bens patrimoniais, inclusive escolta de veículos de transporte de pessoas ou cargas; • profissionais aqueles relacionados no RIR/1999 , art. 647 , § 1º, inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para a retenção do Imposto de Renda. As retenções serão efetuadas sem prejuízo da retenção do Imposto de Renda na Fonte das pessoas jurídicas sujeitas a alíquotas específicas previstas na legislação do Imposto de Renda e aplicam-se também aos pagamentos efetuados por: ✓ Associações, inclusive entidades sindicais, federações, confederações, centrais sindicais e serviços sociais autônomos; sociedades simples, inclusive sociedades cooperativas; ✓ Fundações de direito privado; ou ✓ d) condomínios edilícios (edifícios). Observações: (1) As retenções aqui tratadas não se aplicam às entidades da Administração Pública federal de que trata a Lei nº 10.833/2003 , art. 34 , bem como a órgãos, autarquias e fundações dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios. (2) A retenção sobre os serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos e administração de contas a pagar e a receber aplica-se, até mesmo quando esses serviços forem prestados por empresa de factoring. a) Dispensa de retenção - Desde o dia 22.06.2015, fica dispensada a retenção de valor igual ou inferior a R$ 10,00. Essa nova regra foi estabelecida pelo art. 24 da Lei nº 13.137/2015. Até o dia 21.06.2015 havia a dispensa de retenção na fonte para os pagamentos aos prestadores de serviços de valor igual ou inferior a R$ 5.000,00, considerando o somatório dos pagamentos no mesmo mês à mesma pessoa jurídica. Portanto, deve ser observado que, a partir da nova regra de retenção, a dispensa deve ser analisada sobre o valor calculado das Contribuições Sociais Retidas na Fonte (CSRF). Observa-se, todavia, que o recolhimento das retenções deverá obrigatoriamente ser centralizado na matriz, como também a entrega à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). (Lei nº 10.833/2003, art. 31 , § 3º, Lei nº 13.137/2015 , art. 24; Instrução Normativa SRF nº 459/2004 , art. 1º , § 3º; Solução de Consulta Cosit nº 7/2013 ). 37 b) Base de cálculo - As contribuições tratadas neste texto devem ser retidas sobre a importância total por ocasião do pagamento ao beneficiário do rendimento. Não é admitida a exclusão da parcela relativa ao Imposto Sobre Serviços (ISS), mesmo que esteja destacada na nota fiscal de serviços emitida pela pessoa jurídica beneficiária do rendimento. c) Percentual a ser descontado - O valor da CSL, da Cofins e da contribuição para o PIS-Pasep será determinado mediante a aplicação do percentual de 4,65% sobre o montante a ser pago, correspondente à soma das alíquotas de 1%, 3% e 0,65%, respectivamente. d) Retenção das contribuições totais ou parciais - No caso de pessoa jurídica ou de receitas beneficiárias de isenção ou de alíquota zero de uma ou mais das contribuições, ou ainda no caso de pessoa jurídica amparada pela suspensão total ou parcial da exigibilidade de crédito tributário nas hipóteses a que se refere o CTN, art. 151, II, IV e V, ou por sentença judicial transitada em julgado, determinando a suspensão do pagamento de qualquer das contribuições de que trata este item, a retenção ocorrerá mediante a aplicação da alíquota específica correspondente às contribuições não alcançadas pela isenção, pela alíquota zero ou pela suspensão. Observações: (1) As pessoas jurídicas beneficiárias de isenção ou de alíquota zero devem informar essa condição na nota ou documento fiscal, inclusive o enquadramento legal, sob pena de, se não o fizerem, sujeitarem-se à retenção das contribuições no percentual de 4,65%. (2) No caso de suspensão do crédito tributário, o beneficiário do rendimento deverá apresentar à fonte pagadora, a cada pagamento, a comprovação de que o direito à não-retenção continua amparado por medida judicial. e) Casos em que não se aplica a retenção - Não será exigida a retenção da CSL, da Cofins e da contribuição para o PIS-Pasep na hipótese de pagamentos efetuados a: ✓ empresas estrangeiras de transporte de valores; ✓ pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional, em relação às suas receitas próprias (Instrução Normativa RFB nº 765/2007 , art. 4º ). (1) Para fins de dispensa da retenção, as pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional deverão apresentar, a cada pagamento, declaração, em 2 vias assinadas pelo seu representante legal, à pessoa jurídica que efetuar a retenção. Essa declaração deverá ser elaborada conforme a Instrução Normativa SRF nº 459/2004 , Anexo I, e a 1ªvia arquivada pela pessoa jurídica responsável pela retenção ficará à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Não será exigida retenção da Cofins e da contribuição para o PIS-Pasep, cabendo somente a retenção da CSL nos pagamentos: a) a título de transporte internacional de valores efetuado por empresas nacionais; b) aos estaleiros navais brasileiros nas atividades de conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), instituído pela Lei no 9.432/1997. 38 Não será exigida a retenção da CSL sobre os pagamentos efetuados às sociedades cooperativas, em relação aos atos cooperados, exceto às cooperativas de consumo de que trata a Lei no 9.532/1997, art. 69. Atenção: Salientamos que, conforme disposto na Lei nº 10.865/2004 , art. 39 , desde 1º.01.2005, ficam isentas da CSL as cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, exceto as cooperativas de consumo de que trata a Lei nº 9.532/1997 , art. 69. Os valores da CSL, da Cofins e do PIS-Pasep retidos serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. As pessoas jurídicas que efetuarem a retenção das contribuições de que trata este procedimento devem fornecer comprovante anual de retenção à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento, conforme modelo constante na Instrução Normativa SRF nº 459/2004 , Anexo II: a) o código de retenção; b) a natureza do rendimento; c) o valor pago antes de efetuada a retenção; e o valor retido. Segue modelo parcialmente preenchido com dados hipotéticos do Comprovante Anual de Retenção de CSL, Cofins e PIS-Pasep (Lei nº 10.833/2003 , art. 30 ). 39 A título de ilustração, a seguir apresentamos modelo de preenchimento de nota fiscal de serviços. A empresa prestadora dos serviços deve informar no documento fiscal o valor correspondente à retenção das contribuições incidentes sobre a operação. Portanto, a obrigatoriedade do destaque das retenções no corpo da nota fiscal se aplica à retenção destinada à Previdência Social (Instrução Normativa SRP nº 3/2005 , art. 154 , e Lei nº 8.212/1991 , art. 31, § 1º), ao Imposto de Renda, à CSL, à Cofins e ao PIS-Pasep (art. 1º , § 10, da Instrução Normativa SRF nº 459/2004 ). Para uma melhor evidenciação das retenções realizadas, na nota fiscal a seguir, constam os destaques dos valores relativos a Imposto de Renda, Contribuição Social, PIS-Pasep, Cofins e ISS. Para elaboração do exemplo foram levadas em consideração as seguintes informações: a) prestação de serviço de limpeza e conservação de bem imóvel por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica (serviço classificado sob o código 7.10 da lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116/2003 ); Nota Fiscal de Serviços 40 5.4– Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) A Lei Complementar nº 116/2003, publicada no Diário Oficial da União de 1º.08.2003, tem como objetivo instituir o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), anteriormente tratado pelo Decreto-lei nº 406/1968. No âmbito municipal, a Lei nº 1.547, de 20.12.1989, procedeu à regulamentação do imposto, introduzindo as normas gerais de tributação do imposto. Abordaremos alguns aspectos com relação a retenção na fonte. 5.4.1 - Retenções na Fonte - Os municípios e o Distrito Federal estão autorizados pela Lei Complementar nº 116/2003, mediante lei municipal, a atribuir expressamente a responsabilidade pelo débito fiscal a terceira pessoa. A responsabilidade está vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo-a do contribuinte ou atribuindo-a a este solidariamente, em relação ao cumprimento total ou parcial da obrigação, inclusive no que se refere à multa e aos acréscimos legais. a) Incidência - O Imposto Sobre Serviços (ISS) tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa ao CTM-Aracaju/ com a redação dada pela Lei Complementar (municipal) nº 63/2003. b) Contribuintes - O contribuinte do imposto é o prestador de serviço. Todo aquele que se utilizar do serviço prestado por empresa ou profissional autônomo deverá exigir a apresentação do certificado de Inscrição no Cadastro Mobiliário de Contribuintes (CMC) ou a nota fiscal, no caso de empresa. No recibo ou em qualquer outro documento que comprove a efetivação do pagamento, deverá constar o número da inscrição municipal do prestador do serviço. Não sendo apresentado o certificado de inscrição, aquele que se utilizar do serviço descontará, no ato do pagamento, o valor do tributo correspondente à alíquota prevista para a respectiva atividade. (CTM- Aracaju/1989, arts. 127 a 129) c) Responsáveis - São responsáveis pela retenção na fonte e pelo recolhimento do imposto todos os tomadores dos serviços previstos no CTM-Aracaju/1989, art. 131, com a alteração dada pela Lei Complementar nº 63/2003, quando o prestador não for estabelecido no Município de Aracaju. De acordo com o CTM-Aracaju/1989, art. 131, também são responsáveis pela retenção e pelo pagamento do imposto: • os construtores, empreiteiros principais e administradores de obras hidráulicas, de construção civil ou de reparação de edifícios, estradas, logradouros, pontes e congêneres, pelo imposto relativo aos serviços prestados por subempreiteiros, exclusivamente de mão de obra; 41 • os administradores de obras, pelo imposto relativo à mão de obra, inclusive de subcontratados, ainda que o pagamento dos serviços seja feito diretamente pelo dono da obra ou contratante; • os construtores, empreiteiros, tomadores de obras de construção civil, pelo imposto devido por contribuintes não estabelecidos no município; • os titulares de direitos sobre prédios ou os contratantes de obras e serviços, se não identificarem os construtores ou os empreiteiros de construção, reconstrução, reforma, reparação ou acréscimos desses bens, pelo imposto devido pelos construtores ou empreiteiros; • os locadores de máquinas, aparelhos e equipamentos instalados, pelo imposto devido pelos locatários estabelecidos no município e relativos à exploração desses bens; • os titulares dos estabelecimentos onde se instalarem máquinas, aparelhos e equipamentos, pelo imposto devido pelos respectivos proprietários não estabelecidos no município e relativos à exploração desses bens; • os que permitirem em seus estabelecimentos ou domicílios exploração de atividades tributárias sem estar o prestador do serviço inscrito no órgão fiscal competente, pelo imposto devido sobre essa atividade; • os que efetuarem pagamentos de serviços a terceiros não identificados, pelo imposto cabível nas operações; • os que utilizarem serviços de empresas, pelo imposto incidente sobre as operações, se não exigirem dos prestadores documento fiscal idôneo; • os que utilizarem os serviços de profissionais autônomos, pelo imposto incidente sobre as operações, se não exigirem dos prestadores a inscrição do cadastro fiscal da prefeitura; • as entidades públicas ou privadas, pelo imposto incidente sobre o preço dos serviços de diversões públicas, prestados por terceiros, em locais dos quais sejam proprietárias, administradoras ou possuidoras a qualquer título; • os estabelecimentos gráficos, pelo imposto devido em relação às notas fiscais emitidas pelo contribuinte, usuários dos serviços da gráfica, desde que tenham sido impressas sem autorização da Secretaria Municipal de Finanças; • o tomador ou, em havendo intermediação, o intermediário de serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País; • a pessoa jurídica,ainda que imune ou isenta, tomadora ou intermediária dos serviços descritos nos subitens 3.04, 7.02, 7.04, 7.05, 7.09, 7.10, 7.12, 7.14, 7.15, 7.17, 11.02, 17.05, e 17.09 da lista do CTM- Aracaju/1989 , art. 98 , ou seja: 3.04 - cessão de andaimes, palcos, coberturas e outras estruturas de uso temporário; 7.02 - execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas 42 pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS); 7.04 - demolição; 7.05 - reparação, conservação e reforma de edifícios, estradas, pontes, portos e congêneres (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços, fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS); 7.09 - varrição, coleta, remoção, incineração, tratamento, reciclagem, separação e destinação final de lixo, rejeitos e outros resíduos quaisquer; 7.10 - limpeza, manutenção e conservação de vias e logradouros públicos, imóveis, chaminés, piscinas, parques, jardins e congêneres; 7.12 - controle e tratamento de efluentes de qualquer natureza e de agentes físicos, químicos e biológicos; 7.14 - florestamento, reflorestamento, semeadura, adubação e congêneres; 7.15 - escoramento, contenção de encostas e serviços congêneres; 7.17 - acompanhamento e fiscalização da execução de obras de engenharia, arquitetura e urbanismo; 11.02 - vigilância, segurança ou monitoramento de bens e pessoas; 17.05 - fornecimento de mão de obra, mesmo em caráter temporário, inclusive de empregados ou trabalhadores, avulsos ou temporários, contratados pelo prestador de serviço; 17.09 - planejamento, organização e administração de feiras, exposições, congressos e congêneres. Além dos mencionados, são também responsáveis: • as pessoas físicas ou jurídicas que permitirem em seus estabelecimentos ou domicílios a exploração de atividades tributárias sem que o prestador do serviço esteja inscrito no órgão fiscal competente, pelo imposto devido sobre a atividade; • as entidades públicas ou privadas, pelo imposto incidente sobre o preço dos serviços de diversões públicas, prestados por terceiros, em locais dos quais sejam proprietárias, administradoras ou possuidoras a qualquer título; • os que utilizarem serviços profissionais autônomos, pelo imposto incidente sobre as operações, se não exigirem dos prestadores prova de quitação fiscal ou de inscrição, no caso de serem isentos, mesmo que o prestador seja estabelecido no Município de Aracaju. A responsabilidade tributária abrange todos os tomadores de serviços, contribuintes ou não do ISS, mesmo que gozem de isenção ou imunidade, inclusive os órgãos, as empresas e as entidades da administração pública direta e indireta de quaisquer dos poderes da União, do Estado e do Município, as empresas individuais, os condomínios, as associações, os sindicatos, os cartórios notariais e de registros. ( CTM-Aracaju/1989 , art. 131 ; Decreto nº 21/2004 , arts. 1º e 2º ) d) hipóteses em que não será efetuada a retenção do imposto Não haverá retenção na fonte pelos substitutos tributários quando o serviço for prestado por: • contribuintes enquadrados no regime de recolhimento do imposto por estimativa; • profissionais autônomos devidamente inscritos no cadastro municipal; • prestadores de serviços imunes ou isentos, devidamente comprovada a sua situação cadastral; 43 • pessoa Jurídica cadastrada como sociedade de profissionais; • microempreendedor individual. (Decreto nº 3.646/2011 , art. 1º , § 3º) e) Infrações e penalidades - O sujeito passivo estará sujeito à multa de: • 50% sobre o imposto retido e não recolhido no prazo de 30 dias; • 200% sobre o imposto retido e não recolhido por prazo superior a 30 dias. (CTM-Aracaju/1989, art. 132, I, item 4) 6 – IMPOSTO SOBRE A CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS – ICMS 6.1 – NOÇÕES E REGIMES DE APURAÇÃO Com a Constituição Federal de 1988, foi criado o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS) em substituição ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM), ficando estabelecido que a instituição desse imposto deveria ser feita por meio de lei complementar. A Constituição determinou, ainda, que, se essa lei não fosse sancionada no prazo de 60 dias contados da data de promulgação da Constituição, o ICMS seria regido, provisoriamente, por meio de convênio celebrado entre os Estados e o Distrito Federal, de acordo com as disposições contidas na Lei Complementar nº 24/1975, a fim de disciplinar o referido imposto. Assim, provisoriamente, o Convênio ICM nº 66/1988, que materialmente fazia as vezes de lei complementar, com amparo no art. 34, § 8º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, estabelecia normas em matéria de ICMS. Logo, a Lei Complementar nº 87/1996, editada com a função de estabelecer regras definitivas sobre o tributo, é a mais importante formulação teórico-tributária do ICMS. Por meio de seus dispositivos, pode-se extrair fundamentos para o campo e as hipóteses de incidência; a imunidade e a não-incidência; a sujeição passiva; a caracterização do mecanismo de substituição tributária; o local da operação e sua prestação; o aspecto temporal da incidência; a base de cálculo; o princípio da não- cumulatividade; a sistemática de apuração e a concessão de benefícios fiscais. 44 Com a lei complementar, o ICMS passou a incidir, também, sobre as prestações de serviços de transporte intermunicipal e interestadual e de comunicação e sobre os minerais. À lei complementar a ser sancionada, segundo a Constituição, cabe: a) definir os contribuintes; b) dispor sobre a substituição tributária; c) disciplinar o regime de compensação do imposto; d) fixar, para efeito de cobrança e definição do estabelecimento responsável, o local das operações relativas à circulação de mercadorias e das prestações de serviços; e) excluir da incidência do ICMS as exportações de mercadorias e serviços além dos mencionados na alínea "a" do § 2º do art. 155 da CF/1988; f) prever casos de manutenção de crédito relativamente à remessa para outros Estados e exportação para o exterior de serviços e mercadorias; g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, serão concedidos e revogados os incentivos e os benefícios fiscais; h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua finalidade, hipótese em que não se aplicará a não-incidência prevista na alínea "b" do inciso X do § 2º do art. 155 da CF/1988; i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do ICMS a integre, inclusive na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço. A Lei Complementar nº 87/1996 foi sancionada em 13.09.1996, publicada no DOU de 16.09.1996 e produz efeitos desde 1º.11.1996. Além dos princípios gerais tributários, A CF/88, art. 155, §2º, estabelece que o ICMS atenderá ao seguinte: • Não-cumulatividade: O ICMS será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; • Seletividade: poderá ser seletivo, em função da essencialidade das mercadorias e dos serviços. • Regras sobre alíquotas: • Competência do Senado para estabelecer alíquotas nas operações interestaduais e nas exportações: Resolução do Senado Federal, de iniciativado Presidente da República ou de um terço dos Senadores, aprovada pela maioria absoluta de seus membros, estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações, interestaduais e de exportação. • Limite para alíquotas internas: Salvo deliberação em contrário dos Estados e do Distrito Federal, mediante convênio celebrado nos termos da Lei Complementar nº 24/75, as alíquotas internas, nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, não poderão ser inferiores às previstas para as operações interestaduais. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art155§2 45 • Operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado, adotar-se-á: a) a alíquota interestadual, quando o destinatário for contribuinte ou não do imposto; • Importações: O ICMS incidirá também sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço. • ICMS sobre serviços não incluídos na competência dos Municípios: O ICMS incidirá também sobre o valor total da operação, quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios. 6.1.1 - CONTRIBUINTE São consideradas contribuintes do imposto todas as pessoas, físicas ou jurídicas, que praticam habitualmente a circulação de mercadorias em volume que possa ser caracterizado de intuito comercial ou que prestam serviços de transporte interestadual ou intermunicipal e de comunicações, ainda que iniciados no exterior. O requisito da habitualidade e do intuito comercial não é exigido, sendo consideradas contribuintes do imposto as pessoas físicas ou jurídicas: a) que realizem a importação de mercadorias; b) destinatárias de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior; c) que adquiram em licitação mercadorias ou bens apreendidos ou abandonados; d) que adquiram lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização. (Lei Complementar nº 87/1996, art. 4º) 6.1.2 - CONTRIBUINTES RESPONSÁVEIS Por determinação expressa em lei, uma terceira pessoa poderá ser responsabilizada pelo pagamento do ICMS e dos acréscimos legais incidentes, devidos na operação ou na prestação realizada pelo contribuinte ou responsável, quando os atos ou as omissões daqueles terceiros concorrerem com a falta de recolhimento do imposto. (Lei Complementar nº 87/1996, art. 5º) Contribuintes Situações Comerciante Pessoa física ou jurídica de direito público ou privado que: a) pratique a intermediação de mercadoria; b) forneça mercadoria com prestação de serviço; c) forneça alimentação e/ou bebida. 46 Industrial Pessoa física ou jurídica de direito privado ou de direito público que pratique operações havidas como de industrialização. Produtor Pessoa física ou jurídica de direito privado ou de direito público que se dedique à produção agropecuária. Extrator Pessoa física ou jurídica de direito privado ou de direito público que se dedique à extração mineral e vegetal. Pescador Pessoa física ou jurídica de direito privado ou de direito público que se dedique à captura de peixes, crustáceos e moluscos. Ambulante Pessoa física ou jurídica, sem estabelecimento fixo, que conduza mercadoria própria ou de terceiro, para aliená-la diretamente a consumidor ou usuário final. Pessoa física ou jurídica Que mesmo sem habitualidade ou intuito comercial: a) importe mercadoria ou bem do exterior, qualquer que seja a sua finalidade; b) seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior; c) adquira, em licitação, mercadorias apreendidas ou abandonadas; d) adquira petróleo, energia elétrica, lubrificantes e combustíveis líquidos ou gasosos derivados de petróleo oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização. 6.1.3 - INCIDÊNCIA O ICMS incide sobre a operação de circulação de mercadoria e a prestação de serviço de transporte intermunicipal e interestadual e de comunicações, independentemente da natureza jurídica ou econômica da operação ou da prestação. Dessa forma, o imposto incide sobre: ➢ operações relativas à circulação de mercadorias, inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares, restaurantes, hóteis e estabelecimentos similares; ➢ a entrada de mercadorias ou bens importados do exterior, por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade (Lei Complementar Federal n.º 114/2002 e Lei Estadual nº 4.732/02); (NR) ➢ a entrada,no estabelecimento do contribuinte, de mercadorias ou bens oriundos de outro Estasdo, destinados a consumo ou ativo permanente; ➢ prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal; ➢ prestação de serviços de comunicação. 6.1.4 - NÃO INCIDÊNCIA Em geral, o imposto incide sobre as operações e prestações mencionadas no item 5 deste texto. Entretanto, a legislação prevê exceções sobre as quais não incide o ICMS. Entre elas, estão as operações: 47 ➢ operações com livros, jornais e periódicos, e com o papel destinado à sua impressão; ➢ operações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados, bem como sobre prestações de serviços para o exterior; ➢ operações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados,bem como sobre prestações de serviços para o exterior; ➢ operações com impresso personalizado, promovidas por estabelecimento de indústria gráfica, diretamente a usuário final, pessoa física ou jurídica; ➢ operações com mercadorias destinadas a armazém-geral, ou depósito fechado e o retorno ao estabelecimento remetente, quando situados dentro do Estado de Sergipe; ➢ prestações de serviços de radiodifusão sonora e os de televisão que não sejam a cabo ou por assinatura; 6.1.5 - FATOR GERADOR O fato gerador do imposto ocorre quando se materializa a hipótese de incidência do imposto prevista na legislação. Assim sendo, considera-se ocorrido o fato gerador do ICMS no momento em que ocorrer: ➢ da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, inclusive em caso de transferência, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; ➢ do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento, incluídos os serviços prestados; ➢ do início da prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; ➢ das prestações de serviços de comunicação, exceto os de televisão que não sejam a cabo ou por assinatura; ➢ do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços; ➢ da entrada, no estabelecimento de contribuinte, de mercadoria oriunda de outro Estado, destinada a consumo ou ativo permanente; ➢ da entrada de mercadoria ou bens no estabelecimento do adquirente, ou em outro por ele indicado, para efeito de exigência do imposto por substituição ou antecipação tributária; ➢ do encerramento das atividades do contribuinte, relativamente às mercadorias constantes do estoque final; ➢ Da aquisição, de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; 6.1.6 - REGRA GERAL DE APURAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO Base de cálculo é o valor tributável definido pela legislação para determinar o montante do imposto devido em determinadaoperação ou prestação. Sobre o referido valor será aplicada a alíquota correspondente. O montante do ICMS integra a sua própria base de cálculo, constituindo o respectivo destaque como simples 48 indicação para fins de controle e cumprimento da obrigação tributária. A base de cálculo é definida na legislação, observando-se as peculiaridades relacionadas à operação ou à prestação de serviços. De modo geral, a base de cálculo do imposto é: a) o valor da operação: a.1) na saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro do mesmo titular; a.2) na transmissão, a terceiro, da propriedade de mercadoria depositada em armazém-geral ou em depósito fechado; a.3) na transmissão da propriedade de mercadoria ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento do transmitente; b) o valor total da operação, compreendendo a mercadoria e o serviço, no fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias; c) o preço do serviço na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação; d) o valor da operação no fornecimento de mercadoria com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos municípios; e) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, com prestação de serviço compreendido na competência tributária dos municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido em lei complementar aplicável; f) a soma das parcelas a seguir indicadas, no desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior: f.1) o valor de mercadorias ou bens constantes nos documentos de importação; f.2) o Imposto de Importação (II); f.3) o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); f.4) o Imposto sobre Operações de Câmbio (IOC); f.5) quaisquer outros impostos, taxas, contribuições, além de despesas aduaneiras cobradas ou debitadas ao adquirente, relativas ao adicional ao frete para renovação da Marinha mercante, armazenagem, capatazia, estiva, arqueação e multas por infrações; g) o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização no recebimento pelo destinatário de serviço prestado no exterior; h) o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente, na aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; i) o valor da operação de que decorrer a entrada, neste Estado, de energia elétrica, petróleo, lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, oriundos de outra Unidade da Federação (UF), quando não destinados a comercialização, industrialização, produção, geração ou extração, inclusive na hipótese de lubrificantes e combustíveis líquidos ou gasosos derivados de petróleo adquiridos por prestador de serviço de transporte para emprego na prestação de seus serviços; 49 j) o valor da operação ou da prestação no Estado de origem: j.1) na entrada, no estabelecimento de contribuinte, de mercadoria oriunda de outro Estado destinada a consumo ou a Ativo Permanente; j.2) na utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subsequentes; k) o valor das mercadorias inventariadas na data do encerramento das atividades do contribuinte, tomando-se como parâmetro o preço de aquisição mais recente; l) o valor da média aritmética do período fiscalizado no levantamento do estoque, na hipótese de o contribuinte não identificar o produto, na saída, com as mesmas especificações constantes da nota fiscal de entrada; m) o valor total da nota fiscal, acrescido do percentual de 20%, se outro não houver, referente à margem de agregação, por ocasião da não comprovação da saída, do território sergipano, das mercadorias em trânsito neste Estado, ou caso se trate de saída de mercadoria para outra UF e for comprovado que não houve saída do território sergipano pela falta de baixa do Termo de Responsabilidade ou do Termo de Transferência de Responsabilidade. Quando a mercadoria entrar no estabelecimento para fins de industrialização ou comercialização e for consumida ou integrada ao Ativo Permanente do estabelecimento, será acrescentado à base de cálculo o valor do IPI cobrado na operação de que decorreu a entrada. ( RICMS-SE/2002 , art. 23 , I a XIII, §§ 1º, 5º e 6º) INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS NA SUA PRÓPRIA BASE DE CÁLCULO - EXEMPLO PRÁTICO Esse mecanismo é oriundo do antigo Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), segundo o qual o montante do imposto integra a própria base de cálculo, constituindo seu destaque, na nota fiscal, como simples indicação para fins de controle. Isso resultou no que se convencionou chamar de "cálculo por dentro". Tal sistemática prevaleceu por ocasião do surgimento do atual ICMS. Para elucidação do exposto neste tópico, elaboramos o seguinte cálculo: Valor da mercadoria sem o ICMS embutido = R$ 200,00 Alíquota do ICMS para o produto = 18% = 0,18 Valor da mercadoria = Valor da mercadoria 1 - Alíquota do ICMS 1 - 0,18 (R$ 200,00 / 0,82) = R$ 243,90 Base de cálculo do ICMS = R$ 243,90 Destaque do ICMS na nota fiscal = R$ 43,90 INTEGRAM A BASE DE CALCULO DO ICMS: 50 - Ao IPI, quando o produto for destinado a consumidor ou usuário final, a estabelecimento prestador de serviço de qualquer natureza não considerado contribuinte do ICMS, ou para uso, consumo ou ativo imobilizado de estabelecimento de contribuinte; - Ao IPI, nas devoluções de mercadorias, caso na aquisição tiver o imposto federal integrado a base de calculo do ICMS; Ao seguro e ao frete (caso o transporte for realizado pelo remetente). NÃO INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO: - O valor do IPI quando a operação de saída: for realizada entre contribuintes do ICMS e relativa a produto destinado a comercialização, industrialização, bem como destinado ao prestador de serviços de qualquer natureza sujeitos ao ICMS; configurar fato gerador de ambos os impostos. Observação: Serão deduzidos da base de cálculo os descontos incondicionais constantes no documento fiscal. 6.1.7 - Não-cumulatividade e crédito do imposto O ICMS é um imposto dotado do princípio da não-cumulatividade, o que permite ao contribuinte compensar o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou à prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas operações e prestações anteriores pelo mesmo ou por outro Estado, conforme veremos a seguir. (Lei Complementar nº 87/1996, art. 19) 6.1.8 - Crédito do imposto O sujeito passivo tem o direito de creditar o imposto cobrado anteriormente e destacado nos documentos fiscais relativos às operações de entradas de mercadorias, reais ou simbólicas, no estabelecimento, inclusive as destinadas ao seu uso ou consumo ou ao Ativo Imobilizado, ou nos serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação vinculados a essas mercadorias. Ressaltamos que o contribuinte, para o exercício do direito à apropriação do crédito fiscal, deve respeitar o citado princípio da não-cumulatividade e observar as disposições contidas na legislação relativas às vedações, às exigências de estornos, às condições e aos procedimentos estabelecidos em normas estaduais. O direito de apropriação do crédito a ser compensado com o débito do imposto, reconhecido ao estabelecimento que receber as mercadorias ou tomar os serviços, está condicionado à idoneidade da documentação e, se for o caso, à escrituração nos prazos e nas condições estabelecidos na legislação. Esse direito se extingue depois de decorridos 5 anos contados da datade emissão do documento. (Lei Complementar nº 87/1996, arts. 20 e 23) a) Crédito na aquisição de material de uso ou consumo Os contribuintes só poderão creditar o imposto relativo a mercadorias destinadas ao uso ou consumo do estabelecimento que forem adquiridas a partir de 1º.01.2020. b) Crédito na aquisição de bens para integração ao Ativo Imobilizado 51 O contribuinte tem o direito ao crédito do imposto destacado nas notas fiscais de aquisição de bens destinados à integração ao Ativo Imobilizado e nos documentos relativos aos serviços de transportes desses bens, quando forem utilizados diretamente na atividade do estabelecimento comercial, industrial ou de prestação de serviços, sujeitos à tributação do ICMS ou, caso não sejam tributados, aos quais a legislação conceda o direito à sua manutenção. A apropriação desse crédito será feita à razão de 1/48 por mês, devendo a primeira fração ser apropriada no mês em que ocorrer a entrada no estabelecimento. Entretanto, esse crédito não será permitido, em cada período de apuração do imposto, em relação à proporção das operações de saída ou das prestações isentas ou não tributadas sobre o total das operações de saída ou prestações efetuadas no mesmo período. O montante do crédito a ser apropriado será obtido multiplicando-se o valor total do respectivo crédito pelo fator igual a 1/48 da relação entre o valor das operações de saídas e das prestações tributadas e o total das operações de saídas e prestações do período, equiparando-se às tributadas, para fins deste inciso, as saídas e prestações com destino ao exterior ou as saídas de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Ressaltamos que, se for o caso, ao final do 48º mês contado da data da entrada do bem no estabelecimento, o saldo remanescente do crédito que não tiver sido apropriado pelo estabelecimento será cancelado. (Lei Complementar nº 87/1996, art. 20 , § 5º, I a IV e VII) 6.1.9. Vedações ao direito de crédito Em obediência ao princípio da não-cumulatividade, o contribuinte não poderá creditar o imposto cobrado anteriormente nas operações e prestações relativas a entradas de mercadorias ou utilização de serviços das quais resultem operações ou prestações subseqüentes isentas ou não tributadas, ou que se refiram a mercadorias ou serviços alheios à atividade do estabelecimento. Salvo prova em contrário, presumem-se alheios à atividade do estabelecimento os veículos de transporte pessoal. 6.1.10 - Da suspensão do ICMS Ocorrerá a suspensão do ICMS nas operações em que a incidência deste ficar condicionada a evento futuro. Situações: ➢ Nas saídas internas, interestaduais e para o exterior de mercadorias destinadas a conserto ou reparo – prazo de 180 dias; ➢ Nas saídas internas remetidas para demonstração, desde que devam retornar ao estabelecimento de origem - prazo de 30 dias; ➢ Nas saídas internas e interestaduais destinadas a exposição ou feira, para fins de exposição ao público – 30 dias; ➢ Nas saídas de mercadorias em decorrência de mudança de endereço. OBS: Na documentação fiscal relativa ás operações com suspensão do imposto, será emitida nota fiscal sem destaque do ICMS e deverá constar a seguinte expressão: “ICMS suspenso – artigo 10º do RICMS/SE”. 52 Encerra-se a SUSPENSÃO quando: ➢ Não ocorrer o retorno da mercadoria; ➢ Ocorrer à saída da mercadoria do estabelecimento destinatário para o estabelecimento diverso do remetente. OBS: Ocorrendo a hipótese de venda das referidas mercadorias, será emitida outra nota fiscal com destaque do ICMS que será recolhido mediante documentação de arrecadação – DAR (artigo 125 do RICMS). 6.1.11 - Alíquotas Alíquota é o percentual que, aplicado à base de cálculo, determina o valor do imposto a recolher. As alíquotas internas de cada Estado são estabelecidas por lei estadual, e as alíquotas interestaduais são fixadas por meio de resolução do Senado Federal. Afixação da alíquota deve levar em consideração o princípio da seletividade em função da essencialidade do produto ou do serviço. Dessa forma, os produtos essenciais são tributados por uma alíquota menor. As alíquotas aplicadas nas operações interestaduais são fixadas pelo Senado Federal, e as atuais (7% e 12%) estão previstas na Resolução nº 22/1989. ( Constituição Federal de 1988 , art. 155 , § 2º, IV e V) Diferentemente do IPI, as alíquotas do ICMS não estão vinculadas à natureza dos produtos, mas sim ao tipo de operação. Relativamente às operações com mercadorias, as alíquotas, conforme consta no artigo 40 do Decreto 21400/2002. Para o Estado de Sergipe, a alíquota estabelecida nas operações internas para a maioria das mercadorias é de 18%, a partir de 1º.01.2016, e é aplicada: a) nas operações e prestações internas em que os remetentes ou prestadores e os destinatários das mercadorias, bens ou serviços estejam situados em Sergipe; b) nas entradas, no território deste Estado, de lubrificantes e combustíveis líquidos ou gasosos derivados de petróleo de outra Unidade da Federação, quando não destinados à comercialização, industrialização, produção, geração ou extração; c) nas operações de importação de mercadorias ou bens do exterior; d) nas operações de arrematação de mercadorias ou bens importados do exterior, quando apreendidos ou abandonados; e) na prestação de serviço de transporte realizado do estabelecimento exportador ou remetente, localizado neste Estado, até o porto, aeroporto ou zona de fronteira, situados em outra Unidade da Federação, relacionada com mercadoria destinada à exportação direta. Outras alíquotas são estabelecidas para operações e prestações internas, como constam no quadro a seguir. Código NCM Descrição Alíquota Amparo Legal 53 2402.20.00 Cigarros, cigarrilhas, charutos e fumos industrializados *30% RICMS-SE/2002 , arts 40 , XII e 40-A, V, "a" Serviços de telefonia, telex, fax e outros serviços de telecomunicações, inclusive serviço especial de televisão por assinatura *30% RICMS-SE/2002 , art.40, VI, "b", 40-A, V, "b" Gasolina automotiva *29% RICMS-SE/2002 , arts 40 , V, "a" e 40-A, VI Serviço de comunicação, exceto telefonia rural 28% Lei nº 8.040/2015 RICMS-SE/2002 , art. 40 , VI, "b" Bebidas alcoólicas *27% RICMS-SE/2002 , arts. 40 , VII, "b" e . 40-A, III, "d" 9301 Armas de fogo (por deflagração de pólvora),armas de ar comprimido, de mola ou de gás, para defesa pessoal, de tiro a alvo ou de caça, inclusive revólveres; pistolas, espingardas e carabinas, ainda que destinados a tiros de festim (sem bala) ou com êmbolo cativo para abater animais NCM - 93.01 a 9304; *27% RICMS-SE/2002 , arts. 40 ,VII, "e" , item 1, e 40-A, III, "j" Asa-delta *27% RICMS-SE/2002 , arts. 40 , VII, "c", 1 e 40-A, III, "f", item 1 Balões e dirigíveis *27% RICMS-SE/2002 , arts 40 , VII, "c", item 2 e. 40-A, III, "f", item 2 Partes e peças de asa-delta e de balões dirigíveis 27% RICMS-SE/2002 , arts. 40 , III e 40-A, III, "f", item 3 8903.10.00 Barcos infláveis *27% RICMS-SE/2002 , arts. art. 40 ,VII, "d", item 1 e. 40-A, III, "g", item 1 8903.99.00 Barcos a remo e canoas *27% RICMS-SE/2002 , arts. 40 , VII, "d", item 2 e 40-A, III, "g", item 2 *As alíquotas vigentes até 31.12.2018, foram acrescidas de 2% de acordo com o art. 40-A do RICMS-SE/2002 , correspondentes ao Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza. O recolhimento desse adicional deverá ser efetuado em separado, de acordo com os arts. 616-A e seguintes do RICMS-SE/2002 . As alíquotas interestaduais são: http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+lei+8040+2015#es-se+lei+8040+2015 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002#es-se+d+21400+2002 http://www.iobonline.com.br/pages/coreonline/coreonlineDocuments.jsf?il=y&ls=3&docFieldName=destino&docFieldValue=es-se+d+21400+2002@art40#es-se+d+21400+2002@art40 54 a) de 12%, nas operações e prestações interestaduais que destinem mercadorias, bens ou serviços de transporte ou de comunicação a contribuintes ou não do imposto; b) de 18%, nas prestações de serviço de transporte realizado do estabelecimento exportador ou remetente, localizado neste Esado, até o porto, aeroporto ou zona de fronteira, situados em outra Unidade da Federação, relacionado com mercadoria destinada à exportação; c) nas prestações de serviço de transporte aéreo: c.1) de 12%, nas prestações interestaduais de pessoas, cargas e mala postal, quando tomadas por não contribuinte do ICMS ou a este destinadas; c.2) de 4%, nas prestações interestaduais de transporte aéreo de passageiro, cargas e mala postal, quando tomadas por contribuintes do ICMS ou a este destinadas; d) de 4%, nas operações interestaduais com bens e mercadorias importados do exterior que, após o desembaraço aduaneiro, não tenham sido submetidos a processo de industrialização, ou, ainda, que submetidos a processo de transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento, recondicionamento renovação ou recondicionamento. Quadro de alíquotas interestaduais: 55 Deve ser notado que “operação interna” é aquela realizada dentro do mesmo estado da Federação (lembrar que o imposto é de competência dos estados). Merece, ainda, ser destacado, que nas operações interestaduais envolvendo contribuintes do imposto, com origem nos estados das regiões Sul e Sudeste (menos o Espírito Santo) e destino nos estados das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste mais o estado do Espírito Santo, a alíquota do ICMS é de 7% (sete por cento). Tal distinção visa beneficiar os estados de menor poder econômico da Federação. Nas operações nas quais o destinatário da operação não é contribuinte do imposto, a alíquota será sempre “cheia”, ou seja, 17% (dezessete por cento), independente da origem e do destino da transação. Em outros termos, não importa se a operação é interna ou interestadual, a alíquota será sempre a mesma para as operações até 31.12.2015. De acordo com a Emenda Constitucional nº 87/2015, serão aplicadas alíquotas 56 interestaduais nas operações para destinatários localizados em outras Unidades da Federação, sejam estes contribuintes ou não do ICMS. A legislação relacionada com o ICMS pode ser encontrada no sitio da Secretaria da Receita Estadual do Estado de Sergipe: www.sefaz.se.gov.br. Respeitando o sentido da não-cumulatividade, o imposto é apurado mensalmente por meio do confronto do total dos débitos fiscais com o total dos créditos fiscais, podendo resultar: Imposto a pagar (valor dos débitos superior ao valor dos créditos) ou Imposto a recuperar (valor dos débitos inferior ao valor dos créditos). Mesmo que se configure em uma situação rara em qualquer período de apuração, pode ocorrer de os débitos fiscais e os créditos fiscais apresentarem, exatamente o mesmo valor. Em tais situações, não há imposto a ser pago nem a ser recuperado. A apuração e consequente recolhimento do ICMS como comentado até aqui, corresponde àquilo que a legislação denomina como sistemática de apuração de “ICMS Normal”. Outras sistemáticas são encontradas no ordenamento tributário, cuja aplicação depende basicamente do tipo do contribuinte como, por exemplo, o ICMS Fonte, sistemática destinada a apuração do ICMS por parte de pequenos contribuintes. Como consequência alto índice de sonegação, a legislação impõe para uma quantidade significativa de produtos a obrigatoriedade de antecipação do imposto, via sistemática de Substituição Tributária. De modo objetivo, a aplicação da sistemática da substituição tributária obriga que como decorrência da entrada do produto no estado, o contribuinte antecipe o pagamento do imposto que será devido quando o produto for negociado no futuro. Ainda que, via de regra, antecipe o pagamento do imposto, na sua essência a sistemática de apuração pelo regime de substituição tributária é igual à sistemática de apuração normal, inclusive no que diz respeito à não-cumulatividade do imposto. 6.1.12 - REGIME NORMAL DE APURAÇÃO DO ICMS Com base na escrituração, o valor do ICMS a recolher resultará da diferença, a maior, em cada período mensal, entre o débito do imposto referente às saídas de mercadorias e/ou prestação de serviços e o crédito relativo às mercadorias adquiridas ou aos serviços utilizados, sendo que: 1)haverá saldo devedor, quando o débito for maior que o crédito do imposto; 2)haverá saldo credor, quando o débito for menor que o crédito do imposto; 3)o saldo credor verificado a favor do contribuinte num períodomensal será transferido para o período subseqüente; 4)no total do débito, em cada período, devem estar compreendidas as importâncias relativas: http://www.sefaz.se.gov.br/ 57 a) às saídas e às prestações de serviço com débito do imposto; b) aos estornos de créditos; c) a outros débitos; 5)no total do crédito, em cada período, devem estar compreendidas as importâncias relativas: a) às entradas e às prestações de serviços com crédito do imposto; b) ao eventual saldo credor do período anterior; c) aos estornos de débitos; d) a outros créditos. O ICMS é, por determinação constituicional, um imposto não cumulativo. Do imposto devido em cada operação será abatido o valor pago na operação anterior. É assegurado ao contribuinte, salvo disposição de lei em contrario, o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado relativo a mercadoria entrada em seu seu estabelecimento, em razão de operações regulares e tributadas. Para creditar-se do ICMS é necessário que este esteja destacado em documento fiscal emitido por contribuinte em situação regular perante o Fisco. O direito a esse credito está condicionada também á escrituração do respectivo documento fiscal no Livro de Registro de entradas. 6.1.13 - INFRAÇÕES E PENALIDADES Diversas são as infrações que podem ser cometidas pelo contribuinte e sujeitas a multas. Entre elas pode-se mencionar: a) deixar de pagar, no todo ou em parte, na forma e nos prazos regulamentares, o imposto - multa de 50% do imposto devido; b) deixar de pagar, no todo ou em parte, na forma e nos prazos regulamentares, o imposto, quando as operações ou as prestações e o valor a recolher estiverem regularmente escriturados nos livros fiscais ou respectivos mapas - multa equivalente a 25% do imposto devido; c) entregar, remeter, transportar, receber, estocar ou depositar mercadoria, prestar ou utilizar serviço sem documentação fiscal ou sendo esta inidônea - multa equivalente a 50% do valor da operação ou da prestação; d) deixar de emitir documento fiscal - multa equivalente a 20% do valor da operação ou da prestação; e) emitir documento fiscal com preço de mercadoria ou de serviço acentuadamente inferior ao que alcançaria, na mesma época, mercadoria ou serviço similar no mercado do domicílio do emitente, sem motivo devidamente justificado - multa equivalente a uma vez o valor do imposto devido. ( RICMS-SE/2002 , art. 831 , I, "c", "d", III, "a", "b" e "e") 6.2 – ICMS ANTECIPADO - REGRA GERAL 58 O regime de recolhimento do imposto por antecipação tributária foi instituído com a finalidade de controle da arrecadação do ICMS por parte do Fisco estadual. Por essa forma de recolhimento do imposto, o Fisco exige que, em relação a determinadas operações, o imposto seja pago antes da entrada da mercadoria no estabelecimento adquirente. Entretanto, em casos específicos, o Fisco pode determinar prazos especiais para pagamento do imposto devido por antecipação tributária. A antecipação tributária pode ocorrer com ou sem encerramento da fase de tributação, na forma estabelecida na legislação do imposto. A antecipação tributária constitui uma forma de pagamento antecipado do imposto relativo a operações, quando da entrada de mercadorias, provenientes de unidades da federação, com destino aos comerciantes atacadista e/ou varejistas. 6.2.1 - BASE DE CÁLCULO A antecipação tributária das mercadorias é calculada de acordo com o valor que serviu de base de cálculo para o ICMS da operação de origem, observando–se ainda o que segue: a) Estando o contribuinte apto perante o Fisco deste Estado, a mesma deve ser acrescida de 10% referente á margem de valor agregado – MVA b) Estando o contribuinte inapto perante o fisco deste Estado, a mesma deve ser acrescida de 30% referente à margem de valor agregado –MVA. 6.2.2 - APURAÇÃO DO IMPOSTO: O valor do ICMS a ser retido será apurado mediante a aplicação da alíquota prevista para as operações internas, sobre a base de cálculo, deduzindo-se o valor do ICMS destacado na Nota Fiscal. Na entrada interestadual deve ser observado se o contribuinte está apto, ou se está inapto. Contribuinte Inapto: 1) tenha débito inscrito na Divida Ativa do estado; 2) tenha cheque devolvido emitido a favor da SEFAZ; 3) Não esteja em dias com suas obrigações acessórias; 4) Esteja com inscrição no CACESE suspensa; 5) Não tenha atendido a notificação emitida pelo Fisco Estadual; 6) Não estiver em dia com suas obrigações principais e acessórias; 7) Deixar de recolher o ICMS dentro dos prazos regulamentares, etc. Os contribuintes aptos perante o Fisco terão prazo de recolhimento fixado pela Secretaria de Fazenda. O mesmo receberá no seu estabelecimento o documento de Arrecadação emitido pelo Sistema de Fronteira no qual constará o número da Nota Fiscal e a data do pagamento. 59 A antecipação Tributária realizada na forma acima, não encerra a fase de tributação dos produtos, isto é, as suas subseqüentes saídas serão tributadas normalmente. O que foi pago a título de antecipação tributária será recuperado pelo contribuinte no mesmo período do recolhimento mediante lançamento dos valores no livro registro de apuração do ICMS. Ficam sujeitas ao pagamento antecipado do ICMS com encerramento de fase de tributação, as entradas interestaduais a seguir, destinadas a comerciantes atacadistas e/ou varejistas: - as mercadorias sujeitas a substituição tributária, nas hipóteses em que o contribuinte substituto: não tenha efetuado a retenção, não esteja inscrito no CACESE ou esteja com sua inscrição no CACESE suspensa ou cancelada. Observação: A pessoa, física e jurídica que realize operações ou prestações de serviços sujeitas ao ICMS deverá, antes de iniciar suas atividades, providenciar inscrição no Cadastro de Contribuintes do Estado de Sergipe (CACESE). O CACESE tem por finalidade a identificação, localização e classificação de todos os contribuintes do ICMS, inclusive dos estabelecimentos autônomos, permanentes ou temporários, que serão agrupados segundo as seguintes categorias de atividades econômicas: a) indústria e comércio; b) produtor rural e empresas agrícolas, de criação de animais, de pesca e de extração mineral; e c) prestação de serviço. 6.2.3.FORMAS DE ANTECIPAÇÃO TRIBUTÁRIA a) Antecipação Tributária Parcial b) Antecipação Tributária Integral A antecipação tributária parcial consiste na forma de pagamento antecipado do imposto, referente ás mercadorias provenientes de outras unidades de Federação, destinadas a comerciantes atacadistas e/ou varejistas, não indicados na tabela I, do Anexo X do RICMS. Nessa hipótese, o fisco cobra apenas parte do imposto devido, correspondente à diferença de alíquota interestadual do Estado de origem da mercadoria e a alíquota interna aplicada neste Estado. Vale ressaltar que, nesse caso, o contribuinte não é obrigatório a pagar o imposto por ocasião da entrada da mercadoria no Estado de Sergipe, no primeiro posto fiscal, pois o prazo de pagamento é previsto em ato do secretario de Estado da Fazenda. O valor a ser cobrado a título de antecipação parcial do imposto será encontrado aplicando-se sobre o valor da operação os seguintes percentuais: a) De 10% ou 18%, a depender da alíquota aplicada neste estado, se 17% ou 25%, respectivamente, quando as mercadorias forem provenientes das regiões Sul e Sudeste; b) De 5% ou 13% , a depender das alíquotas aplicada neste estado, se 17% ou 25%, respectivamente, quando as mercadorias forem provenientes das regiões Norte, Nordeste e centro oeste. 6.2.3.1.EXCEÇÕES À ANTECIPAÇÃO TRIBUTÁRIA PARCIAL 60 O regime de Antecipação Tributária Parcial não se aplica: Nas operações com mercadorias elencadas nos Anexos IX e X do RICMS Nas operações beneficiadas por suspensão, isenção e não incidência do imposto; Nas aquisições de mercadoriaspara quais a alíquota interna aplicável é de 7%. 6.2.3.2.ANTECIPAÇÃO TRIBUTÁRIA INTEGRAL A antecipação tributária integral consiste na forma de pagamento antecipado do imposto, referente às mercadorias provenientes de outras Unidades da Federação, destinadas a comerciantes atacadistas e/ou varejistas, constantes da Tabela I, do Anexo X, do RICMS, e o pagamento do imposto será efetuado na primeira repartição fazendária estadual por onde transitar as mercadorias. O regime de Antecipação Tributária Integral, de acordo com o art. 276, parágrafos 1º e 2º, aplica-se também: Às mercadorias provenientes de outra Unidade da Federação, sujeitas à substituição tributária, nas hipóteses em que o contribuinte substituto: - não tenha efetuado a retenção; - não esteja inscrito no CACESE - Esteja com sua inscrição no CACESE suspensa ou cancelada. 6.3 - ICMS - SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Nos termos dos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 87/1996, o Estado pode atribuir de modo expresso a terceiros, vinculados e com interesse no fato gerador do imposto, a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária. Esse mecanismo constitui a figura da substituição tributária, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este um caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Por imposição legal, a substituição tributária consiste em atribuir a determinado contribuinte do ICMS, qualificado como contribuinte substituto, a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto devido por outros contribuintes substituídos. No Estado de Sergipe, as regras gerais da substituição tributária estão previstas nos arts. 675 a 690 do RICMS/SE(Decreto nº 21.400/2002). Ficam sujeitas ao regime de substituição às operações com mercadorias indicadas nos Anexo IX do RICMS. A Substituição Tributária (ST) é o regime pelo qual a responsabilidade pelo ICMS devido em relação às operações ou prestações de serviços é atribuída a outro contribuinte. 61 A adoção do regime de substituição tributária em operações interestaduais dependerá de acordo específico celebrado pelos Estados interessados. O contribuinte substituto para cálculo e recolhimento do ICMS da substituição tributária observará as normas da legislação da unidade da Federação de destino da mercadoria. Exemplo: empresa situada no estado de SP, remetendo mercadorias sujeitas à substituição tributária para SE, deverá observar às disposições da legislação Sergipe, no que se refere à alíquota, base de cálculo, margem de valor agregado e demais normas aplicáveis ao recolhimento do ICMS da substituição tributária. 6.3.1. RESPONSABILIDADE PELA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do ICMS na condição de contribuinte substituto poderá ser atribuída, em relação ao imposto incidente, sobre uma ou mais operações ou prestações antecedentes, concomitantes ou subsequentes, inclusive sobre o valor decorrente da diferença entre as alíquotas interna e interestadual, nas operações e prestações interestaduais que destinem bens e serviços a consumidor final localizado neste Estado que seja contribuinte do ICMS. A atribuição da responsabilidade se dará em relação a mercadorias, bens ou serviços indicados no Anexo IX do RICMS/SE, e, além de outras hipóteses previstas na legislação, a substituição tributária não exclui a responsabilidade solidária do contribuinte substituído pela satisfação integral ou parcial da obrigação tributária, nas hipóteses de erro ou omissão do substituto. 6.3.2 - CONTRIBUINTE SUBSTITUTO É o responsável pela retenção e recolhimento do imposto incidente em operações ou prestações antecedentes, concomitantes ou subsequentes, inclusive do valor decorrente da diferença entre as alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações de destinem mercadorias e serviços ao consumidor final. Em regra geral será o fabricante ou importador no que se refere às operações subsequentes. 6.3.3.CONTRIBUINTE SUBSTITUIDO É aquele que tem o imposto devido relativo às operações e prestações de serviços pago pelo contribuinte substituto. O contribuinte que receber, de dentro ou de fora do Estado, mercadoria sujeita à substituição tributária, sem que tenha sido feita a retenção total na operação anterior, fica solidariamente responsável pelo recolhimento do imposto que deveria ter sido retido. 62 Fica atribuída a responsabilidade de retenção e recolhimento do ICMS substituto na condição de contribuinte substituto: Por exemplo, foi instituída pela legislação do ICMS a todos os fabricantes de cigarros: são eles obrigados a recolher, além do ICMS dos produtos que saem de sua industria o valor do ICMS que será devido pelo comerciante vendedor desse produto no varejo, antecipado, portanto, o ICMS, cujo fato gerador ocorreria mediante a venda ao consumidor. A responsabilidade pela substituição tributária poderá ser atribuída: Nas operações interestaduais: * ao remetente, industrial e/ou distribuidor localizado em outra Unidade de Federação, nas saídas destinadas a contribuinte neste estado, cujas mercadorias se encontram listadas no Anexo IX do RICMS; Nas operações internas: * ao contribuinte estabelecido neste Estado em relação às operações internas; - o industrial ou importador, em relação a saída de mercadorias ou bens indicados no art. 681/RICMS; - o remetente, na saída, de mercadorias destinada a feirante, barraqueiro, bodegueiro, açougueiro, ambulante, cantina não inscrito no CACASE; - o industrial, em relação a saída dos produtos da Cesta Básica. 6.3.4 - DIREITO DE CREDITO – VEDAÇÃO Considerando o que mencionamos acima, no sentido de que as operações de saída de mercadorias que foram submetidas ao regime de substituição tributária, ocorrem sem debito do imposto, como conseqüência lógica, temos que as respectivas entradas não geram o DIREITO DE CRÉDITO. Essa vedação do direito de credito encontra-se disciplinada na Lei 3.796/96, em seu art. 34 inciso III, combinado com o art. 48 inciso III e parágrafos 6º e 7º. 6.3.5 - BASE DE CÁLCULO (BC) A Lei Complementar 87/1996 em seu artigo 8º, ao tratar do regime de sujeição passiva por substituição, determina que a base de cálculo será o valor correspondente ao preço de venda a consumidor acrescido do valor do frete, IPI e demais despesas debitadas ao estabelecimento destinatário, bem como a parcela resultante da aplicação (sobre esse total) do percentual de valor agregado (margem de lucro). Esse percentual é estabelecido em cada caso de acordo com as peculiaridades de cada mercadoria. BC = (Valor mercadoria + frete + IPI + outras despesas) + MVA Margem de valor agregado http://www.portaltributario.com.br/legislacao/lc87.htm 63 A margem de valor agregado será determinada com base em preços usualmente praticados no mercado, obtidos por levantamento, ainda que por amostragem ou através de informações e outros elementos fornecidos por entidades representativas dos setores, adotando-se a média ponderada dos preços coletados. A mercadoria submetida ao regime de substituição tributária em operação interestadual terá a margem de valor agregado estabelecida em Convênio ou Protocolo. 6.3.6 - APURAÇAO DO IMPOSTO O valor do ICMS a ser retido será apurado mediante a aplicação da alíquota prevista para as operações internas, sobre a base de calculo, deduzindo-se o valor do ICMS destacado na Nota Fiscal. Exemplo de cálculo de operação interna em uma transação com mercadoria de MVA de 20% e IPI de 4%.: Base de cálculo ICMS da operação própria R$ 3.000,00 ICMS operação própria (R$ 3.000,00 x 17%) R$ 510,00 Base de cálculo ICMS da substituição tributária [Preço da mercadoria (R$ 3.000,00) + IPI (alíquota 4% = R$ 120,00) + Margem de lucro (20% = R$ 3.744,00)] R$ 3.744,00 Valor do ICMS-ST = ICMS-ST - ICMS operação própria, em que:▪ Recíproca - os entes tributantes não podem cobrar impostos uns dos outros. ▪ Templos - não poderão ser cobrados impostos sobre os templos religiosos de qualquer culto. ▪ Partidos Políticos e Entidades Sindicais ▪ Livros e Jornais • ISENÇÃO – é quando ocorre o fato gerador e a lei proíbe a cobrança do tributo. IMUNIDADE ISENÇÃO Previsto na Constituição Federal. Previsão em lei. Impede a atuação do legislador. Impede o lançamento tributário. Exclui a hipótese de incidência (descrição legal, abstrata, de uma situação definida como fato gerador). Não exclui a hipótese de incidência (descrição legal, abstrata, de uma situação definida como fato gerador). Não cabe cogitar a ocorrência de fato gerador (concreto). Não exclui o fato gerador (concreto). Não cabe cogitar surgimento de obrigação tributária. Ocorrido o fato gerador, nasce normalmente a obrigação tributária. Não cabe cogitar a existência de crédito tributário. Exclui o crédito tributário, isto é, afasta a possibilidade de constituição do crédito tributário, não obstante a existência da obrigação tributária. Alexandrino e Paulo (2009, p. 68) esquematizam as diferenças entre imunidade e isenção: 2.4. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA A Competência para a instituição de tributos está atribuída pelo artigo 145 da CF aos entes políticos da Federação, quais sejam União, Estados, Distrito Federal e Municípios, de modo que esses entes possam instituir e gerenciar seus próprios tributos, cada um dentro do seu campo de atuação. Segue abaixo a competência de cada ente e suas espécies tributárias. CATEGORIA GOVERNO ESPÉCIES Comércio Exterior União Imposto sobre Importação - II Imposto sobre Exportação - IE Patrimônio e Renda União Imposto sobre a Renda – IR Imposto Territorial Rural - ITR Estados Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores – IPVA Imposto sobre causa mortis e doação - ITCMD Municípios Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU Imposto sobre Transmissão Inter Vivos - ITBI Produção e Circulação União Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Imposto sobre Operações Financeiras - IOF Estados Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS Municípios Imposto sobre Serviços - ISS 7 Contribuições Sociais União Financiamento da Seguridade Social - COFINS Programa de Integração Social - PIS Patrimônio do Servidor Público - PASEP Lucro Líquido – CSLL Previdenciária do Servidor Público Estados e Municípios Previdenciária do Servidor Público Diante de todos os tributos e regras de tributação existentes no Brasil, os economistas afirmam que o Sistema Tributário Brasileiro foi instituído no modelo regressivo, e por esse motivo a Reforma Tributária foi assunto durante tantos anos. A Reforma Tributária no Brasil, que tem sido bastante discutida ao longo dos últimos anos, foi promulgada em 20.12.2023, com grande impacto para as empresas de todas as áreas, sejam elas da Indústria, do Comércio ou de Serviços. Com a aprovação da Reforma Tributária, o Governo busca, principalmente, uniformizar a tributação em território nacional com legislação e regulamentação única, conferindo estabilidade, transparência e segurança aos contribuintes. 2.5 - Quadro comparativo do STN sem e com a reforma tributária Tributação sobre o consumo Antes da Reforma Tributária Depois da Reforma Tributária Incidência de IPI, Contribuição para o PIS/Pasep, Cofins, ICMS e ISS. Incidência de CBS, IBS e IS. A tributação pode ser cumulativa ou não cumulativa. A tributação será não cumulativa, exceto em relação ao IS. Há tributo que compõe a sua própria base de cálculo (tributação por dentro) Os tributos não irão compor as suas próprias bases de cálculo (tributação por fora). Não cumulatividade parcial Não cumulatividade plena, exceto em relação ao IS. Regras diversas para cada tributo, existindo regras específicas para cada estado (ICMS) e município (ISS). Regras unificadas para CBS e IBS, havendo uniformização para todo território nacional. Grande número de exceções e regimes especiais. Expressiva redução do número de exceções e regimes especiais. 8 Tributação sobre a propriedade Tributo Antes da Reforma Tributária Depois da Reforma Tributária IPTU Para haver alteração da base de cálculo do IPTU, é necessária a edição de Lei Municipal, pela Câmara de Vereadores. Os prefeitos poderão alterar a base de cálculo do IPTU por meio de decreto. IPVA Incide, exclusivamente, sobre veículos automotores, com alíquotas diferenciadas em razão do tipo e utilização. Passará a incidir também sobre aeronaves e embarcações (aviões, helicópteros, jet-skis, lanchas e iates), com alíquotas variáveis em razão do tipo, valor, utilização e impacto ambiental, beneficiando os veículos menos poluentes. ITCMD Alguns estados já implementaram alíquotas progressivas de tributação, em razão do valor do patrimônio transferido; não há incidência sobre heranças do exterior. A tributação progressiva passará a ser obrigatória, em razão do valor do patrimônio transferido; incidirá também sobre as heranças do exterior; será cobrado pelo estado de domicílio do falecido; e não incidência sobre as doações feitas às entidades sem fins lucrativos, beneficentes e institutos científicos e tecnológicos. 3. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E CONTABILIDADE O governo brasileiro busca constantemente aprimorar o sistema de tributação, introduzindo mudanças na legislação tributária para estabelecer novos critérios de apuração de impostos e contribuições, além de fortalecer o controle sobre a arrecadação. Essas alterações impactam diretamente a contabilidade das empresas, exigindo contínuas adaptações e atualizações nos processos contábeis e fiscais. Entre as principais mudanças legislativas que influenciaram a contabilidade e o sistema tributário, destacam- se: • Leis nº 9.249/1995 e nº 12.973/2014: Essas leis introduziram significativas alterações tributárias, incluindo o fim do Regime Tributário de Transição (RTT), que buscava alinhar as normas contábeis às exigências fiscais. A Lei nº 12.973/2014 consolidou esse processo, promovendo maior integração entre a contabilidade societária e a apuração tributária. • Atualizações na Lei nº 6.404/1976 pelas Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009: Essas alterações marcaram a adoção das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS) no Brasil, trazendo maior transparência e comparabilidade às demonstrações financeiras. Contudo, também demandaram ajustes relevantes na contabilidade tributária para atender às novas exigências. • Criação do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital: Lançado em 2007, o SPED modernizou a relação entre o Fisco e os contribuintes, ao integrar diversas obrigações acessórias em um ambiente digital. Entre os subprojetos mais relevantes estão: o EFD ICMS/IPI (SPED Fiscal); o EFD Contribuições (SPED PIS/Cofins); o ECD (Escrituração Contábil Digital); 9 o ECF (Escrituração Contábil Fiscal). Nos últimos anos, novas iniciativas têm reforçado a conexão entre contabilidade e tributação: • Declaração Pré-Preenchida (a partir de 2022): A implementação dessa medida permitiu que contribuintes acessassem a Declaração de Imposto de Renda já preenchida com dados automaticamente integrados de empresas e instituições financeiras, facilitando o cumprimento das obrigações fiscais. • Simplificação de Obrigações Acessórias: Desde 2021, esforços para desburocratizar o sistema tributário resultaram na unificação de declarações, como a DCTFWeb, e na substituição gradual de obrigações como o CAGED. • Reforma Tributária em Debate (2023): Propostas como a unificação de tributos por meio do IVA Dual (CBS e IBS) visam aumentar a transparência e eficiência do sistema tributário, impactando diretamente os critérios de apuração e escrituraçãoICMS-ST (R$ 3.744,00 x 17% = R$ 636,48) - ICMS operação própria (R$ 510,00) = R$ 126,48 R$ 126,48 Valor total da nota fiscal (valor dos produtos + IPI + ICMS-ST) R$ 3.126,48 6.3.7 - ESCRITURAÇÃO FISCAL A escrituração fiscal, nessas operações segue o disposto no artigo 289 do RICMS, nos seguintes termos: a) A Nota Fiscal de aquisição será escriturada no Livro Registro de Entradas, nas colunas sob os títulos “ICMS – Valores fiscais” e “Operações sem credito do Imposto – Outras”, fazendo constar na coluna “Observações” a expressão “ICMS retido”; b) As Notas Fiscais relativas ás saídas serão escrituradas no livro de Registro de Saídas, nas colunas sob os títulos “ICMS – Valores Fiscais” e “Operações sem Débito do imposto – Outras”, fazendo constar na coluna “Observações” a expressão “ICMS retido” 6.3.8 - INFRAÇÕES E PENALIDADES O contribuinte está sujeito às seguintes penalidades: a) multa equivalente a 2 (duas) vezes o valor do imposto retido e não recolhido, nos casos de substituição tributária previstos na legislação; b) multa equivalente a 50% do valor do imposto não retido, caso deixe de reter o imposto nas hipóteses de substituição tributária previstas na legislação tributária. (RICMS-SE/2002, art. 831, I, "e" e "f”) A titulo de exemplo segue abaixo algumas alíquotas de produtos sujeitos a substituição tributária. MERCADORIAS E SERVIÇOS MVA 1 - aguarrás 35% 2 - ceras, encáusticas, preparações e outros. 35% 64 6.4 - ICMS DIFERENÇA DE ALÍQUOTA O contribuinte do ICMS que adquirir bens ou mercadorias provenientes de outra Unidade da Federação destinados a consumo ou a Ativo Permanente, bem como utilizar serviço de transporte ou de comunicação a esses relacionados, recolherá o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, conforme estabelece a legislação sergipana, especialmente o RICMS-SE/2002, aprovado pelo Decreto nº 21.400/2002. (RICMS-SE/2002, art. 535, caput) 3 - cerveja (Prot. ICMS 1 nº 1/1991): 3.1 - quando o remetente for industrial, importador ou arrematante; 3.2 - quando o remetente for distribuidor, depósito ou estabelecimento atacadista; 140% 70% 4 - chope (Prot. ICMS 1 nº 1/1991): 4.1 - quando o remetente for industrial, importador ou arrematante; 4.2 - quando o remetente for distribuidor, depósito ou estabelecimento atacadista; 140% 115% 5 - cigarro, cigarrilha, charuto e outros produtos derivados do fumo, classificados na posição 2402 e no código 2403.10.0100 da NBM/SH; 50% 6 - cimento; 20% 7 - corantes; 35% 8 - discos fonográficos, disquetes para microcomputadores; 30% 9 - disco fonográfico, fita virgem ou gravada e outros suportes para reprodução ou gravação de som ou imagem. 25% 10 - filmes fotográficos e cinematográficos e "slides"; 40% 11 - fitas de vídeo, fitas cassete; 30% 12 - impermeabilizantes 35% 13 - lâmina de barbear, aparelho de barbear e isqueiro de bolso a gás, não recarregável. 30% 14 - lâmpada elétrica e eletrônica. 40% 15 - massa de polir (3405.30.0000 da NBM/SH); 35% 16 - massa para acabamento, pintura ou vedação: 35% 18 - piche (pez) (2706.00.0000, 2715.00.0301, 2715.00.0399 e 2715.00.9900 da NBM/SH); 35% 19 - pilhas e baterias elétricas, classificadas respectivamente nas posições 8506 da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias - Sistema Harmonizado 40% 20 - pneus dos tipos utilizados em (4011, 4013 e 4012.90.0000 da NBM): 20.1 - automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto - caminhonetas, e os automóveis de corridas); 20.2 - caminhões (inclusive para os de fora-de-estrada), ônibus, aviões, máquinas de terraplenagem, de construção e conservação de estradas, máquinas e tratores agrícolas, e pás-carregadeiras; 42% 32% 21 - pneus para motocicletas; 60% 22 - polvilho azedo de mandioca; 110% 65 6.4.1 - INCIDÊNCIA O ICMS incide sobre a entrada de mercadoria, bem ou utilização de serviço, efetuada por contribuinte do imposto, em decorrência de operação ou prestação interestadual, quando a mercadoria ou o bem forem destinados ao seu consumo ou Ativo Permanente, ou quando o serviço não estiver vinculado a operação ou prestação subsequente. Para os efeitos de pagamento da diferença de alíquotas, ocorre o fato gerador do ICMS no momento: a) da entrada, no estabelecimento de contribuinte, de mercadoria oriunda de outra Unidade da Federação, destinada a consumo ou Ativo Permanente; b) da utilização, ou recepção, por contribuinte, de serviço de transporte ou de comunicação cuja prestação tenha se iniciado em outra Unidade da Federação, quando o serviço não estiver vinculado a operação ou prestação subsequentes. Não são considerados materiais de uso ou consumo as mercadorias ou materiais adquiridos por prestador de serviços para emprego ou aplicação na prestação de serviço de qualquer natureza.( RICMS-SE/2002 , art. 1º , IX, e art. 3º , XIII e XIV, § 6º) 6.4.2 - NÃO INCIDÊNCIA Não é devido o pagamento da diferença de alíquotas: a) nas aquisições de mercadorias ou materiais efetuadas por prestador de serviço para emprego ou aplicação como insumos, na prestação de serviços não onerada pelo ICMS, inclusive quando se tratar de estabelecimento que desenvolva atividades mistas; b) nas aquisições de bens ou materiais pela arrendadora ou arrendatária, tratando-se de arrendamento mercantil; c) em caso de a operação de remessa não estar no campo de incidência do imposto; d) na prestação de serviço de transporte relativo à aquisição de mercadorias ou bens: d.1) a preço cost, insurance and freight (CIF); d.2) a preço free on board (FOB), se o transporte for efetuado em veículo do vendedor ou remetente, quando a parcela do frete estiver incluída no valor da operação. (RICMS-SE/2002 , art. 535 , parágrafo único, e art. 541 ) 6.4.3 - LOCAL DA OPERAÇÃO PARA FINS DE COBRANÇA DO ICMS Relativamente ao pagamento da diferença de alíquotas, o local da operação ou prestação, para efeito de cobrança do ICMS e definição do estabelecimento responsável, é o do estabelecimento que adquirir em operação interestadual mercadorias ou bens para consumo ou Ativo Permanente.( RICMS-SE/2002 , art. 19 , I, "j") 6.4.4 - MERCADORIAS OU BENS AMPARADOS POR ISENÇÃO OU OUTRO BENEFÍCIO 66 É devido o imposto correspondente à diferença de alíquotas, mesmo quando as mercadorias ou bens, adquiridos em outras Unidades da Federação, estiverem amparados por isenção ou qualquer outro benefício fiscal sem que, no Estado de Sergipe, recebam idêntico tratamento. (RICMS-SE/2002 , art. 536 ) 6.4.5 - VALOR DO IMPOSTO Para efeito do cálculo do diferencial de alíquota devido, deve ser observado o disposto no inciso IX do art. 11 da Lei nº 3.796, de 26 de setembro de 1996, na redação dada pela Lei nº 8.041, de 1º de outubro de 2015. A SEFAZ/SE não disponibilizou nenhuma planilha ainda com relação a PORTARIA N. 253 SEFAZ, DE 7-6-2016 (DO-SE DE 16-6-2016). O valor do imposto a recolher será obtido inicialmente retirando o ICMS de origem e após isso incluindo o valor do ICMS de destino e desse valor encontrado, aplicando-se a diferença entre as alíquotas interna e interestadual. Para efeito de recolhimento do imposto relativo à diferença de alíquotas, o contribuinte observará a alíquota legalmente prevista para operação ou prestação interestadual, ainda que outra seja indicada no documento fiscal. ( RICMS-SE/2002 , art. 538 ) 6.4.6 - Exemplo prático O contribuinte deste Estado adquire de contribuinte localizado no Estado de São Paulo mercadoria para integrar o Ativo Imobilizado do estabelecimento, no valor de R$ 10.000,00. O imposto devido a título de diferença de alíquotas será calculado da seguinte forma: EXEMPLO Valor da operação (nesse caso = valor da base decálculo) R$ 10.000,00 Alíquota interestadual aplicada pelo remetente 7% ICMS destacado na nota fiscal: 7% x R$ 10.000,00 R$ 700,00 Valor sem o ICMS de origem R$ 9.300,00 Valor com a inclusão do ICMS de destino (18%) R$ 11.341,46 Alíquota interna = 18%, portanto, diferença de 18% - 7% 11% Diferencial de alíquotas = 11% x R$ 11.341,46 (valor da operação) R$ 1.247,56 6.4.7 - PRAZO DE PAGAMENTO O recolhimento do imposto relativo à diferença de alíquotas será feito mensalmente, até o dia 9 do mês subsequente ao dos fatos geradores. (RICMS-SE/2002, art. 540; Portaria nº 1.116/2000, Anexo I) 6.4.8 - CRÉDITO http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/diferencial_de_aliquota 67 Constitui crédito fiscal, para fins de cálculo do ICMS a recolher, o valor do imposto pago referente ao diferencial de alíquotas. O crédito somente poderá ser utilizado após o seu pagamento. (RICMS-SE/2002, art. 47, X, § 9º) A diferença de alíquotas será escriturada no livro Registro de Entradas, na coluna "Observações", relativamente aos totais das diferenças de alíquotas, cujos valores serão apurados segundo a alíquota interna aplicável à respectiva espécie de mercadoria ou serviço, tratando-se de: a) mercadoria oriunda de outra Unidade da Federação e destinada: a.1) ao Ativo Permanente; a.1.1) para manutenção das atividades do estabelecimento; a.1.2) sendo a mercadoria alheia às atividades do estabelecimento; a.2) a uso ou consumo do estabelecimento; b) utilização de serviço cuja prestação tenha sido iniciada em outra Unidade da Federação e não esteja vinculada a operações ou prestações subsequentes. A diferença de alíquotas será escriturada no livro Registro de Apuração do ICMS, no quadro "Crédito do Imposto", item "Outros Créditos": a) tratando-se de bens do Ativo Imobilizado procedentes de outras Unidades da Federação, inclusive os serviços de transporte correspondentes, observando-se que o lançamento do crédito ocorrerá em 48 parcelas; b) a partir de 1º.01.2020, tratando-se de bens de uso e consumo procedente de outras Unidades da Federação, inclusive os serviços de transporte correspondentes. (RICMS-SE/2002 , art. 47 , § 17, I, "b", II, "b", 2) 6.4.9 - DEVOLUÇÃO E CRÉDITO DA DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS Devolução é o cancelamento ou a anulação de uma venda e segue o mesmo regime jurídico da operação anterior. Na hipótese de devolução de bens do Ativo Permanente ou de material de uso ou consumo cuja diferença de alíquota já tenha sido recolhida, embora não conste na legislação, entende que o contribuinte tem o direito ao crédito respectivo, em face do princípio da não cumulatividade do imposto. 6.4.10 - INFRAÇÕES E PENALIDADES As infrações à legislação do ICMS sujeitam o contribuinte, entre outras, às seguintes penalidades: a) multa equivalente a 50% do valor do imposto devido, se deixar de pagá-lo, no todo ou em parte, na forma e nos prazos regulamentares, quando as operações ou as prestações e o valor a recolher não estiverem escriturados em livros específicos ou respectivos; b) multa equivalente a 25% do imposto devido, se deixar de pagá-lo, no todo ou em parte, na forma e nos prazos regulamentares, quando as operações ou as prestações e o valor a recolher estiverem regularmente escriturados nos livros fiscais ou respectivos mapas; 68 c) multa de 20% do valor do crédito antecipadamente aproveitado, sem prejuízo da cobrança do imposto que deixou de ser recolhido em razão de sua utilização antecipada. 7 REFERÊNCIAS • BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. • FABRETTI, Láudio Camargo. Contabilidade Tributária. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2001. • LEMOS, Alexandre Marques Andrade. Gestão Tributária de Contratos e Convênios. Bahia: Open Editora, 2014. • MARCHEZIN, Glauco. Manual Prático de Retenção de Impostos e Contribuições. São Paulo: IOB, 2013. • OLIVEIRA, Gustavo Pedro de. Contabilidade Tributária. São Paulo: Saraiva, 2013. • OLIVEIRA, Luís Martins et al. Manual de Contabilidade Tributária. São Paulo: Atlas, 2012. • MÁRIO, José Carlos et al. Guia Fiscal para o Profissional da Área Contábil. São Paulo: IOB, 2014. • PADOVEZE, Clóvis Luis. Contabilidade e Gestão Tributária. São Paulo: Cengage, 2017. Legislação Consultada: • BRASIL. Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018. Regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. • BRASIL. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Dispõe sobre a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, institui a não-cumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e dá outras providências. • BRASIL. Lei nº 9.711, de 20 de novembro de 1998. Altera a legislação tributária federal e dá outras providências. • BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009. Dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e das contribuições devidas a terceiros. • BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 2.185, de 5 de abril de 2024. Altera as normas gerais de tributação previdenciária e atualiza procedimentos relacionados às contribuições sociais destinadas à Previdência Social. • BRASIL. Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. Dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, e dá outras providências. • BRASIL. Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. Altera a legislação tributária federal relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins; revoga o Regime Tributário de Transição (RTT) instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009; e dá outras providências. • BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 2.145, de 26 de junho de 2023. Regulamenta a retenção de tributos em pagamentos efetuados por estados e municípios, em conformidade com a decisão do STF sobre o IRRF. Disponível em: normas.receita.fazenda.gov.br. • BRASIL. Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025. Regulamenta a reforma tributária sobre o consumo, conforme instituído pela Emenda Constitucional nº 132. • SERGIPE. Secretaria de Estado da Fazenda. Portaria nº 253, de 7 de junho de 2016. Dispõe sobre procedimentos fiscais no âmbito do Estado de Sergipe. • SERGIPE. Lei nº 8.041, de 1º de outubro de 2015. Institui o Código de Defesa do Contribuinte do Estado de Sergipe e dá outras providências.contábil. Além disso, alguns desafios e avanços continuam em pauta: • Convergência Contábil e Tributária: A harmonização entre as normas contábeis (CPCs) e as regras tributárias permanece uma prioridade. A busca por diretrizes que reduzam conflitos na interpretação de receitas, despesas e lucros é essencial para alinhar as exigências fiscais à realidade empresarial. • Digitalização e Transparência: Ferramentas como a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e os sistemas do SPED continuam transformando a relação entre contribuintes e o Fisco, aumentando o controle, a transparência e a eficiência dos processos de fiscalização. Essas mudanças destacam a importância da constante atualização dos profissionais de contabilidade e da adoção de tecnologias para atender às exigências da legislação tributária em evolução. 4. CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA A Contabilidade possui diversas ramificações voltadas a áreas específicas, sendo a Contabilidade Tributária uma das mais relevantes. Seu foco principal são os tributos, com o objetivo empresarial de aplicar a legislação tributária de maneira eficiente, minimizando os custos e os riscos fiscais. De forma geral, a Contabilidade Tributária é um campo das Ciências Contábeis dedicado à contabilização adequada das operações empresariais que geram fatos geradores de tributos incidentes sobre lucros, receitas ou resultados superavitários, criando obrigações tributárias principais. 10 Segundo Oliveira (2003), a Contabilidade Tributária é o ramo da contabilidade responsável pelo gerenciamento dos tributos incidentes nas diversas atividades de uma empresa ou grupo de empresas, assegurando o cumprimento das obrigações tributárias e protegendo a entidade de possíveis sanções fiscais ou legais. Fabretti (2001, p. 27) complementa, definindo-a como "o ramo da contabilidade que tem por objetivo aplicar na prática conceitos, princípios e normas básicas da contabilidade e da legislação tributária, de forma simultânea e adequada". A evolução da contabilidade ganhou destaque com a edição da Lei nº 11.638/2007, que introduziu os padrões internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards – IFRS) no Brasil. Essa mudança impactou significativamente as empresas de grande porte e aquelas com ações negociadas em bolsa, exigindo maior transparência e padronização nas demonstrações financeiras. Os IFRS estabeleceram um marco na harmonização das informações financeiras, promovendo comparabilidade, confiabilidade e relevância nas demonstrações contábeis em âmbito internacional. Essas normas atendem tanto às demandas de investidores quanto às exigências de órgãos reguladores, reforçando a transparência e a integridade dos dados financeiros. Com as constantes mudanças na legislação tributária, a Contabilidade Tributária assume papel ainda mais estratégico nas organizações. Entre os desafios contemporâneos, destacam-se: • Reforma Tributária em Discussão: As propostas em análise buscam transformar a apuração de tributos como ICMS, ISS, PIS e COFINS, exigindo adaptações nos processos contábeis e fiscais. • Digitalização e Informações em Tempo Real: A integração de dados fiscais em plataformas digitais, como o SPED, e o envio de obrigações acessórias de forma ágil e precisa tornam-se cada vez mais imprescindíveis. • Compliance Tributário: Além de aplicar adequadamente a legislação, a Contabilidade Tributária desempenha um papel fundamental no compliance tributário, na redução de riscos de autuações fiscais; Prevenção de multas e penalidades por descumprimento de normas; e, assegurar que as práticas contábeis estejam em conformidade com as exigências legais e regulatórias. • Planejamento Tributário: A Contabilidade Tributária também é essencial para o planejamento tributário, permitindo que empresas adotem estratégias lícitas para reduzir a carga tributária, otimizar a eficiência operacional e melhorar sua competitividade no mercado. Combinando expertise técnica e alinhamento estratégico, a Contabilidade Tributária continua sendo uma ferramenta indispensável para a sustentabilidade e o crescimento das organizações em um ambiente econômico e regulatório em constante evolução. 11 5. RETENÇÕES TRIBUTÁRIAS A retenção na fonte é um mecanismo eficaz da legislação tributária que centraliza a fiscalização e viabiliza a arrecadação e agiliza o processo de cobrança. E para isso as empresas precisam estar atentas para os casos de retenção na fonte para cumprir com as determinações da Receita Federal que atribuem mais e mais responsabilidades para as fontes pagadoras. As dificuldades mais comuns envolvem o acompanhamento constante das alterações dinâmicas na legislação tributária, a falta de investimentos adequados em capacitação e treinamento de pessoal, além da complexidade na interpretação normativa e na aplicação prática das retenções. Este material aborda os aspectos gerais da retenção, com o objetivo de introduzir o tema de forma clara e didática, destacando sua importância no contexto tributário. 5.1 – Contribuições Previdenciárias (INSS) As retenções para a Previdência Social ocorrem nos pagamentos a pessoas físicas e em alguns casos nas pessoas jurídicas. Para haver retenção nas contratações de pessoas jurídicas, precisa-se ser decorrente da prestação de serviços por empresas que realizam cessão de mão de obra ou empreitadas. 5.1.1 - Retenção Previdenciária - contribuinte individual a) contribuinte individual - O trabalhador autônomo e o empresário são segurados obrigatórios da Previdência Social, enquadrados na categoria de contribuinte individual e como tal devem proceder as suas inscrições no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). São segurados obrigatórios da previdência social, como contribuinte individual, dentre outras, as seguintes pessoas físicas: • a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área, contínua ou descontínua; • a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral (garimpo), em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; • o ministro de confissão religiosa ou o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; • o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; 12 • desde que receba remuneração decorrente de trabalho na empresa: o titular de firma individual urbana ou rural considerado empresário individual pela Lei nº 10.406/2002 , art. 931 ; qualquer sócio nas sociedades em nome coletivo, de capital e indústria; o sócio administrador, o sócio cotista e o administrador não-sócio e não-empregado na sociedade limitada, urbana ou rural, conforme definido na Lei nº 10.406/2002 ; o membro de conselho de administração na sociedade anônima ou o diretor não-empregado que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito por assembleia geral dos acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, desde que não mantidas as características inerentes à relação de emprego; o membro de conselho fiscal de sociedade ou entidade de qualquer natureza; • o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, em associação ou em entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de administração condominial, desde que recebam remuneração, pelo exercício do cargo, ainda que de forma indireta; • quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;• a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; • o aposentado de qualquer regime previdenciário nomeado magistrado da Justiça Eleitoral, na forma da Constituição Federal (CF), arts. 119, II e 120, § 1º, III; • o cooperado de cooperativa de produção que, nesta condição, presta serviço à sociedade cooperativa mediante remuneração ajustada ao trabalho executado; e • o apenado recolhido à prisão sob regime fechado ou semiaberto, que, nesta condição, presta serviços remunerados, dentro ou fora da unidade penal, a uma ou mais empresas, com ou sem intermediação da organização carcerária ou entidade afim, ou que exerce atividade artesanal por conta própria; • o pescador que trabalha em regime de parceria, de meação ou de arrendamento, em embarcação com mais de 6 toneladas de arqueação bruta, na exclusiva condição de parceiro outorgante; • o marisqueiro que, sem utilizar embarcação pesqueira, exerce atividade de captura dos elementos animais ou vegetais, com o auxílio de empregado; • o síndico da massa falida, o administrador judicial, definido pela Lei nº 11.101/2005, e o comissário de concordata, quando remunerados; • o médico-residente ou o residente em área profissional da saúde, contratados, respectivamente, na forma da Lei nº 6.932/1981 e da Lei nº 11.129/2005; • o árbitro de jogos desportivos e seus auxiliares, desde que atuem em conformidade com a Lei nº 9.615/1998; 13 • a pessoa física contratada por partido político ou por candidato a cargo eletivo, para, mediante remuneração, prestar serviços em campanhas eleitorais, em razão do disposto no art. 100 da Lei nº 9.504/1997; • o condutor autônomo de veículo rodoviário, assim considerado o que exerce atividade profissional sem vínculo empregatício, quando proprietário, coproprietário ou promitente comprador de um só veículo; • os auxiliares de condutor autônomo de veículo rodoviário, no máximo de 2, conforme previsto no art. 1º da Lei nº 6.094/1974 , que exercem atividade profissional em veículo cedido em regime de colaboração; • o diarista, assim entendida a pessoa física que, por conta própria, presta serviços de natureza não- contínua à pessoa, à família ou à entidade familiar, no âmbito residencial destas, em atividade sem fins lucrativos; • o pequeno feirante que compra para revenda produtos hortifrutigranjeiros ou assemelhados; • a pessoa física que habitualmente edifica obra de construção civil com fins lucrativos; • o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados a partir de 21.11.1994, em decorrência da Lei nº 8.935/1994. • o Microempreendedor Individual (MEI) de que tratam os arts. 18-A e 18-C da Lei Complementar nº 123/2006, que opte pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pela Microempresa e Empresa de Pequeno Porte (Simples Nacional) em valores fixos mensais. Nota: É considerado MEI o empresário individual a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406/2002 - Código Civil, que tenha auferido receita bruta, no ano-calendário anterior, de até R$ 81.000,00, optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática de recolhimento. Há propostas em tramitação no Congresso Nacional que visam aumentar esse limite para R$ 130.000,00 anuais, permitindo também a contratação de até dois empregados. No entanto, até o momento, essas alterações não foram aprovadas. Portanto, o limite vigente permanece em R$ 81.000,00 por ano. Essa modalidade é destinada a pequenos empreendedores que buscam formalizar suas atividades de forma simplificada, promovendo benefícios como acesso a direitos previdenciários, maior segurança jurídica e desburocratização de processos. b) Enquadramento Previdenciário - No âmbito da legislação previdenciária o trabalhador autônomo e o empresário são enquadrados na condição de contribuinte individual, devendo proceder as suas inscrições no RGPS nessa qualidade (contribuinte individual), ficando sujeitos à contribuição previdenciária individual, cujo recolhimento é efetuado mensalmente em decorrência do exercício de sua atividade. 14 A contribuição social previdenciária do segurado contribuinte individual (autônomo ou empresário), corresponde à importância resultante da aplicação da alíquota de 20% sobre a remuneração auferida, durante o mês, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. As empresas, inclusive as optantes pelo Simples Nacional, que utilizarem os serviços de contribuinte individual, seja ele autônomo ou empresário, ficam obrigadas a arrecadar a contribuição previdenciária desse segurado, mediante desconto a ser efetuado na remuneração correspondente aos serviços prestados, recolher o valor arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo e informar no E-Social a respectiva remuneração. Além da mencionada obrigação, as empresas também devem proceder à inscrição do contribuinte individual no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), caso este ainda não seja inscrito. c) Obrigatoriedade da retenção - A partir de 01.04.2003, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do contribuinte individual (Pessoa Física) a seu serviço, mediante desconto na remuneração paga, devida ou creditada a este segurado. Essa retenção é efetuada sobre os pagamentos realizados às Pessoas Físicas. Conforme definição de contribuintes individuais, constante no do artigo 9º, do Decreto 3.048/99, todo pagamento efetuado a título de contraprestação de serviços a qualquer pessoa física sofre a retenção da Previdência Social. d) Alíquotas da retenção - A contribuição, em razão da dedução prevista no § 4° do art. 30 da Lei n° 8.212, de 1991, corresponde a 11% (onze por cento) do total da remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado contribuinte individual, observado o limite máximo do salário-de- contribuição. A contribuição a ser descontada pela entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais, corresponde a 20% (vinte por cento) da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do salário-de-contribuição. Salário de contribuição Alíquota progressiva para fins de recolhimento ao INSS Até R$ 1.518,00 7,5% De 1.518,01 até 2.793,88 9% De 2.793,89 até 4.190,83 12% 15 De 4.190,84 até 8.157,41 14% Portaria Interministerial MPS/MF n° 006/2025. Exemplo 1: Pagamento a contribuinte individual, no valor de R$ 1.000,00, por empresa privada. Valor da retenção: R$ 1.000,00 x 11% = R$ 110,00 Valor líquido a pagar para o contribuinte individual: R$ 1.000,00 - R$ 110,00 = R$ 890,00. Exemplo 2: Pagamento a contribuinte individual, no valor de R$ 1.000,00, por entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. Valor da retenção: R$ 1.000,00 x 20% = R$ 200,00 Valor líquido a pagar para o contribuinte individual: R$ 1.000,00 - R$ 200,00 = R$ 800,00. e) Valor máximo da retenção - A empresa poderá reter da pessoa física, o limite mensal máximo de R$ 897,31 (8.157,41 x 11%), ou seja, o teto máximo para o desconto previdenciário do autônomo - pessoa física, conforme tabela de contribuição dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso. f) Contribuinte que presta serviços a várias empresas - o contribuinte individual que prestar serviços a mais de uma empresa, quando o total das remunerações recebidas no mês atingir o limite máximo do salário-de- contribuição,deverá informar o fato à empresa na qual sua remuneração atingir o limite e às que se sucederem, mediante a apresentação: I - dos comprovantes de pagamento ou; II - de declaração por ele emitida, sob as penas da lei, consignando o valor sobre o qual já sofreu desconto naquele mês ou identificando a empresa que efetuará, naquela competência, desconto sobre o valor máximo do salário-contribuição. O contribuinte individual que, no mesmo mês, prestar serviços a empresas e, concomitantemente, a pessoas físicas ou exercer atividade por conta própria deverá, para fins de observância do limite máximo de salário-de- contribuição, recolher a contribuição incidente sobre a remuneração recebida de pessoas físicas ou pelo exercício de atividade por conta própria somente se a remuneração recebida ou creditada das empresas que não atingir o referido limite. https://www.econeteditora.com.br/bdi/port/p24/portaria_interministral_mps_mf_002_2024.php 16 Exemplos 1) O empregado da empresa A percebeu no mês de janeiro/20X8 o salário de R$ 3.000,00; contudo, exerce concomitantemente atividade autônoma e, no mesmo mês (janeiro/20X8), prestou serviço nesta condição (autônomo) à empresa B, auferindo a remuneração de R$ 4.000,00. Assim temos: Desconto da contribuição previdenciária - teto máximo do salário de contribuição = R$ 8.157,31,; - total da remuneração auferida no mês = R$ 7.000,00 (atividades de empregado e contribuinte individual); • Cálculo do Desconto do Empregado (Empresa A): Como o salário de R$ 3.000,00 é inferior ao teto previdenciário de R$ 8.157,41, utilizamos a tabela progressiva do INSS (2025) para calcular o desconto: • Faixa 1 (Até R$ 1.518,00): 1.518,00×7,5%=R$113,851.518,00 \times 7,5\% = R\$ 113,851.518,00×7,5%=R$113,85 • Faixa 2 (De R$ 1.518,01 até R$ 2.793,88): (2.793,88−1.518,00)×9%=R$114,83(2.793,88 - 1.518,00) \times 9\% = R\$ 114,83(2.793,88−1.518,00)×9%=R$114,83 • Faixa 3 (De R$ 2.793,89 até R$ 3.000,00): (3.000,00−2.793,88)×12%=R$24,73(3.000,00 - 2.793,88) \times 12\% = R\$ 24,73(3.000,00−2.793,88)×12%=R$24,73 Total do desconto na Empresa A (Empregado): R$113,85+R$114,83+R$24,73=R$253,41 • Cálculo do Desconto do Contribuinte Individual (Empresa B): Para a empresa B, o autônomo recebeu R$ 4.000,00. O valor total das remunerações combinadas (empregado + autônomo) é de R$ 7.000,00, inferior ao teto previdenciário de R$ 8.157,41. • Valor já contribuído como empregado: R$253,41R\$ 253,41R$253,41 • Valor máximo que ainda pode ser contribuído para atingir o teto: R$8.157,41−R$3.000,00=R$5.157,41R\$ 8.157,41 - R\$ 3.000,00 = R\$ 5.157,41R$8.157,41−R$3.000,00=R$5.157,41 Como o salário do autônomo é de R$ 4.000,00, a contribuição será calculada sobre o valor total desse salário: 4.000,00×11%=R$440,00 2) Um empregado das empresas A e B recebeu, no mês de fevereiro/2025, as quantias equivalentes a R$ 800,00 e R$ 1.200,00, respectivamente. No mesmo mês, também prestou serviços na condição de contribuinte individual para a empresa C, recebendo um pagamento de R$ 1.500,00. Assim, temos: Teto máximo do salário de contribuição previdenciária (2025): R$ 8.157,41 17 Empresa A (Salário de R$ 800,00): O valor de R$ 800,00 está na faixa de 7,5% para salários até R$ 1.518,00. • Cálculo: R$800,00×7,5%=R$60,00 Empresa B (Salário de R$ 1.200,00): O valor de R$ 1.200,00 também está na faixa de 7,5% para salários até R$ 1.518,00. • Cálculo: R$1.200,00×7,5%=R$90,00 Total da Contribuição pelas Empresas A e B: • R$ 60,00 + R$ 90,00 = R$ 150,00 Cálculo da Contribuição do Autônomo (Empresa C): O salário do autônomo é R$ 1.500,00. A contribuição previdenciária para o contribuinte individual deve ser calculada à alíquota de 11%, respeitando o teto previdenciário de R$ 8.157,41. • Soma dos salários pagos pelas empresas A e B: R$800,00+R$1.200,00=R$2.000,00 • Diferença entre o teto e a soma das remunerações: R$8.157,41−R$2.000,00=R$6.157,41 Como o valor do salário do autônomo (R$ 1.500,00) está abaixo dessa diferença, a contribuição será calculada sobre o total do salário: • Cálculo: R$1.500,00×11%=R$165,00 Resumo: • Contribuição nas empresas A e B (Empregado): R$ 150,00 • Contribuição na empresa C (Autônomo): R$ 165,00 • Total da Contribuição Previdenciária: R$ 150,00 + R$ 165,00 = R$ 315,00 i) Comprovante de Retenção - A empresa que remunerar contribuinte individual deverá fornecer a este, comprovante de pagamento pelo serviço prestado consignando, além dos valores da remuneração e do desconto feito a título de contribuição previdenciária, a sua identificação completa, inclusive com o número no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e o número de inscrição do contribuinte individual no Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, conforme modelo de comprovante para contribuinte Individual. 18 j) Procedimentos Básicos de Retenção e Recolhimento - O recolhimento da contribuição previdenciária deverá ser feito pela empresa em uma única Guia da Previdência Social – GPS, dentro do prazo de recolhimento, a qual consignará os valores correspondentes a: • Contribuição previdenciária dos empregados – contribuição descontada em folha de pagamento dos empregados, de acordo coma faixa e os limites do salário-de-contribuição; • Retenção previdenciária – 11% sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual, observado o limite máximo do salário-de-contribuição; • Contribuição previdenciária patronal – 20% sobre a remuneração paga ou creditada ao contribuinte individual, no decorrer do mês, independente de limite; • Contribuições de terceiros – contribuições para organizações sociais, em percentuais variados, conforme a atividade da empresa contratante. A empresa contratante de serviços prestados por contribuinte individual deverá adotar os seguintes procedimentos, antes de efetuar o pagamento e recolhimento da retenção previdenciária: 1º passo: apurar e calcular o valor da remuneração contratada ou do salário-de-contribuição, este quando for o caso; 2º Passo: calcular o valor da retenção da contribuição previdenciária do contribuinte individual, sem prejuízos do ISS e IRRF, quando for o caso; 3º Passo: determinar o valor líquido a pagar ao contribuinte individual pelos serviços prestados, o qual será a diferença entre o valor bruto e o valor (ES) retido(s); 4º Passo: calcular a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada, durante o mês, ao contribuinte individual; 5º Passo: elaborar recibo de pagamento ou declaração de pagamento de serviços prestados; 6º Passo: recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, a importância retida com as demais contribuições da empresa, dentro do prazo de recolhimento; 7º Passo: cumprir com as obrigações acessórias ao encargo do contratante dos serviços prestados. MODELO DE COMPROVANTE PARA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL COMPROVANTE DE PAGAMENTO E RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL IDENTIFICAÇÃO DA CONTRATANTE: EMPRESA: ENDEREÇO: CNPJ: IDENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL 19 NOME: ENDEREÇO: CPF: NIT OU NO INSCRIÇÃO PIS: SERVIÇO PRESTADO DESCRIÇÃO: VALOR DA REMUNERAÇÃO R$ ( - ) VALOR DA RETENÇÃO R$ ( = ) VALOR LÍQUIDO PAGO R$ DECLARAMOS PARA OS DEVIDOS FINS QUE A CONTRATANTE EFETUOU A RETENÇÃO NO PERCENTUAL DE 11% DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL ACIMA IDENTIFICADO, ASSUMINDO O COMPROMISSO DE QUE A REMUNERAÇÃO PAGA SERÁ INFORMADA NA GFIP E A CONTRIBUIÇÃO CORRESPONDENTE SERÁ RECOLHIDA. (IN RFB 971/2009, ART. 47, V) LOCAL E DATA: ASSINATURA DO REPRESENTANTE LEGAL: DECLARAÇÃO PARA EFEITO DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (§ 1º do art. 64 e § 1º do art. 67 da IN RFB nº 971 de 13/11/2009) Eu,_________________________________________________________________________________________, CPF nº _____________________, inscrito no Instituto Nacional do Seguro Social - INSS (NIT, PIS, PASEP ou SUS) sob o número _________________________________, declaro, sob as penas da lei, para fins de observância do limite máximo do salário-de-contribuição, que recebi/receberei a(s) remuneração(ões), abaixo discriminada(s), referente(s) à competência do período _________________________________. Legenda Nome da Empresa CNPJ Remuneração Retenção INSS 1 ( ) 2 ( ) __________________ ________________ ______________ _______________ 1 ( ) 2 ( ) __________________ ________________ ______________ _______________ 1 ( ) 2 ( ) __________________ ________________ ______________ _______________ Legenda: 1) Valor sobre o qual a empresa já efetuou o desconto da Contribuição Previdenciária. 2) Valor sobre o qual a empresa efetuará o desconto da Contribuição Previdenciária 20 Declaro, ainda, estar ciente de que na hipótese de deixar de receber ou receber remuneração inferior à indicada nesta declaração, deverei recolher a contribuição incidente sobre a soma das remunerações recebidas das empresas sobre as quais não houve o desconto em face desta declaração (art. 67, § 3º da IN RFB nº 971 de 13/11/2009). __________________________________ Local e data ___________________________________ Assinatura 5.1.2- Retenção Previdenciária – Pessoa Jurídica a Pessoa Jurídica A retenção do INSS em operações de prestação de serviços entre pessoas jurídicas está atualmente regulamentada pela Instrução Normativa RFB nº 2.110/2022, que consolidou e atualizou as normas gerais de tributação previdenciária. A retenção visa garantir a arrecadação das contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento e serviços contratados. Em relação à alíquota da retenção, em regra, deve ser de 11%, conforme previsto no artigo 110 da IN RFB n° 2.110/2022. . No entanto, a legislação confere um tratamento diferenciado para as empresas que são optantes pela regra da Contribuição Previdenciária sobre a ReceitaBruta (CPRB), mais conhecida como “desoneração da folha de pagamento”. Para essas empresas que são optantes por essa regra, quando forem prestadoras de serviços e sujeitas à retenção, o percentual de retenção será de 3,5%sobre o valor da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, a teor do que dispõe o artigo 7°, § 6° da Lei n° 12.546/2011 . a) Modalidades para efetuar a retenção: Cessão de Mão de Obra - Refere-se à colocação de trabalhadores à disposição da empresa contratante, de forma contínua, em suas dependências ou nas de terceiros, para a execução de serviços relacionados ou não à atividade-fim. Empreitada - Trata-se da execução de tarefas, obras ou serviços, contratualmente estabelecida, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de materiais ou uso de equipamentos. Pode ser realizada nas dependências da contratante, nas de terceiros ou nas da contratada. Entende-se por: 21 • Dependências de Terceiros: são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. • Serviços Contínuos: são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. • Colocação à Disposição da Empresa: entende-se a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. b) Serviços Sujeitos a Retenção – Cessão de Mão de Obra ou Empreitada - Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, os serviços de: I - limpeza, conservação ou zeladoria, que se constituam em varrição, lavagem, enceramento, desinfecção ou em outros serviços destinados a manter a higiene, o asseio ou a conservação de praias, jardins, rodovias, monumentos, edificações, instalações, dependências, logradouros, vias públicas, pátios ou de áreas de uso comum; II - vigilância ou segurança, que tenham por finalidade a garantia da integridade física de pessoas ou a preservação de bens patrimoniais; III - construção civil, que envolvam a construção, a demolição, a reforma ou o acréscimo de edificações ou de qualquer benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo ou obras complementares que se integrem a esse conjunto, tais como a reparação de jardins ou passeios, a colocação de grades ou de instrumentos de recreação, de urbanização ou de sinalização de rodovias ou de vias públicas; IV - natureza rural, que se constituam em desmatamento, lenhamento, aração ou gradeamento, capina, colocação ou reparação de cercas, irrigação, adubação, controle de pragas ou de ervas daninhas, plantio, colheita, lavagem, limpeza, manejo de animais, tosquia, inseminação, castração, marcação, ordenamento, embalagem ou extração de produtos de origem animal ou vegetal; V - digitação, que compreendam a inserção de dados em meio informatizado por operação de teclados ou de similares; VI - preparação de dados para processamento, executados com vistas a viabilizar ou a facilitar o processamento de informações, tais como o escaneamento manual ou a leitura ótica. Os serviços de vigilância ou segurança prestados por meio de monitoramento eletrônico não estão sujeitos à retenção. c) Serviços Sujeitos a Retenção – Cessão de Mão de Obra - Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mão-de-obra, os serviços de: I - acabamento, que envolvam a conclusão, o preparo final ou a incorporação das últimas partes ou dos componentes de produtos, para o fim de colocá-los em condição de uso; 22 II - embalagem, relacionados com o preparo de produtos ou de mercadorias visando à preservação ou à conservação de suas características para transporte ou guarda; III - acondicionamento, compreendendo os serviços envolvidos no processo de colocação ordenada dos produtos quando do seu armazenamento ou transporte, a exemplo de sua colocação em palets, empilhamento, amarração, entre outros; IV - cobrança, que objetivem o recebimento de quaisquer valores devidos à empresa contratante, ainda que executados periodicamente; V - coleta ou reciclagem de lixo ou de resíduos, que envolvam a busca, o transporte, a separação, o tratamento ou a transformação de materiais inservíveis ou resultantes de processos produtivos, exceto quando realizados com a utilização de equipamentos tipo containers ou caçambas estacionárias; VI - copa, que envolvam a preparação, o manuseio e a distribuição de todo ou de qualquer produto alimentício; VII - hotelaria, que concorram para o atendimento ao hóspede em hotel, pousada, paciente em hospital, clínica ou em outros estabelecimentos do gênero; VIII - corte ou ligação de serviços públicos, que tenham como objetivo a interrupção ou a conexão do fornecimento de água, de esgoto, de energia elétrica, de gás ou de telecomunicações; IX - distribuição, que se constituam em entrega, em locais predeterminados, ainda que em via pública, de bebidas, de alimentos, de discos, de panfletos, de periódicos, de jornais, de revistas ou de amostras, entre outros produtos, mesmo que distribuídos no mesmo período a vários contratantes; X - treinamento e ensino assim considerado o conjunto de serviços envolvidos na transmissão de conhecimentos para a instrução ou para a capacitação de pessoas; X - treinamento e ensino assim considerado o conjunto de serviços envolvidos na transmissão de conhecimentos para a instrução ou para a capacitação de pessoas; XI - entrega de contas e de documentos, que tenham como finalidade fazer chegar ao destinatário documentos diversos tais como conta de água, conta de energia elétrica, conta de telefone, boleto de cobrança, cartão de crédito, mala direta ou similares;XII - ligação de medidores, que tenham por objeto a instalação de equipamentos destinados a aferir o consumo ou a utilização de determinado produto ou serviço; XIII - leitura de medidores, aqueles executados, periodicamente, para a coleta das informações aferidas por esses equipamentos, tais como a velocidade (radar), consumo de água, de gás ou de energia elétrica; XIV - manutenção de instalações, de máquinas ou de equipamentos, quando indispensáveis ao seu funcionamento regular e permanente e desde que mantida equipe à disposição da contratante; XV - montagem, que envolvam a reunião sistemática, conforme disposição predeterminada em processo industrial ou artesanal, das peças de um dispositivo, de um mecanismo ou de qualquer objeto, de modo que possa funcionar ou atingir o fim a que se destina; XVI - operação de máquinas, de equipamentos e de veículos relacionados com a sua movimentação ou funcionamento envolvendo serviços do tipo manobra de veículo, operação de guindaste, painel eletro- eletrônico, trator, colheitadeira, moenda, empilhadeira ou caminhão fora-de-estrada; 23 XVII - operação de pedágio ou de terminal de transporte, que envolvam a manutenção, a conservação, a limpeza ou o aparelhamento de terminal de passageiros terrestre, aéreo ou aquático, de rodovia, de via pública, e que envolvam serviços prestados diretamente aos usuários; XVIII - operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou de subconcessão, envolvendo o deslocamento de pessoas por meio terrestre, aquático ou aéreo; XIX - portaria, recepção ou ascensorista, realizados com vistas ao ordenamento ou ao controle do trânsito de pessoas em locais de acesso público ou à distribuição de encomendas ou de documentos; XX - recepção, triagem ou movimentação, relacionados ao recebimento, à contagem, à conferência, à seleção ou ao remanejamento de materiais; XXI - promoção de vendas ou de eventos, que tenham por finalidade colocar em evidência as qualidades de produtos ou a realização de shows, de feiras, de convenções, de rodeios, de festas ou de jogos; XXII - secretaria e expediente, quando relacionados com o desempenho de rotinas administrativas; XXIII - saúde, quando prestados por empresas da área da saúde e direcionados ao atendimento de pacientes, tendo em vista avaliar, recuperar, manter ou melhorar o estado físico, mental ou emocional desses pacientes; XXIV - telefonia ou de telemarketing, que envolvam a operação de centrais ou de aparelhos telefônicos ou de tele-atendimento. d) Dispensa de Retenção - A contratante fica dispensada de efetuar a retenção, quando: I - O valor correspondente ao percentual aplicável (11%) sobre os serviços descritos em cada nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços for inferior ao limite mínimo estabelecido pelo INSS para recolhimento em documento de arrecadação. II - A contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio, e o faturamento do mês anterior for igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do salário-de-contribuição, cumulativamente. III - A contratação envolver exclusivamente serviços profissionais regulamentados por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino (definidos na legislação vigente), desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais. Para comprovar a condição de dispensa da retenção, a contratada deve apresentar declarações específicas: Para o item II: Uma declaração assinada pelo representante legal da contratada, sob as penas da lei, informando que: • Não possui empregados; • O serviço foi prestado pessoalmente pelo titular ou sócio; 24 • O faturamento do mês anterior foi igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do salário-de- contribuição. Para o item III: Uma declaração assinada pelo representante legal da contratada, sob as penas da lei, informando que o serviço foi prestado pessoalmente por um sócio da empresa, que se trata de um profissional de profissão regulamentada ou, se aplicável, da área de treinamento e ensino, sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais. Essa informação também pode ser consignada na nota fiscal, fatura ou recibo. Serviços Profissionais Regulamentados Para fins do disposto no item III, consideram-se profissionais regulamentados pela legislação federal, entre outros: Administradores, advogados, aeronautas, aeroviários, agrônomos, arquitetos, assistentes sociais, atuários, bibliotecários, biólogos, biomédicos, cirurgiões-dentistas, contadores, economistas, enfermeiros, engenheiros, estatísticos, farmacêuticos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, geógrafos, geólogos, jornalistas, médicos, nutricionistas, psicólogos, publicitários, químicos, radialistas, secretários executivos, técnicos de radiologia, tecnólogos, entre outros. e) Deduções da Base de Cálculo - Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam: 1 - ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conforme Lei 6.321/1976; 2 - ao fornecimento de vale-transporte de conformidade com a legislação própria. A fiscalização do INSS poderá exigir da contratada a comprovação das deduções previstas acima. O valor relativo à taxa de administração ou de agenciamento, ainda que figure discriminado na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não poderá ser objeto de dedução da base de cálculo da retenção, inclusive no caso de serviços prestados por trabalhadores temporários. Na hipótese da empresa contratada emitir duas notas fiscais, faturas ou recibos, relativos ao mesmo serviço, uma contendo o valor correspondente à taxa de administração ou de agenciamento e a outra o valor da remuneração dos trabalhadores utilizados na prestação do serviço, a retenção incidirá sobre o valor de cada uma dessas notas, faturas ou recibos. http://www.portaltributario.com.br/guia/clientes/legislacao/l6321.htm 25 f) Fornecimento de Materiais ou Equipamentos - Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento esteja previsto em contrato, sem a respectiva discriminação de valores, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: • 50% do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; • 30% do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte passageiros, cujas despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada; • 65% quando se referir à limpeza hospitalar e 80% quando se referir aos demais tipos de limpezas, do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, desde que haja a discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços: • I - e o seu fornecimento e os respectivos valores constarem em contrato, aplica-se o disposto no art. 149; • II - não havendo discriminação de valores em contrato, independentemente da previsão contratual do fornecimento de equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, para a prestação de serviços em geral, a cinquenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, aos percentuais abaixo relacionados: a) dezpor cento para pavimentação asfáltica; b) quinze por cento para terraplenagem, aterro sanitário e dragagem; c) quarenta e cinco por cento para obras de arte (pontes ou viadutos); d) cinquenta por cento para drenagem; e e) trinta e cinco por cento para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto os manuais. Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais de um dos serviços, cujos valores não constem individualmente discriminados na nota fiscal, na fatura, ou no recibo, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço, conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de cada serviço. Não existindo previsão contratual de fornecimento de material ou utilização de equipamento e o uso deste equipamento não for inerente ao serviço, mesmo havendo discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, exceto no caso do serviço de transporte de passageiros, para o qual a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, à prevista no inciso II do art. 150 da IN SRP 03/2005 com nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007. http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/38/MPS-SRP/2007/20.htm 26 Na falta de discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o seu valor bruto, ainda que exista previsão contratual para o fornecimento de material ou utilização de equipamento, com ou sem discriminação de valores em contrato. g) Destaque da Retenção - Quando da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, a contratada deverá destacar o valor da retenção com o título de "RETENÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL". O destaque do valor retido deverá ser identificado logo após a descrição dos serviços prestados, apenas para produzir efeito como parcela dedutível no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, sem alteração do valor bruto da nota, fatura ou recibo de prestação de serviços. A falta do destaque do valor da retenção, conforme previsto acima, constitui infração ao § 1º do art. 31 da Lei 8.212/1991. h) falta de recolhimento - falta de recolhimento, no prazo legal, das importâncias retidas configura, em tese, crime contra a Previdência Social previsto no art. 168-A do Código Penal, introduzido pela Lei nº 9.983, de 14 de julho de 2000, ensejando a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). i) Compensação pela empresa contratada - O valor retido deve ser compensado pela empresa contratada com as contribuições devidas à Previdência Social. Na impossibilidade de haver compensação integral da retenção na própria competência, o crédito em favor da empresa prestadora de serviços poderá ser compensado nas competências subsequentes, ou ser objeto de pedido de restituição. 5.2 – Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) A legislação permite ao Governo Federal a possibilidade de criar o instituto de Imposto de Renda na fonte, ou seja, obrigar as pessoas jurídicas a efetuarem o desconto do imposto sobre a renda e repassar para o governo. Assim, a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou proventos tributáveis à condição de responsável pelo desconto e pelo recolhimento do imposto. (Marchezin, 2013). As regras das retenções de IRPF e jurídicas estão estabelecidas no RIR/99 (Decreto 3.000/99) Na contratação de pessoas físicas, a retenção do IR é obrigatória em grande parte das situações que envolvam pagamentos a estas. Já nas contratações de Pessoas Jurídicas, a legislação impõe a obrigação de reter e recolher IR, em regra, apenas em determinados tipos de serviços. http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/lei8212.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/lei8212.htm 27 O IR é de competência da União, mas o destinatário da receita oriunda do IRRF varia de acordo com a natureza jurídica da fonte pagadora. NATUREZA JURÍDICA DO CONTRATANTE GOVERNO FEDERAL GOVERNO ESTADUAL GOVERNO MUNICIPAL Órgão, Autarquia ou Fundação UNIÃO Estado* Município Empresa Pública ou Sociedade de Economia Mista União União Alexandre Marques –Gestão Tributária NATUREZA JURÍDICA DO CONTRATANTE Iniciativa Privada Empresa de Qualquer Natureza União Entidades sem fins lucrativos Alexandre Marques –Gestão Tributária A legislação atribui a responsabilidade pela retenção e recolhimento do IRRF à fonte pagadora, conforme determina o art. 722 do RIR/99. “Art. 122 – A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido”. A arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) pelos estados e municípios era limitada aos rendimentos decorrentes da folha de pagamento de seus servidores. Qualquer outra retenção, como aquelas relacionadas a pagamentos de serviços contratados por órgãos estaduais ou municipais, deveria ser repassada à União, conforme as normas vigentes e demonstrativos acima. Entretanto, com a decisão do STF, foi estabelecido que todas as retenções de IRRF, inclusive aquelas decorrentes de pagamentos realizados a empresas contratadas pelos órgãos públicos estaduais e municipais, ficam no próprio estado ou município responsável pela retenção. Essa mudança amplia o alcance da receita destinada aos entes subnacionais, garantindo que os valores arrecadados com retenções tributárias permaneçam no âmbito de quem realiza o pagamento, em conformidade com os artigos 157 e 158 da Constituição Federal. Para formalizar essa mudança, foi publicada a Instrução Normativa RFB nº 2.145/2023, que regula os procedimentos de retenção e recolhimento do IRRF para estados, municípios e o Distrito Federal, consolidando o entendimento jurídico firmado pelo STF. Dessa forma, os estados e municípios não precisam mais repassar à União o IRRF relativo a pagamentos de empresas contratadas, o que fortalece a autonomia financeira dos entes subnacionais e assegura maior aderência ao princípio federativo. 28 5.2.1 – IRRF de Pessoas Físicas Os pagamentos realizados a pessoas físicas decorrentes de rendimento de trabalho assalariado, não assalariado, aluguéis, e outros não enquadrados na condição de isentos ou não tributáveis, devem ser objeto de retenção. O cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os rendimentos pagos a pessoas físicas durante ao ano-calendário de 2014 deve ser efetuado com base na tabela mensal já mencionada neste texto (Lei nº 11.482/2007, art. 1º, inciso VI, alterada pela Lei nº 12.469/2011, art. 1º, e Instrução Normativa RFB nº 1.142/2011). Para calcular o IRRF devido no pagamento a pessoa física, a empresa ou o próprio contribuinte (PF) utiliza a tabela progressão mensal citada abaixo. Base de Cálculo Alíquota Parcela a Deduzir do IR Até R$ 2.259,20 Zero Zero De R$ 2.259,21 até R$ 2.826,65 7,5% R$ 169,44 De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 15% R$ 381,44 De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 22,5% R$ 662,77 Acima de R$ 4.664,68 27,5% R$ 896,00 5.2.1.1 - DEDUÇÕES ADMITIDAS NA BASE DE CÁLCULO a) Dependentes O valor relativo à dedução por dependente é de R$ 189,59. Assim, conforme o número de dependentes (para o qual não há limitação), os valores a deduzir são: Podem ser considerados dependentes: a) o cônjuge; b) o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de 5 anos ou por período menor se da união resultou filho; c) a filha, o filho, a enteada ou o enteado: c.1) até 21 anos; c.2) maior, até 24 anos, se ainda for discente em estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de ensino médio; ou c.3) de qualqueridade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; d) o menor pobre, de até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; a) o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, do qual o contribuinte detenha a guarda judicial: e.1) até 21 anos; 29 e.2) maior, até 24 anos, se ainda for discente em estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de ensino médio; ou e.3) de qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; f) os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal (R$ 1.903,98); g) o absolutamente incapaz, assim declarado judicialmente, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. ATENÇÃO (1) Quando ambos os cônjuges perceberem rendimentos tributáveis, os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados dependentes por qualquer dos cônjuges, todavia fica vedada a dedução concomitante de um mesmo dependente na determinação da base de cálculo do imposto devido por ambos. (2) Os filhos de pais separados poderão ser considerados dependentes do cônjuge que ficar com a sua guarda, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. (3) Para fins de desconto do imposto na fonte, os beneficiários devem informar à fonte pagadora os dependentes que deverão ser utilizados na determinação da base de cálculo. O documento comprobatório deve ser mantido pela fonte pagadora à disposição da fiscalização, não cabendo ao empregador responsabilidade sobre as informações prestadas pelos empregados. (4) O contribuinte pode incluir o companheiro, abrangendo também as relações homoafetivas, como dependente para efeito de dedução do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, desde que tenha vida em comum por mais de 5 anos, ou por período menor se da união resultou filho (Parecer PGFN/CAT nº 1.503/2010; Perguntas e Respostas IRPF 2014 - Resposta à Pergunta nº 319). (Instrução Normativa SRF nº 15/2001 , art. 38 ) b) Pensão alimentícia Podem ser deduzidas as importâncias pagas pelo contribuinte a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil), observando-se o seguinte: a) a partir do mês em que se iniciar essa dedução, é vedada a dedução de dependente focalizada no subitem anterior, quando se referirem à mesma pessoa; b) quando a fonte pagadora não for responsável pelo desconto da pensão, a dedução do valor mensal pago a esse título somente poderá ser efetuada se o prestador lhe fornecer o comprovante do pagamento; c) o valor da pensão alimentícia não utilizado como dedução no próprio mês de seu pagamento poderá ser deduzido nos meses subsequentes. ATENÇÃO As importâncias descontadas em folha, a título de pensão alimentícia, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) quando repassadas aos respectivos beneficiários, devendo estes incluí-las na base de cálculo do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão). (Instrução Normativa SRF nº 15/2001, art. 49 ) 30 c) Contribuições para a Previdência Social - Podem ser deduzidas as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, cujo ônus tenha sido do contribuinte, desde que destinadas ao seu próprio benefício. (Instrução Normativa SRF nº 15/2001, art. 37 , I) d) Alugueis de Imóveis - No caso de aluguéis de imóveis, não integram o rendimento tributável: • o valor de impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; • o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado, quando for o caso; • as despesas pagas para cobrança ou recebimento do aluguel; • as despesas de condomínio. Ressalve-se que esses encargos somente poderão reduzir o valor do aluguel bruto quando o ônus tiver sido exclusivamente do locador. Portanto, quando pagos diretamente pelo locatário a quem de direito (sem passar pelas mãos do locador), não poderão ser deduzidos do valor do aluguel recebido. (Instrução Normativa SRF nº 15/2001, art. 12 ) e) Remuneração de Serviços de Transporte - Consideram-se rendimentos tributáveis, no mínimo: - 10% do rendimento total, quando decorrente de transporte de carga ou proveniente da prestação de serviços com trator, máquina de terraplanagem, colheitadeira e assemelhados; - 60% do rendimento total, quando decorrente do transporte de passageiros. Nota Até 31.12.2012, considerava-se rendimento tributável 40% do rendimento total, quando decorrente de transporte de carga ou proveniente da prestação de serviços com trator, máquina de terraplanagem, colheitadeira e assemelhados. (Lei nº 7.713/1988, art. 9º , I e II; Lei nº 12.794/2013 , arts. 18 e 20) f) Parcela isenta de proventos de aposentadorias e pensões - É de R$ 1.903,98 a parcela correspondente ao limite de isenção no caso de rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa de direito público interno ou por entidade de previdência privada a beneficiários com idade igual ou superior a 65 anos. Essa isenção não prejudica a utilização do limite de isenção da tabela progressiva, que corresponde também ao valor de R$ 1.903,98. Ressalte-se que o benefício focalizado neste item é exclusivo para proventos de aposentadorias e pensões pagos pela Previdência Social ou por entidade de previdência privada. Isso quer dizer que, se o aposentado auferir rendimentos de outra espécie, sujeitos à tabela progressiva, o cálculo do imposto sobre esses outros rendimentos será efetuado utilizando-se exclusivamente o limite de isenção da tabela progressiva, ou seja, aplicando-se simplesmente a tabela sem se considerar a parcela extra de isenção. (Lei nº 9.250/1995, art. 4º, VI; Lei nº 11.482/2007 , art. 3º ; Lei nº 12.469/2011 , art. 3º ) 31 g)Adiantamento de Rendimentos - O adiantamento de rendimentos correspondente a determinado mês não está sujeito à retenção do imposto na fonte, desde que os rendimentos sejam integralmente pagos no próprio mês a que se referirem, hipótese em que o cálculo e a retenção do imposto sobre o total dos rendimentos pagos no mesmo mês são efetuados por ocasião do pagamento do saldo, observando-se que: • se o adiantamento se referir a rendimentos que não sejam integralmente pagos no mês de referência, o imposto deverá ser calculado de imediato sobre esse adiantamento; • para esse fim, são considerados adiantamentos quaisquer valores fornecidos ao beneficiário, pessoa física, inclusive a título de empréstimo, quando não haja previsão, cumulativa, de cobrança de encargos financeiros, forma e prazo de pagamento; • essa regra não se aplica ao adiantamento da 1ª parcela do 13º salário cujo imposto, quando devido, somente será descontado por ocasião do pagamento do saldo da gratificação em dezembro ou na rescisão do contrato de trabalho. ( RIR/1999 , arts. 621 e 638; Instrução Normativa SRF nº 15/2001 , art. 18 ) h)Ocorrência de mais de um pagamento de rendimentos no mês a um mesmo beneficiário - quando houver mais de um pagamento de rendimentos, a qualquer título, no mês, a um mesmo beneficiário, a fonte pagadora deverá proceder ao desconto do imposto por ocasião de cada pagamento, determinando a base de cálculo a partir do somatório dos rendimentos pagos no mês, a qualquer título, e compensar o imposto retido por ocasião do(s) pagamento(s) feito(s) anteriormente no mês. ATENÇÃO! Esse procedimento não se aplica nos casos de: a) adiantamento